sábado, 3 de setembro de 2011

Fletcher Custon fala de arte e processos culturais


“Processos culturais na arte contemporânea”, com John Fletcher Custon vai abordar os vários aspectos culturais que tem se destacado e ganhado um foco premente para a pesquisa em torno da arte: o multicultural versus o multiculturalismo, o global versus o local, a comunicação e, no nosso caso mais específico, as organizações híbridas das sociedades na América Latina.

Além disso, o salão também abre ao público a visitação de uma das obras premiadas, o vídeo interativo “Authority”, de Ricardo O’Nascimento.

Em um contexto onde é importante observar como os processos globalizadores criaram e criam mercados mundiais de bens materiais e ideológicos, mensagens e migrantes, Fletcher, mestre em Artes pela Universidade Federal do Pará, professor de Estética e Filosofia da Arte (Parfor/UFPA), pretende traçar um panorama sobre determinados aspectos levantados e relevantes para o foco dos estudos culturais, com o intuito de servir de corpus epistemológico para compreender rotas pelas quais a produção artística hoje trafega.

O salão ficará aberto a visitação até o dia 18 de setembro e ainda vai oferecer outras ações a serem divulgadas no decorrer da exposição.

Premiando cinco artistas, Flamínio Jallageas (SP), com o vídeo instalação “Platôs” (2009), o Grupo Hyenas (RJ), com a vídeo instalação “A Borboleta e o Tigre” (versão HD - 2004 – 2011) e Míriam Duarte (MG/SP), também com uma vídeo instalação intitulada “Refletir” (2011), além de Ricardo O’Nascimento (RJ), com o vídeo arte “Authority” (2008) e o paraense Victor De La Rocque (PA), que inscreveu a web arte, “Not Found” (2011), o salão reúne ainda mais algumas dezenas de obras digitais e obras de artistas convidados como Lúcia Gomes, Armando Queiroz, Keyla Sobral, Melissa Barbery e Roberta Carvalho.

Vídeo instalação “Authority” é aberta ao público

Estará disponível à visitação do público a obra Authority, que por motivos técnicos não pôde estar na abertura do evento. De autoria de Ricardo O’Nascimento, esta foi uma das obras premiadas do salão.

Ricardo trabalha como artista e pesquisador independente no campo de nova mídias e artes interativas e investiga as relações entre corpo e ambiente com foco no desenvolvimento de dispositivos vestíveis e roupas inteligentes. Nesta obra, ele explica que teve um insight depois de uma experiência pessoal.

“Eu estava na Europa esperando meus documentos para morar legalmente na Itália. Por causa desse processo, tive que ir várias vezes ao departamento de imigração. Lá pude perceber como a teoria de poder de Foucault realmente se aplica em nossa sociedade. Vários guardas tratando muito mal as pessoas (imigrantes) e berrando em italiano como se as pessoas fossem surdas, quando na verdade elas somente não entendem direito o idioma italiano. Como todo mundo ficava calado diante desse comportamento da maioria dos guardas ali presentes, eles se sentiam cada vez mais poderosos. Dessa experiência nasceu a instalação”, explica o artista.

Authority (Autoridade) é uma instalação de vídeo interativa onde o som é a ferramenta para o arranjo de poder. O público se posta diante da imagem projetada de um policial e ele começa a gritar. Dependendo de sua reação, esta situação pode mudar. Este trabalho foi baseado em pensamentos de Michel Foucault sobre o poder.

O artista argumenta que o poder deve ser entendido em termos de suas operações, técnicas e ferramentas, e não em termos do que simplesmente é. Em Autoridade, a relação de poder é equalizada pelos decibéis vocais de cada pessoa que interage com a imagem do soldado.

Ricardo começou a trabalhar com arte em 2004, em São Paulo, e alguns anos depois foi para a Áustria, onde concluiu seu Mestrado em Artes Interativas pela Faculdade de Arte e Design de Linz. Nos últimos anos, está trabalhando com roupas interativas para performance. Para ele, o salão Xumucuís vem agregar importância à arte digital, fora do eixo Rio-SP-BH.

“A arte digital certamente ainda é pouco divulgada e sofre bastantes preconceitos, inclusive dentro do meio artístico. A existência de salões e espaços onde esse tipo de manifestação artística pode ser apresentada ao público é fundamental para a divulgação e popularização da arte eletrônica”, finaliza.

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