sábado, 19 de setembro de 2026

STJ mantém decisão que libera deportação de imigrantes ilegais em Aeroporto de Guarulhos

 Por maioria de votos, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça decidiu manter a decisão que libera a deportação de imigrantes ilegais retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Rovena Rosa/Agência Brasil
Suspensão de liminar do STJ libera deportação de imigrantes retidos no aeroporto de Guarulhos

O julgamento foi concluído no Plenário virtual, nesta terça-feira (15/9) e tratou de uma decisão do então presidente, Herman Benjamin, em suspensão de liminar e sentença a pedido da União.

A decisão suspensa pelo STJ é uma liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que proibiu a deportação desses imigrantes sem que tenham a possibilidade de solicitar refúgio ou regularizar a sua situação migratória.

O pedido foi feito ao TRF-3 pela Defensoria Pública da União, em Habeas Corpus. A União, por sua vez, quer deportá-los pela suspeita de que utilizam o Brasil apenas como corredor de passagem para outros países.

A maioria da Corte Especial entendeu que a decisão do TRF-3 tinha potencial para causar lesão à ordem e à segurança públicas, requisitos para a suspensão de liminar e sentença. Assim, ela permanece suspensa até o trânsito em julgado do HC.

Votaram para confirmar a decisão do presidente os ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Mauro Campbell, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva.

Deportação liberada

Ao suspender a liminar em Habeas Corpus do TRF-3, o ministro Herman Benjamin considerou informações de investigação da Polícia Federal que indicam a possibilidade de o Brasil ser usado como passagem para o tráfico de pessoas.

Os imigrantes retidos na área internacional do aeroporto de Guarulhos compraram passagens cujo destino final não é o Brasil, mas decidiram não cumprir o itinerário no momento da conexão em solo brasileiro.

A suspeita é de que seriam direcionados para uma rota que parte da cidade paulista e chega até o Acre, para de lá seguir viagem rumo à América Central até os Estados Unidos.

Segundo o relator, é caso do “emprego do generoso sistema normativo brasileiro como estímulo ao tráfico internacional de pessoas e, indiretamente, prestígio à atuação do crime organizado e de ‘coiotes'”.

A decisão do TRF-3 também impacta a ordem pública porque o aeroporto não tem condições de estalagem e de serviços para manter imigrantes cujas condições de saúde e antecedentes, inclusive criminais, se desconhecem.

Em voto-vista, o ministro Benedito Gonçalves citou informação da PF de que, de 8,3 mil requerimentos de refúgio feitos entre 2023 e 2024, apenas 117 pessoas buscaram obter o Registro Nacional Migratório e 262 pessoas solicitaram o CPF.

Além disso, no exame de 1.391 pedidos de refúgio, todos saíram do país em menos de 30 dias e 1.090 passaram pela fronteira de Assis do Brasil (AC). O ministro citou ainda possível efeito multiplicador de decisões como as do TRF-3.

Decisão abusiva

Abriu a divergência ainda em sessão presencial e ficou vencido o ministro Og Fernandes, acompanhador por Sebastião Reis Júnior. Para eles, a suspensão feita pelo STJ é abusiva e não deve ser mantida.

Isso porque trata-se de questão que, por sua complexidade, demanda apreciação individualizada. Além disso, cria uma situação de prejuízo em cima de uma decisão tomada em Habeas Corpus.

“Confesso que, em 17 anos de tribunal e uma década de Corte Especial, jamais vi uma decisão tão significativa no âmbito da violação de direitos humanos e do direito ao refúgio e asilo no país”, disse Og Fernandes.

Para ele, a suspensão da liminar em HC não pode resultar, ainda que indiretamente, em um gravame à liberdade de locomoção de pessoas que sequer eram alcançadas pela decisão original do TRF-3.

“Eventuais abusos no uso da legislação migratória devem ser combatidos casuisticamente e não por meio da presente medida excepcional de contracautela.”

https://conjur.com.br/

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rede Clamor Brasil 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

 

Tema: “Mesmo uma só destas crianças” (Mt 18,5) O Papa Leão XIV dedica esta Jornada às crianças e adolescentes migrantes e refugiados, convidando toda a Igreja e a sociedade a colocarem sua dignidade e proteção no centro de nossas ações.

Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, somos convidados a olhar com os olhos do Evangelho para os milhões de pessoas que deixam sua terra em busca de segurança, paz e esperança. De modo especial, o Papa Leão XIV dirige nosso coração às crianças migrantes e refugiadas, lembrando-nos que “Mesmo uma só destas crianças” basta para despertar nossa responsabilidade e nosso compromisso cristão.

