sábado, 22 de junho de 2013

Itália debate cidadania em meio a ressurgência do racismo

Savio Warnakulasuriya, nascido neste mês em Roma, terá de esperar até os 18 anos para ter certeza de que poderá permanecer no país onde veio ao mundo.
Até lá, seu direito de permanecer na Itália está vinculado aos vistos que permitem que seus pais, do Sri Lanka, trabalhem como empregados domésticos. Os documentos precisam ser renovados a cada dois anos.
Mas Savio poderia ser beneficiado por uma proposta da ministra da Integração, Cecile Kyenge, para que o direito à cidadania seja concedido já no nascimento -- algo que chocou muitos italianos e motivou uma enxurrada de insultos racistas contra a ministra, que é negra.
A Itália é o país que mais recebe imigrantes clandestinos por mar no sul da Europa. São milhares desembarcando todos os anos em embarcações precárias e superlotadas que vêm do norte da África. Partidos como o oposicionista Liga Norte fazem campanha contra o aumento dos direitos dos imigrantes, apontando diferenças culturais e índices de criminalidade.
Kyenge, que nasceu no Congo e se tornou a primeira pessoa negra a ocupar um cargo ministerial na Itália, acha que é hora de mudar a política de concessão de cidadania, de modo a estimular a integração de filhos de imigrantes.
Para o pai de Savio, Fernando, uma nova política seria positiva. "Quanto antes derem cidadania ao nosso filho, melhor. Estou um pouco preocupado, queremos que ele continue vivendo e trabalhando aqui sem problemas", afirmou ele à Reuters.
A secretária Erika Arribasplata, de 34 anos, romana filha de argentinos, se lembra das dificuldades que enfrentou na infância para se integrar na escola por não ser cidadã italiana.
"Eu me lembro, quando fui numa viagem da escola à Inglaterra, que eu não podia passar pelos controles de fronteira com o meu grupo, precisava pegar uma rota completamente diferente, onde tive de esperar mais e passar por mais verificações -- foi realmente chato", disse ele.
"Mas o mais chato era estar vinculada à autorização (para a permanência) dos meus pais, e a insegurança que decorria disso, porque nasci aqui e não me sentia parte da cultura deles, mas estava presa no meio", disse Arribasplata.
Aos 18 anos, ela solicitou a cidadania italiana e conseguiu -- mas outros não têm a mesma sorte.
O baixo índice de fertilidade na Itália, 1,4 filho por mulher, faz com que o país precise de sangue jovem para manter sua população, cada vez mais envelhecida.
Mas, por causa dos processos burocráticos que Kyenge deseja reduzir, alguns filhos de imigrantes nascidos na Itália podem ter sua cidadania rejeitada aos 18 anos, por terem, por exemplo, passado algum tempo longe da Itália durante a infância.
"Estamos falando de jovens que poderiam se tornar os futuros líderes deste país, ou que poderiam se perder na rua se repentinamente aos 18 anos descobrirem ser diferentes por causa de algum erro burocrático", disse Kyenge a jornalistas nesta semana.
No sábado, ela revelou um plano para facilitar a solicitação de cidadania por filhos de imigrantes que chegam à idade adulta. A proposta é parte de uma série de medidas que o governo do primeiro-ministro Enrico Letta está adotando para reduzir a burocracia e tirar a economia da recessão.
Kyenge disse que em breve irá ao Parlamento Europeu para propor uma abordagem comum de toda a União Europeia para as regras de concessão de cidadania.

 Terra

Custos da imigração são exagerados, diz estudo

A discussão pública sobre a imigração está sendo distorcida por preocupações sem fundamento com o ônus financeiro que os novos imigrantes acarretam aos governos, segundo estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado na quinta-feira.
Em todo o mundo desenvolvido, "o impacto fiscal da imigração é quase zero", diz a organização no relatório, que traça uma comparação dos custos da imigração em diferentes países. "O impacto atual das ondas cumulativas de migração dos últimos 50 anos não é tão grande, para o lado positivo ou o lado negativo."
A OCDE, sediada em Paris, observou que entre 2001 e 2011 a imigração foi responsável por 40% do crescimento populacional em seus países membros. Mesmo assim, esse fluxo imigratório foi, na maioria dos casos, quase irrelevante para a razão entre os gastos públicos totais e o PIB --"geralmente não maior que 0,5% do PIB em termos positivos ou negativos"--, na medida em que os custos maiores para os governos, como os gastos militares, não são afetados pela imigração.
"Os imigrantes contribuem mais com impostos e contribuições sociais do que recebem em benefícios individuais", disse Jean-Christophe Dumont, o funcionário da OCDE que comandou o estudo. "Por isso seu impacto fiscal líquido é principalmente positivo", embora seja pequeno.
"A percepção pública é que os imigrantes tiram muito mais do que contribuem, mas não é isso o que acontece", ele disse.
Mas essa mensagem ainda não foi muito ouvida, constatou a OCDE, em parte porque alguns filhos de imigrantes têm desempenho fraco na escola e no mercado de trabalho e precisam de ajuda governamental. Em outros casos, políticos têm facilidade em divulgar uma visão estereotipada de imigrantes, para seu benefício político próprio.
Embora o estudo não tenha tratado da questão da imigração ilegal, Dumont disse que "na maioria dos casos" os imigrantes ilegais contribuem mais do que oneram os países em que se radicam, porque pagam muitos impostos mas têm acesso limitado a serviços públicos como educação e saúde.
A OCDE compilou seu relatório usando dados estatísticos fornecidos por seus países membros para 2011, o ano mais recente para o qual havia dados completos disponíveis, além de alguns dados preliminares relativos a 2012. A organização observou que, em alguns casos, os dados nem sempre foram precisamente compatíveis em todos os países, devido a diferenças de definições.
Os 34 países membros da organização incluem a maioria dos países do mundo desenvolvido, mas excluem importantes economias emergentes como China, Rússia, Índia e Brasil. A organização entra na discussão sobre a imigração num momento em que o tema ganha destaque devido ao alto desemprego e o crescimento econômico morno, além do questionamento da viabilidade dos sistemas de bem-estar social. Em alguns casos a discussão mistura questões econômicas e identidade nacional de maneira politicamente conturbada.


