sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Estrangeiros residentes na Itália são mais de 5 milhões

 

Mais de 600 mil estrangeiros trabalhavam na Lombardia até 1º de janeiro de 2025

Foto: ANSA / Ansa - Brasil


O número de cidadãos estrangeiros residentes na Itália atingiu 5,37 milhões em 1º de janeiro de 2025, correspondendo a 9,1% da população nacional, um aumento de 2,2% em comparação com 2024.

Os dados constam do Relatório de Imigração de 2025, elaborado pelo centro de pesquisas Idos e apresentado nesta quinta-feira (5) na cidade de Gallarate, província de Varese, na Lombardia.

Segundo o estudo, os residentes estrangeiros na região ultrapassaram 1,22 milhão, representando 22,7% da fatia nacional e 12,1% da população local.

A Lombardia também permaneceu como a principal região de origem dos emigrantes, com mais de 22,8 mil lombardos a terem deixado a Itália entre 2014 e 2024 (18,5% do total nacional).

Já o percentual de trabalhadores estrangeiros empregados em território lombardo foi de 13,2% (600,3 mil pessoas), um aumento de 3,2% em comparação com 2023.

"A migração é um fenômeno global, visto que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo vivem fora de seu país de nascimento", comentou Luca Di Sciullo do Idos.

Ele lembrou que a Itália vive "formalmente uma emergência migratória" há décadas, ainda que "uma ocorrência que já dura 50 anos não possa ser chamada de emergência".

"Com o declínio demográfico e a escassez de mão de obra, fechar fronteiras é um ato de autossabotagem para o sistema do país", destacou Di Sciullo.

terra.com.br

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Prefeitura discute atendimento a migrantes na DPU

 Texto: Adaides Batista Fotos: SemiasPrefeitura discute atendimento a migrantes na DPU

Instituições que integram a rede de proteção social debateram o aumento do fluxo migratório em Porto Velho

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), participou na quarta-feira (4) de reunião na sede da Defensoria Pública da União (DPU) para discutir estratégias de atendimento à população migrante, incluindo imigrantes, refugiados e apátridas. O encontro foi conduzido pelo defensor público federal Thiago Mota e contou com a presença da secretária adjunta da Semias, Tércia Marília, e da diretora de Proteção Social Especial, Poliana Miranda.

Durante a reunião, as instituições que integram a rede de proteção social debateram o aumento do fluxo migratório em Porto Velho e a necessidade de fortalecimento das ações de acolhimento diante do crescimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente em razão da crise humanitária vivenciada na Venezuela. O cenário motivou a decretação de situação de emergência socioassistencial no município, ampliando a capacidade de resposta do poder público.

Como encaminhamento, foram pactuados três eixos prioritários: o fortalecimento do Centro de Acolhida Assunta Marchetti, voltado a migrantes e refugiados em trânsito; a reestruturação e atuação efetiva do Comitê Municipal de Atenção ao Migrante, Refugiado e Apátrida (Comirap), instituído pelo Decreto nº 16.288/2019; e a utilização de instrumentos jurídicos, como a Ação Civil Pública, para garantir a destinação adequada de recursos e a efetividade das políticas públicas.

Semias destacou que atua de forma integrada para assegurar acolhimento, acesso a direitos e dignidade à população migranteSemias destacou que atua de forma integrada para assegurar acolhimento, acesso a direitos e dignidade à população migrante

A Semias destacou que atua de forma integrada para assegurar acolhimento, acesso a direitos e dignidade à população migrante, tanto em situação de passagem quanto de permanência no município.

Atualmente, a política pública de acolhimento institucional é executada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), por meio de Termo de Fomento firmado com a Prefeitura. O acordo prevê investimento de R$ 2,4 milhões, com vigência de 12 meses, para atendimento de até 50 migrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade, garantindo moradia temporária, alimentação, acompanhamento social e acesso às políticas públicas.

Participaram da reunião representantes da DPU, Procuradoria-Geral da União, Cáritas Brasileira, ADRA, Serviço Pastoral do Migrante e demais instituições que atuam na proteção e defesa dos direitos da população migrante em Porto Velho.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Prefeitura do Rio promove feira multicultural e gera renda para Imigrantes e refugiados

 

Acolher, gerar renda, promover a integração sociocultural e melhorar a vida de imigrantes e refugiados que vivem no Rio de Janeiro. Estes são os objetivos da Feira Multicultural, criada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR). A cada 15 dias, o evento reúne o melhor da gastronomia, da moda e do artesanato produzidos por imigrantes e refugiados da África, América Latina e Oriente Médio.

