sexta-feira, 17 de abril de 2015

Com verão, aumentará número de imigrantes em jornada 'mais letal do mundo'

Milhares de imigrantes arriscam a travessia do Mediterrâneo para chegar à Europa
O céu claro sobre a cidade líbia de Misrata é a senha. Significa que centenas de imigrantes tentarão atravessar o Mediterrâneo rumo à Itália em busca de uma vida melhor.
Com o verão, as águas do Mediterrâneo ficam mais calmas e, assim, mais imigrantes se arriscam na travessia de barco.
Centenas de milhares de pessoas fizeram a viagem nos últimos anos, a maioria de países da África subsaariana, como Senegal, Eritreia e Somália.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 500 pessoas morreram neste ano, número 30 vezes maior do que no mesmo período do ano passado.
A União Europeia (UE) diz que mais de 7 mil imigrantes foram resgatados no Mediterrâneo desde sexta-feira. E outras centenas de pessoas deverão tentar chegar à Europa nos próximos dias, segundo a guarda-costeira líbia.

Barco da guarda costeira líbia resgate centenas de migrantes no Mediterrâneo


Este barco levava 97 pessoas; embarcação foi resgatada pela guarda-costeira líbia após ficar 24h à deriva no mar, nem todos sobreviveram
A tragédia mias recente ocorreu no domingo, quando um barco com cerca de 550 pessoas virou na costa líbia. A guarda costeira italiana resgatou 144 pessoas e lançou uma operação de busca pelos 400 desaparecidos, incluindo muitas mulheres e crianças.


Este barco levava 97 pessoas; embarcação foi resgatada pela guarda-costeira líbia após ficar 24h à deriva no mar, nem todos sobreviveram


Em 2014, segundo a ONU, 170 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo para a Itália e cerca de 3,5 mil morreram na viagem, tornando esta a travessia oceânica mais letal do mundo para imigrantes.
Em novembro do mesmo ano a Itália encerrou sua operação de resgate marítimo, o que provocou um alerta ONU, que temia um aumento no número de mortes de imigrantes nas águas do Mediterrâneo.
As travessias passaram a ser patrulhadas por uma operação de segurança limitada da UE.
A esperança na Europa era de que essa redução desanimasse imigrantes a tentar a travessia. Mas entre estes, muitos dizem que o risco vale a pena, diante da vida ruim nos países de onde vêm e a piora da situação na Líbia.

Centenas de pessoas que tentam atravessar são resgatadas por equipes no Mediterrâneo

Centenas de pessoas que tentam atravessar são resgatadas por equipes no Mediterrâneo
É o caso de Mohamed, que está no porto de Misrata e diz que tenta ir para a Itália há dois anos.
"Esta é a quarta vez que tento atravessar. Nas outras três vezes, eles me trouxeram de volta. Eu saio da prisão, trabalho todo dia, pego meu dinheiro para ir de novo", diz.
"Para mim, este é o meu destino. Eu tenho que fazer isso. É a minha chance. Porque podemos dizer: a Europa é melhor que a África."

"É um jogo. É perigoso, mas você acredita que é uma jornada de um dia. Se você passa dois ou três anos aqui, em um dia você está na Itália. Você acredita nisso".
A agência de refugiados da ONU (Acnur) pediu que a UE amplie seu sistema de resgate, e disse que não está sendo feito o suficiente para salvar as vidas de um número crescente de refugiados que tentam chegar à Europa.

Centro em Misrata está lotado de imigrantes: número dobrou em apenas uma semana

Mensagens rabiscadas nas paredes de centro para imigrantes revelam desejos de liberdade e um futuro melhor

Federico Fossi, porta-voz da agência, disse à BBC não haver indícios de que o número de imigrantes que fazem a travessia deva diminuir no curto prazo.
"Há pessoas que estão fugindo de guerras e perseguição, como na Síria, e ditaduras, como na Eritreia", disse
"As pessoas continuarão atravessando e a Acnur pediu repetidamente à União Europeia que crie um mecanismo de busca e resgate forte para salvar vidas".
'Vivo em busca da liberdade'

Num centro de detenção de migrantes em Misrata, há cerca de mil pessoas - o dobro do que havia uma semana atrás.
Muitos vieram da Eritreia, de onde escaparam de uma ditadura, ou da Somália, onde fugiram da guerra. Alguns estão aqui há sete meses.

Imigrantes em centro dizem que um único banheiro é dividido entre 500 pessoas

Muitos imigrantes dizem que, apesar de perigosa, travessia ainda é melhor opção
Eles dizem não ter o suficiente para comer ou vestir e reclamam das condições do prédio: estão amontoados em grandes salas e um único banheiro é usado por 500 pessoas.
O governo líbio diz fazer o possível para atendê-los.
As mensagens rabiscadas nas paredes contam sobre a busca por um futuro melhor. "Vivo minha vida em busca de liberdade", diz uma. "Vivo minha vida para ir para a Itália", diz outra.

