sábado, 9 de maio de 2015

Zara corta oficinas de imigrantes e será multada por discriminação

Nos últimos três anos, a Zara Brasil trabalhou com afinco para evitar novos casos de trabalho escravo na confecção de suas roupas. Como? Eliminando empresas com imigrantes latino-americanos da sua rede de fornecedores. Como eles são as principais vítimas de trabalho escravo no setor, cortá-los parece ter sido a solução mais fácil para proteger a imagem da marca. É essa a constatação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que autuou a multinacional por discriminação. A multa é de R$ 838 mil.
Em 2011, a Zara Brasil foi implicada num flagrante de escravidão envolvendo 15 bolivianos e peruanos, libertados pelo governo federal em oficinas de costura na capital paulista. Após o escândalo, a empresa assinou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e com o MTE. Nele se comprometeu a realizar auditorias privadas em sua rede de fabricantes para sanar irregularidades trabalhistas impostas a brasileiros e, principalmente, a estrangeiros como bolivianos e peruanos – as principais vítimas de trabalho escravo no setor.
Mas, na avaliação do Ministério do Trabalho, a empresa descumpriu reiteradamente essas obrigações. A Zara não detectou ou corrigiu problemas graves que continuaram ocorrendo na sua rede, como trabalho infantil e jornadas excessivas. Além disso, a empresa teria desviado a finalidade das auditorias internas: ao invés de aperfeiçoar as condições dos fornecedores, valeu-se delas para mapear e excluir as oficinas de costura que empregam imigrantes – independentemente de elas estarem ou não descumprindo a lei. A auditoria aponta que a multinacional usou o novo controle interno prioritariamente para a eliminação de riscos à sua imagem.
As consequências dessa prática discriminatória incluem a perda do emprego para diversos imigrantes cujas oficinas em que trabalhavam fecharam as portas após cortarem laços com a Zara. O órgão federal contabilizou 31 fornecedores, em parte pertencentes a donos também estrangeiros, que tiveram a saúde financeira comprometida quando deixaram a rede de abastecimento da varejista. Muitos teriam interrompido a produção sem quitar suas dívidas com os trabalhadores.
“A conduta da Zara é muito grave e demanda uma punição rigorosa”, afirma Luiz Antônio de Medeiros, Superintendente Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo. Para ele, as práticas corporativas da multinacional são contraditórias com as políticas sociais anunciadas pela empresa. Após o caso de trabalho escravo que atingiu a marca em 2011, a Zara Brasil – que pertence ao grupo espanhol Inditex, maior varejista global de moda em número de lojas – anunciou diversos investimentos para beneficiar a comunidade de latino-americanos em São Paulo. Entre eles, a doação de R$ 6 milhões para a criação do Centro de Integração da Cidadania do Imigrante (CIC), um projeto do governo estadual para facilitar a regularização migratória de estrangeiros residentes no estado.


A sombra da escravidão
Ainda segundo a auditoria, em 2013, quando a exclusão de oficinas de imigrantes ainda não estava completa, 8 mil peças da Zara foram manufaturadas em uma rede de oficinas posteriormente  flagradas com trabalho escravo.
O caso veio à tona em novembro de 2014, quando auditores do trabalho resgataram 37 pessoas submetidas à escravidão em duas oficinas gerenciadas por uma empresária também de origem boliviana. Na ocasião, a Zara já não mantinha mais relações comerciais com os empreendimentos do grupo. A produção era destinada à varejista Renner, que foi responsabilizada pela situação.
A Repórter Brasil conversou com dois dos bolivianos resgatados e eles afirmam que as condições impostas aos costureiros em 2013, quando ainda produziam peças da Zara, eram similares às da época do flagrante de trabalho escravo. Mas, como a auditoria ocorreu após o fim do relacionamento entre o grupo de oficinas e a multinacional, a Zara não foi responsabilizada. Os bolivianos relatam que trabalhavam das 6 às 21 horas, seus pontos eram fraudados, eles sofriam ameaças do supervisor, seus salários eram retidos e havia adolescentes trabalhando.
Esses problemas não só foram ignorados pelo controle interno da Zara, como os relatórios de auditorias internas numa dessas oficinas eram altamente positivos. “A oficina recebeu da auditoria social a nota máxima prevista quanto à ausência de ocorrências de trabalho forçado, trabalho infantil, discriminação, atentados à liberdade de associação e negociação coletiva, tratamento áspero ou desumano, não pagamento de salários e excesso de jornada de trabalho”, descreve relatório de fiscalização do Ministério do Trabalho.

