segunda-feira, 26 de março de 2012

Mercado de trabalho vê vantagens em nova migração de portugueses qualificados


O mercado laboral do Brasil vê vantagens na nova vaga de emigração de portugueses, com boas qualificações, e, apesar de as autorizações de trabalho em 2011 não ultrapassarem as 1600, o número foi o dobro face ao ano anterior.

Ao todo, foram concedidas 1.599 autorizações no ano passado (1.292 provisórias e 307 permanentes), face a 798 em 2010, que já havia sido o ano de maior emissão deste documento para portugueses, atraídos cenário de crescimento económico no Brasil, oposto ao cenário que se vive em Porttugal.

Segundo a Câmara Portuguesa Comércio no Brasil, os portugueses recém-chegados ao Brasil têm um padrão comum: são licenciados, têm entre 25 e 40 anos, e trabalham em áreas como arquitetura, engenharia, tecnologia, administração, gestão e gastronomia, além dos estudantes de programas de mestrado.

A principal vantagem destes novos emigrantes é a formação. "Os europeus no geral que migram para o Brasil por conta da crise económica têm mais estudo e conhecimento técnico e profissional do que os brasileiros, e, por isso, conseguem colocar-se no mercado de trabalho".

Por outro lado, setores industriais em crescimento abriram muitas vagas técnicas, que requerem menos qualificações, afirma Márcio Guerra, gerente-executivo adjunto de estudos e prospetiva do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

"Muitas vezes, os migrantes têm qualificação melhor do que a vaga requer. Mas, dependendo da situação em que se encontram seus países, o salário pode valer a pena", diz.

Os setores da indústria mais promissores para novos trabalhadores sem qualificação específica são os vocacionados para consumo, construção civil, alimentação, confeção e automóvel, diz Guerra.

Já os trabalhadores com mais estudos, afirma o gerente do SENAI, serão mais necessários no setor do petróleo e nos estados do Norte e Nordeste do país, que possuem menos mão de obra qualificada disponível e vão receber mais investimentos nos próximos anos.

O aumento da emigração de portugueses, e de europeus em geral, no mercado brasileiro também foi notada por movimentos sindicais do país. Não há, entretanto, medo de uma competição predatória.

"No Brasil, fala-se de uma grande carência de engenheiros. Se vierem 50, 100 ou 200 profissionais liberais portugueses, não vão atender à demanda, nem causar transtorno no mercado", diz Francisco Antonio Feijó, Presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais.

Segundo Feijó, entretanto, pode ser negativo se o Brasil deixar de qualificar a sua mão de obra técnica para importá-la de fora. Já João Antônio Felício, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) realça que a presença de estrangeiros pode enriquecer a formação do brasileiro.

"Brasil sempre mandou trabalhadores para fora, que depois trouxeram conhecimento ao Brasil. Agora são os europeus que chegam com a nova informação para a troca de experiências", afirma Felício.

Lusa

sábado, 24 de março de 2012

Doce millones de indocumentados viven en EEUU


Melissa sabe que, por mucho que estudie, nunca podrá, al menos de momento, optar por un trabajo. No por falta de vocación o estudios sino porque no tiene papeles. Como Melissa doce millones de indocumentados viven en Estados Unidos, algunos desde hace décadas, al margen del sistema, a su sombra, sin poder regularizar su situación porque Washington no ha sabido resolver el explosivo (más aun en año electoral) tema de la inmigración ilegal.

Melissa (prefiere no dar su apellido) habla y se expresa como una estadounidense. No le queda rastro del acento de la Colombia natal que abandonó cuando tan sólo tenía ocho años, para instalarse con su madre en Nueva York. Ahora tiene diecinueve y, pese a todos los obstáculos, ha conseguido matricularse en la Universidad para prepararse a lo que le gustaría ser: asistente social.

Pero sin papeles, no tiene futuro. Pese al miedo de su madre, Melissa ha decidido romper el silencio de los que malviven en situación irregular, y unirse al Consejo de la Juventud de Nueva York (New York State Youth Leadership Council) una organización estudiantil que milita a favor de los derechos de los ilegales. En un edificio destartalado del Soho, la asociación comparte piso con otras organizaciones en contra de una causa (la guerra, la discriminación) o a favor (de la revolución global, de los profesores de la causa socialista).

