sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma Igreja que se confirma migrante com os migrantes


Por ocasião da 99º Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013 que celebraremos no  dia 13 de Janeiro, quero sublinhar alguns elementos importantes especialmente para nós, missionários scalabrinianos, que há 125 anos nos colocámos ao serviço de tantos homens e mulheres que vivem a experiência da migração.
Como foi recordado recentemente na conferência de imprensa promovida pela Fundação Migrantes da CEI (Conferência Episcopal Italiana), os cristão, e sobretudo nós que somos missionários para os migrantes, fazemos parte da «Igreja que caminha com os homens»: este ponto assente emerge com a mesma clareza, mesmo após 50 anos, na encíclica Gaudium et spes do Concílio Vaticano II, que o Papa Bento XVI cita na sua mensagem por ocasião do evento deste domingo.
Uma tal proximidade da Igreja, que é pela sua natureza Mãe da humanidade, traduz-se no empenho concreto de «transformar o caminho do desespero de tantas pessoas – actualmente, as estimas da ONU calculam 214 milhões de migrantes no mundo, dos quais cerca de 160 milhões são migrantes económicos e 60 milhões são refugiados e prófugos – num caminho de esperança é um empenho, um desafio educativo para as nossas comunidades civis e religiosas, se não queremos que este caminho de desespero resulte num novo conflito social», como foi recordado pelo Mons. Giancarlo Perego, director da Fundação Migrantes da CEI.
Os temas ligados à migração são muitos e, infelizmente, a maior parte permanece ainda sem discussão ou resolução: o direito ao trabalho e à cidadania, as numerosas discriminações e também a influência da actual crise económica no complexo fenómeno da mobilidade humana. Aquilo que me parece cada vez mais evidente, olhando o futuro e as novas gerações, é a passagem necessária, em vários países entre os quais a Itália, do conceito de jus sanguinis àquele de jus solis, um facto não apenas jurídico, mas substancial já que permitiria a 650 mil menores de idade, nascidos em Itália de pais estrangeiros, de viver como cidadãos de pleno direito e não como equilibristas no fio da própria identidade. Chegou o tempo de trabalhar juntos, Igreja e instituições, cada qual no seu âmbito específico, para que este reconhecimento seja visto por todos na óptica de uma sempre maior integração e acolhimento verdadeiro da humanidade migrante.
A minha é apenas mais uma voz que se une às de tantos bispos, que em vista da 99º Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, recordam que «a imigração não é um problema simples: evoca paixões e debates sobre a segurança nacional, económica, legal e social. No entanto, também é verdade que – tal como evidencia o presidente da FundaçãoMigrantes, Mons. Paolo Schiavon – ela abrange também a dignidade fundamental e a vida da pessoa».
Desejo a todas as comunidades scalabrinianas espalhas pelo mundo de celebrar, embora com formas e tempos distintos, esta Jornada que a Igreja escolheu dedicar, há quase um século, aos migrantes de todo o mundo. O bem-aventurado fundador, Mons. João Baptista Scalabrini, pai dos migrantes, apoie e multiplique os nossos passos ao lado da humanidade em caminho.
Roma, 10 janeiro 2013                                                                                                                 Pe. Alessandro Gazzola, cs
                                                                                                                                                             Superior Geral

Cubanos poderão viajar ao exterior sem pedir autorização ao governo


Os cubanos terão a partir da próxima segunda-feira direito de viajar ao exterior sem pedir autorização ao governo pela primeira vez em décadas, ao entrar em vigor uma revolucionária reforma migratória decidida pelo presidente Raúl Castro e longamente aguardada pela população.
"A partir de 14 de janeiro todos os maiores de 18 anos (...) serão capazes de viajar" para fora do país, disse à rede de televisão cubana o vice-chefe de Imigração e Nacionalidade, coronel Lamberto Fraga.
Os menores de idade também poderão sair do país, mas precisarão de permissão de seus pais ou tutores legais.
A reforma migratória também beneficia quase dois milhões de emigrados cubanos, que já não terão que passar por longos trâmites para visitar a ilha, incluindo os atletas e profissionais que desertaram em giros ou missões no exterior.
O governo de Raúl Castro anunciou no dia 16 de outubro que a reforma migratória - antecipada em 2011 - entraria em vigor no dia 14 de janeiro, permitindo que os cubanos possam sair do país sem pedir permissão, um trâmite complicado e caro.
"A decisão de modificar a lei migratória mostra o reconhecimento de que existe um país que tem um potencial de migração", disse à AFP o diretor do Centro de Estudos Demográficos da Universidade de Havana, Antonio Aja, um dos principais especialistas em temas migratórios da ilha.
"Na segunda-feira é quase certo que vai aumentar o número de solicitações de cidadãos cubanos para obter o passaporte", acrescentou.
Inicialmente, a demanda não será sentida nos aeroportos, e sim nos escritórios de imigração e registro civil, além dos consulados estrangeiros em Havana, já que uma enorme quantidade de países exige visto de entrada aos cubanos.
A reforma elimina as complicadas autorizações de viagem ou "cartão branco" e as cartas-convite de alguém no exterior que custavam até 200 dólares, em um país com um salário médio de 20 dólares por mês.
A nova lei migratória, saudada pelos Estados Unidos por considerar que "é consistente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos", forma parte das reformas introduzidas por Raúl Castro desde que sucedeu no comando em 2006 seu irmão Fidel.
As reformas abriram mais espaço à iniciativa privada na economia, restituíram a compra e venda de carros e casas e acabaram com algumas proibições excessivas, como afirma Raúl, que permitiram que os cubanos agora possam ter telefones celulares e se hospedar em hotéis.
No entanto, nem todos os cubanos poderão viajar livremente, já que astros do esporte - um orgulho da revolução cubana -, certos funcionários e profissionais "vitais" seguirão com restrições para sair da ilha, que tem 11,1 milhões de habitantes.
"Será um segmento muito reduzido, casos muito específicos que podem estar compreendidos em algumas destas regulações", disse o coronel Fraga.
O governo justifica estas restrições afirmando que os Estados Unidos propiciam há décadas a fuga de cérebros e deserções de astros do esporte da única nação comunista do Ocidente, que é uma potência esportiva regional e que alcançou a 16ª posição no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos de Londres, o melhor resultado da América Latina e do Caribe.
Nos últimos anos, mais de 30 atletas de elite desertaram durante torneios no exterior ou escaparam da ilha, entre eles o campeão de boxe Guillermo Rigondeaux, além de vários jogadores de beisebol, futebol e basquete.
As autoridades não divulgaram até agora a lista de profissões vitais, mas nesta semana informaram que os médicos não estão incluídos neste grupo, podendo viajar sem obstáculos.
Cuba sofreu uma grande emigração de médicos após a chegada de Fidel Castro ao poder, em 1959, o que afetou severamente seus hospitais. No entanto, hoje é o país com maior proporção de médicos em relação à população: um para cada 148 habitantes, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Os dissidentes, acusados pelo governo de serem mercenários dos Estados Unidos, temem que seguirão enfrentando restrições para viajar ao exterior, devido ao fato de a nova lei estabelecer que pode ser proibida a saída de alguém por motivos de segurança nacional.
"São razões que o Estado tem, razões da maioria, embora algumas pessoas possam se sentir limitadas em seus direitos", disse o coronel Fraga.
"É evidente que o governo vai manter uma política discriminatória com aquelas pessoas que não são partidárias ou que não aplaudem suas políticas", disse à AFP o dissidente Elizardo Sánchez, que dirige a ilegal, embora tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional.
Até agora, a permissão de saída era negada seletivamente sem que as autoridades dessem explicações. No entanto, cerca de 38 mil cubanos emigravam anualmente de forma legal e muitos outros visitavam familiares e amigos no exterior.
A partir de segunda-feira, as principais barreiras para sair da ilha serão econômicas (os custos das passagens aéreas e documentos) e de vistos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Relatora da ONU elogia lei contra escravidão aprovada em SP