Controle interno ignorou acidentes e fraudes
Enquanto as auditorias internas apontavam ambientes saudáveis, a auditoria do Ministério do Trabalho identificou uma série de problemas trabalhistas nas empresas que confeccionam as roupas da Zara. Foram auditados 67 de seus fornecedores diretos e subcontratados, e o resultado impressiona: a partir de julho de 2012, aproximadamente sete mil trabalhadores, segundo a fiscalização, foram prejudicados por algum tipo de irregularidade trabalhista que a empresa havia se comprometido a detectar e regularizar no acordo assinado com as autoridades brasileiras. O MTE avalia que as multas pelo descumprimento dessa prerrogativa podem chegar a R$ 25 milhões, cabendo ao Ministério Público do Trabalho acionar a empresa para o pagamento do valor.
Houve ainda um aumento no número de acidentes ou doenças ocupacionais registrados em sua cadeia produtiva.
No total, 67 dos casos em três anos foram considerados graves, com o afastamento do funcionário por 30 dias ou mais. Eles incluem a mutilação de uma trabalhadora que perdeu o antebraço direito e três dedos da mão esquerda em maquinário têxtil posteriormente interditado pela fiscalização trabalhista. Constatou-se que o equipamento funcionava sem sistemas de segurança adequados.
Os casos de jornada excessiva ou irregular, identificados em 22 empresas, incluem fraudes em sistemas de registro de ponto para viabilizar horas trabalhadas além do limite legal. O MTE identificou diversos episódios de funcionários submetidos a jornadas superiores a 16 horas diárias. Ou, ainda, sem poder gozar de ao menos um dia de descanso semanal, conforme determina a lei.
Houve também o flagrante de trabalho infantil em uma tecelagem que empregava dois adolescentes, de 16 e 17 anos, em atividades insalubres. Além disso, das empresas auditadas, 34% possuíam débitos no pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Resposta da empresa
Contatada pela Repórter Brasil, a Inditex, controladora espanhola da Zara, afirmou que está contestando legalmente os autos de infração lavrados pela fiscalização. “Nossos advogados argumentam que elas (as autuações) são infundadas e não contêm nenhum fato específico que viole o acordo assinado com as autoridades brasileiras”, diz a empresa.
Sobre a prática discriminatória apontada pelo Ministério do Trabalho, a multinacional diz que não intervêm no recrutamento dos empregados de companhias com as quais mantém relacionamento comercial. “A Zara é apenas mais um cliente entre muitos outros. Aceitar essa premissa (discriminação de imigrantes) seria aceitar que todas as empresas brasileiras contratantes desses fornecedores aplicam essa mesma alegada prática, visto que a produção para a Zara nessas fábricas é menos do que 15% do total”, coloca.
A Inditex afirma ainda que o fornecedor posteriormente flagrado empregando mão de obra escrava foi submetido a rigorosos procedimentos de auditoria interna, sem que fossem constatadas quaisquer situações de trabalho que pudessem ser comparáveis à de um escravo.  Segundo a varejista, “duvidar desse fato não afeta apenas a Zara, mas também as companhias especializadas (auditorias privadas) de reconhecido prestígio internacional que realizaram as auditorias sociais durante o período”.
Em relação às demais violações de direitos trabalhistas identificadas pela fiscalização, a multinacional contesta a existência de trabalho infantil e as informações do Ministério do Trabalho relacionadas a funcionários sem carteira assinada. Diz ainda que, em casos de jornadas excessivas e débitos de FGTS, teriam sido implementadas, após auditorias internas, medidas corretivas em fornecedores. “Por meio desse trabalho, a Zara conseguiu eliminar qualquer possibilidade de emprego precário em sua cadeia produtiva”, atesta a Inditex.
 A responsabilidade das grandes marcas
Os reiterados problemas identificados na cadeia produtiva da Zara exemplificam como a terceirização está ligada à precariedade laboral. Num relatório produzido em parceria com oCentre for Research on Multinational Corporations (SOMO), a Repórter Brasil investigou as políticas adotadas pela varejista após o escândalo de trabalho escravo que afetou a marca em 2011.
O documento destaca as contradições na conduta da empresa a respeito de suas terceirizadas. Nos discursos de responsabilidade social, ela assegura ao mercado e aos consumidores ser capaz de monitorar de forma eficiente as condições impostas aos trabalhadores que fabricam suas roupas. Já no âmbito legal, refuta a responsabilidade jurídica pelos crimes flagrados em oficinas de costura que abastecem a marca.
A estratégia de litígio da Zara, que contesta a fiscalização trabalhista e a própria legalidade da “lista suja” do trabalho escravo – cadastro do governo federal que arrola os empregadores responsabilizados por esse tipo de crime – é um perigoso precedente para enfraquecer a capacidade do Estado brasileiro no enfrentamento da escravidão contemporânea.
Por conta do seu grande poder de compra, grandes varejistas tem significativa margem para impor preços baixos e demandar entregas rápidas e flexíveis. São, portanto, contribuintes diretos para o trabalho precário no setor. Ao mesmo tempo, as grandes corporações no topo da cadeia produtiva beneficiam-se dessa estrutura ao terceirizar, juntamente com a produção, também a responsabilidade por esses trabalhadores.
 Reporter Brasil

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Centenas de imigrantes são socorridos após 12 dias no Mediterrâneo


A polícia alfandegária italiana anunciou ter resgatado na noite de terça-feira quase 100 imigrantes que estavam há 12 dias no Mar Mediterrâneo, em um momento no qual 1.500 pessoas salvas nos últimos dias devem chegar ao país.

O navio de patrulha "Monte Cimone", da polícia financeira, também responsável pelo controle alfandegário e pela luta contra o tráfico e a imigração clandestina, detectou durante a noite uma embarcação de 50 metros de comprimento a 200 milhas das costas da Sicília, com 98 pessoas a bordo.

O barco tinha 35 mulheres, três delas grávidas. Os imigrantes afirmaram que estavam há 12 dias no mar, os dois últimos à deriva, sem comida e água.
A Guarda Costeira resgatou quase 650 pessoas na terça-feira, ao mesmo tempo que 30 pessoas, provavelmente sírios, conseguiram chegar à costa de Apulia, no sul do país.
Um total de 9.000 pessoas foram resgatadas em várias operações coordenadas pela guarda costeira entre sexta-feira e terça-feira.

O navio Fiorillo, também da guarda costeira, socorreu na noite desta quarta-feira, a cerca de 50 km a costa líbia, 80 homens e dez mulheres a bordo de um bote feito de pneus. O navio seguia rota à ilha italiana de Lampedusa.
À medida que os barcos chegam, os imigrantes resgatados nos últimos dias continuam a aportar nas praias italianas.

Cerca de 230 deles que estavam no mar há uma semana a bordo de um bote foram resgatados pela polícia alfandegária e chegaram em Roccella Ionica (Calábria, sul). Eles haviam sido abandonados 24 horas antes por seus passadores e sua embarcação foi avistada por uma aeronave islandesa mobilizada como parte da operação europeia Triton, informou à AFP o coronel Antonello Maggiore desta força policial.

Outros 330 desembarcaram em Messina (Sicília), enquanto um navio militar chegou a Nápoles com 600 migrantes a bordo.
Na parte da manhã, o navio porta-contentores Kreta também chegou ao porto de La Spezia (norte) com cerca de 400 migrantes resgatados na segunda-feira perto da costa da Sardenha.

De acordo com a imprensa local, o cargueiro recebeu ajuda da cidade de Olbia, que se mobilizou para recolher centenas de garrafas de água e sanduíches e levá-los a bordo.
Enquanto a acolhida a estes migrantes representa um grande desafio para a Itália, que já conta com mais de 80.000 imigrantes nos seus centros de recepção, a solidariedade não é mesma em todos os lugares.

A pequena região de Valle d'Aosta (noroeste) anunciou nesta quarta-feira que se recusava a receber os 79 migrantes que o ministério do Interior, que distribui os migrantes entre todas as regiões do país, planejava enviar.

