sábado, 21 de julho de 2018

Filhos de africanos tendem a se multiplicar nas seleções europeias

Resultado de imagem para Filhos de africanos tendem a se multiplicar nas seleções europeias
Um dos assuntos mais comentados durante a edição da Copa do Mundo da Rússia foi sobre os jogadores filhos de imigrantes se destacarem em seleções europeias. Esse fato expõe uma contradição política já que na Europa há nações que possuem políticas anti-imigratórias explícitas.
O atacante belga Romelu Lukaku, uma das estrelas da edição, em uma entrevista relatou a forma na qual jogadores filhos de imigrantes são tratados na Europa. “Quando as coisas corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga. Já quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.”
Diante disso, conversamos com  a professora Helena Wakim Moreno, doutoranda em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP com pesquisas realizadas também na Universidade Nova de Lisboa. A professora pesquisa o contexto do colonialismo português na África no período contemporâneo, com ênfase na itinerância de pessoas e ideias, e nas estratégias de enfrentamento dos processos políticos e sociais vigentes. Helena acredita que pela grande taxa de imigração de africanos em países europeus, a tendência é que esse fenômeno deve se repetir, a não ser haja alguma política rigorosa anti-imigratória.



Jornal da Usp

www.miguelimigrante.blogspot.com

SEMINÁRIO DEBATE OPORTUNIDADES PARA OS IMIGRANTES NA FIESP



Acolher, tendo em mente que o país tem muito a ganhar com a chegada dos imigrantes. Esse foi o principal mote do Seminário Nova Lei de Migração: uma janela de oportunidades, realizado na manhã desta sexta-feira (20/07), na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento reuniu especialistas no tema, tendo a participação da diretora titular de Responsabilidade Social e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da federação, Grácia Fragalá.
O Pacto Global foi um parceiro da Fiesp na realização do seminário. O Pacto tem por objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em seus negócios, de valores internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
“Vários levantamentos mostram a importância de receber os refugiados, destacando como isso é benéfico para os países que abrem as suas portas”, afirmou. “A vinda dos imigrantes traz diversidade e oxigena a economia, estamos falando de acolher seres humanos”, disse.
Para Grácia, ter um imigrante no quadro de funcionários é “proporcionar intercâmbio internacional pela convivência e pela aprendizagem”. “Vamos ajudar em campanhas educativas sobre a lei para diminuir a resistência em torno do tema”, disse. “Somar esforços para um cenário que é realidade hoje no país”.
Também presente na abertura, a chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Maria Beatriz Nogueira, afirmou que existem mais de 68 milhões de pessoas em situação de deslocamento involuntário no mundo, dos quais 25 milhões de refugiados. “Estamos falando de uma situação de urgência”, disse. “É uma necessidade e uma característica do Brasil receber quem vem de fora”.
Segundo ela, mais de 1,5 milhão de venezuelanos já saíram de seu país, a maioria para a América do Sul e América Central. Desses, 50 mil vieram para o Brasil. “Muitas razões fazem as pessoas saírem”, explicou. “O governo brasileiro tem foco na abertura de fronteiras e na acolhida humanitária”, disse. “Com o direito de trabalhar e usar serviços públicos”.
Questão de estratégia
“É estratégico que os imigrantes sejam integrados à sociedade”, disse.  “Trabalhamos para dar mais visibilidade a essas boas experiências, estamos estudando criar uma plataforma para divulgar as ações das empresas que vivem esse trabalho de inclusão”.
Analista de Paz e Governança do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento da PNUD, Ana Cristina Silva Barroso destacou o trabalho feito com os venezuelanos no norte do país, visando a inserção social e o emprego. “É fundamental que fechemos parcerias para ajudar essas pessoas”, disse.

Subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil/Presidência da República, Natália Marcassa de Souza lembrou que os venezuelanos começaram a chegar ao Brasil no final de 2016.
“Eles vão principalmente para Boa Vista, capital de Roraima, já são 10 mil venezuelanos lá”, disse.
De acordo com Natália, com a chamada Operação Acolhida, o governo decidiu federalizar e centralizar as iniciativas ligadas aos imigrantes. “Os imigrantes querem dignidade e oportunidade de trabalhar, não caridade”, explicou. “A interiorização é o caminho, levar para outras cidades, sempre buscando sensibilizar as empresas, buscando parceiros”.


Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Posto de imigração da PF volta a intensificar notificações de haitianos em Corumbá


O posto de imigração da Polícia Federal (PF) em Corumbá voltou a intensificar as notificações de imigrantes haitianos que estão dando entrada no Brasil pela cidade. De acordo com o padre Marco Antônio Ribeiro, da Missão Scalabriniana de Fronteira e que faz acolhimento de haitianos na cidade, atendimentos no posto de imigração voltaram a aumentar na última semana..

