segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Joao Carlos Martins e Bachiana Filarmonica SESI-SP na Missão Paz


Miguel Ahumada

A Bachiana Filarmônica SESI-SP – sob a regência de seu maestro titular e diretor artístico, João Carlos Martins, reconhecido mundialmente, se apresentou  na Igreja Nossa Senhora da Paz, ontem dia  6 de dezembro. Com a comemoração de 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a orquestra se apresentou  num espaço  que acolhe imigrantes há 75 anos, cuidando para que essas pessoas tenham possibilidades dignas de sobrevivência e superação. Para João Carlos Martins, o concerto e  uma oportunidade para celebrar a interculturalidade . Junto ao Maestro se apresentou a cantora lírica Giovanna Maira  deficiente visual com sua belíssima voz. O Superintendente do SESI-SP marcou presença  e diz a importância de democratizar a musica clássica e levar a espaços como a Missão Paz

João Carlos Martins um dos maiores interpretes de Johann Sebastian Bach, um dos altos da sua carreira foi a gravação da obra completa para teclado deste gênio da musica. A Bachiana Filarmônica e formada por jovens e experientes músicos  e mantida pelo SESI-SP. A Filarmônica leva a cultura da musica erudita a periferia das grandes cidades como em renomados teatros.

O concerto na Missão Paz contribuem decisivamente para o enriquecimento cultural das pessoas que não tem acesso a este tipo de apresentação e dialoga profundamente com os espectadores e a sensibilidade individual  e a democratização da musica erudita.

Neste espaço democrático da missão paz aconteceu a amostra do fotografo Chico Marx “ Somos Todos Imigrantes “ onde o fotografo decidiu retratar as pessoa de uma forma positiva.

Padre Antenor diz a importância da cultura no dialogo democrático e acolhida dos diferentes segmentos no espaço multicultural , o publico lotou a igreja no qual também participaram   migrantes e refugiados que ficaram  encantados com esta apresentação.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Emigração espanhola bate recorde desde o início da crise

Matéria publicada no jornal El País, nesta sexta-feira (4), fala que o crescimento da economia não diminuiu o êxodo de espanhóis deixando o país. No primeiro semestre do ano 50,844 espanhóis foram para o exterior, de acordo com dados divulgados  pelo Instituto Nacional de Estatística. O número de espanhóis que tem retornado ao país é bem menor dos que deixam a nação: nos primeiros seis meses 23,078 espanhóis voltaram, menos de metade das pessoas que procuram oportunidades fora do país.
A reportagem conta que o número de emigração está aumentando a cada ano. Um exemplo disso é que o número nos primeiros meses excede o do ano todo de 2010, durante a crise, quando 40,157 espanhóis decidiram morar fora. O inverso é verdadeiro com relação a população estrangeira, que escolhe a Espanha como um destino para fixar residência: 134,143 estrangeiros chegaram à Espanha no primeiro semestre, mais do que as 20.380 pessoas que deixaram. O saldo global, reunindo espanhóis e estrangeiros é que a Espanha continua a ser um país de emigrantes, embora a migração líquida esteja se equiparando: a diferença total entre os que saíram e os que chegaram é de 7,385 pessoas, graças a saída de estrangeiros residentes na Espanha, que diminuiu muito em apenas dois anos, caindo pela metade, passando de 233.320 no primeiro semestre de 2013 para 113.762 no mesmo período deste ano.

 El Pais

São Paulo mobiliza empresas a empregar refugiados

Representantes de mais de vinte empresas e entidades civis participaram do Primeiro Encontro Empresarial - O papel do setor privado na integração do imigrante e refugiado, na quarta-feira (02), no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O evento buscava sensibilizar o empresariado do estado a abrir vagas de trabalho para os estrangeiros que estão chegando aqui.

“Mais que sírios, congoleses ou haitianos, imigrantes e refugiados quando cruzam a fronteira são também paulistas que precisam de um trabalho para dar dignidade a sua jornada no Estado”, afirmou o secretário chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, de acordo com nota divulgada pelo estado. O evento foi promovido pela Assessoria Especial para Assuntos Internacionais (AEAI) do estado de São Paulo, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Pacto Global, iniciativa do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que reúne empresas, sindicatos, ONGs e outros órgãos civis.
O evento reuniu cerca de cem pessoas, na maioria, empresários. Entre as companhias representadas no encontro estavam Amil, Siemens, OAS, BRF e Carrefour. "O encontro teve um objetivo bastante claro de abrir vagas para imigrantes e refugiados e acredito que atingimos totalmente essa meta na sensibilização dos empresários participantes”, avaliou Ana Carolina Conde, chefe da AEAI, em e-mail enviado à ANBA.

