quarta-feira, 22 de julho de 2026

Nova tragédia evidencia dramas da rota migratória mais letal do mundo

Mar das Ilhas Canárias /Foto: Canva

Pelo menos 106 migrantes morreram ou estão desaparecidos após uma embarcação que seguia da Gâmbia para a Espanha permanecer à deriva por 25 dias no Oceano Atlântico. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o barco transportava 144 pessoas, entre elas mulheres e crianças. Apenas 38 sobreviveram.

A embarcação partiu da localidade de Bufalo, no interior da Gâmbia, com destino ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias. De acordo com o porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, a embarcação apresentou problemas mecânicos poucos dias após o início da viagem, ficando sem propulsão e à mercê das correntes marítimas.

Embarcação ficou sem água e alimentos

Segundo relatos dos sobreviventes, o barco ficou sem combustível, sem sistema de localização por GPS e sem provisões de água e alimentos. Com o passar dos dias, os passageiros passaram a enfrentar desidratação, fome e exaustão, sendo obrigados a consumir água do mar para tentar sobreviver.

Os sobreviventes desembarcaram em 14 de julho, em Nouadhibou, na Mauritânia. As operações de busca realizadas pela Guarda Costeira entre os dias 14 e 18 de julho resgataram cerca de 390 pessoas em diferentes embarcações. As buscas pelos desaparecidos ligados a esse caso se estenderam por cinco dias, e dois sobreviventes morreram pouco depois de chegarem à terra firme.

“Não é um número pequeno, mas nossos pensamentos estão com aqueles que não conseguiram sobreviver”, afirmou Saltmarsh, ao lamentar mais uma tragédia nas rotas migratórias do Atlântico.

Uma das rotas migratórias mais perigosas

O ACNUR alerta que a rota entre a África Ocidental e as Ilhas Canárias continua sendo uma das mais letais do mundo para migrantes. Segundo o órgão, o elevado número de mortes está relacionado às longas distâncias percorridas, às condições imprevisíveis do oceano, ao uso de embarcações precárias e superlotadas e à dificuldade de realizar operações rápidas de resgate.

O tema também foi abordado recentemente pelo Papa Leão XIV durante sua viagem à Espanha e, posteriormente, a Lampedusa, ao recordar o drama enfrentado por pessoas que deixam seus países em razão de conflitos, da fome e das consequências das mudanças climáticas.

O ACNUR voltou a defender a criação de corredores humanitários seguros e destacou os desafios enfrentados pelas equipes de patrulhamento em uma área marítima de grandes dimensões.

Chegadas diminuem, mas tragédias continuam

O porto de Nouadhibou concentra atualmente a assistência aos sobreviventes que chegam à Mauritânia, embora enfrente limitações para atender a demanda. Os casos mais graves de desnutrição e desidratação foram encaminhados para hospitais da região. Desde o início de 2026, a Mauritânia registrou 17 desembarques entre Nouadhibou e a capital, Nouakchott, totalizando 2.147 pessoas resgatadas.

Apesar da redução no número de migrantes que chegam às Ilhas Canárias, o risco da travessia permanece elevado. Dados da ONU indicam que as chegadas por mar ao arquipélago caíram 61% em comparação com o mesmo período de 2025, somando cerca de 4.400 pessoas até 15 de julho deste ano. Em toda a Europa, as principais rotas marítimas registraram pouco mais de 40 mil chegadas, frente às 65.407 contabilizadas no primeiro semestre de 2025.

Distâncias maiores aumentam os riscos

Segundo o ACNUR, o reforço da fiscalização nas rotas tradicionais levou traficantes de pessoas a deslocarem os pontos de partida para áreas mais ao sul da África Ocidental, como o Senegal e regiões da Gâmbia.

Com isso, embarcações improvisadas e sem equipamentos de segurança são obrigadas a percorrer mais de 2 mil quilômetros em mar aberto. As longas distâncias, a ausência de comunicação e a dificuldade de acesso a operações de resgate aumentam significativamente o risco de naufrágios e mortes durante a travessia.

https://noticias.cancaonova.com/

www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 21 de julho de 2026

OIM anuncia 3.000 repatriações; novos desembarques em Lampedusa

 

A chegada de um grupo de migrantes à ilha de Lampedusa 

As novas chegadas à ilha da Sicília ocorrem após uma operação das autoridades marítimas para resgatar migrantes que haviam partido da costa da Líbia. Enquanto isso, a Organização Internacional para as Migrações divulgou dados sobre repatriações voluntárias realizadas nos últimos seis meses.

Bianca Tombini – Cidade do Vaticano

A onda de desembarques na ilha de Lampedusa não acaba, impulsionada por condições meteorológicas estáveis ​​que levam centenas de pessoas a afrontar a perigosa travessia do Mediterrâneo durante os meses de verão.

