quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Prefeitura de Manaus realiza oficina sobre políticas públicas para refugiados

 

A Prefeitura de Manaus, por meio do Comitê Municipal de Políticas Públicas para Pessoas Refugiadas, Migrantes e Apátridas (Comppremi), em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), deu início, nesta terça-feira, 7/2, à oficina “Construção de Políticas Públicas para Pessoas Refugiadas, Migrantes e Apátridas na Cidade de Manaus”, realizada no auditório Sônia Barreto, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), no bairro Flores, zona Centro-Sul.

“O evento de hoje tem uma enorme importância uma vez que o município de Manaus tinha um vazio, não apenas na questão da assistência social, mas na garantia de direitos da população migrante e refugiada. É na gestão David Almeida que nós, da Prefeitura de Manaus, estamos inaugurando essa política que garantirá ações concretas de cidadania e acesso aos serviços públicos na política de assistência social que já executamos, como os abrigos para indígenas venezuelanos Warao, além de auxiliar as agências internacionais no direcionamento desses serviços ofertados”, explicou a titular da Subsecretaria de Políticas Afirmativas para Mulheres e Direitos Humanos, parte da estrutura da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Graça Prola.

Com o objetivo de propor estratégias para a construção da Política e Plano Municipal de Manaus para a população refugiada, migrante e apátrida – fortalecendo a execução de serviços voltados para esse público -, o primeiro dia de oficina abordou temas como os conceitos iniciais de migração e refúgio, estrutura das políticas públicas no Brasil e metodologias para a construção e operacionalização de políticas e planos municipais.

Mirella Lauschner, presidente do Comppremi, comitê instituído oficialmente pela gestão municipal no fim do ano passado, destacou a ocasião como um momento de pioneirismo na história das políticas públicas de assistência social na região Norte, fruto de anos de trabalho e debates na elaboração de políticas adequadas a realidade da cidade de Manaus, que recebe um fluxo intenso de migrantes e refugiados há, pelo menos, uma década.

“Desde 2016, de maneira mais intensa com a população migrante e refugiada venezuelana, a gente vem discutindo, mas agora finalmente entramos em um momento pioneiro. Com a efetivação do Comppremi, damos o pontapé inicial de sermos pioneiros, na região Norte, nessa construção”, finalizou a presidente.

O evento contou ainda com a participação de outras agências internacionais, como o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (Fupad), além de representantes de Organizações da Sociedade Civil.

“Esse processo de construção que a Prefeitura de Manaus, por meio da liderança da Semasc, tem desenvolvido com o apoio da Acnur e das demais agências da ONU é um marco muito importante quando a gente fala do acesso a direitos da população refugiada e migrante e a construção de respostas e políticas públicas locais. Desde junho do ano passado, temos feito uma série de encontros, de discussões e seminários que vêm caminhando para o desenvolvimento de um plano municipal que tenha em consideração as necessidades específicas dessa população”, enfatizou a oficial assistente de campo da Acnur, Juliana Serra.

As atividades da oficina, que tem duração programada de dois dias, continuarão no dia 8/2, também no auditório Sônia Barreto. No segundo dia de discussões, os participantes construirão uma “árvore de desafios” e participarão de um exercício em grupo para construção participativa de subsídios ao Plano Municipal para Pessoas Refugiadas, Migrantes e Apátridas de Manaus.

“É um momento simbólico na construção de políticas públicas para refugiados migrantes e apátridas. Nós da OIM, da Acnur, as demais agências da ONU e os municípios, fornecemos uma resposta de emergência. Tivemos uma emergência humanitária a partir de 2018 e partir de agora precisamos, sobretudo em uma cidade como Manaus, estabelecer políticas que entendam essa população como uma população que está integrada à cidade e que também precisa ter acesso à saúde, educação, transporte e moradia de maneira integral e eficiente”, completou Jaqueline Almeida, coordenadora do Escritório da OIM em Manaus.

manaus.am.gov.br

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Afegãos fazem trilha por 11 países para chegar aos EUA

 

Afegãos fazem trilha por 11 países para chegar aos EUA

A jornada começa com um visto humanitário para o Brasil: uma das poucas rotas de saída restantes para os afegãos que fogem do domínio do Talibã. E termina, após uma longa e perigosa trilha que passa por pelo menos 11 países, escalando um muro na fronteira e pulando em solo norte-americano.

