Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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Ao menos 15 venezuelanos vivem na rua em Pacaraima, conforme levantamento da ONU (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)
Porta de entrada terrestre para migrantes venezuelanos no Brasil, Pacaraima registrou crescimento de 1,45% no total de venezuelanos fora dos abrigos, conforme levantamento da Organização Internacional para as Migrações (OIM), da ONU (Organização das Nações Unidas) atualizado pela última vez em julho deste ano.
Em relação ao mês anterior, aumentou de 2.055 para 2.085 o número de venezuelanos fora dos abrigos. Desses, são 644 homens, 553 mulheres e 888 pessoas com menos de 18 anos.
Pacaraima continua com 15 ocupações espontâneas com venezuelanos. Só em espaços públicos, existem 1.666 estrangeiros, enquanto há 158 nos particulares. Além disso, 246 migrantes estão no Posto de Recepção e Apoio (PRA) e 15 vivem na rua.
Boa Vista
A capital Boa Vista, em um mês, teve queda de 1,77% no número de venezuelanos fora dos abrigos: foi de 1.632 para 1.603. Desse total, são 654 homens, 444 mulheres e 505 pessoas com menos de 18 anos.
A cidade segue com 14 ocupações espontâneas mapeadas. A maioria dos venezuelanos estão no PRA (557), seguido por espaços particulares (495) e públicos (373). Na rua, existem 178 migrantes (aumento de 57,5% em relação a junho).
Brasil teve 11.270 entradas de venezuelanos
Segundo a ONU, julho terminou com 3.695 saídas de venezuelanos do Brasil, uma queda de 7,32% na comparação com junho passado. De janeiro de 2017 a julho de 2022, houve 397.087 saídas.
Por outro lado, o País registrou 11.270 entradas de venezuelanos em julho, aumento de 8,63% em relação ao mês anterior. Desde 2017, o Brasil teve, ao todo, 763.074.
Migrantes preencherão um formulário sobre temas a serem debatidos na Conferência Municipal
Neste sábado, 10, a Unidade dos Povos Indígenas, Imigrantes, Refugiados e Direitos Difusos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social promove a terceira pré-conferência livre sobre migração. Será das 9h às 17h, na paróquia Santa Rosa de Lima (rua Santa Rosa de Lima, 82), Zona Norte de Porto Alegre. O evento faz parte da programação de encontros que antecede a Conferência Municipal de Migrações, no dia 29 de outubro.
Serão realizadas atividades para mapear as demandas dos migrantes que residem na Capital, como a aplicação de um questionário a ser respondido pelos participantes. A Secretaria Municipal de Saúde vai oferecer as vacinas que estiverem em falta no calendário vacinal dos migrantes e seus filhos, além da vacinação contra a Covid-19.
O Sine Municipal e a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) participam com o serviço de intermediação de mão de obra e encaminhamento para entrevista de emprego. O Centro de Referência em Direitos Humanos e o Centro de Referência em Atendimento à Mulher Márcia Calixto estarão presentes com orientações.
O Sesc vai fazer o encaminhamento dos interessados para atendimentos médicos com desconto, além de indicações para exames citopatológico e mamografia.
Avaliação de necessidades em campo para deslocados internos. Foto: OIM 2021/Mohammed Muse
Após mais de um ano da tomada do poder pelo Talibã, estima-se que 24,4 milhões de pessoas – 59% da população do Afeganistão – dependem de ajuda internacional e ajuda humanitária de emergência em suas vidas diárias.
Desde agosto de 2021, quase todos os afegãos mergulharam na pobreza, e o país enfrenta o risco de um colapso sistêmico. Essa catástrofe humanitária é em grande parte impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos, desnutrição grave, oportunidades limitadas de subsistência, bem como deslocamentos motivados por conflitos e complexas necessidades de proteção, incluindo acomodação de emergência, encaminhamentos e reunificação familiar.
As pessoas que vivem em todas as 34 províncias do Afeganistão precisam urgentemente de ajuda de emergência. A prestação de serviços básicos foi severamente impactada e os programas de desenvolvimento foram suspensos. Choques econômicos e ambientais contínuos levaram a quedas significativas na renda, à redução dos fluxos de remessas e ao aumento dos preços de alimentos e outras commodities.
Diante dessa situação complexa, a OIM, Agência da ONU para as Migrações, continua a atender às necessidades humanitárias e a reduzir os riscos de proteção para as pessoas em movimento, enquanto trabalha para mitigar o impacto de crises em andamento e emergentes, como o grande terremoto que ocorreu em junho deste ano.
