quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Novelista Thelma Guedes é a embaixadora do ‘Cultura Sem Fronteiras’ no Brasil

  

Prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura apresentam projeto de apoio aos refugiados e migrantes

É importante buscar meios para combater a xenofobia no Brasil! Para contribuir com essa e outras questões o “Cultura Sem Fronteiras”, que tem como embaixadora a escritora e novelista Thelma Guedes, chega às redes sociais em sua segunda temporada. O projeto reúne dicas e informações valiosas que estimulam a empatia para acolher os refugiados e migrantes em terras brasileiras, dando visibilidade às instituições que os acolhem.

O lançamento nos dias 28 e 29 de janeiro, a partir das 17h pelo YouTube, inclui, entre outras novidades, apresentação do “E-book” e “Rodas de Conversa”, gravadas no Muhcab – Museu da História e da Cultura Afro-brasileira. A realização é da Aloha Consultoria & Eventos e a idealização e curadoria de Ana Brites.

Para ela, o projeto “valoriza a bagagem cultural trazida pelos refugiados e migrantes que vivem no Brasil” e acrescenta: “É uma oportunidade de refletirmos sobre o aspecto multicultural de milhares de homens, mulheres e crianças, que foram forçados a deixarem suas casas, em busca de um local que possam chamar de lar”.

O projeto é multiplataforma como um storytelling e utiliza vários recursos interativos apresentando o tema: plataforma digital, vídeos, rodas de conversas, eventos, campanhas de doação e o livro “Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente” na versão digital para democratizar o acesso.

E-book gratuito para saber sobre a causa humanitária

Thelma Guedes assina prefácio do livro digital e em seu texto mostra a preocupação com a causa dos refugiados e migrantes, inspiração para sua novela “Órfãos da Terra” (TV Globo/ 2019) em coautoria com Duca Rachid. Prêmio de Melhor Telenovela na 48º edição do Emmy Internacional:

“Ao mesmo tempo em que dá voz às pessoas que estão na condição de refugiadas no Brasil, o livro abre um importante espaço para que os leitores se informem com mais profundidade sobre as instituições sérias, avalizadas pela Acnur, que fazem o trabalho de acolhimento, mas que precisam também ser acolhidas e apoiadas por toda a nossa sociedade”.

Como as pessoas podem contribuir com essa causa humanitária? Como se tornar um voluntário? Como fazer uma doação? Todas essas respostas estão disponíveis no E-book que contém uma lista de instituições pelo Brasil que oferecem diversos serviços desde o acolhimento à capacitação.

_ O Livro “Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente” é um passaporte que leva o leitor para um mundo que existe ‘bem debaixo do seu nariz’, cnvidando-o a conhecer de maneira lúdica e interativa a culinária, as tradições, costumes, arte e todos os aspectos culturais de cada uma das nacionalidades apresentadas” – explica Ana Brites.

A seguir, a curadora ressalta dois trechos do texto da autora de telenovelas:

“Como parte fundamental desse projeto, o livro ‘Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente’, mais do que um simples livro, é uma celebração à vida. Ao tomar o leitor pela mão numa viagem afetuosa, ele constrói, a cada página, a cada imagem, a cada palavra, uma aproximação – reveladora e surpreendente – com essas mulheres, homens e crianças que vieram e continuam a vir para nosso país, procurando a possibilidade de reconstrução de suas vidas – muitos deles apenas com a roupa do corpo”.

“Apesar de virem de culturas tão diversas, temos a oportunidade de ver e sentir como essas pessoas se parecem conosco. E, apesar de terem passado por uma experiência tão terrível, não perderam, e não perderão nunca, suas referências. Por intermédio do livro, conhecemos suas receitas, suas memórias pessoais, narrativas de sua comunidade, seus desejos e sonhos, que são tão humanos…”.

Além disso, o internauta a qualquer hora poderá ter acesso a um rico intercâmbio cultural pelo site culturasemfronteiras.com, conhecendo os “Sabores da Terra” com receitas deliciosas; “Ritmos que encantam” apresenta a música e tradição; “Histórias sem Fronteiras”, quadro onde o espectador pode assistir histórias inspiradoras de superação

As exibições das “Rodas de Conversa”, assim como todas as apresentações, são permanentes no canal do projeto no YouTube (Cultura Sem Fronteiras) e conta com especialistas no assunto, focando em dois temas. No primeiro dia, “Empreendedorismo Cultural gerando Protagonistas Refugiados e Migrantes” e no segundo, “Direito dos Refugiados no Brasil”. Convidados: Cacau Vieira (diretora da Abraço Cultural e Representante do Núcleo de Educação e Cultura), Robert Montinard (cofundador da Mawon), Alexandre Velho, (Representante do Núcleo de Educação e Cultura da Abraço Cultural), Audrey Mandala (professor de francês e mediador da Abraço Cultural) e Hadi Bakkour (sírio, refugiado no Brasil e professor de árabe da Abraço Cultural).

A proposta é dar visibilidade para as Instituições que acolhem e apoiam o Ecossistema do Refúgio e Migração no Brasil, além de levar esperanças a essa população fazendo aflorar o empoderamento. Para isso, é preciso entender o que é a causa, desmistificando a ideia de que o refugiado é um fugitivo.

“Ele foi forçado a sair de sua terra natal, deixando para trás sua cultura, sua música, sua gastronomia… para viver em outro país, que nem sempre o acolhe como deveria. É preciso colocar-se no lugar do outro e acolher e agindo em prol da causa: seja como voluntário, doador ou multiplicador, o mais importante é partir para a ação e apoiar a quem precisa, e precisa muito”, explica Ana.

Não é de hoje que grande número de pessoas estão vivendo em países fora do seu local de nascimento e a cada dia aumenta o percentual de refugiados e migrantes no Brasil. Segundo informações do ACNUR/ ONU “pelo menos 89,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a deixar suas casas”.

Entre elas estão “quase 27,1 milhões de refugiados, cerca de metade dos quais têm menos de 18 anos”. “Entre janeiro e junho de 2022, o Brasil concedeu refúgio a 1.720 pessoas que buscam segurança fora de seu país de origem”. Atualmente com a crescente estagnação da economia global, os impulsos xenofóbicos se fortaleceram, criando condições cada vez mais difíceis para os migrantes e suas famílias.

