sábado, 23 de janeiro de 2016

ACNUR une-se ao apelo para pôr fim ao sofrimento na Síria

Mais de 100 Agências das Nações Unidas e outras organizações humanitárias se reuniram hoje para emitir um forte apelo conjunto e pedir às pessoas em todo o mundo que levantem suas vozes e reivindiquem o fim da crise na Síria e do sofrimento de milhões de civis.

O Alto Comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, uniu sua voz à campanha. Também participam os chefes do UNICEF, OCHA, PMA, OIM, Conselho Norueguês para refugiados e outros.

O apelo descreve uma série de medidas práticas e imediatas que devem melhorar o acesso humanitário e o fornecimento de ajuda a quem necessita na Síria, onde a guerra brutal se aproxima do seu sexto ano.

O apelo tem como objetivo permitir o acesso sem obstáculos e contínuo para que todas aquelas organizações humanitárias levem ajuda imediata a todas as pessoas necessitadas na região.

Também solicita pausas humanitárias e o cessar-fogo incondicional e supervisionado para possibilitar que alimentos e outros tipos de assistências emergenciais sejam entregues à população civil, a realização de campanhas de saúde e vacinação, e que as crianças possam voltar a estudar.

O apelo reivindica ainda o cessar dos ataques contra a infraestrutura civil, para que as escolas, hospitais e os centros de abastecimento de água mantenham-se protegidos.

Além disso, pedem a livre circulação de todos os civis e a suspenção imediata de todo e qualquer tipo de assédio realizado pelas partes envolvidas nos conflitos.

As pessoas podem demonstrar seu apoio por meio das redes sociais compartilhando, re-twittando ou curtindo os posts da campanha. Lembramos que todas as organizações participantes estão promovendo o apelo em suas redes sociais oficiais.



Por: ACNUR

Uma esperança a ser vivida

Migrantes lançados ao mar, represálias na cidade alemã de Colônia contra os estrangeiros, o pesadelo da xenofobia que renasce. A crônica das últimas semanas na Europa e no Mar Mediterrâneo nos interpela e sob o convite do Papa Francisco somos chamados a vencer o grande medo da atualidade e responder aos desafios com o Evangelho da Misericórdia.
No último domingo, 17 de janeiro, celebramos o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado e, por ocasião do Ano da Misericórdia, o Jubileu dos Migrantes. Talvez esse dia tenha passado despercebido ou pouco aprofundado na sua real importância. Mas o Papa Francisco, que segue de perto a sorte de nossos irmãos deserdados já no último 12 de setembro havia divulgado uma mensagem com o tema “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia”.

A mensagem de Francisco toca o coração e captura a atenção evidenciando a realidade de um exercito de pessoas, migrantes e refugiados, disperso por todo o mundo. Trata-se de uma realidade que diz respeito a 60 milhões de pessoas: são pessoas refugiadas ou forçadas a migrar, seja dentro, seja fora de seu país ou ainda pessoas que escolhem, por várias razões, de se deslocarem de um país para outro.

O Papa nos faz ver que essa realidade não é uma realidade do passado, ou somente de algumas regiões do mundo, mas faz parte do nosso mundo atual, ao nosso redor. Não podemos ser cidadãos deste mundo, desta terra sem fazer as contas com o fato de que milhões de pessoas estão em movimento contra a sua vontade.

Como responder a tudo isso? Francisco dá uma resposta forte: somo todos irmãos e irmãs. Qualquer um que queira dizer “eu sou eu, eu e a minha família estamos aqui e vocês são migrantes e refugiados”, erra. O Santo Padre nos diz que somos todos uma família, somos todos filhos de Deus. Neste Ano da Misericórdia devemos colocar isso em prática.
Creio que este sentimento colocou em movimento no último domingo uma iniciativa italiana; mais de 27 mil paróquias se uniram com Roma para participar pessoal ou idealmente de uma manifestação na Praça São Pedro, antes e após a oração do Angelus, com mais de 5 mil pessoas entre migrantes e refugiados.

E na sua alocução Francisco saudou os presentes, recordando que cada um traz consigo uma história, uma cultura, valores preciosos, e frequentemente infelizmente também experiências de miséria, de opressão, de medo. “A presença de vocês aqui na Praça – disse - é sinal de esperança em Deus. Não deixem que roubem de vocês a esperança e a alegria de viver, que brotam da esperança da Divina Misericórdia, também graças as pessoas que acolhem vocês e os ajudam.

O Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, junto com o Jubileu foi e continua sendo uma ocasião propícia neste Ano Santo da Misericórdia, para encorajar a sensibilização sobre o fenômeno migratório e dar sinais concretos de solidariedade e atenção a tantas pessoas que vivem pelas estradas deste mundo.

Já no último dia 11 de janeiro recebendo os embaixadores acreditados junto à Santa Sé, Francisco citou de modo especial no seu discurso, os migrantes. O Papa comentou as razões que levam à fuga de milhões de pessoas: conflitos, perseguições, miséria extrema e alterações climáticas. Razões estas que são resultado da “cultura do descarte” e da “arrogância dos poderosos”, sacrificando homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo.

O tema dos migrantes e dos refugiados nos interpela. As dramáticas imagens de homens, mulheres e crianças mortas no mar testemunham “os horrores que sempre acompanham guerras e violências” e a incapacidade do homem de defender e tutelar o próprio homem.

A Igreja, como discípula de Jesus, é chamada a anunciar a liberdade aos prisioneiros das novas escravidões da sociedade moderna. Francisco deseja relacionar, de modo explícito, o fenômeno da migração com a resposta dada pelo mundo e, em particular, pela Igreja. O Papa convida o povo cristão a refletir durante este Jubileu sobre obras de misericórdia corporais e espirituais; entre elas se encontra a de “acolher os estrangeiros”. Um desafio lançado, uma esperança a ser vivida. 

