quarta-feira, 4 de março de 2026

Presidente de comissão chama lei migratória de ‘grande erro’: ‘Brasil é para-raios de problemas

 


O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) assumiu neste ano a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados com uma agenda voltada à revisão da política migratória e ao fortalecimento da segurança nas fronteiras.

Em entrevista ao R7, o parlamentar, conhecido na Câmara como “Príncipe” por causa de sua ascendência com a família real brasileira, afirmou enxergar fragilidades na proteção territorial e criticou o modelo atual da Lei de Migração, sancionada durante o governo Michel Temer e mantida na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado critica a falta de controle sobre as pessoas que entram no Brasil e defende regras mais rígidas. “Você vai deixar esse pessoal entrar sem nenhum crivo? Sem nenhuma chancela? Quando nem o próprio país deles os quer? O Brasil virou um repositório, um para-raios de problemas”, pontua.

Segundo ele, o país enfrenta problemas nas áreas de defesa, imigração e relações exteriores. A comissão pretende priorizar projetos relacionados à capacitação das Forças Armadas e ao combate ao narcotráfico.

“O problema está denunciado, o problema está óbvio. E, então, qual é a prioridade? A prioridade aqui é a gente votar projetos que, de fato, mexam a agulha no sentido de resolver os problemas. Essa é a prioridade.”

R7 — Qual será o papel da comissão em um ano eleitoral e com Copa do Mundo?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Temos deficiências grandes na questão de defesa, na questão de imigração e na questão de relações exteriores, incluindo comércio exterior. A intenção é antecipar decisões relacionadas a esses pontos. Estamos dando prioridade a projetos de defesa, com foco na capacitação das Forças Armadas para proteção do território.

Há também combate ao narcotráfico e atenção à imigração. Hoje não existe controle efetivo nas fronteiras, o que facilita contrabando, tráfico de drogas, tráfico de crianças e de órgãos.

R7 — A política migratória brasileira recebeu elogios internacionais e surgiu no governo Temer. Onde está a discordância?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Eu acho que a política migratória se provou uma grande falência na nossa capacidade de proteção do cidadão brasileiro e do Estado brasileiro. Nós estamos completamente vulnerabilizados. Foi um grande erro ter passado a lei. Lembrando que o Temer, na época, vetou 49 artigos da lei antes de ela ser aprovada, mas o cerne ficou — qualquer um que se apresente na fronteira, atravessando a fronteira sem documento, não será barrado e não será expulso.

Isso abriu o leque para todos os grupos criminosos do mundo virem aportar no Brasil sem nenhum controle, e não há limite de acomodação de imigrantes.

R7 — A crítica é contra a falta de controle, não contra a ajuda humanitária?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Exatamente. Tem países em guerra, e é óbvio que na questão humanitária estamos sensíveis, mas tudo tem limite. Temos que ter proteções e limites. Por exemplo, dentro de um grupo de refugiados existem pessoas que cometeram crimes, procuradas pela Justiça em seus países e que talvez tenham um comportamento que não seja adequado ao nosso convívio. Você vai deixar esse pessoal entrar sem nenhum crivo? Sem nenhuma chancela? Quando nem o próprio país deles os quer? O Brasil virou um repositório, um para-raios de problemas.

R7 — Há diálogo com o Itamaraty sobre esses pontos?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Com [o ministro das Relações Exteriores] Mauro Vieira, podemos dialogar tranquilamente, podemos sentar aqui e conversar. Mas fizemos audiência pública com ele, e o ministro se colocou contrário a muitas das questões levantadas, como a definição de terrorismo.

Os países e suas instituições tratam o debate sobre terrorismo de forma interna. O Mauro Vieira falou que não, que quem define quem é terrorista é a ONU, e não o país.

R7 — O senhor leu o acordo Mercosul-União Europeia? Qual avaliação?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Você não pode dizer que é um “acordo ruim”, mas não é um acordo bom. É um acordo lateral. O ponto frágil está no formato, porque não é bilateral, não envolve diretamente o Brasil com países europeus.

É um acordo em bloco. Um bloco versus o outro bloco. Então, você não está mais discutindo a questão do interesse nacional. Toda vez que surge um problema, o bloco decide.

