Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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Hoje, a grande cidade nos desafia permanentemente a encontrar caminhos, que nos levem a garantir direitos e a fomentar práticas de solidariedade; fazer desse conglomerado humano um espaço de convivência digna e respeitosa!
E, nesta grande cidade, migrantes, refugiados e refugiadas, provenientes de inúmeros países dos diversos continentes, são a razão de tanto trabalho e dedicação da Missão Paz... Homens e mulheres que vêm para habitar esta cidade; vêm, porque vislumbram possibilidades de reconstruir sua própria vida e de suas famílias e dar novo impulso às motivações e sonhos que acalentam, mesmo em meio à experiência da dor; vêm para compor o caldo cultural, que acrescenta fundamentalmente, na constituição da riqueza desse país, dessa cidade e desse povo!...
Agora, vamos chegando ao final de mais um ano de muito trabalho e aproximando-nos à grande festa do Encontro e da Fraternidade, pela celebração do NATAL. O Divino se abaixa e vem em nossa direção para selar um pacto onde o amor, o perdão e a misericórdia são a expressão máxima na convivência humana.
Façamos de nossa cidade um espaço de convivência solidária e fraterna!
Justamente, nesta oportunidade a Missão Paz com seus inúmeros serviços em favor dos migrantes e pela participação generosa de tantas colaboradoras e colaboradores, benfeitores e voluntários, q
uer manifestar profundo e sincero sentimento de gratidão pela dedicação de todos e de todas!
Ele, o Senhor da Vida e da História quer nascer! Armemos em nossa cidade o presépio, pois o Deus Conosco pede licença para nascer e transformar os nossos corações em fontes de acolhida e amor!
FELIZ NATAL e um 2018 de intensas lutas em favor da vida e da paz!
Missão Paz, serviço de apoio e acolhida aos irmãos migrantes. Natal /2017
A Organização Internacional para Migrações conta
histórias de imigrantes em todo o mundo com o objetivo de mudar a visão das
pessoas e abraçar a diversidade cultural.
Brasileira é
convidada pela OMI para falar sobre suas experiências como imigrante nos EUA A
organização OIM luta pela defensa dos imigrantes em todo o mundo.
Com mais de 150 mil seguidores no You Tube, a brasileira
Juliana Selem recebeu um convite da Organização Internacional para as Migrações
(OIM), que é ligada a Organização das Nações Unidas, para falar sobre sua vida
no exterior. Ela mantém um canal onde conta como é viver nos Estados Unidos e
dá importantes dicas para quem quer morar no país. “O convite é justamente para
que eu fale sobre a experiência de uma imigrante nos Estados Unidos”, disse.
De acordo com ela, a palestra sobre a experiência de vida
nos EUA deve ser baseada em três objetivos escolhidas pela própria brasileira.
Em um vídeo publicado no dia 17 de dezembro, ela mostra quais são os objetos
que simboliza sua mudança de país e respondeu a três perguntas enviada pela
OIM.
Em seu canal, Juliana conta experiências de vida nos EUA.
Quais foi o aspecto mais difícil de deixar o seu país?
Para responder a esta pergunta, ela mostra o seu antigo
Passaporte brasileiro como o primeiro objeto. Ao apresentar o documento, com
três Vistos emitidos pelos EUA, Juliana começa responder a pergunta. “Cada
imigrante tem uma história diferente, mas no meu caso foi realmente ficar longe
dos meus amigos e daminha família, principalmente para nós, brasileiros, que
somos tão apegados aos nossos círculos sociais”.
Qual
o maior desafio de morar fora?
Para a youtuber, o maior desafio foi tentar encontrar um equilíbrio
entre os costumes e jeito de ser do brasileiro com os costumes e jeito de ser
dos norte-americanos. “Nós já chegamos com a nossa bagagem cultural às vezes o
nosso jeito de viver entra um pouco em conflito com a cultura das pessoas do
país para onde imigramos”, disse. “Manter a nossa identidade e ao mesmo tempo
se adaptar aos padrões locais é um grande desafio”, continua.
