Sede da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) localizada em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboUm relatório
da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) publicado nesta terça-feira (28)
aponta que o Brasil se consolidou como um ponto estratégico nas dinâmicas
internacionais de contrabando de migrantes, com rotas estruturadas em ao menos
14 estados e atuação de redes criminosas que exploram a extensão das
fronteiras, a posição geográfica e a política migratória do país. O
diagnóstico, que integra o documento “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma
análise de inteligência”, é o primeiro levantamento dessa natureza feito no
país e traça um panorama sobre o funcionamento dessas estruturas.
Produzido em
parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o estudo foi
elaborado a partir de coletas de campo em regiões de fronteira, troca de
informações com serviços de inteligência e análise de dados nacionais e
internacionais. O objetivo, segundo a Abin, é lançar luz sobre um crime ainda
pouco visível e subsidiar políticas públicas de enfrentamento, além de ampliar
o debate sobre migração e segurança.
O relatório
ressalta que migrar de forma irregular não é crime no Brasil. A legislação
brasileira adota o princípio da não criminalização do migrante, de modo que a
responsabilização recai sobre quem organiza, financia e lucra com a travessia
clandestina. O relatório explica o que representa o crime de contrabando de
migrantes:
"O
contrabando de migrantes envolve a facilitação da entrada irregular de
indivíduos em um país, com o fim de obter benefícios financeiros ou materiais.
Representa, assim, um crime contra o Estado e uma ameaça aos direitos dos
migrantes. De modo geral, está também conectado com outras práticas ilícitas,
que comprometem a segurança e a estabilidade de diferentes regiões do país. É
um crime complexo e uma preocupação global", detalha o documento.
Segundo a
Abin, essas redes operam de forma flexível, descentralizada e frequentemente
transnacional, com conexões fora do Brasil. A estrutura pode variar, mas
costuma incluir recrutadores, responsáveis pela captação de migrantes;
intermediários financeiros; falsificadores de documentos; transportadores e os
chamados “coiotes”, que conduzem as travessias.
"As
organizações criminosas responsáveis pelo contrabando de migrantes possuem
ampla gama de atividades, sendo comum que pratiquem também outros tipos de
crimes. Essa estrutura permite flexibilidade e adaptabilidade, e ao mesmo tempo
dificulta os esforços para combater o contrabando, já que a natureza
descentralizada dessas operações gera obstáculos à identificação e ao
desmantelamento de redes inteiras", diz o texto.
O
recrutamento, de acordo com o documento, começa frequentemente por redes de
confiança — amigos, parentes ou conhecidos que já utilizaram esse tipo de
serviço. Com o avanço da tecnologia, aplicativos de mensagens e redes sociais
ampliaram o alcance dessas redes.
O uso de
aplicativos de mensagens (WhatsApp, Telegram, Signal) e redes sociais de
relacionamento (Facebook, Instagram, X) para recrutamento e coordenação tem se
tornado cada vez mais comum, ampliando a capacidade de alcance desses agentes,
diz o documento. No entanto, são as plataformas de vídeos curtos, como TikTok e
Kwai, que passaram a ser usadas como os principais veículos para promoção
velada, comunicação e atração de novos migrantes, sob a aparência de serviços
legais, como agências de viagem ou consultorias migratórias.
Os serviços
oferecidos pelos contrabandistas variam conforme o perfil do migrante e a
complexidade da rota, podendo incluir transporte terrestre e aéreo, hospedagem,
orientação em travessias e fornecimento de documentação falsa. Por vezes, esses
serviços são vendidos como “pacotes”, que integram diferentes etapas da viagem
e elevam o custo total. A operação, segundo o relatório, é altamente lucrativa
e frequentemente associada a outros crimes, como corrupção, lavagem de dinheiro
e exploração de migrantes.