A região, que possui 62 lugares, todos ocupados, num centro de acolhida, encontra-se na "impossibilidade absoluta" de encontrar lugares adicionais que atendam "aos critérios de sustentabilidade e dignidade", assegurou o presidente Augusto Rollandin, segundo o seu serviço de imprensa.

AFP

Conflitos e violência causam deslocamento interno recorde de 38 milhões de pessoas no mundo

Ao final de 2014, cerca de 38 milhões de pessoas estavam deslocadas dentro de seus próprios países devido a conflitos e violência. Aproximadamente 11 milhões de novos deslocamentos aconteceram apenas no ano passado, o que significa que a cada dia 30 mil pessoas, em média, foram forçadas a deixar suas casas em busca de segurança em outros locais.

Os números constam do relatório “Panorama global 2015: Deslocados internos por conflito e violência”, lançado hoje na ONU, em Genebra, pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno, organização ligada ao Conselho Norueguês para Refugiados.

O número recorde é o terceiro consecutivo nos últimos três anos e equivale à soma das populações de Londres, Nova York e Pequim. “Esses são os piores dados de deslocamento forçado em uma geração, o que assinala nosso fracasso em proteger civis inocentes” disse o secretário-geral do Conselho, Jan Egeland.

“Diplomatas globais, resoluções da ONU, negociações de paz e acordos de cessar fogo perderam a batalha contra a crueldade de homens armados que são guiados por interesses políticos ou religiosos em vez de imperativos humanos”, disse Egeland.

Para o alto comissário assistente para proteção do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), Volker Türk, o número assombroso de deslocados internos devido a conflitos e violência é o prenúncio de movimentos que estão por vir.

Ele ressaltou que muitos são forçados a deslocar-se várias vezes dentro do próprio país e a duração dos conflitos aumenta seus sentimentos de insegurança, o que acarreta na decisão de cruzar as fronteiras e tornar-se refugiados.

“Como vimos recentemente no Mediterrâneo, por exemplo, o desespero leva as pessoas a tentarem a sorte e arriscarem a vida em perigosas travessias de barco. A solução óbvia está em um esforço conjunto para levar paz a países arrasados pela guerra,” acrescentou o funcionário do ACNUR.


O relatório também frisa o quanto o deslocamento prolongado contribui para esse recorde global alarmante. Em 2014, havia pessoas vivendo em deslocamento interno há dez anos ou mais em cerca de 90% dos 60 países e territórios monitorados pelo Centro.

ONU

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Milhares trabalham para o Mundial do Qatar em condições sub-humanas


O Qatar planeia construir sete complexos para alojar mais de 250 mil trabalhadores estrangeiros que são responsáveis pelas infraestruturas do Mundial de Futebol de 2022. Mas várias organizações internacionais já vieram denunciar que há milhares de pessoas a viver em condições sub-humanas.
“As condições dos trabalhadores imigrantes no Qatar não são boas. Há um sistema abusivo de vistos de saída que os prende aos empregadores", disse à agência France Presse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da organização Human Rights Watch.
"Se esses empregadores são abusadores, eles enfrentam um grande problema. Não podem sair e procurar emprego noutro lado”, concluiu.

As autoridades do emirado tentam responder às crescentes críticas a respeito das condições laborais oferecidas aos imigrantes, com a construção de novos complexos.

Operação de Fachada

Mas, segundo a mesma organização, trata-se apenas de uma operação de cosmética do regime, que tenta assim fazer esquecer as condições sub-humanas de milhares de trabalhadores estrangeiros.
O ministro dos Assuntos Laborais e Sociais do Qatar diz, no entanto, que o país “enfrenta um grande problema, com o enorme afluxo de trabalhadores expatriados e o atraso para oferecer um alojamento apropriado para essa população foi um erro que [as autoridades] estão agora a tentar corrigir”.
De acordo com a mesma agência de notícias, o Qatar não disse quanto dinheiro irá gastar nesta iniciativa, mas a principal das sete cidades residenciais, chamada Labour City, custou mais de 730 milhões de euros e conta com a segunda maior mesquita do país.
O Campeonato do Mundo de futebol, no Qatar, vai ter lugar entre novembro e dezembro de 2022, com a final prevista para o dia 18, a duas semanas do Natal, como foi anunciado há dias pela FIFA.
Ainda de acordo com a France Presse, esta é uma mudança de calendário que não agrada aos clubes de futebol, que tinham ameaçado pedir indemnizações à FIFA por serem obrigados a alterar a temporada do futebol nacional.
O Doha Port Stadium, como se pode ver no vídeo em baixo, foi construído dentro de uma lagoa e tem capacidade para 44.950 pessoas.
Havia ainda a possibilidade de organizar a competição em estádios climatizados, face às altas temperaturas registadas no verão, mas a prova vai mesmo realizar-se no inverno.

A confirmação das datas do Mundial ocorre depois de mais de quatro anos de indecisão. Falta agora anunciar a data do início do campeonato, que deverá durar quatro semanas.

Presidente da CNBB reafirma apoio da Igreja em ações de enfrentamento ao tráfico de seres humanos


O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dom Sérgio da Rocha reafirmou o apoio da Igreja às ações de enfrentamento ao tráfico de seres humanos e trabalho escravo, falando aos participantes do III Seminário Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos.

O evento em Brasília, de 5 a 7 de maio, reúne organizações da Igreja e da sociedade civil e discute, entre outros temas, como a Campanha da Fraternidade de 2014 (Fraternidade e Tráfico Humano) incidiu sobre o enfrentamento ao crime, chamado de escravidão dos tempos modernos.

O Seminário é organizado anualmente pelo Grupo de Trabalho (GT) de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da CNBB e as instituições que o integram e tem por objetivo, além de analisar a repercussão da CF de 2014, aprofundar a reflexão teológico-pastoral sobre o tráfico e debater sobre o tema tráfico de pessoas e migrações.

O evento reúne em torno de 80 pessoas de pelo menos 15 regionais da CNBB e conta com o acompanhamento do presidente do Serviço Pastoral do Migrante (SPM) dom José Luiz Salles, bispo da diocese de Pesqueira (PE) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e a Paz.

