quarta-feira, 13 de maio de 2026

Pela primeira vez, as guerras estão deslocando mais pessoas do que inundações, tempestades e outros desastres naturais



Jovens refugiados. (Foto: Sam Mann/Unplash

Imagine um daqueles assentamentos informais empoeirados e precários que o mundo costuma observar de longe, através de fotografias tiradas na África, Ásia ou Oriente Médio: barracos e tendas erguidas com galhos, lonas plásticas, encerados e chapas de ferro ondulado, onde seus habitantes sobrevivem em meio à pobreza e à vulnerabilidade, suspensos em um estado de incerteza perpétua. Agora imagine um assentamento que abrigasse mais de 82 milhões de pessoas — praticamente a população da Alemanha. Isso é real, mesmo que não sejam todas juntas: é o número de pessoas que foram deslocadas internamente dentro de seus próprios países no final de 2025, após fugirem de conflitos armados ou desastres naturais, de acordo com as estimativas mais recentes do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), a principal organização global para medir e analisar esse fenômeno, que publicou seu relatório anual nesta terça-feira.

As conclusões deste ano pintam um quadro de fracasso coletivo: um mundo incapaz de proteger milhões de pessoas de conflitos cada vez mais destrutivos e desastres climáticos causados ou exacerbados pela atividade humana.

Embora seja verdade que o número total de pessoas forçadas a fugir de suas casas tenha diminuído ligeiramente em relação ao recorde atingido em 2024 — caindo de 83,4 milhões para 82,2 milhões —, os responsáveis pela compilação dos dados insistem que não há nada a comemorar e que essa queda não deve ser vista como uma notícia positiva, mas sim como enganosa, alerta Xiao-Fen Hernán, coordenadora e principal autora do relatório, em uma videoconferência. "Trata-se de uma queda de menos de 2%, representando apenas pequenas recuperações registradas em algumas crises. Não acreditamos que isso implique uma melhora real, porque as situações em países como Sudão, República Democrática do Congo (RDC) e Síria permanecem complexas e dinâmicas", afirma a especialista, que defende que se leve em consideração a volatilidade desse fenômeno, algo crucial para a agenda política e humanitária. Na realidade, o número de afetados dobrou em apenas uma década e permanece muito próximo dos máximos históricos.

Cada ano traz um desenvolvimento diferente, mas todos apontam na mesma direção: a deterioração global está se agravando. Durante anos, desastres naturais — inundações, tempestades, ciclones — causaram muito mais deslocamentos populacionais do que conflitos armados. De fato, 2024 foi um ano excepcionalmente devastador em termos climáticos. Mas as guerras vêm ganhando terreno na dinâmica global de deslocamento forçado e, em 2025, pela primeira vez desde que registros globais comparáveis começaram a ser mantidos, guerras e violência causaram mais deslocamentos forçados dentro dos países do que desastres naturais: os conflitos desencadearam um recorde de 32,3 milhões de movimentos populacionais (um aumento de 60% em relação ao ano anterior), em comparação com 29,9 milhões ligados a desastres naturais. Em 31 de dezembro de 2025, um total de 68,6 milhões de pessoas estavam vivendo longe de suas casas devido à guerra e outras 13,6 milhões devido a eventos relacionados ao clima.

No entanto, o relatório insiste que ambas as crises — climática e bélica — estão cada vez mais interligadas, uma vez que os países afetados por conflitos sofrem, por vezes, simultaneamente, inundações, secas ou eventos climáticos extremos que agravam ainda mais a vulnerabilidade da população.

O aumento do deslocamento devido a conflitos tem sido particularmente abrupto porque as guerras estão se tornando cada vez mais internacionalizadas e afetando grandes cidades. Por exemplo, o Irã e a República Democrática do Congo foram responsáveis por quase dois terços de todos os deslocamentos forçados de população naquele ano: 10 milhões no primeiro e 9,7 milhões no segundo.

Essa natureza urbana, sem diminuir os problemas das áreas rurais, é preocupante devido ao seu impacto em larga escala. "Quando o conflito chega às cidades, os números são maiores porque há uma maior concentração de pessoas e serviços. A destruição da infraestrutura tem impacto em todo o país e leva muito tempo para ser reconstruída", explica Hernán, cujo estudo cita exemplos de cidades destruídas com centenas de milhares de pessoas afetadas, como El Fasher, no Sudão, Teerã, no Irã, e Goma, na República Democrática do Congo.