Cada criança carrega uma história, uma família, sonhos e uma dignidade infinita. Não são números nem estatísticas, mas vidas que pedem acolhida, proteção, educação e oportunidades para crescer em segurança. A comunidade cristã é chamada a ser sinal vivo do amor de Deus, abrindo portas, construindo pontes e promovendo a integração de todos os que chegam.

Que Nossa Senhora, que também conheceu o exílio com a Sagrada Família, acompanhe os passos dos migrantes e refugiados e inspire nossas comunidades a serem casas de fraternidade, solidariedade e paz.

A missa será celebrada pelo Cardeal de São Paulo Dom Odilo Pedro Scherer

Após a missa haverá evento cultural com músicas, danças das comunidades migrantes e Forró.

    Igreja Nossa Senhora da Paz

    Dia 27 setembro 2026

     Horário 11h.

     Rua Glicério 225    Liberdade


Programação :

09:00hs- Concentração Praça da Sé

09:50hs- Procissão até a Igreja Nossa Senhora da Paz , pela rua Conde de Sarzedas

11:00 Celebração da Missa Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

12:30hs Almoço e Tarde Cultural

 

                         Rede Clamor São Paulo

                Arsenal da Esperança; Caemi- Parlotinas

                Caritas Arquidiocesana de São Paulo

                Casa do Migrante Terra Nova III São Paulo /Spm

                Grupo de Migrantes Urbanos /Spm

                CIM- Centro de Integração de Migrantes

                Missão Paz Scalabrinianos ; Missão Scalabriniana – Cambuci

                Casa de Assis -Sefras; Serviço Pastoral do Migrante

               JUVES Juventude Scalabriniana


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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Volume de dinheiro enviado por imigrantes para países de origem sobe 94% em uma década

 

Quase a metade do montante calculado pela ONU foi enviado para Índia, México, Filipinas, Egito e Paquistão. A América Latina e o Caribe tiveram um crescimento acelerado: 132% mais envios em uma década, especialmente em Honduras, El Salvador e Nicarágua, onde esses recursos representam até 30% do PIB Nacional. Crédito: EPA

Segundo a ONU, os imigrantes enviaram cerca de US$ 728 bilhões para as famílias em países de renda baixa e média no ano passado. Na América Latina, o crescimento mais que dobrou, 132%. O Brasil também teve aumento expressivo, mas abaixo da média.


Quase dobrou a quantidade de dinheiro enviada por trabalhadores imigrantes, em diferentes países, para suas próprias famílias ao longo de uma década. Os detalhes dessa mudança foram divulgados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, agência da ONU.


Os imigrantes enviaram cerca de US$ 728 bilhões para as famílias em países de renda baixa e média no ano passado. Um aumento de 94% em dez anos. Esse grande aumento contrasta com o crescimento do número de imigrantes, 28% a mais no mesmo período.


Em todo o mundo, cerca de 220 milhões de pessoas – a maior população do Brasil – ajudam no sustento de mais de um bilhão de parentes. Em média, as transferências individuais variam entre US$ 300 e US$ 400, feitas de nove a dez vezes por ano.


Para se ter ideia, a quantidade de dinheiro enviado pelos imigrantes foi quatro vezes maior que o financiamento feito pelos governos dos países ricos para apoiar o crescimento econômico das nações mais pobres.


Cerca de 75% dos recursos são para despesas imediatas, como alimentação e moradia. O restante, para saúde, estudos, poupança e abertura de pequenos negócios.

América Latina.

Quase a metade foi enviada para Índia, México, Filipinas, Egito e Paquistão. Mas a América Latina e o Caribe tiveram um crescimento acelerado: 132% mais envios em uma década. Especialmente em Honduras, El Salvador e Nicarágua, onde esses recursos representam até 30% do PIB Nacional.

Brasil.

No caso do Brasil, em 2025, o país recebeu remessas de US$ 4,7 bilhões, um crescimento de 74% em relação a 2016. Mas, ao contrário dos países da América Central, isso representa menos de 0,5% do PIB.

Só que a previsão mundial seja aumentada. Até 2030, os países mais pobres investiram US$ 3,6 trilhões enviados por trabalhadores no exterior.