R7 — Quais são as prioridades da comissão para 2026?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Capacitação das forças de defesa, incluindo atuação nas fronteiras; revisão da Lei de Migração; análise de acordos internacionais, com separação entre aspectos econômicos e políticos.

R7 — O senhor pretende reduzir audiências públicas?

Luiz Philippe de Orléans e Bragança — Nos anos anteriores, a gente gastava muito tempo com audiência pública, debatendo com ministros. O problema está denunciado, o problema está óbvio. E, então, qual é a prioridade? A prioridade aqui é a gente votar projetos que de fato mexam a agulha no sentido de resolver os problemas.

Eu não quero ficar chamando o ministro e expô-lo a uma série de lacrações e embates. Qual é o benefício disso? O embate público é bom para a opinião pública, que, ao assistir, acha que está sendo feito algum trabalho. “Ah, foi lá e lacrou contra o ministro”, só que isso não dá resultado nenhum.

noticias.r7

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terça-feira, 3 de março de 2026

Guerra no Irã: crise humanitária de refugiados é “responsabilidade de todas as partes”, diz especialista em Direito Internacional

 

Míssil balístico lançado pelas Forças Armadas do Irã destruiu prédio na cidade de Bat Yam, na região central de Israel — Foto: Ariel Schalit/AP


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O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados já provoca impactos diretos no Líbano, com bombardeios, deslocamento de civis e aumento da pressão humanitária. Em entrevista à 98 News, direto de Beirute, a especialista em Direito Internacional e refugiados, Roberta Abdanur, relatou que os ataques se intensificaram nas últimas horas e já deixaram quase 200 mortos, além de milhares de deslocados internos.

Segundo ela, os bombardeios atingiram principalmente o subúrbio sul de Beirute, o sul do país e a região do Vale do Bekaa. “Quem sofre muito com isso são justamente os civis, que não têm nada a ver com o conflito”, afirmou. Roberta explicou que muitas famílias chegam aos abrigos “com a roupa do corpo”, enquanto outras dormem em carros, praças e estacionamentos.

De acordo com a especialista, mais de 50 cidades e municípios libaneses receberam alertas e foram alvo de ataques recentes. “Muitas pessoas ainda estão sob escombros. O número de mortes pode aumentar”, alertou. Parte da população do sul do país migra para Beirute ou para regiões consideradas mais seguras.

Apesar da tensão, Roberta destacou que o cenário varia dentro da própria capital. “Há regiões que estão seguras e seguem funcionando normalmente, embora com preocupação”, explicou, citando bairros onde a rotina foi parcialmente mantida.

Deslocamento interno e rotas de saída

No Líbano, a maior parte da movimentação é de deslocados internos, já que muitos permanecem dentro do próprio território. Pessoas com dupla cidadania, inclusive brasileira, têm buscado apoio em embaixadas. O espaço aéreo segue aberto, ainda que com interrupções pontuais.

Alguns civis têm deixado o país por via marítima, principalmente rumo à Turquia e ao Chipre. “Para sair de forma regular, é preciso documentação e autorização. No desespero, muitos acabam se tornando vulneráveis ao tráfico de pessoas”, afirmou.

Nas fronteiras entre Irã e Turquia, Roberta relata aumento no fluxo migratório. Organizações internacionais, como a agência da ONU para refugiados (ACNUR), atuam no acolhimento emergencial. Ainda assim, ela ressalta que o cenário é complexo e envolve riscos adicionais.

“Conflitos assim geram trauma, deslocamento forçado e também aumentam a exposição a redes ilegais de migração”, pontuou.

Violações e escalada

Roberta também chamou atenção para possíveis violações do direito internacional humanitário. “As violações são múltiplas e envolvem diferentes atores no conflito”, disse, ao mencionar responsabilidades compartilhadas entre governos envolvidos na escalada militar.

Com a possibilidade de o conflito se prolongar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a guerra pode durar até cinco semanas, o temor é de agravamento da crise humanitária e novos fluxos migratórios na região.

O Líbano, que já enfrenta crises econômicas e políticas sucessivas, volta a lidar com um cenário de instabilidade que atinge diretamente a população civil.


