sábado, 23 de julho de 2022

Pandemia agrava pobreza e desigualdade no Brasil e gera desafios para mais vulneráveis

 Relatório “Pobreza e Equidade no Brasil – Mirando o Futuro Após Duas Crises”, do Banco Mundial, analisa situação da população brasileira após a Covid-19; país é o terceiro mais afetado pelo vírus no mundo.


A Covid-19 causou graves estragos no Brasil e em sua economia. Com mais de 33 milhões de casos diagnosticados, o país tem sido o país mais afetado na América Latina e o terceiro em todo o mundo. 

No início da pandemia, aproximadamente 30% dos brasileiros eram pobres e 8% da população vivia na extrema pobreza. 

Dados comparáveis

Neste novo relatório, o Banco Mundial mostra que esses percentuais não mudaram muito desde 2012, 33% e 7,4%, respectivamente, o primeiro ano para o qual há dados comparáveis. 

Especialistas do Banco Mundial lembram que o Brasil não tem uma linha oficial de pobreza. De acordo com a definição utilizada no relatório, estão abaixo da linha de pobreza pessoas com renda per capita inferior a R$ 499 por mês.

Favela no Rio de Janeiro, Brasil
Unicef/Giacomo Pirozzi
Favela no Rio de Janeiro, Brasil

 

Tendo diminuído substancialmente em 2020, as taxas de pobreza aumentaram, acentuadamente, assim que a assistência do governo minguou, tornando evidente a dependência das famílias brasileiras do suporte do Estado diante de más condições no mercado de trabalho.

No entanto, estima-se que essas taxas tenham sido inferiores em pouco mais de um ponto percentual em 2021 em relação a 2019. O programa Auxílio Emergencial, iniciado em 2020 pelo governo federal para enfrentar a Covid, ajudou a conter o aumento da pobreza naquele ano, informa o relatório.

Tecnologia e capital humano

O baixo acesso à tecnologia e ao capital humano tornou mais difícil para os mais pobres sua adaptação ao mercado de trabalho durante a pandemia. É o que explica Gabriel Lara Ibarra, economista sênior do Grupo de Pobreza e Equidade do Banco Mundial, responsável pelo relatório.

“Segundo o relatório, os pobres e vulneráveis do Brasil sentiram mais duramente as consequências econômicas negativas da pandemia. A deterioração do mercado de trabalho diminuiu a renda domiciliar do trabalho, com os 40% mais vulneráveis da população sendo os mais atingidos. O baixo acesso à tecnologia e ao capital humano é comum entre os pobres, limitando sua capacidade de adaptação ao ambiente de trabalho ocasionado pela Covid-19.

A participação das mulheres na força de trabalho diminuiu significativamente mais do que para os homens, em grande parte devido aos papéis sociais tradicionais de gênero que aumentaram o trabalho doméstico não remunerado das mulheres e os encargos educacionais infantis durante os bloqueios escolares. Entre os jovens, aqueles de baixa escolaridade, os afro-brasileiros e os residentes nas regiões Norte e Nordeste tiveram maior probabilidade de perder seus empregos como resultado da pandemia”.

Norte e nordeste do Brasil

A pandemia gerou um alto custo para a acumulação de capital humano a longo prazo e ampliou a lacuna de desigualdade. Em novembro de 2020, 27,8% das crianças das regiões Norte e Nordeste, as mais pobres do país, não estavam matriculadas ou não tinham acesso às atividades escolares. 

Brasil tem sido o país mais afetado pela pandemia na América Latina e o terceiro em todo o mundo
Aldeias de Crianças SOS Colômbia
Brasil tem sido o país mais afetado pela pandemia na América Latina e o terceiro em todo o mundo

 

O acesso também foi menor para as crianças que vivem em áreas rurais. Em meados de 2021, o envolvimento em atividades escolares ainda era afetado de forma desigual pela pandemia.

Os dados mostram que apenas metade das crianças que viviam em um domicílio entre os 20% mais pobres da população estava envolvida (presencialmente ou virtualmente) em atividades escolares durante toda a semana, enquanto esse era o caso de três em cada quatro crianças nas famílias mais ricas.

Problemas históricos

O relatório mostra que, apesar do progresso realizado nas décadas anteriores, as profundas divisões socioeconômicas no país são problemas históricos.

Entre 2001 e 2012, o PIB do Brasil cresceu a uma taxa média anual de 2,6% em termos reais, e a diferença de desigualdade de renda diminuiu significativamente à medida que o Brasil experimentou uma redução significativa de 16 pontos percentuais na pobreza geral.

Ainda assim, as disparidades na população brasileira permanecem: quase três em cada 10 pobres são mulheres afro-brasileiras que vivem em áreas urbanas, enquanto três quartos de todas as crianças que residem em áreas rurais são pobres.
Impactos diretos

O documento aponta que é necessária uma visão ampla e renovada para dar aos grupos populacionais mais vulneráveis uma vida decente no futuro. 

Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil
Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo

No curto prazo, as prioridades políticas devem se concentrar na proteção dessas populações contra a erosão (ou esgotamento) dos ativos. As políticas devem abordar os impactos diretos da pandemia: proteger o capital humano das crianças e ajudar os indivíduos a voltar ao trabalho.