(Silvonei José)

Radio Vaticano

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Forum Social Mundial das Migraçoes 2016




Ontem a tarde tivemos a reunião da Comissão de Mídias no sindicato dos jornalistas em preparação ao VII Fórum Social Mundial das Migrações  que terá lugar na Cidade de São Paulo entre os dias 07 e 10 de julho deste ano no Centro Esportivo Regatas do Tietê e Faculdade Zumbi dos Palmares. Além desta também temos as comissões de Mobilização, Documentação, Programação que já se reuniram e ainda a Comissão de Cultura que se reunirá no próximo dia 26 as 18hs Edifício Martinelli.


 O  forum  deve mostrar os avanços nas políticas migratórias do país e das nações, permitindo que os migrantes discutam as problemáticas que os afetam e procurem soluções com base na solidariedade. Imigrantes, refugiados e apátridas poderão reivindicar suas lutas e relatar abusos de direitos humanos

As outras edições aconteceram em: Madri, Espanha, (2006 e 2008 ); Quito, Equador (2010); Manila, Filipinas (2012) e Joanesburgo, África do Sul (2014). A edição sul-africana do WSFM, O Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM) é um dos processos temáticos decorrentes do Fórum Social Mundial (FSM). O FSM ocorreu, pela primeira vez, em Porto Alegre no ano de 2001, por iniciativa dos movimentos sociais, organizações não governamentais, sociedade civil, pastorais sociais e ativistas em defesa da vida. A partir da carta de princípios do FSM, os grupos ligados às migrações que integram a conferência passaram a organizar, de 2005 em diante, um fórum voltado especialmente para migrações.


Crise de refugiados concentra debate no Fórum Econômico Mundial

O tema do Fórum Econômico Mundial deste ano é a 4ª Revolução Industrial, como a Era dos rôbos inteligentes e da internet vai impactar a economia, mas as atenções em Davos, na Suiça, está mais voltada para questões políticas, mais urgentes, em especial a crise de refugiados.

Só nas três primeiras semanas do ano mais de 30 mil pessoas chegaram na Costa da Grécia, segundo a Organização Internacional para a Migração, fluxo 21 vezes maior do que em todo o mês de janeiro do ano passado.

O primeiro-ministro holandês, Mark Hutte, destacou essa diferença no painel do fórum sobre o futuro da Europa. E disse que nas próximas seis a oito semanas é preciso encontrar uma solução para conter esse fluxo.

Seguindo o anúncio feito na última quarta-feira (13) de que a Áustria aceitará apenas um certo número de refugiados este ano, o ministro das Relações Exteriores, Sebastian Kurz, disse estar convencido de que medidas isoladas podem pressionar a União Europeia a, finalmente, chegar a uma solução conjunta.


E no mundo ameaçado pelas mudanças climáticas, o desafio pode ser ainda maior. O alerta foi trazido no fórum pelo ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, que mediou o acordo do clima no ano passado.
EBC

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

La migración. Reciclaje de culturas

No cabe duda que el siglo XXI está revolucionando en muchos aspectos y uno de ellos tiene que ver con la migración mundial, lo que seguramente sus consecuencias se apreciarán en mayor medida en unas decenas más de años.
El fenómeno se ha vuelto imparable, tanto por causas que podríamos llamar “naturales” como el hecho de buscar nuevas formas de vida, estudios o trabajo; como por las forzadas principalmente por las guerras, el terrorismo, la violencia generalizada, las hambrunas y la preservación de la vida. Y de ello estamos hablando de millones de desplazados, como se observa en África y en Medio Oriente, que buscan llegar principalmente a Europa en calidad de refugiados, lo que se interpretaría, en teoría, que esos hombres y mujeres algún día regresarían a su lugar de origen.
No obstante, este fenómeno migratorio con todo y su importancia no excede ni por poco, el número de migrantes de otras zonas que abiertamente sí se establecen de manera permanente, donde la mayoría de las veces se quedan a vivir.
En este último caso, las migraciones comienzan a influir en el modo de vida cotidiano y a buscar insertarse, por lo regular, en el medio que los acoge y en sentido contrario también, ya que las migraciones, al trasladar su cultura y sus costumbres, influyen con ello en el país de destino.
La migración mundial ya es imparable por más que los gobiernos de los migrantes de procedencia y algunas circunstancias locales traten de evitarlo. Sin embargo, habrá que tener en cuenta que las condiciones varían constantemente, por lo que algunos suben y otros bajan sus cifras, lo que a la vez tiene diferentes interpretaciones, como el caso de México.
El informe “Tendencias sobre la migración internacional, revisión 2015” de la Organización de Naciones Unidas (ONU) revela que México ha dejado de ser el principal país proveedor de migrantes, con 12 millones 339 mil 62 personas que viven en el extranjero, cuando en 2013 la cifra era de un millón más.
India tiene ya 16 millones de nacionales en el exterior, seguido por México, Rusia, China, Bangladesh, Paquistán y Ucrania.
Cabe aclarar que dicho estudio abarca a todas las personas que salen de sus respectivos países para radicar en otro, independientemente de las causas, aunque la mayoría de las veces, como el ejemplo de México, es por motivos de trabajo y cuyo destino es principalmente Estados Unidos, seguido de Canadá, España y con la sorpresa que Guatemala se coloca en el cuarto sitio de preferencia -lo que habría que estudiar el ¿por qué?- aunque sigue aumentando hacia Alemania, Francia y Reino Unido.
Si es por motivos económicos, México debe estar satisfecho que su población se quede en el territorio, si ve mejores oportunidades de trabajo y en general de calidad de vida. O que ya no perciben tantas ventajas de ir sobre todo al país del norte.
Lo que hay que tener en cuenta, es que la migración ha existido a lo largo de toda la historia de la humanidad, es imparable y está transformando el mundo.

