domingo, 13 de setembro de 2026

Congresso amplia debate sobre fronteira do Brasil com Guiana Francesa

 Jornalista Mônica Nascos ladeada por pesquisadores brasileiros durante XIII Congresso Brasileiro de História da Educação

Durante o XIII Congresso Brasileiro de História da Educação, recentemente, em Macapá, a jornalista Mônica Nascos apresentou a pesquisa ‘Defesa e segurança da fronteira franco-brasileira: processo de comunicação e cooperação policial’ com dados inéditos da Polícia Federal do Brasil e da Polícia de Fronteira da França.

O estudo abordou a migração na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, destacando o papel estratégico da região. Com 730,4 quilômetros de fronteira terrestre, o Amapá assume uma posição singular nas discussões sobre segurança pública, mobilidade internacional, cooperação policial e direitos humanos.

Um dos diferenciais foi a apresentação de dados oficiais inéditos. Na Ponte Binacional de Oiapoque, 95,41% das entradas no Brasil são de cidadãos franceses, enquanto no Porto Fluvial 53,83% das entradas no território brasileiro correspondem a migrantes cubanos, e 40,86% franceses – revelando dinâmicas migratórias distintas em uma mesma fronteira.

A pesquisa também apresentou dados da Polícia de Fronteira da França sobre os efeitos da liberação de vistos, entre 31 de julho e 31 de agosto de 2026, como o registro de 139 brasileiros entrando na Guiana Francesa, 55 retornando ao Brasil, além de dez veículos que ingressaram e quatro que deixaram o território francês, oferecendo um retrato inicial dos impactos da nova política na mobilidade regional.

Outro destaque foi a atuação do Centro de Cooperação Policial (CCP) de Saint-Georges, que reúne instituições de segurança dos dois países, com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Police Aux Frontières (PAF) e da Gendarmerie francesa. O centro representa um importante modelo de cooperação internacional para o compartilhamento de informações, prevenção e enfrentamento de crimes transfronteiriços.

Para a pesquisadora, participar do congresso foi uma oportunidade de ampliar o debate sobre uma das fronteiras mais estratégicas do país, levando a realidade amazônica e a importância do Amapá para o cenário acadêmico nacional.

https://www.diariodoamapa.com.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 12 de setembro de 2026

Guineenses resgatados no Brasil em situação de escravidão

 Uma operação realizada pelo Governo brasileiro resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, em agosto, incluindo 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes, bem como 66 migrantes, alguns da Guiné-Bissau.


Os dados, agora divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, cita entre as vítimas 66 migrantes provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

A "Operação Resgate VI" contou com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que realizaram 231 ações fiscais.

A região sudeste do país concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 267 casos, dos quais 208 ocorreram em Minas Gerais e 58 em São Paulo.

Entre os casos está o de uma mulher de 51 anos na cidade de São Paulo, que vivia na residência da empregadora desde os 10 anos e trabalhou durante cerca de 40 anos sem registo formal ou pagamento regular de salários.

Ainda criança, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, "como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições" e a passar a ferro as roupas. 

Os auditores-fiscais também identificaram que a mesma mulher trabalhou numa clínica de um dos membros da família sem qualquer registo formal de emprego.

À lupa: Sabia que há milhões de escravos no mundo?

01:53

Explorados em Minas Gerais

No estado de Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda, na colheita de batata, sendo a maioria senegaleses e do Burkina Faso.

Os auditores-fiscais identificaram que as vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registo formal de trabalho, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições.

"Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho", cita o comunicado, sem adiantar detalhes sobre a situação dos guineenses.

O meio rural concentrou 57,5% das fiscalizações e 292 trabalhadores resgatados, enquanto as atividades urbanas representaram 36,5% das ações, com 178 resgates, e o trabalho doméstico teve nove trabalhadores resgatados.

Entre as atividades com mais trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão estão a construção em geral, com 85 resgatados, o cultivo de café, com 53, de cebola, com 47, e de batata, com 44.

Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e regularizar retroativamente os vínculos, além de pagar mais de 1,4 milhões de reais (cerca de 236,1 mil euros) em verbas salariais e rescisórias.

Segundo o Governo brasileiro, os trabalhadores receberam ainda o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.

https://www.dw.com/pt

www.miguelimigrante.blogspot.com

Migrantes no DF podem buscar apoio, capacitação e orientação para acessar serviços públicos

 

Diferentes serviços do GDF podem ser acessados por migrantes que procuram atendimento | Foto: Divulgação

Para quem chega a um novo país, conhecer os serviços disponíveis e encontrar caminhos para se integrar à comunidade pode ser um desafio. No Distrito Federal, migrantes podem buscar atendimento para receber orientação, apoio e encaminhamentos de acordo com suas necessidades.

