sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Maduro diz que imigração colombiana está colocando seu país no "limite"

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou nesta quinta-feira que seu país está chegando "ao limite" para suportar a imigração em massa de colombianos, que "só é comparável" a saída de africanos e asiáticos rumo a Europa. 

Em discurso no Palácio de Miraflores, transmitido na rádio e na TV, o presidente falou dos problemas na fronteira com a Colômbia um dia depois de três militares e um civil serem feridos aparentemente por contrabandistas em uma região da fronteira. 

O presidente assinalou que, enquanto no ano passado 160 mil africanos chegaram ao velho continente, à Venezuela recebeu 144 mil colombianos e só de janeiro a julho de 2015 mais de 121 mil colombianos se estabeleceram no país. Além disso, destacou que nos últimos nove anos mais de 800 mil colombianos se instalaram legalmente, quantidade que "poderia dobrar" considerando os imigrantes ilegais que também chegaram nesse período. "Estamos chegando ao limite para suportar essa emigração em massa. 

É um povo que vem quase sem educação e sem dinheiro. São os pobres da terra fugidos da violência, da guerra e da miséria e buscando na Venezuela socialista a proteção da seguridade social integral gratuita pública que temos. A Venezuela se transformou em um imã da garantia de direitos sociais para o povo colombiano. Preciso dizer isso e peço a compreensão. Não quero ofender ninguém com a verdade", disse ele, que pediu à comunidade colombiana no país a "colaborar com a paz e a estabilidade". 

O presidente pediu apoio internacional às organizações de direitos humanos para fazer um plano especial perante o êxodo migratório. "Estamos na hora de reagir com maior firmeza, mas também maior equilíbrio e mais sabedoria", disse. Há dois meses, Maduro afirmou que a Colômbia tinha se transformado em um "exportador de pobreza" para o seu país para onde vão os colombianos em busca de trabalho, saúde e educação. 

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, respondeu seu colega venezuelano afirmando que a Colômbia não exporta pobreza e tem um modelo econômico que gera prosperidade. 

EFE jg/cdr 
Agência Efe


Brasil promulga convenção da ONU para redução da apatridia no mundo

Com o Decreto 8.501, publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (19), o Brasil promulgou  a Convenção das Nações Unidas para a Redução dos Casos de Apatridia, de 1961, integrando oficialmente o conjunto de países comprometidos com o permanente aperfeiçoamento institucional e normativo com vistas a prevenir o fenômeno da apatridia no mundo.
"Na semana do Dia Mundial Humanitário, o Brasil se alinhou a mais de 50 países no esforço conjunto para reduzir o drama de pessoas que, por vários motivos, foram tolhidas do direito de ter uma nacionalidade", declarou o secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos.
Segundo dados do Relatório Internacional sobre Apatridia, produzido pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), cerca de 10 milhões de pessoas hoje no mundo não possuem uma nacionalidade ou não podem fazer valer os direitos inerentes à condição de nacional de nenhum país. São pessoas sem Estado, muitas vezes sem acesso à documentação básica de cidadania, como certidão de nascimento ou documento de identidade.
Para o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, “a ratificação da Convenção representa mais um passo na direção da erradicação da apatridia no mundo, mantendo o Brasil como uma referência para este objetivo”.
 A apatridia pode acorrer por motivos como  desaparecimento ou cisão de países, além de legislações internas que restringem o acesso ou o reconhecimento de nacionalidade.

 MJ

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ministério da Justiça vai lançar campanha de combate ao preconceito a refugiados

Em 1961, o Brasil se tornou signatário da Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto do Refugiado e se comprometeu a acolher em seu território vítimas de conflitos, guerras e perseguições.
O número de refugiados no mundo bateu recorde em 2014. Em junho deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que quase 60 milhões de pessoas foram forçadas a saírem de suas casas. Desse total, quase 20 milhões foram obrigados a sair do seu próprio país. No Brasil há 8.400 refugiados e 12.668 solicitantes de refúgio.
Embora crescente, o número de solicitantes e refugiados no Brasil é uma parcela reduzida da realidade mundial. Ainda assim, o governo federal tem tomado medidas para garantir o acolhimento e assistência a essas pessoas que foram forçadas a deixar seus lares. Com o intuito de esclarecer a sociedade brasileira sobre os compromissos internacionais do país e a importância do refúgio no mundo, o Ministério da Justiça lança, nesta quarta-feira (19), Dia Mundial Humanitário, uma campanha de sensibilização sobre o tema.
"Os refugiados são pessoas que perderam muito: familiares, moradia, trabalho, e também a possibilidade de ficar no seu próprio país. O Brasil trabalha para recebê-los e ajudá-los a recuperar sua dignidade, oferecendo uma oportunidade de viver ", diz o secretário nacional de Justiça do MJ, Beto Vasconcelos.
Com as hashtags #refugiados e #CompartilheHumanidade, esta última em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), a campanha do MJ será veiculada nas redes sociais. As peças trazem depoimentos de refugiados de várias partes do mundo. São histórias comoventes, de dor, mas também de superação. "Trata-se de um esforço a mais para conscientizar nossa sociedade sobre a assistência humanitária e sobre o nosso papel solidário diante de tragédias que afetam uma grande parcela da humanidade", destaca Vasconcelos.
 Ministério da Justiça

Vigilância em Saúde realiza busca ativa a trabalhadores com DSTs incluindo estrangeiros


A Divisão de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Umuarama vem realizando um acompanhamento junto a empresas com grande número de funcionários, incluindo estrangeiros que vêm à procura de trabalho e de uma vida melhor em Umuarama. A preocupação é com doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e outras patologias que possam se disseminar com facilidade, devido ao convívio e contato próximo entre os trabalhadores.