Rosamaría Villarello Reza


 Sol de Mexico

Refugiados vão fazer crescer a economia europeia

Nos anos mais próximos, a vaga de migrantes levará a um "ligeiro aumento do crescimento do PIB, em resultado das despesas do Estado para apoiar os refugiados, bem como da maior oferta de mão-de-obra no mercado de trabalho".
O FMI admite, no entanto, que o crescimento da riqueza produzida nos países europeus devido aos refugiados é "modesto", rondando os 0,05% em 2015, 0,09% em 2016 e 0,13% em 2017. O ganho será maior nos países que mais abriram as fronteiras: +0,5% do PIB em 2017 na Áustria; +0,4% na Suécia e +0,3% na Alemanha.
Depois de 2017 as contas são mais difíceis e segundo o FMI o impacto dos refugiados na Economia vai depender da forma como estes são integrados. Se tudo correr bem, em 2020 o ganho no PIB pode chegar aos 0,25%.
Os técnicos sublinham que os Estados europeus devem acelerar a integração destes estrangeiros no mercado de trabalho pois só assim conseguirão desbloquear os potenciais efeitos económicos positivos.
O FMI acrescenta que os refugiados podem aliviar os problemas demográficos da Europa que tem poucas crianças e muitos idosos, mas sublinha que não vão resolver todos esses problemas.
Na única vez que falam sobre Portugal (mas também da Grécia, Itália e Espanha), os técnicos do FMI sublinham aliás que quem procura asilo na Europa está a dirigir-se para países com baixas taxas de desemprego e não para onde o problema do envelhecimento é mais severo.

 Global Media

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

CNBB e Cáritas lançam ação em solidariedade aos refugiados


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, em consonância com o Ano Santo da Misericórdia, lançado pelo Papa Francisco, estão promovendo uma campanha de solidariedade em prol dos migrantes, refugiados e refugiadas, como gesto concreto da abertura do ano.
Em todo o planeta, 60 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, migrando para outros países. Há atualmente uma crescente discriminação e criminalização das pessoas que se encontram na condição de migrantes e refugiadas, o que as torna ainda mais vulneráveis em termos socioeconômicos e mais sujeitas à violência.
Os recursos arrecadados com a campanha serão destinados a ações de sensibilização da sociedade quanto à importância da acolhida, solidariedade e ajuda humanitária a essas pessoas; de fortalecimento das iniciativas já existentes; de apoio à criação de novos centros de acolhida, atendimento e promoção dos direitos humanos; à criação de uma rede católica destinada a formar, integrar e fomentar o acolhimento, a proteção legal e a integração local de migrantes e refugiados/as em todo o Brasil; e de apoio a iniciativas correlatas desenvolvidas em outros países, por meio da Caritas Internacional.
A coleta de solidariedade será feita por meio das contas informadas abaixo, a cargo da Cáritas Brasileira e em favor dos migrantes e refugiados/as. Outras informações podem ser obtidas aqui. Estão todos e todas convidados/as a abrir seus corações para a solidariedade e a formar uma corrente de oração por estas pessoas.
Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta Corrente: 3735-5
Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta corrente: 32.792-1
Fonte: Assessoria Nacional de Comunicação


Imigrantes enfrentam frio e temperaturas severas rumo à Europa

O frio do inverno e a neve ameaçam a saúde dos filhos dos refugiados dos conflitos no Oriente Médio que cruzam os Bálcãs. Desde o início do ano, passa de 31 mil o número de chegadas às ilhas gregas. A organização Save the Children e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) advertiram nesta terça (19) para os riscos do frio para a saúde das crianças. "A situação é absolutamente desesperadora", declarou à Agência France-Press (AFP) por telefone a porta-voz de Save the Children, Valentina Bollenback, da fronteira entre Sérvia e Macedônia, região atualmente coberta de neve.
"Existe um risco crescente de hipotermia, pneumonia e de outras doenças", advertiu, relatando que viu crianças tremendo de frio, com os lábios já arroxeados. Depois de chegarem à fronteira com a Sérvia, os refugiados caminham quase dois quilômetros de distância sobre a neve que se acumula cada vez mais, até atingirem o primeiro posto de controle sérvio em Miratovac. Bollenback disse que as autoridades sérvias intensificaram seus esforços diante do frio, mas insistiu em que é preciso responder ao problema de maneira "digna para o ser humano".
O Unicef constatou que os filhos de refugiados chegam "fisicamente extenuados, aterrorizados e, às vezes, com necessidade de assistência médica". "As temperaturas registradas recentemente abaixo de zero ameaçam a saúde dos menores que não têm roupa, nem comida adequada", completou a Unicef. "A ausência de calefação em alguns centros de acolhida e também em alguns meios de transporte agrava a situação", completou.
Mais de um milhão de migrantes e refugiados, dos quais quase metade é síria, chegaram à Europa em 2015, de acordo com números do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). Segundo cálculos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 31 mil chegadas foram registradas nas ilhas gregas desde o início do ano, ou seja, 21 vezes mais do que em janeiro de 2015. Pelo menos 77 pessoas morreram nesses percursos entre 1º e 18 de janeiro. Se as chegadas continuarem nesse ritmo, poderão "superar, com folga, o recorde de 853.650 pessoas alcançado em 2015", indicou a OIM.
Cerca de 90% dos migrantes pertencem aos grupos autorizados pelos países dos Bálcãs a continuar sua rota para a Europa do norte - ou seja, sírios, iraquianos e afegãos. A Áustria planeja não deixar mais entrar em seu território quem pretende seguir para os países escandinavos, a exemplo da Alemanha. A medida pode provocar um congestionamento na Eslovênia, Croácia, Sérvia e Macedônia, onde, por efeito dominó, o controle na fronteira será mais rígido.
A organização Médicos sem Fronteiras pediu à União Europeia (UE) que crie "lugares de passagem seguros" para os demandantes de asilo a caminho da Europa. A ONG denunciou o "fracasso catastrófico" do bloco na gestão da crise migratória.
SWI swissinfo.ch

