domingo, 18 de outubro de 2026

Novo partido reúne 23 comunidades de imigrantes na Itália e quer transformar população estrangeira em força eleitoral

Partido Assieme reúne integrantes de 23 comunidades de origem estrangeira e defende maior participação política dos imigrantes na Itália | Foto: Resprodução


 Um novo partido formado por cidadãos italianos e pessoas de origem estrangeira quer ampliar a participação política das comunidades de imigrantes na Itália. Chamado Assieme (Juntos, em português), o movimento reúne integrantes de 23 países e defende mudanças nas regras de cidadania e a extensão do direito ao voto nas eleições municipais para estrangeiros residentes.

A iniciativa surge em um país com 5,56 milhões de residentes de cidadania estrangeira, equivalentes a 9,4% da população em 1º de janeiro de 2026, segundo o Instituto Nacional de Estatística (Istat). A presença demográfica, porém, não corresponde ao número de eleitores habilitados.

O Assieme tem como presidente Sibi Mani Kumaramangalam, que já presidiu o Partido Democrático (PD) de Roma, e como secretário Edgar Galiano Cifuentes. O projeto foi apresentado em reportagem do Il Fatto Quotidiano publicada nesta sexta-feira (16).

Quais são as maiores comunidades estrangeiras da Itália?

Os números detalhados por nacionalidade referentes a 1º de janeiro de 2025 mostram que romenos, albaneses e marroquinos formam os três maiores grupos de residentes com nacionalidade estrangeira. Eles não devem ser confundidos com os 23 países representados no Assieme, cuja relação completa não foi divulgada na reportagem consultada.

INFOGRÁFICO | ITALIANISMO

As dez maiores comunidades estrangeiras na Itália

Número de residentes por cidadania, em 1º de janeiro de 2025

5,56 milhões
Estrangeiros residentes em 2026
9,4%
Da população italiana em 2026
1. Romênia1.053.042
2. Albânia414.622
3. Marrocos412.457
4. China311.250
5. Ucrânia287.187
6. Bangladesh213.622
7. Egito174.141
8. Índia171.429
9. Paquistão171.179
10. Filipinas153.455

Fontes: Istat e Tuttitalia. Ranking por cidadania: janeiro de 2025. Total de residentes estrangeiros e percentual da população: janeiro de 2026. Pessoas naturalizadas italianas não entram no ranking por nacionalidade estrangeira. Residentes não equivalem a eleitores.


Com direito ao voto, os imigrantes poderiam eleger representantes?

O potencial de participação política existe, especialmente nos municípios que concentram grandes comunidades estrangeiras. Mas há uma diferença decisiva entre o número de residentes e o de pessoas habilitadas a votar.

Cidadãos de outros países da União Europeia, como os romenos, já podem participar das eleições municipais italianas se cumprirem os requisitos e solicitarem inscrição nas listas eleitorais adicionais. Também podem concorrer a cargos de vereador, observadas as regras legais.

Em contrapartida, residentes com cidadania de países fora da União Europeia, como albaneses, marroquinos, chineses e brasileiros, em regra não podem votar nas eleições municipais italianas apenas por terem residência legal. Para votar nas eleições parlamentares nacionais, é necessária a cidadania italiana.

Uma mudança na legislação para estender o voto municipal a residentes não comunitários poderia ampliar o eleitorado, mas seu tamanho dependeria dos critérios aprovados, como idade e tempo de residência. A quantidade total de 5,56 milhões inclui crianças, adultos sem direito de voto e cidadãos europeus que já podem votar localmente.

A capacidade de eleger representantes dependeria também da concentração geográfica dos novos eleitores, da participação nas urnas, das regras de distribuição de cadeiras e da força de cada candidatura. Não há dados que permitam projetar quantos votos o Assieme obteria.

Cidadania para crianças e voto municipal estão entre as prioridades

O novo partido defende processos mais rápidos de acesso à cidadania italiana para crianças nascidas ou criadas no país, especialmente aquelas que frequentam escolas italianas.

Outra prioridade é permitir que estrangeiros residentes tenham voz na escolha dos representantes municipais. O presidente Kumaramangalam afirma que comunidades estabelecidas há anos no país contribuem economicamente, mas continuam com participação política limitada.

O Assieme também apresenta como prioridades o reconhecimento de diplomas e qualificações profissionais obtidos no exterior e o acesso ao crédito para empreendedores de origem estrangeira.

