quinta-feira, 26 de julho de 2018

Imigrantes venezuelanos começam a se adaptar à nova vida em Brasília

O casal de Venezuelanos  Gimelson Jose Corsega Espinoza  e Rosimar Janet Maria, com os filhos falam sobre as instalações do abrigo e as condições oferecidas pela ONG.
O cheiro do café nas proximidades das pequenas casas mantidas pela organização Aldeias Infantis SOS, em Brasília, já dá sinais de que as 12 famílias de venezuelanos que desembarcaram na tarde de ontem (24) na capital começam a se adaptar a uma nova vida. "A diferença é enorme do lugar em que estávamos. Lá eram barracos e aqui temos quatro paredes. A família toda está feliz", confirma a venezuelana Rosimar Yanet Marin, ao lado do marido Gimelson Jose Corsega.
A família, que ainda inclui duas crianças - Cesar e Aaron - estava em um dos alojamentos em Boa Vista, Roraima, desde que chegaram ao Brasil. O pai, veio primeiro, em novembro do ano passado. A mulher chegou um mês depois, com o filho pequeno, mas voltou para Venezuela para buscar o enteado que só chegou ao país em maio. "Meu sonho agora é trabalhar de forma honesta e ver meus filhos na escola", disse ela.
Desde ontem, os venezuelanos recebidos em Brasília -  que, pela primeira vez participou do programa de reintegração desses migrantes - passaram a ocupar as casas do abrigo. No grupo, estão 27 adultos, três adolescentes de 14 a 15 anos, 13 crianças com idades entre 3 e 11 anos, além de sete bebês de até dois anos de idade.

Levantamento

Sérgio Marques, sub-gestor nacional da Aldeias Infantis SOS, explicou que a organização está levantando informações sobre a formação profissional e habilidades dos adultos para encaminhá-los ao mercado de trabalho, além de identificar a escolarização das crianças para inseri-las em escolas da rede pública imediatamente.
A dificuldade neste levantamento, segundo ele, é a falta de documentos comprobatórios que garantiriam a validade de diplomas e, no caso dos menores, o nível escolar. A previsão é que todo esse trabalho produza frutos para as famílias em até seis meses. Por enquanto, o custo médio mensal pela manutenção, em condições mínimas, de cada um dos venezuelanos é de R$ 700, bancados pelo Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Cada casa é composta por quatro quartos, dois banheiros, uma sala de estar e outra de jantar, além de cozinha e área de serviço.
"Vamos desenvolver um plano de ação para cada família e cada uma terá seu tempo próprio para se ajustar", explicou Marques. No caso das crianças, além da vaga nas escolas, será garantido um reforço escolar e aulas de português. Para os adultos, a preocupação maior é assegurar que estejam formalizados. "O objetivo é fiscalizar para sempre estarem dentro da formalidade. E, mesmo que sejam trabalhos temporários, exigir a emissão de uma nota fiscal pelo pagamento de diárias", completou.

Nova oportunidade

Aberto a todas as possibilidades, o patriarca da família, Gimelson, fez um apelo para ajudas vindas de qualquer pessoa e disse estar disposto a arregaçar as mangas para dar nova oportunidade a sua família. Na Venezuela, ele trabalhou como motorista de uma petroleira ligada a estatal PDVSA. Aqui no Brasil, enquanto aguardava a chegada de seus parentes, já teve oportunidade de variados trabalhos, como o de pintor.
"Somos uma família e precisamos seguir adiante. Eu deixei a Venezuela e vim para o Brasil pela situação que está meu país. Estou buscando uma salvação para minha família", completou.
Ter Brasília como destino foi a primeira chance que surgiu. ACNUR, que levanta as vagas disponíveis por abrigos espalhados em todo o país e mapeia o perfil de pessoas que podem ser alojadas nestes espaços, anunciou a possibilidade a 131 venezuelanos que ontem foram encaminhados para quatro cidades. Além de Brasília, migrantes também foram transportados para Cuiabá, São Paulo e Rio de Janeiro.
Agencia Brasil
www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Papa pede decisão e prontidão para evitar naufrágios de migrantes

Papa Francisco no Angelus
Ao término da oração do Angelus o Santo Padre dirigiu o premente apelo à comunidade internacional a fim de que se evite que tais tragédias se repitam e se garanta o respeito aos direitos e dignidade de todos.
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano
O Papa Francisco lançou um novo apelo no Angelus ao meio-dia deste domingo (22/07) diante da dramática situação de migrantes que se aventuram nas águas do Mediterrâneo em busca de chegar à Europa.
Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco!
“Chegaram estas últimas semanas notícias dramáticas de naufrágios de barcos carregados de migrantes nas águas do Mediterrâneo. Expresso minha dor diante de tais tragédias e asseguro aos desaparecidos e suas famílias minha recordação e minha oração. Dirijo um veemente apelo a fim de que a comunidade internacional aja com decisão e prontidão, no sentido de evitar que tais tragédias se repitam, e para garantir a segurança, o respeito aos direitos e à dignidade de todos.”

