sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Brasil recebe curta-metragem animado sobre dramas atuais da imigração

Entre agosto e setembro de 2017, o curta-metragem “Nós, os Imigrantes” (“We are the immigrants”, em inglês) será exibido gratuitamente em São Paulo e no Rio de Janeiro durante o Festival Anim!Arte. Usando a linguagem de animação, os personagens e os cenários foram criados baseados em um drama permanente sobre imigração. Dirigido pela colombiana Catalina Matamoros, a animação desperta o imaginário do público para as tragédias e sonhos de pessoas que decidem sair do país de origem.
A ideia de Catalina é chamar a atenção do espectador para um assunto com múltiplos desdobramentos que acaba sendo negligenciado. “O filme traz de volta o humanismo para o tema, uma vez que a imigração indocumentada é uma problemática mundial. Infelizmente nos desconectamos das tragédias pessoais e vemos todos os imigrantes como uma grande massa ou apenas como números. O filme busca representar as histórias por trás da iniciativa de migrar”, explica Catalina.
A animação feita em 2D relembra o drama de milhões de imigrantes ilegais que chegam aos Estados Unidos e são vistos com indiferença pelo mundo. Matamoros afirma que as notícias que lemos sobre eles não se conectam com nenhuma história pessoal porque os meios nos mostram uma massa de pessoas anônimas. “É preciso uma sensibilização diante dos refugiados, ouvir as tragédias e os motivos que os fazem migrar a outros países”, afirma a diretora. 
O curta já foi apresentado nos festivais OFFICIAL LATINO Film Festival em Nova York, Respected Human Rights Film Festival na Irlanda, Human Rights Film Festival em sua edição parisiense, e Anifilm na Republica Checa. A trilha sonora do curta-metragem foi composta por Alexis & Sam e o design e montagem de som por Bridget Tang. Catalina Matamoros é animadora e ilustradora colombiana, Mestre em Animação e Artes Digitais pela Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles. Junto ao diretor de criação William Lebeda, ela criou  ilustrações para os créditos do filme Cegonhas e fez a animação tipográfica para a sétima temporada de Prison Break. 
Informações sobre o festival: http://www.vouanimarte.com.br/wordpress/
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Trabalho escravo de filipinos é investigado


Uma fiscalização do Ministério do Trabalho de São Paulo identificou estrangeiros, na sua maioria filipinos, sendo escravizados nos próprios locais de trabalho. O esquema, que será investigado por órgãos da Justiça, envolve uma rede de agências de emprego que atuam em países asiáticos para trazer até o Brasil mão de obra barata para funções domésticas.
As violações foram descobertas a partir da denúncia de uma filipina, que disse ter sido submetida a uma série de situações análogas à escravidão numa casa onde trabalhava e morava na capital paulista.

As trabalhadoras pagam taxas de mais de U$ 2.500,00 (mais de R$ 7.000,00) à agência para serem trazidas ao Brasil, após serem enganadas por anúncios oferecendo vagas com salário de U$ 700,00 (cerca de R$ 2.200,00) e benefícios como décimo terceiro e bônus de horas extras. Ao chegarem, são conduzidas, sem contrato formal de trabalho ou qualquer garantia de direitos, a famílias dispostas a pagar mais de R$ 10 mil à agência em troca das trabalhadoras. 

De acordo com o Ministério do Trabalho, o caso só foi descoberto porque a vítima conseguiu fugir do local e, em seguida, procurou as autoridades brasileiras para relatar o terror que viveu. A mulher disse que exercia a função de babá e doméstica para uma família de paulistanos de alta renda. Ela afirmou aos auditores do trabalho que passava fome diariamente, não tinha liberdade para ir e vir e era obrigada a cumprir jornadas de até 16 horas por dia.

A filipina, que não teve a identidade revelada, foi amparada pela ONG Missão Paz, entidade ligada à Igreja Católica que presta auxílio a estrangeiros em situação de risco na capital paulista.

Segundo Lívia Ferreira, auditora do Ministério do Trabalho, a trabalhadora filipina também era forçada a ficar à disposição da família fora do expediente. “Ela disse que passou a ficar doente com frequência porque recebia pouca comida dos patrões. Ela tinha que comprar alimentos do próprio bolso para se manter em pé”, afirmou.

A auditora disse ainda que uma segunda vítima, também filipina, passou pelas mesmas situações na casa da família paulistana. A fiscalização também localizou uma terceira mulher do país asiático que contou ter sido escravizada numa outra residência de São Paulo. Mais de cem casas em São Paulo teriam trazido estrangeiras para trabalhar.

