terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Mais refugiados retornam voluntariamente em 2025

Chegada de pessoas ao aeroporto de Damasco© dpa

 Em 2025, um número significativamente maior de refugiados deixou a Alemanha de forma voluntária e com apoio financeiro do que nos anos anteriores. No total, 16.576 pessoas usaram os programas de apoio correspondentes do Departamento Federal de Migração e Refugiados (BAMF). São cerca de 6200 a mais do que em 2024 – um aumento de cerca de 60 por cento.

Um fator essencial é a retomada da saída voluntária subsidiada para a Síria. Desde janeiro de 2025, o BAMF voltou a oferecer esse apoio, após o programa ter sido temporariamente suspenso devido à guerra civil. Até o final de dezembro de 2025, 5976 pessoas solicitaram permissão para viajar para a Síria, 3678 delas já partiram. De acordo com as autoridades, existe um grande interesse na oferta, especialmente no que diz respeito à Síria.

O chamado programa REAG/GARP apoia os repatriados voluntários, entre outras coisas, assumindo os custos de viagem e concedendo uma ajuda financeira inicial. Os adultos recebem até 1000 euros, enquanto as crianças e os adolescentes recebem 500 euros.


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sábado, 31 de janeiro de 2026

O direito do consumidor para refugiados no Brasil

 Refugiados e migrantes, independentemente de documentação, têm os mesmos direitos do consumidor que brasileiros, condição essencial para o exercício pleno da cidadania no Brasil

Crédito: PxHere

O ser humano migra por diversas razões: para garantir a própria sobrevivência, buscar segurança, sustento para sua família ou a esperança de um futuro mais digno. Estar na posição de refugiado ou migrante em um país desconhecido, com costumes, idioma e estruturas jurídicas diferentes, representa um desafio constante – inclusive no exercício de direitos cotidianos, como o direito do consumidor.

Na perspectiva do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), refugiado é toda pessoa que, “devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados”, é forçada a deixar seu país de origem. Esse reconhecimento internacional embasa a proteção jurídica às pessoas que se veem forçadas a buscar refúgio além de suas fronteiras.

Com o fluxo migratório global em ascensão – e o Brasil figurando entre os países que mais acolhem refugiados no mundo –, torna-se indispensável que o debate sobre os direitos dessas pessoas seja ampliado em todos os campos da vida social, inclusive nas relações de consumo. Afinal, além de ‘ser’, todo ser humano também exerce, todos os dias, relações de consumo – seja na compra de um celular, na contratação de um plano de telefonia, na locação de um imóvel ou no uso de serviços bancários.

No Brasil, o Estatuto dos Refugiados (Lei nº 9.474/1997) assegura direitos fundamentais às pessoas que buscam proteção no país, reconhecendo sua condição e garantindo o acesso a direitos sociais básicos e à dignidade humana. Paralelamente, o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei nº 8.078/1990), em seu escopo mais amplo, disciplina e protege as relações de consumo em território nacional, aplicando-se a todas as pessoas que se encontrem em situação de consumo no país, independentemente de nacionalidade ou condição migratória.

Nesse sentido, refugiados e migrantes, com ou sem documentação provisória, possuem os mesmos direitos de consumidores que brasileiros, incluindo o acesso à informação, à proteção contra práticas abusivas, às garantias de produtos e serviços e aos mecanismos de reclamação e reparação previstos em lei, que são condições essenciais para assegurar cidadania plena no contexto socioeconômico brasileiro.

Em junho de 2025, o Procon-SP lançou uma cartilha e um conjunto de folders sobre direitos básicos do consumidor voltados especificamente para refugiados e migrantes no Brasil. O material, disponível em português e traduzido para árabe, espanhol, francês, inglês e persa, aborda temas como direito à informação, garantia de produtos e serviços, mecanismos para registrar reclamações e direitos em áreas sensíveis como moradia, educação, serviços financeiros, telefonia e transporte. Essa iniciativa resulta de uma parceria com o ACNUR e diversas organizações da sociedade civil, sendo um passo concreto para democratizar o acesso à informação e combater práticas abusivas dirigidas a populações em situação de vulnerabilidade.

É fundamental ressaltar que acesso à informação é um elemento estruturante de proteção ao consumidor, especialmente para pessoas que enfrentam barreiras linguísticas, culturais e jurídicas. Sem conhecimento sobre seus direitos básicos, refugiados ficam mais expostos a golpes, fraudes ou cláusulas contratuais abusivas que desrespeitam o CDC. Por isso, a tradução e disseminação de conteúdo educativo é, por si só, um instrumento de inclusão social e fomento à cidadania.

O direito do consumidor, portanto, não é um privilégio de poucos – é um mecanismo que assegura equidade nas relações de mercado, proteção contra práticas desleais e acesso efetivo a reparação em caso de violação. Garantir que refugiados e migrantes compreendam e possam exercer esses direitos no Brasil é, além de uma exigência legal, um compromisso com os valores democráticos que devem nortear qualquer sociedade plural e acolhedora.

A efetividade desses direitos depende, ainda, da atuação articulada de órgãos públicos, organizações da sociedade civil, operadores do direito e da própria mídia. Só assim transformaremos garantias legais em práticas sociais concretas, assegurando que o consumir no Brasil – seja morando no país desde o nascimento ou buscando aqui uma chance de viver – signifique exercer direitos com segurança, dignidade e igualdade.

Essa perspectiva também se adequa aos ideais de promoção para a paz e da dignidade humana, declarados na Constituição da UNESCO, de 1945, que diz: “uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”. Garantir informação, acesso a direitos e proteção jurídica a refugiados e migrantes é, portanto, mais do que uma obrigação legal: é um passo concreto na construção de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com a convivência democrática.