O documento
também destaca que o Brasil desempenha múltiplos papéis nas rotas migratórias:
é destino para estrangeiros que buscam trabalho, corredor de passagem para quem
segue rumo a outros países e ponto de origem para brasileiros que tentam
migrar, sobretudo para os Estados Unidos e a Europa. A maior parte dessas rotas
combina diferentes modais de transporte e passa por grandes hubs logísticos,
como aeroportos internacionais.
Apesar de
recorrerem voluntariamente aos serviços dessas redes, os migrantes enfrentam
riscos significativos ao longo do trajeto. O relatório cita exposição a
violência, exploração, condições precárias de deslocamento, além de perigos
naturais e ausência de assistência médica. A vulnerabilidade é agravada pela
dependência financeira em relação aos contrabandistas e pelo desconhecimento
das rotas, leis e condições locais.
Outro
desafio apontado pela Abin é a subnotificação. Por vezes os migrantes não se
reconhecem como vítimas ou evitam denunciar por medo de deportação ou
represálias, o que contribui para a invisibilidade do crime e dificulta a
atuação das autoridades. A natureza descentralizada das redes, com atuação
fragmentada e adaptável, também impõe obstáculos ao combate.
A
expectativa é que o estudo sirva como base para ações coordenadas entre órgãos
governamentais e cooperação internacional, combinando repressão às redes
criminosas com a proteção dos direitos dos migrantes e a promoção de rotas
seguras e regulares.
Relatório
por estado
Acre
No Acre, o
contrabando de migrantes se aproveita da posição estratégica do estado na
tríplice fronteira com Peru e Bolívia. A BR-317 conecta Rio Branco a cidades
fronteiriças, facilitando o trânsito, enquanto rotas que passam por Lima,
Puerto Maldonado e Iñapari são usadas por estrangeiros que seguem
principalmente para o Sul e Sudeste do Brasil. Nos últimos anos, o estado
registrou fluxos relevantes de migrantes extracontinentais, como vietnamitas e
afegãos, embora esses tenham caído acentuadamente a partir do fim de 2024 após
medidas mais restritivas. Hoje, predominam venezuelanos vindos de países
vizinhos.
As redes que
atuam no estado têm estrutura pouco organizada e mais fragmentada, envolvendo
taxistas, donos de hospedagens e atravessadores que cobram por transporte,
abrigo e facilitação da travessia. Migrantes que chegam por avião ou via
terrestre já costumam ter contatos prévios para seguir até a fronteira, pagando
valores elevados por deslocamento e estadia. A travessia final pode incluir até
barcos improvisados pelo Rio Acre. Apesar da movimentação estimada de milhares
de pessoas por ano, há forte subnotificação, já que migrantes raramente
denunciam abusos. Nos últimos anos, operações policiais e mudanças nas regras
migratórias reduziram significativamente alguns fluxos.
Amapá
No Amapá,
especialmente em Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, o estado
funciona como corredor de passagem para migrantes, com permanência curta e
forte atuação de redes de contrabando. O fluxo é marcado pela entrada de
cubanos, muitos solicitando refúgio, e, em menor escala, haitianos, além da
saída de migrantes que buscam chegar à Europa. As rotas combinam trechos
terrestres e fluviais, incluindo travessias noturnas em pequenas embarcações
para evitar fiscalização, com apoio de intermediários que organizam transporte,
hospedagem e deslocamentos até Macapá.
As redes
atuam de forma fragmentada, com “picapeiros”, agenciadores e olheiros, cobrando
valores que podem chegar a centenas de dólares por trecho. O trajeto segue, em
geral, até o Porto de Santana e depois para Belém, de onde migrantes continuam
viagem para o Sul do Brasil ou outros países. A falta de estrutura de
acolhimento e a baixa visibilidade do tema favorecem a atuação dessas redes,
que frequentemente se conectam a outros ilícitos na região de fronteira, como
garimpo ilegal, tráfico de pessoas e narcotráfico.