O relatório cita ainda o Pix, como exemplo de infraestrutura pública bem-sucedida nesse processo, já que a tecnologia encurta o caminho para o dinheiro chegar às mãos das famílias.


https://www.sbs.com.au/


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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Como as remessas de migrantes unem o mundo lusófono

 

© IFAD/Délmer Membreño/Factstory As remessas reduzem a pobreza e aumentam as oportunidades.

A ONU lançou nesta segunda-feira o relatório Enviando Dinheiro para Casa, em tradução livre. O estudo global revela que remessas quase dobraram em uma década, atingindo US$ 729 bilhões em 2025.

O estudo do Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com remessas, conectando uma em cada seis pessoas no mundo.

Crescimento econômico ao nível das famílias

A análise traz à tona um retrato das transferências representando o que se considera uma espinha dorsal do bem-estar, abarcando desde o acesso à educação até a capacidade de superação de crises para inúmeras famílias em quatro continentes.

Pedro de Vasconcelos é o gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. Em relação ao tema, ele destaca haver lições de décadas que continuam perfeitamente aplicáveis hoje.

Duas mulheres venezuelanas trabalham nos componentes internos de um computador em uma oficina, uma delas segurando um multímetro amarelo.
© OIM/Gema Cortes Fluxo de divisas de migrantes compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora de suas fronteiras

“Há outros países, nomeadamente o sul da Europa, onde as remessas nos anos 60, 70, 80, eram muito importantes e permitiram o crescimento económico ao nível das famílias, mas do país também. E aprendeu-se muito. Quando se fala de vincular estas remessas a produtos financeiros, estamos a falar de experiências vividas. Por exemplo, no caso de Portugal, chegavam as remessas e muitos imigrantes, claro, gostavam de construir casa ou de ajudar os familiares. E com as remessas conseguiu-se incluir de maneira financeira muitos dos receptores que não estavam incluídos no sistema financeiro formal. Isto são lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar.” 

Brasil como polo receptor

Entre os países lusófonos, o Brasil liderou o volume absoluto ao receber mais de US$ 4,75 bilhões em 2025, confirmando-se não apenas como um forte receptor global, mas também como um polo de acolhimento para a migração intrarregional na América do Sul.

Sobre a oportunidade de bancarização dessas famílias, Vasconcelos complementa:

“Para este poder oferecer serviços vinculados a remessas, quem recebe remessas de maneira frequente e não tem acesso a serviços financeiros, pois podia ficar a ter e poder criar poupança ou ter um crédito, criar um historial de crédito, por exemplo, para quem recebe remessas de maneira regular, o que pode fazer é poupar parte dessas remessas e se pode criar um historial de crédito. E isso com uma carteira digital, por exemplo, pode ser facilitado. Então, isto são todas lições do passado com tecnologia moderna que se pode adaptar e pode levar desde então a maximizar o esforço. Porque, no fim e ao cabo, se trata-se de um esforço tremendo que os imigrantes fazem para sustentar as famílias nos países de origem. E, outra vez, isto é uma realidade para a África, para todos os continentes e, claro, e para os países lusófonos.”

O peso real do dinheiro enviado pelos migrantes para casa revela-se com ainda nas pequenas economias insulares e em desenvolvimento. Em Cabo Verde, o total atinge a marca de 12% de todo o Produto Interno Bruto, PIB, nacional, figurando entre as taxas de dependência mais altas de todo o continente africano.

Timor-Leste e Guiné-Bissau seguem esse mesmo caminho de forte conexão externa, com as remessas correspondendo a 10% de suas economias, enquanto em São Tomé e Príncipe a fatia chega a 8% do PIB.

Total das exportações nacionais

Em Timor-Leste, os valores remetidos pela diáspora equivalem a 96% do valor total das exportações nacionais. Em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, essa proporção alcança 62%.

Os migrantes geram para essas nações um fluxo de divisas que compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora de suas fronteiras.

Ao longo da última década, o dinamismo desse movimento registrou saltos extraordinários. Angola é um caso que chama atenção em termos de aceleração, com a explosão de quase 1.200% no volume de remessas recebidas entre 2016 e 2025.

Trajetória de firme de expansão

São Tomé e Príncipe e Moçambique também viram seus fluxos mais do que triplicarem no mesmo período, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste registraram crescimentos superiores a 100%, e o Brasil e Cabo Verde mantiveram uma trajetória de firme de expansão, em torno de 60%.

