sexta-feira, 8 de maio de 2026

Entregadores: Exploração e futuro em aberto na Europa


Foto: Reprodução/Courrier Picard

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Nas últimas semanas, os entregadores de plataformas digitais de países membros da União Europeia voltaram a ganhar destaque no debate público por meio de suas manifestações políticas, ações na Justiça e a publicação de um bombástico relatório de pesquisa na França. Num ano em que uma diretiva votada na União Europeia, que busca melhorar a situação desses trabalhadores, deveria ser implementada em todos os países membros, o embate está longe de encontrar um desfecho favorável aos mais fracos.

No final de março de 2026, um importante relatório sobre a saúde e as condições de vida e de trabalho de entregadores de plataformas digitais na França foi divulgado e gerou um amplo debate público. Este documento compartilhou uma das etapas da pesquisa Santé-Course, coordenada pelo Institut de recherche pour le développement (IRD) e que contou com a colaboração de outras instituições de pesquisa, associações de entregadores e profissionais da área da saúde.1

Foram entrevistados 1.004 entregadores nas cidades de Bourdeaux e de Paris ao longo de 2025. Os depoimentos duraram em média 25 minutos e cada entregador recebeu um cheque de 15 euros por sua participação. O relatório está dividido em três grandes seções. Na primeira, são apresentadas as características sociodemográficas e as condições de trabalho dos entregadores. Em seguida, o estudo se debruça sobre os riscos profissionais aos quais os entregadores estão expostos e apresenta indicadores de saúde física e mental deles. Por fim, na última seção, são apresentados os dados sobre os controles policiais e as discriminações a que esses entregadores são frequentemente submetidos.

No tocante às características sociodemográficas, 98,8% dos entrevistados são homens, sendo que 81,4% têm menos de 35 anos de idade. 98,7% nasceram no exterior e 64,4% estão em situação irregular dentro do território francês. Entre os que trabalham em Paris, quase metade provém da África Ocidental (49,3%), seguido por pessoas originadas da Ásia (31,7%, sendo a maioria de Bangladesh) e do Norte da África (14,5%). Destes, 91,2% não desejam continuar no trabalho de delivery por plataforma digital depois que sua situação for regularizada. Nenhum entregador tem o status de assalariado, sendo que 73,5% alugam a conta do aplicativo de um terceiro para trabalhar.

Os entregadores na França ganham em média 1.480 euros brutos por mês2. Após os descontos referentes aos gastos habituais, seu rendimento cai para uma média de 880 euros líquidos. Porém, este valor pode variar de acordo com o status legal do trabalhador no país, o tipo de veículo utilizado e a cidade em que a entrega é feita. Aqueles que precisam alugar uma conta para trabalhar recebem menos do que os proprietários de perfis em situação regular no país. 91% dos entregadores entrevistados recebem o essencial de sua renda nas plataformas e apenas 7% deles têm uma ou mais atividades remuneradas para além das entregas.

Conforme o relatório,

“A maioria dos entregadores declararam trabalhar entre 11 e 12 meses por ano, 81% entre 6 e 7 dias por semanas e 90% mais de 6 horas por dia em média, para uma duração habitual de trabalho de 63 horas por semana em média. 60% dos entregadores estimam que a intensidade dos esforços fornecidos num dia típico de entregas está entre muito difícil à exaustão. 75,8% dos entregadores entrevistados declaram ter utilizado um veículo não motorizado (mecânico ou elétrico) para sua atividade de entrega no mês precedente à entrevista. 58,7% dos entregadores entrevistados já tiveram ao menos um acidente em seu trabalho” (p. 9)

Sobre a saúde física e mental, um terço dos entregadores disseram ter dores de barriga, perda de apetite ou tonturas repetidas ou crônicas. Cerca de metade mencionou falta de ar, problemas de sono, fadiga ocular ou nervosismo recorrente. E quase dois terços sofrem de dores de cabeça. 32% dos entrevistados não dispunham de alguma cobertura de saúde.

Dois entre três entregadores responderam que já foram abordados pela polícia, seja durante o percurso da entrega, enquanto esperavam a mercadoria, ou indo/voltando do trabalho. A maior parte das interpelações policiais ocorre por conta do veículo utilizado pelos trabalhadores (suspeita de roubo, algum problema de segurança, infração de trânsito etc.). 42% disseram que foram parados para o controle de identidade ou do titre de séjour (documento que regulamenta a estadia no território francês).

