Conforme o texto base da 26 Semana do migrante, entre ao anos de 2000e 2004 cerca de 262 milhões de pessoas foram afetadas por desastres naturais , de aqui até o ano 2050 mais de 300 milhões de pessoas vão ser obrigadas a migrar por causas do aquecimento global.
O lema da Caminhada dos Imigrantes, que foi realizada neste domingo (19) , com concentração na Pátio do Colégio em São Paulo.foi ” Migrações e Mudanças Climáticas o que temos a ver com isso’ .Com esta Caminhada, queremos dar visibilidade à situação dos imigrantes, para que eles percam o medo de reivindicar seus direitos, como o voto, a livre-circulação, a não criminalização, entre outros”, diz Roverbal Freire do Serviço Pastoral do Migrante, também os imigrantes denunciam as políticas econômicas que não geram postos de trabalho e todas as formas de discriminação que impedem uma integração sul-americana justa e solidária. Esta manifestação faz parte do calendário da CNBB, as comunidades de Chile , Argentina, Peru, Bolívia, Colômbia,Uruguai, Paraguai,Haiti ,México entre outros. Que terminou com uma missa celebrada por Dom Angelicó Saldano com aproximadamente 4.000.00 pessoas ,ele diz que importante e acolher o migrante, que junto dele vem um grande sonho de realização ,também ressalta que Europa tem que abrir as fronteiras ao imigrantes, porque a muitos anos a imigração européia chegou na America Latina. Na homilia chama a todos em especial aos políticos que estão divorciados com o reino de Deus a implantar política Publicas sobre o meio ambiente. Também fala sobre o grande trabalho do Serviço Pastoral do Migrante, que orienta, e conduz a vida do migrante em especial a labor do Padre Mario Geremias do Centro Pastoral. O momento mais emotivo da missa foi quando entram as crianças migrantes portadoras de um grande sonho com a bíblia dentro de uma mala, porque a palavra de Deus e vida e Esperança de um futuro melhor.
Ao termino da missa na Praça da Sé os Grupos folclóricos da Bolívia como São Simon, e Kantuta que através da dança e a riqueza e alegria do folclore e fervor do povo boliviano dançaram como forma de agradecimento ao povo paulista
terça-feira, 21 de junho de 2011
Brasil é amici curiae contra lei da imigração nos EUA
Brasil, México e outros nove países da América Latina ajuizaram, semana passada, ações como amici curiae em apoio a um processo que questiona a constitucionalidade da nova lei de imigração do estado da Georgia, nos Estados Unidos. No último ano, uma nova geração de leis mais rigorosas contra a imigração ilegal nos EUA foi concebida nas assembleias legislativas de diversos estados americanos. A Georgia, a exemplo do Arizona e Tennessee, se juntou ao grupo e aprovou uma legislação mais dura para combater a presença de imigrantes ilegais no estado.
Além de ações movidas por organizações e entidades pró direitos humanos, a Georgia tem onze países latino americanos como amici curiae em um processo que argumenta que a nova lei de imigração do estado fere a Constituição dos EUA.
O deputado estadual do Partido Republicano, Matt Ramsey, um dos mentores da nova lei, defende que, ao aprová-la, a intenção era proteger os contribuintes da Geórgia, que subsidiam involuntariamente meio milhão de imigrantes ilegais. Segundo o político, trabalhadores ilegais colocam seus filhos para estudar em escolas públicas, se beneficiam do Seguro Social e provocam gastos extras no orçamento da Justiça, que têm de persegui-los.
Nesta quinta-feira, Ramsey declarou à imprensa americana que as ações ajuizadas por países latino-americanos “são hipócritas e uma audácia”, já que nações como o México tem legislações imigratórias muito mais rigorosas que a americana, que, segundo ele, ainda é uma das mais receptivas e flexíveis do mundo. Ramsey desdenhou ainda do que ele chamou de “lista de países que seguiram o México”, dizendo que "se trata de pátrias que falharam em oferecer condições econômicas favoráveis aos seus cidadãos e ainda não apresentam nenhuma perspectiva de prosperidade”. O deputado também afirmou que a participação dos páises no processo judicial que questiona a legalidade da nova lei é intrusiva por “se meter em questões domésticas dos EUA”.
Além de Brasil e México, entraram como amici curiae, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Peru. Com uma população de 9,6 milhões de habitantes, estima-se que a Geórgia abrigue 425 mil imigrantes ilegais, sendo o sétimo estado americano em quantidade de imigrantes que não dispõem de autorização para residir no país.
Como ocorreu em leis aprovadas em outros estados, a nova legislação da Geórgia autoriza policiais a abordarem suspeitos e checarem seu status imigratório e prevê ainda duras penas àqueles que voluntariamente contratarem ou transportarem imigrantes ilegais dentro dos limites do estado. A lei determina também que empresas sediadas na Geórgia são obrigadas a confirmar, em um sistema online, se candidatos estrangeiros que concorrem a vagas de trabalho estão legalmente no país.
Na próxima semana, o juiz federal Thomas Thrash deve ouvir os advogados das entidades que pedem que a nova lei seja derrubada, com o argumento de que ela fere as Constituições da Geórgia e dos EUA.
Além de ações movidas por organizações e entidades pró direitos humanos, a Georgia tem onze países latino americanos como amici curiae em um processo que argumenta que a nova lei de imigração do estado fere a Constituição dos EUA.
O deputado estadual do Partido Republicano, Matt Ramsey, um dos mentores da nova lei, defende que, ao aprová-la, a intenção era proteger os contribuintes da Geórgia, que subsidiam involuntariamente meio milhão de imigrantes ilegais. Segundo o político, trabalhadores ilegais colocam seus filhos para estudar em escolas públicas, se beneficiam do Seguro Social e provocam gastos extras no orçamento da Justiça, que têm de persegui-los.
Nesta quinta-feira, Ramsey declarou à imprensa americana que as ações ajuizadas por países latino-americanos “são hipócritas e uma audácia”, já que nações como o México tem legislações imigratórias muito mais rigorosas que a americana, que, segundo ele, ainda é uma das mais receptivas e flexíveis do mundo. Ramsey desdenhou ainda do que ele chamou de “lista de países que seguiram o México”, dizendo que "se trata de pátrias que falharam em oferecer condições econômicas favoráveis aos seus cidadãos e ainda não apresentam nenhuma perspectiva de prosperidade”. O deputado também afirmou que a participação dos páises no processo judicial que questiona a legalidade da nova lei é intrusiva por “se meter em questões domésticas dos EUA”.
Além de Brasil e México, entraram como amici curiae, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Peru. Com uma população de 9,6 milhões de habitantes, estima-se que a Geórgia abrigue 425 mil imigrantes ilegais, sendo o sétimo estado americano em quantidade de imigrantes que não dispõem de autorização para residir no país.
Como ocorreu em leis aprovadas em outros estados, a nova legislação da Geórgia autoriza policiais a abordarem suspeitos e checarem seu status imigratório e prevê ainda duras penas àqueles que voluntariamente contratarem ou transportarem imigrantes ilegais dentro dos limites do estado. A lei determina também que empresas sediadas na Geórgia são obrigadas a confirmar, em um sistema online, se candidatos estrangeiros que concorrem a vagas de trabalho estão legalmente no país.
Na próxima semana, o juiz federal Thomas Thrash deve ouvir os advogados das entidades que pedem que a nova lei seja derrubada, com o argumento de que ela fere as Constituições da Geórgia e dos EUA.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Durante o Dia Mundial do Refugiado, ACNUR faz apelo em nome dos deslocados