PROPOSTA FURADA. Os três relatos das vítimas levaram o Ministério do Trabalho a montar uma operação, que acabou localizando outros estrangeiros sendo explorados nos seus empregos.
Ao Ministério do Trabalho, todas as vítimas disseram que recebiam boas propostas salariais para cargos geralmente na área da prestação de serviços, mas só tomavam ciência de que estavam sendo enganados quando chegavam ao Brasil.

Foi o que aconteceu com outros três filipinos encontrados sob péssimas condições de trabalho num hotel na cidade de Amparo (a 133 km de São Paulo). “Eles trabalhavam em todos os finais de semana, sem hora extra e com jornadas entre 12 e 14 horas diárias. Eles disseram que nunca podiam folgar aos domingos. Também recebiam a metade do salário prometido”, disse Lívia.

O hotel, segundo a auditora, também não fornecia alimentação aos estrangeiros, mesmo com o grupo morando nas dependências do empreendimento. “O hotel fica a 20 km do centro da cidade. Eles disseram que faziam viagens de táxi para comprar comida”, afirmou a auditora.

Os auditores do trabalho multaram e também interditaram o setor de lavanderia do hotel porque foi verificado, durante a inspeção, que as máquinas de lavar representavam um alto risco à integridade física dos trabalhadores. A administração do espaço também terá de provar, com documentos, se cumpria os direitos trabalhistas previstos aos funcionários estrangeiros.

Segundo os documentos obtidos em diligência da força-tarefa nos escritórios das empresas, as estrangeiras são aliciadas nas Filipinas, em Chipre, Hong Kong, Dubai, Cingapura e no Nepal com falsas promessas de trabalho doméstico em residências de alto padrão em São Paulo. 
 Com Informaçoes de o Tempo e MPT
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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Tráfico de pessoas é “um tumor mundial”, diz dom José Luiz Azcona, bispo-emérito de Marajó (PA)

