segunda-feira, 27 de abril de 2026

'Nunca imaginei que acabaria na África': o limbo dos latinoamericanos deportados pelos EUA para o Congo

 





Carlos Rodelo (à esq.) e Jorge Cubillos em um hotel de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.

  • Norberto Paredes
  • Role,BBC News Mundo


Durante oito anos, Jorge Cubillos se esforçou para construir uma nova vida nos Estados Unidos após fugir de ameaças na Colômbia.

Ele afirma que tinha autorização de trabalho, um processo de asilo em andamento e expectativa de permanecer no país.

Mas, de repente, foi deportado para a África sem maiores explicações.

Em entrevista à BBC News Mundo em um pequeno quarto de hotel em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, ele diz que está doente e desorientado, longe de tudo o que conhece e de seus quatro filhos e de sua esposa, que ficaram no estado da Flórida.

"Nunca imaginei que acabaria na África. Achei que eram só ameaças", afirma.

Cubillos faz parte de um grupo de 15 latino-americanos que foram deportados na semana passada dos Estados Unidos para o Congo, no âmbito de um controverso acordo com países terceiros assinado pelo governo do presidente americano Donald Trump.

Os migrantes e solicitantes de asilo são originários da Colômbia, do Peru e do Equador. É o primeiro grupo que chega ao Congo desde que o acordo foi firmado.

O governo do país africano defendeu sua decisão de receber migrantes provenientes de países terceiros como um compromisso com a dignidade humana, a proteção dos direitos dos migrantes e a solidariedade internacional.

Também reiterou que a permanência dessas pessoas no país é temporária e que a acolhida, o apoio e o atendimento estão sendo financiados pelos Estados Unidos.

Mas os migrantes e solicitantes de asilo entrevistados pela BBC News Mundo afirmam que suas condições no Congo estão longe de ser ideais e que sua saúde está se deteriorando rapidamente.

Marta, que não quis revelar seu verdadeiro nome por medo de represálias, conta que seu calvário começou com a visita de um grupo de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).

Ela relata que, em 13 de fevereiro, após uma longa batalha legal durante a qual passou 14 meses detida e que incluiu um habeas corpus concedido por um juiz federal, foi libertada. Afirma que tinha autorização de trabalho e seguia seu processo migratório "de maneira correta".

'Nossos direitos humanos foram violados'

Mas, em 2 de abril, seu destino mudou repentinamente.

Ela diz que, naquele dia, agentes do ICE chegaram à sua casa no Texas, bateram à porta e lhe mostraram, através do vidro, uma ordem de supervisão com a qual havia sido libertada anteriormente. Disseram que precisavam apenas verificar seu endereço.

"Não vi nenhum problema e abri a porta", recorda.

Vista geral da Avenida 30 de Junho em Kinshasa, em 20 de outubro de 2025.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O grupo de sul-americanos afirma não se sentir seguro na capital congolesa.

https://www.bbc.com/
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Livro digital transforma caminhadas de migrantes pela Pequena África em narrativa literária no Rio


 

Pequena África, no Centro do Rio de Janeiro, é uma das protagonistas do e-book Narrativa Migrante, publicação digital que transforma caminhadas com migrantes e historiadoras em literatura. O lançamento está marcado para o dia 29 de abril, no CRAB Sebrae, dentro da programação do II Encontro Diversidade Criativa em Diálogo.

A proposta parte de percursos feitos por espaços simbólicos da cidade, onde migrantes de diferentes países e pesquisadoras compartilham memórias, leituras do território e experiências de deslocamento. Em vez de apenas registrar o trajeto, o projeto tenta construir uma leitura do Rio a partir de quem caminha, observa e vive esses espaços.

Idealizado pela Feltrip e realizado pela ColetivA DELAS, com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro e da EloGroup via Lei de Incentivo Municipal do ISS, o e-book aborda a migração para além do deslocamento geográfico. Nos textos, o movimento aparece ligado a pertencimento, memória e às relações criadas no contato com o espaço urbano.