A próxima edição será nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, das 9h às 17h, no pátio da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova. No local, 20 pessoas de vários países, como Angola, Congo, Senegal, Venezuela, Colômbia, Argentina, Uruguai, Peru, Chile, Bolívia, Cuba, Síria e Irã, expõem seus produtos e divulgam suas culturas. Toda a estrutura é oferecida sem qualquer custo para os expositores.

De acordo com o secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Rio, Edson Santos, as feiras multiculturais desempenham um papel fundamental na vida dos imigrantes porque garantem o sustento de suas famílias. “É um espaço que chama atenção para a pauta dos imigrantes e refugiados. Para algumas pessoas, a feira é a única fonte de renda. Quem vem para o Brasil em busca de melhores condições de vida precisa ser acolhido e ter o mínimo de suporte do Estado. Historicamente, o Brasil é um país multicultural que respeita outras nacionalidades. Nosso povo sempre estendeu a mão para nações amigas. Aqui não tem xenofobia”, enfatiza Edson.

Ainda segundo o secretário, as ondas migratórias tendem a ser cada vez mais frequentes devido aos conflitos geopolíticos que estão ocorrendo no mundo. “O Brasil precisa se posicionar como um contraponto à situação de quase guerra civil que os EUA impõem ao mundo. Recebemos, cada vez mais, imigrantes e refugiados que sobreviveram a coisas terríveis em seus países de origem. Que tipo de política pública temos para essas pessoas? É necessário ampliar iniciativas como essa da Feira Multicultural. A gente tem que envolver mais setores da sociedade nesse tema”, ressalta.

Na parte de gastronomia, os destaque da Feira Multicultural são a culinária argentina de Mansilla Matias; a feijoada e o bacalhau angolanos preparados por Madalena José Agostinho, do Kitutes da Madá; a Dulcipan com especialidades da Venezuela e de Cuba; e o Chez Kimberly Food trazendo pratos típicos do Congo e de Angola. No artesanato, a Venezuela marca presença com José Valero e sua Creaciones Escorpión; a Chag-Dalla de Zhue Llamkay Otaiza Albaracin traz produtos orgânicos e sustentáveis; e a Creaciones Mili’s de Zobeida Ortiz expõe peças de macramê e bijuterias. Já na moda, Antônio Zacarias apresenta roupas cheias de identidade e estilo com sua marca Raízes Afrikanas; Tutshumu chega com roupas e acessórios vibrantes, enquanto a Juh Artesania, do colombiano Miguel Camacho, exibirá jóias artesanais em aço, couro e pedras naturais, dentre outros talentos que enriquecem o evento.

Vanessa Suárez está no Brasil há 11 anos e participa do evento quinzenal expondo Tequeños, um salgadinho venezuelano típico em festas e eventos locais, que é patrimônio cultural do país. Vanessa disse que a feira proporciona mais alcance e visibilidade para seus produtos. “A feira permite que nossos produtos passem a ser conhecidos por outras pessoas que circulam na cidade, ainda mais no início do ano, que costuma ser um período de vendas mais fracas”, explica a venezuelana, que contou como tem sido sua experiência no Brasil. “No começo foi difícil devido ao idioma, mas sempre tive ajuda e acolhida do povo carioca que, hoje em dia, considero minha família. Os cariocas me receberam de braços abertos e são ainda uma mãe que dá colo, sem se importar com cultura, política, gênero, religião, cor ou nação”, elogia Vanessa.

Nos próximos meses, a intenção da SEDHIR é firmar  parcerias e expandir articulações para promover mais edições da feira em outros espaços e, assim, alavancar os resultados do projeto. “Imagine um congolês recém-chegado ao Rio, por exemplo. A gente quer que ele saiba que aqui pode comer a culinária de sua terra natal e se sentir mais perto de casa. É uma memória afetiva que ajuda a criar laços e raízes com o novo território”, conclui o secretário Edson Santos.

Jessica Lima  assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio de Janeiro.

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OIM elogia liderança do Brasil na acolhida e integração de migrantes

 Agência da ONU destaca políticas baseadas na dignidade durante visita oficial ao país; reafirmou-se o compromisso de continuar a trabalhar em soluções práticas e inclusivas na área da migração.


No Brasil, OIM presta apoio em áreas como recepção, documentação, proteção, interiorização e integração

A Organização Internacional para as Migrações, OIM, elogiou o Brasil pelo seu papel de liderança na área da migração, durante uma visita do chefe de Gabinete da OIM, Mohammed Abdiker, realizada no final de janeiro.

A missão incluiu encontros com autoridades governamentais e contatos com centros de acolhimento e projetos de integração de migrantes em várias regiões do país.

Reconhecimento das políticas migratórias brasileiras

Durante a visita, Mohammed Abdiker destacou que o Brasil tem demonstrado que políticas migratórias baseadas na dignidade e no respeito produzem resultados concretos. 