Justiça dos EUA reavaliará decreto sobre imigrantes

A Suprema Corte dos Estados Unidos concordou ontem em rever o plano do presidente Barack Obama para impedir a deportação de 4 milhões de imigrantes ilegais, colocado em prática em 2014 através de um decreto. A medida beneficia pais de crianças nascidas nos Estados Unidos ou quem tem visto de residência.
Obama usou o decreto para mudar a lei sem ter que recorrer ao Congresso, que se recusa a votar uma reforma migratória. Na sexta-feira, erguendo cartazes e com gritos de protesto, cerca de 50 imigrantes e apoiadores da medida foram até o prédio da Suprema Corte demonstrar sua indignação com a possibilidade de ela ser anulada.
O tribunal máximo decidiu acolher o recurso de 26 estados governados por republicanos, opositores do presidente, que o acusam de ignorar os procedimentos para a mudança da lei e abusar do poder de seu cargo. A apelação foi feita pelo secretário de Justiça do Texas, Ken Paxton.
Nos estados que tentam derrubar nacionalmente a medida de Obama, a Justiça local já havia anulado a aplicação do decreto. Agora, a Suprema Corte deverá avaliar o caso a partir de abril e decidir se derruba ou mantém o decreto em junho. Quando a ação foi apresentada à Justiça, a Casa Branca afirmou que os estados não têm poder legal para fazer uma ação sobre o tema, pois é o governo federal que deve definir a política migratória.
Na argumentação do governo à Suprema Corte, o advogado-geral da União, Donald Verrilli, acusou as Cortes estaduais de violarem a lei federal e os limites de atuação dos Judiciários locais. "O tribunal forçará milhões de pessoas, que não estão na prioridade de deportação e são pais de cidadãos norte-americanos, a continuar a trabalhar informalmente, sem opção de um emprego dentro da lei para prover suas famílias", alegou.
 Não é a primeira vez que uma medida de Obama vai parar na Suprema Corte. No ano passado, o tribunal ratificou a constitucionalidade da lei de reforma da saúde, combatida pelos republicanos.
Pelo programa, os imigrantes ilegais que estiverem na categoria poderão conseguir vistos de trabalho se estiverem nos Estados Unidos por mais de cinco anos e não tiverem cometido um crime com pena maior de um ano de prisão. No lançamento, o governo disse que a medida é uma forma de priorizar que tipo de imigrante ilegal deveria deixar o país, visto que o Congresso só liberou recursos para deportar 400 mil dos 11 milhões de estrangeiros indocumentados. 
Se a Suprema Corte der ganho de causa à Casa Branca, o governo terá pouco tempo para aprovar vistos de trabalho aos beneficiados antes que Obama deixe a presidência, em janeiro de 2017. A maior parte dos pré-candidatos republicanos defende derrubar o programa e reforçar a lei de imigração.


 Jornal do Comercio

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A chaga da desigualdade

Foto: Edu Oliveira / Arte ZH
As migrações que comovem e assombram o mundo estarão ao lado de outro tema recorrente no Fórum Econômico Mundial que se realiza de amanhã até sábado na Suíça. É a questão das desigualdades sociais, ampliadas nas últimas décadas pelas distorções de renda em todo o mundo, mas não só pelos dramas de países em conflito. Também em nações em paz, em todos os continentes, a grande maioria da população vem ficando mais pobre, enquanto a ponta da pirâmide fica mais rica. No ano passado, no mesmo Fórum, a ONG britânica Oxfam previu, com base em levantamento anual sobre riqueza do banco Credit Suisse, que em pouco tempo a parcela de 1% dos mais ricos da população mundial passaria a ter mais que os 99% restantes. No Fórum deste ano, a Oxfam mostrará que a previsão já se confirmou em 2015.
O debate sobre o assunto não é ideológico e está muito acima da discussão de modelos e sistemas econômicos. Como adverte o Nobel de Economia Paul Krugman, a pergunta sobre o que leva o mundo a concentrar tanta renda e a ampliar tanta miséria não é uma interrogação fútil. No caso brasileiro, que confirma essa tendência, os números sobre desigualdades estão em outro estudo realizado por economistas da Tendências Consultoria Integrada. Os dados demonstram que a desigualdade no Brasil, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), é pior do que se pensa.
A análise denuncia que as diferenças de renda no Brasil são mais graves do que as mostradas na pesquisa oficial, porque se baseia também em informações do Imposto de Renda. Enquanto a Pnad indica um percentual de 16,7% da renda nas mãos da chamada classe A brasileira, o estudo da Tendências mostra um percentual de 37,4%. Não é razoável que o crescimento dessas diferenças seja observado à distância, sem provocar reações e debates. Tanto que o Fórum Econômico irá se debruçar sobre um assunto que exige bem mais do que intervenções pontuais, como os programas de transferência de renda, mas análises profundas e ações decididas contra distorções que acabam por punir a todos, ricos, remediados, pobres e miseráveis.
 Zero Hora


Grandi na ‘linha de frente’ em sua primeira visita aos refugiados como Alto Comissário

(Da esquerda para direita) Mãe síria Fatma e sua filha Farah, sentadas ao lado do vice-governador da província de Gaziantep, Halil Uyumaz, seu marido Ahmed e Felippo Grandi no campo de refugiados Nizip II, na Turquia.

