quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Como as remessas de migrantes unem o mundo lusófono

 

© IFAD/Délmer Membreño/Factstory As remessas reduzem a pobreza e aumentam as oportunidades.

A ONU lançou nesta segunda-feira o relatório Enviando Dinheiro para Casa, em tradução livre. O estudo global revela que remessas quase dobraram em uma década, atingindo US$ 729 bilhões em 2025.

O estudo do Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com remessas, conectando uma em cada seis pessoas no mundo.

Crescimento econômico ao nível das famílias

A análise traz à tona um retrato das transferências representando o que se considera uma espinha dorsal do bem-estar, abarcando desde o acesso à educação até a capacidade de superação de crises para inúmeras famílias em quatro continentes.

Pedro de Vasconcelos é o gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. Em relação ao tema, ele destaca haver lições de décadas que continuam perfeitamente aplicáveis hoje.

Duas mulheres venezuelanas trabalham nos componentes internos de um computador em uma oficina, uma delas segurando um multímetro amarelo.
© OIM/Gema Cortes Fluxo de divisas de migrantes compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora de suas fronteiras

“Há outros países, nomeadamente o sul da Europa, onde as remessas nos anos 60, 70, 80, eram muito importantes e permitiram o crescimento económico ao nível das famílias, mas do país também. E aprendeu-se muito. Quando se fala de vincular estas remessas a produtos financeiros, estamos a falar de experiências vividas. Por exemplo, no caso de Portugal, chegavam as remessas e muitos imigrantes, claro, gostavam de construir casa ou de ajudar os familiares. E com as remessas conseguiu-se incluir de maneira financeira muitos dos receptores que não estavam incluídos no sistema financeiro formal. Isto são lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar.” 

Brasil como polo receptor

Entre os países lusófonos, o Brasil liderou o volume absoluto ao receber mais de US$ 4,75 bilhões em 2025, confirmando-se não apenas como um forte receptor global, mas também como um polo de acolhimento para a migração intrarregional na América do Sul.

Sobre a oportunidade de bancarização dessas famílias, Vasconcelos complementa:

“Para este poder oferecer serviços vinculados a remessas, quem recebe remessas de maneira frequente e não tem acesso a serviços financeiros, pois podia ficar a ter e poder criar poupança ou ter um crédito, criar um historial de crédito, por exemplo, para quem recebe remessas de maneira regular, o que pode fazer é poupar parte dessas remessas e se pode criar um historial de crédito. E isso com uma carteira digital, por exemplo, pode ser facilitado. Então, isto são todas lições do passado com tecnologia moderna que se pode adaptar e pode levar desde então a maximizar o esforço. Porque, no fim e ao cabo, se trata-se de um esforço tremendo que os imigrantes fazem para sustentar as famílias nos países de origem. E, outra vez, isto é uma realidade para a África, para todos os continentes e, claro, e para os países lusófonos.”

O peso real do dinheiro enviado pelos migrantes para casa revela-se com ainda nas pequenas economias insulares e em desenvolvimento. Em Cabo Verde, o total atinge a marca de 12% de todo o Produto Interno Bruto, PIB, nacional, figurando entre as taxas de dependência mais altas de todo o continente africano.

Timor-Leste e Guiné-Bissau seguem esse mesmo caminho de forte conexão externa, com as remessas correspondendo a 10% de suas economias, enquanto em São Tomé e Príncipe a fatia chega a 8% do PIB.

Total das exportações nacionais

Em Timor-Leste, os valores remetidos pela diáspora equivalem a 96% do valor total das exportações nacionais. Em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, essa proporção alcança 62%.

Os migrantes geram para essas nações um fluxo de divisas que compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora de suas fronteiras.

Ao longo da última década, o dinamismo desse movimento registrou saltos extraordinários. Angola é um caso que chama atenção em termos de aceleração, com a explosão de quase 1.200% no volume de remessas recebidas entre 2016 e 2025.

Trajetória de firme de expansão

São Tomé e Príncipe e Moçambique também viram seus fluxos mais do que triplicarem no mesmo período, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste registraram crescimentos superiores a 100%, e o Brasil e Cabo Verde mantiveram uma trajetória de firme de expansão, em torno de 60%.