Segundo o responsável, o investimento em sistemas públicos sólidos tem permitido que migrantes e retornados encontrem proteção, tenham acesso a serviços essenciais e consigam reconstruir as suas vidas no país.

Mohammed Abdiker, um homem de barba com uma camisa de padrão branco, está numa discussão de grupo, olhando cuidadosamente para alguém fora da câmera.
OIM Brasil
 
OIM elogiou o Brasil pelo seu papel de liderança na área da migração, durante uma visita do chefe de Gabinete da OIM, Mohammed Abdiker, realizada no final de janeiro

Operação Acolhida como modelo de resposta

A delegação da OIM deslocou-se a Boa Vista e Pacaraima para acompanhar de perto a Operação Acolhida, uma iniciativa liderada pelo Governo brasileiro que reúne autoridades nacionais, Forças Armadas, Nações Unidas e sociedade civil para apoiar refugiados e migrantes.

Nesta operação, a OIM presta apoio em áreas como recepção, documentação, proteção, interiorização e integração.

Desde 2018, a Operação Acolhida contribuiu para a regularização de mais de 600 mil migrantes venezuelanos. A iniciativa apoiou a integração de mais de 150 mil pessoas em comunidades em todo o território brasileiro, num contexto em que fundos de auxílio humanitário internacional têm vindo a diminuir.

Apoio a brasileiros retornados

Em Brasília, as reuniões abordaram também as iniciativas de apoio a cidadãos brasileiros que regressam ao país. Durante os encontros, foi destacado o programa Aqui é Brasil, uma iniciativa governamental apoiada pela OIM que assegura um acolhimento seguro e digno no momento da chegada. 

O programa articula apoio inicial com acesso a documentação, serviços públicos, proteção social e mecanismos de reintegração.

Parcerias e proteção social

A visita evidenciou ainda o investimento do Brasil em programas de proteção social, incluindo o Forsuas, que apoia pessoas afetadas por emergências com assistência técnica da OIM. 

As reuniões com altos representantes do governo reafirmaram a parceria de longa data entre o Brasil e a agência da ONU, centrada no desenvolvimento de políticas migratórias, no apoio ao retorno e na cooperação internacional.

A viista foi concluída com a reafirmação do compromisso conjunto de continuar a trabalhar em soluções práticas e inclusivas na área da migração, com benefícios tanto para as pessoas migrantes como para as comunidades de acolhimento em todo o Brasil.


https://news.un.org/

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Mais refugiados retornam voluntariamente em 2025

Chegada de pessoas ao aeroporto de Damasco© dpa

 Em 2025, um número significativamente maior de refugiados deixou a Alemanha de forma voluntária e com apoio financeiro do que nos anos anteriores. No total, 16.576 pessoas usaram os programas de apoio correspondentes do Departamento Federal de Migração e Refugiados (BAMF). São cerca de 6200 a mais do que em 2024 – um aumento de cerca de 60 por cento.

Um fator essencial é a retomada da saída voluntária subsidiada para a Síria. Desde janeiro de 2025, o BAMF voltou a oferecer esse apoio, após o programa ter sido temporariamente suspenso devido à guerra civil. Até o final de dezembro de 2025, 5976 pessoas solicitaram permissão para viajar para a Síria, 3678 delas já partiram. De acordo com as autoridades, existe um grande interesse na oferta, especialmente no que diz respeito à Síria.

O chamado programa REAG/GARP apoia os repatriados voluntários, entre outras coisas, assumindo os custos de viagem e concedendo uma ajuda financeira inicial. Os adultos recebem até 1000 euros, enquanto as crianças e os adolescentes recebem 500 euros.


https://www.deutschland.de/pt-br

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sábado, 31 de janeiro de 2026

O direito do consumidor para refugiados no Brasil

 Refugiados e migrantes, independentemente de documentação, têm os mesmos direitos do consumidor que brasileiros, condição essencial para o exercício pleno da cidadania no Brasil

Crédito: PxHere

O ser humano migra por diversas razões: para garantir a própria sobrevivência, buscar segurança, sustento para sua família ou a esperança de um futuro mais digno. Estar na posição de refugiado ou migrante em um país desconhecido, com costumes, idioma e estruturas jurídicas diferentes, representa um desafio constante – inclusive no exercício de direitos cotidianos, como o direito do consumidor.

Na perspectiva do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), refugiado é toda pessoa que, “devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados”, é forçada a deixar seu país de origem. Esse reconhecimento internacional embasa a proteção jurídica às pessoas que se veem forçadas a buscar refúgio além de suas fronteiras.