A maioria dos entrevistados na pesquisa disse ter sofrido algum tipo de discriminação ou ter recebido um tratamento desigual durante o seu trabalho de entregador. Entre eles, 86% estimam que esses tratamentos estão ligados à sua atividade. Quanto ao tipo de discriminação, as principais citadas pelos entrevistados foram a cor da pele (57%), a origem ou a nacionalidade (45%) e o sotaque ou a maneira de falar (32%).

O relatório obteve ampla repercussão na mídia, ensejando debates e ações acerca das condições de trabalho e de saúde dos plataformizados. No dia 22 de abril de 2026, foi apresentada uma queixa-crime na Procuradoria da República em Paris contra a Deliveroo e a Uber Eats por parte de associações de entregadores, tais como a Maison de livreurs de Bordeaux, a Maison des coursiers à Paris, a Association d’aide aux livreurs AMAL e Ciel. As duas primeiras instituições foram parceiras na pesquisa, contribuindo com a coleta de dados e a realização de entrevistas. Segundo um dos coordenadores da Maison de livreurs de Bordeaux, “o objetivo desta queixa é colocar as plataformas frente a suas responsabilidades em relação à saúde destes trabalhadores, de suas condições de trabalho, mas também de interrogar o fato que elas criaram um modelo econômico baseado na precariedade”3.

Esse debate na França ocorre em um contexto europeu marcado pela expectativa de implementação, até dezembro de 2026, da Diretiva 2024/2831 da União Europeia4. Ela obriga os países membros a criar mecanismos para facilitar o reconhecimento de contratos de trabalho entre trabalhadores e as plataformas digitais. Dois países, Espanha e Portugal, que tinham avançado nesse sentido nos anos anteriores, estão sofrendo pressões das empresas e da extrema-direita para recuarem.

Em Portugal, foi aprovado em 2023 um acréscimo ao Artigo 12 do seu Código do Trabalho, justamente o que caracteriza e tipifica o trabalho subordinado a outrem. Porém, a legislação não conseguia lidar com a nova realidade do trabalho digital, já que o antigo código estava vinculado a uma visão do mundo do trabalho em que a unidade física é o fundamental. O Artigo 12-A buscou, portanto, atualizar a subordinação jurídica para o universo das plataformas digitais. Por conta disso, uma série de disputas sobre o reconhecimento do vínculo de emprego entre entregadores e plataformas digitais passaram a ocorrer na justiça portuguesa, muitas vezes dando o ganho de causa aos entregadores.

O atual governo de direita de Luís Montenegro apresentou no ano passado propostas de alterações das leis trabalhistas que, caso sejam aprovadas, precarizarão ainda mais os empregos, alargarão os contratos temporários, promoverão o trabalho terceirizado, reduzirão os salários, facilitarão as demissões, revogarão os mecanismos de negociação coletiva, limitarão o direito de greve, dentre outras medidas. Em relação ao trabalho plataformizado, o governo deseja abolir o Artigo 12-A. Porém, os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos de esquerda têm feito forte oposição a estas propostas, inclusive com mobilizações de rua e greves. Apesar de um recuo momentâneo por parte do governo diante da reação popular, não há disposição de recuar na abolição dos mecanismos que permitem reconhecer o vínculo de emprego nas plataformas digitais.

Na Espanha, os entregadores convocaram, por meio de seus sindicatos e associações, a paralisação das atividades entre os dias 24 e 26 de abril, durante o final de semana, horário de maior demanda por entregas, em várias cidades do país. O objetivo foi conter as mais de 700 demissões anunciadas pela Glovo e denunciar a sua manobra para fugir da Lei Rider, aprovada em 2021, pioneira na regulamentação e reconhecimento de subordinação entre entregadores e plataformas digitais. A Glovo vem se utilizando de um mecanismo jurídico intitulado Expediente de Regulación de Empleo (ERE)5 para demitir dezenas de entregadores e contratá-los por meio de terceirização, livrando-se da responsabilidade que impõe um contrato de trabalho.

