quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Para os imigrantes 2010 não foi o melhor ano nos Estados Unidos


Para os imigrantes sem documentos nos Estados Unidos, 2010 não foi o melhor ano; as deportações aumentaram e mais cidades apoiaram as normas locais anti-imigrantes, e até há pouco se debatia no Congresso a proposta que legalizaria a milhares de jovens, que depois de muita pressão acabou não sendo aprovada, e uma reforma migratória integral ficou mais longe ainda de ser realizada.


Uma das leis que marcaram a comunidade imigrante em 2010, segundo ativistas, é a lei estadual do Arizona SB1070, que entrou em vigor no mês de julho, e é a primeira nos Estados Unidos que criminaliza a presença de imigrantes sem documentos.
Ainda que uma juíza federal tenha bloqueado temporariamente as provisões mais controversas da lei, entre elas uma cláusula que permite às autoridades locais questionar o status migratório das pessoas suspeitas de não ter documentos. Organizações em prol dos imigrantes asseguram que esta lei já teve um grande impacto na comunidade, além disso, faz com que fiquem com medo.
“Este ano eu diria que vai ficar na história como um dos anos mais anti-imigrantes, mas também como um ano chave onde a comunidade imigrante se uniu para dizer “basta, somos muitos e não podemos permitir que nos tratem assim e não podemos permitir que esta seja a história desse país”, disse Maria Elena Hincapié, diretora executiva do Centro Nacional de Imigração.
Medo na comunidade
Outro dos motivos que deixam essa comunidade com medo é que os números de deportações seguem crescendo no país, gerando “resultados históricos”, asseguram as autoridades. No ano fiscal de 2010, devido à implementação rigorosa de medidas de imigração e programas para identificar o status migratório, os números de presos subiram em algumas prisões do país.
O Escritório de Vigilância de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) informou que, no total, 392 mil pessoas foram deportadas no ano fiscal de 2010. “Fazer cumprir as leis de uma maneira inteligente e efetiva termina por priorizar a segurança pública e a segurança nacional”, disse Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Interna, quando da divulgação desses números. Ela ressaltou também os esforços que foram feitos para castigar aos empregadores que violam as leis e contratam pessoas sem documentos.
O número geral representa um aumento de mais de 23 mil no total das deportações e 81 mil nas deportações de criminosos. Estas cifras mostram que as deportações aumentaram em 70% no governo do presidente Barack Obama.
O aumento desses números se deve especialmente ao programa de imigração “Comunidades Seguras”, uma medida que agora tem mais de 660 jurisdições em todo o país. Este programa usa informações e serviços biométricos para identificar e deportar criminosos estrangeiros de prisões estatais e cárceres locais. As informações são comparadas com os arquivos da ICE para identificar quem está legal ou ilegal no país.
O sonho que espera ser realidade
Um dos projetos de lei que poderia ter aliviado as más notícias para os imigrantes seria a aprovação do Dream Act, a esperança para que milhares de estudantes sem documentos tivessem seu status legal. Mas há alguns dias o Congresso o bloqueou e agora os jovens terão que esperar muito mais tempo para fazer realizar seus sonhos.
Gaby Pacheco foi uma das jovens que, por muitos meses, buscou incansavelmente a aprovação do Dream Act. Ela assegura que há medo entre muitos que não querem ver uma mudança no país e que o governo não está fazendo o suficiente para alcançar uma reforma migratória.
“Creio que caso estivéssemos fazendo algo, não somente o presidente, as comunidades, os congressistas, os governadores; esse esforço teria que ser de todos e não só de uma pessoa, e não teríamos visto o que vemos agora”, disse Pacheco.
Dream Act
Hincapié segue na luta e assegura que não se renderão: “O poder destes jovens e de todos nós que trabalhamos para o Dream Act é invencível. O próximo ano é um ano crucial por ser um ano antes das eleições presidenciais. Se os republicanos têm alguma intenção de ganhar a Casa Branca em 2012 sabem que precisam fazer algo sobre o tema da imigração”.
Pacheco, que não tem documentos e é de origem equatoriana, assegura que o que faz falta é educar àqueles que não apóiam uma mudança nas leis imigratórias. “Temos que ensinar que não somos diferentes e não estamos aqui para competir, mas para somar e trabalhar junto, para fazer esta nação e este mundo. Estamos aqui todos unidos”, disse.
Mas o futuro dos imigrantes para o próximo ano não parece ser melhor. Há outros estados que querem seguir os mesmos passos que o Arizona.
Robert Menéndez, senador democrata do estado de New Jersey assegura que seguem na luta, mas também é preciso ser realista e que em 2011 as possibilidades podem ser menores. “Estamos em uma situação difícil. Não vou ser desonesto com a comunidade que luta, até agora os direitos civis nesse país avançaram... mas só depois de anos e anos de luta”.

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