Enésimo apelo do Pontífice

Trata-se de mais um apelo do Santo Padre diante de tragédias como estas, com o agravar-se de tais situações. Notícias da manhã deste domingo dão conta de que a Guarda Costeira da Líbia divulgou ter interceptado no sábado um barco com 40 migrantes a bordo, nas proximidades das costas do país africano, em direção à Europa.
A bordo da embarcação, que agora se encontra nas costas da cidade de Zuwara, encontram-se 31 homens, 8 mulheres e uma criança, declarou o porta-voz Ayoub Gassim. Os migrantes são provenientes de Marrocos, Egito, Síria e Nigéria e foram transferidos para uma base naval em Trípoli, capital líbia.
Radio Vaticano
www.miguelimigrante.blogspot.com

Devido a dificuldades, muitos estrangeiros acabam trabalhando na informalidade em Porto Alegre

Devido a dificuldades, muitos estrangeiros acabam trabalhando na informalidade em Porto Alegre
Porto Alegre é a terceira cidade do Brasil que mais recebe imigrantes. São pessoas que, na maioria das vezes, vêm de muito longe em busca de uma vida melhor. Quando chegam ao novo país, o primeiro desafio é encontrar uma forma de se sustentar. Mas conseguir um trabalho é uma tarefa difícil para aqueles que possuem formação universitária.
Entre as centenas de candidatos em busca de uma vaga de emprego no Sine, em Porto Alegre, está a haitiana Jannette Dorélus, de 47 anos, que está no Brasil há três anos.
Ela era comerciante na terra natal, e logo que chegou a Porto Alegre trabalhou como cozinheira. Mas deixou o emprego no fim do ano passado.
Agora estou procurando outro serviço porque tenho que mandar dinheiro para pagar a universidade do meu filho mais novo”, diz Jannette, que conseguiu ser selecionada para uma vaga de auxiliar de serviços gerais.

3,7 mil imigrantes

A Prefeitura de Porto Alegre estima que cerca de 3,7 mil imigrantes vivem hoje na capital gaúcha. A maioria são haitianos, senegaleses e venezuelanos. Muitos são vistos trabalhando na informalidade pelas ruas.
De acordo com informações do Ministério do Trabalho, Porto Alegre tem se destacado entre as capitais que mais empregam estrangeiros. São 1.706 com trabalho formal, número que a deixa atrás apenas de São Paulo e Boa Vista, Roraima.
O movimento no último ano aumentou bastante. Hoje temos em torno de 50 a 70 pessoas por semana buscando uma vaga, uma colocação no mercado de trabalho. Esse é o movimento de busca. Em termos de empregabildade aqui no Sine, só tivemos registro de duas pessoas que tiveram concretizada essa posição”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre, Denise Russo.
Em meio à saudade de casa, aos poucos os imigrantes vão vencendo as dificuldades para vencer na vida. Um exemplo é Esteevy MC Fleury Joseph, que está há dois anos no Brasil e hoje é microempresário.
Professor de idiomas e com formação em letras, quando chegou a Porto Alegre precisou trabalhar como lavador de carros, mas conseguiu superar as adversidades e hoje faz planos para o futuro.
Tenho grandes planos. Eu quero anexos para MC Fleury [empresa dele], um aqui e também no Haiti. Eu tenho família, e tem muitos haitianos que estão sempre viajando”, diz.

O sonho de uma vida melhor é algo em comum entre os estrangeiros, sendo que muitos acabam vivendo juntos.
O jornalista Asnel Daniel também tem formação em hidráulica e elétrica, mas está desempregado atualmente. Ele divide um apartamento na Zona Norte de Porto Alegre com outras quatro pessoas que lutam para conseguir pagar o aluguel.
Não é difícil só para haitianos, para brasileiros também. Para todo mundo”, compara Daniel, relatando que se sente “triste”, uma vez que veio ao Brasil para conseguir trabalho e ajudar sua família. “Eu fico em casa sem trabalho e choro”, confessa.
Como ele, centenas de haitianos estão na mesma situação, mas não perdem a esperança, nem a disposição.
Estou precisando muito trabalhar. Só o marido trabalha, e o dinheiro está fraco, só o dinheiro dele para pagar luz, água, casa, comida, fralda”, lamenta a desempregada Nadia Djooleyica.
Muitos se queixam de preconceito, porque mesmo com formação universitária no Haiti, não conseguem empregos nas suas áreas.
Muitas vezes eu fui lá no Sine para encontrar emprego, e as pessoas dizem para nós que só tem limpeza. Nós temos educação. Eu, por exemplo, sou professor, mas eles não reconhecem o nível das pessoas no seu país de origem”, Presnor Joseph, que trabalha como porteiro.

Voluntários que fazem a diferença

Mas a chegada dos estrangeiros ao país também é marcada pelo apoio daqueles que dedicam seu tempo a ajudar quem precisa. “Eles sonham com um mundo melhor, porque no Haiti eles não têm esperança nenhuma”, salienta a voluntária do Grupo Família Imigrante Neusa Batezini Scherer.
Mais informações sobre como ajudar com a doação de alimentos, roupas, roupas de cama, móveis ou oportunidades de emprego podem ser obtidas por meio da página do grupo nas redes sociais.
 (G1)
www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 24 de julho de 2018

Mais de 300 pessoas resgatadas na costa espanhola

Resultado de imagem para Mais de 300 pessoas resgatadas na costa espanhola
Durante a manhã, a Guarda Civil espanhola intercetou sete migrantes magrebinos, incluindo duas crianças, num barco perto da costa de Granada, foram transferidos para o porto de Motril (Granada) e atendidos pela Cruz Vermelha, que lhes prestou os primeiros cuidados médicos e de alimentação.

