quarta-feira, 26 de novembro de 2014

UNODC alerta sobre aumento de víctimas infantiles de trata de personas

Una de cada tres víctimas de la trata de personas es un menor, afirmó la Organización de la ONUcontra la Droga y el Delito (ONUDC) en su informe global 2014 sobre el tema.
El documento, que analiza la situación mundial de este delito de 2010 a 2012, apunta que el problema se presenta de forma más aguda en África y Asia Meridional y Oriental, donde la mayor parte de las personas objeto de trata son niños y niñas. Asimismo, indica que aumenta en el continente americano, en cuyas regiones norte y centro se incrementa el número de menores atrapados en esta forma contemporánea de esclavitud.
El texto subraya que no hay país exento de este fenómeno. Al menos hay 152 países de origen y 124 receptores, y la trata transcontinental afecta principalmente a las naciones industrializadas. Añade que existen variaciones regionales con relación al trabajo que realizan las víctimas. En Europa y Asia Central son utilizadas principalmente con fines de explotación sexual, mientras que en Asia Oriental y el Pacífico se usan para el trabajo forzado.
El estudio indica que la impunidad continúa siendo un problema y que el 40% de los países informaron de pocas o ninguna condena. El director ejecutivo de la UNODC, Yuri Fedotov, subrayó que la información oficial recibida para la confección del informe representa sólo lo que se ha detectado, lo que indica que la escala de esta forma de esclavitud moderna es mucho peor de lo que se supone.
.Cinu.Mx

Paraná vai inserir refugiados colombianos no mercado de trabalho

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) assinou nesta segunda-feira (24) com o Governo do Paraná e a Federação de Indústrias do Estado um Protocolo de Intenções para inserir refugiados colombianos que vivem no Equador no mercado de trabalho do Estado.
protocolo foi assinado no Palácio Iguaçu, em Curitiba, pelo representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, pelos secretários estaduais de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, e do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, Amin José Hannouche, além do coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), Virgínius Lianza da Franca, e do representante da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Marco Antônio Guimarães.
A ação será desenvolvida no marco do projeto Mobilidade Regional e Inserção Socioeconômica de Refugiados, estabelecido pelo ACNUR e pela Secretaria Nacional de Justiça – vinculada ao Ministério da Justiça.
Estatísticas oficiais mostram que existem no Brasil cerca de 7.200 refugiados de 80 nacionalidades diferentes, enquanto que o Equador, com um território 33 vezes menor, é o país da América Latina que possui maior número de refugiados, 56 mil, dos quais 98% são colombianos.
O projeto inovador busca manter os compromissos internacionais assumidos pelo governo brasileiro no âmbito do refúgio, entre eles o de apoiar solidariamente o Equador na busca de soluções duradouras para os refugiados colombianos.
O Paraná foi escolhido para iniciar o projeto por ser um dos únicos estados brasileiros a implantar um Comitê Estadual para Refugiados e Migrantes – o CERM. Além disso, é um dos únicos Estados que estão finalizando um Plano Estadual de Políticas Públicas para Migrantes, Refugiados e Apátridas e que apresenta um dos maiores índices de empregabilidade do país.
“Estamos avançando com iniciativas inovadoras, como esta de trazer refugiados colombianos que vivem no Equador para serem integrados diretamente no mercado de trabalho brasileiro. O Paraná é um Estado desenvolvido, com boas oportunidades de emprego e uma economia dinâmica. Estamos muito contentes com esta parceria”, afirmou o representante do ACNUR, Andrés Ramirez.
Para a secretária de Justiça do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, a assinatura do protocolo reflete “o compromisso do Estado em garantir o acesso à cidadania e à dignidade das pessoas por meio do trabalho, independente de sua nacionalidade”. Ela disse que o Paraná “se sente honrado por ser pioneiro nesta iniciativa”.
O Projeto se insere nas celebrações do 30º aniversário da Declaração de Cartagena sobre Refugiados (conhecido como Cartagena+30), que ocorrem durante todo este ano. Um dos temas de Cartagena+30 é o fortalecimento da integração de refugiados na América Latina e no Caribe – e o projeto que será lançado no Paraná representa uma contribuição efetiva neste sentido.


ACNUR

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Tratamento dos Japoneses aos Trabalhadores Estrangeiros

Na mesma linha da nossa proposição para resolver alguns problemas graves do Japão, ainda que os japoneses sejam os melhores conhecedores do assunto, um artigo publicado pelo The Japan Times,com base num despacho da agência AFP, sugere a necessidade de uma rápida mudança do tratamento que os japoneses continuam dando aos trabalhadores estrangeiros. Todos reconhecem que a população japonesa está diminuindo e se tornando mais idosa, necessitando da ajuda de trabalhadores estrangeiros para execução dos trabalhos considerados mais duros, onde os japoneses não estão mais dispostos a atuar. São os relacionados aos cuidados dos idosos dependentes, bem como os relacionados com a manutenção de muitas de suas rodovias, para citar os casos mais frequentes. O governo de Shinzo Abe vem ampliando o chamado TTIP – Industrial Trainee and Technical Internship Program, passando de três anos de permanência no Japão para cinco anos, mas não vem combatendo os abusos que ocorrem, fazendo com que muitas pessoas sejam exploradas nas tarefas mais duras. Informa-se que cerca de 50 mil chineses estão neste programa, havendo também outros estrangeiros.
Todos sabem que no Japão sempre existiram os chamados “empreiteiros de mão de obra”, que no passado exploravam os próprios japoneses pouco qualificados. Há um tradicional sistema de subcontratações dos recursos humanos para trabalhos temporários naquele país, que sempre geraram abusos que não conseguem ser coibidos, pois algumas das organizações que atuam neste segmento aproximam-se das chamadas mafiosas, como todos sabem, mas continuam sendo lamentavelmente toleradas. Em 1985, quando eu era responsável pelo Pavilhão do Brasil na EXPO TSUKUBA 85, pensava que estava pagando condignamente aos funcionários japoneses que permitiam a sua operação. Vim a saber que, mesmo utilizando uma grande empresa japonesa de primeira linha, eles haviam subcontratado os serviços e os trabalhadores japoneses recebiam uma pequena parcela do que estávamos pagando.
 O Japão tem mais de um milhão de helpers mas necessita da ajuda de estrangeiros para cuidar dos seus idosos