“Uma visita ao país que está na linha de frente da maior crise de refugiados do mundo”. Essas foram as palavras de Filippo Grandi, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, enquanto visitava um dos muitos campos de refugiados da Turquia, próximo à fronteira com a Síria.
O sudeste da Turquia é o lar de mais de um milhão de refugiados sírios, 220.000 deles em campos de refugiados. A própria Turquia recebeu 2,5 milhões de sírios e centenas de milhares de outras pessoas, principalmente provenientes do Iraque. A Turquia é o país que mais hospeda refugiados no mundo.
Nos campos de Nizip I e II, lar de quase 16.000 refugiados, dos quais alguns deixaram seus respectivos países de origem há quatro anos, Grandi justificou sua escolha pela primeira visita como Alto Comissário para enviar uma mensagem ao mundo de que a Turquia está fazendo um trabalho maravilhoso, lidando com um enorme número de pessoas forçadamente deslocadas. O objetivo de sua visita foi conhecer e conversar com famílias refugiadas.
No acampamento, ele foi cumprimentado por Fuad Oktay, presidente da Agência para Emergências e Desastres da Turquia (AFAD, sigla em inglês), o qual gere os campos de refugiados, e pelo vice-governador da província de Gaziantep, Halil Uyumaz.
Em Nizip II, um acampamento com cerca de 4.900 moradores, ele foi recebido por Fatma, Ahmed e seus três filhos. Dois outros filhos foram mortos por estilhaços quando a família estava à procura de segurança perto de Aleppo. A traumatizada família então deixou a Síria há três anos.
"Eu perguntei a Fatma se ela gostaria de voltar à Síria e ela não hesitou. Ela disse com certeza, mas somente quando a paz chegasse ao país", disse Grandi em um vídeo. "Então, a paz tem que vir para estas pessoas. A situação já se arrasta assim há muito tempo. Mas eu estou contente de começar as visitas a partir daqui. Isso me dá um sentimento de desespero, mas também dá esperança para as possibilidades de tempos melhores, se a política for conduzida na direção certa."
No final da estrada Nizip I há um acampamento, inaugurado há quatro anos. Ele agora abriga 10.800 refugiados, 55% das quais são crianças.
Emra é uma viúva criando três dessas crianças. Ela deixou a Síria há um ano depois que seu marido foi morto na guerra. Um de seus meninos, Mohammed, é surdo e mudo. Ele também tem uma condição crônica que deixou suas pernas atrofiadas e rígidas.
"Eu não poderia ficar mais tempo", disse a mãe. "Eu tive um filho portador de necessidades especiais e não tenho dinheiro. Eu tive que vir à Turquia para salvar meus filhos".
Em resposta à pergunta do Alto Comissário, ela disse que o acampamento, administrado pelo Governo turco, fornece vale alimentação e propicia que seu filho vá a um hospital em Gaziantep para fazer o tratamento.
"Ela nos faz lembrar, afinal, que se trata de pessoas sofrendo situações inimagináveis", disse Grandi. "Mas elas são fortes".
Os campos de refugiados, administrados pelas autoridades turcas e apoiados pelo ACNUR, tornaram-se parte da estrutura da Turquia. Segundo o Alto Comissário, os refugiados estão sendo bem cuidados neste país. Mas suas vidas, fora de seu país de origem, são vidas pela metade. E suas esperanças, como Alto Comissário Grandi escutou, remontam ao término da guerra para que possam voltar a levar uma vida novamente plena.
Por Don Murray na Turquia.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Em Rio Branco, abrigo de imigrantes acolhe 14 pessoas

Com capacidade para acolher 240 pessoas, o abrigo de imigrantes montado na Chácara Aliança, localizada na Estrada Irineu Serra, em Rio Branco, hospeda hoje, apenas 14, segundo relatório diário da administração do local. De 2010 a 2015, mais de 38,5 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre e os abrigos em Brasileia e Rio Branco sempre estiveram lotados.
A redução drástica do número de imigrantes está relacionada ao fato de que a emissão de vistos passou a ser realizada no Haiti, na cidade de Porto Príncipe. Dessa forma, os haitianos não precisam mais se deslocar ilegalmente para o Brasil para conseguir a documentação.
 “Sem precisar vir para o Brasil, os haitianos gastam menos e vão direto para o destino que querem. Essa facilidade da retirada dos vistos no país de origem fez com que a rede de coiotes fosse desativada”, afirma o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Nilson Mourão.
Dos imigrantes que permanecem no abrigo, quatro são haitianos, quatro senegaleses e um dominicano. Nenhum tem a intenção de permanecer no Acre, todos seguirão para outros estados, mas é preciso um número mínimo de 44 pessoas para que o ônibus disponibilizado pelo governo faça o transporte.
Abrigo será mantido até junho de 2016
Mesmo com o número reduzido de imigrantes no abrigo, o governo do Estado, por meio da Sejudh, vai manter o local aberto até o final do contrato, que está previsto para o final do mês de junho. A secretaria vai avaliar o período e só irá manter o abrigo se o grupo que ainda usa essa rota continuar vindo.
“Temos que aguardar até o final de junho para ver se esses números estabilizam. Ainda tem um grupo que continua entrando no Brasil pelo Acre”, disse.
Noticias do Acre


Papa pede aos imigrantes que não percam alegria de viver

O papa Francisco instou este domingo os imigrantes a não deixarem que lhes roubem a esperança e a alegria de viver, durante a celebração do Angelus na Praça de S. Pedro, em Roma. 

Ao recordar que a igreja católica celebra a Jornada Mundial do Imigrante e do Refugiado, Francisco lembrou como "cada um tem uma história, uma cultura e valores valiosos que, amiúde, infelizmente, também são experiências de miséria, opressão e medo". 