– Enquanto milhões de pessoas ao redor do globo lembravam a importância do Dia Mundial do Refugiado no domingo, o chefe do ACNUR, António Guterres, pediu que a comunidade internacional fizesse mais pelos deslocados.
O Alto Comissário fez seu apelo durante uma conferência de imprensa na Síria – transmitida ao vivo por uma conexão de vídeo –, onde se encontrara, mais cedo naquele dia, com o Presidente Bashar Assad e outros líderes. A Síria abriga cerca de um de milhão de refugiados, principalmente iraquianos, de acordo com o governo.
"Eu peço à comunidade internacional para que faça mais para abrigar os refugiados", disse Guterres, apenas dois dias depois do ACNUR anunciar que, desde 2007, 100.000 refugiados iraquianos foram reassentados do Oriente Médio para outros países, um marco importante para uma das maiores populações de refugiados do mundo.
Enquanto isso, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, também fez um apelo em favor dos refugiados em uma mensagem especial no Dia Mundial do Refugiado (DMR). "Os refugiados foram privados de seus lares, mas não devem ser privados de seus futuros", ele disse, ao exigir que se trabalhe com os governos que abrigam deslocados para prover serviços, e que se intensifiquem os esforços para solucionar conflitos, de modo que os refugiados possam retornar para suas casas.
"Sendo ‘Casa’ o tema global deste ano, o ACNUR e seus parceiros, inclusive governos, doadores, organizações não governamentais, embaixadores da boa vontade e os próprios refugiados, têm tomado parte, ao longo da última semana, em atividades conscientizadoras, culturais, educacionais, ambientais e esportivas, especialmente torneios de futebol, neste ano de Copa do Mundo na África do Sul.
Mensagens especiais de Guterres e da Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, Angelina Jolie – que se encontrou com refugiados colombianos no norte do Equador na semana passada – têm sido transmitidas ao redor do mundo. Na sexta-feira, Jolie, Guterres e a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participaram ao vivo de um evento global, unindo quatro países.
E, seguindo a tradição, cartões-postais em todo o mundo estão sendo iluminados, incluindo, pela primeira vez, o elegante Edifício Empire State, há 79 anos em Nova York, bem como o Coliseu, em Roma, e a fonte Jet d'Eau, em Genebra.
No dia propriamente dito, a Nova Zelândia esteve entre os primeiros a lembrar o Dia Mundial do Refugiado, com uma cerimônia no Centro de Recepção de Refugiados de Mangere, em Auckland. O Ministro da Imigração, Jonathan Coleman, plantou uma árvore kaui, um tradicional símbolo de boa sorte. Um folheto especial sobre o programa de reassentamento da Nova Zelândia foi lançado durante a solenidade.
O escritório do ACNUR em Papua-Nova Guiné realizou um evento público e uma recepção em Porto Moresby, na noite de domingo. O destaque foi um intenso drama sobre as experiências dos refugiados, intitulado “Nosso Direito é Nosso Futuro", mas os convidados também puderam apreciar uma exposição de fotografia, assistir a um espetáculo de dança feito por refugiados de Papua Ocidental, admirar desenhos de crianças refugiadas e comprar produtos feitos por refugiados. O Ministro das Relações Exteriores, Sam Abal, foi o orador convidado.
Na China, a Expo Xangai 2010 foi o foco das atividades do DMR deste ano. Muito aplaudida e sob uma ofuscante enxurrada de flashes, a famosa atriz chinesa Yao Chen subiu a um palco na feira mundial, no domingo, para contar ao público chinês como os refugiados vivendo em cidades podem contribuir com os países que os abrigam, se lhes for permitido.
Ao exibir vídeos e fotos de uma visita recente às Filipinas para encontrar refugiados da África e do Oriente Médio, Yao Chen contou aos visitantes que sua viagem desfez a imagem que a maioria dos chineses tem dos refugiados, como se estes vivessem apenas em campos e fossem "pessoas com rostos finos e olhos temerosos". Giuseppe de Vincentis, o representante regional do ACNUR, entregou a Yao Chen uma placa nomeando-a patrona honorária do ACNUR para o próximo ano.
O evento principal do ACNUR na capital malaia de Kuala Lumpur literalmente parou o trânsito em KL Sentral, a maior estação ferroviária do sudeste da Ásia. Multidões vieram observar e participar das atividades, inclusive de uma simulação baseada em experiências de refugiados, em uma estrutura com formato de labirinto. Enquanto tentavam encontrar a saída, os visitantes enfrentaram as mesmas escolhas difíceis que os refugiados fugindo da perseguição ou violência.
O evento incluiu outras experiências realistas, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre como é a vida de um refugiado. Também houve um bazar de artesanato e apresentações culturais. Celebridades e artistas locais deram seu apoio ao evento.
Mas na região de Cox Bazar, no leste de Bangladesh, as atividades dominicais do DMR, planejadas para milhares de refugiados de Myanmar em campos vizinhos, foram adiadas em respeito às dezenas de pessoas mortas nas devastadoras enchentes da última semana.
No Paquistão, o ACNUR celebrou o domingo com o anúncio de que, neste ano, o número de refugiados afegãos repatriados voluntariamente no Paquistão já ultrapassou a marca de 70.000.
Ao norte, no Tadjiquistão, aproximadamente 400 refugiados e 100 convidados assistiram a uma cerimônia de premiação na capital, Dushanbe, dos vencedores de um programa de arte e redação para crianças tadjiques e refugiadas, sobre o tema "Casa". Os vencedores receberam laptops, câmeras e aparelhos de DVD, durante um evento que também contou com apresentações de dança e canto feitas por refugiados afegãos. A popular banda tadjique, "Parem", tocou ao fim da cerimônia.
Este ano, a Síria foi o foco das atividades do Dia Mundial do Refugiado no Oriente Médio, mas programas especiais também foram organizados em países como Líbano, Jordânia, Egito e Turquia, que abrigam refugiados.
O Alto Comissário Guterres teve uma agenda cheia no domingo. Além de se encontrar com o Presidente Assad, ele também visitou um centro do ACNUR no distrito de Douma, e participou de um dia de passe livre organizado por refugiados no antigo Palácio de Azem, um belíssimo edifício otomano, inaugurado em 1750, e que agora abriga um museu de arte e tradições populares.
O escritório do ACNUR no Iêmen, país que abriga uma grande população de refugiados somalis, inaugurou, no domingo, uma exposição de fotografias tiradas por crianças refugiadas no Museu Nacional, em Sana'a. O evento também incluiu um bazar de artesanato, discursos, espetáculos teatrais, música e dança, bem como uma leitura sobre o tema "Casa" feita pela aclamada poetisa iemenita Ibtissam Al Mutatwakel.
Os países da África marcaram o domingo com eventos especiais para o DMR, inclusive com diversas partidas de futebol, enquanto se aproximam as finais da Copa do Mundo, na África do Sul. O escritório do ACNUR em Pretória participou de um grande acontecimento no sábado, o Festival por um Mundo Melhor, para angariar apoio aos refugiados.
Em Kampala, no domingo, vários restaurantes prepararam cardápios especiais para o Dia Mundial do Refugiado e exibiram cartazes do ACNUR, doando os lucros para ajudar os deslocados. Uma eclética seleção de pratos estava em oferta no restaurante The Lawns, na capital ugandense, inclusive espetinhos de carne de avestruz, tilápias fritas, hambúrguer de carne de cordeiro, carne de porco agridoce, filé com pimenta e frango tailandês ao molho curry.
Houve dois grandes eventos no domingo do Dia Mundial do Refugiado em Ruanda. O principal ocorreu no campo de refugiados de Gihembe, mas o ACNUR também organizou atividades em Kigali para os refugiados urbanos.
Enquanto isso, na Europa, desfiles especiais com guarda-chuvas aconteceram, no domingo, em oito importantes cidades ao longo do continente, desde Londres até Lyon. No Reino Unido, centenas de pessoas segurando grandes guarda-chuvas brancos desfilaram pelo centro de Londres, para conscientizar as pessoas sobre os refugiados. Os guarda-chuvas brancos são um símbolo de abrigo e segurança.
Nesse meio tempo, o escritório do ACNUR em Montenegro recebia o público no domingo para uma exposição interativa chamada "Labirinto". Os visitantes da exposição, criada por estudantes de arte, são expostos a imagens mostrando diferentes fases da vida de refugiado. E na vizinha Kosovo, a ponte que cruza o Rio Ibar, no dividido povoado kosovar de Mitrovica, é iluminada em azul para marcar a importância do dia.
Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, o Edifício Empire State, de estilo art déco, também seria iluminado em azul durante várias horas após o pôr do sol. "Estou encantado pelo Edifício Empire State ter saído em apoio ao Dia Mundial do Refugiado deste ano. O fato de um edifício tão conhecido ter concordado em deixar sua iluminação azul no dia 20 de junho, em honra às vítimas de violência e perseguição no mundo todo, é verdadeiramente comovente", disse Udo Janz, diretor do escritório do ACNUR em Nova York.
Enquanto isso, cerca de 7.500 dos onipresentes táxis amarelos de Nova York carregam mensagens especiais do ACNUR. Em Washington, DC, o ACNUR patrocina um concerto noturno da cantora Marta Gómez, no Centro Kennedy.
No Canadá, o ACNUR organiza um dia de concertos grátis, divertimento e um concurso de poesia como parte do Luminato, um festival anual de artes, cultura e criatividade que culmina no Dia Mundial do Refugiado.
Enquanto o sol se põe na Europa, atividades do DMR aconteciam ou estavam por começar no México, nas nações caribenhas e pela América do Sul, embora a maioria dos países tenha realizado seus principais eventos durante a semana passada.
Eventos celebram Dia Mundial do Refugiado no Brasil