Entre os serviços disponíveis estão apoio para integração social, orientações sobre acesso a direitos, capacitações e atividades voltadas à autonomia e inclusão. O atendimento também pode ajudar o migrante a identificar outros serviços públicos adequados à sua situação.

A capacitação é uma das frentes de atendimento e pode contribuir para ampliar oportunidades de inserção social e profissional. As atividades podem abordar temas relacionados a qualificação, cidadania, direitos e acesso a serviços.

Também é possível buscar orientação sobre documentação e regularização migratória. Nesses casos, o atendimento auxilia na identificação do serviço responsável e no encaminhamento adequado. 

Para facilitar o atendimento, é recomendado reunir os documentos disponíveis, mesmo que estejam vencidos, além de protocolos e comprovantes relacionados à situação migratória.

Serviço

► Apoio e orientação a migrantes
Telefone: (61) 2244-1232
e-mail: getpam@sejus.df.gov.br

► Regularização e documentação migratória
Telefone: (61) 2024-7402
e-mail: delemig.drex.srdf@pf.gov.br

► Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
Para registro migratório, é preciso agendamento.

https://agenciabrasilia.df.gov.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

‘Brasil faz diferente de Trump’, diz ministro sobre imigrantes serem bem-vindos ao mercado de trabalho

 

Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, fala com jornalistas em Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Cumprindo agenda em nesta terça-feira (8), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o Brasil segue na contramão da política de extradição adotada pelo governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump.

O gestor disse que o mercado de trabalho brasileiro está ‘de braços abertos’ aos imigrantes.

“O Brasil costuma fazer diferente do presidente Trump, que está expulsando os imigrantes. Nós estamos de braços abertos para os imigrantes, estabelecendo todo o processo de qualificação e dialogando com as empresas sobre as contratações”, afirmou.

Segundo o 12º Relatório Anual do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais), o Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado. São cerca de 200 nacionalidades diferentes, representadas por indivíduos em todas as unidades da federação. 

Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos são os grupos em destaque. É estimada a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com maior participação de mulheres e crianças (0 a 14 anos).

Dados do Atlas dos Trabalhadores Migrantes no Brasil apontam que o número de vínculos formais de trabalhadores migrantes saltou de 43 mil, em 2002, para 272 mil, em 2023.

Apesar do crescimento, a inserção profissional ainda ocorre, em grande parte, em atividades marcadas por baixos salários e elevada rotatividade, segundo o Tribunal Superior do Trabalho.

Setores como construção civil, confecção e frigoríficos concentram essas contratações, e 71% dos trabalhadores migrantes formais recebem até dois salários mínimos.

O acesso à informação, segundo magistrados que atuam na Justiça do Trabalho, é um dos principais instrumentos para prevenir situações de exploração e violação de direitos.

https://midiamax.com.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Onda de anti-imigração também chegou à América do Sul?



 Foto / X / @SubseInterior

Renan Rebello  

A retórica e as práticas migratórias do governo de Donald Trump encontraram eco em países como Argentina, Chile e Colômbia. Alinhados aos Estados Unidos, esses governos também adotaram uma postura de rigidez em relação aos imigrantes. A adaptação da atual política estadunidense ao cenário sul-americano reacende o debate sobre a integração regional.

Nesse sentido, Beatriz Bandeira de Mello, doutora em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em entrevista à Sputnik Brasil, aponta que esse tipo de posicionamento pode com o tempo corroer um dos pilares mais fortes entre os países sul-americanos, que é justamente a circulação de pessoas.

"Eu acho que corrói muito a nossa sociedade e não contribui em nada para a nossa região. Com esses tensionamentos, frações da sociedade que às vezes não têm essa percepção e enxergam [a imigração] como ameaça. Então, é muito perigoso a gente ir por esse caminho de criminalizar, de enrijecer as normas e tudo mais", disse.

A especialista pontua que a proximidade ideológica com Washington de líderes como Abelardo de la Espriella (Colômbia), Javier Milei (Argentina) e José Antonio Kast (Chile) fortalece a criminalização dos fluxos migratórios. Como reflexo dessa convergência política, a população venezuelana torna-se ainda mais vulnerável e exposta a abusos no continente.

"Assim como Kast, Abelardo de la Espriella também tem adotado uma retórica muito agressiva de criminalizar esses migrantes. Acontece que, à medida em que são eleitos esses governos mais alinhados com as diretrizes de governo Trump, começa-se a adotar essa retórica mais agressiva contra os migrantes, principalmente contra esses fluxos migratórios, tendo os venezuelanos como os bodes expiatórios", comenta.