Um dos casos mais preocupantes foi o do Irã, onde o IDMC estima cerca de 10 milhões de deslocamentos forçados de Teerã e outras cidades nos primeiros 12 dias da escalada militar em junho de 2025. Embora muitas pessoas tenham conseguido retornar para casa logo depois, o observatório decidiu incluir esses números em suas estatísticas. "O fato de um deslocamento ser temporário não significa que ele não tenha impacto", argumenta Hernán. "Ele afeta famílias, comunidades, a economia… Então, nós os contabilizamos para mostrar o impacto do conflito, mesmo que as pessoas consigam voltar para casa."

Outro exemplo preocupante é a República Democrática do Congo, com seu longo histórico de violência interna. A ofensiva de grupos armados no leste do país — principalmente o M23, com apoio ruandês — e a captura de Goma por essas milícias desencadearam um em cada três deslocamentos internos registrados em todo o mundo em 2025. Embora alguns retornos também tenham sido registrados, Hernán alerta que nem todos são permanentes. "Um retorno não significa necessariamente que haja uma solução", destaca. "Muitas pessoas voltam para casa porque não têm outra opção, mesmo que não haja moradia, trabalho, serviços básicos ou segurança."

A crise climática, também na Espanha

As guerras não são o único fenômeno que desloca dezenas de milhões de pessoas de suas casas; desastres naturais também desempenham um papel significativo, particularmente as tempestades, inundações, incêndios e ciclones que atingiram a Terra ao longo de 2025, causando 29,9 milhões de deslocamentos. No entanto, o número de pessoas ainda deslocadas em 31 de dezembro era menor: 13,6 milhões. Esse número é 35% menor do que o número excepcionalmente alto de 2024, mas permanece 13% acima da média da última década. Mais uma vez, o Leste Asiático e o Pacífico representaram a maior parcela: 59% do total global, com 17,5 milhões de pessoas deslocadas, mais da metade delas apenas nas Filipinas. "Isso reflete a alta exposição da região a desastres, em parte como resultado da alta densidade populacional que vive em áreas de risco", explica o relatório.

A Ásia Central e a Europa foram as regiões que saíram relativamente ilesas, graças em parte à sua baixa exposição a desastres de grande intensidade e a práticas eficazes de gestão de riscos. No entanto, isso não impediu que a Espanha aparecesse neste relatório como o terceiro país europeu com o maior número de deslocamentos relacionados com o clima, com quase 30.000, principalmente devido a incêndios florestais. Este é também o segundo número mais alto já registrado e um aumento de quase seis vezes em comparação com 2024. "Tal como nos anos anteriores, a maioria dos deslocamentos ocorreu em agosto. Um único incêndio florestal na região de Castela e Leão desencadeou mais de 19.000 evacuações", afirma a análise do IDMC.

A invisibilidade do fenômeno

"O deslocamento interno é um ponto cego nas crises humanitárias, apesar de afetar muito mais pessoas do que os refugiados", argumenta Hernán. O foco da mídia e da política tende a se concentrar naqueles que cruzam fronteiras internacionais, e os refugiados, que somam 43 milhões em todo o mundo, são protegidos pelo direito internacional e pelo mandato específico do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Os deslocados internos, por outro lado, permanecem sob a responsabilidade de seus próprios governos, mesmo que estes sejam incapazes de protegê-los da violência — quando não são diretamente responsáveis por ela. "Isso muitas vezes resulta em menor atenção internacional e da mídia para eles."

No entanto, o aumento do número de pessoas forçadas a fugir não é a única preocupação em pauta; não menos relevante é a crescente invisibilidade de muitas crises devido à significativa redução na disponibilidade de dados. Isso ocorre porque, em zonas de guerra, os registros mensais ou a cobertura nacional completa deixaram de existir. "Muitos desses deslocamentos sequer são registrados."

Outro obstáculo para evidenciar a vulnerabilidade de milhões de pessoas tem sido o impacto dos cortes brutais na ajuda humanitária e ao desenvolvimento registrados em 2025, principalmente pelos Estados Unidos, que era o maior doador mundial, mas não o único. "Quando algo deixa de ser medido, também deixa de ser gerenciado", alerta Hernán, cuja equipe teve dificuldade em obter informações em 15% dos países monitorados. "Tememos que essa aparente diminuição contribua para reduzir ainda mais a atenção política e o financiamento humanitário." Ele adverte que a invisibilidade desse fenômeno pode nos levar a crer que essas crises não existem, mas nada poderia estar mais longe da verdade: "Não é uma melhora, mas sim um sinal de que, se não priorizarmos, teremos menos informações para tomar decisões acertadas."

https://www.ihu.unisinos.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com


terça-feira, 12 de maio de 2026

Brasil apresenta compromissos para concretizar Política Nacional em fórum da ONU sobre migração

 CARD ENAILE.jpeg

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, durante o fórum. Foto: Divulgação/OIM

 O Brasil voltou a participar do debate internacional sobre políticas públicas de migração durante o II Fórum Internacional de Revisão das Migrações, realizado em Nova York (EUA), de 5 a 8 de maio. O encontro contou com a participação dos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP), das Relações Exteriores (MRE) e dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

O fórum ocorre a cada quatro anos na sede da Organização das Nações Unidas, no âmbito do Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, e é considerado o principal espaço internacional de debate sobre políticas migratórias. O MJSP foi representado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), com a participação da secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, e do diretor do Departamento de Migrações (Demig), Victor Semple.

