Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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Nenhuma novidade nas primeiras ações do novo presidente pinochetista José Antonio Kast. Ele já havia produzido toda sua campanha no ataque aos imigrantes. Deu voz a uma multidão de pessoas que acredita firmemente que o imigrante é o que destrói o emprego no país, que traz criminalidade e violência. Agora, um de seus primeiros atos foi o de assinar um decreto que prevê interromper a migração irregular e, logo, passou a construir um muro na fronteira norte, com Peru e Bolívia, visando justamente impedir que as pessoas destes países passem para o lado chileno. Os jornais mostraram imagens dele circulando entre soldados e máquinas.
Segundo ele, nos últimos anos o Chile recebeu mais de 180 mil pessoas, todas sem registro de imigração, visto que existem muitas fronteiras secas, sem aduana. “Agora estamos fechando essas janelas para impedir a migração irregular”.
O Chile sempre foi considerado um país bastante seguro no contexto da América Latina, mas nos últimos anos teve uma subida nas taxas de criminalidade, narcotráfico, sequestros e crime organizado. Os chilenos, ajudados pelo discurso ideológico das mídias comerciais, têm atribuído aos imigrantes esse aumento. Como acontece em todo mundo, são os migrantes empobrecidos os culpados das desgraças. Poucos se atrevem a colocar na conta do capitalismo, das privatizações, da má política social. Mais fácil descarregar no mais frágil.
Kast se fez porta-voz desta ideia e explorou muito bem esse preconceito na sua campanha. Agora vai mostrar resultados. Muros e mais muros, a exemplo dos Estados Unidos, para seguir o “chefe”.
A Equipe de Animação da Rede Clamor Brasil se reúniu nesta terça-feira, 17, na sede daConferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), em Brasília (DF), para discutir ações e prioridades no atendimento a migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas. O encontro contou com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, domGiambattista Diquattro; do secretário-geral da CNBB, domRicardo Hoepers, do subsecretário-geral da CNBB, padre Leandro Megeto; além de representantes de diversas instituições eclesiais.
Entre os principais pontos da reunião esteve a preparação da Assembleia Anual e Formativa da Rede Clamor, que será realizada de 26 a 28 de maio, no Seminário João XXIII, em São Paulo. O encontro deverá aprofundar a reflexão sobre a realidade da mobilidade humana e a aplicação da Doutrina Social da Igreja no contexto das migrações e do refúgio.
A agenda também incluiu a organização de momentos celebrativos importantes ao longo do ano, como a Semana Nacional do Migrante, de 15 a 22 de junho, e o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 29 de setembro. Outro tema em pauta foi a possibilidade de sugerir ao Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB uma temática voltada aos migrantes e refugiados para futuras edições da Campanha da Fraternidade.
Sensibilizar a Igreja para a defesa da vida
Dom Nereudo Henrique e padre Marcelo Maróstica Quadro
Bispo referencial da Rede Clamor Brasil, dom Nereudo Henrique, destacou a importância da presença do Núncio Apostólico no encontro e o chamado à reflexão sobre a realidade migratória à luz da Doutrina Social da Igreja.
Segundo ele, o momento é oportuno para sensibilizar toda a Igreja – leigos, religiosos e clero – sobre a urgência da acolhida.
“Cada migrante traz consigo uma história, muitas vezes marcada por sofrimento e deslocamento forçado, inclusive por questões climáticas. Nosso papel é acolher e defender a vida com dignidade, independentemente de onde a pessoa esteja”, afirmou.
Articulação e missão em rede
Coordenador da Rede Clamor Brasil, o padre Lauro Bocchi ressaltou que o objetivo da reunião foi fortalecer a articulação entre as diversas instituições católicas que atuam no serviço aos migrantes e refugiados.
“São muitas iniciativas e a função da Rede é colocá-las em diálogo, aproximar e fortalecer esse trabalho conjunto”, explicou.
Ele destacou ainda a contribuição do Núncio Apostólico, que incentivou uma abordagem fundamentada na caridade e na Doutrina Social da Igreja, evitando leituras ideológicas sobre o tema.