Assim, em 2026, a União Europeia se converte em um dos principais embates sobre o futuro do trabalho, em particular da plataformização laboral. Diferente do cenário político brasileiro, em que o STF tende a avançar na destruição do direito do trabalho, na Europa há uma possibilidade de conquistas importantes no campo da regulação do trabalho em plataformas digitais. O relatório da pesquisa Santé-Course reforça o que demonstram investigações em todo o mundo sobre a situação dramática, precária e sub-humana nestas empresas. Apesar de todas as evidências, as plataformas têm avançado nas desregulamentações e na aplicação de seu modelo de negócio.

https://outraspalavras.net/

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

População migrante 60+ cresce entre os 2 milhões de refugiados no Brasil

 Mulheres da comunidade de refugiados indígenas Warao, da Venezuela

Por Alexandre Barreto

A população migrante com 60 anos ou mais apresentou o maior crescimento proporcional no Brasil entre 2023 e 2024, passando de 61.211 para 74.165 pessoas, alta de 21,2%. Os dados são 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).

O avanço ocorre em um cenário em que o País já abriga mais de 2 milhões de imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio.

Leia também: Envelhecer longe de casa: os desafios de quem chega ao Brasil depois dos 50

Segundo o estudo, , publicado na última quinta-feira, o crescimento da população idosa entre migrantes acompanha a expansão geral dos registros no sistema de assistência social. O total de migrantes cadastrados no CadÚnico subiu de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024.

Entre todas as faixas etárias analisadas, os idosos lideraram o aumento proporcional, seguidos pela faixa de 50 a 59 anos, que cresceu 16,4% no mesmo período.

Ainda assim, o aumento mais acelerado entre os idosos indica uma mudança no perfil demográfico dessa população.

Entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, o número de registros passou de 159.011 para 188.531, crescimento de 18,6% em um ano.

"Esse resultado evidencia a ampliação de famílias migrantes com crianças no sistema de assistência social e reforça a necessidade de articulação entre políticas de assistência social, educação e proteção à infância", destaca o relatório.

Predominância feminina chama atenção

Em 2024, as mulheres representavam 55,6% dos migrantes cadastrados. Esse perfil está associado à presença de famílias com filhos, o que amplia a demanda por serviços públicos voltados ao cuidado, à educação e à inclusão social, segundo o relatório.

O Brasil reúne atualmente pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais de cerca de 200 nacionalidades. Entre os principais grupos estão venezuelanoshaitianoscubanos e angolanos.

A estimativa indica que cerca de 680 mil venezuelanos viviam no País no início de 2026, com maior presença de mulheres e crianças.

O estudo analisa que a distribuição etária evidencia a coexistência de diferentes perfis entre os migrantes. 

"O crescimento da população migrante mais envelhecida amplia a complexidade das demandas dirigidas ao poder público e reforça a necessidade de respostas intersetoriais no âmbito das políticas públicas", afirma o documento.

O relatório também destaca o crescimento da presença de migrantes no mercado de trabalho formal. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos formais aumentou 54%, superando 414,97 mil trabalhadores com carteira assinada.

Ainda assim, parte dessa população enfrenta dificuldades de inserção em ocupações compatíveis com sua formação, o que impacta renda e condições de vida.

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Recomendações do estudo

Na área social, o estudo recomenda reduzir o tempo de acesso a benefícios e aprimorar a gestão dos programas públicos. Também sugere ampliar políticas de acolhimento e interiorização, com foco na inclusão produtiva e na redução de desigualdades regionais.

O avanço da população idosa entre migrantes reforça a necessidade de políticas específicas para esse grupo, com foco em acesso à saúde, proteção social e garantia de direitos.

Além disso, o documento aponta a necessidade de fortalecer a articulação entre União, Estados e municípios para garantir atendimento adequado à população migrante.

“A consolidação da política migratória nacional, especialmente no eixo da integração, depende do fortalecimento do pacto federativo, da governança local, da institucionalização das respostas municipais e da construção de mecanismos que garantam sustentabilidade, equidade territorial e efetividade no acesso a direitos para migrantes e refugiados no Brasil”, pontua o relatório.

A proposta do relatório anual é analisar a evolução dos fluxos migratórios no País e subsidiar a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), editada no fim de 2025 e substituiu a Lei de Migração de 2017.

https://viva.com.br/

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mães refugiadas apostam no empreendedorismo como caminho de inclusão econômica no Brasil, aponta pesquisa

 Estudo com pessoas refugiadas e migrantes empreendedoras revela protagonismo das mulheres e alta demanda por crédito e capacitação

Proprietária do restaurante Fusão de Sabores, Ana Joselyn é mãe e encontrou no empreendedorismo a possibilidade de conciliar a geração de renda e os cuidados com a família


Ana Joselyn é a empreendedora à frente do Fusões de Sabores, restaurante que mistura temperos da culinária venezuelana e brasileira ou de sua terra natal e do país que a acolheu. O espaço fica no Mercado de Origem da Amazônia, localizado em Manaus, onde mora atualmente.

