terça-feira, 18 de junho de 2019

Conselho da Europa propõe vistos humanitários e rotas legais para refugiados

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Na véspera da celebração do Dia Internacional dos Refugiados, Mijatovic propôs também que os 47 Estados-membros do Conselho da Europa criem programas de apadrinhamento e outros mecanismos que evitem a morte de migrantes no Mediterrâneo.
No relatório "Salvar vidas. Proteger direitos. Reduzir as deficiências de proteção para refugiados e migrantes no Mediterrâneo", a comissária apresenta 35 recomendações para garantir os direitos dos migrantes em alto mar, como "o direito à vida e à proteção face à expulsão".
A comissária acredita que é possível ter "mais migrantes laborais temporários, conceder mais vistos de estudante e oferecer outras oportunidades de visitar os países do Conselho da Europa regularmente" a fim de facilitar as reunificações familiares.
Dunja Mijatovic lamentou que as operações de busca e resgate realizadas pelos governos "tenham sido reduzidas e cheguem demasiado tarde", referindo que isso tem contribuído para "tornar a rota mais perigosa" e para "aumentar o tráfico de seres humanos".
A comissária critica a criminalização de atos humanitários das Organização Não Governamentais (ONG) e o encerramento de portos decidido por alguns governos, assim como a manutenção deliberada dos migrantes em alto mar.
As recomendações feitas centram-se, sobretudo, na coordenação efetiva das buscas e resgates, garantindo a segurança e o desembarque, a cooperação com as ONG, a prevenção de violações de direitos humanos em países terceiros e a oferta de rotas legais para a Europa.
Mijatovic pede que não se penalizem as companhias marítimas e as ONG "por cumprirem o dever de resgatar pessoas em perigo no mar" e que se contribua financeiramente para as operações de busca e resgate no Mediterrâneo.
A comissária recomenda também que se evite atrasos nos desembarques e nos pedidos de asilo e apela a uma revisão das políticas de migração para assegurar que "os beneficiários da proteção internacional tenham acesso a um processo de reunificação familiar rápido, flexível e efetivo".
Dunja Mijatovic pediu ainda aos países europeus que suspendam a cooperação com a guarda costeira da Líbia até que esta garanta o respeito pelos direitos humanos no país.
"As pessoas recuperadas pela guarda costeira líbia são levadas para a Líbia e sistematicamente detidas e, consequentemente, submetidas a tortura, violações sexuais, extorsões e outras violações graves dos direitos humanos", lamentou Dunja Mijatovic.
Diario de Lisboa
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UniCatólica promove campanha em solidariedade aos migrantes e refugiados

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O Centro Universitário Católica do Tocantins , em parceria com a Cáritas Brasileira, iniciou nesta segunda-feira, 17, uma campanha em solidariedade aos refugiados acolhidos pela organização humanitária em Palmas, Tocantins. A data abre a semana do Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho.
A ação, que faz parte da Campanha em Solidariedade aos Migrantes e Refugiadospretende arrecadar fundos para o Programa Pana. Promovido pela Cáritas Brasileira e a Cáritas Suíça, com o apoio do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a iniciativa pretende contribuir com a assistência humanitária e a integração de migrantes e refugiados que buscam reconstruir a vida no Brasil.
O número de solicitantes de  refúgio no Brasil aumentou drasticamente em um ano: de 35.464 em 2016 para 85.746, acumulando o maior número de pedidos na América Latina, segundo o relatório da ONU sobre migrações. Os dados mostram a realidade de milhares de famílias que buscam abrigo fugindo da realidade que assola o seu país de origem.
A Campanha em Solidariedade aos Migrantes e Refugiados integra as unidades da Rede Ubec – União Brasileira de Educação Católica. Além do UniCatólica, outras unidades do grupo, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais e Brasília, estão em mobilização por meio do canal  “SOS Refugiados“.
Contas para depósito:
Banco do Brasil
Agência: 0452-9
C/C: 232.792-9
Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
C/C: 3735-5
CNPJ: 33.654.419/0001-16
Unicatolica
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

34ª Semana do Migrante em todo país



Uma semana de atividades vai marcar a 34ª Semana do Migrante em todo país
Comecou ontem  domingo, dia 16, a 34ª Semana do Migrante, que se encerrará dia 23 deste mês. Como a temática da semana é sempre relacionada ao tema da Campanha da Fraternidade de cada ano, em 2019 o tema da 34ª Semana do Migrante é: “Migração e Políticas Públicas” e o lema: “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia”.


Texto-base, rodas de conversa e roteiro de celebração ecumênica enviados às comunidades. Foto: Assessoria de Imprensa CNBB/Daniel Flores

Neste tempo propício convidamos todos os agentes da Pastoral dos Migrantes, as pastorais de conjunto, homens e mulheres de boa vontade, sensíveis à dor do outro, para refletir e buscar pistas de ação, a partir do convite do papa Francisco para acolher, proteger, promover e integrar o migrante”, disse dom José Luiz Ferreira Sales, bispo de Pesqueira (PE), referencial do Setor da Mobilidade Humana, integrado à Comissão Episcopal Pastoral Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM).

Indígenas migrantes venezuelanos em Roraima. Fotos: Jaime Patias
Neste contexto, dom José Luiz informa que Serviço Pastoral dos Migrantes vem atuando para que sejam realizadas ações para oferecer possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino, ações em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, bem como oportunidades para que se realizem como pessoas em todas as dimensões humanas.
O bispo lembra que um conjunto de materiais sobre a realidade da migração no Brasil e para dinamizar ações durante a semana (Texto-base, Roda de Conversa e Roteiro de Celebração Ecumênica) foi enviado às Igrejas particulares e para as comunidades onde as organizações que integram o Setor de Mobilidade Humana atuam. Duas datas importantes marcam a semana. No dia 20, comemora-se o Dia Mundial do Refugiado e no dia 25 o Dia do Migrante.