Para Gulnara Shahinian, Brasil é o país que mais avançou na construção de mecanismos institucionais de combate à escravidão em 2012
Por Daniel Santini
com trabalho escravo, aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa de São Paulo em 18 de dezembro. Para a representante das Nações Unidas, a nova lei, que só precisa ser sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para entrar em vigor, foi uma das medidas mais importantes de 2012 na luta pela erradicação da escravidão.
"Parabenizo publicamente o autor da lei, o deputado estadual Carlos Bezerra Júnior (PSDB) por essa conquista. Com esta lei, ele e seus apoiadores não apenas declararam tolerância zero com escravidão em São Paulo, como também abriram caminho para que outros estados brasileiros sigam este importante exemplo", afirmou à Repórter Brasil. O deputado é lider estadual do PSDB e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
Para a representante das Nações Unidas, com a aprovação da lei estadual e o avanço no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional que prevê a expropriação de propriedades de escravocratas (veja especial sobre o tema), o Brasil foi o país que mais avançou em todo o mundo na construção de mecanismos institucionais de combate à escravidão em 2012. "O Brasil entra em 2013 com conquistas importantes e vitórias legais e morais. O país apresentou os principais resultados contra escravidão com a votação da PEC e com a aprovação da lei. Ambos processos demonstram que o Brasil almeja alcançar padrões morais elevados: o fim do trabalho forçado, do trabalho escravo na agricultura, em indústrias locais e internacionais", afirma Gulnara. "A legislação [aprovada] prevê proteção tanto para cidadãos locais quanto para trabalhadores imigrantes. Isso está em consonância com os diversos tratados internacionais que o Brasil ratificou. São políticas e atos legais exemplares".
Impunidade 
Gulnara estava em Madagascar, na África, quando a lei foi aprovada em São Paulo. Em sua primeira missão oficial no país, ela teve contato com diversos casos de escravidão contemporânea, incluindo escravidão infantil em minas e pedreiras, escravidão por dívida, casamentos forçados e escravidão doméstica. Ela aponta como a combinação de miséria extrema e impunidade está diretamente relacionada à escravidão contemporânea sobre a viagem).  

Para a Relatora Especial da ONU, avanços na consolidação da legislação é um passo importante na luta contra a escravidão em todo o mundo. Sobre a realidade brasileira, ela espera que o exemplo de São Paulo sirva de inspiração para as outras Assembleias Legislativas do país. "É muito importante que outros estados acompanhem este processo aprovando leis similares que criminalizem o uso de trabalho forçado e que protejam os direitos de trabalhadores, de modo a evitar que empregadores busquem brechas legais e movam seus negócios pensando em ficar impunes", defende.
"É importante desenvolver mecanismos rápidos e eficientes para reunir provas e expropriar bens de modo a evitar a impunidade, como foi o caso em condenações de escravidão nos anos anteriores. É importante também que a lei seja bastante divulgada e que trabalhadores e empresas a conheçam", completa.
"A lei de São Paulo deve ser implementada, quem explora trabalhadores em situação degradante deve ser criminalizado e quem sofreu tal violência deve receber medidas de proteção e reinserção", finaliza.

Por Daniel Santini

Haitianos poderão passar hoje pela fonteira com a República Dominicana


As autoridades da República Dominicana informaram que estará regularizada a partir de hoje (10) a passagem de haitianos pela fronteira. A estimativa é que mais de mil foram impedidos de passar porque estavam em situação irregular. O impasse durou cinco dias. Houve momentos de tensão e o governo da República Dominicana definiu o tema como prioridade.
O presidente da República Dominicana, Danilo Medina, vai se reunir com o ministro das Forças Armadas, Wall Siegfried, o diretor de Imigração, José Ricardo Taveras, e o embaixador do Haiti no país, Fritz Cineas, para discutir o assunto. As primeiras articulações foram conduzidas por uma comissão, formada pelo ministro do Interior e Polícia da República Domicana, José Ramón Fadul, funcionários do governo e o vice-ministro da Presidência, Luis Henrique Molina.
Durante as negociações entre as autoridades haitianas e dominicanas, ficou acertada a emissão de 80 mil vistos. Paralelamente, o governo da República Dominicana comprometeu-se a renovar os vistos já vencidos, assim como emitir os passaportes, sem documentos pessoais, como certidão de nascimento e carteira de identidade.
Desde o terremoto de janeiro de 2010, os haitianos sofrem as consequências da destruição do país. A busca por alternativas no exterior gerou um aumento de imigrantes não só para a República Dominicana como também para o Brasil, que elevou a quantidade de vistos emitidos.
Prensa Latina

