sábado, 1 de agosto de 2026

População de imigrantes sem status permanente nos EUA atinge 15,8 milhões, aponta estudo



 A população de imigrantes que vivem nos Estados Unidos sem residência permanente ou outro status migratório definitivo alcançou um novo patamar em 2024. É o que aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Migration Policy Institute (MPI), que estima esse grupo em cerca de 15,8 milhões de pessoas, o maior número já registrado pela instituição.

Segundo o estudo, antes de 2019 esse contingente era estimado em aproximadamente 11 milhões de pessoas. O crescimento observado nos últimos anos foi impulsionado por uma combinação de fatores, entre eles a recuperação da economia americana após a pandemia, crises políticas e de segurança em diversos países das Américas e o aumento da chegada de migrantes pela fronteira sudoeste dos Estados Unidos.

De acordo com o relatório, entre 2019 e 2024 a população analisada cresceu cerca de 5 milhões de pessoas, o equivalente a uma média de aproximadamente 8% ao ano.

Mudança no perfil dos países de origem

Embora o México continue sendo o principal país de origem, com uma estimativa de 5,5 milhões de pessoas, sua participação relativa diminuiu ao longo dos últimos anos.

Em contrapartida, aumentou significativamente a presença de migrantes vindos da América Central e da América do Sul, especialmente de países como Equador, Colômbia, Venezuela, Guatemala e Honduras.

O estudo estima que, em meados de 2024, havia aproximadamente:

  • 4,3 milhões de pessoas originárias da América Central;
  • 2,2 milhões provenientes da América do Sul.

Esses números representam um crescimento expressivo em comparação com 2019.

Proteções temporárias

Outro ponto destacado pelo MPI é que uma parcela significativa dessas pessoas possuía, em 2024, algum tipo de proteção migratória temporária concedida pelas autoridades americanas.

Entre essas modalidades estavam programas como:

  • Status de Proteção Temporária (TPS);
  • DACA;
  • Autorizações de trabalho;
  • Programas de permanência humanitária.

O relatório estima que cerca de 6,3 milhões de pessoas, ou aproximadamente 40% da população analisada, estavam nessa situação, caracterizada pelo instituto como um status temporário que oferece autorização para permanecer e trabalhar no país por determinado período, mas que não representa um caminho automático para a residência permanente.

Mudanças recentes

O levantamento observa que, desde o início de 2025, diversas alterações nas políticas migratórias levaram parte dessas pessoas a perder algumas das proteções temporárias anteriormente disponíveis.

O estudo também cita decisões judiciais e mudanças administrativas que impactaram programas voltados a determinados grupos de imigrantes, modificando o cenário migratório nos Estados Unidos ao longo do último ano.

Fronteira registra queda nas chegadas

Apesar do crescimento acumulado da população analisada, o relatório aponta que as chegadas irregulares na fronteira entre Estados Unidos e México diminuíram entre 2023 e 2024.

Segundo o MPI, essa redução ocorreu após mudanças nas regras relacionadas aos pedidos de asilo implementadas pelo governo americano na época, além do reforço das ações de fiscalização por parte das autoridades mexicanas na região de fronteira.

O instituto ressalta que os dados representam estimativas baseadas em diferentes fontes estatísticas e metodologias de pesquisa utilizadas para acompanhar a evolução da população migrante nos Estados Unidos.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Migrantes continuam a chegar a Ceuta vindos a nado do Marrocos

Migrantes tentam passar a fronteira   (ANSA)
 

Em poucos dias, entre 1.500 e 2.000 pessoas chegaram ao enclave espanhol de Ceuta, enquanto centenas de outros migrantes cruzaram a fronteira somente nesta quinta-feira. Madri anuncia repatriações rápidas e reforça a cooperação com Rabat; as autoridades locais denunciam uma grave emergência humanitária e a superlotação dos centros de acolhimento. Recuperados 18 corpos no mar.

Stefano Leszczynski, Silvonei José – Vatican News

O enclave espanhol de Ceuta, na costa norte do Marrocos, volta a ser o centro da pressão migratória. Após alguns dias de chegadas contínuas, somente nesta quinta-feira (30/07), centenas de pessoas cruzaram a fronteira, somando-se aos cerca de 1.500 a 2.000 migrantes que já haviam chegado nos dias anteriores. Trata-se do maior afluxo registrado na cidade autônoma desde maio de 2021, quando mais de 10.000 pessoas chegaram ao território espanhol em apenas dois dias. Entretanto, a Guarda Civil informou que o número de corpos de migrantes mortos na tentativa de alcançar a nado o território espanhol e recuperados no mar subiu para 18.