Histórico – Em 1980, a Igreja Católica no Brasil, por meio da CNBB, lançou a Campanha da Fraternidade com o tema “Fraternidade e Migrações” e o “lema Para onde vais?” para motivar a sociedade brasileira a refletir sobre o movimento migratório da época, seus desafios e o apelos de atenção a esta população em movimento.
Em dezembro de 2003, por ocasião do 17º Plano Pastoral Bienal para os anos 2004/2005, a CNBB constituiu o Setor das Pastorais da Mobilidade Humana com o objetivo de ”favorecer o aprofundamento da temática da Mobilidade Humana e articular as Pastorais do Setor, para a integração das atividades que a Igreja desenvolve neste âmbito, dando visibilidade ao fenômeno da mobilidade humana em suas várias formas e expressões, com vistas a contribuir para uma nova sociedade onde ninguém se sinta estrangeiro ou excluído”.
Hoje integram o SMH da CNBB, o Apostolado do Mar, a Pastoral Rodoviária, Pastoral dos Nômades, Pastoral do Turismo, Pastoral dos Refugiados, Núcleo dos Estudantes Internacionais e Pastoral das Migrações (Serviço Pastoral dos Migrantes, Missão Católica Polonesa e Pastoral Nipo-Brasileira).
CNBB
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População mundial deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050, diz relatório da ONU

Crianças em mesquita, em Timbuktu, no Mali. Foto: ONU/Marco Dormino
Crianças em mesquita, em Timbuktu, no Mali. Foto: ONU/Marco Dormino
A população mundial deve crescer em 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, passando dos atuais 7,7 bilhões de indivíduos para 9,7 bilhões em 2050, de acordo com um novo relatório das Nações Unidas lançado nesta segunda-feira (17).
Perspectivas Mundiais de População 2019: Destaques, que é publicado pela Divisão de População do Departamento da ONU de Assuntos Econômicos e Sociais, oferece um abrangente panorama global de padrões e perspectivas demográficos. O estudo concluiu que a população mundial poderia alcançar o seu pico por volta do final do atual século, chegando a quase 11 bilhões de pessoas em 2100.
O relatório também confirmou que a população mundial está se tornando mais velha devido a uma expectativa de vida maior e a taxas de fertilidade descendentes. O documento aponta também que está crescendo o número de países que vivem uma redução no tamanho da sua população. As mudanças resultantes no tamanho, composição e distribuição da população mundial têm consequências importantes para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as metas globalmente acordadas para melhorar a prosperidade econômica e o bem-estar social ao mesmo tempo em que se protege o meio ambiente.
A população mundial continua a aumentar, mas as taxas de crescimento variam amplamente entre as regiões
As novas projeções populacionais indicam que, de agora até 2050, nove países vão responder por mais da metade do crescimento estimado para a população global: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Indonésia, Egito e Estados Unidos (em ordem decrescente de aumento esperado). Por volta de 2027, estima-se que a Índia vá superar a China como o país mais populoso do mundo.
Até 2050, estima-se que a população da África Subsaariana dobre (um aumento de 99%). Regiões que podem ter taxas menores de crescimento populacional entre 2019 e 2050 incluem a Oceania (56%) — excluindo desse índice a Austrália/Nova Zelândia —, o Norte da África e o Oeste da Ásia (46%), a Austrália/Nova Zelândia (28%), o Centro e o Sul da Ásia (25%), a América Latina e o Caribe (18%), o Leste e o Sudeste da Ásia (3%) e a Europa e a América do Norte (2%).
Estima-se que a taxa global de fertilidade — que caiu de 3,2 nascimentos por mulher em 1990 para 2,5 em 2019 — diminua ainda mais, para 2,2 em 2050. Em 2019, a fertilidade permanece, em média, acima dos 2,1 nascimentos por mulher ao longo de toda a vida nas seguintes regiões: África Subsaariana (4,6), Oceania (3,4) — excluindo desse índice a Austrália/Nova Zelândia —, Norte da África e Oeste da Ásia (2,9) e Centro e Sul da Ásia (2,4). (Uma taxa de fertilidade de 2,1 nascimentos por mulher é necessária para garantir a substituição das gerações e evitar o declínio populacional no longo prazo, na ausência de imigração).
Liu Zhenmin, subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, disse que o relatório oferece um mapa que indica onde visar ações e intervenções. "Muitas das populações que crescem mais rapidamente estão nos países mais pobres, onde o crescimento da população traz desafios adicionais ao esforço para erradicar a pobreza, alcançar uma maior igualdade, combater a fome e a malnutrição e fortalecer a cobertura e a qualidade dos sistemas de saúde e de educação para garantir que ninguém seja deixado para trás."
O crescimento da população em idade ativa está criando oportunidades para o crescimento econômico
Na maior parte da África Subsaariana e em partes da Ásia e da América Latina e Caribe, reduções recentes na fertilidade levaram a população em idades ativas (25-64 anos) a crescer mais rápido do que a população em outras idades, criando uma oportunidade para o crescimento econômico acelerado, devido a uma favorável distribuição da população por idade. Para se beneficiar desse "dividendo demográfico", os governos devem investir em educação e saúde, especialmente para os jovens, e criar condições propícias ao crescimento econômico sustentado.
Pessoas nos países mais pobres ainda vivem sete anos a menos do que a média global
A expectativa de vida ao nascimento para o mundo — que aumentou de 64,2 anos em 1990 para 72,6 anos em 2019 — deve aumentar ainda mais, para 77,1 anos em 2050. Embora um progresso considerável tenha sido feito na superação das diferenças de longevidade entre os países, lacunas amplas permanecem. Em 2019, a expectativa de vida ao nascimento nos países menos desenvolvidos está 7,4 anos atrás da média global, o que se deve amplamente a níveis persistentemente altos de mortalidade infantil e materna, bem como a violência, conflito e o impacto contínuo da epidemia de HIV.