Também durante a manhã, 188 pessoas que viajavam em 17 embarcações, entre as quais 20 mulheres e três crianças, foram resgatadas no Estreito de Gilbraltar, perto da localidade de Tarifa.
Para além desta operação, o Salvamento Marítimo interveio para resgatar 104 outras pessoas, incluindo 25 mulheres, duas crianças e um bebé, de três barcos, próximo da ilha de Alborán, que acabaram por desembarcar em Motril.
Posteriormente, o Salvamento Marítimo e a Guarda Civil resgataram mais 40 pessoas de dois outros barcos localizados esta tarde no Mar de Alborão, depois de receberem o aviso da partida de três barcos da costa do Marrocos.
Vários meios continuam na zona em busca de outros dois barcos, um com 61 pessoas e outro com 42 a bordo.
Desde a última sexta-feira, mais de mil migrantes foram resgatados em numerosos barcos que tentavam chegar às costas da Andaluzia pelo mar de Alborão e ao Estreito de Gibraltar.
Diario de Noticias
www.miguelimigrante.blogspot.com

Venezuelanos são transferidos de Boa Vista para 4 capitais nesta terça-feira (24)

Romério Cunha/Casa Civil
Em nova etapa do processo de interiorização, venezuelanos serão transferidos nesta terça-feira (24) de Boa Vista para outras quatro capitais. Foram abertas 131 vagas em abrigos de Cuiabá (24), Brasília (50), São Paulo (21) e Rio de Janeiro (36).
Os solicitantes de refúgio ou residência embarcarão em Boa Vista por volta das 8h (horário local) em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com destino às outras quatro capitais. Todos os selecionados aceitaram participar da interiorização, foram vacinados, submetidos a exame de saúde e regularizados no Brasil – inclusive com CPF e carteira de trabalho.
A interiorização é uma iniciativa criada para ajudar venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade a encontrar melhores condições de vida em outros Estados brasileiros.
O processo tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da Agência da ONU para as  Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A partir das vagas disponíveis e do perfil dos abrigos participantes do processo de interiorização, o ACNUR identifica os interessados em participar da estratégia. A OIM atua na orientação e informação prévia ao embarque, garantindo que as pessoas possam tomar uma decisão informada e consentida, sempre de forma voluntária, além de realizar o acompanhamento durante todo o transporte. O UNFPA promove diálogos com as mulheres e população LGBTI para que se sintam fortalecidas neste processo. Já o PNUD trabalha na conscientização do setor privado para a absorção da mão de obra refugiada.
Em Cuiabá, os venezuelanos ficarão no Centro Pastoral do Migrante, da Sociedade dos Missionários de São Carlos. Este local recebe, em geral, homens e mulheres sozinhos, além de mulheres com crianças e também famílias.
O Aldeias Infantis SOS será a organização responsável pelo acolhimento em Brasília, atendendo prioritariamente famílias com crianças.
Em São Paulo, o destino dos venezuelanos será a Casa do Migrante Missão Paz, que recebe homens ou mulheres sozinhos, além de mulheres com crianças e famílias.
No Rio de Janeiro, mulheres e crianças serão recebidas na Casa de Acolhida Papa Francisco, administrada pelo Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas RJ.
InteriorizaçãoEntre abril e julho, 690 venezuelanos foram levados para outras cidades. Desses, 267 foram para São Paulo (SP), 165 para Manaus (AM), 95 para Cuiabá, 69 para Igarassu (PE), 44 para Conde (PB) e 50 ao Rio de Janeiro (RJ).
A interiorização depende de interesse das cidades de destino e da existência de vagas em abrigos. Reuniões prévias com autoridades locais e coordenação dos abrigos definem detalhes sobre atendimento de saúde, matrícula de crianças em escolas, ensino da Língua Portuguesa e cursos profissionalizantes.
Assessoria de Imprensa da Casa Civil: imprensaccivil@presidencia.gov.br
www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Mudança na legislação brasileira amplia chance de permanência de imigrantes refugiados no país



Antonio Cruz / Agência Brasil
Venezuelanos são maioria nos pedidos de refúgio no Brasil em 2017
Líderes no ranking de solicitações de abrigo no Brasil em 2017, venezuelanos e cubanospodem encontrar empecilhos para serem reconhecidos pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) na categoria de pessoas que “deixam o seu país de origem devido a fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos”. 
O Brasil passou, recentemente, por mudanças na legislação, tendo a “não criminalização” e a “acolhida humanitária” como princípios da política migratória. A delegada Maria Lúcia Wunderlich dos Santos e o agente administrativo Bruno Pilla, ambos da Delegacia de Polícia de Imigração (Delemig) da Superintendência da Polícia Federal (PF) da Capital, avaliam que estrangeiros não enquadrados como 
Capital, avaliam que estrangeiros não enquadrados como refugiados pelo Conare têm alternativas legais. 
Os venezuelanos podem apelar à portaria interministerial 9/2018, sobre a “autorização de residência ao imigrante que esteja em território brasileiro e seja nacional de país fronteiriço, onde não esteja em vigor o acordo do Mercosul”. É uma regulamentação mais adequada para migrantes econômicos, com tramitação exclusiva na PF. Os cubanos podem requerer ao Ministério da Justiça a “autorização de residência para casos não previstos”, conforme previsto na portaria 4/2018.  
A situação do Haiti é distinta: o governo brasileiro, em virtude do terremoto que destruiu a ilha, atribuiu aos naturais daquele país tratamento prioritário, com possibilidade de obtenção do visto humanitário na embaixada do Brasil em Porto Príncipe, o que reduziu a migração pelas mãos de coiotes.
Relatório do Ministério da Justiça aponta que, em 2017, 33.866 estrangeiros ingressaram no Brasil e fizeram a solicitação de reconhecimento da condição de refugiados no país. Mais da metade dos requerentes são venezuelanos que entram em território brasileiro pelo Estado de Roraima. No total, 17.865 naturais daquela nação buscaram o Brasil como alternativa para fugir da situação de pobreza pela qual passa o povo governado por Nicolás Maduro. 

