quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mulheres moldam novas dinâmicas migratórias na Europa e Ásia Central

© OIT/Chalalai Taesilapasathit Relatório aponta que as migrantes continuam enfrentando desigualdades estruturais, insegurança no status legal e desqualificação profissional.

 Relatório da ONU Mulheres mostra que elas representam 54% dos migrantes na região, deslocando-se em busca de educação, trabalho digno e segurança; apesar disso, enfrentam barreiras como super qualificação profissional, empregos informais e vulnerabilidade ao tráfico humano. 

Uma das características socioeconômicas do século 21 são as migrações. Na Europa e na Ásia Central, esse fenômeno assume diversas formas e sobreposições, pois a região é um local de origem, trânsito e destino. 

Nesse cenário, as mulheres são agentes fundamentais na redefinição das dinâmicas de deslocamentos. De acordo com o novo relatório da ONU Mulheres, elas representam 54% de todos os migrantes nessa área.

Migração não é neutra

O estudo revela que mais de 13 milhões de mulheres nascidas na Europa e na Ásia Central vivem no exterior, enquanto a região abriga mais de 9,5 milhões de migrantes de várias partes do mundo. 

Elas se deslocam cada vez menos motivadas por razões familiares, e mais em busca de educação, trabalho digno, oportunidades econômicas e segurança. 

Para a diretora regional da ONU Mulheres para a Europa e Ásia Central, Belén Sanz Luque, o relatório desmente a visão de que a migração é neutra em relação ao gênero. As mulheres estão moldando a região como estudantes, trabalhadoras, cuidadoras, empreendedoras, refugiadas e líderes comunitárias.

Uma mulher com um suéter cinza está sentada em uma mesa de escritório, gesticulando enquanto conversa com outra mulher que usa gorro e casaco de inverno.
ONU News/Ganna Radomska Katerina Gracheva (à esquerda) é consultora em questões de integração de migrantes e trabalha na Alemanha

Complexo contexto geopolítico

A alteração nos padrões migratórios ocorre em um complexo contexto geopolítico: a guerra na Ucrânia, tensões geopolíticas no Sul do Cáucaso e dinâmicas pós-conflito nos Bálcãs Ocidentais.

Segundo o relatório, entre 2022 e 2024, as mulheres representaram 61% dos migrantes que chegaram à União Europeia vindos da Moldávia e 56% dos partidos da Ucrânia. 

Os principais locais de destino são Alemanha, Itália, República Tcheca, Espanha e Portugal, respectivamente.

Super qualificação profissional

As migrações femininas são motivadas pelo avanço na educação e na carreira profissional. No entanto, elas enfrentam barreiras para encontrar empregos compatíveis com suas qualificações.

Mais da metade dos estudantes no exterior vindos da Turquia e dos Bálcãs Ocidentais são mulheres, contudo, 55% das mulheres migrantes são hiper qualificadas para seus empregos em Kosovo.

Já na Albânia, 50% enfrentam super qualificação, enquanto na Macedônia do Norte, quase 45% ocupam cargos abaixo de seus níveis de formação acadêmica.

Embora a migração abra novos caminhos para a independência, o relatório aponta que as migrantes continuam enfrentando desigualdades estruturais, insegurança no status legal e desqualificação profissional.

Trabalho informal

O envelhecimento populacional tem gerado demanda nos setores de cuidados de longa duração, trabalho doméstico, hotelaria e comércio varejista. 

De acordo com os dados do estudo, entre 30% e 50% das mulheres migrantes do Quirguistão e do Tadjiquistão trabalham nessas áreas. 

Por serem empregos frequentemente informais, elas enfrentam riscos de roubo de salários, condições ruins de trabalho, exploração e violência de gênero. 

Na Turquia, embora representem uma parte significativa da população migrante, recebem apenas 27,2% das autorizações de trabalho emitidas.

Uma figura em silhueta fica atrás de uma porta de vidro fosco com lâminas horizontais, enquanto uma pessoa no primeiro plano a filma.
IOM A maioria dos casos de tráfico de pessoas para exploração sexual envolve mulheres

Tráfico humano

O relatório identifica o tráfico humano como uma crise profundamente marcada pelas questões de gênero na região.