“A expectativa agora é para o Feirão de Emprego no Centro de Integração da Cidadania do Imigrante que deve acontecer em fevereiro de 2016. Temos a certeza que os representantes empresariais que participaram do Encontro estão envolvidos com a causa e poderão fazer a diferença na empregabilidade desses estrangeiros, além de replicar a mensagem para outras empresas”, apontou Conde, sobre a continuidade das ações para os refugiados.
O encontro contou também com apresentações de Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres; Alexandra Loras, consulesa da França em São Paulo; Reinaldo Bulgarelli, da Txai Consultoria e Educação; Karina de Andrade, gerente de Responsabilidade Social do Carrefour; Fabrice Le Nude, empresário da Patisserie Douce France; e dos refugiados François Choumy e Abiodun Oleswole Michaell.


“A integração por meio do emprego é um excelente ponto de partida para quem está chegando por aqui. Queremos contar com o apoio das Câmaras de Comércio também para que envolvam seus associados nessa iniciativa”, completou Conde

Agencia de Noticias Brasil- Arabe.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Religiosos debatem Lei de Migração e a geopolítica mundial

A comissão especial que estuda a instituição da Lei de Migração – Projeto de Lei (PL) 2516/15 – realizou audiência pública nesta quarta-feira (2) para debater o tema com representantes de entidades religiosas. O PL tem como objetivo definir os direitos e deveres do migrante e do visitante, regular a entrada no Brasil e a estada no país, além de estabelecer princípios e diretrizes para as políticas públicas para o imigrante.
Para o relator da comissão, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), esse tipo de debate é extremamente valioso. “A proposta da audiência foi ouvir os especialistas no assunto a fim de desenvolver uma linha de atuação mais eficiente do projeto. A conversa com organizações e entidades da sociedade civil ligada ao debate da migração é fundamental para contribuir e avançar de forma democrática na reformulação desse importante projeto de lei.”

Participaram da audiência o professor e assessor político da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Daniel Seidel, a embaixadora para Assuntos Diplomáticos e Governamentais da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Célia Cristina Soares Rubini, e a secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, Pastora Romi Márcia Bencke.
Ao apresentar a proposta de sua entidade religiosa, Célia Cristina Soares Rubini destacou que a lei avança em muitos pontos, e supera expectativas. “No que se refere à política de vistos, tínhamos uma proposta que se durasse dois anos, renovação em três anos e permanência de quatro anos. E ficamos felizes em saber que o PL amplia isso para muito mais.”
A Pastora Romi Márcia lembrou que o tema da não é novo. “A temática sempre esteve presente na história. No entanto, neste início de século tornou-se fundamental para entendermos as transformações sociais da geopolítica mundial.”
Ela ainda ressaltou que debater o tema da migração é essencial estratégico para o Brasil e para o mundo. “Diante desse cenário, as ondas migratórias jogam um papel decisivo e são resultado do avanço do capitalismo, que passa por uma nova fase de partilha do mundo, segundo os interesses das grandes potências econômicos e os grandes grupos financeiros.”

PC DO B


Já chega a 1 bilhão de pessoas

Para cada sete pessoas no mundo uma vive essa triste situação


Para cada sete pessoas no mundo uma é migrante, refugiada ou deslocada interna, ou seja, 1 bilhão para uma população mundial estimada em 7 bilhões em 2011, o que representa a quase uma Índia (1,2 bilhão de habitantes). Ao revelar resultado tão preocupante nesta quinta-feira em Bangcoc, na Tailândia, o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Lacy Swing, ressaltou que ?temos mais gente em movimento do que em qualquer outra época da história?.
Lacy Swing, que participa nesta sexta-feira, na capital tailandesa, de uma conferência sobre migração ilegal no Oceano Índico, com a presença de representantes de países da região, dos EUA e da União Européia, informou que há cerca de 250 milhões de migrantes internacionais e 750 milhões de migrantes internos, devido principalmente à explosão demográfica, aos desequilíbrios econômicos e aos conflitos.

Situação de emergência

?No total, contamos com o maior número de migrantes forçados desde a Segunda Guerra Mundial, segundo estatísticas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com cerca de 20 milhões de refugiados e 40 milhões de deslocados internos?, disse Lacy Swing, acrescentando que há uma situação de emergência humanitária sem precedentes da África à Ásia devido a conflitos no Sudão do Sul, Iêmen, Síria ou Iraque, ou à migração que afeta a fronteira e entre o México e os EUA, no Mar Vermelho ou no Golfo de Bengala.
O diretor-geral da OIM lamentou que a ?ausência de liderança política? e de ?autoridade moral internacional? estejam alimentando a ideia de que a migração é um problema de segurança, sobretudo devido aos ataques de jihadistas, como os mais recentes de Paris que deixaram130 mortos e mais de 350 feridos.
Lacy Swing lembrou que os países vizinhos da Líbia e da Síria são exemplos a serem seguido em relação ao nível de acolhimento de refugiados, que ?não são um perigo para a segurança, tendo em conta os controles a que estão sujeitos antes de serem admitidos. Temos de combater esse sentimento crescente antiimigrante, em que se esquece que, historicamente, a migração foi indiscutivelmente positiva?.

