
Estudar no exterior é um objetivo cada vez mais comum entre estudantes que buscam ampliar horizontes profissionais e vivenciar novas culturas. O Brasil tem se consolidado como um destino atrativo para estrangeiros interessados em qualificação acadêmica, seja por meio de cursos técnicos, graduação, pós-graduação ou intercâmbio.
Segundo o Ministério da Educação, existem diversas formas de ingresso nas instituições brasileiras, que possuem autonomia para definir seus processos seletivos. Além disso, iniciativas em parceria com o Ministério das Relações Exteriores facilitam o acesso de estudantes internacionais ao ensino superior no país.
Por que estudar no Brasil
O Brasil recebe todos os anos estudantes, migrantes e refugiados de diferentes partes do mundo em busca de oportunidades educacionais e melhores perspectivas de carreira. A diversidade cultural, a qualidade do ensino e a oferta de programas de inclusão tornam o país um destino relevante no cenário educacional internacional.
Outro diferencial é a presença de universidades reconhecidas, cursos profissionalizantes acessíveis e iniciativas que apoiam a integração social e profissional, com suporte na regularização migratória e acesso ao mercado de trabalho.
Programas do governo para estrangeiros
Um dos principais caminhos para estudar no país é o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), criado em 1965. A iniciativa oferece vagas gratuitas em cursos superiores para cidadãos de países que mantêm acordos educacionais com o Brasil.
As inscrições são anuais e realizadas nas embaixadas ou consulados brasileiros. Entre os requisitos estão média escolar mínima de 60%, comprovação financeira, compromisso de retorno ao país de origem após a graduação e certificado de proficiência em português por meio do Celpe-Bras.
Atualmente, mais de mil estudantes estão matriculados em universidades brasileiras pelo programa, segundo dados do MRE.
Formações profissionalizantes e cursos técnicos
Para quem busca inserção rápida no mercado de trabalho, cursos técnicos e profissionalizantes são alternativas acessíveis. As formações podem durar de poucos meses até cerca de dois anos e são voltadas para áreas como Tecnologia, Administração, Gastronomia e Marketing.
Os requisitos variam conforme a instituição, mas geralmente incluem documento de identificação, CPF, comprovante de escolaridade e residência.
Graduação no Brasil para estrangeiros
A graduação é indicada para quem deseja formação acadêmica mais completa. Cursos tecnológicos costumam durar de dois a três anos, enquanto bacharelados e licenciaturas podem chegar a cinco anos. Entre as formas de ingresso estão:
• Vestibular próprio das universidades;
• Nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
• Processos seletivos específicos para estrangeiros, como os da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila);
• Programas internacionais como o PEC-G.
Normalmente, é necessário apresentar diploma do ensino médio, certificado de proficiência em português, visto de estudante e documentos pessoais.
Pós-graduação e especialização
Estrangeiros que já possuem diploma podem optar por cursos de pós-graduação para aprofundar conhecimentos ou se especializar. Os processos seletivos podem incluir análise curricular, entrevistas e projetos de pesquisa.
Entre as iniciativas disponíveis está o Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), que oferece bolsas para mestrado e doutorado. Algumas instituições também realizam seleções específicas para migrantes e refugiados.
Intercâmbio acadêmico no Brasil
O intercâmbio é ideal para estudantes que desejam uma experiência temporária no país. Geralmente, é necessário estar matriculado em uma universidade no exterior, comprovar conhecimento em português e atender às exigências da instituição de destino.
Muitas universidades possuem parcerias internacionais que permitem cursar um ou mais semestres no Brasil.
Documentos necessários para estudar no Brasil
Independentemente da modalidade, alguns documentos são frequentemente exigidos:
• Documento de identificação e visto de estudante;
• CPF;
• Comprovante de escolaridade;
• Certificado de proficiência em português;
• Comprovação financeira;
• Comprovante de residência.
Planejamento é essencial para estudar no país
Antes de se candidatar, é fundamental verificar os requisitos específicos de cada instituição ou programa. O planejamento antecipado facilita o processo de inscrição e aumenta as chances de aprovação.
Com diferentes formas de ingresso e políticas de inclusão, o Brasil segue como um destino promissor para estrangeiros que buscam formação acadêmica e crescimento profissional em um ambiente culturalmente diverso.
Veja também: Estrangeiro pode prestar concurso público no Brasil?
Curso de idiomas com desconto nas mensalidades
O Educa Mais Brasil é um programa de inclusão educacional que, além de bolsas para cursos de graduação e pós-graduação, oferece descontos em cursos de idiomas, como inglês, espanhol, francês e outros. Não perca a oportunidade de se capacitar para o mercado de trabalho com o conhecimento de uma nova língua estrangeira.
As instituições parceiras do programa possuem reconhecimento no mercado e podem te auxiliar a conquistar a tão sonhada fluência. Consulte as bolsas disponíveis para cursos de idiomas em sua cidade!
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Em Melkadida, no sudeste da Etiópia, a pressão de 200 mil refugiados sobre um deserto já frágil parecia anunciar fome, conflito e erosão irreversível, mas um arranjo entre comunidades locais, cooperativas mistas, irrigação solar e manejo do solo recuperou mais de mil hectares e reescreveu a economia regional duradoura ali.
No deserto semidesértico de Melkadida, no sudeste da Etiópia, a chegada de mais de 200 mil refugiados somalis entre 2009 e 2011 pressionou uma paisagem que já vivia no limite: pouca chuva, calor acima de 40 °C, solo com baixíssima matéria orgânica e infraestrutura praticamente inexistente. O cenário inicial reunia todos os fatores de uma crise prolongada.