Apesar das boas intenções deste programa TTIP, que visaria que estrangeiros se acostumassem ao idioma local bem como aprendessem algumas habilidades profissionais, o fato concreto é que tem sido usado para suplementar o fornecimento de recursos humanos de baixa qualificação. A ponto de existir uma organização chamada Rede de Solidariedade com Migrantes no Japão, um grupo não governamental para apoiar estes estrangeiros. Alguns japoneses chegam a admitir que existe uma espécie de trabalho escravo de estrangeiros, muitos que contraíram empréstimos para ir ao Japão.
Alguns países como os Estados Unidos, sob iniciativa do presidente Barack Obama, procuram legalizar a presença de trabalhadores estrangeiros, dentro de determinadas condições, ainda que recebam restrições dos republicanos que alegam que o executivo estaria tomando estas medidas sem consultar a maioria parlamentar.
Os principais imigrantes no Japão são oriundos da China, do Vietnã e da Indonésia, admitindo-se também vistos temporários para descendentes de japoneses até a terceira geração, que se cogita estender para outras. Diante dos problemas que estão sendo enfrentados pelo Japão, seria recomendável, para maior agressividade nestas políticas, aumentar a população e o seu rejuvenescimento. Isto ajudaria a ampliar a demanda local, pois os jovens sempre estão entre os que estão aumentando suas demandas de variados produtos, notadamente quando estão melhorando o seu padrão de vida.
Algumas autoridades alegam que não conseguem controlar os comportamentos dos intermediários, pois temem o seu poder, inclusive junto aos parlamentares. Os japoneses precisam enfrentar estas dificuldades, para sanar problemas mais graves de seu país.

Alguns japoneses entendem que estes estrangeiros necessitam se sentirem bem acolhidos ao Japão, o que parece ainda muito longe da realidade. Portanto, estes pontos de vista não são somente de observadores do exterior, mas também de alguns segmentos do Japão que precisam ser apoiados para acelerar as mudanças nas bases fundamentais daquele país.
Paulo Yokota

Senado argentino aprova reforma legal que endurece penas a estrangeiros

O Senado argentino, com maioria kirchnerista, aprovou no dia  (19) o projeto de reforma do Código Processual e Penal, enviado pelo Executivo ao Congresso no final de outubro. Com 39 votos a favor e 24 contrários entre os senadores, a nova norma ainda precisa passar pela Câmara de Deputados, onde o governo também tem maioria.
O novo Código gerou controvérsias até mesmo dentro do bloco governista, por conta de parte do artigo 35, que muda as regras para a expulsão de estrangeiros que cometerem delitos no país. O projeto reacendeu o debate sobre imigração na Argentina, país que na última década adotou uma das políticas migratórias mais abertas do mundo.
Quando a presidente Cristina Fernández de Kirchner anunciou, em cadeia nacional de rádio e TV, que enviaria ao Congresso o projeto de reforma do Código Processual e Penal, um ponto de seu discurso chamou atenção: um giro nas políticas para imigrantes, com as novas regras para o tratamento penal de estrangeiros.
Depois de sofrer mais de 40 modificações em comissões do Senado, a proposta votada ontem inclui a possibilidade de expulsão do país para estrangeiros presos em flagrante ou por delitos com pena prevista de até três anos. A alternativa seria ir a julgamento, sem o benefício de penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade, em casos em que as mesmas medidas seriam cabíveis para cidadãos argentinos.
A norma pode ser atenuada em casos que vulnere o direito a reunificação familiar. Os estrangeiros que estejam regularizados também podem solicitar um tratamento equivalente ao que é dado aos cidadãos argentinos.
Poder excessivo a policiais
Um dos pontos mais problemáticos do novo Código é a falta de definição clara de quais delitos estariam alcançados pela nova norma, o que a atual lei de imigração já faz. Além de um conflito normativo – entre o texto que regula a imigração e o que vai regular os processos e o sistema penal -, o novo Código pode ser usado para encarcerar estrangeiro por delitos menores.
Um deles é a violação à Lei de Marcas. Preso em flagrante por venda de rua de produtos sem o registro de marcas e patentes, um estrangeiro poderia ser expulso do país. A venda de artigos em comércio de rua é tradicional dentro da comunidade boliviana, por exemplo.
Para Diego Morales, diretor da área de Litígio e Defesa Penal do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), a aplicação do novo Código pode dar poderes excessivos a policiais e juízes, além de colocar o estrangeiro em um “dilema.”
“A pena alternativa passa a ser ir embora do país. O estrangeiro tem que decidir entre duas situações complicadas: ir embora ou ser julgado”, pondera. “O novo Código também não te dá a possibilidade de discutir a sua situação com o Departamento de Imigração, então o problema passa a ser resolvido pela máquina do sistema penal: policiais, fiscais e juízes. É dar muito poder a funcionários que não estão preparados para lidar com questões migratórias.”
Declarações xenófobas
Nos últimos meses, o discurso que associa estrangeiros ao delito tem ganhado força na Argentina. Em meio a um alarmismo – considerado infundado por especialistas – de que o país estaria rumo a uma situação parecida à de Colômbia e México no que diz respeito ao poder do tráfico de drogas, os cidadãos colombianos que imigram ao país passaram a a ser alvo de suspeitas e declarações xenófobas.
Quando o projeto de reforma do Código chegava ao Congresso, o Secretário Nacional de Segurança, Sergio Berni, declarou em entrevista à Rádio Vorterix que o país está “infectado de delinquentes estrangeiros que vêm delinquir amparados pela lassidão judicial”. Na ocasião, Berni associou um tiroteio em uma tentativa de assalto a um fiscal da justiça a cidadãos colombianos.
Para Morales, é perigoso que funcionários de alta hierarquia façam esse tipo de declarações, e que o resultado seja a formulação de políticas públicas a partir de argumentos que ele considera “falazes, inverossímeis e carentes de racionalidade”. “Se o Secretário de Segurança, chefe político das polícias, emite esse tipo de argumento, o policial na ponta da hierarquia, o oficial que trabalha na rua, também vai chegar a esse tipo de conclusão com facilidade”, aponta. “Quando isso termina em uma reforma legislativa é ainda mais grave, porque deixa de ser um comentário aceito por um grande número de pessoas na sociedade ou por funcionários policiais, e passa a ser aceito por toda a comunidade política.”
Segundo um relatório sobre prisão e imigração publicado pela Procuradoria Penitenciária Nacional com dados de 2012, os estrangeiros representam 6% do total de presos na Argentina, enquanto representam 4,5% da população residente no país. O relatório indica que esse número se manteve constante desde 2002 e que a super-representação de estrangeiros no sistema penal é consequência de “um processo de criminalização mais intenso, que pode ser consequência de uma maior criminalidade, de discriminação no sistema penal ou uma mistura de ambas coisas”.
Morales lembra que nos anos 1990, quando a Argentina tinha altos índices de desemprego, houve uma onda de declarações parecidas por parte de funcionários do governo de Carlos Menem (1989-1999) e sindicalistas, que atribuíam a falta de postos de trabalho à imigração. No entanto, desde 2003 o país adota políticas migratórias amplas e com foco no direito humano de migrar.
“Antes havia um desenho institucional e normativo que apontava contra o imigrante. A lei atual é muito mais progressista, reconhece o direito ao acesso à Justiça, a igualdade em matéria trabalhista, de saúde, de educação, amplia as possibilidades de radicação. A Argentina foi vanguarda no Mercosul, quando foi pioneira em implementar a livre circulação e residência para membros do bloco. As declarações de Berni e da própria presidente desarmam, em parte, essa política”, avalia Morales.


