quarta-feira, 24 de junho de 2015

Igreja Católica abre novos espaços para atender imigrantes que chegam a SP

Nesta quarta-feira (24), próximo à Estação Armênia do metrô, um espaço da Pastoral da Criança, está sendo cedido para atender 50 haitianos.
Diante da chegada constante de imigrantes haitianos e de outras nacionalidades (africanos, asiáticos, latino-americanos) organizações ligadas às congregações religiosas e à Arquidiocese de São Paulo, se articulam para atender os imigrantes, em espaços que estão sendo abertos em suas próprias estruturas.
De acordo com o diretor do Centro de Estudos Migratórios (CEM), da Missão Paz, dos Missionários Scalabrinianos, padre Paolo Parise, além das 110 vagas preenchidas na Casa do Migrante, mantida pela Missão, uma média de 100 imigrantes haitianos têm sido acolhidos na estrutura da Igreja Nossa Senhora da Paz. Ano passado, a Missão atendeu mais de 7 mil imigrantes, com serviços de acolhimento (abrigo e alimentação), documentação, aulas de vários idiomas, intermediação do trabalho, entre outros.
Em 2015, o fluxo permanece, com a diferença que ônibus saídos do Acre estavam chegando com mais frequência até meados de maio, quando houve a temporária suspenção do fretamento por parte do governo acreano. Mesmo assim, os haitianos em busca de trabalho, têm chegado a São Paulo, por outros meios.
Diante do drama humanitário que configura o rosto da imigração atual no Brasil, as organizações da Igreja Católica estão abrindo novos espaços de acolhida. Apenas para São Paulo, está prevista a chegada de 920 haitianos nos próximos dias.  
Segundo padre Paolo Parise (CS) juntos, esses espaços de acolhida possibilitarão a abertura de 300 novas vagas.
Além da Arquidiocese de São Paulo que deverá disponibilizar uma estrutura de três andares para o atendimento, estão abrindo novos espaços:  a Congregação das Irmãs Scalabrinianas, com 150 novas vagas, dentro de 45 dias e a Congregação das Irmãs Palotinas, com a ampliação da Casa da Mulher, de 40 para 80 vagas.  
Padre Paolo Parise observa que diante da iniciativa da Igreja Católica, a prefeitura de São Paulo, assumiu o compromisso de auxiliar com a alimentação.    
Roseli Lara/ Rede Scalabriniana


Mercosul: Brasil promove reuniões sobre emprego e migração

Os Órgãos Sociolaborais dos Estados Membros do Mercosul realizam até sexta-feira (26) uma série de encontros técnicos sobre emprego e migração. As reuniões são organizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) brasileiro, pois o país responde pela presidência rotativa pro tempore do grupo.
Nesta terça-feira (23), o ministro do Trabalho e Emprego do Brasil, Manoel Dias, fez a abertura do Seminário Mercosul: Inserção de Imigrantes no Mercado de Trabalho, na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em Brasília.

A agenda foi aberta, na segunda (22), com a reunião de coordenadores nacionais do Mercosul, reunindo Venezuela, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. O Seminário desta terça discute as experiências na inclusão de migrantes no mercado de trabalho e experiências na promoção dos direitos fundamentais dos trabalhadores migrantes no Mercosul. Participam também representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT); do sistema público de emprego dos países do bloco; dos trabalhadores e empregadores; das instituições de pesquisa e das organizações da sociedade civil.

Na quarta-feira (24), estão previstas quatro reuniões técnicas, em debates que ocorrem das 9h às 18, abordando estatísticas sobre as migrações internacionais e o Plano Regional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e na quinta-feira (25) ocorre a reunião do Observatório do Mercado de Trabalho no Mercosul.

Na sexta-feira (26), o ministro Manoel Dias vai presidir a reunião de trabalho dos cinco ministros da pasta no Mercosul. A reunião terá a participação dos ministros da Argentina, Carlos Tomada; do Paraguai, Guilhermo Sosa Flores; do Uruguai, Ernesto Murro, e do representante da Venezuela, Jesus Martinez Barrios.
Durante o evento, estão previstas assinaturas de declarações contra o Tráfico de Pessoas, Trabalho Escravo e Sociolaboral do bloco econômico. O objetivo é impulsionar políticas regionais em matéria de prevenção, combate ao problema e reinserção das vítimas. As medidas também prevêem a elaboração de um plano de ação para dar cumprimento aos princípios e direitos defendidos pelo Mercosul.
Os ministros tratarão também do informe sobre a nova normativa regional aprovada sobre o Trabalho Infantil e Saúde e Segurança no Trabalho; o Plano Estratégico Mercosul de Emprego e Trabalho Decente, além de incluir a avaliação da conjuntura regional e a agenda de trabalho dos Órgãos Sociolaborais do bloco.

MTE

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cerca de 5 mil protestam em Berlim pela morte de imigrantes no Mediterrâneo

Cerca de 5 mil pessoas participaram no dia  (21) de uma manifestação, em Berlim, em protesto pela morte, no Mar Mediterrâneo, de imigrantes que tentam chegar à Europa.
Os manifestantes empunhavam flores, cruzes e caixões, simulando o enterro de todos os que morrem na tentativa de atravessar o Mediterrâneo.
O protesto foi convocado pelo coletivo artístico Centro para a Beleza Política, que pretendia transformar o local em um cemitério simbólico que representasse as mortes dos que querem chegar à Europa.