“O número de atendimentos aumentou, mas como uma espécie de mutirão. Somos acionados quando há possibilidade de fazer um atendimento maior e a partir disso conduzimos os imigrantes”, explica Ribeiro.
Com isso, há a expectativa de que reduza-se o número de haitianos na cidade – cerca de 300, conforme as entidades que fazem acolhimento – diminuindo o impacto social na localidade. A Prefeitura de Corumbá reclama da falta de apoio estadual e federal para lidar com o aumento significativo do fluxo de imigrantes na cidade. Um grupo de voluntários faz malabarismos para promover o mínimo de dignidade, com o fornecimento de uma refeição por dia, além de locais para que haitianos possam dormir.
Há cinco meses, Corumbá tornou-se nova rota de entrada de haitianos no Brasil. Eles atravessam clandestinamente a Bolívia, partindo do Chile, após endurecimento da política migratória do país. De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social de Corumbá, cerca de 1.200 haitianos já foram atendidos pelos equipamentos municipais e pela PF desde o início do ano.
Todavia, há cerca de um mês a PF havia diminuido o número de atendimentos de haitianos, fazendo com que eles não conseguissem sair da cidade rumo a outros destinos – basicamente cidades dos Estados Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Questionada pela reportagem, a Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul não explicou porque os atendimentos diminuiram, mas, por meio de nota, informaram que a PF atua dentro de sua capacidade operacional, mantém o número máximo de atendimentos diários e “que vem realizando todos os procedimentos cabíveis, analisando-os caso a caso”, a fim de atender todos os imigrantes.
“A Polícia Federal também está em busca de ampliar suas instalações e de aumentar seu efetivo em Corumbá. Para tal feito, depende e decorre de investimentos que devem estar previstos ou emendados no orçamento da União, bem como de novo concurso público que se encontra em andamento”, conclui a nota.

O posto de imigração da Polícia Federal (PF) em Corumbá voltou a intensificar as notificações de imigrantes haitianos que estão dando entrada no Brasil pela cidade. De acordo com o padre Marco Antônio Ribeiro, da Missão Scalabriniana de Fronteira e que faz acolhimento de haitianos na cidade, atendimentos no posto de imigração voltaram a aumentar na última semana..
“O número de atendimentos aumentou, mas como uma espécie de mutirão. Somos acionados quando há possibilidade de fazer um atendimento maior e a partir disso conduzimos os imigrantes”, explica Ribeiro.
Com isso, há a expectativa de que reduza-se o número de haitianos na cidade – cerca de 300, conforme as entidades que fazem acolhimento – diminuindo o impacto social na localidade. A Prefeitura de Corumbá reclama da falta de apoio estadual e federal para lidar com o aumento significativo do fluxo de imigrantes na cidade. Um grupo de voluntários faz malabarismos para promover o mínimo de dignidade, com o fornecimento de uma refeição por dia, além de locais para que haitianos possam dormir.
Há cinco meses, Corumbá tornou-se nova rota de entrada de haitianos no Brasil. Eles atravessam clandestinamente a Bolívia, partindo do Chile, após endurecimento da política migratória do país. De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social de Corumbá, cerca de 1.200 haitianos já foram atendidos pelos equipamentos municipais e pela PF desde o início do ano.
Todavia, há cerca de um mês a PF havia diminuido o número de atendimentos de haitianos, fazendo com que eles não conseguissem sair da cidade rumo a outros destinos – basicamente cidades dos Estados Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Questionada pela reportagem, a Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul não explicou porque os atendimentos diminuiram, mas, por meio de nota, informaram que a PF atua dentro de sua capacidade operacional, mantém o número máximo de atendimentos diários e “que vem realizando todos os procedimentos cabíveis, analisando-os caso a caso”, a fim de atender todos os imigrantes.
“A Polícia Federal também está em busca de ampliar suas instalações e de aumentar seu efetivo em Corumbá. Para tal feito, depende e decorre de investimentos que devem estar previstos ou emendados no orçamento da União, bem como de novo concurso público que se encontra em andamento”, conclui a nota.
Nova frente de acolhimento
No último dia 13 de julho, uma série de voluntários da sociedade civil, inclusive entidades religiosas, criaram o Comitê Humanitário Pantanal Solidário (CHPAS), presidido pelo padre Marco Antonio Ribeiro. O objetivo do comitê é organizar e distribuir as ações de acolhimento a haitianos na cidade, de forma que o atendimento seja melhor coordenado.
“Vamos reunir forças para poder atender melhor, somando forças no abrigamento, na alimentação, na arrecadação de doações, no encaminhamento médico, na escala da preparação de alimentos”, detalha o missionário. O comitê organizou pela cidade pontos de coleta de doações. Detalhamentos podem ser obtidos pelo telefone (67) 3013-3307 ou pelo e-mail pantanalsolidario@gmail.com.

Jornal Midiamax

www.miguelimigrante.blogspot.com

Seminário discute integração para combater trafico de pessoa



O Seminário Internacional de Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas promovido pela Prefeitura de Guarulhos, por meio da Subsecretaria da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Assuntos Difusos, nos dias 16 e 17 deste mês, na Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECEL), no Macedo, apresentou diagnósticos e redes de atenção aos Migrantes e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de diversos órgãos, além de um ponto em comum: a necessidade de integração das instituições para buscar ações e resultados eficazes.