O diretor lembrou ainda que a migração se converteu em um assunto político usado por alguns dirigentes para ganhar votos e destacou que os países ricos do Norte precisam de imigrantes como mão-de-obra. Sobre a reunião desta sexta-feira, o representante da OIM disse que é positivo que países como a Tailândia, Malásia, Indonésia ou Birmânia se reúnam em busca de soluções para a migração ilegal.

Monitor Digital

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Chegada de imigrantes ajuda o Brasil, aponta estudo

Foto Agencia Senado 

A formação de profissionais qualificados em áreas estratégicas como a engenharia e a tecnologia pode ser beneficiada pela atração de profissionais qualificados para o País. É o que diz pesquisa divulgada no Seminário Imigração como Vetor de Desenvolvimento do Brasil e realizada em parceria pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada na terça-feira (1°), em Brasília.
O estudo faz a avaliação de cenários e propostas para políticas públicas de imigração, com o objetivo de atrair mão de obra qualificada para o Brasil. "A base da política migratória brasileira é o respeito aos migrantes e ao direito deles buscarem melhores condições de vida", explica o secretário de Inspeção do Trabalho e presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), Paulo Sérgio de Almeida.   
Essa pesquisa, porém, traz outro aspecto crucial: o da mobilidade internacional de profissionais qualificados. Para Sérgio, essa mobilidade permite a troca de experiências entre estrangeiros e brasileiros e proporciona a possibilidade de incorporar novos conhecimentos e valores.
De acordo com dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o número de imigrantes inseridos no mercado de trabalho formal do País cresceu 126% nos últimos anos. Nesse período, a quantidade de imigrantes passou de 69.015, em 2010, para 155.982 imigrantes, em 2014.
Imigrantes qualificados no Brasil
Apesar disso, de acordo com o pesquisador da FGV Wagner Oliveira, o Brasil possui apenas 0,3% de sua população formada por profissionais qualificados imigrantes. "A Espanha, por exemplo, que empreendeu um forte trabalho de prospecção de mão de obra qualificada, tem 12% de sua população constituída por imigrantes", explica.
A pesquisa se propõe a criar subsídios e estabelecer parâmetros para as políticas públicas de imigração formuladas pelo Estado brasileiro. A FGV comparou o que é realizado no Brasil, com iniciativas empreendidas em nações com alto desenvolvimento econômico e social, como Portugal, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Canadá e Estados Unidos da América.


Exposiçao de rostros Mision Paz


Dia 2 de dezembro  foi a abertura de Sudários na Missão Paz que é composta por vinte retratos  em  preto e branco de mulheres vítimas de conflitos armados em Antioquia (Colômbia) tomadas ao narrar as experiências dramáticas do assassinato de seus entes queridos, que tiveram de testemunhar e sobreviver. As fotografias são tiradas na altura da narrativa, congelando um momento de profunda tristeza que o artista ligado a um tecido de seda fina relíquia cristã evocando a mortalha, a agonia de Cristo, a Paixão. 


Devido a isto, a percorrido durante suas muitas exposições itinerantes que já foram exibidas no contexto de igrejas católicas, criando um diálogo entre a arquitetura sagrada, espaço de oração e a imagem do artista. O processo de conversa com vítimas durante sessões de fotos e parte de trás da exposição mostra também tornar-se uma cura progressiva no meio de luto pelas vítimas.

Muito tem se falado sobre a legibilidade das imagens e seu poder de informar, as imagens vinculadas a acontecimentos traumáticos expõem um sofrimento que nos confronta e fazem perceptível a inquietante experiência da qual eles emergem. 

Os retratos são de Erika Diettes fotografa Colombiana  e a Curadora e Pesquisadora de Arte Contemporânea Ileana Dieguez a exposição vai ate o dia 16 de dezembro na Missão  Paz que fica na Rua Glicério 225 Liberdade São Paulo 

Miguel Ahumada

Foto e texto 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Haitianos graduados têm mais dificuldade para se empregar que outros imigrantes, diz FGV