Entre as propostas em discussão está a possibilidade de uma futura Campanha da Fraternidade dedicada à temática migratória, possivelmente em 2029 ou 2030. Outro eixo importante é a incidência política, especialmente diante da construção de políticas migratórias no país.
“Sentimos que a Igreja precisa estar mais presente nesse debate, sempre com olhar atento às pessoas que chegam ao Brasil”, afirmou.
O padre também chamou atenção para a interiorização do fenômeno migratório. “Os migrantes estão cada vez mais presentes fora dos grandes centros, o que exige da Igreja novas formas de presença e apoio nessas regiões”, disse.
Desafios e perfil migratório no Brasil
Irmã Rosita Milesi
Durante a reunião, a diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), irmã Rosita Milesi, apresentou um panorama atual das migrações no Brasil. Segundo ela, os venezuelanos continuam sendo o maior grupo atendido pelas instituições, seguidos pelos haitianos, além de pessoas de mais de 50 nacionalidades.
Ela destacou que o país abriga mais de 2 milhões de pessoas não brasileiras, número considerado pequeno em relação à população total. No entanto, os desafios permanecem, especialmente no acolhimento e na integração.
Entre as dificuldades, estão as novas exigências da política de acolhida comunitária, que demanda maior responsabilidade das organizações da sociedade civil, além das limitações enfrentadas por grupos como haitianos e afegãos. “Há avanços, como o visto humanitário, mas também muitos obstáculos no processo de integração”, avaliou.
A irmã também mencionou a continuidade da Operação Acolhida, em Roraima, que realiza o acolhimento e a interiorização de migrantes, embora ainda haja lacunas na integração dessas pessoas nas cidades de destino.
Já o vice-coordenador da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, padre Marcelo Maróstica Quadro, destacou mudanças recentes no perfil migratório no país. Além de venezuelanos e haitianos, houve aumento significativo na chegada de cubanos e marroquinos. “Somente no ano passado, cerca de 40 mil cubanos entraram no Brasil”, afirmou.
Missão e identidade da Rede Clamor
A Rede Clamor Brasil é uma articulação eclesial que reúne 27 instituições – entre pastorais, congregações religiosas e organismos – dedicadas à promoção e defesa dos direitos de migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas. Vinculada à CNBB, a Rede atua por meio da formação, incidência, solidariedade e trabalho em rede, com o objetivo de garantir dignidade, justiça e integração às pessoas em situação de mobilidade humana.
Uma parente de detenta protesta contra os julgamentos em massa organizados na caçada a gangues promovida pelo presidente Bukele, em 15 de fevereiro de 2026.
A ONG Human Rights Watch (HRW) acusou nesta segunda‑feira (16) o governo do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, de promover o "desaparecimento forçado" de pelo menos 11 cidadãos de El Salvador que foram expulsos dos Estados Unidos para o país centro‑americano no ano passado.
Segundo a organização, os salvadorenhos não foram apresentados a um juiz nem tiveram seus paradeiros divulgados, e estariam sendo detidos arbitrariamente em prisões como o mega presídio Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), sem acesso a familiares ou a garantias legais básicas.
A denúncia ocorre em meio a uma política de deportações ampliada pelos Estados Unidos — que, sob a administração de Donald Trump, retomou a expulsão de migrantes sob leis como o Alien Enemies Act — e à colaboração de El Salvador em reter pessoas enviadas por Washington.
Condenação sem provas
Segundo o relatório, nem as autoridades norte-americanas nem as salvadorenhas apresentaram provas de que os deportados sejam membros de gangues criminosas, como a MS‑13, como foi alegado.
A HRW afirma que a prática de negar informações sobre o destino e a situação legal desses migrantes caracteriza um "vazio" jurídico, deixando famílias isoladas e levantando graves questões de direitos humanos. A organização exige que o governo salvadorenho revele onde essas pessoas estão sendo mantidas e sob que condições.