Nos últimos 12 meses, a OIM ajudou mais de 1,3 milhão de afegãos por meio da distribuição de alimentos, abrigo temporário, acesso à proteção, água, higiene, serviços de saúde e outros itens essenciais. As atividades de abrigos foram drasticamente expandidas, atingindo quase um em cada dois afegãos necessitados, enquanto o acesso à saúde, que, antes de agosto de 2021, estava disponível em 4 províncias apenas, foi ampliado para 13 em agosto de 2022, apoiando mais de 411 mil indivíduos com serviços essenciais.
Um ano após o início da crise, o Plano de Ação Abrangente da OIM 2021-2024 (IOM’s Comprehensive Action Plan 2021-2024, disponível em inglês) é financiado em apenas 34%, com a maior parte do financiamento concentrando-se nas necessidades humanitárias mais fundamentais. Diante da deterioração das condições de vida devido ao aumento do custo de vida, ao impacto da guerra na Ucrânia nos preços dos alimentos e dos combustíveis, a um grande aumento no desemprego, além de choques e desastres induzidos pelas mudanças climáticas, a OIM busca financiamento adicional para programas de recuperação dentro do Afeganistão. O progresso feito em apoio ao povo afegão deve ser ampliado nos próximos meses e antes do inverno que se aproxima.
Prefeito Rafael Greca com o secretário do Esporte, Carlos Pijak Jr , recebe a diretoria da Ong Pacto pelo direito de migrar (PDMIG), que vai realizar a “Copa dos Refugiados e Imigrantes”. Curitiba, 06/09/2022. Foto: Pedro Ribas/SMCS
Oprefeito Rafael Greca recebeu nesta terça-feira (6/9), em seu gabinete no Palácio Solar 29 de Março, a diretoria da ONG Pacto pelo Direito de Migrar (PDMIG), que vai realizar pela primeira vez na capital paranaense a Copa dos Refugiados e Imigrantes. Em Curitiba, os jogos de futebol serão disputados nos dias 24 e 25 de setembro por equipes com representantes da Venezuela, Angola, Guiné Bissau, Haiti, Congo e Colômbia.
O projeto sócio-esportivo tem o objetivo de integrar pessoas refugiadas e migrantes na comunidade local, incentivar seu protagonismo e colocar em destaque a agenda global de migração e deslocamento forçado.
“Curitiba é uma cidade acolhedora e recebe com muito orgulho essa ideia feliz de que as pessoas que vieram de outros lugares do mundo, por dificuldades ou imigração, sejam recebidas em nossa cidade. Viva Curitiba e viva a imigração acolhida”, disse o prefeito.
Segunda casa
Lançado em 2014, o projeto ganhou visibilidade como um evento anual para homenagear aqueles que escolheram o Brasil como sua segunda casa. Neste ano, são 1520 atletas de 49 países que vão participar da Copa que acontece nos dias 24 e 25 de setembro.
Na mais recente edição, em 2019, antes da pandemia, a Copa dos Refugiados e Imigrantes foi realizada em cinco estados (RS, PR, SP, RJ, PE) e no Distrito Federal, com a participação de 1.230 atletas. Neste ano, ocorrerá em Porto Alegre/RS, Curitiba/PR, São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Belo Horizonte/MG, Recife/PE e Brasília/DF.
Presenças
Participaram da reunião, o presidente da PDMIG, o congolês Jean Mulondavi; a diretora da ONG, Monica Lopes da Silva, de Cabo Verde; o venezuelano Eduardo Sucre, da Organização Internacional para as Migrações; e o jogador venezuelano Alexis Cabrera, capitão do time dos imigrantes da Venezuela em Curitiba.
Também compareceram o secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, Carlos Pijak Jr, o diretor de Esporte da secretaria, Helton Stais; o diretor de Lazer, Jean Emmanuel Kulchesk, e o chefe da Assessoria de Relações Internacionais de Curitiba, Rodolpho Zannin Feijó.
“Esta é mais uma iniciativa de integração e acolhimento que estamos realizando em Curitiba. Em parceria com a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude estamos ajudando esses imigrantes a se integrarem em nossa sociedade e a terem uma vida digna e feliz em nossa cidade”, disse Rodolpho Feijó.