Em Kosovo, 93% das vítimas de tráfico identificadas são mulheres e meninas.

82% das vítimas identificadas entre 2019 e 2023 eram do sexo feminino na Turquia, com mais da metade dos casos envolvendo exploração sexual, seguida de exploração laboral.

Outros países com estatísticas expressivas de exploração de mulheres como resultado de tráfico humano são Montenegro, com 81%, e a Albânia, com 74%.

As pessoas provenientes de grupos marginalizados enfrentam maior vulnerabilidade e barreiras sistêmicas ao tentar acessar proteção, justiça e apoio de longo prazo.

Governança migratória

Como resposta, a ONU Mulheres apresenta um conjunto de recomendações para transformar a governança migratória na Europa e Ásia Central em um modelo que considere os desafios enfrentados pelo gênero feminino.

Alinhado às especificidades regionais e aos sistemas de dados, cooperação regional e prestação de contas, para mitigar as desigualdades estruturais, propõe-se a padronização e expansão de indicadores migratórios detalhados que capturem realidades como o trabalho informal e as tarefas de cuidado.

Além disso, a aplicação efetiva de tratados internacionais em políticas nacionais que protejam os direitos trabalhistas e garantam o acesso universal à prevenção da violência de gênero. 

Políticas públicas

O documento enfatiza a necessidade de fortalecer a cooperação transfronteiriça no combate ao tráfico humano e na mobilidade de direitos sociais, assegurando a inclusão de mulheres migrantes na formulação de políticas públicas. 

Localmente, a agência indica a eliminação de entraves administrativos e contratuais nos Bálcãs Ocidentais e na Turquia, o combate à desqualificação profissional de refugiadas na Europa Oriental e a superação da apatridia na Ásia Central e no Sul do Cáucaso. 


https://news.un.org/pt

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Migrantes escondidos em Ceuta enfrentam fome e medo: 'Só quero trabalhar'



Escondidos atrás de escadarias, nas colinas ou em galpões abandonados, eles aguardam a passagem da polícia ou do Exército.

Em Ceuta, após a chegada em massa de dezenas de milhares de migrantes na última quinta-feira (30) - a maioria dos quais já retornou ao território marroquino -, uma crise humanitária se agrava, com jovens passando fome e moradores divididos entre a solidariedade e o medo.

"A vida aqui segue dia após dia. As coisas vão bem com as pessoas, mas não com a polícia", declarou Muhad, um jovem de 20 anos que deixou Marrocos e fez a travessia a nado com seu amigo Achim, à emissora TVE.

Mohamed, de 19 anos, também estava com eles, mas não conseguiu; morreu a poucos metros da costa. "Eu gritava: 'Vamos, Mohamed', mas não pude ajudá-lo", relata o jovem.

A família da vítima ainda não sabe que o filho morreu, enquanto a família de Muhad desconhece que ele conseguiu chegar a Ceuta.

Há dias, parentes e amigos de ambos os lados da fronteira buscam

 desesperadamente notícias sobre as muitas pessoas desaparecidas.

Segundo a Associação Marroquina de Direitos Humanos (Amdh), o número de mortos ultrapassa 130, com dezenas de outros desaparecidos, embora as autoridades ainda não tenham divulgado números oficiais.

O centro de acolhimento de Ceuta permanece inacessível, superlotado e sob forte segurança. Consequentemente, a maioria das centenas de migrantes que ainda se recusam a deixar o enclave é forçada a viver escondida.

"Só estou tentando construir uma vida para mim. Minha mãe está no Marrocos e tenho um irmãozinho doente que precisa de insulina", diz Muhad, que espera se reunir com parentes na Holanda ou na Itália.

"Não vim aqui para roubar; quero trabalhar. Falo espanhol e italiano e tenho formação como eletricista. Agora, só me resta torcer por um golpe de sorte para não ser mandado de volta para casa", afirma.

Entre aqueles que permanecem no enclave, não estão apenas marroquinos, mas também sudaneses que fogem da guerra e muitos africanos subsaarianos em busca de asilo e tentando evitar a deportação.

