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Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola webradiomigrantes.www.radiomigrantes.net

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

43 países da Copa do Mundo dentro das escolas estaduais: SP tem 5.366 estudantes que nasceram em países com times no mundial

 


Dos 48 países com times na Copa do Mundo do Canadá, Estados Unidos e México, a rede estadual de ensino concentra 5.366 estudantes nascidos em 43 deles — incluindo o Brasil. A partir deste mês, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disponibiliza na plataforma SPeak aulas de língua portuguesa para alunos migrantes internacionais. O curso ficará disponível automaticamente para 13 mil estudantes nascidos fora do Brasil.

Entre os países com times na Copa, na rede estadual só não há estudantes nascidos em Curaçao, Noruega, Uzbequistão, República Tcheca e Suécia. Dos países que o Brasil enfrenta na primeira fase do mundial, há 2.465 haitianos (a maioria entre os 5.366 alunos) e 76 marroquinos. (Confira abaixo a tabela com o número de estrangeiros por país da Copa).

Na Escola Estadual Plínio Barreto, localizada no Belenzinho, zona leste da capital paulista, há estudantes de quatro nacionalidades representadas no mundial, duas delas que enfrentam o Brasil na primeira fase da Copa do Mundo, Marrocos e Haiti. Japão e Paraguai completam os países de origem dos alunos da escola. 

O estudante marroquino Billy Elhoraichi, de 17 anos de idade, chegou a São Paulo em abril de 2024. Hoje matriculado na 3ª série do Ensino Médio, ele já tem planos para o futuro: “Quero ser um anestesista porque acho que é uma profissão muito legal. Tenho bons professores, que me ajudam nas aulas, mas nossos sonhos dependem da gente mesmo”.

Sobre a torcida durante a Copa do Mundo, apesar da mudança de país, o time do coração continua o mesmo. “Na Copa, vou torcer para o Marrocos, porque mesmo mudando de país, não significa que vou mudar a minha identidade e a minha nacionalidade. Sou marroquino e tenho orgulho disso”, diz o estudante, que palpita que seu país vencerá o Brasil por 2 a 1 no próximo sábado (13), na estreia dos dois países pela Copa do Mundo.

Enquanto o aluno marroquino mantém a torcida para o time de seu país de origem, Samantha Airi Umeki, japonesa de 13 anos de idade, e Gabriel Garay Aguayo, paraguaio de 15 anos de idade, declaram sua torcida para o Brasil. Moises Daniel, haitiano de 12 anos de idade, tem em Vini Jr. seu ogador preferido no time brasileiro e diz que só não vai torcer para o Brasil em uma disputa, a marcada para o dia 19 de junho: “No jogo entre Brasil e Haiti, vou torcer para o Haiti”.

Os alunos Gabriel, Billy, Samantha e Moises, da EE Plínio Barreto, em SP. Foto: Flavio Florido/EducaçãoSP

Língua portuguesa para migrantes internacionais

Mais de 1,5 milhão de estudantes da rede estadual de ensino matriculados do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio acessam a plataforma SPeak para estudo complementar de língua inglesa. A ferramenta de aprendizagem apoia os estudantes no desenvolvimento de leitura, escrita, escuta e conversação. A partir deste mês, os estudantes estrangeiros matriculados nos mesmos anos também terão a opção do curso de língua portuguesa na mesma plataforma.

A plataforma disponibiliza automaticamente o curso para alunos migrantes internacionais. Para dar início às aulas, basta que os estudantes alternem o idioma em seu perfil, dentro do ambiente de aprendizagem — inglês continuará disponível, basta alternar na hora da aula. Professores coordenadores da área de linguagens das 91 Unidades Regionais de Ensino (UREs) passaram por formação sobre o assunto e são os responsáveis por replicar as orientações para as escolas estaduais que recebem esses alunos. 

https://www.educacao.sp.gov.br/

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Semana do Migrante e Refugiado terá feira de economia criativa e empreendedorismo



 A Prefeitura de Porto Alegre promove, de 18 a 25 de junho, atividades alusivas à Semana do Migrante e Refugiado, com objetivo de garantir a integração entre diferentes culturas, através do esporte, inclusão, cidadania, direitos humanos e empreendedorismo.