Ali Walujam é de Gâmbia e pagou o equivalente a R$ 2,2 mil para a viagem.
"Pagamos por um grande barco. Mas quando chegamos aqui, encontramos este barco (menor). E eles nos forçam a entrar com uma arma. Se você não entrar, eles atiram".
Ele reclama das condições na Líbia e diz que sair para trabalhar é "arriscar sua vida" todos os dias.

Esta foi sua segunda tentativa de atravessar para a Itália. Diz que foi a última. "Cansei. Quero ir para casa, para a minha mãe".

BBCBRASIL

Deixar um pouco de lado a própria cultura ajuda na adaptação com a mudança de cidade ou país



Helena Barbosa, estudante de psicologia que morou na França, fala sobre as mudanças culturais.



Em 1998, Louis* se mudou para o Brasil para fazer uma pós-graduação na Universidade de Brasília (UnB). Quando terminou os estudos, voltou para o seu país, a Irlanda, com a mulher, Maria*, que conheceu em Brasília. Mas os dois retornaram para a capital brasileira seis anos depois. “Ela não conseguiu se adaptar ao clima e sentia muita falta da família. Naquela época, a internet ainda não tinha todas essas facilidades e as ligações para o Brasil eram uma fortuna”, lembra o professor.

Adaptar-se à mudança definitiva deu trabalho. “Houve um choque cultural. As pessoas eram desconfiadas de estrangeiros. Não foi fácil fazer parte da sociedade brasiliense. Acho que até brasileiros de outras regiões têm essa dificuldade. Imagine para quem vem de outro país.”

Fazer contatos e ser aceito demorou, conta Louis. O pouco domínio do português dificultou muito a socialização. “Tive que aprender por conta própria, não há um incentivo. Na Irlanda ou no Reino Unido, há aulas de inglês para o estrangeiro conseguir entrar na sociedade, ter oportunidades de trabalho”, compara.

José Zuchiwschi, professor de antropologia da UnB, acredita que o primeiro passo para se adaptar mais rápido a uma nova cultura é deixar a própria um pouco de lado. “É primordial se despir dos seus costumes para vivenciar os dos outros de maneira totalmente aberta. Mas aí está também a principal dificuldade.”

Zuchiwschi explica que existem várias etapas durante o processo de adaptação. Uma delas é sentir falta da própria cultura. “De conversar na língua nata, ter contato com elementos tradicionais”, detalha. Há a etapa do deslumbre, em que tudo novo é bonito, diferente. “Depois desse momento, a pessoa começa a perceber os problemas por ser uma estrangeira e as complicações sociais, políticas e econômicas do país e da condição dela”, detalha.

É nesse ponto que a maioria dos estrangeiros decide voltar para casa, destaca o especialista. Estudos estimam que entre oito e 10 anos começa a vontade de retornar. As pessoas percebem que a condição de estrangeiro sempre vai existir e começam a viver os problemas do país em que estão. “Infelizmente, algumas pessoas menosprezam a cultura do outro, e esse é um problema que o estrangeiro encontra. Podemos destacar as diferenças como algo complicado, mas devemos vê-las de forma positiva. Apesar das diversas culturas, é possível notar o quanto somos iguais”, diz Zuchiwschi.

Mesmo gostando do Brasil, Louis acredita que não faria a mesma escolha novamente, mas voltar para a Irlanda não é mais uma opção. “Provavelmente, seria difícil me readaptar (aos costumes do país). Além disso, seria mais complicado conseguir um trabalho lá, meus pais já faleceram”, pondera.

Lá fora

Helena Barbosa, 23, fez o caminho contrário. Mudou-se para Angers, na França, para estudar. Apesar de a adaptação não ter sido muito difícil, a estudante de psicologia percebeu diferenças entre o comportamento dos brasileiros e o dos franceses. “Achava-os bastante fechados, não são muito acolhedores.”

Acostumada a ter uma boa relação com os docentes da UnB, onde estuda, Helena se incomodou com contato entre professores e alunos na universidade francesa. “Lá, os professores são extremamente distantes, o modelo de ensino é muito diferente do nosso. O professor entra no auditório sem falar nada, espera todo mundo ficar em silêncio e dá aula. Não tinha uma interação direta. Na UnB, os professores estão o tempo todo perguntando o que estamos achando. A relação é totalmente diferente”, compara.

Para se acostumar com a nova rotina e a nova cultura, processo que não demorou muito a acontecer, a estudante contou com ajuda de brasileiros. “Meu irmão, por exemplo, foi para a Austrália e demorou um bom tempo para se adaptar. Comigo não aconteceu isso. Algumas coisas me ajudaram, como viajar com uma amiga do meu curso, ter contato com vários brasileiros e poder falar a língua. Se não fosse assim, eu acredito que teria sentido mais o choque (cultural).”

Ter contato com novas pessoas foi fundamental para a adaptação. “Conheci no meu curso umas meninas que me ligavam para chamar para sair, perguntar como estavam as coisas. Não foram acolhedoras igual aos brasileiros, mas muito simpáticas.” Mesmo com toda a ajuda, os cinco meses em Angers não fizeram com que a cidade francesa se tornasse o lar de Helena. “No fim, eu estava gostando bastante, mas eu não me sentia em casa. O clima é diferente, as comidas também.”