Centenas de jovens migrantes, muitos deles menores de idade, passaram a noite em parques da cidade, em gramados ou na entrada de estacionamentos públicos, transformando a cidade autônoma em um dormitório a céu aberto, com o sistema de acolhimento à beira do colapso.

Também no amanhecer desta sexta-feira (31/07), dezenas de pessoas continuaram a se lançar ao mar para chegar a nado ao enclave, enquanto por terra colunas de migrantes tentam cruzar a fronteira na zona industrial do Tarajal, segundo as imagens transmitidas ao vivo pela emissora TVE.

Depois de mobilizar unidades do Exército para lidar com a emergência, O primeiro-ministro Pedro Sánchez, estará nesta sexta-feira na cidade autônoma, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Migrante a nado   (ANSA)

Do Marrocos a nado

Muitos migrantes chegaram a Ceuta a nado ou usando colchões infláveis, enquanto outros passaram pelo posto de fronteira. Muitos comemoraram a chegada com manifestações de alegria, saudando a Espanha como destino de uma longa jornada na esperança de um futuro melhor.

A nova onda de chegadas colocou rapidamente sob pressão as estruturas de acolhimento. O presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, falou de uma situação de “absoluta emergência humanitária e social”, explicando que os centros destinados aos migrantes já estão superlotados. Segundo as autoridades locais, nos últimos dias mais de 1.500 pessoas desembarcaram por via marítima, com uma média de cerca de 200 chegadas diárias. Entre elas, há também vários menores. Enquanto isso, centenas de outras pessoas se reuniram na vizinha cidade marroquina de Fnideq, tentando chegar a Ceuta por mar ou escalando a barreira da fronteira. De acordo com alguns depoimentos coletados no local, a concentração de migrantes teria sido favorecida pela disseminação de boatos sobre a abertura da fronteira.


Migrantes tentam passar a fronteira   (ANSA)

Madri prepara os repatriamentos

O governo espanhol anunciou ter chegado a um acordo com as autoridades marroquinas para proceder “o mais rápido possível” ao repatriamento das pessoas que entraram irregularmente no enclave. O primeiro-ministro Pedro Sánchez garantiu o total empenho do governo na gestão da emergência, mobilizando todos os recursos disponíveis e reforçando a coordenação com Rabat e com os organismos internacionais. O Ministério do Interior atribuiu, além disso, as entradas em massa à ação das redes de traficantes de pessoas, reiterando que a cooperação entre a Espanha e o Marrocos em matéria de migração permanece sólida.

Uma fronteira estratégica entre a Europa e a África

Ceuta, juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. É justamente essa localização que a torna um dos principais pontos de tensão ao longo das rotas migratórias rumo à Europa. A última grande crise remonta a 2021, em pleno período de tensões diplomáticas entre a Espanha e o Marrocos sobre a questão do Saara Ocidental. Desde então, as relações bilaterais foram progressivamente restabelecidas, mas as novas chegadas mostram o quanto a gestão dos fluxos migratórios continua sendo um desafio em aberto, no qual se entrelaçam as necessidades de segurança, cooperação internacional e proteção das pessoas mais vulneráveis.


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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Vítimas de tráfico são forçadas a integrar redes de fraudes, alerta a ONU


© Unodc Funcionários do Unodc visitam um centro de fraudes alvo de uma operação policial na capital do Camboja, Phnom Penh.

No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, organização destaca o crescimento do recurso ao tráfico humano por parte de criminosos; vítimas são obrigadas a cometer crimes e relatam casos de tortura, abuso sexual, fome e isolamento; africanos são o grupo mais traficado.

Redes criminosas internacionais estão a expandir o tráfico humano para alimentar esquemas de fraudes online, forçando a participação de centenas de milhares de vítimas em várias atividades ilegais, sob pena de coação. 

O alerta foi dado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, no contexto do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas. A data é assinalada neste 30 de julho sob o tema “Presos por detrás do esquema”.

Guterres apela a uma resposta global contra o tráfico

Em mensagem, António Guterres relembrou que o tráfico de seres humanos constitui uma grave violação dos direitos humanos. O secretário-geral da ONU deixou ainda um apelo a uma resposta coletiva, capaz de identificar estas redes criminosas e cortar as suas vias de financiamento.