Após a abertura na tarde de terça-feira (5) houve a plenária “Análise da Conjuntura Econômica e sua Relação com o Tráfico Humano, com Daniel Seidel, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e de Marcos Vinícius Vieira, subchefe da divisão de imigração do Itamaraty.
Nesta  quarta-feira (6) os temas tratados foram   Tráfico Humano e Migrações; Tráfico Humano e Gênero e Reflexão Teológico-pastoral sobre Tráfico Humano.

Tráfico no Brasil

De acordo com o Relatório sobre Tráfico de Pessoas de 2013, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o Brasil é país de origem, destino e trânsito para homens, mulheres e crianças submetidos à exploração sexual e trabalho escravo, entre outras modalidades, como tráfico de órgãos, adoção irregular, o ‘contrabando’ de imigrantes e a exploração de grupos indígenas.
O Brasil é considerado um dos campeões mundiais em relação às vítimas, responsável por 15 por cento das pessoas traficadas da América Latina para a Europa.
Há várias rotas internas e internacionais de tráfico de pessoas e vários destinos dentro e fora do país. Os números são imprecisos, em razão da invisibilidade e complexidade do crime que envolve redes criminosas internacionais.
As vítimas, segundo pesquisa do Ministério da Justiça (2005/2010), traficadas do Brasil para o exterior, são em sua maioria, da Bahia, Pernambuco e Mato Grosso do Sul, mas já é grande a preocupação com a exploração de meninas e tráfico de mulheres na área da Amazônia legal.
As principais rotas da exploração sexual apontadas, são Suriname, Suíça, Espanha, Holanda e  Portugal. O trabalho escravo, no meio rural e nas cidades, também aparece entre as modalidades mais presentes, com mais de 45 mil vítimas resgatadas desde 1995.
No mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) o número de pessoas traficadas é de 4 milhões anuais, com uma renda ilícita de US$ 30 bilhões.

Atuar em rede

A alternativa encontrada pelas organizações que atuam no enfrentamento, prevenção ao crime e atendimento às vítimas, é atuar em rede. Desde 2010, o grupo de trabalho criado no âmbito da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da CNBB, reúne pelo menos 10 organizações ligadas à Igreja, mas está aliado há muitas outras organizações da sociedade civil.
Um dos frutos foi a realização da Campanha da Fraternidade de 2014 que tratou e deu visibilidade ao tema.
Para o presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha a atuação desta rede demonstra que a saída é unir forças na sociedade e romper com a indiferença em relação ao tema. 
“Eu fico muito contente de encontrar um grupo que se reúne com a consciência da gravidade do tráfico humano e disposto a se unir e a enfrentá-lo. Precisamos de gente que recorde à sociedade que o drama do tráfico humano continua acontecendo e que, nós não podemos ficar indiferentes. Aqui fica um aleta para que a gente não deixe passar este tema, como nos pede o papa Francisco, porque pessoas estão sofrendo, não fiquemos indiferentes”, exortou.
O Seminário ocorre no Centro Cultural de Brasília (CCB) e neste dia 7, irá refletir sobre ações e propostas entre os regionais da CNBB, encerrando por volta das 16h.




Roseli Rossi Lara

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Hillary Clinton propõe plano de regularização de pessoas em situação ilegal



A candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton propôs nesta terça-feira um plano para regularizar e naturalizar uma parte dos 11 milhões de pessoas que vivem em situação ilegal nos Estados Unidos, durante um ato de campanha em Las Vegas.

- Já não podemos esperar para criar um caminho à cidadania plena desses estrangeiros - disse Hillary durante uma mesa redonda em um liceu de Las Vegas, em Nevada, um estado do oeste americano em que 27% de seus habitantes são hispânicos.
Na mesma mesa havia estudantes sem documentação, provisoriamente regularizados, ou pais vivendo clandestinamente.

- Nisso me diferencio de todos os republicanos. Que as coisas fiquem claras: ninguém (pré-candidato) republicano, declarado ou potencial, apoia abertamente uma via à cidadania, nenhum. Quando falam de um estatuto legal, trata-se na realidade de um estatuto de segunda classe - disse a pré-candidata democrata.

Hillary Clinton apoiou nos últimos anos a regularização em massa dos estrangeiros indocumentados, em particular os jovens "dreamers", que não deixaram os Estados Unidos desde seu nascimento e que "sonham" em sair dessa situação.
No entanto, sua pressão pela elaboração de uma naturalização constitui um claro contraste com seus adversários republicanos, que se opõem à proposta ou mantêm uma postura ambígua.

Democratas e republicanos coincidem que a presença de mais de 11 milhões de pessoas sem documentos e que as as lacunas existentes no sistema de cotas de vistos tornam a reforma migratória indispensável.
Em 2013, o Senado, então dominado pelos democratas, adotou uma reforma que teria conduzido à regularização de milhões de pessoas, mas os republicanos a frearam na Câmara dos Representantes.


O presidente Barack Obama decidiu implementar em 2012 um programa que outorga documentos provisórios a jovens sem documentos, mas sua extensão aos adultos permanece bloqueada pela justiça federal.

Agencia Globo

Imigrantes criam mais empregos do que tomam, diz estudo

Um imigrante a mais é um emprego a menos. Certo?

