quinta-feira, 19 de julho de 2012

Imigração faz Reino Unido ter expansão populacional recorde


O Escritório Nacional de Estatísticas britânico divulgou ontem os resultados do Censo-2011 para Inglaterra e Gales, com crescimento recorde de 7,1% na população dos países na última década.
Com o acréscimo de 3,7 milhões de habitantes, os países contam agora com 56,1 milhões de moradores. Mais de metade desse aumento é resultado da imigração para o Reino Unido, e dois terços dos que chegam vêm de nações fora da União Europeia.
Os números saíram num momento de nova recessão no Reino Unido, e um dos resultados do combate à crise é o aumento do discurso anti-imigração no governo do conservador David Cameron.
O ministro da Imigração, Damian Green, culpou a administração anterior, trabalhista, por "deixar que a imigração saísse de controle".
Até mesmo o ministro anterior, o trabalhista Frank Field, admitiu que o aumento populacional deve ser tratado como questão emergencial e de modo restritivo.
Já na Espanha, cresce o número de cidadãos que deixam o país para fugir da crise --o desemprego espanhol é o mais alto da zona do euro.
Segundo o governo, desde 2011 a Espanha registra mais cidadãos saindo do que chegando. No primeiro semestre de 2012, 40.625 espanhóis emigraram, 44,2% mais que no mesmo período em 2011.
Outro país em crise, a Grécia, é hoje a principal porta de entrada na Europa para imigrantes ilegais e experimenta a ascensão do discurso e de práticas xenófobas.
A Human Rights Watch publicou ontem relatório com duras críticas à polícia e ao Poder Judiciário gregos. Imigrantes ouvidos pela ONG relataram furtos e ataques. Por medo de deportação, as agressões muitas vezes não são informadas à polícia.

A HONESTIDADE MORA DEBAIXO DA PONTE!


O casal Rejaniel e Sandra tornou-se o foco dos olhares pasmos de todo o Brasil, no início da semana, ao realizar a façanha de ser honesto e ético em uma sociedade em que deslealdade, oportunismo e corrupção se tornaram práticas comuns, toleradas e muitas vezes admiradas e até invejadas.
Em suas andanças pelas ruas de São Paulo, o casal, que mora sob  uma ponte no Tatuapé, encontrou um saco contendo R$ 20.000,00 e entregou-o à polícia, para que esta procurasse seu dono.
Já na quarta-feira, a atenção do País se voltou para Demóstenes Torres, cujo mandato de Senador foi cassado devido a atos de corrupção, falta de decoro parlamentar e envolvimento com Carlinhos Cachoeira, bicheiro acusado de integrar diversos esquemas criminosos.
            De tempos em tempos, pessoas pobres e simples ganham fama momentânea devido à honestidade com que se portam devolvendo bens e dinheiro alheios.  Assim, uma ação singela, de simplesmente devolver o que pertence ao outro, é divulgada como proeza, e, na atual conjuntura do País, de fato o é, evidenciando a precariedade da escala de valores que norteia o Brasil.
            Essa exploração pela imprensa é benéfica, pois renova ou desperta sentimentos de valorização de virtudes, patriotismo e solidariedade em uma população cotidianamente à mercê de líderes políticos e religiosos e funcionários públicos, dos mais diversos postos e Poderes, que, em vez de cumprirem seus deveres, vivem chafurdados em situações ilícitas e escandalosas rotineiras a ponto de nem mais causar estranheza ou desapontamento!
            O espírito egoísta e estelionatário, de sempre tentar obter alguma vantagem ilícita, há muito se instalou na mentalidade de brasileiros ricos e pobres, cultos e iletrados, constituindo-se numa presença sutil e perniciosa que aos poucos está expulsando a honestidade de governos, estabelecimentos públicos e privados e, o mais triste, até de muitos lares deste País!
            A honestidade, literalmente, foi parar debaixo da ponte! E ali, abrigada em personagens à primeira vista dignos de pena ou até repúdio, parecia inexistir, afinal, as pessoas tendem a imaginar que o que é bom somente habita em lugares belos e luxuosos,  e a supervalorizar as aparências e por elas nortear seus juízos e impressões.
Em um primeiro olhar, pois, Demóstenes, do alto da imponência do cargo de Senador da República, ofusca e desmerece a figura mal vestida e desprezada de Rejaniel, cuja apresentação é sucinta e humilhante: morador de rua. Contudo, a aparente insignificância do anonimato e do endereço de Rejaniel guarda requintes éticos que muitos doutos desconhecem: “não pegar o que é dos outros”.
Lição simples, profunda, que não se aprende em faculdades e, de tal modo entronizada em seu caráter, que ele convenceu sua companheira, com quem divide a miséria, a compartilhar do mesmo sentimento de, a um só tempo, cumprir dois deveres sagrados: não tomar o que é dos outros e honrar a mãe, pois foi ela quem o ensinou a ser honesto, conforme declarou emocionado à imprensa.
            Já Demóstenes, embora milionário e instruído, sob o ponto de vista ético, afigura-se mais miserável que os dois mendigos, pois é deploravelmente pobre de caráter.
             Impressiona ver duas pessoas sem estudos, dinheiro e teto servirem de modelo de caráter e conduta para um Senador da República e para toda uma nação!
O Brasil atravessa um momento crucial, em que é preciso fazer as necessárias correções de rota para se trilhar o caminho da dignidade e do combate severo à desonestidade, em todas as suas formas e esferas.  
É medida emergencial resgatar a honestidade, abrigando-a em todos os lares e  mentes e expandindo-a a todos os segmentos da vida privada e pública, e não a repudiando e lançando-a debaixo de viadutos ou outros locais onde permaneça escondida, esquecida e apenas esporadicamente vista e prestigiada!
           