Mesmo com diploma de faculdade ou até mestrado, haitianos acabam em subempregos por falta de oportunidades
"O que eu ganho é para pagar aluguel e comer. Isso não é vida", conta Berhman Garçon, haitiano, de 36 anos, formado em jornalismo pela Université Polyvalente d'Haiti e mestrando em antropologia pela Unicamp.
Apesar dos cursos universitários, ele nunca conseguiu um emprego em sua área profissional no Brasil, desde de que se mudou para Campinas há cerca de cinco anos. Para sobreviver, conta que já trabalhou como garçom em restaurante e recepcionista em hotel. No momento, está desempregado, vivendo de bicos e de trabalhos esporádicos de edição de vídeo que realiza para clientes no exterior.
Ele conta que trabalhava como diretor de programação de TV no grupo Rádio Tele Megastar e que migrou para o Brasil após o terremoto de 2010, quando "a situação piorou muito" no Haiti e os pagamentos começaram a atrasar.
Sua história se repete com a grande maioria dos imigrantes haitianos que possuem formação de ensino superior, revela uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas à qual a BBC Brasil teve acesso com exclusividade.
A partir da análise dos dados oficiais do Ministério do Trabalho, os pesquisadores da FGV constataram que uma parcela muito pequena dos trabalhadores haitianos graduados tem um emprego compatível com sua qualificação no Brasil.
De acordo com os números mais recentes da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), havia 440 imigrantes haitianos com curso superior trabalhando com carteira assinada no Brasil em 2014. Desse total, apenas 15 (3,4%) exerciam funções que exigem diploma universitário.
A grande maioria dos haitianos graduados ocupava cargos que demandam apenas ensino fundamental (302) ou médio (58). Esses grupos representam juntos 82% dos haitianos com curso superior empregados no Brasil.
O restante tinha empregos de nível técnico (59) ou sem exigência de qualificação (5). Apenas um ocupava um emprego com requisito de pós-graduação.
Vale destacar que é possível encontrar 30.457 registros de haitianos com vínculos formais de trabalho na Rais, mas a grande maioria não tem formação universitária.
O levantamento da FGV foi feito a pedido do governo. Seu resultado foi divulgado   nesta terça-feira em Brasília, como parte das discussões do seminário "Imigração como Vetor de Desenvolvimento do Brasil".

Outras nacionalidades
A comparação dos dados dos imigrantes haitianos com os de outras nacionalidades mostra uma grande disparidade.
Segundo o levantamento da FGV, há quase 156 mil estrangeiros empregados com carteira assinada no país, sendo que 48.199 têm curso superior.
Do total de graduados, a grande maioria (71,7%) está de fato exercendo profissões que exigem o ensino superior, além de 9,8% ocuparem cargos de exigência técnica.
Uma pequena parcela das pessoas com ensino superior está em ocupações que, geralmente, exigem pós-graduação, ou em funções que não necessariamente demandam qualificação universitária, como ministrantes de cultos religiosos e profissionais relacionados às artes – essas categorias seguem a Classificação Brasileira de Ocupações.
Dessa forma, o estudo da FGV aponta que, de maneira geral, apenas 15,4% dos imigrantes com diploma universitário não trabalham em funções equivalentes a sua qualificação e estão empregadas em cargos que exigem apenas ensino fundamental ou médio.
Preconceito
Há cerca de cinco anos no Brasil, Berhman Garçon fala bem português e, embora não tenha conseguido revalidar seu diploma, diz que isso não tem sido seu principal obstáculo. Na sua vivência, ele identifica outros fatores que dificultam a obtenção de uma vaga no mercado jornalístico.
"Falo inglês, francês, creole, espanhol, português. Mas primeiro tem o preconceito. Eu sou negro. Então, se tem uma vaga, mesmo que eu tenha mais qualificação que os outros, eu não consigo", diz ele.
"Já mandei muitos currículos, já fui a empresas pedir emprego. Dizem que vão chamar se houver oportunidade, mas é papo furado", reclama.
Além disso, Garçon vê uma desconfiança das empresas brasileiras com os estrangeiros.
"Eles têm medo de lidar com os estrangeiros, receio de que ele não vai conseguir fazer (o trabalho). Como você vai saber se eu vou conseguir fazer, se não me dá oportunidade?", questiona.
Sem perspectivas reais de conseguir um emprego em sua área, Garçon está investindo R$ 250 num curso rápido de operador de empilhadeira.
"É a possibilidade de um plano B. Como eu não consegui um trabalho de jornalista, ter uma vaga para operar empilhadeira vai me ajudar a pagar meu aluguel até eu voltar para o Haiti. Quero voltar ano que vem", planeja.
Fluxo novo
O pesquisador Wagner Faria de Oliveira, da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV, identifica outros elementos que podem explicar essa diferença.
Ele nota que a imigração haitiana é mais recente que de outras nacionalidades, como pessoas que vêm dos países vizinhos da América do Sul e de nações europeias como Portugal, Espanha e Itália.
"Geralmente esses imigrantes que seguem fluxos mais antigos (de migração) conseguem se integrar melhor no mercado de trabalho, pois já possuem redes de apoio", explica.
"As pessoas costumam migrar por questões econômicas, em busca de melhores oportunidades, mas esse não é o único fator que conta. O fato de já existirem redes, comunidades de pessoas daquele país, torna o fluxo mais facilitado", acrescenta.
Além disso, diz Oliveira, mais um fator que dificulta a integração dos haitianos é a língua. Enquanto a maioria dos imigrantes que vêm para cá falam português ou espanhol, o haitiano fala creole (uma língua derivada do francês).
"É bem mais difícil para eles aprender o português", observa o pesquisador da FGV.
Revalidação de diploma
Outro problema que atrapalha a inserção dos imigrantes com curso superior é a dificuldade para conseguir revalidar diplomas estrangeiros no Brasil, já que não há regras unificadas no país - cada universidade tem autonomia para adotar seu procedimento, o que é garantido na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional.
Segundo Oliveira, o Ministério da Educação tem tentado acelerar esse processo por meio de resoluções do Conselho Nacional de Educação.
"Há um esforço de tentar resolver, mesmo mantendo a autonomia universitária. Uma das sugestões que se colocou foi você ter, por exemplo, uma lista de cursos de universidades que já foram aprovados e esse curso já passaria a ser validado automaticamente, caso seja feita uma requisição em outra universidade", diz.
"Hoje, mesmo se uma pessoa de um curso x de uma universidade y já tenha tido seu diploma validado, se outra pessoa do mesmo curso pedir a validação em outra universidade, vai começar um processo novo", explica.
Atualmente, o Congresso Nacional está debatendo um novo Estatuto do Estrangeiro para substituir a legislação de 1980. Embora a proposta em discussão traga regras que podem facilitar a entrada de estrangeiros, como a não exigência de um vínculo empregatício prévio para liberação de um visto de trabalho, a FGV aponta para a falta de debate sobre medidas específicas para atração de mão de obra qualificada para o país.
O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, reconhece o problema. Ele diz que a discussão sobre facilitar a revalidação do diploma está engatinhando no Mercosul. E mesmo na União Europeia, onde isso está mais adiantado, ainda é um processo recente.
"Não é uma discussão fácil. O Brasil tem que avançar muito nesse assunto para que não ocorra o desperdício de talentos. Isso é uma perda gigantesca não só para ela como pessoa mas também para o país que a acolhe", disse à BBC Brasil.
"Isso não esta sendo enfrentado nesse novo debate da nova lei migratória", admitiu.