Andrea Mottola é advogada especialista em Direito do Consumidor e Direito Digital.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Em MS, agro segue na liderança do trabalho escravo e foca em migrantes

Trabalhadores resgatados em junho de 2025 de fazenda em Itaquiraí, onde faziam a colheita de mandioca (Foto: Divulgação/MPT)

 O trabalho no campo, especialmente na agropecuária, segue como o principal foco de exploração de trabalhadores em situação análoga à escravidão em Mato Grosso do Sul. Migrantes paraguaios e indígenas, em contextos de alta vulnerabilidade social, estão entre os alvos mais recorrentes desse tipo de crime. O diagnóstico foi apresentado durante o lançamento do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, realizado nesta quarta-feira (28), no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Conforme levantamento divulgado na terça-feira (27) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Estado registrou, em 2025, 12 casos de trabalho escravo, com o resgate de 92 trabalhadores. Em 30 anos, Mato Grosso do Sul contabiliza 165 ocorrências, com 3.335 pessoas resgatadas.

Segundo o relatório da CPT, a pecuária concentrou a maior parte das ocorrências, com 59 registros. Também aparecem no levantamento setores como lavouras, produção de carvão vegetal e lavouras temporárias, com 11 casos cada.

Durante a apresentação do plano estadual, foram definidos critérios de priorização para orientar políticas públicas e ações de enfrentamento. Entre eles estão as cinco maiores taxas de resgatados por 10 mil habitantes no local de origem, as cinco maiores taxas no local do resgate, além dos maiores números absolutos nesses dois recortes

Pelo índice apresentado, considerando a taxa somada, os municípios com maior destaque no número proporcional de pessoas resgatadas são Caracol (49,6), Porto Murtinho (48,2) e Iguatemi (33,4). A taxa somada considera a soma da taxa referente ao local de origem do trabalhador e da taxa de resgate no município onde ocorreu a operação.

Especialistas e autoridades apontam que a exploração do trabalho escravo na agropecuária está diretamente ligada à busca por redução de custos e maximização do lucro, tendo como alvo principal pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em sua maioria, são homens, jovens, indígenas e migrantes paraguaios que chegam ao Estado em busca de emprego e acabam submetidos a condições degradantes.

O advogado e consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Vinicius Duque, explica que a expansão das cadeias produtivas, com processos de terceirização e quarteirização, dificulta a responsabilização direta

“No território de Mato Grosso do Sul, temos casos na pecuária e também na produção de cítricos. Um problema muito comum ocorre quando a cadeia produtiva se expande e entra em processos de terceirização e quarteirização. Então, você não tem um produtor diretamente responsável; você tem, por exemplo, casos de contratação para colocação de cerca. Isso cria um distanciamento e, ao mesmo tempo, fragiliza a proteção do trabalhador”, afirmou Vinícius.

Segundo o consultor da OIT, embora o trabalhador esteja inserido na cadeia produtiva, a identificação dos responsáveis se torna mais complexa. “Essa pessoa não está desvinculada, ela está dentro da cadeia produtiva, mas isso torna a identificação especialmente desafiadora, porque exige um trabalho de campo maior e uma presença mais constante no território”, disse.

Sobre os municípios com maiores taxas proporcionais de resgates, o consultor da OIT explica que o critério busca evitar distorções. “Esses indicadores são calculados a partir de uma taxa proporcional à população local. A gente compara a quantidade de resgates com a população do último Censo do IBGE e calcula uma taxa, da mesma forma que se faz com homicídios”, afirmou. “No nosso caso, usamos uma taxa por 10 mil habitantes para facilitar a visualização”, completou.

A metodologia, segundo ele, evita que municípios pequenos sejam invisibilizados diante de números absolutos baixos. “Municípios que poderiam passar despercebidos ganham visibilidade quando analisados proporcionalmente. A ideia não é expor nenhum município, mas entender onde o Estado deve priorizar esforços de apoio”, explicou. Ele acrescenta que fatores como vulnerabilidade econômica, perfil populacional e operações pontuais de resgate podem influenciar os números.

A falta de renda e a falta de terra para produzir também são problemas apontados pela coordenadora regional da CPT em MS, Rosane Marize Haubert Santiago. Ela reforça que a ausência de reforma agrária e a baixa renda contribuem para a permanência do problema no Estado.

“O trabalho escravo se forma num ciclo. Ele começa com a vulnerabilidade econômica e vai se perpetuando. A gente conhece muitos casos de pessoas que são resgatadas, que são retiradas dessa situação, mas que acabam caindo novamente nela, porque não têm espaço de autonomia, não têm terra para plantar e produzir”, explicou Rosane.

As comunidades indígenas, segundo ela, também estão entre os grupos mais atingidos. Ela aponta que a falta de demarcação de terras e de acesso a meios de produção força muitas famílias a aceitar trabalhos degradantes. “Sem terra para plantar e produzir, essas pessoas acabam sendo obrigadas a aceitar esse tipo de trabalho”, afirmou a coordenadora da CPT.

Expropriação de terras – Apesar de a Constituição Federal prever, desde 2014, a expropriação de propriedades onde seja constatado o uso de trabalho escravo, a medida nunca foi efetivada no país. A Emenda Constitucional nº 81 alterou o artigo 243 para permitir o confisco de imóveis rurais ou urbanos, sem indenização, destinados à reforma agrária ou à habitação popular.

No entanto, a falta de uma lei que regulamente os procedimentos impede a aplicação prática da norma. Essa é a avaliação do desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, Francisco da Chagas Lima Filho, que aponta que o debate ainda enfrenta resistência, especialmente no Congresso Nacional. “Esse é um debate que ainda não está sacramentado. Existia uma PEC sobre isso, que encontrou muita resistência”, disse.