Amazonas
No Amazonas,
o estado atua ao mesmo tempo como destino e corredor estratégico nas rotas de
contrabando de migrantes, conectando fluxos da América do Sul a trajetos rumo
ao norte do continente. De um lado, há a entrada de venezuelanos,
principalmente por Roraima, que seguem até Manaus em busca de regularização,
mas frequentemente acabam explorados por intermediários que cobram por
transporte e serviços básicos. De outro, migrantes da Ásia, África e América
Central utilizam cidades como Manaus e Tabatinga como pontos de passagem em
rotas rumo aos Estados Unidos — fluxo que foi intenso até 2024, mas caiu
significativamente em 2025.
A extensa
rede fluvial, as fronteiras remotas e a limitada fiscalização favorecem a
atuação de facilitadores, que organizam deslocamentos por rios e estradas, além
de oferecer abrigo e documentos irregulares mediante pagamento elevado. Apesar
da existência de estruturas de acolhimento e regularização em Manaus, a baixa
integração entre estados da região dificulta o monitoramento das rotas e o
enfrentamento coordenado dessas redes.
Mato Grosso
No Mato
Grosso, o estado funciona tanto como destino quanto como corredor de passagem
em rotas terrestres, com destaque para a entrada de bolivianos pela fronteira
seca com a Bolívia. Esses migrantes utilizam rodovias como a BR-070 e caminhos
alternativos, as chamadas “cabriteiras”, para evitar fiscalização, sendo
frequentemente alvo de redes que oferecem transporte, abrigo precário e
intermediação de trabalho, por vezes com cobranças indevidas e falsas promessas
de emprego.
Também há
fluxo de venezuelanos que chegam via Rondônia pela BR-364 e seguem para regiões
do agronegócio, atraídos por oportunidades de trabalho, além de grupos menores
de outras nacionalidades. A falta de vigilância contínua na fronteira e a
presença de múltiplas rotas informais favorecem a atuação dessas redes, que
exploram a vulnerabilidade dos migrantes e mantêm um ciclo de dependência
baseado na promessa de renda e regularização.
Mato Grosso
do Sul
No Mato
Grosso do Sul, a extensa fronteira com Bolívia e Paraguai e a posição central
no país fazem do estado um ponto-chave nas rotas de contrabando de migrantes,
reunindo funções de entrada, saída, trânsito e destino. A região de Corumbá
concentra a maior parte dos fluxos, especialmente de bolivianos que seguem para
São Paulo, em uma rota antiga ligada ao trabalho na indústria têxtil,
frequentemente em condições precárias ou análogas à escravidão. As travessias
ocorrem tanto por postos oficiais quanto por caminhos informais, como a chamada
Trilha do Gaúcho, com apoio de coiotes, taxistas e redes de aliciadores.
Essas redes
operam com estrutura relativamente organizada, incluindo transporte clandestino
em ônibus, uso de casas de apoio e atuação de olheiros para evitar
fiscalização. Os migrantes, em geral vulneráveis, são atraídos por promessas de
emprego e acabam expostos a abusos, cobranças ilegais e retenção de documentos.
O aumento do transporte irregular, mais barato que o regular, intensificou o
fluxo recente e ampliou os riscos ao longo da rota.
Minas Gerais
e Espírito Santo
Em Minas
Gerais, especialmente na região do Vale do Rio Doce, concentra-se a principal
origem da migração irregular de brasileiros para os Estados Unidos (60%), com
cidades historicamente ligadas a esse fluxo e forte presença de redes de apoio
no exterior. As travessias, organizadas por coiotes, podem custar até US$ 20
mil e envolvem rotas complexas com trechos aéreos e terrestres até a fronteira
mexicana, onde a travessia final é feita a pé. O endurecimento das políticas
migratórias elevou os custos e os riscos, com relatos de detenção prolongada e
deportações frequentes. Ainda assim, migrantes retornam dispostos a tentar
novamente, sustentando um ciclo contínuo de saída.