Los indocumentados viven en apariencia vidas normales. La madre de Melissa es empleada del hogar, Melissa es “mesera”, camarera, en un restaurante local. En Estados Unidos los ilegales pueden estudiar, porque las escuelas y las facultades no piden papeles de residencia, los niños tienen incluso seguro médico (hasta los 18 años) pero no pueden conseguir el carné de conducir, indispensable en un país donde no existe otra forma de documentación (no hay DNI). Melissa vive con su pasaporte colombiano, que el consulado le renueva sin problemas, pero no puede salir del país. Promesas incumplidas

Y no puede optar a becas: sólo 5 a 10% de los 4.500 jóvenes indocumentados que terminan sus estudios secundarios en Nueva York no acceden a la universidad. Por eso el Consejo Estudiantil ha hecho del Dream Act su principal reivindicación.

El Dream Act es una de las promesas incumplidas del Congreso estadounidense. La iniciativa (acrónimo por Development, Relief and Education for Alien Minors) lleva más de diez años en la agenda legislativa. El gobierno de Barack Obama tiró la toalla en 2010, incumpliendo así una de las grandes promesas del presidente hacia el electorado latino que le votó en 2008. La ley ofrece a los hijos de indocumentados que llegaron a Estados Unidos siendo niños y que a todos los efectos se comportan, piensan, viven y hablan como estadounidenses, un camino hacia la regularización, ingresando en el ejército o haciendo estudios superiores, con la ayuda de becas.

Ante la parálisis de Washington, en este y en muchos otros temas, los estados han decidido tomar la iniciativa. Texas, Nuevo México y California han adoptado sus propios Dream Acts, mucho más restrictivos, y Nueva York está en ello. Estas legislaciones no ofrecen realmente un camino hacia la legalización pero sí permiten a los ilegales tener acceso a becas para seguir sus estudios. No contemplan sin embargo el hecho de que, sin papeles, ninguno de estos estudiantes podrá optar a los puestos a los que teóricamente se están formando.

Hace dos semanas el Consejo organizó una marcha en Albany (capital de Nueva York) para tratar de convencer a los legisladores locales. Los demócratas están en gran parte a favor, pero los republicanos, mayoría en el Senado estatal, se oponen. A nivel nacional, la inmigración ha sido uno de los temas más conflictivos en los debates de las primarias conservadoras. La solución para los candidatos republicanos es más: más vallas, más control, más medidas de seguridad en la frontera o la “deportación voluntaria” mencionada por Mitt Romney.

Melissa estaba en el Congreso en octubre de 2010 cuando el Dream Act se quedó sin los cinco votos necesarios para su aprobación. “El debate fue muy duro. Tuve que quedarme callada mientras decían que nuestros padres eran criminales y que la única forma de resolver el problema migratorio era cerrar la frontera, fue una experiencia muy frustrante”.

En Nueva York no quedan tantos votos por conquistar, unos 25 en la Cámara Baja, otra treintena en la Alta, calcula Vishal Mistry, coordinador legislativo del Consejo estudiantil. Espera que para el verano las cosas se hayan decantado a su favor. “Que lo apruebe Nueva York mandaría un mensaje muy simbólico al resto del país”, dice Mistry.

El alcalde de Nueva York, Michael Bloomberg respalda el Dream Act. El gobernador del estado, Andrew Cuomo, no se ha pronunciado. Obama ha sido una decepción, reconoce Melissa, pero “está solo frente al Congreso y no puede luchar contra todos”, de todas formas con los políticos “hay que mantener las distancias”.

Publico

Ciganos: Alta comissária para a Imigração destaca papel da Igreja na criação de novos caminhos de integração


A alta comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural em Portugal destacou hoje o papel da Igreja no “processo de socialização” e na criação de novos caminhos para as comunidades ciganas

Rosário Farmhouse enviou uma mensagem aos participantes no encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos, reunido em Fátima até domingo.

“Numa altura em que o mundo está a ser abalado por conflitos, desigualdades gritantes e incompreensões, este será um momento apaziguador e de reflexão profunda sobre os que nos rodeiam e que merecem a nossa solidariedade e respeito”, refere o documento enviado à Agência Ecclesia.

A responsável manifestou o seu “apreço por esta iniciativa que promove não só a união espiritual, como congrega homens e mulheres vindos de vários locais e com diversas origens, movidos por um objetivo comum”.