Apesar de considerar a medida legítima e aplicável, para ele, a expropriação é juridicamente possível, mas exige cautela. “Eu entendo que a expropriação é possível. Concordo, mas isso não pode ser feito de forma genérica. É preciso ter um caso concreto, uma sentença reconhecendo a gravidade da situação”, afirmou. “Às vezes quem explora o trabalho escravo não é diretamente o proprietário, pode ser o arrendatário, o gestor. Então é preciso cautela. Mas eu sou favorável, defendo isso há anos”, completou.

Questionado sobre a existência de casos julgados com expropriação efetiva, o desembargador disse que em Mato Grosso do Sul ainda não houve nenhum. “Não houve. Não tem ainda, porque estamos numa fase em que não existe uma legislação apropriada. E há uma resistência muito grande no Congresso”.

Caminhos possíveis – Para combater o trabalho escravo, os especialistas apontam que é preciso pensar em várias vertentes. Por isso, o objetivo do plano estadual é apostar em ações integradas que envolvem denúncia, fiscalização, informação e qualificação profissional. O plano foi elaborado após uma série de reuniões realizadas ao longo de 2025.

O plano estadual estabelece um fluxo de atendimento desde a denúncia até o pós-resgate, com escuta qualificada, emissão de documentos, retorno ao local de origem e encaminhamento para políticas sociais.

Na parte do combate e da fiscalização in loco, o superintendente regional do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em MS, Alexandre Morais Cantero, destacou o reforço recente na fiscalização, com a chegada de novos auditores fiscais e o uso de drones para alcançar áreas remotas. Em fevereiro do ano passado, ele havia destacado que o Estado tinha deficit no número de auditores.

“Depois de mais de uma década, no governo Lula, no governo federal, fizemos concurso e recebemos, no final do ano passado, 13 novos auditores fiscais. Nós tínhamos 27 e agora temos mais 13. Então, ampliamos a nossa capacidade de fiscalização”, disse Alexandre.

Além do resgate, as iniciativas de acolhimento ganham importância. O presidente da Associação dos Haitianos na Capital, Junel Ilora, que atua na Sala do Migrante, aponta a falta de informação como fator central.

“O problema, primeiramente, é o migrante chegar aqui e não falar português, não conhecer as leis do trabalho no país,” disse Junel. “Hoje essa realidade vem mudando. Temos a Sala do Migrante, temos um espaço de acolhimento,” completou Junel.

Segundo Junel, essa realidade tem mudado nos últimos anos, especialmente por causa das políticas de acolhimento, com a atuação da Sala do Migrante e outros programas que encaminham para o mercado de trabalho. “No passado, muita gente dizia que Mato Grosso do Sul era só um estado de passagem. Hoje isso vem mudando. Campo Grande virou um lugar de oportunidades, com acolhimento e segurança para os migrantes”, afirmou.

A Sala do Migrante funciona na Superintendência Regional do Trabalho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua 13 de Maio, 3.214. No local, é oferecido apoio gratuito para regularização documental (CPF, visto, carteira de trabalho), inserção no mercado de trabalho e cursos de português.

É preciso denunciar - O combate ao trabalho escravo começa com a denúncia, que pode ser feita por canais como Disque 100, 190, ou diretamente a órgãos como o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Nova sede da Embaixada Solidária é invadida e vandalizada em Marechal Cândido Rondon antes de receber migrantes é refugiados

 

Foto G1 

A nova sede da Embaixada Solidária de Marechal Cândido Rondon foi invadida e teve grande parte da estrutura danificada. O local, recém-construído, seria inaugurado nos próximos dias e tinha como objetivo acolher cerca de 30 migrantes e refugiados que vivem e trabalham no município e na região.


O espaço foi pensado para atender principalmente famílias haitianas que escolheram o Brasil como lar. No local, seriam oferecidos apoio social, orientações e atendimento para garantir direitos e oportunidades aos migrantes. No entanto, o que deveria ser um ambiente de acolhimento agora apresenta um cenário de destruição.


Além dos danos à estrutura da casa, móveis que seriam utilizados pelas famílias atendidas pelo projeto Vila Mundo foram quebrados. Telhas foram arrancadas e praticamente nada foi preservado. O prejuízo causado compromete diretamente o atendimento às pessoas que mais precisam do serviço.


Para quem atua diariamente no projeto, o sentimento é de tristeza e frustração ao ver o trabalho de meses ser destruído em pouco tempo. Os prejuízos ainda estão sendo levantados.


Diante da situação, o Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas do Paraná (CERMA/PR) divulgou uma nota de repúdio ao ato ocorrido contra a nova sede da Embaixada Solidária. O conselho também manifestou solidariedade à equipe, aos voluntários e às pessoas migrantes atendidas pelo projeto, além de cobrar respostas das autoridades.


O Centro de Apoio ao Migrante (CEAMIG), ligado à Congregação Scalabriniana, também se manifestou, reforçando apoio à Embaixada Solidária e destacando que nenhuma forma de intolerância, vandalismo ou violência pode ser aceita.


O caso foi registrado e segue sob apuração das forças de segurança.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Alto Comissário da ONU para os Refugiados: a Igreja é uma grande parceira

 Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, fala ao Vatican News sobre seu encontro com o Papa Leão XIV e sobre os desafios que a organização enfrenta ao assistir refugiados em todo o mundo.

Isabella H. de Carvalho - Vatican News

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) informou que, até meados de 2025, 117,3 milhões de pessoas em todo o mundo haviam sido forçadas a deixar suas casas devido a conflitos, violência, perseguição ou outros eventos, e, entre elas, havia quase 42,5 milhões de refugiados.