No Espírito
Santo, o fenômeno tem se expandido a partir da influência das redes mineiras,
com municípios do interior se tornando novos polos de aliciamento. As
organizações atuam de forma semelhante, oferecendo pacotes de viagem,
intermediação e até produção de documentos falsos para facilitar a migração.
Apesar de menor tradição que Minas Gerais, o estado vem ganhando relevância
como origem de migrantes irregulares, reforçando a interiorização dessas redes
no Sudeste.
Pará
No Pará, o
estado é usado principalmente como rota de passagem para migrantes que seguem
em direção ao Sul e Sudeste do Brasil ou a outros países. Cubanos, venezuelanos
e haitianos compõem a maior parte desses fluxos, que combinam deslocamentos
fluviais, como viagens entre Macapá e Belém ou Santarém, e trajetos
rodoviários. Apesar de não haver uma rede criminosa estruturada claramente
identificada, facilitadores atuam organizando etapas da viagem e explorando
fragilidades na fiscalização.
Essas
vulnerabilidades aparecem sobretudo no transporte fluvial e, em alguns casos,
no setor aéreo, com registros de entrada de migrantes sem documentação regular
pelo aeroporto de Belém. Episódios envolvendo companhias aéreas que anunciavam
facilidades para entrada irregular indicam como diferentes modais podem ser
utilizados, reforçando o papel do estado como elo logístico nas rotas
migratórias.
Paraná
No Paraná, o
estado se destaca mais como destino de imigrantes do que como rota de entrada
irregular, com forte de mão de obra estrangeira para setores como agroindústria
e serviços. A maioria dos migrantes, especialmente venezuelanos e, mais
recentemente, cubanos, chega ao Brasil por outras fronteiras e se fixa em
cidades como Curitiba e Cascavel. Embora o contrabando de migrantes não seja
predominante, há registros de entradas e saídas irregulares em áreas como Foz
do Iguaçu e Guaíra, além da atuação de facilitadores e esquemas que prometem
migração regular, especialmente voltados a haitianos.
O estado
também registra casos que tangenciam tráfico de pessoas e exploração laboral,
como o envio de paraguaios para oficinas de costura em São Paulo e situações de
trabalho análogo à escravidão. Na tríplice fronteira, há ainda movimentações
mais complexas envolvendo migrantes de outras regiões do mundo, que utilizam a
área para simular trajetos migratórios e dar aparência legal a documentos,
antes de seguir para a América Central ou tentar ingresso em outros países.
Rio Grande
do Sul
No Rio
Grande do Sul, o estado combina funções de destino, trânsito e saída de
migrantes, impulsionado pelas fronteiras com Uruguai e Argentina. Em 2025,
ganhou destaque o aumento da saída de cubanos rumo ao Uruguai, sobretudo pela
região de Sant’Ana do Livramento, por vezes após entrada regular no Brasil por
outros estados. Parte desses migrantes busca refúgio em território uruguaio ou
utiliza o país como etapa intermediária em trajetos mais longos.
Ao mesmo
tempo, há fluxos de entrada, especialmente de argentinos, ligados a trabalhos
sazonais no campo, como colheitas e atividades agroindustriais. Esses
trabalhadores, frequentemente em situação de vulnerabilidade, são recrutados
por redes informais e, em alguns casos, acabam submetidos a condições precárias
ou análogas à escravidão. O uso de aplicativos e indicações pessoais para
recrutamento, aliado à dinâmica de fronteira, favorece a atuação de
facilitadores e a circulação irregular.
Rondônia
Em Rondônia,
o estado tem se destacado como ponto de origem de brasileiros que recorrem a
redes de migração irregular rumo aos Estados Unidos, enquanto perdeu relevância
recente como rota de trânsito de estrangeiros. O aliciamento ocorre
principalmente por contatos pessoais e redes sociais, com atuação de
intermediários em cidades do interior. Os pacotes de viagem podem custar entre
R$ 30 mil e R$ 80 mil e incluem emissão de documentos, passagens e organização
de rotas que passam por São Paulo, América Central e México, com travessia
final da fronteira americana.