“É preciso sobreviver para recomeçar em uma terra nova, com uma língua nova, um novo ofício, ou seja, são muitos desafios a serem vencidos, regados de muitas saudades, amizades e amores que ficaram para trás na sua terra natal”, finaliza.

O projeto Cultura Sem Fronteiras tem o incentivo da PC e do Grupo Montreal, Protel Administradora, Frontier Serviços, Barlovento Brasil Energias Renováveis e Grupo Rian. Apoio da Abraço Cultural e da MAWON, além do Museu Histórico da Cultura Afro Brasileira – MUHCAB que fica na Gamboa, RJ, chamada também de “Pequena África”

SERVIÇO:

Lançamento da 2ª. Temporada do projeto Cultura Sem Fronteiras pelo YouTube no Canal Culturasemfronteiras.

Dias 28 e 29 de janeiro, sábado e domingo, a partir das 17h. Grátis.

Ebook “Refugiados e Migrantes – Gente com a gente” com todas as informações, depoimentos, vídeos e lista de instituições. Para baixar: culturasemfronteiras.com/ebook

Rodas de Conversa (Talk shows) com a mediação de Ana Brites:

· Dia 28/1 – “Empreendedorismo Cultural Gerando Protagonistas Refugiados e Migrantes”

Convidados: Cacau Vieira (Diretora da Abraço Cultural e Representante do Núcleo de Educação e Cultura), Robert Montinard (cofundador da Mawon)

· Dia 29 /1 – “Direitos dos Refugiados e Migrantes no Brasil”

Convidados: Audrey Mandala e Alexandre Velho (Abraço Cultural)

Para finalizar a programação, exibição do poema “Somos Todos, Gente”. Os versos foram recitados por refugiados e migrantes de diversos países que moram no Brasil.

 É importante buscar meios para combater a xenofobia no Brasil! Para contribuir com essa e outras questões o “Cultura Sem Fronteiras”, que tem como embaixadora a escritora e novelista Thelma Guedes, chega às redes sociais em sua segunda temporada. O projeto reúne dicas e informações valiosas que estimulam a empatia para acolher os refugiados e migrantes em terras brasileiras, dando visibilidade às instituições que os acolhem.

O lançamento nos dias 28 e 29 de janeiro, a partir das 17h pelo YouTube, inclui, entre outras novidades, apresentação do “E-book” e “Rodas de Conversa”, gravadas no Muhcab – Museu da História e da Cultura Afro-brasileira. A realização é da Aloha Consultoria & Eventos e a idealização e curadoria de Ana Brites.

Para ela, o projeto “valoriza a bagagem cultural trazida pelos refugiados e migrantes que vivem no Brasil” e acrescenta: “É uma oportunidade de refletirmos sobre o aspecto multicultural de milhares de homens, mulheres e crianças, que foram forçados a deixarem suas casas, em busca de um local que possam chamar de lar”.

O projeto é multiplataforma como um storytelling e utiliza vários recursos interativos apresentando o tema: plataforma digital, vídeos, rodas de conversas, eventos, campanhas de doação e o livro “Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente” na versão digital para democratizar o acesso.

E-book gratuito para saber sobre a causa humanitária

Thelma Guedes assina prefácio do livro digital e em seu texto mostra a preocupação com a causa dos refugiados e migrantes, inspiração para sua novela “Órfãos da Terra” (TV Globo/ 2019) em coautoria com Duca Rachid. Prêmio de Melhor Telenovela na 48º edição do Emmy Internacional:

“Ao mesmo tempo em que dá voz às pessoas que estão na condição de refugiadas no Brasil, o livro abre um importante espaço para que os leitores se informem com mais profundidade sobre as instituições sérias, avalizadas pela Acnur, que fazem o trabalho de acolhimento, mas que precisam também ser acolhidas e apoiadas por toda a nossa sociedade”.

Como as pessoas podem contribuir com essa causa humanitária? Como se tornar um voluntário? Como fazer uma doação? Todas essas respostas estão disponíveis no E-book que contém uma lista de instituições pelo Brasil que oferecem diversos serviços desde o acolhimento à capacitação.

_ O Livro “Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente” é um passaporte que leva o leitor para um mundo que existe ‘bem debaixo do seu nariz’, cnvidando-o a conhecer de maneira lúdica e interativa a culinária, as tradições, costumes, arte e todos os aspectos culturais de cada uma das nacionalidades apresentadas” – explica Ana Brites.

A seguir, a curadora ressalta dois trechos do texto da autora de telenovelas:

“Como parte fundamental desse projeto, o livro ‘Refugiados e Migrantes – Gente como a Gente’, mais do que um simples livro, é uma celebração à vida. Ao tomar o leitor pela mão numa viagem afetuosa, ele constrói, a cada página, a cada imagem, a cada palavra, uma aproximação – reveladora e surpreendente – com essas mulheres, homens e crianças que vieram e continuam a vir para nosso país, procurando a possibilidade de reconstrução de suas vidas – muitos deles apenas com a roupa do corpo”.

“Apesar de virem de culturas tão diversas, temos a oportunidade de ver e sentir como essas pessoas se parecem conosco. E, apesar de terem passado por uma experiência tão terrível, não perderam, e não perderão nunca, suas referências. Por intermédio do livro, conhecemos suas receitas, suas memórias pessoais, narrativas de sua comunidade, seus desejos e sonhos, que são tão humanos…”.

Além disso, o internauta a qualquer hora poderá ter acesso a um rico intercâmbio cultural pelo site culturasemfronteiras.com, conhecendo os “Sabores da Terra” com receitas deliciosas; “Ritmos que encantam” apresenta a música e tradição; “Histórias sem Fronteiras”, quadro onde o espectador pode assistir histórias inspiradoras de superação

As exibições das “Rodas de Conversa”, assim como todas as apresentações, são permanentes no canal do projeto no YouTube (Cultura Sem Fronteiras) e conta com especialistas no assunto, focando em dois temas. No primeiro dia, “Empreendedorismo Cultural gerando Protagonistas Refugiados e Migrantes” e no segundo, “Direito dos Refugiados no Brasil”. Convidados: Cacau Vieira (diretora da Abraço Cultural e Representante do Núcleo de Educação e Cultura), Robert Montinard (cofundador da Mawon), Alexandre Velho, (Representante do Núcleo de Educação e Cultura da Abraço Cultural), Audrey Mandala (professor de francês e mediador da Abraço Cultural) e Hadi Bakkour (sírio, refugiado no Brasil e professor de árabe da Abraço Cultural).