Acolhimento
A Casa da Acolhida e do Regresso é um dos equipamentos da Fundação de Ação Social (FAS) que presta serviço para pessoas em trânsito, à população de rua em mobilidade geográfica e/ou em desabrigo temporário. O público-alvo também inclui itinerantes ou imigrantes, que podem ser refugiados, apátridas, vítimas de catástrofes ambientais, pessoas que vêm em busca de tratamento de saúde ou trabalho, e ainda “trecheiros” (sem residência fixa), provenientes de todo o território nacional ou de outros países, em situação de fragilidade, vulnerabilidade e/ou risco social.
Como acessar
Os usuários acessam a CAR por busca espontânea ou pelo encaminhamento dos profissionais dos serviços e equipamentos da rede socioassistencial do Município, com: o serviço de Abordagem Social, os Cras, Creas, Centros POP e Central de Encaminhamento Social – CES.
Curso de Língua Portuguesa
Estrangeiros podem procurar a rede municipal de ensino para aprender gratuitamente a Língua Portuguesa. O curso é direcionado para migrantes e refugiados com 15 anos ou mais e busca promover a integração social, o acolhimento linguístico e a interação com a cidade.
Fome, mudanças climáticas, guerra, ditaduras. São várias as razões que estão empurrando indivíduos e comunidades a procurar abrigo além das fronteiras onde nasceram. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, existem 89,6 milhões de migrantes e refugiados buscando novas possibilidades. Destes, 1,4 milhão de migrantes internacionais e 26,5 mil refugiados escolheram o Brasil para recomeçar a vida.
Antônio Braga, docente da Faculdade de Filosofia e Ciências do Departamento de Sociologia e Antropologia, câmpus de Marília, explica que uma das características da migração internacional que está chegando ao Brasil é um fluxo em direção ao interior. “São Paulo sempre foi um dos principais pontos de chegada de migrantes ao Brasil, além do Rio de Janeiro e de outros grandes centros urbanos. Agora, está havendo um processo de interiorização, com destino a cidades de médio porte. Lugares como Marília, Bauru e Araraquara estão recebendo muitos migrantes vindos da Venezuela, Haiti e até de países do Oriente como Afeganistão e Iraque”, diz.
De olho no crescimento desses grupos no interior de São Paulo, diversos professores da Unesp têm dedicado a eles pesquisas e ações de extensão. Uma dessas iniciativas é a participação no evento Memórias em movimento – Migrantes e migrações no interior de São Paulo, que acontece nos dias 3 e 4 de setembro em Botucatu. Estão previstas palestras e mesas-redondas, além de espaços para a divulgação das culturas migrantes, como apresentação de danças típicas e venda de comidas de diversos países, arquitetadas por migrantes que integram o Projeto Reconduz em parceria com a produtora cultural Zukultura. “Um dos objetivos dos migrantes [com o evento] é justamente sair da invisibilidade, já que logo que chegaram aqui começou a pandemia e muitos botucatuenses nem sabiam que eles estavam na cidade” , explica um dos voluntários no Reconduz, João Belvel Junior, doutorando do programa de pós-graduação em antropologia social da USP e pesquisador na área de migração.
Rosângela Gileno em apresentação das atividades de acolhimento a migrantes do PoLEM, Ramin – Unesp – na Câmara de Vereadores de Araraquara
Além de doutorando, Belvel é bolsista da cátedra da Unesco Memorial da América Latina, programa no qual tem como orientadora Elizabete Sanches, professora do Departamento de Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp, câmpus de Franca. A cátedra da Unesco Memorial da América Latina é um projeto acadêmico que une a Fundação Memorial e as três universidades estaduais paulistas com o objetivo de promover pesquisa sobre temas sociais emergentes.
Elizabete Sanches é uma das coordenadoras da Rede de Atenção ao Migrante Internacional (Ramin) e está à frente do projeto Conhecer para Acolher – mapeamento de migrantes e refugiados na cidade de Franca. O encontro em Botucatu neste fim de semana acontece através dessa articulação entre diversos projetos e pesquisadores. “A ideia é juntarmos todas essas forças para promover um evento que agregue o maior número possível de pesquisadores, estudantes e, principalmente, pessoas em situação de refúgio e migrantes para ampliar a possibilidade de diálogo intercultural que favorece a integração”, explica a professora.