DAVID JOLLY
DO "NEW YORK TIMES", EM PARIS

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mais de 270 especialistas participam de IV Fórum Internacional de Migração e Paz Vigário Geral dos Scalabrinianos exorta para que o migrante seja visto como possibilidade e não como problema

"Governança internacional das migrações a partir de uma perspectiva humana e ética é uma condição sine qua non para o bem comum de todas as pessoas, incluindo os migrantes, e para a coexistência pacífica internacional", enfatizou o Diretor Executivo da Rede Internacional de Migração Scalabrini, SIMN, padre Leonir Chiarello, durante a abertura do IV Fórum Internacional de Migração e Paz. 
O IV Fórum reúne 270 inscritos, especialistas de alto nível na temática das mobilidade humana e ocorre até esta sexta-feira, 21, no auditório da Escola de Direito de Nova York, organizado pela Rede Internacional de Migração Scalabrini, SIMN. 

A abertura na manhã desta quinta-feira, 20, contou com a presença do Vice-Secretário Geral das Nações Unidas, Jan Eliasson; do Presidente da Escola de Direito de Nova York, Anthony W. Crowell; da Subsecretária de População, Migração e Assuntos Religiosos do México, Mercedes del Carmen Guillén Vicente; do Vigário geral dos Missionários de São Carlos Borromeo, Scalabrinianos, padre  Alfredo Gonçalves e de dom Nicholas DiMarzio, bispo da diocese do Brooklyn. 

Na introdução do IV Fórum, padre Leonir Chiarello evidenciou que a "globalização, a insegurança humana, a falta de desenvolvimento, a insegurança econômica, juntamente com as catástrofes naturais, conflitos armados e violência, estão aumentando a migração forçada em todo o mundo".

Ressaltou que apesar das respostas institucionais, muitos "migrantes continuam a sofrer abusos, exploração e violência, sendo cada vez mais um grupo vulnerável, sujeito a discriminação, a xenofobia, os sentimentos anti-imigrantes e vítimas de abusos dos direitos humanos, especialmente no controlo de fronteiras e programas de deportação".

Para o Diretor Executivo do SIMN, esta situação de vulnerabilidade e as percepções negativas da migração implicam em um dever ético de governos e organizações da sociedade civil para implementar políticas abrangentes e respostas a migração humana e segura. 

Observando esta conjuntura, explicou, o SIMN promove o Fórum para "estimular um diálogo de alto nível entre representantes do governo, organizações internacionais e organizações da sociedade civil e a definição de ações concretas sobre as interconexões entre a segurança humana, desenvolvimento humano, os fluxos migratórios e a coexistência pacífica entre as comunidades anfitriãs e migrantes".

Durante a abertura do IV Fórum, o Vigário Geral da Congregação dos Missionários Scalabrinianos, padre Alfredo Gonçalves apelou para que o migrante não seja vista apenas pelo foco da criminalização e da vitimação, mas que o migração seja reconhecida como possibilidade. 

Os temas centrais do IV Fórum discorrem sobre o compromisso dos governos e sociedade civil com a segurança, desenvolvimento humano e governança global sobre migração. 

A Rádio Migrante tramite ao vivo, o IV Fórum Internacional de Migração e Paz. 

Roseli Lara/ JP 088/MS 
Rede Scalabrinina de Comunicação 



Suécia fica em primeiro no ranking de países para imigrar

Onde é melhor ser imigrante? Esta é a pergunta que o índice Mipex busca responder. A partir dele, um ranking produzido em parceira entre o British Council e a organização europeia para políticas de imigração, o Migration Policy Group, aponta os melhores países no tratamento de estrangeiros que chegam para ficar. Publicado em 2010 e atualizado periodicamente, o estudo avaliou 30 países europeus, além de Canadá, Estados Unidos, Japão e Austrália, por isso nenhum país da América Latina aparece na lista.

A pesquisa aplicou uma nota de até cem para sete áreas principais, referentes a imigrantes dos 34 países. Foram avaliadas mobilidade no mercado de trabalho; possibilidade de reunir a família no país; educação; participação política; residência de longo prazo; acesso à nacionalidade; e políticas contra discriminação. Quanto maior a nota geral, melhor colocado ficou o país. Embora nenhuma nação tenha alcançado a nota máxima ou a nota mínima na contagem geral, vale a saber como tratam os estrangeiros que nela residem.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Novo relatório do ACNUR revela que deslocamento forçado no mundo é o maior em 18 anos

