sexta-feira, 22 de junho de 2012

Trata de personas: Argentina está en 2º lugar en el tránsito y explotación


El informe se realizó sobre la explotación sexual en 186 países. En el caso de Argentina, se rescata la tarea del Ministerio de Seguridad local, pero advierte que no se cumple "con el estándar mínimo" para la erradicación.

 El Departamento de Estado norteamericano publicó ayer el Reporte sobre Tráfico de Personas 201, presentado por su titular, Hillary Clinton, y nombró a la Argentina en segundo lugar en cuanto al origen, tránsito y destino de las víctimas de ese flagelo social.
El mismo es un análisis exhaustivo sobre la trata de personas, ya sea para la explotación sexual o laboral a nivel mundial, y las medidas aplicadas por cada una de las naciones analizadas, además de otras cuestiones relacionadas a esta problemática en 186 naciones entre las cuales se encuentra la Argentina.
En el capítulo argentino se reconoce el significativo esfuerzo del gobierno para combatir el tráfico, mencionando el récord durante 2011 de víctimas rescatadas y el aumento en las condenas para los explotadores, al tiempo que se destacan los protocolos instaurados para coordinar la lucha, la capacitación a funcionarios y efectivos de las distintas fuerzas y la labor realizada en los refugios para la contención.
Además de reconocer aspectos positivos a la actual administración federal, aunque mencionando de manera puntillosa aquellos temas que aún faltan desarrollarse, llegó acompañado de una distinción a Marcelo Colombo, titular de la UFASE, que es la unidad fiscal especializada en trata de personas.
El trabajo, elaborado a instancias de la ley federal estadounidense sobre tráfico de personas, sostiene que nuestro país es “de origen, tránsito y destino de niños, mujeres y hombres utilizados para la trata sexual y el trabajo forzoso”, puntualizando que “muchas de las víctimas de tráfico sexual provienen de zonas rurales o provincias del norte para ser explotadas en centros urbanos o provincias más ricas”.
También sostiene que “un número significativo de víctimas provienen de Paraguay, Bolivia, Perú y, en menor medida, de República Dominicana”.
“Un número significativo de ciudadanos bolivianos, paraguayos y peruanos, así como argentinos de las zonas más pobres del país son sometidos a trabajos forzados en talleres clandestinos, en la agricultura, y en el trabajo doméstico”, agrega el informe. Asimismo, advierte que distintos reportes sostienen que podría haber características de explotación en la venta callejera y en la mendicidad.
También se explica que “Argentina es un punto de tránsito para mujeres y niñas extranjeras traficadas para su explotación sexual en Chile, Brasil, México y Europa Occidental”, precisando que también se cuentan casos con víctimas argentinas llevadas al exterior. Si bien el trabajo del Departamento de Estado sostiene que “Argentina no cumple plenamente con el estándar mínimo para la erradicación  de la trata”, también reconoce que “el Gobierno está haciendo esfuerzos significativos para lograrlo”.
En ese sentido, el gobierno estadounidense menciona el récord de víctimas rescatadas durante el año pasado, mayormente de personas explotadas laboralmente. También se hace foco en el aumento de actuaciones judiciales y las condenas. 



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Novas regras não impedem vinda ao Brasil de haitianos sem vistos



A mudança nas regras migratórias anunciada em janeiro pelo governo brasileiro para ordenar o fluxo de imigrantes do Haiti ao Brasil não está contendo a vinda de novas levas de haitianos sem vistos.
Cerca de 150 imigrantes do país caribenho estão no município peruano de Iñapari, na divisa com Assis Brasil (AC), à espera de autorização para atravessar a fronteira.
O grupo começou a se formar no fim de abril, alguns dias após o governo brasileiro permitir o ingresso de 245 haitianos que estavam na mesma cidade havia três meses.
Segundo Altenord Roomeluf, um dos porta-vozes dos imigrantes, a situação do grupo é "desesperadora". "Não temos mais comida, só sobraram alguns sacos de farinha", diz ele à BBC Brasil.
Roomeluf, mestre de obras de 27 anos, afirma que a nova leva é formada em sua maioria por haitianos que viviam na República Dominicana, país que faz fronteira com o Haiti. Eles não se enquadram, portanto, na resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) que, a partir de janeiro, passou a autorizar a emissão de cem vistos de trabalho mensais para que haitianos residentes no Haiti se mudassem ao Brasil.
Após a resolução do CNIg, a Polícia Federal passou a barrar nas fronteiras haitianos sem vistos. As medidas buscavam ordenar a migração do grupo ao Brasil. Segundo o CNIg, desde o terremoto que arrasou o país caribenho, em 2010, cerca de 6 mil haitianos migraram para o Brasil.
No início de abril, porém, o governo decidiu acolher os haitianos que estavam em trânsito quando editou a resolução. A medida beneficiou os 245 imigrantes que estavam em Iñapari e centenas de outros que já haviam ingressado no território brasileiro, mas ainda não tinham tido seu status migratório regularizado.
Desinformação
Segundo Roomeluf, os 150 haitianos atualmente em Iñapari não souberam da alteração nas regras migratórias brasileiras. "A informação não chegou à República Dominicana e nem ao interior do Haiti."
O grupo, integrado por cerca de 25 mulheres (uma grávida) e duas crianças, tem dormido em escritórios cedidos por um empresário local. Cada cômodo é dividido por ao menos 20 pessoas.
Apesar das condições, Roomeluf diz que não pretende voltar. "Viemos de muito longe e aqui aguardaremos. Esperamos que o Brasil nos receba, queremos trabalhar."
O mestre de obras diz ter gasto US$ 4 mil (R$ 8 mil) para se deslocar da República Dominicana ao Brasil. A viagem incluiu dois deslocamentos aéreos (da República Dominicana ao Panamá e, de lá, ao Equador) e um longo percurso de ônibus de Guayaquil (Equador) até Iñapari.
Além dos gastos com passagens e hospedagem, haitianos contatados pela BBC Brasil dizem ter desembolsado cada um uma "taxa extra" de US$ 250 para atravessar a fronteira do Equador com o Peru. O dinheiro, segundo eles, foi repartido entre atravessadores e autoridades peruanas.
Desde que passou a exigir vistos dos haitianos, o governo brasileiro pediu ao Peru - principal porta de entrada do grupo para o Brasil - que adotasse a mesma postura.
No entanto, segundo haitianos que não quiseram ser identificados, a exigência do visto (incorporada pelo Peru no fim de janeiro) tem sido burlada por meio do pagamento da "taxa extra" aos atravessadores.
Segundo o Itamaraty, o Brasil concedeu 295 vistos de trabalho a haitianos entre 18 de janeiro, quando passou a vigorar a resolução do CNIg, e 18 de junho. O número equivale a 59% da cota de vistos que a embaixada brasileira em Porto Príncipe poderia ter emitido no período (500, ou cem por mês).
No entanto, o órgão diz que, nos últimos dois meses, emitiu a cota máxima de vistos, o que atribui à disseminação no Haiti da informação sobre os novos procedimentos.
Para se candidatar ao visto, além de pagar US$ 200, o postulante deve ter passaporte em dia, ser residente no Haiti (o que deve ser comprovado por atestado de residência) e apresentar atestado de bons antecedentes.
Caso novo
Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira que tratou da migração de haitianos ao Brasil, o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça, João Guilherme Lima Granja, afirmou que o caso do novo grupo em Iñapari seria tratado pelo Ministério da Justiça em reunião extraordinária nos próximos dias.
Também presente à audiência, o presidente do CNIg, Paulo Sério de Almeida, disse que não estava a par da nova leva.
"É uma informação nova e um caso diferente, porque aparentemente esse grupo viajou para o Brasil após a resolução. Precisamos estudar a situação antes de tomar uma decisão."
Para Almeida, é preciso investigar se há redes de aliciadores atuando na República Dominicana.
O diretor do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do Itamaraty, Rodrigo do Amaral Souza, também não se manifestou sobre o destino do grupo, mas disse que o órgão tem buscado "valorizar o novo canal oficial criado para os haitianos" pela resolução do CNIg e "direcionar o fluxo para esse canal".
Souza afirmou ainda que, se constatado que a cota mensal de vistos aos haitianos se mostrar inferior à demanda, o número poderá ser elevado.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, afirmou à BBC Brasil que apresentaria um requerimento ao órgão para que parlamentares visitem Iñapari e confiram a situação dos haitianos.
"Nossa política não tem sido suficiente para atender à demanda desses imigrantes haitianos", diz. "Vamos intermediar o contato deles com o governo para que se chegue a uma solução satisfatória, afinal eles vieram ao Brasil atrás de trabalho e de uma vida digna."