Durante o evento, países, organismos e sociedade civil debateram temas como integração social, governança de dados, mudanças climáticas, direitos trabalhistas e reunificação familiar de migrantes. Em painel sobre migração, qualificação profissional e transição justa, Maria Rosa Loula destacou que o Brasil tem demonstrado ser possível conciliar acolhimento e responsabilidade, com garantia de acesso à saúde, trabalho e proteção para migrantes.

“Fortalecer essas políticas é essencial não apenas para acolher pessoas com dignidade, mas também para construir uma mobilidade laboral mais justa e integrada, enfrentando desafios como idioma e qualificação com apoio conjunto do setor público e privado”, ressaltou.

Em parceria com os governos do México e da Colômbia, a delegação brasileira também promoveu evento sobre a implementação do Pacto Global na América Latina, que contou com a participação de representantes de Portugal, Uruguai e Guatemala.

O Brasil apresentou, pela primeira vez, avanços em governança migratória e boas práticas de acolhimento desenvolvidos nos últimos anos. Além disso, o País anunciou 11 compromissos para fortalecer essas políticas e ampliar a proteção a migrantes, refugiados e apátridas.

Compromissos apresentados pelo Brasil

1. Promover a coesão social e combater a xenofobia;
2. Promover o retorno seguro e digno de brasileiros retornados;
3. Promover a implementação, o acompanhamento e o monitoramento da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA);
4. Promover governança migratória inclusiva e ampliar mecanismos de participação direta de migrantes, refugiados e apátridas;
5. Fortalecer a prevenção e a erradicação da apatridia nos âmbitos regional e global, com incentivo à adesão à Convenção para Redução dos Casos de Apatridia e ampliação da participação na Aliança Global para a Erradicação da Apatridia;
6. Aperfeiçoar normativas internas e políticas públicas voltadas à garantia do direito à reunião familiar de migrantes e refugiados;
7. Promover a implementação dos planos de trabalho das cinco redes temáticas da Conferência Sul-Americana sobre Migrações (CSM);
8. Fortalecer o Programa Brasileiro de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário, em parceria com organizações da sociedade civil, como via complementar de admissão e acolhimento de pessoas em necessidade de proteção internacional;
9. Fortalecer respostas sustentáveis e centradas na vítima no atendimento a pessoas afetadas pelo tráfico humano;
10. Fortalecer a governança de dados sobre tráfico de pessoas e contrabando de migrantes;
11. Fortalecer ações de prevenção e cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes.

https://www.gov.br/mj/pt-br

www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Ministro do Trabalho visita Roraima para acompanhar operação de acolhimento a venezuelanos

 

Luiz Marinho cumpre agenda em Boa Vista e Pacaraima para acompanhar ações da Operação Acolhida em Roraima. (Foto: Divulgação)

Na segunda-feira (11), o ministro visita o Posto de Triagem do Centro de Coordenação de Interiorização da Operação Acolhida, em Boa Vista, estrutura responsável pelo atendimento humanitário e pelo processo de interiorização de venezuelanos que entram no Brasil pela fronteira com a Venezuela.

Ainda na capital, Luiz Marinho também deve visitar o Abrigo Rondon 1 e o abrigo indígena Tuaranoko, que recebem migrantes venezuelanos em situação de vulnerabilidade.

Já na terça-feira (12), a agenda será em Pacaraima, município localizado na fronteira com a Venezuela. Entre os locais previstos para visita estão o alojamento de trânsito, o Marco das Bandeiras e as salas de refúgio, além das estruturas de atendimento instaladas na região, como casa da vacina, instalações da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e Defensoria Pública da União.

Durante a agenda em Roraima, o ministro estará acompanhado do diretor da ACNUR no Brasil, Davide Agnelo Torzilli.