"As fronteiras matam" e "A União Europeia assassina" foram frases entoadas pelos manifestantes a propósito das políticas alemãs e europeias sobre a imigração ilegal.
EBC

Migrações, deslocamentos e direitos humanos – livro organizado por George Galindo

O Instituto Brasiliense de Direito Civil e Grupo de Pesquisa Crítica e Direito Internacional apresentam a Série Jus Civile, Jus Gentium, cujo primeiro volume chama-se Migrações, deslocamentos e direitos humanos, organizado pelo Professor George Galindo (UnB). Divulgamos aqui um trecho da apresentação desta excelente e oportuna obra: “O direito internacional é uma disciplina geográfica. Poucas são as disciplinas jurídicas em que o espaço retém um papel tão importante. Ele define o começo e o fim do Estado, a quantidade e a qualidade de seus recursos naturais e, como não poderia deixar de ser, os direitos daqueles que nele estão inseridos ou dele estão apartados.
Migrações, deslocamentos e direitos humanos é uma tentativa de relembrar juristas em geral, não apenas internacionalistas, que o que fazemos do espaço gera consequências definitivas para os seres humanos localizados em partes as mais diversas do mundo; também é uma tentativa de explorar possibilidades para o tratamento dos seres humanos em um planeta terra tão meticulosamente dividido (em sentido concreto e figurado) do ponto de vista espacial. O livro constitui material indispensável para um curso de extensão a ser ministrado, por membros do Grupo de Pesquisa Crítica e Direito Internacional, no âmbito da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília. Ele não é, porém, um simples apanhado de materiais didáticos. Trata-se, em verdade, de uma busca por diálogo que ultrapassa os limites da sala de aula; que permite ver a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão em movimento. Da reflexão para a preparação das aulas, os autores se interrogaram sobre seus temas escolhidos. Tais interrogações precisaram ser submetidas ao escrutínio meticuloso que demanda a pesquisa. Por sua vez, esse conhecimento será amplamente apresentado e discutido com a comunidade acadêmica e não acadêmica para que possa gerar efeitos concretos na sociedade”.

 Saúde Global

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O GRITO DA TERRA, DOS POBRES E DOS MIGRANTES


Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
“As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo actualmente um dos principais desafios para a humanidade. Provavelmente os impactos mais sérios recairão, nas próximas décadas, sobre os países em vias de desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente afetados por fenómenos relacionados com o aquecimento, e os seus meios de subsistência dependem fortemente das reservas naturais e dos chamados serviços do ecossistema como a agricultura, a pesca e os recursos florestais. Não possuem outras disponibilidades económicas nem outros recursos que lhes permitam adaptar-se aos impactos climáticos ou enfrentar situações catastróficas, e gozam de reduzido acesso a serviços sociais e de protecção. Por exemplo, as mudanças climáticas dão origem a migrações de animais e vegetais que nem sempre conseguem adaptar-se; e isto, por sua vez, afecta os recursos produtivos dos mais pobres, que são forçados também a emigrar com grande incerteza quanto ao futuro da sua vida e dos seus filhos. É trágico o aumento de emigrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental, que, não sendo reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais, carregam o peso da sua vida abandonada sem qualquer tutela normativa. Infelizmente, verifica-se uma indiferença geral perante estas tragédias, que estão acontecendo agora mesmo em diferentes partes do mundo. A falta de reacções diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil” (Laudato Si’, nº 25).
Vale a pena citar todo esse número da nova Carta Encíclica do Papa Francisco – Laudato Si’ – centrado sobre as mudanças climáticas e as implicações para os, digamos, “refugiados climáticos”. Estes, apesar de seu “trágico aumento”, não são reconhecidos como tais. Prevalece, como se pode ver, a “indiferença geral”. Forçados a fugir de sua terra natal e ignorados quanto ao seu estado de refugiados, terminam ao mesmo tempo praticmente eliminados da própria face do globo terrestre “nosssa casa comum”, título do documento pontifício. Indesejados e rechaçados, constituem, aos milhares e milhões, os errantes e excluídos de uma “economia que mata e descarta”, insiste o Papa.
Uma das ideias centrais do texto – espécie de fio condutor que percorre suas páginas – é a estreita relação entre “a dívida ecológica”, de um lado, e a “dívida social”, de outro. Na verdade, duas faces da mesma moeda, uma vez que os primeiros a sofrerem pela devastação dos ecossistemas são aqueles que não dispõem de meios para defender-se de inundações, secas e outras catástrofes do gênero. “As agressões ambientais atingem o povo mais pobre”, diz o Pontífice, citando a Conferência Episcopal Boliviana (LS, nº 48). Em outras palavras, a degração do meio ambiente e a degradação do ser humano ocorrem simultaneamente, por isso mesmo não podem ser consideradas desvinculadas uma da outra. Qualquer conjunto de políticas públicas destinadas a sanar as feridas e “sintomas de doença” (LS, nº 2) do planeta terra, deve levar em conta as “feridas sociais” (LS, nº 6) das populações mais afetadas, debilitadas e indefesas.
A questão ecológica vem ganhando “maior consciência” e crescente sensibilidade de movimentos, entidades e organizações não governamentais (LS, nº 19). Insere-se intrisecamente na questão social, por sua vez fio condutor de toda a Doutrina Social da Igreja. Disso resulta uma “intima relação entre os pobres e a fragilidade do planeta” (LS, nº 16). “Hoje – diz literalmente o Papa – “não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (LS, nº 49).
Os migrantes – refugiados climáticos – costumam desmascarar essa estreita ligação entre os danos causados ao meio ambiente e os danos sofridos pelos extratos mais desfavorecidos da população mundial. O grito da terra, dos pobres e dos migrantes é um só e único. Muitos, impossibilitados de autodefesa, são pressionados à fuga em massa. Isto quer dizer que as soluções apontadas pelo documento, insistindo sempre sobre o protagonismo dos envolvidos, não podem deixar de lado os dramas dos migrantes, refugiados, prófugos, fugitivos... número que hoje alcança dezenas de milhões.