Duas mãos segurando uma pilha de notas de vinte dólares dos EUA, simbolizando recursos financeiros e a questão global da corrupção, como destacou as Nações Unidas.
ONU News/Daniel Dickinson Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com remessas

No centro dessa teia de mobilidade global, Portugal desempenha um papel duplo e fundamental. O país é considerado um dinâmico cruzamento de caminhos e de livre circulação na Europa.

Renda das comunidades lusófonas 

Portugal está ancorado em corredores migratórios consolidados que ligam, por exemplo, trabalhadores portugueses à França e, ao mesmo tempo, serve de ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.

Barreiras e custos desiguais também marcam esse processo. Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias em torno de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano sofre com um custo médio de quase 23% por operação.

Para o Fida, o grande desafio atual é reduzir essas tarifas, pois cada ponto percentual economizado na taxa de envio faz uma diferença significativa na renda das comunidades lusófonas.


https://news.un.org/pt

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domingo, 13 de setembro de 2026

Congresso amplia debate sobre fronteira do Brasil com Guiana Francesa

 Jornalista Mônica Nascos ladeada por pesquisadores brasileiros durante XIII Congresso Brasileiro de História da Educação

Durante o XIII Congresso Brasileiro de História da Educação, recentemente, em Macapá, a jornalista Mônica Nascos apresentou a pesquisa ‘Defesa e segurança da fronteira franco-brasileira: processo de comunicação e cooperação policial’ com dados inéditos da Polícia Federal do Brasil e da Polícia de Fronteira da França.

O estudo abordou a migração na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, destacando o papel estratégico da região. Com 730,4 quilômetros de fronteira terrestre, o Amapá assume uma posição singular nas discussões sobre segurança pública, mobilidade internacional, cooperação policial e direitos humanos.

Um dos diferenciais foi a apresentação de dados oficiais inéditos. Na Ponte Binacional de Oiapoque, 95,41% das entradas no Brasil são de cidadãos franceses, enquanto no Porto Fluvial 53,83% das entradas no território brasileiro correspondem a migrantes cubanos, e 40,86% franceses – revelando dinâmicas migratórias distintas em uma mesma fronteira.

A pesquisa também apresentou dados da Polícia de Fronteira da França sobre os efeitos da liberação de vistos, entre 31 de julho e 31 de agosto de 2026, como o registro de 139 brasileiros entrando na Guiana Francesa, 55 retornando ao Brasil, além de dez veículos que ingressaram e quatro que deixaram o território francês, oferecendo um retrato inicial dos impactos da nova política na mobilidade regional.

Outro destaque foi a atuação do Centro de Cooperação Policial (CCP) de Saint-Georges, que reúne instituições de segurança dos dois países, com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Police Aux Frontières (PAF) e da Gendarmerie francesa. O centro representa um importante modelo de cooperação internacional para o compartilhamento de informações, prevenção e enfrentamento de crimes transfronteiriços.

Para a pesquisadora, participar do congresso foi uma oportunidade de ampliar o debate sobre uma das fronteiras mais estratégicas do país, levando a realidade amazônica e a importância do Amapá para o cenário acadêmico nacional.

https://www.diariodoamapa.com.br/

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sábado, 12 de setembro de 2026

Guineenses resgatados no Brasil em situação de escravidão

 Uma operação realizada pelo Governo brasileiro resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, em agosto, incluindo 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes, bem como 66 migrantes, alguns da Guiné-Bissau.


Os dados, agora divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, cita entre as vítimas 66 migrantes provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

A "Operação Resgate VI" contou com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que realizaram 231 ações fiscais.

A região sudeste do país concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 267 casos, dos quais 208 ocorreram em Minas Gerais e 58 em São Paulo.

Entre os casos está o de uma mulher de 51 anos na cidade de São Paulo, que vivia na residência da empregadora desde os 10 anos e trabalhou durante cerca de 40 anos sem registo formal ou pagamento regular de salários.

Ainda criança, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, "como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições" e a passar a ferro as roupas. 

Os auditores-fiscais também identificaram que a mesma mulher trabalhou numa clínica de um dos membros da família sem qualquer registo formal de emprego.

À lupa: Sabia que há milhões de escravos no mundo?