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Deslocamentos forçados em 2011 atingiram recorde de 800 mil pessoas


 Relatório lançado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) mostra que o ano de 2011 registrou um número recorde de deslocamentos forçados entre fronteiras internacionais, e que mais pessoas tornaram-se refugiadas desde o ano 2000.
Em uma análise inédita, o relatório Tendências Globais 2011 (ou Global Trends 2011) detalha a extensão do deslocamento forçado no contexto das grandes crises humanitárias iniciadas no fim de 2010, na Costa do Marfim, e seguidas pela Líbia, Somália e Sudão – entre outros países. O documento revela que 4,3 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar neste período, sendo que 800 mil tornaram-se refugiadas.
“O ano de 2011 vivenciou o sofrimento humano em uma escala épica. O custo pessoal foi enorme para todos aqueles que tiveram suas vidas drasticamente afetadas em tão curto espaço de tempo”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Temos que agradecer ao sistema internacional de proteção, que se manteve firme na maioria dos casos, deixando as fronteiras abertas. Estamos num momento de desafio”, comentou o chefe do ACNUR.
Em todo o mundo, 42,5 milhões de indivíduos terminaram o ano de 2011 em uma situação de refúgio, seja como refugiados (15,42 milhões), deslocados internos (26,4 milhões) ou solicitantes de refúgio (895 mil).
Apesar do grande número de novos refugiados, as estatísticas de 2011 ficaram ligeiramente abaixo dos 43,7 milhões de deslocados registrados ao final de 2010. Essa diferença se deve, principalmente, ao grande número de deslocados internos que puderam voltar para suas casas no ano passado. Foram 3,2 milhões de pessoas, o que configura o maior retorno de deslocados internos em uma década. Entretanto, entre a população refugiada, o número de repatriações voluntárias em 2011 (532 mil) foi a terceiro mais baixo em uma década.
Visto por uma perspectiva de dez anos, o relatório mostra diversas tendências preocupantes. Entre elas, o fato de que o deslocamento forçado afeta grandes grupos de pessoas ao redor do mundo, em um nível superior a 42 milhões de indivíduos nos últimos cinco anos consecutivos. Outra tendência preocupante é relacionada ao fato de que os refugiados permanecem nesta situação por muitos anos, vivendo em campos de refugiados ou em condições precárias nas áreas urbanas. Do total de 10,4 milhões de refugiados sob mandato do ACNUR, quase 75% (7,1 milhões) estão pelo menos cinco anos em exílio, aguardando uma solução para esta situação.
Nem todas as 42,5 milhões de pessoas forçadas a se deslocar até o final de 2011 estão sob o mandato do ACNUR. Cerca de 4,8 milhões de refugiados de origem palestina estão registrados pela agência UNRWA (United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees). Entre os 26,4 milhões de deslocados internos, 15,5 milhões recebem assistência e proteção do ACNUR. Em conjunto, o número de refugiados e deslocados internos sob mandato do ACNUR – hoje em 25,9 milhões de pessoas – cresceu entre 2010 e 2011, chegando a 25,9 milhões de pessoas (um crescimento de 700 mil indivíduos). 
Origem e destino – Numa escala global, o Afeganistão continua sendo o principal país de origem de refugiados (2,7 milhões), seguido pelo Iraque (1,4 milhão), Somália (1,1 milhão), Sudão (500 mil) e República Democrática do Congo (491 mil).
Cerca de 80% dos refugiados do mundo vivem próximos dos países de origem, impactando ainda mais as populações de refugiados já existentes nestas regiões. De acordo com o relatório, os principais países de destino são Paquistão (1,7 milhões de pessoas), Irã (886,5 mil), Quênia (566,5 mil) e Chade (366,5 mil).
Entre os países industrializados, a Alemanha é o único que integra o grupo dos principais destinos, com uma população refugiada (571,7 mil pessoas). O relatório ressalta, entretanto, que a África do Sul foi o país que mais recebeu pedidos individuais de refúgio em 2011 (107 mil), tendência verificada nos últimos quatro anos.
Américas – Apesar de a região ter o menor número de refugiados (8%) em relação ao total mundial, a situação ainda assim é preocupante. O número de pessoas sob o mandato do ACNUR cresceu de 19,2 milhões em 2005 para 33,9 em 2011, dos quais mais de 4 milhões são refugiados, deslocados internos, retornados ou apátridas na América Latina e na região do Caribe. Nas Américas o sentido de solidariedade com os refugiados é marcante, notado pelos esforços em garantir a proteção dos refugiados por países que mantém suas fronteiras abertas apesar de também enfrentarem problemas internos e crises econômicas. A maioria dos refugiados na América é de origem colombiana (392,6 pessoas).
O Equador continua sendo o país com a maior população refugiada (55 mil)  e com 20 mil solicitações de refúgio em trâmite. Em segundo lugar, a Costa Rica reconheceu 12,571 refugiados. O número de refugiados cresceu também no Chile (1,674), Panamá (2,262) e no Brasil (4,477).
Apátridas – O ACNUR foi criado há 60 anos com o mandato original de proteger especificamente os refugiados, mas nas últimas seis décadas o trabalho da agência tem incluído a ajuda a deslocados internos em diversos países e também apátridas – pessoas sem cidadania reconhecida por nenhum país e, consequentemente, sem a garantia de direitos humanos que a acompanha. O relatório Tendências Globais 2011 mostra que somente 64 governos mantêm registros de apatridia, o que significa que o ACNUR teve acesso apenas às estatísticas de aproximadamente 25% dos estimados 12 milhões de apátridas no mundo.
O relatório Tendências Globais 2011 é o principal relatório anual do ACNUR sobre o cenário mundial de deslocamento forçado. Dados adicionais são publicados nos Anuários Estatísticos e nos relatórios semestrais sobre as solicitações de refúgio nos países industrializados.
Por: ACNUR