Na volta ao Brasil, a estudante não esperava se incomodar com os hábitos do próprio país, mas foi pega de surpresa. “Senti muito. Quando fui para a França, já imaginava sentir a diferença. Na hora de voltar, não estava esperando essa sensação.” Voltar a falar português foi a maior dificuldade. “Soltava o francês sem querer na rua”, diverte-se a jovem.

O antropólogo José Zuchiwschi ressalta que é comum que o choque cultural também ocorra no retorno para a cidade natal. “Algumas pessoas começam a achar a cultura do próprio país estranha e passam pelo mesmo processo de adaptação que se deu no exterior.” Nesses casos, a readequação costuma ser mais fácil e menos demorada.

Menos fluxo

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de estrangeiros vivendo no Brasil vem caindo nas últimas décadas. Eram 510.068 em 2000 e 431.319 10 anos depois — uma queda de 15,4%. Em 2010, a maioria dos nascidos no exterior vivia em São Paulo, no Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. A maioria morava nas unidades da Federação há menos de 10 anos ininterruptos. Ainda conforme o IBGE, os fluxos mais intensos de migração do exterior para o Brasil ocorreram até a década de 1950. Em 1970, havia 1.082.745 estrangeiros no país. Em 1980, 912.848. E em 1991, 606.636.

"Algumas coisas me ajudaram, como viajar com uma amiga do meu curso, ter contato com vários brasileiros e poder falar a língua. Se não fosse assim, eu acredito que teria sentido mais o choque" - Helena Barbosa, a estudante de psicologia morou na França durante cinco meses

Estranhos conterrâneos

Não só a mudança de país causa estranhamento. Às vezes, quem troca de cidade dentro do Brasil também precisa de tempo para se adaptar ao novo endereço. “Somos muito grandes e com diferenças culturais bem características. Uma pessoa que sai de uma região brasileira para outra vai passar pelo mesmo processo”, observa José Zuchiwschi, professor de antropologia da Universidade de Brasília (UnB). Nesses casos, acostumar-se com a nova casa pode ser mais simples. Não há barreiras de idioma, e a cultura, apesar de variar, não surpreende tanto quanto a de outra nação.

O baiano Jackson morou 12 anos em Manaus antes de Brasília: "Aprendi a mudar meus hábitos alimentares"


Ao ir morar em Manaus, em 1989, por causa de uma transferência profissional, Jackson Fiel, 68 anos, não enfrentou muitas dificuldades. “Apesar das diferenças, eu me adaptei rapidamente. Tenho essa facilidade”, diz. Desde os 17 anos, quando saiu de casa pela primeira vez, o auditor contábil viveu em Vitória da Conquista (BA), Brasília e Boa Vista. A maior dificuldade, segundo ele, era a vontade de ter os parentes por perto. “No início, senti muitas saudades da família, mas procurei me entregar totalmente ao trabalho”, conta.

Os roteiros de Jackson são cada vez mais comuns. Segundo dados do último Censo, 14,5% dos brasileiros moram fora da unidade da Federação em que nasceram. De uma forma geral, a grande maioria da população das cidades é nata, média superior a 80%. Distrito Federal, Rondônia e Roraima, porém, têm cenário contrário. Encabeçam a lista em que há maior porcentagem de migrantes – 47%, 43,5% e 38,3% dos habitantes, respectivamente.

Jackson explica que sentiu as diferenças culturais principalmente na culinária. “Eu era extremamente apreciador de carne vermelha. Lá em Manaus, aprendi a mudar meus hábitos alimentares.” A gastronomia da Região Norte é composta, em sua maioria, por peixes encontrados no Rio Amazonas. A música local também trouxe novidades para o auditor. “Tem muito pagode e o boi-bumbá, dança típica brasileira”, lista.


Os 12 anos vivendo na capital amazonense o fizeram virar um grande apreciador da cidade. “Manaus é maravilhosa, rica com suas florestas, seus rios e seu folclore, que atraem turistas do mundo todo”, diz o baiano, morador de Brasília desde 2001.



Correio Braziliense

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Centenas de moçambicanos obrigados a fugir da xenofobia na África do Sul

"Cerca de 20 a 30 pessoas estavam na esquadra sob proteção policial e até ontem (terça-feira), seriam evacuados para um dos dois centros instalados para a acomodação das vítimas desta violência", disse à emissora pública Rádio Moçambique o diretor dos Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Fernando Manhiça.

Manhiça afirmou que até terça-feira, 100 moçambicanos vítimas de xenofobia, que assola a província de Kwazulu Natal, tinham manifestado junto das autoridades moçambicanas interesse em voltar ao país, mas o seu repatriamento foi adiado devido à triagem que está a ser levada a cabo pelas autoridades sul-africanas.

"O Governo moçambicano está preparado para receber os nossos compatriotas a qualquer momento, entretanto o Governo sul-africano pretende fazer uma triagem a todos aqueles que pretendem voltar, é um procedimento normal em relação àqueles que querem voltar", enfatizou o diretor dos Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.