O primeiro evento será um debate que ocorre nesta quinta-feira, 18, às 19h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa (Praça Mal. Deodoro, 101 - 3º andar), sobre desafios e oportunidades no mercado de trabalho para migrantes, que hoje são mais de 30 mil residindo em Porto Alegre.

Já no domingo, 21, ocorre a Feira de Economia Criativa do Migrante e Refugiado, no Parque Marinha do Brasil. Na segunda-feira, 25, o Sine Municipal realiza um feirão de empregos específico para este público. Mais informações abaixo: 

Programação:

Quinta-feira, 18 -
Debate sobre o mercado de trabalho (Plenarinho da Assembleia Legislativa)

Domingo, 21- Feira de Economia Criativa do Migrante e Refugiado, com o tema: “Cultura, Esporte e Empreendedorismo”, das 10h às 19h, no Parque Marinha do Brasil (em frente ao Shopping Praia de Belas). Entre as atrações previstas, danças típicas, gastronomia internacional, artesanato de diferentes países, apresentações culturais, atividades esportivas com kickingball e espaço kids.

Segunda-feira, 25 - Feirão de Emprego para Migrantes e Refugiados, das 9h às 16h, no Sine Municipal (rua Uruguai, 83, Centro Histórico). Oportunidade para quem busca inserção no mercado de trabalho, orientação profissional, qualificação e conexão com empresas.

A Semana do Migrante e Refugiado é uma realização da Secretaria Municipal de Inclusão e Desenvolvimento Humano (SMIDH), por meio da Coordenação dos Povos Indígenas, Imigrantes, Refugiados e Direitos Difusos, em parceria com a OIM - ONU Migração e Comitê Municipal de Atenção aos Imigrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas no Município de Porto Alegre (Comirat/POA).

As atividades integram a programação oficial da 7ª Semana Estadual do Migrante, com o tema: “Todos Somos Migrantes, Refugiados e Apátridas”, promovida pelo Governo do RS e o Comirat/RS.

Texto Mariane Kruse 

Edicão Cristiano Vieira 

https://prefeitura.poa.br/

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domingo, 14 de junho de 2026

41ª Semana do Migrante aborda tema da moradia, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026

 

Entre os dias 14 e 21 de junho de 2026, comunidades de todo o país realizarão a 41ª Semana do Migrante. Promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a edição deste ano traz como tema “Migração e Moradia” e o lema impactante “Eu não tenho onde morar!”.

A mobilização está em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, que aborda a “Fraternidade e Moradia”. O objetivo é convidar a Igreja e a sociedade civil a refletirem sobre a habitação não apenas como uma necessidade, mas como um direito fundamental e uma expressão concreta de acolhida. A iniciativa reforça o convite para que a sociedade brasileira veja a moradia não como mercadoria, mas como um direito humano frequentemente negado por estruturas de exclusão.

O SPM chama a atenção para a vulnerabilidade de migrantes, refugiados, apátridas e deslocados que, ao buscarem recomeçar a vida em novas cidades, encontram barreiras no acesso a condições dignas de habitação. O texto-base deste ano destaca um contraste crítico: o país enfrenta um déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias, conforme levantamento da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades e o IBGE. A campanha estabelece um paralelo entre essa realidade e as Escrituras, recordando que o clamor “Eu não tenho onde morar!” ecoa desde o povo escravizado no Egito e os exilados na Babilônia até a figura de Jesus, que “não tinha onde reclinar a cabeça”.

De acordo com a análise de Ozania da Silva, da coordenação colegiada do SPM, a precariedade habitacional não é um problema isolado, mas o eixo central de um ciclo de exclusão que afeta a sobrevivência e a dignidade humana.

“A incerteza habitacional gera estresse, o que pode agravar problemas de saúde mental e emocional, violência baseada em gênero e a separação de núcleos familiares. Os refugiados frequentemente vivem em coabitação extrema ou moradias inadequadas, compartilhando o mesmo espaço com muitas pessoas, o que compromete a dignidade humana”, afirmou Ozania.