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pastoral dos Migrantes na Cúpula dos Povos – Rio de Janeiro Mesa Autogestionada: Mudanças Ambientais e Migrações





No Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, um grande mutirão “sócio-ambiental” lá presente foi o contraponto da conferência da ONU, Rio+20 que, infelizmente, seguiu discutindo sobre o meio ambiente sem enfrentar o atual modelo de economia mundial predadora. Por lá, diferentes lutas de grupos e povos de todo o mundo partilharam suas experiências: indígenas, quilombolas, catadores, sem-teto, ribeirinhos, sindicalistas, mulheres, jovens. A Pastoral dos Migrantes articulou uma oficina, juntamente com sete organizações (abaixo citadas), no dia 16.06.12, com a participação de cerca de 40 pessoas. A atividade ocorreu na tenda 12, chamada, “Egídio Bruneto”. (militante gaúcho, da CPT, falecido em acidente no ano passado, que teve marcante contribuição na criação do MST e na fundação da Via Campesina Internacional).
As exposições giraram em torno de questões como: trabalho-escravo, agro-negócio, convivência com o semí-arido, organização dos trabalhadores migrantes, imigrantes, e a experiência da Casa do Migrante, em São Paulo.
O modelo de desenvolvimento atual privilegia o agro-negócio, com forte articulação da bancada ruralista na Congresso Nacional. A concentração de terras está a todo vapor, expulsando comunidades locais, indígenas e quilombolas, provocando migração forçada. A bancada ruralista também trabalha para esvaziar o Código Florestal, alterar a PEC 438 que expropria terra/empreendimento de trabalho escravo, desconstruir o conceito de “trabalho escravo” e deturpar o conceito de reforma-agrária. De 1995 para cá, já somam 42 mil as pessoas resgatadas do trabalho escravo e, seguramente, o número real seja bem maior que este, no rural e urbano.

Nas cidades, as terceirizações e quarteirizações, com trabalhadores imigrantes, alimentam grandes magazines de roupas das metrópoles do país.
Vários casos de trabalho escravo foram denunciados, com pessoas trabalhando em média 18horas por dia, com seus documentos retidos, confinados em locais insalubres e com péssima alimentação.
A Casa do Migrante, em São Paulo, em sua acolhida, já contabilizou imigrantes de 74 nacionalidades e de 26 denominações religiosas. Os haitianos que chegam nos dizem: “nosso problema não termina quando chegamos – precisamos de outras portas”. A equipe local faz um trabalho de mediação junto a  estes migrantes, para evitar que caiam nas malhas do trabalho escravo e todo o tipo de exploração.

A escravidão de migrantes está diretamente relacionada à degradação sócio-ambiental. Seja no desmatamento, seja para as carvoarias, seja nos monocultivos, com aplicação de agro-toxícos, com sérios prejuízos à saúde e morte do trabalhador.
Na cana-de-açucar, foram muitas as mortes de trabalhadores migrantes por excesso de trabalho. Mortes que seguem sendo sub-notificadas, com causas imediatas, genéricas. O convênio médico da empresa, por exemplo, nunca irá dizer que o trabalhador morreu por excesso de trabalho, mas por enfarte, etc. O cortador de cana para se manter no trabalho tem que cortar entre 10 e 12 toneladas/dia de cana
Quanto às condições dos trabalhadores, os ruralistas dizem “pra que cama, conforto? – eles estão acostumados a viver assim!”, acentuou Beto Novaes.
Mas estes trabalhadores não estão passivos. Temos que romper o silêncio sistemático da mídia em relação às mobilizações de greve e denúncias. Exemplo disso, foi a greve, por 6 dias,  de 400 cortadores cearenses e paraibanos, na Usina Vista Alegre, em Itapetininga/SP. Uma auto-gestão na qual o sindicato foi chamado depois, para mediar. Tempo depois, contraditoriamente, esta empresa ganhou o selo de certificação por parte do governo. Já são 119 empresas com este selo, sendo que hoje as empresas super-exploram dentro da chamada legalidade. Nada disso é dito na mídia.

O fortalecimento das lutas nos biomas/territórios tem sido uma forma de resistência. O projeto ASA (Articulação no Semi-Árido), por exemplo, que envolve a Paraíba e se expande por outras localidades do Nordeste, parte dos saberes locais, com projetos formativos, em ,contraposição às grandes obras. Há todo um debate com as famílias antes da construção das cisternas, em vista de uma real sustentabilidade, na qual o povo é seu sujeito. Um dos objetivos é o acesso descentralizado da água e não a exclusividade ao agro-negócio. Nestes locais onde se desenvolve o projeto, o povo vai se apropriando das técnicas de convivência do semi-árido, libertando-se do controle dos políticos.
Neste debate que, na verdade, juntou em uma as duas oficinas previstas, foram apresentadas importantes iniciativas em curso: o DVD “Conflitos”, sob a coordenação do Prof. Beto Novaes, onde os cortadores produzem um olhar sobre seu trabalho, diferenciado do olhar da mídia massificada; e os dois mapas(atlas) sobre trabalho escravo (on-line), ainda não publicado, elaborado por pesquisadores da UNESP
Da exposição, seis propostas foram sistematizadas e enviadas, no dia 17.06, para a Plenária n. 05 (Trabalho: por uma outra economia e novos paradigmas de sociedade). Resumidamente apresentamos as 6 propostas:

Introdução

O atual modelo de desenvolvimento é responsável por todas as causas que geram degradação sócio-ambiental, migração forçada, miséria, exclusão social, violência e expropriação da dignidade humana. Por isso exigimos:
1.      Pressionar o Senado e Governo para aprovar a PEC 438-2001, sobre desapropriação de terra/empreendimento com trabalho escravo, como está, e sem retrocessos;
2.      Acesso à terra, com políticas públicas, assessoria técnica para projetos alternativos, como prevenção ao aliciamento e trabalho escravo;
3.      Políticas voltadas para a realidade de cada bioma/território  a exemplo de processos formativos como  a implementação de novas tecnologias de convivência com o semi-árido.
4.      Democratização dos Meios de Comunicação/mídias alternativas como contraponto aos Meios de Comunicação de Massa Monopolizadores;
5.      Questionar esta política falsa de certificação às usinas feitas recentemente pelo governo.
6.      Imigrantes econômicos e ambientais ainda encontram portas fechadas no Brasil. São necessárias políticas migratórias inclusivas. Mudança da atual Lei dos Estrangeiros n. 6815, de 1980 e políticas públicas.