Diferentes atividades em várias partes do Brasil marcarão, hoje (20 de junho), as comemorações do Dia Mundial do Refugiado no país. Abertas ao público, as atividades contarão com a presença de refugiados, autoridades públicas, funcionários do ACNUR e cidadãos comuns interessados na causa do refúgio. Os eventos acontecerão nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Guarulhos (SP) e Itatiba (SP).
Nas capitais, será instalado um estande da campanha “Calce os Sapatos dos Refugiados”, que promove a tolerância e a integração dos refugiados e de outras populações sob o mandato do ACNUR. O público será convidado a participar da campanha e experimentar a sensação de ser um refugiado - entendendo, dessa forma, a situação e as necessidades destas pessoas. Nas cidades envolvidas (com exceção de Porto Alegre), refugiados prepararão comidas típicas e farão apresentações artísticas para o público, propiciando uma oportunidade de interação com todas as pessoas simpáticas à causa do refúgio.
O ACNUR também divulgará neste 20 de junho, em entrevistas coletivas no Rio de Janeiro e em São Paulo, o relatório Tendências Globais 2010, que apresenta as estatísticas mais recentes sobre refúgio, apatridia e deslocamentos forçados em todo o mundo. Os números atualizados sobre refúgio no Brasil, produzidos pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) serão divulgados nas entrevistas coletivas.
Atividades adicionais acontecerão no Rio e em São Paulo. Na capital fluminense, durante o seminário “Integração Local dos Refugiados” (local e horário abaixo), será apresentado o documento de referência do Plano Estadual para Refugiados, preparado pelo Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção a Refugiados no Rio de Janeiro. Na capital paulista, haverá uma oficina gastronômica no SESC Carmo, com a participação de refugiados e refugiadas preparando pratos típicos de seus países de origem. Esta oficina marcará 15 anos de parceria entre a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e o SESC no atendimento a refugiados que vivem na capital paulista.
Programação detalhada do Dia Mundial do Refugiado no Brasil:
• Rio de Janeiro (20 de junho de 2011)
A entrevista coletiva para lançamento do relatório Tendências Globais 2010 acontecerá às 10h30, na Capela Ecumênica do campus Maracanã da UERJ (Rua São Francisco Xavier, 524 - Maracanã), com a presença do representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, e do Diretor da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, Candido da Ponte Neto. Após a coletiva, os jornalistas poderão visitar o estande da campanha “Calce os Sapatos dos Refugiados”, montado no campus da UERJ (entre a Concha Acústica e a Capela). No local, acontecerão exposições de artesanatos produzidos pelos refugiados e roupas africanas, além de apresentação de coral e danças típicas. Os refugiados oferecerão serviços gratuitos de beleza e massagem aos convidados e poderão ser entrevistados pelos jornalistas presentes.
A partir das 16hs, acontecerá o seminário “Integração Locas dos Refugiados”, promovido pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.
• São Paulo (20 de junho de 2011)
A entrevista coletiva para divulgação do relatório Tendências Globais 2010 acontecerá às 10h30, na Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania (Pátio do Colégio, 184 - 1º andar - Centro - "Sala dos Anjos"), com a participação do porta-voz do ACNUR no Brasil, Luiz Fernando Godinho, o Secretário Especial de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, José Gregori, e o Diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Marcelo Monge. O estande da campanha “Calce os Sapatos dos Refugiados” será montado no saguão de entrada da Estação Sé do Metrô de São Paulo (Entrada Catedral P4 - Praça da Sé, s/nº). Após a entrevista coletiva, os jornalistas serão convidados a conhecer o estande da campanha “Calce os Sapatos dos Refugiados”, onde poderão falar com refugiados que vivem em São Paulo. A oficina de gastronomia no SESC Carmo (Rua do Carmo, 147 - Centro) acontece às 18hs.
• Porto Alegre (20 de junho de 2011)
Na capital gaúcha, as atividades da campanha “Calce os Sapatos dos Refugiados” começam às 10hs, no estande que será montado no hall de entrada da Câmara Municipal de Porto Alegre (Av. Loureiro da Silva, 255). Às 14hs, no plenário no Plenário Otávio Rocha, da Câmara Municipal, haverá uma sessão solene em homenagem ao Dia Mundial do Refugiado proposta pelo vereador Carlos Todeschini (PT), com a participação do Oficial de Proteção do ACNUR no Brasil, Gabriel Godoy, e da coordenadora da Associação Antônio Vieira (ASAV), Karin Wapechowski. Os números do relatório Tendências Globais 2010 serão divulgados durante a solenidade na Câmara dos Vereadores.
• Guarulhos e Itatiba (20 de junho de 2011)
Em Guarulhos (SP), um refugiado colombiano irá produzir empanadas para o café da manhã dos moradores do albergue municipal (Rua Harry Simonsen, 275), a partir das 07h00. Estarão presentes a Assistente de Reassentamento do ACNUR no Brasil, Cyntia Sampaio, o presidente do Centro de Defesa de Direitos Humanos de Guarulhos (CDDH), Expedito Leandro Silva, e o coordenador do projeto de reassentamento de refugiados do CDDH, Orlando Fantazinni. Em Itatiba, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) San Francisco (Rua Mario Vitelo, s/n), uma refugiada colombiana fará cortes de cabelos gratuitos a partir das 09h00, com a participação da Assistente de Proteção do ACNUR, Isabela Mazão, e de assistentes sociais do CDDH.
As atividades do Dia Mundial do Refugiado neste ano são especiais, pois estão inseridas no âmbito das comemorações do 60º aniversário Convenção da ONU sobre o Estatuto do Refugiado, dos 50 anos da Convenção da ONU sobre a Redução da Apatridia e dos 150 anos de nascimento do explorador norueguês Fridtjof Nansen, o primeiro Alto Comissário para Refugiados da Liga das Nações (entidade que antecedeu a própria Organização das Nações Unidas).
sábado, 18 de junho de 2011
Dia Nacional do Migrante, segundo o calendário pastoral da CNBB.

Dom Demétrio Valentini
Isto significa que a Igreja faz questão de colocar a realidade migratória no contexto do domingo, dia destinado à celebração do mistério cristão. Colocado o domingo como referência, fica fácil ampliá-la para uma semana, como de fato se tornou tradição do Serviço Pastoral dos Migrantes, incumbido pela CNBB para acompanhar de perto os problemas vividos pelos migrantes em nosso país, nos diversos contextos em que se encontram. Em cada ano, precedendo o dia 20 de junho, se realiza a "Semana do Migrante”.
Quando a celebração é de um dia só, a data se limita a ser uma efeméride vazia, como existe dia para tudo no calendário da ONU! Mas quando se propõe uma semana, é para encarar a realidade com mais atenção, entender o que ela nos diz, e tomar as providências que ela nos sugere.
Que a realidade migratória é complexa se comprova pelo fato da própria bíblia ter assumido um paradigma migratório como sujeito representativo da humanidade. Seja individualmente, na pessoa de Abraão. "Meu pai era um arameu errante”, diz o livro do Deuteronômio (26,5). Seja coletivamente, na experiência do povo de Israel, que forjou sua identidade nacional na experiência da penosa e longa migração através do deserto, saindo da escravidão do Egito, em busca de sua libertação humana e espiritual.
A realidade migratória acaba expressando a problemática humana, que perdura ao longo da história.
Entre tantas facetas do problema migratório, sempre inquietou uma contradição que perdura e se acentua cada vez mais. No mundo globalizado de hoje, o sistema econômico mundial faz questão de defender, e de exigir, a absoluta liberdade de migração dos capitais, enquanto forja obstáculos cada vez maiores para impedir a migração dos trabalhadores.
Não é nenhuma indiscrição perguntar por que. Pois se temos o dever de dar a razão de nossas esperanças, como São Pedro nos anima a fazer, temos também o direito de saber as razões de nossas desgraças.
Olhando a grande facilidade que tem hoje o capital, sobretudo o financeiro, de buscar as aplicações que mais lhe garantam dividendos, seja onde for, em qualquer bolsa de valores ou em qualquer banco do mundo, compreendemos que ele se move na busca do lucro maior que ele pode auferir. Assim, a grande migração de capitais especulativos, tem a cândida e evidente razão do lucro, que os move e direciona.
Ao passo que a tenaz, e cada vez mais sofisticada política de coibir os fluxos migratórios humanos, se entende a partir do objetivo de impedir que mais pessoas venham auferir as vantagens do sistema econômico globalizado.
Assim, no topo da globalização, encontramos a mesma tensão das origens do capitalismo: quanto menos se remunera o trabalho, mais dividendos sobram para o capital. Estamos ainda no mesmo mundo.
Com uma diferença a ser advertida com seriedade. Tempos atrás os prejudicados eram os trabalhadores, considerados singularmente. Agora os prejudicados podem ser os países. Pois com a mesma facilidade com que vêm, os capitais podem sair de um determinado país, quando eles não têm vais vantagens de lá permanecer. Este cenário começa a se desenhar quando se verifica uma forte tendência à desnacionalização da indústria, e também da agricultura, e em estágio mais grave quando se acentua o processo de desindustrialização de um determinado país.
É muito conveniente que o Governo comece a fazer as contas, para verificar a quantas anda nossa dependência externa, e em que medida se acentua o processo de desindustrialização do Brasil.
Assim, os migrantes continuam cumprindo sua saga, mas também seu indispensável serviço de alerta sobre os rumos da humanidade. Eles continuam testemunhando que o mundo ainda não entrou nos eixos da fraternidade.
Migrações: Números das mortes às portas da Europa são «assustadores»

O diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), frei Francisco Sales, desejou hoje uma “mudança de sistema em África” para evitar a morte de quem tenta atravessar clandestinamente o mar para chegar à Europa.
Este responsável comentava os dados avançados pela agência Fides, do Vaticano, que apontavam para quase dois mil imigrantes africanos mortos nos primeiros cinco meses de 2011, na travessia do Mediterrâneo.
Para o religioso franciscano, estes são números “assustadores” e podem explicar-se pelo facto de o mundo ocidental ser “um chamariz para as pessoas que vivem no mundo mais pobre e não têm possibilidades”.
Das 1820 vítimas referenciadas, 1633 perderam a vida quando se dirigiam para Itália, indica a Fides, que aponta a Tunísia e a Líbia como principais países de origem dos fluxos migratórios de imigrantes entre janeiro e maio.
Francisco Sales considera, contudo, que os números “estão muito aquém da verdadeira realidade” porque estes são referentes apenas “aos naufrágios que são conhecidos”.
Ainda em relação aos dados fornecidos, o diretor da OCPM realça também que os números se situam apenas no Mar Mediterrâneo, pedindo que não sejam “esquecidos aqueles que morreram quando tentaram atravessar o deserto”.
Perante este flagelo, o responsável católica pede uma maior atenção por parte da “Europa e das Nações Unidas” porque se assiste a um “drama mundial onde milhares e milhares de pessoas tentam fugir da violência, morte e miséria”, admitindo que o Velho Continente “não tem capacidade para acolher tanta gente”.
“O sistema islâmico vive em confronto com o mundo ocidental e não se encontra uma coexistência pacífica e tolerância de parte a parte”, lamenta ainda.
Segundo a Fides, 17 597 pessoas morreram “ao largo das fronteiras” da Europa desde 1990.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Brasileiro enterra amigo no deserto durante travessia