Destino final para uns, entreposto para outros 

Milhares de venezuelanos permanecem em Roraima, porta de entrada deste ciclo migratório ao Brasil, sem conseguir se locomover devido à falta de dinheiro. Mas, em lento processo, começam a se espalhar pelo país. O Rio Grande do Sul exerce dois papéis na rota: destino final dos que desejam se fixar e entreposto aos que pretendem chegar a países vizinhos.
O professor Jurandir Zamberlan, do Núcleo de Pesquisa do Centro Ítalo-Brasileiro de Assistência e Instrução às Migrações, na Igreja Pompeia, no centro de Porto Alegre, diz que a instituição atendeu, só em 2018, 170 venezuelanos em busca de auxílio com documentos e até alimentação. Segundo Zamberlan, há cerca de 350 na Capital e na Região Metropolitana. Liderança dos imigrantes, Gustavo Chacón, no Brasil desde 2015, é mais comedido: estima em 300 o número de compatriotas no Estado, sendo 150 deles em Porto Alegre.
Segunda leva de imigrantes chega sem vínculos afetivos
Conforme Chacón, entre os primeiros venezuelanos a chegar predominaram os que já tinham familiares por aqui. Alguns estudavam em universidades, outros atuavam no programa Mais Médicos. Quando a crise se tornou insuportável na Venezuela, trouxeram os parentes. Agora, começam a desembarcar aqueles que partem por conta própria desde Boa Vista, capital de Roraima, sem nenhuma referência afetiva local. No Norte, ficam imobilizados imigrantes em situação de miserabilidade, parte de origem indígena. Centenas estão vivendo nas ruas.
– Primeiro, saiu da Venezuela quem tinha mais dinheiro. Por último, chegam caminhando aqueles que não tem sequer o que comer. Os que estão em Porto Alegre são profissionais. Diria que 90% tem formação universitária. Por isso, para nós, o mais importante é a revalidação dos títulos – explica Chacón, que atua como professor-colaborador de Química da UFRGS. 
Na Capital, venezuelanos encontram aulas de português e ajuda na busca de emprego na Associação do Voluntariado e da Solidariedade (Avesol).
– Temos mais de uma dezena trabalhando em empresas de call center de Porto Alegre que atendem chamadas de países de língua espanhola – conta Chacón, que recentemente presenciou a contratação de compatriotas por empresas da construção civil.
Mas a preferência da maioria dos venezuelanos é por se estabelecer em regiões de idioma espanhol. Neste caso, diz Cachón, a capital gaúcha se torna apenas a escala:
– É uma ponte. Eles vêm descendo o Brasil e chegam até a rodoviária de Porto Alegre para tomar um ônibus rumo a Uruguai, Argentina ou Chile. Mas, nessa ponte, muitos ficam sem dinheiro, dormindo no chão, com fome.

DOIS PERSONAGENS E UMA FARSA

Resultado de imagem para padre alfredo josé gonçalves

Os personagens são Donald Trump e Vladimir Putin, respectivamente presidente dos Estados Unidos e da Rússia. A farsa foi o encontro dos dois na segunda-feira, 16 de julho/2018, em Helsinque, capital da Finlândia. Ambos fizeram de conta que o encontro dizia respeito aos problemas entre as duas potências, e o mundo fez de conta que acreditava na versão, nas fotos oficiais e nas imagens oficias. No fundo, porém, todos sabiam que havia algo de carnavalesco nessa estranha cúpula a dois. Interesses ocultos e bem mais subterrâneos estavam em jogo!

Na coletiva de imprensa que seguiu o encontro, Trump contradisse as agências de inteligência americana, negando que a Rússia tivesse interferido no processo eleitoral de 2016, que acabaria por levá-lo à presidência. Além disso, convidou o líder russo a visitar Washington. Quanto a Putin afirmou haver nessa última cidade “forças que levianamente estão dispostas a sacrificar as relações russo-americanas por causa das suas ambições na luta política interna”. Um dia depois, na terça-feira, em outra coletiva de imprensa, Trump diz ter total “crença e apoio” nas as agência americanas. Uma vez mais, o véu das aparências mal conseguia esconder algo de mais relevante.

O que concluir de tuddo isso? Terminou a guerra-fria? Não terminou a guerra-fria? Talvez o mais correto seja verificar como a guerra-fria político-edeológica, que caracterizou os anos do pós guerra, vem se convertendo numa espécie de nova guerra-fria, mas desta vez de natureza comercial e com forte peso nas relações econômicas internacionais. Mas não mudou apenas o caráter e o conteúdo da guerra-fria; mudaram também, e sobretudo, seus principais antagonistas. Em lugar de Estados Unidos de um lado e Rússia de outro, agora, deste outro lado, temos a poderosa China. Daí as tentativas de Trump no sentido de isolar a União Europeia, a Inglaterra e a Rússia nas relações com o gigante amarelo. A elevação das tarifas faz parte da guerra. Sem esquecer que Trump pousa como candidatíssimo republicano para as eleições de 2020.