Relatório global do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lançado hoje revela número recorde de pessoas refugiadas ou deslocadas internas no mundo desde 1994, ressaltando que a crise na Síria é o novo grande fator de deslocamento global.
O relatório anual “Tendências Globais” engloba os deslocamentos que ocorreram em 2012, com base em dados de governos, ONGs parceiras e relatórios do ACNUR. O documento mostra que, no final de 2012, mais de 45,1 milhões de pessoas estavam em situação de deslocamento - em comparação aos 42,5 milhões no final de 2011. Essas estatísticas incluem 15,4 milhões de refugiados, 937 mil solicitantes de asilo e 28,8 milhões de pessoas forçadas a fugir dentro das fronteiras de seus próprios países.
A guerra permanece a causa dominante do deslocamento forçado. 55% dos refugiados vêm de apenas 05 países, todos afetados pela guerra: Afeganistão, Somália, Iraque, Síria e Sudão. O relatório traz ainda gráficos sobre deslocamentos vindos do Mali, na República Democrática do Congo e do Sudão para o Sudão do Sul e Etiópia. 
“São números verdadeiramente alarmantes. Eles refletem o sofrimento individual em grande escala, e também as dificuldades da comunidade internacional em prevenir esses conflitos e em promover soluções duradouras para eles”, disse o chefe do ACNUR e Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres.
O relatório destaca têndencias preocupantes em diversas áreas, entre elas a taxa de deslocamento atual. Em 2012, cerca de 7,6 milhões de pessoas foram forçosamente deslocadas, 1,1 milhões delas como refugiadas e 6,5 milhões como deslocados internos. Isto significa um novo refugiado ou deslocado interno a cada 4,1 segundos.
Evidencia-se também a lacuna contínua entre os países mais ricos e os mais pobres quando se trata de quem está acolhendo refugiados. Dos 10,5 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR, metade reside em países com PIB per capita é inferior a US$ 5.000 – outros dos 4,9 milhões de refugiados palestinos estão sob o mandato da UNRWA, uma agência da ONU que cuida apenas dessas populações no Oriente Médio. Ao todo, os países em desenvolvimento hospedam 81 por cento dos refugiados comparados aos 70 por cento de uma década atrás.
Crianças menores de 18 representam 46% de todos os refugiados do mundo. Além disso, em 2012, um número recorde de 21.300 solicitações de refúgio foi apresentado por crianças desacompanhadas ou separadas de seus pais. Esse é o maior número já registrado pelo ACNUR em toda sua história.
Para produzir o relatório, o ACNUR soma os novos deslocamentos com aqueles permanecem irresolutos, subtraindo os deslocamentos resolvidos (por exemplo, pessoas que retornaram para seus locais de origem ou que foram instaladas definitivamente fora de seu país por meio de nova cidadania ou outra solução duradoura).
Em 2012, a agência registrou a solução do deslocamento para cerca de 2,7 milhões de pessoas, entre elas 526 mil refugiados, 2,1 milhões de deslocados internos e 74,8 mil pessoas reassentadas pelo ACNUR em terceiros países.
No último ano, houve poucas mudanças em relação a 2011 quanto ao rank dos países com maiores populações de refugiados. O Paquistão permanece em primeiro lugar (1,6 milhão de refugiados), seguido pelo Irã (868.200) e Alemanha (589.700).
O Afeganistão permanece como o principal país de origem de refugiados, posição que ocupa por 32 anos. Em média, um em cada quatro refugiados no mundo é do Afeganistão, com 95% residindo no Paquistão ou no Irã. A Somália, outro país em conflito prolongado, foi o segundo principal país de origem de refugiados em 2012. No entanto, a taxa de saída dos refugiados diminuiu. Iraquianos foram o terceiro maior grupo (746.700 pessoas), seguido por sírios (471.400)
Com mais pessoas deslocadas dentro dos seus próprios países, o número de 28,8 milhões em 2012 é um dos maiores das últimas duas décadas. Isso inclui 17,7 milhões que estão sendo ajudados pelo ACNUR. A assistência para estes deslocados internos não é automática, ocorrendo com o pedido dos governos. Novos deslocamentos internos significativos foram assistidos na República Democrática do Congo e na Síria.
Lançado anualmente, o relatório “Tendências Globais” é o principal documento do ACNUR sobre deslocamentos forçados e está disponível na Internet, com materiais adicionais, na páginaunhcr.org/globaltrendsjune2013
Por: ACUNR


La migración como un instrumento de crecimiento



No tardando mucho empezarán a sentirse en Europa los efectos del envejecimiento de la población y la disminución de lapoblación activa. Aún hoy en día, a pesar de las elevadas tasas de paro, existen dos millones de puestos vacantes en toda la UE en ámbitos como, por ejemplo, la sanidad, las tecnologías de la información y la comunicación, las ingenierías, el comercio o las finanzas. Aunque la inmigración no es el único modo de cubrir los posibles déficits de cualificaciones, esta forma parte, sin duda alguna, de una solución común encaminada a sustentar la estrategia de crecimiento económico de la UE.
La legislación de la UE en materia de migración permite atraer a determinadas categorías de inmigrantes. Este es el caso, por ejemplo, de la Directiva sobre la tarjeta azul, que facilita la entrada y residencia de ciudadanos procedentes de terceros países que vayan a ocupar puestos altamente cualificados (la Comisión publicará un informe sobre su aplicación a mediados de 2014).Durante 2012, se produjeron avances en las negociaciones de las directivas sobre traslados de trabajadores dentro de una misma empresa y sobre trabajadores temporeros, aunque se precisan aún más esfuerzos por parte del Parlamento Europeo y el Consejo para llegar a un acuerdo.
La Comisión también espera que avance rápido su propuesta de establecer normas más claras y coherentes para los ciudadanos de terceros países que acuden a la UE a realizar estudios, investigaciones científicas u otro tipo de intercambios(IP/13/275 y MEMO/13/281).
Los Estados miembros deben velar sobre todo por que se adopten medidas eficaces que fomenten la integración. Los inmigrantes deben poder desarrollar todo su potencial en un entorno en que se respeten sus derechos fundamentales y que les permita ser partícipes de la prosperidad de nuestras sociedades. Resulta fundamental que los Estados miembros apliquen correctamente la Directiva relativa al permiso único que garantiza a los trabajadores procedentes de terceros países la igualdad de derechos en determinados ámbitos.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Angola participa na I Conferência Internacional da Diáspora

Uma delegação angolana participa na primeira Conferência Internacional da Diáspora, que teve início ontem 18 (terça-feira) em Genebra (Suíça), no âmbito do Diálogo Internacional sobre Migrações (IDM) - principal fórum da OIM para o diálogo sobre políticas de migração.