A população mundial está ficando mais velha, com o grupo etário de 65 anos para cima crescendo no ritmo mais rápido
Até 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos (16%) — um aumento na comparação com a taxa de uma em cada 11 (9%) em 2019. As regiões em que a parcela da população com 65 anos ou mais deve dobrar entre 2019 e 2050 incluem o Norte da África e o Oeste da Ásia, o Centro e o Sul da Ásia, o Leste e o Sudeste da Ásia e a América Latina e Caribe. Até 2050, uma em cada quatro pessoas vivendo na Europa e América do Norte poderá ter 65 anos ou mais. Em 2018, pela primeira vez na história, as pessoas com 65 anos ou mais superaram numericamente, em nível global, as crianças com menos de cinco anos. Estima-se que o número de pessoas com 80 anos ou mais triplique, passando de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050.
Uma proporção decrescente da população em idade ativa está colocando pressão sobre os sistemas de proteção social
A taxa potencial de suporte — que compara os números de pessoas em idades ativas com os de pessoas acima dos 65 anos de idade — está caindo em todo o mundo. No Japão, essa taxa é de 1,8 — a menor do mundo. Outros 29 países — a maioria na Europa e no Caribe — já têm taxas potenciais de suporte abaixo de 3. Até 2050, estima-se que 48 países — a maioria na Europa, América do Norte e Leste e Sudeste da Ásia — terão taxas potenciais de suporte abaixo de 2. Esses valores baixos assinalam o potencial de impacto do envelhecimento da população sobre os mercados de trabalho e a performance econômica, bem como as pressões fiscais que muitos países vão enfrentar nas próximas décadas, conforme buscam construir e manter sistemas públicos de cuidados de saúde, pensões e proteção social para pessoas mais velhas.
Um número crescente de países está vivendo uma redução no tamanho de suas populações
Desde 2010, 27 países ou áreas tiveram uma redução de 1% ou mais no tamanho de suas populações. Essa queda é causada por prolongados níveis baixos de fertilidade. O impacto da baixa fertilidade sobre o tamanho da população é reforçado, em algumas localidades, pelas altas taxas de emigração. Entre 2019 e 2050, estima-se que as populações diminuam em 1% ou mais em 55 países ou áreas, dos quais 26 poderão ver uma redução de pelo menos 10%. Na China, por exemplo, estima-se que a população diminua em 31,4 milhões — ou em torno de 2,2% — entre 2019 e 2050.
A migração tornou-se um componente principal da mudança populacional em alguns países
Ente 2010 e 2020, 14 países ou áreas terão um influxo líquido de mais de 1 milhão de migrantes, ao passo que dez países terão um efluxo líquido de magnitude similar. Alguns dos maiores efluxos migratórios são impulsionados pela demanda por trabalhadores migrantes (Bangladesh, Nepal e Filipinas) ou pela violência, insegurança e conflito armado (Mianmar, Síria e Venezuela). Belarus, Estônia, Alemanha, Hungria, Itália, Japão, Rússia, Sérvia e Ucrânia terão um influxo líquido de migrantes ao longo da década — o que ajudará a compensar perdas populacionais causadas por um excesso de mortes em relação aos nascimentos.
"Esses dados constituem uma parte crítica da base de evidências necessárias para monitorar o progresso global rumo ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030", afirmou o diretor da Divisão de População do Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais, John Wilmoth.
"Mais de um terço dos indicadores aprovados para uso como parte do monitoramento global dos ODS confiam em dados do Perspectivas Mundiais de População", acrescentou o especialista.
Sobre o relatório
Perspectivas Mundiais de População 2019: Destaques apresenta os principais resultados da 26ª rodada de estimativas e projeções da ONU sobre a população global. O relatório inclui estimativas atualizadas de população, desde 1950 até o presente, para 235 países ou áreas, com base em análises detalhadas de todas as informações disponíveis sobre tendências demográficas históricas relevantes. A mais recente avaliação usa os resultados de 1.690 censos populacionais nacionais, realizados entre 1950 e 2018, bem como informações de sistemas vitais de registro e de 2,7 mil pesquisas por amostragem nacionalmente representativas. A revisão de 2019 também apresenta múltiplas projeções de população para até 2100, retratando uma variedade de resultados possíveis ou plausíveis nos níveis global, regional e nacional.
Perspectivas Mundiais de População 2019: Destaques e materiais relacionados estão disponíveis em: https://population.un.org/wpp/.
Contato de imprensa:
Dan Shepard, Departamento de Comunicação Global da ONU, +1 212-963-9495, shepard@un.org
Especialistas disponíveis para entrevistas:
EM INGLÊS
John Wilmoth, diretor da Divisão de População, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), wilmoth@un.org
Frank Swiaczny, chefe do Departamento de Tendências de População e Análise da Divisão de População, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), frank.swiaczny@un.org
Bela Hovy, chefe da Unidade de Publicação, Outreach e Apoio da Divisão de População, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), hovy@un.org
EM ESPANHOL
Jorge Bravo, chefe do Departamento de Análise Demográfica da Divisão de População, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), bravo1@un.org
Onu
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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Cultura, esporte, gastronomia e literatura marcam Dia Mundial do Refugiado no Brasil

Para marcar o Dia Mundial do Refugiado (celebrado em 20 de junho), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros realizam a partir do próximo fim de semana eventos voltados para a população refugiada no Brasil e o público em geral, promovendo a integração entre brasileiros e quem teve que deixar seu país por causa de guerras, conflitos armados e perseguições.
As atividades se iniciam neste sábado (15), em São Paulo, com o evento “Portas Abertas”, uma programação cultural e informativa promovida pela Caritas Arquidiocesana com a participação de refugiados atendidos pela entidade e aberta à população.