“Sonhei que meu negócio fosse mundial e nesse mercado este sonho está se realizando por meio dos turistas que vem do mundo todo aqui”, comemora a venezuelana.

O empreendedorismo tem se consolidado como uma das principais estratégias de inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes no Brasil, especialmente entre as mulheres. É o que revela a pesquisa realizada com integrantes da Plataforma Refugiados Empreendedores, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pacto Global da ONU - Rede Brasil. Cerca de 95% das pessoas entrevistadas residem no Brasil há mais de três anos, o que reforça o empreendedorismo como alternativa sólida para geração de renda, autonomia e estabilidade de pessoas refugiadas no país.

A Plataforma Refugiados Empreendedores foi lançada em fevereiro de 2021 e reúne quase 200 empreendimentos de pessoas refugiadas no Brasil.

O estudo realizado pela Innovare Pesquisa, subsidiado pelo ACNUR, ouviu 89 pessoas em diferentes regiões do país entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026. A maioria dos negócios são de latino-americanos (82%), seguidos por pessoas do Oriente Médio e África, que somam 18%. São das áreas de gastronomia, artesanato, design e moda e seguem sendo de pequeno porte, predominantemente microempreendedores individuais (56%).

Elas comandam lares e negócios

Os dados mostram que, em 2026, o perfil das pessoas refugiadas que empreendem é majoritariamente feminino (71%). A idade média das empreendedoras é de 40 anos, indicando mulheres com mais experiência e com maior tempo de inclusão no país.

Quando analisadas as composições familiares, a predominância continua sendo de casais com filhos mas, nesta edição da pesquisa, o número de mães solo empreendedoras sobressaiu em relação à pesquisa anterior, realizada em 2023.

“O crescimento da participação de mães solo evidencia que o empreendedorismo não é apenas uma escolha econômica, mas uma estratégia para estas mulheres conciliarem a geração de renda, gestão da família e cuidados do lar. Apesar das inúmeras barreiras, tem sido a forma encontrada por elas para conquistarem autonomia financeira e estabilidade aqui no Brasil. O ACNUR busca, por meio de suas parcerias, oferecer suporte para que elas possam se capacitar, formalizar seus negócios e até mesmo conseguirem facilidades de crédito”, destaca Paulo Sérgio de Almeida, Oficial de Inclusão Econômica do ACNUR no Brasil.

Ana Joselyn veio da Venezuela para o Brasil com o filho caçula em 2019. Desde então, participou de várias formações. Ela destaca o projeto de capacitação Mulheres Fortes, iniciativa da associação Hermanitos, Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR) e ACNUR. Recebeu capital semente, foi aprimorando técnicas e adaptando o modelo de negócio. Ela comenta que os vínculos construídos nessas oportunidades a fazem sentir mais confiante.

“Nos deram visibilidade pública e conseguimos ser enxergadas por organizações e empresas que realizam eventos e divulgaram nossas redes sociais”, comenta a proprietária do Fusões de Sabores.

Ana Joselyn conta que precisou adaptar o modelo de negócios várias vezes. A mudança mais recente foi para se adaptar ao prédio histórico de Manaus onde instalou seu restaurante

Quase 90% dos entrevistados afirmam precisar de capacitação, com foco prioritário em marketing e vendas, áreas consideradas estratégicas para ampliar clientela e faturamento. A captação de clientes apareceu como segunda dificuldade mais citada na pesquisa. Neste sentido, a plataforma Refugiados Empreendedores foi apontada como ferramenta importante para divulgação dos trabalhos: 35% afirmaram ter feito vendas por conta da plataforma.

venezuelana Gema Soto é proprietária do empreendimento gastronômico Chévere, em São Paulo. Foi o negócio próprio que deu fôlego para o sustento dos três filhos. Ela comenta que a ferramenta é um suporte que vai além de divulgar os trabalhos.

“A plataforma foi um divisor de águas. Uma das maiores dores que temos, além do fato de ficarmos perdidos, vem das condições em que chegamos no país. Não temos o sentimento de pertencimento. E aqui a gente se sente parte, acolhido, importante e visibilizado. Sabemos que tem alguém atento aos nossos trabalhos. Temos a certeza de que temos profissionais para nos ajudar a superar”.

