Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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Ex-imigrantes costumam partilhar a mesma tensão: um choque de desejos e frustrações.Foto:BH Airport/Divulgacao/D. Mansur
"O que estou fazendo aqui? Será mesmo que eu deveria ter vindo?". Perguntas como essas são recorrentes na mente de quem decide voltar ao seu país de origem após viver como imigrante no exterior.
O retorno à terra natal é bem mais complexo do que pode parecer. Seja por razões voluntárias ou involuntárias, se tornar "ex-imigrante” é um processo intenso, cheio de emoções conflitantes.
Em meio a um embate entre expectativa vs. realidade, desejos viram frustrações, reflexões se tornam outras, e a sensação de se sentir em casa já não é mais a mesma. Sensações como essas fazem parte da síndrome do retorno, também chamada de choque cultural reverso.
"Eu costumo chamar de ‘ferida do retorno'", afirma a psicóloga intercultural Andrea Sebben, que elaborou uma pesquisa com 500 brasileiros que viveram no exterior e retornaram ao país.
"É uma idealização, porque quando a gente está fora, literalmente fora do contexto, a gente meio que rompe com a realidade. A gente se relaciona com o país de origem muito mais no nosso imaginário. E você não tem dados de realidade suficientes para saber como é morar no Brasil hoje. Os dados que você tem habitam absolutamente no que é imaginário", diz Sebben.
A psicóloga explica que o movimento de deixar o país costuma causar incertezas. Já o retorno gera uma quebra de familiaridade. É assim que surge o estado de ambivalência.
"Você sabe o que está perdendo. Mas você não sabe o que está ganhando. A perda é concreta, ela é dolorosa. Mas o que você está ganhando?", afirma a pesquisadora. "Isso se chama ambivalência. Eu quero ganhar, mas eu não quero perder. Eu quero conquistar, mas não quero abrir mão de nada."
Brasileiro, mas estranho no ninho
Com a síndrome do retorno, a pessoa sente que perdeu dois países de uma só vez: aquele no exterior (onde já se sentia em casa, apesar de ser imigrante), e aquele em que ela já não se reconhece, embora seja seu local de nascimento.
Foi também em 2025 que o Itamaraty publicou um guia online para os brasileiros regressos. Com dicas do que e como fazer ao retornar ao país, o manual propõe auxiliar ex-imigrantes. Os temas vão de reinserção profissional a transporte de animais.
"No período recente, nota-se um movimento de retorno de migrantes brasileiros ao território nacional. Por um lado, esse fluxo pode ser explicado pelo acirramento da retórica e das políticas anti-imigração, verificado em alguns países que tradicionalmente recebem os migrantes. Por outro, a dinamização do mercado de trabalho no Brasil constitui forte fator de estímulo ao regresso voluntário", aponta o manual.
Brasileiros que foram deportados dos EUA chegando a Manaus em 2025Foto: MICHAEL DANTAS/AFP/Getty Images
Mesmo com contextos e motivos de regresso tão diferentes entre si, os ex-imigrantes costumam partilhar a mesma tensão: um choque de desejos e frustrações.
"A gente escuta muito isso: ‘Ah, eu esperava que voltando para o Brasil fosse acontecer A, B ou C…' E não acontece", conta a psicóloga Sebben. Ela também explica que a ambivalência emocional já se inicia quando a pessoa está no aeroporto.
Essa síndrome começou a ser estudada no início do século 20, a partir do abalo psicológico que militares e civis sentiam ao se mudarem de país em meio à Primeira Guerra Mundial.
Já no Brasil, as pesquisas sobre a síndrome engataram nos anos 1980, com o neuropsiquiatra Décio Nakagawa, que estudou a saúde mental dos decasséguis – brasileiros que tinham sido imigrantes no Japão. Nos relatos que colheu, o médico notou sintomas de depressão, ansiedade e não pertencimento.
O paradoxo de desconhecer o conhecido
"Eu sempre achava: ‘Ah, eu sinto falta do meu país, lá é minha terra, minha língua, vou conseguir fazer tudo mais fácil'. Não foi muito bem assim, não", conta a microempreendedora.
Ela morou dez anos na Alemanha e, em 2025, decidiu voltar ao Brasil porque sentia saudades da família, do clima e da cultura. Mas a adaptação não foi nada do que ela tinha imaginado. Daí, após sete meses de muita frustração com a mudança, a microempreendedora foi (de novo) para a Alemanha.
"Meu pensamento primeiro foi: ‘cheguei em casa'", diz ela. "Não era a mesma coisa. Porque eu acabei chegando no Brasil, mas sempre me lembrava como era o meu estilo de vida aqui [na Alemanha]."
Aline Milene Machado, que acabou voltando para a AlemanhaFoto: Mauricio Cancilieri/DW
Muita da dificuldade que Machado sentiu para se adaptar tem a ver com a mudança de rotina. "Como a gente estava em Florianópolis, então, tudo o que você precisava fazer era do norte da ilha até o centro. Era sempre muito trânsito, muito carro, parecia que estava sempre cheio. Isso aí foi uma das coisas que me pegou um pouquinho mais."
Não existe fórmula mágica. É impossível saber como será retornar para (ou partir do) seu país, nem se a readaptação será muito dolorosa ou "apenas" complexa. Mas saber disso já ajuda a entender os próprios sentimentos, ter paciência e lidar com o desafio.