Nesta terça-feira (17), duas mesas temáticas dominaram os debates: “Diagnóstico do Tráfico de Pessoas” e “Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”. Na oportunidade, o inspetor Marcelo Gondim, da Polícia Federal – Regional São Paulo, por exemplo, apresentou o Mapeamento da PRF dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais, por meio da publicação Mapear 2017/2018. Segundo Gondim, o Brasil tem 2.487 pontos de vulnerabilidade, sendo 59,55% urbanos, com destaque para a região Sudeste, que identificou 90 pontos críticos, 144 de alto risco, 135 de médio risco e 99 de baixo risco.

Na linha de atuações, Izilda Alves, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de São Paulo, defendeu a reunião de órgãos para tentar viabilizar ações e observou que o tráfico de pessoas no Brasil é invisível e com dificuldade de provas. Izilda alertou sobre os riscos da internet, que considera território livre para ações de criminosos. “Precisamos de todos para vencer essa guerra”, afirmou Izilda.
O seminário também contou com a participação de Dalila Figueiredo, da Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e Juventude (Asbrad), que palestrou sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas nas Regiões de Fronteiras. De acordo com Dalila, é importante discutir essa temática com as autoridades e instituições. Para ela, o grande desafio do Brasil é pensar políticas públicas para enfrentar o tráfico de pessoas. Além disso, considera necessário levar informação e garantir os direitos humanos às pessoas nesta situação. “Essa é uma oportunidade de refletir sobre qual é o plano que o Brasil precisa para esse enfrentamento”, disse Dalila.

O subsecretário Anderson Guimarães (Igualdade Racial), ressaltou a importância dessa discussão com a participação de organismos internacionais, universidades e sociedade civil.

Participação

As mesas temáticas desta terça-feira também contaram com as participações do juiz de direito Paulo Fadigas, titular da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Penha, Renato Bignami, auditor fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho e Renda (MTE),  Roque Renato Pattusi, do Centro de Apoio e Pastoral Migrante (CAMI), José Roberto Mariano, Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana (CROPH), e representante da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.
Imagens: Divulgação/ PMG

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 19 de julho de 2018

SMASDH apoia África do Coração para realizar a Copa dos Refugiados no Rio de Janeiro



A cidade do Rio de Janeiro será a sede da Copa dos Refugiados 2018 e se prepara para realizar sua primeira edição, a ser realizada entre os dias 4 e 8 de agosto. O tema da Copa é: “Não me julgue antes de me conhecer!”. Participarão do campeonato oito times, a representar os países de origem dos refugiados, que consideram o futebol um meio de integração e interação junto à sociedade carioca e brasileira.
A ONG África do Coração, por intermédio de seu presidente, o congolês Jean Katumba, está a firmar parcerias e apoios para que os jogos se realizem na Cidade Maravilhosa. Katumba tem participado de reuniões e tratativas com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, por intermédio da Subsecretaria de Direitos Humanos, a representante da Prefeitura no Comitê Estadual Intersetorial de Política de Atendimento a Refugiados e Migrantes (CEIPARM), além de contar com o apoio do Gabinete do secretário João Mendes de Jesus.
O evento desportivo e humanitário já foi realizado em Porto Alegre e em São Paulo, sendo que a ideia de evidenciar e dar publicidade à situação dos refugiados no Brasil tomou corpo e forma na Copa de 2014, realizada no Brasil.      
“Ser refugiado não é fácil, porque a pessoa que teve de deixar seu país, por motivos de guerras, endemias, crises econômicas e perseguições políticas, étnicas e religiosas, fica exposta à violência, ao sectarismo, aos preconceitos e à intolerância, somente por ser estrangeira e ter cultura e idioma diferentes” — afirma João Mendes de Jesus.
Preconceitos — O secretário disse que a Copa dos Refugiados conta com seu apoio e dos servidores da Secretaria, além de ressaltar que tratar os refugiados com preconceitos é uma grande injustiça e ignorância por parte daqueles que ainda não compreenderam que os sentimentos, desejos e sonhos humanos são iguais porque universais, pois independentes de etnia, credo ideológico e religioso, origem social e nacionalidade.
Em reunião com os técnicos da Subsecretaria de Direitos Humanos, Jean Katumba disse que o apoio da SMASDH é muito importante, além de também contar com a participação de outros setores da Prefeitura, a exemplo do gabinete do prefeito Marcelo Crivella e dos órgãos e autarquias do município, para que o evento possa ser realizado com sucesso.
O presidente da África do Coração informou aos servidores da SMASDH que entrou em contato com o Flamengo e o Botafogo, além de outros clubes para garantir espaços para os jogos da Copa dos Refugiados, bem como conversou com a Cruz Vermelha-RJ e a Anistia Internacional-RJ, além de tratar do evento com o poder público municipal.
A cooperação do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES), da Cáritas Arquidiocesana, é considerado pelos coordenadores do evento como fundamental para o maior projeto de integração esportiva, que conta com a presença e o protagonismo de migrantes e refugiados, que também são apoiados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Associação Antônio Vieira (ASAV), Associação Buriti de Arte, Cultura e Esporte (ABACE), dentre outros parceiros.
“Colocaremos um brasileiro ou uma brasileira nos times de estrangeiros e refugiados, de forma que eles tentem se comunicar e receber cooperação durante o jogo, já que o futebol é um esporte coletivo, assim como a sociedade é uma imensa coletividade. O propósito é fazer com que o brasileiro em meio a estrangeiros experimente as dificuldades de receber ajuda e se comunicar e com isso imaginar e perceber as dificuldades que os refugiados tem para viver em um país que não é o seu de origem” — afirma Jean Katumba.
Sobrevivência — Outros projetos que fazem parte das ações, tanto da SMASDH quanto da África do Coração é realizar ações que viabilizem o emprego e o estudo dos cidadãos refugiados, já que necessitam sobreviver e garantir o sustento.
Além disso, estão programadas a realização de inúmeras atividades no decorrer dos jogos, como oficinas temáticas, recreativas e programas de integração social de crianças, mulheres e homens em situação de refugiados. Haverá também cine debates, atividades com a participação da rede de ensino, feiras gastronômicas e passeios com crianças refugiadas. 
Secretario de Assistem cia Social e Direitos Humanos 
www.miguelimigrante.blogspot.com

