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sábado, 13 de junho de 2026

Mais de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio em Roraima nos últimos quatro meses

Ação conjunta de 11 de junho entre o Tático Ostensivo Rodoviário, a Polícia Rodoviária Federal e o Exército Brasileiro para o resgate humanitário dos imigrantes até a Operação Acolhida (Foto: PRF)
 

Mais  de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio ao Brasil por Roraima entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e da Polícia Federal. Com 7.687 solicitações registradas no período, os cubanos lideram os pedidos de proteção internacional no Estado e superam os venezuelanos, que somaram 3.017 requerimentos nos quatro primeiros meses do ano.

Os números reforçam uma mudança no perfil migratório observado em Roraima, historicamente marcado pela chegada de venezuelanos. Em 2025, os cubanos já haviam ultrapassado os vizinhos sul-americanos nos pedidos de refúgio: foram 20.861 solicitações de cidadãos de Cuba, frente a 14.898 de venezuelanos.

Crise econômica e climática impulsiona saída de cubanos

Para a socióloga e professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Márcia Maria de Oliveira, o aumento da presença de cubanos na rota migratória que passa pela Guiana e chega a Roraima está ligado a uma combinação de fatores econômicos, climáticos e políticos.

Segundo ela, a situação econômica de Cuba se agravou nos últimos anos em razão da crise nas principais atividades produtivas do país, como a agricultura, além dos impactos causados por eventos climáticos extremos.

“A situação econômica de Cuba está muito grave. Além disso, um outro elemento importante é a crise climática, que tem sido decisiva na obrigação de migrar de camponeses e trabalhadores das principais economias de sustentação e exportação do país. A ilha vem sendo devastada por seguidos ciclones que destroem a infraestrutura da produção agrícola e pelas secas prolongadas ou cheias irregulares”, explicou.

A pesquisadora também cita os efeitos do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, que além de restrições financeiras e comerciais que acontecem há quase 60 anos, aplicou sanções para venda de petróleo e combustível para Cuba neste ano.

Conforme dados das Nações Unidas, ações resultaram em esgotamento do sistema energético com interrupções diárias de mais de 20 horas no fornecimento de eletricidade, além de afetar a produção de alimentos e o abastecimento
de medicamentos
. “Todos estes fatores empurram a população para a migração”, resumiu a professora.

Rota pela Guiana se consolidou nos últimos anos

O fluxo de cubanos por Roraima não é novo. Márcia Maria lembra que muitos médicos e professores da UFRR, por exemplo, são migrantes cubanos que participaram de antigos convênios entre a instituição e o Governo Cubano na década de 1990.

Apesar disso, a rota entre Cuba, Guiana e Brasil começou a ganhar força entre 2018 e 2019 e se consolidou como uma alternativa utilizada por migrantes.

Segundo a professora, muitos cubanos viajam de avião até Georgetown, capital da Guiana, país que não exige visto para cidadãos cubanos. A partir dali, seguem por via terrestre até a fronteira brasileira.

Ela explica que muitos migrantes solicitam refúgio no Brasil e, posteriormente, tentam programas de reassentamento em países como Espanha, Estados Unidos e Canadá.

“A rota aérea de Cuba para a Guiana e depois por via terrestre até Roraima consolidou-se como um dos principais e mais caros corredores de migração irregular e tráfico de pessoas na América do Sul”, afirmou.

Conforme relatos reunidos pela pesquisadora, os valores cobrados pelos atravessadores variam entre US$ 2.800 e US$ 10 mil, podendo chegar a US$ 15 mil (mais de 75 mil reais na cotação atual) em alguns casos.

Vulnerabilidades

A especialista alerta que os principais riscos da viagem estão relacionados à atuação de redes clandestinas de transporte, mais conhecidos como coiotes, e ao tráfico de pessoas. “Os migrantes conduzidos por coiotes sofrem todo tipo de violência, extorsão e riscos à própria vida”, afirmou.