Foto: Revista Missões

O agostiniano recoleto, nascido em Navarra, na Espanha, Dom José Luiz Azcona, tem uma história de grande significado para a luta contra o tráfico humano de pessoas e a prostituição infantil, especialmente na Ilha do Marajó, no Pará. Nomeado bispo por São João Paulo II, em 1987, ele permaneceu na prelazia marajoara até a renúncia ao governo pastoral, no ano passado. Como bispo emérito, ele participou da reunião promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, em Brasília, encerrada nesta terça-feira, 01 de agosto. Dom Azcona está entre as pessoas ameaçadas de morte. Depois que se tornou emérito, dom Azcona continua morando no Marajó. Ele falou com a Assessoria de Imprensa da CNBB.
Como o senhor vê, hoje, a situação do tráfico de pessoas no Brasil?
A pergunta é difícil de responder porque os dados estatísticos oficiais não são confiáveis pela dificuldade de extraí-los de um modo objetivo e científico de uma realidade em si mesma oculta, secreta e em cujo segredo está o êxito perverso das organizações que se dedicam a este tipo de atividade.
De uma maneira geral, se poderia dizer, ao meu modo de ver, que continua da mesma maneira, ou talvez incrementada esta atividade devido a impunidade e da infiltração, cada vez mais intensa, de autoridades, da conivência de poderes, da organização desse tipo de instituição de perversidade e também pela falta de responsabilidade da sociedade. É aquele “fazer de conta que não vê”, quando a verdade do tráfico humano é tão evidente.
Creio que é bom destacar que não é somente no Pará, não é somente na Amazônia que essa situação e esse fenômeno se evidencia com mais clareza, mas também em ouros lugares. Se fizermos uma análise uma panorâmica rápida, não há uma diferença grande entre São Luís do Maranhão e o Pará. Da cidade de Fortaleza, por exemplo, saem expedições constantes de mulheres para a Itália, para a Eslovênia, com intuito de tráfico humano para serviços sexuais. Lá também se verifica a prostituição infantil como oferta, não como tráfico para o exterior, mas presente no turismo sexual. Se descermos, vamos ver que em Recife não deve ser muito diferente. Na Bahia e o Rio de Janeiro, do mesmo modo. E não se trata de uma situação apenas do litoral brasileiro, porque também no interior, nas estradas acontece o tráfico humano.
Eu me lembro de um determinado estado do Brasil, por ocasião daquele ano que o tráfico humano foi tema da Campanha da Fraternidade, fui convidado para falar diante dos presbíteros, das lideranças leigas e quando terminei a minha exposição, levantou-se uma senhora e disse: “Isso que o senhor falou também acontece aqui entre nós, não é preciso ir ver isso somente no Marajó, na Amazônia. Aqui acontece isso. Aqui existem grupos organizados que enviam jovens para a exploração sexual tanto para o norte do Brasil como para o estrangeiro. E nesses grupos há pessoas que participam da missa todos os domingos e eu gostaria muito que essa Campanha da Fraternidade fosse assumida com toda a seriedade pelos párocos e por todos os presbíteros”.
A minha resposta, portanto, é genérica, mas suficientemente clara para indicar: a situação de risco gravíssimo em que se encontram muitas mulheres e também homens jovens de serem traficados é evidente e é um perigo grave.
O senhor poderia traçar um perfil de quem é aquele que pratica o tráfico humano?
Não, eu não conseguiria traçar um perfil. Existem, claro, em nível internacional os chefes de máfias. Organismos internacionais que possuem um grande poder econômico que influenciam, às vezes, os políticos e o Judiciário. Eles influenciam deputados e empresários e isto é verdadeiramente um problema grave. São coisas que são feitas entre poderosos.
Lemos, por exemplo, que até nos Estados Unidos, algumas autoridades, talvez até ex presidentes, estão ou estiveram envolvidas no tráfico humano, sobretudo no tráfico de menores para atividades sexuais. Provar não é possível, mas a voz é recorrente e continuada. Podem existir e existem grandes autoridades envolvidas. Outro exemplo igual ocorre na Inglaterra. Na verdade, é um fenômeno mundial. Aquilo que parece um fenômeno, uma praga, uma chaga brasileira ou somente da Amazônia é um tumor que ameaça toda a humanidade e que está diante de nós, mas traçar um perfil direto do traficante, eu não poderia.
Quais as motivações, na opinião do senhor, que levam as pessoas a se tornarem vítimas do tráfico humano?
Me lembro que uma entrevista feita pela Globo, em 2010, num município do Marajó onde fui bispo durante 30 anos. A pergunta não era propriamente sobre tráfico humano, mas sobre prostituição. O repórter perguntou a uma menina de 16 anos: “Por que você se prostitui? Seus pais passam fome, estão desempregados? ” Ela respondeu: “meus pais trabalham, temos uma família que não passa fome, estamos bem. Agora, eu gostaria de ter perfume, ter certo tipo de sapatos, roupas e por isso me prostituo”.
Essa motivação tem por trás a ideologia da Mídia em apresentar um mundo feminino realizado ligado a isso, à exterioridade de possuir a beleza corporal e nada mais. E isto está, comprovadamente, entre os motivos do tráfico humano.
Mais forte ainda do que isso está a necessidade de sobrevivência. Lá entre nós, por exemplo, a população é carente. Nós temos um município, Melgas, com o IDH mais baixo do Brasil. E perto dele temos mais outros dois municípios que estão entre os dez mais pobres do Brasil. Mulheres, sobretudo mulheres, saem do Marajó para sobreviver, par anão passar fome. Depois, um lugar onde há muita injustiça, onde a distribuição desigual da renda é evidente e o desemprego estrutural é tão claro que um grande número de mulheres tem como motivação principal busca da sobrevivência e de promover-se na vida fugindo do inferno, que as vezes, é o Marajó.
Por outra parte, existe um grande número delas que sai e não são traficadas. Elas têm baixa educação, não tem preparação para a vida de quase nada e são culturalmente fechadas. Há, ainda, outras motivações que são: conhecer o mundo, o primeiro mundo, conhecer o que é ter um carro, ter uma casa.
E sobre a realidade das crianças? O tráfico e a prostituição infantil?
Sei que no Marajó eram, possivelmente continuam sendo traficadas meninas e meninos para a França por meio da Guiana Francesa para a venda de órgãos. Isso existia. Sobre o tráfico de crianças antes de nascer, eu conheço uma realidade que envolvem pessoas do Suriname. Elas vão ao Marajó para buscar mulheres saudáveis, bonitas, estabelecendo com elas até mesmo um contrato, com a condição que elas se deixem engravidar por homens que conhecerão em momento oportuno. Para isso, receberão uma taxa de 20 a 25 mil reais ou coisa semelhante. Assinados esses contratos, elas iam para o Suriname, e repito, talvez continuem indo, porque nossas autoridades são muito omissas. Lá no Suriname, essas mulheres se engravidam desses homens que são encaminhados por organizações internacionais. As crianças nascem e, por dois ou três anos, essas mulheres acompanham as crianças para cuidar e amamentar e depois elas têm que entregar os filhos sem saber o destino deles, sem saber nada.
O senhor tem sido ameaçado de morte por fazer denúncias sobre estas situações. O senhor tem medo?
O medo tem me acompanhado durante anos. Às vezes, ao sair do meu quarto para me dirigir a capela, pensava que atrás da porta poderia estar o meu assassino. Durante meses, eu tive esse pensamento. No corredor entre o quarto e a capela tem uma sacada e eu pensava que naquela direção poderia ter um rifle apontado para mim. E, muitas vezes, andando pelo interior, muitas vezes, o pensamento da morte me acompanha.
Creio que é um pensamento salutar porque, no meu caso, o medo não criou um sentimento de angústia e de ansiedade. Deus me deu a paz suficiente para enfrentar com reflexão e com sinceridade também a situação em que me encontrava. Entrando por mares e rios, num barco de uma paróquia, é possível que uma lancha rápida com uma metralhadora possa terminar conosco. Em menos de dois minutos, podem matar nós todos.
Eu tenho dito e dei este testemunho em Roma diante de mil sacerdotes em um retiro espiritual em São João de Latrão: “irmãos, não tenham medo. A Igreja está sendo chamada para o martírio, como nos tinha falado um bispo da Síria onde mulheres e homens tinham sido crucificados, adolescentes decapitados por não renegarem a fé em Cristo. E é Cristo que nos está chamando para dar esse mesmo testemunho com a nossa vida. E nós, que somos os pastores, devemos ir na frente. Não tenham medo. Aqui vos fala alguém que é um covarde, que sou eu, mas que sabe que o Espírito Santo dá a força, a fortaleza e a coragem para enfrentar a morte. Olhar nos olhos da morte e detrás deles ver o Ressuscitado. Para isso, tive que rezar porque considero que se alguém quer realmente encontrar paz em entregar-se à morte por Cristo e pelos irmãos, ele tem que rezar. Até que Deus ouviu, ouviu a minha oração e me deu essa paz fundamental para dizer: Senhor, aqui estou e estou disposto a morrer por Ele, pelo Evangelho. E, na verdade, para mim, hoje, e desde que Deus me deu esta convicção da possibilidade de poder morrer pelo Evangelho e pelos irmãos sinto que  esta seria a melhor, mais alegre e plenificante saída desde mundo para minha vida humana, religiosa e episcopal.
CNBB
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UNICEF: perigos na terra natal são principal causa de movimentos migratórios de crianças