Os sentimentos na comunidade de Ceuta são contraditórios: "Estamos acostumados a ajudar como podemos", explica Mohamed Ali, que distribui água aos jovens escondidos. "Eles chegam de roupa de banho, sem nada; muitos não comem há dias. Como negar a alguém uma garrafa de água ou um telefonema?", diz ele à Ceuta TV.

Outros, no entanto, admitem viver em um estado de incerteza. "Sentimo-nos inseguros; nunca vimos uma chegada em massa como essa e não sabemos o que esperar", diz Maria José, que reabriu sua padaria após três dias fechada.

Por trás das histórias dos jovens escondidos nas ruas de Ceuta, há uma realidade mais ampla: a de uma fronteira que, há muito tempo, é um foco de tensão política.

Helena Maleno, porta-voz da ONG Caminando Fronteras, convida as pessoas a olharem além das chegadas dos migrantes.

"A narrativa sobre redes criminosas de tráfico de pessoas já não basta para mascarar as consequências de políticas que transformaram a mobilidade humana em uma ferramenta de pressão política entre nações", explica ela.

Ela também ressalta que muitos dos jovens marroquinos que chegaram à fronteira de Tarajal "já haviam manifestado demandas por justiça social durante protestos no Marrocos — as mesmas aspirações que agora depositam na emigração".

Maleno também chama a atenção para os muitos menores deixados sem proteção: "É inaceitável que crianças e adolescentes durmam na rua".  

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sábado, 1 de agosto de 2026

População de imigrantes sem status permanente nos EUA atinge 15,8 milhões, aponta estudo



 A população de imigrantes que vivem nos Estados Unidos sem residência permanente ou outro status migratório definitivo alcançou um novo patamar em 2024. É o que aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Migration Policy Institute (MPI), que estima esse grupo em cerca de 15,8 milhões de pessoas, o maior número já registrado pela instituição.

Segundo o estudo, antes de 2019 esse contingente era estimado em aproximadamente 11 milhões de pessoas. O crescimento observado nos últimos anos foi impulsionado por uma combinação de fatores, entre eles a recuperação da economia americana após a pandemia, crises políticas e de segurança em diversos países das Américas e o aumento da chegada de migrantes pela fronteira sudoeste dos Estados Unidos.

De acordo com o relatório, entre 2019 e 2024 a população analisada cresceu cerca de 5 milhões de pessoas, o equivalente a uma média de aproximadamente 8% ao ano.

Mudança no perfil dos países de origem

Embora o México continue sendo o principal país de origem, com uma estimativa de 5,5 milhões de pessoas, sua participação relativa diminuiu ao longo dos últimos anos.

Em contrapartida, aumentou significativamente a presença de migrantes vindos da América Central e da América do Sul, especialmente de países como Equador, Colômbia, Venezuela, Guatemala e Honduras.

O estudo estima que, em meados de 2024, havia aproximadamente:

  • 4,3 milhões de pessoas originárias da América Central;
  • 2,2 milhões provenientes da América do Sul.

Esses números representam um crescimento expressivo em comparação com 2019.

Proteções temporárias

Outro ponto destacado pelo MPI é que uma parcela significativa dessas pessoas possuía, em 2024, algum tipo de proteção migratória temporária concedida pelas autoridades americanas.

Entre essas modalidades estavam programas como:

  • Status de Proteção Temporária (TPS);
  • DACA;
  • Autorizações de trabalho;
  • Programas de permanência humanitária.

O relatório estima que cerca de 6,3 milhões de pessoas, ou aproximadamente 40% da população analisada, estavam nessa situação, caracterizada pelo instituto como um status temporário que oferece autorização para permanecer e trabalhar no país por determinado período, mas que não representa um caminho automático para a residência permanente.

Mudanças recentes

O levantamento observa que, desde o início de 2025, diversas alterações nas políticas migratórias levaram parte dessas pessoas a perder algumas das proteções temporárias anteriormente disponíveis.

O estudo também cita decisões judiciais e mudanças administrativas que impactaram programas voltados a determinados grupos de imigrantes, modificando o cenário migratório nos Estados Unidos ao longo do último ano.

Fronteira registra queda nas chegadas

Apesar do crescimento acumulado da população analisada, o relatório aponta que as chegadas irregulares na fronteira entre Estados Unidos e México diminuíram entre 2023 e 2024.