Novas partidas da Líbia

Ontem, barcos de patrulha da agência europeia Frontex interceptaram e prestaram assistência a duas embarcações em situação de perigo, resgatando um total de 51 migrantes. Os migrantes resgatados são de diversas nacionalidades: um grupo era composto principalmente por pessoas da Costa do Marfim, Egito, Gana, Eritreia e Somália, enquanto o segundo grupo incluía pessoas do Irã e do Iraque. Segundo os relatos dos migrantes, ambas as embarcações haviam partido da costa líbia e transportavam mais de vinte pessoas cada, incluindo mulheres e crianças. Todos a bordo foram escoltados em segurança até a costa de Lampedusa, onde foram iniciados os procedimentos de assistência inicial no centro de acolhimento da ilha, que atualmente abriga 84 pessoas.

Recém-nascido entre migrantes resgatados

Apenas dois dias antes, a embarcação Humanity1, operada pela ONG alemã SOS Humanity, havia realizado uma evacuação médica de uma jovem somali e sua filha recém-nascida. A mulher havia sido resgatada juntamente com outros dez migrantes, e, durante a noite, ambas foram transferidas para uma lancha da Guarda Costeira que as levou ao píer Papa Francesco, em Lampedusa, de onde foram transportadas com urgência para o centro de saúde local. O Humanity1 seguiu então sua rota em direção ao porto seguro designado, Nápoles, a quase 800 quilômetros de distância. "Um bebê de dois dias de vida não deveria ter que passar seus primeiros dias fugindo pelo Mediterrâneo", declararam os voluntários da ONG.

OIM: 3.000 pessoas retornam para casa a partir da Tunísia

Nos últimos seis meses, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na Tunísia, trabalhando em estreita cooperação com autoridades locais, parceiros nacionais e missões diplomáticas dos países de origem dos migrantes, coordenou o retorno voluntário assistido de mais de 3.200 migrantes para 32 países de origem diferentes, principalmente Guiné, Costa do Marfim e Camarões. Foram utilizados cinco voos fretados e 182 voos comerciais para esses retornos. Segundo a OIM, essa ampla operação humanitária, viabilizada pelo apoio de doadores internacionais como a União Europeia, Áustria, França, Itália, Países Baixos, República Tcheca, Reino Unido, Suíça e Suécia, foi conduzida respeitando a dignidade, a segurança e os direitos fundamentais dos indivíduos envolvidos. Por meio do programa de retorno voluntário, a organização promoveu caminhos de reintegração nos países de destino, oferecendo aos migrantes oportunidades para reconstruir seus futuros.

https://www.vaticannews.va/pt

www.radiomigrantes.net

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Estudo aponta desigualdades na proteção social de imigrantes em Portugal

I

migrantes guardam lugar pernoitando em frente à agência da AIMA nos Anjos, Lisboa,16 de outubro de 2025. Cerca de duas dezenas de imigrantes encontravam-se às portas da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) para guardar a sua vez para serem atendidos.TIAGO PETINGA/LUSA

A falta de acordos de proteção social de Portugal com países do sul da Ásia está a gerar desigualdades entre os imigrantes desses países e os restantes, refere hoje um estudo do Observatório das Migrações.

Nos casos de países como Índia, Nepal, Bangladesh ou Paquistão, “embora estes trabalhadores possam aceder, em situação de residência legal e inserção contributiva, às prestações previstas no sistema português, a ausência ou insuficiência de mecanismos de coordenação internacional limita a portabilidade dos direitos adquiridos em situações de retorno, re-emigração ou mobilidade circular”, pode ler-se no estudo.

No documento, os autores fazem um levantamento dos acordos bilaterais de Portugal na área da segurança social, que privilegiam países com tradição migratória para o país, como o Brasil ou Cabo Verde, em vez de contemplarem os novos locais de origem.

Estes acordos “não são dispositivos meramente técnicos de coordenação administrativa, mas instrumentos com relevância política, institucional e distributiva”, porque permitem “a totalização de períodos contributivos, a exportação de determinadas prestações e a articulação entre sistemas nacionais distintos” e funcionam, de facto, “como mecanismos seletivos de inclusão social, estruturando as condições de acesso à proteção ao longo de trajetórias migratórias transnacionais”.

Num documento, denominado “Mapear a proteção social para além das fronteiras: os acordos bilaterais de Segurança Social em Portugal”, os autores consideram que a escolha de países “reflete opções políticas, assimetrias institucionais e diferentes conceções de cidadania social, produzindo hierarquias de proteção fortemente dependentes da origem nacional dos migrantes”.