Duas mãos segurando uma pilha de notas de vinte dólares dos EUA, simbolizando recursos financeiros e a questão global da corrupção, como destacou as Nações Unidas.
ONU News/Daniel Dickinson Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com remessas

No centro dessa teia de mobilidade global, Portugal desempenha um papel duplo e fundamental. O país é considerado um dinâmico cruzamento de caminhos e de livre circulação na Europa.

Renda das comunidades lusófonas 

Portugal está ancorado em corredores migratórios consolidados que ligam, por exemplo, trabalhadores portugueses à França e, ao mesmo tempo, serve de ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.

Barreiras e custos desiguais também marcam esse processo. Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias em torno de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano sofre com um custo médio de quase 23% por operação.

Para o Fida, o grande desafio atual é reduzir essas tarifas, pois cada ponto percentual economizado na taxa de envio faz uma diferença significativa na renda das comunidades lusófonas.


https://news.un.org/pt

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domingo, 13 de setembro de 2026

Congresso amplia debate sobre fronteira do Brasil com Guiana Francesa

 Jornalista Mônica Nascos ladeada por pesquisadores brasileiros durante XIII Congresso Brasileiro de História da Educação

Durante o XIII Congresso Brasileiro de História da Educação, recentemente, em Macapá, a jornalista Mônica Nascos apresentou a pesquisa ‘Defesa e segurança da fronteira franco-brasileira: processo de comunicação e cooperação policial’ com dados inéditos da Polícia Federal do Brasil e da Polícia de Fronteira da França.

O estudo abordou a migração na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, destacando o papel estratégico da região. Com 730,4 quilômetros de fronteira terrestre, o Amapá assume uma posição singular nas discussões sobre segurança pública, mobilidade internacional, cooperação policial e direitos humanos.

Um dos diferenciais foi a apresentação de dados oficiais inéditos. Na Ponte Binacional de Oiapoque, 95,41% das entradas no Brasil são de cidadãos franceses, enquanto no Porto Fluvial 53,83% das entradas no território brasileiro correspondem a migrantes cubanos, e 40,86% franceses – revelando dinâmicas migratórias distintas em uma mesma fronteira.

A pesquisa também apresentou dados da Polícia de Fronteira da França sobre os efeitos da liberação de vistos, entre 31 de julho e 31 de agosto de 2026, como o registro de 139 brasileiros entrando na Guiana Francesa, 55 retornando ao Brasil, além de dez veículos que ingressaram e quatro que deixaram o território francês, oferecendo um retrato inicial dos impactos da nova política na mobilidade regional.

Outro destaque foi a atuação do Centro de Cooperação Policial (CCP) de Saint-Georges, que reúne instituições de segurança dos dois países, com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Police Aux Frontières (PAF) e da Gendarmerie francesa. O centro representa um importante modelo de cooperação internacional para o compartilhamento de informações, prevenção e enfrentamento de crimes transfronteiriços.

Para a pesquisadora, participar do congresso foi uma oportunidade de ampliar o debate sobre uma das fronteiras mais estratégicas do país, levando a realidade amazônica e a importância do Amapá para o cenário acadêmico nacional.

https://www.diariodoamapa.com.br/

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sábado, 12 de setembro de 2026

Guineenses resgatados no Brasil em situação de escravidão

 Uma operação realizada pelo Governo brasileiro resgatou 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, em agosto, incluindo 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes, bem como 66 migrantes, alguns da Guiné-Bissau.


Os dados, agora divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, cita entre as vítimas 66 migrantes provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

A "Operação Resgate VI" contou com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho (MPT), que realizaram 231 ações fiscais.

A região sudeste do país concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 267 casos, dos quais 208 ocorreram em Minas Gerais e 58 em São Paulo.

Entre os casos está o de uma mulher de 51 anos na cidade de São Paulo, que vivia na residência da empregadora desde os 10 anos e trabalhou durante cerca de 40 anos sem registo formal ou pagamento regular de salários.

Ainda criança, passou a ser responsável por todos os afazeres domésticos da casa, "como lavagem de quintal e louça e arrumação do imóvel, e por cuidar da família da empregadora, incluindo o preparo de refeições" e a passar a ferro as roupas. 

Os auditores-fiscais também identificaram que a mesma mulher trabalhou numa clínica de um dos membros da família sem qualquer registo formal de emprego.

À lupa: Sabia que há milhões de escravos no mundo?

01:53

Explorados em Minas Gerais

No estado de Minas Gerais, trabalhadores foram resgatados de condições análogas a escravidão numa fazenda, na colheita de batata, sendo a maioria senegaleses e do Burkina Faso.