Criada em 2018 pelo Governo Federal, a Operação Acolhida atua no atendimento emergencial de migrantes venezuelanos em Roraima, promovendo ações de recepção, documentação, vacinação, abrigo e interiorização para outros estados do país.

https://www.folhabv.com.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Entregadores: Exploração e futuro em aberto na Europa


Foto: Reprodução/Courrier Picard

Por 

Nas últimas semanas, os entregadores de plataformas digitais de países membros da União Europeia voltaram a ganhar destaque no debate público por meio de suas manifestações políticas, ações na Justiça e a publicação de um bombástico relatório de pesquisa na França. Num ano em que uma diretiva votada na União Europeia, que busca melhorar a situação desses trabalhadores, deveria ser implementada em todos os países membros, o embate está longe de encontrar um desfecho favorável aos mais fracos.

No final de março de 2026, um importante relatório sobre a saúde e as condições de vida e de trabalho de entregadores de plataformas digitais na França foi divulgado e gerou um amplo debate público. Este documento compartilhou uma das etapas da pesquisa Santé-Course, coordenada pelo Institut de recherche pour le développement (IRD) e que contou com a colaboração de outras instituições de pesquisa, associações de entregadores e profissionais da área da saúde.1

Foram entrevistados 1.004 entregadores nas cidades de Bourdeaux e de Paris ao longo de 2025. Os depoimentos duraram em média 25 minutos e cada entregador recebeu um cheque de 15 euros por sua participação. O relatório está dividido em três grandes seções. Na primeira, são apresentadas as características sociodemográficas e as condições de trabalho dos entregadores. Em seguida, o estudo se debruça sobre os riscos profissionais aos quais os entregadores estão expostos e apresenta indicadores de saúde física e mental deles. Por fim, na última seção, são apresentados os dados sobre os controles policiais e as discriminações a que esses entregadores são frequentemente submetidos.

No tocante às características sociodemográficas, 98,8% dos entrevistados são homens, sendo que 81,4% têm menos de 35 anos de idade. 98,7% nasceram no exterior e 64,4% estão em situação irregular dentro do território francês. Entre os que trabalham em Paris, quase metade provém da África Ocidental (49,3%), seguido por pessoas originadas da Ásia (31,7%, sendo a maioria de Bangladesh) e do Norte da África (14,5%). Destes, 91,2% não desejam continuar no trabalho de delivery por plataforma digital depois que sua situação for regularizada. Nenhum entregador tem o status de assalariado, sendo que 73,5% alugam a conta do aplicativo de um terceiro para trabalhar.

Os entregadores na França ganham em média 1.480 euros brutos por mês2. Após os descontos referentes aos gastos habituais, seu rendimento cai para uma média de 880 euros líquidos. Porém, este valor pode variar de acordo com o status legal do trabalhador no país, o tipo de veículo utilizado e a cidade em que a entrega é feita. Aqueles que precisam alugar uma conta para trabalhar recebem menos do que os proprietários de perfis em situação regular no país. 91% dos entregadores entrevistados recebem o essencial de sua renda nas plataformas e apenas 7% deles têm uma ou mais atividades remuneradas para além das entregas.

Conforme o relatório,

“A maioria dos entregadores declararam trabalhar entre 11 e 12 meses por ano, 81% entre 6 e 7 dias por semanas e 90% mais de 6 horas por dia em média, para uma duração habitual de trabalho de 63 horas por semana em média. 60% dos entregadores estimam que a intensidade dos esforços fornecidos num dia típico de entregas está entre muito difícil à exaustão. 75,8% dos entregadores entrevistados declaram ter utilizado um veículo não motorizado (mecânico ou elétrico) para sua atividade de entrega no mês precedente à entrevista. 58,7% dos entregadores entrevistados já tiveram ao menos um acidente em seu trabalho” (p. 9)

Sobre a saúde física e mental, um terço dos entregadores disseram ter dores de barriga, perda de apetite ou tonturas repetidas ou crônicas. Cerca de metade mencionou falta de ar, problemas de sono, fadiga ocular ou nervosismo recorrente. E quase dois terços sofrem de dores de cabeça. 32% dos entrevistados não dispunham de alguma cobertura de saúde.

Dois entre três entregadores responderam que já foram abordados pela polícia, seja durante o percurso da entrega, enquanto esperavam a mercadoria, ou indo/voltando do trabalho. A maior parte das interpelações policiais ocorre por conta do veículo utilizado pelos trabalhadores (suspeita de roubo, algum problema de segurança, infração de trânsito etc.). 42% disseram que foram parados para o controle de identidade ou do titre de séjour (documento que regulamenta a estadia no território francês).

A maioria dos entrevistados na pesquisa disse ter sofrido algum tipo de discriminação ou ter recebido um tratamento desigual durante o seu trabalho de entregador. Entre eles, 86% estimam que esses tratamentos estão ligados à sua atividade. Quanto ao tipo de discriminação, as principais citadas pelos entrevistados foram a cor da pele (57%), a origem ou a nacionalidade (45%) e o sotaque ou a maneira de falar (32%).