No passado
recente, também houve fluxo de migrantes da Ásia e da África que utilizavam o
estado como corredor até a Bolívia, mas esse movimento caiu drasticamente após
2024, com maior fiscalização e mudanças nas regras migratórias. Ao mesmo tempo,
cresce o número de rondonienses deportados ou retornados, muitos dos quais
mantêm o interesse em tentar novamente, impulsionados por redes de apoio já
consolidadas nos Estados Unidos. A vulnerabilidade econômica local e a atuação
estruturada de aliciadores ajudam a sustentar esse fluxo.
Roraima
Em Roraima,
o estado ocupa posição central nas rotas migratórias do país, especialmente
pela entrada de venezuelanos desde 2018, absorvida em grande parte pela
Operação Acolhida, o que reduz a necessidade de rotas irregulares para esse
grupo. Nos últimos anos, porém, ganhou destaque o aumento expressivo da chegada
de cubanos, tanto por vias regulares quanto por trajetos facilitados por redes
de contrabando, com forte concentração na fronteira com a Guiana, em Bonfim.
Essas redes
oferecem pacotes que incluem transporte, hospedagem e intermediação da viagem,
com valores que variam conforme o percurso. O estado funciona principalmente
como ponto de trânsito: após a entrada, os migrantes seguem por via terrestre
até Manaus e, depois, para outras regiões do Brasil ou países vizinhos. A
atuação é descentralizada, com uso de olheiros, veículos particulares e
estratégias para evitar fiscalização, enquanto redes sociais e aplicativos de
mensagem são os principais canais de articulação e busca por esses serviços.
Santa
Catarina
Em Santa
Catarina, o estado se destaca como destino de imigrantes atraídos pela forte
demanda por mão de obra, especialmente no Oeste, onde a agroindústria e a
indústria de transformação concentram vagas. Migrantes chegam por programas
oficiais, recrutamento direto e fluxos espontâneos, com destaque para
venezuelanos e, mais recentemente, cubanos que entram no país por outras
regiões e seguem para o Sul. Há também movimentações sazonais de trabalhadores,
principalmente argentinos, para atividades agrícolas.
Embora o
foco seja a absorção de mão de obra, há indícios da atuação de redes que
prometem facilidades migratórias, especialmente voltadas a haitianos, e casos
crescentes de exploração laboral, incluindo situações análogas à escravidão. A
combinação de demanda econômica, rotas internas e fragilidades de controle em
áreas de fronteira favorece tanto a atração de migrantes quanto a atuação de
intermediários.
São Paulo
Em São
Paulo, o estado ocupa papel central na dinâmica da migração irregular no
Brasil, atuando simultaneamente como porta de entrada, ponto de trânsito e
principal eixo de saída de brasileiros para o exterior. O Aeroporto
Internacional de Guarulhos (GRU) concentra grande parte desses fluxos, sendo
utilizado por migrantes de diversas nacionalidades, especialmente da África,
Ásia e Oriente Médio, que, por vezes, solicitam refúgio como estratégia para
permanecer no país ou seguir viagem para outros destinos.
Além de
atrair imigrantes em busca de trabalho, apoiados por comunidades já
estabelecidas, o estado mantém rotas históricas de entrada de sul-americanos,
especialmente bolivianos e paraguaios, por vezes vinculadas a exploração
laboral. Há também esquemas mais sofisticados, como uso de contratos falsos,
empresas fictícias e casas de apoio na periferia para abrigar migrantes em
trânsito. Medidas recentes de restrição a vistos reduziram parte dos fluxos
extracontinentais, mas São Paulo segue como principal hub logístico dessas
redes, concentrando tanto a articulação de entradas quanto a saída de
brasileiros rumo a países como Estados Unidos, Europa e Canadá.
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