quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Marrocos e Nigéria disputam final inédita na 4ª Copa dos Refugiados em São Paulo Domingo no Pacaembu

Depois de envolver mais de 200 jogadores refugiados nas disputas eliminatórias no último fim de semana, o estádio do Pacaembu, em São Paulo, será palco da grande final entre Nigéria e Marrocos, duas equipes invictas do maior evento esportivo para refugiados no Brasil. O evento é apoiado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
As duas seleções chegaram ao topo da competição após uma exaustiva disputa que envolveu 16 times. Em jogos eliminatórios e disputas acirradas, algumas favoritas, como Camarões e Mali, foram eliminadas e abriram espaço para a final inédita, a ser disputada às 15h de domingo (24).
De um lado, a experiência. Do outro, a superação. O que aproxima os jogadores refugiados de Nigéria e Marrocos em São Paulo é a vontade de se sagrar campeões da Copa dos Refugiados, o maior evento esportivo voltado às pessoas em situação de refúgio do país.
A competição deste ano, em sua quarta edição, teve o maior número de jogadores inscritos e terá uma final inédita: a estreante seleção do Marrocos enfrentará a Nigéria, vencedora da primeira edição da Copa dos Refugiados (2014).
As duas seleções chegaram ao topo da competição após uma exaustiva disputa que envolveu 16 times. Em jogos eliminatórios e disputas acirradas, algumas favoritas, como Camarões e Mali, foram eliminadas e abriram espaço para a final inédita, a ser disputada no estádio do Pacaembu, em São Paulo, às 15h de domingo (24).
“É como um sonho a ser realizado representar nosso país em um grande estádio, para o público de torcedores brasileiros. Espero que (os torcedores) possam torcer por nós. Jogamos com o coração e, se vencermos, dedicaremos o título a nosso país e aos brasileiros”, disse Hassan Eusen, jogador do Marrocos que está no Brasil há cinco anos e trabalha no comércio da Rua 25 de março, centro de São Paulo.
“Nosso time se conheceu lá mesmo, fazendo comércio na Rua 25 de Março. Estamos sempre juntos, e como todos gostamos de futebol, formamos um time e começamos a treinar. Recentemente, passamos a nos reunir toda terça-feira para jogar, e agora vamos com tudo para essa final”.
Hassan diz ter uma ótima vida em São Paulo, principalmente por estar empregado. Quando questionado sobre o que é mais difícil no Brasil, não tem dúvidas: “a saudade que sinto da minha família”. Sobre a maior dificuldade para chegar à final, garante que o sol foi o pior adversário.
Enquanto a final certamente será disputada com muita garra e dedicação dentro de campo, a partida pelo terceiro lugar já foi realizada entre as equipes de Togo e Guiné Bissau. A vencedora deste duelo, Guiné Bissau, contava com um goleiro brasileiro, Ronaldo Pereira, de 37 anos.
“Eu encontrei a rapaziada da Guiné Bissau jogando bola com meu filho e fui convidado a disputar esse campeonato, passando a representar as cores verde e amarelo do outro lado do oceano. É uma iniciativa muito gratificante poder jogar com eles e conhecer mais sobre a realidade de cada um, ajudando no que for preciso”, disse o goleiro da equipe que se sagrou terceira colocada da competição após vencer o Togo pelo placar de um a zero.
Além de alguns poucos jogadores brasileiros, as seleções que fazem parte da Copa dos Refugiados têm como representantes de seus times mulheres brasileiras, que organizam todas as questões logísticas e também contribuem para o processo de integração e trocas culturais.
A Copa dos Refugiados é uma competição que envolve pessoas em situação de refúgio e migrantes residentes na cidade de São Paulo, assim como brasileiros, com o intuito de as integrar e promover trocas culturais, criando uma rede de apoio. Há quatro anos, a Copa é realizada pela “África do Coração”, uma organização composta por refugiados de 20 diferentes nacionalidades e que desenvolve projetos em prol dos refugiados no país.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apoia a Copa desde seu início, e neste ano trouxe a iniciativa privada para a promover e gerar mais visibilidade sobre o tema. Neste sentido, a multinacional Sodexo aderiu à proposta como fornecedora dos kits de alimentação para os jogadores e a empresa Netshoes propiciou o uniforme personalizados aos jogadores, além de mochilas e uma premiação aos vencedores da Copa.
O evento contou ainda com o apoio das Secretarias Municipais de Esportes e Lazer, dos Direitos Humanos e das Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, do SESC e da Cruz Vermelha.
Onu
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Cáritas Brasileira lança no Cristo Redentor Campanha Mundial sobre imigração e refúgio