A delegação à reunião, em que estão presentes ministros, altos funcionários, especialistas e outras partes interessadas, é chefiada pelo Representante Permanente de Angola junto da ONU, em Genebra, Embaixador Apolinário Correia.

A Conferência reflecte o reconhecimento crescente entre os 149 Estados membros da contribuição sócio-económico e potencial da diáspora para o desenvolvimento dos seus países de origem. 

Nos últimos anos, o crescente interesse no potencial sócio-económico do engajamento da diáspora resultou na nomeação de mais de 30 ministros e secretários de estado responsáveis pela diáspora. Mais de 50 órgãos de governo foram criados com o objectivo de promover a diáspora como actores de desenvolvimento.

"Esperamos que este evento irá fortalecer a colaboração entre as partes interessadas, melhorar o cruzamento de ideias e práticas, e promover uma comunidade de interesse comum e conhecimento entre aqueles que acreditam que as diásporas podem se tornar um importante motor de desenvolvimento" - sublinhou o director-geral da Organização Internacional para as Migrações, William Lacy Swing.

O presente ano é significativo para o debate geral sobre a migração e desenvolvimento, incluindo a gestão das migrações e questões de governação. Decorrem os preparativos para o segundo Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas (HLD) sobre a Migração e Desenvolvimento Internacional. 

O Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento (GFMD) entrou no seu sétimo ano e continuará o seu trabalho valioso para melhorar o entendimento e a cooperação entre os formuladores de políticas nacionais e de outras partes interessadas nestas questões. Estes e outros eventos previstos para 2013 também serão integrados na Conferência sobre a População e Desenvolvimento, em
Durante a Conferência que termina hoje quarta-feira em Genebra, os participantes irão fazer um balanço das políticas da diáspora aplicadas pelos governos, programas, iniciativas, identificar e compartilhar as melhores e mais inovadoras práticas, bem como fazer recomendações a OIM, a fim de aumentar a sua capacidade de responder de forma eficaz ao governo e à comunidade da diáspora.

A OIM prevê que o resultado da Conferência irá reforçar a colaboração entre os países. Esta é uma oportunidade para promover a criação de um banco de dados global que forneça os formuladores de políticas com informações, programas da diáspora e directrizes de avaliação relevantes.

As diásporas (movimento migratório feito pelos antigos judeus) são emigrantes e seus descendentes que vivem fora do seu país de nascimento ou ascendência, seja de forma temporária ou permanente, mas que conservam uma ligação pessoal, emocional e cultural com os seus países de origem. Hoje, cerca de 214 milhões de migrantes internacionais vivem e trabalham fora do seu país de nascimento.



Angola Press

Situação de universitários estrangeiros é discutida na CNBB


Com o objetivo de realizar um mapa da situação dos estudantes universitários estrangeiros no Brasil, foi realizada nesta segunda-feira, 17, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, a terceira reunião do Núcleo de Jovens Universitários Internacionais. A iniciativa é dos setores Universidades e Mobilidade Humana, ambos da CNBB.

O Núcleo Estudantes Internacionais, como projeto conjunto entre o Setor Universidades, ao qual o núcleo está vinculado, e o setor Pastoral da Mobilidade Humana, tem o objetivo de contribuir na devida atenção pastoral aos estudantes internacionais, conhecendo melhor sua realidade e necessidades, promovendo o diálogo intercultural, ecumênico e inter-religioso, políticas públicas que garantam seus direitos, em condições justas e dignas que favoreçam a inculturação e a acolhida, para que possam vivenciar melhor a fé e os valores evangélicos.

O bispo referencial do Setor Universidades, Dom Tarcísio Scaramussa, explica que há diferentes situações de dificuldades vivenciadas entre os jovens que vem do exterior estudar no Brasil. "Muitos jovens vem, por exemplo, de países pobres da África e, às vezes, aqui, eles se encontram em condições insustentáveis", afirma o bispo.

De acordo com um balanço, feito pelo Ministério das Relações Exteriores, apenas no ano passado, 1.333 estudantes colombianos chegaram ao Brasil, 944 portugueses, 934 franceses e 745 angolanos. Comparando com 2011, por exemplo, o número de colombianos interessados em estudar no Brasil aumentou em quase 50%. Naquele ano, 972 estudantes colombianos pediram o visto, 441 portugueses, 798 franceses e 608 angolanos.

Dom Tarcísio aponta que são as dificuldades, vividas por esses jovens, além de serem econômicas, podem ser relativas ao aspecto cultural, e/ou burocráticos. "Há dificuldades culturais, de integração, com o ambiente cultural nas universidades, com os outros jovens. Dificuldades financeiras, às vezes eles não conseguem manter os compromissos, as despesas do curso, então começam a surgir até problemas com documentação", ilustra.

O trabalho do Núcleo de Jovens Universitários Internacionais é realizado com o acompanhamento de alguns grupos de universitários estrangeiros, por meio das pastorais da Mobilidade Humana. "A Igreja tem buscado apoiar a situação desses jovens. Criou entre eles uma associação para ajudá-los na sua organização, em vista de seus direitos, do seu sustento, e do apoio para essa realidade", disse Dom Tarcísio.