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Imigração: brasileira de 15 anos está detida há quase 2 meses nos EUA


Uma estudante paulistana de 15 anos foi impedida de entrar nos Estados Unidos, onde pretendia passar férias, e está detida em um abrigo para adolescentes em Miami, na Flórida, desde 27 de novembro. A família, que vive no bairro do Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo, não sabe quando a menina vai voltar nem qual foi o motivo da detenção. Em Miami, a estudante encontraria uma tia-avó, a corretora de imóveis Marli Volpenhein, de 41 anos, que vive no exterior desde o início dos anos 2000. A família da jovem garante que ela tirou passaporte, solicitou visto de turista no consulado e comprou a passagem de volta, marcada para 26 de maio. Como viajou sozinha, ela também levou uma autorização dos pais por escrito, porém, a autorização foi escrita em Português e, chegando lá, autoridades solicitaram uma tradução juramentada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
As autoridades americanas informaram que o caso envolve uma questão de imigração e a liberação da menor depende da avaliação de um juiz da Vara da Infância local, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que não pode fornecer mais detalhes sobre o caso para não invadir a privacidade da jovem. O Itamaraty também disse que não poderia revelar o motivo da detenção. Diplomatas brasileiros em Miami estão acompanhando a história.  A menina foi levada para o abrigo. Lá, segundo a garota contou à família, tem de usar uniforme, como todos os detidos. Por ter menos de 18 anos, a jovem não pode ser deportada e deve permanecer sob tutela do Estado até a resolução do imbróglio.


Cabo Verde Ministra das comunidades anuncia a criação de um observatório das migrações


Fernanda Fernandes disse que esse observatório está pronto a entrar em funcionamento e vai permitir ao governo ter a noção exacta da realidade das migrações, um conhecimento imprescindível para a gestão do processo migratório. 

Esse observatório das migrações vai poder revelar estatísticas e identificar os constrangimentos e os desafios do processo migratório, garante a ministra das comunidades, Fernanda Fernandes, para quem este é um passo significativo para a compreensão do fenómeno migratório.

Ministério das comunidades cria observatório das migrações afim de aferir as estatísticas, os desafios e os constrangimentos desse fenómeno. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Em SC, 53 motoristas estrangeiros já receberam multa


A Polícia de Santa Catarina já multou 53 motoristas estrangeiros desde 20 de dezembro até a última sexta-feira (4). O motivos mais comuns para as notificações são o excesso de velocidade acima de 20% do permitido, transitar abaixo da velocidade mínima e estacionar em locais proibidos. Os motoristas argentinos lideram o ranking dos mais multados. O segundo lugar ficou com os paraguaios e, empatados na terceira colocação, estão uruguaios e bolivianos.
As multas são emitidas principalmente em Florianópolis, Balneário Camboriú e Imbituba, destinos preferenciais de turistas sul-americanos no verão catarinense.
De acordo com a assessoria de comunicação do Detran-SC, o motorista multado só poderá deixar o país se pagar o débito. Por isso, é recomendado que o viajante consulte o site do Detran para checar se há alguma notificação pendente. Caso o estrangeiro consiga atravessar a fronteira sem ser barrado pela polícia, terá problemas ao retornar ao Brasil (quando todos os veículos são abordados). Só poderá ingressar no País veículos sem pendência com os órgãos de trânsito.
Até esta segunda-feira (7), nenhuma multa emitida foi paga. O Detran acredita que isso ocorre porque os estrangeiros ainda estão em território nacional e não retornaram ao país de origem. A autuação de estrangeiros estava prevista no Código de Trânsito Brasileiro, mas começou a valer em Santa Catarina apenas em dezembro de 2012 graças a uma parceria entre as superintendências da Polícia Rodoviária Federal no Paraná e Rio Grande do Sul.

Estadao

Em Roma, 4.800 extracomunitários ilegais foram expulsos em 2012


Balanço apresentado diretor do Departamento de Imigração em Roma inclui também estatísticas relativas a concessões de permissões de estadia e controles efetuados para a prevenção da imigração ilegal
O balanço das atividades de 2012 do Departamento de Imigração de Roma foi recentemente apresentado pelo diretor da unidade Maurizio Improta. Segundo a estatística efetuada, no ano passado foram expedidas na capital 140 mil permissões de estadia, entre renovações e novas concessões, e efetuadas 4.800 expulsões de imigrantes extracomunitários e 1.000 de comunitários. Ao todo, desde o início de 2012, cerca de 10 mil os cidadãos estrangeiros passaram pelos controles efetuados pelas repartições volantes e pelos comissariados de polícia da cidade romana.
Em 2012, o mesmo departamento também foi responsável pela prisão de 12 pessoas e pelo registro de duas mil denúncias (em estado de liberdade) ligados a crimes de favorecimento da imigração clandestina.  A verificação das condições de permanência legal, de acordo com as informações prestadas por Improta ao jornal Repubblica, não se limitou  ao controle de indivíduos encontrados na rua, sendo realizado também uma avaliação do cadastro de estrangeiros que constatavam como titulares de um “permesso di soggiorno”. Procedimento que resultou na emissão de 1500 decretos de recusa e revogação de permissões de estadia.
A Imigração da via Patini emitiu ainda, no ano passado, 7.200 pareceres para reagrupamento familiar, 4.500 para pedidos de cidadania e naturalização, 2.933 para pedidos de proteção humanitária e asilo e, finalmente, 14.700 “nulla osta” por motivo de trabalho.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Itamaraty encontra emigrantes