O relatório obteve ampla repercussão na mídia, ensejando debates e ações acerca das condições de trabalho e de saúde dos plataformizados. No dia 22 de abril de 2026, foi apresentada uma queixa-crime na Procuradoria da República em Paris contra a Deliveroo e a Uber Eats por parte de associações de entregadores, tais como a Maison de livreurs de Bordeaux, a Maison des coursiers à Paris, a Association d’aide aux livreurs AMAL e Ciel. As duas primeiras instituições foram parceiras na pesquisa, contribuindo com a coleta de dados e a realização de entrevistas. Segundo um dos coordenadores da Maison de livreurs de Bordeaux, “o objetivo desta queixa é colocar as plataformas frente a suas responsabilidades em relação à saúde destes trabalhadores, de suas condições de trabalho, mas também de interrogar o fato que elas criaram um modelo econômico baseado na precariedade”3.

Esse debate na França ocorre em um contexto europeu marcado pela expectativa de implementação, até dezembro de 2026, da Diretiva 2024/2831 da União Europeia4. Ela obriga os países membros a criar mecanismos para facilitar o reconhecimento de contratos de trabalho entre trabalhadores e as plataformas digitais. Dois países, Espanha e Portugal, que tinham avançado nesse sentido nos anos anteriores, estão sofrendo pressões das empresas e da extrema-direita para recuarem.

Em Portugal, foi aprovado em 2023 um acréscimo ao Artigo 12 do seu Código do Trabalho, justamente o que caracteriza e tipifica o trabalho subordinado a outrem. Porém, a legislação não conseguia lidar com a nova realidade do trabalho digital, já que o antigo código estava vinculado a uma visão do mundo do trabalho em que a unidade física é o fundamental. O Artigo 12-A buscou, portanto, atualizar a subordinação jurídica para o universo das plataformas digitais. Por conta disso, uma série de disputas sobre o reconhecimento do vínculo de emprego entre entregadores e plataformas digitais passaram a ocorrer na justiça portuguesa, muitas vezes dando o ganho de causa aos entregadores.

O atual governo de direita de Luís Montenegro apresentou no ano passado propostas de alterações das leis trabalhistas que, caso sejam aprovadas, precarizarão ainda mais os empregos, alargarão os contratos temporários, promoverão o trabalho terceirizado, reduzirão os salários, facilitarão as demissões, revogarão os mecanismos de negociação coletiva, limitarão o direito de greve, dentre outras medidas. Em relação ao trabalho plataformizado, o governo deseja abolir o Artigo 12-A. Porém, os sindicatos, os movimentos sociais e os partidos de esquerda têm feito forte oposição a estas propostas, inclusive com mobilizações de rua e greves. Apesar de um recuo momentâneo por parte do governo diante da reação popular, não há disposição de recuar na abolição dos mecanismos que permitem reconhecer o vínculo de emprego nas plataformas digitais.

Na Espanha, os entregadores convocaram, por meio de seus sindicatos e associações, a paralisação das atividades entre os dias 24 e 26 de abril, durante o final de semana, horário de maior demanda por entregas, em várias cidades do país. O objetivo foi conter as mais de 700 demissões anunciadas pela Glovo e denunciar a sua manobra para fugir da Lei Rider, aprovada em 2021, pioneira na regulamentação e reconhecimento de subordinação entre entregadores e plataformas digitais. A Glovo vem se utilizando de um mecanismo jurídico intitulado Expediente de Regulación de Empleo (ERE)5 para demitir dezenas de entregadores e contratá-los por meio de terceirização, livrando-se da responsabilidade que impõe um contrato de trabalho.

Assim, em 2026, a União Europeia se converte em um dos principais embates sobre o futuro do trabalho, em particular da plataformização laboral. Diferente do cenário político brasileiro, em que o STF tende a avançar na destruição do direito do trabalho, na Europa há uma possibilidade de conquistas importantes no campo da regulação do trabalho em plataformas digitais. O relatório da pesquisa Santé-Course reforça o que demonstram investigações em todo o mundo sobre a situação dramática, precária e sub-humana nestas empresas. Apesar de todas as evidências, as plataformas têm avançado nas desregulamentações e na aplicação de seu modelo de negócio.

https://outraspalavras.net/

www.miguelimigrante.blogspot.com


quinta-feira, 7 de maio de 2026

População migrante 60+ cresce entre os 2 milhões de refugiados no Brasil

 Mulheres da comunidade de refugiados indígenas Warao, da Venezuela

Por Alexandre Barreto

A população migrante com 60 anos ou mais apresentou o maior crescimento proporcional no Brasil entre 2023 e 2024, passando de 61.211 para 74.165 pessoas, alta de 21,2%. Os dados são 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).