O tráfico para fins criminais tem crescido rapidamente nos últimos anos. De acordo com o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, Unodc, este tipo de exploração aumentou de 1% das vítimas detetadas a nível mundial em 2016 para 8% em 2022. 

Ainda em 2022, vítimas de 162 nacionalidades foram traficadas para 128 países. Por sua vez, cerca de 70% das pessoas que foram investigadas, acusadas e condenadas por tráfico eram homens.

Já as vítimas africanas são o grupo mais amplamente traficado pelas organizações criminosas, representando 31% dos fluxos de tráfico transfronteiriço, indicam os dados da ONU. 

Uma mulher em uma loja na Mauritânia, envolta em um tecido com estampa dourada, cercada por prateleiras e paredes de tecidos coloridos.
© Sibylle Desjardins / OIM Uma ex-vítima de tráfico humano na Mauritânia

Recrutamento é feito nas plataformas digitais 

O tráfico humano para criminalidade forçada ocorre quando pessoas são exploradas e obrigadas a cometer crimes em benefício dos traficantes, frequentemente através de engano, ameaças ou coação.

Muitas vezes, o recrutamento começa em plataformas online. Os anúncios de emprego fraudulentos visam pessoas que falam várias línguas, têm competências digitais e estão familiarizadas com as redes sociais.

As burlas não são o único crime praticado pelas vítimas, que também são forçadas a uma grande variedade de atividades ilegais, incluindo furtos, tráfico de droga, fraude financeira e esquemas online.

De acordo com Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, estima-se que mais de 300 mil pessoas estão atualmente presas em centros controlados por estas organizações criminosas.

Proteção das vítimas no centro da resposta 

Perante a expansão geográfica do tráfico de pessoas, a OIM tem vindo a reforçar o apelo à prevenção, à proteção das vítimas, à cooperação transfronteiriça e a parcerias reforçadas para desmantelar redes de tráfico.

Ainda este ano, a agência lançou a sua nova Estratégia Regional de Resposta ao Tráfico de Pessoas para Criminalidade Forçada na Ásia e no Pacífico 2026 – 2030. 

O plano prevê a proteção de vítimas, a cooperação transfronteiriça e o reforço de parcerias para desmantelar redes de tráfico.

No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas de 2026, a OIM enfatiza que as pessoas forçadas a cometer crimes dentro de centros de golpes são vítimas de tráfico e como tal devem ser protegidas



https://news.un.org/

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Da Guerra Fria aos algoritmos: como a religião ajudou a transformar a cultura brasileira


Gerd Altmann/Pixabay

José Carlos Lima

A identidade cultural brasileira está passando por uma das maiores transformações de sua história. Esse processo não pode ser explicado apenas pelo crescimento das igrejas neopentecostais nem apenas pela revolução digital. Ele resulta do encontro entre mudanças religiosas, econômicas, políticas e tecnológicas que, ao longo dos últimos setenta anos, alteraram profundamente a forma como os brasileiros vivem a fé, compreendem a sociedade e se relacionam entre si.

O Brasil sempre foi uma nação marcada pelo sincretismo religioso, pela convivência entre diferentes tradições e por um forte espírito comunitário. Nossa cultura foi construída pela mistura de povos indígenas, africanos, europeus e migrantes de diversas origens. A solidariedade, a vida em comunidade e a capacidade de conviver com as diferenças tornaram-se características marcantes da sociedade brasileira.

Entretanto, essa identidade começou a ser desafiada ainda durante a Guerra Fria.

Naquele contexto, América Latina e Brasil tornaram-se espaços estratégicos da disputa entre capitalismo e socialismo. Ao mesmo tempo em que cresciam os movimentos populares, sindicais e estudantis, a Igreja Católica aproximava-se das periferias por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), fortalecidas pelo Concílio Vaticano II e pela Conferência de Medellín. A partir delas, milhares de leigos passaram a organizar pequenas comunidades de fé, solidariedade e participação social, suprindo a escassez de sacerdotes provocada pela rápida urbanização e pelo intenso êxodo rural.

Foi também nesse período que a Teologia da Libertação ganhou força ao defender uma leitura do Evangelho comprometida com a justiça social, a superação da pobreza e a organização popular.