“A realização deste encontro em Fátima, solo sagrado, e a mobilização de todos numa oração universal, na Capelinha das Aparições, trará seguramente consigo o renovar da esperança num futuro mais promissor para todos e reforçará a capacidade de compaixão que nos aproxima dos que mais precisam de nós”, assinala a alta comissária, comentando o gesto que marcou o início da iniciativa, no Santuário católico.

Segundo Rosário Farmhouse, este encontro, “cuja partilha com ciganos tão diversos, mas tão semelhantes nos seus anseios, nas suas fragilidades e forças, trará um enriquecimento e uma nova luz para a construção de uma sociedade mais justa e solidária”.

O Comité Católico Internacional para os Ciganos vai juntar no Santuário mariano diversos representantes europeus, com a presença do presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga; do bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto; e do diretor da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, frei Francisco Sales.

A iniciativa tem o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e durante os trabalhos vai ser lida uma mensagem do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes (CPPMI), organismo da Santa Sé.

Entre as principais matérias que irão ser abordadas, destaque para o papel dos cristãos 'frente a uma sociedade cada vez mais estruturada, mas que cria marginalidade', matéria que vai ser abordada pelo economista João César das Neves.

O Comité Católico Internacional para os Ciganos, com sede na Bélgica, foi criado em 1976 para promover o debate entre as comunidades ciganas e atender às suas necessidades humanas e espirituais.

Desde o seu início, aquele organismo, atualmente com cerca de 50 elementos vindos de 14 países, trabalha em proximidade com a Igreja Católica, especialmente através do CPPMI e das capelanias nacionais ligadas aos ciganos e migrantes.

O encontro de Fátima vai concluir-se com uma missa presidida por D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Governo aperta regras para entrada de estrangeiros em Portugal



“Criminalização da contratação de imigração ilegal” e o “reforço ao combate aos casamentos de conveniência” são duas das várias medidas aprovadas.
O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que "altera o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.
A proposta de alteração introduz "melhorias significativas na nova legislação" assegura o Executivo, que destaca entre outras coisas a "criminalização da contratação de imigração ilegal" e o "reforço ao combate aos casamentos e uniões de facto de conveniência".
A criação de um novo tipo de autorização de residência denominado ‘Cartão Azul UE', a "clarificação da figura do emigrante empreendedor, facilitando os projectos de investimento em Portugal" e de um "instituto do reagrupamento familiar" são outras das medidas que constam desta proposta aprovada hoje em Conselho de Ministros.

Tráfico humano se agrava, diz organização para migração



Uma das atividades de crime organizado que mais aumentam em todo o mundo, o tráfico humano fez, em 2010, mais de 12 milhões de vítimas, submetidas a trabalhos forçados e prostituição compulsória, entre outros. Relatórios da Organização Internacional para Migração (OIM) apontam que mais da metade das vítimas do tráfico humano internacional vêm do Sudeste Asiático e do Leste do continente. Metade das vítimas desta atividade criminosa é de crianças e os lucros obtidos com a mesma giram em torno de 25 bilhões de euros por ano, sendo superados apenas pelo tráfico de drogas no ranking do crime.

Apesar disso, poucos fazem ideia do que ocorre de fato com os envolvidos. "A falta de consciência sobre o assunto é um dos maiores obstáculos no combate ao tráfico humano", escreve a Crônica ONU, revista mensal das Nações Unidas. Do ponto de vista jurídico, o tráfico humano é o termo usado para designar toda forma de propaganda, transporte e alojamento de pessoas, visando explorá-las.

As vítimas servem de força de trabalho não ou mal remunerada, trabalhando como prostitutas, soldados infantis, empregadas domésticas, ou sendo submetidas a casamentos forçados ou à retirada de órgãos de seus corpos.

Promessas de um futuro ameno
E por que essas vítimas caem voluntariamente nas mãos dos criminosos? Por que elas pagam somas horrendas a seus futuros carrascos? Segundo o Artip, um projeto comunitário de combate ao tráfico humano em diversos países do Sudeste Asiático, as principais razões são a pobreza e a desigualdade social.

Ou seja, o tráfico humano transpõe quase sempre as pessoas de países mais pobres para os mais ricos. A Tailândia é um bom exemplo, ao ser ao mesmo tempo alvo e exportador de vítimas do tráfico humano: os tailandeses são levados normalmente para a Austrália, a Europa, o Japão e os Estados Unidos. Na Tailândia, por outro lado, pessoas da Birmânia, do Camboja e de Laos costumam ser exploradas.