As autoras Fernanda PaixãoMarcelle Leal e Nayara Marfim acompanham esses percursos e transformam a experiência em textos que transitam entre ensaio, diário e ficção. Participam das caminhadas migrantes vindos de países como AngolaTunísia e Venezuela, ampliando o olhar sobre diferentes formas de viver e interpretar a cidade.

No centro dessas narrativas estão lugares como a Pedra do Sal e o Cais do Valongo, pontos que ligam passado e presente e ajudam a revelar camadas da formação cultural do Rio de Janeiro. A escolha da Pequena África como eixo do projeto também reforça o peso histórico e simbólico da região na memória afro-brasileira.

O lançamento integra o II Encontro Diversidade Criativa em Diálogo, evento que, segundo a programação divulgada, será realizado em 29 de abril, das 10h às 18h, no CRAB Sebrae, na Praça Tiradentes, 69, no Centro. A agenda reúne representantes da sociedade civil, do setor público e da iniciativa privada para discutir diversidade e economia criativa.

Além do e-book, o projeto também se desdobra em uma websérie documental, levando essas narrativas para outros formatos e ampliando a discussão sobre cidade, memória e migração.

Serviço
Lançamento do e-book “Narrativa Migrante”
Data: 29 de abril
Horário: 11h45 às 12h15
Local: CRAB Sebrae – Praça Tiradentes, 69Centro do Rio
Evento: II Encontro Diversidade Criativa em Diálogo

Por

 Quintino Gomes Freire

 

https://diariodorio.com/

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Comissão aprova novas regras para naturalização de imigrantes no Brasil

 Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. General Girão (PL - RN)

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
General Girão: proposta aperfeiçoa legislação migratória e aumenta segurança jurídica

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou projeto que altera as regras para naturalização de imigrantes no Brasil.

A proposta aprovada é a versão do relator, deputado General Girão (PL-RN), para o Projeto de Lei 2523/19, do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP). O relator ajustou a redação, mantendo o objetivo da iniciativa original.

Mudanças previstas
Entre outros pontos, o
substitutivo aprovado prevê:

  • a exigência de residência ininterrupta no país por quatro anos antes do pedido de naturalização ordinária;
  • a proibição do benefício a quem responda a processo criminal; e
  • a necessidade de comprovar meios lícitos de subsistência própria e da família.

O prazo mínimo exigido de residência no Brasil poderá ser reduzido para imigrantes:

  • originários de países de língua portuguesa;
  • que tiverem filho brasileiro, ressalvada a naturalização provisória; e
  • proprietários de empresa no país com pelo menos 20 empregados brasileiros.

Por fim, o texto determina que o atendimento das condições legais não assegura automaticamente ao estrangeiro o direito à naturalização. Caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a responsabilidade pela análise dos pedidos.

“O substitutivo aprimora o quadro normativo migratório, proporcionando maior segurança jurídica, especialmente ao transferir e consolidar regras delineadas em decreto e leis vigentes”, disse General Girão.

O texto altera a Lei de Migração.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em
caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, terá de ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Da Reportagem/RM
Edição – Marcelo Oliveira


Fonte: Agência Câmara de Notícias

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cobertura de migrações ainda enfrenta desafios éticos, apontam especialistas

 Evento, em parceria com ACNUR, reuniu estudantes do PPGCOM e dos cursos de Jornalismo e de Relações Internacionais, para discutir os impactos da desinformação e do discurso de ódio na cobertura sobre migrações e refúgio em Roraima.

Miguel Pachioni, Oficial de Comunicação do ACNUR ministrou a palestra. Foto: Mariana Elmore.

A cobertura jornalística sobre migrações e refúgio ainda enfrenta desafios éticos, especialmente diante do avanço da desinformação e do discurso de ódio. O tema foi debatido durante uma formação em jornalismo humanitário promovida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), agência da ONU para refugiados, na Universidade Federal de Roraima, que reuniu estudantes e profissionais da comunicação e de Relações Internacionais.