Segundo o MPI, essa redução ocorreu após mudanças nas regras relacionadas aos pedidos de asilo implementadas pelo governo americano na época, além do reforço das ações de fiscalização por parte das autoridades mexicanas na região de fronteira.

O instituto ressalta que os dados representam estimativas baseadas em diferentes fontes estatísticas e metodologias de pesquisa utilizadas para acompanhar a evolução da população migrante nos Estados Unidos.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Migrantes continuam a chegar a Ceuta vindos a nado do Marrocos

Migrantes tentam passar a fronteira   (ANSA)
 

Em poucos dias, entre 1.500 e 2.000 pessoas chegaram ao enclave espanhol de Ceuta, enquanto centenas de outros migrantes cruzaram a fronteira somente nesta quinta-feira. Madri anuncia repatriações rápidas e reforça a cooperação com Rabat; as autoridades locais denunciam uma grave emergência humanitária e a superlotação dos centros de acolhimento. Recuperados 18 corpos no mar.

Stefano Leszczynski, Silvonei José – Vatican News

O enclave espanhol de Ceuta, na costa norte do Marrocos, volta a ser o centro da pressão migratória. Após alguns dias de chegadas contínuas, somente nesta quinta-feira (30/07), centenas de pessoas cruzaram a fronteira, somando-se aos cerca de 1.500 a 2.000 migrantes que já haviam chegado nos dias anteriores. Trata-se do maior afluxo registrado na cidade autônoma desde maio de 2021, quando mais de 10.000 pessoas chegaram ao território espanhol em apenas dois dias. Entretanto, a Guarda Civil informou que o número de corpos de migrantes mortos na tentativa de alcançar a nado o território espanhol e recuperados no mar subiu para 18.

Centenas de jovens migrantes, muitos deles menores de idade, passaram a noite em parques da cidade, em gramados ou na entrada de estacionamentos públicos, transformando a cidade autônoma em um dormitório a céu aberto, com o sistema de acolhimento à beira do colapso.

Também no amanhecer desta sexta-feira (31/07), dezenas de pessoas continuaram a se lançar ao mar para chegar a nado ao enclave, enquanto por terra colunas de migrantes tentam cruzar a fronteira na zona industrial do Tarajal, segundo as imagens transmitidas ao vivo pela emissora TVE.

Depois de mobilizar unidades do Exército para lidar com a emergência, O primeiro-ministro Pedro Sánchez, estará nesta sexta-feira na cidade autônoma, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Migrante a nado   (ANSA)

Do Marrocos a nado

Muitos migrantes chegaram a Ceuta a nado ou usando colchões infláveis, enquanto outros passaram pelo posto de fronteira. Muitos comemoraram a chegada com manifestações de alegria, saudando a Espanha como destino de uma longa jornada na esperança de um futuro melhor.

A nova onda de chegadas colocou rapidamente sob pressão as estruturas de acolhimento. O presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, falou de uma situação de “absoluta emergência humanitária e social”, explicando que os centros destinados aos migrantes já estão superlotados. Segundo as autoridades locais, nos últimos dias mais de 1.500 pessoas desembarcaram por via marítima, com uma média de cerca de 200 chegadas diárias. Entre elas, há também vários menores. Enquanto isso, centenas de outras pessoas se reuniram na vizinha cidade marroquina de Fnideq, tentando chegar a Ceuta por mar ou escalando a barreira da fronteira. De acordo com alguns depoimentos coletados no local, a concentração de migrantes teria sido favorecida pela disseminação de boatos sobre a abertura da fronteira.


Migrantes tentam passar a fronteira   (ANSA)

Madri prepara os repatriamentos

O governo espanhol anunciou ter chegado a um acordo com as autoridades marroquinas para proceder “o mais rápido possível” ao repatriamento das pessoas que entraram irregularmente no enclave. O primeiro-ministro Pedro Sánchez garantiu o total empenho do governo na gestão da emergência, mobilizando todos os recursos disponíveis e reforçando a coordenação com Rabat e com os organismos internacionais. O Ministério do Interior atribuiu, além disso, as entradas em massa à ação das redes de traficantes de pessoas, reiterando que a cooperação entre a Espanha e o Marrocos em matéria de migração permanece sólida.