Simone Judica é advogada, jornalista e colaboradora do Jornal da Estância (simonejudica@ig.com.br)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

CONTEXTO DAS MIGRAÇÕES HOJE


Hoje o vasto fenômeno migratório constitui, cada vez mais, um importante componente da interdependência  crescente entre Estados e Nações que concorrem para definir o evento da globalização; esta abriu os mercados mas não as fronteiras, derrubou os limites para a livre circulação da informação e dos capitais, mas não, na mesma medida, para a livre circulação das pessoas.
No entanto,  as migrações atuais constituem o maior movimento de pessoas de todos os tempos, envolvendo mais de 250 milhões de seres humanos.
Nestas últimas décadas, tal fenômeno se transformou em realidade estrutural da sociedade contemporânea e constitui um desafio cada vez mais complexo do ponto de vista social, cultural, político, religioso, econômico e pastoral…
1-CONTRADIÇÕES DO COTIDIANO -Enquanto se  afirmam ao mesmo tempo se faz o contrário
1-Enquanto que os EUA afirmam ser uma democracia e defender os DDHH, ao mesmo tempo invadem povos e fazem guerra a todos os inimigos dos  interesses Norte Americanos.
2-Enquanto que a União Européia afirma ser o berço da civilização, ao mesmo tempo  declaram a guerra contra os migrantes e refugiados que chegam nos seus territórios. (Diretiva do retorno ou da vergonha como foi definida pelos Países da América Latina)
3-Enquanto que a OTAM envia tropas e bombardeia os povos vizinhos, ao mesmo tempo não permite a entrada dos milhões de refugiados que ela mesma causou.
4-Enquanto que o Governo Brasileiro divulga uma imagem positiva no exterior afirmando que acolheria refugiados climáticos, ao mesmo tempo não aceita mais que um número limitado.
5-Enquanto que realiza uma anistia ampla e humana ao mesmo tempo complica e dificulta o máximo sua renovação.
6-Enquanto que as grandes Empresas, ONGs, Organismos Internacionais  afirmam defender o meio ambiente  e ter responsabilidade social, defender os direitos humanos ao mesmo tempo destroem o ambiente inteiro e exploram seus trabalhadores e violam todo tipo de diereito.
7-Enquanto que o sistema capitalista afirma estar a serviço da produção de alimentos  ao mesmo tempo acelera a produção de armas e impõe o consumismo sem limites.
8-Enquanto que os mercados afirmam serem livres para atuar  ao mesmo tempo não assumem nenhuma responsabilidade com as milhões de vítimas que causam com a exploração do trabalho e com os lucros injustos do universo  financeiro.
9-Enquanto que os políticos afirmam que representam o povo, ao mesmo tempo legislam a causa própria e continuam sendo um péssimo exemplo para a juventude (Projetos de aumento do próprio salário em relação ao salário dos trabalhadores (as) e as aposentadorias milionárias, em relação as aposentadorias de fome dos idosos e trabalhadores. (Ex. Pref. De um Estado em 30 segundos aprovou o salários dos vereadores em 100%)
10-Enquanto que a maioria dos Governos do mundo falam em crescimento, ao mesmo tempo negam o desenvolvimento sustentável  e justo para todos
11-Enquanto Igrejas e Religiões anunciam o Reino da justiça e da paz, ao mesmo tempo constroem Reinos pessoais e se alimentam do sangue e do suor dos fiéis.
12-Enquanto que a tecnologia, a informática e a genética diz que está a serviço da vida, ao mesmo tempo é usada para controlar, matar e destruir a natureza com todas suas formas de existência.
13- Enquanto que a grande mídia afirma ser imparcial, ao mesmo tempo explora o sensacionalismo e a desgraça, o sofrimento e o negativo da vida, dos fatos e da natureza.
14- Enquanto autoridades afirmam ser garantia de segurança e da ordem, ao mesmo tempo abusam do poder para subornar e explorar migrantes e trabalhadores.
15- Enfim, enquanto afirmamos que somos acolhedores e não temos preconceitos, ao mesmo tempo somos xenófobos e temos medo de nos relacionar com o diferente e dificilmente somos solidários para com os últimos que chegam. (Bulling, sites, violência, incapacidade de diálogo com as diferenças, atropelos de todo tipo)
Enquanto que antes os migrantes chegavam como verdadeiros heróis para construir a América e tinham nome e endereço, hoje são chamados de  terroristas, traficantes, extracomunitários, invasores, competidores, ilegais, escravos,  clandestinos, sazonal, temporário  e muitos vivem na rua ou permanentemente no caminho, enfim são vistos como os culpados da crise e dos problemas sociais.  A prova está na forma como se fala e se atua.
Diante de tanta loucura humana a natureza também enloquece nas suas formas de se expressar e se torna violenta contra todo tipo de vida existente sobre ela. (Vejam as mudanças climáticas).
  COTIDIANO NA PASTORAL DO MIGRANTE
Temos uma lei de refugiado considerada uma das melhores do mundo e um Estatuto de Estrangeiros desatualizado com o marco jurídico Internacional e em descompasso com a situação atual do Brasil e com a realidade da globalização. (Características de segurança nacional). Existem leis sem regulamentação que torna difícil sua aplicação.
Já sentimos medo da presença e aparece seguidamente reações xenófobas e de desprezo aos imigrantes no Brasil (que não alcança hum milhão) e nos esquecemos que somos um País de Imigrantes e que o Brasil foi construído por migrantes e que atualmente existem mais de  3 milhões de brasileiros no exterior.  
Ex: Nordestino não é gente, faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado  (Est. De direito da USP)
Dêm direito de voto para os nordestinos e afundem o País de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos prá ganhar bolsa família.
Volta prá tua terra boliviano que o Brasil é para os brasileiros.
Morte aos médicos formados na Bolívia
São Paulo para os paulistas.
Eles sujam as cidades. Eles tiram o trabalho dos Brasileiros, Eles trazem doenças, Eles são sujos. Eles são culpados da crise em que vivemos. Eles são traficantes, terroristas e violentos...e nós que somos e o que fazemos?
Eles riem de mim porque sou diferente, eu dou risada deles porque são todos iguais.
Temos muitos documentos, convenções, acordos,anistias, decretos a nível Internacional, Nacional e Local mas que na prática não conseguem traduzir-se em ações práticas e eficazes. Os migrantes vivem andando o tempo todo e renovando permanentemente seus documentos.
Existem muitos acadêmicos e especialistas que pesquisam, estudam,elaboram estatísticas sobre os migrantes e que no dia-a-dia não muda nada na vida deles.
Existem políticos que fazem muitos discursos interessantes sobre os direitos humanos dos imigrantes, mas que não servem para nada.
Existem jornalistas que disputam noticias sensacionalistas sobre SOS imigrantes apenas para satisfazer interesses de grupos e só complicam a vida dos imigrantes e refugiados.
A cada dia nasce uma nova organização, (Instituição, Ong, Associação, Entidade) para trabalhar com migrantes e refugiados porém estão mais para viver deles que estar com eles. (Salários de políticos) e os migrantes continuam na mesma situação porque não há continuidade de trabalho com os infinitos projetos sociais que só  existem em quanto há grana.
Na maioria das agendas dos sindicatos o trabalhador migrante não existe .
Existe uma burocracia sem fim para que um imigrante ou refugiado seja atendido (Encaminhamentos, níveis de decisões e de autoridades que não se comunicam, horários determinados, agendamento,entrevistas, relatórios, interpretações legais privadas e pessoais de funcionários ou Instituições públicas que não condizem com o espírito da lei, falta de intérpretes e mediadores para a comunicação entre o migrante e a Instituição ou funcionário público...)(Ex. O Acordo Brasil Bolívia caiu no vazio quase total. Dos 42 pedidos para anistia apenas 18 mil foram aceitos, dos que pedem refúgio quantos são negados). Durante toda esta travessia que as vezes dura mais de um ano quem cuida e quem se preocupa destas pessoas que têm as mesmas necessidades que qualquer ser humano? Casa,alimento, trabalho, segurança,descanso, respostas...
Na teoria temos muitos avanços e ao mesmo tempo existem muitas lacunas e quase nenhum instrumento social concreto ou estrutura física que possibilitem e capazes de atender, acolher em condições dignas as pessoas migrantes. Entre a teoria e a prática existe um abismo que devemos superar.
Não existe política sociais de inclusão dos migrantes e muito menos uma política de migração em nosso País. Se queremos que nos tratem bem la fora temos que dar exemplo.
O Brasil deu passos significativos teoricamente mas na prática não deu muitos resultados positivos.
A impressão que me dá é que todo o discurso, toda a teorização, e muito da legislação ...em tono ao migrante está baseada na categorização (migrante, refugiado, imigrante, temporário, extra comunitário, ilegal,estrangeiro) e nos esquecemos que se trata de uma pessoa com um nome, com sentimentos, com sensibilidades, com necessidades humanas, físicas, psicológicas e espirituais, com sonhos e utopias).
CATEGORIAS
Por qué me preguntas se soy africano, si soy americano, si soy asiático, si soy europeo?
Abre Hermano, no soy negro, no soy piel roja, no soy oriental, no soy africano, Soy solamente uma persona
Abre Hermano, abre la puerta, ábreme el corazón, porque soy uma persona. La persona de todls lós tiempos , de todos lós cielos, um ser humano como tu. (René Philombé)
 Neste sentido temos muito que fazer e ao mesmo tempo temos muitos bons exemplos e boas práticas que devem ser fortalecidas e potencializadas. Muitas vezes são as que menos dispõem de recursos e as que mais atuam junto aos e com os migrantes. Casas de migrantes, Pastoral do migrante, Centros de Apoio e Serviços aos migrantes, Igrejas, Ongs, Instituições da Sociedade Civil...
Temos que passar da categorização para ver uma pessoa
Temos que superar toda a visão parcializada e fragmentada das migrações
É tempo de diálogo com o diferente como uma grande riqueza.
É tempo de desenvolver a capacidade de diálogo, de escuta e sobretudo do cuidado com o outro que é meu semelhante.
RESPOSTAS DA PASTORAL DO MIGRANTE  DA IGREJA CATÓLICA
Acolhida e assistência imediata
Cultura (Fortalecimento cultural e integração)
Fé (Acolhida, festa e celebração)
Justiça (Mediação, orientação e defesa dos DD.HH, denuncia das causas injustas da migração forçadas)
Incidência Política (humanização das leis de migrações e luta por políticas publicas e de integração para a cidadania plena e universal)
“TODO VEZ QUE O MIGRANTE SE MOVE ELE MOVE A HISTORIA”