Mutirão de atendimento a refugiados sírios que vivem em São Paulo. Foto: SECOM/Fabio Arantes
Mutirão de atendimento a refugiados sírios que vivem em São Paulo. Foto: SECOM/Fabio Arantes
Para marcar o Dia Mundial do Refugiado (celebrado em 20 de junho), a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros realizam a partir do próximo fim de semana eventos voltados para a população refugiada no Brasil e o público em geral, promovendo a integração entre brasileiros e quem teve que deixar seu país por causa de guerras, conflitos armados e perseguições.
Entre os destaques, estão atividades culturais, gastronômicas e esportivas com famílias venezuelanas, rodas de conversa, exposições artísticas, lançamento de livros e a divulgação do relatório “Tendências Globais – Deslocamento Forçado em 2018”.
As atividades se iniciam neste sábado (15), em São Paulo, com o evento “Portas Abertas”, uma programação cultural e informativa promovida pela Caritas Arquidiocesana com a participação de refugiados atendidos pela entidade e aberta à população.
Na segunda-feira (17), também em São Paulo, uma roda de conversa em torno do livro “A Memória do Mar”, do escritor e Embaixador da Boa Vontade do ACNUR, Khaled Hoseini, reunirá o jornalista e tradutor do livro, Pedro Bial, o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, e a refugiada síria Rama Al Omari.
Na terça-feira (18) começam os eventos envolvendo a comunidade venezuelana abrigada em Boa Vista, Pacaraima e Manaus, no norte do país. Serão atividades artísticas (como exposição fotográfica, dança, música, feira de artesanato, show de calouros) e esportivas (caminhadas e jogos de vôlei, futebol e kickball) – muitas delas abertas à população local – realizadas pelas organizações não governamentais envolvidas na gestão dos abrigos para refugiados e migrantes venezuelanos.
Neste mesmo dia, em São Paulo, será inaugurada a exposição “Em Casa, no Brasil”, realizada em parceria com a ONG “Estou Refugiado” e com o SESC-SP para sensibilizar os visitantes sobre as vidas de refugiados que consideram o Brasil como seu novo lar.
O relatório internacional Tendências Globais, produzido pelo ACNUR e divulgado em todo o mundo, será lançado simultaneamente em São Paulo e Boa Vista na próxima quarta-feira (19). O documento é a principal análise estatística feita pelo ACNUR sobre a situação do deslocamento forçado em todo o mundo, apresentando dados e análises sobre as mais expressivas populações em situação de refúgio e apátridas, assim como recortes específicos de outros temas relacionados ao mandato da agência.
No próprio Dia Mundial do Refugiado (20), a agenda chega ao Rio de Janeiro com o evento “Rio Refugia”, promovido pela Caritas Arquidiocesana e o SESC-Rio, com feira gastronômica, shows e diferentes oficinas com refugiados. Em São Paulo, será exibido no Centro Cultural São Paulo o documentário “Zaatari, Memórias do Labirinto”. A programação se encerra no Rio de Janeiro, no dia 26, com a inauguração da exposição “Em Casa, no Brasil”, em parceria com o Centro Cultural Correios.

Sobre o Dia Mundial do Refugiado

Desde 2001, o Dia Mundial do Refugiado é celebrado em 20 de junho, de acordo com resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Para o ACNUR, a data é uma oportunidade para homenagear a coragem, a resiliência e a força de todas as mulheres, homens e crianças forçadas a deixar suas casas por causa de guerras, conflitos armados e perseguições. Estas pessoas deixam tudo para trás – exceto a esperança e o sonho de um futuro mais seguro.
São parceiros do ACNUR no Dia Mundial do Refugiado 2019: Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), Associação Voluntários para o Serviço Internacional – Brasil (AVSI), Caritas Arquidiocesanas de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo, Caritas Brasileira Regional Paraná, Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC), Comitê Nacional para os Refugiados do Ministério da Justiça (CONARE), Conselho Norueguês para Refugiados, Centro Cultural dos Correios, Centro de Cultura Casarão de Ideias, Centro de Integração Empresa-Escola, Centro Universitário Curitiba, Editora Globo, Fraternidade – Federação Humanitária Internacional, Livraria Cultura do Shopping Bourbon, Instituto Migrações e Direitos Humanos, Operação Acolhida, Prefeitura e Estado de São Paulo, Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social de Roraima, Sesc SP, Sesc Rio, Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados, Télécoms Sans Frontières (TSF) e Universidade Federal do Amazonas.
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Mensagem do papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado no 17 de novembro de 2019


Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres ao final do Jubileu da Misericórdia
Foi divulgada nesta quinta-feira (13/06), a Mensagem do papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em 17 de novembro de 2019. Na Mensagem, o papa lamenta que: “a desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro”.
A celebração é fruto do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e se realiza no domingo anterior ao da festa de Cristo Rei.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
PARA O III DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(17 DE NOVEMBRO DE 2019)
“A esperança dos pobres jamais se frustrará”
  1. «A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19). Estas palavras são de incrível atualidade. Expressam uma verdade profunda, que a fé consegue gravar sobretudo no coração dos mais pobres: a esperança perdida devido às injustiças, aos sofrimentos e à precariedade da vida será restabelecida.
O salmista descreve a condição do pobre e a arrogância de quem o oprime (cf. Sal 10, 1-10). Invoca o juízo de Deus, para que seja restabelecida a justiça e vencida a iniquidade (cf. Sal 10, 14-15). Parece ecoar nas suas palavras uma questão que atravessa o decurso dos séculos até aos nossos dias: como é que Deus pode tolerar esta desigualdade? Como pode permitir que o pobre seja humilhado, sem intervir em sua ajuda? Por que consente que o opressor tenha vida feliz, enquanto o seu comportamento haveria de ser condenado precisamente devido ao sofrimento do pobre?
No período da redação do Salmo, assistia-se a um grande desenvolvimento econômico, que acabou também – como acontece frequentemente – por gerar fortes desequilíbrios sociais. A desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro.
