No programa Latinoamerica no ar da Radio 9 de Julho neste domingo (18) as antrevistadas foram as organizadoras do livro
O livro Fronteiras (In)Visíveis, das organizadoras Cibelle Correia da Silva, Greice de Nobrega e Souza e Marlucia Silva Vieira, falaram no programa como refletir sobre três questões fundamentais da sociedade contemporânea: a migração, a linguagem e a inclusão. Temas que se entrelaçam e revelam os desafios enfrentados por pessoas que atravessam fronteiras geográficas, culturais e sociais em busca de novas oportunidades, melhores condições de vida ou um lugar onde possam reconstruir suas histórias. neste livro as tematicas exploradas são: Educação antiracista , as ideologias da na/ lingua de acolhimento, a interculturalidade critica, a decolonialidade no curriculo escolar, e a interseccionalidade entre gênero ,raça e classe
A linguagem ocupa um lugar central nesse processo. Mais do que um instrumento de comunicação, ela representa identidade, pertencimento e expressão cultural. Quando uma pessoa migrante não domina o idioma do país de chegada, sua participação social pode ser limitada. Ao mesmo tempo, reconhecer e valorizar sua língua materna é uma forma de respeitar sua trajetória, sua cultura e sua dignidade.
Migrar não significa apenas mudar de território. É também enfrentar novos costumes, aprender outras formas de comunicação, adaptar-se a diferentes realidades e, muitas vezes, lidar com o preconceito, a discriminação e a dificuldade de ser reconhecido como parte da sociedade que acolhe. Nesse percurso, as fronteiras nem sempre são visíveis. Elas podem surgir nas relações cotidianas, nas barreiras linguísticas, nos olhares de desconfiança e nas dificuldades de acesso à educação, ao trabalho e aos serviços públicos.
É nesse encontro entre diferentes idiomas, experiências e modos de compreender o mundo que a inclusão se torna essencial. Incluir não significa apenas permitir a presença do outro, mas criar condições para que ele participe plenamente da vida em comunidade, seja ouvido e tenha seus direitos respeitados. Isso exige diálogo, políticas públicas, acesso à informação e, sobretudo, disposição para reconhecer a diversidade como parte constitutiva da sociedade.
Ao abordar as relações entre migração, linguagem e inclusão, Fronteiras (In)Visíveis nos leva a questionar os limites que construímos, muitas vezes sem perceber, entre quem consideramos pertencente a determinado espaço e quem permanece à margem. A reflexão também nos convida a superar a ideia de que as diferenças representam obstáculos, reconhecendo nelas possibilidades de aprendizado, enriquecimento cultural e transformação social.
Em um mundo marcado pela mobilidade humana e pela convivência entre diferentes culturas, discutir essas questões é fundamental para construir sociedades mais justas e acolhedoras. Afinal, derrubar fronteiras invisíveis começa quando aprendemos a escutar, compreender e respeitar aqueles cujas histórias, línguas e experiências são diferentes das nossas.
Mais do que uma reflexão sobre deslocamentos e diferenças, a
temática da obra nos lembra que a verdadeira inclusão acontece quando a
diversidade deixa de ser apenas tolerada e passa a ser reconhecida como um
valor humano e social.
A obra oferece um convite a dialogar com a “palavramundo” e transformar o olhar sobre o outro e sobre si mesmo.
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