A maior comunidade estrangeira em Portugal é de origem brasileira (574.195 pessoas), seguida de Angola, Índia, Cabo Verde, Nepal, Bangladesh, Guiné-Bissau, Ucrânia, São Tomé e Príncipe, Paquistão, Reino Unido, Itália, França, China e Alemanha, com a população não nacional a representar 14 por cento do total.

Nos últimos anos, surgiram fluxos “oriundos de países para os quais a proteção social transnacional permanece inexistente, limitada ou insuficientemente desenvolvida”.

No mapeamento realizado, os autores distinguem vários tipos de acordos de proteção social, não apenas os relacionados com pensões de velhice, invalidez ou sobrevivência, mas também prestações por doença, cuidados de saúde, maternidade e paternidade, encargos familiares, acidentes de trabalho e doenças profissionais.

Dos países que preenchem a maior parte dos requisitos, destacam-se Brasil e Cabo Verde, mas, “em contraste, imigrantes oriundos de países com acordos restritos ou inexistentes enfrentam uma descontinuidade significativa da sua proteção social” fora de Portugal e “esta situação é particularmente relevante para comunidades que ganharam peso na geografia migratória portuguesa recente, nomeadamente oriundas do Sul da Ásia, como Índia, Nepal, Bangladesh ou Paquistão”.

Esta desigualdade não se sente no que respeita aos emigrantes portugueses, em que os “acordos bilaterais de Segurança Social asseguram, de forma relativamente consistente, a portabilidade das pensões de velhice, invalidez e sobrevivência”, com instrumentos que “permitem a totalização de períodos contributivos realizados em diferentes países, reduzindo o risco de perda total de direitos na fase final do ciclo de vida”.

Mas mesmo nestes casos, a proteção é “incompleta face às formas contemporâneas de mobilidade, marcadas pela precariedade, pela circularidade e por trajetórias contributivas não lineares”.

No documento, os autores também criticam a falta de acesso de imigrantes não europeus à proteção social bilateral, por causa das exigências da própria UE.

A UE é uma espécie de um “clube de proteção social avançada, no qual a inclusão plena é juridicamente garantida, mas externamente restringida” a cidadãos de países terceiros, e mostra “desigualdade de tratamento”, que alimenta “expectativas, perceções de injustiça e frustrações institucionais”.

O “universo contributivo estrangeiro aumentou expressivamente entre 2015 e 2025, assim como o montante das contribuições pagas, gerando em 2025 um saldo líquido positivo recorde” em Portugal, mostrando que a proteção social dos migrantes “não pode ser encarada como um custo periférico, mas como uma dimensão central da coesão social”.

Por isso, defendem os autores, os acordos bilaterais são “elementos estratégicos da política pública, essenciais para garantir justiça contributiva, integração social e confiança institucional num modelo de Estado social cada vez mais dependente da mobilidade internacional”, até porque uma estratégia “seletiva e fragmentada, tende a reproduzir desigualdades no acesso à cidadania social transnacional”.

https://www.mundolusiada.com.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Comitê Municipal para Migrantes e Refugiados realiza formação sobre documentação e regularização migratória

 


A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), realizou nesta segunda-feira, 13, a 2ª Reunião Ordinária do Comitê Municipal para Migrantes e Refugiados (Comitê Migrantes-JF). O encontro aconteceu na Casa dos Conselhos e contou com uma formação sobre documentação e regularização migratória, tema apontado como uma das principais demandas da população migrante e refugiada atendida pelos serviços públicos do município.

A reunião teve caráter ampliado e foi aberta à participação de convidados que atuam diretamente com esse público, com o objetivo de fortalecer a rede de atendimento e capacitar profissionais para atuarem como multiplicadores das informações em seus respectivos espaços de trabalho.

Participaram do encontro 31 profissionais, trabalhadores e servidores, entre membros do Comitê e convidados, representando órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e instituições parceiras, como as áreas de assistência social, direitos humanos e saúde, além da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Defensoria Pública da União (DPU) e outras entidades do município.

A formação foi ministrada por Gustavo Caramori, representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) especializada na temática migratória. Durante a atividade, foram apresentadas informações atualizadas sobre documentação, regularização migratória e acesso a direitos, contribuindo para qualificar o atendimento prestado à população migrante e refugiada em Juiz de Fora.

O Comitê Migrantes-JF é um espaço de articulação intersetorial que reúne poder público e sociedade civil para discutir políticas públicas, promover a integração e fortalecer a garantia de direitos das pessoas migrantes e refugiadas no município. A iniciativa integra as ações da SEDH voltadas à promoção da cidadania, da inclusão e do respeito aos direitos humanos.