O
que você mais gosta sobre o país para onde imigrou?
Nesta pergunta, ela mostra o segundo objetivo que é um
dos primeiros livros que comprou nos Estados Unidos, o qual fala sobre a
história americana. “Eu confesso que não li ele todo, mas uma das coisas que
mais gosto neste país é o fato de que tudo é muito eficiente, as coisas são
feitas com uma rapidez incrível, conseguimos resolver várias coisas pela
internet. Isso faz com que economizemos tempo”, fala ressaltando que os EUA não
se tornaram no que é hoje através de mágica. “Eu acho que existe uma razão por
trás disso tudo e para entender porque um país é do jeito que é, somente
estudando a sua história”.
Qual
foi lição mais importante que você aprendeu durante a sua experiência como
imigrante?
Para responde a esta pergunta, Juliana mostra a faixa de
formatura na Universidade da Califórnia em Los Angeles, obtida em 2013. “Na realidade,
as lições mais importantes que eu aprendi durantes estes anos não
necessariamente vieram da universidade, mas uma das lições foi que eu nunca vou
deixar de ser brasileira. A minha brasilidade está em mim e mesmo que eu fique
anos e anos morando fora sempre vou ser brasileira e vou agir, às vezes, por
instinto como uma brasileira.
Ela cita um exemplo que acontece muito com ela, que é uma
atitude de brasileiros. “Quando eu não conheço uma pessoa, em vez de
cumprimentá-la com um aperto de mão, eu vou e dou um beijo no rosto”, fala
ressaltando que esta atitude é muito comum no Brasil, mas que nos Estados
Unidos o cumprimento entre pessoas que não se conhecem é feito por aperto de
mão.
Outra lição, segundo ela, foi aprender a lidar com as
diferenças, principalmente porque nos EUA há muitos imigrantes de várias partes
do mundo, que acreditam em diferentes deuses, vivem diferentes estilos de vida.
“Por isso é muito importante saber lidar com esta diversidade, respeitá-la e
até mesmo admirá-la”, fala.
A ideia surgiu há pouco mais de um ano, foi trabalhada
por uma equipa de especialistas, e apresentada ao público recentemente.
Trata-se do Portal de Dados Migratórios, uma plataforma virtual onde estão
concentradas todas as informações sobre as migrações mundiais, e que resultou
de uma parceria entre o governo alemão e o Centro de Análise de Dados da
Organização Internacional para as Migrações (OIM).
«É especialmente em momentos críticos, tais como os que
se vivem na atualidade, que a nossa tarefa consiste em assegurar que as
respostas à migração estão baseadas em factos sólidos e em análises precisas»,
justificou o diretor-geral da OIM, William Lacy.
O novo portal disponibiliza dados mundiais sobre as
migrações, derivando para uma ampla gama de temas como as tendências em
imigração e emigração, as ligações entre migração e desenvolvimento, dados
sobre a migração irregular e políticas migratórias.
Para Frank Laczko, diretor do Centro de Análise de Dados
da OIM, é fundamental «que todos tenham acesso aos dados sobre a migração, e
que se compreendam melhor as virtudes e debilidades destes dados», sobretudo
numa altura em as migrações são um assunto prioritário na agenda global.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Fernando Collor (PTC-AL), divulgou um balanço sobre os trabalhos do colegiado em 2017. Ele ressaltou que 160 matérias foram apreciadas, somando-se projetos, análises de acordos do governo brasileiro com outros países, adesões a tratados internacionais e sabatinas com embaixadores.
Um dos pontos destacados por Collor foi a votação da nova Lei da Migração (Lei 13.445), ocorrida em abril. Ele informou que o autor da proposta é o atual ministro das Relações Exteriores, o senador licenciado Aloysio Nunes Ferreira. Posteriormente o texto foi também aprovado em Plenário e sancionado com vetos pelo presidente Michel Temer.
Mas o decreto regulamentador da Lei da Migração, editado no dia 21 de novembro, tem provocado polêmica. A Defensoria Pública da União (DPU) já encaminhou pedido de alteração em 47 artigos, pois entende que estes estabelecem normas prejudiciais à entrada, permanência e condições de vida dos imigrantes que escolhem o Brasil para viver.