Para a psicóloga Sebben, o período de readaptação não é linear e, por isso, o ideal seria esperar mais do que sete meses para tomar uma nova decisão. "A migração não acontece do lado de fora. Ela acontece do lado de dentro. Então eu diria: há que se preparar, na medida do possível, antes", afirma.
Difícil, mas não impossível
Enfrentar o "luto migratório" é difícil, mas não impossível. Um exemplo é Maucir Nascimento, autor de A Volta Dos Que Foram, livro que ele escreveu com base na própria experiência.
"Eu sempre vi outros imigrantes sofrendo muito com essa coisa da perda. E eu não queria. Eu sou filho de mãe solteira. Aquela coisa toda, não tenho família próxima, eu não tenho nada. Então, eu sempre entendi o valor da vida, o valor da coisa de você valorizar aquelas pessoas que estão ali por você. É por isso que eu decidi voltar", conta ele.
Maucir Nascimento morou dez anos na Austrália e, em 2018, regressou ao Brasil. Ele diz que não se arrepende das decisões que tomou, mesmo quando tem novas reflexões sobre o assunto.
"Estaria mentindo se eu dissesse para você que não passa pela cabeça, com certa frequência, voltar para a Austrália. Ou ir para algum outro lugar do mundo. Isso é da natureza do imigrante. Se você fizer essa opção, você sempre vai ficar pensando em voltar. Do mesmo jeito que quem vai fica pensando em voltar", afirma Nascimento, cujo livro se propõe a auxiliar quem passa ou passará pela síndrome do retorno.
"Acho que a questão de fazer tudo com pé no chão é muito importante. Sem esses floreios das mídias sociais, essas coisas assim que todo mundo fala, cheio de tipo assim... Ah, como deveria ser... Quem sabe... Não, cara, vai buscar a realidade! Vai buscar a realidade do que é, do que não é para você. Muito autoconhecimento. Quem não busca autoconhecimento para entender por que está voltando, por que quer voltar, por que foi... O que era bom antes, o que não era bom depois. Faz uma matriz aí de prós e contras."
Para ele, o mais importante de todo esse processo é justamente se planejar bastante. Imaginar o que pode (ou não) acontecer nesse novo ciclo da vida.
Migrantes venezuelanos na chegada ao Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nos últimos dez anos, Passo Fundo deixou de ser apenas um destino pontual de imigrantes para se consolidar como um polo regional de acolhimento no Norte do Rio Grande do Sul. O município, que concentra serviços como a Polícia Federal para uma área de 123 cidades, passou a receber diferentes ondas migratórias, refletindo transformações globais e regionais.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cidade ocupa a quarta colocação no Estado, com cerca de 3.200 vínculos formais — o equivalente a aproximadamente 6% do total registrado no Rio Grande do Sul, que ultrapassa 50 mil migrantes. Mesmo sem um número oficial consolidado, a estimativa é de que entre 5 e 8 mil migrantes vivam atualmente no município, considerando também crianças e famílias. A análise é da professora Patrícia Noschang, coordenadora do Balcão do Migrante e Refugiado da Universidade de Passo Fundo (UPF).
De acordo com a pesquisadora, o movimento migratório recente pode ser dividido em dois momentos distintos. Entre 2015 e 2018, predominou a chegada de africanos, especialmente senegaleses e bengaleses, impulsionados tanto pelo comércio ambulante quanto pela demanda da indústria alimentícia, principalmente no corte halal (processo de abate que busca o mínimo sofrimento animal e deve ser feito por um muçulmano).
A partir de 2019, o cenário muda e passa a ser marcado por migrantes latino-americanos, como venezuelanos, colombianos, cubanos e haitianos — muitos deles classificados como migrantes de sobrevivência, que deixam seus países por crises políticas, econômicas ou humanitárias.
Mais recentemente, também cresce a presença de argentinos e paraguaios, muitos deles atuando em áreas rurais da região.
Entre números e histórias: a vida de quem chega
Por trás dos dados, estão histórias como a do senegalês Moustapha Diouf, de 33 anos, que vive em Passo Fundo desde 2015. Hoje motorista de aplicativo, ele encontrou na cidade a chance de recomeçar. “Foi uma forma de construir minha vida com dignidade”, afirma.
Moustapha conta que chegou ao município em busca de oportunidades, como todo imigrante. “No Senegal é mais difícil conseguir trabalho. Aqui, quem quer trabalhar consegue”.
Muçulmano, Moustapha mantém sua rotina religiosa com cinco orações diárias e participação na comunidade islâmica local. Ele também destaca celebrações como o Grande Magal de Touba, momento de agradecimento a Deus.
Apesar de viver longe da família, que permanece no Senegal, ele se diz adaptado. “Passo Fundo me conquistou. Não é uma cidade grande demais, nem pequena, tem tudo o que eu preciso”, diz.
Radwan Mohamed Jehani em conversa sobre islamismo com alunos da rede municipal. Ele é diretor da unidade local do Instituto Latino-Americano de Estudos Islâmicos – ILAI.
A presença muçulmana também é representada por lideranças mais antigas, como Radwan Mohamed Jehani, de 65 anos, que vive na cidade desde 1997.