O mineiro Diego Armando Guimarães, 24 anos, natural de Ferruginha, distrito de Conselheiro Pena, morreu durante a travessia da fronteira do México com os Estados Unidos. Segundo relatos de Cláudio Afonso, 22 anos, um amigo de viagem, a morte pode ter sido causada por desidratação. A morte aconteceu dia 8 e somente no final de semana passado é que o caso tornou-se público, depois que ele conseguiu atravessar a região e ser socorrido por oficiais de imigração. Eles iniciaram a viagem dia 24 de maio e ficaram vagando 17 dias pelo deserto.
Emocionado ele conta que sem ajuda de ninguém, ele cavou um buraco com as mãos e enterrou, parcialmente, o corpo do amigo. Ainda abalado com a história, Cláudio está em um centro de detenção do Departamento de Imigração de Houston, no Texas.
"Ele pode ter morrido de parada cardíaca, pois parou de respirar três minutos depois de cair agonizando"
Segundo relatos de Cláudio, Diego já estava abatido antes de iniciarem a viagem pelo deserto e vomitava muito. O sol escaldante e a temperatura a mais de oitenta graus foram fundamentais para que ele ficasse mais debilitado. “Ele pode ter morrido de parada cardíaca, pois parou de respirar três minutos depois de cair agonizando”.
Eles estavam em um grupo de 25 imigrantes e quando Cláudio morreu, o coiote sentou, cruzou os braços e ordenava que ele se apressasse e economizasse a água. O brasileiro cavou o buraco e enterrou o amigo sem a ajuda de ninguém.
Cláudio foi preso por agentes de imigração dois dias depois de entrar na cidade de Houston. Por telefone ele contou toda a história para sua mãe, que também mora em Ferruginha. Ela quer que o filho seja deportado o mais rápido possível, pois pode estar precisando de tratamento psicológico. “Ele está muito abalado e posso sentir isso em sua voz”, conta ela.
Até o fechamento desta edição o corpo ainda não havia sido encontrado e a família do brasileiro está procurando ajuda junto ao Governo Brasileiro no sentindo de localizar e transladar o corpo para o Brasil.
A mãe de Diego, Maria Araújo Guimarães, que é viúva há 22 anos disse que sua única fonte de vida e esperança era o seu filho, “mas tudo morreu junto com ele”. Ela conta que o rapaz tinha como objetivo chegar ao estado de Massachusetts, onde há seis anos vive a sua irmã Graziella Mônica Guimarães.
Maria conta, ainda, que os planos de Diego era de retornar ao Brasil em no máximo cinco anos, pois tinha como sonho reformar a casa de sua mãe abrir seu próprio negócio em Ferruginha. “Ele queria me ajudar sem sair de perto de mim, pois cuido de duas filhas com problemas mentais, uma de 36 e outra de 31 anos de idade.
"Ele tinha medo de ser enterrado"
Durante uma entrevista ao site Hoje em Dia do portal R7, ela explica que agora a “única coisa que quer é trazer o corpo do filho de volta”. Ela relatou, ainda, que 15 dias antes de iniciar a viagem, o filho havia sofrido um acidente de moto e fez a mãe jurar que se morresse, ela cremaria o seu corpo. “Ele tinha medo de ser enterrado”, fala. Outro sonho relatado pela mãe é que Diego era evangélico e queria se tornar pastor.
Quanto aos valores pagos e quem foram os agenciadores que levaram Diego até às mãos do coiote, a mãe optou por não comentar, pois teme pela própria vida. “A única coisa que quero é o corpo do meu filho”, fala.
Falta comida para haitianos em Manaus

Praticamente todas as semanas tem chegado haitiano em Manaus. Eles se concentram em igrejas, como a do bairro São Geraldo, em busca de emprego e moradia
Com a chegada de mais um grupo com 52 haitianos a Manaus, na última terça-feira, as dificuldades para garantir a alimentação dos mais de 1,1 mil refugiados que já estão vivendo sob condições precárias se agravam e obrigam os religiosos que coordenam os oito abrigos da cidade a racionar comida.
E a situação deve ficar ainda mais delicada com a chegada de um novo grupo, no sábado, vindo de Tabatinga, onde mais de 500 haitianos aguardam a emissão do visto de entrada no país para pegar o primeiro barco em direção a Manaus.
Foi o que relatou o padre Valdeci Mulinari, pároco da igreja de São Geraldo, na avenida Constantino Nery, onde mais de 100 haitianos vem dormindo em colchões espalhados no salão e na casa paroquial.
“Eles não param de chegar e a nossa angústia hoje é pensar no sábado, quando chegam mais. Nunca nos sentimos tão sem saber o que fazer como agora. Não sei como vamos abrigar, tão pouco alimentar toda essa gente”, disse o pároco, preocupado.
De acordo com o padre Mulinari, o número de haitianos que não param de chegar a Manaus surpreendeu até mesmo os religiosos que, voluntariamente, estão dando abrigo, alimentação e aulas de português para os refugiados em paróquias e casas cedidas.
Segundo ele, o número de haitianos na capital cresce mais rápido do que as doações de voluntários e, por isso, falta comida, espaço e até colchões. A maioria dos abrigos também possui problemas estruturais e precisa de uma reforma.
“Na primeira noite após esse último grupo chegar, 22 tiveram que dormir no chão porque não há mais colchões”, contou o padre, que esperava receber uma doação de 30 colchões.
Carne é privilégio
Mas a maior preocupação do padre Mulinari é mesmo garantir a alimentação dos mais de 1,1 mil haitianos em Manaus.
O pároco contou que, nos depósitos de alimentos, a comida existente só é suficiente para alimentar os refugiados por uma semana.
“Só resta um pouco de arroz e feijão, mas já não temos mais óleo nem açúcar. O arroz com feijão tem sido a base da alimentação deles, mas o feijão e o óleo já estão sendo racionados para que não fiquem sem comer”, disse.
Segundo o padre, nem as doações tem sido suficientes e a escassez os obrigou a servir carne aos haitianos apenas uma vez na semana.
“São quase mil pessoas que ainda estão vivendo nos abrigos e consumindo, em média, 200 quilos de arroz por dia”, detalhou.
Maioria dos refugiados é homem
Três dias antes da chegada do último grupo de haitianos a Manaus, na última terça, outros 70 haitianos já haviam desembarcado em Manaus no sábado.
Com o novo grupo, já são mais de 120 refugiados em menos de uma semana. Segundo o padre Mulinari, a maioria é de homens entre 18 e 30 anos. Uma antiga creche no Zumbi 2, Zona Leste, é um dos espaços cedidos que, hoje, abriga 49 haitianos.
1,1 mil haitianos já estão vivendo em Manaus como refugiados. A maior parte está em abrigos organizados por religiosos em bairros das zonas Centro-Oeste, Sul, Leste e Centro-Sul. A maioria homens, mas há mulheres, crianças e recém-nascidos.
200 kg de arroz são consumidos pelos haitianos abrigados em Manaus, segundo estimativa do padre Valdeci Mulinari. Atualmente, eles enfrentam racionamento de feijão e óleo.
Quanto ao consumo de carne vermelha, o padre informa que só ela só é servida aos refugiados uma vez por semana.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Dom Silvano Tomasi na Organização Internacional do Trabalho

Para combater a crise econômica, é necessário enfrentar o desemprego, para devolver a esperança aos jovens e a credibilidade aos governos dos Estados. Esta foi a mensagem do arcebispo Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, intervindo na 100ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Ainda que os países desenvolvidos estejam se recuperando lentamente da crise econômica global – disse Dom Tomasi, segundo informa a Rádio Vaticano -, “as antigas fórmulas para a recuperação e o crescimento econômico estão se mostrando menos certas num ambiente econômico integrado em nível global”, no qual os governos, majoritariamente, não foram capazes de encontrar uma receita “que restituísse o trabalho e incluísse novas oportunidades de emprego” para milhões de pessoas que estão procurando trabalho.
“Portanto – acrescentou -, ainda que a máxima parte dos indicadores macroeconômicos pareça ter recuperado os níveis anteriores à crise, o mercado do trabalho ainda sofre: a taxa de desemprego permanece alta e não dá sinais de retomada a curto prazo, e a longo prazo as previsões são variáveis.”
“A economia mundial – observou o delegado da Santa Sé -, mesmo crescendo num nível estável, não é capaz de criar um suficiente número de postos de trabalho." E "isso é verdade não somente para as economias avançadas, mas também para os mercados emergentes, como a China e a Índia, onde a flexibilidade do trabalho é extremamente baixa", apesar da sua taxa de crescimento superar 10%.
Daqui a necessidade de “fazer o que pudermos para evitar esta possibilidade” de crescimento sem emprego. Entre os mais afetados de cada país estão os jovens, mais de 78 milhões dos desempregados, entre os 15 e os 24 anos, em 2010, uma taxa 2,6% mais alta com relação aos adultos.
Outra categoria fraca do mercado de trabalho – prosseguiu o prelado – são as mulheres. Nos países mais industrializados da OCSE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), a taxa de emprego feminino é 20% inferior à dos homens, com pontas de 30% na Itália e no Japão; igualmente, os salários das mulheres são inferiores em 20/30%.
Ainda pior se encontram os trabalhadores domésticos, comumente trabalhadores migrantes, em grande aumento por causa das novas exigências de organização social, mas que em muitos países vivem em condições miseráveis de exclusão, desprovidos de toda proteção sindical e de previdência social.
Daí a esperança – empressada por Dom Tomasi – de que, nesta 100ª conferência da OIT, se aprove uma Convenção ad hoc sobre o trabalho doméstico. Finalmente, o representante vaticano fez votos de que seja reafirmada a importância de uma governance baseada no princípio de subsidiariedade e de representação tripartite (trabalhadores, empreendedores e governos), que seja “uma vantagem no conhecimento integrado 'do mundo real' com relação à ocupação e ao trabalho”.
Brasil e Espanha firmam cooperação pela promoção da igualdade racial