Roma, 22 de junho de 2015

Celebração da Semana do Migrante no Brasil


Foi realizada a missa na Catedral da Se de  encerramento da  Semana do Migrante  com o tema Migração e Cidadania  a missa foi Presidida pelo Cardeal de Sào Paulo dom Odilio Scherer na homilia ele comenta  sobre o trabalho com Migrantes a acolhida que da ao inicio a esta caminhada e agradece especialmente a Missão Paz  pelo constante trabalho com o povo migrante os Padres da Missão Paz Antenor DallaVecchia , Alejandro Cifuentes , Luis espinnel e Seminarista Damian Cruz estiveram presentes. 


Dom Odilio ressalta neste dia em que celebramos a vida das pessoas migrantes que buscam realizar seus sonhos , mas que na travessia encontram a violência , que nossa Arquidiocese seja espaço de acolhida e fraternidade para  todos que chegam de outros lugares . Durante a Missa os migrantes entraram com símbolos da caminhada e  pedindo uma politica migratória norteada pelos direitos humanos e  pelos trabalhadores que trabalham na informalidade ,  esta missa foi transmitida pela Radio 9 de Julho.

Guapore – Rio grande do Sul

Não e diferente de muitas cidades gaúchas de receber os migrantes e imigrantes a semana do migrante foi de uma profunda reflexão  com relação a Imigração especialmente vindos da África e Haiti . Em Guaporé encontram uma possibilidade de recomeço , construindo uma vida nova.

Curitiba

A Semana Nacional em Curitiba houve uma extensa programação que incluo com um mutirão de atendimento aos migrantes que chegaram no Paraná, em Curitiba um dos principais fluxos migratórios e de haitianos . Estima-se que cerca de 2,5 mil migrantes do Haiti vivam na capital paranaense e que termino este  domingo com uma confraternização festiva  entre os imigrantes na casa paraguaia de Curitiba.

Balsas -Maranhao

A Semana foi iniciada na comunidade católica do bairro de fatima, para o evento foi convocada uma coletiva de imprensa . Presentes Dom Enemesio Angelo Bispo da Diocese de Balsas  .
A situação da migração hoje e gritante vivemos em uma sociedade globalizada, há muitos muros a serem rompidos para que as pessoas possam circular livremente, a luta e combater a forma de exploração do migrante. A migração não é o problema , o problema é a causa da migração , é esta que precisamos combater, é esta que precisamos encontrar soluções eficientes e eficaz para impedir a migração forçada.


Miguel Ahumada

sábado, 20 de junho de 2015

Dia Mundial do Refugiado e Semana Nacional do Migrante



“Eu te dou coragem, sim, eu te ajudo”
“Não tenhas medo, que eu estou contigo. Não te assustes, que sou o teu Deus. Eu te dou coragem, sim, eu te ajudo.” (Is 41,10)
            São tantos os gritos e as dores: dos que fogem da guerra civil na Síria, de milhares de migrantes e refugiados – de países africanos, do oriente médio e de tantos países - que perderam pessoas queridas tragadas pelas águas do Mar Mediterrâneo, na tentativa de chegar à Europa. Intolerâncias religiosas, étnicas e outras formas de rechaço, discriminação e de vulnerabilidade social expõem milhões de pessoas a condições de extremo sofrimento, de abandono, de morte em alto mar, em desertos, em caminhos à busca de simplesmente de sobrevivência. É fácil fechar os olhos ou adotar uma atitude de indiferença! Algumas vezes dizemos: O que podemos fazer se somos poucos, se não temos poder político ou econômico?
Celebrar o dia dos migrantes e dos refugiados é um desafio diante deste cenário internacional, e mesmo no Brasil, onde crescem resistências aos haitianos, aos senegaleses, aos ganeses, aos congoleses e a tantos outros que continuam a chegar ao nosso País. As dificuldades ou crise econômica e política, às vezes como escusa, levam a questionamentos no que tange ao acolhimento e proteção destas pessoas em mobilidade humana.
Celebrar é dizer não às violências, é romper o silêncio e contribuir para que o grito das vítimas seja ouvido e suas palavras fundamentem políticas de acolhimento, de solução dos conflitos, de reafirmação da dignidade humana acima das fronteiras e dos interesses presentes na globalização da indiferença ou mesmo dos medos infundados de que o outro seja um concorrente ou uma ameaça. Para que este “dizer não às violências” seja verdadeiramente profecia é preciso seguir de perto o que nos propõe o profeta Isaías (41,10):
Ø        Independente de quão grave esteja a situação e os riscos pelos quais estão passando migrantes e refugiados, há sempre uma certeza – o Senhor está conosco e nos diz ‘não tenhas medo’. O medo paralisa e muitas vezes nos impede de ver alternativas, grupos de apoio e solidariedade, mãos amigas e fraternas. Não tenhamos medo!
Ø        É Deus quem nos dá a coragem para persistir quando ‘tudo’ à nossa volta parece nos levar à derrota. Deus se faz presente quando transformamos a boa vontade e nossa fé em ações efetivas de proteção à vida humana, sem preconceitos ou barreiras de qualquer ordem. A ‘AJUDA’ é gesto concreto que viabiliza políticas, articula espaços de acolhimento, gera solidariedade, dinamiza a criatividade na busca de soluções do que for emergencial e do permanente, contribui para a continuidade de tradições e percursos identitários.
Enfim, celebramos por acreditarmos que, juntos, estamos tecendo uma rede de solidariedade cujos fios estão presentes por todo o Brasil nas várias organizações, serviços e pastorais voltadas para o povo em mobilidade humana.  São sinais, formas de presença, ações, exemplos de doação que apontam e nos conduzem ao nosso sonho de uma terra sem males onde todos possamos viver com dignidade, como filhos e filhas de Deus. 