O avanço ocorre em um cenário em que o País já abriga mais de 2 milhões de imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio.

Leia também: Envelhecer longe de casa: os desafios de quem chega ao Brasil depois dos 50

Segundo o estudo, , publicado na última quinta-feira, o crescimento da população idosa entre migrantes acompanha a expansão geral dos registros no sistema de assistência social. O total de migrantes cadastrados no CadÚnico subiu de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024.

Entre todas as faixas etárias analisadas, os idosos lideraram o aumento proporcional, seguidos pela faixa de 50 a 59 anos, que cresceu 16,4% no mesmo período.

Ainda assim, o aumento mais acelerado entre os idosos indica uma mudança no perfil demográfico dessa população.

Entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, o número de registros passou de 159.011 para 188.531, crescimento de 18,6% em um ano.

"Esse resultado evidencia a ampliação de famílias migrantes com crianças no sistema de assistência social e reforça a necessidade de articulação entre políticas de assistência social, educação e proteção à infância", destaca o relatório.

Predominância feminina chama atenção

Em 2024, as mulheres representavam 55,6% dos migrantes cadastrados. Esse perfil está associado à presença de famílias com filhos, o que amplia a demanda por serviços públicos voltados ao cuidado, à educação e à inclusão social, segundo o relatório.

O Brasil reúne atualmente pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais de cerca de 200 nacionalidades. Entre os principais grupos estão venezuelanoshaitianoscubanos e angolanos.

A estimativa indica que cerca de 680 mil venezuelanos viviam no País no início de 2026, com maior presença de mulheres e crianças.

O estudo analisa que a distribuição etária evidencia a coexistência de diferentes perfis entre os migrantes. 

"O crescimento da população migrante mais envelhecida amplia a complexidade das demandas dirigidas ao poder público e reforça a necessidade de respostas intersetoriais no âmbito das políticas públicas", afirma o documento.

O relatório também destaca o crescimento da presença de migrantes no mercado de trabalho formal. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos formais aumentou 54%, superando 414,97 mil trabalhadores com carteira assinada.

Ainda assim, parte dessa população enfrenta dificuldades de inserção em ocupações compatíveis com sua formação, o que impacta renda e condições de vida.

Made with Flourish • Create a chart

Recomendações do estudo

Na área social, o estudo recomenda reduzir o tempo de acesso a benefícios e aprimorar a gestão dos programas públicos. Também sugere ampliar políticas de acolhimento e interiorização, com foco na inclusão produtiva e na redução de desigualdades regionais.

O avanço da população idosa entre migrantes reforça a necessidade de políticas específicas para esse grupo, com foco em acesso à saúde, proteção social e garantia de direitos.

Além disso, o documento aponta a necessidade de fortalecer a articulação entre União, Estados e municípios para garantir atendimento adequado à população migrante.

“A consolidação da política migratória nacional, especialmente no eixo da integração, depende do fortalecimento do pacto federativo, da governança local, da institucionalização das respostas municipais e da construção de mecanismos que garantam sustentabilidade, equidade territorial e efetividade no acesso a direitos para migrantes e refugiados no Brasil”, pontua o relatório.

A proposta do relatório anual é analisar a evolução dos fluxos migratórios no País e subsidiar a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), editada no fim de 2025 e substituiu a Lei de Migração de 2017.

https://viva.com.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mães refugiadas apostam no empreendedorismo como caminho de inclusão econômica no Brasil, aponta pesquisa

 Estudo com pessoas refugiadas e migrantes empreendedoras revela protagonismo das mulheres e alta demanda por crédito e capacitação

Proprietária do restaurante Fusão de Sabores, Ana Joselyn é mãe e encontrou no empreendedorismo a possibilidade de conciliar a geração de renda e os cuidados com a família


Ana Joselyn é a empreendedora à frente do Fusões de Sabores, restaurante que mistura temperos da culinária venezuelana e brasileira ou de sua terra natal e do país que a acolheu. O espaço fica no Mercado de Origem da Amazônia, localizado em Manaus, onde mora atualmente.

“Sonhei que meu negócio fosse mundial e nesse mercado este sonho está se realizando por meio dos turistas que vem do mundo todo aqui”, comemora a venezuelana.

O empreendedorismo tem se consolidado como uma das principais estratégias de inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes no Brasil, especialmente entre as mulheres. É o que revela a pesquisa realizada com integrantes da Plataforma Refugiados Empreendedores, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pacto Global da ONU - Rede Brasil. Cerca de 95% das pessoas entrevistadas residem no Brasil há mais de três anos, o que reforça o empreendedorismo como alternativa sólida para geração de renda, autonomia e estabilidade de pessoas refugiadas no país.