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, assinou na última segunda (13) o Memorando de Entendimento pelo Brasil. Pelo governo espanhol, o documento foi assinado pela Ministra de Assuntos Exteriores e de Cooperação, Trinidad Jiménez García-Herrera.
O Memorando tem por objetivo estabelecer um marco para o desenvolvimento de um programa de cooperação bilateral, voltado para a promoção da igualdade racial. A proposta é fortalecer a colaboração técnica, financeira e institucional entre Brasil e Espanha, visando à garantia e defesa de direitos à população afrodescendente. O acordo será conformado em projetos a serem executados no Brasil, com possibilidades de extensão a outros países da região, através de ações conjuntas de cooperação triangular.
As linhas de atuação previstas no Memorando visam ao fortalecimento institucional da SEPPIR e à aplicação do Estatuto da Igualdade Racial, mas têm um foco particular para o combate à violência contra jovens afrodescendentes. Outras ações deverão incidir no fortalecimento de organizações da sociedade civil, na melhoria de acesso a serviços básicos por parte da população afrodescendente, na adoção de medidas para a inclusão de jovens e mulheres afrodescendentes em programas de formação profissional e de fomento ao emprego e geração de renda. Também estão contempladas a promoção e defesa dos direitos humanos e de medidas afirmativas destinadas à luta contra a discriminação racial e demais formas de intolerância.
À SEPPIR, em parceria com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), caberá a definição, gestão, acompanhamento e avaliação das atividades previstas no Memorando de Entendimento. Entretanto, as ações serão desenvolvidas em estreita concordância com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
A identificação, formulação e desenvolvimento das ações, no caso do Brasil, estarão baseadas no Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir), no Plano Plurianual (PPA 2012-2015) e no Estatuto da Igualdade Racial. No caso da Espanha, os documentos de referência são o III Plano Diretor da Cooperação Espanhola 2009-2012, os Planos de Atuação Setorial e as Estratégias Setoriais vigentes.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Não há refugio para quem comete crimes contra a humanidade, diz Ban na Argentina

Depois de visitar um memorial em homenagem a milhares de argentinos torturados e mortos no período de ditadura, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira (13/06) que os países, principalmente do Norte da África e do Oriente Médio, aprendam com as lições da Argentina para transformar uma ditadura em democracia.
Falando da capital argentina, Buenos Aires, Ban elogiou o país pela batalha para proteger os direitos humanos. “A Argentina é hoje dedicada à verdade, a verdade sobre o que aconteceu décadas atrás (…) Vocês mostraram que não há refúgio para aqueles que cometem crimes contra a humanidade”, disse ele, reiterando que os autores de tais crimes devem ser levados à justiça.
O Secretário-Geral aproveitou a ocasião para enviar uma mensagem de solidariedade às pessoas em todo o mundo que têm seus direitos humanos violados, destacando especialmente a situação preocupante na Síria. Ele reiterou o pedido para que o Presidente sírio, Bashar Al-Assad, permita o acesso da ajuda humanitária às áreas afetadas.
Ainda durante sua estadia na Argentina, Ban visitou um centro de treinamento para operações de paz, e se encontrou com tropas que se preparam para integrar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH).
O Secretário-Geral está em viagem pela América Latina, onde visitou a Colômbia, Argentina e Uruguai. A última etapa da viagem será o Brasil onde chega na quinta-feira, dia 16 de junho.
Mauritânia Governo espanhol oferece avião de vigilância

O governo espanhol entregou hoje (terça-feira) à Mauritânia um avião militar para a vigilância marítima que vai servir no combate à imigração clandestina, anunciou hoje (terça-feira) em Nouakchott o secretário espanhol para os negócios estrangeiros, Juan António Yanez-Barnuevo.
O responsável espanhol, que fez este anúncio a saída de uma audiência com o presidente Mohamed Ould Abdel Aziz, afirmou que o avião é "destinado a vigilância marítima, doado pelo ministério espanhol da Defesa às forças aéreas marítimas mauritanianas", referiu a Agência Mauritaniana de Informação (AMI).
Yanez-Barnuevo, que se encontra desde segunda-feira em Nouakchott para uma visita de dois dias, manteve hoje (terça-feira) encontros com os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.
Os dois países estão ligados pelos acordos de cooperação, em particular em matéria de combate ao terrorismo - a Mauritânia é um dos países do Sahel os mais afectados pelas actividades da Al-Qaeda no Maghreb Islâmico (Aqmi) - da imigração clandestina e do trafico de droga.
A Mauritânia é um pais de transito importante para os clandestinos em partida para a Europa, dos quais a Espanha que tinha já dado um outro avião de vigilância ao governo mauritaniano em 2009.
terça-feira, 14 de junho de 2011
México: descobertos 200 imigrantes amontoados e famintos em caminhão
A polícia mexicana descobriu, no domingo, 210 imigrantes ilegais amontoados dentro de um camião perto da fronteira do sul do país, informou um oficial de imigração do México.
Os imigrantes, na sua maioria oriundos do Brasil, da Guatemala, de El Salvador e da Nicarágua, foram encontrados desidratados e com fome.
O oficial de imigração mexicano garantiu à Associated Press que nenhum dos imigrantes amontoados no camião comia ou bebia há 24 horas.
O camião a abarrotar foi descoberto quando foi mandado parar num posto da auto-estrada para ser inspeccionado.
Os dois responsáveis pela condução do camião encontram-se agora detidos e vão ser transferidos para uma prisão de alta segurança, disse o oficial de imigração à agência noticiosa.
Todos os anos, centenas de milhares de imigrantes ilegais atravessam a fronteira do sul do México de forma a continuarem rumo aos Estados Unidos, por vezes sob condições desumanas.
Os imigrantes, na sua maioria oriundos do Brasil, da Guatemala, de El Salvador e da Nicarágua, foram encontrados desidratados e com fome.
O oficial de imigração mexicano garantiu à Associated Press que nenhum dos imigrantes amontoados no camião comia ou bebia há 24 horas.
O camião a abarrotar foi descoberto quando foi mandado parar num posto da auto-estrada para ser inspeccionado.
Os dois responsáveis pela condução do camião encontram-se agora detidos e vão ser transferidos para uma prisão de alta segurança, disse o oficial de imigração à agência noticiosa.
Todos os anos, centenas de milhares de imigrantes ilegais atravessam a fronteira do sul do México de forma a continuarem rumo aos Estados Unidos, por vezes sob condições desumanas.
Peruanos sin papeles y menores, aún en las minas

