segunda-feira, 14 de maio de 2012

Bauru, pátria de muitas mães


Mais do que gente de outras cidades, regiões e estados, Bauru também é terra de imigrantes. Gente que deixou seu país de origem em busca de novas oportunidades e sonhos no Brasil e que, em Bauru, encontrou o seu lugar ao sol, cresceu e constituiu família.
As mães que contam suas histórias, hoje, mostram que as tradições, costumes e crenças podem ser diferentes, mas carinho de mãe é um só, independentemente do tempo e da língua em que o amor é expresso.
Alegres e dançantes, as mães cubanas ensinam mais do que os primeiros passos do andar. Segundo a professora de música Rosa Maria Tolon, elas também ensinam os garotos a dar os seus primeiros passos na dança.
“Hoje Amílcar sabe bailar melhor do que eu, mas é costume as mães ensinarem a dança aos meninos adolescentes. Somos um povo que dança e isso é muito importante para nós. A dança faz parte do nosso cotidiano, independentemente de onde vivamos”.
A mãe de Amílcar Tolon está no Brasil há 12 anos. Trazida de Havana para Bauru pela música, a professora da Universidade do Sagrado Coração (USC) observa algumas diferenças entre o modo de educar do brasileiro e do cubano: “Vejo que as mães brasileiras são mais consentidoras, o que eu percebo ser de certa forma prejudicial na educação dos filhos, já que as crianças, por exemplo, não têm maturidade para decidir o que é melhor ou correto. Acho que as cubanas têm mais controle sobre os filhos”, aponta.
Mãe e filho vivem juntos em Bauru e viajam para Cuba quando aperta a saudade da família, amigos e do mar de Havana.
‘Criação libanesa com toque nacional’
Mãe de três homens, dona Pauline Tobias diz que o segredo para a criação de seus três filhos, Tony, Rogério e Elias, que hoje mora no Canadá, foi adicionar um pouco de “brasileirismo” às tradições libanesas: “Misturei a educação para não dar passos para trás. Passei a cultura de minha família, sim, mas com modernidade”.
Em Bauru desde o casamento, aos 16 anos de idade, a comerciante diz que sentiu muita saudade de seu país de origem e da família: “Entretanto, minha trajetória foi feliz. Sou brasileira e bauruense de coração”, afirma.
A língua árabe foi um dos elementos passados da mãe para filhos: “Meus pais viveram três anos comigo e os meninos tiveram a oportunidade de aprender também o inglês, já que meu pai nasceu nos Estados Unidos. Ele foi do exército americano e, por isso, enterrado com honras militares”, relembra.
Já com quatro netos, a comerciante acredita que ser mãe é ser uma mulher realizada, completa. Ela enfatiza que a união da família é um dos princípios pregados pela cultura árabe e que isso fica bastante evidente nas reuniões e festas, como os casamentos, por exemplo: “No Líbano ou aqui, procuramos ensinar esse costume aos nossos filhos para manter essa chama acesa”, finaliza.  
‘Educação moderna com gostinho de tradição’
A publicitária Andrea Huppert nasceu na Alemanha, veio para o Brasil aos 9 anos de idade e está em Bauru Há 22 anos. Mãe de dois meninos, Adriano e Frederico Vannini, ela diz que na casa deles os costumes se misturam e se mantêm.
Entre as lendas e costumes que aconchegam a família, há o Dia de São Nicolau. “É costume alemão as crianças colocarem sapatinhos na porta e receberem presentes caso tenham sido bem comportadas durante o ano. Em casa ainda fazemos isso. É uma brincadeira que diverte a todos”, conta Andrea.
E no Natal tem bolachinhas alemãs com bacalhau. Isso porque na família dos pais do garoto também corre o sangue português. Outra herança de família passada à publicitária por seus pais e praticada por ela com os filhos é o incentivo à leitura.

“Não sei se o europeu é mais frio, como dizem, mas acho que a gente deixa os filhos voarem com mais liberdade. Entretanto, essa liberdade precisa ser aproveitada. Ficamos de olho nisso. Acredito que até haja conflitos culturais em casa, mas o resultado é bem bacana”, analisa. 
‘Um oceano de saudade’
Há pouco mais de um mês, Ermelinda Xavier Tyongo cruzou o Oceano Atlântico para tentar o mestrado em psicologia do desenvolvimento na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em busca de conhecimento, ela deixou a rotina e os três filhos em Angola.
“Sinto
uma ansiedade tão grande longe deles que eu nem sei dizer. Penso neles a cada minuto, não consigo dormir e estou avaliando se a troca, mesmo que temporária, vale a pena”, reflete.
Ermelinda está vivendo em uma república com cinco homens e outras duas mulheres, todos de Angola e, a maioria, da mesma família. E por falar em família, apesar do pouco tempo que aqui está ela já observa diferenças no relacionamento entre mãe e filho.
“Vejo nas ruas e nos lugares por onde eu passo que os filhos aqui do Brasil recebem muita liberdade, começam a ter relacionamentos amorosos cedo e sem os pais saberem. Em Angola é diferente. Os filhos seguem mais o que os pais mandam. Acompanhamos as crianças e mesmo os maiores mais de perto”, observa.

‘Educação oriental com sotaque brasileiro’
Kioko Mori tem 76 anos de idade e vive no Brasil desde os 18 anos, idade em que saiu do Japão para se aventurar no Brasil com a família, isso em 1954, por vontade do pai que queria trabalhar com o bicho da seda. Hoje, ela tem três filhos e observa que o relacionamento entre mãe e filhos se transformou com as muitas mudanças que o mundo passou.
“Na minha época de menina, por exemplo, a educação no Japão era bastante rígida. Hoje já não sei. Tudo mudou no mundo e acho que isso independe do país”, acredita.
E quando o assunto é educação ela defende que, vivendo em outro país, é preciso haver uma certa flexibilidade. Ensinar as tradições, mas não ignorar a cultura local.
“Em casa nós conversamos em japonês, mas muitas vezes os filhos respondem em português. Não adianta você querer ser rígida demais. O que não pode mudar jamais é o carinho e o amor entre a mãe e os filhos”, prioriza.
‘Lar com ar grego’
Dionícia Theodorakopoulos nasceu no Brasil quando o pai veio da Grécia para mascatear pelo Interior de Minas Gerais. Ainda bem criança, ela se mudou com a família para a Grécia onde viveu e estudou até completar os 18 anos de idade.

Mãe de Youri e de Vicky, que atualmente vive em São Paulo, a empresária e mãe diz fazer questão de manter as tradições gregas em casa, desde a decoração do lar, até na saudável dieta mediterrânea que faz questão de seguir.

“Na Grécia, até os nomes são escolhidos de acordo com a tradição. Normalmente são nomes de santos e, depois, a pessoa comemora o dia daquele santo por causa do nome que tem. Meu filho, por exemplo, comemora o Dia de São Jorge e São Salvador”, conta.

Dionícia também fez questão de manter a tradição de família na criação dos filhos. Ortodoxa, ela passou a religião para os herdeiros e, juntos, comemoram a Páscoa e o Natal gregos: “Meus filhos fizeram questão de conhecer a Grécia e os lugares onde vivi por lá. E para manter a tradição, meu segundo marido também é grego”, diz com bom humor.

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