Entidades organizadoras com respectivos assessores/as que fizeram exposição foram:
SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes (Roberto Novaes-UFRJ); SPM/NE – LEC-GEO/NEACCA/UFPE); CPT-BA (Juliano) e CPT-MT (Beth); NELAM - Núcleo de Estudos Latino-Americanos/PUC-SP (Antônio Alves de Almeida); CEM – Centro de Estudos Migratórios (Dirceu Cutti);GEPETC – Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo/UFRJ (Profa. Adonia Antunes Prado, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos (SP) e CSEM – Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios - Brasília/DF, com Ir. Teresinha Santim mscs, que foi mediadora da mesa.
                                                                                  Roberval Freire
                                                          Secretaria Nacional do SPM

Festival de Musica y Poesia del imigrante



El   festival  de musica y poesia que realizo el Serviço  Pastoral del Migrante,este domingo dia 17 , tuvo la participaciòn de varios paises , que atraves del canto y la poesia expresaron el dolor, sueño,esperanza de un mundo mejor por  una mayor integracion y  que  trato el tema de la imigracion, a través de la poesía, la música, los lleva a reflejar, la situación de los imigrantes,los sueños , la caminada, un  mundo lleno de esperanzas  y con este festival que se realizo es la forma de integración y protagonismo de los propios imigrantes.
El devenir de la música ha estado determinado en los  más amplios de conflicto social y político, más que por la tecnologías sonoras o por los dictados inmediatos de la moda.
Ahora reflexionemos sobre cómo refleja la música las transformaciones sociales y culturales que impulsa la interculturalidad como resultado de migración. Cuando un género musical es apropiado por otros grupos minoritarios y migrantes, quienes no han perdido aún cierto vínculo con su lugar de origen y cualquiera que sea el grado y la duración de su desplazamiento, en un cierto plazo de tiempo la música es transformada de una variedad de formas letras, instrumentos, ritmos, melodías, en algo completamente nuevo. Recordemos que las ciudades que son el destino de un alto grado de inmigración son a la vez sedes de producción e intercambio para nuevos estilos subculturales desde su lugar de origen o de la diáspora. Por ejemplo, la música reggae emergió desde Jamaica (mitificando sus raíces africanas) y viajó hasta Londres donde fue circulando entre las comunidades de inmigrantes, eventualmente mantuvo una fuerte influencia sobre bandas de música de Europa , donde el sonido desarrollado en Jamaica llegaría a ser la base de las ejecuciones hip hop en las esquinas de las calles, parques y en varias capitales del planeta ,la música como la migración misma ha estado siempre en agitada evolución, a través de la absorción y la transformación, trastornando las supuestas "certezas" de las culturas nacionales y étnicas desde los márgenes de estas culturas. La música es un ejemplo audible, junto con el lenguaje, de solidaridad colectiva y de ascendencia común. Pase lo que pase con la música, los migrantes retienen a través de ella sus distintivas identidades étnicas. Aunque suene un poco banal y obvio, los migrantes cantan canciones y tocan la música de cada país  de origen  ,Bolivianos , paraguayos, peruanos , colombianos , ecuatorianos , chilenos etc.Las letras suelen resumir la resistencia, la nostalgia y diversos sentidos de identidad. Las ciudades son lugares de migración, y pueden alojar un significativo rango de músicas que han viajado con los inmigrantes, quienes en parte diferencian y simultáneamente caracterizan particulares áreas y redes sociales al interior de la ciudades. Son profundas las transformaciones sociales y culturales que tienen lugar en la ciudades, ya sea a través de la migración, el crecimiento de jóvenes subculturas o los nuevos paisajes mediáticos y musicales abiertos por las corporaciones de entretenimiento .




terça-feira, 19 de junho de 2012

Papa recorda Dia Mundial dos Refugiados e fala de duas parábolas de Jesus sobre a semente.



Neste domingo de um sol já típico do Verão, que daqui a poucos dias substitui no calendário à Primavera, foram numerosos os fiéis que se reuniram na Praça de São Pedro para rezar com o Santo Padre a oração Mariana do Regina Coeli e ouvir as suas palavras. 

Partindo da liturgia deste domingo, Bento XVI deteve-se sobre duas breves parábolas de Jesus baseadas na semente. A primeira, disse o Papa, põe a tónica no dinamismo da sementeira. O que anima o camponês no seu trabalho agrícola é a confiança de que a força da semente e a fertilidade do terreno levará o seu trabalho a dar frutos. Esta parábola, prosseguiu Bento XVI - reconduz ao mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus na História. É Ele o Senhor do mundo. O homem é apenas um seu colaborador. A colheita lembra a intervenção conclusiva de Deus no final dos tempos, quando realizará plenamente o seu Reino. 
Tudo isto para dizer – recordou ainda o Papa – que o cristão sabe que deve fazer tudo o que pode, mas que o resultado final depende de Deus. E citando Santo Inácio o Papa disse: 

“Age como se tudo dependesse de ti, mas sabendo que na realidade tudo depende de Deus”

A segunda parábola referida pelo Papa é a relativa ao grão de mostarda, considerado a mais pequena de todas as sementes, mas cheio de vida, capaz de crescer até se tornar a maior de todas as plantas do jardim, como narra o evangelista Marcos. A sua fraqueza é a sua força, o morrer a sua potencia. Assim também é o Reino de Deus que se manifesta através dos mais pequenos, dos insignificantes. Jesus – disse o Papa – usa muito a parábola da semente porque exprime bem o mistério do Reino de Deus: as duas parábolas de hoje exprimem bem os símbolos do “crescimento” ínsito no dinamismo da semente, e o “contraste” entre a pequenez da semente e aquilo que, no entanto, pode produzir. A mensagem é clara: 

“O Reino de Deus, embora exija a nossa colaboração, é antes de mais dom do Senhor, graça que precede o homem e a sua obra. A nossa pequena força, aparentemente impotente perante os problemas do mundo, se posta na força de Deus não teme obstáculos, porque certa é a vitória do Senhor. É o milagre do amor de Deus, que faz germinar e faz crescer todo o bem disperso pelo mundo. E a experiência deste milagre de amor permite-nos ser optimistas, não obstante as dificuldades, os sofrimentos, os males que encontramos. A semente germina e cresce, porque o amor de Deus o faz crescer”. 

A Virgem Maria, que soube acolher como “terreno fértil” a semente da Palavra divina, reforce em nós esta fé e esta esperança. 

