
Bolsonaro e Ernesto: decisão foi anunciada nesta segunda-feira (Valter Campanato/Agência Brasil)
A decisão do futuro governo Bolsonaro de se afastar do
Pacto Global de Migração da ONU tende a afetar mais os três milhões de
brasileiros que moram no exterior do que aqueles que pedem refúgio no Brasil.
Essa é a avaliação de organizações que defendem os direitos
de refugiados e imigrantes.
Para Marcelo Haydu, diretor do Instituto Adus,
organização que reintegra refugiados no Brasil, os brasileiros que moram em
outros países podem sofrer retaliações e exclusões.
“Os brasileiros que moram fora, independente do motivo,
podem se prejudicar. Quando o Brasil se isenta de ser acolhedor com imigrantes,
outras nações devem colocar barreiras e empecilhos”, afirmou.
Segundo o especialista, o Brasil tem cerca de três
milhões de pessoas vivendo em outras nações, enquanto aqui há apenas 1 milhão
de emigrantes.
Camila Asano, coordenadora de programas da ONG Conectas,
afirma que a decisão tomada pelo futuro governo é um contrassenso, já que o
Brasil aprovou recentemente a Lei de Migração, que representou um grande avanço
para o tema.
“Agora, com o indicativo de saída do pacto,
retrocederemos à lógica de olhar para o migrante sob uma óptica de segurança
nacional, na qual o migrante é visto como ameaça e não alguém com condições
para contribuir com a sociedade”, diz.
A especialista também refuta que os brasileiros no exterior
serão atingidos pela medida.
“Se pegarmos como exemplo os países que já anunciaram sua
retirada do pacto, esses conterrâneos serão impactados no exterior de forma
análoga ao impacto sobre um migrante que vive no Brasil. No caso, há países que
têm uma postura muito mais restritiva que o Brasil e isso poderá impactar
seriamente os brasileiros que vivem no exterior”, completa.
Paal Nesse, do Conselho Norueguês de Refugiados, lamentou
a decisão de governos de deixar o esforço e disse não haver indicações de que o
acordo mine a soberania de um país.
“O pacto prevê um espaço suficiente para que cada governo
possa ter sua política”, indicou o representante de uma das maiores entidades
que lidam com refugiados e migrantes. “Não há nada que indique a soberania
seria abandonada ou perdida.”
Para ele, a decisão de governos de se distanciar do pacto
“enfraquece o momento político e mina os esforços internacionais para ter a
migração organizada de forma mais ordenada”.
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Nesta segunda-feira (10), o futuro chanceler brasileiro,
Ernesto Araújo, divulgou em seu Twitter que, a partir de janeiro, o país
deixará o Pacto Global de Migração, assinado no mesmo dia, em Marraquexe, por
mais de 160 nações — inclusive o Brasil.
“O governo Bolsonaro se desligará do Pacto Global de
Migração que está sendo lançado em Marrakech, um instrumento inadequado para
lidar com o problema”, escreveu Araújo, acrescentando que a “imigração é
bem-vinda, mas não deve ser indiscriminada”.
Exame
www.miguelimigrante.blogspot.com
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