Setor Mobilidade Humana

Quase 14 mil estrangeiros esperam por refúgio e apoio no Brasil


Este sábado (20) é o Dia Mundial do Refugiado. Para marcar a data, crianças de diversas nacionalidades fizeram apelos pela paz mundial e agradeceram a recepção brasileira. O encontro foi nesta sexta-feira (19) no trem do corcovado, zona sul do Rio de Janeiro.

De acordo com o presidente do CONARE, Conselho Nacional para Refugiados do Ministério da Justiça, Beto Vasconcellos, atualmente quase 14 mil pessoas estão no Brasil esperando o pedido de refúgio ser analisado.

O CONARE pretende fazer uma reestruturação para reduzir para seis meses o prazo de análise de pedidos de refúgios. O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Andrés Ramirez, para refugiados diz que nunca antes na humanidade existiram tantos refugiados.


O Brasil atualmente tem 8 mil refugiados de 81 nações diferentes, mas dados da ONU apontam que existem quase 60 milhões de pessoas fora de suas cidades e comunidades por causa de guerras e perseguições.

EBC

sexta-feira, 19 de junho de 2015

MENSAGEM DA PASTORAL DO MIGRANTE - DIA DO MIGRANTE

MENSAGEM DA PASTORAL DO MIGRANTE - DIA DO MIGRANTE
Sociedade e Migração.
Não ao preconceito, por direitos e participação!

Que relações há entre a imigração contemporânea no Brasil e as migrações de cerca de 240 milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive as da costa do mar mediterrâneo em direção a Europa? 
Podemos considerar ao menos três aspectos comuns à imigração no Brasil e no mundo: O primeiro é que muitos imigrantes são fugitivos da pobreza; da vergonhosa desigualdade social; de perseguições políticas, religiosas; preconceitos; de violências contra minorias étnicas; etc. O segundo aspecto tem a ver com as mudanças climáticas aceleradas pelo intenso ritmo de produção e consumo que está levando o planeta ao colapso ecológico e ameaça a vida na Terra; do não acesso à água potável; de catástrofes naturais, como tsunamis, terremotos. E o terceiro aspecto relaciona as migrações às crises econômicas; guerras; grandes obras, grandes eventos; à impunidade de crimes como tráfico de pessoas e trabalho escravo que, de acordo com a ONU (2013), logo atrás do tráfico de drogas e de armas, são o terceiro crime mais praticado no mundo e movimentam cerca de 32 bilhões de dólares por ano, o que os coloca entre as atividades criminosas mais lucrativas da economia globalizada; à escassez de políticas migratórias que viabilizem a promoção do migrante como pessoa de direitos, de saberes que contribuem para o bem estar das comunidades que o acolhem. A maioria dos 240 milhões de migrantes no mundo atual vivencia problemas sociais semelhantes aos vividos por muitos imigrantes que tentam melhorar ou recomeçar suas vidas em terras brasileiras.
motivos reais para alardes sobre uma “invasão de estrangeiros” no Brasil? Segundo o Eurostat Statistic (2015), em 2012 havia 33,3 milhões de imigrantes na Europa, ou 6,6% da população do continente. A Alemanha e a França tinham, respectivamente, cerca de 12% e 11% de imigrantes. Em 2013, os EUA tinham 46 milhões de imigrantes, 15% de sua população. Já os brasileiros que vivem e trabalham em outros países chegam a 2,8 milhões de pessoas. Ora, os imigrantes que vivem e trabalham no Brasil são cerca de 1,8 milhão de pessoas, ou, 1% de nossa população. É falso falar em “invasão de estrangeiros” no Brasil. Isto só estimula o preconceito e a xenofobia. Na verdade, a sociedade brasileira formada por imigrantes pode ou deve buscar compreender a realidade da imigração; discutir e pressionar os governos para implementar políticas migratórias humanitárias, como o direito universal a acolhida.
Para além da xenofobia, preconceito étnico e racial: No final do Séc. XIX e início do Séc. XX, a imigração no Brasil era branca, de origem europeia, voltada para o colonato e o trabalho assalariado. Hoje, como antes, a imigração permanece voltada para o trabalho; a condição social e econômica dos imigrantes de antes e dos de hoje se caracteriza pela vulnerabilidade. Hoje, como antes, eles fogem da pobreza e trazem a esperança de conquistar respeito, dignidade, e, também trazem a capacidade de contribuir, a partir do seu trabalho, da sua cultura, para alcançar melhor padrão de vida para todas as pessoas. O que mudou então para que a xenofobia e o preconceito sejam tão acintosos como vemos nas redes sociais e nas ruas? Mudou a cor da pele e procedência dos imigrantes. Antes eram brancos europeus. Hoje são negros africanos e caribenhos destinados a postos de trabalho de baixa remuneração, como babás, frentistas, caixas de supermercados, açougueiros, ajudantes gerais, faxineiros, etc.
Há que se considerar também a migração interna no Brasil. Apesar de não constar na agenda política, ela é intensa e suas causas não são diferentes daquelas que motivam a imigração internacional. Em geral, os migrantes internos fogem de violências; da pobreza; conflitos agrários; de enchentes devastadoras; da falta de água potável; etc. Se antes as migrações internas eram percebidas através dos fluxos de nordestinos para a Região Sudeste, de sulistas para as respectivas Regiões Norte e Centro Oeste, hoje o mapa das migrações internas mostra fluxos migratórios mais complexos e voláteis entre todas as regiões brasileiras. De acordo com o IBGE (2010), a expansão do agronegócio e das grandes obras contribuiu para diversificar as rotas migratórias e os rostos dos migrantes. Em sua maioria eles são Indígenas, quilombolas, camponeses, ribeirinhos, operários, jovens (moças e rapazes) que buscam trabalho, estudo, tratamento de saúde e trazem esperanças, saberes vitais às nossas necessidades básicas, como alimentação, diversão, estudos, serviços, etc.
Políticas públicas e imigração: a imigração não é um fato isolado, nem exclusivo de um país. Então, como tratá-la de forma articulada e com foco na garantia de direitos? Não há fórmulas prontas e o caminho é sinuoso. Porém, não há dúvida da urgência de políticas de gestão humanitária da imigração, articuladas entre regiões de origem, trânsito e destino dos migrantes. E nesse aspecto o Brasil precisa dar passos concretos e ágeis. Essas políticas devem viabilizar processos justos e acessíveis de documentação, acesso ao trabalho decente, à moradia, à saúde, ao aprendizado da língua, a programas culturais e pedagógicos, como formas de inculturação, prevenção e enfrentamento ao preconceito e à xenofobia.
Ao abordar o tema sociedade e migração, a Pastoral dos Migrantes convida todas as pessoas e instituições a considerar os migrantes como dons e oportunidades de novos caminhos para a humanidade. Eles nos convidam a abrir a mente, as economias, as políticas; a vencer o medo; a enriquecer nossas culturas; estimulam-nos a derrubar fronteiras e revelam-nos que somos filhos e filhas da mesma pachamama (Mãe Terra). Trata-se de respeitar suas visões de mundo, saberes e experiências fundamentais para a construção de outros mundos possíveis. E possíveis porque já existentes nas práticas cotidianas de pessoas e comunidades. Possamos assim recriar uma nova sociedade, na qual a pátria de todos seja o mundo e o idioma seja o amor, que é sempre capaz de fazer novas todas as coisas.