Um juiz do estado americano da Flórida emitiu uma ordem nesta quarta (20) impedindo que o governo dos EUA prossiga com a deportação de 92 homens e mulheres para a Somália. O grupo alega ter sido mantido em condições desumanas dentro de um avião, durante dois dias, por agentes da imigração.
O grupo partiu no dia 7 de dezembro em um voo rumo a Mogadíscio, na Somália. O avião fez uma parada em Dakar, no Senegal, e permaneceu lá por 23 horas antes de voltar para os Estados Unidos. Segundo a ICE (Immigration and Costumes Enforcement), agência responsável pela imigração e alfândega nos EUA, a tripulação não teve o descanso suficiente para completar a viagem e voltou.
Segundo a ação, durante as 48 horas em que os somalis permaneceram dentro do avião, eles ficaram algemados e amarrados pelos pulsos, cinturas e pernas e forçados a permanecer sentados o tempo todo. Aqueles que protestavam eram espancados, arrastados pelo corredor e ameaçados pelos agentes da imigração. Em depoimento, o passageiro Farah Ali Ibrahim relatou a violência.
— Depois de cerca de 20 horas parados, me levantei para perguntar o que estava acontecendo e por que estávamos esperando ali. Um agente me agarrou pela camisa e eu caí. Outros agentes vieram, me arrastaram pelo corredor e me bateram muito. No fim, me colocaram uma camisa de força .
Além dos maus tratos sofridos, o grupo alega temer represálias ao chegar à Somália. Eles acreditam que podem virar alvos do grupo terrorista Al-Shabaab, que vem aterrorizando o país com ações contra pessoas que tenham relações com o Ocidente e mais especificamente com os EUA. Muitos dos deportados viviam há décadas no país.
O Al-Shabaab foi responsável pelo atentado a bomba que matou mais de 500 pessoas na capital da Somália no dia 14 de outubro deste ano.
Segundo a decisão do juiz Darrin Gayles, a imigração está impedida de deportar os passageiros até uma audiência marcada para o próximo dia 2 de janeiro. Além disso, os somalis devem ter garantidos o acesso a seus advogados e o tratamento médico para aqueles que se feriram dentro do avião.
Cresce a deportação de brasileiros da Europa. Só no primeiro semestre deste
ano, 3,1 mil ilegais foram obrigados a sair do continente, segundo dados
divulgados segunda-feira pela Agência de Fronteiras da Europa, Frontex. No
mesmo período do ano passado, atingiram 2,3 mil brasileiros. Foi um aumento de
37% em um ano. De acordo com Frontex, o Brasil está entre os 10 países com o
maior número de expulsões. Brasileiros que chegaram ao continente entre 2015 e
2016 estão recebendo as ordens judiciais de deportação em países como França,
Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido.
No total, a Europa emitiu 303 mil ordens de expulsões contra estrangeiros
vivendo de forma irregular no continente em 2016. A lista é liderada pela
Ucrânia e Marrocos, com mais de 11 mil casos cada, apenas nos seis primeiros
meses de 2017.
O sociólogo da Universidade de Brasília (UnB)
Antônio Flávio Testa afirma que a alta deportação não é um fator recente e que
vem subindo ano após ano. “Desde os anos 1990, as pessoas, principalmente os
mais jovens, queriam ir embora, ganhar dinheiro e voltar. Houve uma abertura de
fronteiras em decorrência da globalização e da diplomacia. Mas tem muita gente
irregular. Tem que ser formalizado, ter documentação e passar por toda a
burocracia. Se não for assim, não se entra em mercado formal, recebe menos e
tem subempregos como alternativa, daí são deportados. Tudo isso também está
intimamente ligado à geração de empregos no Brasil e a crise pela qual passamos
e muitos vão para fora tentar a sorte, mesmo que sem as condições ideais”.