A partir da aprovação na Assembleia Geral de 2015, a Cáritas Internacional passou a realizar uma campanha de mobilização mundial a cada quatro anos. Após a escuta de toda a rede mundial da Cáritas, e um olhar dirigido às principais feridas da humanidade hoje, desta vez a temática escolhida foi a questão dos imigrantes e refugiados. O lançamento da campanha global Compartilhe a Viagem vai acontecer na quarta-feira, 27 de Setembro de 2017.
Durante os dois anos desta campanha (2017-2019) toda a Rede Cáritas é chamada a responder ao apelo do Papa Francisco abraçando a “cultura do encontro” e fazendo uma proposta positiva diante da realidade atual na vida de imigrantes e refugiados.
Neste sentido, a Cáritas assume de forma ainda mais comprometida a sua identidade como uma família mundial, que encoraja as pessoas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades.
Este guia de ação da campanha ajudará todas as organizações membro da Cáritas a implementar as suas campanhas a nível local. É uma ferramenta que deve ser usada para promover a solidariedade global com imigrantes e refugiados. Só com a mobilização efetiva e corajosa de toda a Rede Cáritas, a campanha de fato terá um impacto positivo.
 Caritas
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Qual o peso dos imigrantes na eleição alemã?


Dos mais de 600 deputados federais alemães, 37 têm ascendência estrangeira, assim como um em cada dez eleitores. Entenda qual a importância desse grupo nas legislativas do país.Quem possui cidadania alemã e tem no mínimo 18 anos, pode ajudar a decidir, neste domingo (24/09), o próximo chanceler federal da Alemanha - não importa se a família da pessoa é de Colônia, Cazaquistão, Turquia ou Polônia.

Uma em cada dez pessoas com direito ao voto na Alemanha - e que também pode se candidatar a eleições no país - tem origem estrangeira. Isso quer dizer que ela ou ele, ou pelo menos um dos pais, nasceu sem direito ao passaporte alemão.

Desde que o partido populista de direita AfD (Alternativa para a Alemanha) passou a se concentrar intensamente no tema, os partidos e a imprensa alemã estão voltando suas atenções para o maior grupo de pessoas de raízes estrangeiras com direito ao voto no país: o dos descendentes de alemães nascidos no Leste Europeu, conhecidos na Alemanha como Aussiedler.

Segundo a pesquisa Mikrozensus 2016, realizada pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis), esse grupo soma 3,1 milhões de pessoas e também inclui alemães e seus descendentes que viviam no Leste Europeu e nos territórios da antiga União Soviética.

O segundo maior grupo de eleitores com raízes estrangeiras é o dos alemães com ascendência turca. O Destatis estima que sejam cerca de 730 mil pessoas aptas a votar.

Participação eleitoral reduzida

"Afinal, como se vota?" Aydan Özoguz (SPD), comissária do governo federal alemão de Migração, Refugiados e Integração, ouviu essa pergunta de forma recorrente. A participação eleitoral de alemães com origem migratória estaria "até 20 pontos percentuais abaixo" da taxa da população de eleitores como um todo, disse a política à DW. Özoguz incentiva o projeto "Vote D", que visa a levar às urnas cidadãos que acabaram de obter a cidadania alemã, assim como filhos maiores de idade de imigrantes.

Os pais de Özoguz são turcos, ela nasceu em Hamburgo. Atualmente, a própria vice-presidente do Partido Social-Democrata faz campanha, assim como Cemile Giousouf, comissária de Integração da bancada da CDU/CSU no Parlamento alemão. Elas são duas entre 37 deputados federais com ascendência estrangeira, de um total de 631 parlamentares.