A proposta é dar visibilidade para as Instituições que acolhem e apoiam o Ecossistema do Refúgio e Migração no Brasil, além de levar esperanças a essa população fazendo aflorar o empoderamento. Para isso, é preciso entender o que é a causa, desmistificando a ideia de que o refugiado é um fugitivo.

“Ele foi forçado a sair de sua terra natal, deixando para trás sua cultura, sua música, sua gastronomia… para viver em outro país, que nem sempre o acolhe como deveria. É preciso colocar-se no lugar do outro e acolher e agindo em prol da causa: seja como voluntário, doador ou multiplicador, o mais importante é partir para a ação e apoiar a quem precisa, e precisa muito”, explica Ana.

Não é de hoje que grande número de pessoas estão vivendo em países fora do seu local de nascimento e a cada dia aumenta o percentual de refugiados e migrantes no Brasil. Segundo informações do ACNUR/ ONU “pelo menos 89,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a deixar suas casas”.

Entre elas estão “quase 27,1 milhões de refugiados, cerca de metade dos quais têm menos de 18 anos”. “Entre janeiro e junho de 2022, o Brasil concedeu refúgio a 1.720 pessoas que buscam segurança fora de seu país de origem”. Atualmente com a crescente estagnação da economia global, os impulsos xenofóbicos se fortaleceram, criando condições cada vez mais difíceis para os migrantes e suas famílias.

“É preciso sobreviver para recomeçar em uma terra nova, com uma língua nova, um novo ofício, ou seja, são muitos desafios a serem vencidos, regados de muitas saudades, amizades e amores que ficaram para trás na sua terra natal”, finaliza.

O projeto Cultura Sem Fronteiras tem o incentivo da PC e do Grupo Montreal, Protel Administradora, Frontier Serviços, Barlovento Brasil Energias Renováveis e Grupo Rian. Apoio da Abraço Cultural e da MAWON, além do Museu Histórico da Cultura Afro Brasileira – MUHCAB que fica na Gamboa, RJ, chamada também de “Pequena África”

SERVIÇO:

Lançamento da 2ª. Temporada do projeto Cultura Sem Fronteiras pelo YouTube no Canal Culturasemfronteiras.

Dias 28 e 29 de janeiro, sábado e domingo, a partir das 17h. Grátis.

Ebook “Refugiados e Migrantes – Gente com a gente” com todas as informações, depoimentos, vídeos e lista de instituições. Para baixar: culturasemfronteiras.com/ebook

Rodas de Conversa (Talk shows) com a mediação de Ana Brites:

· Dia 28/1 – “Empreendedorismo Cultural Gerando Protagonistas Refugiados e Migrantes”

Convidados: Cacau Vieira (Diretora da Abraço Cultural e Representante do Núcleo de Educação e Cultura), Robert Montinard (cofundador da Mawon)

· Dia 29 /1 – “Direitos dos Refugiados e Migrantes no Brasil”

Convidados: Audrey Mandala e Alexandre Velho (Abraço Cultural)

Para finalizar a programação, exibição do poema “Somos Todos, Gente”. Os versos foram recitados por refugiados e migrantes de diversos países que moram no Brasil.

Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=pzKESxlml7A&t=4s

tupi.fm

www.miguelimigrante.blogspot.com



quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Religiosas de 15 países se reúnem em Caxias para debater missões com imigrantes e refugiados

 

Grupo está reunido no Instituto São Carlos

Unidas pela fé, pelo amor ao próximo e o zelo pelo ser humano, 43 irmãs da Congregação Scalabriniana estão reunidas em Caxias do Sul para traçar objetivos e partilhar experiências de atuação em mais de 15 países ao redor do mundo. 

Caxias foi escolhida para sediar a 10ª Assembleia Geral do grupo de irmãs, que atuam em missões com migrantes e refugiados ao redor do mundo. A programação segue até domingo (29) no Instituto São Carlos, no bairro Marechal Floriano. Presentes em todos os continentes, as irmãs buscam garantir informação, acesso a direitos básicos, aprendizado de língua estrangeira e cursos profissionalizantes nos países onde estão presentes. 

Janete Ferreira, conselheira-geral da congregação, explica que, no encontro, temas importantes são abordados e discutidos pelas religiosas, desde a reorganização interna da congregação até formações sobre diversos temas que afetam o dia a dia das missões internacionais. 

— Todas as irmãs estão hospedadas no Instituto São Carlos. Temos irmãs vindas de 15 países e é uma riqueza muito grande poder conviver com migrantes e refugiados em tantos lugares do mundo. Durante nosso encontro, temos momentos de reflexão, estudo de temas importantes, muita discussão, trabalhos em grupo e pesquisa de tendências para qual caminho queremos seguir — explica Janete. 

As 43 irmãs presentes no encontro em Caxias trabalham em países onde os fluxos migratórios são intensos, ou que sofrem com algum tipo de conflito civil e que o trabalho humanitário seja necessário. São representantes de missões religiosas na África do Sul, na Argentina, no Brasil, no Canadá, no Equador, na Espanha, nos Estados Unidos, nas Filipinas, em Honduras, na Itália, na Indonésia, na Índia, no México, em Moçambique e na República Dominicana que buscam entender os rumos da crise migratória mundial e de que forma podem contribuir para a regularização dos imigrantes e ajudá-los a ingressar no mercado de trabalho.


Ao redor do mundo, um mesmo objetivo


As irmãs scalabrinianas são um forte apoio no acolhimento de estrangeiros. Elas prestam assistência em tarefas como regularização de documentos, validação de diplomas, acesso ao ensino da língua local e cursos profissionalizantes para a reinserção no mercado de trabalho. As religiosas também buscam trabalhar em colaboração com órgãos públicos e organizações civis. 