Durante a palestra, o Oficial de Comunicação do ACNUR, Miguel Pachioni, destacou como conteúdos desinformativos são construídos e disseminados, muitas vezes associando temas distintos para gerar interpretações equivocadas. Segundo ele, a ligação entre migrações e problemas sociais, como saúde pública ou criminalidade, pode ser resultado de manipulações narrativas.

Há uma associação muito clara de uma questão de saúde pública com o deslocamento de pessoas que buscam proteção internacional”, afirmou. O palestrante também alertou para o uso de manchetes, gráficos e vídeos fora de contexto, que contribuem para reforçar percepções distorcidas.

A formação foi uma parceria entre o ACNUR, os Cursos de Jornalismo e de Relações Internacionais, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), o Projeto de Extensão Somos Migrantes e a Cátedra Sérgio Vieira de Mello.

Foto: Mariana Elmore

Cobertura migratória em Roraima

A discussão ganha relevância em Roraima, estado que concentra grande fluxo migratório, especialmente de venezuelanos, e onde o tema está presente no cotidiano da população e da imprensa local. Para a jornalista Adriele Lima, também mestranda no PPGCOM com pesquisa sobre migrações e plataformas digitais, um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais da área é justamente lidar com a presença de discursos preconceituosos.  “A xenofobia ainda é muito enraizada. É difícil produzir conteúdo que vá contra esses discursos, mas é necessário”, afirmou.

A cobertura precisa ser feita com responsabilidade para evitar a reprodução de estigmas, ainda diz Adriele. “É importante mostrar que a migração não corresponde a esses discursos construídos e trabalhar com informações que retratem a realidade.”

Foto: Mariana Elmore

A formação também contou com a participação de estudantes de Relações Internacionais, que trouxeram uma perspectiva mais ampla sobre o fenômeno migratório. Para o acadêmico Lucas Gadelha, a atuação na área humanitária exige sensibilidade e preparo diante das situações de vulnerabilidade.

A área humanitária é muito desafiadora e está muito presente aqui no estado. A gente convive com essas realidades e precisa lidar com elas de forma responsável. É uma área muito sensível. Ao mesmo tempo que é gratificante, também é preocupante e exige cuidado.” – Lucas Gadelha, graduando em Relações Internacionais.

Foto: Mariana Elmore

A programação incluiu ainda a abertura de uma exposição sobre migrações globais, que permanece exposta no hall do Bloco I – Centro de Comunicação, Letras e Artes da UFRR ao longo do mês de abril. A entrada é gratuita e a visita pode ser realizada das 8h às 21h em dias úteis.

Por Mariana Elmore

Acadêmica do Curso de Jornalismo

https://ufrr.br/ppgcom

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sábado, 18 de abril de 2026

Voo com 146 imigrantes haitianos pousa no Aeroporto de BH nesta sexta-feira

 


Haitianos recebendo atendimento no Centro de Referência em Direitos Humanos para Repatriados e Migrantes (CREDH-RM) do Aeroporto. — Foto: Divulgação/MDHC

Uma aeronave com 146 imigrantes haitianos pousou na manhã desta sexta-feira (17) no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana.

O grupo chegou ao Brasil como parte de um processo de reunificação familiar, que permite que estrangeiros tragam familiares para morar legalmente no país (saiba mais abaixo), e não são considerados refugiados ou deportados.

Ao todo, são 59 homens, 52 mulheres e mais 35 crianças e adolescentes acompanhados.

A chegada ocorreu por volta das 10h e contou com uma operação de acolhimento organizada por diferentes órgãos e instituições. As informações são do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da BH Airport, concessionária responsável pelo terminal.

Os atendimentos incluem acolhimento inicial, escuta qualificada, identificação de demandas e orientação sobre direitos, além de encaminhamentos à rede pública quando necessário.

Também há apoio à regularização documental, com possibilidade de pré-documentação, e articulação para acesso a serviços sociais e de saúde nos locais de destino, visando à proteção social dos imigrantes.