Uma pesquisa realizada pela Iniciativa Global contra o Tráfico Humano, com participação das Nações Unidas, verificou que as vítimas geralmente têm uma formação escolar básica. Os criminosos abusam então das esperanças destas pessoas com promessas de um futuro melhor para elas e seus filhos em regiões do planeta onde as condições econômicas são melhores. Eles descrevem um futuro cor-de-rosa às suas vítimas.

O tráfico humano se autogere
Além da pobreza, a discriminação de gênero é outra razão para o tráfico humano. Em muitas sociedades, as mulheres são menos valorizadas que os homens, obtendo uma formação escolar pior, além de salários mais baixos e desvantagens até mesmo estabelecidas por lei. As mulheres são também com frequência vítimas de abusos e violência. Elas deixam seus países de origem com a esperança de escapar de condições de vida miseráveis.

No entanto, também há homens entre as vítimas dos padrões de gênero. O relato da migração global da IOM registra um crescimento do tráfico de homens e jovens. O contingente masculino perfaz 20% das vítimas deste tipo de crime.

Em muitas sociedades, a subsistência da família é uma tarefa a ser assumida pelos homens. Quando eles têm dificuldades para dar conta disso, ou porque estão desempregados ou porque seus trabalhos são mal pagos, eles costumam acabar nas mãos dos criminosos, na esperança de poderem dar apoio a suas famílias.

Outros fatores que favorecem o tráfico humano são a violência e conflitos, como a guerra civil na Birmânia, a impossibilidade de migração legal ou a falta de redes sociais. O mais absurdo da situação é que o tráfico humano acaba se autofortalecendo. A organização Artip explica essa dinâmica através de dois exemplos: quando um pescador e agricultor na Tailândia escraviza crianças birmanesas, ele tem vantagens sobre seus concorrentes.

Ou seja, estes também se veem obrigados a recrutar pessoas e submetê-las ao trabalho forçado. Efeitos semelhantes acontecem também no meio da prostituição. Quando um lugar se torna conhecido pela prostituição infantil, aparecem mais clientes. E a "demanda" por crianças nesta atividade criminosa aumenta.

Reintegração na sociedade
Quando retornam a seus países de origem depois de anos de exploração, muitas dessas pessoas continuam sofrendo em consequência do trabalho forçado. Muitos ficam acabam em um estado miserável, em função de uma alimentação deficiente e do esgotamento físico e mental. O abuso de drogas é também comum. Muitas mulheres forçadas a se prostituírem sofrem graves traumas, e são, em muitas sociedades, além de tudo estigmatizadas.

Tanto as Nações Unidas quanto os governos dos países envolvidos com o problema já reconheceram a gravidade da situação. As autoridades sanitárias norte-americanas divulgaram um guia de conduta com relação às vítimas do tráfico humano. No entanto, principalmente nos países assolados pelo problema, sobretudo em diversas regiões da África, faltam recursos financeiros para tal ajuda.

Convenções contra o tráfico humano
O combate ao tráfico humano consta, há anos, da agenda das Nações Unidas. Já em 1949, foi criada uma Convenção contra o Tráfico de Mulheres. Em 2000, o chamado Protocolo do Tráfico Humano ou Protocolo de Palermo foi aprovado, priorizando o combate ao tráfico humano internacionalmente organizado.

Os resultados dessas persecuções penais são, contudo, mínimos. O último relatório de tráfico humano da Secretaria de Estado norte-americana registrou no ano de 2010 um total de 6017 processos em todo o mundo, com 3619 condenações. Um número extremamente baixo, tendo em vista as mais de 12 milhões de vítimas do problema.

Terra

quinta-feira, 22 de março de 2012

Duas verdades contraditórias



O que está em jogo nas eleições na França? A pergunta é mais urgente após a guinada do presidente Nicolas Sarkozy para a extrema-direita xenófoba para ganhar votos da Marine Le Pen, filha do ex-candidato Jean-Marie Le Pen, que representa o mais perto do fascismo que a França pós-Vichy pode chegar, com o agravante de pregar uma "França para os Franceses".

Não é novidade este chamego de Sarkozy com a extrema-direita. Ele vem num longo flerte com esta velha senhora, mas de uns tempos para cá, com a aproximação das eleições, o flerte virou noivado que não quer esperar a decisão da moça de casar, quer consumar o casamento antes, o mais rápido possível.