Mais de um ano após a caótica retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, o número de afegãos que chegam à fronteira dos EUA com o México em busca de asilo disparou, com centenas de pessoas todos os meses arriscando uma rota de contrabando humano conhecida por sequestros, roubo e assalto. Mesmo assim, as pessoas enfrentam incertezas sobre se conseguirão encontrar refúgio permanente no território norte-americano.

Em resposta às perguntas da Reuters sobre o número crescente de afegãos que viajam por terra pela América Latina, o Departamento de Estado dos EUA disse que tentou acelerar o processamento de vistos e ofereceu apoio aos governos para evitar a “imigração irregular”.

Nahida Nabizada, graduada em ciência da computação, decidiu tentar chegar aos Estados Unidos pelo Brasil. Uma vez no Brasil, Nahida descobriu que estava grávida depois de sofrer um aborto espontâneo anterior. Ficar para trás enquanto seu marido, Jamshid, tentava chegar aos EUA sozinho poderia significar anos de separação.

Então, ela decidiu fazer a perigosa jornada pelo Estreito de Darién, uma densa selva entre a Colômbia e o Panamá que só pode ser atravessada a pé.


“Nossos maiores problemas foram nas selvas do Panamá”, disse Jamshid Nabizada à Reuters. “Quando chegamos lá, no primeiro dia, estávamos cheios de energia, não havia muitos problemas. No segundo dia enfrentamos a fome, não havia água."

O guia local que eles contrataram por US$ 150 (R$ 770) os deixou no primeiro dia no meio de uma caminhada de 12 horas, disse Jamshid. Na terceira noite, um rio transbordou e levou consigo comida, lanterna, colchões e outros pertences. Em seguida, ladrões armados com facas roubaram US$ 200 (R$ 1030) em dinheiro do afegão.

Quando emergiram da selva, foram recebidos por soldados panamenhos que rotineiramente levam os migrantes para os acampamentos e lhes fornecem comida, água e roupas. O governo do Panamá afirma que é “o único país que oferece atendimento a todos os migrantes que entram no país por Darién, para que continuem seu caminho para a América do Norte”.

A caminho do norte pela América Central, o casal pegou um ônibus para a Costa Rica em direção ao México.

Fazal Khalili, 25, gravou um vídeo de sua jornada, que forneceu à Reuters, mas não quis ser entrevistado diante das câmeras. Ele também fez a viagem terrestre começando no Brasil.

Em dezembro, Khalili e sua família estavam amontoados sob a parede de ripas de aço de 5,5 metros que separava Tijuana de San Diego. Um a um, os imigrantes subiram em uma escada fornecida por contrabandistas e pularam para os Estados Unidos.

Agentes de fronteira levaram o grupo para um centro de detenção, disse Khalili, e cerca de 36 horas depois, ele foi liberado para os Estados Unidos com uma notificação para comparecer ao tribunal de imigração. O governo dos EUA disse que não poderia comentar casos individuais.

Ilyas Osmani, 25, também disse à Reuters que escalou a cerca da fronteira depois de sua longa jornada do Afeganistão.

“Subimos a escada e chegamos à terra dos Estados Unidos entre as duas paredes”, disse ele. “Passamos uma noite lá e a polícia dos EUA veio e a patrulha da fronteira, eles vieram e nos deram um pouco de água e cobertores para passarmos a noite lá e amanhã conversarão conosco.”

Osmani desembarcou em São Paulo, em 2 de outubro de 2022, após mais de 30 horas em trânsito vindo do Irã. Um ativista que falou sobre os direitos das mulheres várias vezes na televisão afegã, Osmani disse temer estar em risco sob o Talibã por causa de sua defesa e seu trabalho como gerente geral de uma empresa de logística que era subcontratada pelas forças armadas dos EUA.