Com o fluxo migratório global em ascensão – e o Brasil figurando entre os países que mais acolhem refugiados no mundo –, torna-se indispensável que o debate sobre os direitos dessas pessoas seja ampliado em todos os campos da vida social, inclusive nas relações de consumo. Afinal, além de ‘ser’, todo ser humano também exerce, todos os dias, relações de consumo – seja na compra de um celular, na contratação de um plano de telefonia, na locação de um imóvel ou no uso de serviços bancários.

No Brasil, o Estatuto dos Refugiados (Lei nº 9.474/1997) assegura direitos fundamentais às pessoas que buscam proteção no país, reconhecendo sua condição e garantindo o acesso a direitos sociais básicos e à dignidade humana. Paralelamente, o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei nº 8.078/1990), em seu escopo mais amplo, disciplina e protege as relações de consumo em território nacional, aplicando-se a todas as pessoas que se encontrem em situação de consumo no país, independentemente de nacionalidade ou condição migratória.

Nesse sentido, refugiados e migrantes, com ou sem documentação provisória, possuem os mesmos direitos de consumidores que brasileiros, incluindo o acesso à informação, à proteção contra práticas abusivas, às garantias de produtos e serviços e aos mecanismos de reclamação e reparação previstos em lei, que são condições essenciais para assegurar cidadania plena no contexto socioeconômico brasileiro.

Em junho de 2025, o Procon-SP lançou uma cartilha e um conjunto de folders sobre direitos básicos do consumidor voltados especificamente para refugiados e migrantes no Brasil. O material, disponível em português e traduzido para árabe, espanhol, francês, inglês e persa, aborda temas como direito à informação, garantia de produtos e serviços, mecanismos para registrar reclamações e direitos em áreas sensíveis como moradia, educação, serviços financeiros, telefonia e transporte. Essa iniciativa resulta de uma parceria com o ACNUR e diversas organizações da sociedade civil, sendo um passo concreto para democratizar o acesso à informação e combater práticas abusivas dirigidas a populações em situação de vulnerabilidade.

É fundamental ressaltar que acesso à informação é um elemento estruturante de proteção ao consumidor, especialmente para pessoas que enfrentam barreiras linguísticas, culturais e jurídicas. Sem conhecimento sobre seus direitos básicos, refugiados ficam mais expostos a golpes, fraudes ou cláusulas contratuais abusivas que desrespeitam o CDC. Por isso, a tradução e disseminação de conteúdo educativo é, por si só, um instrumento de inclusão social e fomento à cidadania.

O direito do consumidor, portanto, não é um privilégio de poucos – é um mecanismo que assegura equidade nas relações de mercado, proteção contra práticas desleais e acesso efetivo a reparação em caso de violação. Garantir que refugiados e migrantes compreendam e possam exercer esses direitos no Brasil é, além de uma exigência legal, um compromisso com os valores democráticos que devem nortear qualquer sociedade plural e acolhedora.

A efetividade desses direitos depende, ainda, da atuação articulada de órgãos públicos, organizações da sociedade civil, operadores do direito e da própria mídia. Só assim transformaremos garantias legais em práticas sociais concretas, assegurando que o consumir no Brasil – seja morando no país desde o nascimento ou buscando aqui uma chance de viver – signifique exercer direitos com segurança, dignidade e igualdade.

Essa perspectiva também se adequa aos ideais de promoção para a paz e da dignidade humana, declarados na Constituição da UNESCO, de 1945, que diz: “uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”. Garantir informação, acesso a direitos e proteção jurídica a refugiados e migrantes é, portanto, mais do que uma obrigação legal: é um passo concreto na construção de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com a convivência democrática.

Andrea Mottola é advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital.

https://diplomatique.org.br/

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Em MS, agro segue na liderança do trabalho escravo e foca em migrantes

Trabalhadores resgatados em junho de 2025 de fazenda em Itaquiraí, onde faziam a colheita de mandioca (Foto: Divulgação/MPT)

 O trabalho no campo, especialmente na agropecuária, segue como o principal foco de exploração de trabalhadores em situação análoga à escravidão em Mato Grosso do Sul. Migrantes paraguaios e indígenas, em contextos de alta vulnerabilidade social, estão entre os alvos mais recorrentes desse tipo de crime. O diagnóstico foi apresentado durante o lançamento do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, realizado nesta quarta-feira (28), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Conforme levantamento divulgado na terça-feira (27) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Estado registrou, em 2025, 12 casos de trabalho escravo, com o resgate de 92 trabalhadores. Em 30 anos, Mato Grosso do Sul contabiliza 165 ocorrências, com 3.335 pessoas resgatadas.