CNBB

terça-feira, 18 de junho de 2013

Dialogo Social com os imigrantes e a Prefeitura de São Paulo


Foi realizado ontem dia 17 um dialogo social com todos os setores que trabalham com migrações e conto com a presença do Secretario de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de São Paulo  Rogerio Sottili, como o Coordenador de Política Migratória Paulo Illes, nas palavras dos convidados foi ressaltado  a importância e a necessidade de uma política de inclusão dos imigrantes, de forma que sejam reconhecidos enquanto sujeitos de direitos e deveres, garantir o acesso aos bens e serviços produzidos socialmente, como também propiciar informação , como forma de combater o trabalho escravo, a discriminação e a falta de acesso a serviços públicos. A principal reivindicação dos imigrantes foi a ausência de políticas publicas voltadas para o imigrante, principalmente no acolhimento e inserção a invisibilidade do imigrante para a sociedade e para as autoridades,
A Igualdade de direitos e de deveres entre cidadãos nacionais e imigrantes que se encontrem ou residam no Brasil., e de alguns direitos políticos, situa-se como princípio inspirador determinante. Como o Direito ao voto, Assim o combate a todas as formas de discriminação e o efetivo exercício de direitos e deveres dos imigrantes determina o que defendemos nas políticas de imigração acesso igual ao Trabalho, à Saúde, à Educação, à Segurança Social, à Justiça e a todas as outras áreas setoriais. A Missão Paz e Serviço Pastoral do Migrante participaram do evento. O Secretario Rogerio Sottili como o Coordenador  Paulo Illes  ressaltaram o compromisso do Prefeito Fernando Haddad com as políticas publicas municipal na Capital Paulista voltadas para os imigrantes.

Miguel Ahumada



Seminário diocesano discute mobilidade humana

Evento faz parte da programação da Semana do Migrante, que se estende até domingo

A Pastoral do Migrante da Diocese do Rio Grande realizou, na tarde de sábado, no plenarinho da Câmara de Vereadores, o 4º Seminário Diocesano da Mobilidade Humana, cujo tema foi Migrações: Peregrinações de fé e esperança. O evento teve como proposta consolidar um espaço de discussão do fenômeno migratório na Diocese, de maneira especial na cidade do Rio Grande, e suas implicações na atuação e presença da Igreja junto às pessoas que migram.
O seminário contou com cinco palestrantes. O secretário de Município da Mobilidade Urbana, Edison Gomes Lopes, foi um deles, e discorreu sobre o Panorama da Mobilidade Urbana em Rio Grande. O padre Heitor de Domenico falou sobre a Dimensão da Fé. Preconceito, estigma e acolhida ao outro foram outros assuntos abordados pelo professor Cristiano Engelke. O doutorando em Antropologia Rafael Lopo palestrou sobre Impactos do Polo Naval. Já Caio Floriano, do observatório de Conflitos Urbanos Socioambientais da Furg, abordou os Conflitos.
Conforme a coordenadora da Pastoral do Migrante, irmã Nyzelle Dondé, o seminário foi um espaço de discussão, de percepção do fenômeno migratório como uma atitude de responsabilidade de todos. Participaram do evento representantes de órgãos públicos, integrantes da Pastoral e da Igreja Luterana.

"A expectativa é podermos unir forças - órgãos públicos e privados, com as igrejas - para criar uma estratégia de intermediar os conflitos, sobretudo o cultural", disse a irmã Nyzelle. Como Rio Grande, desde a implantação do Polo Naval, conta com muita gente de outros lugares, a intenção é buscar uma ação para uma convivência harmônica entre os rio-grandinos e as pessoas de fora que estão morando aqui. A ideia, segundo Nyzelle, "é criar uma cultura de acolhida e de entendimento de que a diversidade nos torna irmãos".
Carmem Ziebell

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Brasileira que teve família deportada defende irregulares nos EUA