01:53

Explorados em Minas Gerais

No estado de Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda, na colheita de batata, sendo a maioria senegaleses e do Burkina Faso.

Os auditores-fiscais identificaram que as vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registo formal de trabalho, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições.

"Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho", cita o comunicado, sem adiantar detalhes sobre a situação dos guineenses.

O meio rural concentrou 57,5% das fiscalizações e 292 trabalhadores resgatados, enquanto as atividades urbanas representaram 36,5% das ações, com 178 resgates, e o trabalho doméstico teve nove trabalhadores resgatados.

Entre as atividades com mais trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão estão a construção em geral, com 85 resgatados, o cultivo de café, com 53, de cebola, com 47, e de batata, com 44.

Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e regularizar retroativamente os vínculos, além de pagar mais de 1,4 milhões de reais (cerca de 236,1 mil euros) em verbas salariais e rescisórias.

Segundo o Governo brasileiro, os trabalhadores receberam ainda o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.

https://www.dw.com/pt

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Migrantes no DF podem buscar apoio, capacitação e orientação para acessar serviços públicos

 

Diferentes serviços do GDF podem ser acessados por migrantes que procuram atendimento | Foto: Divulgação

Para quem chega a um novo país, conhecer os serviços disponíveis e encontrar caminhos para se integrar à comunidade pode ser um desafio. No Distrito Federal, migrantes podem buscar atendimento para receber orientação, apoio e encaminhamentos de acordo com suas necessidades.

Entre os serviços disponíveis estão apoio para integração social, orientações sobre acesso a direitos, capacitações e atividades voltadas à autonomia e inclusão. O atendimento também pode ajudar o migrante a identificar outros serviços públicos adequados à sua situação.

A capacitação é uma das frentes de atendimento e pode contribuir para ampliar oportunidades de inserção social e profissional. As atividades podem abordar temas relacionados a qualificação, cidadania, direitos e acesso a serviços.

Também é possível buscar orientação sobre documentação e regularização migratória. Nesses casos, o atendimento auxilia na identificação do serviço responsável e no encaminhamento adequado. 

Para facilitar o atendimento, é recomendado reunir os documentos disponíveis, mesmo que estejam vencidos, além de protocolos e comprovantes relacionados à situação migratória.

Serviço

► Apoio e orientação a migrantes
Telefone: (61) 2244-1232
e-mail: getpam@sejus.df.gov.br

► Regularização e documentação migratória
Telefone: (61) 2024-7402
e-mail: delemig.drex.srdf@pf.gov.br

► Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
Para registro migratório, é preciso agendamento.

https://agenciabrasilia.df.gov.br/

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

‘Brasil faz diferente de Trump’, diz ministro sobre imigrantes serem bem-vindos ao mercado de trabalho

 

Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, fala com jornalistas em Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Cumprindo agenda em nesta terça-feira (8), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o Brasil segue na contramão da política de extradição adotada pelo governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump.

O gestor disse que o mercado de trabalho brasileiro está ‘de braços abertos’ aos imigrantes.

“O Brasil costuma fazer diferente do presidente Trump, que está expulsando os imigrantes. Nós estamos de braços abertos para os imigrantes, estabelecendo todo o processo de qualificação e dialogando com as empresas sobre as contratações”, afirmou.

Segundo o 12º Relatório Anual do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais), o Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado. São cerca de 200 nacionalidades diferentes, representadas por indivíduos em todas as unidades da federação. 

Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos são os grupos em destaque. É estimada a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com maior participação de mulheres e crianças (0 a 14 anos).

Dados do Atlas dos Trabalhadores Migrantes no Brasil apontam que o número de vínculos formais de trabalhadores migrantes saltou de 43 mil, em 2002, para 272 mil, em 2023.

Apesar do crescimento, a inserção profissional ainda ocorre, em grande parte, em atividades marcadas por baixos salários e elevada rotatividade, segundo o Tribunal Superior do Trabalho.

Setores como construção civil, confecção e frigoríficos concentram essas contratações, e 71% dos trabalhadores migrantes formais recebem até dois salários mínimos.

O acesso à informação, segundo magistrados que atuam na Justiça do Trabalho, é um dos principais instrumentos para prevenir situações de exploração e violação de direitos.

https://midiamax.com.br/

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Onda de anti-imigração também chegou à América do Sul?