Para o economista Newton Ferreira da Silva Marques, isso ocorre porque os
brasileiros acabam competindo diretamente na empregabilidade. “O Parlamento
está fechando o cerco porque o brasileiro pega o espaço de quem está procurando
trabalho na Europa. Com isso, começa uma caça às bruxas ao imigrante, que já
sofre preconceito. Os que estão irregulares são ainda mais fáceis, porque as
leis estão muito restritivas. O reflexo é esse, a deportação.”
Nos três primeiros meses de 2016, 986 brasileiros tiveram ordens de expulsão.
Em 2017, no mesmo período, o número subiu para 1,5 mil e, entre abril e junho,
o número foi de 1.619 expulsões. O Brasil entrou na lista dos 10 primeiros em
2011, quando 6 mil brasileiros foram expulsos.
Um relatório divulgado pela
Organização das Nações Unidas na última segunda-feira (18) contabilizou que
desde o ano 2000, o número de migrantes no mundo cresceu quase 50%, o equivalente
a 258 milhões de pessoas.
Segundo o documento, mais de 60% de
todos os migrantes internacionais estão na Ásia, aomenos 80 milhões, ou no
continente europeu, aproximadamente 78 milhões. Em geral, a maioria dessas
pessoas buscam viver em países de alto rendimento, e a proporção de grupos que
vão para esses lugares subiu de 9,6% em 200 para 14% em 2017.
Nestes anos, dois terços de todos os
migrantes vivem em apenas 20 países, sendo o primeiro destino deles os Estados
Unidos, aglomerando quase 50 milhões desses novos habitantes. Em seguida vem a
Arábia Saudita, Alemanha e a Rússia. Os três concentram respectivamente as
maiores comunidades de imigrantes no mundo. Aproximadamente são 12 milhões em
cada um dos países.
Imigrantes bolivianos recebiam, em média, R$ 5 para costurar peças de roupa vendidas por até R$ 698 em lojas da Animale. A marca, que define “luxo e sofisticação” como suas “palavras de ordem”, tem mais de 80 estabelecimentos pelo país, muitos em shoppings de alto padrão. Os costureiros subcontratados trabalhavam mais de doze horas por dia no mesmo local onde dormiam, dividindo o espaço com baratas e instalações elétricas que ofereciam risco de incêndio. Os casos foram flagrados em três oficinas na região metropolitana de São Paulo e levaram os auditores fiscais do trabalho a responsabilizar a Animale e a A. Brand, marcas do grupo Soma, por produzir roupas com trabalho análogo ao escravo. Com as duas grifes, o Brasil contabiliza 37 marcas de roupa responsabilizadas por exploração de mão de obra análoga à de escravo nos últimos oito anos. Os casos fazem parte da base de dados do aplicativo Moda Livre, ferramenta desenvolvida pela Repórter Brasilque mostra como 119 empresas de roupa combatem (ou não) esse tipo de exploração na produção da roupa que oferecem aos consumidores.
A fiscalização das oficinas que forneciam para a Animale ocorreu em setembro deste ano e foi composta pela equipe da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, com o auxílio de auditores da Receita Federal.
Os auditores constataram trabalho análogo ao escravo devido às jornadas exaustivas e às condições degradantes – elementos que caracterizam o crime, segundo o Código Penal. Em todas as oficinas os costureiros faziam jornadas acima dos limites legais. Em uma delas, os imigrantes costuravam das sete horas da manhã às nove da noite, com apenas uma hora de descanso.
s costureiros não ganhavam salário mensal, mas eram remunerados por peça costurada. Um deles relatou à Repórter Brasil que recebia seis reais para costurar uma calça que demorava uma manhã inteira para ficar pronta. As longas jornadas eram resultado do sistema de remuneração por produção somado a padrões de costura extremamente detalhados para cada lote de peças, todos estabelecidos pela empresa.
As máquinas de costura ficavam há poucos metros das camas dos trabalhadores, o que estimulava ainda mais as longas jornadas, que, por sua vez, aumentavam o risco dos trabalhadores ficarem doentes ou sofrerem acidentes.