Passageiros embarcam em avião da Aerolíneas Argentinas, no Aeroporto Jorge Newbery. Buenos Aires, 24 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2024

Discurso anti-imigração são feitos a partir de falácias

Outro ponto levantado por Bandeira de Mello é que a culpabilização de imigrantes para os problemas estruturais do país, também é seguida por ideias sobre aumento da criminalidade, que supostamente afetariam a economia interna.

"Os políticos alinhados com esse discurso de que os migrantes dizem que são um grande problema do desenvolvimento econômico, então que fechar fronteiras seria a solução [e essa ideia] vem associada à retórica de criminalização também, de que os imigrantes vêm cometer crimes, o que tem sido muito usado por Milei", destaca.

A analista internacional também pontua que Buenos Aires e Bogotá, ao dificultarem as regras de migração entre cidadãos do Mercosul e de seus estados associados, desrespeitam diretamente os acordos de integração no âmbito da América do Sul.

"Hoje a gente tem essa facilidade de poder transitar entre os países, principalmente no Mercosul e nos países associados. O que acontece é que os países, por exemplo, Argentina e Colômbia, que são os dois exemplos mais chaves, que têm falado mais sobre isso abertamente, eles têm tentado, digamos, 'burlar' essa regra", observa.

Washington anuncia o fim das operações de imigração do ICE em Minnesota - Sputnik Brasil, 1920, 30.04.2026

EUA como padrão a ser seguido é algo contraditório

Segundo a análise de Bandeira de Mello, é contraditória a postura anti-imigração dos EUA, visto que o país foi historicamente construído por fluxos migratórios. Essa dinâmica torna-se ainda mais complexa quando replicada por nações latino-americanas, que adotam diretrizes estadunidenses em detrimento de suas próprias realidades regionais.

"Eu acho que é muito perigoso a gente incorporar esses discursos enlatados dos EUA que, em si, foi um país formado por migrações, é extremamente contraditório. A gente não pode assumir esses discursos enlatados e acreditar que fechar fronteiras e infringir as nossas normas é a melhor saída para lidar com a questão migratória, que é muito central em toda a América Latina", conclui.

A influência dos EUA na América Latina vai além das pressões econômicas e militares. O alinhamento automático à Casa Branca faz governos locais replicarem diretrizes de Washington internamente. Contudo, ao adaptar essas estratégias, como na gestão migratória, essas nações agravam suas próprias crises humanitárias e institucionais.

https://noticiabrasil.net.br/

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Iniciativa para combater a solidão de mulheres imigrantes promove piquenique

 

O local escolhido foi o Parque Eduardo VII, no centro de Lisboa.Foto: Canva

Por  Amanda Lima

Às vezes, tudo o que precisamos é de um lugar seguro para conversar, rir, descansar e lembrar que não estamos sozinhas". Este é o convite da "Not Alone. Not Anymore" ("Não Sozinha. Não Mais", em tradução literal), movimento lançado recentemente pelo Diásporas.pt para combater a solidão entre mulheres imigrantes em Portugal.

Será um piquenique gratuito em Lisboa, no dia 12 de setembro, a partir das 15:00. As integrantes definem o encontro como um "espaço de partilha, conexão e novas amizades". O local escolhido foi o Parque Eduardo VII, no centro da cidade.

As orientações são as seguintes: levar uma manta para sentar no gramado, comida e/ou bebida para compartilhar com as demais mulheres e não esquecer o próprio copo. As crianças são "muito bem-vindas", para que as mães imigrantes também possam participar deste convívio.

"Venha como você é. Há sempre espaço para mais uma mulher nesta roda", complementa o convite. A campanha ressalta que "nenhuma de nós deveria atravessar a vida sozinha". Como o DN Brasil mostrou em entrevista recente, a iniciativa busca combater a solidão por meio da construção de redes de acolhimento, pertencimento e apoio.

O projeto é da Academia Comum, integrante da associação Diásporas, que reuniu mulheres de diferentes nacionalidades para refletir sobre os desafios da migração. Outros eventos presenciais estão sendo programados para os próximos meses.

https://dnbrasil.dn.pt/

www.miguelimigrante.blogspot.com


sábado, 5 de setembro de 2026

Brasil e Tailândia trocam experiências sobre políticas migratórias e proteção a refugiados

 

Intercâmbio entre Brasil e Tailândia abordou integração local, sistema de refúgio e acolhida humanitária. Foto: Cacau Bispo/MJSP

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) recebeu, nessa segunda-feira (31), representantes do governo da Tailândia para uma reunião técnica de intercâmbio de conhecimentos sobre migração, refúgio e integração local de pessoas refugiadas. O encontro foi promovido pelo Departamento de Migrações (Demig), da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), no Palácio da Justiça, em Brasília (DF).