***
Depois da oração mariana do Regina Coeli, o Papa recordou que ocorre no próximo dia 20 deste mês o Dia Mundial dos Refugiados, promovida pela ONU para chamar atenção da comunidade internacional sobre as condições de tantas pessoas, sobretudo famílias, obrigadas a fugir das próprias terras, porque ameaçadas pelo conflitos armados e por graves formas de violência. 

O Papa assegurou a sua oração e a constante solicitude da Santa Sé para com esses irmão e irmãs tão provados e exprimiu o desejo de que os seus direitos sejam sempre respeitados e que possam, sem demora, reunir-se com os seus entes queridos. 

Bento XVI referiu-se depois à Irlanda, onde haverá esta tarde a celebração conclusiva do Congresso Eucarístico Internacional que – disse – ao longo duma semana fez de Dublin a cidade da Eucaristia, onde muitas pessoas se reuniram em oração na presença de Cristo no Sacramento do altar. Pelo mistério da Eucarística, Jesus quis permanecer connosco, para entrarmos em comunhão com Ele e entre nós. Confiemos a Maria Santíssima os frutos amadurecidos nestes dias de reflexão e de oração. 

Por fim, o Papa recordou, com alegria, que esta tarde em Nepi, na Diocese de Civita Catellana, perto de Roma, é proclamada beata a irmã Cecília Eusepi, falecida em 1928 com apenas 18 anos de idade, devida a doença que a impediu de ser religiosa como queria, mas que soube viver com uma fé inabalável e sacrifício as suas provações pela salvação das almas. Nos últimos dias da sua vida repetia constantemente: “é belo morrer por Jesus, que morreu por nós”. Ela estava já no convento das terciárias da ordem dos servos de Maria. O Papa será representado nesse rito de beatificação pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. 


Memórias e marcas nas migrações



Em ano de Cinquentenário, partilho cinco das incontáveis memórias e marcas que conservo relativamente ao serviço prestado de 2000 a 2007, com a minha equipa de colaboradores, a CEP, Dioceses e Comunidades portuguesas através da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM).
1. A difícil procura de consensos. O tema das migrações é tema fraturante e profundo que encerra uma multiplicidade de leituras, interesses, medos, filosofias, discriminações e oportunidades. Entre os bispos senti não ser uma realidade consensual, nem um tema maior. Constatei várias abordagens da emergência “migração”, especialmente face aos surpreendentes fluxos da Europa do Leste e Brasil, a estabilização e integração dos africanos lusófonos e aos invisíveis “novos emigrantes” a deixar precária e crescentemente Portugal. Meu antecessor e eu próprio, com o apoio das Comissões Episcopais que servíamos, vimos ser chumbada pela CEP, por duas vezes, uma articulada nota pastoral sobre as Migrações – emigração e imigração - em vista de uma palavra comum dos bispos sobre fenómeno e renovação global do setor. O tema surge ainda ausente nos Planos diocesanos de pastoral, continuando a ignorar-se a mobilidade como chance para a nova evangelização. Como consequência da reestruturação das Comissões da CEP, a mobilidade foi recentemente “associada” a pastoral social, induzindo a opinar a migração como uma questão prevalentemente de pobreza.
2. As comunidades evangelizaram-me. Sabe-se que as estruturas são instrumentos e meios de animação, coordenação, estudo e intervenção. Porém, não são tudo, pois a vida nem sempre se deixa aprisionar pelas estruturas, secretariados e hierarquias. Sempre entendi uma OCPM ao serviço da vida que borbulha na vida dos migrantes “de ca e de la” e dos seus missionários. Foram as comunidades locais – paroquias, movimentos e secretariados diocesanos – constituídas por tantos leigos e religiosos anónimos, inspirados pelo Espírito e movidos por autentica caridade, a dar as melhores respostas solidarias de acolhimento e integração dos imigrantes. Assisti a bonitas iniciativas locais, espontâneas, ecuménicas, culturais, missionárias avulsas de qualquer planeamento e prudência institucional - muitas difíceis de narrar pela grandeza da generosidade e comunhão!- que me ensinaram a liberdade evangélica de servir e a compaixão pastoral para com os mais vulneráveis.
3. Como fermento na massa. Continuei a forte ligação genética da OCPM à sociedade civil e laicado. Foram confirmadas, mas também criadas novas parcerias operativas. A nível interno, intensificámos parcerias com outros Secretariados nacionais da CEP (Educação Cristã, Comunicação Social, Missões e Pastoral Social, entre outros) com vista à sensibilização e formação. A nível externo, colaborámos com movimentos eclesiais, outras igrejas, congregações, associações, universidades e organizações cívicas - algumas com filosofias arreligiosas - empenhadas nos direitos humanos dos migrantes e refugiados. Recordo audiências com políticos e governantes, reuniões com militantes associativos, encontros do SCAL e COCAI, participação em Plataformas cívicas e apoio a Manifestações de rua em Lisboa em prol da legalização e direitos (Chiado 2004 e Martim Moniz 2005) que, diga-se de passagem, me trouxeram problemas com os superiores por verem envolvida uma estrutura da CEP.
4. Agir juntos e a uma só voz. Em 2001 foi criado o FORCIM para garantir um pensamento, linguagem, estratégia e ação conjunta dos grupos católicos implicados, sobretudo, a nível, da imigração e asilo. Há pastorais, como a da mobilidade humana, que não podem dispersar recursos, meios e isolar-se de outras pastorais, nem dividir-se na leitura da realidade e ação evangelizadora. Diante do silêncio de uns, outros procuraram organizar-se por amor do Evangelho. Rodeámo-nos de assessores especializados voluntários (no campo jurídico e da comunicação social...) para qualificar e promover a voz dos católicos na “praça” pública. Cuidámos do diálogo com as instituições e procurámos ser propositivos, e menos reativos. Recordo as interpelações do Governo, SEF, ACIDI, SEC, Associações e Sindicatos para escutar nosso parecer competente e humanista sobre leis e programas, como também apelando a nos unirmos a outras organizações por razões de justiça e paz e de partilha de recursos, em favor dos emigrantes portugueses, refugiados, trabalhadores imigrantes e vítimas do tráfico de pessoas.
5. Ligar as duas margens da ponte. Ao contrário do que acontece a nível do Governo e suas estruturas, a Igreja entende a Mobilidade humana que atravessa o país, como única realidade em permanente interação e transversalidade. Única rede, a mesma estrutura, uma missão comum. Tem sido os portugueses emigrantes a ensinar-nos como acolher os imigrantes. As estruturas criadas, desde os anos sessenta, para as Comunidades portuguesas continuam a inspirar a estruturação da pastoral para os imigrantes, hoje. Procurámos, de acordo com as emergências surgidas, alimentar a providencial relação entre as dimensões: emigração e imigração. A mobilidade e ponte de comunicação e trocas culturais e religiosas. Nesse sentido, prosseguimos nas visitas a Diáspora em demanda urgente de missionários, vigiamos os Media e Governo que teimavam ocultar a emigração, retomámos os encontros dos delegados dos missionários dos portugueses, criámos capelanias para os católicos de rito oriental e apoiámos a Igreja Ortodoxa em expansão, convocámos o Encontro Mundial das Comunidades no Porto (2005). 
Os 50 anos da OCPM ensinam que, no “repensar a Igreja em Portugal” há que continuar a aproximar as experiências da emigração e imigração, incarnar a mobilidade na pastoral comum, fazer convergir respostas e recursos para acolher a dádiva magnífica das migrações, parte do desígnio de Deus e sinal do Reino, para uma igreja toda missionária e comunional e para uma sociedade integrada.
Rui M. da Silva Pedro, c.s.,
Antigo diretor da OCPM
Em ano de Cinquentenário, partilho cinco das incontáveis memórias e marcas que conservo relativamente ao serviço prestado de 2000 a 2007, com a minha equipa de colaboradores, a CEP, Dioceses e Comunidades portuguesas através da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM).