Este filho de imigrantes húngaros, depois de encapar a lei que proíbe o véu islâmico na França e deperseguir os ciganos, quer rever o acordo de Schengen, que permite livre trânsito dos cidadãos europeus, considerado um dos pontos basilares da União Europeia.

Lidas conjuntamente, não há dúvida que Sarkozy arranja um bode, um culpado: o imigrante. O filho de húngaros culpa os outros países europeus por não controlarem suas fronteiras, culpa os muçulmanos da África árabe, aquela que foi colonizada pelos... franceses!

Esta política do medo é instrumento típico do fascismo. Entretanto o proto-fascismo de Sarkozy ganha, exatamente por isso, um inimigo idêntico, que também culpa o outro pelos seus problemas, que também não tolera o diferente, o ruído. Sim, estou falando do radicalismo islâmico.

Nestas duas última semanas, a França sofreu uma série de atentados perpetrados pelo mesmo homem. O último deles foi contra uma escola judaica e deixou quatro mortos. Segundo as mais recentes informações, o assassino é francês de origem argelina que queria "vingar a morte de crianças palestinas".

O ódio é recíproco. São dois universos autocentrados, que se pretendem herméticos. São duas verdades contraditórias, e que por isso mesmo só sobrevivem uma em relação à outra, mesmo querendo sobrepujá-la. Os fascismos caminham juntos, necessitam um do outro. Precisam, para se manterem como relevante, para justificar seus medos, do demônio externo, papel muito bem cumprido por outro fascismo, por outra verdade absoluta.

É isso que está em jogo na Europa, na crise européia. Por enquanto a extrema-direita vai vencendo. Há a urgente necessidade de desmascarar esta paranóia e de mostrar que são, o radicalismo muçulmano e o ódio ao imigrante, irmãos siameses que só sobrevivem em simbiose.

Walter Hupsel

Figuras públicas contam como vivem a discriminação


No primeiro trabalho fora de Portugal do modelo e empresário Walter de Carvalho, este viu-se envolvido numa situação complicada. À chegada ao aeroporto de Las Palmas, em Espanha, foi levado por dois seguranças que lhe perguntaram pela droga. O mal-entendido foi desfeito, mas na altura ficou na dúvida se o teriam abordado por ser negro. «Se aceitasse isso não tinha seguido com a minha vida. Comecei a perceber que essa barreira era em grande parte culpa minha», contou.

Esta foi parte de uma das cinco histórias contadas na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, numa palestra a propósito da comemoração do Dia Internacional de Luta pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, que decorreu esta quarta-feira.

O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista, juntou-se ao antigo kickboxer José Reis (luso-cabo-verdiano), à atriz e apresentadora Cláudia Semedo (luso-guineense), a Walter de Carvalho (luso-angolano), ao coreógrafo Marco de Camillis (italiano) e à atriz Natasha Marjanovic (nascida na ex-Jugoslávia), que contaram as suas histórias relacionadas com a discriminação. A mesa redonda foi conduzida pela alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural Rosário Farmhouse, também ela de ascendência britânica.

Joaquim Evangelista tem sido um dos promotores da luta contra o racismo usando «a magia do futebol». «Alguns jogadores dizem-me ‘porque é que o Figo e o Rui Costa não fazem as campanhas do racismo?’. Respondia-lhes que todos temos o nosso papel, desde o mais pequeno ao mais reconhecido», disse.

Para o presidente do sindicato, esta data serve para relembrar algo que deve ser combatido todos os dias.

Superar barreira da cor
«Só tive noção da minha cor aos seis anos. Ao ir com o meu pai meter o totoloto, ouvi um senhor virar-se para a filha que estava a fazer birra:

«Se não te portas bem chamo o senhor preto que te mete num saco. Perguntei ao meu pai porque tinha ele dito aquilo e ele respondeu-me que era gente sem consciência», explicou Cláudia Semedo. Segundo a atriz, os seus pais sempre lhe ensinaram que a cor não é limite para nada, e «a cor vai sendo cada vez menos diferente à medida que o mundo se mistura».

José Reis também teve de lutar bastante para chegar onde chegou. Cresceu numa barraca, sem luz nem água, mas não desistiu de estudar. Tirou a licenciatura em Direito e, na vertente desportiva, chegou a campeão da Europa e Intercontinental na modalidade. Dedica-se atualmente a reeducar jovens em centros de reintegração onde fala do caminho que trilhou e de como superou as dificuldades.