Paralelamente, intensificou-se a atuação de missionários protestantes norte-americanos e canadenses na América Latina. O objetivo declarado dessas missões era ampliar a evangelização. Contudo, diversos pesquisadores sustentam que essa expansão também se inseria no ambiente ideológico da Guerra Fria, quando organizações religiosas passaram a ser vistas, por diferentes atores, como parte da disputa pela influência política e cultural no continente. Nesse contexto, movimentos de esquerda e a crescente presença da Igreja Católica nas periferias tornaram-se importantes focos de oposição de setores religiosos anticomunistas.

Desse ambiente nasceram ou ganharam força novas denominações pentecostais, como a Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo, Deus é Amor e a Casa da Bênção. Esta última, fundada pelo missionário canadense Robert McAlister, influenciou diretamente uma geração de líderes que daria origem ao neopentecostalismo brasileiro.

Nas décadas seguintes surgiram igrejas como a Universal do Reino de Deus, a Internacional da Graça de Deus, a Renascer em Cristo e a Mundial do Poder de Deus. Embora diferentes entre si, essas denominações compartilhavam características comuns: intensa utilização dos meios de comunicação, administração altamente profissionalizada, forte presença nas periferias urbanas e uma teologia centrada na experiência individual da fé.

A Teologia da Prosperidade passou a afirmar que a bênção divina também se manifesta por meio do sucesso material, da saúde e da prosperidade econômica. A salvação deixou de ser apresentada apenas como uma promessa futura e passou a ser percebida também como vitória sobre os problemas da vida cotidiana.

Ao mesmo tempo, a Igreja Católica vivia um período de mudanças internas. Durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, a Teologia da Libertação sofreu fortes restrições doutrinárias, enquanto as Comunidades Eclesiais de Base perderam espaço e influência. Sem abandonar sua missão social, a Igreja reduziu sua capacidade de organização popular justamente no momento em que as igrejas pentecostais ampliavam rapidamente sua presença nos bairros populares.

Outro fenômeno decisivo foi o surgimento da cultura gospel.

A Igreja Batista da Lagoinha, sob a liderança do pastor Márcio Valadão, desempenhou papel fundamental nesse processo. O ministério Diante do Trono, liderado por Ana Paula Valadão, transformou a música evangélica em um fenômeno nacional. A partir daí consolidou-se uma poderosa indústria cultural formada por gravadoras, editoras, rádios, emissoras de televisão, grandes eventos e, mais recentemente, influenciadores digitais.

A religião deixou de ocupar apenas os templos para tornar-se também entretenimento, mercado e produção permanente de conteúdo.

Então chegou a internet.

As redes sociais aceleraram uma transformação que já estava em curso. Pela primeira vez na história brasileira, a formação de valores deixou de depender prioritariamente da família, da escola, das igrejas e das organizações comunitárias. Hoje, algoritmos decidem quais mensagens religiosas, políticas e culturais alcançarão milhões de pessoas todos os dias.

Essa mudança coincide com outra transformação mais profunda: a passagem de uma cultura fortemente comunitária para uma lógica cada vez mais individualista. Enquanto as Comunidades Eclesiais de Base valorizavam a solidariedade, a participação popular e a transformação coletiva da sociedade, boa parte da religiosidade contemporânea enfatiza a realização pessoal, o empreendedorismo individual, a prosperidade econômica e a responsabilidade exclusiva do indivíduo pelo próprio sucesso.

Não se trata de afirmar que todas as igrejas pensam da mesma maneira, nem de reduzir a complexidade da história religiosa brasileira a uma única interpretação. O campo religioso permanece plural e abriga experiências muito diversas. Contudo, é difícil ignorar que a expansão do neopentecostalismo coincidiu com profundas mudanças culturais, econômicas e tecnológicas que fortaleceram valores mais individualistas.

A pergunta que permanece é maior do que a religião.

O Brasil conseguirá preservar sua tradição de convivência, solidariedade, diversidade cultural e organização comunitária diante de uma sociedade moldada por algoritmos, pela lógica do mercado e pela valorização crescente do indivíduo?

Responder a essa questão talvez seja um dos maiores desafios intelectuais e políticos do nosso tempo. Afinal, o debate já não diz respeito apenas ao futuro das igrejas, mas ao futuro da identidade cultural brasileira e da própria democracia.