No âmbito do projeto Pathways, que compara oito países europeus, pesquisadores da cidade de Bamberg situam a representação política de migrantes na Alemanha numa posição mediana: "Os primeiros lugares são ocupados pelo Reino Unido e pela Holanda; Itália e Espanha se situam nos últimos lugares", explica o cientista político Lucas Geese.

Para o pesquisador, apesar de a Alemanha não ser a última colocada, é um problema que a metade dos cidadãos com origem migratória que vivem no país não possuam a cidadania alemã. Ele acredita que haja uma "exclusão sistemática do processo político de formação de opinião pública" dessa população. A culpa, segundo Geese, é de um "modelo de cidadania extremamente rígido, se comparado com outros países".

Ódio racista

A comissária de Integração do governo federal, Aydan Özoguz, acredita que o debate sobre migração na Alemanha avançou, mas que ainda há muito a fazer. "Como migrante, sou alvo fácil para representantes da direita e para radicais de direita".
Özoguz defende que haja mais parlamentares de origens diferentes e de mais orientações religiosas na Alemanha: "Quando existem pessoas [no Parlamento] que são afetadas, isso modifica o teor da discussão" - e talvez também a percepção: a caixa da cantina do Parlamento alemão não queria acreditar que Karamba Diaby (SPD), nascido no Senegal, é deputado federal.

Cemile Giousouf deseja "que, em algum momento, a origem migratória não desempenhe papel tão importante". "Na Alemanha, um país de imigrantes, este é um tema fundamental." Em 2013, Giousouf se tornou a primeira deputada federal da CDU com origem turca. Já o SPD, o Partido Verde e A Esquerda já tem mais legisladores com ascendência estrangeira há mais tempo.

Preferência pela esquerda

Com base em pesquisas internacionais, o cientista político Andreas Wüst diz que eleitores com origem migratória tem preferência por partidos da chamada "esquerda política". As legendas seriam especialmente abertas a membros com ascendência estrangeira e suas agendas políticas.

Já o pesquisador Dennis Spies, de Colônia, afirma que migrantes sabem exatamente quem de sua comunidade está representado no Bundestag. Para a eleição federal alemã deste ano, Spies estuda para quem os eleitores migrantes dão seu voto e por quê. Ele se dedica aos dois maiores grupos de eleitores com origem migratória: os teuto-russos e os alemães de ascendência turca.

AfD e o Leste Europeu

Dennis Spies aponta que os teuto-russos - migrantes alemães e seus descendentes originários dos países criados após o fim da União Soviética - são uma peculiaridade alemã. Desde seu primeiro dia na Alemanha, explica o pesquisador, eles são considerados alemães e podem votar.

O ex-chanceler alemão Helmut Kohl, morto em junho deste ano e conhecido por sua atuação na reunificação alemã, se empenhou para que os teuto-russos fossem reconhecidos após o fim da União Soviética. O grupo ficou agradecido à CDU de Kohl e, durante muito tempo, foram considerados eleitores fieis. Porém, desde a acolhida de estrangeiros durante a crise de refugiados em 2015-2016, muitos desses eleitores se distanciaram do partido. "Os ciúmes têm influência aí", constatou Spies, em entrevista à DW.
Nas eleições dos parlamentos regionais, a AfD marcou pontos em circunscrições onde vivem muitos teuto-russos. Dennis Spies explica que "a AfD tem um programa eleitoral em russo, um grupo de teuto-russos, placas em russo e fala diretamente aos teuto-russos". Nenhum outro partido se dedicaria tanto aos teuto-russos, diz Spies.

O estudo do Conselho de Especialistas de Fundações Alemãs para Integração e Migração (SVR) contou uma preferência de 45,2% dos teuto-russos pela dobradinha CDU/CSU - uma taxa bem menor que a registrada em pesquisas anteriores.

Alemães de origem turca

Em 1994, quando Cem Özdemir entrou para o Parlamento alemão, um cidadão se queixou junto ao governo: "Desde quando um turco pode sentar aí em cima?", indagou, durante discurso do então chanceler conservador Helmut Kohl.