Na Praça de S. Pedro estiveram 7.000 imigrantes provenientes de 30 países e residentes na região de Lazio para celebrar esta jornada no âmbito do ano santo que se converteu hoje no Jubileu dos Migrantes.

 "A vossa presença nesta praça é sinal da esperança de Deus. Não deixeis roubar esta esperança e alegria de viver que nascem da experiência da divina misericórdia", acrescentou. 

Também foi levada para S. Pedro a cruz de Lampedusa, realizada com a madeira das barcas em que viajam os imigrantes até Itália e que foi benzida por Francisco durante a sua visita à ilha siciliana. 

Depois do Angelus, os imigrantes participaram numa missa na Basílica de S. Pedro oficiada pelo cardeal Antonio María Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes. 

Correio da Manha 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial do Migrante e Refugiado 17 de Janeiro 2016


Queridos irmãos e irmãs!
Na bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia recordei que «há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai» (Misericordiae Vultus, 3). De facto, o amor de Deus quer chegar a todos e cada um, transformando aqueles que acolhem o abraço do Pai noutros tantos braços que se abrem e abraçam para que todo o ser humano saiba que é amado como filho e se sinta «em casa» na única família humana. Deste modo, a ternura paterna de Deus, que se estende solícita sobre todos, mostra-se particularmente sensível às necessidades da ovelha ferida, cansada ou enferma, como faz o pastor com o rebanho. Foi assim que Jesus Cristo nos falou do Pai, dizendo que Ele Se inclina sobre o homem chagado de miséria física ou moral e, quanto mais se agravam as suas condições, tanto mais se revela a eficácia da misericórdia divina.
Neste nosso tempo, os fluxos migratórios aparecem em contínuo aumento por toda a extensão do planeta: prófugos e pessoas em fuga da sua pátria interpelam os indivíduos e as coletividades, desafiando o modo tradicional de viver e, por vezes, transtornando o horizonte cultural e social com os quais se confrontam. Com frequência sempre maior, as vítimas da violência e da pobreza, abandonando as suas terras de origem, sofrem o ultraje dos traficantes de pessoas humanas na viagem rumo ao sonho dum futuro melhor. Se, entretanto, sobrevivem aos abusos e às adversidades, devem enfrentar realidades onde se aninham suspeitas e medos. Enfim, não raramente, embatem na falta de normativas claras e praticáveis que regulem a recepção e prevejam itinerários de integração a breve e a longo prazo, atendendo aos direitos e deveres de todos. Hoje, mais do que no passado, o Evangelho da misericórdia sacode as consciências, impede que nos habituemos ao sofrimento do outro e indica caminhos de resposta que se radicam nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, concretizando-se nas obras de misericórdia espiritual e corporal.
Na base desta constatação, quis que o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2016 fosse dedicado ao tema: «Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia». Os fluxos migratórios constituem já uma realidade estrutural, e a primeira questão que se impõe refere-se à superação da fase de emergência para dar espaço a programas que tenham em conta as causas das migrações, das mudanças que se produzem e das consequências que imprimem novos rostos às sociedades e aos povos. Todos os dias, porém, as histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, testemunha de inaceitáveis crises humanitárias que surgem em muitas regiões do mundo. A indiferença e o silêncio abrem a estrada à cumplicidade, quando assistimos como expectadores às mortes por sufocamento, privações, violências e naufrágios. De grandes ou pequenas dimensões, sempre tragédias são; mesmo quando se perde uma única vida humana.
Os emigrantes são nossos irmãos e irmãs que procuram uma vida melhor longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que deveriam ser divididos equitativamente entre todos. Porventura não é desejo de cada um melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar que possa partilhar com os seus entes queridos?
Neste momento da história da humanidade, fortemente marcado pelas migrações, a questão da identidade não é uma questão de importância secundária. De facto, quem emigra é forçado a modificar certos aspectos que definem a sua pessoa e, mesmo sem querer, obriga a mudar também quem o acolhe. Como viver estas mudanças de modo que não se tornem obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento, mas sejam ocasião para um autêntico crescimento humano, social e espiritual, respeitando e promovendo aqueles valores que tornam o homem cada vez mais homem no justo relacionamento com Deus, com os outros e com a criação?
De facto, a presença dos emigrantes e dos refugiados interpela seriamente as diferentes sociedades que os acolhem. Estas devem enfrentar factos novos que podem aparecer imprudentes se não forem adequadamente motivados, geridos e regulados. Como fazer para que a integração se torne um enriquecimento mútuo, abra percursos positivos para as comunidades e previna o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo ou da xenofobia?