Fernando Manhiça adiantou que não há vítimas mortais da violência xenófoba entre os moçambicanos contrariando informações avançadas na semana passada pela imprensa de que duas pessoas morreram nos ataques.


Cinco pessoas morreram em Kwazulu Natal e mais de cinco mil pessoas abandonaram as suas residências, como consequência da onda de xenofobia que assola a região há duas semanas e que tem sido acompanhada por saques a estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros.

Noticia ao Minuto

Imigrantes afogados: ONU quer respostas urgentes da UE


A Agência da ONU para os Refugiados, liderada pelo português António Guterres, considerou esta quarta-feira que não está a ser feito por parte de Bruxelas, um esforço suficiente para salvar os imigrantes que arriscam atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa, em busca de uma vida melhor. E, por isso, exige mais ação por parte da União Europeia.

O porta-voz da agência, Federico Fossi, disse à BBC que que «o ACNUR tem repetidamente chamado a atenção da União Europeia para aumentar os meios humanos e técnicos de busca para poder salvar mais vidas».

A reação do ACNUR surge após a notícia, na terça-feira, do desaparecimento de mais de 400 pessoas que saíram da Líbia no domingo em direção à costa italiana.

Têm sido milhares aqueles que tentam dar o salto do continente africano para a Europa nos últimos anos e muitos aqueles que não chegam ao destino, fazendo do mar um cemitério.

A ONU estima que desde o início do ano já morreram mais de 500 pessoas na esperança de chegar à Europa, 30 vezes mais do que no mesmo período do ano passado.

O ACNUR explica «que há pessoas que fogem de conflitos e perseguição como na Síria, mas também os fogem de ditaduras como na Eritreia».

Nove corpos foram retirados das águas, mas dos outros nada se sabe. Ainda na incerteza sobre a sobrevivência ou não daqueles 400 migrantes, já esta quarta-feira, foram resgatados das águas, na costa siciliana, outras tantas centenas, que engrossam o número de refugiados que alcançou a Europa. Nos últimos dias, já são 10 mil os resgatados pelas autoridades italianas.


O ministro do Interior italiano anunciou estar a preparar mais albergues para os migrantes que chegam, muitos são crianças.

TVI

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lei japonesa protege estrangeiros de discriminação racial

Placa em loja indica que só é permitida a entrada de japoneses.



Em seu blog oficial, o cantor Gackt postou um “desabafo” no fim do mês de março que contava uma experiência de discriminação racial sofrida em Paris (França).
De acordo com o músico, que se hospedou em um hotel na capital francesa, um acontecimento suspeito chamou atenção no restaurante do hotel.

Gackt teria se dirigido ao local para tomar café da manhã, quando escolheu um assento perto da entrada e com uma vista bonita da cidade. No entanto, um garçom teria pedido ao cantor para se sentar no fundo do restaurante, o que foi obedecido sem questionamentos.
Após alguns minutos, Gackt relatou que percebeu que um cliente ocidental sentou no mesmo lugar e não foi advertido pelo funcionário. Quando hóspedes asiáticos entravam no restaurante, eram guiados até os assentos do fundo, enquanto que os clientes ocidentais podiam sentar nos melhores lugares.

Legislação japonesa

A experiência do cantor também provocou indignação em fãs e abriu uma discussão com relação ao que a legislação japonesa diz para os casos de discriminação racial.
O site Bengoshi News, que produz conteúdo referente ao mundo jurídico no Japão, fez uma entrevista com o advogado Ryuichi Ishii, membro da Associação dos Advogados de Hyogo e professor da Universidade Konan em Kobe.

Na entrevista, Ishii explicou como funciona a legislação japonesa e o que poderia ter acontecido se o mesmo caso de discriminação de estrangeiros tivesse ocorrido em um restaurante no Japão.

Segundo o advogado, a constituição japonesa garante o direito a todos de não sofrer discriminação por etnia ou nacionalidade. “Este direito vale para todos, inclusive para os estrangeiros que residem no Japão atualmente”, explicou.

No entanto, para o advogado, em relações que se tratam de “funcionário” e “cliente”, o caso pode ser analisado como individual, o que dificulta que a lei seja aplicada diretamente.
“A pessoa individual tem diversos direitos. Neste caso, seria possível analisar que o restaurante é livre para escolher onde gostaria de guiar os seus clientes”, contou.
Porém, isso não significa que um caso de discriminação em um restaurante no Japão, semelhante ao que foi sofrido por Gackt, passaria em branco perante a legislação japonesa. Para Ishii, mesmo que sejam relações individuais, se um indivíduo sente que teve o seu direito violado por outro, é possível que o caso resulte em processo.

“Se o restaurante reserva os melhores lugares para alguns clientes baseando-se em diferenças de etnia e nacionalidade, sem nenhum motivo lógico, o caso pode se enquadrar na lei que protege o cidadão da discriminação. Neste caso, é comum que a vítima receba o pagamento de indenização”, comentou.