Uma política do SPD e o "suábio da Anatólia", Özdemir, foram os primeiros alemães de ascendência turca no Parlamento alemão. Hoje, 11 parlamentares são de origem turca - nenhum grupo de migrantes tem representação maior no Bundestag.

Segundo o estudo do SVR, os alemães de origem turca costumam se identificar com o Partido Social-Democrata. Quase 70% são eleitores do SPD, segundo os números da pesquisa, que seriam consequência da época dos chamados "trabalhadores convidados".
Para Aydan Özoguz, no âmbito do acordo de trazer para a Alemanha mão de obra turca nos anos 1960, trabalhador significava sindicato e, por consequência, SPD. O partido defendia a introdução da dupla cidadania e os direitos dos migrantes, linha mais tarde também seguida pelo Partido Verde e pela legenda A Esquerda.

Diferentes imigrantes

O cientista político Dennis Spies afirma que "o poder político dos migrantes [na Alemanha] é reduzido. O grupo cresce, mas é fortemente dividido". Cerca de um terço dos eleitores com origem russa vem da Ucrânia, um grupo menor do Cazaquistão e a maioria da própria Rússia. "Se você perguntar a eles o que eles acham de Putin, metade vai dizer que o ama e a outra metade, que o odeia. Isso também vale para [o presidente turco] Erdogan e eleitores com raízes turcas", explica Spies.

"Não existe 'O' eleitor migrante. Por que alguém que vem da Ucrânia e que vive na Alemanha há 20 anos teria a mesma preferência política que alguém que mudou para cá vindo do sudeste da Turquia? Por que essas pessoas devem ser comparáveis a migrantes que vieram para a Alemanha da Itália nos anos 1950?", indaga o estudioso.
A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

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Escravidão moderna afeta 40 milhões de pessoas no mundo; trabalho infantil atinge 152 milhões

Uma nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), revela a verdadeira escala da escravidão moderna em todo o mundo.
Os dados, lançados nesta terça-feira (19) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, mostram que mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da escravidão moderna em 2016 globalmente. Além disso, a OIT também lançou uma nova estimativa de que cerca de 152 milhões de crianças entre 5 e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano.
Menino é vítima de trabalho forçado no Paquistão. Foto: OIT/M.Crozet
Uma nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), revela a verdadeira escala da escravidão moderna em todo o mundo. Os dados, lançados nesta terça-feira (19) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, mostram que mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da escravidão moderna em 2016 globalmente. Além disso, a OIT também lançou uma nova estimativa de que cerca de 152 milhões de crianças entre 5 e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano.
As novas estimativas mostram que as mulheres e as meninas são as mais afetadas pela escravidão moderna, chegando a quase 29 milhões ou 71% do total. As mulheres representam 99% das vítimas do trabalho forçado na indústria comercial do sexo e 84% dos casamentos forçados.
A pesquisa revela que, entre as 40 milhões de vítimas da escravidão moderna, cerca de 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado e 15 milhões foram forçadas a se casar.
O trabalho infantil continua concentrado principalmente na agricultura (70,9%). Um em cada cinco trabalhadores infantis trabalha no setor de serviços (17,1%), enquanto que 11,9% dos trabalhadores infantis trabalham na indústria.
“A mensagem que a OIT está enviando hoje – junto com nossos parceiros da Aliança 8.7 – é muito clara: o mundo não estará em posição de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a menos que aumentemos de maneira dramática os nossos esforços para combater esses problemas. Essas novas estimativas globais podem ajudar a moldar e desenvolver intervenções para prevenir o trabalho forçado e o trabalho infantil”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.
“O fato de que, como sociedade, ainda tenhamos 40 milhões de pessoas na escravidão moderna é uma vergonha para todos nós. Se considerarmos os resultados dos últimos cinco anos, para os quais coletamos dados, 89 milhões de pessoas tiveram alguma experiência de escravidão moderna, por períodos de tempo que variam de alguns dias a cinco anos. Isso fala diretamente com a discriminação e a desigualdade enraizadas profundamente em nosso mundo atual, associadas a uma tolerância chocante da exploração. Isso precisa parar. Todos nós temos um papel a desempenhar na mudança dessa realidade – empresas, governos, sociedade civil, cada um de nós”, afirmou o presidente e fundador da Fundação Walk Free, Andrew Forrest.