A Plataforma Refugiados Empreendedores foi lançada em fevereiro de 2021 e reúne quase 200 empreendimentos de pessoas refugiadas no Brasil.

O estudo realizado pela Innovare Pesquisa, subsidiado pelo ACNUR, ouviu 89 pessoas em diferentes regiões do país entre os meses de janeiro e fevereiro de 2026. A maioria dos negócios são de latino-americanos (82%), seguidos por pessoas do Oriente Médio e África, que somam 18%. São das áreas de gastronomia, artesanato, design e moda e seguem sendo de pequeno porte, predominantemente microempreendedores individuais (56%).

Elas comandam lares e negócios

Os dados mostram que, em 2026, o perfil das pessoas refugiadas que empreendem é majoritariamente feminino (71%). A idade média das empreendedoras é de 40 anos, indicando mulheres com mais experiência e com maior tempo de inclusão no país.

Quando analisadas as composições familiares, a predominância continua sendo de casais com filhos mas, nesta edição da pesquisa, o número de mães solo empreendedoras sobressaiu em relação à pesquisa anterior, realizada em 2023.

“O crescimento da participação de mães solo evidencia que o empreendedorismo não é apenas uma escolha econômica, mas uma estratégia para estas mulheres conciliarem a geração de renda, gestão da família e cuidados do lar. Apesar das inúmeras barreiras, tem sido a forma encontrada por elas para conquistarem autonomia financeira e estabilidade aqui no Brasil. O ACNUR busca, por meio de suas parcerias, oferecer suporte para que elas possam se capacitar, formalizar seus negócios e até mesmo conseguirem facilidades de crédito”, destaca Paulo Sérgio de Almeida, Oficial de Inclusão Econômica do ACNUR no Brasil.

Ana Joselyn veio da Venezuela para o Brasil com o filho caçula em 2019. Desde então, participou de várias formações. Ela destaca o projeto de capacitação Mulheres Fortes, iniciativa da associação Hermanitos, Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR) e ACNUR. Recebeu capital semente, foi aprimorando técnicas e adaptando o modelo de negócio. Ela comenta que os vínculos construídos nessas oportunidades a fazem sentir mais confiante.

“Nos deram visibilidade pública e conseguimos ser enxergadas por organizações e empresas que realizam eventos e divulgaram nossas redes sociais”, comenta a proprietária do Fusões de Sabores.

Ana Joselyn conta que precisou adaptar o modelo de negócios várias vezes. A mudança mais recente foi para se adaptar ao prédio histórico de Manaus onde instalou seu restaurante

Quase 90% dos entrevistados afirmam precisar de capacitação, com foco prioritário em marketing e vendas, áreas consideradas estratégicas para ampliar clientela e faturamento. A captação de clientes apareceu como segunda dificuldade mais citada na pesquisa. Neste sentido, a plataforma Refugiados Empreendedores foi apontada como ferramenta importante para divulgação dos trabalhos: 35% afirmaram ter feito vendas por conta da plataforma.

venezuelana Gema Soto é proprietária do empreendimento gastronômico Chévere, em São Paulo. Foi o negócio próprio que deu fôlego para o sustento dos três filhos. Ela comenta que a ferramenta é um suporte que vai além de divulgar os trabalhos.

“A plataforma foi um divisor de águas. Uma das maiores dores que temos, além do fato de ficarmos perdidos, vem das condições em que chegamos no país. Não temos o sentimento de pertencimento. E aqui a gente se sente parte, acolhido, importante e visibilizado. Sabemos que tem alguém atento aos nossos trabalhos. Temos a certeza de que temos profissionais para nos ajudar a superar”.

Para Gema foi um desafio se entender como empreendedora. “Eu passei fome e agora formo cozinheiros”.

Para Gabriela Rozman, gerente de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, a plataforma é um meio importante para apoiar essas pessoas a reconstruir suas vidas no Brasil, especialmente mulheres que encontram no empreendedorismo uma forma de retomar autonomia e autoestima. “Nosso objetivo é seguir apoiando essas empreendedoras com capacitações, treinamentos e mentorias", afirma.

Além das inúmeras formações feitas para consolidar seu negócio, Gema aprendeu também sobre sustentabilidade, aproveitamento de alimentos e agricultura familiar. Práticas sustentáveis foi um dos temas da pesquisa e, apesar do desconhecimento conceitual, 75% dos negócios já realizam a separação de resíduos recicláveis e 73% utilizam equipamentos de LED para economia de energia.