A pastoral aponta que o cenário de déficit habitacional é agravado pelo ônus excessivo com o aluguel, que atinge sobretudo as famílias empobrecidas. Isso força a maioria dos migrantes e refugiados a comprometer a maior parte de sua renda apenas para não viver nas ruas. Como consequência, essa população é empurrada para as periferias ou ocupações precárias, perpetuando uma lógica de mercado que prioriza o lucro sobre a vida.

 

Mobilização e materiais de apoio

A 41ª Semana do Migrante propõe uma programação diversa, que abrange desde celebrações litúrgicas até ações de incidência política. O SPM incentiva a realização de rodas de conversa baseadas no método “ver, discernir e agir”, momentos culturais e audiências públicas para ampliar o debate sobre direitos humanos e o combate à xenofobia e ao racismo.

Para apoiar a mobilização, o SPM disponibiliza materiais de formação, incluindo o texto-base, roteiros para rodas de conversa e um roteiro litúrgico para o Dia Nacional do Migrante, celebrado este ano em 21 de junho. O material conta com sugestões de preces, homilias e espaço para depoimentos de pessoas migrantes. Todos os recursos estão disponíveis em formato digital para download.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR OS MATERIAIS DA 41ª SEMANA DO MIGRANTE

 

Papa Leão ressalta dignidade de migrantes

Durante sua viagem a Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, o Papa Leão XIV destacou e inclinou-se diante da dignidade dos migrantes atendidos pelas organizações da região. Para o pontífice, eles não são números nem processos administrativos, mas “pessoas com uma família e uma casa deixada para trás; com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”.

Leão também destacou a proteção das vidas dos migrantes: “cada vida humana é uma bênção de Deus. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la, porque em cada pessoa resplandece a imagem e semelhança do Criador (cf. Gn 1, 27)”.

Em seu discurso, ele também alertou que o drama dos migrantes, especialmente os que se arriscam no mar em embarcações precárias, deve se tornar um exame de consciência:

“[…] para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para as nações de passagem, chamadas a proteger e a não deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional, chamada a uma cooperação eficaz e perseverante.

Também a Igreja é interpelada, uma vez que o acolhimento não pode ser algo secundário ou delegado a alguns voluntários. Segundo o Papa, a adoração a Cristo na Eucaristia, “de quem recebemos a força e a motivação para viver a caridade”, não pode se tornar indiferença às canoas e as pequenas embarcações.

Além das ações em favor dos migrantes que buscam uma vida melhor em outros lugares, o Papa salientou que a dignidade humana também exige “políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na própria terra”.

https://www.cnbb.org.br/

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sábado, 13 de junho de 2026

Mais de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio em Roraima nos últimos quatro meses

Ação conjunta de 11 de junho entre o Tático Ostensivo Rodoviário, a Polícia Rodoviária Federal e o Exército Brasileiro para o resgate humanitário dos imigrantes até a Operação Acolhida (Foto: PRF)
 

Mais  de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio ao Brasil por Roraima entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e da Polícia Federal. Com 7.687 solicitações registradas no período, os cubanos lideram os pedidos de proteção internacional no Estado e superam os venezuelanos, que somaram 3.017 requerimentos nos quatro primeiros meses do ano.

Os números reforçam uma mudança no perfil migratório observado em Roraima, historicamente marcado pela chegada de venezuelanos. Em 2025, os cubanos já haviam ultrapassado os vizinhos sul-americanos nos pedidos de refúgio: foram 20.861 solicitações de cidadãos de Cuba, frente a 14.898 de venezuelanos.

Crise econômica e climática impulsiona saída de cubanos

Para a socióloga e professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Márcia Maria de Oliveira, o aumento da presença de cubanos na rota migratória que passa pela Guiana e chega a Roraima está ligado a uma combinação de fatores econômicos, climáticos e políticos.

Segundo ela, a situação econômica de Cuba se agravou nos últimos anos em razão da crise nas principais atividades produtivas do país, como a agricultura, além dos impactos causados por eventos climáticos extremos.

“A situação econômica de Cuba está muito grave. Além disso, um outro elemento importante é a crise climática, que tem sido decisiva na obrigação de migrar de camponeses e trabalhadores das principais economias de sustentação e exportação do país. A ilha vem sendo devastada por seguidos ciclones que destroem a infraestrutura da produção agrícola e pelas secas prolongadas ou cheias irregulares”, explicou.