No Japão, alguns casos de banhos públicos que rejeitaram a entrada de estrangeiros já foram julgados desta forma, punindo o estabelecimento com o pagamento de indenizações para as vítimas.

Foto: Reprodução


Alternativa

Exemplo do Brasil no combate ao tráfico de pessoas é destaque em congresso global da ONU



Durante o 13. Congresso da ONU sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, evento paralelo organizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) incluiu exemplos do México e Brasil na criação de mecanismos de coordenação interinstitucional em seus respectivos países.
As boas práticas no combate ao tráfico de pessoas nas Américas se destacaram como tema de debate em um evento paralelo do 13º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, que ocorre entre os dias 12 e 19 de abril em Doha, no Catar.

O debate, organizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), incluiu exemplos do México e Brasil na criação de mecanismos de coordenação interinstitucional em seus respectivos país.

O tráfico de pessoas é um crime que exige respostas efetivas e coordenadas de várias instâncias nacionais e, portanto, a coordenação é chave para garantir a prevenção, proteção de vítimas e persecução penal dos culpados no sistema de justiça criminal.

Participam do o evento ‘Combatendo o Tráfico de Pessoas nas Américas: criando mecanismos de coordenação nacional’ o chefe da seção de Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes do UNODC em Viena, Ilias Chatzis; a coordenadora nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça do Brasil, Heloisa Greco; a diretora-geral de Estratégias para a Atenção de Direitos Humanos da Secretaria de Governo do México, Mercedes Peláez; e o assistente de programa de Estado de Direito do UNODC no Brasil, Gilberto Duarte.

O evento segue a reunião organizada em dezembro de 2014 pela Organização dos Estados Americanos e o governo brasileiro, em que distintas estratégias para o enfrentamento do tráfico de pessoas foram discutidas.


ONUBR

terça-feira, 14 de abril de 2015

Itália resgata 5 mil imigrantes no fim de semana


As autoridades italianas resgataram 5.629 imigrantes em alto mar nos últimos três dias (de 10 a 12 de abril), no Canal da Sicília, de acordo com estatísticas divulgadasnesta segunda-feira (13). Somente ontem, o Centro Nacional de Resgate da Guarda Costeira gerenciou 22 intervenções em barcos e jangadas. 
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou que, com os salvamentos, subiu para 15 mil o número de imigrantes socorridos desde o início do ano. Os imigrantes resgatados no fim de semana são majoritariamente da África Subsaariana, eritreus, sírios e somalis provenientes da Líbia. Em um encontro em Barcelona sobre União Europeia e Mar Mediterrâneo, a italiana e representante de polícia externa da UE, Federica Mogherini, pediu cooperação internacional para resolver o problema da imigração. 
"Chegou o momento para uma cooperação real, não burocrática, entre os países europeus e norte-africanos", disse a diplomata.    O governo italiano emitiu hoje um alerta para que todas as cidades disponibilizem leitos de acolhimento a imigrantes, diante de previsões de que novos fluxos migratórios atingirão a Itália nos próximos dias. 

Migração traz haitianos e muçulmanos ao Brasil


Dois fenômenos de características distintas, mas resultados por vezes similares, caracterizam os novos fluxos migratórios que já são acompanhados com atenção e crescente preocupação em muitas cidades brasileiras. De um lado estão os haitianos e, de outro, africanos e asiáticos numa mescla de motivações econômicas, de luta pela sobrevivência e de bases religiosas. O Brasil, transformado em player internacional e reconhecido pela tolerância para com os estrangeiros que por aqui aportam, é cada vez mais e apesar da distância um atrativo para quem decide mudar de país e não se arrisca a enfrentar a xenofobia e a discriminação hoje tão em voga em terras europeias.

Estima-se que já são 50 mil haitianos que depois de entrarem no país por Brasileia e Epitaciolândia no Acre (fronteira com Cobija na Bolívia) ou Tabatinga no Amazonas (tríplice fronteira, frente a Letícia na Colômbia e Santa Rosa no Peru), buscam oportunidades nos centros maiores do sudeste ou mesmo do sul. É uma longa jornada que os traz de Porto Príncipe ao Panamá, dai ao Equador e Peru para então cruzarem a região amazônica de ônibus ou em vans providenciadas por coiotes agenciadores da viagem internacional. A pressão exercida sobre as pequenas localidades limítrofes acreanas carentes de infraestrutura, fez com que em 2014 – quando ficaram isoladas do centro pela enchente do rio Madeira - o governo estadual decidisse fechar o precário abrigo emergencial de Brasiléia para simplesmente despachar os migrantes em ônibus fretados para a capital de São Paulo.

Recente mapeamento efetuado por pesquisadores e autoridades constatou que os haitianos estão espalhados por 27 cidades de vários estados, com concentrações maiores em São Paulo (24%) e Manaus (13%), mas presença significativa em núcleos como Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Pato Branco, Brasília, Rio. A Resolução Normativa 97/2012 do Conselho Nacional de Imigração concedeu vistos de permanência por cinco anos em caráter excepcional para nacionais do Haiti que depois podem ser substituídos por vistos definitivos para os que estiverem inseridos no mercado de trabalho.