Além de orientações, a equipe da Saúde realiza testes para identificar casos de doenças e encaminhar os pacientes para tratamento. Numa das empresas visitadas, em três dias de exames foram identificados cinco operários com o vírus HIV (causador da Aids) e outros 12 contaminados por sífilis – entre 508 trabalhadores que aceitaram realizar os testes. No mesmo grupo, foram apurados 14 casos de hepatite (quatro do tipo B e 10 do tipo C). Esta doença, transmitida por relações sexuais, transfusões com sangue contaminado e de mãe para filho, através da placenta, é perigosa e ataca principalmente o fígado do paciente.

Conforme o secretário municipal da Saúde, Luiz Alberto Haiduk, a busca ativa foi definida após o aumento nos casos de DSTs no Pronto Atendimento Municipal. “Devido às condições precárias do país, devastado por terremotos, o Haiti não dispõe de uma estrutura preventiva que oriente a população a evitar as doenças, antes que elas se espalhem. Por isso, casos até de fácil diagnóstico e tratamento acabam se tornando grandes problemas de saúde. As visitas às empresas expandem aos estrangeiros a medicina preventiva e evitam que as doenças continuem sendo transmitidas entre eles e no contato com os brasileiros, ao mesmo tempo em que tratamos e estabilizamos os doentes”, definiu o secretário.

O chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, Fábio Barzon, informou que ações semelhantes já ocorreram em outras empresas e o trabalho continuará. Outra ideia da divisão é associar os cuidados com a saúde ao trabalho social que entidades, como a igreja (católica e de outras denominações), tem feito para ajudar os estrangeiros em dificuldades. Há relatos de que alguns grupos sofrem com a falta de alimentos, roupas e móveis. “As entidades estão organizadas para esse auxílio social e nós entramos com a atenção à saúde. Sabemos que há mulheres grávidas entre eles, que não têm o hábito do pré-natal e precisam ser convencidas a realizar os exames periodicamente, para garantir a saúde do bebê”, completou Barzon.
Doenças

Os sintomas da hepatite B incluem icterícia (cor amarelada na pele, membranas mucosas ou olhos), febre, dores de cabeça, náuseas, vômitos e dores musculares. A doença pode se tornar crônica em 10% das pessoas infectadas e provocar cirrose ou até câncer de fígado. A variante do tipo C é transmitida da mesma forma, porém costuma não apresentar sintomas – embora alguns indivíduos desenvolvam icterícia, dores de cabeça e garganta, vômitos e fadiga. O maior perigo é a doença evoluir para cirrose hepática, além do risco de câncer. No Brasil, estima-se em 3 milhões o número de portadoras do vírus da hepatite C.


Já a sífilis é uma doença infecciosa causada por bactéria. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, quando a doença é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura da doença. O exame é recomendado a todas as pessoas sexualmente ativas, principalmente gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e morte ao nascer. A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue ou da mãe infectada para o bebê, na gestação ou o parto.
 
Umuarama Ilustrado

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Navio com refugiados deixa ilha grega de Kos rumo a cidade no norte


Um navio de passageiros com imigrantes sírios deixou a ilha de Kos nesta quarta-feira rumo à capital grega, em meio a problemas com a onda de chegada de refugiados.
A guarda costeira grega informou que o navio, que vinha sendo usado como abrigo e centro de registro desde domingo, dirigia-se ao porto de Tessalônica, segunda maior cidade do país localizada ao norte.
Na terça-feira, o governo de Atenas fez um apelo a parceiros da União Europeia pedindo cooperação com a crise de imigração que fez com que 21.000 pessoas chegassem à Grécia somente na semana passada.
Muitos dos que chegam tentam fugir da guerra na Síria e entram no país através da Turquia, antes de aportar na ilha de Kos e outras, a bordo de botes infláveis em busca de refúgio na União Europeia.
(Por Alkis Konstantinidis)


35 anos do estatuto dos estrangeiros 19 de agosto de 1980


Brasil passou boa parte da sua historia como sendo um pais de imigração , desde o inicio de sua colonização, no final do século XIX os imigrante representavam 10%. Brasil foi o 4 pais em números de imigrantes recebidos entre 1800 e 1955 aproximadamente 5 milhões, hoje em 2015 não ultrapassa  1% a população migrante não chega a 1, 5 milhões .

Brasil ainda não tem uma lei migratória , existem resoluções normativas que ajudam ao migrante a permanecer no pais mas e insuficiente porque ainda vigora a lei  do Estatuto dos Estrangeiros de 1980, Lei 6815, que coloca ao estrangeiro como um problema de segurança nacional. Estes princípios, contrários aos da Carta Magna deveriam ser algo do passado autoritário do País. A Lei 6815 continua regendo a permanência dos estrangeiros no Brasil, numa flagrante contradição com a defesa dos direitos da pessoa humana, direitos estes garantidos em várias conferências internacionais e também pelo Plano Nacional de Direitos Humanos do governo brasileiro.

Em julho foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores uma nova Lei de Migrações de autoria do Senador Aloysio Nunes , agora o texto segue na Camará dos Deputados a espera da aprovação e já se foram 35 anos .

O pais ainda não há Ratificou  a Convenção da ONU sobre os Direitos dos Trabalhadores Migrantes e seus Familiares, aprovada em 18 de dezembro de 1990, depois de uma década de debates no âmbito da ONU - a convenção entrou em vigor em 2003 e em 1996 o Brasil já havia incluído em seu plano de direitos humanos o compromisso com a ratificação, mas ainda é o único país do MERCOSUL que não ratificou o compromisso.

O fenômeno migratório contemporâneo, por sua intensidade e diversificação, torna-se cada vez mais complexo, principalmente no que se refere às causas que originam. Entre elas, destacam-se as transformações ocasionadas pela economia globalizada, as quais levam a exclusão crescente dos povos, países e regiões e sua luta pela sobrevivência e o aumento das desigualdades entre norte e sul no mundo. Esta rápida reflexão revela a complexidade do fenômeno imigratório e a inconsistência da estigmatização como responsáveis pelas crises sociais dos países de chegada. 