PERGUNTAS
1-Como superar as ações sociais, atitudes assistencialistas e a mentalidade de segurança nacional,  com a construção de políticas públicas e de migrações?
2-Como fazer leis migratórias em base aos Direitos Humanos Universais superando os limites das Soberanias e nacionalismos?
3-Como trabalhar numa ação integradora entre as dimensões:  legal, o cultural e o existencial,?
4-Como cuidar e se relacionar com o ser humano independentemente da situação de clandestinidade, de informalidade, ou de sua condição de migrante?
5-Como trabalhar numa ação coordenada, articulada e integrada entre os níveis: local, nacional e regional num atuar local porém com um pensar global?
6-Como alimentar o sonho e a utopia do migrante para que continue caminhando?
7-Como trabalhar pelas as grandes causas comuns, políticas, religiosas, culturais, sociais e ecológicas superando os interesses pequenos, pessoais e mesquinhos (guerra, corrupção, armas tráficos, exploração, consumismo...)
8-Quando os Sindicatos, Organismos Internacionais e Instituições vão contemplar em suas agendas o imenso número dos trabalhadores informais (Nacionais e Internacionais)?
Não nos iludamos que só temos uma casa comum o planeta terra que deve ser melhor cuidado. Nele vive  uma só família humana e que vale a pena viver com dignidade e que todos seres vivos tenham vida plena. Viver do necessário é sabedoria, viver com supérfluo é mesquinharia. Continuar Fabricar armas é loucura pensar em matar a fome das pessoas é garantir a paz no  futuro. Fortalecer a xenofobia é a maior estupidez humana, saber dialogar com o diferente é a maior prova de que somos normais basta aprender da natureza.

São Paulo, 18 de Julho de 2012

Pe. Mário Geremia CS
Coordenador do Centro Pastoral do Migrante
São Paulo - Brasil



 