Sobre os dados

As novas estimativas globais são um esforço coletivo dos membros da Aliança 8.7, a parceria mundial para acabar com o trabalho forçado, a escravidão moderna, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil, que reúne parceiros-chave representando governos, organizações das Nações Unidas, setor privado, organizações de empregadores e trabalhadores e sociedade civil, a fim de atingir a Meta 8.7 da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.
Os dados estão publicados em dois relatórios:
– Estimativas Globais da Escravidão Moderna: trabalho forçado e casamento forçado, elaborado em conjunto pela OIT e pela Fundação Walk Free, em parceria com a OIM;
– Estimativas Globais de Trabalho Infantil: resultados e tendências 2012-2016, elaborado pela OIT.
Os dados estão disponíveis em www.alliance87.org/2017ge.
Escravidão moderna
Existem cerca de 40 milhões de pessoas presas na escravidão moderna. Mulheres e meninas são afetadas desproporcionalmente, chegando a quase 29 milhões ou 71% do total. Uma em cada quatro vítimas da escravidão moderna são crianças (cerca de 10 milhões). Por volta de 37% (ou 5,7 milhões) das pessoas forçadas a casar eram crianças.
Trabalho forçado
Cerca de 25 milhões de pessoas estavam em situação de trabalho forçado em qualquer momento em 2016. Fora isso, 16 milhões de pessoas estavam em situação de exploração de trabalho forçado no setor privado, como trabalho doméstico, construção e agricultura. Além disso, cerca de 5 milhões de pessoas estavam em situação de exploração sexual forçada, e pouco mais de 4 milhões de pessoas (ou 16% do total) estavam em situação de trabalho forçado imposto por autoridades de governos.
Casamento forçado
Estima-se que 15,4 milhões de pessoas viviam em casamentos forçados em qualquer momento de 2016. Desse total, 6,5 milhões de casos ocorreram nos últimos cinco anos (de 2012 a 2016). O restante começou antes desse período, mas continuou durante ele. Mais de um terço de todas as vítimas do casamento forçado eram crianças no momento em que se casaram, e quase todas essas crianças vítimas eram meninas.
Trabalho infantil
Um total de 152 milhões de crianças — 64 milhões de meninas e 88 milhões de meninos — estão sujeitas ao trabalho infantil, representando quase uma em cada dez crianças no mundo. O maior número de crianças de 5 a 17 anos envolvidas em trabalho infantil foi encontrado na África (72,1 milhões), seguida da Ásia e do Pacífico (62 milhões), das Américas (10,7 milhões), da Europa e da Ásia Central (5,5 milhões) e dos Estados Árabes (1,2 milhões).
Aproximadamente um terço das crianças de 5 a 14 anos envolvidas em trabalho infantil estão fora do sistema educacional. Além disso, entre as crianças que realizam trabalhos perigosos, 38% das que têm de 5 a 14 anos e quase dois terços das que têm de 15 a 17 anos trabalham mais de 43 horas por semana.

Sobre a Aliança 8.7

A Aliança 8.7 é uma parceria global estratégica comprometida com a conquista da Meta 8.7 da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, que pede ao mundo para “tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.
Além da Meta 8.7, a Aliança 8.7 também procura atingir outras Metas relacionadas (5.2, 16.2, 16.3 e 16.a), através do alinhamento de esforços globais, regionais e nacionais, da aceleração de cronogramas, do compartilhamento de conhecimento, e do impulsionamento da inovação e de recursos.

Sobre a Organização Internacional do Trabalho (OIT)

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) é a agência das Nações Unidas para o mundo do trabalho. Ela estabelece as normas internacionais do trabalho, promove os direitos no trabalho e encoraja oportunidades de emprego decente, além do aprimoramento da proteção social e do fortalecimento do diálogo sobre questões relacionadas ao trabalho. A OIT tem uma estrutura única, reunindo governos, representantes de empregadores e trabalhadores. Foi fundada em 1919 e tem 187 Estados-membros.