Al menos ocho de cada diez peruanos que trabajan en las minas de Portovelo y Zaruma (en Ecuador) no están regularizados, es decir, lo hacen sin una visa de trabajo y no perciben salarios justos. Ese es el cálculo que hacen los propios involucrados y el cónsul de Perú en Machala, Efraín Saavedra, a propósito de la muerte, por asfixia, de dos jóvenes de ese país que laboraban en la mina Cimpe (Compañía Industrial Minera Pacheco Espinoza), el pasado lunes, y quienes estaban sin regularizarse. Uno de ellos era menor de edad.
Saavedra refirió que los fallecidos no tenían visa de trabajo y que no constan en los registros del Consulado peruano en El Oro “lo que es preocupante, ya que todo peruano que ingresa a Ecuador debe regularizar su presencia para gozar de todos los derechos”.
Otros 40 ciudadanos de ese país que laboran en la misma compañía minera también estarían en esas condiciones. Así lo reconocen algunos. “Es muy caro hacer los trámites para sacar la visa de trabajo y cuando venimos a las minas solo nos quedamos unos meses y regresamos”, dijo uno de ellos.
El accidente del pasado lunes, en el que murieron Edwin More Córdova y Allan Ruiz Paredes, se dio ocho meses después del fallecimiento de cuatro mineros, dos de ellos peruanos, en la mina Casa Grande. Dos estuvieron atrapados en una fosa durante siete días y sus cuerpos fueron rescatados apenas horas después de su muerte. En aquella ocasión, el ministro de Relaciones Laborales, Richard Espinosa, anunció que esa Cartera haría “un barrido” en las mineras de la zona para constatar la regularización del personal.
Pero la realidad no cambió, admiten mineros, quienes piden la reserva de su identidad. Aunque el Ministerio abrió en Portovelo una oficina con un encargado de observar la situación laboral de los obreros ecuatorianos y extranjeros. Ayer, el inspector Johnny León no dio declaraciones. En la tarde llegó el ministro Espinosa a constatar la situación.
En esta región se generan unas 10 mil plazas de trabajo en el sector minero, según los empresarios de la zona. Una gran parte la cubren peruanos, que llegan incluso a vivir con sus parientes en este cantón. Por ejemplo, la familia del fallecido Edwin More Córdova migró por completo a Portovelo. Alquilaban un cuarto por $ 70 en el barrio Machala Alto, zona conocida por la presencia de los foráneos. Allí hay pequeñas casas de madera cubiertas de cartón, que albergan hasta a diez personas, incluidos menores de edad que laboran en algunos casos junto con sus padres.
Solo 400 ciudadanos de ese país tienen legalizada su presencia en El Oro, según el Consulado. El resto es ilegal.
Sobre los fallecidos, Johnny Pacheco, socio de la mina Cimpe y actual presidente de la Cámara de la Pequeña Minería de Portovelo, dijo que no tenía relación laboral directa con ellos, porque la compañía contrató a un ingeniero peruano para realizar la exploración.
“Hemos contratado a ingenieros peruanos por la experiencia en minería que tienen ellos y aquí debían hacer los trabajos bajo su responsabilidad”, señaló Pacheco. Pero las muertes se dieron en su mina.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
AUDIÊNCIA PÙBLICA SOBRE AS CONDICOES SOCIOECONÔMICAS DOS IMIGRANTES EM SÂO PAULO
Hoje 13 de junho das 15 ás 19hrs.
Câmara municipal de São Paulo
Viaduto de Jacareí, n 100
Sala Sérgio Viera de Mello
1 subsolo
CONVIDADOS
Luis Alexandre de Faria
Auditor Fiscal do Trabalho, do Programa
de Erradicação do Trabalho Escravo De
São Paulo.
Padre Mário Geremias
Coordenador do Centro Pastoral do
Migrante
Ítalo Cardoso
Vereador (pt), membro da Comissão
de Direitos Humanos, Cidadania,
Segurança Pública e Relações
Internacionais da Câmara Municipal
de São Paulo
Ruth Camacho
Advogada especialista em imigração
Juscelino Gadelha
Vereador, membro da Comissão
de Direitos Humanos, Cidadania,
Segurança Pública e Relações
Internacionais da Câmara Municipal
de São Paulo
Lúcia Chiyere I. Udemezue
Cientista Social Comitê Paulista para
Imigrantes e Refugiados da cidade de São
Paulo
Bas’Ilele Malomalo
Doutor em Sociologia pela Unesp e membro
da Diretoria Executiva do Instituto do
Desenvolvimento da Diáspora Africana no
Brasil ( IDDAB ).
Roque Pattussi
Coordenador do CAMI ( Centro de Apoio
ao Migrante - SPM )
Câmara municipal de São Paulo
Viaduto de Jacareí, n 100
Sala Sérgio Viera de Mello
1 subsolo
CONVIDADOS
Luis Alexandre de Faria
Auditor Fiscal do Trabalho, do Programa
de Erradicação do Trabalho Escravo De
São Paulo.
Padre Mário Geremias
Coordenador do Centro Pastoral do
Migrante
Ítalo Cardoso
Vereador (pt), membro da Comissão
de Direitos Humanos, Cidadania,
Segurança Pública e Relações
Internacionais da Câmara Municipal
de São Paulo
Ruth Camacho
Advogada especialista em imigração
Juscelino Gadelha
Vereador, membro da Comissão
de Direitos Humanos, Cidadania,
Segurança Pública e Relações
Internacionais da Câmara Municipal
de São Paulo
Lúcia Chiyere I. Udemezue
Cientista Social Comitê Paulista para
Imigrantes e Refugiados da cidade de São
Paulo
Bas’Ilele Malomalo
Doutor em Sociologia pela Unesp e membro
da Diretoria Executiva do Instituto do
Desenvolvimento da Diáspora Africana no
Brasil ( IDDAB ).
Roque Pattussi
Coordenador do CAMI ( Centro de Apoio
ao Migrante - SPM )
Vítimas do terremoto no Haiti fogem para o Brasil
Em busca de oportunidades, cerca de duas mil pessoas já entraram no país desde a catástrofe, em 2010
Após liderar a missão militar da ONU no Haiti, o Brasil virou sonho de vida melhor para haitianos flagelados pelo terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no país caribenho em 2010. Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), desde a tragédia aproximadamente duas mil pessoas que desejam se estabelecer em solo brasileiro já cruzaram fronteiras, muitos em busca de oportunidades de trabalho em obras para a Copa e as Olimpíadas.
A jornada dos haitianos até o Brasil pode durar até um mês e custar cerca de US$ 2,5 mil, entre passagens de avião, barco e ônibus, além de cotas para atravessadores ilegais de imigrantes, os ‘coiotes’. Alguns trechos chegam a ser percorridos a pé. A maioria dos imigrantes é de homens com idades entre 20 e 40 anos, mas já chegaram ao País algumas grávidas e até mesmo crianças.

Apesar da dureza do caminho, os imigrantes consideram que a viagem vale a pena, já que a taxa de desemprego no Haiti chegou a 80%.
“O desastre destruiu meu país. Eu e muitos haitianos escolhemos o Brasil por causa da Copa de 2014. Sabemos que vão precisar de trabalhadores”, contou o haitiano Esdras Hectos, 27 anos, ao jornal britânico ‘The Guardian’.
Segundo o Acnur, assim que chegam ao Brasil, muitos haitianos solicitam status de refugiado, mesmo sem ter chance de recebê-lo, porque ser vítima de desastres naturais não é um dos critérios para obtê-lo. Ainda assim, os imigrantes conseguem entrar no País com o protocolo de solicitação de refúgio.
A solução do Conselho Nacional de Imigração tem sido conceder vistos humanitários. Até o momento, de todos os haitianos que se tem notícia que chegaram ao Brasil, apenas 250 já conseguiram legalizar a sua situação.
Uma vez no Brasil, destino é Manaus
Depois de atravessar a fronteira, muitos haitianos não têm condições de se manter no Brasil e são auxiliados por instituições ligadas à Igreja Católica. O destino de vários é Manaus, onde os recém-chegados são mantidos em alojamentos organizados pela Paróquia de São Geraldo. Já estariam na capital do Amazonas cerca de 800 haitianos.
Segundo o Comitê Nacional para Refugiados, o Brasil tem hoje cerca de 4,5 mil refugiados. Desses, 64,5% vêm da África, 22,4% de outros países da América e 10,6% da Ásia.
Angola, Colômbia, República Democrática do Congo, Libéria e Iraque são os países com maior representatividade entre os refugiados.
A região Amazônica abriga, ao todo, cerca de 140 imigrantes que conseguiram o status de refugiados, a maioria bolivianos.
Após liderar a missão militar da ONU no Haiti, o Brasil virou sonho de vida melhor para haitianos flagelados pelo terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no país caribenho em 2010. Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), desde a tragédia aproximadamente duas mil pessoas que desejam se estabelecer em solo brasileiro já cruzaram fronteiras, muitos em busca de oportunidades de trabalho em obras para a Copa e as Olimpíadas.
A jornada dos haitianos até o Brasil pode durar até um mês e custar cerca de US$ 2,5 mil, entre passagens de avião, barco e ônibus, além de cotas para atravessadores ilegais de imigrantes, os ‘coiotes’. Alguns trechos chegam a ser percorridos a pé. A maioria dos imigrantes é de homens com idades entre 20 e 40 anos, mas já chegaram ao País algumas grávidas e até mesmo crianças.

Apesar da dureza do caminho, os imigrantes consideram que a viagem vale a pena, já que a taxa de desemprego no Haiti chegou a 80%.
“O desastre destruiu meu país. Eu e muitos haitianos escolhemos o Brasil por causa da Copa de 2014. Sabemos que vão precisar de trabalhadores”, contou o haitiano Esdras Hectos, 27 anos, ao jornal britânico ‘The Guardian’.
Segundo o Acnur, assim que chegam ao Brasil, muitos haitianos solicitam status de refugiado, mesmo sem ter chance de recebê-lo, porque ser vítima de desastres naturais não é um dos critérios para obtê-lo. Ainda assim, os imigrantes conseguem entrar no País com o protocolo de solicitação de refúgio.
A solução do Conselho Nacional de Imigração tem sido conceder vistos humanitários. Até o momento, de todos os haitianos que se tem notícia que chegaram ao Brasil, apenas 250 já conseguiram legalizar a sua situação.
Uma vez no Brasil, destino é Manaus
Depois de atravessar a fronteira, muitos haitianos não têm condições de se manter no Brasil e são auxiliados por instituições ligadas à Igreja Católica. O destino de vários é Manaus, onde os recém-chegados são mantidos em alojamentos organizados pela Paróquia de São Geraldo. Já estariam na capital do Amazonas cerca de 800 haitianos.
Segundo o Comitê Nacional para Refugiados, o Brasil tem hoje cerca de 4,5 mil refugiados. Desses, 64,5% vêm da África, 22,4% de outros países da América e 10,6% da Ásia.
Angola, Colômbia, República Democrática do Congo, Libéria e Iraque são os países com maior representatividade entre os refugiados.
A região Amazônica abriga, ao todo, cerca de 140 imigrantes que conseguiram o status de refugiados, a maioria bolivianos.
domingo, 12 de junho de 2011
Imigrantes ilegais em Israel viram alvo de leis severas e deportações
Antes dominantes, as feições europeia e árabe da população de Israel hoje são complementadas por olhos puxados e pele amarela e negra. Imigrantes vindos de longe, especialmente do Sudeste Asiático, começaram a desembarcar no pequeno país no começo dos anos 1990, com incentivo do governo local, em busca de melhores condições de trabalho. Desde a administração de Ytzhak Rabin, tailandeses, filipinos e chineses, por exemplo, começaram a substituir a força de trabalho palestina. No entanto, esses estrangeiros atualmente sofrem com o preconceito e a deportação, apesar de alguns terem tido filhos em solo israelense.
O islâmico moderno
A turquia de mustafa Kemal Atatürk construiu-se laica à força dos militares e de um nacionalismo de contornos autoritários habituado a usar o poder das fardas (houve golpes militares em 1960, 1971, 1980 e 1997) e a ameaça dos tribunais para controlar quaisquer dissidências à interpretação oficial da história e do papel do Estado na Turquia moderna.
A chegada ao poder de Recep Tayyip Erdogan marcou uma nova era, para o próprio primeiro- -ministro que modernizou o discurso, aligeirou o islamismo do seu partido e procurou mostrar-se à Europa como o interlocutor privilegiado entre o Ocidente e o mundo islâmico. E para a Turquia, cujo crescimento económico faz hoje inveja a uma Europa em crise.
A Turquia tudo tem feito para estender a mão a Bruxelas, mas a União Europeia continua a postergar a sua entrada, alegando, essencialmente, as violações dos direitos humanos; temendo, sobretudo, o problema da imigração. Neste caso, vale o peso da Alemanha, que tem mais de 3,5 milhões de turcos a viver no seu país, muitos deles nascidos em território alemão.
É talvez o maior falhanço dos dois mandatos de Erdogan à frente do governo turco. A incapacidade de convencer a UE de que a sua adesão tem mais aspectos positivos que negativos. Daí que Ancara tenha nos últimos anos procurado assumir de um modo mais activo o seu papel de potência regional, de peça activa no xadrez euro-asiático e do Médio Oriente, demonstrando, ao mesmo tempo, que um partido de ideologia islâmica pode, no século XXI, governar um país moderno.
A chegada ao poder de Recep Tayyip Erdogan marcou uma nova era, para o próprio primeiro- -ministro que modernizou o discurso, aligeirou o islamismo do seu partido e procurou mostrar-se à Europa como o interlocutor privilegiado entre o Ocidente e o mundo islâmico. E para a Turquia, cujo crescimento económico faz hoje inveja a uma Europa em crise.
A Turquia tudo tem feito para estender a mão a Bruxelas, mas a União Europeia continua a postergar a sua entrada, alegando, essencialmente, as violações dos direitos humanos; temendo, sobretudo, o problema da imigração. Neste caso, vale o peso da Alemanha, que tem mais de 3,5 milhões de turcos a viver no seu país, muitos deles nascidos em território alemão.
É talvez o maior falhanço dos dois mandatos de Erdogan à frente do governo turco. A incapacidade de convencer a UE de que a sua adesão tem mais aspectos positivos que negativos. Daí que Ancara tenha nos últimos anos procurado assumir de um modo mais activo o seu papel de potência regional, de peça activa no xadrez euro-asiático e do Médio Oriente, demonstrando, ao mesmo tempo, que um partido de ideologia islâmica pode, no século XXI, governar um país moderno.
sábado, 11 de junho de 2011
Situação dos presídios italianos beira o colapso, diz estudo