Miguel Ahumada

terça-feira, 18 de agosto de 2015

MTE divulga balanço do trabalho estrangeiro no semestre

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta segunda (17) o balanço das autorizações de trabalho emitidas pela Coordenação Geral de Imigração (CGIg/MTE), de janeiro a junho deste anoO relatório aprovado em reunião do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), apresenta dados referentes às autorizações temporárias e  permanentes, concedidas a trabalhadores estrangeiros, por meio de solicitação feita por empresas, no Sistema Migrante Web. No período, foram concedidas 18.213 autorizações de trabalho, a maioria para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, que somaram 14.771  pedidos aprovados.     

O perfil dos trabalhadores estrangeiros que vieram ao Brasil neste ano, em termos de escolaridades, manteve-se estável. Mais de 10,4 mil têm ensino superior completo. Outros 6,4 mil, contam com ensino médio completo e 921 têm mestrado.  A grande maioria tem idade entre 20 e 49 anos.

O balanço semestral mostra também que 17.026 autorizações foram de caráter temporário. Apenas 1.187, foram expedidas em caráter permanente de trabalho no país. O período de maior demanda, foi de fevereiro a maio.

Por grupos ocupacionais, os profissionais das ciências e das artes lideraram os pedidos com 8.068 autorizações. Na sequência aparecem os técnicos de nível médio (5.298); diretores e gerentes (1.741) e trabalhadores da produção bens e serviços industriais (1.215).

“A maioria dos profissionais das artes veio dos Estados Unidos, são artistas, trabalhadores circenses ou similares. Em seguida temos os profissionais das Filipinas, Coréia do Sul e Reino Unido, que vieram ao Brasil, para serviços de assistência técnica, tecnologia e petróleo”, explica o coordenador da CGIg, Aldo Cândido. Juntos, os quatro países somaram 6.561 autorizações.

As autorizações de trabalho para profissionais do Mercado Comum do Sul (Mercosul), somaram  511, com Argentina, Colômbia, Venezuela e Peru, liderando os pedidos.

 Aldo Cândido observa que na comparação com o mesmo período do ano passado, o balanço apresenta um ligeiro crescimento do número de solicitações, para trabalhadores do sexo feminino. Foram 2.139 autorizações neste ano, para 2.108 em 2014. Os trabalhadores do sexo masculino somaram 16.074 permissões.

Na comparação com o primeiro semestre do ano passado, houve uma redução de 2.787 autorizações. “A redução ocorreu na entrada de trabalhadores marítimos, na área de petróleo, gás e de cruzeiros. No caso dos cruzeiros, ocorreu em função da Normativa 103 do CNIg, que aumentou o prazo de concessão de 180 dias, para até dois anos, diminuindo a frequência de pedidos”, enfatizou o coordenador da CGIg. 

CNIg- No mesmo período, foram concedidas 125 autorizações de trabalho estrangeiro,  amparadas pelas Resoluções Normativas 27,70,77 e 84, do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), sendo 96 para o Estado do Amazonas. 