A pesquisadora também cita os efeitos do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, que além de restrições financeiras e comerciais que acontecem há quase 60 anos, aplicou sanções para venda de petróleo e combustível para Cuba neste ano.

Conforme dados das Nações Unidas, ações resultaram em esgotamento do sistema energético com interrupções diárias de mais de 20 horas no fornecimento de eletricidade, além de afetar a produção de alimentos e o abastecimento
de medicamentos
. “Todos estes fatores empurram a população para a migração”, resumiu a professora.

Rota pela Guiana se consolidou nos últimos anos

O fluxo de cubanos por Roraima não é novo. Márcia Maria lembra que muitos médicos e professores da UFRR, por exemplo, são migrantes cubanos que participaram de antigos convênios entre a instituição e o Governo Cubano na década de 1990.

Apesar disso, a rota entre Cuba, Guiana e Brasil começou a ganhar força entre 2018 e 2019 e se consolidou como uma alternativa utilizada por migrantes.

Segundo a professora, muitos cubanos viajam de avião até Georgetown, capital da Guiana, país que não exige visto para cidadãos cubanos. A partir dali, seguem por via terrestre até a fronteira brasileira.

Ela explica que muitos migrantes solicitam refúgio no Brasil e, posteriormente, tentam programas de reassentamento em países como Espanha, Estados Unidos e Canadá.

“A rota aérea de Cuba para a Guiana e depois por via terrestre até Roraima consolidou-se como um dos principais e mais caros corredores de migração irregular e tráfico de pessoas na América do Sul”, afirmou.

Conforme relatos reunidos pela pesquisadora, os valores cobrados pelos atravessadores variam entre US$ 2.800 e US$ 10 mil, podendo chegar a US$ 15 mil (mais de 75 mil reais na cotação atual) em alguns casos.

Vulnerabilidades

A especialista alerta que os principais riscos da viagem estão relacionados à atuação de redes clandestinas de transporte, mais conhecidos como coiotes, e ao tráfico de pessoas. “Os migrantes conduzidos por coiotes sofrem todo tipo de violência, extorsão e riscos à própria vida”, afirmou.

Segundo ela, há registros de abusos físicos, sequestros, abandono em áreas isoladas e exploração financeira ao longo do trajeto. A pesquisadora também destaca que muitos cubanos têm acesso limitado a informações sobre os riscos da migração irregular, o que aumenta sua vulnerabilidade.

Abordagens se concentram na BR-401

As rotas clandestinas de transporte de migrantes já vinham sendo monitorada pela PRF. Balanço da corporação aponta que, entre 2024 e maio de 2026, 189 imigrantes foram alvo de resgate humanitário em 24 abordagens flagrantes. No mesmo intervalo, 31 suspeitos de atuarem como “coiotes” foram presos, entre eles brasileiros.

Um levantamento feito pela reportagem da Folha detalha ainda que no último mês, de 17 de maio a 11 de junho, pelo menos 240 imigrantes em situação de documentação irregular foram abordados em operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro e Polícia Militar de Roraima. Desse total, 191 eram cubanos, o equivalente a cerca de 97% dos casos registrados.

A ocorrência com o maior número de migrantes foi registrada pela PRF na última segunda-feira (8), quando 108 cubanos foram abordados na BR-401. Antes disso, em 4 de junho, outros nove cubanos haviam sido identificados na mesma rodovia. A mesma quantidade foi registrada em 29 de maio.

No dia 22 de maio, agentes da PRF abordaram mais 21 migrantes na BR-401, sendo 18 cubanos, dois chineses e um haitiano. Dois foram presos pela promoção de imigração ilegal

Em 17 de maio, um homem de 27 anos foi preso também pelo transporte e entrada irregular no Brasil de nove cubanos. A ocorrência foi registrada durante uma fiscalização realizada pelo 2º Pelotão da Companhia Independente de Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário (CIPTUR), no km 115 da BR-401, no município do Cantá.

Já na terça-feira (9), militares da 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl), durante a Operação Curaretinga II, abordou 41 migrantes na Ponte dos Macuxi, estrutura que dá acesso à mesma rodovia. No último dia 11 de junho, mais 43 cubanos abandonados por coiotes foram resgatados na rodovia.