Opera Mundi

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Família de apátridas sonha com nacionalidade brasileira

Para Pascal Hakizimana e sua família, "raízes" é uma palavra vazia de significado. Embora tenha vivido em quatro países diferentes, ele nunca teve uma pátria para chamar de sua. Refugiado desde os quatro anos de idade e apátrida durante toda a vida, ele agora sonha alcançar a plena cidadania no Brasil.
O longo caminho que trouxe Pascal ao Rio de Janeiro, acompanhado da esposa e dos dois filhos, todos apátridas, começou ainda na década de 1970. Nascido no Burundi em 1968, ele teve que fugir com a mãe, sem documentos, para o então Zaire (atual República Democrática do Congo) por causa do genocídio praticado pela minoria tutsi contra a maioria hutu em 1972.
Lá cresceu e estudou em um campo de refugiados até se mudar para Ruanda, em 1986, em busca do sonho de se tornar professor primário. Em 1994, sem nunca ter conseguido trabalhar em uma sala de aula, Pascal presenciou um novo genocídio, desta vez dos hutus contra os tutsis. Ao lado da esposa e da filha, voltou para o antigo Zaire, fugindo dos ataques que vitimaram cerca de 800 mil pessoas no território ruandês em apenas 100 dias.
O sofrimento, porém, estava longe de terminar. Quatro anos depois, a guerra civil eclodiu no país, rebatizado de República Democrática do Congo. Pascal, agora com dois filhos pequenos, teve que fugir mais uma vez, atravessando a fronteira com a Zâmbia para depois chegar à Namíbia. Vivendo novamente em um campo de refugiados com a família, ele continuou enfrentando dificuldades e, após 16 anos, se viu obrigado a empreender uma quinta viagem, dessa vez rumo ao Brasil.
"Desde que chegamos à Namíbia, nunca tivemos melhoria de vida", conta. "Lá não havia futuro para mim e para meus filhos, que terminaram a escola, mas não podiam trabalhar, porque o país não dava documentos para os refugiados. Então, decidi começar tudo de novo em outro lugar."
Pascal e sua família chegaram ao Brasil em setembro de 2014, ano em que se celebram os 60 anos da Convenção de 1954 sobre o Estatuto dos Apátridas, primeiro acordo firmado na ONU para proteger pessoas que não têm nenhuma nacionalidade.
No último dia 4 de novembro, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lançou a campanha global "Eu pertenço", que tem como meta acabar com a apatridia nos próximos dez anos. Há pelo menos dez milhões de apátridas no mundo atualmente, e a cada dez minutos um bebê nasce sem ter nacionalidade reconhecida por nenhum Estado.
Pascal, que solicitou o status de refugiado ao governo brasileiro, explica o sentimento de não pertencer a nenhuma comunidade nacional. "É como se eu e minha família não existíssemos. Não somos contabilizados por nenhum país. Sinto que não sou humano. Queremos que o Brasil nos ajude, que nos dê uma nacionalidade, que nos deixe pertencer ao país. Estamos prontos para contribuir plenamente como cidadãos."
Além da dificuldade de obter licença para trabalhar, os apátridas têm outros direitos negados, sendo impossibilitados de votar e de transitar livremente, por exemplo. Para viajar ao Rio de Janeiro, Pascal, esposa e filhos conseguiram documentos de viagem junto às Nações Unidas e vistos de turista na embaixada brasileira na Namíbia.
Com o protocolo de solicitante de refúgio obtido na Polícia Federal, ele tirou sua primeira carteira de trabalho em 46 anos de vida. Seu desejo agora é ganhar seu sustento através da música. Na África, Pascal formou uma banda de reggae gospel com a família e chegou a gravar cinco álbuns. Ao vir para o Brasil, porém, teve que deixar todos os instrumentos para trás e agora não sabe como e quando poderá tocar novamente.
"A música tem sido nossa ponte aonde quer que nós vamos, porque sua linguagem é universal. Somos viciados na nossa música, mas aqui não temos nada. É como se estivéssemos perdidos", lamenta Pascal, saudoso de seu baixo e sua guitarra. O filho, que chegou a estudar produção musical na Namíbia, toca teclado e bateria, ao passo que a esposa e a filha são cantoras.
Enquanto não conseguem emprego ou os instrumentos para reativar a banda, Pascal e sua família recebem assistência financeira da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, parceira do ACNUR, e frequentam as aulas gratuitas de português oferecidas pela organização aos solicitantes de refúgio. Aos poucos, eles vão se sentindo cada vez mais brasileiros, sonhando com o dia em que poderão dizer que de fato pertencem ao país.
"Se o Brasil me der a nacionalidade, sentirei que sou um ser humano, alguém protegido pelas leis como todo mundo. Não sei como vou comemorar. Para mim, será como ir para o céu. Sentirei mais orgulho de ser brasileiro do que qualquer um de vocês. E vou querer servir ao país mais do que vocês imaginam", conclui Pascal.
Por Diogo Félix, do Rio de Janeiro