Serviço Pastoral dos Migrantes – SPM- 30 anos rompendo fronteiras com os migrantes!

21 de junho/2015

Força-tarefa visa atender 400 haitianos

Por determinação do prefeito Maguito Vilela, o secretário Adriano Montovani (Trabalho, Emprego e Renda) decidiu, , montar força-tarefa para buscar atender às reivindicações de 400 haitianos que estão instalados em Aparecida de Goiânia. O secretário recebeu uma lista de reivindicações dos estrangeiros. Adriano adianta que as pessoas que estiverem com documentação regular serão encaminhados para o mercado de trabalho e os demais, gradativamente.
Quanto aos haitianos que estiverem com documentação regular serão encaminhados para o trabalho, os demais assim que regularizarem os documentos serão encaminhados. Hoje, o prefeito Maguito Vilela vai reunir secretários para determinar o cumprimento das reivindicações dos haitianos, com a distribuição de cada necessidade para as áreas específicas da prefeitura.
No encontro do secretário Adriano Montovani com os haitianos, participaram, também, o pastor Elieser de Oliveira Alves, superintendente distrital da Igreja Metodista de Goiânia e região metropolitana, missionário Edson Rodrigues Machado, da Igreja Metodista, e Maria Anácia, voluntária da região central.
Os 400 haitianos residem nos setores Central e Expansul e, semanalmente, chegam novas pessoas, entre homens, mulheres e crianças.
Segundo Adriano Montovani, 70% estão colocados no mercado de trabalho, nas áreas de serviços gerais e limpeza. A língua falada por eles é o Crioulo, sendo que nem todos possuem documentação necessária para a legalização no País. O secretário diz que os estrangeiros encontram dificuldades, em sua maioria, por não falarem o português.
Reivindicações
Os haitianos encaminharam à Prefeitura de Aparecida de Goiânia a seguinte pauta de reivindicações: aulas de Língua Portuguesa, qualificação profissional, cadastros no programas sociais dos governos municipal e federal, inclusão nos programas de orientação e planejamento familiar, assessoria para convalidar diplomas de cursos superiores concluídos no Haiti, atendimento diferenciado, devido às dificuldades com a Língua Portuguesa, pois em sua maioria falam somente crioulo, francês e alguns espanhol, local específico para atendimento de Saúde, inclusão em programas de esportes, criação de uma classe de educação de jovens e adultos no período noturno na escola do bairro e creches para as crianças. A comunidade de haitianos necessita de doações como: roupas, calçados, cobertores, móveis, utensílios domésticos e fraldas descartáveis.