 MTE

Nova Lei de Migração traz avanços aos direitos humanos, mas pode ser aprimorada

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei que institui uma nova Lei de Migração para o Brasil, em substituição ao defasado Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/1980), forjado ainda no período da ditadura militar. Trata-se do Projeto de Lei do Senado 288/2013, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei 2.516/2015, em regime de prioridade.
A proposta da nova Lei de Migração brasileira, que já representa grande avanço na proteção de direitos humanos em relação ao Estatuto do Estrangeiro vigente, ainda pode ser aprimorada a partir do debate democrático no Poder Legislativo, evitando contradições e até mesmo alguns pontos de retrocesso, com a consequente necessidade de judicialização de inúmeras demandas de tutela individual e coletiva.
Inicialmente, é preciso reconhecer os significativos avanços de determinados aspectos do projeto de lei, que merecem ser defendidos nesta fase de debate democrático que se inaugura. Nesse sentido, o projeto de lei prevê expressamente princípios e garantias, em consonância com as diretrizes de proteção internacional de direitos humanos, que podem servir para nortear políticas públicas e decisões judiciais em favor da proteção dos direitos humanos dos migrantes. Destacam-se as seguintes previsões: repúdio à xenofobia, ao racismo e à discriminação; não criminalização da imigração; previsão de hipótese de regularização migratória com fundamento em acolhida humanitária; direito de reunião familiar; direitos para fronteiriços; proteção de crianças e adolescentes; igualdade de direitos com brasileiros no acesso a serviços públicos e direitos sociais.
No mais, a nova proposta de lei avança ao prever hipótese de residência para vítimas de tráfico de pessoas, trabalho escravo ou violação agravada por condição migratória (artigo 25, XV). Atualmente, apenas as vítimas de tráfico de pessoas contam com a possibilidade de permanência válida, e ainda assim com fundamento em Resolução Normativa do Conselho Nacional de Imigração (Resolução Normativa CNI 93/2010), sem respaldo legal.
Há também avanços na possibilidade de concessão de residência, independentemente da situação migratória (artigo 26, parágrafo 4º), bem como na previsão expressa de reunião familiar com companheiro, sem distinção de gênero e orientação sexual e sem qualquer ressalva atinente à comprovação de dependência econômica (artigo 33).
Outro avanço significativo consiste na possibilidade de notificação do migrante sem documento para regularizar sua situação no prazo de 60 dias (artigo 48). Atualmente, o migrante indocumentado, que tem direito de se regularizar, é autuado e notificado a deixar o país em oito dias, sob pena de deportação, sem a oportunidade de regularizar sua situação.
O projeto conta ainda com salutar ampliação das hipóteses de vedação à expulsão, beneficiando pessoas com mais de 70 anos de idade e também aqueles que ingressaram no país até os 12 anos de idade (artigo 53), além das tradicionais hipóteses de reunião familiar.
Há também previsão expressa de não repatriação, deportação ou expulsão quando a medida colocar em risco a vida ou a integridade pessoal do migrante (artigo 60), o que garante proteção aos refugiados, além da proteção em situações específicas e temporárias, como aconteceu recentemente com o surto da epidemia causada pelo vírus ebola que assolou vários países do continente africano. Em 2014, sete nigerianos que cumpriam pena no Brasil há muitos anos, quando liberados pelo juízo da execução criminal, foram presos para efetivação da medida de expulsão ao país de origem, que já havia sido decretada. Após atuação da Defensoria Pública da União, um deles obteve liminar em Habeas Corpus para que a expulsão não fosse efetivada naquele momento, enquanto a Nigéria sofria com a epidemia.
A nova lei ainda merece aplausos por finalmente prever prazo determinado para os efeitos da pena administrativa de expulsão, atualmente de caráter perpétuo. Diante do entendimento consagrado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de que o Estatuto do Estrangeiro fora genericamente recepcionado pela Constituição Federal de 1988, remanesceu a controvérsia acerca da constitucionalidade da ausência de prazo para os efeitos da expulsão. Pela redação do projeto, a questão fica solucionada, já que o efeito da expulsão será proporcional à pena criminal e não mais que o dobro (artigo 52). O dispositivo prevê ainda que a expulsão não impedirá o gozo de benefícios na execução criminal, o que evita a celeuma muitas vezes enfrentada pela Defensoria Pública na defesa do direito à progressão de regime e à concessão de livramento condicional para estrangeiros.
Entretanto, apesar desses importantes avanços, é preciso atentar para alguns aspectos que podem representar desafios, e até retrocessos, na consecução de uma política migratória efetivamente protetiva e humanista.
O primeiro ponto a ser destacado é que, apesar da intenção de garantir igualdade com os brasileiros, as ressalvas constantes dos parágrafos 4º e 5º do artigo 4º fazem com que apenas os migrantes já registrados contem com garantias como direitos trabalhistas, acesso à justiça, assistência jurídica gratuita e o direito de transferência de recursos provenientes de sua renda. Contudo, os migrantes que formalizam pedido de regularização migratória permanecem por diversos meses, senão anos, apenas com o documento provisório que lhes garante o direito de permanência válida no país enquanto o seu procedimento tramita no Ministério da Justiça, logo sem o respectivo registro. Os migrantes ainda não registrados, além de não darem causa à demora no procedimento da efetivação do seu registro, deveriam contar com os mesmos direitos sociais garantidos aos demais migrantes já registrados. Aliás, de acordo com as normas de proteção internacional dos direitos humanos, notadamente no que diz respeito às garantias judiciais previstas no artigo 8º da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), que se sobrepõe à lei ordinária, a toda pessoa, indistintamente, devem ser garantidos direitos trabalhistas, acesso à justiça e assistência jurídica gratuita. Da mesma forma, o artigo 21 da Convenção Americana garante a todos o uso e gozo dos seus bens de propriedade privada, o que engloba a transferência de recursos provenientes da sua renda. Nada justifica, portanto, a discriminação de migrantes que não possuem registro, sendo certo que inclusive os migrantes indocumentados, que sequer possuem protocolo de regularização migratória, devem gozar desses mesmos direitos.
Destaca-se ainda a omissão do projeto de lei ao não contemplar previsão legal do visto temporário para estrangeiros que respondem processo criminal no Brasil em liberdade ou que cumprem pena criminal em liberdade. Com efeito, sendo do interesse do Estado brasileiro que esses estrangeiros permaneçam no país para o cumprimento da pena, é preciso que tal permanência seja válida, possibilitando que, nesse ínterim, eles trabalhem formalmente e que não permaneçam relegados à marginalidade, o que é causa dos mais variados problemas sociais. Atualmente, essa permanência é contemplada apenas em regulamento (Resolução Normativa CNI 110/2014 e Portaria SNJ 6/2015), sem qualquer respaldo legal.