Conforme a PRF, a rodovia consolidou-se como o ponto final de uma extensa rota migratória, onde muitos estrangeiros são encontrados em condições precárias, em veículos superlotados e apresentando sinais de desnutrição, além de exaustão física e emocional. Os imigrantes resgatados são levados para a Polícia Federal para realização da documentação ou para a Operação Acolhida.

https://www.folhabv.com.br/
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"Todos nós somos migrantes", diz papa Leão XIV em último dia na Espanha

 Dina Selim, da Reuters


foto wikipedea 

O papa Leão XIV se encontrou com migrantes em Tenerife nesta sexta-feira (12), último dia de sua visita de uma semana à Espanha, durante a qual o pontífice pediu aos líderes mundiais que tratassem os migrantes com mais humanidade.

“De certa forma, todos nós somos migrantes”, disse ele à plateia.

O pontífice, que tem se mostrado mais incisivo em suas críticas à direção da liderança global nos últimos meses, está visitando as Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol na costa oeste da África, como culminação de sua visita de três paradas.

As ilhas são uma das principais portas de entrada para a Europa para migrantes, que arriscam uma travessia mortal pelas águas do Atlântico, muitas vezes em pequenas embarcações improvisadas e superlotadas.

“Ninguém abandona sua terra, sua família e suas raízes de livre e espontânea vontade quando pode viver em paz. Deixamos para trás nossas memórias, nossos entes queridos e uma parte de nossos corações, na esperança de encontrar uma vida melhor”, disse o migrante nigeriano Bousso Diouf em um discurso ao papa no evento.

Papa exige "caminhos legais e seguros para a imigração"

Localizadas a mais de mil quilômetros da Espanha continental, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024, em comparação com menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.

Mais de três mil pessoas morreram em 2025 tentando chegar às ilhas, segundo a ONG Caminando Fronteras.

O pontífice disse ao Parlamento espanhol, na segunda-feira (8), que a falta de ajuda aos migrantes do mundo está desafiando "os fundamentos éticos da ordem internacional".

Na quinta-feira (11), ele pediu "vias legais e seguras" para a imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e financiamento para o resgate de migrantes em perigo no mar.

O mundo precisa fazer mais para erradicar a pobreza, as guerras e a corrupção que forçam os migrantes a fugir de suas casas, afirmou ele.

"Não basta gerenciar as chegadas, divulgar estatísticas, reforçar as fronteiras ou lamentar as mortes depois que elas já ocorreram", continuou o papa.

Juan Carlos Lorenzo, coordenador da Comissão Espanhola para Refugiados nas Ilhas Canárias, disse à agência de notícias Reuters que a visita de Leão XIV foi um "marco significativo".

"Servirá como uma forte afirmação da defesa dos direitos humanos, do respeito e da dignidade que todas as pessoas merecem, independentemente de sua origem", disse Lorenzo.

Ao contrário da maior parte da Europa, a Espanha adotou uma postura mais aberta em relação aos migrantes, implementando um programa para conceder residência a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

A iniciativa, no entanto, atraiu críticas de líderes da ultradireita e o país enfrenta dificuldades com a lentidão na concessão de status legal a milhares de pessoas em situação migratória indefinida.



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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Copa dos Refugiados lança edição 2026 no Pacaembu

Refugiados de São Tomé e Príncipe participam da 4ª edição da Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados, realizada em 2025 | Foto: Arquivo pessoal
 

A 5ª edição da Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados será lançada nesta quarta-feira (10), às 16h, no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O evento ocorre paralelamente à Copa do Mundo da FIFA e marca o início do calendário da edição de 2026, integrando ações do calendário humanitário internacional.

Com o slogan "Somos os novos brasileiros", a edição de 2026 integra datas simbólicas de junho voltadas à causa migrante e refugiada, entre elas o Dia Nacional do Migrante, o Dia Mundial do Refugiado e o Dia Nacional do Imigrante. A proposta é reforçar a visibilidade dessas populações por meio do esporte e da cultura, ampliando o debate público sobre migração e refúgio.