O Papa Leão XIV — assim como seus predecessores — tem expressado repetidamente a preocupação da Igreja com migrantes e refugiados e tem exortado o mundo a não permanecer passivo diante dessa questão.

Na segunda-feira, 26 de janeiro, Leão XIV se encontrou com Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados e ex-presidente do Iraque entre 2018 e 2022. Salih viveu a experiência de ser refugiado e agora iniciou esse novo cargo na Agência da ONU para Refugiados em 1º de janeiro de 2026.

Em entrevista ao Vatican News, o Alto Comissário da ONU fala sobre seu encontro com o Papa e explica os diferentes desafios que o ACNUR enfrenta atualmente, enquanto muitos refugiados lutam para sair de situações de deslocamento e as organizações humanitárias enfrentam escassez de recursos.


Papa Leão XIV e Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados   (@Vatican Media)

Papa Leão XIV e Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados   (@Vatican Media)

Como foi seu encontro com o Papa Leão XIV?

Foi realmente uma grande honra para mim encontrar Sua Santidade. Eu estava ansioso por ter essa audiência logo no início do meu mandato. Estou neste cargo de Alto Comissário para Refugiados há menos de quatro semanas, portanto foi uma excelente oportunidade para falar com Sua Santidade sobre a situação dos refugiados.

Sou grato por seu apoio incansável aos refugiados em todo o mundo, e sua autoridade moral é extremamente relevante. Seu apoio ao trabalho que realizamos no ACNUR é absolutamente fundamental. Enfatizamos a necessidade de nossa parceria com a Igreja e com organizações religiosas, à medida que buscamos cumprir nosso mandato de ajudar refugiados em todo o mundo.

A voz do Papa e sua autoridade moral têm grande peso. Consideramos essa uma parceria importante e um recurso no qual confiamos ao avançar no cumprimento de nosso mandato de ajudar refugiados em todo o mundo.

O senhor assumiu o cargo em 1º de janeiro. Quais são as prioridades do seu mandato?

Assumo essa responsabilidade em um momento de enormes desafios: níveis sem precedentes de deslocamento, em um contexto de retração do espaço humanitário e de recursos limitados para lidar com a dimensão do problema que enfrentamos.

Minha prioridade será reforçar a defesa por mais recursos para atender às necessidades da população refugiada em todo o mundo, mas, ao mesmo tempo, cumprir plenamente nosso mandato. Isso significa garantir proteção aos refugiados, fornecer assistência emergencial para salvar vidas às pessoas em situação extrema, e também trabalhar intensamente por soluções duradouras.

Não é aceitável ver tantos refugiados condenados a situações de deslocamento prolongado por cinco anos ou mais — às vezes por uma década ou até duas. Essas pessoas permanecem em campos, dependentes da ajuda humanitária internacional. Isso não é aceitável. Precisamos ir além disso, em direção a soluções mais inclusivas e duradouras.

Estive no Chade e no Quênia na semana passada, onde encontrei refugiados que vivem nessas comunidades há cerca de 25 anos, desde 2003, e outros que haviam chegado literalmente no dia anterior. Isso demonstra que precisamos fazer mais em relação às pessoas presas em situações de deslocamento prolongado.

Isso é algo que o ACNUR não pode fazer sozinho. Exige um esforço coletivo com outras agências da ONU, bem como com os países anfitriões, a comunidade internacional e os bancos de desenvolvimento. Dessa forma, podemos criar condições para que esses países acolham os refugiados e os integrem à vida nacional como participantes ativos, e não apenas como dependentes da ajuda humanitária.

Países como Quênia, Etiópia, Uganda e Chade estão adotando políticas mais inclusivas de acolhimento, permitindo que os refugiados tenham acesso a seus sistemas nacionais: serviços de saúde, educação, mercado de trabalho, além de serviços jurídicos e financeiros.

Isso precisa ser incentivado por meio da ajuda ao desenvolvimento, para que seja benéfico aos países anfitriões e também permita a inclusão dos refugiados além da vida em campos, pois, afinal, os refugiados não são apenas números.

Eles são pessoas com capacidade de ação. Eles merecem dignidade. Eles merecem proteção.

Como o ACNUR está respondendo às atuais emergências em todo o mundo, considerando os drásticos cortes de financiamento sofridos nos últimos meses, principalmente devido à redução da ajuda dos Estados Unidos? Que impacto isso terá nos próximos meses?

Os Estados Unidos alocaram recentemente 2 bilhões de dólares em assistência ao fundo comum das Nações Unidas, em cooperação com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Isso é bem-vindo, e esperamos que mais recursos sejam destinados nessa direção.

Entretanto, dada a magnitude do problema, os recursos disponíveis são claramente insuficientes. Precisamos lançar uma campanha de mobilização muito mais ativa para obter mais recursos. Em última análise, lidar com a situação dos refugiados é uma responsabilidade internacional compartilhada. Os números são impressionantes e as necessidades são reais; portanto, precisamos de mais recursos, sem dúvida.

Ao mesmo tempo, devemos nos adaptar. Precisamos fortalecer nossa agenda de reformas e criar mais eficiência no sistema, para que a ajuda disponível chegue efetivamente às pessoas a quem se destina.

Já estamos — em conjunto com outras agências da ONU — engajados em iniciativas de reforma e eficiência para assegurar que o sistema internacional de ajuda seja muito mais ágil e mais custo-efetivo.