Papa fala aos participantes de congresso sobre migrações

Francisco recordou que o direito ao desenvolvimento é para todos; é preciso valorizar as potencialidades dos migrantes

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 21, os participantes do VII Congresso Mundial da Pastoral das Migrações. Falando do fenômeno emigratório, o Santo Padre reiterou a necessidade de acolhimento e apoio para os que buscam um futuro melhor em outro lugar.
Francisco destacou que a emigração continua a ser uma aspiração à esperança, sobretudo nas áreas subdesenvolvidas do planeta. Há o desejo de buscar um futuro melhor em outro lugar, mesmo com o risco de desilusões e insucessos, provocadas em grande parte pela crise econômica que, de formas diferentes, atinge os países do mundo.
O Santo Padre mencionou os dois lados do fenômeno emigratório. Os países acolhedores recebem benefícios da utilização de imigrantes para as necessidades da produção e da riqueza nacional. Por sua vez, os países de origem dos migrantes atenuam o problema da escassez de emprego.
Sobre o trabalho pastoral da Igreja, Francisco enfatizou o empenho da comunidade cristã em acolher os migrantes e partilhar com eles os dons de Deus, em particular o dom da fé. Diante das dificuldades pelas quais passam os migrantes, a Igreja procura ser lugar de esperança, elaborando programas de formação, sensibilização e de assistência, bem como levantando a voz para defender os direitos deles.
“No encontro com os migrantes, é importante adotar uma perspectiva integral, capaz de valorizar as potencialidades em vez de ver somente um problema a enfrentar e a resolver. O autêntico direito ao desenvolvimento diz respeito a cada homem e todos os homens, em visão integral. Isto requer ser estabelecido para todos os níveis mínimos de participação na vida da comunidade humana. Tanto mais é necessário que isso se verifique na comunidade cristã, onde ninguém é estrangeiro e, então, cada um merece acolhimento e apoio”.

 Jéssica Marçal
Canção Nova

sábado, 22 de novembro de 2014

Obama anuncia oficialmente decreto para imigração

Em pronunciamento na TV na noite desta quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, desafiou o Congresso e anunciou a maior reforma no sistema de imigração da história recente dos Estados Unidos.
As mudanças propostas por Obama atingem cerca de 5 milhões de pessoas que hoje vivem ilegalmente no país e que poderiam ser, a qualquer momento, deportadas do país.
Saiam das sombras e fiquem dentro da lei", afirmou o presidente americano, em um discurso classificado como assertivo por analistas.
Opositores republicanos afirmaram que Obama não tem "autoridade" para colocar em prática as medidas sem a aprovação do Congresso.
Eles assinalaram que se o presidente americano for à frente com as mudanças que planeja impor, suas relações com a casa ficarão abaladas.
Atualmente, cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais vivem ilegalmente nos Estados Unidos. Neste ano, uma crise eclodiu quando foi noticiado que crianças que cruzavam a fronteira poderiam ser deportadas.
A maioria dos afetados pelas medidas de Obama são pais de crianças que já são cidadãos americanos ou residentes legais.
O presidente americano insistiu em que suas propostas não são uma "anistia".
"Estou falando de responsabilidade – um meio termo, o senso comum", disse ele.
Embora o plano permita que milhões de imigrantes ilegais trabalhem, não oferece cidadania ou garante a eles os mesmos benefícios que os cidadãos americanos, acrescentou Obama.
"Se você é um criminoso, será deportado. Se você planeja entrar nos Estados Unidos ilegalmente, suas chances de ser pego e ser mandado de volta crescem".
Obama se comprometeu ainda a fortalecer o combate à imigração ilegal na fronteira. O presidente americano defendeu que alguns imigrantes sem documentação se submetam à verificação de antecedentes criminais e paguem impostos para poder permanecer temporariamente nos Estados Unidos.
Obama afirmou que as deportações focariam agora em "criminosos em vez de famílias, assassinos em vez de crianças e mafiosos em vez de uma mãe tentando sustentar suas crianças".
Outros pontos da reforma de Obama incluem:
ampliar os critérios de elegibilidade para aqueles que já tiveram a deportação adiada porque entraram nos Estados Unidos ainda crianças.
assegurar que pais indocumentados de cidadãos americanos ou de residentes permanentes legais não sejam deportados
transferir mais recursos para a fronteira EUA-México com o objetivo de aumentar as chances de prender atravessadores ilegais
agilizar a tramitação de processos pendentes relacionados à imigração em tribunais do país
direcionar as atividades de fiscalização do governo para expulsar do território indivíduos que representem ameaças à segurança nacional, criminosos graves e atravessadores.
Obama se comprometeu durante meses a tomar medidas sobre a imigração depois que a Câmara dos Representantes, de maioria republicana, vetou uma lei de imigração bipartidária aprovada pelo Senado americano no ano passado.
No entanto, o porta-voz do Partido Republicano, John Boehner, afirmou que Obama está “brincando com fogo” ao levar adiante seu plano de reforma da imigração.
Na quinta-feira, o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, que em breve chefiará a casa após os conservadores conquistarem a maioria dos assentos nas eleições de 4 de novembro – prometeu retaliação.
"Se o presidente Obama agir desafiando as pessoas e impuser sua vontade sobre o país, o Congresso vai agir", disse ele.
A reforma de Obama não é tão abrangente quanto à lei do Senado que concederia a cidadania a milhões de imigrantes indocumentados e que nunca foi aprovada pela Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos
O presidente americano afirmou que assinaria uma lei conciliatória sobre a imigração se a proposta fosse aprovada.
Na quinta-feira, Obama afirmou que aqueles que questionaram sua autoridade “em fazer nosso sistema de imigração funcionar melhor, ou por em xeque a minha sabedoria de agir onde o Congresso falhou, tenho uma resposta: aprovem uma lei”.
 BBC BRASIL