Errado - pelo menos de acordo com um estudo publicado em abril pelo Escritório Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos (NBER, na sigla em inglês) por Gihoon Hong, da Universidade de Indiana, e John McLaren, da Universidade de Virginia.
A literatura econômica (e os políticos) costumam olhar a imigração do ponto de vista da oferta de trabalho. A chegada de estrangeiros aumentaria o estoque de trabalhadores disponíveis, criando competição com os nativos e achatando os salários.
Mas há o outro lado da moeda. Como os recém-chegados são ao mesmo tempo novos consumidores, eles também aumentam a demanda por trabalho - por mais garçons, vendedores, professores e tudo mais.
O que Hung e McLaren fizeram foi criar um modelo econômico que divide a economia local em dois setores: os "transacionáveis" (produtos e serviços que podem vir do mercado global) e os "não-transacionáveis" (que são por definição 100% locais, como um corte de cabelo).
O efeito da imigração no emprego foi medido usando dados do Censo de várias áreas metropolitanas dos Estados Unidos em três momentos: 1980, 1990 e 2000. A suposição, baseada em outros estudos, é que a chegada de imigrantes não causa uma saída de locais.
A conclusão: "cada imigrante criou 1,2 empregos locais para trabalhadores locais, a maioria indo para nativos, e 62% deles no setor "não-transacionável", um efeito que os autores chamam de "shot in the arm" ("injeção na veia", em tradução livre).
Aumenta também a diversidade de serviços locais, outra boa notícia para os moradores. Os salários tendem a cair no setor transacionável e subir no não-transacionável: o efeito final depende do tamanho da injeção na veia e da composição da economia local.
Referências
Um trabalho similar em espírito ao de Hong e McLaren foi feito em 1996 por Elise Brezis e Paul Krugman. A conclusão foi que inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas a resposta do investimento e dos retornos de longo prazo causa um movimento contrário no longo prazo. 
O desafio é dar tempo para o efeito acontecer: o ciclo só se torna virtuoso se não for interrompido. "O otimismo ou pessimismo sobre o sucesso de uma economia em absorver imigrantes pode constituir uma profecia auto-realizável", escreviam os autores na época.
O efeito geral da imigração é uma questão ainda não resolvida na teoria econômica. As interações entre qualificação, consumo, cultura, empregos, salários, comércio internacional, empreendedorismo (e bravatas políticas) são complexas demais para serem capturadas por um único modelo. Ainda assim, a tendência é de ver a imigração como positiva no balanço.
Uma pesquisa da Universidade de Chicago com dezenas de economistas consagrados em 2013 fez a seguinte pergunta: o americano médio estaria em melhor situação se um número maior de trabalhadores estrangeiros de baixa qualificação pudesse entrar no país todo ano? 50% disseram que sim, 28% demonstraram incerteza e 9% discordaram.
Quando a pergunta é sobre o efeito da entrada de imigrantes bem qualificados, aparece um consenso: 89% concordam (fortemente ou não) que o efeito é positivo e 5% estão incertos.

 Exame

terça-feira, 5 de maio de 2015

Imigração, uma das maiores preocupações dos britânicos


O controle da imigração aparece como um dos assuntos que mais preocupam os britânicos às vésperas das eleições do dia 7 de maio, com pesquisas que indicam o auge do UKIP, o partido eurofóbico que pode conquistar mais cadeiras no parlamento.
A imigração foi insistentemente abordada na campanha eleitoral e os líderes se esforçaram em propor medidas para controlá-la através de Nigel Farage, líder do UKIP (Partido de Independência do Reino Unido), que citou os imigrantes como se fossem a fonte de todos os problemas do Reino Unido.
O professor Peter Urwin, da Escola de Negócios de Westminster, disse à Agência Efe que a imigração foi um assunto relevante nos últimos anos em toda Europa, mas que no caso do Reino Unido os debates variam desde a preocupação pelo aumento da população até os relacionados à segurança. "No Reino Unido, a natureza específica dos debates sobre a imigração varia desde a preocupação pelos limitados serviços públicos, devido a uma crescente população, até o livre-comércio, a globalização, a segurança e o assunto da participação na União Europeia", afirmou Urwin.

Os dois principais partidos, Conservador e Trabalhista, concordaram na necessidade de conter a imigração, apesar de o primeiro ter proposto alternativas muito mais severas que o segundo, principal legenda da oposição. O primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador David Cameron, que tenta a reeleição no dia 7 de maio, quer impor duras restrições aos comunitários que quiserem trabalhar no país, como um prazo de seis meses para que encontrem trabalho ou que tenham vivido quatro anos no país antes de serem beneficiados com os subsídios estatais. Cameron também quer proibir a entrada de imigrantes de países recém-aderidos à União Europeia (UE) até que suas economias se equiparem às dos outros membros. Já o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, propôs alocar mais trabalhadores no controle de fronteira, além de obrigar os funcionários públicos a falarem inglês e estabelecer uma espera de dois anos até que os novos imigrantes tenham acesso ao sistema de benefícios estatais. Nigel Farage, o político que pede a imediata saída do país da UE, é a favor de um sistema por pontos, similar ao da Austrália, para selecionar os imigrantes de acordo com suas capacidades trabalhistas, e propõe fixar em 50 mil o número de estrangeiros permitidos a entrar por ano. Esse número é muito mais baixo que o atual. De acordo com números oficiais, quase 300 mil imigrantes entraram anualmente no Reino Unido nos últimos três anos, apesar de o governo de Cameron ter prometido cotar a entrada em menos de 100 mil. Para o especialista político Paul Whiteley, da Universidade de Essex, as pesquisas indicam que, depois da economia e do Serviço Nacional de Saúde (NHS, ma sigla em inglês), a imigração é o assunto que mais preocupa os cidadãos. 

Apesar de a economia ter aparecido como o maior incômodo dos britânicos no início da campanha, em março, esse tema "passou a ser menos importante, enquanto o NHS se mantém igual e a importância da imigração aumentou à medida que as eleições se aproximavam", ressaltou Whiteley. Segundo Peter Urwin, nenhum partido "quis se apresentar como brando sobre a imigração", pois "há uma percepção de que o Reino Unido perdeu o controle de suas fronteiras", disse. No entanto, a atitude dos britânicos em relação ao aumento de estrangeiros também varia de acordo com a idade dos eleitores. 

Segundo a organização British Social Attitudes Survey, que analisa o comportamento social, 51% dos maiores de 65 anos e 23% dos menores de 25 anos consideram a imigração como um dos assuntos mais importantes. Para Urwin, a intolerância sobre os imigrantes também varia por regiões do país. "As regiões com uma tendência contrária à imigração costumam ser curiosamente áreas com a menor quantidade de imigrantes, enquanto em locais como Londres, onde os últimos imigrantes (que entraram) vivem em grande quantidade, há mais aceitação. Viver junto e se misturar traz aceitação e tolerância", opinou Urwin. 