O torneio será realizado entre 20 de junho e 12 de julho, com abertura no Estádio Municipal Jack Marin, no Parque da Aclimação. No lançamento, serão apresentados os 18 times participantes, sendo 16 masculinos e dois femininos. Também será realizado o sorteio dos confrontos da primeira fase, que definirá o chaveamento inicial da competição.

Além do torneio esportivo, a programação inclui atividades culturais e de integração, como o Sarau dos Migrantes e a Feira das Nações. As iniciativas buscam incentivar o empreendedorismo e a troca cultural entre as comunidades participantes. Também estão previstas ações voltadas à cultura, à integração e à valorização das comunidades migrantes e refugiadas.

Organizada pela ONG Identidade Humana Global, a competição conta com parceria da Prefeitura de São Paulo na realização desta edição, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e da Secretaria de Turismo, além do apoio do Governo do Estado e de instituições como a OAB-SP, a Defensoria Pública e agências da ONU. A cerimônia de lançamento deve reunir autoridades estaduais e municipais, representantes internacionais e integrantes da sociedade civil.

Criada em 2014, a Copa teve coordenação assumida por Abdul Jarour em 2016, quando ainda estava ligada à ONG África do Coração. Após a suspensão durante a pandemia, o projeto foi retomado em 2022 pela Identidade Humana Global. Nesse processo, a nomenclatura passou de "Imigrantes” para “Migrantes", consolidando uma nova fase da iniciativa.

Serviço

Cerimônia de Abertura da 5ª Copa do Mundo dos Migrantes e Refugiados

Data: 10/6/2026, quarta-feira;

Horário:16h;

Local: Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu;

Endereço: Praça Charles Miller, s/nº. Pacaembu. São Paulo - SP.

https://sbtnews.sbt.com.br/

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Em missão oficial na ONU, ministra Janine Mello se reúne com brasileiros migrantes nos Estados Unidos

(Foto: Raul Lansky/MDHC)

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, participou na segunda-feira (8) de uma roda de conversa com a comunidade de brasileiros nos Estados Unidos. O encontro, realizado no Consulado-Geral do Brasil em Nova York, acontece em meio à missão oficial da ministra à Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), realizada entre os dias 9 e 11 de junho, na sede das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, a titular do MDHC apresentou o programa "Aqui é Brasil", voltado ao retorno humanizado de brasileiros repatriados ou deportados que se encontrem em situação de vulnerabilidade e risco de violação de direitos humanos.

(Fotos: Raul Lansky/MDHC)
(Fotos: Raul Lansky/MDHC)
Na ocasião, a ministra ouviu a comunidade e dialogou sobre formas de aprimorar e fortalecer o trabalho do Consulado no acolhimento aos brasileiros na região: “Temos debatido formas de fortalecer essa atuação para dar conta desse desafio, para atender à quantidade de demandas, à complexidade dessas situações e ao volume de casos que têm sido reportados e que chegam até vocês”.

“E uma outra coisa que a gente precisa pensar também é que temos uma preocupação muito forte no ministério: quem é que cuida de vocês? Vocês lidam com casos muito duros, com situações que nem sempre conseguem efetivamente resolver. E como é que a gente consegue também pensar em apoio para essa rede que se forma?”, ressaltou Janine.

A ministra destacou que é necessário pensar no acolhimento das pessoas que atuam nesses casos para garantir a continuidade do trabalho e a proteção dos direitos humanos de todas as pessoas envolvidas: “A gente lida com casos muito duros, muito difíceis, de muita vulnerabilidade, e leva isso para casa, de alguma forma. Todos nós precisamos também ser acolhidos e cuidados nesse sentido, para conseguirmos voltar no outro dia e continuar trabalhando”, complementou.

Ao final de sua fala, a titular do MDHC colocou a pasta à disposição para contribuir no cuidado dos brasileiros fora do país: “A gente quer manter o Ministério com as portas abertas para esse canal de diálogo constante com vocês, para conseguir entender e avaliar quais são as possibilidades que, do ponto de vista de Brasília, podemos construir para aprimorar a atuação de vocês aqui também”.

Durante o encontro, o assessor especial do gabinete ministerial, Paulo Victor Pereira, apresentou um material do ministério com a atualização do Programa Aqui é Brasil: “Agora a gente tem um painel para compartilhar com vocês, para que possam acompanhar em tempo real como está a evolução dessa recepção das pessoas que estão retornando ao Brasil”.