O LUXO E O LIXO DO ALIMENTO

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
O empenho gigantesco de produção e distribuição de alimentos em escala mundial, no contexto da economia globalizada, tropeça com quatro escândalos que hoje chamam a atenção. O primeiro é que, enquanto cerca de um bilhão de pessoas em todo mundo passa fome ou se encontra em estado crônico de subnutrição, uma quantidade talvez ainda maior tem problemas com o excesso de comida. São contradições bem conhecidas da Organização Mundial da Alimentação e Agricultura, das Nações Unidas (FAO/ONU): de um lado, de acordo com os níveis mínimos estabelecidos pela FAO, insuficiência de calorias e mortes causadas pura e simplesmente pela falta de alimento; de outro, gastos exorbitantes com os males relativos à obesidade, ligados especialmente aos efeitos colatarais na área cardiovascular. Isso para não falar da insatisfação com o próprio corpo de tantos jovens e adolescentes de ambos os sexos, sobretudo diante do padrão de beleza difundido de forma estridente pelos mass-media através dos eventos fashion e suas top models.
O segundo escândalo é que, ao lado da fome e subnutrição humanas, que em alguns casos continuam a crescer, cresce igualmente a produção e comercialização de alimentos para os animais. Nas prateleiras de muitos supermercados, as variedades destinadas a estes últimos quase se iguala (se é que às vezes não supera) àquelas destinadas aos seres humanos. Não poucos “bichinhos de estimação” dispõem de mais calorias diárias, de mais comodidades e de mais carinho do que milhões de crianças abandonadas em todo planeta. Nada contra o bom trato aos animais, evidentemente! Tomara que todos eles, juntamente com todos os homens e mulheres, fossem tratados com o mesmo cuidado e atenção! Permanece de pé, portanto, a esperança de que toda pessoa humana possa desfrutar ao menos das mesmas oportunidades oferecidas a tais criaturas privilegiadas.
Em terceiro lugar, vem o escândalo dos agrocombustíveis. A fome e a subnutrição não impedem que os donos das terras no mundo inteiro (e aqui vale um destaque para o Brasil) sigam produzindo matéria prima para o etanol que alimentará a voracidade dos automóveis, privilegiando não raro o transporte privado em detrimento do coletivo. Neste caso, a contradição se revela bem mais danosa. No momento de buscar alternativas ao combustível fóssil (como carvão mineral e petróleo), a ciência e a tecnologia parecem optar pela solução mais fácil ou mais à mão, recorrendo à cana-de-açúcar, ao milho, entre outros produtos agrícolas. Porém, a opção de reservar imensas extensões de solo agricultável para a produção de combustível, cedo ou tarde, entrará em rota de colisão com a necessidade sempre mais urgente de produzir e distribuir alimentos. Também entrará em rota de colisão com os esforços de entidades, movimentos e organizações que lutam pela preservação do meio ambiente. O estômago contorcido pela fome deve ter absoluta primazia sobre o tanque dos carros.
Por fim, temos o escâdalo do desperdício. Talvez o lixo das mansões de bairros nobres, de paraísos balneários, dos restaurantes mais requintados e dos hotéis cinco estrelas – para mais da metade da população mundial – represente um verdadeiro luxo. Na contramão da pobreza e da miséria, da fome e da subnutrição, quantas toneladas de alimento são diariamente jogadas fora, e condenadas a apodrecer! Quantos pratos servidos em banquetes luxuosos, com mesas revestidas de todo tipo de iguarias, enfeites e ostentação, acabam retornando intactos à cozinha, destinados quase sempre aos lixões da cidade! E ali, num cenário pungente e estarrecedor, crianças e adultos em desespero, pessoas ou famílias inteiras, disputarão ferozmente os restos de comida podre com os ratos, os abutres e os cães. Em pleno século XXI, o luxo e o lixo se encontram e travam uma batalha de vida e morte diante de uma sociedade onde, contrariamente ao que vem pregando o Papa Francisco, a cultura da indiferença parece tomar o lugar da cultura da solidariedade.