Segundo ela, há registros de abusos físicos, sequestros, abandono em áreas isoladas e exploração financeira ao longo do trajeto. A pesquisadora também destaca que muitos cubanos têm acesso limitado a informações sobre os riscos da migração irregular, o que aumenta sua vulnerabilidade.

Abordagens se concentram na BR-401

As rotas clandestinas de transporte de migrantes já vinham sendo monitorada pela PRF. Balanço da corporação aponta que, entre 2024 e maio de 2026, 189 imigrantes foram alvo de resgate humanitário em 24 abordagens flagrantes. No mesmo intervalo, 31 suspeitos de atuarem como “coiotes” foram presos, entre eles brasileiros.

Um levantamento feito pela reportagem da Folha detalha ainda que no último mês, de 17 de maio a 11 de junho, pelo menos 240 imigrantes em situação de documentação irregular foram abordados em operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro e Polícia Militar de Roraima. Desse total, 191 eram cubanos, o equivalente a cerca de 97% dos casos registrados.

A ocorrência com o maior número de migrantes foi registrada pela PRF na última segunda-feira (8), quando 108 cubanos foram abordados na BR-401. Antes disso, em 4 de junho, outros nove cubanos haviam sido identificados na mesma rodovia. A mesma quantidade foi registrada em 29 de maio.

No dia 22 de maio, agentes da PRF abordaram mais 21 migrantes na BR-401, sendo 18 cubanos, dois chineses e um haitiano. Dois foram presos pela promoção de imigração ilegal

Em 17 de maio, um homem de 27 anos foi preso também pelo transporte e entrada irregular no Brasil de nove cubanos. A ocorrência foi registrada durante uma fiscalização realizada pelo 2º Pelotão da Companhia Independente de Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário (CIPTUR), no km 115 da BR-401, no município do Cantá.

Já na terça-feira (9), militares da 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl), durante a Operação Curaretinga II, abordou 41 migrantes na Ponte dos Macuxi, estrutura que dá acesso à mesma rodovia. No último dia 11 de junho, mais 43 cubanos abandonados por coiotes foram resgatados na rodovia.

Conforme a PRF, a rodovia consolidou-se como o ponto final de uma extensa rota migratória, onde muitos estrangeiros são encontrados em condições precárias, em veículos superlotados e apresentando sinais de desnutrição, além de exaustão física e emocional. Os imigrantes resgatados são levados para a Polícia Federal para realização da documentação ou para a Operação Acolhida.

https://www.folhabv.com.br/
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"Todos nós somos migrantes", diz papa Leão XIV em último dia na Espanha

 Dina Selim, da Reuters


foto wikipedea 

O papa Leão XIV se encontrou com migrantes em Tenerife nesta sexta-feira (12), último dia de sua visita de uma semana à Espanha, durante a qual o pontífice pediu aos líderes mundiais que tratassem os migrantes com mais humanidade.

“De certa forma, todos nós somos migrantes”, disse ele à plateia.

O pontífice, que tem se mostrado mais incisivo em suas críticas à direção da liderança global nos últimos meses, está visitando as Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol na costa oeste da África, como culminação de sua visita de três paradas.

As ilhas são uma das principais portas de entrada para a Europa para migrantes, que arriscam uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

“Ninguém abandona sua terra, sua família e suas raízes de livre e espontânea vontade quando pode viver em paz. Deixamos para trás nossas memórias, nossos entes queridos e uma parte de nossos corações, na esperança de encontrar uma vida melhor”, disse o migrante nigeriano Bousso Diouf em um discurso ao papa no evento.

Papa exige "caminhos legais e seguros para a imigração"

Localizadas a mais de mil quilômetros da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024, em comparação com menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.

Mais de três mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, segundo a ONG Caminando Fronteras.

O pontífice disse ao Parlamento espanhol, na segunda-feira (8), que a falta de ajuda aos migrantes do mundo está desafiando "os fundamentos éticos da ordem internacional".