EFE

IV Encontro dos leigos Scalabrinianos em Rio Grande Do Sul

Diferentes sim Desiguais não


Sendo o campo da missão e o universo das migrações , se faz necessário realçar a riqueza a variedades das experiências pastorais, culturais e sociais nas quais  nos  encontramos inseridos e o que avistam como possibilidade. E tarefa de cada Leigo Scalabriniano combater as causas que provocam as migrações forcadas participando nas instancias que ajudem a modificar as políticas de governo e estruturas que sejam excludentes , descobrir e valorar o migrante como portador de uma grande bagagem cultural , foram os princípios que nortearam o IV encontro de Leigos Scalabriniano que viram de países como Chile, Argentina , Paraguai, Uruguai, Peru, Bolivia e Brasil

Neste contexto aconteceu em  Guapore Rio Grande do Sul o encontro das   Provincias Sào Paulo, Sào Pedro,Sào Jose, para unificar os trabalhos é dar um amplo sentido de construir um compromisso junto aos migrantes

O Superior Provincial Padre Agenor diz que a importância de retomar e relançar o movimento dos leigos e essas resistências precisam ser superadas com caridade e firmeza os leigos tem também responsabilidade sociais e políticas, embora não partidárias , essas responsabilidades fazem parte da missão evangelizadora e devem ser assumidas dentro das perspectivas do evangelho 


São os Leigos Missionários Scalabrinianos (LMS) cristãos, atentos ao fenômeno migratório e sensíveis à vida e à história das pessoas em mobilidade. Eles participam do carisma scalabriniano por vocação. A acolhida é seu cartão de visita e a missão é testemunhar e anunciar o amor de Deus entre os migrantes, nas formas leigas da vida quotidiana. Dedicam-se à evangelização e ao serviço do migrante nas diferentes modalidades que a criatividade, a necessidade e o próprio carisma scalabriniano suscitam nos diversos contextos.
.
No evento houve uma linda noite cultural com comidas e bailes típicos dos países presentes.


Miguel Ahumada


segunda-feira, 4 de maio de 2015

No primeiro ano choramos, no segundo acostumamo-nos


No primeiro ano choramos, no segundo acostumamo-nos", diz o empregado de um dos restaurantes de peixe do porto novo de Lampedusa, enquanto serve a clientela composta maioritariamente por jornalistas e habitantes locais.
Habituado a que as tragédias com barcos de imigrantes atraiam à ilha italiana dezenas de jornais e televisões do mundo inteiro, Maurizio atalha caminho dizendo que "este fenómeno não é novo" e acontece há pelo menos 25 anos. Este homem, com um sotaque italiano cerrado característico de quem sempre viveu naquele território insular, recorda os tempos em que havia humanidade, "quando os espanhóis emigraram em massa para a Argentina" e para outros países hispânicos do continente americano. "Agora só se pensa em negócio", diz com a convicção de quem sabe bem do que fala, atribuindo as culpas ao tráfico de seres humanos.
Recorda, com tristeza, os últimos anos na ilha. Anos difíceis por causa do isolamento geográfico e também pela atitude do Governo de Itália, que tem sido responsável pelo isolamento do território noutras áreas. O turismo está entre os mais afetados.
Os habitantes de Lampedusa queixam-se de uma queda gradual do turismo na ilha, mas não atribuem as culpas aos recém-chegados "sem papéis". Quem o afirma é Caterina Catalano, dona da Stilleto, uma loja de roupa moderna na única rua de comércio do arquipélago. A empreendedora italiana instalou-se na avenida pedonal Via Roma, em 2011, quando a Europa assistia, pela primeira vez, à vaga de imigrantes tunisinos engolidos pelo mar enquanto tentavam atravessar o Mediterrâneo, logo após as revoluções da Primavera Árabe.
 Caterina Catalano abriu uma loja numa rua pedonal da ilha 
O Governo italiano não promove Lampedusa como destino de férias, acusa Catalano, e os meios de comunicação social escrevem notícias alarmantes que afastam os turistas, que visitam cada vez menos a ilha. "Até ao momento chegaram menos turistas que no período homólogo do ano passado." Todos esperam um verão terrível.
Depois da tragédia que vitimou pelo menos 800 pessoas ao largo da Líbia, há cerca de duas semanas, os hotéis de Lampedusa receberam várias chamadas de futuros visitantes a desmarcarem a suas férias.
No entanto, este é um receio infundado, garantem os locais. Nas últimas duas semanas, dos mais de dez mil imigrantes resgatados por equipas de patrulha e salvamento, várias milhas a sul de Lampedusa, apenas 1700 foram trazidos para a ilha. Os restantes seguiram para outros portos italianos, como Catania, na Sicília, onde existem centros de acolhimento com mais condições para os receberem.
Os que se salvam de uma morte terrível por afogamento mal podem esperar para saírem da ilha. São bem tratados por quem os recebe, mas em Lampedusa não lhes é permitido pedir asilo político, nem prosseguir com as suas vidas. A maioria permanece cerca de uma semana, aguardando em lista de espera uma vaga a bordo do ferry que os levará para fora da ilha.