A formação também está alinhada ao Decreto nº 15.952, de 20 de junho de 2023, que aprova o Plano Municipal de Políticas para a População Migrante, Refugiada, Apátrida e Retornada de Juiz de Fora. A iniciativa contribui diretamente para o fortalecimento do eixo estratégico “Participação e Protagonismo Social do Migrante na Governança Migratória Local”, ao promover a qualificação de profissionais, ampliar a articulação da rede de atendimento e fortalecer os espaços de participação social voltados à população migrante no município.


https://www.pjf.mg.gov.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com



quinta-feira, 16 de julho de 2026

ONU utiliza Inteligência Artificial para apoiar refugiados em todo o mundo

 © ACNUR/Hyejin Lee Ferramentas para aumentar a eficiência interna, serviços otimizados para refugiados e sistemas de alerta precoce, são alguns exemplos de como o Acnur está a adotar ferramentas de inteligência artificial.

Ferramentas para aumentar a eficiência interna, serviços otimizados para refugiados e sistemas de alerta precoce, são alguns exemplos de como a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, está a adotar ferramentas de inteligência artificial, IA. 

Com quase 42 milhões de refugiados a nível global e operações em todo o mundo, a utilização de IA pode ajudar a identificar riscos de proteção mais cedo, melhorar a preparação para emergências e reforçar a tomada de decisões operacionais, afirmou o chefe do Acnur, Barham Salih.

IA ajuda na tomada de decisão

Segundo o alto funcionário, a utilização da IA de forma responsável e com salvaguardas robustas tem o potencial de reduzir a carga administrativa, melhorar a análise, acelerar decisões e capacitar os trabalhadores para dedicarem mais tempo a prestar proteção e a avançar com novas soluções.

O Acnur tem vindo a integrar o “Shape” nas suas operações, um assistente de IA generativa que funciona como uma plataforma interna segura e que consegue pesquisar bases de dados, orientações e documentação específica por país.

Um refugiado sudanês está sentado em uma sala de espera lotada em um centro de registro do ACNUR no Egito.
Acnur Refugiados sudaneses aguardando em um centro de registro do Acnur no Cairo, Egito.

Sistemas inovadores ao serviço dos refugiados

O Acnur dispõe ainda de uma rede de sites que fornece a refugiados e requerentes de asilo informação específica por país sobre registo, determinação de estatuto, reinstalação, apoio jurídico, saúde, educação, habitação e apoio a vítimas de violência baseada no gênero.

De acordo com o departamento das Nações Unidas, a próxima fase prende-se com a integração de uma ferramenta de IA que recolhe informação básica dos utilizadores, como país de origem e de asilo, e os encaminha diretamente para a informação mais relevante, apresentada na sua própria língua.

Deste modo, o Acnur pretende poupar tempo aos refugiados e reduzir deslocações desnecessárias, enquanto permite que os seus profissionais se dediquem a casos mais complexos que exigem contacto presencial.

Novas tecnologias, novos desafios

Apesar do seu potencial, o Acnur sublinha a necessidade de evitar que o acesso da IA a sistemas internos resulte em fugas de informação sensível que possam colocar as vidas dos refugiados em risco, tais como dados sobre etnia, religião, estatuto legal ou motivos de pedido de asilo.

A agência da ONU reconhece ainda limitações estruturais da IA, como “alucinações” de informação inventada ou possíveis enviesamentos nos dados e respostas.

Para garantir que a IA beneficie milhões de deslocados e apátridas, o Acnur sublinha a  necessidade de estabelecer novas parcerias com empresas tecnológicas, organizações de refugiados, instituições de investigação, entidades filantrópicas e governos.


https://news.un.org/pt


www.miguelimigrante.blogspot.com


sábado, 11 de julho de 2026

ACNUR realiza formação com lideranças afegãs em São Paulo

Curso contou com a participação de 16 lideranças afegãs (oito homens e oito mulheres) que participaram de seis encontros presenciais


 A atuação direta junto a lideranças e a organizações lideradas por pessoas refugiadas é uma das frentes de trabalho da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil. Por meio do fortalecimento das redes comunitárias, é possível identificar as principais demandas da população refugiada, assim como disseminar informações seguras sobre a garantia e o acesso a direitos. Foi com esse objetivo que o ACNUR realizou curso voltado exclusivamente para lideranças afegãs em São Paulo.

A formação teve o total de 42 horas e foi realizada ao longo de seis semanas, em maio e junho. No total, 16 lideranças (oito homens e oito mulheres) participaram do curso que buscou fortalecer a proteção baseada na comunidade entre refugiados afegãos por meio do aprimoramento das capacidades das organizações lideradas por pessoas refugiadas para realizar análises participativas de proteção, identificar riscos e vulnerabilidades, mapear serviços locais e facilitar encaminhamentos seguros e confidenciais.

Entre os temas abordados estiveram legislação sobre refúgio e migração, metodologias participativas de análise de proteção, proteção baseada na comunidade, comunicação e projetos de iniciativa comunitária. O curso também trabalhou temas específicos ligados à área de proteção, como identificação e enfrentamento da exploração e abuso sexual, violência baseada em gênero, saúde e assistência social no Brasil, acesso à educação, à justiça e à moradia, entre outros.