Assieme mira eleições municipais e 10 mil filiados

Registrado em 31 de julho de 2026, o partido estabeleceu 30 de novembro como prazo para recolher propostas destinadas à elaboração de seu programa. A meta anunciada é alcançar 10 mil filiados até o fim do ano.

A direção pretende disputar inicialmente eleições municipais e admite diálogo com diferentes forças políticas. Segundo seus dirigentes, uma participação autônoma em eleições parlamentares nacionais enfrenta dificuldades adicionais, incluindo a coleta de assinaturas exigida pela legislação eleitoral.

O novo partido se apresenta como uma formação de centro. Seu desafio será transformar a presença de comunidades com nacionalidades, histórias e interesses diferentes em apoio político organizado, sem presumir que todos os imigrantes votariam da mesma forma.

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sábado, 17 de outubro de 2026

Em Genebra, Brasil reafirma compromisso com a Convenção de 1951 e a proteção de refugiados

Diretor do Departamento de Migrações (Demig), Victor Semple, integrou a representação brasileira no encontro. Foto: ACNUR

 O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), participou da 77ª sessão do Comitê Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), realizada de 12 a 16 de outubro, em Genebra, na Suíça. O diretor do Departamento de Migrações (Demig), Victor Semple, integra a representação brasileira no encontro, que reúne países e parceiros para discutir os principais desafios da proteção internacional de pessoas refugiadas.

A participação ocorre no ano em que a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados completa 75 anos. Durante o debate geral, o Brasil reafirmou o compromisso com a implementação dos princípios estabelecidos pelo instrumento de 1951, considerado a base do regime internacional de proteção às pessoas refugiadas.

O Brasil aderiu à iniciativa “The Promise”, proposta pelo alto comissário das Nações Unidas para Refugiados para renovar o compromisso político internacional com a proteção de refugiados. A iniciativa reforça princípios como o direito de buscar proteção e a responsabilidade compartilhada entre os países diante dos deslocamentos forçados.

O embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores, liderou a delegação do Brasil no evento e abordou o cenário internacional, mencionando a necessidade de preservar os princípios do regime de proteção.

“O Brasil permanece comprometido com a proteção de refugiados. Em um momento em que o deslocamento forçado atinge níveis sem precedentes, é fundamental preservar os princípios do regime internacional de proteção, incluindo a não devolução e o direito de buscar refúgio”, afirmou o embaixador.

Para Victor Semple, a presença brasileira no encontro reforça a continuidade de uma política baseada na proteção e no acesso a direitos. “A Convenção de 1951 continua sendo a principal referência para a proteção internacional de refugiados. O compromisso do nosso País é fazer com que esses princípios se traduzam em políticas concretas de acolhimento, acesso a direitos e integração”, pontuou.

A Convenção estabelece parâmetros internacionais para a proteção de pessoas obrigadas a deixar seus países em razão de perseguições. Ao lado do Protocolo de 1967, permanece como uma das principais referências jurídicas para os sistemas nacionais de refúgio.

Participação coincide com os 75 anos da Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados. Foto: Osvaldo Quirino/MRE
Participação coincide com os 75 anos da Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados. Foto: Osvaldo Quirino/MRE

Proteção e integração

Durante a sessão, a representação brasileira apresentou medidas adotadas para garantir proteção e promover a autonomia de pessoas refugiadas e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado.

Entre as iniciativas está o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Em 2026, mais de 500 refugiados afegãos já chegaram ao Brasil por meio da iniciativa. O programa articula Governo Federal, organizações da sociedade civil e comunidades de acolhida para apoiar a recepção e a integração das pessoas beneficiárias.

Também foi informado que refugiados e solicitantes de refúgio têm acesso ao mercado de trabalho e aos serviços públicos de saúde, educação e assistência social, além de documentação que permite a inserção formal no mercado de trabalho e o acesso ao sistema financeiro.

Diálogo com o alto comissário

Como parte da agenda em Genebra, Victor Semple participou, na terça-feira (13), de reunião com o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih. O encontro integrou a agenda de diálogo do Brasil com o Acnur sobre os desafios atuais da proteção internacional e o fortalecimento de soluções para pessoas refugiadas. Os representantes brasileiros reforçaram o convite para que Salih conheça o Brasil e as boas práticas brasileiras, já reconhecidas pela Agência da ONU.

A reunião ocorreu no contexto do compromisso brasileiro com a preservação do sistema internacional de refúgio e com a construção de respostas que conciliem proteção, integração local e soluções duradouras.