No Mediterrâneo se repete o massacre dos inocentes

Na quarta-feira (18/07) o arcebispo de Turim, Dom Cesare Nosiglia presidiu a vigília de oração “ Morrer de esperança”, em memória de todos os que perderam a vida atravessando o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor. O bispo condenou os que demonstram indiferença, preconceito e hostilidade para com os migrantes.
Migranti:Open Arms, Libia lascia morire donna e bimbo
Cidade do Vaticano
“No Mediterrâneo, que os romanos chamavam ‘mare nostrum’, ou seja, ‘nosso mar’ que unia a Europa à África e ao Oriente, se repete o massacre dos inocentes. Infelizmente – disse Dom Cesare Nosiglia na sua homilia em Turim – a imigração para o nosso país, que é cada vez mais intensa, causou em muitas pessoas, mesmo nas que crêem, dificuldades em aceitar a acolhida serena e positiva que deveria caracterizar um povo, como o nosso, formado por emigrantes que foram para todas as partes do mundo”.
“ A acolhida serena e positiva deveria caracterizar um povo, como o nosso, formado por emigrantes que foram para todas as partes do mundo ”

Apelar à responsabilidade os outros Governos europeus não é um álibi para a indiferença

O arcebispo indicou também como “justo e obrigatório” apelar “à responsabilidade os outros Governos europeus para enfrentar em conjunto o problema da atual da imigração, em forte crescimento”. Mas tem consciência de que isso “não pode ser um álibi para a indiferença, recusando e abandonando ao seu próprio destino todas as pessoas que chegam através do Mediterrâneo. Essas pessoas passaram longas e dolorosas experiências de guerra ou de pobreza extrema, muitas delas são menores e mulheres indefesas, que foram submetidas a violências de todo o tipo”.

A integração dos migrantes pode aumentar o bem comum de toda a sociedade

“A acolhida dos sem-teto, dos que perderam casa e trabalho e dos imigrantes e refugiados não é suficiente para dar-lhes uma vida serena e digna. É preciso continuar a ajudá-los com a integração, a formação, um emprego, compartilhando os próprios valores culturais, religiosos e sociais” sublinhou Dom Nosiglia, indicando os “passos necessários para garantir a cada um a autonomia que permite não apenas garantir um futuro para a própria vida, mas uma contribuição para o crescimento do bem comum de toda a sociedade”. “De tal modo, muitos irmãos e irmãs pobres ou imigrantes podem representar um recurso para a sociedade civil”, acrescentou o prelado.
“ Muitos irmãos e irmãs pobres ou imigrantes podem representar um recurso para a sociedade civil ”

Povo de Deus e comunidade civil são apáticos à acolhida dos migrantes

“Enquanto muitos voluntários, leigos e religiosos estão engajados com os problemas da pobreza e das necessidades dos italianos e dos estrangeiros, o Povo de Deus e a comunidade civil mostram-se com frequência apáticos, indiferentes, preconceituosos e hostis”. Portanto convido todos a “atuar não só em favor dos nossos irmãos e irmãs em dificuldade, mas também no campo educacional e formativo, cultural e social, além do religioso”. Com um objetivo: “Sustentar as razões da acolhida na mentalidade, no estilo e nas escolhas de vida de cada membro da comunidade”.

Para a acolhida, aliança com as Igrejas cristãs e fiéis do Islã

O arcebispo de Turim convida também as Igrejas cristãs e os fiéis do Islã a fazerem um “pacto de aliança par alcançar objetivos comuns”. Para deste modo encaminhar “uma política e uma ação conjunta, tanto no plano religioso como cultural e social, capaz de enfrentar este problema com justiça e solidariedade”.
Radio Vaticano
www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Fluxo migratório da Venezuela impactou economias vizinhas, diz FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou nesta segunda-feira (16) que a crise na Venezuela já impactou as economias vizinhas. O órgão também lembrou que os dados do país deixaram de ser fiáveis há anos e destacou o profundo abismo econômico da nação sul-americana.

media
Maurice Obstfeld, economista do FMI, afirmou, durante uma conferência de imprensa para publicar as previsões econômicas mundiais, que o fluxo de pessoas que deixam a Venezuela tem impactado a economia dos países vizinhos.