A Embaixada e o Consulado do Brasil em Berlim são os primeiros a anunciar uma próxima audiência pública com os emigrantes para se avaliar o funcionamento do CRBE, Conselho de emigrantes (atualmente suspenso), nos seus dois anos de existência. Outras embaixadas e consulados deverão promover igualmente tais audiências públicas ou encontros com os emigrantes com o mesmo objetivo.
Durante a audiência, os emigrantes presentes serão convidados a responder uma série de questões relacionadas com o desativado CRBE. Essa iniciativa é importante porque demonstra publicamente o reconhecimento do fracasso do CRBE, da maneira como funcionou.
Essa constatação confirma nossas críticas publicadas, neses dois anos, aqui e na mídia alternativa, e pode ser um primeiro passo do Itamaraty para reconhecer a falha cometida na I Conferência Brasileiros no Mundo, se houver a real intenção de se encontrar o formato ideal para uma correta política da emigração.
O movimento Estado do Emigrante, sucessor dos Brasileirinhos Apátridas, saiu reforçado com a suspensão do CRBE, por nós criticado por não corresponder aos anseios da população brasileira vivendo no Exterior. E, por isso, esperamos que o MRE e Itamaraty nos dêem condições para participarmos direta e ativamente dessa anunciada busca na elaboração participativa de uma política de emigração.
Porém, ela responde apenas a uma parte de nossas reivindicações, feitas há quase cinco anos, no Rio de Janeiro, por ocasião da I Conferência Brasileiros no Mundo. Um longo trajeto sem rumo e muito tempo perdido em reuniões sem objetivo definido teriam sido evitados, se o Itamaraty tivesse cumprido o requerido, naquela ocasião, pela maioria presente, em favor da criação de uma Comissão de Transição, constituída de uma parte por emigrantes mas igualmente por representantes dos ministérios relacionados com a emigração, autoridades versadas na questão emigrante, parlamentares, o Conselho Nacional de Imigração e entidades ligadas à migração e imigração para se elaborar a esperada política de emigração.
Infelizmente, o Itamaraty, querendo assegurar o recente controle da questão emigração, que lhe fora outorgado pelo governo, e temeroso de perder essa primazia que lhe permtiria desenvolver todos um setor com verbas e novos postos criados, impediu fosse atendido o objetivo do abaixo-assinado maioritário, e assumiu de maneira intempestiva o papel de tutor dos emigrantes.
A atual intenção de promover-se audiências públicas pode ser positiva mas só cumprirá uma parcela mínima do requerido pelos emigrantes na I Conferência Brasileiros no Mundo. Propomos ao atual chefe da Subsecretaria das Comunidades Brasileiras no Exterior que retire do arquivo o abaixo-assinado e veja o vídeo da última sessão dessa primeira Conferência, quando o embaixador Oto Maia comentava, com o apoio entusiasmado do embaixador Moscardo, o pleiteado pelos emigrantes. E a maneira antidemocrática como certos «donos» dos emigrantes impediram a aceitação do princípio da criação da Comissão de Transição.
E o que visava o abaixo-assinado com a criação da Comissão de Transição ? Queria que um grupo capacitado, com a confiança do governo, de maneira laica, estudasse a construção de uma política da emigração, inspirada na experiência de países de emigração, que reconhecesse a independência dos emigrantes, criando-se para isso um órgão institucional emigrante, reivindicação que, nestes anos, tomou o corpo de uma Secretaria de Estado da Emigração ou de ser integrada num Ministério das Migrações, incluindo igualmente a migração e a imigração.
As audiências públicas só serão válidas se completadas com a criação de uma Comissão de Transição, cujos membros já representativos da sociedade civil poderão dar sua contribuição e resultar, desse esforço coletivo, um novo conceito e formato de política da emigração, em substituição à criação minimalista e imperfeita de um conselho de emigrantes sob a tutela do Itamaraty, o atual fracassado CRBE. Refazer o CRBE com base nas respostas a um questionário levará o governo a uma nova frustração e a um novo fiasco em política de emigração.
Não se pode convocar os emigrantes para lhes oferecer algo já previamente preparado. Ora, foi isso o ocorrido. Quando os emigrantes, já no primeiro encontro pediram autonomia e independência, o Itamaraty surpreso e ultrapassado ofereceu um conselho de emigrantes, meramente consultivo, na verdade inútil na sua essência. Política de emigração não é se reunir anualmente os emigrantes e lhes dar um conselho para discutirem temas de cuja solução não partciparão, funcionando na verdade como marionetes sob a batuta do Itamaraty.
A leitura dos quesitos e perguntas a serem submetidos aos emigrantes nas audiências públicas não tocam na questão principal – qual a competência do conselho de emigrantes ? Simplesmente porque o CRBE, o fracassado ou o que será reformulado, não têm nenhuma competência para agir em qualquer tema emigrante. Podem apenas sugerir. Quem faz tramitar ou não a questão levantada são os diplomatas do Itamaraty. Ora, como já dissemos, o Itamaraty para avaliar as necessidade dos emigrantes não precisa nem de Conferência e nem de Conselho, basta contratar uma empresa de sondagens e pesquisas.
A verdade nua e crua é a inutilidade do CRBE ou seu substituto, uma espécie de farolada, neologismo que poderia resumir a intenção de se dar a impressão aos emigrantes de estarem fazendo alguma coisa, quando, na verdade, continua sendo só o Itamaraty quem tem a palavra final e quem coloniza a emigração.
Enfim, em nenhuma das quatro páginas da convocação para audiência pública se fala em verbas de funcionamento para o CRBE. Ora, os membros eleitos do CRBE que quisessem visitar as comunidades de sua região tinham de arcar com as despesas de viagens, pousadas e refeições. Porém, nas poucas vezes que o Itamaraty participou de encontros com os emigrantes, seus diplomatas tiveram viagem, hotel, refeições e diárias pagas.
Nossa orientação aos emigrantes é a de não se deixarem envolver na discussão das perguntas e quesitos que, na verdade, implicam numa aceitação tácita da atual política de tutela dos emigrantes pelo Itamaraty. Se forem a tais audiências, rejeitem os quesitos e insistam sempre na necessidade dos emigrantes terem sua própria independência, seu órgão institucional emigrante e não estarem submetidos à tutela dos diplomatas e do Itamaraty. Não entrem na discussão dos quesitos.
Essa é uma chance única – o Itamaraty quer obter indiretamente a aprovação dos emigrantes para sua política de tutela da emigração, com as audiências públicas simulacros de democracia, balisadas pelos tutores diplomatas. Ou enfrentamos a tentativa, denunciando a jogada, rejeitando discutir a maneira como não teremos acesso à nossa autonomia e rejeitando a formalização da tutela, ou boicotamos.
Mas há uma maneira de se protestar, seja você emigrante ou parente de emigrante -Envie este comentário ao Itamaraty, peça aos amigos e familiares emigrantes para fazerem o mesmo e enviem todos por email ao seguinte endereço – assistencia.berlim@itamaraty.gov.br .
Sem ilusões, na última audiência pública, os emails enviados pelos emigrantes em favor de uma Secretaria dos Emigrantes foram ignorados como foi ignorado o abaixo-assinado em favor da Comissão de Transição. Mas vamos insistir, não queremos uma política de emigrantes marionetes.
Rui Martins, criador dos Brasileirinhos Apátridas e do movimento Estado dos Emigrantes, ex-membro do Conselho Provisório e do CRBE, é contra a tutela dos emigrantes pelo Itamaraty.
PS. A referência,ao final da convocação da audiência, ao Decreto que instituiu o CRBE não tem razão de ser. Tal decreto previa reuniões anuais pessoais para os membros do CRBE e para a Conferência Brasileiros no Mundo, que não foram cumpridas pelos Itamaraty. Trata-se de um Decreto sem valor? 