O projeto de lei é ainda omisso no que diz respeito à necessária previsão legal para isenção de taxas. Não há previsão de isenção de taxas para regularização migratória de determinados grupos vulneráveis, como é o caso de refugiados, vítimas de tráfico de pessoas, vítimas de trabalho escravo e estrangeiros em cumprimento de pena criminal ou que respondem processo criminal em liberdade. Especificamente para os refugiados, no Brasil é cobrada a taxa para confecção da cédula de identidade de estrangeiro (CIE), em que pese o documento ser parte do procedimento de aquisição do status de refugiado, o qual, por sua vez, deveria ser integralmente gratuito, nos termos do artigo 47 da Lei 9.474/1997 e em conformidade com a evolução da proteção internacional dos refugiados desde a Declaração de Cartagena de 1984. O artigo 4º, XII, do projeto de lei, prevê que o regulamento deverá definir outras hipóteses de isenções, sendo que o artigo 27 prevê cobrança de taxas para residência, sem qualquer ressalva. Com a eventual aprovação da lei pelo texto atual, a regra será, portanto, a cobrança de taxas nessas hipóteses acima listadas. Ressalte-se, por fim, a desproporcionalidade de cobrança de taxas para tais grupos vulneráveis em comparação com a isenção de emolumentos, prevista no artigo 113, parágrafo 3º, para vistos diplomático, oficial e, até mesmo, de cortesia (aquele concedido de acordo com a conveniência política, podendo alcançar celebridades e autoridades e também companheiros, dependentes e serviçais de detentores de visto diplomático).
No que diz respeito à prisão de natureza cível para fins de expulsão e deportação, verifica-se que, apesar de não haver qualquer disposição expressa no projeto de lei, seja da manutenção ou da abolição dessas hipóteses de prisão, o artigo 51 permite, tacitamente, a manutenção dessa prática, quando dispõe que o delegado da Polícia Federal representará perante o juízo federal as medidas necessárias para efetivar deportação ou expulsão. Essas medidas consistem, atualmente, na efetivação de prisões na Unidade de Trânsito da Polícia Federal. De acordo com o atual Estatuto do Estrangeiro, tais prisões são permitidas, pelo prazo de até 60 dias para deportação e de 90 dias para expulsão, com base nos artigos 61 e 73, parágrafo único, da Lei 8.615/1980, respectivamente. Com a possibilidade aberta do artigo 51, além de perdermos a oportunidade de extinguir essa prática inconstitucional e contrária às diretrizes internacionais de prisão de natureza cível, que enseja atuação constante da Defensoria Pública da União mediante impetração de Habeas Corpus e do acompanhamento de audiência de custódia, haverá retrocesso com relação à lei atual, que ao menos prevê um prazo máximo para tais prisões.
Ademais, o novo projeto de lei não conta mais com a previsão de interposição de recurso administrativo em face da decisão que decreta a expulsão. Atualmente, a Lei 8.615/1980 prevê, em seu artigo 72, a possibilidade de pedido de reconsideração da decisão, no prazo de 10 dias, contados a partir da publicação em Diário Oficial. A supressão de tal possibilidade, além de ser um retrocesso em relação ao atual Estatuto do Estrangeiro, aumenta a necessidade de judicialização de demandas.
No mais, se aprovado o projeto de lei na sua redação atual, perderemos a oportunidade de avançar em alguns aspectos muito importantes na política migratória brasileira.
A primeira delas é a descriminalização da conduta de reingresso de estrangeiro expulso, atualmente tipificada pelo artigo 338 do Código Penal Brasileiro, com pena de um a quatro anos. Na esteira de descriminalização de condutas relacionadas a migrações, o projeto de lei poderia avançar ainda mais, transformando essa conduta em infração administrativa sujeita a multa e repatriação ou deportação (com inclusão de mais um inciso no artigo 109), e revogação expressa do tipo penal. Com efeito, além se tratar de um tipo penal relacionado à imigração, a conduta permite a ocorrência debis in idem, com sucessivas prisões e instaurações de processos criminais pelo mesmo fato.
Outra oportunidade que se perde é a previsão de prazo para a prisão cautelar para fins de extradição, que pode ser prorrogada até o final do processo no Supremo Tribunal Federal, conforme artigo 84, parágrafo 6º. No entanto, há casos em que essa prisão perdura indefinidamente, por meses, até anos, quando depende do desfecho de um procedimento de refúgio. Como se trata de uma prisão em regime fechado, é preciso que exista um parâmetro para se estabelecer uma perspectiva de prazo máximo. Pela razoabilidade, tal prazo não deveria ser superior ao restante da pena a ser cumprida no Estado solicitante.
Seria salutar, ainda, que o projeto de lei estabelecesse limites às detenções em zonas primárias de fronteira, em portos e aeroportos, em razão da necessidade de fiscalização e eventual regularização migratória, como acontece atualmente na chamada sala do conector do Aeroporto Internacional de Guarulhos. É preciso que haja parâmetros para o estabelecimento de prazos máximos de detenção, o devido acesso a procedimentos de regularização, e condições mínimas de alojamento condizentes com a dignidade humana, até que seja definida a situação migratória dos estrangeiros inicialmente inadmitidos no país. O artigo 39 não estabelece qualquer parâmetro nesse sentido.
Perderemos, também, a oportunidade de desburocratizar o procedimento de opção de nacionalidade brasileira, para quem é filho(a) de brasileiro(a). O artigo 63 do projeto de lei prevê a opção de nacionalidade de forma genérica, reproduzindo o texto constitucional. No entanto, na esteira da desburocratização e desoneração dos procedimentos migratórios, seria salutar que a opção de nacionalidade deixasse de ser um processo judicial de competência federal, de jurisdição voluntária, passando a ser formalizada em cartório. A simplificação do procedimento deveria estabelecer, de forma mais clara, que se trata de direito potestativo, para cujo exercício basta a comprovação da filiação, sem a necessidade de comprovar residência no Brasil e a intenção de aqui permanecer.
Em consonância com outras normas atinentes à regularização migratória, como é o caso do Acordo sobre Residência do Mercosul e das leis temporárias de anistia, o projeto de lei deveria prever a isenção de multa por estada irregular anterior de quem passa a contar com hipótese de residência no país pela superveniência de fato novo — como, por exemplo, o nascimento de filho brasileiro de migrante indocumentado, que lhe garante a permanência de forma definitiva, impedindo a sua expulsão do país, inclusive na hipótese de cometimento de crime. Ressalte-se que essa multa — que costuma ser aplicada justamente quando o migrante procura a Polícia Federal para se regularizar — alcança todos os membros da família, inclusive crianças e adolescentes que não gozam de capacidade civil, e em valor proporcional ao tempo de permanência em situação irregular.
Por fim, de acordo com a redação atual do projeto de lei, estamos prestes a perder a grande oportunidade de dissociar, no Brasil, a autoridade migratória — que deveria ser uma autoridade cível — da autoridade policial, já que a proposta conta com previsão expressa no artigo 38 de que o controle migratório continua sendo realizado pela Polícia Federal, revelando resquícios de uma abordagem criminal das questões migratórias em detrimento da primazia da proteção de direitos humanos.
Fabiana Galera Severo é defensora pública federal, com atuação na área de direitos humanos, tutela coletiva e migrações da Defensoria Pública da União em São Paulo, formada em Direito pela UFPR e mestranda em direitos humanos pela Faculdade de Direito da USP.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Secretário geral da CNBB pede garantia aos direitos dos migrantes