Coordenado pelo MDHC, o programa Aqui é Brasil é desenvolvido em articulação com os Ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)
Durante o encontro, Luciana Peres, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MDHC, avaliou de forma positiva as demandas apresentadas pela comunidade brasileira e pelo consulado em relação ao ano anterior e reforçou o canal de diálogo com a pasta.

“As demandas anteriores eram muito prementes, muito duras. Não que agora não sejam, mas estávamos no auge do endurecimento das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Então, acredito que houve um processo de organização da comunidade junto ao consulado para trabalhar esse conjunto de questões, o que considero muito positivo”, avaliou.

“O programa Aqui é Brasil, quando estivemos aqui anteriormente, era uma ideia. Hoje, é um programa que está atuando diretamente na vida das pessoas por meio desse acolhimento humanitário de quem chega. É importante que vocês o conheçam para também transmitir essa tranquilidade às pessoas que estão em vias de serem deportadas e explicar como esse processo acontece. Sei que é uma questão bastante complexa, mas é importante compartilhar essas informações e manter aberta essa via de diálogo”, complementou.

Luciana destacou ainda o compromisso do MDHC em priorizar a participação social na 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), que, desde 2023, conta com chamada pública por meio de edital para participação de organizações da sociedade civil na delegação brasileira.

O cônsul-geral do Brasil em Nova York, embaixador Adalnio Senna Ganem, agradeceu a visita da ministra e da comunidade brasileira presente no encontro e falou sobre os desafios enfrentados pelo consulado: “Todos nós aprendemos não apenas a nos integrar melhor, mas também a compreender mais profundamente as questões da comunidade a partir dessas novas políticas implementadas desde o início do ano passado. Não temos uma estrutura governamental própria; dependemos muito do nosso trabalho e da colaboração da comunidade, mas procuramos atuar em parceria com os governos locais”.

Agenda bilateral

No mesmo dia, a titular do MDHC se reuniu com o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Barham Salih, para dialogar sobre temas relacionados à proteção internacional de refugiados e ao fortalecimento da cooperação em pautas humanitárias.

COSP

Integrante da delegação brasileira na 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP), Isadora Nascimento, secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do MDHC, ressaltou a importância da participação brasileira no evento para fortalecer a atuação conjunta em defesa e promoção dos direitos das pessoas com deficiência.

“Hoje tivemos um momento de preparação para a abertura da COSP e pudemos dialogar com a ministra, representantes da sociedade civil e representantes de outros órgãos que atuam na pauta da deficiência. Foi um momento para nos conhecermos melhor, articular possíveis trocas durante a conferência e fortalecer as ações do Brasil aqui em Nova York”, contextualizou.

Milton Carvalho, coordenador-geral de Tecnologia Assistiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reforçou o simbolismo da iniciativa do MDHC de construir o diálogo do governo na COSP com a participação efetiva da sociedade civil e de diferentes órgãos públicos.

“É bastante significativa essa iniciativa da gestão do Ministério dos Direitos Humanos de construir o próprio discurso da ministra em parceria com a sociedade civil em um evento tão importante para a inclusão das pessoas com deficiência”, afirmou.

Discurso na ONU

Nesta terça-feira (9), a ministra Janine Mello participará da 19ª sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) da Organização das Nações Unidas (ONU). O evento acontecerá em Nova York, nos Estados Unidos, e contará com transmissão ao vivo pela Web TV da ONU.

Durante o dia, a titular do MDHC participará da abertura do Debate Geral sobre questões relacionadas à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. À tarde, Janine Mello realizará reuniões bilaterais para ampliar o diálogo internacional no âmbito da COSP.

A missão busca consolidar o alinhamento político e diplomático do Brasil junto à ONU, assegurando que sua participação reflita, de maneira coesa e estratégica, os compromissos assumidos no âmbito da CDPD. Presidida pela ministra Janine Mello, a delegação brasileira apresentará políticas públicas estruturantes para a promoção dos direitos das pessoas com deficiência, como o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência — Novo Viver sem Limite, a avaliação biopsicossocial, a defesa da acessibilidade digital e campanhas nacionais de conscientização.

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