Migrantes mantêm jejum na França para exigir sua regularização


Ao redor de 40 migantes sem documentos, em sua maioria argelinos, mantêm um jejum há dois meses na cidade francesa de Lille para exigir às autoridades a regularização do seu status.
Os manifestantes, entre os quais há sete mulheres, estão instalados em uma barraca em frente à igreja de Saint-Maurice, em pleno centro dessa cidade.
"Estamos morrendo por um pedaço de papel, mas ninguém nos escuta", declarou ao jornal L'Humanité, Saliha, uma argelina de 40 anos.
Denunciou que dois de seus colegas foram devolvidos ao seu país no fim do ano com as mãos atadas e a boca tampada, como se fossem animais.
Devido ao longo período de jejum muitos dos migrantes perderam até 20 quilos, apresentam vômitos e dores de estômago e alguns têm problemas na vista, declarou outro dos manifestantes.
Este fim de semana centenas de pessoas, lideradas pelo bispo Jacques Gaillot, marcharam pelas ruas de Lille para exigir à prefeitura uma solução ao caso dos migrantes.
"Esperamos um ato forte das autoridades, para que estes jovens detenham o jejum", disse Gaillot.
Após vários protestos em Lille e Paris, diante da sede do oficialista Partido Socialista e na embaixada do Vaticano, os migrantes obtiveram a promessa das autoridades de uma reunião na quarta-feira para analisar os expedientes

Prensa Latina

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Cerca de 35 mil brasileiros entram de "forma clandestina" por dia no Paraguai


A nova chefe da Direção de Migrações do Paraguai, Irma Llano, disse  que cerca de 35 mil brasileiros entram diariamente de "forma clandestina" no país, e anunciou uma campanha para tentar controlar essa situação.
"Realmente estas pessoas não teriam que trabalhar no Paraguai, já que é preciso o certificado de residência permanente para tal efeito, e estão trabalhando de forma clandestina", 90% deles em Ciudad del Este, declarou Llano em entrevista à rádio "Primero de Marzo", de Assunção.
Ciudad del Este, segunda maior cidade do Paraguai e principal polo de comércio do país, forma junto com Foz do Iguaçu e a argentina Puerto Iguazú a chamada "Tríplice Fronteira".
Milhares de brasileiros entram nessa cidade paraguaia diariamente através da Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, seja para trabalhar ou fazer compras, principalmente de produtos de informática, eletrônica, roupas, bebidas, perfumes e cosméticos. 
EFE

Organização Internacional para as Migrações afirma que Brasil é fonte e destino de tráfico humano


O Brasil é um dos países apontados como fonte de vítimas de tráfico humano, ao lado da Bulgária, China, Índia, Nigéria. Os dados constam de umrelatório da Organização Internacional para as Migrações(OIM), parceira das Nações Unidas que analisou as tendências de tráfico de pessoas através de informações de mais de 150 pontos de operação.
Destino
Os principais países de destino são a Federação Russa, o Haiti, o Iêmen, a Tailândia e o Cazaquistão. Embora em menor escala, em relação à Argentina, o Brasil é também tido como ponto de chegada de pessoas traficadas de países como a Bolívia e o Paraguai.
Na Europa, Portugal é um dos pontos de destino ao lado da Alemanha, Itália e Espanha. Todos recebem um número significativo de migrantes do Cone Sul e particularmente dos países andinos.
Migrantes originários de Angola e Moçambique estão na lista dos refugiados africanos, caribenhos e asiáticos que se movimentam para a Europa ou transitam pela América do Sul a caminho dos Estados Unidos e Canadá.
Exploração
Em junho, a agência deve publicar a segunda parte do estudo, para o combate ao tráfico e assistência a migrantes vulneráveis, com dados de 2011. O documento indica que metade dos casos de tráfico humano registrados durante o período, envolveu vítimas de exploração de trabalho.
O estudo relata que 27% dos casos de tráfico acompanhados em 2011 são de exploração sexual. O tráfico de trabalho é uma “característica de setores econômicos, particularmente, os que exigem trabalho manual, como a agricultura, construção, trabalho doméstico, pesca e mineração.”
Solicitações
De acordo com a OIM, mais de 3 mil vítimas de exploração do trabalho foram assistidas durante o período, o que representou 53% das solicitações das vítimas de tráfico humano. A agência indica que desde 2010, o tráfico de trabalho já tinha ultrapassado a exploração sexual como o principal tipo de tráfico atendido pela OIM.
Pedidos
Na maioria dos casos, a exploração é disfarçada como trabalho legal e contratual e ocorre em condições degradantes ao contrário das promessas feitas aos trabalhadores. O relatório destaca o aumento de pedidos de assistência de homens vítimas de tráfico de 1,65 mil casos em 2008 para pouco mais de 2 mil em 2011.
Combinação
As vítimas de tráfico do sexo feminino estiveram no mesmo nível dos homens, apesar delas representarem a maioria a receber assistência. As mulheres representam 62% dos casos atendidos pela OIM, incluindo casos de exploração sexual, exploração do trabalho e a combinação das duas formas. Durante 2011, a OIM registou, entretanto, uma redução de 7% dos casos assistidos, em comparação a 2010. A OIM atribui a queda a fatores externos, e não a uma “queda real” em casos de tráfico de pessoas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Tráfico de pessoas destina-se à exploração laboral