Nova tendência nas migrações: sul-sul
Em Marília, no ano passado, Antônio Braga foi procurado pela Secretaria de Direitos Humanos do município com a demanda de pensar em soluções para migrantes de origem venezuelana que estavam em situação de rua. “Pode-se chamar esse fenômeno contemporâneo de uma migração sul – sul. São pessoas que vêm da América Latina, Caribe, África e Oriente Médio, num processo que tem se acentuado e onde o nível da demanda é muito alto. São pessoas que saíram sem nada do seu país de origem e precisam de suporte alimentar, habitacional, linguístico, psicossocial etc”, diz Braga, que também é coordenador-geral da Ramin.
Venezuelanos no evento Conexão Brasil – Venezuela, nos dias 12 e 13 de março na Pinacoteca Fórum das Artes de Botucatu
Com o surgimento da Ramin, constatou-se que diversos professores da Unesp já trabalhavam em projetos de pesquisa e extensão abordando alguns aspectos de acolhimento a essa população. O projeto Português Língua de Acolhimento (PLAc) do câmpus de Araraquara – que hoje se chama PoLEM (Português Língua entre migrações), por exemplo, surgiu em 2018, a partir da necessidade de facilitar a aprendizagem de português como língua estrangeira para os migrantes venezuelanos, adultos e crianças. “A Unesp tem acolhido esse migrante que quer se integrar, aprender a língua pra poder trabalhar e ficar mesmo no país. Agora temos a vantagem da rede que tem dado suporte financeiro, jurídico e, dessa forma, projetos como o PoLEM têm se espalhado para outros câmpus”, afirma Rosângela Gileno, docente do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Araraquara. A Ramin tem possibilitado uma maior articulação entre os projetos e diferentes unidades da Unesp. “Do ponto de vista mais objetivo, a ideia é que a gente possa auxiliar um ao outro nas nossas áreas de expertise”, explica Antonio Braga.
Programas de acolhida ajudam a selecionar emprego
Moradora da cidade de Maturin, no nordeste da Venezuela, a professora de história Virginia Rodriguez viu-se gradualmente enfrentando dificuldades cada vez maiores para manter seu padrão de vida, embora estivesse empregada e recebendo salário. “A gente primeiro tira a salada do prato, depois a carne, até que chegaram os dias em que eu passei a me deitar sem ter comido nada. Fui aguentando, mas quando meus filhos passaram a ter que deitar com fome, decidi que era a hora de sair da Venezuela”, relata ela, que chegou ao Brasil atravessando a fronteira pelo estado de Roraima, chegando à cidade de Pacaraima.
De Pacaraima ela seguiu para a capital do estado, Boa Vista, de onde foi transportada para Botucatu. Hoje, Virginia é uma dos 120 venezuelanos que vivem na cidade. O deslocamento desses migrantes para o interior de São Paulo tem contado com o apoio do governo federal ou da iniciativa privada. No caso da Virgínia, ela participou do programa Empoderando Refugiadas, que é mantido por uma grande empresa do ramo da moda. Graças ao programa, ela pôde passar por um treinamento profissional e já chegou ao interior paulista empregada. Mas a necessidade de aumentar o apoio a esses grupos já está bem clara, tanto para as autoridades dos municípios onde eles residem quanto para os pesquisadores da área. “E a Unesp, por seu perfil multicampi, que se espalha por boa parte do interior de São Paulo, está presente em algumas das localidades para onde eles estão chegando, e pode atender os migrantes com ações de acolhida”, diz Antônio Braga.
Em função da pandemia de covid-19, o serviço de renovação e regularização de imigrantes no Brasil estava suspenso desde março de 2020 pela Polícia Federal (PF). Mas, com a volta às atividades, uma nova portaria da PF estabeleceu o dia 15 de setembro como limite para a regularização dos vistos sem o pagamento de multas. Para agilizar os trâmites, a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP criou um espaço físico permanente de apoio ao imigrante e refugiado, que será inaugurado no dia 3 de setembro, com um mutirão que atenderá, inicialmente, cerca de 80 refugiados venezuelanos, integrantes da etnia indígena Warao.
A professora Cynthia Soares Carneiro, da FDRP e coordenadora do mutirão, informa que os refugiados venezuelanos que serão atendidos já possuem uma situação regular e, por isso, precisam apenas de uma renovação. Para os imigrantes que possuem autorização de residência temporária, a renovação deve ser feita de dois em dois anos. Já aqueles que possuem autorização de residência definitiva, é necessário fazer essa renovação de oito em oito anos.