BBCBRASIL


Cai entrada de imigrantes no Brasil, aponta pesquisa

Depois de temporadas vivendo em Madri e Nova York, o escritor português Hugo Gonçalves chegou em 2011 ao Rio, atraído pelo estilo de vida da cidade, pela exuberância do país e pela perspectiva de um Brasil em ascensão, distante do clima de melancolia e desistência que via contaminar seu país natal com a crise econômica.
O encantamento gradualmente foi vencido pelas dificuldades do dia a dia e pelas mudanças no cenário político e econômico, desconstruindo aquele otimismo, que, assim como a Gonçalves, atraíra uma nova onda de imigrantes europeus para o Brasil nos anos do boom – tão bem simbolizado pela capa da revista britânica Economist com o Cristo Redentor decolando do Corcovado.
Gonçalves se despediu do Rio, da casa onde morava na Gávea, na zona sul, e dos amigos cariocas em março deste ano, exemplificando uma reversão que começa a ser observada no fluxo de imigrantes para o Brasil.
Depois de anos de crescimento vertiginoso, o número de estrangeiros que vieram viver, estudar ou trabalhar no país teve a primeira queda desde 2009. No ano passado, 99.796 estrangeiros entraram no Brasil, contra 102.366 em 2013, de acordo com levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV).
A diferença numérica é pequena, mas interrompe uma trajetória de aumento expressivo que vinha sendo observado ano a ano e que havia feito a entrada de estrangeiros dobrar de 50 mil para 102 mil entre 2009 e 2013.
Os números foram compilados a partir de uma base de dados da Polícia Federal, que registra todas as entradas de estrangeiros com vistos que não sejam o de turista.

Rumo a Lisboa
"Quando cheguei, era o garoto completamente deslumbrado e apaixonado por todas as coisas belas do Brasil. E são muitas, eu sublinho isso", lembra Gonçalves. "Mas quando vim embora, senti-me um pouco como o homem que já passou pelas desilusões da vida. Foi como o fim de um casamento."
Os anos no Brasil renderam dois livros – um deles compilando as crônicas que escreveu durante o período aqui, e o outro com um enredo baseado justamente no contexto da diáspora de portugueses com a crise na Europa e na vida desses imigrantes no Rio – intitulado Enquanto Lisboa arde, o Rio de Janeiro pega fogo .
Aos 39 anos, Gonçalves está de volta a Lisboa (embora ainda esteja no "Rio de Janeiro" em seu perfil do Skype) e agora vê o movimento começar a se inverter: amigos brasileiros dizendo que querem ir viver em Portugal – alguns já chegando, outros fazendo movimentos para ir.