O número de refugiados e deslocados continua aumentando, alcançando níveis recordes de pessoas que fogem de conflitos, violações de direitos humanos e crises climáticas. Trata-se de uma tendência crescente, e nada parece capaz de detê-la... Quais são hoje as questões mais urgentes para o ACNUR e onde estão as necessidades mais imediatas?

Se olharmos para os países vizinhos ao Sudão e para o fluxo de refugiados provenientes daquele país, há, sem dúvida, uma necessidade urgente. Se considerarmos a situação na República Democrática do Congo, trata-se igualmente de uma necessidade urgente.

Se falarmos da Venezuela e de sua dinâmica interna, também é uma necessidade urgente. Ou, ainda, se observarmos os rohingyas, muitos dos quais permanecem em campos há cerca de duas décadas. Não há como não classificar todas essas situações como urgentes. É muito difícil apontar um único local onde a urgência seja maior.

Enquanto nos concentramos nas necessidades cotidianas das pessoas, a assistência humanitária também deve buscar caminhos para soluções duradouras.

Precisamos trabalhar intensamente para encontrar soluções sustentáveis que permitam a inclusão dessas comunidades de refugiados na vida nacional e que lhes possibilitem alcançar a autossuficiência. Essas soluções devem ser compatíveis com seus direitos humanos fundamentais à proteção e à dignidade, e também úteis para os países anfitriões em que vivem atualmente.

O que mais o preocupa em sua função atual?

A escassez de recursos é central, e cada nova crise exige ainda mais de nossas capacidades, em um mundo marcado por múltiplas emergências.

Nesse contexto, é preciso dizer que o mundo é chamado a fazer mais para evitar que os conflitos se agravem e para contê-los e resolvê-los. A crise do deslocamento tem uma solução fundamental: a paz e a possibilidade de que as pessoas possam escolher retornar a seus lares com segurança e dignidade.

Que apelo o senhor gostaria de fazer à comunidade internacional?

É nossa responsabilidade jurídica, como comunidade internacional, proteger e prestar assistência às pessoas que se encontram em necessidade. Também devemos ajudar a oferecer soluções duradouras para aqueles que foram deslocados. Trata-se de uma responsabilidade legal, de uma obrigação moral e de um apelo à nossa humanidade coletiva. É a atitude moralmente correta e também a atitude justa.

O senhor falou anteriormente sobre a importância de manter parcerias estreitas com a Igreja e com organizações religiosas. Como essas entidades podem ajudar o ACNUR?

Organizações religiosas e entidades ligadas à Igreja têm atuado diretamente no apoio aos refugiados. Posso testemunhar, por experiência pessoal, o trabalho fundamental que realizam e a parceria significativa que mantêm com as Nações Unidas.

Minha esperança é que possamos ampliar ainda mais essa cooperação com outras organizações religiosas e desenvolver uma filantropia inter-religiosa capaz de se unir em torno dos valores centrais da fé, especialmente no que diz respeito à humanidade e ao auxílio aos nossos semelhantes em situação de necessidade.


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Alta nos pedidos de repatriação revela vulnerabilidade e discriminação vividas por brasileiros em Portugal

Entre o aumento do retorno ao Brasil, a sobrecarga dos serviços consulares e a criação de políticas de enfrentamento à discriminação, Lisboa se consolida como um dos principais centros da experiência migratória brasileira no mundo.

Foto: AFP - PATRICIA DE MELO MOREIRA / RFI


https://www.terra.com.br/noticias/mundo/europa/alta-nos-pedidos-de-repatriacao-revela-vulnerabilidade-e-discriminacao-vividas-por-brasileiros-em-portugal,d871d92d87849a7b6308a479f639e56eo55blkf1.html?utm_source=clipboard

 O fluxo migratório de brasileiros em Portugal está passando por mudanças significativas. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que em 2025 foram 231 pedidos de retorno ao país entre janeiro e outubro, bem acima dos 149 pedidos de todo o ano anterior. Este aumento, segundo a OIM, reforça o papel do maior consulado brasileiro da Europa em meio a relatos de vulnerabilidade, violência e discriminação em Portugal.

Os dados dos dois últimos meses do ano ainda estão sendo consolidados. Mas o aumento já identificado revela uma combinação de fatores econômicos, sociais e emocionais que têm levado parte da comunidade brasileira a reavaliar a permanência no exterior.

No centro desse cenário está Portugal, que abriga hoje cerca de 800 mil brasileiros, a maior comunidade brasileira fora do país. Somente em Lisboa vivem aproximadamente 400 mil brasileiros, número que transformou o Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa na maior unidade consular da Europa em volume de atendimentos.

Segundo o cônsul-geral Alessandro Candeas, o consulado de Lisboa "abriga hoje a maior comunidade brasileira fora do continente americano. São mais de meio milhão de pessoas vivendo, trabalhando e construindo novas histórias em Portugal", afirma.

Ao longo de 2025, o consulado analisou 85.677 requerimentos de serviços por meio do sistema e-consular. Desse total, 15.826 foram pedidos de passaporte e autorizações de retorno ao Brasil — um dado que dialoga diretamente com o aumento apontado pela OIM.

Outros 13.642 atendimentos envolveram atos notariais, como registros de nascimento, procurações e reconhecimentos de assinatura. O setor de Assistência a Brasileiros realizou 2.745 atendimentos, incluindo orientação jurídica e psicológica, além de milhares de respostas a e-mails e consultas presenciais.

A "caixa de ressonância" da comunidade brasileira

De acordo com Alessandro Candeas, o consulado funciona como uma espécie de termômetro social da comunidade brasileira em Portugal: "Identificamos, muito claramente, que cresceu o número de brasileiros que buscam o consulado e dizem que querem voltar ao Brasil".