Era o tempo em que pessoas arrogantes e sem qualquer sentido de Deus espiavam os pobres para se apoderar até do pouco que tinham, reduzindo-os à escravidão. A realidade, hoje, não é muito diferente! A numerosos grupos de pessoas, a crise econômica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anômalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados. Acodem à mente estas palavras do Apocalipse: «Porque dizes: “sou rico, enriqueci e nada me falta”, e não te dás conta de que és um infeliz, um miserável, um pobre, um cego, um nu?» (3, 17). Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus.
  1. Também hoje devemos elencar muitas formas de novas escravidões a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças.
Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo marginalizadas que vagueiam pelas estradas das nossas cidades?
Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir! Tendo-se tornado, eles próprios, parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo. Aos pobres, frequentemente considerados parasitas da sociedade, não se lhes perdoa sequer a sua pobreza. A condenação está sempre pronta. Não se podem permitir sequer o medo ou o desânimo: simplesmente porque pobres, serão tidos por ameaçadores ou incapazes.
Drama dentro do drama, não lhes é consentido ver o fim do túnel da miséria. Chegou-se ao ponto de teorizar e realizar uma arquitetura hostil para desembaraçar-se da sua presença mesmo nas estradas, os últimos espaços de acolhimento. Vagueiam duma parte para outra da cidade, esperando obter um emprego, uma casa, um afeto… Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer.
Com vivo realismo, o salmista descreve o comportamento dos ricos que roubam os pobres: «Arma ciladas para assaltar o pobre e (…) arrasta-o na sua rede» (cf. Sal 10, 9). Para eles, é como se se tratasse duma caçada, na qual os pobres são perseguidos, presos e feitos escravos. Numa condição assim, fecha-se o coração de muitos, e leva a melhor o desejo de desaparecer. Em suma, reconhecemos uma multidão de pobres, muitas vezes tratados com retórica e suportados com fastídio. Como que se tornam invisíveis, e a sua voz já não tem força nem consistência na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos entre as nossas casas e marginalizados entre os nossos bairros.
  1. O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, dá uma bela definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo desta confiança: ele «conhece o seu Senhor» (cf. 9, 11) e, na linguagem bíblica, este «conhecer» indica uma relação pessoal de afeto e de amor.
Encontramo-nos perante uma descrição verdadeiramente impressionante, que nunca esperaríamos. Assim faz sobressair a grandeza de Deus, quando Se encontra diante dum pobre. A sua força criadora supera toda a expetativa humana e concretiza-se na «recordação» que Ele tem daquela pessoa concreta (cf. 9, 13). É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar; por isso, vive sempre na presença daquele Deus que Se recorda dele. A sua ajuda estende-se para além da condição atual de sofrimento, a fim de delinear um caminho de libertação que transforma o coração, porque o sustenta no mais profundo do seu ser.
  1. Constitui um refrão permanente da Sagrada Escritura a descrição da ação de Deus em favor dos pobres. É Aquele que «escuta», «intervém», «protege», «defende», «resgata», «salva»… Em suma, um pobre não poderá jamais encontrar Deus indiferente ou silencioso perante a sua oração. É Aquele que faz justiça e não esquece (cf. Sal 40, 18; 70, 6); mais, constitui um refúgio para o pobre e não cessa de vir em sua ajuda (cf. Sal 10, 14).
Podem-se construir muitos muros e obstruir as entradas, iludindo-se assim de sentir-se a seguro com as suas riquezas em prejuízo dos que ficam do lado de fora. Mas não será assim para sempre. O «dia do Senhor», descrito pelos profetas (cf. Am 5, 18; Is 2 – 5; Jl 1 – 3), destruirá as barreiras criadas entre países e substituirá a arrogância de poucos com a solidariedade de muitos. A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira. Como escrevia o Padre Primo Mazzolari: «O pobre é um contínuo protesto contra as nossas injustiças; o pobre é um paiol. Se lhe ateias o fogo, o mundo vai pelo ar».
  1. Não é possível jamais iludir o premente apelo que a Sagrada Escritura confia aos pobres. Para onde quer que se volte o olhar, a Palavra de Deus indica que os pobres são todos aqueles que, não tendo o necessário para viver, dependem dos outros. São o oprimido, o humilde, aquele que está prostrado por terra. Mas, perante esta multidão inumerável de indigentes, Jesus não teve medo de Se identificar com cada um deles: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt25, 40). Esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo a quantos estão desiludidos e privados de futuro.
Como não assinalar que as Bem-aventuranças, com que Jesus inaugurou a pregação do Reino de Deus, começam por esta expressão: «Felizes vós, os pobres» (Lc 6, 20)? O sentido deste anúncio paradoxal é precisamente que o Reino de Deus pertence aos pobres, porque estão na condição de o receber. Encontramos tantos pobres cada dia! Às vezes parece que o transcorrer do tempo e as conquistas da civilização, em vez de diminuir o seu número, aumentam-no. Passam os séculos, e aquela Bem-aventurança evangélica apresenta-se cada vez mais paradoxal: os pobres são sempre mais pobres, e hoje são-no ainda mais. Mas, colocando no centro os pobres ao inaugurar o seu Reino, Jesus quer-nos dizer precisamente isto: Ele inaugurou, mas confiou-nos, a nós seus discípulos, a tarefa de lhe dar seguimento, com a responsabilidade de dar esperança aos pobres. Sobretudo num período como o nosso, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.
  1. Ao aproximar-se dos pobres, a Igreja descobre que é um povo, espalhado entre muitas nações, que tem a vocação de fazer com que ninguém se sinta estrangeiro nem excluído, porque a todos envolve num caminho comum de salvação. A condição dos pobres obriga a não se afastar do Corpo do Senhor que sofre neles. Antes, pelo contrário, somos chamados a tocar a sua carne para nos comprometermos em primeira pessoa num serviço que é autêntica evangelização. A promoção, mesmo social, dos pobres não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. O amor que dá vida à fé em Jesus não permite que os seus discípulos se fechem num individualismo asfixiador, oculto nas pregas duma intimidade espiritual, sem qualquer influxo na vida social (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 183).