Especialistas em direitos humanos também têm relatado que a política de estado de emergência em El Salvador, implementada por Bukele para combater a violência de gangues, ampliou práticas como detenções arbitrárias, tortura e desaparecimentos forçados, o que chegou a ser qualificado por um grupo de juristas como potencial crime contra a humanidade.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, autor da proposta
O Projeto de Lei 622/26 proíbe a entrada e a concessão de visto ou autorização de residência no Brasil a estrangeiros que não apresentem documento de viagem ou de identidade válidos do seu país de origem. A proposta altera a Lei de Migração (Lei 13.445/17) e está em análise na Câmara dos Deputados.
Pelo texto, a vedação se aplica também à autorização concedida ao residente fronteiriço (pessoa que vive em cidade de país vizinho e cruza a fronteira frequentemente).
Fim das exceções O projeto revoga trecho da lei atual que determina a negativa de visto por falta de documentos, mas a própria lei prevê exceções importantes: a regra não se aplica a solicitantes de refúgio, visto humanitário ou quando a falta de documentos não for culpa do estrangeiro.
Ao revogar esse inciso e criar um novo artigo sem replicar essas ressalvas, a proposta elimina as exceções atuais, tornando a exigência de documentação uma regra absoluta para qualquer estrangeiro.
Segurança das fronteiras O autor, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), argumenta que a medida visa aperfeiçoar o controle migratório e a segurança das fronteiras. Segundo ele, a entrada de pessoas sem comprovação mínima de identidade dificulta a atuação das forças de segurança.
“Trata-se de providência de caráter preventivo, voltada a coibir o anonimato transfronteiriço e a mitigar riscos concretos associados à criminalidade organizada e a indivíduos procurados que possam se valer de lacunas para burlar a fiscalização”, afirma o autor.
O parlamentar sustenta ainda que apenas checagens em bancos de dados não são suficientes para detectar antecedentes criminais, tornando a exigência documental um instrumento essencial para a rastreabilidade.
Próximos passos A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores e sancionada pelo presidente da República.
O Relator Especial da ONU para os direitos humanos dos migrantes, Gehad Madi, visitará o Brasil de 16 a 27 de março de 2026.
O Relator Especial avaliará as leis, políticas e práticas atuais do país, bem como o progresso alcançado na garantia da proteção plena e efetiva dos direitos humanos dos migrantes.
O especialista realizará reuniões em Brasília, Boa Vista, Pacaraima, São Paulo e Curitiba com autoridades governamentais, o poder judiciário, com agências das Nações Unidas, com organizações da sociedade civil e com migrantes. Ele também visitará centros de acolhimento e abrigos.
Madi realizará uma coletiva de imprensa na sexta-feira, 27 de março de 2026, às 15h (horário local) na Casa ONU Brasil - Complexo Sérgio Vieira de Mello, em Brasília.O acesso é estritamente reservado a jornalistas. Para se inscrever na coletiva de imprensa, envie um e-mail para hrc-sr-migrant@un.org com o assunto: Solicitação de inscrição para a coletiva de imprensa.
O Relator Especial apresentará seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em junho de 2027.
Os Relatores Especiais/Peritos Independentes/Grupos de Trabalho são peritos independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses peritos são chamados de Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. Embora o escritório de Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.
Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/
Pessoas em situação de vulnerabilidade chegaram ao aeroporto em Campinas (SP) de um voo do Haiti às 9h00 de hoje e ficaram ao menos oito horas dentro da aeronave (Foto: Reprodução)
Um grupo de mais de 100 haitianos enfrentou um impasse migratório no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após chegar ao Brasil em um voo procedente de Porto Príncipe. Os passageiros foram inicialmente impedidos de entrar no país e permaneceram por horas dentro da aeronave. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
O voo operado pela companhia aérea Aviatsa pousou por volta das 9h da manhã de quinta-feira (12), transportando 120 passageiros haitianos. Segundo a empresa, 118 deles foram impedidos de desembarcar por determinação da Polícia Federal (PF), permanecendo dentro do avião durante várias horas enquanto a situação era analisada pelas autoridades migratórias.
De acordo com relatos de advogados que acompanharam o caso no aeroporto, os passageiros teriam permanecido dentro da aeronave por pelo menos oito horas. Vídeos gravados pelos próprios refugiados mostram o interior do avião lotado, com agentes da Polícia Federal presentes durante o período de espera.