Na quinta-feira (11), ele pediu "vias legais e seguras" para a imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e financiamento para o resgate de migrantes em perigo no mar.

O mundo precisa fazer mais para erradicar a pobreza, as guerras e a corrupção que forçam os migrantes a fugir de suas casas, afirmou ele.

"Não basta gerenciar as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois que elas já ocorreram", continuou o papa.

Juan Carlos Lorenzo, coordenador da Comissão Espanhola para Refugiados nas Ilhas Canárias, disse à agência de notícias Reuters que a visita de Leão XIV foi um "marco significativo".

"Servirá como uma forte afirmação da defesa dos direitos humanos, do respeito e da dignidade que todas as pessoas merecem, independentemente de sua origem", disse Lorenzo.

Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, implementando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

A iniciativa, no entanto, atraiu críticas de líderes da ultradireita e o país enfrenta dificuldades com a lentidão na concessão de status legal a milhares de pessoas em situação migratória indefinida.



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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Copa dos Refugiados lança edição 2026 no Pacaembu

Refugiados de São Tomé e Príncipe participam da 4ª edição da Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados, realizada em 2025 | Foto: Arquivo pessoal
 

A 5ª edição da Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados será lançada nesta quarta-feira (10), às 16h, no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O evento ocorre paralelamente à Copa do Mundo da FIFA e marca o início do calendário da edição de 2026, integrando ações do calendário humanitário internacional.

Com o slogan "Somos os novos brasileiros", a edição de 2026 integra datas simbólicas de junho voltadas à causa migrante e refugiada, entre elas o Dia Nacional do Migrante, o Dia Mundial do Refugiado e o Dia Nacional do Imigrante. A proposta é reforçar a visibilidade dessas populações por meio do esporte e da cultura, ampliando o debate público sobre migração e refúgio.

O torneio será realizado entre 20 de junho e 12 de julho, com abertura no Estádio Municipal Jack Marin, no Parque da Aclimação. No lançamento, serão apresentados os 18 times participantes, sendo 16 masculinos e dois femininos. Também será realizado o sorteio dos confrontos da primeira fase, que definirá o chaveamento inicial da competição.

Além do torneio esportivo, a programação inclui atividades culturais e de integração, como o Sarau dos Migrantes e a Feira das Nações. As iniciativas buscam incentivar o empreendedorismo e a troca cultural entre as comunidades participantes. Também estão previstas ações voltadas à cultura, à integração e à valorização das comunidades migrantes e refugiadas.

Organizada pela ONG Identidade Humana Global, a competição conta com parceria da Prefeitura de São Paulo na realização desta edição, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e da Secretaria de Turismo, além do apoio do Governo do Estado e de instituições como a OAB-SP, a Defensoria Pública e agências da ONU. A cerimônia de lançamento deve reunir autoridades estaduais e municipais, representantes internacionais e integrantes da sociedade civil.

Criada em 2014, a Copa teve coordenação assumida por Abdul Jarour em 2016, quando ainda estava ligada à ONG África do Coração. Após a suspensão durante a pandemia, o projeto foi retomado em 2022 pela Identidade Humana Global. Nesse processo, a nomenclatura passou de "Imigrantes” para “Migrantes", consolidando uma nova fase da iniciativa.

Serviço

Cerimônia de Abertura da 5ª Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados

Data: 10/6/2026, quarta-feira;

Horário:16h;

Local: Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu;

Endereço: Praça Charles Miller, s/nº. Pacaembu. São Paulo - SP.

https://sbtnews.sbt.com.br/

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Em missão oficial na ONU, ministra Janine Mello se reúne com brasileiros migrantes nos Estados Unidos

(Foto: Raul Lansky/MDHC)

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, participou na segunda-feira (8) de uma roda de conversa com a comunidade de brasileiros nos Estados Unidos. O encontro, realizado no Consulado-Geral do Brasil em Nova York, acontece em meio à missão oficial da ministra à Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), realizada entre os dias 9 e 11 de junho, na sede das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, a titular do MDHC apresentou o programa "Aqui é Brasil", voltado ao retorno humanizado de brasileiros repatriados ou deportados que se encontrem em situação de vulnerabilidade e risco de violação de direitos humanos.