A revelação bíblica encoraja a recepção do estrangeiro, motivando-a com a certeza de que, assim fazendo, abrem-se as portas a Deus e, no rosto do outro, manifestam-se os traços de Jesus Cristo. Muitas instituições, associações, movimentos, grupos comprometidos, organismos diocesanos, nacionais e internacionais experimentam o encanto e a alegria da festa do encontro, do intercâmbio e da solidariedade. Eles reconheceram a voz de Jesus Cristo: «Olha que Eu estou à porta e bato» (Ap 3, 20). E todavia não cessam de multiplicar-se também os debates sobre as condições e os limites que se devem pôr à recepção, não só nas políticas dos Estados, mas também nalgumas comunidades paroquiais que vêem ameaçada a tranquilidade tradicional.
Diante de tais questões, como pode a Igreja agir senão inspirando-se no exemplo e nas palavras de Jesus Cristo? A resposta do Evangelho é a misericórdia.
Em primeiro lugar, esta é dom de Deus Pai revelado no Filho: de facto, a misericórdia recebida de Deus suscita sentimentos de jubilosa gratidão pela esperança que nos abriu o mistério da redenção no sangue de Cristo. Depois, a misericórdia alimenta e robustece a solidariedade para com o próximo, enquanto exigência de resposta ao amor gratuito de Deus, que «foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5). Aliás, cada um de nós é responsável pelo seu vizinho: somos guardiões dos nossos irmãos e irmãs, onde quer que vivam. O cultivo de bons contatos pessoais e a capacidade de superar preconceitos e medos são ingredientes essenciais para se promover a cultura do encontro, onde cada um esteja disposto não só a dar, mas também a receber dos outros. De facto, a hospitalidade vive do dar e receber.
Nesta perspectiva, é importante olhar para os emigrantes não somente com base na sua condição de regularidade ou irregularidade, mas sobretudo como pessoas que, tuteladas na sua dignidade, podem contribuir para o bem-estar e o progresso de todos, de modo particular quando assumem responsavelmente deveres com quem os acolhe, respeitando gratamente o património material e espiritual do país que os hospeda, obedecendo às suas leis e contribuindo para os seus encargos. Em todo o caso, não se podem reduzir as migrações à dimensão política e normativa, às implicações económicas e à mera coexistência de culturas diferentes no mesmo território. Estes aspectos são complementares da defesa e promoção da pessoa humana, da cultura do encontro dos povos e da unidade, onde o Evangelho da misericórdia inspira e estimula itinerários que renovam e transformam a humanidade inteira.
A Igreja coloca-se ao lado de todos aqueles que se esforçam por defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, exercendo antes de mais nada o direito a não emigrar a fim de contribuir para o desenvolvimento do país de origem. Esse processo deveria incluir, no seu primeiro nível, a necessidade de ajudar os países donde partem os emigrantes e prófugos. Assim se confirma que a solidariedade, a cooperação, a interdependência internacional e a distribuição equitativa dos bens da terra são elementos fundamentais para atuar, em profundidade e com eficácia, sobretudo nas áreas de partida dos fluxos migratórios, para que cessem aquelas carências que induzem as pessoas, de forma individual ou coletiva, a abandonar o seu próprio ambiente natural e cultural. Em todo o caso, é necessário esconjurar, se possível já na origem, as fugas dos prófugos e os êxodos impostos pela pobreza, a violência e as perseguições.
Sobre isto, é indispensável que a opinião pública seja informada de modo correto, até para prevenir medos injustificados e especulações sobre a pele dos emigrantes.
Ninguém pode fingir que não se sente interpelado pelas novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas que vendem e compram homens, mulheres e crianças como trabalhadores forçados na construção civil, na agricultura, na pesca ou noutros âmbitos de mercado. Quantos menores são, ainda hoje, obrigados a alistar-se nas milícias que os transformam em meninos-soldados! Quantas pessoas são vítimas do tráfico de órgãos, da mendicidade forçada e da exploração sexual! Destes crimes aberrantes fogem os prófugos do nosso tempo, que interpelam a Igreja e a comunidade humana, para que também eles possam ver, na mão estendida de quem os acolhe, o rosto do Senhor, «o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação» (2 Cor 1, 3).
Queridos irmãos e irmãs emigrantes e refugiados! Na raiz do Evangelho da misericórdia, o encontro e a recepção do outro entrelaçam-se com o encontro e a recepção de Deus: acolher o outro é acolher a Deus em pessoa! Não deixeis que vos roubem a esperança e a alegria de viver que brotam da experiência da misericórdia de Deus, que se manifesta nas pessoas que encontrais ao longo dos vossos caminhos! Confio-vos à Virgem Maria, Mãe dos emigrantes e dos refugiados, e a São José, que viveram a amargura da emigração no Egito. À intercessão deles, confio também aqueles que dedicam energias, tempo e recursos ao cuidado, tanto pastoral como social, das migrações. De coração a todos concedo a Bênção Apostólica.
Vaticano, 12 de Setembro 2015