 Foto / X / @SubseInterior

Renan Rebello  

A retórica e as práticas migratórias do governo de Donald Trump encontraram eco em países como Argentina, Chile e Colômbia. Alinhados aos Estados Unidos, esses governos também adotaram uma postura de rigidez em relação aos imigrantes. A adaptação da atual política estadunidense ao cenário sul-americano reacende o debate sobre a integração regional.

Nesse sentido, Beatriz Bandeira de Mello, doutora em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em entrevista à Sputnik Brasil, aponta que esse tipo de posicionamento pode com o tempo corroer um dos pilares mais fortes entre os países sul-americanos, que é justamente a circulação de pessoas.

"Eu acho que corrói muito a nossa sociedade e não contribui em nada para a nossa região. Com esses tensionamentos, frações da sociedade que às vezes não têm essa percepção e enxergam [a imigração] como ameaça. Então, é muito perigoso a gente ir por esse caminho de criminalizar, de enrijecer as normas e tudo mais", disse.

A especialista pontua que a proximidade ideológica com Washington de líderes como Abelardo de la Espriella (Colômbia), Javier Milei (Argentina) e José Antonio Kast (Chile) fortalece a criminalização dos fluxos migratórios. Como reflexo dessa convergência política, a população venezuelana torna-se ainda mais vulnerável e exposta a abusos no continente.

"Assim como Kast, Abelardo de la Espriella também tem adotado uma retórica muito agressiva de criminalizar esses migrantes. Acontece que, à medida em que são eleitos esses governos mais alinhados com as diretrizes de governo Trump, começa-se a adotar essa retórica mais agressiva contra os migrantes, principalmente contra esses fluxos migratórios, tendo os venezuelanos como os bodes expiatórios", comenta.

Passageiros embarcam em avião da Aerolíneas Argentinas, no Aeroporto Jorge Newbery. Buenos Aires, 24 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2024

Discurso anti-imigração são feitos a partir de falácias

Outro ponto levantado por Bandeira de Mello é que a culpabilização de imigrantes para os problemas estruturais do país, também é seguida por ideias sobre aumento da criminalidade, que supostamente afetariam a economia interna.

"Os políticos alinhados com esse discurso de que os migrantes dizem que são um grande problema do desenvolvimento econômico, então que fechar fronteiras seria a solução [e essa ideia] vem associada à retórica de criminalização também, de que os imigrantes vêm cometer crimes, o que tem sido muito usado por Milei", destaca.

A analista internacional também pontua que Buenos Aires e Bogotá, ao dificultarem as regras de migração entre cidadãos do Mercosul e de seus estados associados, desrespeitam diretamente os acordos de integração no âmbito da América do Sul.

"Hoje a gente tem essa facilidade de poder transitar entre os países, principalmente no Mercosul e nos países associados. O que acontece é que os países, por exemplo, Argentina e Colômbia, que são os dois exemplos mais chaves, que têm falado mais sobre isso abertamente, eles têm tentado, digamos, 'burlar' essa regra", observa.

Washington anuncia o fim das operações de imigração do ICE em Minnesota - Sputnik Brasil, 1920, 30.04.2026

EUA como padrão a ser seguido é algo contraditório

Segundo a análise de Bandeira de Mello, é contraditória a postura anti-imigração dos EUA, visto que o país foi historicamente construído por fluxos migratórios. Essa dinâmica torna-se ainda mais complexa quando replicada por nações latino-americanas, que adotam diretrizes estadunidenses em detrimento de suas próprias realidades regionais.

"Eu acho que é muito perigoso a gente incorporar esses discursos enlatados dos EUA que, em si, foi um país formado por migrações, é extremamente contraditório. A gente não pode assumir esses discursos enlatados e acreditar que fechar fronteiras e infringir as nossas normas é a melhor saída para lidar com a questão migratória, que é muito central em toda a América Latina", conclui.

A influência dos EUA na América Latina vai além das pressões econômicas e militares. O alinhamento automático à Casa Branca faz governos locais replicarem diretrizes de Washington internamente. Contudo, ao adaptar essas estratégias, como na gestão migratória, essas nações agravam suas próprias crises humanitárias e institucionais.

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