A irmã Giuliana Bosini, italiana que veio ao Brasil para participar do encontro, explica que o trabalho não é apenas com imigrantes e refugiados, mas também com as irmãs que fazem parte da missão e que estão, diariamente, em contato com o público.

— Na Itália, nós acolhemos um grupo de mulheres e crianças refugiadas da Guerra da Ucrânia, que tiveram que deixar para trás seus maridos no conflito. Na Itália, assim como em Caxias do Sul, temos dois Centros de Atenção ao Migrante, em Roma e em Placência, onde eles aprendem o idioma e têm acesso aos cursos profissionalizantes — complementa.

A hondurenha Dina Mendoza atua na missão religiosa que atende a América Central, junto de outras quatro irmãs. Ela explica que os países caribenhos e a América Central são rotas migratórias para refugiados e migrantes de todo o continente americano. Dina conta que os atendimentos englobam desde deportações, até pessoas que ficaram mais de um ano presas por tentarem ingressar ilegalmente nos Estados Unidos. 

— Nós prestamos ajuda imediata focada na alimentação, transporte, acompanhamento psicológico... Porque muitas pessoas chegam até nós depois de uma rota migratória que dura cerca de um ou dois meses ou que estiveram encarceradas por um ano, até dois anos e essas pessoas retornam psicologicamente e até fisicamente feridas — revela a religiosa.

Centro em Caxias é referência no Estado


Em Caxias do Sul, a congregação também presta apoio aos imigrantes que chegam ao município. O Centro de Apoio ao Migrante (CAM), referência no Estado, conta com setor de empregabilidade e oferta cursos profissionalizantes, principalmente para a área da indústria. De acordo com a irmã Celsa Zucco, responsável pelo CAM, no ano passado foram atendidas pessoas de mais de 50 nacionalidades. 

— Em primeiro lugar, nós prestamos o acolhimento a esses migrantes e refugiados. Depois, nós temos diferentes serviços, mas o primeiro é sempre regularizar os documentos, para que eles sejam reconhecidos como cidadãos. Outra grande preocupação é com a segurança alimentar desses migrantes — explica Celsa.

Assim como em outros países, a preocupação do CAM em Caxias é de incluir de fato o imigrante. A congregação firmou parceria com universidades e também com o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para garantir que os estrangeiros possam se inserir na sociedade de forma regularizada e, principalmente, com emprego e conhecimento da língua local. 

gauchazh

www.miguelimigrante.blogspot.com

Crises mudam padrões do tráfico humano e dificultam a identificação das vítimas

 Dados sobre redução no número de pessoas traficadas no mundo não indicam uma queda real no crime, mas sim uma maior dificuldade para identificar as vítimas.

Esta é uma das constatações do Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas, divulgado nesta terça-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc.

Uma vítima de tráfico humano depois de concluir um programa de reintegração
©IOM/S.Desjardins
 
Uma vítima de tráfico humano depois de concluir um programa de reintegração

Como a pandemia impactou o tráfico de pessoas

Em 2020, houve uma queda de 11% em relação ao ano anterior, impulsionada pelos países de baixa e média renda. Além de reduzir as oportunidades de atuação dos traficantes, a pandemia pode ter enfraquecido também a capacidade das autoridades de detectar as vítimas.

A pesquisadora do Unodc, Claire Healy, explicou à ONU News, de Viena, alguns dos fatores que podem ter influenciado essas estatísticas.

“O número de casos de tráfico para trabalho forçado e o número de casos do tráfico de homens aumentaram um pouco, mas o número de mulheres identificadas como vítimas e o número de casos de exploração sexual diminuíram porque não houve a mesma capacidade. O segundo fator é que a exploração sexual foi mais clandestina durante a pandemia, não teve lugar nos lugares normais, digamos, em que acontecia antes da pandemia, foi mais underground. E o terceiro fator, e isso é a única coisa mais positiva em tudo isso, é que não houve tantas oportunidades para a exploração sexual, para tráfico, para exploração durante a pandemia, também por causa das restrições.”

Brasil, Portugal, Angola e Moçambique

A sétima edição do relatório abrange 141 países e fornece uma visão geral dos padrões e fluxos de tráfico de pessoas em níveis global, regional e nacional, com base em casos de tráfico entre 2017 e 2021.

No Brasil, em 2020, o número registrado desses crimes se manteve como no ano anterior. Já em 2018 houve um aumento de 72% em relação a 2017. Entretanto, o número de suspeitos, presos ou indiciados por tráfico de pessoas caiu 70% em 2020, comparado com 2019.

Em Portugal, a queda de vítimas identificadas de tráfico foi de cerca de 49% em 2020, comparada com o ano anterior. Já a quantidade de suspeitos, presos ou indiciados por tráfico de pessoas caiu 24% de 2020 para 2019.

Entre os países de língua portuguesa na África citados no relatório, Angola teve uma diminuição de 17% nos casos registrados e Moçambique teve um aumento de 42%.

Cabo Verde não teve nenhum caso registrado neste período.

Crianças e mulheres permanecem altamente vulneráveis ao tráfico na Ásia e no Oriente Médio.
© Unicef/Shehzad Noorani
 
Crianças e mulheres permanecem altamente vulneráveis ao tráfico na Ásia e no Oriente Médio.

Impunidade

Globalmente, o número de condenações por crimes de tráfico também caiu 27% em 2020 em relação ao ano anterior, com quedas maiores no Sul da Ásia, 56%, América Central e Caribe, 54%, e América do Sul, 46%.

Claire Healy alerta que a cada dois anos quando é feito o relatório, sempre há o problema grande da impunidade.

“Piorou bastante durante os últimos dois, três anos, porque houve menos capacidade não só de identificar casos de tráfico de pessoas, mas também de fazer processos criminais contra os autores. Aí, vimos não só pela primeira vez, uma diminuição de identificação de vítimas, mas também uma diminuição de investigações e de condenações dos autores, o que é uma situação muito perturbante, porque realmente as vítimas de tráfico de pessoas não estão tendo acesso a um direito da justiça.”