Jornalista graduada pela UFSJ. Supervisora de distribuição na 98 FM/ 98 News.

https://rede98.com.br/

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Reunião da Assembleia Geral prepara caminho para Fórum sobre Migração



Migrantes que tentaram atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa são resgatados no mar. (arquivo)

 A  Assembleia Geral da ONU reúne-se nesta sexta-feira para analisar um  resumo do secretário-geral, António Guterres, a respeito do Pacto Global sobre Migração. 

A sessão antecede o segundo Fórum de Revisão da Migração Internacional, Imrf, marcado para 5 a 8 de maio de 2026, em Nova Iorque.

304 milhões de migrantes internacionais

O documento avalia os progressos, desde o relatório anterior de 2024, e fornece orientações para as deliberações do Fórum deste ano, com base em revisões regionais, contributos escritos e consultas com Estados, partes interessadas e entidades das Nações Unidas.

Segundo o relatório, em 2024 o mundo tem 304 milhões de migrantes internacionais, representando 3,7% da população mundial. Desse total, 45% residiam na sua região de origem.

A força de trabalho global incluía 168 milhões de trabalhadores migrantes, dos quais 64,9 milhões eram mulheres. Entre 37 e 42 milhões de migrantes internacionais eram crianças, correspondendo a 12% a 14% do total.

Entre 2020 e 2023, foram registadas 202.478 vítimas de tráfico humano em 156 países, sendo 61% mulheres. Desde a adoção do Pacto Global sobre Migração Segura, Ordenada e Regular, foram contabilizadas mais de 48 mil mortes e desaparecimentos durante rotas migratórias, incluindo 15 mil em 2024 e 2025.

O brasão da ONU retratado no Salão da Assembleia Geral
ONU/Loey Felipe
 
O brasão da ONU retratado no Salão da Assembleia Geral

Vias regulares e regularização

O relatório sublinha que, na ausência de vias seguras e regulares, os migrantes enfrentam riscos acrescidos. Diversos Estados-membros implementaram programas de migração laboral, incluindo mecanismos baseados em competências, bem como admissões por motivos humanitários.

Alguns países concederam autorizações de residência com base em direitos humanos, incluindo para sobreviventes de violência baseada no género, exploração laboral e tráfico humano. 

Também foram adotados programas temporários e permanentes de regularização para migrantes em situação irregular, incluindo pessoas com vínculos laborais, sociais, educacionais ou familiares estabelecidos.

Apesar desses avanços, o relatório aponta obstáculos como custos administrativos elevados, critérios restritivos e exigências documentais complexas.

Reunificação familiar

A reunificação familiar é identificada como elemento relevante para reduzir movimentos irregulares e reforçar a integração. 

Algumas iniciativas incluem o reconhecimento de casamentos não oficializados e a possibilidade de acompanhamento familiar em regimes de mobilidade laboral.

No entanto, persistem barreiras legais e práticas, e trabalhadores migrantes com baixos rendimentos continuam frequentemente excluídos de mecanismos de reunificação.

Migrantes fogem da instabilidade econômica, conflitos e situações adversas
© OIM/Gema Cortes
 
Migrantes fogem da instabilidade econômica, conflitos e situações adversas

Migração e alterações climáticas

O relatório destaca a necessidade de integrar a mobilidade humana nas políticas de adaptação às alterações climáticas e de reforçar a coerência com instrumentos internacionais como o Acordo de Paris e o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres.

Alguns Estados incorporaram a mobilidade humana, incluindo migração, deslocamento e relocalização planeada, nas suas estratégias climáticas.

O Fundo Fiduciário Multiparticipativo para Migração canalizou mais de US$ 15 milhões para programas em várias regiões com foco em resiliência e vias baseadas em direitos para pessoas afetadas pelas alterações climáticas.

O segundo Imrf reunirá Estados-Membros e outras partes interessadas para avaliar progressos e desafios na implementação do Pacto e definir prioridades futuras. 

O relatório sublinha que o Pacto fornece um quadro de cooperação multilateral, reconhecendo simultaneamente o direito soberano dos Estados de definir as suas políticas migratórias em conformidade com o direito internacional.


https://news.un.org/pt

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