Walter de Carvalho vivia numa barraca e tinha de ir buscar água todos os dias. Deixou a escola cedo e o mundo da moda veio raptá-lo de uma vida a «assentar tijolo». «Aos 15 anos achava que a polícia é que queria arranjar problemas comigo», conta o empresário da moda que atualmente fala com os mais novos para perceberem que a barreira, por vezes, «é criada por nós próprios».

Bruno Abreu

quarta-feira, 21 de março de 2012

Taiwan busca mujeres inmigrantes


El desarrollo económico y la globalización de Taiwan desde la década de 1980 ha sido acompañado por un importante cambio social que ha estado en marcha en muchas áreas de Asia oriental y sudoriental en las últimas décadas: la mayor demanda de mujeres nacidas en el extranjero por parte de los hombres taiwaneses.

Además de las fuerzas sociales y motivaciones personales detrás de dicha demanda, los flujos anuales de mujeres nacidas en el extranjero están sujetos a las políticas y las manipulaciones de los gobiernos nacionales, a veces resultando en fuertes fluctuaciones con respecto a los volúmenes y los puntos de mayor de origen.

La abolición de la ley marcial en 1987 y el levantamiento de las estrictas regulaciones para las visitas familiares en China continental en 1988, entre otras medidas, contribuyó a la primera ola de matrimonios entre chinos de continentales las mujeres y los hombres taiwaneses. En 2003, el número anual de matrimonios registrados llegó a 34.685, lo que representa un 20,2 por ciento de todos los matrimonios de ese año.

Entre 2007 y 2009, el 20 por ciento de todas las mujeres nacidas en el extranjero en Taiwan fueron de Vietnam, a pesar de que la China continental – se benefician de la afinidad del idioma con Taiwan – ha seguido siendo la fuente más importante de novias.

Según el Ministerio del Interior de Taiwan (MOI), en 2007 se registraron 24.700 matrimonios entre novios y novias taiwanesas y no taiwaneses, que representan 18,3 por ciento de todos los matrimonios.

Las extranjeras casadas con taiwaneses obtienen el status de inmigrantes permanentes, en oposición a otras mujeres inmigrantes que son contratadas como trabajadoras pero deben abandonar el país después de un período de tiempo determinado.

Pero además las inmigrantes que contraen matrimonio con taiwaneses, contribuyen significativamente al crecimiento de la población de Taiwán. Las tasas de fecundidad promedio de esposas extranjeras en Taiwan varía en función del país de origen, y son las mujeres indonesias las que tienen un mayor número de hijos (2,0) seguidas por las mujeres de las Filipinas (1,86), Tailandia (1,68), Vietnam (1,6), y China continental (1,4).

El Sur

Quando viver em outro país da UE se pode tornar num pesadelo


À partida, trabalhar ou viver em qualquer país da União Européia é um direito para os cidadãos dos 27 Estados-membros.

Mas a realidade é bem mais complexa. Os europeus nem sempre têm luz verde para circular e assentar onde quiserem. Muitas vezes, o problema é a informação, o desconhecimento das leis em vigor no país de acolhimento.

Em 2007, a Holanda abriu as portas aos trabalhadores da Europa central e de leste, três anos depois do alargamento da União Européia.

Nesta estufa, quase todos os funcionários são polacos. É o caso de Martyna, que veio para a Holanda ganhar dinheiro para poder financiar os seus estudos na Polônia: “Eu quero estudar alemão para fazer o mestrado. São dois anos, mas não estudo todos os dias, só ao fim de semana. Na Polônia, isto seria muito caro para um cidadão comum, que não costuma ser propriamente rico. Por isso, fiz uma pausa para arranjar dinheiro.”

Na Holanda, o setor agrícola é um dos que mais emprega trabalhadores da Europa de leste. Uma vez que pertencem à União Européia, não precisam de autorização de trabalho, basta o passaporte ou o bilhete de identidade.”

Cerca de 350 mil europeus de leste vivem, atualmente, na Holanda. Neste período de crise econômica, o risco de serem discriminados é muito maior.

O PVV, partido de Gert Wilders, de matriz anti-europeia criou um site, no qual qualquer pessoa pode denunciar eventuais problemas causados por imigrantes da Europa central e de leste. O argumento é que estes estão a roubar trabalho aos holandeses.