Ele destaca que o papel do brasileiro em Portugal é frequentemente retratado de forma negativa no debate público, o que não condiz com a realidade econômica e social. "O papel do imigrante brasileiro em Portugal é muito estereotipado e muito injusto. O brasileiro é um imigrante produtivo", ressalta.

Segundo o cônsul-geral, os brasileiros exercem funções essenciais no mercado de trabalho português, pagam impostos e contribuem de forma significativa para a previdência social do país.

"A mão de obra necessária para o mercado português não compete com nenhum emprego ocupado por cidadão português. Muitos brasileiros ocupam posições que estão vazias porque a mão de obra portuguesa está em outros países", explica Candeas.

Vulnerabilidade, violência e saúde mental

Outro dado que chama a atenção nos registros consulares é o crescimento dos atendimentos psicológicos, especialmente relacionados a vulnerabilidade social e violência. Casos de sofrimento emocional, conflitos familiares e violência de gênero têm sido cada vez mais relatados por brasileiros que procuram ajuda institucional.

Para Candeas, esse aumento reflete não apenas dificuldades individuais, mas também o impacto do isolamento, da pressão econômica e das experiências de discriminação vividas por parte da comunidade.

Racismo, xenofobia e bullying contra brasileiros
Os temas da xenofobia e do racismo entraram oficialmente na agenda diplomática entre Brasil e Portugal. Segundo o cônsul-geral, trata-se de uma estratégia ampla, que envolve diferentes frentes do poder público e da sociedade civil.

"É preciso trabalhar em políticas públicas comparadas, legislação, judiciário e sociedade civil. Não adianta você ter uma legislação robusta se o judiciário não faz sua parte", afirma.

Entre as iniciativas previstas está o programa "Amigos do Brasil", voltado para escolas portuguesas, com foco em crianças e adolescentes — especialmente filhos de brasileiros que enfrentam episódios de bullying.

"Há criancinhas que chegam chorando em casa. 'Você não fala português'. Como assim? Eu falo português", relata o embaixador.

O programa prevê concursos de redação, vídeos e músicas, além de parcerias público-privadas que podem resultar em intercâmbios e viagens ao Brasil. "A ideia é transformar o problema em algo positivo", resume Candeas.

Entre o aumento do retorno ao Brasil, a sobrecarga dos serviços consulares e a criação de políticas de enfrentamento à discriminação, Lisboa se consolida como um dos principais centros da experiência migratória brasileira no mundo. Um retrato complexo, marcado por trabalho, integração, desafios sociais — e pela busca por reconhecimento e pertencimento.

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sábado, 24 de janeiro de 2026

ICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump

 

Renee Nicole Good, uma norte-americana de 37 anos, mãe de família, morta pela polícia de imigração (ICE) em Minneapolis em 7 de janeiro de 2026.

Foto: Getty Images via AFP - SCOTT OLSON / RFI

Segundo os semanários franceses Le Point e L'Express, Minneapolis, cidade do estado de Minnesota nos Estados Unidos marcada pela morte de George Floyd em 2020, enfrenta uma grave crise: de um lado, moradores organizam resistência à ICE, agência de imigração que caça imigrantes sem documentação; de outro, a agência se tornou um negócio bilionário para aliados de Donald Trump. Le Point destaca a mobilização cidadã, enquanto L'Express mostra a politização e a impunidade da ICE.

Minneapolis, cidade do estado de Minnesota conhecida mundialmente após a morte de George Floyd em 2020, vive hoje uma crise intensa envolvendo a ICE, agência federal de imigração e alfândega dos Estados Unidos. Moradores se mobilizam para resistir às ações de agentes que perseguem imigrantes sem documentação, enquanto, segundo Le Point e L'Express, a mesma agência se tornou um negócio bilionário para aliados do ex-presidente Donald Trump.

Em reportagens detalhadas, Le Point descreve a rotina de moradores como Juan, que se organiza para vigiar e seguir veículos da ICE pelas ruas da cidade. Armados com apitos e redes de comunicação, grupos comunitários alertam vizinhos, levam comida a quem não se sente seguro para sair de casa e registram abusos cometidos pelos agentes. A mobilização acontece pouco depois do assassinato de Renee Good, mãe de família de 37 anos, morta por um agente da ICE em janeiro, e tem como objetivo evitar novos abusos.

Segundo Le Point, Juan se tornou "patrulheiro", dedicando parte de suas semanas a monitorar operações da agência. Ele mantém binóculos e anotações à mão, observa padrões de ação da ICE e registra qualquer tentativa de intimidação, mas reforça que não realiza ações ilegais. A cidade também adotou medidas como aulas online temporárias em alguns bairros, reforço de redes comunitárias e vigilância coletiva, buscando proteger residentes vulneráveis e manter a mobilização organizada.

Máquina de lucro para aliados de Trump

Já a revista L'Express enfatiza a dimensão financeira e política da ICE. A agência se transformou em uma verdadeira máquina de lucro para aliados de Trump, com contratos e consultorias bilionárias gerando ganhos privados a partir de políticas de expulsão em massa. Um exemplo citado é o de Tom Homan, ex-diretor da ICE, que, segundo investigação do FBI, ofereceu contratos federais prometendo lucros a clientes ligados ao governo caso Trump retornasse à presidência.

Além disso, L'Express relata que a promulgação da lei One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), em julho de 2025, triplicou o orçamento da ICE para US$ 27,7 bilhões por ano, tornando a agência a primeira força federal do país em termos de recursos financeiros. A lei permitiu que a ICE atuasse com métodos muitas vezes questionáveis, com agentes protegidos por imunidade praticamente absoluta, enquanto operações de deportação atingem tanto imigrantes quanto cidadãos norte-americanos, como no caso de Renee Good.