Sobre a Fundação Walk Free

A Fundação Walk Free é uma organização internacional de direitos humanos fundada por Andrew e Nicola Forrest. Ela luta pelo fim da escravidão moderna no mundo. A Fundação fornece as informações e capacidades necessárias para os países combaterem a escravidão em suas jurisdições. A Fundação Walk Free trabalha com governos (Global Slavery Index), empresas/corporações (Bali Process Business Forum) e religiões mundiais (Global Freedom Network).

Sobre a Organização Internacional para Migração (OIM)

Fundada em 1951, a OIM é a agência de migração das Nações Unidas. Ela é a principal organização intergovernamental no campo da migração e trabalha em estreita colaboração com parceiros governamentais, intergovernamentais e não governamentais. Com 166 Estados-membros e outros oito Estados que possuem status de observadores, além de escritórios em mais de 100 países, a OIM dedica-se a promover a migração humana e ordenada em benefício de todos. Ela faz isso fornecendo serviços e recomendações aos governos e aos migrantes.
Onu
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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Chile : Encontro das Comissões Episcopais de Migrações na América do Sul



Representantes das Conferências Episcopais de dez países da América do Sul – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Perú, Uruguai e Venezuela – com a presença do CELAM e da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, realizaram uma reunião em Santiago do Chile nos dias 12 e 13 de setembro, coordenada pela Conferência Episcopal da argentina.
Migrantes e refugiados: a realidade sul-americana
O encontro analisou a atual realidade sul-americana no que tange às migraçãos e refugiados, assim como buscou identificar os desafios e as ações da Igreja Católica em relação à mobilidade urbana na região, que está inserida em um contexto global cada vez mais complexo.
Ação integrada
Durante o encontro foram apresentadas situações pontuais de cada país envolvendo a migração, o tráfico de pessoas, além da legislação em relação à migrações e pedidos de asilo.
As análises permitiram ter uma visão ampla da América do Sul, onde países de trânsito, origem, destino e retorno – incluídos aqueles que possuem uma ou mais destas características – se transformam em peças de um todo, motivo pelo qual  a busca de soluções e a intervenção da Igreja deve ser coordenada e sinérgica.
A contribuição da Igreja para os Pactos de Migração e Refugiados
Os dois dias também foram ocasião para aprofundar outros temas, como os esforços que a Igreja vem realizando em relação aos Pactos Mundiais de Migração e Refugiados de 2018.
O Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, responsável pela apresentação do tema, indicou os 20 pontos já aprovados pelo Papa Francisco, e que se deseja sejam incluído nos Pactos (um para migração e outro para refugiados).
O período de negociação que finaliza em 2018 envolve cerca de 193 países – e onde a sociedade civil desempenha um papel importante – e abre uma oportunidade para a Igreja, que quer ser protagonista de um marco histórico.
Crise migratória venezuelana
Por último, foi dedicado um tempo especial ao estudo da atual crise migratória venezuelana, assim como as futuras linhas de trabalho da Igreja sul-americana.
O encontro foi considerado muito positivo, abrindo um camino de intensos trabalhos para os próximos meses, cujo horizonte é fazer da acolhida, da proteção, da promoção e da integração – os quatro verbos com os quais o Papa Francisco pensa a mobilidade humana – as bases de uma consciência global que já não permite ambiguidades.
Radio Vaticano
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Missão Paz 7º DIÁLOGOS NO CEM - Migração, Refúgio e Direitos Humanos: travessias para uma vida digna?


Nos últimos cinco anos (2011 a 2016), observa-se a chegada de “novos” migrantes e refugiados ao Brasil, como os haitianos, senegaleses, congoleses, nigerianos, maleses, ganeses, sírios e venezuelanos expressando o fortalecimento da chamada migração Sul-Sul, mas também como um reflexo das crises políticas, econômicas e sociais nestes países; dos bloqueios à entrada de migrantes na Europa, nos EUA,  e da violência que se globaliza. 

Qual o rosto social desses migrantes? Como o poder público os têm tratado? Como eles reagem às dificuldades de acessar direitos, trabalho digno, moradia e inserção social? Como contribuem para a formulação de políticas públicas, e para a aprovação de novas leis de migração? Apesar de 20 vetos a importantes artigos e a regulamentação unilateral da Nova Lei Federal de Migração (Lei 13.445/2017), ela apresenta possibilidades de acesso a direitos humanos e inserção social de migrantes e refugiados no Brasil? Que ações articuladas poderiam proporcionar uma governança política e social da migração?