Estudos apontam para um deslocamento do epicentro econômico planetário, hoje fortemente globalizado numa rede internacional. Sinais e tendências indicam uma virada histórica, no sentido do ocidente para o oriente, do oeste para o leste. Resulta que, em termos econômicos, enquanto o império norte-americano estaria caminhando para o outouno, o império chinês estaria se agigantando e se aproximando cada vez mais da primavera. O primeiro declina lenta mas inexoravelmente, o segundo ascende lenta mas silenciosamente. Basta constatar os progressivos investimentos chineses na América Latina, na África, na Europa e nos países asiáticos. Os impérios começam estendendo suas raízes em todas as direções, fortalecendo desse modo o alicerce para a gigantesca construção. Evidente que um acontecimento dessa magnitude, querendo ou não, envolve os satélites de ambos os protagonistas. Quando as estrelas caem ou se apagam, e quando sobem ou se acendem, influenciam os planetas ao seu redor.

Guerra comercial é sinônimo de protecionismo nacionalista. As autoridades governamentais de cada país passam a tomar medidas mais rígidas, às vezes drásticas, para proteger os produtores e os trabalhadores nacionais, em detrimento do volume de importações mantido anté então. Erguem-se barreiras não somente aos imigrantes, mas também às mercadorias que podem ser produzidas no próprio território. Entra em cena, em nível internacional, um redimensionamento da produção, comercialização e consumo de massa. Acirra-se a concorrência, a competição e a disputa por matérias primas mais acessíveis e a bom preço, pelas fatias mais rentáveis do mercado global, ao lado de um forte incentivo ao consumo interno.

Verifica-se, além disso, um reforçamento das forças de direita, conservadoras e até retrógradas. Diante das crises, a pressão popular costuma aclamar (e eleger) homens/mulheres fortes para tomar as rédeas do poder. Uma espécie de messianismo, por uma parte, e um salvador da pátria, por outra, são duas faces da mesma moeda. E aqui há uma lição inequívoca: quando tomamos consciência da própria gragilidade, torna-se imperativo apelar para a força. Ou ainda:quando um enfermo passa a aumentar de forma excessiva as doses do remédio, das duas uma, ou está perto da cura, ou caminha para o túmulo.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Roma, 22 de julho de 201

www.miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 21 de julho de 2018

Filhos de africanos tendem a se multiplicar nas seleções europeias

Resultado de imagem para Filhos de africanos tendem a se multiplicar nas seleções europeias
Um dos assuntos mais comentados durante a edição da Copa do Mundo da Rússia foi sobre os jogadores filhos de imigrantes se destacarem em seleções europeias. Esse fato expõe uma contradição política já que na Europa há nações que possuem políticas anti-imigratórias explícitas.
O atacante belga Romelu Lukaku, uma das estrelas da edição, em uma entrevista relatou a forma na qual jogadores filhos de imigrantes são tratados na Europa. “Quando as coisas corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga. Já quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.”
Diante disso, conversamos com  a professora Helena Wakim Moreno, doutoranda em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP com pesquisas realizadas também na Universidade Nova de Lisboa. A professora pesquisa o contexto do colonialismo português na África no período contemporâneo, com ênfase na itinerância de pessoas e ideias, e nas estratégias de enfrentamento dos processos políticos e sociais vigentes. Helena acredita que pela grande taxa de imigração de africanos em países europeus, a tendência é que esse fenômeno deve se repetir, a não ser haja alguma política rigorosa anti-imigratória.



Jornal da Usp

www.miguelimigrante.blogspot.com

SEMINÁRIO DEBATE OPORTUNIDADES PARA OS IMIGRANTES NA FIESP



Acolher, tendo em mente que o país tem muito a ganhar com a chegada dos imigrantes. Esse foi o principal mote do Seminário Nova Lei de Migração: uma janela de oportunidades, realizado na manhã desta sexta-feira (20/07), na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento reuniu especialistas no tema, tendo a participação da diretora titular de Responsabilidade Social e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da federação, Grácia Fragalá.
O Pacto Global foi um parceiro da Fiesp na realização do seminário. O Pacto tem por objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em seus negócios, de valores internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
“Vários levantamentos mostram a importância de receber os refugiados, destacando como isso é benéfico para os países que abrem as suas portas”, afirmou. “A vinda dos imigrantes traz diversidade e oxigena a economia, estamos falando de acolher seres humanos”, disse.
Para Grácia, ter um imigrante no quadro de funcionários é “proporcionar intercâmbio internacional pela convivência e pela aprendizagem”. “Vamos ajudar em campanhas educativas sobre a lei para diminuir a resistência em torno do tema”, disse. “Somar esforços para um cenário que é realidade hoje no país”.
Também presente na abertura, a chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Maria Beatriz Nogueira, afirmou que existem mais de 68 milhões de pessoas em situação de deslocamento involuntário no mundo, dos quais 25 milhões de refugiados. “Estamos falando de uma situação de urgência”, disse. “É uma necessidade e uma característica do Brasil receber quem vem de fora”.
Segundo ela, mais de 1,5 milhão de venezuelanos já saíram de seu país, a maioria para a América do Sul e América Central. Desses, 50 mil vieram para o Brasil. “Muitas razões fazem as pessoas saírem”, explicou. “O governo brasileiro tem foco na abertura de fronteiras e na acolhida humanitária”, disse. “Com o direito de trabalhar e usar serviços públicos”.
Questão de estratégia
“É estratégico que os imigrantes sejam integrados à sociedade”, disse.  “Trabalhamos para dar mais visibilidade a essas boas experiências, estamos estudando criar uma plataforma para divulgar as ações das empresas que vivem esse trabalho de inclusão”.
Analista de Paz e Governança do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento da PNUD, Ana Cristina Silva Barroso destacou o trabalho feito com os venezuelanos no norte do país, visando a inserção social e o emprego. “É fundamental que fechemos parcerias para ajudar essas pessoas”, disse.

Subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil/Presidência da República, Natália Marcassa de Souza lembrou que os venezuelanos começaram a chegar ao Brasil no final de 2016.
“Eles vão principalmente para Boa Vista, capital de Roraima, já são 10 mil venezuelanos lá”, disse.
De acordo com Natália, com a chamada Operação Acolhida, o governo decidiu federalizar e centralizar as iniciativas ligadas aos imigrantes. “Os imigrantes querem dignidade e oportunidade de trabalhar, não caridade”, explicou. “A interiorização é o caminho, levar para outras cidades, sempre buscando sensibilizar as empresas, buscando parceiros”.


Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Posto de imigração da PF volta a intensificar notificações de haitianos em Corumbá


O posto de imigração da Polícia Federal (PF) em Corumbá voltou a intensificar as notificações de imigrantes haitianos que estão dando entrada no Brasil pela cidade. De acordo com o padre Marco Antônio Ribeiro, da Missão Scalabriniana de Fronteira e que faz acolhimento de haitianos na cidade, atendimentos no posto de imigração voltaram a aumentar na última semana..

“O número de atendimentos aumentou, mas como uma espécie de mutirão. Somos acionados quando há possibilidade de fazer um atendimento maior e a partir disso conduzimos os imigrantes”, explica Ribeiro.
Com isso, há a expectativa de que reduza-se o número de haitianos na cidade – cerca de 300, conforme as entidades que fazem acolhimento – diminuindo o impacto social na localidade. A Prefeitura de Corumbá reclama da falta de apoio estadual e federal para lidar com o aumento significativo do fluxo de imigrantes na cidade. Um grupo de voluntários faz malabarismos para promover o mínimo de dignidade, com o fornecimento de uma refeição por dia, além de locais para que haitianos possam dormir.
Há cinco meses, Corumbá tornou-se nova rota de entrada de haitianos no Brasil. Eles atravessam clandestinamente a Bolívia, partindo do Chile, após endurecimento da política migratória do país. De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social de Corumbá, cerca de 1.200 haitianos já foram atendidos pelos equipamentos municipais e pela PF desde o início do ano.
Todavia, há cerca de um mês a PF havia diminuido o número de atendimentos de haitianos, fazendo com que eles não conseguissem sair da cidade rumo a outros destinos – basicamente cidades dos Estados Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Questionada pela reportagem, a Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul não explicou porque os atendimentos diminuiram, mas, por meio de nota, informaram que a PF atua dentro de sua capacidade operacional, mantém o número máximo de atendimentos diários e “que vem realizando todos os procedimentos cabíveis, analisando-os caso a caso”, a fim de atender todos os imigrantes.
“A Polícia Federal também está em busca de ampliar suas instalações e de aumentar seu efetivo em Corumbá. Para tal feito, depende e decorre de investimentos que devem estar previstos ou emendados no orçamento da União, bem como de novo concurso público que se encontra em andamento”, conclui a nota.

O posto de imigração da Polícia Federal (PF) em Corumbá voltou a intensificar as notificações de imigrantes haitianos que estão dando entrada no Brasil pela cidade. De acordo com o padre Marco Antônio Ribeiro, da Missão Scalabriniana de Fronteira e que faz acolhimento de haitianos na cidade, atendimentos no posto de imigração voltaram a aumentar na última semana..
“O número de atendimentos aumentou, mas como uma espécie de mutirão. Somos acionados quando há possibilidade de fazer um atendimento maior e a partir disso conduzimos os imigrantes”, explica Ribeiro.
Com isso, há a expectativa de que reduza-se o número de haitianos na cidade – cerca de 300, conforme as entidades que fazem acolhimento – diminuindo o impacto social na localidade. A Prefeitura de Corumbá reclama da falta de apoio estadual e federal para lidar com o aumento significativo do fluxo de imigrantes na cidade. Um grupo de voluntários faz malabarismos para promover o mínimo de dignidade, com o fornecimento de uma refeição por dia, além de locais para que haitianos possam dormir.
Há cinco meses, Corumbá tornou-se nova rota de entrada de haitianos no Brasil. Eles atravessam clandestinamente a Bolívia, partindo do Chile, após endurecimento da política migratória do país. De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social de Corumbá, cerca de 1.200 haitianos já foram atendidos pelos equipamentos municipais e pela PF desde o início do ano.
Todavia, há cerca de um mês a PF havia diminuido o número de atendimentos de haitianos, fazendo com que eles não conseguissem sair da cidade rumo a outros destinos – basicamente cidades dos Estados Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Questionada pela reportagem, a Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul não explicou porque os atendimentos diminuiram, mas, por meio de nota, informaram que a PF atua dentro de sua capacidade operacional, mantém o número máximo de atendimentos diários e “que vem realizando todos os procedimentos cabíveis, analisando-os caso a caso”, a fim de atender todos os imigrantes.
“A Polícia Federal também está em busca de ampliar suas instalações e de aumentar seu efetivo em Corumbá. Para tal feito, depende e decorre de investimentos que devem estar previstos ou emendados no orçamento da União, bem como de novo concurso público que se encontra em andamento”, conclui a nota.
Nova frente de acolhimento
No último dia 13 de julho, uma série de voluntários da sociedade civil, inclusive entidades religiosas, criaram o Comitê Humanitário Pantanal Solidário (CHPAS), presidido pelo padre Marco Antonio Ribeiro. O objetivo do comitê é organizar e distribuir as ações de acolhimento a haitianos na cidade, de forma que o atendimento seja melhor coordenado.
“Vamos reunir forças para poder atender melhor, somando forças no abrigamento, na alimentação, na arrecadação de doações, no encaminhamento médico, na escala da preparação de alimentos”, detalha o missionário. O comitê organizou pela cidade pontos de coleta de doações. Detalhamentos podem ser obtidos pelo telefone (67) 3013-3307 ou pelo e-mail pantanalsolidario@gmail.com.