Falta política estratégica
Bárbara Barbosa, pesquisadora da DAPP/FGV, diz que é cedo para falar em uma tendência de queda na migração para o Brasil, sendo preciso esperar mais alguns anos para ver como o fluxo vai se comportar.
“A tendência pode ser de estabilização, depois de anos em que tivemos uma subida repentina de entrada de imigrantes, o que incluiu a entrada de muitos grupos com vistos humanitários, sobretudo de haitianos”, afirma Barbosa.
“A recuperação dos países frente à crise de 2008 também pode ter tido influência. Se a situação melhorou, isso leva menos pessoas a quererem sair de seus países”, considera.
Mas o levantamento é parte de uma pesquisa mais ampla encomendada pelo Ministério do Trabalho justamente para desenvolver políticas para atrair mais imigrantes ao Brasil – de olho sobretudo na entrada de mão de obra qualificada para impulsionar a economia.
"O Brasil sofre há muito tempo do deficit de competências, e esse estudo só corrobora a necessidade de se ter uma política de estratégica, de Estado, para atrair mão de obra qualificada – e isso inclui desde pessoas com curso superior a profissionais com conhecimento técnico muito específico", afirma Margareth da Luz, também da Fundação Getulio Vargas.
A pesquisa da FGV levantou dados sobre o contingente de trabalhadores imigrantes no Brasil, as dificuldades que enfrentam, os entraves apresentados pela atual legislação e as estratégias adotadas por países que têm políticas específicas para buscar atrair mão de obra estrangeira qualificada.
Os resultados estão sendo apresentados nesta terça-feira em Brasília, no seminário "Imigração como Vetor de Desenvolvimento do Brasil", promovido pela FGV e pelo ministério para discutir formas de aprimorar a política de imigração no país.
"Hoje existe uma disputa internacional de países por esse capital humano, sobretudo os países desenvolvidos, que já estão em processo de envelhecimento (da população) há muito tempo. O Brasil também está entrando em fase de envelhecimento e não pode ficar para trás", considera a doutora em antropologia.
Apesar de ter sido constituído por diferentes levas de imigração ao longo de sua história e pela entrada forçada de escravos africanos, o Brasil do presente é um país fechado.
A legislação que rege a entrada e permanência de imigrantes ainda é o Estatuto do Estrangeiro, redigido pelo governo João Figueiredo em 1980, em plena ditadura militar.

Mais fácil casar?
A lei é calcada em uma visão ultrapassada de imigrantes como uma potencial ameaça, afirma Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), do Ministério do Trabalho.
"Há muitos anos que essa lei não condiz mais com a realidade do país, está superada. Há uma necessidade de aprovar com urgência a nova lei."
Almeida refere-se ao projeto da Lei da Imigração, aprovado em julho deste ano pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. O projeto, afirma, corrige distorções atuais, transferindo o foco da questão da segurança nacional para priorizar os direitos do imigrante, além de criar um sistema de vistos de trabalho e residência mais flexível.
A nova lei possibilitará emitir de vistos de trabalho sem necessidade de vínculo empregatício. No sistema atual, os estrangeiros de fora do Mercosul precisam de um contrato em mãos ainda no exterior para solicitar um visto de trabalho e residência.
Por essas e outras, muitos tentam o caminho sem documentos – o casamento ainda é uma das "soluções" mais fáceis para se estabelecer no país.
O projeto visa ainda reduzir as exigências e burocracias que costumam assustar estrangeiros e empresas que buscam patrocinar a vinda de expatriados para o Brasil.
De acordo com estudo de 2015 da consultoria canadense Brookfield Global Relocation Services, o Brasil é o segundo país que mais impõe dificuldades aos expatriados, atrás apenas da China.
Almeida afirma que atrair profissionais de alta qualificação é de "grande relevância" para promover o avanço tecnológico e contribuir com o desenvolvimento.