O Brasil também foi eleito para integrar o Bureau do Comitê Executivo do Acnur, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da governança da agência das Nações Unidas para refugiados.

Cooperação migratória

A agenda da Senajus em Genebra incluiu ainda reuniões de alto nível com representantes da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Semple participou de encontros com o diretor sênior de Parcerias da organização, Kim Eiling, e com a enviada especial para Vias Regulares, Serena Hoy, além de dirigentes e especialistas das áreas de reassentamento, gestão da mobilidade, migração laboral e inclusão social.

As conversas trataram de prioridades do Departamento de Migrações e de possibilidades de manutenção e ampliação da cooperação entre o Governo brasileiro e a OIM.

Entre os temas abordados estiveram a Operação Acolhida, a criação e o fortalecimento de vias regulares para migração laboral, o Patrocínio Comunitário, o enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes e a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA) e do primeiro Plano Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PlaNaMigra).

No campo da migração laboral, o Brasil apresentou a perspectiva de desenvolver iniciativas que associem vias migratórias regulares à integração econômica e social. A proposta envolve ações como preparação em língua portuguesa, orientação sociocultural, qualificação profissional e informações sobre direitos e deveres no ambiente de trabalho.

As agendas incluíram reuniões com o Conselho Internacional de Agências para o Voluntariado (ICVA), ONGs internacionais lideradas por pessoas refugiadas, como a R-SEAT, e com a delegação do Canadá.

Comitê Executivo

O Comitê Executivo do Acnur se reúne anualmente para analisar as atividades da agência, debater questões relacionadas à proteção internacional e definir orientações para o período seguinte. A 77ª sessão ocorre no Palais des Nations, em Genebra.

https://www.gov.br/mj/pt-br

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Vorcaro tratava refugiadas como mercadoria em rede de prostituição, apontam mensagens


O ex-magnata de segunda ordem Daniel Vorcaro. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, financiou uma rede internacional de prostituição que recrutava inclusive refugiadas de guerra para festas com “autoridades” do velho Estado e pessoas de seu círculo, segundo reportagem publicada pelo monopólio de imprensa UOL em 13 de outubro. As conversas obtidas pelo veículo apontam investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões e mostram o magnata escolhendo mulheres, dando ordens e decidindo pagamentos.

Entre 2023 e 2025, Vorcaro e seus intermediários discutiam a seleção e a permanência das mulheres no grupo. Nos diálogos, ele e o promotor de eventos Diogo Batista as chamavam de “escravas”; as mais jovens eram apelidadas de “creche”. A Polícia Federal (PF) apura a contratação de estrangeiras e possíveis ilegalidades na operação. Além de Batista, que recebia R$ 120 mil mensais do banqueiro, a reportagem cita entre os principais investigados o empresário de eventos Leonardo Serrano.

Print de conversa entre Vorcaro e Diogo Batista. (Imagem: Reprodução)
Escárnio: festa depravada de Vorcaro teve 120 prostitutas e figurões do mundo político oficial – A Nova Democracia
Mensagens reunidas pela PF expõem a depravação moral das classes dominantes reacionárias às quais serve este sistema de Poder: Fábio Faria articulava convites a Alcolumbre, Pacheco e Toffoli para uma festa de Vorcaro com 120 prostitutas; o banqueiro prometia recolher os celulares dos convidados.
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A guerra como argumento para reter uma refugiada

Uma das jovens era uma ucraniana de 19 anos, levada ao grupo em outubro de 2023, durante uma festa de Halloween. No mês seguinte, Vorcaro avisou que deixaria de pagar hospedagem e passagens de quem decidisse permanecer no Brasil. Ela ficou. Ao receber de Batista a informação de que havia três refugiadas ucranianas no grupo, o banqueiro respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”.

Print de conversa entre Vorcaro e Diogo Batista. (Imagem: Reprodução)

Em dezembro, quando Vorcaro perguntou quantas estrangeiras ainda estavam ali, Batista explicou a situação da jovem: “Ela não tem pra onde ir. Estão bombardeando a cidade dela”. O intermediário também escreveu “Segurei ela”, explicando que a jovem pretendia buscar refúgio na Itália, e propôs incorporá-la à agência do grupo. O perigo dos bombardeios entrava na negociação para mantê-la à disposição do banqueiro.