O relatório mostra ainda que as vítimas, quando são identificadas, escapam dos traficantes por conta própria.

Sociedade civil e agentes da lei

Há mais casos de pessoas que escapam e denunciam às autoridades por sua própria iniciativa, 41%, do que situações em que as vítimas foram localizadas por agentes da lei, 28%, membros da comunidade e sociedade civil, cerca de 11%.

Para o Unodc, isso é especialmente preocupante, considerando que muitas vítimas de tráfico podem não se identificar como tal ou podem ter muito medo de seus exploradores para tentar escapar.

A diretora executiva da agência, Ghada Waly disse que “a ONU e a comunidade de doadores precisam apoiar as autoridades nacionais, principalmente nos países em desenvolvimento, para responder às ameaças do tráfico e para identificar e proteger as vítimas, especialmente em estados de emergência.”

Há mais riscos de tráfico para exploração sexual como forma de violência sexual em conflito nas áreas do extremo norte
PMA/Claire Nevill
 
Há mais riscos de tráfico para exploração sexual como forma de violência sexual em conflito nas áreas do extremo norte

Impacto dos conflitos no tráfico de pessoas

O relatório também detalha como a guerra e o conflito oferecem oportunidades para os criminosos. Isso mostra que a guerra na Ucrânia está elevando os riscos de tráfico para a população deslocada. A maioria das vítimas de conflitos tem origem e é traficada para países da África e do Oriente Médio.

O estudo mostra níveis mais altos de impunidade na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Os países dessas regiões condenam menos traficantes e detectam menos vítimas do que o resto do mundo.

Além disso, as vítimas são identificadas em uma gama mais ampla de países de destino do que as de outras regiões.

Mulheres mais vulneráveis

O relatório também mostra que as vítimas do sexo feminino estão sujeitas a violência física ou extrema nas mãos de traficantes em uma taxa três vezes maior do que os homens, e as crianças são submetidas quase duas vezes mais que os adultos.

As mulheres investigadas por tráfico de pessoas também têm uma probabilidade significativamente maior de serem condenadas do que os homens.

Isso sugere que o sistema de justiça pode discriminar as mulheres e/ou que o papel das mulheres nas redes de tráfico pode aumentar a probabilidade de serem sentenciadas pelo crime.


onunews


www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Restaurante de imigrantes peruanos em SP sofre ataques xenofóbicos

 

Rovena Rosa Agencia Brasil

Alvo de ataques xenofóbicos, o restaurante peruano Doña Bertha, em São Paulo, tem passado dias difíceis por causa do posicionamento político exposto na placa que fica na entrada do local. Em uma delas, os donos do restaurante escrevem, entre informações sobre o atendimento, mensagens de apoio ao presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de repúdio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O restaurante também escreveu mensagem em que lamentou as manifestações ocorridas no Peru e se solidarizou com o povo peruano. Diante dessas mensagens, sofreu diversos ataques xenofóbicos, com comentários de ódio e ameaças, nas redes sociais e em avaliações do Google. As mensagens atacam o posicionamento político dos proprietários e difamam a imagem do restaurante, são vários comentários negativos sobre o serviço oferecido, mas que, segundo lamenta o gerente, Martín Suárez, visam somente atacar o restaurante.  

“O pesadelo foi na sexta-feira (20) por volta das 13h: foi uma um ataque em massa de todos os lados, veio no Instagram, no Facebook, no Twitter mensagem pela página do próprio Google com a a avaliação de uma estrela [a pior avaliação] e com xingamentos. Ainda tiveram as ligações no telefone fixo e no celular do restaurante. Foi bem assustador!”, relatou o peruano Martín Suárez, que gerencia, junto com a mãe, a cozinheira Doña Bertha, o restaurante que está há 11 anos no Brasil.  

O gerente relata que as ameaças são extensivas a outros estabelecimentos da região. “Entre as ameaças falaram que o nosso negócio vai falir, mandaram até a captação da imagem de uma página do Google Maps sobre alguns bares de esquerda na Santa Cecília e Campos Elíseos que estão na lista deles e ameaçando de que vamos todos falir, vamos fechar”. 

Ameaça

Ano passado, Suarez conta sobre um ataque que já dava o tom do que estava por vir. “No dia 31 de dezembro do ano passado uma senhora parou na nossa porta e fez xingamentos. Ela ainda mandou a gente de volta para o nosso país e tentou apagar a nossa placa. Depois ela ligou no meu celular falando as mesmas coisas e que a gente ia se arrepender”. 

Para se proteger, ele diz que não têm atendido a ligações e que o atendimento, que já era feito somente aos finais de semana e com as portas fechadas, está mantido, por segurança da casa.  “Espero que isso pare e que não aconteça com estabelecimentos de imigrantes, nenhum tipo de estabelecimento merece esse tratamento, independente de onde eles sejam. Estamos vendo a parte legal, de encontrar nomes e pessoas para poder entrar em uma ação civil. Temos clientes, que são advogados, nos ajudando”. 

Crime

Na visão da advogada Mariana Chiesa, do escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados, é lamentável que as pessoas sejam atacadas em razão de suas opiniões políticas ou origem nacional e lembra que os discursos de ódio, discriminação e violência contra os imigrantes é crime. 

“O tipo penal de racismo protege todos contra crimes resultantes de discriminação, inclusive por procedência nacional. Sendo assim, qualquer prática discriminatória, incluindo a recente mudança legislativa de injuriar alguém, ofendendo a sua dignidade ou o decoro, em razão de procedência nacional, pode ser classificada como o crime inafiançável e imprescritível de racismo”.

A advogada destaca que a xenofobia vem crescendo no país. “O Disque 100 (Disque Direitos Humanos) já em 2015 sinalizava para um aumento de 663% com relação ao ano anterior de denúncias envolvendo violação dos direitos de migrantes (xenofobia).

Em uma década, o volume de trabalhadores estrangeiros no Brasil saltou de 62.423, em 2011, para 181.385, em 2020, conforme relatório do Observatório das Migrações Nacionais (OBMigra – órgão vinculado ao Ministério da Justiça)”.   

