sábado, 6 de junho de 2015

Europa perde o brilho para os imigrantes da América Latina


Longe ficaram os dias nos quais centenas de milhares de imigrantes latino-americanos batiam, a cada ano, nas portas da União Europeia (UE) em busca de uma vida melhor. Em 2014, e pelo sexto ano consecutivo, o mapa migratório consolidou o giro de 180 graus que estava acontecendo desde o início da crise econômica em 2008: o fluxo de imigração de cidadãos do Velho Continente que escolhem a América Latina como destino de vida supera a de latino-americanos que emigram para a UE, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) publicado esta sexta-feira, 5 de junho, em Genebra (Suíça) e ao qual EL PAÍS teve acesso. A Espanha, com 181.166 emigrados para a América Latina em 2012, encabeça a lista dos Estados que teve mais cidadãos emigrando em busca de oportunidades nessa região.

Desde o início da crise em 2008, o número de latino-americanos que decidiu se mudar para a Europa começou a diminuir de maneira consistente ao mesmo tempo em que aumentava o número de cidadãos que deixavam o Velho Continente em busca de oportunidades na América Latina, especialmente da Espanha, país em que a saída de cidadãos quase triplicou entre 2007 e 2008 (de 52.160 a 146.202). Mas sempre havia um matiz: o fluxo de imigração da América Latina para a UE continuava sendo maior que no sentido contrário. No período 2009-2010 a corrente mudou completamente. E em 2012 as pessoas que saíram da Espanha para a América Latina foram 181.166 —contra 119.000 que chegaram à UE—, segundo o documento Dinâmicas Migratórias na América Latina e Caribe e na UE.
A princípio eram os “retornados”, segundo o relatório de 231 páginas, mas o chamativo agora é que cresce, cada vez mais, os nascidos nos Estados membros. “Não se pode mais falar só de grandes retornos de migrantes latino-americanos”, pode-se ler no documento. É o que diz Monika Peruffo, responsável da OIM em Bruxelas: “Destaca-se o aumento dos nascidos na UE”. Peruffo acrescentou que, depois de um “intenso” debate entre os autores, tinham decidido não separar os dados e não diferenciar entre latino-americanos que retornaram e europeus que saíram.

Hoje em dia existem mais migrantes da América Latina e do Caribe morando nessa região que nos 28 países da União Europeia

Em 2013 moravam na América Latina 8,5 milhões de imigrantes internacionais (1,1 milhão vinha da UE), meio milhão a mais que em 2010 e dois milhões e meio a mais que em 2000. A maioria emigrava da Espanha, mas a recente tendência que a OIM observou é a “diversificação” de outros países da Europa como França e Alemanha.


Outro fator chamativo para os cinco autores —Jana Garay, Luisa Feline, Mariana Roberta, Ricardo Changala e Rodolfo Córdova, que viajará a Bruxelas no próximo dia 22 de junho para falar sobre o tema— é que o fluxo de imigração de latino-americanos foi “redirecionado”. Quer dizer, já não cruzam o Oceano Atlântico para chegar à UE; agora, no geral, preferem sua própria região, especialmente os países próximos e com os quais dividem fronteira. O país que mais imigrantes inter-regionais recebeu em 2013 foi a Argentina, com 28% do total. “Hoje em dia existem mais migrantes da América Latina e do Caribe morando nessa região que nos 28 países da UE”, afirma o documento.

El Pais

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