Aos poucos o fluxo migratório começou a modificar-se e em 2014 de 4 mil formulários de asilo registrados pelo Ministério de Relações Exteriores, 1.830 foram pedidos por bengalis. Abandonar Bangladesh e atravessar dois continentes para chegar ao Paraguai (ou utilizando a mesma rota dos haitianos) e dai ao Brasil não é aventura para qualquer um e faz parte de um projeto de raízes econômicas pelo qual empresários brasileiros buscam trabalhadores de credo muçulmano para a indústria de alimentos.

 O Brasil já é, hoje, o maior exportador mundial de carne com certificação Halal, exigida por importadores de países islâmicos que enviam seus inspetores para verificar se o produto que estão adquirindo obedece as regras do Alcorão, entre as quais a de que o abate deve ser feito exclusivamente por praticantes da sua religião. Embora possa envolver bovinos, a massa das exportações é de carne de frango. Cerca de 1,8 milhão de toneladas de aves no mercado Halal são exportadas anualmente pelo Brasil.

O processo envolve, p.ex., o abate somente de animais saudáveis com equipamentos e utensílios específicos que exigem facas bem afiadas que permitam uma sangria única para minimizar o sofrimento da ave que no momento derradeiro deve estar com o pescoço voltado para Meca enquanto seu carrasco diz “Bismillah” (Em nome de Alá). Síria, Malásia e Paquistão formalmente autorizaram a compra de carne Halal brasileira.

Grandes abatedouros do sul e sudeste despacham executivos para os pontos de acesso dos migrantes para selecionar trabalhadores saudáveis, num processo que pouco difere daquele que, no cais do Valongo no Rio de Janeiro, precedia a escolha da mão-de-obra escrava nos tempos do Império. Em texto publicado na Carta Capital no ano passado, a jornalista Cynara Menezes relata que as empresas contratantes costumam isentar-se de responsabilidades por alimentação, alojamento e integração dos estrangeiros que acabam constituindo uma força de trabalho barata (em geral remunerada a um salário-mínimo mensal) e terceirizada pelos intermediários reconhecidos pelas autoridades religiosas dos países importadores. Em Marechal Rondon (Paraná), grandes matadouros trouxeram inicialmente haitianos mas, como eles não se adaptaram ao serviço, logo os substituíram por bengalis e senegaleses.

Em idênticas condições estão entrando seguidores do Islã vindos do Afeganistão, Síria, Palestina, até do Território da Caxemira, e de países africanos como Senegal, Etiópia, Guiné, Marrocos, Congo, Angola, Moçambique. Com isso, cresce exponencialmente a população de credo islâmico. O resultado é que o número de mesquitas já é de 41, dezesseis das quais no estado de São Paulo. Em tempos de crescente atividade terrorista no mundo, paralelamente aumenta o receio de que possam reproduzir-se por aqui as ações dos radicais que atacam a tudo e a todos também em nome de Alá.


Vitor Gomes Pinto

Escritor. Analista internacional

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Brasileiros elegem outros destinos para migrarem legalmente


Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta, o fluxo de brasileiros legais para o exterior diminuiu 28% de 2010 a 2013. Essa queda está relacionada à crise econômica mundial de 2008, que devastou a economia de nações que recebiam muitos brasileiros e afetou principalmente os trabalhadores pouco qualificados. "Como sempre, são os postos de trabalho dos imigrantes os primeiros a serem suprimidos", avalia Duval Fernandes, professor da PUC de Minas. Não à toa, 65% dos imigrantes que entraram no Brasil no final dos anos 2000 eram brasileiros que decidiram retornar. Três em cada quatro deles tinham até o ensino médio completo.

Desde 2010, houve uma redução drástica do total de brasileiros que migram para destinos históricos, como Estados Unidos e países da Europa. Na Espanha, houve queda de 41% de 2010 a 2013, segundo a OCDE.

Em países como Portugal, Itália e Japão, os fluxos anuais de brasileiros caíram sensivelmente no mesmo período.

Nos Estados Unidos, a emissão de vistos de imigração para brasileiros cresceu apenas 1,5% de 2010 a 2014. Tem chamado a atenção, no entanto, o aumento da procura do desconhecido visto Eb5. Ele permite obter a cidadania através de investimento de 500.000 dólares em projetos chancelados pelo governo. São poucos os pedidos brasileiros, mas com tendência de alta: 47 em 2014, quase o total dos três anos anteriores somados, 48.

Profissionais qualificados
Países com políticas de atração migratória se tornaram mais interessantes. Mas os governos não escolhem imigrantes a esmo: lançam listas buscando profissionais qualificados em áreas específicas, como o caso da Austrália e do Canadá. É o caso do paulistano Rafael Isabella. Aos 32 anos, o analista de negócios de Tecnologia da Informação decidiu viver em Sydney, na Austrália, com a mulher. Enfrentou os oito meses do processo de imigração e recebeu a aprovação há um mês. "O que mais me motiva a sair é a situação atual do país. Temos uma cultura que permite que muita coisa errada aconteça", justifica. Empresas especializadas na migração para a Austrália, como a Bravo Migration e a Smart Vistos, têm crescido mais de 30% em média ao ano. O perfil dos clientes é de profissionais com experiência em suas áreas, entre 28 e 39 anos.