O dado contempla diferentes tipos de imigração, incluindo refugiados ou imigrantes que ingressam com concessão de visto. No entanto, é possível que o número de pessoas não documentadas e que não foram registradas seja ainda maior.

“Podemos aferir que a chegada de imigrantes ocupando o mercado formal e informal de trabalho numa situação de crise econômica aumenta as tensões sociais, que podem se manifestar em forma de xenofobia, conforme os indicadores já registravam oito anos atrás”.

Na opinião da advogada, um fator que pode colaborar para o aumento da xenofobia é o crescimento de manifestações de caráter ultranacionalistas e extremas, “como a que assistimos recentemente nos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro. O patriotismo exacerbado, que pode levar a xenofobia, é resposta frequente à desigualdade social, principalmente se levarmos em consideração a situação de vulnerabilidade que muitos imigrantes chegam no Brasil: de forma não documentada, sem nem mesmo conhecer a língua portuguesa, e em situação financeira precária”.

Para a advogada, soma-se ao cenário o abandono do Pacto Global para Migração. “Soma-se a falta de compromisso do Governo Federal nos últimos anos, o qual tomou a decisão de formalmente abandonar o Pacto Global para a Migração. A ausência de políticas públicas consistentes para assegurar dignidade aos imigrantes também contribui para torná-los mais vulneráveis à violência e ao discurso de ódio”.

Proteção 

A advogada destaca que o imigrante pode contar com os órgãos de apoio ao imigrante, como o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes, vinculado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. “Ele oferece apoio especializado e multilíngue aos imigrantes, independentemente de sua situação migratória (documentada ou não documentada)”. 

A cidade de São Paulo também tem delegacia especializada, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), localizada na Rua Brigadeiro Tobias, 527, 3º andar, Luz, que pode auxiliar o imigrante  ao receber denúncias de crimes.

Edição: Aline Leal

MJSP lança Observatório Moïse Kabagambe para discutir política de migrações e refúgio

  

Foto: Isaac Amorim/MJSP

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e a presidenta do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Sheila de Carvalho, homenagearam, em solenidade realizada nesta segunda-feira (23), o refugiado congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, cujo brutal assassinato completará um ano no dia 24 de janeiro de 2023. O evento aconteceu no auditório do Palácio da Justiça, em Brasília.

Na ocasião, o ministro Flávio Dino assinou a Portaria nº 290/2023, que institui Grupo de Trabalho voltado para a Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia. O trabalho será coordenado pelo Departamento de Migrações (Demig), da Secretaria Nacional de Justiça, do MJSP.   

“A Esplanada dos Ministérios não deve ser desconectada daquilo que se passa pelo coração do povo. Governa bem quem conecta ação com o coração dos que sofrem. Por isso, que nós aderimos a essa pauta e desejo ao secretário Nacional de Justiça, Augusto Botelho, e à presidenta do Conare, Sheila de Carvalho, que consigam envolver todos no grande abraço coletivo em memória do Moïse e de todos os refugiados e apátridas que precisam da ação do estado brasileiro. O Brasil também é dos migrantes, dos refugiados e apátridas. Só pode ser patriota quem entende essa dimensão universal”, destacou o ministro.

Durante a solenidade, Sheila de Carvalho lançou o “Programa de Atenção e Aceleração de Políticas de Refúgio para Pessoas Afrodescendentes” e anunciou a implementação do Observatório Moïse Kabagambe – Observatório da Violência contra Refugiados. “Ao lançar um programa focado em políticas de atenção ao refúgio para pessoas afrodescendentes, sabemos que temos grandes desafios estruturais na sociedade brasileira.  Quando desenvolvemos políticas para migrantes refugiados, desenvolvemos políticas para toda a população”, esclareceu a presidenta do Conare.

O Programa e o Observatório

A proposta de criação de um observatório para mapear a violência contra refugiados se insere no escopo das medidas necessárias para monitorar e combater a prática de violência e de xenofobia contra a população solicitante de reconhecimento da condição de refugiado e, também, contra as pessoas refugiadas reconhecidas pelo Brasil.

O Programa tem foco na proposição de políticas públicas e na construção de parcerias com organizações da sociedade civil, organizações internacionais, estados e municípios com vistas à universalização de boas práticas direcionadas à população refugiada afrodescendente, o que compreenderá tanto as pessoas nacionais de países africanos quanto àquelas cujos ancestrais tenham nascido na África.

Caso Moïse Mugenyi Kabagambe

A família de Moïse Kabagambe ainda busca judicialmente respostas para o crime. Ele foi vítima de xenofobia e de racismo, além de ter os direitos trabalhistas e humanos violados. Faltando apenas três meses para completar 25 anos, Moïse foi assassinado em um quiosque da Barra da Tijuca, capital do Rio de Janeiro.

O jovem não tinha vínculo trabalhista com o quiosque e teria ido ao local, na data do crime, cobrar por dois dias de trabalho prestado. Ele foi agredido por vários homens, que o espancaram usando pedaços de pau e um taco de beisebol.

Kabagambe teve o reconhecimento da sua condição de refugiado declarada pelo Estado brasileiro em 28 de setembro de 2012. Cursou até a segunda série do ensino médio e morava em um conjunto habitacional originado do programa "Minha casa, minha vida", em Barros Filho (RJ), onde também vivem cerca de 40 refugiados congoleses. 

O crime repercutiu intensamente na mídia nacional e internacional e provocou protestos por justiça e contra o racismo em 13 capitais. Membros da família de Moïse relataram, por sua vez, que se sentiram intimidados por policiais militares em diversas ocasiões posteriores à morte do jovem congolês.