Roma, 20 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Chegada de estrangeiros aumenta população negra do Vale


Vale do Taquari - A chegada de imigrantes haitianos, senegaleses, nigerianos e ganeses, nos últimos anos, desenha um novo cenário da miscigenação no Vale do Taquari. A população negra da região cresceu cerca de 50% com a vinda dos estrangeiros.
V
Em 2010, o Censo Demográfico indicava que cerca de 8,6 mil pessoas - em torno de 2,5% da população total - eram negras. Hoje, somam-se à população local cerca de 4,4 mil imigrantes afrodescendentes que, desde 2012, desembarcam no Vale do Taquari em busca de oportunidades. 

A estimativa do número de imigrantes é do haitiano Renel Simon (25), que atua como recepcionista aos estrangeiros no Centro de Referência em Assistência Social (Cras) de Lajeado. "O principal motivo é o trabalho, mas alguns também vêm para crescer financeiramente e estudar", explica.

A chegada dos estrangeiros à região também é oportunidade para dar evidência à situação dos negros no país e levar a reflexão sobre a importância deles na economia, na história e na cultura brasileira. Da mesma forma, a valorização da identidade negra é necessária para a construção de uma identidade étnica brasileira. "O fato de ter um novo grupo negro ajuda a colocar em evidência injustiças que pessoas daqui estão acostumadas", considera o antropólogo Daniel Granada, coordenador da área de Humanidades da Univates.

Se, por um lado, a cor da pele é característica comum aos negros da região e aos que chegaram há pouco, por outro, diferenças culturais e históricas delineiam uma identidade própria para cada grupo. "O risco é de olharmos para eles e pensarmos em uma homogeneidade que não existe, mesmo entre os haitianos", destaca. Segundo Granada, ao contrário do que ocorreu em terras brasileiras, com escravidão que se arrastou por cerca de 300 anos, o Haiti foi o primeiro país negro do mundo a proclamar a independência.

O orgulho da história e a vivência em um país onde cerca de 95% da população é negra vieram na bagagem dos haitianos e se refletem no dia a dia deles. De acordo com Simon, não há relatos de casos de racismo explícito contra seus conterrâneos que escolheram o Vale do Taquari para viver.

As maiores dificuldades ocorrem em função do idioma - muitos ainda não falam a Língua Portuguesa. Além disso, o fato de serem estrangeiros é empecilho para encontrar uma moradia: alugar uma casa exige fiador e, nem sempre há pessoas com disposição para isso. "Há pessoas que não querem alugar casa para haitianos. Me parece um preconceito", afirma Simon.

Hoje, a maioria dos imigrantes atua na construção civil e em frigoríficos. Apesar disso, na opinião de Granada, empresários da região devem atentar para as potencialidades dos estrangeiros. Muitos deles, como Simon, falam mais do que um idioma e cursam ensino superior. Para o professor, que integra o projeto de pesquisa sobre a imigração haitiana no Vale do Taquari, investir e aproveitar o potencial dessas pessoas vai ao encontro da história da região, marcada pela imigração alemã e italiana. "Independente da cor da pele, temos que ter a grandeza de vê-los como pessoas que vieram contribuir com a região. Há espaço para essas pessoas trabalharem, estudarem e trazerem suas famílias para cá", enfatiza.

Granada é enfático ao observar que acolher e incluir os imigrantes negros não é dever, apenas, dos grupos afrodescentes, mas sim de toda a sociedade, assim como a valorização dos negros e o reconhecimento deles como peças fundamentais da história brasileira são aspectos inerentes à vida de todos os cidadãos. "Essa é uma batalha da sociedade e não de grupos específicos. Se os negros lutam por igualdade, o que se espera é que os brancos também lutem."


"Sou mais eu. Tenho orgulho de ser preto"
O músico e servente de obras Ezequiel Roberto Alves (26) virou a página e marcou o dia 27 de abril de 2014 como um recomeço de sua história. Na data, ele foi vítima de injúrias racistas durante uma partida do Campeonato Municipal de Futebol Amador, na localidade de Nova Berlim, em Canudos do Vale. O caso tem audiência marcada para daqui a 15 dias.

"Foi a primeira vez que passei por isso. Fiquei muito magoado, mas perdoo ela", diz o morador do Bairro Conservas, de Lajeado, em referência a torcedora que lhe ofendeu. "Minha mãe ficou triste, mas mandou eu seguir o barco". Ele afirma que durante a infância e adolescência que esse tipo de situação nunca havia acontecido. "Meu melhor amigo é branco. Nos conhecemos com dez anos", conta.

Porém, ao atingir a idade adulta, uma cerveja com os amigos no bar se tornou algo inconveniente. "Noto que as pessoas olham diferente, não se misturam. Mas não dou atenção". No momento em que sobe ao palco para atuar como percussionista, a figura muda de lugar. "Me respeitam, é muito tranquilo", afirma.

Em lembrança aos momentos já vividos e aos ensinamentos de sua mãe, Ezequiel conclui: "O ser humano está sujeito a tudo, por isso não me incomodo. Sou mais eu. Tenho orgulho de ser preto."

Recioli dos Santos está a frente do Centro de Cultura Afro-Brasileira de Lajeado há cerca de um mês. Mas, como negro, afirma que ainda há restrições, por parte dos próprios negros, a assumir a descendência."Sabemos que existe um preconceito velado na região e queremos trabalhar para que isso não afete o nosso povo". Ele destaca que ainda é preciso mais união dos negros. "Nosso objetivo é subir nos ombros dos nossos antepassados e recontar nossa história. Queremos ter o nosso chão."

Para o antropólogo Daniel Granada, os racistas são minoria - um parte da população que, "por falta de cognição", ainda julga as pessoas pela cor da pele - e têm reservado piadas e comentários racistas, cada vez mais, a ambientes domésticos, fora do espaço público. Apesar disso, defende a necessidade de punição dos casos. "É inaceitável que hoje continuemos atribuindo valor às pessoas de acordo com a cor da sua pele."