Para Gema foi um desafio se entender como empreendedora. “Eu passei fome e agora formo cozinheiros”.

Para Gabriela Rozman, gerente de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, a plataforma é um meio importante para apoiar essas pessoas a reconstruir suas vidas no Brasil, especialmente mulheres que encontram no empreendedorismo uma forma de retomar autonomia e autoestima. “Nosso objetivo é seguir apoiando essas empreendedoras com capacitações, treinamentos e mentorias", afirma.

Além das inúmeras formações feitas para consolidar seu negócio, Gema aprendeu também sobre sustentabilidade, aproveitamento de alimentos e agricultura familiar. Práticas sustentáveis foi um dos temas da pesquisa e, apesar do desconhecimento conceitual, 75% dos negócios já realizam a separação de resíduos recicláveis e 73% utilizam equipamentos de LED para economia de energia.

Crescimento dos negócios e a geração de empregos

Mais de 47% dos empreendedores entrevistados relataram que a principal dificuldade inicial foi a falta de recursos financeiros ou capital para investimento. O acesso a crédito aparece de forma consistente como gargalo para o crescimento dos negócios.

Atento à demanda de crédito, o ACNUR fez acordos com o Banco Pérola, parceiro da plataforma Refugiados Empreendedores, e o Crédito Solidário – Microfinanças (antes conhecido como Banco do Povo), instituições financeiras que passaram a oferecer linhas de microcrédito especiais para atender pessoas refugiadas e migrantes que queiram ampliar seus negócios no Brasil.

“Sem crédito é praticamente impossível alavancar um negócio, qualquer que seja o tamanho. E essas pessoas têm ainda menos condições de conseguir um empréstimo no mercado do que empreendedores brasileiros mais vulneráveis. Por mais que haja força de trabalho, demanda, capacidade empreendedora, existem questões muito práticas sem as quais um empreendimento simplesmente não existe, como capital de giro, recurso para comprar produtos ou para investir em uma infraestrutura mínima”, afirma a diretora Financeira e Administrativa do Banco Pérola, Andrea Federmann.

Ampliar os negócios, por vezes, se relaciona à contratação de pessoas. Apesar da maioria dos negócios não possuir funcionários, muitos que já contratam optam por pessoas da mesma nacionalidade, embora haja também brasileiros contratados.

Esta é a segunda edição da pesquisa realizada pela Innovare com negócios da Plataforma Refugiados Empreendedores. A primeira edição foi em 2023 e os principais dados estão disponíveis aqui.


https://www.acnur.org/br

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terça-feira, 5 de maio de 2026

STF aprova repasse de R$ 115 milhões a Roraima devido migração venezuelana

 


O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo entre a União e o governo de Roraima que garante o repasse de R$ 115 milhões ao estado. O valor será destinado a compensar os gastos com o atendimento a migrantes venezuelanos.

A decisão foi assinada pelo ministro Luiz Fux em 28 de abril, no âmbito de uma Ação Cível Originária (ACO) que tramitava desde 2018. Com a homologação, o processo foi encerrado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo entre a União e o governo de Roraima que garante o repasse de R$ 115 milhões ao estado. O valor será destinado a compensar os gastos com o atendimento a migrantes venezuelanos.

A decisão foi assinada pelo ministro Luiz Fux em 28 de abril, no âmbito de uma Ação Cível Originária (ACO) que tramitava desde 2018. Com a homologação, o processo foi encerrado.

Roraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil, por meio do município de Pacaraima. Desde 2015, o estado concentra grande parte dos migrantes que deixam o país vizinho devido à crise política, econômica e social.

Os recursos serão aplicados nas seguintes áreas:

Segurança pública: R$ 63 milhões

Saúde: R$ 36 milhões

Educação: R$ 10 milhões

Sistema prisional: R$ 6 milhões

O repasse será feito diretamente ao estado, em contas específicas para cada área. O acordo também prevê o compartilhamento de informações com órgãos de controle, como CGU, TCU, TCE-RR e Ministérios Públicos, para garantir transparência na aplicação dos recursos.

https://ac24horas.com/

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mais de 78 milhões de pessoas são imigrantes na América Latina


Por Teresa Canto Noronha

As Nações Unidas dizem que a imig ração na América Latina está a crescer cada vez mais. E que mais de 78 milhões de migrantes internacionais vivem naquela região. A pobreza, os desastres naturais e a violência são os principais fatores que levam as pessoas a migrarem.