O caso da Austrália é emblemático: a migração qualificada brasileira no país mais que dobrou desde 2010. Segundo dados do governo australiano enviados ao site de VEJA, dos 884 vistos de residência emitidos em 2010, 506 (57,2%) eram para profissionais qualificados. Em 2014, foram 1.520 vistos de residência, dentre os quais 1.077 (70,8%) qualificados. Um aumento de 112% no período. Já o número de brasileiros residentes cresceu 33,2% de 2010 a 2014, de 16.550 para 22.050, segundo estimativas do governo.


No Canadá - onde não há separação nos dados por qualificação -, o fluxo de brasileiros atingiu um pico histórico em 2010 e seguiu uma forte redução no ano seguinte. Para autoridades, o recorde está associado a novas regras para acelerar o processo de entrada. Com isso, pedidos de anos anteriores que estavam travados podem ter sido contabilizados. De 2011 a 2013, já sob regras mais ágeis, o número de vistos de residência concedidos por ano a brasileiros cresceu 13,5%.

ACHEIUSA

Criciúma é a cidade de SC que mais recebeu estrangeiros em 2014


Conforme secretaria de Assistência Social, foram 3 mil imigrantes, vindos principalmente do Haiti, Gana e Senegal. Foto: Reprodução RBS TV Foto: Reprodução RBS TV
Criciúma, no Sul de Santa Catarina, foi a cidade que mais recebeu imigrantes no estado em 2014, segundo a Secretaria de Assistência Social do município. Foram mais de 3 mil pessoas que vieram principalmente do Haiti, Gana e Senegal e já ajudam a movimentar a economia da região.

"A princípio a gente recebeu um grande número de imigrantes ganeses, depois começou o pessoal da República de Togo. Hoje nós estamos recebendo muito da África do Sul, inclusive muitas mulheres", disse a secretária de Assistência Social, Solange Barp.

O auxiliar de serviços Joseph Saitina, do Haiti, quer que a mulher os filhos venham morar com ele na cidade. "Eu quero trazer eles para cá. É muito bom para mim. Eu ficar sozinho aqui é errado", diz.

Joseph trabalha há seis meses.  Ele começou carregando caminhões e, aos poucos, ele começa aprender a operar uma máquina de corte.

"Quando eu vi ele [Joseph] aqui, na hora eu lembrei o que eu passei, e hoje estou sendo recompensado. Com muito esforço e trabalho, espero que o mesmo aconteça com ele", diz o gerente da empresa, Glebson Nunes, que também já foi imigrante, quando tentou a vida nos Estados Unidos.

Visto

Os imigrantes que chegam de outros países devem procurar a Polícia Federal (PF) assim que chegam no Brasil. Depois de pedir refúgio, com comprovante em mãos, é possível tirar CPF e carteira de trabalho.

A análise do pedido leva até dois anos para ficar pronta. Enquanto isso, eles podem trabalhar legalmente no Brasil.

Os haitianos não são considerados refugiados no país. Por causa da crise humanitária provocada pelo terremoto em 2010, o governo brasiliero concedeu a eles um visto diferenciado, chamado humanitário, que vale até cinco anos.

Muitos acabam tendo filhos por aqui e, assim, ganham visto definitivo.

Auxílio a família

Muitos dos estrangeiros enviam dinheiro para seus paises de origem, onde as famílias ficaram. Com isso, as casas de câmbio tiveram mais fluxo na região. "Aumentou em torno de 40% o volume de transferências e a média de atendimento é de 30 pessoas por dia", disse o operador financeiro Vanderson Barreiros.

Apesar da saudade do país de origem, a maioria não tem planos de retorno. "Somos patriotas, mas gostamos do Brasil, mas acho que amamos o Haiti também", diz o estudante Moysés Calipso.


 G1 SC

sábado, 11 de abril de 2015

Centro de Atendimento ao Migrante de Caxias planeja recepção a estrangeiros

Movimento de imigrantes deve se intensificar no ano que vem com as Olimpíadas no Brasil



O endurecimento das fronteiras na Europa e a proximidade dos jogos Olímpicos no Rio de Janeiro no ano que vem devem trazer mais imigrantes ao Brasil. Para evitar uma situação registrada no ano passado, quando cerca de 300 imigrantes ganeses chegaram em Caxias do Sul e não havia condições de alojamento, o Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) de Caxias quer organizar um plano de ação para poder dar um melhor acolhimento aos imigrantes.

Representantes do CAM, que é mantido pela Igreja Católica, se reuniram  na tarde desta sexta-feira com representes da prefeitura e de outras entidades para debater a estrutura da cidade para receber os imigrantes.

Em 2014, quando centenas de imigrantes ganeses chegaram em Caxias entre julho e agosto, uma força-tarefa foi montada e eles ficaram abrigados, emergencialmente, no ginásio do seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias.