O desafio do 'fico'
Porém, atrelada à capacidade de atrair esses imigrantes, estaria também a de mantê-los aqui. E, assim como na experiência do português Hugo Gonçalves, a espanhola Maite Nef Moreno demonstra ser algo longe de acontecer automaticamente.
Maite é gerente-geral de uma agência do banco Santander e chegou ao Rio "com todo o entusiasmo" em 2012, parte de um grupo de cerca de 50 estrangeiros que a empresa "importou" para trabalhar no Brasil, vindos de países como México, Portugal, Chile, Espanha.
Agora, está prestes a embarcar para Barcelona para entrevistas de emprego visando à sua realocação – ela quer voltar para a Espanha ou ir trabalhar para o banco em algum outro país. Maite acredita que, como expatriada, teria oportunidade de ascensão mais rápida na empresa se permanecesse aqui. Mas cansou do Rio e do Brasil.
Sua queixa é sobretudo de choque cultural no ambiente de trabalho, onde é responsável por uma equipe de 14 pessoas. "Para mim está sendo muito complicado trabalhar com brasileiros. É um desgaste muito grande. Eu estranho muito a falta de compromisso, seriedade, profissionalismo, ambição de crescimento profissional. Para mim são coisas básicas."

Choque de burocracia
A outra grande dor de cabeça é comum tanto a estrangeiros quanto a brasileiros: os trâmites burocráticos que desafiam os limites da paciência. "É sempre um problema. Você nunca consegue resolver nada de uma vez. Sempre falta um papel. Sempre tem algum motivo para voltar no dia seguinte", diz Maite.
Hugo Gonçalves perdeu as contas da quantidade de vezes que teve que ir para a Polícia Federal resolver questões de seu visto. O atendimento para estrangeiros é realizado apenas no Aeroporto Internacional do Galeão, a cerca de 20 km do centro da cidade.
"Passada a altura do deslumbramento, da paixão, da exuberância que o Brasil tem, a vida do dia a dia assentou, caiu em mim, e comecei a ver que, por trás dessa película de exuberância, a vida é muito dura. Comecei a perceber a agressividade latente na sociedade; e não falo só de violência, basta você andar no trânsito para sentir a agressividade. Ou ler o jornal e ver tantos casos de acidentes causados pela negligência do poder público, pela falta de noção do outro. Isso começou a me desgastar muito."
"Ao fim de praticamente quatro anos eu estava muito cansado de morar aí. Todos os dias eu sentia que passava mais tempo a resolver problemas do que propriamente vivendo."
Gonçalves ri ao lembrar dos comentários que ouviu de amigos cariocas quando passou dois meses de férias no Rio, em 2010, e foi contaminado pela vontade de ficar.
"Todos diziam que passar férias no Rio é muito diferente de morar no Rio. Mas, como todos os apaixonados, eu estava meio cego."

Oportunidades díspares
Do grupo de 50 estrangeiros com quem chegou, Maite estima que 70% já tenham voltado, e acha que só uma ou duas pessoas vão ficar no longo prazo.
"O país não convida a ficar. Tem uma crise econômica aparecendo, não dá para ter uma boa expectativa de crescimento. E acho que o pior ainda está para vir. Depois da Olimpíada ainda vai ser muito pior. Todo país tem uma crise depois da Olimpíada", diz ela, natural de Barcelona, que sediou os jogos em 1992.
Maite afirma que a experiência no Brasil foi muito rica e não se arrepender de nada, mas mesmo a lição de vida que levará para casa tem uma nota amarga.
"Eu aprendi muito aqui. Eu sempre acreditei que todo mundo tem o que merece, porque todo mundo tem uma oportunidade. No Brasil eu aprendi que não, nem todo mundo tem uma oportunidade. Isso mudou a minha visão de mundo", diz a espanhola.
Paulo Sérgio de Almeida, do CNIg, afirma que não se pode negar a influência do cenário econômico sobre os fluxos migratórios – seja no Brasil ou em qualquer parte do mundo.
Ele diz que número de migrantes não tem tido o aumento consistente que vinha tendo, e que a crise atual pode de fato levar a uma diminuição no número de imigrantes.
Mas ele vê a aprovação do novo projeto de lei como o passo mais urgente para abrir caminhos para a entrada – e eventual permanência – de estrangeiros.
"Se você não tem uma porta de entrada na qual as pessoas possam bater, não adianta debater as outras questões. As pessoas simplesmente não conseguem entrar."