Há dois anos e meio no Brasil, Masooma Hasanzada foi uma das participantes do curso. Atualmente, ela trabalha em uma organização que apoia a chegada e a integração de pessoas afegãs no Brasil. “Achei o curso muito importante e enriquecedor. Ele me ajudou a desenvolver habilidades de liderança, comunicação e organização. Também aprendi como apoiar melhor a comunidade de refugiados e trabalhar em equipe para encontrar soluções para os desafios que enfrentamos”, conta. “Eu já estou colocando em prática o que aprendi. Hoje consigo orientar melhor os refugiados afegãos que chegam a São Paulo, organizar as informações de forma mais clara, ouvir as pessoas com mais atenção e trabalhar em equipe para buscar soluções para os desafios da comunidade. Também aprendi a planejar melhor as atividades e a fortalecer a comunicação e a liderança”, completa.

Curso para fortalecimento de lideranças afegãs em São Paulo também contou com debate com o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli

Nargis Mahmoodi também concluiu o curso e destaca a importância de conhecer melhor as leis brasileiras e os equipamentos públicos disponíveis. “Estou há quase cinco anos no Brasil e foi a primeira vez que participei de uma formação como essa. Ela foi muito importante porque, às vezes, a gente fica confuso sobre qual organização buscar nos momentos que precisamos de atendimento”, explica. “Ter esse conhecimento é fundamental para as lideranças, que têm uma responsabilidade muito grande de passar as informações corretas para as pessoas, que nem sempre compreendem o português.”

“O fortalecimento de lideranças locais é fundamental para que a população refugiada e migrante tenha acesso a informações de confiança e a direitos fundamentais nos países de acolhida. No Brasil, a barreira linguística é um dos principais desafios no acesso a direitos por parte da população afegã. Quando oferecemos formações direcionadas e trabalhamos em conjunto com as lideranças, conseguimos apoiar a integração local e garantir que as próprias comunidades identifiquem suas principais demandas e às enderecem de maneira adequada”, reforça o assistente sênior de campo do ACNUR, Felipe Santoro.

O curso fez parte das ações previstas na parceria firmada entre ACNUR e IRUSA, em fase de finalização. Anunciada em setembro de 2025, a parceria buscou, ao longo de um ano, beneficiar diretamente cerca de 2 mil pessoas afegãs em todo o Brasil, por meio de ações voltadas à integração local e ao fortalecimento de meios de vida, além de alcançar indiretamente outras 10 mil pessoas, incluindo comunidades brasileiras de acolhida.


https://www.acnur.org/br

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Ativistas criticam deportações em massa dos EUA e pedem medidas de acolhimento de migrantes no Brasil

 Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Audiência Pública - Direito de Migrar.
Audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial

As deportações em massa dos Estados Unidos e as falhas no acolhimento de migrantes no Brasil dominaram o debate entre ativistas de causas humanitárias em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

A audiência realizada nesta quarta-feira (8) resultou da mobilização internacional de parlamentares e sociedade civil que participaram, em março, da Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania.

Integrante do comitê da jornada em São Paulo, Bárbara Corrales lembrou que o movimento se intensificou a partir da truculência do ICE, o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos. “Na semana passada, os agentes do ICE prenderam 10 mil pessoas em cinco dias. Isso não deixa dúvida do que o imperialismo quer: a guerra pode ser com bombas, mas a guerra também pode ser com opressão social.”

Bárbara Corrales afirmou que, mesmo diante de intensa manifestação popular nos Estados Unidos (com o lema “No kings, no ICE, no war”), o governo Donald Trump manteve as deportações em massa e reforçou o orçamento do ICE com 70 bilhões de dólares.

De janeiro de 2025 até junho deste ano, foram cerca de 600 mil deportados, dos quais 4,6 mil brasileiros. Também houve 60 mil detidos de várias nacionalidades, a maioria (70%) sem antecedentes criminais.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Direito de Migrar. Brasileira Vivendo nos EUA, Heloisa Galvão.
Por videoconferência, Heloísa Galvão relatou situação de "catástrofe" de brasileiros nos EUA

Brasileiros nos EUA
Falando diretamente de Boston, em Massachusetts, a organizadora do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, deu detalhes do cotidiano de tentativa de ajuda aos migrantes brasileiros. “A situação aqui é uma catástrofe. É um governo que coloca em risco a vida das pessoas, coloca uns contra os outros e alimenta o ódio. O que a gente vê na nossa comunidade é um medo, é um pavor. Todos os dias a gente recebe ligação de brasileiros presos.”