1. A difícil procura de consensos. O tema das migrações é tema fraturante e profundo que encerra uma multiplicidade de leituras, interesses, medos, filosofias, discriminações e oportunidades. Entre os bispos senti não ser uma realidade consensual, nem um tema maior. Constatei várias abordagens da emergência “migração”, especialmente face aos surpreendentes fluxos da Europa do Leste e Brasil, a estabilização e integração dos africanos lusófonos e aos invisíveis “novos emigrantes” a deixar precária e crescentemente Portugal. Meu antecessor e eu próprio, com o apoio das Comissões Episcopais que servíamos, vimos ser chumbada pela CEP, por duas vezes, uma articulada nota pastoral sobre as Migrações – emigração e imigração - em vista de uma palavra comum dos bispos sobre fenómeno e renovação global do setor. O tema surge ainda ausente nos Planos diocesanos de pastoral, continuando a ignorar-se a mobilidade como chance para a nova evangelização. Como consequência da reestruturação das Comissões da CEP, a mobilidade foi recentemente “associada” a pastoral social, induzindo a opinar a migração como uma questão prevalentemente de pobreza.

2. As comunidades evangelizaram-me. Sabe-se que as estruturas são instrumentos e meios de animação, coordenação, estudo e intervenção. Porém, não são tudo, pois a vida nem sempre se deixa aprisionar pelas estruturas, secretariados e hierarquias. Sempre entendi uma OCPM ao serviço da vida que borbulha na vida dos migrantes “de ca e de la” e dos seus missionários. Foram as comunidades locais – paroquias, movimentos e secretariados diocesanos – constituídas por tantos leigos e religiosos anónimos, inspirados pelo Espírito e movidos por autentica caridade, a dar as melhores respostas solidarias de acolhimento e integração dos imigrantes. Assisti a bonitas iniciativas locais, espontâneas, ecuménicas, culturais, missionárias avulsas de qualquer planeamento e prudência institucional - muitas difíceis de narrar pela grandeza da generosidade e comunhão!- que me ensinaram a liberdade evangélica de servir e a compaixão pastoral para com os mais vulneráveis.
3. Como fermento na massa. Continuei a forte ligação genética da OCPM à sociedade civil e laicado. Foram confirmadas, mas também criadas novas parcerias operativas. A nível interno, intensificámos parcerias com outros Secretariados nacionais da CEP (Educação Cristã, Comunicação Social, Missões e Pastoral Social, entre outros) com vista à sensibilização e formação. A nível externo, colaborámos com movimentos eclesiais, outras igrejas, congregações, associações, universidades e organizações cívicas - algumas com filosofias arreligiosas - empenhadas nos direitos humanos dos migrantes e refugiados. Recordo audiências com políticos e governantes, reuniões com militantes associativos, encontros do SCAL e COCAI, participação em Plataformas cívicas e apoio a Manifestações de rua em Lisboa em prol da legalização e direitos (Chiado 2004 e Martim Moniz 2005) que, diga-se de passagem, me trouxeram problemas com os superiores por verem envolvida uma estrutura da CEP.

4. Agir juntos e a uma só voz. Em 2001 foi criado o FORCIM para garantir um pensamento, linguagem, estratégia e ação conjunta dos grupos católicos implicados, sobretudo, a nível, da imigração e asilo. Há pastorais, como a da mobilidade humana, que não podem dispersar recursos, meios e isolar-se de outras pastorais, nem dividir-se na leitura da realidade e ação evangelizadora. Diante do silêncio de uns, outros procuraram organizar-se por amor do Evangelho. Rodeámo-nos de assessores especializados voluntários (no campo jurídico e da comunicação social...) para qualificar e promover a voz dos católicos na “praça” pública. Cuidámos do diálogo com as instituições e procurámos ser propositivos, e menos reativos. Recordo as interpelações do Governo, SEF, ACIDI, SEC, Associações e Sindicatos para escutar nosso parecer competente e humanista sobre leis e programas, como também apelando a nos unirmos a outras organizações por razões de justiça e paz e de partilha de recursos, em favor dos emigrantes portugueses, refugiados, trabalhadores imigrantes e vítimas do tráfico de pessoas.

5. Ligar as duas margens da ponte. Ao contrário do que acontece a nível do Governo e suas estruturas, a Igreja entende a Mobilidade humana que atravessa o país, como única realidade em permanente interação e transversalidade. Única rede, a mesma estrutura, uma missão comum. Tem sido os portugueses emigrantes a ensinar-nos como acolher os imigrantes. As estruturas criadas, desde os anos sessenta, para as Comunidades portuguesas continuam a inspirar a estruturação da pastoral para os imigrantes, hoje. Procurámos, de acordo com as emergências surgidas, alimentar a providencial relação entre as dimensões: emigração e imigração. A mobilidade e ponte de comunicação e trocas culturais e religiosas. Nesse sentido, prosseguimos nas visitas a Diáspora em demanda urgente de missionários, vigiamos os Media e Governo que teimavam ocultar a emigração, retomámos os encontros dos delegados dos missionários dos portugueses, criámos capelanias para os católicos de rito oriental e apoiámos a Igreja Ortodoxa em expansão, convocámos o Encontro Mundial das Comunidades no Porto (2005). 

Os 50 anos da OCPM ensinam que, no “repensar a Igreja em Portugal” há que continuar a aproximar as experiências da emigração e imigração, incarnar a mobilidade na pastoral comum, fazer convergir respostas e recursos para acolher a dádiva magnífica das migrações, parte do desígnio de Deus e sinal do Reino, para uma igreja toda missionária e comunional e para uma sociedade integrada.
Rui M. da Silva Pedro, c.s.,

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Evento paralelo do ACNUR e da OIM na Rio+20 destaca vulnerabilidade de migrantes urbanos


A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para Migrações (OIM) promovem nesta quarta-feira, 20 de junho, evento paralelo durante a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) para discutir as vulnerabilidades de migrantes e refugiados que vivem nas cidades.