migrantes “indocumentados”, o drama da escravatura que a Europa esconde


Partiram a 2 de Junho de Paris e durante um mês caminharam por vários países europeus defendendo e reclamando uma Europa de direitos e solidária, onde exista de facto o direito de livre circulação e de instalação . São conhecidos como os “sem papéis” ou “indocumentados”. A “Europa fortaleza” chama-lhes “imigrantes ilegais”. Artigo de Cláudia Oliveira.Artigo |17 Julho, 2012 – 23:49 Marcha Europeia dos Sem-Papéis chegou ao Parlamento Europeu.
Um mês depois, esta Marcha chegou a Estrasburgo e foi recebida no Parlamento Europeu pelos Deputados do Grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL).
Os representantes das várias associações e organizações envolvidas na Marcha questionaram os deputados sobre qual a razão porque na União Europeia se investe tanto na deportação de pessoas sabendo que elas não desistirão de tentar voltar pois não têm nos seus países de origem as condições que lhes permitam viver dignamente. Acusam as instituições europeias de desenvolverem esforços apenas no sentido de encontrar soluções comuns para limitar as entradas de pessoas no espaço europeu e de condicionar os seus movimentos – negando-lhes o direito de livre circulação, mas também o de instalação e residência – ou, em último caso, para as deportar.
Em seu entender, como explicaram os representantes dos “sem papéis” aos eurodeputados que os acolheram, a União Europeia nada faz no sentido de encontrar verdadeiras respostas para as pessoas que fugiram de situações de miséria, de guerra, de opressão ou de um cenário de tragédia natural. Estas pessoas vivem no espaço da União Europeia em situações de autêntico esclavagismo, vítimas de máfias, vítimas de entidades patronais que as coagem com a ameaça da denúncia às autoridades. Para esses cidadãos discriminados, acossados e encurralados sobram todos os trabalhos penosos que mais ninguém aceita fazer.
Um dos participantes na marcha invocou o exemplo do Mali, onde a exploração do principal recurso económico, as minas, é entregue às multinacionais europeias, que ficam com a quase totalidade dos rendimentos sendo os restantes distribuídos entre os governantes do país. Moral da história, concluiu, “a Europa é responsável pela situação de miséria do país, a Europa tem que nos dar respostas!”
As associações de “indocumentados” pediram às instituições europeias que encontrem soluções até ao final do Verão, alertando que se elas não chegarem terão que iniciar uma “calma e pacífica revolução”.
Os participantes na marcha recordaram aos eurodeputados que também em matéria de imigração e de asilo é preciso ter em conta as questões de género. As mulheres são as principais vítimas destas más políticas, da brutalidade e repressão policial, do facto de não se puderem defender em situações de violência doméstica, por exemplo. “O Parlamento Europeu só se interessa pelas questões humanitárias quando há um conflito em África! Nessa altura corre para lá! Mas fecha os olhos a esta situação que afecta tantas pessoas que vivem no território europeu.”
A representante das organizações suíças aproveitou também a oportunidade para denunciar que no seu país se planeia a abolição do direito de asilo. A xenofobia é cada vez maior e os requerentes de asilo são actualmente perseguidos segundo formas que ferem a dignidade humana. Todos são vistos como falsos requerentes.
Os deputados do GUE/NGL garantiram que a esquerda que representam no Parlamento Europeu lutará pelos direitos dos “sem papéis” na União Europeia. “A Carta dos Direitos tem que se aplicar a todos os que vivem na UE”, disse Gabi Zimmer, a eurodeputada alemã presidente do grupo.
A deputada francesa Marie-Christine Vergiat lamentou que a União Europeia funcione cada vez mais como “uma fortaleza”, onde são cada vez em maior número os que aqui não conseguem sequer chegar. E condenou a forma como a UE utiliza as contrapartidas dos instrumentos de política de vizinhança para chantagear e obter em troca garantias de recepção de deportados, esquecendo ou querendo ignorar as razões que levam as pessoas a emigrar e desrespeitando os direitos fundamentais dessas pessoas.
“As coisas funcionam a velocidades diferentes: em matéria de asilo avançam em bom sentido, mas os Estados Membros bloqueiam-nas; em matéria de imigração recuou-se imenso, nomeadamente com os últimos desenvolvimentos de Schengen”, explicou Marie-Christine Vergiat.
O encontro terminou com os deputados do GUE/NGL a insistirem na necessidade de as organizações manterem pontes estreitas de contacto para que possa haver uma melhor percepção da realidade; asseguraram que lutarão pelo reconhecimento da cidadania para todos os que vivem no território da União Europeia.

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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terça-feira, 17 de julho de 2012

Brasil acolhe 148 haitianos retidos na fronteira com Bolívia


O Brasil acolherá nos próximos dias outros 148 haitianos que chegaram à Amazônia e estão retidos na fronteira do país com a Bolívia, assegurou o governador do Acre, Tião Viana.
Pelo menos 2.600 pessoas que deixaram o Haiti depois do terremoto de 2010 foram recebidas até agora "como irmãos" no Acre, disse Viana em declarações à Agência Efe.
O governador acrescentou que o estado do Acre forneceu cerca de R$ 2 milhões em ajuda humanitária para os recém chegados.
"Não temos nenhum problema com eles. Nós os ajudamos a buscar trabalho. As empresas interessadas (em contratá-los) vêm buscá-los aqui", afirmou Viana.
Segundo o governador, a maioria está encontrando trabalho no setor serviços, "porque não são muito bons" em trabalhos rurais.
Cerca de 4.000 haitianos chegaram ao Brasil nos últimos meses para fugir da miséria e do caos de seu país, arrasado por um terremoto que deixou cerca de 300 mil mortos em janeiro de 2010.
A maioria desses imigrantes entrou pelas cidades fronteiriças de Tabatinga (no estado do Amazonas) e Brasileia (Acre).
A presidente Dilma Rousseff autorizou em janeiro a regularização da situação de cerca de 2.400 haitianos imigrantes ilegais no país, os quais receberão vistos de trabalho.
Dilma destinou em janeiro R$ 900 mil para programas de assistência a esses imigrantes na Amazônia. EFE

Uma radiografia dos casamentos forçados


Em breve, a Suíça anunciará a aprovação de lei ‘ad hoc’ contra os matrimônios forçados. É um problema de contornos ainda sombrios que carrega as sequelas de violência e isolamento, além de colocar em dúvida o processo de integração da minoria estrangeira.
O casamento “não é, nunca foi e não pode ser um assunto privado”, escreve o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss. Durante séculos, a endogamia tem sido a prática dominante em quase toda as comunidades e as pessoas se casavam dentro do mesmo grupo social.

Até há pouco tempo, mesmo na Europa, os jovens podiam ser forçados a casar-se por razões econômicas, culturais ou políticas. Hoje, nos países ocidentais, os casamentos forçados são legalmente proibidos, mas isto não significa que tenham desaparecido por completo.

Em 2005, o Conselho da Europa  aprovou resolução contra os matrimônios forçados e desde então diversas nações – a Grã-Bretanha, em primeiro lugar – adotaram medidas específicas para lutar contra esse fenômeno social.

No início do ano, sob pressão do Parlamento suíço e de associações humanitárias,  o Conselho Federal (governo suíço) apresentou um projeto de lei nesse sentido. Em debate no Parlamento, o texto prevê que os casamentos contraídos à força sejam alvo de processo de ofício. A vítima, portanto, não precisa mais denunciar o crime e os responsáveis poderão ser condenados a uma pena máxima de até cinco anos de reclusão. Atualmente, os matrimônios forçados são pronunciados como ato de coação e passíveis de uma pena de até três anos.
Faltam dados
Sobre o fenômeno dos matrimônios forçados, não existem, no momento, na Suíça, estatísticas precisas e a maior parte dos estudos científicos sobre a questão encontra-se ainda em fase embrionária. Em 2006, a Fundação Surgir estimava a existência de 17.000 casos, mas a metodologia utilizada foi posta em dúvida. Daqui para frente os investigadores serão mais prudentes.

Ao Centro de Consultoria zwangsheirat.ch (literalmente, “matrimônios forçados.ch”) chegam, em média, de um a quatro apelos semanais de casos de casamentos forçados. Nove, somente durante as férias de verão. São casos, principalmente, de jovens entre 13 e 25 anos, migrantes de primeira ou segunda geração.