“Como em outras regiões do mundo, é extremamente difícil fazer uma integração dos migrantes. A língua, nesse caso, não é um problema, mas ainda assim é uma tarefa complicada”, disse, lembrando de dificuldades como encontrar uma casa ou se inserir no mercado de trabalho. “É difícil falar a respeito tendo em vista o nível do abismo econômico. Nós paramos de nos comunicar com a Venezuela tem mais de uma década”, acrescentou.
Em abril, o FMI indicou que, em apenas cinco anos, a economia venezuelana recuou cerca de 45%, além de afirmar que a hiperinflação atingiria os 13.000% neste ano. O país, cujo capital vem 96% do petróleo, viu a produção do combustível cair mais de 50% em um ano e meio, por falta de modernização dos campos petrolíferos. A produção bruta da Venezuela também teve queda em junho, com 1,5 milhão de barris por dia, seu nível mais baixo em 30 anos.
Perspectivas de crescimento brasileiro são “pouco inspiradoras”
O FMI manteve sua previsão sobre o crescimento da economia mundial neste ano em 3,9%, mas alertou para os efeitos de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Na atualização das previsões econômicas feitas em abril, a entidade financeira revisou para baixo a expectativa sobre o desempenho da economia da América Latina, de 2,0% para 1,6%.
O Fundo destacou que essa redução é o reflexo da necessidade de ajustes na Argentina, do cenário de incertezas políticas no Brasil e das tensões comerciais ainda sem solução entre México e Estados Unidos. A Argentina foi abalada por uma grave crise financeira no primeiro semestre deste ano que levou o governo a recorrer ao FMI para obter um crédito de 50 bilhões de dólares.
No caso do Brasil, ele assinala que as perspectivas de crescimento são "pouco inspiradoras". "A economia tem um desempenho abaixo de seu potencial, a dívida pública é alta e, mais importante, as perspectivas de crescimento de médio prazo permanecem pouco inspiradoras", destaca.
Para 2018, o FMI espera para o Brasil um crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), uma redução de meio ponto em relação à estimativa de abril. O país continua com uma alta inflação e taxa básica de juros de 40% - uma das mais elevadas do mundo.
RFI
www.miguelimigrante.blogspot.com

Detenção de crianças imigrantes gera indústria bilionária

Foto16 Criancas em abrigo Detenção de crianças imigrantes gera indústria bilionária
A detenção de crianças imigrantes se transformou em uma indústria em ascensão nos EUA que agora fatura US$ 1 bilhão por ano. Esse volume representa 10 vezes mais que os gastos na última década, segundo uma análise da agência de notícias Associated Press.
Verba para serviços humanos e de saúde nos abrigos, assistência social e outros serviços de bem-estar infantil para as crianças desacompanhadas e separadas subiu de US$ 74.5 milhões em 2007 para US$ 958 milhões em 2017. Além disso, as autoridades estão revendo uma nova rodada de propostas em meio ao esforço crescente da Casa Branca para manter as crianças imigrantes sob a custódia do governo.
Atualmente, mais de 11.800 crianças, de alguns meses de idade a 17 anos, estão alojadas em cerca de 90 instalações em 15 estados: Arizona, Califórnia, Connecticut, Flórida, Illinois, Kansas, Maryland, Michigan, New Jersey, Nova York, Oregon, Pensilvânia , Texas, Virgínia e Washington. Elas estão sendo mantidas enquanto seus pais aguardam o processo de imigração ou, se foram detidas desacompanhadas, elas serão avaliadas para possível aplicação de asilo.
Em maio, o governo iniciou licitações de propostas para 5 projetos que podem totalizar US$ 500 milhões leitos, cuidados terapêuticos e “cuidados de segurança”, ou seja, a contratação de guardas. Mais contratos são esperados para licitações em outubro.
O porta-voz do HHS, Kenneth Wolfe, disse que a agência iniciará licitações “com base no número de leitos necessários para prover cuidados apropriados para menores no programa”.
As instalações atuais incluem locais para abrigar crianças que o governo Trump considera “idade tenra”, normalmente com menos de 5 anos. Três abrigos no Texas foram designados para crianças pequenas e bebês, inclusive em tendas em Tornillo (TX) e um abrigo provisório de tendas e prédios em Homestead (FL) abrigam adolescentes mais velhos.
Na última década, os maiores beneficiários do dinheiro público foram a Southwest Key e a Baptist Child & Family Services, revelou  a análise da AP. De 2008 até hoje, a Southwest Key recebeu US$ 1.39 bilhão em subsídios para operar abrigos e a Baptist Child & Family Services você recebeu US$ 942 milhões.
Os beneficiários do dinheiro são organizações sem fins lucrativos, religiosas e entidades com fins lucrativos. As Organizações geralmente se concentram na habitação e detenção de jovens em risco, mas o foco mudou para imigrantes quando dezenas de milhares de crianças da América Central começaram a chegar na fronteira EUA-México nos últimos anos. Elas são contratadas para o governo pelo Departamento de Saúde & Serviços Humanos; a agência federal que administra o programa que mantém as crianças imigrantes sob a custódia. Organizações como a Southwest Key insistem que as crianças são bem cuidadas e que a grande soma de dinheiro é necessária para abrigar, receber, transportar, educar e fornecer cuidados médicos para as crianças enquanto milhares delas cumprem com as regulamentações governamentais e ordens judiciais.
Brazilian Voice
www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 17 de julho de 2018