A brasileira Renata Teodoro, 25, lidera um dos movimentos pela legalização dos imigrantes sem papéis nos EUA. Ela mora no país desde os seis anos, quando seus pais imigraram. Na semana passada, encontrou pela primeira vez em seis anos a mãe, que foi deportada do país em 2007, na cerca que separa os EUA do México. A mãe está proibida de voltar ao país por dez anos.
*
Consegui abraçar e beijar minha mãe por meio da cerca que separa o Arizona do México. Foi a primeira vez em seis anos que nos vimos, desde que ela foi deportada dos Estados Unidos e voltou para Criciúma, em Santa Catarina.
Fazia 43º C, eu usava chapéu e minha mãe ficava passando a mão no meu cabelo. Ela me trouxe fotos da família e uma camisa do Criciúma [Esporte Clube, time catarinense de futebol]. Choramos as duas durante mais de uma hora. E eu não sou de chorar.
Meus irmãos e meu pai foram deportados antes, mas fiquei. Tinha acabado de entrar na universidade.
Hoje tenho 25, mas desde os seis anos moro aqui. Decidi ficar e lutar para mudar as leis deste país.
Meu pai trabalhava em minas de carvão em Santa Catarina. Era muito perigoso. Ele tinha um irmão vivendo nos EUA que o convenceu de que seria melhor vir pra cá.
Ele chegou primeiro. Minha mãe pegou os três filhos -meu irmão de dez anos, minha irmãzinha de um ano e meio e eu-, voamos até a Cidade do México e depois pegamos vários ônibus até a fronteira.
Só lembro que tivemos que dormir a céu aberto, no chão, e que fiquei com muita fome e escondida.
Lembro da primeira vez que minha mãe perguntou se eu gostava de morar nos Estados Unidos. Eu disse que não, porque tinha dificuldades com o inglês.
Ela perguntou se eu queria voltar. Respondi na hora que não. A última coisa do mundo seria voltar a fazer aquela jornada insana.
Meus pais trabalharam duro. Ficamos só um ano em Minnesota [Estado no Meio-Oeste dos EUA]. Eles andavam com umas pás tirando a neve para as pessoas.
Quando mudamos para Massachusetts, minha mãe passou a trabalhar como faxineira, e meu pai começou a fazer pães.
Só que, em 2001, com sete anos aqui, meu pai teve o pedido para visto permanente negado e precisou voltar. O processo foi muito estressante para todos e meu pai e minha mãe acabaram se separando. Ela decidiu ficar.
Em 2007, meu irmão foi detido pela polícia como ilegal. E disseram para ele que estavam atrás da minha mãe. Ela foi à Imigração e os dois foram deportados. Mas eu decidi ficar. Tinha 19 anos.
Criei um movimento com outros estudantes sem documentos. Pela primeira vez, tive que morar sozinha, pagar minhas contas.
Trabalhei em loja, fiz faxina, fui babá, virei monitora de inglês para estrangeiros, sempre com dois empregos ao mesmo tempo. Teve hora em que não consegui pagar o aluguel e fui quase despejada.
Comecei a estudar política pública e direito na Universidade de Massachusetts [Estado na Costa Leste dos EUA], mas, como sou ilegal e não tenho direito a empréstimos do governo, consegui uma bolsa pequena.
Estudo devagar; curso um semestre e paro outro, conforme consigo pagar as taxas. Ainda falta um ano e meio para eu me formar.
Mas atualmente sou coordenadora da ONG Student Immigrant Movement ["movimento dos imigrantes estudantes", em inglês].
Conseguimos várias doações para pagar as passagens da minha mãe e de parentes de outros dois amigos na mesma situação, além de chamar a atenção das pessoas.
Tem gente que acha que ilegal é criminoso e precisa ser deportado, então precisamos contar o nosso lado.
Já fui várias vezes a Washington. Já fui recebida pelos senadores Chuck Shummer, Marco Rubio e Dick Durbin. Só falta encontrar o [presidente Barack] Obama.
PASSO PARA A CIDADANIA
Não sei se a lei que será aprovada será a ideal, mas pelo menos criará um passo a passo para se chegar à cidadania plena. Mesmo com medo de ser deportada, desde 2008 conto a minha história.
No ano passado, Obama decidiu não deportar mais os imigrantes que tenham vindo para cá menores de idade.
Minha mãe, por ter sido deportada, está proibida de pisar no país por dez anos. Enquanto ela chorava naquela cerca, pediu-me para voltar com ela. Disse que não, e ela entendeu. Luto para que as famílias possam ser reunidas de novo. Será uma nova luta.


Folha São Paulo

Via Crúcis de imigrantes subsaarianos à Europa é marcada por violência e descaso

Histórias de espancamento e assassinatos de africanos se proliferam a cada ano na fronteira entre o continente e a Espanha

A história de Gastón poderia, à primeira vista, parecer uma dessas milhares de histórias que a cada ano – desde que em 2005 as Forças Auxiliares Marroquinas se transformaram oficialmente nos vigilantes da fronteira sul da Europa e muitas vezes nos policiais do descumprimento sistemático dos convênios internacionais e dos direitos humanos – acontecem entre as cercas que separam Melilla e Ceuta.
Um imigrante subsaariano tenta entrar na Espanha superando a barreira metálica tripla de mais de 6 metros de altura, e segundo testemunhas, os Alis (nome coloquial pelo qual esse corpo paramilitar, que se presume “os olhos e os ouvidos do sistema marroquino”, é conhecido) respondem com um uso de força desmedida, causando ao agredido feridas graves que não lhe permitam uma nova tentativa de pular – ou ao menos lhe façam pensar melhor antes de fazer isso – e que sirvam como medida dissuasiva para o resto de seus companheiros de acampamento.

Mas não é exatamente assim. O caso de Gastón tem muitos novos matizes que permitem ver um recrudescimento das atuações policiais na fronteira terrestre sul da União Europeia e de algumas diretrizes políticas em relação aos imigrantes em Marrocos mais desumanas, que se manifestam de maneira diretamente proporcional à implicação e a conscientização da população e da sociedade civil para com este coletivo cada vez mais vulnerável e numeroso.

Ele despertou da anestesia geral e ver tanta gente ao redor de sua cama é um pouco inquietante. Além disso, ele se queixa que seu quarto – o número 209 da Policlínica Al Wahda (A União) de Nador – está quase o dia todo no escuro e ele sente muito frio.

Ele ainda não pode comer nada sólido e apenas toma um pouco de suco com muita dificuldade. “O pobre homem não pode engolir bem. Devem ter feito algum dano à garganta durante a intubação”, informa aos presentes Mónica, coordenadora da assistência sanitária da Delegação de Migrações em Nador, organização a cargo dos coletivos migrantes da região oriental de Marrocos desde a saída dos Médicos Sem Fronteiras do país.

É ainda difícil mover bem as pernas e ele continua com os dois braços engessados, mas está com a cara boa e “parece um novo homem: é realmente um milagre”, assegura entre lágrimas Juliana, ativista voluntária que o recolheu quando estava moribundo e jogado na rua.

Gastón, camaronês de 30 anos da etnia bamileké, estava há apenas três semanas nos acampamentos de Gurugú quando na tarde-noite do dia 15 de maio decidiu, junto a outros dozes companheiros, tentar pela primeira vez chegar a Melilla ultrapassando a cerca fronteiriça. Quando estavam a apenas poucos metros da cerca de ferro, foram surpreendidos por oficiais Forças Auxiliares marroquinas que os encurralaram e começaram a atacá-los com pedras e bastões.