Questões relacionadas à realidade dos migrantes e refugiados no país foram tratadas em reunião, na sexta-feira, 14 de agosto, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência, dom Leonardo Steiner, reuniu-se com o secretário nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare),  Beto Vasconcelos e  com a diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), irmã Rosita Milesi, e secretária executiva do Setor Mobilidade Humana da CNBB, irmã Claudina Scapini.

Entre os assuntos debatidos, foi apontada a necessidade de avanços em políticas públicas, ações e iniciativas de recepção, tendo em vista a acolhida e inserção dessas pessoas na vida em sociedade. Foram destacadas outras urgências, como maior intervenção do Governo Federal na proteção dos direitos dos migrantes que chegam pela região norte do país.

As lideranças falaram, ainda, sobre a aprovação de uma nova Lei de Migrações, que assegure os direitos humanos e atenda às necessidades atuais da realidade migratória, cada vez mais presente no Brasil. 
Durante a reunião, dom Leonardo apontou a ausência de políticas públicas voltadas à população migrante e refugiada. Para o bispo, falta tratamento equitativo e justo, em favor dos mais necessitados e em situação de vulnerabilidade. “É uma questão essencial para tratarmos com dignidade e no devido respeito à condição de seres humanos, criados à imagem de Deus, como todos os seres humanos”, pontou dom Leonardo.
Foram sugeridas, ainda, pelos representantes do Conare e do IMDH, a promoção de campanhas de sensibilização e compreensão do fenômeno migratório, com o apoio da CNBB. 
Dom Leonardo assinalou a presença da Igreja no acompanhamento e assistência aos migrantes e refugiados. Disse que a Conferência dos Bispos continuará colaborando com as diversas iniciativas da sociedade em defesa dos direitos dos menos favorecidos.

Fotos: CNBB com informações e fotos do IMDH.


Merkel mais preocupada com refugiados do que com a Grécia

Mais do que a crise da Grécia ou da moeda única, a chanceler alemã Angela Merkel considera que a questão dos refugiados é uma das maiores preocupações que a Europa tem de enfrentar atualmente

Numa entrevista à televisão pública alemã ZDF, no domingo, Angela Merkel considerou a situação dos refugiados como "extremamente insatisfatória", defendeu uma política europeia comum de asilo e a necessidade de se avaliarem as situações dos países em guerra de onde parte a grande maioria dos migrantes.
A chanceler alemã diz mesmo que a crise dos refugiados e as guerras nas regiões vizinhas são temas que "nos vão ocupar muito mais do que a questão da Grécia e da estabilidade do euro".
A ONU já alertou para o caos que está a ser vivido nas ilhas gregas com a vaga de migrantes e, no final da semana passada, o comissario europeu das migrações disse que a Europa não está a saber tratar daquela que é a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.
Nesta entrevista, Merkel falou ainda pela primeira vez do desfecho do acordo sobre o terceiro resgate à Grécia. Sobre o sucesso do resgate mostrou-se cautelosa, dizendo não existirem certezas sobre se vai funcionar, mas admitindo "haver esperança".

Sobre a participação futura do FMI, a chanceler alemã afirmou que não duvida que as metas definidas na primeira avaliação à Grécia em outubro se vão tornar realidade. Sobre as negociações com a Grécia, disse ter recebido muito apoio, especialmente da Irlanda e de Portugal.
TSFNOTICIAS

domingo, 16 de agosto de 2015

População imigrante atinge 42.1 milhões e bate recorde nos EUA


A população imigrante nos Estados Unidos atingiu o número recorde de 42.1 milhões no segundo quadrimestre desse ano, segundo a análise mensal tendo como base dados do Census Bureau pelo Centro de Estudos Migratórios (CIS), divulgada na quinta-feira (13). A quantidade de imigrantes aumentou 1.7 milhão com relação ao mesmo período em 2014. Atualmente, os imigrantes totalizam 13.3% da população do país, atingindo o seu nível mais alto nos últimos 105 anos.
“A imigração ilegal é citada nos debates presidenciais, mas tem havido pouca discussão no nível da imigração. Esta é a época em que a imigração total está disparando segundo os últimos dados”, disse Steven Camarota, coautor do estudo e diretor do centro de pesquisas do CIS.
A imigração tornou-se um dos temas principais das campanhas presidenciais, com os republicanos criticando a aceitação da nação dos imigrantes indocumentados. Apesar de a maioria das discussões focalizar os imigrantes mexicanos, a imigração vinda do país vizinho caiu 17.7% entre 2010 e 2013, segundo dados do Departamento de Segurança Interna (DHS). O número de imigrantes oriundos da Ásia atualmente se igualou ao dos outros países do continente americano. Entretanto, uma pesquisa recente realizada pelo CIS revelou que o número de imigrantes latinos americanos possa estar aumentando desde 2014.
“O crescimento rápido da população imigrante era previsto devido aos cortes no cumprimento das leis, a expansão do sistema legal de imigração e a melhoria da economia”, disse Camarota.

As populações imigrantes estão mudando-se das metrópoles litorâneas, como Nova York e Los Angeles. Pittsburg (PA) lidera o crescimento com 17.4% de população estrangeira entre 2010 e 2013, ou seja, quatro vezes mais alto que a média nacional.

Brasilian Voice

República Dominicana repatria 15 haitianos ilegais detidos na fronteira

Autoridades da República Dominicana repatriaram neste sábado 15 haitianos que estavam ilegalmente no país e que foram detidos ao passar pela fronteira da província de Dajabón.

Autoridades do Serviço de Imigração e do 10º Batalhão do Exército da República Dominicana na região da fronteira dominicana-haitiana informaram que os imigrantes foram detidos quando cruzavam as cercas dos postos de Cañango e Copey, entre as províncias de Dajabón e Montecristi. Os repatriados são 12 homens e três mulheres. Muitos deles tinham documentos de identidade dominicana falsificados.

Antes de serem devolvidos, os haitianos tiveram os documentos verificados na presença do cônsul do Haiti em Dajabón, Noel Lukmen, e de representantes de organismos de direitos humanos e da sociedade civil dos dois países. Em declarações à imprensa local, o cônsul disse que não houve irregularidades nem violações dos direitos fundamentais na ação.

