terça-feira, 6 de novembro de 2012

Conare: acordo prevê atuação conjunta para refúgio e prisão de estrangeiros no Brasil


O regime de proteção preconizado pelo governo brasileiro para refugiados e presos estrangeiros no País foi elevado com a assinatura de um Acordo de Cooperação celebrado entre a Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e a Defensoria Pública da União (DPU) nesta quarta-feira (31/10). Com o termo de cooperação, assinado durante reunião do Conare, os três órgãos atuarão em conjunto para tratar matérias de refúgio e de presos estrangeiros em solo brasileiro.
O secretário Nacional de Justiça e presidente do Conare, Paulo Abrão, atesta que a partir da medida nenhum preso estrangeiro ficará sem defesa jurídica e nenhum refugiado sem apoio para o exercício dos seus direitos. “Essa é a mensagem que estamos hoje anunciando. O assento da DPU no Conare qualificará ainda mais as nossas decisões”, afirmou Abrão.
A parceria começará com a capacitação de servidores da DPU para que possam compreender melhor o trabalho desenvolvido pelo Conare, pelo Departamento dos Estrangeiros da SNJ e sobre os direitos dos refugiados. O acordo prevê que os defensores públicos da União passarão a prestar apoio jurídico aos estrangeiros presos para fins de transferência aos países de origem, nos processos de expulsão e para acompanhar as necessidades dos solicitantes de refúgio e refugiados relacionadas a processos, e, inclusive, efetivar as entrevistas com os solicitantes do refúgio.
A DPU está presente nas 27 capitais e em 38 municípios e essa capilaridade possibilitará o auxílio em entrevistas feitas com os solicitantes de refúgio e na proteção dos direitos dos presos estrangeiros. Para Abrão, a expectativa é a de que a análise de processos pendentes de apreciação no Conare será acelerada e qualificada com a elegibilidade sendo procedida pelos defensores públicos. “Existe hoje um passivo de 1.233 solicitações pendentes de entrevistas e de deliberação há mais de um ano junto ao Conare, precisamos superar essa situação”, comentou.
A atuação da DPU no Conare permitirá a indevida judicialização dos casos relacionados ao tema. “Desde 2009, a DPU prioriza a solução extra-judicial de conflitos e com o Conare não será diferente, sendo um órgão administrativo, compete a DPU dirimir essas questões e tentar a todo custo evitar a judicialização”, afirmou o defensor público-geral da União, Haman Tabosa. (áudio abaixo)
Já o Departamento de Estrangeiros da SNJ passará a notificar oficialmente a DPU sobre todos os casos de processos de expulsão e de transferência de presos estrangeiros. A diretora Izaura Miranda avalia que esse é um passo muito importante. “O acordo aperfeiçoa nossa atuação e oficializa um regime de colaboração que até então era informal”, disse.
 Ministério da Justiça

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