Ele chegou ao Brasil a trabalho, convidado por um frigorífico para atuar na fiscalização da produção voltada ao mercado islâmico internacional. Antes de se estabelecer em Passo Fundo, passou por cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. “Eu amo Passo Fundo. Foi aqui que construí minha família e fiz amizades”, afirma.
Radwan estima que haja cerca de mil muçulmanos na cidade e região. Segundo ele, a adaptação foi positiva, apesar de episódios pontuais de preconceito. “São situações isoladas. No geral, fui bem acolhido.”
Migração feminina e novos caminhos
Entre os novos fluxos migratórios, a presença de mulheres também ganha destaque, como no caso da venezuelana Leidy Josefina Durán de Briceno, de 51 anos. Há quatro anos em Passo Fundo, ela chegou após uma passagem pelo Uruguai, onde enfrentou dificuldades com o alto custo de vida. “Lá era muito difícil para imigrantes. Aqui foi diferente, fomos muito bem recebidos”, conta.
Hoje trabalhando como auxiliar de limpeza, Leidy destaca a acolhida e as oportunidades encontradas. “Passo Fundo tem gente muito boa, muito receptiva. Para mim, morar aqui foi uma bênção.”
Mãe de três filhos e avó de três netos, ela vive com uma das filhas, que estuda em escola pública e já domina o português. A maior dificuldade, segundo ela, foi justamente o idioma. “Mas tudo foi se ajeitando. Aqui tem trabalho e oportunidade. Por isso decidimos ficar.”
Sem condições financeiras de retornar à Venezuela com frequência, Leidy resume o sentimento de quem recomeça longe de casa: “A gente sai porque precisa sobreviver. E aqui conseguimos viver melhor.”
Desafios persistem
Mesmo com histórias de integração, os desafios seguem presentes. A professora Patrícia Noschang destaca que a principal dificuldade ainda é a regularização documental, devido à alta demanda nos órgãos públicos.
Celebração Grande Magal de Touba dos senegaleses. Foto: Diogo Zanatta/Divulgação
O papel do Balcão do Migrante
Criado em 2020, em meio à pandemia, o Balcão do Migrante e Refugiado da UPF surgiu para atender, inicialmente, venezuelanos que enfrentavam dificuldades básicas, como abrir conta bancária ou regularizar documentos.
Hoje, o projeto vai além. “Auxiliamos na regularização documental, mas também na inserção local: acesso ao trabalho, moradia, serviços e entendimento da dinâmica da cidade”, explica a coordenadora.
O projeto também integra a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, ligada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), e mantém convênio com a Polícia Federal — uma parceria ainda rara no país.
O impacto dessa mobilidade vai além dos limites de Passo Fundo. O Balcão do Migrante e Refugiado atende pessoas de toda a região. “Só no último ano, atendemos migrantes de 56 nacionalidades diferentes. Isso mostra a diversidade e também o papel regional que o município exerce”, destaca Patrícia.
As migrações internas e internacionais são fenômenos que constituíram a história da cidade de São Paulo e da sociedade brasileira. Se é verdade que migrantes internos e internacionais tiveram papel crucial na construção da metrópole paulista desde os seus primórdios, é preciso reconhecer que o fenômeno ganha importância central na contemporaneidade. O atual contexto das múltiplas crises engendradas no interior do capitalismo produz diversas formas de expulsão e migrações forçadas de populações em escalas sem precedentes. Cada vez mais, as pessoas migram em decorrência de fatores diversos, tais como desemprego, graves violações de direitos humanos, conflitos geopolíticos, guerras e em razão de desastres ambientais causados pela destruição humana da natureza. Nesse contexto, muitas outras categorias relacionadas às mobilidades humanas ganham relevância, tais como a situação das pessoas refugiadas, apátridas e solicitantes de refúgio. É preciso frisar, adicionalmente, que a divisão das pessoas que realizam migração em diferentes categorias de cidadania e status migratórios tem sido utilizada na governança migratória global para criar formas de controle, distinções e desigualdades no acesso a direitos humanos que deveriam ser universais.
Como reflexo dessas tendências globais e diante da crescente intensificação das políticas restritivas à migração nos países centrais do capitalismo, a cidade de São Paulo, uma das mais ricas e populosas da América Latina, tem sido um dos principais territórios de chegada, trânsito e instalação desses fluxos migratórios na região. Desde o início do século XXI, no que diz respeito à migração internacional, esses fluxos são diversos e heterogêneos, compostos sobretudo por trabalhadores e trabalhadoras e suas famílias vindos de países do Sul Global – e, portanto, majoritariamente racializados.
Neste artigo, apresentaremos uma breve história da imigração em São Paulo, além de um panorama sobre a presença dos diferentes grupos de imigrantes presentes na cidade hoje. Também abordaremos as lutas migrantes por direitos e as políticas públicas que ganharam força nas últimas décadas com a chegada de novos fluxos na cidade. Ao final, traremos uma reflexão sobre o nosso papel diante da questão migratória no cenário global de emergência de novos fatores de expulsão de populações de seus territórios, amplificada pelo aumento das desigualdades sociais, pela ascensão da extrema-direita com a sua agenda anti-imigrante, além de retrocessos brutais em direitos conquistados e nas políticas de seguridade social.