Segundo o relatório da CPT, a pecuária concentrou a maior parte das ocorrências, com 59 registros. Também aparecem no levantamento setores como lavouras, produção de carvão vegetal e lavouras temporárias, com 11 casos cada.

Durante a apresentação do plano estadual, foram definidos critérios de priorização para orientar políticas públicas e ações de enfrentamento. Entre eles estão as cinco maiores taxas de resgatados por 10 mil habitantes no local de origem, as cinco maiores taxas no local do resgate, além dos maiores números absolutos nesses dois recortes

Pelo índice apresentado, considerando a taxa somada, os municípios com maior destaque no número proporcional de pessoas resgatadas são Caracol (49,6), Porto Murtinho (48,2) e Iguatemi (33,4). A taxa somada considera a soma da taxa referente ao local de origem do trabalhador e da taxa de resgate no município onde ocorreu a operação.

Especialistas e autoridades apontam que a exploração do trabalho escravo na agropecuária está diretamente ligada à busca por redução de custos e maximização do lucro, tendo como alvo principal pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em sua maioria, são homens, jovens, indígenas e migrantes paraguaios que chegam ao Estado em busca de emprego e acabam submetidos a condições degradantes.

O advogado e consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Vinicius Duque, explica que a expansão das cadeias produtivas, com processos de terceirização e quarteirização, dificulta a responsabilização direta

“No território de Mato Grosso do Sul, temos casos na pecuária e também na produção de cítricos. Um problema muito comum ocorre quando a cadeia produtiva se expande e entra em processos de terceirização e quarteirização. Então, você não tem um produtor diretamente responsável; você tem, por exemplo, casos de contratação para colocação de cerca. Isso cria um distanciamento e, ao mesmo tempo, fragiliza a proteção do trabalhador”, afirmou Vinícius.

Segundo o consultor da OIT, embora o trabalhador esteja inserido na cadeia produtiva, a identificação dos responsáveis se torna mais complexa. “Essa pessoa não está desvinculada, ela está dentro da cadeia produtiva, mas isso torna a identificação especialmente desafiadora, porque exige um trabalho de campo maior e uma presença mais constante no território”, disse.

Sobre os municípios com maiores taxas proporcionais de resgates, o consultor da OIT explica que o critério busca evitar distorções. “Esses indicadores são calculados a partir de uma taxa proporcional à população local. A gente compara a quantidade de resgates com a população do último Censo do IBGE e calcula uma taxa, da mesma forma que se faz com homicídios”, afirmou. “No nosso caso, usamos uma taxa por 10 mil habitantes para facilitar a visualização”, completou.

A metodologia, segundo ele, evita que municípios pequenos sejam invisibilizados diante de números absolutos baixos. “Municípios que poderiam passar despercebidos ganham visibilidade quando analisados proporcionalmente. A ideia não é expor nenhum município, mas entender onde o Estado deve priorizar esforços de apoio”, explicou. Ele acrescenta que fatores como vulnerabilidade econômica, perfil populacional e operações pontuais de resgate podem influenciar os números.

A falta de renda e a falta de terra para produzir também são problemas apontados pela coordenadora regional da CPT em MS, Rosane Marize Haubert Santiago. Ela reforça que a ausência de reforma agrária e a baixa renda contribuem para a permanência do problema no Estado.

“O trabalho escravo se forma num ciclo. Ele começa com a vulnerabilidade econômica e vai se perpetuando. A gente conhece muitos casos de pessoas que são resgatadas, que são retiradas dessa situação, mas que acabam caindo novamente nela, porque não têm espaço de autonomia, não têm terra para plantar e produzir”, explicou Rosane.

As comunidades indígenas, segundo ela, também estão entre os grupos mais atingidos. Ela aponta que a falta de demarcação de terras e de acesso a meios de produção força muitas famílias a aceitar trabalhos degradantes. “Sem terra para plantar e produzir, essas pessoas acabam sendo obrigadas a aceitar esse tipo de trabalho”, afirmou a coordenadora da CPT.

Expropriação de terras – Apesar de a Constituição Federal prever, desde 2014, a expropriação de propriedades onde seja constatado o uso de trabalho escravo, a medida nunca foi efetivada no país. A Emenda Constitucional nº 81 alterou o artigo 243 para permitir o confisco de imóveis rurais ou urbanos, sem indenização, destinados à reforma agrária ou à habitação popular.

No entanto, a falta de uma lei que regulamente os procedimentos impede a aplicação prática da norma. Essa é a avaliação do desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, Francisco da Chagas Lima Filho, que aponta que o debate ainda enfrenta resistência, especialmente no Congresso Nacional. “Esse é um debate que ainda não está sacramentado. Existia uma PEC sobre isso, que encontrou muita resistência”, disse.