A exploração laboral tornou-se na primeira causa do tráfico de pessoas, revela um estudo divulgado esta sexta-feira pela Organização Internacional das Migrações (OIM).

O estudo, elaborado com base nos dados recolhidos junto dos 150 escritórios da OIM em todo o mundo, revela que 3.014 das 5.498 pessoas atendidas pela OIM em 2011 foram vítimas de exploração laboral, 53 por cento de todas as vítimas de tráfico humano que passaram pela organização.

A agricultura, a construção, a indústria mineira, a pesca e os serviços domésticos, são os setores onde os trabalhadores mais enfrentam condições de trabalho próximas da escravatura, adianta a OIM.

Cerca de 27 por cento das vítimas foram exploradas para fins sexuais, especifica o estudo.

Um terço das vítimas são mulheres e em muitos casos sofreram exploração laboral e sexual.

Ainda assim, o estudo revela um aumento do tráfico de homens.

Os principais países de destino do tráfico de seres humanos foram a Rússia, Haiti, Iémen, Tailândia e Cazaquistão, enquanto a maioria das vítimas eram provenientes da Ucrânia, Haiti, Iémen, Laos, Uzbequistão e Camboja.

Apesar de sublinhar a dificuldade de quantificar o tráfico humano à escala global, a OIM estima que nos últimos 10 anos nove milhões de pessoas foram vítimas deste crime.

A instituição estima ainda que as redes criminosas ganham anualmente 32 mil milhões de dólares (24,6 mil milhões de euros) como benefício direto da exploração e tráfico de pessoas.

Estrangeiros morando na Argentina poderão trocar gênero na identidade


Os estrangeiros residentes na Argentina poderão trocar seu gênero no documento de identidade no país, um direito que os argentinos já tinham, segundo a resolução publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial.
A Lei de Identidade de Gênero, aprovada em maio pelo Congresso argentino, já contemplava a possibilidade de solicitar a mudança de sexo nos documentos oficiais tanto para argentinos como para moradores estrangeiros, mas a aplicação efetiva para outras nacionalidades foi adiada até hoje.
Para obter a retificação da identidade sexual, com a eventual mudança de nome e a fotografia na carteira de identidade argentina (DNI), o solicitante estrangeiro deverá comprovar que a mudança não é possível em seu país de origem.
Uma vez concluídos os trâmites, a Direção Geral de Migrações deverá informar sobre o processo à Chancelaria, ao país de origem do interessado e à Interpol, indicou a resolução oficial.
Mesmo assim, os estrangeiros não poderão usar o novo documento par entrar ou sair da Argentina, mas deverão se identificar com "qualquer outro documento hábil de viagem de acordo com sua nacionalidade", resolveu o órgão migratório.
A lei de identidade de gênero, promulgada em 9 de maio de 2012, estabelece que "toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua identidade de gênero, ao livre desenvolvimento de sua pessoa, a ser tratada de acordo com sua identidade de gênero e a ser identificada desse modo nos instrumentos que credenciam sua identidade".
Na Argentina há cerca de 2,4 milhões de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, o equivalente a 6% da população (40 milhões de habitantes), segundo dados das entidades LGBT.

Terra

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Itália recebeu 3,5 milhões de estrangeiros residentes em uma década


Mais de 40% são provenientes da Romênia, Marrocos, China e Ucrânia
Entre 2002 a 2011, mais de 3,5 milhões deestrangeiros fizeram a inscrição de residência na Itália, dos quais quase um milhão são provenientes da Romênia. No mesmo período, o número de cancelamentos de residência de cidadãos estrangeiros que deixaram o território italiano foi de cerca de 175 mil, enquanto 281 mil inscrições de residências foram canceladas porque seus titulares não foram localizados (neste total provavelmente incluem-se os estrangeiros que tiveram a permissão de estadia vencida).
Os dados fazem parte do estudo “Migração externa e interna e população residente”, divulgado recentemente pelo o Istat. Após atingir um pico em 2007, as incrições de residentes provenientes do exterior tiveram queda até 2011, quando foi registrado um incremento de 13,8% sobre o ano anterior.Em 2011, foram registrados 386 mil novos residentes estrangeiros e 82 mil cancelações, deixando um saldo migratório positivo de 304 mil pessoas.

Segundo o relatório, os residentes que deixaram a Itália têm em média 34 anos de idade e são na maioria homens (54%). Já os migrantes que chegam ao país são em média mais jovens, 31 anos, e prevalentemente mulheres.
Entre os estrangeiros residentes na Itália, 43% são provenientes da Romênia, Marrocos, China e Ucrânia. 
Os romenos são também a maioria dos estrangeiros que deixaram o território italiano, seguidos por chineses e albaneses.

Em 2011, as mudanças de residência dentro do país foram de cerca de 1,35 milhão. Comparado a 2010, houve um aumento de 13 mil transferências. Os estrangeiros mostram uma maior propensão para a transferência interna de residência em comparação com os italianos: 51 por cada mil habitantes, no caso de imigrantes, contra 20 por cada mil habitantes, no caso dos italianos.