(Fotos: Raul Lansky/MDHC)
(Fotos: Raul Lansky/MDHC)
Na ocasião, a ministra ouviu a comunidade e dialogou sobre formas de aprimorar e fortalecer o trabalho do Consulado no acolhimento aos brasileiros na região: “Temos debatido formas de fortalecer essa atuação para dar conta desse desafio, para atender à quantidade de demandas, à complexidade dessas situações e ao volume de casos que têm sido reportados e que chegam até vocês”.

“E uma outra coisa que a gente precisa pensar também é que temos uma preocupação muito forte no ministério: quem é que cuida de vocês? Vocês lidam com casos muito duros, com situações que nem sempre conseguem efetivamente resolver. E como é que a gente consegue também pensar em apoio para essa rede que se forma?”, ressaltou Janine.

A ministra destacou que é necessário pensar no acolhimento das pessoas que atuam nesses casos para garantir a continuidade do trabalho e a proteção dos direitos humanos de todas as pessoas envolvidas: “A gente lida com casos muito duros, muito difíceis, de muita vulnerabilidade, e leva isso para casa, de alguma forma. Todos nós precisamos também ser acolhidos e cuidados nesse sentido, para conseguirmos voltar no outro dia e continuar trabalhando”, complementou.

Ao final de sua fala, a titular do MDHC colocou a pasta à disposição para contribuir no cuidado dos brasileiros fora do país: “A gente quer manter o Ministério com as portas abertas para esse canal de diálogo constante com vocês, para conseguir entender e avaliar quais são as possibilidades que, do ponto de vista de Brasília, podemos construir para aprimorar a atuação de vocês aqui também”.

Durante o encontro, o assessor especial do gabinete ministerial, Paulo Victor Pereira, apresentou um material do ministério com a atualização do Programa Aqui é Brasil: “Agora a gente tem um painel para compartilhar com vocês, para que possam acompanhar em tempo real como está a evolução dessa recepção das pessoas que estão retornando ao Brasil”.

Coordenado pelo MDHC, o programa Aqui é Brasil é desenvolvido em articulação com os Ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)
Durante o encontro, Luciana Peres, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MDHC, avaliou de forma positiva as demandas apresentadas pela comunidade brasileira e pelo consulado em relação ao ano anterior e reforçou o canal de diálogo com a pasta.

“As demandas anteriores eram muito prementes, muito duras. Não que agora não sejam, mas estávamos no auge do endurecimento das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Então, acredito que houve um processo de organização da comunidade junto ao consulado para trabalhar esse conjunto de questões, o que considero muito positivo”, avaliou.

“O programa Aqui é Brasil, quando estivemos aqui anteriormente, era uma ideia. Hoje, é um programa que está atuando diretamente na vida das pessoas por meio desse acolhimento humanitário de quem chega. É importante que vocês o conheçam para também transmitir essa tranquilidade às pessoas que estão em vias de serem deportadas e explicar como esse processo acontece. Sei que é uma questão bastante complexa, mas é importante compartilhar essas informações e manter aberta essa via de diálogo”, complementou.

Luciana destacou ainda o compromisso do MDHC em priorizar a participação social na 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), que, desde 2023, conta com chamada pública por meio de edital para participação de organizações da sociedade civil na delegação brasileira.

O cônsul-geral do Brasil em Nova York, embaixador Adalnio Senna Ganem, agradeceu a visita da ministra e da comunidade brasileira presente no encontro e falou sobre os desafios enfrentados pelo consulado: “Todos nós aprendemos não apenas a nos integrar melhor, mas também a compreender mais profundamente as questões da comunidade a partir dessas novas políticas implementadas desde o início do ano passado. Não temos uma estrutura governamental própria; dependemos muito do nosso trabalho e da colaboração da comunidade, mas procuramos atuar em parceria com os governos locais”.