Estes números, segundo Anu Sivaganesan, representam a ponta do iceberg. “As pessoas que nos procuram em busca de ajuda são aquelas que decidiram se rebelar contra os ditames de suas próprias famílias. Mas quantos ainda estão no anonimato?”,  questiona a jovem de 24 anos, atuante na ONG desde 2005 e estudante na Faculdade de Direito da Universidade de Zurique.

Para as vítimas de um matrimônio forçado, a busca da liberdade frequentemente esbarra em forte sentimento de lealdade e submissão à família,  diante do receio de represálias físicas e econômicas ou com o risco real – para os cidadãos estrangeiros – de uma deportação a seu país de origem, nos casos em que a autorização de residência está vinculada à do cônjuge.

“Apesar de serem, principalmente, as mulheres que pedem ajuda – sendo sua situação econômica e social geralmente mais frágil – os casamentos forçados, com certeza, não protegem os homens, prossegue Anu Sivaganesan,  cidadã suíça originária do Sri Lanka. Na comunidade albanesa, por exemplo, 30% das consultas são de jovens que, muitas vezes, nasceram e foram criados na Suíça e têm dificuldade em aceitar esse tipo de imposição.”

Mas o que leva os pais a obrigarem seus filhos a se casar à força? Para Anu Sivaganesan, “os casamentos forçados têm a ver com a visão patriarcal da sociedade e determinadas tradições culturais. Negar este aspecto seria contraproducente porque enquanto esta questão continuar a ser tratada como um tabu – e negada por medo de uma instrumentalização política – corre-se o risco de que seja explorada por parte dos que querem limitar a imigração”.          

 A justificativa religiosa, ao contrário, não é predominante: “entres as vítimas que recorrem ao site zwangsheirat.ch há, de fato, cristãos e judeus, curdos ou turcos, hindus tâmiles, muçulmanos e albaneses kosovares.”
Integração na mira
A antropóloga Anne Lavanchy, que conduziu um estudo sobre o tema, no cantão de Vaud (oeste), coloca em dúvida a abrangência do fenômeno: “Não existe realmente uma ligação entre os matrimônios forçados e determinados aspectos culturais ou religiosos.”

Aparentemente, está em jogo o processo de integração, denuncia a professora de Neuchâtel (oeste suíço). Diante de uma situação de isolamento socioeconômico, algumas famílias de migrantes tendem realmente a reproduzir obsoletas tradições e estimular exageradamente costumes ancestrais, com o objetivo de manter os vínculos com seus países de origem.

“O debate sobre os casamentos forçados traz à luz as consequências sociais e de saúde geradas pelo isolamento de algumas famílias e o risco de disfunções familiares – como a violência conjugal”, continua Anne Lavanchy.
“Muitas vezes, as populações migrantes se encontram em situações precárias com autorização de permanência para renovar, dificuldade em encontrar emprego, além de degradação social. Será conveniente, portanto, refletir sobre esses mecanismos, como por exemplo, no fato de se ligar sistematicamente alguns problemas sociais com as populações migrantes, o que agrava o sentimento de marginalização.”
“Barbarizado ou banalizado”
O debate sobre matrimônios forçados na Suíça foi lançado por Trix Heberlein, ex-senadora pelo Partido Liberal Radical, que em 2006 havia registrado a primeira moção no Parlamento. Desde então, diversos cantões – a pedido Secretaria Federal de Migração – lançaram programas de prevenção e de ajuda às vítimas. No cantão de Genebra, por exemplo, os cursos de sensibilização são organizados para, de um lado, atingir os profissionais da saúde e educação, e de outro, as mesmas comunidades de imigrantes.

Para combater o fenômeno é necessário, antes de mais nada, compreendê-lo, destacam de forma unânime Anne Lavanchy e Anu Sivaganesan.

A principal dificuldade reside na própria definição de matrimônio forçado e na sutil linha que pode separar uma união imposta através da violência de um acordo arranjado mas consensual. Como saber se uma jovem aceitou casar-se por livre e espontânea vontade? Como proteger essas jovens sem renegar as tradições de um país – talvez difíceis de compreender em uma sociedade como a nossa – mas sempre legais?

A pesquisa realizada por Anne Lavanchy no cantão de Vaud mostra, realmente, que os profissionais encontraram certa dificuldade em distinguir entre um casamento forçado e os demais tipos de violência, como a conjugal ou o tráfico de seres humanos.

“A nova lei tem um valor simbólico importante mas para atingir seu objetivo será necessário despolitizar o tema, rotineiramente banalizado ou associado a tradições “bárbaras”, segundo Anu Sivaganesan. O problema do matrimônio forçado deve ser enfrentado por aqueles que o consideram uma violação dos direitos humanos e não uma nova estratégia para expulsar os estrangeiros da Suíça.”

O parlamento se debruçará sobre o tema, novamente, em outubro, quando fará a revisão das leis sobre o asilo e os estrangeiros. Provavelmente, também irá agilizar os trabalhos em torno da moção apresentada pelo líder do Partido Democrático Cristão, Alois Gmür, que pede precisamente que o matrimônio forçado seja incluído no catálogo dos motivos de expulsão dos estrangeiros criminosos. Isso prova que as implicações dessa lei vão muito além da proteção das vítimas de casamentos forçados.

Stefania Summermatter, swissinfo.ch
Adaptação: J.Gabriel Barbosa

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Jesuítas pedem proteção e segurança para imigrantes


Depois de mais uma tragédia no mar ao longo da costa italiana, o Serviço Jesuíta para Refugiados (SJR) pede à União Europeia medidas urgentes para evitar outras desgraças. Concretamente, os jesuítas pedem serviços de procura e de socorro melhores e mais bem coordenados para localizar os barcos de imigrantes que atravessam o Mediterrâneo rumo à Europa. Uma embarcação saiu de Trípoli (Líbia) em fins de junho, e nos 15 dias de travessia até a costa italiana, sem água potável suficiente, 54 africanos morreram desidratados. Somente um sobrevivente chegou à Itália, nesta terça-feira, e relatou o ocorrido. “É absolutamente injustificável que um barco com 55 imigrantes seja abandonado ao seu destino em um dos mares mais traficados e controlados do mundo” – acusou o responsável pelas políticas européias do SJR, Stefan Kessler. O Serviço Jesuíta pede a Governos e líderes europeus que coloquem em ato sistemas de monitoração e salvamento que ofereçam aos migrantes proteção e segurança na Europa. O sistema europeu de vigilância das fronteiras (Eurosur), em estudo, é ‘inadequado’ porque centrado no controle fronteiriço em detrimento dos direitos humanos – como já denunciado pelo SJR ao Parlamento Europeu em Estrasburgo. “Esta proposta – explica Kessler – não dá alguma atenção à procura e salvamento e não prevê nenhuma medida para reduzir o risco de mortes no mar”. Segundo o responsável do Serviço, é também importante que o projeto Eurosur estabeleça claramente as competências de cada Governo europeu na localização e socorro aos migrantes. Enfim, pede-se à Europa que acolha mais refugiados, para não colocá-los na condição de empreender perigosas viagens da esperança rumo às costas europeias.