O advogado Daniel Biral, integrante do grupo Advogados Sem Fronteiras, afirmou que tentou prestar assistência jurídica aos passageiros, mas disse ter sido impedido de acessar o grupo. Para ele, o procedimento adotado pelas autoridades migratórias não respeitaria o direito de solicitar refúgio previsto na legislação brasileira.
"O procedimento sendo utilizado é completamente ilegal. Se a pessoa viesse andando de outro país e entrasse, ela seria recepcionada e teria um prazo legal para responder e regularizar a situação de asilo humanitário. Nesse caso, eles estão devolvendo todos", afirma o advogado.
A advogada Débora Pinter, que representa a companhia aérea, também relatou dificuldades enfrentadas pelos passageiros durante a permanência no avião. Segundo ela, os haitianos ficaram confinados dentro da aeronave em condições precárias enquanto aguardavam uma definição sobre a entrada no país.
Conforme estabelece a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), a devolução de pessoas a países onde sua vida ou liberdade possam estar em risco é proibida quando há pedido de reconhecimento de condição de apátrida ou refúgio. A legislação brasileira também prevê procedimentos específicos para análise individual de solicitações de proteção humanitária.
Após a repercussão do caso, advogados que acompanhavam a situação informaram que a Polícia Federal autorizou a entrada dos passageiros no terminal do aeroporto. A recepção, segundo as autoridades, dependeria da apresentação de documentação e de entrevistas individuais, com duração aproximada de 20 minutos cada. O processo de análise deveria se estender até a segunda-feira (16).
Mesmo após o desembarque, os passageiros permaneceram em uma área restrita do aeroporto, com acesso controlado pela Polícia Federal e por uma empresa responsável pelo fornecimento de alimentação. Advogados relataram que ainda não tinham acesso direto ao grupo naquele momento, o que gerou questionamentos sobre as condições de permanência das pessoas no local.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que a maioria dos passageiros apresentou irregularidades documentais durante o controle migratório realizado no aeroporto. Segundo o órgão, 113 dos 115 passageiros que desembarcaram portavam vistos humanitários falsificados.
Diante dessa constatação, a PF informou que aplicou a medida administrativa de inadmissão prevista na Lei de Migração. O órgão também ressaltou que, em situações desse tipo, cabe à companhia aérea responsável pelo transporte realizar o retorno do passageiro ao ponto de origem.
"Nessas situações, conforme a legislação migratória e as normas internacionais do transporte aéreo, a responsabilidade pelo retorno do passageiro inadmitido ao ponto de origem é da companhia aérea transportadora, que também possui o dever de verificar previamente a documentação necessária para o embarque", diz a nota.
A Polícia Federal também explicou que, após a comunicação da inadmissão, os passageiros foram reembarcados e a aeronave recebeu autorização para decolagem por volta do meio-dia. No entanto, o voo não deixou o aeroporto naquele momento por questões operacionais relacionadas à gestão da aeronave, responsabilidade atribuída à companhia aérea e à tripulação.
O órgão negou ainda que tenha impedido assistência jurídica aos passageiros. Segundo a PF, após a chegada de representantes de entidades de apoio no aeroporto, os estrangeiros foram orientados a desembarcar para receber auxílio e, caso desejassem, formalizar pedidos de refúgio no Brasil.
De acordo com a corporação, o processo de solicitação de refúgio deve ser iniciado individualmente por cada estrangeiro por meio do Sistema Sisconare, plataforma eletrônica utilizada pelo governo brasileiro para registrar pedidos de proteção internacional. Após o preenchimento do formulário, o solicitante precisa comparecer a uma unidade da Polícia Federal para validação das informações e emissão de um protocolo provisório.
A Polícia Federal informou ainda que abriu procedimento para investigar possíveis crimes relacionados à falsificação de documentos e à organização de deslocamentos irregulares de migrantes, com o objetivo de identificar os responsáveis pelo caso.
Já a companhia aérea Aviatsa divulgou nota manifestando preocupação com o episódio e criticando a condução da operação pelas autoridades migratórias brasileiras.