Os ativistas calculam que há 17 mil brasileiros enfrentando detenções prolongadas e dificuldades de defesa nos Estados Unidos.

A diplomata Carlota Ramos, que trabalha na Divisão de Assuntos Humanitários do Ministério de Relações Exteriores, afirmou que o Brasil enfrenta a situação com base nos princípios de não criminalização da migração, proteção dos direitos de migrantes e refugiados e integração socioeconômica.

“Vivemos [no mundo] um momento de recrudescimento de discursos anti-imigração, endurecimento de políticas migratórias e crescente erosão de mecanismos internacionais de proteção. Nesse contexto, o Brasil tem atuado para ser uma voz dissonante, que defende soluções baseadas em direitos humanos, cooperação internacional e não discriminação”, afirmou.

Carlota Ramos citou ações em curso, como a Operação Acolhida, voltada aos venezuelanos, e o primeiro Plano Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (I PlaNaMigra), assinado em junho deste ano.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Direito de Migrar. Dep. Rui Falcão (PT-SP)
Rui Falcão pediu mais recursos para reintegração de brasileiros repatriados à força

Ações em andamento
Um dos organizadores da audiência, o deputado Rui Falcão (PT-SP) pediu o fortalecimento do Programa Aqui é Brasil, lançado no ano passado para a reintegração de brasileiros repatriados à força.

“Apesar de toda a boa vontade, tem baixo orçamento. Mais de 5 mil famílias foram deportadas com violência e precisam de acolhimento, direito à moradia, quem sabe acesso a benefícios sociais e também possibilidade de reinserção no mercado de trabalho. Nós não queremos muros, queremos horizontes”, disse o deputado.

Rui Falcão ainda defendeu a formalização de uma delegação multipartidária de parlamentares para verificar a situação dos brasileiros presos nos Estados Unidos.

Migrantes no Brasil
Durante a audiência, migrantes radicados no Brasil também relataram os desafios por aqui, como racismo, xenofobia, trabalho precário, separação da família e medo de deportação e de violência institucional.

Integrante do Conselho Municipal do Migrante de São Paulo, a nigeriana Constance Salawe afirmou que a legislação migratória brasileira é uma das mais avançadas do mundo, mas precisa ser plenamente implementada.

“Nós, imigrantes, não somos um problema a ser resolvido. Somos parte da solução: trabalhamos, empreendemos, produzimos conhecimento, cuidamos das pessoas, enriquecemos a cultura brasileira e ajudamos a construir um Brasil mais diverso, mais forte e mais humano”, declarou.

Segundo Constance Salawe, “migrar não é apenas mudar de território, é reconstruir uma vida”.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Direito de Migrar. Representante Do Conselho Municipal De Imigrantes (Cmi), Constance Salawe
Constance Salawe: a legislação migratória brasileira precisa ser plenamente implementada

Outro organizador do debate, o deputado Reimont (PT-RJ) afirmou que “fronteiras administrativas não podem impedir o livre deslocamento das pessoas”.

Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de um observatório para monitorar a situação dos migrantes e uma moção de repúdio da comissão à política anti-imigratória de Trump.

Também na audiência, a palestina Muna Muhammad Obdeh citou a Declaração Universal dos Direitos Humanos como fundamento para a reconstrução da sua vida no Brasil. “Eu, como palestina, resido aqui no Brasil desde 1992, faço pesquisa, estudo e oriento estudantes nessa temática, que transcorre a partir de direitos humanos e de dignidade humana”, disse.

Muna Muhammad Obdeh é professora de saúde coletiva na Universidade de Brasília (UnB) e representou o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) no debate.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Web Rádio Migrantes – Missão Paz Instrumento de Informação para Migrantes e Refugiados 12 anos no ar.

 

Inaugurada em 9 de julho de 2013, para a Celebração da Padroeira Nossa Senhora da Paz, o estúdio da Web Rádio localiza-se em São Paulo, no ambiente da Missão Paz. Está 24 horas no ar com uma programação de prestação de serviços, transmissões de evento , missas  informação, com foco nos migrantes e refugiados que circulam pelo Brasil e pelo mundo.

A web rádio é uma ferramenta de comunicação social e digital que desempenha um papel fundamental na disseminação de informações para migrantes e refugiados. Por meio da internet, ela oferece conteúdos de fácil acesso, contribuindo para a inclusão social, o fortalecimento da cidadania e a integração .

Entre suas principais funções está a divulgação de informações sobre direitos, legislação migratória, regularização documental, oportunidades de emprego, acesso aos serviços públicos de saúde, educação, assistência social e aprendizagem do idioma local. Essas informações ajudam migrantes e refugiados a compreender melhor seus direitos e deveres, reduzindo barreiras de comunicação e dificuldades de adaptação.