Jornal Midiamax

www.miguelimigrante.blogspot.com

Seminário discute integração para combater trafico de pessoa



O Seminário Internacional de Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas promovido pela Prefeitura de Guarulhos, por meio da Subsecretaria da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Assuntos Difusos, nos dias 16 e 17 deste mês, na Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SECEL), no Macedo, apresentou diagnósticos e redes de atenção aos Migrantes e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de diversos órgãos, além de um ponto em comum: a necessidade de integração das instituições para buscar ações e resultados eficazes.

Nesta terça-feira (17), duas mesas temáticas dominaram os debates: “Diagnóstico do Tráfico de Pessoas” e “Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”. Na oportunidade, o inspetor Marcelo Gondim, da Polícia Federal – Regional São Paulo, por exemplo, apresentou o Mapeamento da PRF dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais, por meio da publicação Mapear 2017/2018. Segundo Gondim, o Brasil tem 2.487 pontos de vulnerabilidade, sendo 59,55% urbanos, com destaque para a região Sudeste, que identificou 90 pontos críticos, 144 de alto risco, 135 de médio risco e 99 de baixo risco.

Na linha de atuações, Izilda Alves, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de São Paulo, defendeu a reunião de órgãos para tentar viabilizar ações e observou que o tráfico de pessoas no Brasil é invisível e com dificuldade de provas. Izilda alertou sobre os riscos da internet, que considera território livre para ações de criminosos. “Precisamos de todos para vencer essa guerra”, afirmou Izilda.
O seminário também contou com a participação de Dalila Figueiredo, da Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e Juventude (Asbrad), que palestrou sobre o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas nas Regiões de Fronteiras. De acordo com Dalila, é importante discutir essa temática com as autoridades e instituições. Para ela, o grande desafio do Brasil é pensar políticas públicas para enfrentar o tráfico de pessoas. Além disso, considera necessário levar informação e garantir os direitos humanos às pessoas nesta situação. “Essa é uma oportunidade de refletir sobre qual é o plano que o Brasil precisa para esse enfrentamento”, disse Dalila.

O subsecretário Anderson Guimarães (Igualdade Racial), ressaltou a importância dessa discussão com a participação de organismos internacionais, universidades e sociedade civil.

Participação

As mesas temáticas desta terça-feira também contaram com as participações do juiz de direito Paulo Fadigas, titular da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Penha, Renato Bignami, auditor fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho e Renda (MTE),  Roque Renato Pattusi, do Centro de Apoio e Pastoral Migrante (CAMI), José Roberto Mariano, Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana (CROPH), e representante da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.
Imagens: Divulgação/ PMG

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 19 de julho de 2018

SMASDH apoia África do Coração para realizar a Copa dos Refugiados no Rio de Janeiro



A cidade do Rio de Janeiro será a sede da Copa dos Refugiados 2018 e se prepara para realizar sua primeira edição, a ser realizada entre os dias 4 e 8 de agosto. O tema da Copa é: “Não me julgue antes de me conhecer!”. Participarão do campeonato oito times, a representar os países de origem dos refugiados, que consideram o futebol um meio de integração e interação junto à sociedade carioca e brasileira.
A ONG África do Coração, por intermédio de seu presidente, o congolês Jean Katumba, está a firmar parcerias e apoios para que os jogos se realizem na Cidade Maravilhosa. Katumba tem participado de reuniões e tratativas com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, por intermédio da Subsecretaria de Direitos Humanos, a representante da Prefeitura no Comitê Estadual Intersetorial de Política de Atendimento a Refugiados e Migrantes (CEIPARM), além de contar com o apoio do Gabinete do secretário João Mendes de Jesus.
O evento desportivo e humanitário já foi realizado em Porto Alegre e em São Paulo, sendo que a ideia de evidenciar e dar publicidade à situação dos refugiados no Brasil tomou corpo e forma na Copa de 2014, realizada no Brasil.      
“Ser refugiado não é fácil, porque a pessoa que teve de deixar seu país, por motivos de guerras, endemias, crises econômicas e perseguições políticas, étnicas e religiosas, fica exposta à violência, ao sectarismo, aos preconceitos e à intolerância, somente por ser estrangeira e ter cultura e idioma diferentes” — afirma João Mendes de Jesus.
Preconceitos — O secretário disse que a Copa dos Refugiados conta com seu apoio e dos servidores da Secretaria, além de ressaltar que tratar os refugiados com preconceitos é uma grande injustiça e ignorância por parte daqueles que ainda não compreenderam que os sentimentos, desejos e sonhos humanos são iguais porque universais, pois independentes de etnia, credo ideológico e religioso, origem social e nacionalidade.
Em reunião com os técnicos da Subsecretaria de Direitos Humanos, Jean Katumba disse que o apoio da SMASDH é muito importante, além de também contar com a participação de outros setores da Prefeitura, a exemplo do gabinete do prefeito Marcelo Crivella e dos órgãos e autarquias do município, para que o evento possa ser realizado com sucesso.
O presidente da África do Coração informou aos servidores da SMASDH que entrou em contato com o Flamengo e o Botafogo, além de outros clubes para garantir espaços para os jogos da Copa dos Refugiados, bem como conversou com a Cruz Vermelha-RJ e a Anistia Internacional-RJ, além de tratar do evento com o poder público municipal.
A cooperação do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES), da Cáritas Arquidiocesana, é considerado pelos coordenadores do evento como fundamental para o maior projeto de integração esportiva, que conta com a presença e o protagonismo de migrantes e refugiados, que também são apoiados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Associação Antônio Vieira (ASAV), Associação Buriti de Arte, Cultura e Esporte (ABACE), dentre outros parceiros.
“Colocaremos um brasileiro ou uma brasileira nos times de estrangeiros e refugiados, de forma que eles tentem se comunicar e receber cooperação durante o jogo, já que o futebol é um esporte coletivo, assim como a sociedade é uma imensa coletividade. O propósito é fazer com que o brasileiro em meio a estrangeiros experimente as dificuldades de receber ajuda e se comunicar e com isso imaginar e perceber as dificuldades que os refugiados tem para viver em um país que não é o seu de origem” — afirma Jean Katumba.
Sobrevivência — Outros projetos que fazem parte das ações, tanto da SMASDH quanto da África do Coração é realizar ações que viabilizem o emprego e o estudo dos cidadãos refugiados, já que necessitam sobreviver e garantir o sustento.
Além disso, estão programadas a realização de inúmeras atividades no decorrer dos jogos, como oficinas temáticas, recreativas e programas de integração social de crianças, mulheres e homens em situação de refugiados. Haverá também cine debates, atividades com a participação da rede de ensino, feiras gastronômicas e passeios com crianças refugiadas. 
Secretario de Assistem cia Social e Direitos Humanos 
www.miguelimigrante.blogspot.com