Pessoas congolesas refugiadas no Brasil

Até dezembro de 2022, o Conare reconheceu 1.474  congoleses como refugiadas no Brasil. De acordo com dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), os primeiros reconhecimentos, 21 no total, ocorreram há 30 anos. A maioria dessas

pessoas foram reconhecidas quando tinham entre 30 e 45 anos (581). Ao longo dos últimos sete anos (2016 a 2022), 911 pessoas da República Democrática do Congo solicitaram o reconhecimento da condição de refugiado ao estado brasileiro.

gov.br/mj/pt-br

www.miguelimigrante.blogspot.com

 

Clique aqui e veja a Portaria Nº 290/2023 


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Enfrentar a justiça por ajudar migrantes? Na Europa é cada vez mais comum

Há cada vez mais pessoas alvo de processos judiciais por prestarem ajuda a migrantes. Em Itália e na Grécia mas também na Polónia e na Hungria, que não têm mar. Com os fluxos migratórios longe de acalmar - estão, aliás, a voltar a crescer - é pouco provável que a situação venha a modificar-se num futuro próximo. Neste episódio discute-se a criminalização da ajuda humanitária e os pontos fortes e fracos da nova lei de vistos de trabalho que Portugal aprovou em outubro

A criminalização da ajuda humanitária não é um fenómeno recente. A maioria das leis dos Estados-membros da União Europeia preveem penas pesadas para crimes como “auxílio à imigração ilegal” ou “tráfico de seres humanos” há décadas, e ainda bem que assim é. Desde o eclodir da urgência humanitária, em 2014/2015, os trabalhadores humanitários queixam-se que estas tipificações criminais estão a ser cada vez mais usadas para tentar dificultar a ação das organizações de auxílio e resgate de pessoas em trânsito.

Qualquer coisa pode ser considerada auxílio à imigração ilegal, oferecer comida e um cobertor, por exemplo, como foi o caso de Sarah Mardini, uma refugiada síria presa na Grécia, em 2018, precisamente por isso, apesar de ao seu lado estarem membros da Guarda Costeira grega também a prestar auxílio a quem ia chegando à ilha de Lesbos.

O caso de Sara foi finalmente ouvido esta semana, precisamente na ilha de Lesbos, e o juiz considerou a investigação dos procuradores tão porosa que devolveu o caso todo para nova investigação. Com este caso como pano de fundo, neste episódio de O Mundo a Seus Pés falamos com Miguel Duarte, ativista que já fez sete viagens em barcos de resgate de migrantes, e Emellin de Oliveira, jurista e investigadora na área da imigração junto do Nova Asylum Policy Lab, onde trabalha para escrutinar e melhorar as leis públicas portuguesas para estas populações, para debater as consequências deste fenómeno e também o que é bom e menos bom na nova lei de vistos de trabalho para estrangeiros que Portugal aprovou em outubro.

expresso.pt

www.miguelimigrante.blogspot.com 


Fórum Social Mundial 2023 começa hoje em Porto Alegre

 


O Fórum Social Mundial (FSM) 2023 será iniciado hoje (23), em Porto Alegre, para terminar no dia 28. Com o tema “Democracia, direitos dos povos e do planeta – Outro mundo é possível”, o evento terá mais de 150 atividades realizadas por centenas de movimentos e organizações sociais do Brasil e de outros países.

Espaço de debates com diferentes movimentos sociais, o FSM foi realizado pela primeira vez em Porto Alegre, em 2001. O fórum é um contraponto à agenda neoliberal e capitalista do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.

Segundo a organização, a realização do FSM este ano se justifica devido a um cenário internacional de “futuro trágico”, com o aprofundamento da crise socioambiental, o aumento das desigualdades causadas por políticas neoliberais excludentes, que criaram as condições para o surgimento de movimentos fascistas em toda parte do mundo capitalista.

“Esses movimentos ganham força popular pela desesperança que assola parte significativa da base das nossas sociedades. Sem a superação das políticas neoliberais, não será possível enfrentar as causas das crises econômicas, ambientais, sociais e democráticas. Não será possível combater de forma eficaz o fascismo em suas várias faces”, indica a organização do FSM.

Os organizadores do fórum também apontam a vitória nas urnas, em outubro de 2022, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um importante marco para a América Latina na luta contra “o fascismo, o racismo, o patriarcado e as desigualdades.”

“Essa mudança é popular, é democrática, é negra, é indígena, é feminista, é em defesa do meio ambiente e só será efetiva se houver organização e mobilização popular desde o princípio”, diz a organização.

Mobilização

Os organizadores disseram, ainda, que este ano, devido ao pouco tempo para convocação e mobilização, o evento será regional, porém, de caráter mundial, com as atividades sendo realizadas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, outros espaços da cidade e também virtualmente.

Nesta edição do FMS serão realizadas, entre outras atividades, reuniões para a organização da 17ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), atividades autogestionadas, debates sobre acesso à justiça, combate ao racismo, papel das mulheres nas lutas feministas, violência contra profissionais da imprensa, desafios no enfrentamento das consequências da pandemia do novo coronavírus (covid-19) e desastres em barragens de mineração, como o que ocorreu há quatro anos em Brumadinho, em Minas Gerais.

Entre os convidados, figuram ativistas sociais de diferentes movimentos, lideranças indígenas, do movimento negro, LGBT+, estudantil, sindicalistas, as ministras da Cultura, Margareth Menezes, da Saúde, Nísia Trindade e a vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez.

Edição: Kleber Sampaio

Agencia Brasil

www,miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 21 de janeiro de 2023

Governo federal precisa regulamentar articulação do atendimento aos refugiados no Brasil, afirma estudioso

 


Internacionalmente reconhecido como um país acolhedor, o Brasil é uma das raras nações que instituiu um visto temporário para acolhida humanitária, previsto na Lei de Imigração, de 2017. Mas, diante de algumas crises migratórias recentes, como a venezuelana e a afegã, o governo federal tem alguns desafios importantes pela frente.

De acordo com William Laureano Rosa, doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Sussex, da Inglaterra, e professor convidado do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (programa interinstitucional de Unesp, Unicamp e PUC-SP), é fundamental que o governo que se inicia renove o olhar brasileiro para a questão dos refugiados, criando uma política nacional para o acolhimento de imigrantes e refugiados que coordene e integre ações de assistência social tomadas por estados e municípios.

“Temos iniciativas locais, leis locais, importantíssimas no sentido de garantia de direitos, mas não uma política nacional. Neste novo momento, isso é importantíssimo”, afirma William Laureano Rosa, que atua hoje como assistente de elegibilidade do escritório do ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, em São Paulo.