O governo do Talibã não respondeu aos pedidos de comentários sobre o êxodo crescente pela América do Sul, mas disse que o Afeganistão é o “lar de todos os afegãos” e que aqueles que partiram podem voltar. Eles também disseram que respeitam os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.

Osmani ganhou uma loteria de imigração dos EUA em 2020, permitindo que ele solicitasse vistos de “diversidade”, projetados para cidadãos de países com baixas taxas de imigração para os Estados Unidos. Mas as precauções durante a pandemia de covid-19 atrasaram o processamento do visto e a embaixada norte-americana no Afeganistão fechou quando a cidade caiu nas mãos do Talibã.

Depois de passar um curto período no Brasil, Osmani disse que decidiu rumar para o norte, para os Estados Unidos.

Atualmente, ele mora em um apartamento compartilhado em San Diego. Em meados de janeiro, ele viajou para São Francisco para uma audiência no tribunal de imigração. Quando ele chegou ao tribunal, foi informado de que seu caso não estava no sistema.

"É bom para mim quando penso que agora estou nos Estados Unidos. Mas espero obter os documentos o mais rápido possível, isso me deixará com a mente segura e uma vida feliz", disse Osmani .

Vários defensores dos refugiados e ex-funcionários norte-americanos disseram que o número crescente de afegãos tentando a rota pela América Latina reflete uma falha tanto em lidar com a crise humanitária dentro do Afeganistão quanto em fornecer apoio adequado para aqueles que partem.

Cerca de 88.500 afegãos foram reassentados nos Estados Unidos, com a maioria chegando na época da retirada militar norte-americana em agosto de 2021, de acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA. Mas milhares mais querem sair do país.

Alguns afegãos, incluindo aqueles que não têm pedidos de visto pendentes, tentaram se inscrever do exterior para entrar nos Estados Unidos em caráter de emergência. Dos cerca de 51.000 pedidos de afegãos desde a tomada do Talibã, cerca de 600 foram aprovados, disse o DHS.

g1.globo.com

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Número de venezuelanos inscritos no Auxílio Brasil cresceu 142% em 2022

 O número de venezuelanos cadastrados para receber o Auxílio Brasil cresceu 142% em um ano, entre novembro de 2021 e o mesmo período do ano passado. Os dados são da Plataforma de Coordenação Interagencial para Refugiados e Imigrantes da Venezuela (R4V), que reúne informações do governo federal. 

Segundo a plataforma, até novembro de 2021, 50 mil venezuelanos recebiam o benefício destinado à população em vulnerabilidade. Este número aumentou em novembro de 2022, passando para 131 mil cadastros. A maior parte deles vive no estado de Roraima. 

Esse número é pequeno para a alta parcela de refugiados no Brasil, já que muitos deles não sabem onde realizar o requerimento do benefício. 

Refugiados no Brasil

Entre janeiro de 2017 e março de 2022, cerca de 325 mil venezuelanos chegaram ao solo brasileiros. Eles fazem parte de um grupo de mais de 60 mil refugiados, que vem ao país enxergando novas perspectivas de vida. 

“Eu vim porque a situação está muito ruim no meu país. A gente não tem como viver, estamos passando fome”, lamenta Jorge. “É um desastre — salário mínimo muito baixo, não temos sequer medicamentos. Eu vim para o Brasil em busca de novas oportunidades e um futuro melhor”, contou Carlos Eduardo Ventura ao Metrópoles. 

Venezuelanos em Goiás

Em Goiás existem, até o momento, menos de 3 mil imigrantes venezuelanos. No entanto, o país tem refugiados do Haiti, Bolívia e Colômbia. Muitos deles fogem dos países de origem forçados por situações adversas como perseguições políticas e religiosas, desastres naturais, guerras, violações de direitos humanos e extrema pobreza. 

Entretanto, a recepção em território brasileiro nem sempre é acolhedora. Os imigrantes enfrentam desafios para garantir segurança alimentar e renda para as famílias que ainda estão nos países de origem ou que ainda vão chegar ao solo brasileiro. 