Um pouco da história da imigração em São Paulo
A cidade de São Paulo foi erguida sobre território indígena Guaianás ou Guaianases – etnia considerada extinta no século XVI, e que hoje dá nome a um dos distritos mais negros de São Paulo. O seu desenvolvimento foi marcado pela chegada em massa de migrantes internos e internacionais ao longo do século XIX e, de forma mais intensa, a partir do início do século XX. Em um contexto de rápida industrialização da economia brasileira relacionada à expansão da indústria cafeeira, a incipiente metrópole paulista passou a atrair trabalhadores e trabalhadoras de distintas partes do mundo. Migrantes internos também chegaram em grandes números para a cidade, vindos em especial de Minas Gerais e de estados do Nordeste – muitos deles, sobreviventes do regime escravocrata. É preciso lembrar que foram mais de 12 milhões de africanos sequestrados e trazidos ao Brasil para trabalhar de maneira forçada ao longo dos trezentos anos de escravidão, um número duas vezes maior que a população portuguesa que se estabeleceu no país durante o período colonial.
Entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, tornaram-se majoritárias as entradas de italianos, espanhóis, portugueses, além de chineses e japoneses, libaneses e armênios. Nesse período, o Estado brasileiro elaborou e colocou em prática políticas migratórias racistas para estimular a vinda de imigrantes brancos e europeus como parte de um projeto econômico e político de modernização. De forma aparentemente contraditória, essa importação de trabalho imigrante trouxe consequências inesperadas, já que proporcionou ampla circulação de ideias, propiciando a formação de diversos espaços coletivos de socialização, apoio, resistência e de organização da classe trabalhadora em um período histórico de ebulição de movimentos e ideias revolucionárias. Exemplo disso foi o significativo protagonismo de trabalhadores imigrantes na organização de movimentos políticos na cidade de São Paulo, realizando greves que reivindicavam menores jornadas de trabalho e a proibição do trabalho infantil, entre outras pautas, como o fim da política de expulsão de imigrantes envolvidos em atividades partidárias de esquerda, sindicatos e manifestações.
Já na segunda metade do século XX, sobretudo no período de globalização neoliberal que aprofundou os ataques aos direitos da classe trabalhadora e a expulsão de populações de seus territórios, nota-se a crescente entrada de bolivianos, peruanos e sul-coreanos relacionada ao trabalho no comércio e na indústria da costura. Ao longo desse período, a imigração na metrópole paulista contribuiu diretamente para a constituição social e territorial da vida na cidade, construindo e (re)configurando bairros como a Liberdade, o Brás, o Bom Retiro e o Pari, nos quais a presença migrante continua sendo marcante nas lojas, restaurantes, mercados populares, oficinas de costura, centros culturais e outros espaços comunitários.
Imigrantes em São Paulo hoje
São Paulo é a cidade brasileira com o maior número de registros de imigrantes, reunindo a maior diversidade de nacionalidades e de pessoas em situação de refúgio do país. Segundo o Observatório das Migrações Internacionais em São Paulo, há 489.219 imigrantes registrados no município. Desses, os cinco maiores grupos são bolivianos (135.273), chineses (33.237), haitianos (26.198), peruanos (21.600) e estadunidenses (21.156). Esses dados, entretanto, são sub-representados, já que a cidade também abriga uma quantidade expressiva e não quantificada de imigrantes indocumentados, invisibilizados para as políticas públicas. Vale pontuar a existência de uma presença histórica de imigrantes indígenas na cidade, constituída majoritariamente por grupos aimarás e quéchuas vindos do Peru e da Bolívia.
A partir de 2010, no contexto de fronteiras mais fechadas nos países que eram destino preferencial de migrantes e com o reposicionamento do Brasil no regime global das migrações por meio da celebração de acordos internacionais de mobilidade, é possível observar o crescimento na chegada dos chamados “novos fluxos” na cidade. Esses fluxos migratórios são compostos principalmente de haitianos, que migraram em massa após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010, além de imigrantes do continente africano – em especial angolanos, senegaleses, democrático-congoleses, nigerianos –, e da região do Oriente Médio, como os sírios. Também nota-se o aumento da entrada de imigrantes asiáticos no período, em especial sul-coreanos e chineses, cujas populações mais do que dobraram nas últimas décadas. Esses novos fluxos somam-se a outros historicamente estabelecidos, e ainda relevantes, como é o caso de imigrantes sul-americanos de países fronteiriços. Mais recentemente, a partir de 2017, destaca-se o aumento sensível na entrada de venezuelanos após o recrudescimento da crise na Venezuela impulsionada por agressões e sanções imperialistas que produziram um êxodo sem precedentes em toda a região da América Latina.
No que diz respeito ao acesso à moradia e à distribuição territorial na metrópole de São Paulo, os grupos de recém chegados frequentemente residem inicialmente em bairros da região central da cidade, como Brás, Pari, Liberdade, Bela Vista e Sé. Nesses distritos, há uma concentração de ocupações urbanas de movimentos por moradias, além de centros de acolhida específicos para pessoas imigrantes e refugiadas que integram a rede de serviços de proteção social oferecida pelo município – algo previsto na Política Municipal para as Populações Imigrantes (PMPI), sobre a qual falaremos mais no próximo tópico. É comum, no entanto, que imigrantes recém-chegados tenham que se mudar para bairros mais afastados da região central após alguns meses. Muitos acabam residindo em bairros da Zona Leste da cidade, como Itaquera, Penha, Guaianases e São Mateus, com uma recente distribuição por bairros das zonas Sul e Norte. Entre as razões para sua alta mobilidade no território urbano estão a dificuldade para cumprir os requisitos formais para a locação de imóveis, como a apresentação de fiadores, os altos valores dos aluguéis praticados por imobiliárias nas regiões centrais, além do curto prazo que possuem para sair dos centros de acolhida – algumas vezes, o período máximo de permanência é de três meses.