Estarão conosco para debater esta temática:

Profa. Dra. Júlia Bertino Moreira – UFABC
Profa. Dra. Rosana Baeninger – UNICAMP
Profa. Dra. Tatiana Waldman – Museu da Imigração
Prof. Dr. Luis Renato Vedovato – UNICAMP

Data: 22 de setembro, das 14h00 às 17h00.
Inscriçãocem@missaonspaz.org  

Local: Missão Paz/Sala Scalabrini. Rua do Glicério, 225. Bairro Liberdade. São Paulo-SP.
O Diálogos no CEM também será transmissão ao vivo pela Web Rádio Migrantes em Espanhol (http://radiomigrantes-es.net/ ),
e pelo Facebook  da Missão Paz

Missao Paz

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

FAO vê alta da fome na América Latina e no Caribe; 42,5 milhões estão subnutridos

O número de pessoas que sofrem com a fome na América Latina e no Caribe aumentou em 2,4 milhões de 2015 a 2016, alcançando um total de 42,5 milhões de pessoas, segundo relatório das Nações Unidas, que alertou para uma deterioração da situação, especialmente na América do Sul.
Segundo o representante regional da FAO, a desaceleração econômica da região, resultado da queda dos preços das commodities e do encolhimento econômico global, tem afetado a segurança alimentar na América Latina e no Caribe.
Entre 2015 e 2016, mais 2,4 milhões de pessoas sofreram com a subnutrição na América Latina e no Caribe. Foto: EBC
Entre 2015 e 2016, mais 2,4 milhões de pessoas sofreram com a subnutrição na América Latina e no Caribe. Foto: EBC
O número de pessoas que sofrem com a fome na América Latina e no Caribe aumentou em 2,4 milhões de 2015 a 2016, alcançando um total de 42,5 milhões, segundo o relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2017“.
“A fome está aumentando na América Latina e no Caribe pela primeira vez na última década. Isso é inaceitável e todos os latino-americanos e caribenhos deveriam se sentir pessoalmente afetados por esse retrocesso”, disse o representante regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Julio Berdegué.
O documento afirmou que, embora os níveis da fome permaneçam baixos na América Latina e no Caribe em comparação com o resto do mundo em desenvolvimento, há sinais claros de que a situação está se deteriorando.
Em 2013, a fome afetava 39,1 milhões de latino-americanos e caribenhos (6,3% da população regional). Em 2015, esse número subiu para 40,1 milhões (6,3%) e, em 2016, alcançou 42,5 milhões, ou 6,6% da população regional. Na América do Sul, a fome passou de 5% em 2015 para 5,6% em 2016, o que representa a maior parte do aumento da fome na região.
Houve uma piora das condições de segurança alimentar nos países latino-americanos em que a desaceleração econômica minou as receitas fiscais e com divisas, segundo o relatório. Isso afetou tanto a disponibilidade de alimentos, devido à redução da capacidade de importação, como o acesso a eles, devido a uma margem fiscal mais limitada para proteger os lares contra a alta dos preços dos alimentos.
No mundo, a prevalência da subnutrição aumentou 11% em 2016. Isso significa que 815 milhões de pessoas sofrem com a fome mundialmente. O aumento foi registrado na maior parte das regiões do mundo, mas os maiores retrocessos se deram em partes da África e da Ásia.
Ainda que a fome não tenha aumentando no Caribe, a sub-região segue tendo a maior prevalência de fome na região: 17,7%.
“Nos últimos anos, a América Latina e o Caribe foi um líder mundial na redução da fome. Agora, segundo os dados, estamos seguindo a preocupante tendência mundial”, ressaltou Berdegué.
O relatório deste ano é uma publicação conjunta da FAO, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Desaceleração econômica

Segundo o representante regional da FAO, a desaceleração econômica da região, resultado da queda dos preços das commodities e do encolhimento econômico global, tem afetado a segurança alimentar na América Latina e no Caribe.
“A contração econômica afeta o emprego e a renda das pessoas. Além disso, afeta as receitas fiscais, com os consequentes ajustes que reduzem a capacidade dos governos de manter sistemas de proteção às famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade”, explicou Berdegué.
“O aumento do preço dos alimentos também é um fator que pode influenciar as tendências observadas”, sinalizou.
O estudo destaca, ainda, que a existência de conflitos prolongados é uma das principais causas da fome. Mundialmente, 19 países enfrentam longas crises e mais da metade das pessoas que passam fome — 489 milhões — vivem em países afetados por conflitos.