Os padrões de migração estão a mudar e as Nações Unidas dizem que na América Latina a situação é cada vez mais complexa e difícil de prever. A violência ligada ao crime organizado, a pobreza e os desastres naturais em consequência das alterações climáticas estão a redefinir a forma como as pessoas se movimentam no sul e centro do continente americano.

A ONU diz que as caravanas já não seguem os padrões tradicionais e que a pressão exercida pelas autoridades nas várias fronteiras, desde o sul até aos Estados Unidos, está a obrigar os migrantes a procurarem novas rotas.

Muitos arriscam a vida

Em muitos casos, essas novas rotas são mais perigosas e dependem quase exclusivamente das redes de tráfico humano, que exploram e roubam os mais vulneráveis.
Os dados mais recentes dizem que há mais de 78 milhões de migrantes internacionais a viverem na América Latina.
Muitos sonham chegar ao norte e passar a fronteira para os Estados Unidos, mas a maior parte nunca vai completar esse caminho e acaba por ficar no México, Brasil, Peru, Chile e Colômbia.


https://sicnoticias.pt/

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sábado, 2 de maio de 2026

Estudo de DNA revela migração desconhecida para a América do Sul há 1.300 anos

 


Um novo estudo genético identificou uma migração humana até então desconhecida para a América do Sul. A descoberta muda a compreensão sobre a formação dos povos indígenas do continente.

A pesquisa analisou quase 200 genomas indígenas, incluindo 128 novos genomas de populações da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru. O trabalho envolveu 45 populações e 28 famílias linguísticas.

O resultado mostra que a ocupação da América do Sul foi mais complexa do que se pensava.

Até agora, os modelos principais apontavam duas grandes camadas genéticas antigas. O novo estudo indica uma terceira dispersão, ocorrida há pelo menos 1.300 anos, por volta de 720 d.C.

Essa migração teria vindo de grupos relacionados à Mesoamérica.

Os dados sugerem um fluxo genético gradual entre Mesoamérica, Caribe e América do Sul, e não um evento isolado. Isso coincide com um período de reorganização de sociedades antigas na região, incluindo o declínio de cidades como Teotihuacan entre os séculos VII e VIII.

Até agora, os modelos principais apontavam duas grandes camadas genéticas antigas. O novo estudo indica uma terceira dispersão, ocorrida há pelo menos 1.300 anos, por volta de 720 d.C.

Essa migração teria vindo de grupos relacionados à Mesoamérica.

Os dados sugerem um fluxo genético gradual entre Mesoamérica, Caribe e América do Sul, e não um evento isolado. Isso coincide com um período de reorganização de sociedades antigas na região, incluindo o declínio de cidades como Teotihuacan entre os séculos VII e VIII.

A pesquisa foi publicada na revista Nature, uma das mais importantes publicações científicas do mundo. O estudo faz parte do Indigenous American Genomic Diversity Project, voltado a ampliar o conhecimento genético sobre populações indígenas das Américas.

Outro achado chamou atenção.

Os cientistas identificaram sinais de uma linhagem asiática antiga, chamada Ypykuéra, palavra de origem tupi que significa “ancestral”. Essa linhagem aparece em baixos níveis, mas de forma consistente, em povos indígenas há mais de 10 mil anos

O dado ajuda a explicar conexões genéticas antigas entre populações indígenas americanas e grupos da Australásia, região que inclui povos originários da Austrália, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico.

Isso não significa uma migração direta recente da Oceania para a América do Sul.

O que os pesquisadores indicam é a existência de uma população ancestral ainda não identificada, que contribuiu geneticamente para diferentes grupos humanos antes ou durante as primeiras fases de povoamento das Américas.

O estudo também encontrou genes associados à adaptação ambiental.

Algumas variações estão ligadas a metabolismo, fertilidade, imunidade e resistência a doenças como malária. Esses traços ajudaram populações a se adaptar a ambientes como Andes e Amazônia.

Para o Brasil, a descoberta tem peso direto.

O país aparece no estudo por meio de populações indígenas analisadas e pela própria denominação tupi da linhagem Ypykuéra. Isso reforça a centralidade da Amazônia e dos povos originários brasileiros na história genética do continente.

A pesquisa também corrige uma lacuna histórica.

Até recentemente, poucos grupos indígenas amazônicos haviam sido geneticamente estudados, o que deixava a região sub-representada na ciência global.