Agora noticias

Espanhóis e imigrantes: caminhar juntos na esperança


No próximo dia 20 de janeiro, a Igreja na Espanha, acolhendo o convite do Papa Bento XVI, celebrará o Dia Mundial das Migrações. 

Em preparação a esta data, os bispos da Conferência Episcopal Espanhola dirigiram uma mensagem de alento e esperança aos imigrantes, seguindo o tema desta edição de 2013: "Migrações: Peregrinação de fé e esperança".

"Quantas vezes essa peregrinação não se torna frustrada", escrevem os bispos, recordando que com frequência o migrante encontra um deserto a atravessar ou o mar abaixo dos pés. "Não deixa de nos ferir a tragédia de muitos migrantes que deixaram e continuam deixando suas vidas no mar".

Os bispos denunciam "o abuso das máfias que exploram e traficam as necessidades dos migrantes", e pedem medidas mais generosas na hora de regular os fluxos migratórios; medidas que no se reduzam ao fechamento hermético das fronteiras ou ao endurecimento das sanções contra os irregulares. 

Referindo-se à crise econômica que a Espanha está vivendo, a Conferência Episcopal recorda que a falta de perspectiva profissional reduziu o saldo entre ingressos e saídas em 120 mil pessoas em nove meses. A crise, além disso, está levando os espanhóis, sobretudo jovens, a emigraram para outros países da Europa.

Os Bispos então fazem um apelo para que espanhóis e migrantes unam suas forças para caminhar sempre adiante, recordando que "a virtude teologal da esperança alimenta as esperanças humanas de progredir, de melhorar, de não ceder ao desalento".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Semana das Migrações nos EUA: a viagem da esperança continua


“Não somos mais estrangeiros. Nossa viagem da esperança continua”: este é o tema que a Igreja nos Estados Unidos propõe para a Semana nacional das Migrações, que será realizada de 6 a 12 de janeiro. 

Este ano a Semana adquire um significado especial, já que a reforma migratória integral ainda não foi aprovada pelo governo dos Estados Unidos.

Os Bispos reconhecem o papel legítimo que o governo dos EUA tem para que se cumpram as normas de imigração, e não apoiam uma política de “fronteiras abertas”, como muitos críticos da Igreja afirmam.

Todavia, a Igreja estadunidense apoia sim o cumprimento das normas migratórias, desde que sejam: objetivas, para evitar qualquer tipo de detenção arbitrária por características étnicas ou raciais; proporcionais, ou seja, as políticas migratórias não podem resultar em penas desnecessárias; e humanitárias: é essencial que no cumprimento da lei se respeite a dignidade inerente dos migrantes, seus direitos humanos sejam protegidos, e que se mantenha a unidade familiar.

Além disso, os migrantes não autorizados, segundo a Igreja, não devem ser detidos por longos períodos sem representação jurídica nem devem dividir as celas com delinquentes violentos. Para aqueles que não representam uma ameaça à segurança nacional ou pública, se deve buscar outras alternativas à detenção.

Portanto, contra o método atual de promover uma forma coercitiva do cumprimento da política migratória, os Bispos dos Estados Unidos defendem a promulgação de uma reforma migratória integral.

A finalidade desta Semana é educar a opinião pública com os ensinamentos da Igreja relacionados com a migração e os imigrantes, pressionar os políticos a realizarem uma reforma migratória baseada nos princípios cristãos e organizar redes católicas de apoio aos imigrantes. A campanha é feita em comunidades, paróquias e escolas com material informativo.

(BF)



Visto de trabalho para estrangeiros no Brasil demora quase 2 meses


Estudo feito pela Brasil Investimentos & Negócios (BRAiN) para a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) indica que o processo de obtenção de visto de trabalho para estrangeiros no Brasil é um dos mais burocráticos e morosos do mundo: leva, em média, 52 dias. Na Austrália, são 30 dias, e, no México, 40.

Segundo o estudo da BRAiN, associação formada por entidades como Anbima, BM&FBovespa e Febraban, o Brasil exige em média 19 documentos ao imigrante em busca de visto de trabalho.
No México e no Canadá, são 8; no Reino Unido, 12; na Austrália e no Chile, 13. O ideal seria diminuir para dez o número de documentos no Brasil, reduzindo o tempo de processamento do visto.
"Aumentar a importação de mão de obra qualificada vai frear a inflação de custos e elevar nossa competitividade", diz André Sacconato, diretor de pesquisas da BRAiN. "Estamos no momento perfeito para flexibilizar a legislação. Há muita demanda no Brasil, e países como Espanha e Portugal têm grande oferta de profissionais."

A SAE, em conjunto com a BRAiN e acadêmicos, vai apresentar no fim de março o relatório com as propostas para mudar a política migratória. Elas serão avaliadas pelos ministérios do Trabalho, da Justiça e das Relações Exteriores. Em julho, serão apresentadas as propostas finais.
As mudanças na política migratória podem ocorrer por meio de modificações no projeto de lei de imigração que tramita no Congresso. Após dois anos parada na Comissão de Turismo da Câmara, a proposta que atualiza a legislação foi aprovada em novembro e enviada à Comissão de Relações Exteriores.
A avaliação da SAE, contudo, é que boa parte das mudanças pode ser alterada por meio de resoluções do Conselho Nacional de Imigração.
Ricardo Paes de Barros, secretário de Ações Estratégicas da SAE, não acha que o aumento de estrangeiros vá prejudicar os brasileiros. "Somos suficientemente fechados. Não há risco de enxurrada de estrangeiros tomando espaço de brasileiros."
O governo vai exigir escolaridade significativa (graduação e pós-graduação) e certificado de antecedentes criminais dos imigrantes.
"Não haverá constrangimento para o nosso mercado porque essas facilidades não serão para todos. Serão para setores específicos", afirma o ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco.
"Esses estrangeiros vão suprir dificuldades em áreas de inovação, o que vai permitir aumentar a produtividade e colocar o custo de mão de obra num patamar adequado."