"A Aviación Tecnológica S.A. – AVIATSA, por meio de sua assessoria jurídica, manifesta profunda preocupação e repúdio diante dos fatos ocorridos na manhã de 12 de março de 2026, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP)."
A empresa afirmou que os passageiros buscavam exercer o direito de solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil e destacou que advogados de direitos humanos presentes no aeroporto teriam sido impedidos de prestar assistência.
"Neste momento, os passageiros e parte da tripulação permanecem confinados dentro da aeronave, sem autorização para desembarque ou decolagem. Segundo relatos recebidos pela companhia, essas pessoas estão há horas dentro do avião, sem acesso adequado a água e alimentação."
A Aviatsa declarou ainda que reconhece a competência do Estado brasileiro para fiscalizar a entrada de estrangeiros no país, mas considerou inadequada a manutenção de pessoas vulneráveis dentro de uma aeronave sem assistência adequada.
"Entretanto, a opção por manter pessoas vulneráveis confinadas dentro de uma aeronave, sem assistência e sem acesso à defesa jurídica, configura situação incompatível com os princípios básicos de dignidade humana e proteção internacional aos refugiados."
A companhia acrescentou que avalia medidas jurídicas para proteger os direitos dos passageiros e da tripulação envolvidos no episódio.
Até o momento, o Ministério dos Direitos Humanos não havia se manifestado oficialmente sobre o caso. Já os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores informaram que as questões relacionadas ao episódio deveriam ser tratadas diretamente com a Polícia Federal.
A Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Rio de Janeiro
(SEDHIR) está prestando assistência jurídica e apoio especializado à família de equatorianos
agredida por agentes da Secretaria Especial de Ordem Pública (SEOP), enquanto trabalhava
como ambulante na praia de Copacabana, no último domingo (8). O secretário Edson Santos
determinou que o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI), equipamento
público da SEDHIR destinado a atender imigrantes, refugiados e apátridas, acompanhe o caso
e tome as providências necessárias. A família equatoriana é composta por cinco pessoas: pai,
mãe e três filhos, sendo dois menores de idade, com 10 e 12 anos.
Após passarem quase 8 horas detidos na 13ª DP para averiguações, o pai, a mãe e o
irmão mais velho foram liberados graças à intervenção da advogada do CRAI, Raisa Ludmila
Damasceno Machado.
Nesta quarta-feira (11), a família foi atendida pela promotora de
Justiça Patrícia Carvão, do Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV) do Ministério Público do
Estado do Rio (MPRJ). A partir de uma escuta acolhedora, o núcleo forneceu informações
jurídicas sobre o inquérito em andamento e colocou a família em contato com o promotor
responsável pela investigação penal. A Defensoria Pública do Estado do Rio (DPRJ) já foi
acionada pelo CRAI e irá atuar no caso.
Já a professora e pesquisadora da UFRJ, Adriana Maria de Assumpção, que atua
como voluntária no CRAI, acompanhou a família até o Instituto Médico Legal (IML) para
realização de exames de corpo de delito e conseguiu transporte por meio de doações.
Os equatorianos estão no Brasil há poucos meses e encontraram no trabalho informal
um meio de gerar renda e sustentar a família. Eles vendiam seus produtos na orla de
Copacabana, na altura do posto 5, no dia 8 de março, quando agentes da Seop chegaram ao
local para fazer uma fiscalização. Na tentativa de impedir que as mercadorias fossem
apreendidas houve uma confusão generalizada. Os agentes reagiram violentamente e a
família foi agredida com socos, chutes e spray de pimenta. Banhistas e outros ambulantes
tentaram defender os imigrantes e jogaram cocos nos agentes. Tudo foi registrado em vídeos
gravados pelas testemunhas.
“A SEDHIR acionou suas equipes assim que tomou conhecimento dos fatos. É de
suma importância prestar assistência aos imigrantes junto às instituições para defender e
garantir os direitos dessas pessoas, especialmente, em situações de emergência e truculência”,
conclui o secretário Edson Santos
O estudante haitiano Renald Edouarzin na EMEF/EJA Padre Jose Narciso
A Secretaria de Educação de Campinas tem 230 estudantes imigrantes matriculados na educação infantil e no ensino fundamental. Eles nasceram em 29 países localizados nos continentes da América, Ásia, África e Europa, sendo que os maiores grupos são de três países: Venezuela, Colômbia e Haiti. Juntos, eles representam 140 alunos, o equivalente a 60,8% do total.