Estrangeiros serão vigiados durante toda estada na Rússia



Estrangeiros deverão ser vigiados durante toda sua permanência na Rússia, disse o ministro do Interior russo, Vladímir Kolokoltsev, em Penza, onde um novo sistema de informação do Serviço de Imigração Federal foi apresentado no ultimo dia11.
“O controle e monitoramento adequados devem ser conduzidos durante a estada de todos os cidadãos estrangeiros no país. Eles devem entender seu estatuto jurídico, conhecer seus direitos e cumprir suas obrigações corretamente”, informou o ministro.
De acordo com Kolokoltsev, a experiência internacional mostra que a qualidade dos imigrantes é um fator-chave. “Ser cumpridor das leis é um critério fundamental para avaliar os estrangeiros que chegam à Rússia em termos de segurança pública”, completou.
“Eles não devem se juntar àqueles que trabalham ilegalmente, sem garantias sociais e que não contribuem com impostos para o orçamento estatal. E não é porque entraram na Rússia por um período limitado de tempo que podem se sentir no direito de desrespeitar a lei”, ressaltou Kolokoltsev.
Caso contrário, medidas legais serão imediatamente tomadas contra eles, segundo o ministro. “Para assegurar a lei e a ordem, a política de imigração deve usar não só sinais verdes, mas também amarelos e vermelhos.”
“Conjuntamente [com o Serviço de Imigração Federal], colocaremos uma barreira mais forte contra todas pessoas associadas ao chamados grupos étnicos de crime organizado, para, assim, efetivamente proteger não só os nossos cidadãos, mas não também os demais visitantes”, afirmou.
Ele acredita que o Ministério do Interior e o Serviço de Imigração Federal devem não só organizar a troca de informações, mas também sistematizar o trabalho conjunto. “Unificar nossos objetivos, métodos e esforços é fundamental para o sucesso dessa importante medida” Disse.
 Gazeta Russa 

sábado, 14 de julho de 2012

Governo francês definirá critérios para regularizar Imigrantes


O ministro do Interior, Manuel Valls, deverá consultar nas próximas semanas as associações, sindicatos e organizações envolvidas com a questão, explicou o ministro das relações com o Parlamento, Alain Vidalies. De acordo com ele, as exigências serão ‘’objetivas, transparentes, e aplicadas de maneira uniforme em todo o território’’, assegurando uma análise individual de cada caso. A promessa foi feita pelo presidente François Hollande durante a campanha. ‘’A concessão de um visto é um ato importante, que deve ser levado em conta aplicando regras claras e compreensíveis, para colocar um fim em tudo que é arbitrário’’, disse o ministro.
Entre os critérios exigidos pelo governo para a concessão de um visto, estarão o tempo de residência na França, a situação profissional, a escolarização das crianças, e os laços familiares no país. Os estrangeiros que não satisfizerem nenhuma dessas exigências serão expulsos do território, em condições, segundo o governo, que respeitarão ‘’seus direitos e e sua dignidade’’.
Uma das medidas que deverá ser implantada em breve estipula que famílias obrigadas a deixar o território vão aguardar o processo de expulsão em casa. Atualmente, elas são levadas para os centros de retenção administrativa, antes do regresso forçado ao país de origem. Outra intenção do governo francês é acabar com as cotas, como ocorreu no governo Sarkozy, onde a meta de expulsões foi estipulada a 25 mil por ano. Para o ministro, isso contribui para as arbitrariedades, já que os funcionários das repartições trabalham sob pressão.
Regularizações em massa estão excluídas
O ministro do Interior, Manuel Valls, já havia declarado, em entrevista ao jornal Le Monde, em junho, que a regularização massiva dos estrangeiros em situação irregular está fora de cogitação, e o número de vistos dificilmente deverá ultrapassar 30 mil por ano, como no governo Sarkozy. Criticado por um comportamento julgado conservador para um governo de esquerda, o ministro do partido Socialista declarou que "era preciso levar em conta a situação econômica e social do país." Ele também disse que intencionava facilitar as naturalizações. 

Rfi

EUA evitam estipular prazo para dispensar visto a brasileiros


A secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Janet Napolitano, afirmou nesta quinta-feira que as políticas de imigração supõem "um desafio" para todos os Estados e reiterou o objetivo de facilitar a entrada dos brasileiros em seu País, embora tenha se recusado a mencionar um prazo para a suspensão de vistos. Janet esteve presente em um encontro com empresários na Câmara Americana de Comércio (Amcham) em São Paulo.
Durante o encontro, a secretária destacou os "fortes laços" que existem entre os países e acrescentou que essas relações "só tendem a ficar cada vez mais fortes". Ela abordou muitas vezes o compromisso anunciado por ambos os governos ontem. A ideia, neste caso, é acelerar a entrada do Brasil no programa "Visa Waiver", que atualmente beneficia 36 países ao eliminar a exigência de visto para entrada nos Estados Unidos.
Janet disse que os requisitos para fazer parte deste programa "estão instituídos" e, por isso, não dependem de negociações, acrescentando que o Brasil está "fazendo progressos significativos" neste contexto.
Já a responsável das relações governamentais da Amcham, Michelle Tchernobilski, disse que a eliminação dos vistos para a entrada em território americano não iria trazer vantagens apenas no turismo, mas também contribuiria para facilitar os negócios e o trabalho de delegações comerciais,disse após ter se reunido  com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, 


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bispos de Europa destacam família e trabalho

A comissão dos episcopados de comunidade europeia reúne-se anualmente com as instituições da União Europeia. A imigração causada pela procura de trabalho levanta problemas à educação dos jovens



O vice-presidente da comissão dos episcopados da União Europeia (COMECE), o bispo italiano Gianni Ambrosio sublinhou “a necessidade de proteger o domingo como dia de repouso semanal comum”, em toda a Europa. “É de importância fundamental” para as relações entre os cidadãos, para a vida social e espiritualidade de toda a pessoa, para as comunidades locais, relembrou o prelado italiano.
Por seu lado o representante espanhol na comissão dos episcopados, Adolfo Gonzales-Montes, fez referência á situação que se vive no seu país, a Espanha, e pediu “políticas sólidas e verdadeiramente eficazes para contrariar o desemprego jovem”. Ao mesmo tempo, apontou o papel chave que os fundos europeus podem desempenhar no plano social para a formação das pessoas e para a coesão territorial.
O bispo romeno, Virgil Bercea, vice-presidente da COMECE sublinhou o facto que muitas famílias do Leste vivam em situações particularmente difíceis devido à falta de trabalho. Os filhos crescem sem a presença dos pais, fazendo-se sentir a falta do seu papel essencial na educação deles. Neste sentido, desafiou as instituições comunitárias “a promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento económico e o mercado de trabalho” nos países de Leste.