Em relatório que avalia as variáveis por trás da migração infantil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que 75% dos jovens migrantes e refugiados vivendo na Europa decidiram deixar seus países de origem desacompanhados. Para a maioria, porém, a viagem não tinha como destino inicial o continente. Documento aponta que deslocamento é motivado mais por perigos nas comunidades de origem do que por desejo de ir para o território europeu.
Jovens da Gâmbia em Pozzallo, na Sicília. Foto: UNICEF/Gilbertson
Jovens da Gâmbia em Pozzallo, na Sicília. Foto: UNICEF/Gilbertson
Em relatório que avalia as variáveis por trás do deslocamento infantil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que 75% dos jovens migrantes e refugiados vivendo na Europa decidiram deixar seus países de origem desacompanhados. Para a maioria, porém, a viagem não tinha como destino inicial o continente.
“O mais notável do novo estudo é que há muitos mais fatores de repulsão, que forçam crianças a abandonarem suas casas, seja por conflitos ou por violência doméstica, do que fatores de atração, que as atraem para a Europa, e este fato vai contra o atual discurso”, disse a porta-voz da agência da ONU, Sarah Crowe, por ocasião do lançamento da pesquisa, divulgada em julho (25).
Publicação foi elaborada a partir de entrevistas com crianças e adolescentes, refugiados e migrantes, na Itália. Durante os primeiros seis meses de 2017, 12.239 menores de idade chegaram ao país, sendo que 93% deles viajavam sozinhos, a maior parte homens adolescentes, segundo o UNICEF. Contudo, na Grécia, a maioria das crianças foi enviada pelos pais ou estava acompanhada por eles.
A porta-voz do UNICEF ressaltou que, do total de crianças que chegaram à Líbia, 63% abandonaram o país posteriormente por causa da violência generalizada e do trauma que sofreram ou testemunharam. “Como um dos jovens gambianos disse (à pesquisa), ‘se você tem um leão atrás e o mar na frente, você opta pelo mar’”, afirmou Crowe.
Entre as meninas entrevistadas, uma em cada cinco fugiu por causa do casamento infantil nas suas comunidades.