Agenda bilateral

No mesmo dia, a titular do MDHC se reuniu com o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Barham Salih, para dialogar sobre temas relacionados à proteção internacional de refugiados e ao fortalecimento da cooperação em pautas humanitárias.

COSP

Integrante da delegação brasileira na 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), Isadora Nascimento, secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do MDHC, ressaltou a importância da participação brasileira no evento para fortalecer a atuação conjunta em defesa e promoção dos direitos das pessoas com deficiência.

“Hoje tivemos um momento de preparação para a abertura da COSP e pudemos dialogar com a ministra, representantes da sociedade civil e representantes de outros órgãos que atuam na pauta da deficiência. Foi um momento para nos conhecermos melhor, articular possíveis trocas durante a conferência e fortalecer as ações do Brasil aqui em Nova York”, contextualizou.

Milton Carvalho, coordenador-geral de Tecnologia Assistiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reforçou o simbolismo da iniciativa do MDHC de construir o diálogo do governo na COSP com a participação efetiva da sociedade civil e de diferentes órgãos públicos.

“É bastante significativa essa iniciativa da gestão do Ministério dos Direitos Humanos de construir o próprio discurso da ministra em parceria com a sociedade civil em um evento tão importante para a inclusão das pessoas com deficiência”, afirmou.

Discurso na ONU

Nesta terça-feira (9), a ministra Janine Mello participará da 19ª sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento acontecerá em Nova York, nos Estados Unidos, e contará com transmissão ao vivo pela Web TV da ONU.

Durante o dia, a titular do MDHC participará da abertura do Debate Geral sobre questões relacionadas à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. À tarde, Janine Mello realizará reuniões bilaterais para ampliar o diálogo internacional no âmbito da COSP.

A missão busca consolidar o alinhamento político e diplomático do Brasil junto à ONU, assegurando que sua participação reflita, de maneira coesa e estratégica, os compromissos assumidos no âmbito da CDPD. Presidida pela ministra Janine Mello, a delegação brasileira apresentará políticas públicas estruturantes para a promoção dos direitos das pessoas com deficiência, como o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência — Novo Viver sem Limite, a avaliação biopsicossocial, a defesa da acessibilidade digital e campanhas nacionais de conscientização.

https://www.gov.br/mdh/pt-br

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terça-feira, 9 de junho de 2026

IAB lança livro sobre migração e transformações no mercado de trabalh

 


A interseção entre a uberização e a migração de trabalhadores é o tema do livro "Migrantes transnacionais do Sul-Global para o Brasil e a uberização: O mercado de trabalho 4.0 e a economia digital", que será lançado no IAB - Instituto dos Advogados Brasileiros no dia 9/6. O evento terá transmissão ao vivo pelo canal TV IAB no YouTube e contará com a participação do autor, o presidente da Comissão de Direito Civil e Direito das Famílias e Sucessões da entidade, Pedro Greco. A abertura será feita pela presidente nacional do IAB, Rita Cortez.

Participarão como debatedores a professora associada do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nepp-DH/UFRJ) Patricia Sonia Silveira Rivero; o doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ Luis Miguel Gomez Cornejo Urriola e o deputado Federal Reimont Luiz Otoni Santa Barbara. 

A mediação ficará a cargo da diretora Cultural e de Atividades Artísticas do IAB, Marcia Dinis.

Os estudantes de Direito que assistirem ao evento receberão uma hora de estágio pela OAB/RJ.

Sobre o livro:

A obra aborda a relação entre a uberização do trabalho e a migração transnacional, analisando os desafios enfrentados por trabalhadores migrantes no Brasil. Com enfoque no Direito do Trabalho, o autor discute a precarização das relações laborais, a vulnerabilidade dos migrantes e a necessidade de garantir direitos e proteção a esse grupo.