Apesar de considerar a medida legítima e aplicável, para ele, a expropriação é juridicamente possível, mas exige cautela. “Eu entendo que a expropriação é possível. Concordo, mas isso não pode ser feito de forma genérica. É preciso ter um caso concreto, uma sentença reconhecendo a gravidade da situação”, afirmou. “Às vezes quem explora o trabalho escravo não é diretamente o proprietário, pode ser o arrendatário, o gestor. Então é preciso cautela. Mas eu sou favorável, defendo isso há anos”, completou.

Questionado sobre a existência de casos julgados com expropriação efetiva, o desembargador disse que em Mato Grosso do Sul ainda não houve nenhum. “Não houve. Não tem ainda, porque estamos numa fase em que não existe uma legislação apropriada. E há uma resistência muito grande no Congresso”.

Caminhos possíveis – Para combater o trabalho escravo, os especialistas apontam que é preciso pensar em várias vertentes. Por isso, o objetivo do plano estadual é apostar em ações integradas que envolvem denúncia, fiscalização, informação e qualificação profissional. O plano foi elaborado após uma série de reuniões realizadas ao longo de 2025.

O plano estadual estabelece um fluxo de atendimento desde a denúncia até o pós-resgate, com escuta qualificada, emissão de documentos, retorno ao local de origem e encaminhamento para políticas sociais.

Na parte do combate e da fiscalização in loco, o superintendente regional do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em MS, Alexandre Morais Cantero, destacou o reforço recente na fiscalização, com a chegada de novos auditores fiscais e o uso de drones para alcançar áreas remotas. Em fevereiro do ano passado, ele havia destacado que o Estado tinha deficit no número de auditores.

“Depois de mais de uma década, no governo Lula, no governo federal, fizemos concurso e recebemos, no final do ano passado, 13 novos auditores fiscais. Nós tínhamos 27 e agora temos mais 13. Então, ampliamos a nossa capacidade de fiscalização”, disse Alexandre.

Além do resgate, as iniciativas de acolhimento ganham importância. O presidente da Associação dos Haitianos na Capital, Junel Ilora, que atua na Sala do Migrante, aponta a falta de informação como fator central.

“O problema, primeiramente, é o migrante chegar aqui e não falar português, não conhecer as leis do trabalho no país,” disse Junel. “Hoje essa realidade vem mudando. Temos a Sala do Migrante, temos um espaço de acolhimento,” completou Junel.

Segundo Junel, essa realidade tem mudado nos últimos anos, especialmente por causa das políticas de acolhimento, com a atuação da Sala do Migrante e outros programas que encaminham para o mercado de trabalho. “No passado, muita gente dizia que Mato Grosso do Sul era só um estado de passagem. Hoje isso vem mudando. Campo Grande virou um lugar de oportunidades, com acolhimento e segurança para os migrantes”, afirmou.

A Sala do Migrante funciona na Superintendência Regional do Trabalho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua 13 de Maio, 3.214. No local, é oferecido apoio gratuito para regularização documental (CPF, visto, carteira de trabalho), inserção no mercado de trabalho e cursos de português.

É preciso denunciar - O combate ao trabalho escravo começa com a denúncia, que pode ser feita por canais como Disque 100, 190, ou diretamente a órgãos como o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.

https://www.campograndenews.com.br/

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Nova sede da Embaixada Solidária é invadida e vandalizada em Marechal Cândido Rondon antes de receber migrantes é refugiados

 

Foto G1 

A nova sede da Embaixada Solidária de Marechal Cândido Rondon foi invadida e teve grande parte da estrutura danificada. O local, recém-construído, seria inaugurado nos próximos dias e tinha como objetivo acolher cerca de 30 migrantes e refugiados que vivem e trabalham no município e na região.


O espaço foi pensado para atender principalmente famílias haitianas que escolheram o Brasil como lar. No local, seriam oferecidos apoio social, orientações e atendimento para garantir direitos e oportunidades aos migrantes. No entanto, o que deveria ser um ambiente de acolhimento agora apresenta um cenário de destruição.


Além dos danos à estrutura da casa, móveis que seriam utilizados pelas famílias atendidas pelo projeto Vila Mundo foram quebrados. Telhas foram arrancadas e praticamente nada foi preservado. O prejuízo causado compromete diretamente o atendimento às pessoas que mais precisam do serviço.


Para quem atua diariamente no projeto, o sentimento é de tristeza e frustração ao ver o trabalho de meses ser destruído em pouco tempo. Os prejuízos ainda estão sendo levantados.


Diante da situação, o Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná (CERMA/PR) divulgou uma nota de repúdio ao ato ocorrido contra a nova sede da Embaixada Solidária. O conselho também manifestou solidariedade à equipe, aos voluntários e às pessoas migrantes atendidas pelo projeto, além de cobrar respostas das autoridades.