A mudança veio quando uma resposta emergencial passou a ser tratada como estratégia de longo prazo. Com canais de irrigação, bombeamento por energia solar, recuperação de solo e cooperativas mistas entre refugiados e comunidades anfitriãs, a região saiu de uma trajetória de degradação contínua para um ciclo de produção agrícola, renda local e reorganização social.
Quando 200 mil pessoas chegam a um território já no limite
Antes do pico de deslocamento forçado, a região já enfrentava sinais severos de exaustão ambiental. A precipitação anual baixa, frequentemente abaixo do necessário para agricultura de sequeiro, combinada a temperaturas extremas, deixava o solo mais suscetível à compactação, à erosão e à perda de fertilidade. O problema não era só falta de água; era incapacidade do solo de absorver e reter água.
Com o crescimento acelerado dos campos em torno de Dollo Ado, a pressão por lenha, pastagens e água aumentou em ritmo muito superior à capacidade local de reposição.
Árvores foram derrubadas, a cobertura vegetal diminuiu e as tensões entre moradores e recém-chegados se intensificaram. Nesse contexto, o deserto não avançava apenas por causa do clima, mas também por um acúmulo de decisões de sobrevivência imediata.
Em vez de apostar apenas em assistência pontual, o desenho incluiu infraestrutura produtiva: cerca de 20 quilômetros de canais de irrigação e bombeamento movido a energia solar, solução coerente para uma área com muitas horas de sol e rede elétrica distante.
A escolha técnica veio acompanhada de uma escolha política: dividir terra, acesso e resultados em 50/50 entre refugiados e comunidade anfitriã. Essa regra reduziu o risco de exclusão econômica de um dos lados e ajudou a conter ressentimentos.
No deserto, onde recursos são escassos e disputados, esse tipo de governança compartilhada se tornou tão importante quanto a obra física.
Como o solo saiu da rota de colapso para voltar a produzir
A recuperação não se resumiu a levar água de um ponto a outro. Em solos com menos de 1% de matéria orgânica, a infiltração é baixa e a superfície tende a selar.
Sem correção de manejo, a irrigação pode inclusive piorar o quadro por salinização. Por isso, o pacote técnico incluiu rotação de culturas, devolução de biomassa ao solo e planejamento de irrigação para reduzir evaporação.
Com o tempo, os sistemas radiculares e os resíduos orgânicos ajudaram a abrir porosidade no terreno, elevando gradualmente a capacidade de infiltração e retenção hídrica.
Esse processo permitiu estabilizar ciclos produtivos em ambiente árido e expandir o cultivo para mais de mil hectares recuperados. Foi uma recuperação construída por etapas, não um “milagre instantâneo” no deserto.
Da sobrevivência à renda: cooperativas, mercados e energia
Com o solo mais funcional, 13 culturas passaram a ser plantadas, com casos de até três colheitas por ano. Milho, cebola, tomate, feijão, sorgo, melancia e outras lavouras mudaram a lógica econômica local: uma área antes dependente de importações começou a gerar excedente e comércio. Em paralelo, cooperativas mistas ganharam escala e participação social.
Outro eixo relevante foi o manejo de espécie invasora transformada em combustível. Grupos, inclusive cooperativas de mulheres, passaram a converter biomassa em briquetes, reduzindo dependência de lenha e criando nova renda.
Quando controle ambiental vira atividade econômica viável, a restauração deixa de depender só de projeto e passa a depender de interesse local contínuo. Esse foi um dos elementos que conectaram recuperação ecológica, segurança doméstica e autonomia financeira.
O que os satélites registraram e o que os números realmente mostram
As imagens de satélite passaram a mostrar, em poucos anos, um contraste forte entre áreas antes classificadas como solo nu e zonas com cobertura agrícola ativa.
Esse “antes e depois” ajudou a comprovar que a intervenção não ficou restrita ao discurso: houve mudança territorial observável. Em avaliação acadêmica, os indicadores também apontaram avanço em renda, cooperação produtiva e inclusão financeira para parte dos participantes.
Ao mesmo tempo, os resultados exigem leitura sem euforia. Nem todos entraram no mesmo ritmo: parte das cooperativas prosperou mais que outras, a governança foi desigual em alguns pontos e muitos refugiados continuaram dependentes de assistência alimentar.
A experiência mostra capacidade real de transformação no deserto, mas também deixa claro que escala, estabilidade e continuidade institucional são desafios permanentes.
O legado político e os riscos que ainda cercam o modelo
A experiência em Melkadida influenciou debates mais amplos sobre política de refúgio na Etiópia, com avanços em direitos e integração econômica, incluindo acesso a trabalho, serviços e instrumentos formais como contas bancárias.
No campo institucional, o caso reforçou a ideia de que refugiados podem atuar como agentes econômicos e não apenas como destinatários de ajuda.
Mas a sustentabilidade futura depende de variáveis críticas. O sistema hídrico local está ligado ao comportamento do rio que abastece a região, sujeito a variabilidade climática e disputas de uso a montante.
Se o fluxo reduzir de forma relevante, todo o arranjo produtivo do deserto fica pressionado. Em outras palavras: a prova de conceito foi dada; a prova de permanência ainda está em andamento.
A história de Melkadida não elimina a dureza da crise climática nem simplifica o drama do deslocamento forçado.
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