_____________________

Dados gerais:

  • Editora: Tirant Brasil
  • Autor: Pedro Greco
  • Edição: 1ª
  • Páginas: 164

____________________

Serviço:

  • Data: 9/6
  • Horário: 10h
  • Local: Plenário do IAB | Av. Marechal Câmara, 210, 5º andar - RJ

Transmissão ao vivo pela TVIAB. Clique aqui.

https://www.migalhas.com.br/

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sábado, 6 de junho de 2026

Em última análise, quantos deportados desaparecem das estatísticas oficiais?

 Gustavo Dias   |   Julio D’Angelo Davies

m 2025, a mídia brasileira reproduziu repetidamente as imagens de migrantes brasileiros deportados desembarcando de voos fretados pelos Estados Unidos. Com base nos números divulgados pela Polícia Federal e outros órgãos federais, a imprensa classificou as deportações como um “recorde histórico”. Desde então, tornaram-se evidentes as contradições nos dados oficiais sobre deportações. Contudo, o debate público pouco avançou além do impacto visual dos desembarques e das cifras divulgadas pelo governo federal.

O Brasil não é um caso isolado. Várias nações latino-americanas vêm recebendo deportados dos EUA em voos fretados. Portanto, serve de alerta para pensarmos como os demais governos da região têm também projetado e divulgado esses registros.

A partir desse cenário e da violenta campanha de deportações promovida pela atual gestão de Donald Trump, questionamos por que esses “números oficiais” apresentam discrepâncias significativas. Também perguntamos se essas inconsistências favorecem a consolidação de uma coalizão regional de extrema direita marcada pela xenofobia. Resta saber se governos ditos progressistas, como os do Brasil, da Colômbia e do México, representam de fato um contraponto a esse cenário. 

Pós-Verdade?

Desde outubro de 2019, o aeroporto de Confins, em Minas Gerais, passou a receber voos fretados pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês) transportando brasileiros deportados dos Estados Unidos. No início de 2025, um avião realizou um pouso emergencial em Manaus, no Amazonas, onde alguns desses migrantes foram vistos algemados e acorrentados andando sobre as asas do avião. A cena provocou forte repercussão nacional e levou o governo brasileiro a assumir uma posição mais ativa na recepção dessa população. A partir dali, também houve uma mudança  sobre quem passou a divulgar os números de deportados.

Até o incidente de Manaus, o setor de comunicação e imprensa do aeroporto de Confins informava esses dados. A partir do ocorrido, o aeroporto interrompeu a divulgação, alegando que as matérias sobre deportados comprometiam sua imagem. Desde então, a Polícia Federal, Ministério de Direitos Humanos (MDHC)  e o Itamaraty passaram, cada qual, a fornecer os números. O que não se esperava, porém, eram as contradições que surgiram nesses dados e que viriam a ser legitimadas por narrativas midiáticas sensacionalistas e deturpadas.

Matérias veiculadas no início de 2026 pelo Grupo Globo, ICL e UOL destacaram que 2025 teria sido o ano em que “bateu-se o recorde” de deportados brasileiros dos Estados Unidos. Segundo a PF, 2025 teria registrado o recorde de 3.294 brasileiros deportados. À CNN Brasil, a PF afirmou que 2.262 brasileiros haviam sido deportados nesse mesmo ano.

Será que 2025 foi, de fato, o ano em que batemos o recorde de deportados? Segundo os números que obtivemos com exclusividade da própria Polícia Federal via Lei de Acesso à Informação (LAI), não.

De fato, eles diferem dos próprios números que a grande imprensa diz receber também da PF. Em 2022 houve 4.516 deportados, número bastante superior ao de 2025, que supera em 3.093 brasileiros o total informado à Globo pela Polícia Federal.

A divergência dos números e as instituições federais brasileiras envolvidas, porém, não se esgotam aí. Há ainda o Itamaraty, que apresenta outros dados. À Veja, ele informou que “2785 brasileiros foram deportados dos Estados Unidos em 2025, frente aos 1640 registros no ano imediatamente anterior”.