Diario da Manha

Relatório do ACNUR revela 60 milhões de deslocados no mundo por causa de guerras e conflitos

Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) divulgado hoje mostra que o deslocamento global provocado por guerras, conflitos e perseguições atingiu um nível recorde e está acelerando rapidamente.
A nova edição do relatórioTendências Globais (ou Global Trends) revela um claro crescimento no número de pessoas forçadas a deixar suas casas. Ao final de 2014, este número atingiu o nível recorde de 59,5 milhões de pessoas, comparado com os 51,2 milhões registrados no final de 2013 e os 37,5 milhões verificados há uma década. O crescimento desde 2013 (8,3 milhões de pessoas) é o maior já registrado em um único ano.
Esta tendência de crescimento tem sido principalmente verificada desde 2011, quando se iniciou a guerra na Síria – e que se transformou no maior evento individual causador de deslocamento no mundo. Em 2014, uma média de 42,5 mil pessoas por dia se tornaram refugiadas, solicitantes de refúgio ou deslocadas internos – um crescimento quadruplicado em apenas quatro anos. Em todo o mundo, 01 em cada 122 indivíduos é atualmente refugiado, deslocado interno ou solicitante de refúgio. Se fossem a população de um país, representariam a 24º nação mais populosa do planeta.
“Estamos testemunhando uma mudança de paradigma, entrando em uma nova era na qual a escala do deslocamento global e a resposta necessária a este fenômeno é claramente superior a tudo que já aconteceu até agora”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “É aterrorizante verificar que, de um lado, há mais e mais impunidade para os conflitos que se iniciam, e, por outro, há uma absoluta inabilidade da comunidade internacional em trabalhar junto para encerrar as guerras e construir uma paz perseverante”, afirmou o Alto Comissário.

O relatório do ACNUR mostra que as populações refugiadas e de deslocados internos cresceram em todas as regiões do mundo. Nos últimos cinco anos, pelo menos 15 conflitos se iniciaram ou foram retomados: oito na África (Costa do Marfim, República Centro Africana, Líbia, Mali, nordeste da Nigéria, República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Burundi, neste ano); três no Oriente Médio (Síria, Iraque e Iêmen); um na Europa (Ucrânia); e três na Ásia (Quirguistão e em diferentes áreas de Mianmar e Paquistão).
Poucas dessas crises foram solucionadas e muitas ainda geram novos deslocamentos. Em 2014, apenas 126,8 mil refugiados conseguiram retornar para seus países de origem – o menor número em 31 anos.
Enquanto isso, conflitos longevos no Afeganistão, Somália e outros lugares fazem com que milhões de pessoas originárias destas regiões permaneçam em movimento, à margem da sociedade ou vivendo a incerteza de continuarem como refugiadas ou deslocadas internas por muitos anos. Entre as mais recentes e visíveis consequências dos conflitos globais está o dramático crescimento de refugiados que, em busca de proteção, realizam jornadas marítimas perigosas no Mediterrâneo, no Golfo de Áden, no Mar Vermelho e no Sudeste da Ásia.
Crianças são a metade – O relatório Tendências Globais mostra que 13,9 milhões de pessoas se somaram ao número de novos deslocados, apenas em 2014 – quatro vezes mais que em 2010. Em todo o mundo, foram contabilizados 19,5 milhões de refugiados (acima dos 16,7 milhões de 2013), 38,2 milhões de deslocados dentro de seus próprios países (contra 33,3 milhões em 2013) e 1,8 milhão de solicitantes de refúgio (em comparação com 1,2 milhão em 2013). Um dado alarmante: metade dos refugiados no mundo é formada por jovens e crianças de até 18 anos de idade.
 “Com enorme falta de financiamento e grandes falhas no regime global de proteção das vítimas de guerras, as pessoas com necessidade de compaixão, ajuda e refúgio estão sendo abandonadas”, afirmou Guterres. “Para uma época de deslocamento massivo sem precedentes, necessitamos de uma resposta humanitária também sem precedentes, e um compromisso global renovado de tolerância e proteção para as pessoas que fogem de conflitos e perseguições”, disse o Alto Comissário.

