segunda-feira, 10 de março de 2014

Estrangeiros convencem por atendimento na Sé

Dois agentes comunitários da UBS Sé têm mais do que um sotaque diferente. Eles são naturais do Congo, na África, e têm a tarefa de convencer os estrangeiros que chegam na Casa do Migrante, no Glicério, na região central, a utilizar o sistema público de saúde. Para cumprir a missão, a dupla venceu a barreira da língua e domina sete idiomas: quatro línguas e dialetos do Congo, mais o francês, o inglês e o português. 

“Os imigrantes que chegam em São Paulo são muito reservados. Para criar um vínculo com eles é necessária muita persistência e eles têm de sentir confiança em nós. Por isso dominar a língua é essencial”, afirmou Caddy Daikanua Batufunda, um dos agentes de saúde.

O caso mais complicado dos dois foi o de convencer um africano com Aids, recém-chegado ao Brasil, a buscar tratamento médico. Durante seis semanas, Kanga Moke Jean foi diariamente à Casa do Migrante na tentativa de levar o homem ao médico. “Ele tinha dois medos: o de que outras pessoas descobrissem (a doença) e a de ter de pagar pelo tratamento”, disse o agente de saúde, que comemora o feito de ter convencido o africano a buscar ajuda. “Já faz seis meses que ele está se tratando. Ele já até saiu da Casa do Migrante, alugou uma casa e está trabalhando.”

Sem pagar/ Acostumados com o sistema de saúde no qual precisam pagar por qualquer tipo de serviço, os imigrantes desconfiam das ofertas nas quais não têm de desembolsar nenhuma quantia. “Lá fora uma pessoa só passa no médico se chegar com o dinheiro no bolso. Não que aqui seja de graça, porque as pessoas pagam em impostos, mas eles usam o serviço sem pagar na hora”, comentou Caddy, que mencionou o caso de uma grávida atendida na semana passada. 

“Ela não tinha feito o pré-natal e, como estava sentindo dores, permitiu que eu a ajudasse. No fim ela me perguntou quanto teria de pagar. Eu disse que não teria de pagar nada e ela não acreditava”, contou, satisfeito.

Casa do Migrante é o ponto de chegada de uma viagem longa

A Casa do Migrante, mantida pelos padres da Igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério, Centro, é destino certo de imigrantes de diversas nacionalidades que chegam ao país em busca de melhores condições de vida.  Os haitianos que entram no Brasil através do Acre e do Amazonas são maioria na casa, que também tem número significativo de africanos e de bolivianos.

Uma equipe de 13 funcionários e dez voluntários são os responsáveis pelo atendimento das cem pessoas que o local tem capacidade para atender. Na casa, os estrangeiros têm alimentação, alojamento, vestuário e acesso aos serviços básicos de saúde. Também há uma força tarefa para auxiliar os imigrantes a encontrar uma colocação profissional durante os três meses que podem ficar instalados ali.

Línguas dos agentes comunitários

Quatro línguas do Congo (ishiluba, alur, jokot, jonam)

Inglês

Francês

Português



Diario São Paulo

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