José Carlos Lima, Dirigente da Fundação Verde Herbert Daniel, advogado, ambientalista e amazônida

https://fpabramo.org.br/

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sábado, 25 de julho de 2026

Migrantes como agentes de mudança: Integração a longo prazo de migrantes na Colômbia

 O Programa Mundial de Alimentos (PMA) está trabalhando com o Governo da Colômbia e parceiros para apoiar a integração a longo prazo de migrantes venezuelanos e pessoas deslocadas internamente. Com foco em Bogotá, Medellín e áreas de fronteira, o projeto ampliará o acesso à proteção social, formação profissional e apoio a microempresas e novos empreendimentos. O objetivo é alcançar mais de 4.000 famílias até 2026 e busca financiamento adicional além dos US$ 2 milhões já garantidos.

O PMA tem experiência na implementação de projetos de integração socioeconômica – alcançando 7.000 famílias (28.000 pessoas) na Colômbia nos últimos quatro anos – em conjunto com uma vasta rede de atores público-privados. O PMA já está presente nas áreas propostas para esta intervenção e cultivou relações sólidas com instituições e comunidades locais. A parceria apoiará a sustentabilidade do projeto além do primeiro ano e ajudará a transformar a vida de migrantes e deslocados internos na Colômbia.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

UE poderá encaminhar imigrantes latinos para África



 Milhares de pessoas em situação irregular apresentaram pedidos de regularização após medida do governo da Espanha

Foto: Ramon Costa/SOPA Images/Sipa USA/picture alliance

Mirra Banchón

Em meio ao endurecimento das políticas migratórias na Europa e ao avanço da extrema direita e de partidos ultradireitistas em todo o continente, o Parlamento Europeu aprovou em junho novas regras que ampliam os poderes dos governos para deportar migrantes e requerentes de asilo com pedidos rejeitados. A medida também abre caminho para transferências a centros de retorno localizados em países terceirosm, ou seja, fora da União Europeia (UE).

No entanto, não ficou imediatamente claro se os cidadãos de países da América Latina também estariam sujeitos a essas deportações.

"Fala-se atualmente em centros de acolhimento. De acordo com o novo Regulamento de Retorno, uma pessoa que chega à Espanha ou a outro país da União Europeia (UE) e solicita qualquer tipo de autorização, e quando esta é negada, poderá ser enviada para um desses centros para que seu retorno possa ser gerenciado a partir dali", explicou Mónica López, diretora-geral da Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados (Cear), à DW.

"Na prática, pessoas da América Latina, por exemplo, que não obtiveram autorização e permanecem em situação irregular, poderão ser enviadas para um centro de retorno fora da UE", esclareceu.

Ameaças ao direito de asilo

Tão logo o Conselho da UE adote o Regulamento de Retorno aprovado pelo Parlamento Europeu, os países terão 12 meses para sua implementação completa. Este regulamento permite, entre outras coisas, detectar e prender imigrantes em situação irregular ou aqueles que tiveram seus pedidos de asilo rejeitados para, em seguida, enviá-los para centros de acolhimento fora da Europa por um período de até 30 meses, independentemente da idade.

Suécia deporta jovens imigrantes ao completarem 18 anos

05:06

"Embora as suas funções ainda não tenham sido especificadas, enquanto organização de direitos humanos, somos totalmente contra, sobretudo por uma razão fundamental: isso põe em risco o princípio da não devolução, que é um dos pilares básicos do direito do asilo", afirmou Mónica López.

Vale lembrar que o Regulamento de Retorno é o último pilar do chamado Pacto da UE sobre Migração e Asilo, que entrou em vigor em meados de junho e prevê a solidariedade entre os Estados-membros do bloco europeu, bem como o controle e o registro nas fronteiras.

A Comissão Europeia – o poder Executivo da UE – explicou à Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos do Parlamento Europeu que se trata de ajudar os Estados-membros a gerir a migração irregular, combatendo-a também ao longo das rotas migratórias.

Externalização das fronteiras da UE

Também são objetivos declarados desta nova política migratória europeia reduzir a criminalidade e oferecer apoio nos pontos de partida. Países como Tunísia e Ruanda estariam entre os centros de retorno. "Na Mauritânia, estão sendo criados centros temporários de acolhimento de migrantes com financiamento da Espanha e da União Europeia", relatou a diretora-geral da Cear.