Outro aspecto importante é a valorização da diversidade cultural. A programação pode incluir músicas, entrevistas, notícias e debates produzidos em diferentes idiomas, permitindo que as comunidades migrantes preservem suas identidades culturais ao mesmo tempo em que conhecem a cultura da sociedade que as recebe. Esse intercâmbio favorece o respeito à diversidade e combate a desinformação, a discriminação e a xenofobia.

Além disso, a web rádio promove a participação ativa dos próprios migrantes e refugiados na produção de conteúdo. Ao compartilhar experiências, histórias de vida e informações úteis, eles tornam-se protagonistas da comunicação, fortalecendo o sentimento de pertencimento e criando redes de apoio entre diferentes comunidades.

A web rádio também facilita a comunicação em situações de emergência, permitindo a divulgação rápida de orientações oficiais, campanhas de saúde pública, mudanças na legislação e oportunidades de apoio oferecidas por organizações governamentais e da sociedade civil.

Em síntese, a web rádio constitui um instrumento estratégico de informação, acolhimento e inclusão para migrantes e refugiados. Ao promover o acesso à informação confiável, incentivar o diálogo intercultural e ampliar a participação social, ela contribui para a construção de sociedades mais inclusivas, democráticas e respeitosas da diversidade humana.

Desta forma agradecemos a todos que participam na produção de conteúdos e programas, aos padres da Missão Paz e de forma especial aos iniciadores da web radio, Sergio Gheller, Patricia Rivarola, Pe. Antenor Dalla Vecchia e Paolo Parise

web radio Migrantes 

Miguel Ahumada

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Migrantes encontram acolhimento e oportunidades na Capital Campo Grande

 


Campo Grande tem se consolidado como uma cidade de acolhimento para imigrantes internacionais e refugiados que chegam em busca de novas oportunidades, segurança e qualidade de vida. Mais do que um ponto de passagem, a Capital sul-mato-grossense vem estruturando políticas públicas que garantem acesso a direitos, inclusão social e oportunidades para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias com dignidade.

O crescimento da população migrante também se reflete na procura pelos serviços públicos municipais. Somente em 2025, a rede de assistência social realizou 5.569 atendimentos voltados a migrantes internacionais por meio do Serviço Especializado de Assistência Social (Seas), das unidades de acolhimento institucional para adultos e famílias e das casas de passagem conveniadas.

De acordo com a superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), Priscila Justi, Campo Grande avançou significativamente na organização de políticas voltadas para esse público.

“Hoje o município não é apenas uma rota de passagem. Temos uma população migrante que escolhe permanecer em Campo Grande e construir sua vida aqui. Por isso, trabalhamos para garantir acolhimento, acesso aos serviços públicos e oportunidades de integração social”, destaca.

Os estudos que subsidiaram a criação do Plano Municipal de Promoção, Proteção e Apoio aos Migrantes Internacionais e Refugiados apontam que cerca de 3.804 migrantes internacionais vivem na Capital há mais de dois anos. Entre eles, os venezuelanos representam historicamente um dos maiores grupos atendidos pela rede municipal.

Acolhimento humanizado desde a chegada

Ao chegar à cidade, muitas famílias enfrentam desafios relacionados à documentação, moradia, emprego, acesso à saúde, educação e adaptação cultural. Para atender essas demandas, a Prefeitura mantém uma rede integrada de atendimento que começa com uma escuta qualificada realizada pelas equipes da assistência social.

Dependendo da situação apresentada, os migrantes podem ser atendidos pelo Seas Rodoviária, quando estão em trânsito, pelo Centro POP, nos casos de pessoas em situação de rua, pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), ou ainda encaminhados para unidades de acolhimento institucional e casas de passagem quando necessitam de proteção temporária.

Nesses espaços, as famílias encontram estrutura para recomeçar. Os acolhidos recebem quartos organizados, roupas de cama limpas e local adequado para guardar seus pertences. Mulheres acompanhadas dos filhos permanecem nos alojamentos femininos, enquanto homens e pais solteiros são direcionados aos alojamentos masculinos. As unidades também oferecem alimentação, acompanhamento social e encaminhamentos para os demais serviços públicos.

Para ampliar ainda mais esse suporte, o município está implantando o Centro de Referência em Direitos Humanos para Migrantes, Refugiados e Apátridas (Cemigra), que será a porta de entrada especializada para essa população, oferecendo orientação, acolhimento e articulação com toda a rede de proteção.

Recomeço com apoio e novas oportunidades

Entre as histórias de quem encontrou em Campo Grande a oportunidade de reconstruir a própria vida está a do venezuelano Alexander Beroes. Ele chegou à Capital em 2022 acompanhado da esposa e das filhas, fugindo da crise econômica e social que afetava seu país de origem.