Além dos refugiados regularizados, Cynthia destaca que o projeto também vai atender aos imigrantes que necessitam da primeira solicitação de refúgio. Para isso, “o solicitante precisa estar enquadrado em algumas condições previstas na Lei 9.474 de 1997, conhecida como Lei de Refúgio ou Estatuto do Refugiado”. Esse processo leva mais tempo, pois precisa tramitar pelo Comitê de Refugiados e depende da liberação da PF.
O atendimento do mutirão será das 9 às 17 horas, na Rua dos Bambus, casa 4, Campus da USP em Ribeirão Preto. Os horários de atendimento de rotina ainda não foram definidos. O serviço oferecido pela FDRP faz parte do projeto de extensão do Grupo de Estudos Migratórios e Apoio ao Trabalhador Imigrante no Brasil, coordenado pela professora Cynthia.
Parcerias
A iniciativa da FDRP é resultado de uma parceria com a Polícia Federal e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Segundo o chefe do Setor de Imigração da Polícia Federal em Ribeirão Preto, Lucas Álvares, “a ideia de criar uma parceria com a USP veio para aumentar a eficiência do atendimento e alcançar um número maior de refugiados regulares”.
O processo de regularização, segundo Álvares, é essencial para que o imigrante garanta todos os direitos que têm e que são os mesmos dos brasileiros. Com a documentação em dia, o refugiado recebe uma carteirinha, paralela ao RG brasileiro, que possibilita a obtenção de uma carteira de trabalho, matrículas em universidades e atendimentos em hospitais públicos, por exemplo.
O atendimento oferecido pela FDRP vai agilizar o processo documental dos imigrantes e refugiados quando comparecerem à Polícia Federal para a regularização. Os estrangeiros serão atendidos por alunos bolsistas e voluntários que serão capacitados pelo ACNUR. Segundo a professora Cynthia, o número de estrangeiros que precisam desse tipo de serviço não deve chegar a 400, entre as 68 cidades que abrangem a Delegacia da Polícia Federal em Ribeirão Preto.
Consequências da falta de renovação
Wiliam Torres – Foto: Reprodução
Wiliam Torres, especialista em Relações Internacionais e representante do ACNUR, afirma que a legislação brasileira não traz medidas de remoção compulsória em caso de documentação vencida, mas prevê o pagamento de multas por atraso.
A multa vale para os imigrantes que possuem autorização de residência, seja temporária ou definitiva. “Os solicitantes da condição de refugiados e atrasos justificados não necessariamente precisarão arcar com multas após o dia 15 de setembro, já que algumas questões administrativas preveem um prazo estendido.” Em caso de multa, segundo Torres, o valor pode chegar a até R$ 10 mil por dia.
Mesmo com atraso, imigrantes e refugiados não perdem acessos a benefícios, como o Auxílio Brasil, por exemplo, nem perdem o direito de acessar serviços básicos de saúde e educação no País.
A Prefeitura de São Paulo lançou nessa sexta-feira (2) o Mapeamento Colaborativo 2022. A iniciativa é da Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, com o apoio da Organização Internacional para Migrações (OIM), que faz parte do Sistema das Nações Unidas. Coletivos, associações, organizações e pessoas migrantes podem inscrever suas iniciativas nas áreas indicadas, preenchendo umrelatórioaté dia 30.
As informações levantadas irão compor uma página na internet que estará à disposição da população, onde poderão ser encontradas iniciativas de migrantes como feiras culturais ou artesanais, grupos artísticos, acadêmicos, coletivos, associações de/ou para migrantes, programas de rádio, televisão, imprensa ou mídias sociais com conteúdo sobre migrações e até mesmo restaurantes, serviços de entregas de comida ou de bebidas.
O intuito do Mapeamento Colaborativo é reunir todas essas informações que, além da prestação de serviço, também podem ser utilizadas, segundo o coordenador de Políticas para Imigrantes, Bryan Rodas, para qualificar essa diversidade e riqueza gerada pela população migrante.
“O objetivo não é só o de reunir informações da rede de migração da cidade de São Paulo, mas de construir esse banco de dados com a participação dos próprios agentes que desenvolvem as iniciativas, que podem ser utilizadas por todos aqueles interessados no tema migratório e pela própria comunidade migrante”, explica Bryan Rodas. Para ele, será possível, entre outras ações, elaborar um mapa cultural de iniciativas da comunidade de migrantes. Festas como a Alasitas, por exemplo, que é promovida no início do ano pela comunidade boliviana no Parque D. Pedro I reúne, em todas as edições, uma média de 30 mil pessoas, com comidas típicas e artesanato.