Abertura de Conta Bancária por Refugiados e Imigrantes


É frequente receber solicitações de refugiados e imigrantes que encontram dificuldade para abrir conta bancária enquanto possuem apenas o protocolo como documento de identificação. Publicamos, aqui, carta da FEBRABAN que esclarece a validade do protocolo para fins de abertura de conta bancária. Apesar de ser de 2013, muita gente desconhece esta informação. É muito valiosa e importante. Agradecemos a quem a repassar e divulgar. 


Ir. Rosita Milesi (IMDH)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

França ordena desmantelamento de acampamento de imigrantes de Calais

Por ordem das autoridades francesas, os migrantes do acampamento de Calais (norte) são obrigados a deixar desde ontem quinta-feira (14) este local conhecido como a "selva", onde vivem cerca de 4.000 clandestinos.
Em paralelo, foi encerrado nesta quinta (14), na mesma região, o processo de um britânico que tentou fazer entrar ilegalmente na Inglaterra uma menina afegã, resgatando-a desta "selva" para entregá-la a seus parentes já instalados no país. O acusado foi condenado a pagar uma multa.
As construções precárias dos refugiados instaladas a menos de 100 metros de uma rodovia que leva ao porto de Calais deverão ser removidas, por razões de segurança, antes do próximo fim de semana, exigiram as autoridades francesas.
Os imigrantes em causa, entre 500 e 700, terão "prioridade" por uma vaga nos contêineres que servirão de abrigo e que foram inaugurados na segunda-feira.
"Disseram que este novo abrigo vai nos proporcionar melhores condições de moradia, mas não há chuveiro ou cozinha, e as pessoas têm medo do registo de impressões digitais", o que poderia fazê-los voltar para a França caso entrem na Inglaterra, declarou à AFP Nouristani Sikander, de 42 anos, representante da comunidade afegã no acampamento.
Para que entrem no chamado Centro de Acolhimento Provisório (CAP), os imigrantes deverão passar a palma da mão por um dispositivo de reconhecimento. As autoridades prometeram que não vão registrar as impressões digitais, uma demanda recorrente de imigrantes.
Para as autoridades, o centro garantirá a "segurança dos imigrantes, dos moradores locais e dos usuários da rodovia", dado que os imigrantes invadem regularmente a estrada para tentar entrar nos caminhões que viajam à Inglaterra.
Stéphane Duval, diretor da ONG Vida Ativa que administra o CAP, declarou nesta quinta-feira estar "satisfeito" e apontou para um aumento gradual do número de abrigos.
Sikander Noristany ressalta que "as pessoas não vêm para a selva para dormir e comer, mas para tentar passar para a Inglaterra. E temem os contêineres, porque o centro parece uma prisão".
Por sua vez, parte da população local teme que o CAP gere a criação de outros campos improvisados ​​na região, onde as tensões devido à presença de imigrantes têm aumentado, bem como as barreiras e medidas de segurança para impedi-los de chegar ao porto e ao túnel que liga a França à Inglaterra sob o Canal da Mancha.
Salvar menina
Neste contexto, o processo de um ex-soldado britânico acusado de tentar fazer entrar ilegalmente na Inglaterra uma menina afegã, foi condenado a uma multa de mil euros, em razão das "condições de transporte" da criança.
Robert Lawrie, de 49 anos, pediu desculpas ao tribunal de Boulogne-sur-Mer. "Não ponderei. Queria que a menina reencontrasse a sua família, que vive a apenas oito milhas de Leeds, onde eu vivo", disse ele.
Diretor de uma empresa de limpeza e pai de quatro filhos, Lawrie que ajuda os imigrantes em Calais, foi preso pela polícia francesa em 24 de outubro. Além da menina de quatro anos, a polícia encontrou escondido em seu caminhão dois eritreus. Mas eles embarcaram no veículo sem que ele percebesse.
Segundo suas declarações, ele encontrou o pai da menina quando levava alimentos e roupas para os imigrantes, e ele pediu-lhe para que trouxesse a menina para a Inglaterra.
Um abaixo-assinado em seu favor, que exortava que não poderia haver prisão para quem "tentou salvar uma garota da selva", reuniu cerca de 170 mil assinaturas na França e na Inglaterra.
O tribunal o absolveu da acusação de ajuda e estadia irregular, punível com cinco anos de prisão e uma multa de € 30.000, mas o condenou a pagar a multa leve, tal como solicitado pela acusação, por "colocar em perigo a vida de uma pessoa".

AFP

Refugiados: Desmontar mitos e medos

O diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados afirmou que a mobilização da sociedade civil para o acolhimento não foi acompanhada pelos decisores políticos, convidando a superar o medo.
“Mais importante da consciência que existe uma ideia que aponta para algum medo, para o desconhecido, é a dimensão da hospitalidade, do acolhimento, do atender a emergência mas ir mais longe, apontar a necessidade de todos os cristãos estarem envolvidos nos processos de acolhimento e integração”, explica André Costa Jorge à Agência ECCLESIA.
O responsável pelo Serviço Jesuíta aos Refugiados em Portugal (JRS, sigla em inglês) assinala que o medo vence-se, sobretudo, a partir do “envolvimento direto” de cada um, das paróquias, dos movimentos “no acolhimento, na integração, no apoio aos refugiados e aos migrantes”.
“Sermos testemunhas e capazes de desmontar mitos e os medos que muitas vezes se instalam e decorrem sobretudo do desconhecimento, da ignorância, da falta de relação”, observa.
A Igreja vai celebrar este domingo o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, partindo da mensagem do Papa Francisco para esta ocasião, intitulada ‘Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia’.
“Desde o início do pontificado tem sinalizado a importância da Europa olhar para o tema dos refugiados e migrantes em geral. Este documento sublinha a importância da crise que estamos a viver, a questão das migrações no sentido mais global”, analisa o entrevistado.
Neste contexto, o diretor do JRS constata que a nível europeu, e concretamente em Portugal, foi a sociedade civil que se mobilizou para acolher os refugiados que fogem da guerra em África e no Médio Oriente.
“Temos vindo a assistir que a Europa também é um grande espaço de acomodações onde é difícil chegar a posições de compromisso e liderança clara. De maneira geral mostrou muita hesitação na hora de socorrer as vítimas”, afirma.
O responsável destaca o domínio de “lógicas mais securitárias, com algum receio” em matérias como segurança que “devem ser acauteladas” mas não até ao “bloqueio que não socorre ninguém”.
“O testemunho que procuramos passar é que de facto esta experiência que temos realizado possa ajudar os decisores políticos a medidas mais céleres”, explica.
Para André Costa Jorge, o Papa escreve em primeiro para os cristãos e sublinha a “importância” da “não contaminação” por ideias assentes “demasiado no risco do acolhimento” mas “alerta” para a “coragem de abrir para a relação”.
“Traduzindo muito, o Papa diz que a Igreja, os cristãos, não se podem acantonar, ficar passivamente sujeitos apenas a ideias, às vezes, pré-concebidas, negativas, e instalados no medo”, acrescenta.
A Igreja Católica em Portugal promove de sexta-feira a domingo o XVI Encontro de Animadores Sociopastorais das Migrações ,que vai decorrer em Bragança, com o tema “Misericórdia sem fronteiras”.
O evento é promovido pela Cáritas Portuguesa e a Obra Católica Portuguesa de Migrações, em parceria com a Agência Ecclesia e o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil.
HM/CB

 Agencia Ecclesia