Durante o processo, os imigrantes revelaram que retornaram voluntariamente ao Haiti por não ter conseguido aderir ao Plano de Regularização de Estrangeiros, que expirou em 17 de junho. Eles pretendiam conseguir as certidões de nascimento e cédulas para conseguir o visto e retornar de maneira legal ao território dominicano.

No entanto, membros de "redes mafiosas", que operam no Haiti, ofereceram documentos idênticos aos que estão expedidos pelas autoridades dominicanas a estrangeiros e que pareciam ser legítimos.


"Paguei o equivalente a quase US$ 600 (R$ 2.089) a dois haitianos que vivem em Cap-Haitien. Fizeram todos os trâmites e me deram o visto dominicano, mas agora vejo que é falso", disse, chorando, uma haitiana do grupo de imigrantes ilegais.

Terra

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Migrar é um direito

elator da OEA, 
Apesar da boa prática adotada pelo Brasil em questões migratórias é essencial a criação de uma nova legislação sobre o tema no País, ressaltou Felipe González, relator sobre direitos dos migrantes da OEA (Organização dos Estados Americanos) e membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A afirmação do relator, que esteve em São Paulo para participar do seminário “Migrações e o Brasil: avanços e desafios para uma nova lei”, realizado segunda-feira (10/8), faz referência à tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional que prevê a criação de um novo marco regulatório sobre migrações.

Aprovado pelo Senado no começo de julho, o então PLS 288/2015 tramita agora na Câmara dos Deputados como PL 2516/2015.

A nova Lei de Migrações, como vem sendo chamada, abandona a perspectiva da segurança nacional do Estatuto do Estrangeiro, instituído durante a ditadura militar (1964-1985), e cria garantias para o tratamento igualitário dos migrantes que entram no Brasil.

“Para o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, migrantes são sujeitos de direito mesmo sem documentos", enfatizou González durante o seminário.

O evento também contou com a participação do Secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, e da defensora pública Fabiana Severo. A mediação ficou a cargo de Juana Kweitel, diretora de Programas da Conectas.

O secretário apontou que o projeto de lei que tramita na Câmara é em diversos aspectos positivo, sendo necessário que a sociedade civil e o governo juntem forças para aprovar o texto.  "Este é o momento de trabalhar de maneira convergente para garantir a aprovação desse projeto", ressaltou.

Para Vasconcelos, após ser aprovado um marco legal que não criminalize a migração, será necessário que o governo garanta a aplicação correta da lei, o que exigirá um “rearranjo institucional”.

No mesmo sentido, Fabiana Severo elogiou os avanços previstos no projeto de lei, como o repúdio expresso à xenofobia, racismo e discriminação, a previsão de acolhida humanitária e a igualdade em relação aos nacionais no acesso a serviços públicos.

Por outro lado, a defensora elencou desafios para a nova legislação, como prever visto temporário para migrantes que respondem a processo criminal. Apontou, ainda, algumas falhas no texto, como a não previsão de isenção de taxas no processo de regularização e o fato de não abolir claramente a prisão de natureza civil para fins de expulsão e deportação.
 

 Conectas

Roda de conversa vai tirar dúvidas sobre eleição de imigrantes para Conselhos Participativos em São Paulo

Cartilha feita para instruir imigrantes sobre a eleição para os Conselhos em 2014; novo pleito acontece em dezembro.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Estão abertas até 4 de setembro as inscrições para candidaturas de imigrantes aos Conselhos Participativos Municipais de todas as 32 Subprefeituras de São Paulo. E para esclarecer e melhor divulgar o processo para os imigrantes, a Coordenação de Políticas para Migrantes (CPMig) vai promover uma roda de conversa nesta segunda-feira (17).
As discussões vão acontecer na Secretaria de Municipal de Relações Governamentais, que fica no Edifício Matarazzo (o mesmo que abriga também a Prefeitura), a partir das 18h30.
A roda é voltada em especial para comunicadores imigrantes ou que possuem contato direto com as comunidades. O objetivo é promover a divulgação desse espaço de participação social e política diretamente junto às comunidades imigrantes da cidade.

Outro ponto chave é esclarecer o processo de composição do Conselho Participativo, principalmente no que tange à participação de mulheres e imigrantes no processo.
A CPMig pede que os interessados na roda de conversa confirmem presença por meio do e-mail migrantes@prefeitura.sp.gov.br, informando o nome do veículo e o tipo de mídia (jornal, rádio, portal online ou TV).
A eleição para os Conselhos Participativos das Subprefeituras está marcada para 6 de dezembro, tanto para brasileiros natos como para os imigrantes. Os eleitos cumprirão mandato de 2016 a 2018.
Roda de Conversa com Comunicadores Imigrantes
Data e hora: segunda, 17 de agosto, a partir das 18h30
Local: Secretaria de Relações Governamentais, Edifício Matarazzo
Viaduto do Chá, 15 – 10º Andar – São Paulo (SP); próximo ao metrô Anhangabaú
Informações e confirmar presença pelo email migrantes@prefeitura.sp.gov.br


MigraMundo

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Haitianos levam tiros de chumbinho em São Paulo



Sábado dia 01 de agosto aproximadamente as 20 horas  5 haitianos ficaram feridos por um grupo que passou de carro e atirou em eles , muitas noticias tem aparecido e dizem que foi no pátio da igreja da Missão Paz o que não e verdade o fato em si foi na rua Glicério na altura do supermercado extra.  os fatos estão sendo esclarecidos pela policia. A Missão Paz esta prestando todo tipo de assistência  e um fato lamentável e condenável e preocupante.