No local, foram disponibilizados tradutores de crioulo haitiano e francês, idiomas predominantes no Haiti, para facilitar a comunicação com os passageiros. Uma das profissionais integra o fórum local de migração.

Entre os envolvidos estão o Centro de Referência em Direitos para Repatriados e Migrantes do MDHC, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a Polícia Federal.

'Boom' de imigrantes haitianos

A crise social, política e de segurança no Haiti tem impulsionado a saída de milhares de pessoas em busca de melhores condições de vida. A violência de gangues armadas e a falta de perspectivas econômicas levam famílias inteiras a deixar o país, muitas vezes abrindo mão de bens para recomeçar no Brasil.

Esse fluxo migratório tem como uma das principais portas de entrada o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), que recebe centenas de imigrantes por semana.

Nesse contexto, o Brasil registra um aumento expressivo na concessão de vistos a cidadãos haitianos, com destaque para os de reunião familiar.

🔎O visto de reunião familiar permite que estrangeiros se juntem a parentes no Brasil. Esse tipo de visto pode ser emitido por qualquer repartição consular brasileira no exterior, inclusive pela Embaixada do Brasil em Porto Príncipe, no Haiti.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, esse tipo de visto cresceu 252,9% entre 2024 e 2025, indicando um “boom” na política de reunificação familiar no país.

Em março deste ano, um voo com 118 haitianos ficou retido por cerca de dez horas no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após a Polícia Federal impedir o desembarque. À época, a companhia responsável informou que os passageiros pretendiam solicitar refúgio no país.

https://g1.globo.com/

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Até 2027, mais de 4 milhões de pessoas serão obrigadas a fugir de casa devido a guerras, violência e perseguição

 


No seu relatório anual, o CDR afirma que os novos deslocados internos, sem ter em conta a situação atual no Médio Oriente, somam-se a cerca de 117,3 milhões de pessoas já nessa situação em todo o mundo.

As projeções do DRC baseiam-se nos dados disponíveis até ao final de 2025 e, por isso, são anteriores à guerra no Médio Oriente, que "está a provocar mais deslocações e a agravar a situação humanitária", observou a secretária-geral da ONG, Charlotte Slente, em comunicado.

"Há um caminho que pode trazer a região de volta da beira do abismo: o atual cessar-fogo (entre Estados Unidos e Irão) deve tornar-se permanente e deve ser alargado ao Líbano, onde uma em cada cinco pessoas foi deslocada pelo conflito. As famílias no Líbano e no Irão devem poder regressar a casa e reconstruir as suas vidas em paz", disse ela

O relatório sublinha que as novas deslocações estão cada vez mais espalhadas por vários países, em vez de se concentrarem em algumas grandes crises, como acontecia anteriormente.

Ucrânia, Myanmar, Sudão do Sul, Nigéria e Mali com maiores projeções de aumento de deslocações

Assim, em 2025, o Myanmar e o Sudão representavam, em conjunto, mais de metade do aumento total projetado, enquanto nas projeções atuais, a sua quota combinada representa apenas um quarto do total.

Além disso, os cortes na ajuda internacional têm um impacto direto nas deslocações.

Nos cinco países com as maiores projeções de aumento de deslocações em 2025 (Ucrânia, Myanmar, Sudão do Sul, Nigéria e Mali), o financiamento para os esforços de paz desceu, em média, 23% em 2024.

Por outro lado, nos cinco países onde a quebra foi mais acentuada (Somália, Sudão, Afeganistão, Síria e República Democrática do Congo), este financiamento aumentou, em média, 15%.

"A comunidade internacional enfrenta um fracasso catastrófico na proteção das populações mais vulneráveis do mundo", afirmou a Slente, referindo que a violência contra civis aumentou 14% em 2025.

"Para as famílias que fogem da guerra apenas com a roupa do corpo, há pouca esperança: a rede de segurança internacional que existia está cheia de lacunas, enquanto a ajuda humanitária está a diminuir", lamentou.

As organizações humanitárias enfrentam cortes significativos na ajuda internacional, principalmente desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, no ano passado.

https://sicnoticias.pt/
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