Os auditores-fiscais identificaram que as vítimas trabalhavam na colheita manual de batatas sem registo formal de trabalho, sem acesso a instalações sanitárias, água potável, equipamentos de proteção individual e local adequado para refeições.

"Também foram identificadas irregularidades relacionadas à jornada de trabalho, transporte dos trabalhadores e às condições gerais de saúde e segurança do trabalho", cita o comunicado, sem adiantar detalhes sobre a situação dos guineenses.

O meio rural concentrou 57,5% das fiscalizações e 292 trabalhadores resgatados, enquanto as atividades urbanas representaram 36,5% das ações, com 178 resgates, e o trabalho doméstico teve nove trabalhadores resgatados.

Entre as atividades com mais trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão estão a construção em geral, com 85 resgatados, o cultivo de café, com 53, de cebola, com 47, e de batata, com 44.

Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e regularizar retroativamente os vínculos, além de pagar mais de 1,4 milhões de reais (cerca de 236,1 mil euros) em verbas salariais e rescisórias.

Segundo o Governo brasileiro, os trabalhadores receberam ainda o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.

https://www.dw.com/pt

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Migrantes no DF podem buscar apoio, capacitação e orientação para acessar serviços públicos

 

Diferentes serviços do GDF podem ser acessados por migrantes que procuram atendimento | Foto: Divulgação

Para quem chega a um novo país, conhecer os serviços disponíveis e encontrar caminhos para se integrar à comunidade pode ser um desafio. No Distrito Federal, migrantes podem buscar atendimento para receber orientação, apoio e encaminhamentos de acordo com suas necessidades.

Entre os serviços disponíveis estão apoio para integração social, orientações sobre acesso a direitos, capacitações e atividades voltadas à autonomia e inclusão. O atendimento também pode ajudar o migrante a identificar outros serviços públicos adequados à sua situação.

A capacitação é uma das frentes de atendimento e pode contribuir para ampliar oportunidades de inserção social e profissional. As atividades podem abordar temas relacionados a qualificação, cidadania, direitos e acesso a serviços.

Também é possível buscar orientação sobre documentação e regularização migratória. Nesses casos, o atendimento auxilia na identificação do serviço responsável e no encaminhamento adequado. 

Para facilitar o atendimento, é recomendado reunir os documentos disponíveis, mesmo que estejam vencidos, além de protocolos e comprovantes relacionados à situação migratória.

Serviço

► Apoio e orientação a migrantes
Telefone: (61) 2244-1232
e-mail: getpam@sejus.df.gov.br

► Regularização e documentação migratória
Telefone: (61) 2024-7402
e-mail: delemig.drex.srdf@pf.gov.br

► Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
Para registro migratório, é preciso agendamento.

https://agenciabrasilia.df.gov.br/

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

‘Brasil faz diferente de Trump’, diz ministro sobre imigrantes serem bem-vindos ao mercado de trabalho

 

Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, fala com jornalistas em Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Cumprindo agenda em nesta terça-feira (8), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o Brasil segue na contramão da política de extradição adotada pelo governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump.

O gestor disse que o mercado de trabalho brasileiro está ‘de braços abertos’ aos imigrantes.

“O Brasil costuma fazer diferente do presidente Trump, que está expulsando os imigrantes. Nós estamos de braços abertos para os imigrantes, estabelecendo todo o processo de qualificação e dialogando com as empresas sobre as contratações”, afirmou.

Segundo o 12º Relatório Anual do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais), o Brasil abriga mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado. São cerca de 200 nacionalidades diferentes, representadas por indivíduos em todas as unidades da federação. 

Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos são os grupos em destaque. É estimada a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com maior participação de mulheres e crianças (0 a 14 anos).

Dados do Atlas dos Trabalhadores Migrantes no Brasil apontam que o número de vínculos formais de trabalhadores migrantes saltou de 43 mil, em 2002, para 272 mil, em 2023.

Apesar do crescimento, a inserção profissional ainda ocorre, em grande parte, em atividades marcadas por baixos salários e elevada rotatividade, segundo o Tribunal Superior do Trabalho.

Setores como construção civil, confecção e frigoríficos concentram essas contratações, e 71% dos trabalhadores migrantes formais recebem até dois salários mínimos.

O acesso à informação, segundo magistrados que atuam na Justiça do Trabalho, é um dos principais instrumentos para prevenir situações de exploração e violação de direitos.

https://midiamax.com.br/

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