Recentemente, choramos a perda dum grande apóstolo dos pobres, Jean Vanier, o qual, com a sua dedicação, abriu novos caminhos à partilha promotora das pessoas marginalizadas. Jean Vanier recebeu de Deus o dom de dedicar toda a sua vida aos irmãos com deficiências profundas, que muitas vezes a sociedade tende a excluir. Foi um «santo da porta ao lado» da nossa; com o seu entusiasmo, soube reunir à sua volta muitos jovens, homens e mulheres, que, com o seu empenho diário, deram amor e devolveram o sorriso a tantas pessoas vulneráveis e frágeis, oferecendo-lhes uma verdadeira «arca» de salvação contra a marginalização e a solidão. Este seu testemunho mudou a vida de muitas pessoas e ajudou o mundo a olhar com olhos diferentes para as pessoas mais frágeis e vulneráveis. O clamor dos pobres foi ouvido e gerou uma esperança inabalável, criando sinais visíveis e palpáveis dum amor concreto, que podemos constatar até ao dia de hoje.
  1. «A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (ibid., 195), é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos. É neles que a caridade cristã encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe força e dá vigor ao anúncio do Evangelho.
O compromisso dos cristãos, por ocasião deste Dia Mundial e sobretudo na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. «Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação» (ibid., 199) pelos pobres, buscando o seu verdadeiro bem. Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efémero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.
A esperança comunica-se também através da consolação que se implementa acompanhando os pobres, não por alguns dias permeados de entusiasmo, mas com um compromisso que perdura no tempo. Os pobres adquirem verdadeira esperança, não quando nos veem gratificados por lhes termos concedido um pouco do nosso tempo, mas quando reconhecem no nosso sacrifício um ato de amor gratuito que não procura recompensa.
  1. A tantos voluntários, a quem muitas vezes é devido o mérito de ter sido os primeiros a intuir a importância desta atenção aos pobres, peço para crescerem na sua dedicação. Queridos irmãos e irmãs, exorto-vos a procurar, em cada pobre que encontrais, aquilo de que ele tem verdadeiramente necessidade; a não vos deter na primeira necessidade material, mas a descobrir a bondade que se esconde no seu coração, tornando-vos atentos à sua cultura e modos de se exprimir, para poderdes iniciar um verdadeiro diálogo fraterno. Coloquemos de parte as divisões que provêm de visões ideológicas ou políticas, fixemos o olhar no essencial que não precisa de muitas palavras, mas dum olhar de amor e duma mão estendida. Nunca vos esqueçais que «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual» (ibid., 200).
Antes de tudo, os pobres precisam de Deus, do seu amor tornado visível por pessoas santas que vivem ao lado deles e que, na simplicidade da sua vida, exprimem e fazem emergir a força do amor cristão. Deus serve-se de tantos caminhos e de infinitos instrumentos para alcançar o coração das pessoas. É certo que os pobres também se aproximam de nós porque estamos a distribuir-lhes o alimento, mas aquilo de que verdadeiramente precisam ultrapassa a sopa quente ou a sanduíche que oferecemos. Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor…
  1. Por vezes, basta pouco para restabelecer a esperança: basta parar, sorrir, escutar. Durante um dia, deixemos de parte as estatísticas; os pobres não são números, que invocamos para nos vangloriar de obras e projetos. Os pobres são pessoas a quem devemos encontrar: são jovens e idosos sozinhos que se hão de convidar a entrar em casa para partilhar a refeição; homens, mulheres e crianças que esperam uma palavra amiga. Os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo.
Aos olhos do mundo, é irracional pensar que a pobreza e a indigência possam ter uma força salvífica; e, todavia, é o que ensina o Apóstolo quando diz: «Humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor 1, 26-29). Com os olhos humanos, não se consegue ver esta força salvífica; mas, com os olhos da fé, é possível vê-la em ação e experimentá-la pessoalmente. No coração do Povo de Deus em caminho, palpita esta força salvífica que não exclui ninguém, e a todos envolve numa verdadeira peregrinação de conversão para reconhecer os pobres e amá-los.
  1. O Senhor não abandona a quem O procura e a quantos O invocam; «não esquece o clamor dos pobres» (Sal 9, 13), porque os seus ouvidos estão atentos à sua voz. A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. A sua condição de pobreza não lhe tira a dignidade que recebeu do Criador; vive na certeza de que a mesma ser-lhe-á restabelecida plenamente pelo próprio Deus. Ele não fica indiferente à sorte dos seus filhos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na sua mão, e dá-lhes força e coragem (cf. Sal 10, 14). A esperança do pobre torna-se forte com a certeza de que é acolhido pelo Senhor, n’Ele encontra verdadeira justiça, fica revigorado no coração para continuar a amar (cf. Sal 10, 17).
Aos discípulos do Senhor Jesus, a condição que se lhes impõe para serem evangelizadores coerentes é semear sinais palpáveis de esperança. A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. Acompanhem-nos as palavras do profeta que anuncia um futuro diferente: «Para vós, que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20).
Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2019.

Foi divulgada nesta quinta-feira (13/06), a Mensagem do papa Francisco para o III Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado em 17 de novembro de 2019. Na Mensagem, o papa lamenta que: “a desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro”.
A celebração é fruto do Jubileu Extraordinário da Misericórdia e se realiza no domingo anterior ao da festa de Cristo Rei.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
PARA O III DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(17 DE NOVEMBRO DE 2019)
“A esperança dos pobres jamais se frustrará”
  1. «A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19). Estas palavras são de incrível atualidade. Expressam uma verdade profunda, que a fé consegue gravar sobretudo no coração dos mais pobres: a esperança perdida devido às injustiças, aos sofrimentos e à precariedade da vida será restabelecida.