Viagens mortais cada vez mais caras

Também sobre os fluxos migratórios rumo à Europa, a Organização internacional para as Migrações (OIM) divulgou que viagens pelo Mediterrâneo Oriental custam, atualmente, 5 mil dólares. “Com o aumento do controle fronteiriço, chegar à Europa tem sido cada vez mais difícil”, disse Livia Styp-Rekowska, especialista em gerenciamento fronteiriço da OIM.
“Um fator comum, entretanto, é o aumento das somas demandadas. O custo para chegar até a Europa aumento significativamente em comparação com 2016, as rotas mudaram e diferentes países de destino têm sido priorizados”, explicou. Segundo a OIM, valores mais altos são cobrados às pessoas que vêm do Afeganistão, da Síria e do Paquistão.
O destino mais popular, até junho de 2016, era a Alemanha. Agora, os migrantes procuram chegar à França, Suécia, Itália, Noruega, Áustria e Dinamarca, tendo a Grécia como país de trânsito mais frequente.
Unicef
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Setor de Capacitação e Cidadania da Missão Paz atende 873 migrantes no primeiro semestre


O Setor de Capacitação e Cidadania da Missão Paz surgiu a partir da demanda dos migrantes por aulas de língua portuguesa e cursos profissionalizantes com vista à melhor inserção no mercado de trabalho.

No primeiro semestre de 2017, passaram pelo setor 873 imigrantes e/ou refugiados. Desses, 68,7%, apesar de já terem sido atendidos por outros serviços oferecidos pela instituição, estiveram pela primeira vez neste setor, onde foram atendidos e orientados pela assistente social Josicleide Barbosa, conforme suas demandas e necessidades.

Grande parte dos migrantes se matriculou e participou dos módulos de aulas de português oferecidos na Missão Paz. Ao todo, no primeiro semestre, foram concluídos 5 módulos dos níveis básico I e II, em 10 turmas com cerca de 30 alunos das mais diversas nacionalidades, aulas diárias durante um mês e uma semana, lecionadas por uma equipe de voluntários composta por estudantes de Letras da USP, professoras aposentadas e profissionais de outras áreas. Além disso, o setor atua em parceria com outras instituições de ensino que oferecem opções de aulas em dias e horários diversos, para que melhor se encaixe as necessidades dos migrantes, como o CESPROM Cambucí e o CIEE (Centre de Integração Empresa-Escola).


Aos migrantes que procuram este serviço, os atendimentos do Setor de Capacitação e Cidadania acontecem às segundas, quartas e quintas, das 13:30 às 17:00 (entrada até 16:30).

Missão Paz : Rua Glicério 225 Liberdade


Missão Paz

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Estreia na quinta-feira (3) peça sobre refugiados vivendo em São Paulo

Estreia nesta  quinta-feira (3) a peça São Paulo Refúgio, espetáculo da trupe Performatron que aborda os desafios de refugiados vivendo no Brasil. A obra foi produzida a partir de pesquisas com estrangeiros vítimas de deslocamento forçado. Os atores brasileiros Elise Garcia, Ériko Carvalho e Conrado Dess dividem o palco da Sala Carlos Miranda, na capital paulista, com o migrante congolês Tresor Muteba.
Conrado Dess, Elise Garcia e Ériko Carvalho estrelam a peça São Paulo Refúgio. Foto: Vitor Manon
Conrado Dess, Elise Garcia e Ériko Carvalho estrelam a peça São Paulo Refúgio. Foto: Vitor Manon
Estreia na próxima quinta-feira (3) a peça São Paulo Refúgio, espetáculo da trupe Performatron que aborda os desafios de refugiados vivendo no Brasil. A obra foi produzida a partir de pesquisas com estrangeiros vítimas de deslocamento forçado. Os atores brasileiros Elise Garcia, Ériko Carvalho e Conrado Dess dividem o palco da Sala Carlos Miranda, na capital paulista, com o migrante congolês Tresor Muteba.
São Paulo Refúgio apresenta histórias de refugiados de diferentes partes do mundo. Por meio de cartas e depoimentos interpretados pelos artistas do Performatron, espectadores conhecem os temores e as expectativas de gente que tem abandonar casa, família e emprego para sobreviver.
Quando chegam a um país seguro, esses indivíduos têm de lidar com diferenças culturais, aprender um novo idioma e, por vezes, enfrentar o preconceito de comunidades que deveriam acolhê-los.
A peça põe em cena fases distintas da vida dos deslocados forçados — o momento anterior à partida, o trânsito e a travessia rumo a um novo país e a adaptação à realidade do Brasil.
O texto foi elaborado com base no contato direto dos atores brasileiros com refugiados em São Paulo. O trabalho de investigação e criação começou no segundo semestre de 2014. Desde então, o Performatron esteve envolvido na realização de oficinas teatrais, rodas de conversa e festas temáticas, em parceria com organizações que atuam junto às populações de refugiados na cidade.
O espetáculo fica em cartaz até o dia 27 de agosto, sendo exibido às quintas, sextas e sábados.
Dia: 3 de agosto de 2017
Horário: 21:00 às 22:50
Local: Sala Carlos Miranda
 – Complexo Cultural Funarte SP. Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos.
Em 2016, a peça foi trazida ao Rio de Janeiro pelo grupo Performatron, que acabou ganhando mais um integrante, o refugiado sírio Hadi Bakkour. Ele participou da montagem na capital fluminense. Em reportagem especial do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), atores falaram sobre a importância de abordar a temática do refúgio no teatro. Relembre:
Onu
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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Filipinas em condição de trabalho escravo em São Paulo


