Representação da fé cristã na Basílica São Pedro, no Vaticano. (Foto: Robert Cheaib / Pixabay)
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos
(USCCB) manifestou oposição formal às mudanças propostas pelo Departamento do
Censo para a contagem de 2030. A organização religiosa defende que a exclusão
de não-cidadãos sem status de residência permanente fere a dignidade humana e
compromete a distribuição justa de recursos federais e cadeiras no Congresso
americano.
Qual é a principal crítica dos bispos à nova regra do censo?
Os bispos argumentam que a proposta de contar apenas
cidadãos e residentes permanentes legais para a divisão de cadeiras no
Congresso nega o reconhecimento dessas pessoas como seres humanos. Em carta
enviada ao Departamento de Comércio, a Conferência dos Bispos comparou a medida
ao antigo 'Compromisso dos Três Quintos', uma norma da época da escravidão que
não contava pessoas escravizadas de forma plena. Para a Igreja, a mudança
ignora a dignidade intrínseca de cada indivíduo e rompe com o precedente legal de
que todos os habitantes devem ser contados no levantamento oficial.
Como a exclusão de imigrantes pode afetar os serviços
públicos?
A exclusão de milhões de pessoas da contagem oficial pode
causar uma subcontagem populacional severa, afetando o cálculo para o repasse
de verbas federais. Esses dados são fundamentais para distribuir recursos
destinados à saúde, combate à pobreza, infraestrutura e apoio familiar. Se o
governo ignora a presença física de uma parte da população, as comunidades onde
eles vivem podem receber menos dinheiro do que realmente precisam para manter
serviços que são utilizados por todos, prejudicando o bem comum e a precisão
das políticas públicas planejadas pelo Estado.
O que o governo alega para querer mudar a forma de contagem?
O Departamento do Censo defende que imigrantes em situação
irregular não devem ser incluídos na contagem para a divisão de cadeiras
legislativas por não serem considerados 'habitantes verdadeiros' ou membros do
corpo político do país. Segundo essa visão, essas pessoas não teriam vínculo ou
lealdade suficientes aos Estados Unidos. O governo propõe usar registros
fiscais para determinar a 'residência habitual' de cada pessoa entre janeiro e
abril, limitando a contagem àqueles que possuem status de imigração legal, o
que altera uma prática que vem sendo seguida desde o primeiro censo em 1790.
Quais outros pontos do questionário são motivo de
preocupação?
Além da questão migratória, o órgão planeja retirar
perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual para aumentar as taxas de
resposta e proteger a privacidade. Os bispos, no entanto, discordam dessa
remoção. Eles sugerem manter as perguntas, mas incluir a opção 'prefiro não
divulgar'. A justificativa da Igreja é que dados demográficos precisos são
ferramentas essenciais para identificar e combater desigualdades causadas pelo
racismo. Sem essas informações, ministérios católicos e o próprio governo
teriam mais dificuldade para entender e atender as necessidades específicas de
cada comunidade.
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