Com poucas leis que atendem os povos imigrantes, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promete revisão de direitos dos refugiados, através do Ministério dos Direitos Humanos, além de mais proteção durante a gestão de Flávio Dino no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). 

“Precisamos implantar uma cultura da paz e dos direitos humanos, e isso não é uma ação estatal. Depende da nossa capacidade de emular bons valores para que consigamos reverter os paradigmas mais profundos e enraizados do fascismo, que não está na Esplanada dos Ministérios”, explica Flávio Dino. 

O ministro garantiu ainda a criação de um grupo de trabalho (GT) que irá revisar a lei de imigração de 2017, ainda não implementada na totalidade. 


O Brasil tem ainda a Lei da Migração, criada em 1997. Nela, e considerando refugiado todo indivíduo que deixou o país por motivos de ”raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país” e que por esses motivos não possa ou não queira regressar aos seu país de origem.

Também é garantido na lei direito aos refugiados, aos cônjuges, ascendentes e descendentes, “assim como aos demais membros do grupo familiar que do refugiado dependerem economicamente, desde que se encontrem em território nacional”.

diariodoestadogo.com.b

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sábado, 4 de fevereiro de 2023

Pela 1ª vez em 5 meses, não há refugiados afegãos acampados no Aeroporto Internacional de SP


 Nos últimos cinco meses, refugiados afegãos que chegaram ao Brasil tiveram que acampar no Aeroporto Internacional de São Paulo, à espera de um abrigo. Nesta sexta (3), pela primeira vez, nenhum deles vai dormir no saguão.

O horizonte do aeroporto ficou maior para o último grupo de refugiados afegãos a deixar um acampamento que começou a se formar em agosto e chegou a ter mais de uma centena de imigrantes. De lá, eles foram levados para um abrigo em Guarulhos. São 36 pessoas, entre elas 12 crianças. Alguns deles já estavam no Brasil há pelo menos um mês.

O tempo no aeroporto foi uma foi escala forçada entre o medo do regime Talibã, que retomou o poder no Afeganistão, e o plano de recomeçar a vida no Brasil. Faltavam abrigo e dinheiro.

De setembro de 2021 até agora, o Brasil expediu mais de 7 mil vistos humanitários para afegãos. Nem todos os que pedem refúgio fazem a viagem de fato. Os últimos dados mostram que mais de 3 mil chegaram ao Brasil no ano passado, e a expectativa é que os afegãos continuem vindo.

Swany Zenobini, ativista do Coletivo Frente Afegã, está à frente de um grupo de voluntários que socorre os afegãos. Ela diz que é preciso garantir que os próximos não encontrem apenas o chão do aeroporto.

“A gente tem que entender que não é uma situação pontual, é uma situação que se tornou recorrente. Há cinco meses já está recorrente. Então, se não tivermos abrigamento para essas pessoas, e as pessoas que já foram acolhidas também não tiverem esse acolhimento na questão saúde, na questão emprego, acaba sendo só uma atuação pontual que vai gerar novos problemas lá na frente”, afirma.

g1.globo.com

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Governo de SP abre Casa de Passagem para migrantes e refugiados em Guarulhos

 

Fotos: Ivanildo Porto/PMG

Guarulhos passa a contar a partir desta sexta-feira (3) com mais um equipamento para o acolhimento de cidadãos afegãos que ingressam no Brasil pela cidade. Trata-se da Residência para Migrantes e Refugiados Terra Nova Guarulhos, inaugurada pelo governo do Estado de São Paulo, com 50 vagas.

Segundo informe da Prefeitura, a abertura do local permitiu zerar a fila de afegãos que aguardavam abrigo no Terminal II do aeroporto internacional nesta manhã. Com o novo equipamento, o governo acolheu o grupo de 36 afegãos — incluindo 12 crianças — que estava acampado no Aeroporto Internacional de Cumbica até essa data.

A unidade conta com oito quartos, brinquedoteca, sala de estar, cozinha e refeitório, onde os acolhidos poderão preparar seus alimentos conforme suas tradições e preferências.

