Reunidos na 17ª Assembleia Nacional, em Mairiporã-SP, com o tema “Formação, Incidência e Articulação: 30 anos a caminho com os migrantes”, nós, lideranças e agentes do SPM, vimos através desta nos manifestar diante das injustiças que os povos indígenas têm sido vítimas. Os povos Indígenas necessitam ser tratados na perspectiva dos direitos humanos, como o direito a ter direitos, trabalho decente, expressão de valores culturais, religiosos, moradia, bens fundamentais à vida, como a água e alimentos, e para isso precisam de suas terras
Podemos
nos calar diante da violência, exploração e da exclusão dos povos indígenas em
nome do lucro? “Adão, onde você está”? (Gn. 3,9) “Caim, onde está seu
irmão”? (Gn. 4,9). São perguntas que
mexem com a consciência, com a indiferença.
O Papa
Francisco nos lembra - em sua Carta Encíclica Laudato Si – sobre o
cuidado da Casa
Comum – que há uma relação íntima entre a vida dos pobres e a fragilidade do
planeta. “É trágico o aumento da violação da Casa Comum, que sempre vive
sendo destroçada.
No Mato
Grosso do Sul, que tem a segunda maior população indígena do Brasil, cerca de
77 mil pessoas, e é palco das maiores e mais graves violações de Direitos
Humanos do Brasil e do mundo: casos de tortura, estupros, espancamentos,
ataques armados e assassinatos, praticados por milícias de jagunços e
organizações paramilitares, contratadas por fazendeiros, além dos altos índices
de desnutrição e suicídios. Está em curso um verdadeiro genocídio*,
especialmente do povo Guarani-Kaiowá.
- Nos
últimos 12 anos, os dados comprovam que as estatísticas são: um homicídio a
cada 12 dias e um suicídio a cada 7 dias. Essa violência sistemática Contra os
Povos Indígenas no Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário
(CIMI), registrou 138 casos de assassinatos e 135 casos de suicídios no país,
sendo que destes 41 assassinatos e 48 suicídios aconteceram no Mato Grosso do
Sul. Os dados também revelam um severo aumento das mortes por desassistência à
saúde, mortalidade na infância, invasões possessórias, exploração ilegal de
recursos naturais, omissão e morosidade na regularização das terras indígenas.
A violência contra os povos indígenas e o genocídio em curso está vinculada a
três fatores que se relacionam:
1. A
violação dos direitos individuais e coletivos está intrinsecamente ligada ao
processo histórico de colonização e ocupação do Mato Grosso do Sul e ao modelo
econômico que foi escolhido pelo Estado brasileiro, o qual foi implantado à
base da violência, do confinamento dos povos originários e do desrespeito aos
seus direitos fundamentais. Sem cumprir as determinações constitucionais e
tratados internacionais dos quais é signatário, mantendo-se omisso na
demarcação e homologação das terras indígenas. O governo brasileiro se tornou o
principal responsável por esta realidade de violência.
2.
A atuação institucional e organizada dos
ruralistas que, por meio das suas instituições classe, tem estimulado o
enfrentamento aos povos indígenas. 3. A impunidade é outro elemento central na
perpetuação da violência e do genocídio. Executores de homicídios, de ataques,
de casos de tortura, estupro e espancamentos, bem como os seus mandantes, raramente
são identificados e, sequer, vão para os bancos dos réus, prevalecendo à
impunidade.
Diante disso, o SPM, ao
celebrar os seus 30 anos de caminhada, confirma e reforça suas convicções de
defensor dos direitos fundamentais da pessoas humana, e os povos indígenas,
estão com seus direitos roubados, por aqueles que deveriam salvaguardar suas vidas
O SPM apoia todas as iniciativas, organizações, associações e
instituições da Sociedade Civil em favor da vida dos indígenas, migrantes,
refugiados em suas próprias terras; também nos somamos às outras pastorais
sociais e movimentos populares na luta contra a PEC 215 que submete a
demarcação de territórios indígenas à tutela de um Congresso conservador e
reacionário. Através de parcerias responsáveis somos mais fortes e podemos
combater essa violências.
Para os povos indígenas ” a
natureza é sagrada, é o local de morada dos seus Espíritos. Feri-la é
comprometer as vidas de to dos os seres viventes. Enquanto tiverem água, terra e mata todos existiram e
viveram no Bem Viver. Para isso, tem que se vivenciar práticas que garantam a terra livre,
as águas vivas e as matas protegidas. A religiosidade é a fonte de força e sabedoria.
SERVIÇO PASTORAL DOS
MIGRANTES

Nenhum comentário:
Postar um comentário