O evento reunirá os chefes de três grandes organizações internacionais e funcionários de alto escalão de diferentes governos que lidam com este tema para debater questões específicas e apresentar contribuições voluntárias específicas à implementação da agenda de desenvolvimento sustentável posterior à Rio+20. Entre os panelistas estão o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, o Diretor Geral da OIM, William Swing, a Representante Especial do Secretário Geral da ONU para Redução do Risco de Desastres, Margareta Wahlström, e a Coordenadora Executiva da Rio+20, Elizabeth Thompson.

Este evento terá como foco os motivos das migrações em direção às zonas urbanas e as vulnerabilidades particulares de migrantes urbanos, incluindo refugiados e outras pessoas deslocadas. O painel de discussão ressaltará as necessidades de fortalecer os esforços de redução de riscos de desastres, especificamente aqueles relacionados a desastres naturais, degradação ambiental e mudanças climáticas.

Os fluxos contínuos de migrantes, refugiados e outros deslocados são um dos fatores que levam ao rápido crescimento das cidades. Muitas destas pessoas vêm de zonas rurais ou pequenas cidades. Embora sejam atraídas para as grandes cidades em busca de melhores condições de vida, elas também migram por causa de fragilidades ambientais ou para se adaptar às mudanças climáticas. Aqueles que são forçados a migrar freqüentemente buscam proteção e oportunidades que as cidades podem oferecer, mesmo que terminem vivendo em comunidades carentes super-populosas ou assentamentos periféricos sem os mais básicos serviços.

O evento paralelo “Vulnerabilidade de Migrantes Urbanos: Desafios e Respostas” também será uma oportunidade para ressaltar as relações entre refugiados climáticos e deslocamentos forçados, uma vez que ele coincide com o Dia Mundial do Refugiado (20 de junho). O evento se inicia às 17hs da próxima quarta-feira (20/06), na Sala T-6 do Pavilhão 03 do Riocentro – onde acontece a Rio+20. O evento é aberto a todos os participantes credenciados junto à Conferência da ONU para Desenvolvimento Sustentável.

Conceito de "fronteiras inteligentes" para a Europa é alvo de críticas


Pesquisadores consideram inadequados e desnecessários os novos conceitos da UE para segurança nas fronteiras. Estudo da Fundação Heinrich Böll alerta para altos custos e ineficiência dos planos da Comissão Européia.
Smart bordersou "fronteiras inteligentes" deverão, futuramente, proteger os limites externos da União Europeia (UE), tanto de imigrantes ilegais quanto de criminosos e terroristas.
A Comissão Européia, responsável pelo desenvolvimento de projetos no âmbito da comunidade de Estados, aposta principalmente na alta tecnologia. Em 2008, a Comissão deu início a vários projetos: o sistema europeu de controle de fronteiras Eurosur, que visa principalmente à imigração ilegal, e diferentes sistemas inteligentes de controle de fronteiras, destinados a controlar a entrada e a saída de estrangeiros da União Européia.
A Fundação Heinrich Böll, ligada ao Partido Verde alemão. encomendou um estudo sobre o tema, publicado agora sobre o título "Borderline" (Linha de fronteira). Um dos autores é Ben Hayes, da organização britânica de direitos civis Statewatch. Em sua análise, ele ressalta uma série de pontos fracos do conceito de smart border.
Mais ilusão do que realidade
A afirmação da Comissão Européia de que, com o Eurosur, pretende-se também salvar as vidas dos refugiados nos barcos é avaliada por Hayes como disfarce das verdadeiras intenções. "Os planos não contêm nenhuma passagem sobre como os refugiados devam ser salvos ou sobre o que vai acontecer com eles. Em vez disso, são desenvolvidas as chamadas 'operações push-back', que se destinam a manter todos os refugiados longe das fronteiras europeias."
A introdução do sistema de smart borders com controles biométricos deve, de acordo com a Comissão Europeia, detectar principalmente os chamados overstayers, visitantes que excedem o período de permanência autorizado. Pessoas que entram legalmente na UE, com um visto, por exemplo, mas que permanecem ilegalmente após esse visto ter expirado.
Os autores do estudo "Borderline" questionam se a utilidade desses conceitos justifica os enormes investimentos. Afinal, cerca de 100 milhões de pessoas atravessam anualmente as fronteiras da UE, provenientes de países terceiros. Caso se queira identificar cada uma delas, então surgiria um banco de dados sem precedentes – um pesadelo para qualquer ativista da proteção de dados.
Viabilidade técnica incerta
Tecnicamente, os planos do sistema Eurosur são extremamente complexos e ambiciosos,dizem os autores de "Borderline". "O Eurosur pretende ser capaz de detectar até mesmo o menor barco, no Mediterrâneo ou no Atlântico Norte, que navegue em direção à Europa."

Ben Hayes, coautor do estudo da Fundação Heinrich Böll
Para tal, devem ser implantados novos sistemas de monitoramento de alta tecnologia, como veículos aéreos não tripulados ou sistemas de busca por satélite – sem que um estudo de viabilidade técnica e financeira tenha sido encomendado a especialistas independentes. "Os únicos que foram consultados sobre a funcionalidade técnica de tal aparato foram as empresas que vendem essa tecnologia de segurança."
A decisão de apostar principalmente em soluções tecnológicas para questões de imigração também tem a ver com o trabalho de lobby profissional e constante da indústria de segurança, diz Ben Hayes. "Não é preciso ser um gênio da matemática para constatar que as empresas de segurança e de tecnologia de segurança ganharão muito dinheiro, quando forem implantados, em cada posto de fronteira e em cada aeroporto dos países-membros da União Europeia, sistemas 'inteligentes' de controle fronteiriço."
Controle democrático vem tarde demais
A Comissão Europeia lançou o Projeto Fronteiras Inteligentes em 2008, mas somente em 2012 o Parlamento Europeu irá votá-lo. Os autores do estudo criticam: os deputados europeus se encontrarão, então, diante de fatos consumados.
Esse temor é também compartilhado por Ska Keller, eurodeputada do Partido Verde e iniciadora do estudo. Formalmente, o Parlamento ainda pode rejeitar o projeto, mas isso seria pouco realista, após tanto investimento de tempo e dinheiro, diz.
A eurodeputada ainda tem esperança de que algo possa ser reformulado em termos da proteção de dados pessoais. "Caso se implantem bancos de dados dessa dimensão como planejado, rapidamente se despertarão certos desejos."
Durante todo o debate sobre a segurança das fronteiras da UE sente-se falta de objetividade política. "Não há mais nenhuma reflexão sobre qual é o problema e qual seria uma solução adequada. Oferece-se uma solução de alta tecnologia para um problema que não existe em tal dimensão", afirma Ska Keller.