Belém decreta situação de emergência social diante de imigração venezuelana

 venezuelanos
A Prefeitura de Belém decretou, nesta segunda-feira (16), situação de emergência social na capital devido ao intenso processo imigratório de venezuelanos. A medida será assinada nesta terça, 17, pelo prefeito Zenaldo Coutinho.
A medida, no entanto, não exclui a oferta de serviços já feita pelo município, que vem adotando uma série de medidas de acolhimento na área de saúde pública junto a essa população. A expectativa, com o decreto, é a de garantir recursos futuros.
A Prefeitura de Belém reforça que todos os indígenas Warao, que já estavam em Belém, foram vacinados, receberam consultas, tratamentos e até internações. O grupo recebe, ainda, visitas permanentes do consultório de rua da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Somado a isso, o município também está ofertando 100% de vagas para as crianças Warao, de 0 a 10 anos, com projeto pedagógico já desenvolvido pela Secretaria de Educação (Semec) que, inclusive, será apresentado amanhã junto ao Governo do Estado e Ministério Público Federal (MPF).
O propósito do município é que, tanto na área da assistência social, da saúde e da educação, haja a acolhida dos imigrantes que estão fugindo da grave crise econômica e política da Venezuela, com um apelo, principalmente, às crianças.
Jornal Folha do Progresso
www.miguelimigrante.blogspot.com

Embaixada das Filipinas na Missão Paz


Nesse final de semana (dias 14 e 15 de julho) a agenda da comunidade filipina que se reúne na Missão Paz contou com 3 iniciativas.
1-Embaixada das Filipinas na Missão Paz
Nos dias 14 e 15 de julho a embaixada das Filipinas de brasília enviou uma equipe para atender os connacionais de São Paulo e região metropolitana. Foram emitidas certidões consulares, feitas renovações de passaportes, entre outros serviços. Mais de 50 pessoas usufruíram dessa iniciativa .
2-Comemoração mensal
A comunidade filipina se reuniu para o almoço típico. A atividade foi acompanhada de cantos e danças típicas.
3-Missa Filipina

Primeira vez, desde outubro de 2017 quando se iniciou a tradição das missas organizadas pela comunidade filipina, em que um padre de nacionalidade filipina presidiu uma missa. Agradecemos ao padre Ace, missionário filipino do PIME pela missa.

Missão Paz
Fotografia Miguel Ahumada
www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Comissão da OAB vem a Corumbá prestar assistência jurídica aos haitianos



A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS) constituiu uma comissão provisória de acompanhamento dos haitianos que tem ingressado no Brasil a partir do município de Corumbá. A comissão tem como presidente o advogado Elton Luís Nasser, como vice-presidente o advogado Heraldo Garcia Vitta, e o advogado Luiz Jivago Carriel como secretário geral.
Os membros da comissão, se reuniram  em Corumbá, onde farão um trabalho de assistência institucional aos refugiados, principalmente em relação as demandas básicas como documentação e assessoria jurídica. O presidente da comissão, Elton Nasser explica que o trabalho com os haitianos será feito em parceria com a Subseção de Corumbá e outras instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal. Ele explica ainda que o objetivo da comissão é fazer com que os refugiados sejam tratados como cidadãos.
“Nós estamos com a missão de fazer com que haja um acompanhamento, junto com todas as demais autoridades, e que haja um trabalho voltado para uma assistência institucional como já aconteceu em 2015, quando foi criada uma primeira comissão que culminou com uma audiência pública, resultando na criação de um comitê. Um trabalho conjunto, organizado, institucional que vai contar com a presença e participação de todos os demais segmentos da sociedade. Vamos procurar fazer uma atuação conjunta que resulte na eficácia daquele mandamento de amor ao próximo”, disse. 
O secretário geral da comissão, Luiz Jivago Carriel explicou os motivos que levaram à criação da comissão. “Essa ideia surgiu de acordo com as mazelas que esses estrangeiros passam no nosso país. Eles escolhem nosso país para mudar de vida, por causa do que sofrem nos países deles. Nós estamos com todo ânimo e motivação principalmente para garantir todos os direitos deles na função de custus legis, de fiscal da lei, especialmente na lei de migração”, contou.
O presidente da Ordem, Mansour Elias Karmouche salientou a importância da participação da OAB/MS nesse tipo de ação. “Não é a primeira vez que advogados contribuem para com a sociedade, prestando seus relevantes serviços para pessoas que precisam, no momento de dificuldade, de uma assistência, de calor humano, de se sentirem importantes. É de extrema relevância que nós tenhamos isso em mente, da nossa capacidade de ajudar os outros, e esses advogados emprestam o seu nome, o seu tempo e disponibilidade para ajudar o próximo e isso é muito importante para nós enquanto instituição”.
 Com informações da assessoria de imprensa da OAB/MS. 
www.miguelimigrante.blogspot.com

Seminário Internacional de Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas Prefeitura de Guarulhos

Nenhum texto alternativo automático disponível.
A Prefeitura de Guarulhos, por intermédio da Subsecretaria da Igualdade Racial, convida para participação no “Seminário Internacional de Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas”, a ser realizado nos dias 16 e 17 de julho no Auditório da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, situado na Rua Claudino Barbosa, 313 - Macedo – Guarulhos/SP.