Miguel Ahumada

Bolivianos no Memorial da América Latina

A comunidade boliviana em São Paulo ocuparam neste fim de semana (dias 8 e 9) a Praça do Memorial da América Latina para celebrar com muita festa os 190 anos de independência de seu país.  É a festa da Fé & Cultura, organizada pela Associação Cultural Folclórica Bolívia Brasil.
 Realizada pela primeira vez em 2007 no Memorial, a festa foi crescendo progressivamente e hoje tem um público cativo médio de 30 mil pessoas durante os dois dias. Na abertura  foi realizada uma Procissão e uma Benção pelos Padres da Missão  Paz  Alejandro Cifuentes  e Luiz Espinel   também participou no evento o  Prefeito de São Paulo Fernando Haddad  “São Paulo é uma cidade feita por migrantes e imigrantes e que graças a Deus todos nós vivemos em paz e recebemos os nossos irmãos de todas as partes do mundo, de todas as partes do Brasil e sabemos conviver em harmonia. Essa harmonia tem que ser conquistada a cada dia. Não podemos dar margem para a intolerância, dar margem para a violência”, afirmou Haddad.
Participou do evento o  Secretario de Direitos Humanos Eduardo Suplicy, Consul de Bolívia Claudio Marconi , a Missão Paz com Padre Paolo Parise e equipe conversaram sobre a importância da regularização no pais e cadastraram aproximadamente 6.000.00 Bolivianos .

Os   grupos folclóricos dão o caráter religioso à festa e exaltam a devoção dos bolivianos à santa padroeira Virgem de Copacabana e a Nossa Senhora de Urkupiña, protetora dos imigrantes. As duas são levadas pelos devotos em procissão festiva que sai do busto do libertador Simón Bolivar, em frente ao Auditório, e sobem pela passarela até a praça Cívica, onde um ato cívico registra as homenagens ao aniversário de independência da Bolívia.


 Daí em diante, e até a último grupo folclórico  a praça é tomada por uma sequência ininterrupta de grupos musicais, dançantes e teatrais que se apresentaram  ao ritmo das tradicionais ‘morenadas’, ‘diabladas’, ‘caporales’ e ‘tinkus’. As fantasias dos grupos misturam-se à indumentária que cada família vai produzindo ao longo do ano e dão à praça um visual multicolorido, numa vibrante festa de confraternização ao melhor estilo boliviano.




A festa Boliviana faz parte do calendário municipal da Prefeitura de Sào Paulo .

Miguel Ahumada

domingo, 9 de agosto de 2015

Imigrantes comemoram Dia dos Pais pela primeira vez no Brasil

Ao lado de seus rebentos brasileiros, imigrantes que deixaram seus países recentemente para se fixarem no Brasil comemoram pela primeira vez neste domingo (9) o Dia dos Pais. São estrangeiros que vieram para ficar, não pretendem voltar aos seus países de origem e, com os filhos, experimentam a maior possibilidade de se ligarem permanentemente ao país.
"Com uma filha, fica tudo diferente. Ela é uma benção de Deus. Lá [na Síria], estávamos preparados para morrer. Aqui [no Brasil], não. Estamos vivendo em paz. É muito difícil ter segurança. Outras coisas, nós podemos ter. Mais sem segurança, o horizonte não é claro", diz o sírio Khaled Tomeh, 31, que mudou com a família de Homs, um dos principais palcos do conflito sírio, para Belo Horizonte, em junho de 2014. Este ano, sua primeira filha nasceu no Brasil.
"Na Síria, o Dia dos Pais é comemorado em 19 de março, dia de São José [pai de Jesus]. Mas é claro que vou comemorar neste domingo, junto com a minha filha. Estou muito feliz", diz o imigrante.
Em 29 de março de 2015, nasceu Yasmin Tomeh, filha do imigrante e de sua mulher Mari Ghattas Tomeh, 27. Yasmin significa jasmim, uma flor com cheiro adocicado, abundante na região de Bab Sbaa (Porta do Leão), onde o imigrante morava com a família numa confortável casa de classe média alta, e cristãos e mulçumanos do ramo alawta viviam em paz, explica. Sua família é católica. "Não há mais nada lá", diz Tomeh.
O sírio saca do celular, abre a tela do aparelho e surge uma imagem da flor. "Tinha muito lá. O jasmim é a coisa que mais me lembra a Síria", diz.

R$ 2.500 por pessoa para a viagem

A mesma situação é experimentada pelo imigrante haitiano Wilson Pierre, 32, pintor de paredes, desempregado há duas semanas. Sua filha Maria Vitória Pierre nasceu em 2 de julho de 2015, em Belo Horizonte.
"Estou muito feliz e é bom estar com minha filha no Dia dos Pais aqui. Mas sinto muitas saudades, não do Haiti, eu não quero voltar, mas dos meus outros filhos que ainda estão lá", afirma Pierre.

O haitiano Wilson Pierre ao lado de sua mulher, Pierrette, e sua filha Maria Vitória
O pintor deixou dois filhos em Cabo Haitiano --Ondina, 9, e Samuel, 6--, que ele pretende trazer para morar com ele no Brasil. Ele lembra que, o Dia dos Pais, no Haiti, também é comemorado no segundo domingo de agosto. Ele é adventista.
O haitiano demorou alguns meses para economizar os US$ 2.500 necessários para deixar Cabo Haitiano, no norte do país caribenho, e vir para o Brasil, em julho de 2012. Após dois anos, em julho de 2014, Pierre economizou os US$ 2.500 para trazer a mulher Pierrette Accilus, 31, para vir morar com ele em Belo Horizonte.
O casal mora com a filha recém-nascida num quarto de cerca de 20 metros, com móveis (cama, berço, mesa e cadeiras) e eletrodomésticos (fogão, geladeira, aparelho de som e TV) novos, adquiridos entre o fim de 2014 e início deste ano.
"O nascimento de Maria Vitória foi programado. Queria ter uma filha brasileira. Mas se der, quero que toda a família venha para cá", afirma. Ele explica que são o pai, a mãe, os dois filhos, os três irmãos e suas esposas, além dos sete sobrinhos, no núcleo de Cabo Haitiano da família Pierre.

 uol.om.br