Publicamente já fora anunciado um reforço de policiamento e de militares nos últimos dias, perante as dezenas de publicações nas redes sociais que davam como certo um novo desembarque nas praias daquele território espanhol, tal como aconteceu há cerca de duas semanas.
As forças de segurança de Marrocos travaram este sábado uma tentativa de centenas de migrantes, na maioria subsarianos, de entrarem irregularmente na cidade espanhola de Ceuta, indicaram à agência de notícias espanhola EFE fontes securitárias marroquinas.
Segundo as fontes, o incidente aconteceu numa zona montanhosa, nos arredores da cidade fronteiriça de Fnideq (Castillejos, em castelhano), a sudoeste de Ceuta.
Milhares de operacionais integram o dispositivo de segurança que foi montado por Marrocos para impedir a entrada em massa em Ceuta de migrantes que tinha sido convocada para hoje nas redes sociais.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em 24 horas na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, e, à data de 6 de agosto, 70 mil já tinham voltado a Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha. Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Antes de ser conhecida esta tentativa, o comentador de assuntos internacionais da Renascença, Manuel Poêjo Torres, dizia ser pouco provável que um fenómeno da mesma magnitude venha a acontecer.
“A probabilidade de voltar a acontecer na mesma intensidade, na mesma quantidade e frequência é baixa. No entanto, é muito provável que um acontecimento em massa tenha lugar, provavelmente não na mesma dimensão. Ainda assim, este é um fenómeno que não é um fenómeno orgânico, é um fenómeno planeado, é um fenómeno que está a ser estudado. Existem metadados que provam que existia uma rede por detrás desta massa humana”, avança.
Poêjo Torres considera, no entanto, que as medidas por parte do governo espanhol continuam a ser insuficientes:
“Espanha não tem feito, não tem estado à altura das exigências. Não se movem 50 mil almas em direção a Ceuta sem que para isso sejam levantados alertas e indicadores de alarme em relação a essa movimentação de grande escala.Espanha sabia que isto estaria a acontecer nas vésperas dessa mesma invasão e pouco ou nada fez para conseguir deter e proteger, deter essa invasão e proteger os seus territórios.
Poêjo Torres acredita que uma nova entrada de migrantes vai colocar Madrid numa situação complicada dentro da União Europeia e vai avivar a discussão sobre o Espaço Schengen e o controlo de fronteiras.
“Isso vai não apenas dificultar a posição do Governo Socialista em Espanha, mas garantidamente degradar as relações entre Espanha e os seus homólogos na União Europeia, que têm políticas de segurança emigratórias bastante mais apertadas. Itália já tinha prometido que iria suspender os passos Schengen com Espanha até pelo menos dia 15, porque neste momento os circuitos dos serviços de inteligência, todos eles encontram uma alta probabilidade de que um evento semelhante, mas não idêntico, possa ainda acontecer", remata o analista.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
https://rr.pt/noticia
www.miguelimigrante.blogspot.com