Atualmente, a Síria tem a maior população de deslocados internos (7,6 milhões) e também é o principal país de origem de refugiados (3,88 milhões, ao final de 2014) no mundo. O Afeganistão e a Somália vêm em seguida, sendo os países de origem de 2,59 milhões e 1,1 milhão de refugiados – respectivamente.
Mesmo com este claro crescimento nos números, a presença dos refugiados segue distante das nações mais ricas e próxima dos países mais pobres. De acordo com o relatório, 86% dos refugiados estão em regiões ou países considerados economicamente menos desenvolvidos. Um quarto de todos os refugiados está em países que integram a lista da ONU de nações menos desenvolvidas.
Europa (crescimento de 51%)
O conflito na Ucrânia, o recorde de travessias no Mediterrâneo (219 mil pessoas) e o grande número de refugiados sírios na Turquia (que em 2014 se tornou o país que acolhe a maior população de refugiados no mundo, com 1,59 milhão de sírios) chamaram a atenção do público para o tema do refúgio, tanto positiva quanto negativamente. Na União Europeia, a maioria das solicitações de refúgio foi feita na Alemanha e na Suécia. Em geral, o deslocamento forçado na Europa totalizou 6,7 milhões de pessoas no final do ano, comparado com os 4,4 milhões registrados ao final de 2013. Quase 25% desta população são de refugiados sírios na Turquia.
Oriente Médio e Norte da África (crescimento de 19%)
O sofrimento massivo causado pela guerra na Síria, com 7,6 milhões de deslocados internos e 3,88 milhões de refugiados nos países vizinhos, tornou o Oriente Médio a principal região de origem e recebimento de populações deslocadas por conflitos e perseguições. Além dos deslocamentos causados pela Síria estão pelo menos 2,6 milhões de novos deslocados no Iraque – onde 3,6 milhões de pessoas eram consideradas deslocadas internas ao final de 2014. Outro número relevante são os 309 mil novos deslocamentos registrados na Líbia.
África Subsaariana (crescimento de 17%, excluindo a Nigéria)
Geralmente esquecidos, os numerosos conflitos na África – incluindo República Centro Africana, Sudão do Sul, Somália, Nigéria e República Democrática do Congo – produziram juntos um deslocamento enorme forçado em 2014, numa escala ligeiramente menor que no Oriente Médio. No total, a África Subsaariana totalizou 3,7 milhões de refugiados e 11,4 milhões de deslocados internos – 4,5 milhões dos quais ocorridos em 2014.  O crescimento médio de 17% exclui a Nigéria, onde ocorreram mudanças metodológicas no cálculo do deslocamento interno em 2014. A Etiópia substituiu o Quênia como principal país de destino de refugiados na região, e é agora o quinto maior no mundo.
Ásia (crescimento de 31%)
Geralmente um das principais regiões do mundo em termos de deslocamento forçado, a Ásia registrou um crescimento de 31% nestas populações em 2014 – chegando a 09 milhões de pessoas. Afeganistão, que anteriormente era o principal país de origem de refugiados no mundo, cedeu esta posição para a Síria. Deslocamentos contínuos foram registrados em Mianmar em 2014, inclusive a minoria Rohingya do Estado de Rakhine Ocidental e nas regiões de Kachin e Shan. Irã e Paquistão permanecem sendo dois dos quatro maiores países de recepção de refugiados.
Américas (crescimento de 12%)
A região das Américas observou um crescimento no deslocamento forçado, embora tenha havido uma redução de 36,6 mil na população de refugiados colombianos durante o ano (estimada em 360,3 mil pessoas), principalmente por causa de revisões estatísticas na Venezuela. Entretanto, a Colômbia continua abrigando uma das maiores populações de deslocados internos no mundo, com cerca de 06 milhões de pessoas nesta situação reportadas até o final de 2014 e com 137 mil colombianos sendo deslocados durante o ano passado. Devido à violência de gangues urbanas e outras formas de perseguição na América Central, os Estados Unidos receberam, em 2014, 36,8 mil pedidos de refúgio a mais do que o registrado em 2013 – um crescimento de 44%.
A versão completa do relatório Tendências Globais (Global Trends) com estas informações detalhadas, inclusive dados específicos por países – incluindo estatísticas de menores desacompanhados e retornados a seus países de origem – e estimativas da população apátrida, está disponível emwww.unhcr.org/2014trends.
Por: ACNUR


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Rio tem imigrantes estrangeiros com alta qualificação


Dos 76,7 mil estrangeiros que viviam no Estado do Rio de Janeiro, em 2010, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em torno de 70% ou 53,7 mil imigrantes moravam na capital. Desses, 40%, ou cerca de 21,5 mil, tinham alto nível de instrução e cargos bem-remunerados, em níveis de gerência e diretoria. Em contrapartida, 39% não tinham sequer instrução fundamental e 21% declararam ter nível intermediário.

Esse é o perfil dos estrangeiros residentes na capital fluminense, de acordo com pesquisa da Pastoral do Migrante e Rede de Migração Rio, baseada nos três últimos censos decenais. Em 2010, 29,2 mil estrangeiros com mais de dez anos de idade trabalhavam (27% na área de ciências; 20% nos setores de serviços, comércio e mercados; 15% disseram ser gerentes ou diretores de empresas; e os demais exerciam ocupações elementares.

O coordenador da pesquisa, demógrafo Tadeu Oliveira, explicou que, nas três décadas analisadas, foi constatada presença crescente de pessoas vindas dos Estados Unidos e de países europeus, indicando uma imigração qualificada para o estado: “Não se trata mais daquele trabalhador que vinha para a agricultura ou para a indústria. É uma mão-de-obra qualificada que está vindo da Europa. Também vemos um fluxo muito importante da América do Sul, da África e até da China", salientou.

Monitor Digital

Papa critica países que fecham as portas para imigrantes

O papa Francisco pediu nesta quarta-feira respeito aos imigrantes e sugeriu que "pessoas e instituições" que fecham as portas para eles devem buscar o perdão de Deus.
O apelo do papa, feito no final de sua audiência-geral semanal, aconteceu num momento de crescente debate na Europa sobre como lidar com a crise de imigrantes, que inclui confrontos na fronteira franco-italiana entre a polícia e imigrantes.
"Convido todos vocês a pedir perdão para as pessoas e instituições que fecham as portas para essas pessoas que estão buscando uma família, que estão buscando ser protegidas", disse o papa em declarações de improviso, feitas com voz séria.
França e Áustria reforçaram o controle de fronteira para os imigrantes que chegam da Itália, recusando centenas de pessoas e deixando um grande número de imigrantes acampados em estações de trem em Roma e Milão.
Em um sinal da discordância sobre como lidar com a crise, o premiê italiano, Matteo Renzi, ameaçou retaliar se outros países da UE não aceitarem receber sua parcela dos refugiados que chegam ao bloco pelo litoral italiano.