A Missão Paz participará, das 13:30h às 17:00h do dia 16 de Julho, da mesa "Rede de Atenção aos Migrantes", que terá estes temas e palestrantes:
➢ A Atuação do Centro de Referência e Apoio aos Imigrantes - CRAI Andrea Zamur - Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo
➢ A Atenção aos Refugiados Maria Cristina Morelli – Coordenação do Centro de Referência para Refugiados da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo
➢ A Inserção dos Migrantes no Mercado de Trabalho Pe. Paolo Parise - Missão Paz
➢ O Atendimento aos Migrantes Venezuelanos em Roraima Cláudia Mei - ONG Fraternidade Sem Fronteiras
➢ Certificação das Mulheres Migrantes no Curso de Panificação Parceria da Prefeitura de Guarulhos e Casa Amor ao Próximo

Missão Paz
www.miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 14 de julho de 2018

Estados-membros da ONU aprovam primeiro pacto global sobre migração

Resultado de imagem para Estados-membros da ONU aprovam primeiro pacto global sobre migração
Pela primeira vez, os Estados-membros das Nações Unidas concordaram com um Pacto Global abrangente para gerenciar melhor a migração internacional, enfrentar seus desafios, fortalecer os direitos dos migrantes e contribuir para o desenvolvimento sustentável.
Depois de mais de um ano de discussões e consultas entre Estados-membros, autoridades locais, sociedade civil e migrantes, o texto do Pacto Global por uma Migração Ordenada, Regular e Segura foi finalizado nesta sexta-feira (13).
Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o acordo, chamando-o de "uma conquista significativa". Segundo ele, o pacto reflete "o entendimento compartilhado pelos governos de que a migração transfronteiriça é, por sua própria natureza, um fenômeno internacional e que a gestão eficaz dessa realidade global requer cooperação internacional para aumentar seu impacto positivo para todos". Para Guterres, o pacto também reconhece que todo indivíduo tem direito a segurança, dignidade e proteção.
“Esta diretriz abrangente compreende uma gama de objetivos, ações e caminhos para implementação, acompanhamento e revisão”, acrescentou o chefe da ONU. “Todos destinados a facilitar a migração segura, ordenada e regular, reduzindo a incidência e o impacto da migração irregular".
Chamando a decisão de “momento histórico”, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miroslav Lajčák, enfatizou o enorme potencial do pacto.
“Não encoraja a migração nem visa impedi-la. Não é juridicamente vinculativo. Não dita, não irá impor. E respeita plenamente a soberania dos Estados”, enfatizou.
“Ele pode nos guiar para passarmos de um modo reativo para um proativo. Pode nos ajudar a extrair os benefícios da migração e mitigar os riscos. Pode fornecer uma nova plataforma para cooperação. E pode ser um recurso para encontrar o equilíbrio certo entre os direitos das pessoas e a soberania dos Estados.”
"Em dezembro, será formalmente o primeiro marco abrangente sobre migração que o mundo já viu", salientou.
Também tomando a palavra, a vice-secretária-geral, Amina J. Mohammed, chamou a atenção para as profundas questões levantadas pela migração, como a soberania e os direitos humano; o que se constitui movimento voluntário; a relação entre desenvolvimento e mobilidade; e como apoiar a coesão social.
“Este pacto demonstra o potencial do multilateralismo: nossa capacidade de nos unir em questões que exigem colaboração global - por mais complicadas e controversas que sejam”, ressaltou.
Louise Arbor, representante especial para a migração internacional, afirmou que, como a mobilidade humana sempre estará conosco, "seus aspectos exploradores, caóticos e perigosos não podem se tornar um novo normal".
"A implementação do Pacto trará segurança, ordem e progresso econômico para o benefício de todos", ressaltou.
O acordo será formalmente adotado pelos Estados-membros em uma conferência intergovernamental a ser realizada em Marrakesh, no Marrocos, nos dias 10 e 11 de dezembro. Louise atuará como secretária-geral da conferência.
"Este não é o fim do empreendimento, mas o início de um novo esforço histórico para moldar a agenda global sobre migração nas próximas décadas", disse o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing.
Onu
www.miguelimigrante,blogspot.com