Deixam o centro de acolhimento às primeiras horas da manhã, o local onde foram cuidados, identificados e alimentados, onde puderam dormir em colchões. Um luxo para muitas destas pessoas, que há vários dias, ou até meses, dormiam ao relento, passavam fome, sede e as maiores privações que um ser humano pode enfrentar.
Na mão, carregam sacos de plástico onde colocaram os parcos pertences: roupa que lhes foi oferecida no centro, ou na paróquia local, pacotes de bolachas e, em alguns casos, maços de tabaco. São transportados de autocarro até ao porto, onde o ferry os levará à Sicília, o ponto de partida para uma nova vida.
Riem-se, cumprimentam-se e acenam no momento da despedida da ilha. Sabem que, doravante, estarão em segurança, mesmo que o futuro permaneça incerto. Alinhados em grupos, vão entrando no ferry, obedecendo de forma submissa às ordens da polícia.
De quase todos os recantos ou ruas de Lampedusa podem avistar-se embarcações da Guarda Costeira
Um oficial da Marinha italiana junto ao barco da Guarda Costeira, atracado no porto da ilhaVista aérea da ilha de Lampedusa, localizada em pleno mar MediterrâneoCentro de acolhimento de imigrantes de Lampedusa, com capacidade para 350 pessoasColchões empilhados no exterior das instalações do centroO sírio Tamer Maluhi mostra o seu passaporte. Muito poucos têm documentos de identificaçãoDois irmãos da Somália chegaram a Lampedusa a 17 de abril. Ficaram uma semana na ilha, antes de partirem para a SicíliaUm grupo de nigerianos observa o mar que atravessou num pequeno barco semirrígido, com outras 80 pessoasEdoseghe Ehiozomwangie perdeu a mãe e a irmã gémea num acidente de viação na Nigériaezenas de imigrantes chegam em autocarros ao porto de LampedusaA polícia pede-lhes que se sentem enquanto esperam para entrar a bordo do ferryEstas pessoas, jovens na sua maioria, serão transportadas em segurança até à próxima paragem: SicíliaQuase todos levam um saco de plástico com roupa e alguns bens essenciaisAlinhados em fila vão entrando no navio de transporteAtrás deles fica uma longa odisseia que durou vários dias, ou mesmo mesesHonest, uma bebé nigeriana de seis meses, é embalada pela mãeNos rostos de cada um deles vislumbra-se esperançaO porto que antes se enchera de homens, mulheres e crianças está agora vazio. Todos partiram em busca de uma vidaO ferry deixa a ilha com mais de duzentos imigrantes a bordoA Porta de Lampedusa (Porta da Europa), escultura ao fundo, homenageia os milhares de imigrantes que arriscam a vida a tentar atravessar o Mediterrrâneo«»
As barcaças de madeira e semirrígidos sem condições de navegabilidade, aquelas que os transportaram durante várias horas, ficaram lá atrás, na metade africana do Mediterrâneo. Os traficantes a quem demasiados pagaram tudo o que tinham - ou o que puderam pedir emprestado a familiares - já não podem fazer-lhes mal. Os países em guerra, onde foram perseguidos, maltratados, feridos, são agora uma miragem distante.
Muitos outros, que não estes, um número quase incontável, não tiveram tanta sorte. Os números apontam para mais de 21 mil mortos em águas mediterrânicas desde 1988. Em 2011 afogaram-se 2.352 pessoas e em 2014 foram 3.500. Nos pouco menos de quatro meses decorridos desde o início de 2015, o mar engoliu aproximadamente 1.600.
A impressionante contagem dos naufrágios ocorridos no Canal da Sicília desde 1 de novembro de 1988 pode ser consultada no blogue Fortress Europe (Fortaleza Europa), produzido pelo jornalista independente italiano, Gabriel del Grande. Este sítio funciona como um observatório das vítimas da travessia transfronteiriça, e conta as histórias de muitas destas pessoas depois da sua chegada à Europa. Para onde foram? Como é a sua vida nos centros de acolhimento e nas cidades que os receberam? Poderão, algum dia, vir a ser considerados cidadãos de plenos direitos na Europa?




 Expresso.Sapo

Campanha pelo fim da apatridia no mundo recebe centenas de adesões em Brasília

A campanha global #IBelong, promovida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) para acabar com a apatridia no mundo, recebeu um grande número de adesões no 20º Encontro Nacional de Estudantes de Relações Internacionais (XX ENERI), realizado na semana passada, em Brasília.
A campanha pretende, nos próximos 10 anos, erradicar a apatridia – um limbo jurídico para milhões de pessoas em todo o mundo que não têm nacionalidade reconhecida por nenhum país e vivem sem garantias de seus direitos humanos. A ONU estima que existam cerca de 10 milhões de apátridas. Além deles, a cada dez minutos um bebê nasce sem nacionalidade.
Organizado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o evento reuniu em Brasília 1.200 alunos de faculdades de Relações Internacionais de todo o Brasil, para debater temas relacionados à multipolaridade nas relações internacionais. Durante o encontro, o ACNUR conseguiu mais de 800 assinaturas de congressistas e palestrantes para a “carta aberta” da campanha #IBelong, também disponível no site ibelong.unhcr.org.
A campanha #IBelong foi lançada pelo ACNUR em novembro de 2014, no marco do 60º aniversário da Convenção de 1954 das ONU sobre o Estatuto dos Apátridas. Com a campanha, o ACNUR espera reunir 10 milhões de assinaturas na “carta aberta”, utilizando-a para demonstrar o apoio popular ao fim da apatridia.
Entre os apoiadores da #IBelong durante o XX ENERI estão personalidades da área de Relações Internacionais, como o professor da Universidade de Chicago, John J. Mearsheimer, o Diretor do Programa das Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Carl Meacham, e o professor emérito da Universidade de Brasília, Amado Luiz Cervo.
Para o vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, Luiz Alberto Machado, a participação do ACNUR no evento com o tema da apatridia é coerente com a missão das Relações Internacionais de debater amplamente as questões dos direitos humanos em todo o mundo. “Além disso, dar visibilidade à questão dos apátridas para um público como o do ENERI pode contribuir para encontrar soluções para o problema”, afirmou Machado.
"Ser apátrida significa ter uma vida sem acesso à educação e a serviços de saúde, e mesmo sem um trabalho legalmente reconhecido. É uma vida sem a possibilidade de transitar livremente, sem perspectivas ou esperança", diz a carta endossada pelo Alto Comissário para Refugiados, António Guterres. "A apatridia é desumana. Nós acreditamos que é hora de acabar com essa injustiça", afirma Guterres na “carta aberta” da campanha #IBelong.
Embora certas questões sobre apatridia permaneçam politicamente controversas em alguns países, em outros, acabar com ela pode ser tão simples quanto mudar algumas palavras nas leis de cidadania. Durante a última década, as mudanças legislativas e políticas permitiram que mais de quatro milhões de pessoas apátridas adquirissem uma nacionalidade ou mesmo tivessem sua nacionalidade reconhecida.
Desta forma, ao contrário de tantos outros problemas que os governos enfrentam hoje, o ACNUR acredita que a apatridia pode ser resolvida com vontade política e ainda nestas gerações.
O Brasil, que é signatário das convenções sobre apatridia, tem pronto um projeto de lei que cria o processo de determinação da condição de apátrida no Brasil, estabelecendo direitos e obrigações para estas pessoas. O texto foi elaborado pela Secretaria Nacional de Justiça e aguarda o fim de consultas internas para ser encaminhado ao Congresso Nacional.
De acordo com o texto, o Brasil reconhecerá como apátrida qualquer pessoa que “não seja considerado como nacional ou cidadão por nenhum Estado”, como também quem não puder comprovar sua nacionalidade “por circunstâncias alheias à sua vontade”.
Uma vez determinada a situação de apatridia, o apátrida reconhecido pelo Brasil poderá adquir a nacionalidade brasileira, extensível aos seus dependentes e integrantes do seu núcleo familiar.
O projeto de lei determina que o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) será o órgão competente para processar o reconhecimento da condição de apatridia, sendo renomeado como Comitê Nacional para Apátridas e Refugiados.
Por Beatriz Maya, em Brasília.