“Cada vaga aberta na cidade é um conforto maior para essas pessoas que estão em busca de uma nova vida. Eles precisam de um local seguro pra recomeçar, e nós estamos nos esforçando ao máximo para tornar esse momento o mais confortável possível”, afirmou o prefeito Guti.

O secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Gilberto Nascimento, visitou a residência na manhã desta sexta-feira e afirmou que é necessário ter empatia para entender as diferenças culturais. “Eles vêm para um país de cultura, população, ambiente e hábitos diferentes, o que é uma condição crítica pra cada uma dessas pessoas. Precisamos aprender com eles para melhor acolher. Cada vida transformada tem que ser comemorada”, comentou.

Durante a permanência na Casa de Passagem — inicialmente de 90 dias, podendo ser estendido – os acolhidos receberão vacinas e encaminhamento para serviços de saúde, quando for o caso.

Eles também serão incluídos no CadÚnico para acesso a programas e benefícios socioassistenciais. O Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) será o órgão responsável por providenciar os cadastros. A Casa de Passagem é uma modalidade de acolhimento institucional e um serviço da proteção social especial de alta complexidade.

O investimento total para a manutenção do espaço é de R$ 2,5 milhões ao ano.

Serviço

Casa de Passagem Terra Nova – Guarulhos

Localização: 15 km do Aeroporto Internacional de Cumbica ou 20 minutos de deslocamento.

Como conseguir vagas: Para pleitear uma vaga na nova casa de passagem, os refugiados devem acessar o Posto Avançado de Atendimento Humanizado, do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.

clickguarulhos.com.br

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Curso sobre políticas e programas sobre migrações amplia capacidades de gestores públicos

 

Brasília - O desenvolvimento de ações para a acolhida e integração de migrantes vulneráveis ainda é um desafio relevante para muitos municípios e estados brasileiros. Visando contribuir para a boa governança das migrações, a Agência da ONU para as Migrações (OIM) e o Centro para Liderança Pública (CLP) desenvolveram o curso “Políticas Públicas e Programas para Migrantes”, com ênfase no incremento de habilidades técnicas e relacionais necessárias para a construção de estratégias bem-sucedidas de gestão da migração.

"É de extrema importância unir esforços das agências internacionais, do terceiro setor e da sociedade civil organizada na construção de políticas públicas efetivas para a população imigrante, atendendo aos anseios dos trabalhadores que aportam no país na busca de oportunidades de vida e de crescimento econômico, trazendo consigo culturas específicas e expectativas de acolhimento", explica Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.

Organizado em seis módulos, o treinamento gratuito e online aborda questões introdutórias sobre as dinâmicas de fluxos humanos, a dinâmica de institucionalização de políticas pública, a solução de problemas complexos pela administração, a gestão pública, a estruturação de centros de referência locais e, finalmente, o desenvolvimento de habilidades de liderança pelos gestores.

O curso, disponível na plataforma da Escola Virtual de Governo da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), é mais um da série disponibilizada em parceria pela OIM e a ENAP que já treinou mais de vinte mil pessoas em todo o Brasil.

“Reforçar as capacidades dos gestores locais é fundamental para que a migração seja um motor para o desenvolvimento”, destaca Stéphane Rostiaux, chefe de missão da OIM no Brasil. “Temos trabalhado em parceria com os governos, a academia e a sociedade civil brasileira para incidirmos em diferentes aspectos da gestão das migrações em benefício dos migrantes e das comunidades de acolhida”, complementa Rostiaux.

Para o desenvolvimento do curso ao longo dos anos de 2021 e 2022, a OIM e a CLP contaram com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e de 12 governos municipais que auxiliaram na construção dos conteúdos do treinamento. A iniciativa foi financiada pelo Fundo da OIM para o Desenvolvimento.

brazil.iom.int
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México e Estados Unidos deportaram mais de 190 mil migrantes em 2022

 


As autoridades de imigração do México e dos Estados Unidos deportaram mais de 196.300 migrantes, incluindo mais de 35.000 crianças e adolescentes, de nações como El Salvador, Guatemala e Honduras em 2022, informaram órgãos governamentais centro-americanos, juntamente com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na última terça-feira (31/01).