Quando chegam à cidade, os primeiros serviços públicos a serem acessados são frequentemente as unidades de saúde, as escolas e os serviços de assistência social. Apesar de imigrantes terem os mesmos direitos em pé de igualdade com os nacionais, independente do status migratório, no que diz respeito ao acesso aos serviços públicos (como prevê a Lei de Migração, Lei nº 13.445/2017), são frequentes as denúncias de práticas discriminatórias. Em relação ao acesso à educação, ainda é comum negativas de matrícula nas escolas por não aceitarem as documentações apresentadas por famílias imigrantes e/ou por exigirem de forma ilegal documentos traduzidos. Nesses casos, a atuação de organizações de defesa de direitos e movimentos sociais tem sido decisiva para a efetivação do direito dessas populações ao provocar intervenções das Diretorias Regionais de Educação. Também como parte das conquistas da Política Municipal para as Populações Imigrantes, consolidou-se o Projeto Portas Abertas que oferece aulas de português gratuitas em algumas unidades educacionais distribuídas pela cidade. Ainda assim, imigrantes têm dificuldade de acessá-lo pelos horários de oferta das aulas – muitas vezes, em horário comercial –, e pela distância das escolas dos locais onde vivem, obrigando-os a onerosos deslocamentos pela cidade.
Ao mesmo tempo, as condições de vida na cidade estão diretamente relacionadas com as condições de acesso ao mercado de trabalho. Trabalhadores imigrantes – em especial negros/as e indígenas – acabam tendo dificuldades frequentes para trabalhar de maneira formal por muitos motivos. Para além do racismo estrutural e a desigualdade de gênero que afeta o mercado de trabalho brasileiro como um todo, as barreiras para o acesso ao trabalho formal são permeadas pela falta de informação sobre os seus direitos no país, dificuldades na revalidação de diplomas e indocumentação. Na metrópole paulista, muitos terminam trabalhando informalmente no comércio ambulante, na produção têxtil, na construção civil e outras ocupações precárias no setor de serviços, com renda oscilante e sem quaisquer direitos. Assim, esses trabalhadores e trabalhadoras na informalidade estão vulneráveis à violência policial, a golpes e abusos de agiotas e consignadores de produtos para o comércio, além de muito frequentemente tornarem-se vítimas de condições de trabalho análogo à escravidão. Mesmo aqueles em vagas de trabalho formal têm, por vezes, seus direitos violados, com retenção de documentos após a demissão, como a Carteira de Trabalho, ou com descontos salariais abusivos.
Podemos compreender até aqui que a cidade continua carregando as marcas da presença imigrante, sejam elas históricas, sejam as do cotidiano da metrópole. Essas pessoas são uma força viva que molda ativamente a cidade, seu presente, passado e futuro. Isso é ainda mais visível quando pensamos nas lutas dessas populações pela garantia de direitos, como veremos a seguir.
Crédito: Agência Brasil
Lutas por direitos e protagonismos de pessoas imigrantes e refugiadas
Se é importante ressaltar as dificuldades enfrentadas pelas populações imigrantes na cidade de São Paulo, é preciso também apontar para sua capacidade de organização e mobilização como forma de conquistar e efetivar direitos. A cidade, que possui longo histórico de imigrantes engajando-se em lutas políticas, contabiliza cerca de 73 coletivos de imigrantes e organizações que atuam na pauta migratória, sejam eles movimentos liderados por migrantes ou por brasileiros. Essas organizações e coletivos atuam no campo cultural, político, social e religioso, e são constituídas formal ou informalmente em diferentes territórios da cidade.
Nesse cenário urbano, formou-se ao longo de décadas uma rede de organização e participação política de imigrantes. Cresceram associações e coletivos criados pelos próprios imigrantes, além de grupos de apoio ligados a igrejas, centros de saúde e organizações de defesa dos direitos humanos espalhados por diferentes regiões da cidade, especialmente nas periferias. Na cidade de São Paulo, muitos desses grupos se articulam por meio de associações fundadas e dirigidas por imigrantes, como a União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH), a Associação de Mulheres Imigrantes Luz e Vida (AMILV), o coletivo de base Warmis – convergência das culturas, a Associação dos Congoleses no Brasil, a Associação da Comunidade da Guiné Bissau e a Comunidade Senegalesa. Também atuam organizações institucionalizadas, como o Pacto pelo Direito de Migrar – África do Coração, além de ONGs mais antigas, como a Missão Paz, a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI) e o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), que há muitos anos funcionam como importantes pontos de acolhimento, orientação e defesa de direitos, especialmente para quem está chegando ao país.