BBCMUNDO

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Migración Latina

Últimamente nos hemos estado preocupando mucho por las propuestas que han hecho públicas algunos de los potenciales candidatos a la presidencia de Estados Unidos, pues muchas de estas propuestas parecen un tanto discriminatorias y excluyentes para algunos sectores de la población americana; para ser precisos, ataques directos hacia los latinos en Estados Unidos.
Este tema no es nada nuevo, pues la migración de latinos a la potencia norteamericana ha sido una realidad desde hace ya décadas. Sabemos que anualmente miles de latinos dejan sus casas para ir en busca del sueño americano, pero en realidad sabemos por qué estas personas dejan todo lo que tienen para perseguir un futuro tan incierto como aquél de llegar a un país desconocido ilegalmente para buscar un trabajo, que no se sabe si se encontrará.
En el 2010 se reportó que el 16% de la población en Estados Unidos era latina y se cree que este porcentaje aumentará a un 21% para el 2020. Actualmente los Latinos en EEUU son la minoría más grande del país; que tal vez ni siquiera debería ser considerada como una minoría, pero al fin y al cabo lo sigue siendo y no obstante la segunda con mayor crecimiento, después de los asiáticos.
Actualmente, los latinos en EEUU cada vez son gente más preparada y con mayor capacidad adquisitiva, lo que podría representar una ventaja para el país, pero el problema que se ha discutido mucho en los debates de los candidatos estas últimas semanas ha sido que los inmigrantes que están ahí ilegalmente no pagan impuestos, pero aún así sus hijos estudian en las escuelas públicas, lo cual representa un gasto para el Estado, pero como ilegales que son, al gobierno no le cuesta tenerlos ahí porque no reciben prestación alguna por parte del gobierno más que aquella de educación gratuita, y aún así estos inmigrantes siguen pagando impuestos en todos los productos que compran y siendo aproximadamente el 17% de la población actual, podemos imaginar la cantidad de dólares que entran al Estado por medio de esta “minoría”.
Por estos números podemos ver que aunque se plantee un discurso anti-inmigrantes dentro de la política estadounidense, hay una gran posibilidad de que las medidas propuestas por los actuales candidatos, no se hagan realidad, pues siendo el sector latino tan alto, no creo que sea de conveniencia tenerlos como enemigos; pero está en las manos de los americanos quién decidan poner en el poder en los próximos años.
Ana María García González Rubio
Peninsulardigital



Polícia Federal deve emitir carteira de identidade para menor estrangeiro só com autorização da mãe

Uma decisão da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deferiu liminar para regularização migratória de um adolescente peruano no Brasil e determinou que, com autorização somente da mãe, a Polícia Federal emita carteira de identidade do estrangeiro e o Registro Nacional de Estrangeiro (RNE). O jovem de idade de 16 anos é natural de Puno, no Peru, e atualmente reside em São Paulo com a mãe e um irmão. Seu pai mora no país andino e é separado extrajudicialmente da mãe.

A ação foi ajuizada depois que o pedido de regularização da situação migratória do filho da autora foi negado em um Posto de Atendimento da Polícia Federal em São Paulo. Apesar de apresentar todos os documentos necessários para o procedimento, o pedido foi recusado por parte do órgão, ao argumento de que haveria necessidade de autorização de ambos os genitores ou de documento do Poder Judiciário.

Ao analisar a questão, o relator do processo no TRF3, desembargador federal Johonsom Di Salvo, destacou entendimento do Ministério da Justiça segundo o qual é dispensável a autorização judicial para fins de requerimento de residência temporária ou permanente de crianças e adolescentes provenientes dos Estados partes do Mercado Comum do Sul, uma vez que o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul - Mercosul, Bolívia e Chile, promulgado pelo Decreto nº6.975/2009, explicitamente estabelece que será concedida aos membros da família autorização de residência de idêntica vigência a da pessoa da qual dependam sempre que não possuam impedimentos.

Na decisão, o magistrado salientou que a prova documental demonstra que, quando se separou, o casal peruano acordou expressamente que o menor ficaria sob a guarda da mãe no Brasil, para onde ela se mudou. “Por aí se vê que a aceitação da permanência do menor em nosso país, de parte do genitor do rapaz, é mais do que apenas implícita, o que esvazia o temor dos policiais federais de que a situação tenha contornos de sequestro internacional de criança”, afirmou.

A União havia interposto agravo de instrumento alegando não ser possível a regularização da situação jurídica do menor que conte apenas com a autorização de um dos genitores, tendo em vista os riscos dos menores virem a ingressar irregularmente no país caso haja desacordo entre seus genitores, levando ao descumprimento da Convenção de Haia sobre o sequestro internacional de crianças.

Para o desembargador federal o posicionamento adotado pela Polícia Federal vai de encontro ao interesse do menor e de seus pais. Na decisão, ele afirma que a exigência de autorização de ambos os genitores ou documento do Poder Judiciário para a regularização da criança ou adolescente filho de estrangeiros deixa o jovem em situação de indefinição, não lhe sendo permitido gozar do direito fundamental de acesso à educação, aos serviços públicos, etc.
Com base nos argumentos apresentados, a Sexta Turma do TRF3 deferiu a tutela antecipada para a regularização migratória do jovem peruando no país com a emissão da carteira de identidade do estrangeiro e o RNE ou documento de identificação equivalente, sem a exigência da autorização de ambos os genitores, mas tão somente da autorização materna.

Agravo de Instrumento 0023341-79.2013.4.03.0000/SP


 Âmbito Juridico