Os dados mostram que o México é responsável por 106.827 deportações, enquanto os Estados Unidos impediram que 89.552 pessoas deslocadas permanecessem em seu território. 

Estes números, colegiados com a Direção Geral de Migração e Imigração (DGME) de El Salvador, o Instituto Guatemalteco de Migração (IGM), a Secretaria de Bem-Estar Social (SBS) da Guatemala e o Observatório Consular e de Migração de Honduras (Conmigho) destacam um aumento de 58% em relação aos 124.280 casos em 2021.

Além do número de deportações em 2022, houve 837 repatriações de outros países que não foram detalhadas, elevando o número total de deportações de nacionais de El Salvador, Guatemala e Honduras para 197.216.

Da mesma forma, o documento chamou a atenção para o fato de que a taxa de retorno dos Estados Unidos aumentou 169,2%, ante os 33.268 registros de 2021.

A OIM também relatou a alta taxa de deportações de crianças e adolescentes que passou de 23.742 em 2021 para 35.303 em 2022. Esses 11.561 casos a mais representam 48,6%.

Entre as nações mesoamericanas, El Salvador elevou seus números de 2.580 menores em 2021 para 4.552 em 2022, para um aumento de 76,4%, enquanto a Guatemala registrou 13.565 casos em 2021 e 16.662 em 2022, descrevendo um aumento de 22,8%.

Honduras foi o país que apresentou maior crescimento em termos de repatriações de menores de 18 anos, saltando de 7.597 em 2021 para 14.089 em 2022, um aumento de 85,4%.

Organizações internacionais denunciam que a cada ano mais de 500.000 centro-americanos, incluindo milhares de menores, tentam emigrar para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida e fugir da situação de violência e insegurança social em seus países. 

TeleSUR

Opera Mundi 

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Em Goiânia, imigrantes aprovam núcleos de aprendizado da língua portuguesa

 Em Goiânia, imigrantes aprovam núcleos de aprendizado da língua portuguesa

(FOTO: DIVULGAÇÃO PREFEITURA DE GOIÂNIA)
 
 Complementando um trabalho que já é realizado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA), o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, colheu nesta quarta-feira (1/2) os louros de um projeto voltado para aprendizado da língua portuguesa. A inciativa, sancionada em dezembro de 2022, foi da Câmara Municipal e tem como público-alvo os refugiados em processo de adaptação na capital. “Oferecemos suporte para que as famílias que escolheram a cidade como um novo lar possam se estabelecer”, afirma o gestor, ao saber que os imigrantes aprovam a ação.

Ele destaca que o projeto, batizado de Núcleos para Aprendizado da Língua Portuguesa, é destinado a jovens e adultos e dá sequência à rede social humanizada em auxílio aos estrangeiros. Além disso, a SMDHPA disponibiliza também intérpretes que apoiam o grupo na retirada de documentos, e auxiliam na inscrição em programas sociais. "A iniciativa se junta a uma série de serviços nos setores de saúde, cidadania e educação que formam uma rede de proteção social", pontua, ao citar a participação ativa das Secretarias de Educação e Saúde.

"Morei por muitos anos na África e, por meio das minhas atividades religiosas, mantive contato com refugiados de muitas partes do planeta”, afirma Rogério Cruz. “É muito difícil abandonar sua casa, seu país, e se estabelecer em uma nova cidade, com língua e culturas diferentes”, pontua. “Por isso, criamos na prefeitura suporte para que as famílias que escolheram Goiânia como um novo lar possam se estabelecer e se adaptar da melhor maneira possível”, destaca.
 
Segundo a SMDHPA, durante a atual gestão foram realizados mais de 200 atendimentos e orientações aos refugiados que estão na capital oriundos de países como Venezuela, Cuba, Haiti, e Senegal, entre outras nacionalidades. Eles recebem suporte para inscrição em programas sociais e contam com a ajuda de intérpretes na hora de retirar documentos ou legalizar a sua situação no Brasil.
 