As lutas articuladas por imigrantes por meio dessas redes procuram reivindicar direitos e denunciar as inúmeras formas de racismo, discriminação e violências sofridas. As manifestações contra os assassinatos de imigrantes africanos que deram origem a campanhas antirracistas por justiça e reparação são exemplos emblemáticos de lutas articuladas em reação à violência estatal, marcada pelo racismo estrutural. Entre elas, podemos citar as campanhas “Zulmira Somos Nós”, “Somos João Manuel”, “Justiça para Talla Mbaye”, “Justiça por Ngagne Mbaye”, que reivindicam justiça por imigrantes mortos em assassinatos motivados por racismo na cidade. Também ganham força nos últimos anos as mobilizações contra a exploração no trabalho e o trabalho escravo, com destaque para os trabalhadores da indústria têxtil e os trabalhadores ambulantes da cidade. Outras mobilizações merecem destaque, como a campanha “Regularização Já”, em defesa da regularização migratória para todos; a campanha “Nacionalidade no SUS”, por direito à saúde; os protestos e ações contra as políticas de encarceramento, expulsão e deportação no Aeroporto de Guarulhos.
É preciso ressaltar ainda que as lutas migrantes em São Paulo tiveram o mérito de pautar e aprovar a primeira Política Municipal para as Populações Imigrantes (PMPI) do país, prestes a completar dez anos em 2026, além de um Plano Municipal de Políticas para Imigrantes, que opera de forma intersecretarial e estabelece metas e ações para gestores públicos municipais visando sua efetivação. Essa é uma conquista ainda mais relevante se considerarmos que apenas 5% das cidades onde residem imigrantes e refugiados possuem políticas públicas de apoio e atendimento para essas populações.
A aprovação da Política se deu na esteira da realização da 1ª Conferência Municipal de Políticas para Imigrantes, em 2013 – também pioneira no país –, e a aprovação do Plano se deu após a 2ª Conferência Municipal com o mesmo tema, realizada em 2019, demonstrando a importância das mobilizações e da participação popular para a elaboração de políticas públicas para imigrantes no Brasil. Também é preciso mencionar a realização, em 2014, da 1ª Conferência Nacional sobre Migrações, Refúgio e Apatridia, ocorrida no município. Como fruto desses esforços, e da aprovação de uma lei municipal de imigrantes em São Paulo de 2016, foi criado um Conselho Municipal de Imigrantes (CMI), órgão consultivo ligado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos, considerado um avanço importante na garantia do direito à participação política dessas comunidades no país.
Ainda assim, as limitações para a implementação efetiva da Política e do Plano são muitas. Relatório divulgado pela Coordenadoria de Políticas para Migrantes e Promoção do Trabalho Decente (CPMIG-TD), responsável pela avaliação da implementação do Plano, mostra que o município havia cumprido apenas 23,6% das metas estabelecidas – como, por exemplo, a oferta do Projeto Portas Abertas para o ensino de português. A maior parte das metas, ou 52%, ainda permanecem por serem cumpridas, como a garantia de um representante imigrante – ligado ao CMI – no Conselho Municipal de Saúde. Além disso, não houve verba para o cumprimento das metas estabelecidas, o que tornou o Plano uma carta de intenções. Soma-se a isso o fato de que o CMI, como órgão consultivo, atua sem poderes deliberativos, tornando-o um Conselho inócuo e esvaziando as discussões realizadas no fórum. Dessa forma, ainda que representem um avanço, tais iniciativas têm contribuído pouco para a efetivação dos direitos que declaravam querer efetivar.
Adicionalmente, a pandemia de Covid-19 catalisou a criação de diversas iniciativas de mobilização política de imigrantes enfatizando a demanda pela garantia do direito à saúde e à assistência. Se o SUS é universal, ele frequentemente falha em ser equitativo. Iniciativas visando a consulta das populações imigrantes sobre propostas para políticas públicas de saúde, como as Conferências Nacionais Livres; mutirões de vacinação contra a Covid-19 nas periferias da cidade, especialmente para imigrantes indocumentados com hesitação vacinal por medo de serem deportados; e a instituição, por demanda da sociedade civil, de um Grupo de Trabalho na Secretaria Municipal de Saúde para debater estratégias para a promoção da saúde das populações imigrantes são exemplos de mobilizações recentes nesse sentido.
Por fim, é preciso considerar que vivemos sob constante risco de retrocessos sobre as políticas sociais e os direitos conquistados. Recentes declarações do prefeito Ricardo Nunes e do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em pautas relacionadas aos direitos humanos, evidenciam os desafios para fazer avançar nessas lutas hoje. “Espero que não venham”, disse Ricardo Nunes ao ser perguntado sobre o possível aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos para São Paulo, ao mesmo tempo em que anunciou o fechamento de um abrigo que atende mais de cem pessoas refugiadas na cidade – fechamento revertido após pressão de movimentos de imigrantes, como de praxe. Já o atual governador tem investido fortemente na ampliação do poder de polícia nas ações contra trabalhadores ambulantes no Brás, violando o direito ao trabalho e vitimando principalmente imigrantes haitianos e africanos por meio da Operação Delegada – um programa do governo de São Paulo que permite que policiais militares atuem, em seus dias de folga, em ações de apoio às prefeituras, como na fiscalização do comércio considerado irregular e sem nenhuma alternativa de regularização para quem depende desse trabalho para sobreviver.
Garantir acesso a direitos básicos, como saúde, educação, moradia e trabalho decente é tornar possível a vida dessas pessoas no país. Do contrário, resta apenas o discurso institucional e inócuo da metrópole paulista enquanto uma cidade aberta às pessoas imigrantes e refugiadas, ao mesmo tempo em que as ações, bem como a negligência, do Poder Público se encarregam de expulsá-las daqui.