Ao contrário da PF e do Itamaraty, nosso banco de dados é explícito. Ele foi iniciado em 2019 a partir de informações fornecidas pelo aeroporto de Confins e, desde fevereiro de 2025, passou a contar com os dados do MDHC em parceria com a Organização Internacional das Migrações (OIM), que assumiu essa função nesse ano. Abaixo, apresentamos um gráfico que reúne o conjunto de números oficiais contraditórios e o compara com os do Observatório das Deportações: 

Até 20 de maio de 2026, 16.132 brasileiros foram deportados por meio do aeroporto de Confins. Em outubro de 2019, por exemplo, os dados da PF, via LAI, registrou 65 deportados, e não 0, como indicado em algumas reportagens. Embora 2022 apresente um número inferior ao que recebemos do aeroporto, também supera o suposto “recorde” de deportações de 2025 alardeado pela imprensa brasileira.

Quais os impactos destes números nas narrativas que forjamos sobre os mandatos de Trump e Biden quanto à gestão migratória? Quais os impactos disso em tempos de negacionismo científico e pós-verdade? Qual o comprometimento do Estado brasileiro com o registro dessa população?

Em entrevista ao Portal UOL e ao Jornal Hoje da TV Globo em janeiro, apresentamos a contradição nos números oficiais. Também destacamos o fato de a PF ignorar os números de 2019 e a ênfase em um suposto recorde de deportações em 2025 nos dados fornecidos à imprensa. Como demonstrado aqui com números oficiais, 2022 foi o real ano com recorde de deportações. Ambos os veículos optaram por ignorar essas contradições, reproduzindo os dados recebidos da Polícia Federal. 

O que aprendemos com a COVID-19? 

Não somos apenas números. Passados seis anos desde o início das deportações, o Estado brasileiro ainda não disponibiliza um número oficial público consolidado. MDHC, Polícia Federal e Itamaraty apresentam dados distintos e contraditórios. Apenas o MDHC explicita suas fontes, baseadas em dados produzidos pela OIM. Entretanto, também apresentam lacunas importantes e não computam, por exemplo, um voo realizado pela Companhia Gol, que pousou em 28 de outubro de 2025 com 128 brasileiros deportados. A Polícia Federal e o Itamaraty sequer esclarecem como seus números são produzidos.

A mídia nacional, por sua vez, reproduz os dados dessas três instituições sem averiguar as contradições neles presentes. Matérias com títulos sensacionalistas e sem o devido cuidado analítico são publicadas em larga escala. O que significa apagar o registro de 50 pessoas deportadas em 2019 ou de 3.093 pessoas em 2022? O que aprendemos com a pandemia de COVID-19 e com aquele governo que, de forma tão escandalosa, manipulou os números de vítimas? Quantas vidas podem ser ignoradas?

O caso é ainda mais grave quando consideramos que o aeroporto de Confins não é o único destino de brasileiros deportados dos Estados Unidos. Há brasileiros também sendo removidos por meio de programas de “self-deportation”, além daqueles que, ao entrarem pelo território mexicano, são obrigados a retornar em razão da política “Fique no México”.

Em que medida esses números imprecisos de brasileiros deportados representam, de fato, a real dimensão das deportações de brasileiros desde a primeira gestão de Donald Trump?

Neste sentido, o trabalho do Observatório das Deportações tem analisado criticamente registros, lacunas e apagamentos oficiais relativos à deportação de brasileiros dos EUA, ainda que não sejamos uma “fonte oficial” governamental. Ao expor tais contradições, buscamos aprofundar o jornalismo investigativo em diálogo com o engajamento público das ciências sociais.

Gustavo Dias
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Professor da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES (Brasil). Doutor em Sociologia pela Goldsmiths University of London. Especialista em migração internacional de brasileiros e regimes fronteiriços.

Julio D’Angelo Davies
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Antropólogo e professor visitante no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes (Brasil) e Coordenador do Observatório das Deportações, financiado pelo CNPq.

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