Rob Rombout dirige uma empresa que recruta mão de obra no leste europeu. Para ele, esta estigmatização não faz qualquer sentido: “Tenho a certeza de que, quando virem as estatísticas, elas já existem, vão-se aperceber de que os polacos não estão a tirar nada aos holandeses. Não é essa a questão, é o contrário. Amanhã, se os polacos deixarem a Holanda, a economia do país enfrentará um grande problema. Quem é que vai trabalhar então?”

Na verdade, há toda uma panóplia de realidades, no que toca ao contexto dos migrantes europeus. Alguns não têm qualquer obstáculo. Outros deparam-se com inúmeras dificuldades.

Em Eindhoven, existe um centro de informação sobre estes assuntos. Sonya, a responsável, criou uma associação de defesa de direitos chamada Migrada.

Os problemas relacionados com a Segurança Social são os mais freqüentes. Sonya exemplifica, com a estória de dois polacos: “Um trabalhou durante 5 anos na Alemanha, e outro, durante 8 meses. Deixaram de ter trabalho e foram para o Luxemburgo e, depois, para a Holanda. Agora, são sem-abrigo, não têm direito à Segurança Social holandesa porque ainda são jovens, mas lá está… tinham descontado um 5 anos, outro 8 meses.”

A situação dos cidadãos da Romênia e da Bulgária é a mais complicada. Foram os últimos países a chegar à União Européia. Nove Estados-membros, incluindo a Holanda, ainda lhes aplicam restrições e exigem autorizações de trabalho.

“Uma empresa solicita uma autorização laboral, onde vem o nome do imigrante. Mas, se o trabalho terminar, o imigrante não pode ir para outra empresa, porque a autorização foi atribuída só à primeira. Isto torna as pessoas muito vulneráveis. Depois não podem reclamar, não podem dizer que não querem trabalhar 80 horas por semana, porque correm o risco de ficar desempregados”, explica Sonya.

Atualmente, doze milhões de europeus vivem noutro país da União Européia, ou seja, 2,5 por cento da população total. Mesmo os cidadãos mais qualificados, com mais informação, podem deparar-se com problemas administrativos no país de acolhimento.”

De um país para outro, as regras podem mudar: a Segurança Social, a proteção na doença, o registro de um veículo, uma autorização de residência para um cônjuge não-europeu… A lista continua.

Em Bruxelas existe a ECAS, um organismo apoiado pela Comissão Européia, que fornece informações e aconselhamento sobre os direitos dos cidadãos europeus. Claire recebe perguntas vindas de todas a Europa. E, na sua perspectiva, as coisas não estão a ficar mais fáceis. “Creio que há ainda mais barreiras, que os problemas que dizem respeito aos direitos sociais são cada vez mais complexos. Aqui temos a impressão de que os Estados estão mais fechados sobre eles mesmos, criando dificuldades administrativas que limitam o acesso a cidadãos de outros países. Não há vontade de facilitar a mobilidade. É isso que sentimos quando analisamos as questões que recebemos”, desabafa.

Uma família instalada em Bruxelas enfrenta aquilo a que chama de intransigência e incompreensão, por parte da administração belga. Dafydd ab Iago e a sua mulher têm já um filho. O segundo vai nascer em junho. O casal luta para que as duas crianças venham a ter o mesmo apelido. O pai tem dupla nacionalidade britânica e belga, e a mãe é espanhola.

Dafydd descreve a situação: “Temos três nacionalidades diferentes. O nosso filho é espanhol também, e em Espanha eles têm dois apelidos, o do pai e o da mãe. Esse é o nosso problema. A lei belga, a lei napoleônica influencia a lei belga, diz que uma criança só pode ter o apelido do pai e não há qualquer exceção.”

Para determinar com que nome fica a criança, o último recurso deste casal é a obtenção de um decreto real. “O Tribunal Europeu de Justiça já foi muito preciso em relação a isto. É ridículo. Trata-se de discriminação isto de dar nomes diferentes às crianças consoante os países. Acaba por ser um limite à liberdade de movimentos. Como é que se prova que se trata da mesma pessoa, quando no passaporte os nomes são diferentes?”, questiona Dafydd.

euronews


terça-feira, 20 de março de 2012

OIM: Migração na América do Sul deve superar saída para Europa e EUA



O diretor da Organização Internacional de Migração (OIM) para América do Sul, o uruguaio Juan Artola, disse que existe hoje uma tendência a maior migração regional e, ao mesmo tempo, tendência ao menor fluxo de emigrantes sul-americanos para os países da Europa e dos Estados Unidos.