Considerações finais
São Paulo foi e continua sendo uma metrópole de migrantes, internos e internacionais. A tendência é que a população constituída por imigrantes e refugiados na cidade, ao invés de diminuir, se expanda nos próximos anos em decorrência das múltiplas crises – ambientais, climáticas, sanitárias, políticas, econômicas etc. – do capitalismo. Apesar do crescente engajamento das próprias associações e coletivos de migrantes nas lutas sociais, os desafios colocados para a garantia de direitos e a efetiva inclusão dessas populações nas políticas sociais são inúmeros e dependem da capacidade de formação de alianças mais amplas no âmbito local, nacional e transnacional. Não apenas na cidade de São Paulo, mas em diversas cidades do mundo, temos visto a multiplicação de regimes de controle migratório e fronteiriço que produzem a criminalização da migração e diversas outras formas de violência e discriminação contra pessoas em mobilidade.
É certo que, para resistir aos retrocessos no horizonte e garantir os avanços para o futuro, dependemos de organização e de mobilização coletivos. Se todo o trabalho a fazer está à nossa frente, as lutas migrantes na cidade de São Paulo – mas não apenas – são um exemplo de como é possível se organizar mesmo em condições precárias, e sob estatutos frágeis de cidadania. É por meio dessas coletividades insurgentes que os futuros possíveis são conquistados.
Karina Quintanilha é advogada e doutora em Sociologia pela Unicamp, com atuação sobre políticas migratórias, lutas migrantes, trabalho e direitos humanos. É co-fundadora e coordenadora do Fórum Internacional Fronteiras Cruzadas. Atualmente, é pesquisadora de pós-doutorado em Sociologia na USP.
Alexandre Branco-Pereira é antropólogo, pesquisador colaborador pleno no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília, onde também desenvolve pesquisa de pós-doutorado com bolsa CNPq. É coordenador da Frente Nacional pela Saúde de Migrantes (Fenami) e do Observatório Saúde e Migração.
Capa do Guia da Culinária Imigrante de SP, Bela Vista Cultural
Cidade historicamente marcada por sucessivas ondas migratórias, São Paulo ganha seu primeiro guia turístico e gastronômico, com cupons de desconto, dedicado exclusivamente à culinária imigrante do século XXI. A publicação é uma iniciativa da Bela Vista Cultural e reúne restaurantes, bares e cafés conduzidos por imigrantes de diferentes gerações que vivem e empreendem na capital paulista.
O guia tem o olhar voltado para os fluxos migratórios mais recentes, reunindo empreendedores vindos da América Latina, África, Europa, Oriente Médio e Extremo Oriente. Esses imigrantes encontraram no setor de alimentação uma forma de reconstruir suas trajetórias, gerar renda e estabelecer vínculos com a sociedade brasileira. Ao mapear e divulgar esses estabelecimentos, a publicação busca ampliar sua visibilidade e estimular a visitação do público.
Com patrocínio da Ambev e apoio da Selmi, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), o projeto, mais do que registrar técnicas culinárias e evocar sabores, procura proporcionar uma experiência urbana e social, convidando o público a circular por bairros centrais e periféricos, conhecer outros povos e reconhecer a culinária como uma vertente cultural de pertencimento, memória e identidades plurais.
A publicação é dividida em duas partes. A primeira apresenta um panorama histórico e cultural da gastronomia paulistana, contextualizando São Paulo como uma metrópole formada por diferentes ciclos migratórios, que ajudaram a impulsionar a indústria, o comércio e o setor de serviços. Esse conteúdo funciona como porta de entrada para compreender a cidade e suas transformações ao longo das últimas décadas. A segunda metade resulta de um amplo mapeamento de estabelecimentos conduzidos por imigrantes do século XXI. Os negócios são apresentados a partir de suas histórias, de seus proprietários e suas famílias, bem como as características de suas cozinhas, compondo um retrato fidedigno da diversidade cultural paulistana.
Entre os estabelecimentos participantes estão nomes como Al Janiah, Café Colombiano, Cho Sun Gal Bi, Cusco Cozinha Peruana, Hong Bin, Ombra Bar e Ton Hoi, entre outros, reunindo 33 restaurantes, bares e cafés que representam a nova cena gastronômica paulistana. Para integrar o projeto, foi estabelecido como critério que o negócio fosse conduzido por um imigrante de primeira geração ou por membros de seu núcleo familiar, com a participação dos fundadores na rotina do empreendimento.
A partir do dia 14 de abril, o guia poderá ser adquirido pelo valor de R$70,00 no site da Bela Vista Cultural ou, presencialmente, em estabelecimentos que participam da publicação.
O lançamento contará com uma programação especial, incluindo atividades ligadas aos restaurantes e bares participantes, experiências exclusivas e ações que convidam o público a vivenciar os percursos e histórias apresentados na publicação.
Programação de lançamento
O lançamento do Guia da Culinária Imigrante de São Paulo compreende uma programação estendida, concebida para aproximar o público dos estabelecimentos mapeados na publicação e aprofundar o diálogo entre gastronomia, imigração e cidade. As atividades iniciam em abril de 2026 e combinam eventos nos próprios restaurantes, passeio gastronômico guiado e uma palestra de lançamento institucional com bastidores da produção.