A polarização em Minneapolis reflete o contraste entre resistência comunitária e poder da agência. Le Point mostra que moradores, apesar do frio intenso e do clima tenso, mantêm disciplina e método. O monitoramento da ICE é feito com cuidado: sinalizações por apitos, acompanhamento visual, registro de veículos e denúncias às autoridades quando há abuso. A cidade tenta impedir que a violência se espalhe e proteger a população mais vulnerável.

Por outro lado, L'Express evidencia que o aparato da ICE funciona quase como um sistema paralelo, politizado e lucrativo, apoiado por aliados do governo e empresas privadas de segurança. Firmas como Constellis Holdings, resultado da fusão de antigas empresas militares privadas, recebem milhões de dólares e se beneficiam diretamente da estrutura de deportações em massa, sem que exista responsabilidade clara sobre abusos cometidos.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Governo do Pará estabelece Conselho Estadual de Migrantes, Refugiados e Apátridas e desenvolve ações de inclusão social

 Por Igor Oliveira (SEJU)


Primeira reunião do Conselho realizou a posse de representantes do poder público estadual
Primeira reunião do Conselho realizou a posse de representantes do poder público estadual
Foto: NCS Seju

Foi realizada nesta quarta (21), em Belém, a primeira reunião do Conselho Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas do Estado do Pará (Cemig). O evento ocorreu na sede da Secretaria de Estado de Justiça (Seju) e foi marcado pela posse dos primeiros conselheiros do órgão colegiado para tratar de políticas públicas voltadas aos direitos dessa população.

O Cemig, órgão vinculado à Seju, foi criado pelo Decreto nº 5.045 de 18 de novembro de 2025, que também definiu procedimentos para a implementação da Política Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas. O Conselho deve atuar na defesa dos direitos desses grupos por meio da articulação entre o poder público e sociedade civil, entre outras competências.

Seju tem atuação no enfrentamento ao tráfico de pessoas e promoção da migração segura
Seju tem atuação no enfrentamento ao tráfico de pessoas e promoção da migração segura
Foto: NCS Seju

Durante a ocasião, ocorreu a posse formal dos representantes do poder público estadual, além da definição da comissão organizadora para habilitação, elaboração de edital e seleção de organizações da sociedade civil para integrarem o Cemig. 

O Conselho Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas possui representantes dos seguintes órgãos estaduais: Secretarias de Estado de Justiça (Seju); de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster); de Cultura (Secult); das Mulheres (Semu); de Articulação da Cidadania (Seac); de Educação (Seduc); de Saúde Pública (Sespa); de Segurança Pública e Defesa Social (Segup); de Povos Indígenas (Sepi), de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) e Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab). 

Secretário de Justiça, Evandro Garla, considera a reunião um marco na atuação da Seju
Secretário de Justiça, Evandro Garla, considera a reunião um marco na atuação da Seju
Foto: NCS Seju

Marco na defesa de direitos - Os participantes do encontro também escolheram a Secretaria de Justiça para presidir o Cemig em sua primeira gestão. O titular da Seju, Evandro Garla, avaliou que a primeira reunião do Conselho Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas foi um marco importante para o trabalho da Seju e para a defesa dos direitos dessa população no Pará.

“É um momento que reforça a atuação da Seju nessa área e, por isso, estamos felizes em agora fazer parte de um colegiado para deliberar exclusivamente sobre esse tema e promover iniciativas como editais, grupos de apoio, orientações, oficinas, entre outras ações de cidadania e inclusão social”, afirma o secretário.

Participantes da primeira reunião do Conselho Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas
Participantes da primeira reunião do Conselho Estadual de Migrantes, Solicitantes de Refúgio, Refugiados e Apátridas
Foto: NCS Seju

A Secretaria de Justiça possui um grupo de trabalho voltado para o enfrentamento ao tráfico de pessoas e promoção da migração segura, oferecendo orientação, assistência e acolhimento humanizado a migrantes, refugiados e apátridas, além  de trabalhar em conjunto com a rede de enfrentamento do tráfico de pessoas.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Expositores refugiados e imigrantes mostram culturas de seus países durante o Festival de Integração Cultural

Escrito por Redação 
 

Oferecer oportunidades a refugiados e imigrantes é o objetivo do Festival de Integração Cultural, que acontece pela terceira vez na Zona Oeste, nos dias 24 e 25 de janeiro, no Mercado de Produtores do Uptown (Av. Ayrton Senna, 5.500). A entrada é franca. O evento é uma iniciativa da Araújo Abreu e da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial. 

Nesta edição, o Festival contará com 14 expositores nas áreas de gastronomia, moda e artesanato. Além disso, haverá contação de histórias para crianças, aulas de dança, oficinas de brinquedos sul-americanos e shows musicais. A intenção é apoiar a integração sociocultural e gerar renda para refugiados e imigrantes vindos de países como Angola, Venezuela, Congo, Colômbia e Argentina. Os expositores receberão estrutura e remuneração mínima garantida por sua participação.

“O Festival de Integração Cultural nasceu com a missão de valorizar a diversidade e dar visibilidade ao talento de refugiados e imigrantes que escolheram o Brasil como lar. Mais do que um espaço de exposição, o evento é uma oportunidade concreta de geração de renda e de fortalecimento da integração sociocultural. A cada edição, reafirmamos nosso compromisso em construir pontes entre culturas e aproximar o público da riqueza artística e gastronômica desses países”, afirma Fernanda Abreu, Diretora Geral da Araújo Abreu.

Para o secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Rio, Edson Santos, as ondas migratórias tendem a ser cada vez mais frequentes devido aos conflitos geopolíticos que estão ocorrendo no mundo.