Acervo digital disponibiliza lista de bordo dos navios de imigrantes


Materiais como documentos e imagens estarão disponíveis para consulta a partir desta sexta-feira, 13
As listas de bordo dos navios de imigrantes que ancoraram no Porto de Santos entre 1888 e 1973 estarão disponíveis para consulta a partir desta sexta-feira, 13, no site do Museu da Imigração. O material histórico faz parte da segunda fase do projeto Memória da Imigração, que por meio de um banco de dados online integra o acervo digital do museu e documentos pertencentes ao Arquivo Público do Estado de São Paulo.

A nova digitalização acrescentou 160 mil imagens ao acervo digital, que passa a contar com mais de 247 mil páginas para consulta e download gratuito. São documentos como listas com os nomes dos imigrantes embarcados, principalmente em portos europeus, com desembarque previsto no Porto de Santos. Pesquisadores, estudantes, descendentes de imigrantes e demais interessados poderão consultar o acervo.

Entre as informações disponíveis estão nacionalidade, sexo, estado civil, profissão, idade, religião, parentesco, grau de instrução, dados do passaporte, procedência e destino. A busca pode ser realizada por critérios como o nome do navio, um determinado intervalo de anos, ou a data precisa do desembarque em Santos. A nova ferramenta de pesquisa possibilita buscas específicas entre as categorias do acervo.

Do Portal do Governo do Estado

quinta-feira, 12 de julho de 2012

III Cepial Congresso de Cultura e Educação para a integração da America Latina


MIGRAÇÕES NO CONTEXTO ATUAL: DA AUSÊNCIA DE POLÍTICAS ÀS REAIS NECESSIDADES DOS MIGRANTES 
DIA 17 DE JULHO - TERÇA-FEIRA - 9ÀS 12 HORAS
Aspectos estruturais das migrações na América Latina.

Desde os anos 1980 verifica-se um novo perfil na circulação de pessoas no interior da America latina como para outros continentes. Um dos eixos explicativos se dá na alteração na economia urbana, nas relações de trabalho, formação e consolidação das redes sociais migratórias. Busca-se agregar uma reflexão direcionada para as novas configurações dos circuitos econômicos na América Latina, as formas de inserção do migrante no espaço laboral, as estratégias geopolíticas e as táticas sociais migratórias que se processam nos países da América Latina.
Coordenador: Gislene Santos – Universidade Federal do Paraná - (UFPR - BRASIL)
Manuel Loera de la Rosa: Departamento de Ciências Sociais da Universidade Autônoma de Ciudad Juárez – (UACJ - MÉXICO)
Maria Laura Silveira: Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET - ARGENTINA)
Sigrid Andersen: Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente Sociedade (MADE - UFPR)
Olga L. C. Firkowski - UFPR (Brasil)
Rosa Moura – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social - (IPARDES - BRASIL)
Ivete Caribé: Serviço de Paz e Justiça e Casa Latino-Americana - (CASLA-SERPAJ – BRASIL)
DIA 18 DE JULHO - QUARTA- FEIRA - 9 ÀS 12 HORAS
MR8.2. A situação dos Refugiados na América Latina e a Proteção dos Direitos Humanos
EMENTA:
Análise e avaliação das condições dos refugiados no contexto atual da América Latina, com ênfase na experiência brasileira. Além das condições existenciais humanas, são abordados os aspectos jurídico-legais e das políticas públicas voltadas aos direitos do migrante.
Coordenadora: Gabriel Guelano - Agência da ONU para Refugiados – (ACNUR - BRASIL)
Rosita Milesi: Congregação das Irmãs Scalabrinianas fundadora e diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos - (IMDH -BRASIL)
Gabriel Gualano de Godoy: Universidade Federal do Paraná - (UFPR – BRASIL)
Pe. Mario Geremia: Membro da Congregação dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos – (BRASIL)
Kasonga Nkota: Universidade Federal de Juiz de Fora – (UFJF - BRASIL)
DIA 19 DE JULHO - QUINTA FEIRA - 9 ÀS 12 HORAS
Migrações e interculturalidade: aspectos humanos das migrações
EMENTA:
Os aspectos culturais e humanos das migrações não merecem sua devida atenção e consideração nas abordagens feitas sobre os fenômenos migratórios. Avaliar essa situação, na perspectiva do encontro de culturas diferentes é um dos objetivos da mesa.
Coordenadora: Gislene Santos – Universidade Federal do Paraná - (UFPR - BRASIL)
Janeth Rijo - Asociación de Familiares de Migrantes del MERCOSUR - (FAMISUR –URUGUAY)
Valeria España: Rede de Apoio ao Migrante - (URUGUAY)
Wolf-Dietrich Sahr: Universidade Federal do Paraná - (UFPR - BRASIL)
Alex Munguía Salazar: Benemérita Universidad Autónoma de Puebla (BUAP - MÉXICO)
Nádia Floriani: Assessoria Especial de Apoio Jurídico da CASLA e Assessoria da Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais - Assembléia Legislativa do Paraná - (CASLA/ALEP - BRASIL)
 Elizete Sant'Anna de Oliveira
Pastoral dos Migrantes