O movimentos de imigrantes se intensificou no ano passado devido à Copa do Mundo. Com as Olimpíadas, também no Brasil no ano que vem, é esperada uma situação semelhante.

Foto Rafael Lopes 

Suelen Mapelli/ Rádio Gaúcha Serra

Japão :Estrangeiros encerram greve de fome após acordo com Imigração

Grupo de 20 estrangeiros estava protestando por liberdade e melhorias . Desde o fim de março, estrangeiros ilegais que estão detidos em uma instituição de acolhimento no Centro de Controle de Imigração em Ushiku (Ibaraki), administrado pelo Ministério da Justiça, estavam fazendo greve de fome por uma série de reinvindicações para as autoridades.

O relatório enviado pelos estrangeiros no dia 30 de março recebeu uma resposta do diretor da instituição, Masafumi Sato, na segunda-feira passada. Na última terça-feira, os ilegais encerraram a greve de fome após uma reunião com um representante do local, informou a revista semanal Kinyoubi News na sexta-feira.

De acordo com a reportagem, um grupo de manifestantes havia enviado às autoridades um pedido de liberdade provisória, que foi negado sem justificativas claras.
O órgão apenas disse que ia demorar para analisar a situação, o que causou dúvidas e insatisfações no grupo. Com isso, cerca de 20 estrangeiros iniciaram a greve de fome e também uma paralisação em um local do centro.

No dia 27 de março, o grupo foi tirado a força do local de protesto por uma equipe de 50 guardas. Durante o confronto, um brasileiro feriu o braço direito e foi levado ao hospital. No relatório, os estrangeiros fizeram também uma solicitação de tratamento médico mais adequado e de pedido de desculpas por parte do órgão.
Na última segunda-feira, o relatório de resposta aos estrangeiros foi colado em um mural da instituição e, na mesma noite, houve uma reunião entre os ilegais e um representante do centro. Na ocasião, a funcionária Kimiko Tanaka falou em nome da instituição e fez esclarecimentos conforme os dados do relatório de resposta.
Tanaka enfatizou para os estrangeiros que eles só estão acolhidos no local porque precisam voltar aos países de origem. Quanto aos pedidos de liberdade provisória, a funcionária explicou que o órgão precisa analisar os casos individualmente, o que deve levar algum tempo.

Com relação ao brasileiro ferido, a representante afirmou que ele está fazendo o tratamento necessário e que qualquer pessoa do grupo poderá ser levada a um hospital local para qualquer tratamento de saúde sempre que houver uma solicitação.
De acordo com a publicação da revista, os estrangeiros não ficaram totalmente satisfeitos com a resposta do órgão, mas encerraram a greve de fome devido aos esclarecimentos e promessas de melhorias no atendimento médico.

Acolhimento de estrangeiros ilegais

No Japão, há três locais de acolhimento que reúnem estrangeiros com situação ilegal no país. Na instituição de Ushiku, há capacidade para 700 ilegais enquanto aguardam as resoluções dos casos para poder voltar aos seus países de origem. Na cidade de Ibaraki (Osaka), cabem 300 estrangeiros na instituição, enquanto que em Omura (Nagasaki) existe espaço para 800.

Durante a greve de fome em Ushiku, um iraniano com hipertensão desmaiou no início de abril e foi levado às pressas para um hospital. Recentemente, houve quatro casos de mortes nas instituições que abrigam estrangeiros ilegais, sendo que dois deles ocorreram em Ushiku.

Entre os casos, há suspeitas de que alguns óbitos ocorreram por atraso no socorro prestado pelos centros de imigração. De acordo com a revista, é possível que aconteça outras situações semelhantes se não houver uma reformulação na administração dos centros que acolhem refugiados no país.

ANA PAULA RAMOS/ALTERNATIVA

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Naufrágio causa a morte de 21 migrantes haitianos


Um naufrágio ocorrido ontem dia  (9), na costa Norte do Haiti, causou a morte a 21 pessoas, segundo informações do diretor de Proteção Civil do Haiti, Alta Jean-Baptiste. Ele disse que os migrantes que estavam na embarcação pretendiam alcançar a Ilha Providenciales, do arquipélago vizinho das Turks e Caicos.

Com o mau tempo, a embarcação tentou inverter a rota, mas naufragou na costa do Haiti. De acordo com Jean-Baptiste, os 21 corpos foram encontrados na cidade de Borgne, a Oeste de Cabo Haitiano, a segunda maior cidade do país.

Segundo as autoridades haitianas, as informações ainda são imprecisas, mas há sobreviventes. No Haiti, um país empobrecido, onde mais de 70% da população sobrevivem com menos de US$ 2 por dia, a maioria tenta, com frequência, chegar ilegalmente ao arquipélago das Turks e Caicos ou às Bahamas.

As autoridades haitianas tentaram acabar com o fluxo de imigrantes ilegais, mas o aumento do desemprego tem levado muitos haitianos, principalmente os jovens, a tentar construir um futuro no exterior.


Da Agência Lusa