Crianças,risco de incêndio e acidentes
As oficinas eram pequenas e improvisadas, com mesas e bancos escolares que não lembram um local de trabalho. Em uma delas, sequer havia uma janela por onde o ar pudesse entrar. O pouco espaço restante do chão era usado para guardar pilhas de roupas que encostavam em fios aparentes. Somados aos botijões de gás no mesmo ambiente da oficina, esses tecidos traziam risco de incêndio ao locais onde sequer havia um extintor. Além disso, não havia água potável em nenhuma das oficinas.
Cinco crianças moravam nos locais. Quando não estavam na escola, elas andavam e brincavam entre as máquinas e as pilhas de tecido. Além de colocar em risco sua própria segurança, a presença das crianças aumentava a chance de acidentes entre os trabalhadores, pois a atenção exigida por elas “compete diretamente com a aguda concentração exigida na atividade de costura”, segundo os auditores.
Essas características fizeram os auditores constataram as condições degradantes de trabalho, que “são violações que colocam em risco a saúde e a vida do trabalhador.”
Todos os dez trabalhadores, cinco homens e cinco mulheres, eram bolivianos que chegaram ao Brasil nos últimos cinco anos. Como eles foram explorados em situação de extrema vulnerabilidade, sendo recrutados para isso, também foi constatado o tráfico de pessoas.
Em nota enviada à reportagem, o grupo Soma negou que tivesse conhecimento das situações em que se encontravam os trabalhadores e das jornadas de trabalho a que eles eram submetidos. O grupo disse que “lamenta que suas marcas tenham sido associadas aos lamentáveis fatos, informando, por fim, que está colaborando com as autoridades públicas nas investigações e que vem tornando ainda mais rigorosa a fiscalização de sua cadeia produtiva.” (Leia a íntegra da resposta do grupo Soma)
Para o auditor fiscal Luís Alexandre de Faria, não seria possível e nem aceitável que a empresa não soubesse da situação naqueles locais, já que eles determinavam os detalhes da produção e os prazos de entrega das peças que eram costuradas nas oficinas. “Eles não podem não saber a condição em que o principal produto da sua atividade econômica é produzido,” diz o auditor. “Do mesmo jeito que eles têm preocupação com a qualidade, com o valor da marca, eles têm que estar preocupados com o valor do ser humano que produz o produto que vai levar sua marca.”
Responsabilidade da empresa
s oficinas de costura eram subcontratadas de duas empresas terceirizadas que prestavam serviços para uma empresa do grupo Soma. As intermediárias recebiam os modelos da Animale e da A. Brand em detalhes e faziam a modelagem das peças, transformando em moldes o desenho feito pelos estilistas da marca.
A Animale estabelecia os preços, os números de peças a serem produzidos e os modelos que deveriam ser costurados. Através de mensagem de WhatsApp, as donas das oficinas recebiam ordens expressas das intermediárias, onde elas determinavam as quantidades de roupas a serem entregues e os prazos.
Devido a essas determinações da Animale, os auditores entenderam que a empresa “mantém sob suas rédeas o controle completo de sua cadeia produtiva”. Além disso, as três oficinas costuravam exclusivamente para as marcas do grupo Soma.
Uma das intermediárias é a CM Confecções, também registrada como Moura Duarte Confecções. Em seu site, a empresa diz fazer “tudo com muita criatividade e dedicação” e se preocupar “com o bem estar de toda a cadeia de confecção de roupas”. Entre seus clientes, a empresa elenca a Animale, a Daslu e a Maria Filó.
Em nota, a empresa afirmou “que não foi notificada e acrescenta que respeita as obrigações contratuais com seus clientes, mantendo relação estreita e fornecendo todas informações que lhe são solicitadas”. A CM também disse fazer “vistorias frequentes” às empresas que contrata. (Leia a íntegra da resposta).
A outra empresa intermediária, a Leketty Alfaiataria, não respondeu aos pedidos de posicionamento da reportagem por telefone e e-mail.
Questionada se permite a “quarteirização” da sua produção, a Animale afirmou que “todos os fornecedores da companhia assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente e a não realizar a contratação de trabalhadores em condições degradantes e/ou irregulares.”