No Mediterrâneo se repete o massacre dos inocentes

Na quarta-feira (18/07) o arcebispo de Turim, Dom Cesare Nosiglia presidiu a vigília de oração “ Morrer de esperança”, em memória de todos os que perderam a vida atravessando o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor. O bispo condenou os que demonstram indiferença, preconceito e hostilidade para com os migrantes.
Migranti:Open Arms, Libia lascia morire donna e bimbo
Cidade do Vaticano
“No Mediterrâneo, que os romanos chamavam ‘mare nostrum’, ou seja, ‘nosso mar’ que unia a Europa à África e ao Oriente, se repete o massacre dos inocentes. Infelizmente – disse Dom Cesare Nosiglia na sua homilia em Turim – a imigração para o nosso país, que é cada vez mais intensa, causou em muitas pessoas, mesmo nas que crêem, dificuldades em aceitar a acolhida serena e positiva que deveria caracterizar um povo, como o nosso, formado por emigrantes que foram para todas as partes do mundo”.
“ A acolhida serena e positiva deveria caracterizar um povo, como o nosso, formado por emigrantes que foram para todas as partes do mundo ”

Apelar à responsabilidade os outros Governos europeus não é um álibi para a indiferença

O arcebispo indicou também como “justo e obrigatório” apelar “à responsabilidade os outros Governos europeus para enfrentar em conjunto o problema da atual da imigração, em forte crescimento”. Mas tem consciência de que isso “não pode ser um álibi para a indiferença, recusando e abandonando ao seu próprio destino todas as pessoas que chegam através do Mediterrâneo. Essas pessoas passaram longas e dolorosas experiências de guerra ou de pobreza extrema, muitas delas são menores e mulheres indefesas, que foram submetidas a violências de todo o tipo”.

A integração dos migrantes pode aumentar o bem comum de toda a sociedade

“A acolhida dos sem-teto, dos que perderam casa e trabalho e dos imigrantes e refugiados não é suficiente para dar-lhes uma vida serena e digna. É preciso continuar a ajudá-los com a integração, a formação, um emprego, compartilhando os próprios valores culturais, religiosos e sociais” sublinhou Dom Nosiglia, indicando os “passos necessários para garantir a cada um a autonomia que permite não apenas garantir um futuro para a própria vida, mas uma contribuição para o crescimento do bem comum de toda a sociedade”. “De tal modo, muitos irmãos e irmãs pobres ou imigrantes podem representar um recurso para a sociedade civil”, acrescentou o prelado.
“ Muitos irmãos e irmãs pobres ou imigrantes podem representar um recurso para a sociedade civil ”

Povo de Deus e comunidade civil são apáticos à acolhida dos migrantes

“Enquanto muitos voluntários, leigos e religiosos estão engajados com os problemas da pobreza e das necessidades dos italianos e dos estrangeiros, o Povo de Deus e a comunidade civil mostram-se com frequência apáticos, indiferentes, preconceituosos e hostis”. Portanto convido todos a “atuar não só em favor dos nossos irmãos e irmãs em dificuldade, mas também no campo educacional e formativo, cultural e social, além do religioso”. Com um objetivo: “Sustentar as razões da acolhida na mentalidade, no estilo e nas escolhas de vida de cada membro da comunidade”.

Para a acolhida, aliança com as Igrejas cristãs e fiéis do Islã

O arcebispo de Turim convida também as Igrejas cristãs e os fiéis do Islã a fazerem um “pacto de aliança par alcançar objetivos comuns”. Para deste modo encaminhar “uma política e uma ação conjunta, tanto no plano religioso como cultural e social, capaz de enfrentar este problema com justiça e solidariedade”.
Radio Vaticano
www.miguelimigrante.blogspot.com