Na Venezuela, Alexander era professor universitário, mas enfrentava dificuldades para garantir condições dignas de vida para a família. Ao chegar a Campo Grande, encontrou apoio por meio da rede de assistência social do município, que auxiliou a família nos primeiros passos de adaptação à nova realidade.

O início foi marcado por desafios. Para sustentar a família, Alexander realizou trabalhos temporários e diárias enquanto buscava estabilidade financeira. Com o suporte dos serviços oferecidos pela Prefeitura e muito esforço, conseguiu se estabelecer, conquistar uma moradia e construir uma nova trajetória na cidade.

Alexandre atualmente após reconstruir a vida em Campo Grande (Arquivo Pessoal)

“Não foi fácil eu chegar até aqui, mas com certeza eu não troco Campo Grande por nada. Aqui temos segurança, qualidade de vida e empregos dignos. Fomos muito bem recebidos pela cidade”, relata.

Hoje, já integrado à comunidade, ele vê na Capital o lugar onde a família encontrou oportunidades para recomeçar e planejar o futuro. A história de Alexander reflete a realidade de muitos migrantes que chegam ao município em busca de proteção, acolhimento e melhores condições de vida.

Educação garante inclusão e respeito à diversidade

Entre os primeiros passos para a integração das famílias está o acesso à educação. Atualmente, a Rede Municipal de Ensino (Reme) atende 672 estudantes venezuelanos, sendo 617 matriculados no ensino fundamental e 55 na educação infantil.

O acolhimento começa ainda no processo de matrícula, quando equipes da Divisão de Políticas Específicas de Educação realizam uma escuta individualizada para compreender a trajetória escolar do estudante e sua realidade familiar.

Quando necessário, os alunos passam por avaliação diagnóstica para garantir o ingresso na etapa de ensino mais adequada ao seu desenvolvimento. A prioridade é matricular a criança ou adolescente na unidade escolar mais próxima de sua residência ou da instituição de acolhimento onde está hospedado temporariamente.

Além da matrícula, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) desenvolve acompanhamento contínuo junto às escolas, orientando professores e equipes pedagógicas sobre práticas inclusivas e interculturais.

Um dos principais focos é o trabalho com o Português como Língua de Acolhimento (PLAc), metodologia que auxilia estudantes estrangeiros a desenvolverem a comunicação em português sem perder o vínculo com sua língua materna e identidade cultural.

Nas salas de aula, materiais adaptados, atividades lúdicas, projetos interdisciplinares, rodas de conversa e ações de valorização da diversidade ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento e a integração entre estudantes brasileiros e migrantes.

Trabalho e qualificação como caminhos para a autonomia

A inserção no mercado de trabalho também é uma das prioridades da rede municipal. Por meio da Fundação Social do Trabalho (Funsat), os migrantes recebem encaminhamentos para vagas de emprego, qualificação profissional e cursos que auxiliam no processo de adaptação à cidade.

Uma das iniciativas em andamento é o curso gratuito de Língua Portuguesa para estrangeiros, realizado em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Com carga horária de 60 horas, a capacitação foi desenvolvida para atender estudantes com diferentes níveis de conhecimento do idioma e contribuir para a integração social e profissional dos participantes.

As aulas normalmente acontecem no período noturno, permitindo a participação de trabalhadores que buscam aperfeiçoar a comunicação e ampliar as oportunidades de emprego.

Moradia também integra a rede de proteção

O acesso à habitação é outro aspecto contemplado pelas políticas municipais. Por meio da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha), migrantes e refugiados podem participar dos programas habitacionais do município, desde que atendam aos critérios estabelecidos, como comprovação de residência em Campo Grande há pelo menos dois anos e situação documental regular.

Além disso, cinco imigrantes já foram beneficiados em caráter emergencial pelo Programa Recomeçar Moradia, que oferece auxílio para custeio temporário de aluguel a famílias em situação de vulnerabilidade. Atualmente, essas pessoas já não fazem parte do programa, tendo conquistado novas condições de autonomia.

Rede integrada garante acesso a direitos

A política municipal de atendimento aos migrantes envolve diversas áreas da administração pública, incluindo assistência social, saúde, educação, trabalho, habitação e direitos humanos. A articulação é coordenada pelo Comitê Interinstitucional Municipal para Políticas Públicas para Migrantes Internacionais e Refugiados, criado pela Lei Municipal nº 7.271/2024.

A proposta é assegurar que cada família receba atendimento integral, considerando suas necessidades específicas e fortalecendo a construção de novos projetos de vida.

Ao investir em acolhimento humanizado, acesso à educação, qualificação profissional, moradia e garantia de direitos, Campo Grande reafirma seu compromisso com a inclusão e demonstra que a solidariedade e o respeito à diversidade fazem parte da identidade da cidade.


https://www.campogrande.ms.gov.br/

www.miguelimigrante.blogspot.com