Print de conversa entre Vorcaro e Diogo Batista. (Imagem: Reprodução)

A agência também aparecia nas conversas como meio de afastar os nomes dos organizadores das contratações. Vorcaro recebeu, em dezembro de 2023, um contrato que previa R$ 1,5 milhão pela compra de 50% da Allure Eventos. Em janeiro de 2024, Batista informou que o documento estava assinado. Felipe Nisti Cataldo, dono da empresa, disse ao UOL que a negociação não avançou; a Allure negou qualquer relação societária, comercial ou contratual com Vorcaro e qualquer envolvimento nas práticas noticiadas.

Trecho dos termos enviados a Vorcaro para uma negociação de participação na Allure Eventos, em dezembro de 2023. A empresa nega ter mantido vínculo societário ou comercial com o banqueiro. (Imagem: Reprodução/UOL)

Após a publicação, Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres e contestou a autoria, a autenticidade e o contexto de parte das mensagens. Serrano e Batista não responderam aos contatos do UOL.

Presidente do TSE teve encontro com ‘5 meninas’ em festa de Vorcaro, indica PF – A Nova Democracia
O cabeça da instituição que ostenta a “lisura” da farsa eleitoral no Brasil, o ministro Nunes Marques volta às manchetes dos jornalões por suas supostas relações nada “ilibadas” com o ex-banqueiro.
anovademocracia.com.br

Os convidados da velha ordem

A estrutura servia às festas pelas quais o dono do Master cultivava seu trânsito entre os figurões do velho Estado. No Halloween de 2023, na boate Madame Satã, em São Paulo, Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro, cuidava dos convites ao mundo político. Mensagens divulgadas pela revista Piauí mencionaram Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli. Vorcaro anunciava uma proporção de 120 mulheres para 20 homens. Os três negaram ter comparecido; Faria afirmou ter apenas transmitido os convites.

Outras mensagens, sobre uma festa no triplex de Vorcaro em 28 de fevereiro de 2025, relatam que um funcionário emprestou um quarto a um ministro acompanhado de cinco mulheres. Dias depois, uma intermediária cobrou R$ 10 mil por uma acompanhante que teria ficado com “Kassio”. Investigadores relacionaram as referências a Kassio Nunes Marques, hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As conversas não comprovam por si só sua presença. O ministro negou o encontro e afirmou não ter autorizado ninguém a agir em seu nome.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, Nunes Marques prometera, na sabatina de 2020, valorizar a família e os valores morais e cívicos brasileiros. Hoje comanda a instituição que apregoa a “lisura” da farsa eleitoral. Nos preparativos das festas do banqueiro, a ordem era recolher os celulares. Ao organizar o Halloween de 2023, Vorcaro resumiu sua preocupação: “Se vazar, eu tô morto”.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Mais de 900 imigrantes procuraram o poder público em busca de oportunidades de emprego em Maringá em 2026

Rede Amigão tem 93 colaboradores estrangeiros na cidade | Foto: Victor Ramalho/Maringá Post


 Mais de 900 imigrantes que chegaram a Maringá em 2026 procuraram os órgãos públicos em busca de encaminhamentos para oportunidades de trabalho. O dado é da Secretaria Municipal de Juventude, Cidadania e Migrantes e é relativo a quantidade de atendimentos realizados a estrangeiros de janeiro a setembro. Do total, mais de 500 foram encaminhados para entrevistas de emprego em empresas da cidade.

Em todo o Brasil houve um crescimento de mais de 50% no número de imigrantes ocupados em postos de trabalho com carteira assinada. O indicador, que apontava 269 mil estrangeiros contratados via CLT em 2023, saltou para mais de 414 mil até o fim de 2025, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública

O mesmo levantamento mostra que o Paraná liderou o número de contratações de colaboradores de fora do Brasil no ano passado: foram mais de 20 mil postos com carteira assinada criados, com o setor da indústria concentrando mais de 1/3 do total. Em Maringá, foram mais de mil trabalhadores estrangeiros encaminhados para entrevistas de emprego em 2025, com mais de 70% deles sendo contratados por empresas locais, segundo dados da Agência do Trabalhador. Na cidade, os setores da indústria e de supermercados lideram o indicador.

Uma das empresas que atuam em Maringá que mais dá oportunidade para imigrantes, conforme os indicadores da Agência do Trabalhador e da Secretaria de Juventude e Cidade é a rede de supermercados Amigão. Atualmente, a companhia tem 93 colaboradores de origem estrangeira atuando nas unidades da cidade.