Uma fronteira estratégica entre a Europa e a África

Ceuta, juntamente com Melilla, representa a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. É justamente essa localização que a torna um dos principais pontos de tensão ao longo das rotas migratórias rumo à Europa. A última grande crise remonta a 2021, em pleno período de tensões diplomáticas entre a Espanha e o Marrocos sobre a questão do Saara Ocidental. Desde então, as relações bilaterais foram progressivamente restabelecidas, mas as novas chegadas mostram o quanto a gestão dos fluxos migratórios continua sendo um desafio em aberto, no qual se entrelaçam as necessidades de segurança, cooperação internacional e proteção das pessoas mais vulneráveis.


https://www.vaticannews.va/

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Vítimas de tráfico são forçadas a integrar redes de fraudes, alerta a ONU


© Unodc Funcionários do Unodc visitam um centro de fraudes alvo de uma operação policial na capital do Camboja, Phnom Penh.

No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, organização destaca o crescimento do recurso ao tráfico humano por parte de criminosos; vítimas são obrigadas a cometer crimes e relatam casos de tortura, abuso sexual, fome e isolamento; africanos são o grupo mais traficado.

Redes criminosas internacionais estão a expandir o tráfico humano para alimentar esquemas de fraudes online, forçando a participação de centenas de milhares de vítimas em várias atividades ilegais, sob pena de coação. 

O alerta foi dado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, no contexto do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas. A data é assinalada neste 30 de julho sob o tema “Presos por detrás do esquema”.

Guterres apela a uma resposta global contra o tráfico

Em mensagem, António Guterres relembrou que o tráfico de seres humanos constitui uma grave violação dos direitos humanos. O secretário-geral da ONU deixou ainda um apelo a uma resposta coletiva, capaz de identificar estas redes criminosas e cortar as suas vias de financiamento.

O tráfico para fins criminais tem crescido rapidamente nos últimos anos. De acordo com o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, Unodc, este tipo de exploração aumentou de 1% das vítimas detetadas a nível mundial em 2016 para 8% em 2022. 

Ainda em 2022, vítimas de 162 nacionalidades foram traficadas para 128 países. Por sua vez, cerca de 70% das pessoas que foram investigadas, acusadas e condenadas por tráfico eram homens.

Já as vítimas africanas são o grupo mais amplamente traficado pelas organizações criminosas, representando 31% dos fluxos de tráfico transfronteiriço, indicam os dados da ONU. 

Uma mulher em uma loja na Mauritânia, envolta em um tecido com estampa dourada, cercada por prateleiras e paredes de tecidos coloridos.
© Sibylle Desjardins / OIM Uma ex-vítima de tráfico humano na Mauritânia

Recrutamento é feito nas plataformas digitais 

O tráfico humano para criminalidade forçada ocorre quando pessoas são exploradas e obrigadas a cometer crimes em benefício dos traficantes, frequentemente através de engano, ameaças ou coação.

Muitas vezes, o recrutamento começa em plataformas online. Os anúncios de emprego fraudulentos visam pessoas que falam várias línguas, têm competências digitais e estão familiarizadas com as redes sociais.

As burlas não são o único crime praticado pelas vítimas, que também são forçadas a uma grande variedade de atividades ilegais, incluindo furtos, tráfico de droga, fraude financeira e esquemas online.

De acordo com Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, estima-se que mais de 300 mil pessoas estão atualmente presas em centros controlados por estas organizações criminosas.

Proteção das vítimas no centro da resposta 

Perante a expansão geográfica do tráfico de pessoas, a OIM tem vindo a reforçar o apelo à prevenção, à proteção das vítimas, à cooperação transfronteiriça e a parcerias reforçadas para desmantelar redes de tráfico.

Ainda este ano, a agência lançou a sua nova Estratégia Regional de Resposta ao Tráfico de Pessoas para Criminalidade Forçada na Ásia e no Pacífico 2026 – 2030. 

O plano prevê a proteção de vítimas, a cooperação transfronteiriça e o reforço de parcerias para desmantelar redes de tráfico.

No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas de 2026, a OIM enfatiza que as pessoas forçadas a cometer crimes dentro de centros de golpes são vítimas de tráfico e como tal devem ser protegidas



https://news.un.org/

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