A presença de imigrantes contribui para ampliar a diversidade cultural das comunidades escolares envolvidas e reflete o papel de acolhimento da educação de Campinas.
Os grupos mais numerosos deixaram os países de origem por motivos como crises humanitárias, econômicas e políticas, em busca de segurança, alimentação e emprego.
“Fatores como qualidade de vida e desenvolvimento econômico tornam Campinas uma cidade atrativa. E a nossa rede de ensino é muito cuidadosa e acolhedora com a diversidade, o que torna um pouco mais confortável esse processo de adaptação para as famílias que chegam ao Brasil”, avaliou a secretária de Educação de Campinas, Patrícia Adolf Lutz.
A quantidade de estudantes imigrantes oscila anualmente. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em junho do ano passado, mostram que Campinas tinha cerca de 3,1 mil imigrantes naquele ano. Estados Unidos e Haiti são as principais origens.
Países de origem dos imigrantes na educação básica de Campinas
A estudante venezuelana Rosiber Martinez, em Campinas
Imigrantes na educação básica de Campinas (por ano)
- 2026: 230 - 2025: 254 - 2024: 210 - 2021: 204
Principais perfis dos imigrantes na educação básica de Campinas em 2026
- Venezuelanos - 97 (55 no infantil e 42 no fundamental) - Colombianos - 26 (17 no infantil e 9 no fundamental) - Haitianos - 17 (9 no infantil e 8 no fundamental)
Advocacia, medicina e futebol
A diversidade faz parte do cotidiano da Emef/EJA Padre José Narciso Ehrenberg, no Jardim São Marcos, por exemplo. A estudante venezuelana Rosiber Martinez, de 13 anos, está com a família em Campinas desde julho do ano passado. Ela saiu de El Tigre em 2019 e depois passou por Manaus, capital do Amazonas, antes da mudança para a cidade paulista.
“Me acolheram muito bem. O pessoal da sala e a direção foram super gentis, me ensinaram como me adaptar. Viemos por causa da situação econômica de lá, para ter um futuro melhor. Um dia pretendo voltar para o meu país, mas gosto muito de Campinas”, afirmou a jovem que demonstra facilidade em usar a língua portuguesa.
Ela destacou o Taquaral entre os lugares favoritos para visitar com os pais e as irmãs. Além disso, sonha em ser advogada. “Senso de justiça, defender o que é certo”, contou.
Já o haitiano Renald Edouarzin, de 13 anos, está há um ano no Brasil e mora com a mãe, o padrasto e a irmã. Ele diz que se encantou pelo futebol e aponta as diferenças na alimentação. “Gosto do Corinthians e quero ser jogador. Aqui tem pão de queijo e comidas que lá só ricos têm acesso, como a pizza”, falou o adolescente, que também gosta de ir ao cinema. Antes, ele morava em Porto Príncipe.
Marie Louistal, de 14 anos, mencionou a busca por segurança como um dos motivos da imigração da família após a saída da capital do Haiti. Para ela, os momentos de lazer passam pela observação dos sombrites e do fluxo intenso de pessoas nas lojas da Rua 13 de Maio, principal via de comércio popular do Centro da cidade. “Quero ser médica para ajudar as pessoas”.
No caso dela, algumas palavras ainda mencionadas na língua crioulo haitiano fazem com que professores e a diretora Márcia Cavati recorram às plataformas de tradução on-line para apoio. A empatia e o acolhimento facilitam a comunicação. “Ao mesmo tempo em que é desafiador, por conta do idioma quando eles chegam, é muito enriquecedor culturalmente”, avaliou a diretora. Ela lembrou que a presença de haitianos na escola já ocorre há pelo menos dez anos, enquanto estudantes de outras nacionalidades são mais recentes.