Outras Marcas
A Animale e a A. Brand se juntam agora ao rol das empresas flagradas produzindo roupas com mão de obra análoga à escrava, como Zara e M. Officer.
O histórico de cada uma e os detalhes de como atuam para monitorar o cumprimento da lei trabalhista entre seus fornecedores podem ser conferidos no Moda Livre. Das 119 marcas e empresas monitoradas pela ferramenta, 21 demonstram ter mecanismos de acompanhamento sobre sua rede de fornecedores e têm histórico favorável em relação ao tema. Outras 55 não demostraram adotar ações minimamente adequadas para evitar casos de trabalho escravo na produção de suas roupas.
Neste domingo, 204 crianças, de 92 famílias e 10 nacionalidades (bolivianas, angolanas, haitianas, peruanas, paraguaias, marroquinas, sírias, equatorianas, namibianas e serra-leonesas) foram apadrinhadas por voluntários, que, gentilmente, doaram roupas, sapatos, brinquedos, material escolar, guloseimas, etc. Os presentes foram colocados em sacolinhas e distribuídos pelo Papai Noel. Crianças brasileiras da comunidade também vieram e ganharam presentes do bom velhinho.
Tal evento contou com a colaboração de vários amigos: a turma da Jucilene, de Ribeirão Pires; o pessoal da Corrente do Bem, da Tati Lopes; da Nina Kim; a voluntária Fabíola Canedo e os funcionários da Fundação BUNGE. A Juliana Andrade e sua mãe trouxeram muitos docinhos para as crianças. Funcionários da Deloitte do Brasil também compareceram para auxiliar o papai noel na entrega dos presentes.
Image captionSergey Brin, um dos criadores do Google, nasceu em Moscou, em 1973, mas imigrou para os Estados Unidos com sua família quanto tinha seis anos | Foto: Justin Sullivan
A Fortune 500, famosa seleção das maiores companhias nos Estados Unidos por receita total, teria que mudar de nome se desconsiderasse a participação de negócios fundados por imigrantes ou por sua segunda geração.
O ranking, nesse caso, teria de se chamar Fortune 284, aponta estudo do Center for American Entrepreneurship (CAE) (Centro para Empreendedorismo Americano, em tradução literal), um think-tank sediado em Washington.
O estudo estima que 216 (43%) das companhias listadas na edição 2017 do ranking da revista de negócios Fortune foram implantadas por imigrantes ou seus descendentes. Isso inclui pesos pesados, como Google e IBM.
De acordo com os pesquisadores do CAE, a incidência de fundadores de empresas que são imigrantes de primeira ou segunda geração é consideravelmente maior entre as maiores companhias da Fortune 500 - representando 52% das 25 principais empresas e 57% das 35 maiores.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionHenry Ford fundou a indústria que leva seu sobrenome e que é intimamente relacionada aos EUA, mas seu pai era imigrante irlandês e sua mãe, de família belga
Predominância
Em 2016, esses negócios empregaram 12,8 milhões de pessoas ao redor do mundo e acumularam uma receita global de US$ 5,3 trilhões, valor que equivale a R$ 17,53 trilhões e supera o PIB do Japão, terceira maior economia do mundo.
As conclusões foram apresentadas a vários congressistas americanos dos dois lados da Câmara (Republicanos e Democratas) numa tentativa de combater uma série de medidas com restrições à imigração implementadas pelo presidente Donald Trump, especialmente a decisão de acabar com o programa Dreamers.
O programa foi criado para evitar a deportação de cerca de 800 mil imigrantes sem documentação que foram levados ilegalmente para os EUA quando crianças.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionTrump anunciou o cancelamento de um programa concebido para proteger 800 mil jovens imigrantes da deportação
"Os resultados são impressionantes, mas não devem ser uma surpresa. Há boas evidências em muitos países de que imigrantes iniciam empresas numa taxa maior do que os residentes nativos. Alguns economistas argumentam que também é mais provável que aqueles que se mudam para outro país assumam o risco de começar seu próprio negócio, disse Ian Hathaway, diretor de pesquisa do CAE, à BBC.