A visita técnica bilateral permitiu o compartilhamento de experiências dos dois países na formulação e implementação de políticas migratórias e de proteção internacional. A programação incluiu apresentações sobre a Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), o funcionamento e as práticas do sistema brasileiro de refúgio e o modelo de proteção adotado pela Tailândia.

Para o diretor do Demig, Victor Semple, o intercâmbio permite compartilhar conhecimentos entre os países. “A cooperação internacional também se constrói por meio da troca de soluções, experiências e desafios. Esse diálogo permite conhecer diferentes respostas para questões que são comuns aos países e, ao mesmo tempo, compartilhar as experiências desenvolvidas pelo Brasil na proteção de migrantes, refugiados e apátridas”, afirmou.

Política Migratória

Durante o encontro, o Demig apresentou a experiência brasileira na construção da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia. Prevista na Lei de Migração, a PNMRA busca articular as ações desenvolvidas pelo Governo Federal em cooperação com estados, Distrito Federal e municípios, além de ampliar a participação da sociedade civil, de organismos internacionais, de entidades privadas e das próprias populações migrantes, refugiadas e apátridas.

Entre seus objetivos estão o fortalecimento da integração local e da inclusão social, a promoção do trabalho decente e da inclusão produtiva, a articulação entre diferentes áreas e níveis de governo e o aprimoramento de políticas públicas orientadas por dados e evidências.

A apresentação também destacou a importância da coordenação entre os entes federativos para responder aos diferentes contextos migratórios e ampliar o acesso de migrantes, refugiados e apátridas a direitos e serviços públicos.

Sistema Brasileiro de Refúgio

Outro eixo da reunião foi o funcionamento do sistema brasileiro de refúgio. A delegação conheceu aspectos da Lei nº 9.474/1997, que estabelece os mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados no País e que incorporou ao ordenamento jurídico brasileiro os parâmetros internacionais de proteção.

Além das hipóteses de perseguição previstas nos instrumentos internacionais, a legislação brasileira reconhece como refugiadas pessoas obrigadas a deixar seus países em razão de grave e generalizada violação de direitos humanos, conceito inspirado na Declaração de Cartagena.

Desde a criação do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), cerca de 170 mil pessoas foram reconhecidas como refugiadas no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, o País registrou 34.346 novas solicitações de reconhecimento da condição de refugiado e 2.534 deferimentos.

Também foram apresentadas estratégias utilizadas pelo Conare para dar mais eficiência à análise dos pedidos, entre elas procedimentos simplificados para determinadas situações de grave e generalizada violação de direitos humanos e mecanismos voltados a grupos expostos a formas específicas de perseguição ou violência. Entre as práticas apresentadas à delegação tailandesa também estiveram ações de reunião familiar, missões direcionadas à população indígena Warao e medidas de modernização do Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (Sisconare).

Segundo a coordenadora-geral do Conare, Amarílis Tavares, a atuação brasileira busca conciliar eficiência administrativa e proteção. “O desafio é assegurar respostas adequadas a um volume expressivo e diverso de solicitações sem perder de vista a finalidade central do sistema de refúgio, que é garantir proteção a quem dela necessita”, destacou.

Acolhida e integração

A reunião também apresentou ações brasileiras voltadas à acolhida e à integração local, como o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário, instituído pela Portaria MJSP nº 1.242, de 22 de junho de 2026.

O programa estabelece uma via complementar de admissão e acolhida humanitária, com participação de organizações da sociedade civil. O modelo prevê apoio desde a preparação para a chegada ao Brasil até a integração local, incluindo acolhimento, moradia temporária, regularização documental, acesso aos serviços públicos, ensino da língua portuguesa e apoio à inserção sociolaboral.

Até julho de 2026, cinco organizações da sociedade civil habilitadas haviam disponibilizado capacidade para acolher 1.319 pessoas. Desse total, 553 já haviam sido recebidas no Brasil por meio da iniciativa.

Cooperação técnica

Ao final da programação, representantes da Tailândia apresentaram aspectos do sistema migratório e de refúgio do país, permitindo a comparação de práticas, estruturas institucionais e conhecimentos adotados pelos dois governos.

Para a representante do Conselho Nacional de Segurança da Tailândia, Taksaporn Noikaew, a visita técnica reforçou o potencial de cooperação entre os dois países. “A Tailândia está atualmente revisando suas políticas de gestão migratória e valorizamos muito a experiência brasileira nas áreas de proteção a refugiados, promoção da autonomia e soluções duradouras. Apesar das diferenças entre os contextos dos nossos países, identificamos diversas oportunidades de aprendizado mútuo e cooperação.”

A visita integra iniciativa coordenada pelo Demig/Senajus/MJSP, com facilitação do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), voltada ao intercâmbio de conhecimentos e à cooperação técnica em migração, refúgio e integração local.

https://www.gov.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com