 Acnur

sábado, 2 de maio de 2015

UE pode fazer ainda mais pelos refugiados


Ao visitar um centro de refugiados em Malta nesta quinta-feira (30/04), o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, afirmou que é necessário lidar de forma solidária com o destino humano e que os 28 países-membros da União Europeia podem fazer ainda mais em relação à política migratória do bloco.

"Proteger não só as fronteiras da Europa, mas também vidas humanas nessas fronteiras devem ser os objetivos de qualquer política para refugiados verdadeiramente europeia", afirmou o presidente.

A casa para imigrantes, localizada próximo da capital maltesa, Valeta, recebeu refugiados da Síria, Somália, Eritreia e Sudão. Malta tem uma posição importante no Mediterrâneo, o que torna o país, juntamente com Itália e Grécia, ponto-chave para imigrantes potenciais com destino ao continente europeu.


Oficialmente, os refugiados deveriam permanecer no local por no máximo 18 meses, mas muitos imigrantes visitados por Gauck já estão no local há anos, o que os fazem perder a esperança de serem liberados e até mesmo as perspectivas para o futuro.
No entanto, o presidente alemão afirmou que ele não foi à ilha para "dar notas como na escola" sobre a política migratória de Malta que, mesmo sendo o menor país-membro da União Europeia, é criticado constantemente sobre o tema.


Enquanto Malta recebeu 568 refugiados em 2014, a Itália abrigou 170 mil, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados

 (Acnur).

Alertan de riesgos de migración masiva ilegal

Un informe del Gobierno de Colombia advirtió de la masiva migración irregular de latinoamericanos, asiáticos y africanos del sur al norte de América por vías terrestres y marítimas.

Estas zonas, controladas por redes mafiosas, acarrean una cadena de riesgos vinculados por la mezcla del fundamentalismo religioso, el terrorismo y el tráfico de órganos, drogas, armas y dinero, pero sin descartar el impacto sanitario por el peligro de propagación de epidemias como ébola y chikungunya.

El informe evalúa el fenómeno de la combinación de migrantes procedentes de China, Bután, Irán, Paquistán, Siria, Líbano, Nepal, Singapur, Sri Lanka, India, Bangladesh y de otros países asiáticos.

Así como de Somalia, Etiopía, Gambia, Eritrea, Nigeria, Ghana, Sierra Leona y otras Naciones africanas con latinoamericanos y caribeños.

Todos recorren el continente americano de sur a norte y utilizan documentos falsos y otros mecanismos ilegales para evadir los controles.

El estudio, denominado “Migración Irregular: Tráfico de Migrantes”, es de abril de 2015 y fue elaborado por Migración Colombia, que depende del Ministerio de Relaciones Exteriores y que entregó una copia a El Universal.

Los resultados coinciden con una investigación de la Oficina de las Naciones Unidas contra la Droga y el Delito, que alertó en diciembre de 2013 que una vasta operación de contrabando de africanos y asiáticos dirigida por “redes criminales transnacionales” con enlaces y escalas en Brasil, Venezuela y Colombia, usa a Centroamérica como base para tráfico ilícito de personas a México, EU y Canadá.
Los asiáticos pagan por el viaje entre 25 mil y 60 mil dólares, según su procedencia desde China, India, Bangladesh, Nepal y otros países de Asia hasta EU, “haciendo la ruta por Sudamérica”.

Registros migratorios colombianos mostraron que un total de 9 mil 114 chinos ingresaron en 2014 a Colombia.


Los africanos pagan 100 dólares por el paso en la frontera entre Ecuador y Colombia y entre 6 mil y 10 mil dólares por la permanencia y tránsito en territorio colombiano y para salir hacia Centroamérica por el caribeño puerto de Turbo, en el norte de ese país fronterizo con Panamá.

Universal

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Imigração protagoniza atos dos sindicatos italianos no Dia do Trabalho


Os principais sindicatos da Itália reivindicaram nesta sexta-feira melhoras para os trabalhadores do país, mas também para os imigrantes, e passaram o Primeiro de Maio em um município siciliano aonde com frequência chegam vários imigrantes ilegais.

 Os três maiores sindicatos do país - Cgil, Cisl e Uil - optaram por comemorar sua manifestação nacional no município de Pozzallo, na região da Sicília, um local que recebe vários imigrantes resgatados em alto-mar. Eles saíram pelas ruas sob o lema "A solidariedade faz a diferença. Integração, trabalho e desenvolvimento. Respeitemos os direitos de todos. Ninguém está excluído". 
A escolha deste município veio depois das últimas tragédias no Mediterrâneo, por cujas vítimas os sindicalistas fizeram um minuto de silêncio e depositaram uma coroa de flores no mar. A secretária-geral da Confederação Geral italiana de Trabalhadores (Cgil), Susanna Camusso, denunciou esta situação e lembrou o artigo décimo da Constituição, que estabelece o "direito ao asilo" no país.

 O líder da Confederação Italiana de Sindicatos de Trabalhadores (Cisl), Annamaria Furlan, exigiu uma resposta da União Europeia para este fenômeno e lembrou que não basta "fechar as fronteiras". O prefeito de Pozzallo, de menos de 20.000 habitantes, Luigi Ammatuna falou para os presentes à manifestação para assegurar sua vontade de ser "prefeito que acolhe homens e mulheres, não corpos", em alusão às últimas tragédias. 

Após a menção aos imigrantes, as três organizações sindicais atacaram a reforma trabalhista do governo de Matteo Renzi, que facilita a demissão, e lamentaram a alta do desemprego em 0,2% em março, elevando a taxa de desemprego em 13%. "Dizemos há meses. Infelizmente os dados sobre o desemprego só são confirmados", disse à imprensa o líder da União Italiana de Trabalhadores (Uil), Carmelo Barbagallo.

EFE