Mais informações
O Mapeamento Colaborativo vem sendo desenvolvido desde 2015, mas essa é a primeira vez que pretende reunir tantas informações em uma só edição. Já foi utilizado para levantar o número de cursos presenciais e on-line de Língua Portuguesa oferecidos aos migrantes na cidade de São Paulo, por ocasião do período de isolamento da pandemia, que provocou a paralisação das aulas presenciais do programa Portas Abertas – Português para Imigrantes. O programa, iniciativa da Coordenação em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, oferece o curso do idioma em 11 escolas da rede pública municipal.
O mapeamento tem respaldo da lei que determina o livre acesso à informação para as comunidades migrantes na cidade de São Paulo. O último levantamento do Migracidades, uma plataforma de diagnósticos sobre migração da OIM, de 2021, aponta que 376.156 migrantes vivem aqui. As principais comunidades são a de bolivianos (27%), chineses (7%) e haitianos (6%).
A Austrália vai aumentar, pela primeira vez numa década, o número máximo de imigrantes autorizados a instalarem-se permanentemente no país, numa tentativa de combater a massiva falta de mão de obra.
Nesse sentido, o Governo anunciou que vai permitir até 195 mil pessoas este ano fiscal, o que corresponde a um aumento de 35 mil imigrantes em relação a anos anteriores.
A pandemia e as duras políticas anti-imigração da Austrália têm exacerbado a falta de mão de obra em vários setores.
Trabalhadores de países como a China, Índia e Reino Unido, as três principais fontes de migração para a Austrália, são necessários para cobrir essas lacunas, adianta Camberra.
"O nosso foco é sempre dar emprego aos australianos primeiro, mas o impacto da Covid-19 foi de tal forma duro que, mesmo esgotando todas as outras alternativas, continuaríamos a precisar de milhares de trabalhadores, pelo menos no curto prazo", indicou a ministra do Interior, Clare O'Neil.
"Vamos afastar-nos de um sistema focado quase exclusivamente em manter as pessoas fora [da Austrália] e trocá-lo por um que reconhece que estamos numa guerra global por talento."
Atualmente, há mais de 480 mil vagas de emprego em todo o país. E apesar de a taxa de desemprego ter atingido o valor mais baixo dos últimos 50 anos no país, os empregadores continuam com muitas dificuldades em preenchê-las.
Os setores mais afetados por esta falta de mão de obra são o da Hotelaria, Saúde, Agricultura e indústrias de comércio especializado.
A migração permanente para a Austrália aumentou para 190 mil ao ano em meados dos anos 2010, antes de começar a cair a pique a partir de 2017, quando a imigração se tornou um ponto quente dos debates políticos.
Empresas, sindicatos e até a oposição no Parlamento têm repetido pedidos para que se autorize a entrada a mais migrantes.
O aumento de imigrantes prevê, adiantou O'Neil, 4.700 vagas extra para trabalhadores do setor da Saúde e outras 9 mil para quem aceitar mudar-se para áreas fora dos centros urbanos.
Duas senadoras norte-americanas pediram esta quinta-feira à administração de Joe Biden que agilize a emissão de autorizações de trabalho, alertando que os atrasos afetam centenas de milhares de refugiados afegãos e ucranianos que chegaram aos Estados Unidos.
A senadora republicana Lisa Murkowski e a democrata Amy Klobuchar escreveram uma carta ao Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) dos Estados Unidos, onde detalham que receberam informações sobre tempos de espera de até nove meses, para receber autorizações de trabalho.
“Estes atrasos não são apenas devastadores para os refugiados (…), mas também são uma barreira para que possam enriquecer as suas novas comunidades com os seus talentos e habilidades”, salientaram as senadoras no documento.
As congressistas asseguraram ainda que os atrasos têm um efeito negativo, num momento de escassez de trabalhadores nos Estados Unidos.
Em julho, os EUA registaram 6,4 milhões de novas contratações e quase o dobro do número de vagas, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) (departamento de estatísticas laborais).
Cerca de 79.000 afegãos e 39.000 ucranianos entraram nos Estados Unidos com uma permissão especial de imigração que lhes permite solicitar uma permissão de trabalho, de acordo com o Migration Policy Institute.