O sétimo “Relatório sobre as condições de detenção na Itália” registrou o estado do sistema carcerário italiano e os seus efeitos sobre os detentos até o final de 2010. Do estudo, emerge um retrato perturbador causado pela superlotação nas prisões, cuja origem, segundo o levantamento, está fortemente ligada às políticas contra a imigração clandestina comandadas pelo governo de Silvio Berlusconi em 2002 – uma situação agravada pelo aumento substancial do fluxo migratório vindo do norte da África, tendo a ilha de Lampedusa como foco crítico.
Juntamente com a lei Fini-Giovanardi, de 2006, acerca das drogas, esta política tem lotado as prisões de pessoas sem permissão de residência e dependentes tóxicos, demandando da justiça penal a administração de fenômenos de cunho social.
A Antigone, que conduziu o estudo, é uma associação italiana que defende “os direitos e as garantias no sistema penal”, e é composta principalmente por juízes, acadêmicos, parlamentares e agentes penitenciários envolvidos com a justiça penal. Por mais de 20 anos, a associação se ocupa, entre outras coisas, de monitorar as condições de vida dos presidiários. Patrizio Gonnella, presidente da Antigone, relatou ao Opera Mundi os efeitos concretos que essa situação exerce sobre a vida dos detentos.
Insiste Casa Branca em reforma migratória

A Casa Branca reiterou hoje a necessidade de uma reforma exaustiva do sistema de leis de imigração diante do incremento de normativas anti imigrantes nos estados. O interesse governamental foi reativado depois que nesta quinta-feira em Alabama o governo estatal aprovou uma medida mais dura que a assumida pelo governo estatal de Arizona, a SB1070.
A reação do Poder Executivo foi expressar por Jay Carney, que defendeu por uma reforma exaustiva do sistema e manifestou seu convencimento de que "se pode conseguir um consenso entre os dois partidos para conseguir essa reforma".
O governador de Alabama, Robert Bentley, ao subscrever a medida, permitirá à polícia desse estado deter a um suspeito de ser um imigrante indocumentado se é interrogado por qualquer outro motivo.
Também forçaria às escolas públicas a determinar a situação migratória dos alunos e qualifica como um delito transportar corretamente a um ilegal.
Ademais obrigará as empresas desse estado a aclarar agora se qualquer empregado novo reside legalmente no país.
A respeito da reforma, o presidente Barack Obama considera que é uma necessidade reestruturar leis opostas aos preceitos da fundação do país, não só porque 11 milhões de imigrantes indocumentados vivem clandestinamente em o, senão porque castiga a quem tratam de imigrar legalmente.
Os republicanos no Congresso opõem-se a adiantar iniciativas que impliquem a legalização dos ilegais, enquanto trabalham em vários estados para atingir legislações que criminalizam os imigrantes.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
PROGRAMA DA REDE VIDA – TRIBUNA INDEPENDENTE
TEMA: “MIGRAÇÕES E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O QUE TEMOS A VER COM ISSO?” – 26ª SEMANA DO MIGRANTE
ENTREVISTADO: DOM DEMÉTRIO VALENTINI
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE JOSÉ CARLOS (Carlinhos das Gerais) e SONIA NUNES (CPM – IGREJA DA NOSSA SENHORA DA PAZ – SÃO PAULO)
NESTA SEXTA-FEIRA, DIA 10 DE JUNHO, DAS 22:15hs às 23:15hs
VOCE PODE PARTICIPAR FAZENDO PERGUNTAS OU COLOCAÇÕES PELOS SEGUINTE E-MAIL: tribunarp@redevida.com.br
OU PELO TELEFONE: (17) 3355-8432
ENTREVISTADO: DOM DEMÉTRIO VALENTINI
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE JOSÉ CARLOS (Carlinhos das Gerais) e SONIA NUNES (CPM – IGREJA DA NOSSA SENHORA DA PAZ – SÃO PAULO)
NESTA SEXTA-FEIRA, DIA 10 DE JUNHO, DAS 22:15hs às 23:15hs
VOCE PODE PARTICIPAR FAZENDO PERGUNTAS OU COLOCAÇÕES PELOS SEGUINTE E-MAIL: tribunarp@redevida.com.br
OU PELO TELEFONE: (17) 3355-8432
Angola: política de imigração rígida demais

A Holanda, a União Europeia, os EUA, a Noruega e o Brasil expressaram esta semana sua preocupação sobre vistos e política de imigração em Angola. Eles querem um fim para as ‘histórias de horror’ que acontecem a trabalhadores estrangeiros e turistas no país.
Os dramas com relação aos vistos já acontecem há anos com trabalhadores estrangeiros. Passaportes desaparecem no Serviço de Imigração e permissões de trabalho não são emitidas. Um diretor sem visto de trabalho teve que se esconder, fugindo da polícia. Outros chegaram a ser postos atrás das grades, não podem sair ou entrar no país. Ou são escoltados por policiais armados até o aeroporto e simplesmente expulsos.
Multas de dezenas de milhares de euros são mais regra que exceção; um dia sem um visto legítimo ou permissão de trabalho custa 150 euros. Que a culpa não seja sua por não ter o documento necessário, não faz nenhuma diferença.
Holandeses que têm problemas graves em Angola às vezes ficam zangados com a embaixada. “Eles pensam que nós podemos dar um telefonema para o homem atrás do balcão e que tudo vai se resolver”, diz o embaixador holandês Cor van Honk. Mas a embaixada não tem este poder em Angola, muito pelo contrário. “Com frequência não podemos ajudar a solucionar estes problemas.”
Limite
“Durante um encontro de embaixadores, logo descobrimos que as ‘histórias de horror’ que ouvimos aqui de expats e turistas não são incidentes, mas sim o padrão”, diz Van Honk. Para este grupo, chegou a hora de dar um basta. Na última terça-feira a União Europeia, os EUA, a Noruega e o Brasil apresentaram uma queixa oficial conjunta ao Ministério de Relações Exteriores de Angola.
A chamada ‘demarche’ foi iniciativa do embaixador da União Europeia, Javier Pinuela. “O ministro de Relações Exteriores de Angola disse que compreende nossa preocupação e que irá se aprofundar no assunto”, diz Van Honk. “Isso vai envolver principalmente uma melhor coordenação entre o Ministério do Interior e o de Relações Exteriores.”
O embaixador holandês já viveu em diferentes países da África, mas nunca viu uma situação tão extrema. “Não é o caso de subir na mesa e sair gritando seus direitos, mas de obter os seus direitos. Nossa mensagem é: há muito descontentamento, e não acredito que o governo angolano queira propositadamente maltratar trabalhadores estrangeiros.”
Tintura
Diversos fatores estão na base dos problemas com a imigração. “Este país tem muitos talentos, mas também problemas institucionais como consequência dos 27 anos de guerra civil e do recente passado comunista. Isso não pode ser apagado de repente, como mágica. Quando você passa uma tintura no cabelo, tem que esperar muito até que cresça o suficiente para cortar o que foi pintado.”
Angola ainda não é um país “orientado para o serviço”, sugere Van Honk. Outro problema, segundo ele, são as leis ultrapassadas e sua interpretação. “Não só isso: aqui você não pode discutir com as autoridades. Há três anos, em Huambo, um motociclista ignorou o sinal de um policial para que parasse e foi morto com um tiro. Este é um exemplo extremo, mas ilustrativo.”
Inundação de estrangeiros
A embaixada holandesa fica num modesto andar de um prédio na baía de Luanda. A vista diz muito: uma larga faixa de terra recém despejada, escavadeiras e por trás o mar. Aqui as obras estão na ordem do dia, como em toda a cidade.
Angola é uma das economias que mais rapidamente cresceram na última década. “Depois do fim da guerra, em 2002, o país foi de uma hora para a outra inundado com trabalhadores e investidores estrangeiros”, diz Van Honk. “Regulamentar isso não é uma tarefa fácil.”
No relatório do Banco Mundial, ‘Doing Business 2011’, Angola aparece na 163ª posição entre 183 países no que diz respeito ao ‘clima para negócios’/ ‘facilidade em realizar negócios’. Ao mesmo tempo, a atual cifra de desemprego em Luanda é de 17%, e no resto do país 28%. Cerca de 60% dos angolanos trabalham no setor informal. E isso pesa.
Angolanos primeiro
Angola não quer ter trabalhadores estrangeiros desnecessariamente, diz Van Honk. “Uma empresa como a Sonangol, a petrolífera estatal de Angola, quer formar seu próprio pessoal. Mas se mesmo assim vem um estrangeiro, querem poder se livrar dele quando quiserem. Por isso os expats têm que renovar sua permissão de trabalho todos os anos, mesmo quando ela é válida por três anos. O dilema aí é: angolanos com boa formação não crescem em árvores.”
Criar empregos para os angolanos é um desejo legítimo, acredita o embaixador. “Isso pode ser regulado através de vistos de trabalho. Na Holanda também fazemos isso. A questão é: isso é feito de maneira razoável? Não é a intenção, por exemplo, que você fique sem documentos para viajar no momento em que sua mãe está para morrer.”
“O problema, portanto, não é que o especialista estrangeiro em petróleo depois de três anos seja substituído por um especialista angolano. O problema está no funcionário do Serviço de Imigração.
Solução
O descontentamento foi manifestado. Mas o que fazer agora? “Nossa sugestão é: simplifique os procedimentos”, diz Van Honk. “Se o sr. Jansen pode entrar no país com um contrato que vale por três anos, por que não dar a ele um visto que vale por três anos, de maneira que ele não precise renovar a cada ano? Cobre duas vezes mais por este visto e você não vai perder nenhum centavo.”
Nisso Angola pode precisar de ajuda: “Reduzir a ‘pegada’ burocrática não é um reflexo natural neste país”, diz Van Honk, que tem formação em Biologia Social. “Isto é a herança de 25 anos de comunismo. O reflexo angolano é: a autoridade é sagrada. Nós oferecemos ajuda técnica e dissemos que queremos resolver o problema conjuntamente. Queremos demonstrar que pode ser de outra maneira.”
As autoridades angolanas ainda não reagiram oficialmente.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Imigração holandesa - Novos imigrantes