Graças à denúncia da Missão Paz o Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) identificou trabalhadoras filipinas traficadas em casas de família de alto poder aquisitivo na Capital e na Grande São Paulo. Em coletiva de imprensa (31/07) foi apresentado esquema de recrutamento, praticado pela Global Talent, empresa especializada na contratação de domésticas estrangeiras e as condições análogas à escravidão em que essas trabalhadores foram submetidas.

A Missão Paz, depois de ter identificado o problema há mais de quatro meses, apresentou o caso aos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em São Paulo.

Confira mais informações na matéria produzida pela TV Gazeta: http://bit.ly/2w1PYDJ

Matéria da Repórter Brasil entrevista padre scalabriniano Graziano Battistella, diretor do centro do Centro de Estudos Migratórias nas Filipinas, sobre algumas causas desta migração: http://bit.ly/2vlWxnL

Missão Paz

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Número de venezuelanos refugiados dobra no Brasil

Um novo levantamento do Ministério da Justiça aponta um aumento considerável na quantidade de venezuelanos refugiados no Brasil. O número dobrou de janeiro a julho, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Segundo a jornalista, em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, só em janeiro, pediram refúgio 608 cidadãos. Neste mês, 1.119 solicitações. No total, já somam 6.438 venezuelanos no país.

No segundo mês do ano, o número de pedidos (403)foi inferior a janeiro. Em março, foram 451. Já em abril, houve a primeira explosão, com 1.661 pedidos, seguida de maio, com o registro de 2.196.
Demanda
Devido ao alto número de pedidos de refúgio, a Polícia Federal reforçou o efetivo e praticamente dobrou o número de homens na fronteira do Brasil. 
Voluntários do Instituto de Migrações e Direitos Humanos, cerca de 20, também dão suporte no local.
Noticias Minuto a Minuto 

Famílias ricas mantém em São Paulo estrangeiros em condições de trabalho escravo

Elas acabavam vítimas de tráfico
Elas acabavam vítimas de tráficoReprodução/Record TV
Famílias ricas de São Paulo mantém estrangeiros como empregados domésticos em condições de trabalho escravo.
Os estrangeiros eram enganados por agências que prometiam um salário bom para trabalhar como empregadas domésticas em casas da grande São Paulo. Mas na verdade, elas acabaram vítimas de tráfico de pessoas e trabalho escravo.
A investigação policial começou depois que três filipinas denunciaram os abusos. Em depoimento, elas disseram que chegavam a trabalhar 15 horas por dia, sem descanso nem folga semanal.
Os responsáveis pelas duas agências de emprego não foram encontrados. Os empregadores suspeitos de desrespeitar as leis brasileiras foram notificados pelo ministério público do trabalho.
Uma das agências que intermediavam os contratos de trabalho funcionava na zona oeste de São Paulo, mas há três semanas se mudou e não se sabe para onde. A outra, tem apenas a página da internet que presta serviços no Chile.
Segundo a investigação, estrangeiros chegavam como turistas e depois pediam refúgio ou já saiam do país de origem com visto de trabalho providenciado pelas agências.
Por isso, o Ministério Público do Trabalho vai fazer uma recomendação ao conselho geral de imigração, que emite os vistos.
R7
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