A pandemia de covid-19 e as mudanças nas regulamentações impostas pelo governo do agora ex-presidente Donald Trump (2017-2021) causaram atrasos no processamento de casos de imigração, explicou o USCIS no início do ano.
Em março, o órgão do governo introduziu uma série de medidas para amenizar a acumulação de casos, como prorrogar a validade das autorizações de trabalho e permitir o pagamento de taxas para agilizar determinados procedimentos.
Cerca de 200 alunos de graduação e de pós-graduação participaram do evento – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Para receber e integrar os alunos estrangeiros de graduação e de pós-graduação que escolheram a USP para fazer intercâmbio, a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) promoveu nesta terça-feira, dia 30 de agosto, o Evento de Recepção aos Alunos Internacionais edição 2022. Cerca de 200 estudantes de países como Colômbia, Peru, França e Espanha participaram da atividade, realizada no Centro de Difusão Internacional, no campus da USP em São Paulo.
O presidente da Aucani, Sergio Persival Baroncin Proença, deu as boas-vindas aos estudantes. “Vocês são nossos alunos agora, fazem parte da nossa vida acadêmica e, como estrangeiros, vocês também são embaixadores de seus países e trazem um pouco do seu idioma e da sua cultura para a USP. Essa sinergia é muito importante não só para a sua experiência pessoal e profissional, mas também para toda a Universidade”, destacou.
Os pró-reitores Marli Quadros Leite (Cultura e Extensão Universitária), Aluisio Augusto Cotrim Segurado (Graduação), Miriam Debieux Rosa (adjunta de Inclusão e Pertencimento), Paulo Alberto Nussenzveig (Pesquisa e Inovação) e Márcio de Castro Silva Filho (Pós-Graduação) apresentaram aos estudantes as oportunidades oferecidas por cada uma de suas áreas.
A vice-reitora da Universidade, Maria Arminda do Nascimento Arruda, ressaltou que “a USP é uma instituição que orgulha a todos os que passam por ela. Tenho a certeza de que vocês também ficarão muito orgulhosos por terem encontrado aqui um ensino de alta qualidade, baseado na produção científica e cultural. A formação do estudante de hoje exige essa multiplicidade de habilitações”.
O grupo feminino do Coral USP e uma apresentação de capoeira animaram o encontro e mostraram um pouco da cultura brasileira aos participantes.
No documento,a agência da União Europeiasublinha que é na região dos Balcãs que houve um maior aumento do número de infiltrações ilegais, com mais 205% do que em igual período do ano passado e 70.770 casos no total.
No Chipre (14.936 casos, mais 203%) e no Mediterrâneo Oriental, onde se registaram 22.601 intervenções (mais 133% do que no primeiro semestre de 2021), houve também um forte crescimento da atividade migratória ilegal.
No sul da Península Ibérica e na fronteira leste da Europa (países bálticos e Polónia) o número de migrações ilegais detetadas diminuiu 25% e 32%, respetivamente, com 6.436 e 2.923 casos. Por outro lado, nas Ilhas Canárias a Frontex (Fronteiras Externas) intercetou 9.461 tentativas de infiltração ilegal, o que representa mais 25% de casos do que em 2021.
A Agência assinala no seu relatório a resolução de 82 casos de tráfico de pessoas e a apreensão de 5.700 quilos de cocaína em diversas operações.
No total, o destacamento de tropas da Frontex atingiu 2.203 agentes e oficiais, que realizaram intervenções contra 155.090 casos de migração ilegal e participaram em operações de resgate que salvaram 9.854 pessoas no mar. De acordo com o relatório, a Agência Europeia de controlo de fronteiras externas processou 13.307 casos de devoluções e fretou 15 voos especiais para completar as operações de regresso por via aérea.
A Frontex também informa sobre o envio de missões à Letónia e à Lituânia, onde os seus delegados visitaram centros de registo de estrangeiros durante o mês de julho e reuniram-se com as autoridades locais para acordar ações preventivas contra possíveis infiltrações a partir da Bielorrússia.
No quadro desta operação, os migrantes intercetados pela Frontex devem ser levados para o porto mais próximo, e não para o porto europeu mais próximo. Esta mudança de prática tem levado a uma maior proximidade entre as autoridades europeias e governos no Norte de África, nomeadamente com o da Líbia, e várias ONG apontam o dedo à União Europeia por ajudar a financiar centros de detenção, onde autoridades líbias alegadamente praticam tortura contra refugiados que tentam chegar à Europa.