Trabalho conjunto
Apoiando o projeto, a  Secretaria Municipal de Educação (SME) conta com um setor para auxiliar os filhos de imigrantes que estão matriculados na rede municipal de ensino. A Gerência de Inclusão, Diversidade e Cidadania acompanha as crianças e oferece, quando necessário, intérpretes, provenientes do terceiro setor, para auxiliar os pais e os alunos na hora de fazer o dever de casa. Caso necessário, também atuam no próprio processo de aprendizagem e inclusão na sala de aula com as outras crianças.
 
Iniciativa similar ocorre na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), onde um núcleo acompanha os atendimentos de estrangeiros nas unidades do município. Com relatório em mãos, é realizado um levantamento sobre as necessidades locais, como, por exemplo, um acompanhamento maior da assistência social, ou identificados obstáculos de acesso aos serviços de saúde, como falta de documentos. Servidores da pasta também estão em fase de treinamento para atender pacientes com cultura e religião diferentes da predominante no país. 
 
“A prefeitura se preocupa em oferecer um atendimento humanizado. Nós sabemos o quanto é difícil esse momento de adaptação a um novo país, uma nova língua. Então, buscamos agir como um ente facilitador desse processo, não apenas às atribuições do município, mas também junto aos órgãos federais e estaduais”, explica a secretária municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Cida Garcez. 
 
Crise Humanitária
O maior desafio para o município ocorreu um pouco antes do início da pandemia, em dezembro de 2019, quando a crise humanitária que assolou a Venezuela fez com que indígenas da tribo Warao se estabelecessem na capital. Para atender as necessidades imediatas, a Prefeitura firmou com a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) uma parceria que forneceu refeições diárias para a população imigrante.
 
Na época, os indígenas receberam apoio de intérpretes do município para regularizar a situação junto à Polícia Federal. No dia 15 de abril de 2021, o prefeito Rogério Cruz, ao lado da primeira-dama Thelma Cruz, entregaram os primeiros 25 documentos de legalização para membros da comunidade, junto com cestas básicas. Delis Baria Moreno, um dos indígenas beneficiados, presenteou Rogério Cruz com uma obra de artesanato, em gesto de agradecimento pelo apoio da prefeitura.
 
Rogério Cruz lembrou da época em que esteve na África em missões sociais ao se solidarizar com a realidade dos imigrantes. “Passamos por situações difíceis. Quando somos imigrantes, o olhar é diferente”, relatou. “Quando as pessoas chegam em determinado local que não conhecem, elas precisam de um norte. Aqui elas recebem amparo para sobreviver”, conclui.
aredacao.com.br
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Mais de 40 refugiados afegãos aguardam acolhida no Aeroporto de Guarulhos

 

Barracas de refugiados no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.Jairo Nascimento/CNN

Nos últimos meses, o volume de imigrantes que chegaram ao Brasil tem sido maior do que a capacidade de atendimento. A situação tornou o Aeroporto Internacional de Guarulhos em uma espécie de acampamento para os novos grupos. Atualmente, 47 afegãos se abrigam no aeroporto, em São Paulo.

Prefeitura e governo estadual prometem inaugurar uma casa de acolhida, enquanto os imigrantes esperam por documentos e doações.

Os refugiados estão morando no saguão do aeroporto, ao lado do Serviço ao Imigrante. Há barracas e colchões improvisados pelos corredores. São afegãos de diversas etnias.

Najeebullah Habibi é jornalista e deixou o país após a mudança do regime. Ele é defensor da participação das mulheres na sociedade e, por isso, foi perseguido e agredido.

Já Rana Najeeb, que também é jornalista, veio para o Brasil com 4 crianças e está há 20 dias aguardando um abrigo enquanto sonha com visto para permanecer no Brasil. Rana tem medo de voltar ao Afeganistão.

Roupas de refugiados em saguão do aeroporto. Jairo Nascimento/CNN

Ambos tiveram um caminho difícil até o Brasil, fugindo por terra até o Paquistão para, depois, vender todos os pertences e conseguir algum voo para o ocidente. Assim, ambos chegaram ao Brasil.