O Centro de Apoio ao Migrante (CEAMIG), ligado à Congregação Scalabriniana, também se manifestou, reforçando apoio à Embaixada Solidária e destacando que nenhuma forma de intolerância, vandalismo ou violência pode ser aceita.


O caso foi registrado e segue sob apuração das forças de segurança.


https://taroba.com.br/

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Alto Comissário da ONU para os Refugiados: a Igreja é uma grande parceira

 Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, fala ao Vatican News sobre seu encontro com o Papa Leão XIV e sobre os desafios que a organização enfrenta ao assistir refugiados em todo o mundo.

Isabella H. de Carvalho - Vatican News

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) informou que, até meados de 2025, 117,3 milhões de pessoas em todo o mundo haviam sido forçadas a deixar suas casas devido a conflitos, violência, perseguição ou outros eventos, e, entre elas, havia quase 42,5 milhões de refugiados.

O Papa Leão XIV — assim como seus predecessores — tem expressado repetidamente a preocupação da Igreja com migrantes e refugiados e tem exortado o mundo a não permanecer passivo diante dessa questão.

Na segunda-feira, 26 de janeiro, Leão XIV se encontrou com Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados e ex-presidente do Iraque entre 2018 e 2022. Salih viveu a experiência de ser refugiado e agora iniciou esse novo cargo na Agência da ONU para Refugiados em 1º de janeiro de 2026.

Em entrevista ao Vatican News, o Alto Comissário da ONU fala sobre seu encontro com o Papa e explica os diferentes desafios que o ACNUR enfrenta atualmente, enquanto muitos refugiados lutam para sair de situações de deslocamento e as organizações humanitárias enfrentam escassez de recursos.


Papa Leão XIV e Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados   (@Vatican Media)

Papa Leão XIV e Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados   (@Vatican Media)

Como foi seu encontro com o Papa Leão XIV?

Foi realmente uma grande honra para mim encontrar Sua Santidade. Eu estava ansioso por ter essa audiência logo no início do meu mandato. Estou neste cargo de Alto Comissário para Refugiados há menos de quatro semanas, portanto foi uma excelente oportunidade para falar com Sua Santidade sobre a situação dos refugiados.

Sou grato por seu apoio incansável aos refugiados em todo o mundo, e sua autoridade moral é extremamente relevante. Seu apoio ao trabalho que realizamos no ACNUR é absolutamente fundamental. Enfatizamos a necessidade de nossa parceria com a Igreja e com organizações religiosas, à medida que buscamos cumprir nosso mandato de ajudar refugiados em todo o mundo.

A voz do Papa e sua autoridade moral têm grande peso. Consideramos essa uma parceria importante e um recurso no qual confiamos ao avançar no cumprimento de nosso mandato de ajudar refugiados em todo o mundo.

O senhor assumiu o cargo em 1º de janeiro. Quais são as prioridades do seu mandato?

Assumo essa responsabilidade em um momento de enormes desafios: níveis sem precedentes de deslocamento, em um contexto de retração do espaço humanitário e de recursos limitados para lidar com a dimensão do problema que enfrentamos.

Minha prioridade será reforçar a defesa por mais recursos para atender às necessidades da população refugiada em todo o mundo, mas, ao mesmo tempo, cumprir plenamente nosso mandato. Isso significa garantir proteção aos refugiados, fornecer assistência emergencial para salvar vidas às pessoas em situação extrema, e também trabalhar intensamente por soluções duradouras.

Não é aceitável ver tantos refugiados condenados a situações de deslocamento prolongado por cinco anos ou mais — às vezes por uma década ou até duas. Essas pessoas permanecem em campos, dependentes da ajuda humanitária internacional. Isso não é aceitável. Precisamos ir além disso, em direção a soluções mais inclusivas e duradouras.

Estive no Chade e no Quênia na semana passada, onde encontrei refugiados que vivem nessas comunidades há cerca de 25 anos, desde 2003, e outros que haviam chegado literalmente no dia anterior. Isso demonstra que precisamos fazer mais em relação às pessoas presas em situações de deslocamento prolongado.

Isso é algo que o ACNUR não pode fazer sozinho. Exige um esforço coletivo com outras agências da ONU, bem como com os países anfitriões, a comunidade internacional e os bancos de desenvolvimento. Dessa forma, podemos criar condições para que esses países acolham os refugiados e os integrem à vida nacional como participantes ativos, e não apenas como dependentes da ajuda humanitária.

Países como Quênia, Etiópia, Uganda e Chade estão adotando políticas mais inclusivas de acolhimento, permitindo que os refugiados tenham acesso a seus sistemas nacionais: serviços de saúde, educação, mercado de trabalho, além de serviços jurídicos e financeiros.