É o caso do Ivan Gregório Gonzáles, de 28 anos e que chegou da Venezuela em 2020. Atualmente, ele trabalha como Fiscal de Prevenção de Perdas em uma das lojas da rede na cidade. Contratado há cinco anos, ele celebra as oportunidades de crescimento profissional que teve no país.

“Eu tinha uns amigos aqui nessa cidade de Maringá. Eles falaram que a cidade era muito boa pra morar, trabalho, muitas oportunidades. A princípio foi difícil (a adaptação), porque eu não falava muito português e entrou a pandemia, ficou atrapalhando um pouco a vida da gente. Mas depois que eu entrei no mercado, eu consegui me desenvolver mais, aprender a língua portuguesa, eu acho que foi muito bom, uma adaptação diferente. A gente vinha com uma expectativa, chegou aqui e acabou sendo tudo muito mais fácil, porque o pessoal do Brasil é muito acolhedor. Já digo que aqui (Brasil) é minha casa”, afirmou.

De acordo com o Diretor de Migrantes da Secretaria de Juventude, Fernando Vanalli, muitos dos imigrantes que chegam na Cidade Canção não são muito criteriosos na escolha do primeiro emprego. Embora a maioria chegue ao país com formação superior, dificuldades em validação dos diplomas e a urgência em buscar autonomia financeira fazem com que os atendidos aceitem qualquer oportunidade.

“A maioria dos que chegam aqui são venezuelanos, pela situação do país, então eles migram para o Brasil à procura de uma vida melhor. Então quando chegam até nós, eles aceitam o trabalho que é oferecido. As empresas tem sido parceiras, elas têm valorizado esses imigrantes, e não porque a mão de obra de repente é mais barata não, pelo contrário, é igualdade com o brasileiro. Então eles vêm muitas vezes em situação de refúgio, alguns países ainda têm essa situação de briga política, guerras, mas a grande maioria está vindo da Venezuela ainda, buscam um crescimento, um recomeço e acabam encontrando aqui na cidade”, explicou.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

De Moçambique ao Brasil: artista Lenna Bahule reflete sobre migração, extrema direita e ameaça ao SUS: ‘Como eu sobreviveria?’

 

Lenna Bahule considera que a eleição impacta a vida de todos no Brasil, inclusive imigrantes | Crédito: Julia Mataruna

A cantora, multiartista e ativista moçambicana Lenna Bahule, mantém vívida sua origem africana no seu trabalho e em sua existência, mas tem permanecido mais no Brasil, e não à toa. “Eu acho que talvez esse seja o momento mais importante, principalmente pelo cenário político que a gente vive agora, as oportunidades que o Brasil oferece de financiamento cultural, artístico. Eu sinto que existe uma troca justa, assim, nesse sentido”, diz ao Conversa Bem Viver, do Brasil de Fato.

Ao analisar disputas eleitorais e os atravessamentos decorrentes delas no país, a artista destaca que a política não é um tema distante, mas algo que atravessa diretamente a sua rotina e a sua permanência no país como imigrante. Para ela, as decisões sobre os rumos do Brasil moldam as condições reais de acolhimento e a segurança de quem vive no país como cidadão estrangeiro.

“Estou bem envolvida com as eleições, com tudo que está acontecendo nessa conturbação chamada Brasil nesse momento. Porque, de alguma forma, eu me beneficio, eu me sinto uma cidadã que se beneficia das escolhas políticas, não só como residente no Brasil, mas como moçambicana mesmo, porque o que for decidido aqui vai ter um impacto muito grande econômico em Moçambique. Grandíssimo nos acordos diplomáticos, e não só, obviamente. Como um cidadão do planeta Terra, quando a gente pega em assuntos como desmatamento da Amazônia, a demarcação de terras indígenas, os direitos dos povos indígenas”, afirma.

Bahule alerta sobre os riscos decorrentes do avanço da extrema direita e de narrativas conservadoras, que colocam sob ameaça direitos constitucionais básicos. E enfatiza que a legislação brasileira assegura direito à saúde e à educação para imigrantes, apontando o Sistema Único de Saúde (SUS) como um programa indispensável de proteção para ela e seu filho.