O salmista descreve a condição do pobre e a arrogância de quem o oprime (cf. Sal 10, 1-10). Invoca o juízo de Deus, para que seja restabelecida a justiça e vencida a iniquidade (cf. Sal 10, 14-15). Parece ecoar nas suas palavras uma questão que atravessa o decurso dos séculos até aos nossos dias: como é que Deus pode tolerar esta desigualdade? Como pode permitir que o pobre seja humilhado, sem intervir em sua ajuda? Por que consente que o opressor tenha vida feliz, enquanto o seu comportamento haveria de ser condenado precisamente devido ao sofrimento do pobre?
No período da redação do Salmo, assistia-se a um grande desenvolvimento econômico, que acabou também – como acontece frequentemente – por gerar fortes desequilíbrios sociais. A desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro.
Era o tempo em que pessoas arrogantes e sem qualquer sentido de Deus espiavam os pobres para se apoderar até do pouco que tinham, reduzindo-os à escravidão. A realidade, hoje, não é muito diferente! A numerosos grupos de pessoas, a crise econômica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anômalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados. Acodem à mente estas palavras do Apocalipse: «Porque dizes: “sou rico, enriqueci e nada me falta”, e não te dás conta de que és um infeliz, um miserável, um pobre, um cego, um nu?» (3, 17). Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus.
  1. Também hoje devemos elencar muitas formas de novas escravidões a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças.
Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo marginalizadas que vagueiam pelas estradas das nossas cidades?
Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir! Tendo-se tornado, eles próprios, parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo. Aos pobres, frequentemente considerados parasitas da sociedade, não se lhes perdoa sequer a sua pobreza. A condenação está sempre pronta. Não se podem permitir sequer o medo ou o desânimo: simplesmente porque pobres, serão tidos por ameaçadores ou incapazes.
Drama dentro do drama, não lhes é consentido ver o fim do túnel da miséria. Chegou-se ao ponto de teorizar e realizar uma arquitetura hostil para desembaraçar-se da sua presença mesmo nas estradas, os últimos espaços de acolhimento. Vagueiam duma parte para outra da cidade, esperando obter um emprego, uma casa, um afeto… Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer.
Com vivo realismo, o salmista descreve o comportamento dos ricos que roubam os pobres: «Arma ciladas para assaltar o pobre e (…) arrasta-o na sua rede» (cf. Sal 10, 9). Para eles, é como se se tratasse duma caçada, na qual os pobres são perseguidos, presos e feitos escravos. Numa condição assim, fecha-se o coração de muitos, e leva a melhor o desejo de desaparecer. Em suma, reconhecemos uma multidão de pobres, muitas vezes tratados com retórica e suportados com fastídio. Como que se tornam invisíveis, e a sua voz já não tem força nem consistência na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos entre as nossas casas e marginalizados entre os nossos bairros.
  1. O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, dá uma bela definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo desta confiança: ele «conhece o seu Senhor» (cf. 9, 11) e, na linguagem bíblica, este «conhecer» indica uma relação pessoal de afeto e de amor.
Encontramo-nos perante uma descrição verdadeiramente impressionante, que nunca esperaríamos. Assim faz sobressair a grandeza de Deus, quando Se encontra diante dum pobre. A sua força criadora supera toda a expetativa humana e concretiza-se na «recordação» que Ele tem daquela pessoa concreta (cf. 9, 13). É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar; por isso, vive sempre na presença daquele Deus que Se recorda dele. A sua ajuda estende-se para além da condição atual de sofrimento, a fim de delinear um caminho de libertação que transforma o coração, porque o sustenta no mais profundo do seu ser.
  1. Constitui um refrão permanente da Sagrada Escritura a descrição da ação de Deus em favor dos pobres. É Aquele que «escuta», «intervém», «protege», «defende», «resgata», «salva»… Em suma, um pobre não poderá jamais encontrar Deus indiferente ou silencioso perante a sua oração. É Aquele que faz justiça e não esquece (cf. Sal 40, 18; 70, 6); mais, constitui um refúgio para o pobre e não cessa de vir em sua ajuda (cf. Sal 10, 14).
Podem-se construir muitos muros e obstruir as entradas, iludindo-se assim de sentir-se a seguro com as suas riquezas em prejuízo dos que ficam do lado de fora. Mas não será assim para sempre. O «dia do Senhor», descrito pelos profetas (cf. Am 5, 18; Is 2 – 5; Jl 1 – 3), destruirá as barreiras criadas entre países e substituirá a arrogância de poucos com a solidariedade de muitos. A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira. Como escrevia o Padre Primo Mazzolari: «O pobre é um contínuo protesto contra as nossas injustiças; o pobre é um paiol. Se lhe ateias o fogo, o mundo vai pelo ar».
  1. Não é possível jamais iludir o premente apelo que a Sagrada Escritura confia aos pobres. Para onde quer que se volte o olhar, a Palavra de Deus indica que os pobres são todos aqueles que, não tendo o necessário para viver, dependem dos outros. São o oprimido, o humilde, aquele que está prostrado por terra. Mas, perante esta multidão inumerável de indigentes, Jesus não teve medo de Se identificar com cada um deles: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt25, 40). Esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo a quantos estão desiludidos e privados de futuro.
Como não assinalar que as Bem-aventuranças, com que Jesus inaugurou a pregação do Reino de Deus, começam por esta expressão: «Felizes vós, os pobres» (Lc 6, 20)? O sentido deste anúncio paradoxal é precisamente que o Reino de Deus pertence aos pobres, porque estão na condição de o receber. Encontramos tantos pobres cada dia! Às vezes parece que o transcorrer do tempo e as conquistas da civilização, em vez de diminuir o seu número, aumentam-no. Passam os séculos, e aquela Bem-aventurança evangélica apresenta-se cada vez mais paradoxal: os pobres são sempre mais pobres, e hoje são-no ainda mais. Mas, colocando no centro os pobres ao inaugurar o seu Reino, Jesus quer-nos dizer precisamente isto: Ele inaugurou, mas confiou-nos, a nós seus discípulos, a tarefa de lhe dar seguimento, com a responsabilidade de dar esperança aos pobres. Sobretudo num período como o nosso, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.