Imigrantes na seleção da França faz país repensar xenofobia

Talvez tenha sido em 1970 que a França começou a perceber uma mudança em jogo. Na Copa de 1978, na Argentina, um jovem nascido em Guadalupe foi o precursor do que viria a acontecer no futebol - e também na sociedade francesa.
Márius Tresor chamava atenção por sua agilidade e força, além de sua coragem em campo. O imigrante da colônia francesa escancarava para a sociedade local a sua habilidade. Em troca, ele conquistava não só o seu lugar na história do futebol frânces, mas também melhores condições de vida para a sua família.
- VIA GETTY IMAGES
Depois dele, outros nomes vieram, como Jean Tigana, jogador de origem malinês.
Em 1998, N'Golo Kanté, aos 7 anos, catava lixo nas ruas de Paris para depois enviá-los para empresas de reciclagem. Com esse trabalho, ele ajudava no orçamento dos pais imigrantes do Mali. Hoje, duas décadas depois, ele integra a equipe que pode levar o Mundial.
Naquele mesmo ano, Benjamin Mendy crescia em um subúrbio da capital. Aos 7 ou 8 anos, ele não se reconhecia como Bejamin, mas como Zidane ou Ribéry. Foi essa imaginação que tornou possível que Mendy se tornasse um profissional no esporte.
Para o pesquisador Jamil Chade, a vitória da frança na Copa de 1998 só foi possível com a presença dos jogadores imigrantes. E essa vitória inspirou as futuras gerações.
Porém, o título no esporte não é suficiente para que os imigrantes superassem as contradições e os desafios de viver às margens da sociedade europeia.
"Quando esses jogadores conquistam importantes vitórias, são usados como exemplos de uma integração que funciona. Quando perdem, são questionados por sua lealdade questionável vis-a-vis o país que lhes acolheu", comenta Chade.
O futebol passou a ganhar importância na França e o campo serviu como um espelho das mudanças culturais. De um lado, uma França xenófoba e racista. De outro, um país que sabia valorizar sua diversidade e, com isso, tornar-se uma potência.
A maioria branca e os defensores das raízes nacionalistas passaram a conviver - ou ao menos assistir - os franceses de pele escura que, mesmo incluídos, ainda são vistos como exceções.
Para o historiador Yvan Gastaut, a seleção francesa é mais do que um objeto político: é a prova de uma integração "bem sucedida" para o país.
"Depois de 1998, os Azuis tornaram-se uma caixa de ressonância, um lugar central para pensar sobre questões interculturais. Desde então, estamos em uma preocupação constante sobre a diversidade na França, que a equipe deve simbolizar. Podemos fazer de tudo no futebol, mas uma vitória será o símbolo da integração bem-sucedida; já uma derrota é a ausência de um senso de comunidade", explicou o pesquisador em entrevista ao Le Monde.
Porém, nunca antes em sua história uma seleção francesa foi tão repleta de imigrantes, ou tão africana.
Dos 23 convocados para a Copa de 2018, pelo menos 11 declaram o amor ao país de origem, para além do time que vestem a camisa. Desses, todos são filhos ou nasceram em países daquele continente.
Conheça os 11 atletas convocados pela seleção francesa e as suas origens imigrantes:
Steve Mandanda, goleiro, nasceu no Congo.
KAI PFAFFENBACH / REUTERS
Presnel Kimpembe, defesa, é filho de congoleses.
MICHAEL REGAN - FIFA VIA GETTY IMAGES
Benjamin Mendy, defesa, é filho de imigrantes que nasceram no Senegal.
TF-IMAGES VIA GETTY IMAGES
Samuel Umtiti, defesa, nasceu em Camarões.
STEFAN MATZKE - SAMPICS VIA GETTY IMAGES
N'Golo Kanté, meio-campista, é filho de imigrantes do Mali.
NURPHOTO VIA GETTY IMAGES
Blaise Matuidi, meio-campista, é filho de angolanos.
VI-IMAGES VIA GETTY IMAGES
Steven Nzonzi, meio-campista, tem sua origem no Congo.
TF-IMAGES VIA GETTY IMAGES
Paul Pogba, meio-campista, é filho de mãe guineense e pai congolês.
TF-IMAGES VIA GETTY IMAGES
Corentin Tolisso, meio-campista, é filho de imigrantes de Togo.
PAUL ELLIS VIA GETTY IMAGES
Ousmane Dembélé, atacante, é filho de mãe senegalesa e pai malinês.
ALEXANDER HASSENSTEIN VIA GETTY IMAGES
Kylian Mbappé, atacante, é filho de pai camaronês e mãe argelina.
QUALITY SPORT IMAGES VIA GETTY IMAGES

Imigração na França

Imigração é um tema que está cada vez mais em discussão em países europeus, principalmente perto de eleições.
Se durante a campanha atual da Copa do Mundo os imigrantes franceses são aplaudidos, fora dos campos a França se destaca por ser um dos países com a mais alta taxa de rejeição de pedidos de asilo da Europa.
Só em 2017, o país recebeu 100 mil pedidos de asilo. A resposta do governo de Emmanuel Macron foi apresentar um projeto de lei que busca endurecer a política migratória.
Em maio deste ano, a polícia francesa desmontou o maior acampamento de imigrantes de Paris. Os refugiados, que estavam em situação irregular, foram transferidos para centros de acolhimento provisórios e o departamento de imigração do governo passou a analisar o status de cada um dos imigrantes.
HUFFSPT
www.miguelimigrante.blogspot.com