Noites do Guia
A série Noites do Guia reúne eventos realizados nos próprios estabelecimentos participantes da publicação, abertos ao público. Cada encontro combina abertura institucional, depoimento do fundador ou representante do restaurante, interação com o público e homenagem formal ao empreendimento, transformando cada espaço em palco de sua própria história. A entrada é gratuita, basta chegar ao local com 1h de antecedência ao início da atividade.
A programação prevê, por enquanto, quatro edições:
Sexta-feira, dia 24 de abril, às 18h, no Café Colombiano;
Quarta-feira, dia 29 de abril, às 19h, no El Guatón;
Quinta-feira, dia 7 de maio, às 19h, no Ombra Bar e;
Sábado, dia 16 de maio, às 17h, no Patacón SP.
Durante os eventos, o guia estará disponível para compra no local. Quem adquirir a publicação receberá um cupom para ser trocado por um item selecionado pelo próprio restaurante naquela noite. Novas edições serão anunciadas no Instagram do projeto.
Passeio gastronômico guiado
No sábado, dia 25 de abril, das 15h às 19h, o público poderá participar de um passeio a pé de 3,1 km pelas regiões da Bela Vista e Consolação, conduzido pelo guia bilíngue e agente de turismo Rafael Gushiken (@spdagaroa). O trajeto parte do Top Center Shopping, na Avenida Paulista, percorre pontos de referência histórica e urbana da região antes de encerrar no restaurante Biyou’z, com passagem pelo Bánh Mì Vietnam para degustação. Ao longo do percurso, narrativas sobre imigração, urbanização e culinária se entrelaçam, oferecendo uma experiência que ultrapassa a visita gastronômica convencional.
O passeio integra as experiências oferecidas durante a pré-venda do guia e, posteriormente, também será comercializado de forma independente. Os valores variam de R$170,00 e R$350,00, de acordo com a modalidade de compra, que incluem pequenas degustações nos dois restaurantes. Informações atualizadas serão divulgadas no Instagram do projeto.
Palestra e Lançamento institucional
O encerramento da programação ocorre no dia 16 de junho, às 19h, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. O evento terá formato de palestra, com apresentação conduzida por Renan Cyrillo, diretor executivo da Bela Vista Cultural, que contextualizará o projeto e trará bastidores da produção. Em seguida ocorrerá uma sessão de perguntas e um momento para comercialização da publicação. As inscrições serão disponibilizadas pelo site do Sesc na última semana de maio.
Estímulo à economia local
O guia impresso contará com cupons promocionais de 10% de desconto no valor da conta, pensados como um incentivo real para atrair um novo público para esses estabelecimentos. Mais do que um benefício pontual ao leitor, esses cupons configuram uma estratégia de ativação econômica, estimulando a circulação pela cidade e ampliando o fluxo de clientes para restaurantes, bares e cafés.
Além da visibilidade proporcionada pela publicação, os empreendedores participantes integraram um programa de capacitação realizado em parceria com o Sebrae, com foco em gestão financeira, organização administrativa e estratégias de marketing. Também tiveram acesso a um curso de gestão de bares e restaurantes oferecido pela Abrasel, Bares Sp e Esbre, ampliando repertórios e ferramentas para a condução sustentável de seus negócios.
Essas ferramentas contribuíram com a estruturação interna desses estabelecimentos, oferecendo suporte técnico para decisões estratégicas e contribuindo com o controle de custos, posicionamento de marca e planejamento de crescimento. Dessa forma, o guia associa comunicação e formação, fortalecendo tanto a imagem quanto a base operacional dos empreendimentos.
Segundo Renan Cyrillo, diretor executivo da editora, a proposta é unir visibilidade, capacitação e geração de renda. “Muitos desses empreendedores chegaram ao Brasil recentemente e encontraram na gastronomia uma possibilidade concreta de reconstrução de vida. Nesse contexto, o guia funciona não apenas como ferramenta de divulgação, mas como instrumento de fortalecimento estrutural desses negócios, ampliando suas oportunidades de crescimento e integração ao mercado local”, afirma. “A combinação entre estímulo ao consumo consciente e a qualificação empresarial reforça o compromisso do projeto com impacto econômico real e duradouro”, complementa.
Impacto educacional e acessibilidade
A Bela Vista Cultural se notabiliza pelo desenvolvimento de projetos culturais e educacionais voltados principalmente às escolas públicas. Esse compromisso também está presente no Guia da Culinária Imigrante de São Paulo, que utiliza a gastronomia como ponto de partida para discutir temas como imigração contemporânea, diversidade cultural e pertencimento.
O projeto conta com materiais pedagógicos, audiolivro, conteúdos em libras e audiodescrição. Parte da tiragem será destinada, gratuitamente, a escolas e instituições culturais, junto da realização de ações formativas na rede pública de ensino.
O projeto conta com o patrocínio da Ambev e apoio da Selmi, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Sobre a Bela Vista Cultural
Fundada em 2016, a Bela Vista Cultural é uma editora, produtora e consultoria que desenvolve projetos culturais e educacionais voltados principalmente às escolas públicas. Atua em parceria com a iniciativa privada para criar iniciativas que promovam acesso à cultura, formação docente e desenvolvimento social por meio da educação.