O papa pediu orações para que a "dignidade humana seja sempre respeitada" e fez um apelo à comunidade internacional para "trabalhar junta e de forma eficiente para prevenir as causas da imigração forçada".
Reuters

terça-feira, 16 de junho de 2015

Diversos eventos celebram Dia Mundial do Refugiado no Rio de Janeiro e em São Paulo

Nesta sexta-feira (19), no Rio de Janeiro, dezenas de refugiados participam de evento no Cristo Redentor. No sábado (20), em São Paulo, será lançada a 2ª Copa dos Refugiados.

No momento em que o Brasil registra um número recorde de estrangeiros que chegam ao país fugindo de guerras e perseguições, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros organizam, entre 15 e 20 de junho, diversos eventos para marcar o Dia Mundial do Refugiado, celebrado neste sábado (20).


Nesta terça-feira (16), o ACNUR participa em Brasília do 1º Seminário Interinstitucional para Refugiados e Ajuda Humanitária, promovido pela Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (ANAJURE) e a Frente Parlamentar Mista para Refugiados e Ajuda Humanitária (FPMRAH). O evento acontece a partir das 11h, no plenário 13 da Câmara dos Deputados, em Brasília. Além do ACNUR, participam representantes do CONARE, do Ministério das Relações Exteriores, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e da ONG Médicos Sem Fronteiras. 

Nesta sexta-feira (19), no Rio de Janeiro, a partir das 16h30, dezenas de refugiados participarão, no Cristo Redentor, de uma cerimônia com a presença do coro infantil Coração Jolie – formado por crianças refugiadas que vivem no Brasil. Ao final da cerimônia, que contará com representantes do ACNUR, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, da Caritas Arquidiocesana, do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) e da organização não governamental IKMR – além de artistas e músicos, o Cristo Redentor será iluminado com a cor azul característica das Nações Unidas e do ACNUR.

No sábado (20), em São Paulo, acontece o lançamento da 2ª Copa dos Refugiados, em uma cerimônia no SESC Interlagos (Av. Manuel Alves Soares, 1100 – Parque Colonial) com mais de 100 refugiados de diferentes países – além de representantes do ACNUR, da Caritas Arquidiocesana de São Paulo e autoridades dos governos estadual e municipal. Nesta ocasião, serão sorteados os grupos que disputarão a Copa (em agosto) e acontecerá uma partida amistosa entre Nigéria e Camarões (as equipes campeã e vice-campeã do torneio de futebol disputado em 2014) – além da apresentação, ao vivo, da música do videoclipe “Refugees in Brazil” (ou “Refugiados no Brasil”), elaborado e produzido por refugiados que vivem em São Paulo.

Em todo o mundo, o Dia Mundial do Refugiado é uma oportunidade para celebrar a força, a coragem e a resistência das pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países por causa de guerras, perseguições e violações generalizadas de direitos humanos. Segundo o relatório do ACNUR “Tendências Globais”, que será lançado nesta quinta-feira (18), o deslocamento forçado devido a conflitos atingiu níveis recordes no mundo e está acelerando rapidamente.

O Brasil se insere neste contexto e registra também um número recorde de refugiados reconhecidos e de solicitantes de refúgio. Segundo dados do CONARE, o país abriga cerca de 8 mil refugiados de 81 nações diferentes, além de ter recebido 12 mil solicitações de refúgio durante o ano de 2014.

Outros eventos – Além dos eventos no Cristo Redentor e no SESC Interlagos, o ACNUR e seus parceiros realizam outras atividades para marcar o Dia Mundial do Refugiado no Brasil.
Por fim, a partir das 9h da manhã da quinta-feira , também no Rio de Janeiro, estudantes da Escola Municipal Friedenreich (Avenida Maracanã, 782) irão colorir 400 bonecas de pano cedidas pela empresa Com Lola, que serão posteriormente doadas para crianças refugiadas sírias que vivem na Jordânia e também para crianças refugiadas que vivem no Brasil. Esta atividade é parte da campanha “A Volta ao Mundo em uma Mochila”, executada pelo ACNUR em diversos países das Américas para sensibilizar o público sobre o impacto do deslocamento causado por conflitos e violações de direitos humanos na vida de milhões de meninas e meninos.

Acnur

Corpos de migrantes mortos de sede são encontrados no Saara, diz OIM

18 mortos se perderam em tempestade de areia quando iam à Argélia.
Estima-se em 100 mil nº de migrantes que cruzaram o Saara este ano.

Os corpos de 18 migrantes da África subsaariana, mortos de sede e exaustão, foram encontrados no deserto no Níger, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta segunda-feira (15).
Os mortos, 17 homens e uma mulher, se perderam em uma tempestade de areia depois de partir de Arlit em direção à Argélia.
"Eles morreram depois de terem se perdido (...) o calor e a falta de água fizeram o resto", declarou o representante no Níger desta organização independente com sede em Genebra.
Esses migrantes vieram do Níger, Mali, Senegal, República Centro-Africana, Libéria, Guiné e Argélia.
A OIM acredita que o grupo morreu em 3 de junho e seus corpos foram encontrados uma semana depois.
Para os migrantes, o deserto do "Saara pode ser tão mortal quanto o Mediterrâneo, mas muitas mortes são desconhecidas. Não há nenhuma operação em andamento no Saara", disse o diretor-geral da OIM, William Lacy.
A organização estima em 100 mil o número de migrantes que cruzaram o Saara este ano. Centenas deles podem ter morrido.
Entre janeiro e o final de maio, cerca de 100 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo para chegar à Europa, dos quais 1.865 morreram afogados, de acordo com a OIM.


Efe