Paralelamente a esses "centros de retorno", a Comissão Europeia, com o auxílio do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), planeja criar centros multifuncionais, onde os migrantes poderão apresentar seus pedidos de entrada, ter suas qualificações avaliadas para determinar se possuem o perfil profissional necessário na UE e obter acesso a serviços e assistência.

Pessoas com uma faixa contra islamofobia e racismo em manifestação pela regularização dos migrantes em Valência, em julho de 2025
Organizações da sociedade civil na Espanha há muito realizam campanhas pela regularização dos migrantesFoto: Jorge Gil/Europa Press/IMAGO

"Essa política da UE de externalização das fronteiras significa que esses centros estão sendo abertos em países que não são exatamente conhecidos pelo seu respeito aos direitos humanos", destacou Mónica López. "Estamos extremamente preocupados com a possibilidade de esses direitos serem violados e, certamente, com o não cumprimento das garantias necessárias para assegurar o direito de asilo", acrescentou.

Em relação à imigração latino-americana para a Europa, é crucial entender as rotas que as pessoas percorrem. "Chegam como turistas. Uma vez aqui, solicitam refúgio, seja por motivos políticos, por deslocamento causado por guerras, mudanças climáticas ou fome”, explicou à DW Antonia Ávalos, presidente da entidade espanhola Associação de Mulheres Sobreviventes. "Decorrido o prazo de três meses, se não houver resposta ao pedido de asilo, acabam permanecendo no país em situação irregular”, acrescentou.

Via Legais versus regularização

Vale lembrar que o Pacto Global para as Migrações – acordo internacional sob a égide da ONU – também inclui a promoção de vias legais para a migração. "Há anos que reivindicamos programas de migração circular e o estabelecimento de mecanismos para que as pessoas possam chegar à Europa legalmente, sem terem de arriscar as suas vidas no mar" e sem passarem anos escondidas na economia informal, continua Mónica López.

A relevância da regularização para a população latino-americana ficou evidente na Espanha, onde o processo extraordinário de regularização de imigrantes lançado pelo governo de Pedro Sánchez recebeu mais de um milhão de pedidos. Desses, 25,9% partiram de colombianos, 11,8% de venezuelanos, 8,8% de peruanos, 4,8% de hondurenhos, 3,8% de paraguaios e 2,3% de argentinos.

Não faltaram críticas ao processo de regularização iniciado pelo governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez na Espanha. Ainda assim, "foi um acerto para toda a sociedade, porque, embora tenha sido impulsionado pela sociedade civil, contou com o apoio do setor empresarial, dos sindicatos e da Igreja", resumiu Mónica López.

"São pessoas que já viviam na Espanha e, em muitos casos, trabalhavam na economia informal. Optar pela via legal significa simplesmente reconhecer uma realidade existente. Isso tem sido um grande alívio para essas pessoas", acrescentou a diretora-geral da Cear.

O muro que protege a Europa do leste do mundo

08:29

Em todo o caso, tanto o Pacto Internacional sobre Migração e Asilo como o Regulamento de Retorno começam a ganhar forma concreta. Segundo dados da Frontex, a agência de fronteiras da UE, as entradas irregulares diminuíram 40% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, não estão previstos até o momento programas de regularização no âmbito europeu.

O que acontecerá às pessoas sem documentos nos 27 países da UE?

"Mais uma vez, elas serão marginalizadas. Mais de um milhão de pedidos foram submetidos [na Espanha], mas isso não significa que todos serão aprovados. Além disso, houve casos de pessoas que trabalham na agricultura ou de trabalhadores domésticos que não obtiveram autorização para apresentar a documentação, e outros que se confrontaram com o colapso dos consulados ao tentar solicitar documentos", continua Antonia Ávalos, cuja organização atua no sul da Espanha.

Por enquanto, segundo Antonia Ávalos, "os Centros de Detenção de Estrangeiros (CIEs) estão cheios de latino-americanos que não roubaram nem agrediram ninguém. São pessoas que simplesmente não têm status migratório regular". Na opinião dela, a Espanha poderia argumentar que já possui centros de retorno. Além disso, a presidente da Associação de Mulheres Sobreviventes aponta para o fato de que ainda não existem políticas de retorno humanitário.

"O que já estamos vendo na política migratória dos Estados Unidos, que envia migrantes para centros em El Salvadorou outros países com os quais assinou acordos, poderia acontecer com eles [os latino-americanos], que poderiam acabar na Mauritânia", alertou Mónica López.

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