"Eu devo ao povo de Encantado"
No Brasil há oito anos, Pierre Dieucel (35) completa no próximo dia 30 um ano de ordenação. Vigário da Igreja Matriz de Encantado, ele conta que encontrou a alegria aqui, no Vale. "Precisavam de uma força jovem. Então vim para ajudar". Apesar de ser negro no meio de uma população branca, ele conta que as pessoas o receberam muito bem e solicitam a sua presença. "Nunca me senti tão acolhido."

Sensação que às vezes não é percebida em relação aos demais haitianos que moram ou trabalham na cidade. "A maioria os recebe e os ajuda, mas ainda falta cortar o preconceito pela raiz." Porém, destaca que, se comparado ao todo, o problema foi superado. "Falta eles se sentirem em casa", explica.

Dieucel acredita que, por ser padre, o respeito e o entendimento quanto à sua causa é maior. "É minha missão colocar Deus no coração das pessoas. Faço de tudo para que elas saíam da igreja felizes. É o mínimo que posso fazer, pois eles me acolheram. Eu devo muito ao povo de Encantado", completa Dieucel, que agora está certo do caminho que escolheu.

O presidente do Centro de Cultura Afro-Brasileira de Lajeado Recioli dos Santos, admite que ainda não há preparo da entidade para receber os haitianos. "Não temos muito esclarecimento quanto a outras línguas". Porém, afirma que já existe um trabalho neste sentido, tendo em vista a inserção dos estrangeiros.


Dia da Consciência Negra
Em 2003, através da lei 10.639, 20 de novembro foi oficializado como o Dia Nacional da Consciência Negra. Para o antropólogo Daniel Granada, a data cumpre um papel importante de valorização da identidade negra e também pela busca do reconhecimento da influência dos afrodescendentes na história brasileira. "A força de trabalho negra foi a base na qual o país se constituiu", ressalta.

O incentivo à escolha deste dia, em específico, partiu do professor gaúcho Oliveira Silveira, pois na data Zumbi dos Palmares, defensor das causas negras e luta contra a escravidão, foi assassinado. Após adesão do Movimento Negro Nacional, a legislação entrou em vigor e dentre as suas pretensões está a inclusão da história negra nos currículos escolares.


"A elite branca ainda permanece"
Para Granada, há uma exclusão social sistemática que abrange os negros desde a época da escravidão. Apesar de garantir a liberdade dos escravos, a abolição da escravatura deixou os afrodescendentes à margem: sem emprego ou terra para plantar. O coordenador da Área de Humanidades da Univates explica que, apesar de avanços, manteve-se a escala hierárquica da sociedade brasileira, na qual os negros ocupam a base. "A elite branca ainda permanece."

Segundo ele, é preciso realizar mudanças sociais de base a fim de garantir melhorias para os negros. Conforme o antropólogo, entre as dificuldades enfrentadas estão desigualdade de acesso à educação, dificuldade de acesso à saúde e de inserção no mercado de trabalho, além de menor valorização salarial. Outro fato importante são os índices de violência: homens jovens negros são os que mais morrem de forma violenta. "Tem muita coisa para se fazer."


Juliana Bencke e Carolina Chaves da Silva

Informativo do Vale


Desiludidos, refugiados retornam à Síria, apesar da guerra

Muitos cristãos, armênios e curdos que fugiram nos últimos anos do noroeste da Síria, voltam à terra natal. No exterior, eles sofreram exploração, más condições de vida e discriminação.

Harrod Joseph, de 25 anos, acaba de voltar da patrulha num bairro cristão no nordeste da cidade síria de Qamishli, bem na fronteira com a Turquia. Meio ano atrás, ele se juntou à força de segurança sírio-cristã Sutoro, que trabalha para proteger o centro urbano dos três cantões dominados pelos curdos, no norte da Síria. Ele acabava de retornar de oito meses na Armênia e outros oito no Líbano.
"Eu estava preocupado com a situação e queria continuar meus estudos, por isso fui para Armênia", conta Joseph, em entrevista à DW. Mas a ex-república soviética não fez jus a suas expectativas. Ele planejara enviar dinheiro para seus familiares na Síria, mas em vez disso teve que pedir emprestado a eles, por não conseguir emprego.
Por fim, arrumou trabalho como lavador de pratos num café, mas o salário era tão baixo que mal dava para a subsistência no apartamento de dois quartos que compartilhava com outros sete sírios. "Nós, sírios, recebíamos salários bem baixos mesmo, e só empregos que não exigiam nenhuma habilidade ou formação. Não se pode dizer que foi uma recepção calorosa, me sentia como um estranho. É claro eu eles eram armênios, mas eu sou um armênio-sírio e isso fazia uma grande diferença", lembra Joseph.
Ao perceber que não havia oportunidades de estudo ou emprego à vista na Armênia, ele viajou para o Líbano para lá atravessar a fronteira para a Síria, mas ficou preso na região por oito meses, porque a travessia e o caminho de volta não eram seguros. Por fim, Joseph conseguiu retornar a Qamishli: depois de 16 meses fora, a cidade lhe era praticamente irreconhecível.
"Nos primeiros dias da revolução, não havia postos de controle nem partidos políticos nas ruas", recorda. "Quando eu voltei, a cidade estava completamente diferente e nova – até mesmo as pessoas tinham mudado. Tanta gente deixou a cidade e tantos refugiados haviam chegado!"
Joseph se diz feliz por estar apoiando a família, mas espera um dia poder continuar os estudos na Europa. "Se saísse de novo, eu não iria sozinho, levaria a minha família. Não quero que a mesma história se repita."
Lutando juntos