O Ministério da Justiça divulgou que visitou o local em uma missão de fluxo migratório e tem conversado com as prefeituras de Guarulhos, São Paulo e com o governo estadual. Vários refugiados foram acolhidos em abrigos da capital.

Por nota, o Ministério diz que “serão visitados diversos abrigos municipais e estaduais. A equipe está sendo acompanhada pelo escritório do ACNUR [Agência da ONU para Refugiados] na cidade de São Paulo. A situação no aeroporto está estabilizada, sendo que aproximadamente 20 pessoas aguardam vagas em abrigos.”

O governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, explicou que o processo migratório é de responsabilidade do governo federal e que, em parceria com a prefeitura de Guarulhos, vai inaugurar, em fevereiro, uma Casa de Passagem com capacidade para 50 pessoas.

cnnbrasil.com.br

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SECRETÁRIO-GERAL DA CNBB A MISSIONÁRIOS INDONÉSIOS QUE ATUAM NO BRASIL: “O MUNDO PRECISA DO TESTEMUNHO DE VOCÊS”

 

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), irmã Eliane Cordeiro de Souza, e o diretor do Centro Cultural Missionário (CCM), organismo vinculado à CNBB, padre Djalma Antônio da Silva, participaram, na tarde do dia 30 de janeiro, do 1º Encontro de Missionários Indonésios que atuam no Brasil.

O encontro reúne 50 missionários e missionárias (católicos e muçulmanos) na embaixada da Indonésia, em Brasília (DF), até o próximo dia 3 de fevereiro, e tem o objetivo de refletir sobre a atuação deles em diferentes regiões do país, bem como ser um momento para troca de experiências sobre as dificuldades e alegrias que experimentam do dia a dia de seu trabalho.

O embaixador da Indonésia no Brasil, Duta Besar Edi Yusup, saudou a presença da representação da CNBB e da CRB e os acolheu enaltecendo o encontro e o trabalho que os missionários realizam no Brasil. De acordo com ele, a embaixada tem o registro de 360 indonésios que vivem no país e os missionários católicos representam 35% destes migrantes.

O coordenador do curso, padre Ferdinand Doren, destacou que o grupo está refletindo como podem contribuir, a partir da bagagem cultural da Indonésia, com a Igreja e com a sociedade e se aproximar dos diferentes “Brasis”.

Encontro de missionários

A presidente da CRB refletiu sobre o papel dos missionários num contexto de polarização ideológica pelo qual o Brasil atravessa. “Somos chamados, neste território, a desamarrar as sandálias e a ser mulheres e homens pacíficos e pacificadores”, disse.

O secretário-geral da CNBB destacou o ineditismo do encontro, afirmando que os missionários indonésios estão sendo os primeiros a realizar um encontro que está sendo desejado por missionários de outras nacionalidades desde quando ele chegou na CNBB há 4 anos.

“A pandemia da Covid 19 impediu a realização de muitas coisas. Vocês estão sendo os primeiros a realizar um encontro de missionários. Quem sabe a experiência de vocês nos inspire a realizar um encontro nacional com missionários de todas as nacionalidades que atuam no Brasil”, disse.

Dom Joel falou da dificuldade que o mundo tem de lidar com a diversidade e com as diferenças, algo que apenas tolera como quem vai deixando e diz: “deixa aí”, mas, de fato, não considera. O bispo-auxiliar do Rio de Janeiro defendeu que é necessário haver um salto da tolerância para a fraternidade.  “É preciso que saibamos nos reconhecer como irmãos e irmãs”, disse.

Em referência a Laudato Sí, Encíclica do Papa Francisco, dom Joel perguntou: “O que seria do mundo se realmente reconhecêssemos a Deus como o único Criador”, perguntou. O prelado afirmou que o mundo precisa do testemunho de cada um e cada uma das missionárias que estão em missão em território brasileiro. O secretário-geral exortou aos missionários que sejam, no Brasil, promotores da paz que é fruto da justiça, da fraternidade e da solidariedade.


Dom Joel aos missionários: “O mundo precisa do testemunho de vocês”. | Fotos: Ascom CNBB
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