Aumentaram os ataques violentos a imigrantes


Uma investigação da Human Rights Watch, sobre a violência xenófoba desde 2009 a maio de 2012, põe governo helénico em alerta. Nos últimos seis meses houve mais de 100 ataques.
Esta semana, a Human Rights Watch deu a conhecer em Atenas o resultado de uma investigação sobre a violência xenófoba na Grécia desde 2009 a maio de 2012. E a conclusão é alarmante: aumentaram substancialmente os ataques violentos e xenófobos no país, especialmente em Atenas, fazendo com que "muita gente já não saia à noite com medo de ser atacada", afirma Judith Sunderland, investigadora da Human Rights Watch para a Europa Ocidental, adiantando que "nem a crise económica nem a imigração podem desculpar as falhas gregas para controlar a violência que destrói o seu tecido social".
Segundo o jornal espanhol "ABC", as principais razões dos ataques xenófobos prendem-se com a profunda crise económica que o país atravessa e com vários anos de políticas falhadas, em matérias de imigração e asilo político. Existe na Grécia uma grande população migratória, geralmente dentro da legalidade, à qual se juntam os mais de 130 mil imigrantes ilegais que entram todos os anos no país através da Turquia, por mar ou por terra.
Dado que nos últimos anos as leis sobre imigração não têm funcionado e não se melhoraram as condições de receção aos estrangeiros, cidades como Atenas ou Patras têm um grande número de imigrantes, muitos sem trabalho e considerados pela opinião pública como causadores de assaltos, roubos e outros delitos. A tudo isto junta-se a posição xenófoba e violenta do partido extremista Aurora Dourada, que há meses tem estado a atacar imigrantes durante a noite, especialmente paquistaneses, com gritos de "fora com os estrangeiros, a Grécia é para os gregos".
A Human Rights Watch destaca, no entanto, que as detenções efetuadas nos últimos meses, de pessoas ligadas a ataques xenófobos, demonstram que a polícia grega têm estado empenhada em mudar a sua postura em relação ao problema. Até então, quase ninguém era denunciado pelas vítimas dos ataques, porque quando se dirigiam a uma esquadra de polícia para denunciar um ataque era-lhes dito que eram ilegais e que tinham de pagar para fazer a denúncia. Noutros casos, eram as próprias vítimas a ser ameaçadas de prisão devido à sua condição de ilegalidade. Embora seja difícil de contabilizar o número exato de ataques, a organização estima que nos últimos seis meses tenham existido mais de 100 ataques.
Para Judith Sunderland, o estado grego deve transmitir uma mensagem clara e resoluta a quem ataca imigrantes ou exilados políticos no país: "A violência xenófoba não deve existir numa sociedade democrática e aqueles que a utilizam serão severamente castigados".
 por Luís Manuel CabralHoje

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mais de 50 imigrantes morrem ao tentar chegar à Europa


Mais de 50 imigrantes, na maioria eritreus, morreram por desidratação quando tentavam entrar em Itália provenientes da Líbia, anunciou hoje o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), citando o único sobrevivente do drama.
Cinquenta e cinco pessoas tinham embarcado no final de junho na Líbia e todos à exceção de um único morreram nesta odisseia que durou 15 dias, precisa o comunicado.
O único sobrevivente, um eritreu, foi encontrado por pescadores tunisinos e está hospitalizado em Zarzis, na Tunísia, onde um representante do ACNUR recolheu o testemunho.
Os imigrantes, na maioria eritreus, tinham embarcado em Tripoli numa embarcação de borracha.
Ao fim de um dia de viagem, atingiram uma costa italiana mas o vento empurrou-os de novo para alto mar e a embarcação começou a perder ar, referiu o sobrevivente.
O sobrevivente, que foi encontrado agarrado aos restos da embarcação e um reservatório de gasolina, afirmou que não havia água potável a bordo e que muitos tinham bebido água do mar.

Lusa

Áustria deve apostar na imigração para resolver problema demográfico, diz ministro


A Áustria vai ter que apostar na imigração para compensar uma falta de mão-de-obra previsível nos próximos anos, declarou nesta terça-feira o ministro austríaco encarregado das questões sociais, Rudolf Hundstorfer. "Nos próximos oito anos, teremos 170 mil trabalhadores a menos. E não haverá jovens par substituí-los", explicou o ministro social-democrata. 
Para preencher essas lacunas, Rudolf Hundstorfer preconiza uma melhor qualificação dos jovens que chegam ao mercado de trabalho e um aumento do índice de atividade das mulheres. Além disso, os austríacos deverão também trabalhar mais tempo, após os 60 anos, o que necessita uma "mudança de atitude", tanto por parte dos empregados que dos empregadores, disse ele.
Mas todas essas medidas não serão suficientes para enfrentar o desafio demográfico na Áustria nos próximos anos, segundo o ministro. Ele considera que seu país terá que apelar para a imigração. "Se desejamos manter nossa performance econômica, teremos que utilizar a imigração, não temos outras soluções. Podemos nos preparar positivamente e ativamente para isso", explicou.
A Áustria é o país com menor índice de desemprego da União Europeia, com 4,1% em maio, segundo o instituto de estatísticas Eurostat.
Europa
Em uma entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal francês Le Monde, a comissária europeia para as questões internas, Cecilia Malmström, faz declarações similares no que diz respeito a toda a União Europeia. Ela está em Paris para se encontrar com o ministro francês do Interior, Manuel Valls, que aprovou no último Conselho Europeu o princípio de restabelecimento do controle nas fronteiras internas do bloco em caso de circunstâncias "excepcionais".
"A imigração será necessária, dada a evolução da demografia nos nossos países. Estima-se que em 2030, sem imigração, a população europeia em idade de trabalhar terá uma diminuição de 12%", disse Cecilia Malmström.
"Um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos) acaba de mostrar que muitas pessoas suscetíveis de emigrar são menos tentadas pela Europa e mais atraídas pelo Brasil, o Canadá ou a Austrália, ou até mesmo Angola e Moçambique. A longo prazo, isso pode nos causar grandes dificuldades. A própria OCDE também mostra que a pressão migratória sobre a Europa está diminuindo. Mas é claro que isso pode ser um efeito temporário da crise que atravessamos", acrescentou a comissária europeia.
Cecilia Malmström defende um aumento da imigração legal, o que segundo ela ajudaria a lutar contra a imigração ilegal. 
 RFI

terça-feira, 10 de julho de 2012

Igreja salvadorenha pede que novos governos de México e EUA protejam migrantes


A Igreja em El Salvador pediu que os próximos governos de México e Estados Unidos protejam os migrantes latino-americanos da violência e lhes dêem um tratamento legal justo.
Em coletiva de imprensa após a missa dominical, o Arcebispo de San Salvador, Dom José Luis Escobar Alas, disse esperar que o Governo de Enrique Peña Nieto, recém-eleito Presidente do México, que assumirá em dezembro próximo, seja "contundente" em sua luta contra o crime e garanta a segurança dos migrantes que passam pelo país.
Sobre Estados Unidos, Dom Escobar Alas também expressou sua confiança de que tanto o Presidente Barack Obama, que busca a reeleição, como o candidato republicano, Mitt Romney, "se comprometam" a beneficiar os migrantes.
Para o Arcebispo de San Salvador, os centro-americanos são ao mais afetados pelos problemas da migração rumo aos Estados Unidos. Ele pediu uma rápida reforma migratória integral nos Estados Unidos, para que as leis "sejam cada vez mais justas, que não se discrimine as pessoas honestas, trabalhadoras, somente porque não têm documentos". 
Dom Escobar Alas ressaltou ainda que "cada vez mais o voto dos migrantes é importante" nos Estados Unidos. Por isso, "vale a pena que ambos candidatos se comprometam de una forma séria, verdadeira, em suas promessas em favor dos migrantes”.
O Arcebispo de San Salvador recordou que pelo México transitam rumo aos Estados Unidos não somente salvadorenhos, mas também centro-americanos e sul-americanos.