O número de imigrantes que hoje vai da Holanda para o Brasil diminuiu em relação ao passado, mas, de tempos em tempos, uma nova família continua a chegar. Erwin Erkel emigrou com sua esposa Yvette e os três filhos em dezembro de 2007, e hoje leva em Carambeí, no interior do Paraná, uma vida completamente diferente da que tinha na holandesa Geldermalsen.
“Nós viemos para o Brasil porque Erwin sempre teve vontade de emigrar”, conta Yvette.
Erwin descreve como um ‘kriebel’ – uma espécie de cócega – a inquietação que sentia há muito tempo: como será a vida num outro país?
A escolha do Brasil foi por influência dos pais de Erwin Erkel, que emigraram para o Paraná em 1993.
“Você não chega num lugar totalmente desconhecido, e isso é uma vantagem, porque já sabe mais ou menos como as coisas são, embora na prática não seja tão fácil”, comenta ele, que até a mudança só havia passado algumas semanas de férias com a família no Brasil.
Vida nova
Na Holanda, Erwin trabalhava como técnico numa loja de peças de implementos agrícolas e nunca pensou em ser fazendeiro. Yvette, que é ortopedagoga, trabalhava com crianças com problemas de aprendizagem. No Brasil, os dois têm uma chácara onde criam perus e gado leiteiro, e uma rotina que inicia antes do sol nascer.
“É o que na Holanda a gente chama ‘het roer om’: virar o leme e tomar um novo rumo. Aqui temos uma vida totalmente diferente.”
Obstáculos
Nos primeiros tempos de Brasil, as dificuldades foram muitas. Com a burocracia em torno de documentos, mas também com a adaptação. Yvette foi quem teve mais dificuldade.
“Foi muito difícil. Eu achei horrível. Tinha muita saudade da minha família, dos meus pais e minhas irmãs. Saudade da minha vida como era antes, porque aqui era tudo muito diferente. Eu tinha que levar as crianças para a escola todo dia de manhã e depois buscar à tarde, porque não tem um bom transporte público e elas não podiam ir sozinhas como iam na Holanda, então perdi muito da minha liberdade”, ela recorda. “A cultura é diferente, a comida... Demora pra gente se acostumar, e se você tem saudade, tudo fica ainda pior. Mas num determinado momento você tem que decidir se quer mesmo ficar ou se quer voltar, e só assim a saudade passa. Quando comecei a ter minhas próprias coisas aqui, meus próprios objetivos, tudo melhorou. E eu sei que se amanhã quiser ir para a Holanda, de férias ou para ver minha família, posso entrar num avião e logo estou lá. Continuo sentindo saudade, mas agora é diferente. Eu tinha uma ótima vida na Holanda e agora tenho uma ótima vida no Brasil."
Os filhos – Amy, Erwin e Suzanna – também tiveram alguma dificuldade no início, principalmente com a escola, mas logo se adaptaram.
Já para Erwin, a maior dificuldade nos primeiros tempos de Brasil foi ver o sofrimento da esposa. “Acho que o mais difícil pra mim foi o fato de Yvette não ter se sentido tão bem no começo. Já eu me senti bem desde o início, porque já estava ocupado com os afazeres da chácara. Você assume algumas responsabilidades e entra numa espiral positiva. E quando surgem dilemas, problemas, precisa encontrar soluções criativas”, explica Erwin, que se sente estimulado com os novos desafios.
Língua e cultura
Apesar de estarem em Carambeí - uma colônia holandesa -, a língua também foi uma das dificuldades iniciais, já que mesmo com uma comunidade que fala holandês por perto, não dá para viver no Brasil sem falar português.
Suzanna, a filha mais nova, tinha 9 anos quando chegou ao Brasil. Hoje, com 13 anos, ainda acha o português muito difícil: “A língua é bem diferente, tem muito mais gramática e é bem difícil. Aí complica, né? Mas eu gosto, estou bem aqui. Se me falassem que eu poderia voltar para a Holanda eu acho que não voltaria, não”, diz.
“Este foi um grande obstáculo. Você sabe o que você quer dizer em holandês, mas não sabe como dizer em português”, comenta Erwin. “Quando você tem que explicar para os empregados ou conversar com um veterinário, não sabe como dizer o que quer e às vezes, pela limitação da língua, a gente é muito direto, o que para um brasileiro pode soar como rude. E quando você tem perguntas, eu quero um ‘sim’ ou um ‘não’, e não um ‘talvez’. E com o brasileiro quase nunca é um ‘sim’ ou um ‘não’. Esta cultura é muito diferente para nós.”
Mais espaço
Dificuldades à parte, a família está feliz no Brasil e não se arrepende de ter emigrado.
“Aqui tem mais espaço, mais liberdade, mais possibilidades para trabalhar com gado e coisas assim. A Holanda está mais para a indústria e a internet, tudo está mais rápido, e aqui é mais tranquilo, mais lento, às vezes tranquilo até demais”, diz Erwin, deixando claro que o comentário não é uma reclamação. “Eu gosto do clima, da cultura – embora nem sempre –, e o brasileiro é muito alegre. Aqui tudo é possível.”
Programa previa o uso do banco de dados da Imigração para encontrar imigrantes indocumentados.

Depois de mais de 6 meses de suspense, o governador de Massachusetts, Deval Patrick, decidiu não assinar o “Comunidades Seguras.”
O programa federal já está em vigor em 37 estados americanos, e autoriza o uso do banco de dados da Imigração para que policiais chequem o status de todos os indivíduos presos.
“Na sexta-feira, o governador Patrick enviou uma carta ao ICE explicando os seus motivos para não assinar o programa,” disse Josiane Martinez, porta-voz do governador.
Com a decisão, Massachusetts passa a ser o terceiro estado, depois de Illinois e Nova York a abandonar o programa. Na semana passada o governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que o programa tem muitas falhas.
Um inspetor federal prometeu analisar as supostas falhas do programa, autoridades federais alegam que o programa foi desenvolvido apenas para prender e deportar imigrantes que cometeram crimes sérios.
O maior argumento contra o Comunidades Seguras é que ele acaba com a confiança que imigrantes colocam na polícia. Em Massachusetts, foram realizadas 6 consultas públicas – todas com vasta maioria imigrante.
A comunidade brasileira compareceu em grande número na reunião de Framingham, e alegou que não se sentiria segura sabendo que pode ser deportado caso a polícia o abordasse no trânsito.
O “Comunidades Seguras” já está em vigor em Boston desde 2008. Até agora, mais de 60% dos imigrantes presos e deportados na cidade não tinham qualquer antecedente criminal.
Nesta terça-feira, 7 de junho, Patrick participa de uma conferência com a imprensa imigrante no Palácio do Governo, quando deve explicar os detalhes da sua decisão.
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