Muitos curdos do noroeste da Síria se engajam na luta contra o EI
Muitos dos entrevistados pela DW no noroeste da Síria criticam os que optam pela Europa. Os curdos, em particular, enfatizam a necessidade de proteger a própria terra, identidade e povo contra a investida do "Estado Islâmico" (EI).
Aboud, um dos superiores da Sutoro, partilha desses sentimentos. "Queremos impedir a migração de assírios [grupo étnico com raízes na Síria, Israel, Jordânia, Líbano, Iraque, Egito, Turquia e Irã] para a Europa. Queremos encorajar todos a vir para casa e lutar. Etnia e religião não deveriam importar: estamos lutando esta guerra juntos."
George, de espesso bigode grisalho e barriga redonda, sua esposa Jacqueline e seus quatro filhos deixaram Derike, uma cidade pequena mas basicamente deserta na província de Hasaka, um ano após o início da crise síria. Embora gratos por a localidade ter sido poupada dos aspectos mais atrozes da guerra, eles lutavam com a carência de trabalho, alta dos preços dos alimentos, falta de energia elétrica e água, e o sentimento generalizado de instabilidade.
A família fugiu para a Holanda, na esperança de melhores perspectivas de emprego. George trabalhou como agricultor, plantando pepinos, e tentou seriamente aprender o idioma. Mas a família enfrentava dificuldade para viver confortavelmente com a baixa remuneração de George, e –compartilhando um apartamento de um quarto – em condições de vida em forte contraste com o modesto lar da família na Síria.
Eles também enfrentaram discriminação. "Eu percebi que só era visto e tratado como ser humano lá, de onde eu venho", conta, acrescentando que também sofreu abuso verbal por ser sírio. "Eu sou cristão. Isso não significa que tenho direitos na Holanda, também?" Depois de dois anos, a família retornou à Síria.

"A morte está por toda parte"


O padre armênio Dajad Hagopian, de 68 anos, veste todos os dias a sua vestimenta clerical, apesar de só fazer um sermão por semana para um punhado de fiéis na Igreja Ortodoxa Armênia de Derike. Dos 450 armênios que lá viviam, apenas 200 ainda permanecem.
Ele deixou a Síria antes da eclosão da guerra, desesperado com o sofrimento dos armênios. Após quatro anos na Alemanha, ele retornou por sentir saudades da terra natal.
"As pessoas me perguntam como era na Alemanha, e eu digo que a minha casa tinha quatro paredes, igual à deles." O sacerdote não se considera em posição de dizer às pessoas para não deixarem o país, já que três de seus próprios filhos partiram recentemente para a Europa.
"Deus disse 'pão nosso de cada dia, nos dai hoje', e nós recebemos. Podemos não receber tanto, mas temos frutas, carne e pão, e isso é tudo de que precisamos", filosofa. "A gente pensa que a morte só está na Síria, mas ela está por toda parte."

DW


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Después de trabajar con inmigrantes latinoamericanos, dos seminaristas de México y Colombia se despiden de Brasil

Hay muchas personas a las que les gusta tener una rutina y se aterran con el solo hecho de pensar en cambiar.
Este no es el caso de los seminaristas Fabio Esteban Duque y Teófilo Ramirez Moreno.
Después de haber estado trabajando algunos años con inmigrantes en la parroquia Nuestra Señora de la Paz, en la Pastoral del Inmigrante, en São Paulo, los dos seminaristas van a salir en busca de nuevos horizontes.
Teófilo se va rumbo norte, a la ciudad de Nueva York, en Estados Unidos, y Fabio partirá hacia Manila, capital de Filipinas, en el continente asiático.
Fabio es colombiano y nació en la ciudad Don Matías Antioquia.
Ya desde joven tenía bien definido qué era lo que quería hacer, un deseo en el que tuvo mucha influencia su familia católica, que siempre lo apoyó.
"Estoy triste, pero contento a la vez. Triste porque fueron cinco años trabajando en Brasil y ahora tengo que dejar el país, pero contento porque aprendí mucho, principalmente con la comunidad boliviana", cuenta Fabio.
Al haber convivido con los bolivianos que visitan la Pastoral del Inmigrante, Fabio pudo profundizar en la historia de todos ellos. Y, trabajando en una monografía, tuvo
la posibilidad de conocer más de cerca a sus vecinos.
"La raíz del trabajo fue comprender y entender un poco más de la cultura boliviana. Tanto las fiestas religiosas que tienen lugar aquí como en Bolivia, la devoción a la virgen de Copacabana y Urkupiña. Vayan al lugar que vayan, ellos llevan la tradición y la fe, quería entender mejor cómo era todo eso", explica el seminarista.
De acuerdo con el colombiano, eso lo ayudó mucho a comprender su vida como inmigrante y a convivir con ellos.
"Cuando uno llega a un lugar nuevo, es preciso tener humildad para aprender. Más que enseñar, hay que aprender de ese pueblo", indica.
Teófilo, por su parte, nació en México, cerca de Estados Unidos, hacia dónde se dirige ahora.
"Como misioneros, sabemos que hoy estamos acá y mañana vamos hacia otro lugar. Es triste porque dejo una tierra bonita, a la que le tengo mucho cariño", comenta.
Fue en São Paulo en el lugar en el que Teófilo aprendió más sobre los bolivianos y percibió muchas similitudes con su propio pueblo.
"Como mexicano me sentí muy identificado con la cultura boliviana. Hay muchos elementos parecidos, como la vestimenta. Tenemos algunas diferencias, pero en el día a día somos iguales, seres humanos", desliza.
Ya con su equipaje listo, sus últimas palabras son sabias: "La vida es una elección y tenemos que estar abiertos para recibir lo mejor de las personas. Y, principalmente, no olvidarnos del origen, hay que tener orgullo de lo que uno es y del lugar del que vino".

ANGELINA MIRANDA
FOLHA INTERNACIONAL/PLANETA AMÉRICA LATINA
Traducido por NATALIA FABENI