  1. Ao aproximar-se dos pobres, a Igreja descobre que é um povo, espalhado entre muitas nações, que tem a vocação de fazer com que ninguém se sinta estrangeiro nem excluído, porque a todos envolve num caminho comum de salvação. A condição dos pobres obriga a não se afastar do Corpo do Senhor que sofre neles. Antes, pelo contrário, somos chamados a tocar a sua carne para nos comprometermos em primeira pessoa num serviço que é autêntica evangelização. A promoção, mesmo social, dos pobres não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. O amor que dá vida à fé em Jesus não permite que os seus discípulos se fechem num individualismo asfixiador, oculto nas pregas duma intimidade espiritual, sem qualquer influxo na vida social (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 183).
Recentemente, choramos a perda dum grande apóstolo dos pobres, Jean Vanier, o qual, com a sua dedicação, abriu novos caminhos à partilha promotora das pessoas marginalizadas. Jean Vanier recebeu de Deus o dom de dedicar toda a sua vida aos irmãos com deficiências profundas, que muitas vezes a sociedade tende a excluir. Foi um «santo da porta ao lado» da nossa; com o seu entusiasmo, soube reunir à sua volta muitos jovens, homens e mulheres, que, com o seu empenho diário, deram amor e devolveram o sorriso a tantas pessoas vulneráveis e frágeis, oferecendo-lhes uma verdadeira «arca» de salvação contra a marginalização e a solidão. Este seu testemunho mudou a vida de muitas pessoas e ajudou o mundo a olhar com olhos diferentes para as pessoas mais frágeis e vulneráveis. O clamor dos pobres foi ouvido e gerou uma esperança inabalável, criando sinais visíveis e palpáveis dum amor concreto, que podemos constatar até ao dia de hoje.
  1. «A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (ibid., 195), é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos. É neles que a caridade cristã encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe força e dá vigor ao anúncio do Evangelho.
O compromisso dos cristãos, por ocasião deste Dia Mundial e sobretudo na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. «Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação» (ibid., 199) pelos pobres, buscando o seu verdadeiro bem. Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efémero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.
A esperança comunica-se também através da consolação que se implementa acompanhando os pobres, não por alguns dias permeados de entusiasmo, mas com um compromisso que perdura no tempo. Os pobres adquirem verdadeira esperança, não quando nos veem gratificados por lhes termos concedido um pouco do nosso tempo, mas quando reconhecem no nosso sacrifício um ato de amor gratuito que não procura recompensa.
  1. A tantos voluntários, a quem muitas vezes é devido o mérito de ter sido os primeiros a intuir a importância desta atenção aos pobres, peço para crescerem na sua dedicação. Queridos irmãos e irmãs, exorto-vos a procurar, em cada pobre que encontrais, aquilo de que ele tem verdadeiramente necessidade; a não vos deter na primeira necessidade material, mas a descobrir a bondade que se esconde no seu coração, tornando-vos atentos à sua cultura e modos de se exprimir, para poderdes iniciar um verdadeiro diálogo fraterno. Coloquemos de parte as divisões que provêm de visões ideológicas ou políticas, fixemos o olhar no essencial que não precisa de muitas palavras, mas dum olhar de amor e duma mão estendida. Nunca vos esqueçais que «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual» (ibid., 200).
Antes de tudo, os pobres precisam de Deus, do seu amor tornado visível por pessoas santas que vivem ao lado deles e que, na simplicidade da sua vida, exprimem e fazem emergir a força do amor cristão. Deus serve-se de tantos caminhos e de infinitos instrumentos para alcançar o coração das pessoas. É certo que os pobres também se aproximam de nós porque estamos a distribuir-lhes o alimento, mas aquilo de que verdadeiramente precisam ultrapassa a sopa quente ou a sanduíche que oferecemos. Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor…
  1. Por vezes, basta pouco para restabelecer a esperança: basta parar, sorrir, escutar. Durante um dia, deixemos de parte as estatísticas; os pobres não são números, que invocamos para nos vangloriar de obras e projetos. Os pobres são pessoas a quem devemos encontrar: são jovens e idosos sozinhos que se hão de convidar a entrar em casa para partilhar a refeição; homens, mulheres e crianças que esperam uma palavra amiga. Os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo.
Aos olhos do mundo, é irracional pensar que a pobreza e a indigência possam ter uma força salvífica; e, todavia, é o que ensina o Apóstolo quando diz: «Humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor 1, 26-29). Com os olhos humanos, não se consegue ver esta força salvífica; mas, com os olhos da fé, é possível vê-la em ação e experimentá-la pessoalmente. No coração do Povo de Deus em caminho, palpita esta força salvífica que não exclui ninguém, e a todos envolve numa verdadeira peregrinação de conversão para reconhecer os pobres e amá-los.
  1. O Senhor não abandona a quem O procura e a quantos O invocam; «não esquece o clamor dos pobres» (Sal 9, 13), porque os seus ouvidos estão atentos à sua voz. A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. A sua condição de pobreza não lhe tira a dignidade que recebeu do Criador; vive na certeza de que a mesma ser-lhe-á restabelecida plenamente pelo próprio Deus. Ele não fica indiferente à sorte dos seus filhos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na sua mão, e dá-lhes força e coragem (cf. Sal 10, 14). A esperança do pobre torna-se forte com a certeza de que é acolhido pelo Senhor, n’Ele encontra verdadeira justiça, fica revigorado no coração para continuar a amar (cf. Sal 10, 17).
Aos discípulos do Senhor Jesus, a condição que se lhes impõe para serem evangelizadores coerentes é semear sinais palpáveis de esperança. A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. Acompanhem-nos as palavras do profeta que anuncia um futuro diferente: «Para vós, que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20).
Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2019.
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