"É uma tendência que ocorre por um conjunto de fatores, que inclui maiores oportunidades na América do Sul num momento em que ficou mais difícil conseguir trabalho e a chance de imigrar para a Europa e para os Estados Unidos", disse Artola em entrevista à BBC Brasil.

Segundo ele, nos últimos anos aumentou a migração intra-regional na Argentina, Brasil e, em certa medida, também no Chile e no Uruguai.

Todos absorveram mão-de-obra regional, de acordo com o diretor da OIM.

Artola observou que o crescimento econômico registrado na última década nos países da América do Sul e a facilitação para conseguir documentos de residência contribuíram para esta migração intra-regional.

"Essa imigração intra-regional é um fato inédito nos últimos 30 ou 40 anos, mas coincide com o crescimento econômico e o impulso do processo de integração do Mercosul e da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração)", disse.

Menos burocracia

O diretor da OIM lembrou que nos últimos anos os trâmites burocráticos para um imigrante se estabelecer no país vizinho foram simplificados a partir de acordos do Mercosul e da Aladi.

"Estes fatores, somados ao problema do emprego na União Europeia e nos Estados Unidos, fizeram com que muitos imigrantes preferissem um país da região. Seja pela oportunidade ou pela distância", afirmou.

Para ele, apesar da desaceleração de algumas economias regionais em 2011 e a perspectiva deste ritmo continuar em 2012, este fluxo de migração intra-regional não deverá ser afetado.

"Não percebemos que esta tendência vai diminuir. Ao contrário", disse.

Jovens

Nos últimos dez anos, cerca de 700 mil sul-americanos migraram para um país da própria região. Deste total, 500 mil mudaram-se para a Argentina na última década.

"Meio milhão de paraguaios, bolivianos e peruanos chegaram à Argentina em busca de oportunidades. Hoje, a população total de imigrantes representa aproximadamente 4,5% da população nacional argentina", disse.

Estima-se que a maioria tenha idades entre 20 e 35 anos. No caso de Buenos Aires, a maior presença de imigrantes sul-americanos é observada nos trabalhos nos salões de cabeleireiro, nos supermercados e nas universidades públicas do país, por exemplo.

No Brasil, disse Artola, ocorre a mesma tendência a maior presença de imigrantes sul-americanos, mas em menor escala.

"Não pelo idioma (português), mas pela distância. Esta imigração poderia ser maior em São Paulo se não fosse a distância (para os países vizinhos)", disse.

Estima-se que o Brasil tenha registrado nos últimos anos a chegada de 75 mil imigrantes.

"O Brasil vai continuar recebendo imigrantes da região, de outros países e continentes", disse. "Os brasileiros, filhos de japoneses, que tinham ido para o Japão estão voltando. Espanhóis e africanos procuram oportunidades no Brasil e na Argentina. Mas no caso do Brasil, que tem quase 200 milhões de habitantes, esta proporção é menor em comparação aos outros países da região", afirmou.

Ele entende que a proporção de espanhóis e de africanos ainda é pequena e ainda não foi estimada numericamente.

Uruguai, retorno

Na sua visão, os países da região estão podendo absorver a mão-de-obra que chega dos países vizinhos tanto em obras como em trabalhos domésticos, entre outros setores.

"No Uruguai, os peruanos trabalham na pesca e paraguaios e bolivianos muitas vezes em empregos domésticos", disse.

Recentemente, autoridades uruguaias do governo do presidente José "Pepe" Mujica discutiram sobre a necessidade de estimular a imigração para tentar "povoar" o país, onde vivem cerca de 3 milhões de habitantes.

O diretor regional da OIM disse que vem sendo observado ainda o retorno aos seus países de habitantes que estavam na Europa ou Estados Unidos.

"Dez mil uruguaios retornaram ao Uruguai nos últimos dois anos. É um número alto na proporção total dos habitantes do país", afirmou.

No Chile, apesar da rivalidade histórica entre os dois países, é detectada quantidade crescente de peruanos trabalhando em diferentes setores.

"Em muitos dos países da região, como Uruguai e Chile, a taxa de natalidade caiu, e a imigração chega em bom momento", afirmou.

Artola antecipou à BBC Brasil que os dados completos da migração intra-regional serão divulgados pela OIM em abril.

BBC BRASIL