Isso precisa ser incentivado por meio da ajuda ao desenvolvimento, para que seja benéfico aos países anfitriões e também permita a inclusão dos refugiados além da vida em campos, pois, afinal, os refugiados não são apenas números.

Eles são pessoas com capacidade de ação. Eles merecem dignidade. Eles merecem proteção.

Como o ACNUR está respondendo às atuais emergências em todo o mundo, considerando os drásticos cortes de financiamento sofridos nos últimos meses, principalmente devido à redução da ajuda dos Estados Unidos? Que impacto isso terá nos próximos meses?

Os Estados Unidos alocaram recentemente 2 bilhões de dólares em assistência ao fundo comum das Nações Unidas, em cooperação com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Isso é bem-vindo, e esperamos que mais recursos sejam destinados nessa direção.

Entretanto, dada a magnitude do problema, os recursos disponíveis são claramente insuficientes. Precisamos lançar uma campanha de mobilização muito mais ativa para obter mais recursos. Em última análise, lidar com a situação dos refugiados é uma responsabilidade internacional compartilhada. Os números são impressionantes e as necessidades são reais; portanto, precisamos de mais recursos, sem dúvida.

Ao mesmo tempo, devemos nos adaptar. Precisamos fortalecer nossa agenda de reformas e criar mais eficiência no sistema, para que a ajuda disponível chegue efetivamente às pessoas a quem se destina.

Já estamos — em conjunto com outras agências da ONU — engajados em iniciativas de reforma e eficiência para assegurar que o sistema internacional de ajuda seja muito mais ágil e mais custo-efetivo.

O número de refugiados e deslocados continua aumentando, alcançando níveis recordes de pessoas que fogem de conflitos, violações de direitos humanos e crises climáticas. Trata-se de uma tendência crescente, e nada parece capaz de detê-la... Quais são hoje as questões mais urgentes para o ACNUR e onde estão as necessidades mais imediatas?

Se olharmos para os países vizinhos ao Sudão e para o fluxo de refugiados provenientes daquele país, há, sem dúvida, uma necessidade urgente. Se considerarmos a situação na República Democrática do Congo, trata-se igualmente de uma necessidade urgente.

Se falarmos da Venezuela e de sua dinâmica interna, também é uma necessidade urgente. Ou, ainda, se observarmos os rohingyas, muitos dos quais permanecem em campos há cerca de duas décadas. Não há como não classificar todas essas situações como urgentes. É muito difícil apontar um único local onde a urgência seja maior.

Enquanto nos concentramos nas necessidades cotidianas das pessoas, a assistência humanitária também deve buscar caminhos para soluções duradouras.

Precisamos trabalhar intensamente para encontrar soluções sustentáveis que permitam a inclusão dessas comunidades de refugiados na vida nacional e que lhes possibilitem alcançar a autossuficiência. Essas soluções devem ser compatíveis com seus direitos humanos fundamentais à proteção e à dignidade, e também úteis para os países anfitriões em que vivem atualmente.

O que mais o preocupa em sua função atual?

A escassez de recursos é central, e cada nova crise exige ainda mais de nossas capacidades, em um mundo marcado por múltiplas emergências.

Nesse contexto, é preciso dizer que o mundo é chamado a fazer mais para evitar que os conflitos se agravem e para contê-los e resolvê-los. A crise do deslocamento tem uma solução fundamental: a paz e a possibilidade de que as pessoas possam escolher retornar a seus lares com segurança e dignidade.

Que apelo o senhor gostaria de fazer à comunidade internacional?

É nossa responsabilidade jurídica, como comunidade internacional, proteger e prestar assistência às pessoas que se encontram em necessidade. Também devemos ajudar a oferecer soluções duradouras para aqueles que foram deslocados. Trata-se de uma responsabilidade legal, de uma obrigação moral e de um apelo à nossa humanidade coletiva. É a atitude moralmente correta e também a atitude justa.

O senhor falou anteriormente sobre a importância de manter parcerias estreitas com a Igreja e com organizações religiosas. Como essas entidades podem ajudar o ACNUR?

Organizações religiosas e entidades ligadas à Igreja têm atuado diretamente no apoio aos refugiados. Posso testemunhar, por experiência pessoal, o trabalho fundamental que realizam e a parceria significativa que mantêm com as Nações Unidas.

Minha esperança é que possamos ampliar ainda mais essa cooperação com outras organizações religiosas e desenvolver uma filantropia inter-religiosa capaz de se unir em torno dos valores centrais da fé, especialmente no que diz respeito à humanidade e ao auxílio aos nossos semelhantes em situação de necessidade.


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