A legislação brasileira que definiu mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados de 1951, convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) criada para normatizar o tema após a Segunda Guerra Mundial, é de 1997 e adota um conceito ampliado para o reconhecimento de refugiados, o que é elogiado por quem trabalha com a temática. A aplicação dos princípios legais, entretanto, está muito centrada no Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão deliberativo vinculado ao Ministério da Justiça.

Segundo William Laureano Rosa, o aumento do diálogo entre os entes federativos, a ampliação da participação social e uma melhora da atuação do Conare poderiam evitar a demora do reconhecimento da condição de refugiado no país. Na visão do estudioso, tais mudanças poderiam ser viabilizadas por meio da regulamentação do Artigo 120 da Lei de Imigração, dispositivo que versa sobre a finalidade da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia e cita a cooperação entre Estados, Distrito Federal e Municípios e a participação da sociedade civil organizada, organismos internacionais e entidades privadas nessa articulação.

Existem no país entre 120 mil e 150 mil solicitantes de refúgios aguardando uma decisão, o que tem demorado alguns anos para ocorrer, relatou o integrante do ACNUR em sua participação no podcast Prato do Dia. “Talvez seja o momento de repensarmos como o Conare vai fazer, como dar uma celeridade para os casos. Em 2014 ou 2015, a pessoa tinha uma resposta em seis meses”, lembra. “Temos hoje um processo de refúgio muito lento.”

Um dos principais entraves para a acolhida humanitária, quiçá o principal, é a criação de uma estrutura de financiamento, o que só existe hoje para a situação venezuelana, na Operação Acolhida, liderada pelas Forças Armadas em Roraima. Além do país vizinho, repercutem no Brasil também os deslocamentos de afegãos, ucranianos e sírios, entre outros. Atualmente, três entidades são fundamentais para o atendimento das pessoas que solicitam refúgio no Brasil, todas filantrópicas: a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro e o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), de Brasília.

Jornal Da Unesp

www.miguelimigrante.blogspot.com

Estados Unidos anunciam novas políticas de imigração para Cuba, Haiti e Nicarágua

 

(Foto: Jorge Cabrera/Reuters/Ag. Brasil)

Os Estados Unidos vão permitir a entrada de até 30 mil migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela todos os meses, mas vão endurecer as restrições, já aplicadas com a chegada da pandemia de covid-19, para quem tentar cruzar a fronteira com o México sem a documentação necessária.

A cota de migrantes será limitada àqueles que já possuem um patrocinador financeiro nos EUA e passam por uma triagem de segurança, permitindo que vivam e trabalhem no país por até dois anos. 

E aqueles que tentarem entrar ilegalmente serão expulsos sob o regulamento sanitário conhecido como Título 42 com a intervenção da polícia e em coordenação com o México. 

Um programa semelhante para venezuelanos foi lançado em outubro, com uma cota de 24 mil por ano, e agora está sendo estendido a outras nacionalidades com o objetivo de aliviar a pressão migratória na fronteira sul dos Estados Unidos. 

“Hoje estamos anunciando algumas medidas significativas que estamos tomando não apenas para aumentar os caminhos legais para os Estados Unidos, mas também para continuar a impor consequências àqueles que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos”, disse um alto funcionário do governo Biden.

“Os caminhos legais que estamos anunciando hoje são generosos, mas ao mesmo tempo há sérias consequências se forem contornados”, disse o funcionário. 

De acordo com o plano anunciado, o México aceitará até 30.000 migrantes expulsos por mês de Cuba, Nicarágua, Haiti e Venezuela, de acordo com um informativo da Casa Branca. Em novembro, agentes de fronteira dos EUA encontraram 82.000 migrantes dessas nacionalidades na fronteira com o México, segundo dados do governo. 

Os migrantes que não puderem ser removidos para o México serão cada vez mais submetidos a um processo de remoção conhecido como “remoção acelerada”, disse um alto funcionário.

Conforme relatado por funcionários do governo Biden, a expansão é baseada no "sucesso" do plano para os imigrantes venezuelanos.

"Foi comprovado que um caminho legal simplificado reduz a migração irregular e facilita a migração segura e ordenada", disse um funcionário a repórteres. 

Segundo as autoridades, graças ao plano para os venezuelanos, o número de migrantes venezuelanos que chegam à fronteira foi reduzido em 90%, uma queda "dramática" no número daqueles que "optam por arriscar suas vidas usando traficantes".

O número recorde de chegadas e detenções de migrantes deu a Biden uma crescente dor de cabeça política.

Mais de dois milhões de pessoas foram presas tentando cruzar a fronteira no último ano fiscal, encerrado em 30 de setembro, um aumento de 24% em relação ao ano anterior. 

Em dezembro, a média diária de apreensões na fronteira terrestre ficou entre 700 e 1.000, sem contar os migrantes de Cuba e Haiti que tentaram chegar ao território norte-americano por via marítima. 

Do total de detenções, cerca de 500 mil corresponderam a cidadãos venezuelanos, cubanos e nicaragüenses.

Título 42

Os migrantes que não tiverem um patrocinador e tentarem entrar nos EUA ilegalmente serão expulsos com base no Título 42.

Esse título, uma antiga regra de saúde pública ativada durante a presidência de Donald Trump, permitia a expulsão de migrantes devido à emergência sanitária do coronavírus sem que eles tivessem a oportunidade de solicitar asilo. 

Segundo as autoridades norte-americanas naquele momento, esse título foi introduzido para ajudar a prevenir a propagação da covid-19 nos centros de detenção.Passada a pandemia, a medida, porém, é mantida.

Organizações que defendem os direitos dos migrantes, afirmam ser uma "política anti-imigração disfarçada de medida de proteção à saúde". 

O Título 42 foi aplicado desproporcionalmente às nacionalidades que o México aceita receber: além de seus próprios cidadãos, guatemaltecos, hondurenhos, salvadorenhos e, mais recentemente, venezuelanos.

Somente no último ano fiscal, dos que retornaram pela fronteira, 962.000 vieram do México, Guatemala, Honduras e El Salvador, e menos de 10.000 da Venezuela, Nicarágua e Cuba.

Eliminar o Título 42 foi uma das principais promessas de campanha de Biden, mas a Suprema Corte o manteve.

Brail 247 

www.miguelimigrante.blogspot.com