sábado, 10 de outubro de 2026

"Mato Grosso do Sul é terra de migrante", afirma historiador

Vitor Hugo Flandoli nos estúdios da Massa FM Campo Grande - Foto: Ana Lorena Franco
 

A história de Mato Grosso do Sul é marcada pela influência de diferentes povos e culturas, que contribuíram para a formação da identidade do Estado. Em entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa FM Campo Grande, o historiador e influenciador digital Vitor Hugo Xavier Flandoli explicou como essa diversidade aparece na gastronomia, na música e até na economia sul-mato-grossense.

Criador da série semanal Café com Chipa, publicada nas redes sociais, Vitor busca apresentar curiosidades e acontecimentos históricos do estado em uma linguagem acessível, sem deixar de lado o rigor acadêmico.

“Sou um professor, historiador apaixonado pelo nosso estado, pelo Mato Grosso do Sul. E decidi ocupar as redes, cara. Decidi começar a gravar uns vídeos, trazer um conteúdo acadêmico, com uma preocupação acadêmica, mas de uma maneira mais leve. E tem dado muito certo.”

Da divisão à criação do estado

Mato Grosso do Sul foi criado oficialmente pela Lei Complementar nº 31, sancionada em 11 de outubro de 1977, durante o governo do presidente Ernesto Geisel. No entanto, a instalação efetiva do novo estado ocorreu em 1º de janeiro de 1979, após um período de organização política e administrativa.

Vitor explicou que os 15 meses entre a criação legal e o início das atividades do estado foram necessários para estruturar a administração pública e organizar o funcionamento das instituições.

O historiador também destacou que a divisão atendia a interesses internos e nacionais. Entre as demandas locais estavam a ampliação da presença administrativa e o fortalecimento do desenvolvimento econômico. No cenário nacional, o governo militar também considerava estratégica a ocupação e a defesa das regiões de fronteira.

Mistura de culturas construiu identidade sul-mato-grossense

A diversidade cultural é uma das principais características da formação de Mato Grosso do Sul. A presença de povos indígenas, comunidades tradicionais e migrantes de diferentes regiões do Brasil contribuiu para construir uma identidade própria, marcada pela combinação de influências.

Para Vitor, a ideia de que o estado não possui uma cultura própria desconsidera justamente o que torna sua identidade singular: a mistura de tradições e costumes.

“Demorei anos pra ter o entendimento que eu tenho hoje, mas eu começo a perceber que é justamente essa fusão de uma porrada de outras culturas que nos transformam numa coisa tão única.”

A influência paraguaia aparece em elementos como a sopa paraguaia e o chamamé. Já as contribuições de paraguaios, bolivianos, paulistas, mineiros, paranaenses e gaúchos também estão presentes nos costumes e nas tradições de diferentes municípios.

Essa diversidade ultrapassa as manifestações culturais e alcança a economia. Segundo o historiador, a chegada de migrantes também ajudou a transformar a produção agropecuária do Estado, que antes era mais concentrada na pecuária.

“Os sulistas trouxeram o plantio da soja pra gente, a mecanização da nossa agroindústria. Então, essas influências são múltiplas e são muito diversas. Estão em todos os aspectos.”

Estado também é terra de imigrantes

A presença de pessoas vindas de outras regiões do Brasil e de outros países também faz parte da história das famílias sul-mato-grossenses. O próprio historiador citou suas origens familiares como exemplo dessa diversidade, com parentes ligados a São Paulo, ao Nordeste e à imigração italiana, além de uma ancestral indígena.

Para ele, a identidade regional não depende exclusivamente do local de nascimento, mas também dos vínculos construídos com o território e com a população.

O historiador também propôs uma reflexão sobre a origem das famílias que vivem no Estado, muitas das quais têm pais, avós ou bisavós nascidos em outras regiões.

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