Não é sempre bom ser o mais forte, e menos ainda nesta ocasião: a corpulência de Gastón fez com que ele fosse liderando o grupo, motivo pelo qual estava em pior posição para escapar correndo, e “sempre vão primeiro atrás dos maiores, são como troféus de caça para eles”, comenta Adil, presidente da Associação de Direitos Humanos de Nador.

Segundo testemunhas, os Alis conseguiram “caçar” dois deles e começaram a aplicar neles uma surra brutal. Mas o companheiro de Gastón mostrou duas notas de 50 dirhams (pouco mais de nove euros) e ao entregar o dinheiro aos seus agressores, eles o deixaram escapar com vários golpes e um braço avariado.

Gastón então pediu a eles que parassem e lhes deu tudo o que tinha nos bolsos: uma moeda de 10 dirhams (não chega a 1 euro ). A cifra não foi suficiente para os oficiais, um total de oito, que o golpearam até que ele estivesse meio morto. Então, o levaram até o monte Gurugú e de lá o jogaram. “Se tivesse algo de dinheiro não tinham me batido tanto. Devem ter pensando que eu não estava querendo dar tudo o que tinha ou que estava fazendo graça deles ao lhes dar tão pouca quantidade. Então me bateram mais e mais. Me acertaram com pedras, cassetetes, me deram chutes e socos cada vez mais fortes”, entende-se do que ele diz entredentes, enquanto mantém o rosto hierático, quase sem poder se mover ou gesticular.

No dia seguinte à surra, uma equipe da Delegação de Migrações de Nador subia ao monte para atender aos imigrantes que se refugiam ali em diversos acampamentos quando foi alertada por alguns vizinhos da região que tinham visto um homem envolto em sangue e jogado na lateral de uma das calçadas.

Rapidamente ele foi levado para o hospital provincial Hassani onde foi recebido, mas não foi atendido até o dia seguinte. “Não sabemos por que não quiseram examiná-lo nem lhe dar calmantes. Só depois de quase 24 horas, quando as queixas de várias pessoas que estavam no quarto dele (são salas comuns que atendem entre 8 e 12 doentes) obrigaram aos médicos a lhe atenderem devidamente, já que sofria de dores tremendas”, relata Juliana.



Os exames confirmaram o pior: ele tinha fortes traumatismos na cabeça e nas pernas, ambos os braços quebrados em várias partes e a mandíbula apresentava duas fraturas sérias e um deslocamento.

Os dias iam passando, os ossos começaram a se religar em falso e o hospital público, que havia incitado os ativistas e voluntários a comprarem o material cirúrgico, lavava as mãos e assegurava que não podia operar o jovem camaronês com garantias.

A Delegação de Migrações não pensou duas vezes e com a maior rapidez o transferiu para uma policlínica privada no último dia 4 de junho, que decidiu preparar uma equipe médica e operá-lo com urgência. Na madrugada de 5 a 6 de junho, ele chegava ao quarto com os braços e a mandíbula em seus lugares e duas placas de titânio no rosto que vão acompanhá-lo por alguns anos. “Ficou muito bom. Ele está chateado, mas satisfeito. É um garoto muito bom e muito inteligente. É verdadeiramente forte e esperto”, assegura Mónica.

E, 10 de junho, ele saiu da clínica privada e vai ser novamente transferido ao hospital estadual de Nador para concluir ali seu período de repouso e observação. A operação e o tratamento custaram mais de 20 mil dirhams (uns 2 mil euros) que foram arrecadados graças à generosidade de algumas organizações e indivíduos de Melilla. Um gesto altruísta e comovedor que serve para dar uma nova oportunidade a um homem cujo único delito foi abandonar seus pais e irmãos em Camarões para empreender uma viagem à Europa, buscando formar uma família e dar aos sobrinhos e futuros filhos uma vida melhor do que a que levava na África.

Não é um caso isolado

O trágico e brutal incidente de Gastón não é um caso isolado. Dois dias antes da surra, vários grupos de subsaarianos tentavam entrar em Melilla pela cerca fronteiriça. Cerca de 70 jovens conseguiram chegar ao solo espanhol, mas os outros não tiveram a mesma sorte. A noite terminou com 54 agredidos, detidos e expulsos para Argélia; pelo menos quatro imigrantes deram entrada no hospital Hassani de Nador em estado grave; 30 deles precisaram de assistência médica nos dias posteriores por fraturas e fortes contusões; e pelo menos um foi encontrado sem vida abandonando nos bosques próximos a Nador.


Um dos feridos dessa noite foi Yahya, um jovem guineano que conseguiu escapar das garras dos Alis com tão má sorte que, já longe, foi alcançado por uma pedra no olho direito quando girava a cabeça para ver se eles vinham atrás.

Ele teve que ser internado e esteve a ponto de perder o olho, mas finalmente se recupera no hospital Hassani e logo poderá voltar a estar com seus companheiros. “É um garoto estupendo, atento, divertido, educado. Ainda está se recuperando, mas é uma sorte tenha podido conservar a visão”, assegura Adil.

“Todos os dias temos de velar para que atendam no hospital Hassani de Nador a dois, três, cinco feridos com graves contusões na cabeça, nos braços, nas pernas e muitas vezes com fraturas e deslocamento de ossos. É algo contínuo. Eles tentam entrar em Melilla quase diariamente e as surras acontecem também quase todos os dias”, conta Ibrahim, um dos trabalhadores da Delegação de Migrações em Nador. 
Os subsaarianos que permanecem escondidos nos bosques do monte Gurugú e região asseguram que a presença da polícia marroquina e das Forças Auxiliares nas estradas de acesso é permanente e que os ataques e incursões aos acampamentos são quase diários, chegando inclusive a queimar os acampamentos como na metade do último mês de maio.