Rachel Gessat (ca)

sábado, 16 de junho de 2012

Em ano de eleição, Obama suspende deportação de jovens imigrantes ilegais



O governo do presidente Barack Obama anunciou nesta sexta-feira que suspendeu a deportação de imigrantes ilegais que tenham chegado aos Estados Unidos quando crianças e morado em território americano por, pelo menos, cinco anos consecutivos.
A medida, reivindicada pela numerosa comunidade latina do país, foi anunciada nos meses que antecedem a eleição presidencial, marcada para novembro deste ano.
A decisão, que passa a valer imediatamente, afetará até 800 mil pessoas entre 16 e 30 anos. Os beneficiados poderão permanecer nos EUA e reivindicar o visto de trabalho.
"O anúncio é um claro golpe político que fortalecerá a cambaleante campanha de Obama. Ele usou o poder que lhe confere a Constituição para se sobrepor à inércia do Congresso em relação à revisão das leis de imigração", afirmou William Marquez, correspondente da BBC Mundo em Washington.
A reforma das leis de imigração, hoje parada no Congresso, foi uma das principais bandeiras de Obama durante sua primeira campanha, o que o fez ganhar forte apoio da comunidade hispânica à época.
Muitas dos beneficiados emigraram ainda muito jovens com pais e familiares aos EUA. Embora estejam completamente integrados à sociedade americana e tenham poucos laços com seus países de origem, ainda sofrem com a normalização de seu status.
Obama e seu oponente republicano, Mitt Romney, tem tentado ganhar votos dos imigrantes latinos em Estados considerados chave para a definição da corrida eleitoral.
Romney, por exemplo, valia-se de uma versão do Dream Act - como é conhecido o conjunto de propostas para a flexibilização das leis de imigração - redigida por seu aliado e senador republicano pela Flórida, Marco Rubio, que nasceu em Cuba.
"Entretanto, ao anunciar a decisão, Obama não só largou na frente quanto conseguiu, até certo ponto, esvaziar qualquer projeto a ser proposto pelos rivais republicanos para se aproximar da comunidade latina", disse Marquez.
Janet Napolitano, atual secretária de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que as leis de deportação não foram concebidas para ser "executadas cegamente sem levar em consideração as circunstâncias de cada indivíduo".
"Avaliações criteriosas, que já são usadas em tantas outras áreas, são especialmente justificáveis para esse tema", disse ela.
A mudança na política de imigração, porém, não equivale a uma mudança permanente de status ou à cidadania, ressaltou Napolitano, uma vez que não se trata de imunidade ou anistia, acrescentou.
Com a decisão, o governo Obama atende parte do pleito do Dream Act, o projeto de lei, ainda não aprovado no Congresso, que concede cidadania a jovens que foram trazidos para os EUA quando eram menores de idade.
Imediatamente após o anúncio da medida, grupos de apoio aos direitos dos imigrantes latinos demonstraram apoio à alteração na política migratória, que descreveram como "uma boa e sensata notícia".
Mas o senador republicano Lindsey Graham, que lidera o movimento contra a aprovação do Dream Act, criticou o governo Obama.
"A tentativa do presidente Obama de contornar o Congresso e a sociedade americana é, no melhor dos casos, imprudente, como também possivelmente ilegal", disse Graham.
"A decisão evita qualquer negociação com o Congresso e com a sociedade americana em vez de consertar um sistema de imigração falido de uma vez por todas".

Crise faz aumentar ataques a imigrantes na Europa


O director da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia alertou que a crise na Europa está a fazer aumentar os ataques contra imigrantes, vistos como bodes expiatórios, e a reinstitucionalização dos doentes mentais por perda de apoios.
Em entrevista à Lusa durante uma visita de dois dias a Lisboa, onde tem previstos encontros com governantes, deputados e outras instituições, Morten Kjaerum afirmou que a agência que dirige está a acompanhar de perto os efeitos da crise e das medidas de austeridade nos direitos fundamentais.
«O que estamos a ver em alguns países é um aumento dos ataques contra imigrantes e minorias étnicas, vistos como bodes expiatórios da crise», disse, referindo casos de ataques violentos a requerentes de asilo e em alguns países a cidadãos de etnia Roma.
Por outro lado, alertou, as medidas de austeridade estão a levar «algumas das pessoas mais marginalizadas socialmente a serem ainda mais marginalizadas», exemplificando com os doentes mentais que, «para serem incluídos na sociedade, precisam de apoio».
«Se esse apoio é retirado - e vemos tendências nesse sentido - as pessoas mais vulneráveis ficam ainda mais vulneráveis», afirmou Morten Kjaerum.
Já na quinta-feira, numa reunião com os deputados das comissões de Assuntos Constitucionais e de Assuntos Europeus, o responsável afirmou ter detectado, em alguns Estados-membros, «um discurso político hostil contra pessoas com deficiência».
E alertou que «alguns dos ganhos que tinham sido alcançados, nomeadamente os apoios a pessoas com problemas de saúde mental, têm vindo a ser retirados», levando aqueles doentes «a regressar às instituições ou a ficar sozinhas».
Esta questão é mais preocupante, alertou o director da Agência da UE para os Direitos Fundamentais (FRA, na sigla em inglês), porque a própria crise é um factor de stress: «Pessoas com deficiência que estavam no mercado de trabalho são talvez as primeiras a serem despedidas e isso coloca-as mais uma vez numa situação vulnerável».
Morten Kjaerum manifestou-se ainda preocupado com o eventual aumento da exploração laboral, nomeadamente no caso dos imigrantes que se instalaram na Europa antes da crise.
«Muitos voltaram para casa ou partiram para outros países, mas alguns continuam cá (...) e são muito vulneráveis à exploração extrema. É a escravatura do mundo moderno», alertou.
A FRA vai aliás estudar, em 2013, «o mercado da escravatura», em que as pessoas trabalham 10 a 15 horas por dia quase sem salários e em condições degradantes.
«Estamos a falar de uma coisa extrema, que acontece hoje na Europa», sublinhou o director, admitindo que será difícil avaliar a magnitude do problema por se tratar de uma actividade criminosa.
Para já, Morten Kjaerum deixa um apelo aos líderes europeus: «Que mantenham um forte foco nos direitos fundamentais numa altura em que se aplicam medidas de austeridade severas. Que os grupos vulneráveis na sociedade - sejam minorias étnicas, deficientes ou outros - não sejam abandonados».
Manifestando-se optimista - porque desde o Tratado de Lisboa de 2009 há na Europa um elevado nível de sensibilidade para os direitos fundamentais - o director da FRA sublinhou que é preciso «um constante empurrão» por parte de instituições como a que dirige, mas também de toda a sociedade civil.
A FRA foi criada em 2007, para desenvolver estudos sociológicos que suportem as políticas dos Estados-membros a nível dos direitos fundamentais.
Lusa/SOL