No plano científico, o impacto é profundo.

A América do Sul deixa de aparecer como ponto final de uma única grande migração humana e passa a ser vista como território de circulação, mistura e adaptação contínua.

No plano político e cultural, o estudo reforça a importância dos povos indígenas como guardiões de uma história que antecede em milênios a formação dos Estados nacionais.

O dado central é esse.

A formação genética da América do Sul não foi simples, nem linear.

Foi resultado de ondas migratórias, conexões antigas e adaptações locais que ainda estão registradas no DNA dos povos originários.

Com informações da South China Morning Post

https://www.ocafezinho.com/

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Relatório do OBMigra aponta 2 milhões de migrantes no Brasil e destaca desafios de integração


 

Autoridades reunidas durante a apresentação do relatório. Foto: Isaac Amorim/MJSP

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, nesta quinta-feira (30), no Palácio da Justiça, o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), referente a 2025. O documento reúne dados sobre a mobilidade humana no Brasil e marca a retomada do protagonismo do País nas discussões globais sobre o tema. 

O relatório foi elaborado com a participação de seis ministérios: Relações Exteriores (MRE), Desenvolvimento Social (MDS), Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Trabalho, Saúde e Educação. Também contribuíram instituições de pesquisa, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Universidade de Brasília (UnB). 

"Este é um momento em que o Brasil reúne dados e capacidade operacional para demonstrar que é possível promover uma migração responsável, acolhedora e geradora de benefícios sociais e produtivos", afirmou a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula. 

Panorama da migração no Brasil 

Intitulado Política Migratória no Brasil: Evidências para Gestão de Fluxos e Políticas Setoriais, o material apresenta análise sobre a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), com foco no apoio à formulação de ações voltadas à população migrante. 

O Brasil abriga atualmente cerca de 2 milhões de migrantes, de aproximadamente 200 nacionalidades. Desse total, cerca de 414 mil estão empregados formalmente no país.  

Outro dado relevante aponta a região Sul como principal destino para trabalho formal, concentrando 56,2% dos migrantes empregados, sobretudo no setor agroindustrial, além de se destacar na oferta de capacitação profissional. O Paraná (PR) é o estado com maior atuação na revalidação de diplomas. 

As cidades de São Paulo (SP) e Campo Grande (MS) se destacam na presença de abrigos, conselhos e ações de capacitação da população migrante e refugiada.  

 "A política migratória precisa ser compreendida como vetor de trabalho, desenvolvimento e proteção social. Trata-se de pessoas que buscam oportunidades, dignidade e melhores condições de vida para si e suas famílias", afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. 

Entre os principais desafios enfrentados estão a falta de estruturas institucionais e as barreiras linguísticas. Menos de 5% dos municípios brasileiros possuem acordos formais de atendimento, e apenas 1,4% oferecem serviços em outros idiomas, o que limita o acesso a direitos básicos. 

A demanda por políticas educacionais também cresce. Entre 2010 e 2024, houve aumento de 437% nas matrículas de estudantes migrantes na educação básica, sendo 62,4% concentradas no ensino fundamental. 

"A política nacional brasileira já se consolida como referência regional e global, especialmente ao promover estratégias de integração com acesso ao trabalho. A inclusão, quando orientada por evidências, beneficia toda a sociedade", ressaltou o representante da ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. 

A programação incluiu duas mesas de debate, conduzidas pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que discutiram o papel do Brasil na agenda migratória e o fortalecimento da cooperação internacional. 

Participaram ainda a oficial nacional de programas da OIM no Brasil, Socorro Tabosa; a secretária de Comunidades Brasileiras e Assuntos Consulares e Jurídicos do MRE, embaixadora Márcia Loureiro; a secretária-executiva adjunta do MDHC, Isadora Lacava; e o secretário-executivo adjunto do MEC, Ângelo Vinícius Roda, além de representantes da Universidade de Brasília (UnB) e do OBMigra. 

Brasil retoma agenda internacional sobre migração 

A divulgação do relatório antecede a participação do Brasil no Fórum Internacional de Revisão das Migrações (IMRF), que será realizado de 5 a 8 de maio, em Nova Iorque (EUA), no âmbito do Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular. 

Após o retorno do país ao Pacto Global, em 2023, a delegação brasileira apresentará, pela primeira vez, avanços em governança migratória e compartilhará boas práticas de acolhimento. 

https://www.gov.br/mj/pt-br

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