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
MARIANA CARNEIRO

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Democratas querem reforma migratória em janeiro de 2013


Obama detalhou abertamente detalhes de sua agenda para o segundo mandato: “Tenho bastante confiança que poderemos realizar uma reforma migratória”
Não há dúvidas que a decisão tomada por 71% dos eleitores latinos criou a oportunidade ideal para a mudança da legislação que permitiria uma reforma migratória ampla. Os resultados eleitorais são dramáticos; após uma batalha de 5 anos contra qualquer tipo de reforma migratória, alguns republicanos começaram a levar em consideração alguma plataforma sobre o tema na tentativa de melhorar a imagem do seu partido junto ao eleitorado em geral. 
Durante uma recente conferência de imprensa, o Presidente Obama detalhou abertamente detalhes de sua agenda para o segundo mandato: “Tenho bastante confiança que poderemos realizar uma reforma migratória”, publicou o diário Washington Post. “A minha expectativa é que tenhamos um projeto de lei apresentado e comecemos o processo junto ao Congresso logo após a minha posse”.
O Presidente detalhou o seu plano de anistia como “eu acho que deveria haver a possibilidade de legalização para aqueles que vivem no país, não estejam envolvidos em atividades criminosas, estejam aqui simplesmente para trabalhar. É importante que eles paguem os impostos atrasados. É importante que eles aprendam inglês. É importante que eles paguem uma multa; mas que também tenham a possibilidade de legalizar seu status no país”.
Além disso, Obama repetiu o seu apoio ao DREAM Act, frisando que deseja realizar uma anistia administrativa temporária, o deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), um programa que oferece a oportunidade de legalização aos jovens que foram trazidos ilegalmente aos EUA ainda na infância, explicou o advogado brasileiro, Moisés Apsan.
O Presidente deixou claro que a administração na Casa Branca já está atuando com membros do Congresso em uma proposta migratória. Houve surpresa após a derrota republicana, quando o porta-voz da Casa dos Representantes, John Boehner, indicou que os legisladores republicanos estão dispostos a cooperar com a imigração.
“Estou confiante que o Presidente, eu e outros possam chegar a um denominador comum na resolução desse problema de uma vez para todas”, disse Boehner, publicou o Washington Post.
Agora, Carlos Gutierrez, que representou a tentativa do candidato presidencial republicano Mitt Romney durante sua campanha, mudou de tom ao juntar-se ao crescente número de republicanos que desejam uma reforma migratória. Em uma entrevista ao Los Angeles Times, o republicano Mário Diaz Balart (R-Fla) disse que “há muito tempo, ambos os partidos utilizaram a imigração como arma política, entretanto, chegou a hora de encontrar uma solução bipartidária”.
O Presidente Obama afirmou que já “percebe sinais” de que os republicanos estão mudando seu ponto de vista e sua administração iniciará conversações logo após a sua tomada de posse em janeiro. Autoridades na Casa Branca, provavelmente, não apoiarão propostas limitadas sobre o tema, pois percebem a oportunidade única de abordarem o assunto no próximo Congresso. Como disse Obama: “Temos que aproveitar o momento”.
Dois velhos amigos, os senadores Charles E. Schumer (D-NY) e Lindsey Graham (R-SC) falaram após as eleições presidenciais sobre a apresentação de um projeto de lei que teria chance de passar em 2013. “Se eles realmente querem acabar com a ilegalidade, então, as coisas são possíveis”, disse o Senador Jeff Sessions (R-Ala.). “Nós lutaremos de forma justa e com compaixão no que diz respeito às pessoas que estão ilegalmente aqui”.
O Senador Robert Menendez (D-NJ) manifestou o mesmo sentimento que o presidente reeleito, quando disse “nós não teremos uma segunda oportunidade de apresentar essa proposta, portanto, queremos fazê-lo imediatamente”.
O legislador Vern Buchanan (R-Longboat Keys) também parece disposto a abordar o tema migratório. “Há tempo demais o Congresso ignorou o nosso sistema migratório ultrapassado”, disse ele.

Cidadania para menores. “Leis e políticas atrasadas, os italianos são mais abertos”


“A falta uma política padronizada na União Europeia em matéria de concessão da cidadania aos filhos de imigrantes cria disparidades. A Itália está atrasada, sobretudo em relação às segundas gerações, com leis e políticas que não estão de acordo com a opinião pública” – esta é a conclusão do Censis, que em dezembro lançou o Relatório 2012 sobre a atual situação social do país.
De acordo com o estudo, que dedica um capítulo à segurança e à cidadania,“ao interno dos países membros da União Europeia vigoram normativas e procedimentos profundamente diferentes sobre o direito da nacionalidade, que tornam urgentes a necessidade de individualizar padrões europeus comuns”. Essas diferenças, de acordo com os pesquisadores, correm o risco de produzir condições jurídicas não homogêneas para os cidadãos de origem estrangeira e que, por conseqüência, gerará disparidade de tratamentos”.
“A normativa italiana - evidencia o relatório – se revela decisivamente atrasada quando se examina as regras para a aquisição da cidadania por parte dos menores filhos de imigrantes. A criança estrangeira nascida na Itália, de fato, poderá obter a nacionalidade somente quando completar a maioridade, e desde que tenha residido ininterruptamente no território nacional e declare, no prazo de um ano, de querer adquirir a cidadania italiana”.
A lei, de acordo com os pesquisadores do Censis, vai na contramão da opinião pública parece ter uma posição mais maleável e favorável ao reconhecimento do ius soli: 72%  dos italianos declara favorável ao reconhecimento da cidadania aos filhos dos imigrantes nascidos na Itália. Apesar disso, destaca o relatório, “o impulso à renovação da opinião pública não é verificado no plano político. No momento, o Parlamento examina numerosas propostas de lei e também a iniciativa popular lançada no âmbito da campanha “L’Italia sono anch’io”, que obteve grande consenso, mas não deu resultados”.
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