"Em segundo lugar, a experiência de ser imigrante ensina a ser criativo e a lidar com a ambiguidade e a adversidade. O terceiro ponto é que os imigrantes não têm conexões sociais importantes para encontrar trabalho - o que é, de longe, como a maioria das pessoas consegue emprego", acrescentou.
Hathaway não hesita em ressaltar que a manutenção do programa Dreamers e medidas como a criação de vistos especiais para empreendedores imigrantes têm mais do que um aspecto simplesmente humanitário.
"A partir de uma perspectiva humanitária, o dano é óbvio - nós podemos estar destruindo famílias e enviando crianças e jovens adultos para países com os quais eles têm pouca ou nenhuma conexão. Mas há certamente um impacto econômico. É provável que em duas ou três décadas, essas 800 mil crianças e jovens adultos fundem dezenas de milhares de companhias americanas - alguns poderão até ir parar na Fortune 500."
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionO escocês Alexander Graham Bell inventou o telefone e sua companhia, Bell, se transformou em uma gigante das telecomunicações também listada no ranking da Fortune
A pesquisa do CAE mostra que a maioria dos 216 negócios de imigrantes ou de sua segunda geração está no setor de alta tecnologia (43), seguida de varejo e finanças ou seguros (26). Mas elas estão representadas em cada ramo de negócio na Fortune 500, incluindo a produção de automóveis.
Empreendedores
A Ford, por exemplo, é vista como uma das empresas que são a cara dos EUA. Mas seu fundador, Henry Ford (1863-1947), era na verdade filho de pai irlandês e de mãe nascida como filha mais nova de imigrantes belgas.
Essas origens, porém, podem não surpreender, dado o enorme fluxo de imigrantes que se mudaram para o Novo Continente no século 19.
Outro caso é o da gigante da aviação Boeing, fundada por Wilhelm Boeing, filho de imigrantes alemães e austríacos.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionBilionário brasileiro Eduardo Saverin é co-fundador do Facebook, companhia liderada por Mark Zuckerberg
E o Facebook, apesar da associação imediata e óbvia com Mark Zuckerberg, teve o empreendedor e investidor brasileiro Eduardo Saverin como cofundador.
Mas a lista da Fortune mostra que o fenômeno ainda está em andamento. Um exemplo é a Tesla, líder na revolução dos carros elétricos, que é uma iniciativa do imigrante sul-africano Elon Musk. Outro caso é o de Sergey Brin, um dos criadores do Google, que nasceu em Moscou, em 1973, mas imigrou para os Estados Unidos com sua família quanto tinha seis anos de idade.
"A ideia de trabalhar duro para construir seu próprio caminho geralmente é estimulada nos filhos dos imigrantes. Muitos vieram para este país (EUA) para ter uma vida melhor - seja para fugir de dificuldades econômicas, políticas ou de ambos", diz Hathaway.
"Esse princípio de crescer e dar a seus filhos uma vida melhor é estimulado nas crianças. Temos algumas evidências sobre isso também - um estudo recente de Harvard mostrou que, dos fundadores imigrantes de empresas, aqueles que chegaram como crianças tiveram os melhores resultados nos negócios em termos de taxas de sobrevivência e crescimento ", acrescenta.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionBoeing, 24ª empresa mais rica dos Estados Unidos, foi fundada por Wilhelm Boeing, filho de imigrantes austríacos e alemães
Assim, os programas que protegem os imigrantes mais jovens seriam ainda mais cruciais, já que o estudo mostra que quase uma em cada quatro empresas da lista Fortune 500 (24,8%) foi fundada por um filho de imigrante.
"Ficamos surpresos com o tamanho do papel que os filhos dos imigrantes desempenham nisso. É expressivo, mas em um aspecto muitas vezes esquecido. O impacto econômico da demografia se desenrola lentamente ao longo do tempo. Os imigrantes que vêm a este país hoje têm um impacto, mas é mais provável que seus filhos, com melhor educação e mais oportunidades, tenham um impacto ainda maior, embora apenas daqui a várias décadas."