Crescimento dos negócios e a geração de empregos

Mais de 47% dos empreendedores entrevistados relataram que a principal dificuldade inicial foi a falta de recursos financeiros ou capital para investimento. O acesso a crédito aparece de forma consistente como gargalo para o crescimento dos negócios.

Atento à demanda de crédito, o ACNUR fez acordos com o Banco Pérola, parceiro da plataforma Refugiados Empreendedores, e o Crédito Solidário – Microfinanças (antes conhecido como Banco do Povo), instituições financeiras que passaram a oferecer linhas de microcrédito especiais para atender pessoas refugiadas e migrantes que queiram ampliar seus negócios no Brasil.

“Sem crédito é praticamente impossível alavancar um negócio, qualquer que seja o tamanho. E essas pessoas têm ainda menos condições de conseguir um empréstimo no mercado do que empreendedores brasileiros mais vulneráveis. Por mais que haja força de trabalho, demanda, capacidade empreendedora, existem questões muito práticas sem as quais um empreendimento simplesmente não existe, como capital de giro, recurso para comprar produtos ou para investir em uma infraestrutura mínima”, afirma a diretora Financeira e Administrativa do Banco Pérola, Andrea Federmann.

Ampliar os negócios, por vezes, se relaciona à contratação de pessoas. Apesar da maioria dos negócios não possuir funcionários, muitos que já contratam optam por pessoas da mesma nacionalidade, embora haja também brasileiros contratados.

Esta é a segunda edição da pesquisa realizada pela Innovare com negócios da Plataforma Refugiados Empreendedores. A primeira edição foi em 2023 e os principais dados estão disponíveis aqui.


https://www.acnur.org/br

www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 5 de maio de 2026

STF aprova repasse de R$ 115 milhões a Roraima devido migração venezuelana

 


O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo entre a União e o governo de Roraima que garante o repasse de R$ 115 milhões ao estado. O valor será destinado a compensar os gastos com o atendimento a migrantes venezuelanos.

A decisão foi assinada pelo ministro Luiz Fux em 28 de abril, no âmbito de uma Ação Cível Originária (ACO) que tramitava desde 2018. Com a homologação, o processo foi encerrado.

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo entre a União e o governo de Roraima que garante o repasse de R$ 115 milhões ao estado. O valor será destinado a compensar os gastos com o atendimento a migrantes venezuelanos.

A decisão foi assinada pelo ministro Luiz Fux em 28 de abril, no âmbito de uma Ação Cível Originária (ACO) que tramitava desde 2018. Com a homologação, o processo foi encerrado.

Roraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil, por meio do município de Pacaraima. Desde 2015, o estado concentra grande parte dos migrantes que deixam o país vizinho devido à crise política, econômica e social.

Os recursos serão aplicados nas seguintes áreas:

Segurança pública: R$ 63 milhões

Saúde: R$ 36 milhões

Educação: R$ 10 milhões

Sistema prisional: R$ 6 milhões

O repasse será feito diretamente ao estado, em contas específicas para cada área. O acordo também prevê o compartilhamento de informações com órgãos de controle, como CGU, TCU, TCE-RR e Ministérios Públicos, para garantir transparência na aplicação dos recursos.

https://ac24horas.com/

www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mais de 78 milhões de pessoas são imigrantes na América Latina


Por Teresa Canto Noronha

As Nações Unidas dizem que a imig ração na América Latina está a crescer cada vez mais. E que mais de 78 milhões de migrantes internacionais vivem naquela região. A pobreza, os desastres naturais e a violência são os principais fatores que levam as pessoas a migrarem.

Os padrões de migração estão a mudar e as Nações Unidas dizem que na América Latina a situação é cada vez mais complexa e difícil de prever. A violência ligada ao crime organizado, a pobreza e os desastres naturais em consequência das alterações climáticas estão a redefinir a forma como as pessoas se movimentam no sul e centro do continente americano.

A ONU diz que as caravanas já não seguem os padrões tradicionais e que a pressão exercida pelas autoridades nas várias fronteiras, desde o sul até aos Estados Unidos, está a obrigar os migrantes a procurarem novas rotas.

Muitos arriscam a vida

Em muitos casos, essas novas rotas são mais perigosas e dependem quase exclusivamente das redes de tráfico humano, que exploram e roubam os mais vulneráveis.
Os dados mais recentes dizem que há mais de 78 milhões de migrantes internacionais a viverem na América Latina.
Muitos sonham chegar ao norte e passar a fronteira para os Estados Unidos, mas a maior parte nunca vai completar esse caminho e acaba por ficar no México, Brasil, Peru, Chile e Colômbia.


https://sicnoticias.pt/

www.miguelimigrante.blogspot.com