sexta-feira, 13 de março de 2015

Conflito na Síria entrando no quinto ano, pioram as condições de vida dos refugiados do país

O conflito na Síria está entrando em seu quinto ano e as condições de vida deterioram-se em uma escala alarmante, para os milhões de refugiados sírios em países vizinhos, assim como para os deslocados internamente no país. Segundo informou hoje a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estas pessoas estão sujeitas a um futuro incerto, até mesmo sem apoio internacional suficiente.
Sem uma solução política para o conflito em vista, a maior parte dos 3,9 milhões de refugiados sírios na Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito não têm perspectiva de voltar para casa em um futuro próximo, e têm poucas oportunidades de recomeçar suas vidas fora de seu país. No Líbano, cerca de metade dos refugiados sírios vivem em moradias inapropriadas, sem qualquer segurança – 30% a mais que no ano passado-, o que demonstra o desafio constante de mantê-los seguros e aquecidos. Uma pesquisa com 40 mil famílias sírias que vivem em áreas urbanas da Jordânia revelou que dois terços deles estavam vivendo abaixo da linha da pobreza.
O Alto Comissário para Refugiados, António Guterres, reiterou que muito ainda precisa ser feito para retirar os sírios do pesadelo em que vivem. "Após cinco anos, as economias dos refugiados já se esgotaram e um número crescente está recorrendo à mendicância, à prostituição e ao trabalho infantil. Famílias de classe média com crianças mal sobrevivem nas ruas: um pai disse que a vida como refugiado era como estar preso em areia movediça – quanto mais você se mexe, mais você afunda", afirmou Guterres.
"A pior crise humanitária da nossa era deveria gerar um clamor global por apoio. Ao invés disso, a ajuda está diminuindo. Com os apelos humanitários sistematicamente subfinanciados, não há  ajuda suficiente para atender as enormes necessidades -  nem apoio suficiente ao desenvolvimento dos países de acolhida de refugiados, que estão sucumbindo com o crescente número de pessoas", acrescentou Guterres. Segundo ele, com o massivo fluxo de refugiados sírios durante os últimos quatro anos, a Turquia tornou-se o país com o maior número de refugiados da crise síria, investindo mais de 6 bilhões de dólares em assistência direta a eles.
No entanto, diante dos crescentes problemas de segurança e da ajuda internacional insuficiente, nos últimos meses vários países vizinhos à Síria vêm adotando medidas para diminuir o fluxo de refugiados. Elas vão desde controles de fronteira a requisitos mais onerosos e complexos para estender a permanência dos refugiados.
Mais e mais sírios estão perdendo a esperança. Milhares entregaram suas economias a atravessadores na tentativa de chegar a Europa por meio de arriscadas rotas terrestres ou marítimas. Muitos não conseguiram chegar ao final da travessia. Os que conseguiram enfrentam grande hostilidade, deparando-se com questões de segurança em um clima de pânico cada vez mais intenso.
"Os refugiados pagam o preço por inúmeros problemas, como o terrorismo e a crise econômica, e são percebidos como ameaças ao estilo de vida das comunidades de acolhida". Mas precisamos nos lembrar que a ameaça não vem dos refugiados, mas sim que eles foram as primeiras vítimas dela”, disse Guterres.

Dentro da Síria, a situação está se deteriorando rapidamente. Mais de 12 milhões de pessoas precisam de ajuda para sobreviver. Quase 8 milhões foram deslocadas de suas casas, tendo que compartilhar quartos lotados com outras famílias ou se abrigando em prédios abandonados. Estima-se que 4,8 milhões de sírios dentro do país encontram-se em lugares de difícil acesso, incluindo 212 mil presos em áreas sitiadas.
Milhões de crianças estão traumatizadas e com problemas de saúde. Um quarto das escolas sírias está danificado, elas foram destruídas ou transformadas em abrigos. Mais de metade dos hospitais sírios está destruída.
Mais de 2,4 milhões de crianças na Síria não estão na escola. Entre os refugiados, aproximadamente metade de todas as crianças não estão recebendo educação no país de refúgio. No Líbano, há mais refugiados em idade escolar do que escolas públicas, e somente 20% das crianças sírias estão matriculadas. Números similares podem ser vistos entre os refugiados que vivem fora dos campos na Turquia e na Jordânia.
"Temos somente uma pequena oportunidade de intervir no futuro desta geração potencialmente perdida. Abandonar os refugiados à própria sorte só os expõem a mais sofrimento, exploração e abusos", disse Guterres.
Hoje há mais sírios recebendo assistência do ACNUR do que qualquer outra nacionalidade. Ainda assim, até o final do ano passado, somente 54% dos recursos necessários para socorrer os refugiados tinham sido arrecadados. Dentro da Síria, organizações humanitárias receberam ainda menos.
Em dezembro, as Nações Unidas lançaram a maior campanha de arrecadação de fundos: US$ 8,4 bilhões. Se todo o valor fosse arrecadado, ele cobriria necessidades básicas dos refugiados, e também ajudaria as comunidades de acolhida a reforçar sua infraestrutura e saneamento básico. O ACNUR espera que compromissos significativos sejam firmados durante a conferência do Kuwait, em 31 de março.

"Abandonar os países de acolhida na tarefa de lidar com esta crise pode resultar em uma grave desestabilização regional, aumentando a possibilidade de surgirem problemas de segurança em outros lugares no mundo", disse o Alto Comissário, António Guterres.

Acnur

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