“O Brasil é um país que, constitucionalmente, todas as pessoas imigrantes têm direito à educação e à saúde aqui, então eu me beneficio do SUS. Eu não tenho condições financeiras ainda de ter um seguro de saúde, mas existe o SUS. Então, o SUS me dá uma previsibilidade de estar aqui com o meu filho e saber que eu serei bem atendida por um serviço de saúde de qualidade, por exemplo”, relata.

A artista defende que o engajamento e o posicionamento político são ferramentas importantes de resistência e fala da responsabilidade de se manifestar publicamente para combater retrocessos sociais que afetam desde a permanência de imigrantes até as políticas socioambientais e diplomáticas. “As escolhas políticas aqui vão ter um impacto muito grande nisso. A porteira dessas trocas vai ser escancarada e aí não vai ter limite”, pontua. 

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

União Africana pede combate ao tráfico de migrantes após naufrágio que deixou 139 mortos no Djibuti

Funcionários da Organização Internacional para as Migrações recebem migrantes após o naufrágio de uma embarcação que transportava cerca de 305 pessoas — que viajavam do Djibuti para o Iêmen —, deixando pelo menos 109 migrantes mortos (incluindo 15 crianças) e mais de 116 desaparecidos, segundo a Organização Internacional para as Migrações das Nações Unidas. via REUTERS - International Organization for M

O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, expressou “profundo pesar” e ressaltou, em comunicado, a urgência de “enfrentar as causas profundas da migração irregular” e de “promover uma migração segura, ordenada e regular”.

Além dos mortos, 84 pessoas estão desaparecidas após o naufrágio da embarcação superlotada que seguia para o Iêmen. A maioria das vítimas era de origem etíope, informou a ONU neste domingo.

Dezenas de milhares de migrantes percorrem todos os anos a chamada “Rota do Leste”, trajeto marítimo que liga o Chifre da África ao Iêmen, passando pelo Djibuti e pelo estreito de Bab el-Mandeb, apesar de ser uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo.

Mais de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio, todas de nacionalidade etíope, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU. De acordo com os sobreviventes, a embarcação, que estava lotada, virou na madrugada de 9 de outubro, perto de Guhere, ao norte da cidade djibutiana de Obock, segundo comunicado da organização.

A embarcação transportava 305 pessoas, informou à AFP o chefe da missão da OIM no Djibuti, Alexandre Coissac. O barco, “pequeno demais para o número de passageiros”, virou a algumas dezenas de metros da costa, acrescentou. “Sobreviventes me disseram que a embarcação começou a virar pela popa assim que eles subiram a bordo”, relatou.

A organização está prestando assistência a 64 sobreviventes em seu centro de apoio a migrantes em Obock, oferecendo, entre outros serviços, cuidados de saúde, alojamento temporário e ajuda alimentar. Enquanto isso, as autoridades do Djibuti prosseguem com as operações de busca.

Aumento do fluxo migratório

Apesar da retomada dos combates no Iêmen, no início de setembro, entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e as forças pró-governo, a OIM registrou a chegada de mais de 20 mil pessoas procedentes da Etiópia ao Djibuti desde 10 de setembro.

“O objetivo continua sendo chegar aos países do Golfo”, explicou Coissac. Ele ressaltou que um grupo de cerca de 150 pessoas que estava na embarcação naufragada já havia sido rejeitado no Iêmen e, mesmo assim, tentou novamente fazer a travessia.

O representante da OIM relatou ter conversado com um sobrevivente originário do Tigré, região no norte da Etiópia, onde os combates foram retomados no mês passado entre a Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) e o Exército federal. A Eritreia enviou tropas para a região nos últimos dias.

“Essa tragédia nos lembra de forma brutal os perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo dessa rota migratória”, percorrida na esperança de encontrar melhores “oportunidades econômicas”, resumiu Coissac.

Naufrágios na região

Segundo a OIM, este é um dos naufrágios mais letais dos últimos anos na costa do Djibuti.

Em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram na “Rota do Leste”, tornando aquele o ano “mais mortal já registrado”, segundo a OIM. O número de pessoas que percorreram esse trajeto aumentou 18% no período, informou a agência da ONU.

Entre 1º de janeiro e 1º de outubro de 2026, a organização contabilizou cerca de 178 mil chegadas ao Djibuti provenientes da Etiópia.

“Não podemos continuar a encarar essas mortes como algo normal. Vias de migração seguras e legais salvam vidas. Apelo aos governos e aos doadores para que ajam antes que outra embarcação naufrague”, declarou Amy Pope, diretora-geral da OIM, citada no comunicado.

Com AFP

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