Níveis de desnutrição infantil crônica melhoram

Uma boa notícia é que, entre 2005 e 2016, a maior parte das regiões do mundo reduziu a desnutrição crônica infantil. Os melhores progressos foram registrados na Ásia e também na América Latina e no Caribe.
Regionalmente, a desnutrição crônica infantil caiu de 15,7% em 2005 para 11%, em 2016. O progresso foi observado em todas as sub-regiões durante o mesmo período: na América Central, baixou de 21,9% para 15,4%; na América do Sul, de 13,5% para 9,5%; no Caribe, de 8,6% para 5,3%.
“Esse é um ótimo sinal em meio ao panorama geral negativo. É muito provável que algumas políticas públicas dirigidas para a infância expliquem esse bom resultado. Me refiro, por exemplo, aos programas de alimentação escolar e a expansão, em muitos países, da cobertura dos sistemas de atenção à meninas e meninos menores de idade”, disse Berdegué.
É importante destacar que as taxas de desnutrição infantil aguda continuam sendo excessivamente altas em algumas regiões do mundo, ainda que se mantem baixas na América Latina e no Caribe, onde somente 1,3% das meninas e meninos menores de 5 anos sofreram com a desnutrição aguda em 2016.

Obesidade

De acordo com o relatório, a prevalência global da obesidade mais do que duplicou entre 1980 e 2014. Em 2014, mais de 600 milhões de pessoas eram obesas, aproximadamente, 13% da população adulta mundial.
O problema é mais grave na América do Norte, na Europa e na Oceania, onde 28% dos adultos são obesos, enquanto que na América Latina e no Caribe, aproximadamente, um quarto da população adulta atual é considerada obesa.
Na América Latina e no Caribe, o sobrepeso das crianças menores de 5 anos aumentou de 6,8% em 2005 para 7% em 2016, taxa que supera as da Ásia, da África e a média mundial (6%).
“Junto com o aumento da fome, a América Latina e o Caribe vivem uma gravíssima epidemia de sobrepeso e obesidade. A tendência regional é constrangedora, especialmente no que se refere para as meninas e meninos menores de 5 anos, cujo desenvolvimento e futuro estão sendo prejudicados pela má alimentação”, disse Berdegué, destacando que a obesidade afeta quase 4 milhões de crianças latino-americanas e caribenhas.
Ele convoca para o enfrentamento a todas as formas da malnutrição com a promoção de sistemas alimentares que priorizem os mais pobres, que são os que gastam a maior parte da renda com comida e têm muitas dificuldades para acessar alimentos saudáveis e nutritivos.
Onu
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Voluntários da C&A na Missão Paz



Ser voluntario e muito mais que oferecer uma parte de seu tempo, é muito mãos que olhar para a necessidade do outro, muito mais que fazer parte de uma corrente. E colocar o serviço em beneficio de todos
Neste contexto foi realizada no dia 16 de setembro na  Missão Paz a Feira de Cultura e Cidadania com dezenas de voluntários da C&A, Instituto C&A e Porticus.





 A programação contou com oficina de currículos (realizada em português, francês e inglês), oficina culinária (aprendendo a fazer receitas brasileiras fáceis e de baixo custo), atividades para crianças (brincadeiras, mediação de leitura e oficina de instrumentos musicais e de fantoches) e sessões de cinema em vários idiomas.

Os voluntários se doaram com muita dedicação e profissionalismo. Os imigrantes e refugiados descobriram novas possibilidades, vivenciaram um dia diferente e partilharam suas experiências. A troca foi enriquecedora para ambos os grupos.

Missão Paz 

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