Abderrahman: “Nos espancaram até a morte”

Mas, se há uma situação parecida a de Gastón, sem dúvida é a que sofreu em sua própria carne Abderrahman. O jovem malinês de 25 anos foi encontrado no dia 3 de setembro de 2012 se arrastando pelo chão perto da subida para o monte Gurugú – com a cabeça aberta, o rosto cheio de sangue, os braços completamente cheios de cortes e contusões, e as pernas quebradas. Não podia andar.

Era um verão muito intenso em termos de tentativas de entrada de imigrantes subsaarianos a Melilla. A União Europeia e o Governo da Espanha pediram uma colaboração mais intensa da parte de Marrocos. Dito e feito: as Forças Auxiliares realizaram uma brutal carnificina na madrugada do domingo 2 para a segunda-feira 3 de setembro, durante a qual feriram centenas de jovens e deportaram outros tantos, de acordo com declarações de testemunhas.


As pernas de Abderrahman foram quebradas a golpes. Os vizinhos da área deixaram para ele um pedaço de pão e umas bebidas por perto, mas não se aproximavam para lhe socorrer. “Têm medo de que aconteça algo com eles também ou que sejam acusados de colaborar com a imigração clandestina”, sussurrava.

Foram surpreendidos à noite e muitos não tiveram a oportunidade de escapar. “Nos espancaram até a morte. Vieram de madrugada e nos bateram até nossos ossos quebrarem.  Muitos foram levados para Oujda, mas outros foram deixados morrendo nos bosques.”
Até então, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) se encarregavam da assistência aos imigrantes na região, mas, nessas datas, estavam trabalhando em Rabat, e por isso alguns ativistas melillenses tiveram que chamar a ambulância para que ele fosse levado com urgência ao hospital estadual.

Dias depois, o MSF teve de insistir para que ele fosse devidamente atendido e Abderrahaman levou vários meses para se recuperar. Quando foi agredido, ele estava somente há algumas semanas em Marrocos e para ele, como para Gastón, era sua primeira tentativa de entrar em Melilla.

Apesar de tudo, ele não perdeu a esperança de ter uma vida melhor. “Não vamos deixar de lutar por nosso sonho. Não somos delinquentes, só pobres. Aqui nos estão matando e não há ninguém que nos defenda. As pessoas no resto do mundo têm de saber o que fazem conosco.”

* Originalmente publicado no site espanhol Periodismo Humano


Opera Mundi

sábado, 15 de junho de 2013

O SPM participará do Programa Tribuna Independente, na Rede Vida!


A 28ª Semana do Migrante 2013  A temática refere-se Migração e Juventude: no passo da estrada, o Bem Viver!

Data: 17 de Junho (segunda-feira)

Horário: das 22h15min às 23h45min

           Entrevistados:

Padre Mário Geremia – Colegiada Executiva/SPM – Missionário Scalabriniano - Rio de Janeiro – RJ



Lúcia Bamberg Valentin  Coordenadora do Regional Sul/SPM – Leiga Scalabriniana - Curitiba – PR

Carmem Hilare – Coordenadora de Comunicação SPM/CAMI - São Paulo – SP

 Assistam na REDE VIDA de televisão, participem do programa fazendo perguntas através do e-mail: tribuna@redevida.com.br.


 Favor divulgar esta programação

Forte aumento da emigração nos países mais afetados pela crise na Europa


O número de imigrantes procedentes dos países mais afetados pela crise econômica na Europa aumentou consideravelmente desde julho de 2009, e na Espanha e na Grécia se multiplicou por dois, de acordo com um relatório da OCDE divulgado nesta quinta-feira.
A emigração dos cidadãos dos países mais afetados pela crise, em particular da Europa do Sul, se acelerou "com uma progressão de 45% entre 2009 e 2011", indicou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico em seu último relatório sobre migrações.
Desde 2007, o número de gregos e espanhóis que emigram a outros países da União Europeia se multiplicou por dois e alcançou respectivamente 39.000 e 72.000 pessoas, explicou a OCDE, uma organização que reúne 34 países desenvolvidos.
Na Alemanha, a chegada de imigrantes gregos aumentou 73% entre 2011 e 2012, enquanto o número de imigrantes espanhóis e portugueses no país cresceu cerca de 50%. Já os italianos que chegaram à Alemanha no mesmo período aumentaram 35%.
Embora a imigração em direção à OCDE de Índia e China continuem sendo importantes, Polônia e Romênia já estão entre os três primeiros países, atrás da China, que que mais fornecem imigrantes.
Já a situação dos imigrantes no mercado de trabalho se deteriorou nos últimos anos. A média de sua taxa de desemprego aumentou em 5 pontos entre 2008 e 2012 (de 8,1% a 12,9%), contra os três pontos de aumento dos trabalhadores do país (de 5,4% a 8,7%).
O fenômeno do desemprego afeta, em particular, os imigrantes do norte da África, com uma taxa recorde na Europa de 27% em 2012. No ano passado, cerca de um imigrante desempregado em cada dois estava há mais de um ano buscando emprego.
O relatório da OCDE também estuda o impacto econômico da imigração, que considera pouco importante.
"Segundo nossas estimativas, o impacto (dos imigrantes nas finanças públicas) é geralmente limitado e não supera 0,5% do PIB, positivo ou negativo", indicou a organização.