“O Festival é um espaço que chama atenção para a pauta dos imigrantes e dos refugiados, tendo o papel de promover acolhimento, integração cultural e geração de renda a essas pessoas que vêm pro Brasil em busca de uma nova perspectiva de vida. A gente tem que envolver cada vez mais setores da sociedade nesse tema. O Brasil precisa ser um contraponto à situação de quase guerra civil que os EUA impõem ao mundo”, ressaltou Edson. 

O Festival de Integração Cultural reunirá sabores, artes e moda de diferentes países, com destaque para a gastronomia argentina de Mansilla Matias, a Dulcipan com especialidades da Venezuela e Cuba, e o Chez Kimberly Food trazendo pratos típicos do Congo e de Angola; no artesanato, a Venezuela marcará presença com José Valero e sua Creaciones Escorpión, a Chag-Dalla de Zhue Llamkay Otaiza Albaracin com produtos orgânicos e sustentáveis, e a Creaciones Mili’s de Zobeida Ortiz com peças de macramê e bijuterias; já na moda, a Rama Collection da congolesa Ramatoulaye.

Festival de Integração Cultural

Tutshumu apresentará roupas e acessórios vibrantes, enquanto a Juh Artesania do colombiano Miguel Camacho exibirá jóias artesanais em aço, couro e pedras naturais, dentre outros talentos que enriquecem o evento.

Vanessa Suárez está no Brasil há 11 anos e participa do Festival de Integração Cultural expondo Tequeños, um salgadinho venezuelano típico em festas e eventos locais, que é patrimônio cultural do país. Vanessa disse que o Festival proporciona mais alcance e visibilidade para seus produtos. 

“O evento é importante para que nossos produtos possam ser conhecidos por outras pessoas, ainda mais em janeiro, que costuma ser um mês de vendas mais fracas”, explica a venezuelana, que contou como tem sido sua experiência no Brasil. “No começo foi difícil pelo idioma, mas sempre tive ajuda e acolhida do povo carioca que hoje em dia considero minha família. Os cariocas me receberam de braços abertos e são ainda uma mãe que dá colo, sem se importar com cultura, política, gênero, religião, cor ou nação”, enfatiza Vanessa. 

Oficinas

A Oficina de Brinquedos Sul-Americanos é uma ação especial conduzida por talentosos imigrantes venezuelanos. Nessa oficina, o público infantil terá a oportunidade de aprender a criar brinquedos tradicionais utilizando técnicas artesanais e materiais recicláveis. Nossos instrutores trazem consigo a rica herança cultural da Venezuela e compartilharão seus conhecimentos e habilidades, proporcionando uma experiência prática.

Contação de Histórias, Dança & Performance La Sape

Além dos expositores, o Festival de Integração Cultural terá uma programação repleta de atrações imperdíveis. Os imigrantes Verônica Amoras, uruguaia, e Alexis Riquelme, peruano, irão compartilhar contos encantadores de suas culturas nas sessões de contação de histórias. Além disso, Verônica Amoras se une ao angolano Ánder João e ao cubano Israel Valdés numa experiência enriquecedora com suas aulas de dança. Thezis Luyndula Lutete, originário da República Democrática do Congo e residente no Brasil há 12 anos, apresentará “La Sape”, uma performance que mistura elegância, movimento corporal e dança, num dandismo congolês contemporâneo.

PROGRAMAÇÃO:

Sábado – 24/01

12h às 13h – DJ Raphael Moraes
13h às 14h – Contação de Histórias
14h30 às 15h30 – Aula de Dança
15h40 às 16h40 – Oficinas de Brinquedos
17h às 18h – Fred Chico
18h30 às 19h30 – Trio Sur
20h às 20h30 – Performance la Sape
20h30 às 21h – DJ Raphael Moraes

Domingo – 25/01

12h às 13h – DJ Raphael Moraes
13h às 14h – Contação de Histórias
14h30 às 15h30 – Aula de Dança
15h40 às 16h40 – Oficinas de Brinquedos
17h às 18h – Samba Menino
18h30 às 19h30 – La Santa Clave
20h às 20h30 – Performance la Sape
20h30 às 21h – DJ Raphael Moraes

*DJ e Mestre de Cerimônia nos intervalos das atividades e atrações

SHOWS

Sábado, 24/01:

  • 17h às 18h: Fred Chico, o Homem Banda, tocando simultaneamente 6 instrumentos: violão, gaita, cajón, caixa e pandeirola, loop station, além de cantar.
  • 18h30 às 19h30: Trio Sur, dedicado ao candombe uruguaio, que cria pontes vivas entre o repertório uruguaio e expressões da música brasileira.

Domingo, 25/01:

  • 17h às 18h: Samba Menino, projeto cultural e livro infantil de Raphael Moreira que ensina a história do samba para crianças, valorizando a cultura afro-brasileira.
  • 18h30 às 19h30: La Santa Clave, riquezas e semelhanças do repertório musical da América Latina.

SERVIÇO:

FESTIVAL DE INTEGRAÇÃO CULTURAL: festival de gastronomia, moda e artesanato com participação de artistas imigrantes e refugiados. Dias 24 e 25 de janeiro (sábado e domingo), das 12h às 21h, no Mercado de Produtores do Uptown (Av. Ayrton Senna, 5.500 – Rio de Janeiro). Entrada franca. Classificação livre. Valor do estacionamento R$16, período de 12 horas.

Idealização : Uptown e Sagre Agência de Projetos Incentivados

Apoio: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do RJ e Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Prefeitura do Rio de Janeiro

Patrocínio: Araújo Abreu e Prefeitura do Rio

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