No longo prazo, esforços devem ser feitos para construir e promover a acumulação de ativos para a base mais ampla possível. Investimentos em capital humano são necessários para aumentar a produtividade da força de trabalho – presente e futura. 

Deve haver um forte impulso para apoiar a transformação econômica estrutural que está ocorrendo no Brasil. Além disso, investimentos em infraestrutura e acesso a ativos produtivos são necessários para melhor conectar e proteger as populações vulneráveis para que o Brasil possa se orientar para um crescimento inclusivo e resiliente.

*Do Banco Mundial, em Brasília, Sidrônio Henrique.

Onunews

www.miguelimigrante.blogspot.com

Na Etiópia, seca agrava situação humanitária de quase 10 milhões de pessoas

Quatro temporadas consecutivas de chuvas fracas deixaram milhões de pessoas à mercê da fome no Quênia, Somália e Etiópia. (Foto de Simon MAINA/AFP)  (AFP or licensors)

O índice de desnutrição na Etiópia está aumentando de forma alarmante devido à seca. Em quatro regiões etíopes, estima-se que cerca de 600 mil crianças precisarão de tratamento para a desnutrição aguda até o final do ano. Na região da Somália, em um ano, houve um aumento de quase 45% de hospitalizações de menores de 5 anos, devido à sua grave desnutrição.

As regiões de Afar, Oromia, Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNPR) e Somalis, na Etiópia, estão passando por uma grave seca devido à falta de chuvas por quatro temporadas consecutivas. Os poços de água secaram e milhares de cabeças de gado morreram, provocando um deslocamento em massa.

Manuel Fontaine, diretor das Operações de Emergência do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), declarou que "o impacto da seca sobre as crianças é devastador. Somente na região da Somália, quase um milhão de pessoas emigraram. A seca não se refere apenas à falta de água: crianças morrem de fome e de sede todos os dias e são obrigadas a percorrer quilômetros a pé em busca de comida e água; muitas vezes, para matar sua sede, até bebem água de fontes contaminadas, o que causa desnutrição e outras doenças mortais evitáveis, como a diarreia”.

O índice de desnutrição na Etiópia está aumentando de forma alarmante devido à seca. Em quatro regiões etíopes, estima-se que cerca de 600 mil crianças precisarão de tratamento para a desnutrição aguda até o final do ano. Na região da Somália, em um ano, houve um aumento de quase 45% de hospitalizações de menores de 5 anos, devido à sua grave desnutrição.

“Esta crise causada pelo clima – afirmou ainda Manuel Fontaine – provoca uma profunda desnutrição nas crianças, não apenas na Etiópia, mas em toda a África. No entanto, o UNICEF e seus parceiros continuam a atuar nestas regiões, dando apoio nutricional para salvar milhares de crianças, gravemente desnutridas. Somos muito gratos pela recente contribuição de 200 milhões de dólares que USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) ofereceu ao UNICEF. Este financiamento, que, em geral, representa um avanço muito oportuno, contribui, sobremaneira, para aumentar nossa ajuda nutricional no mundo inteiro".

O efeito cascata da guerra na Ucrânia leva milhares de famílias africanas ao limite da exacerbação, piora a insegurança alimentar, aumenta os preços dos combustíveis e reduz as importações de trigo. A Etiópia importa 67% do trigo da Rússia e Ucrânia.

“Isso significa – conclui Manuel Fontaine - que os preços de óleo de cozinha, pão e farinha de trigo estão atingindo preços recordes nos mercados; também as famílias, que não vivem em situação de crise humanitária, não conseguem mais suprir suas necessidades alimentares diárias”.

Por isso, o UNICEF faz seu premente apelo para enfrentar a seca nas áreas atingidas na Etiópia: são necessários 65 milhões de dólares; a questão humanitária em geral precisa de 351 milhões. Estes financiamentos específicos servirão para assistir mais de 2 milhões de pessoas vulneráveis ​​na Etiópia.

Radio Vaticano 

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Parlamento de Portugal aprova lei que facilita empregos para brasileiros

 

Foto: Reprodução/Pixabay | Foto: Reprodução/Pixabay

O Parlamento de Portugal aprovou nesta quinta-feira, 21, um projeto de lei que facilita a concessão de vistos de trabalho para os cidadãos das Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) — organização nacional integrada pelo Brasil e outros nove Estados-Membros.

Com a aprovação da nova medida, brasileiros poderão obter vistos especiais para trabalhar em terras lusitanas. Eles devem ser requeridos diretamente nas embaixadas ou nos consulados de Portugal. A permissão vai valer por um prazo de 120 dias e pode ser renovada por mais 60, para que os imigrantes exerçam profissão no país.

Para entrarem oficialmente em vigor, as novas regras dependem apenas da regulamentação do governo português. Antes da aprovação do Parlamento, conseguir um emprego em Portugal era mais difícil, burocrático e demorado. O processo era feito por meio do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), órgão que têm em análise mais de 160 mil ações de pedidos para trabalhar no país.

A mudança na legislação é uma aposta do governo de Portugal, proposta pelo governo do premiê António Costa (Partido Socialista). A agilidade da aprovação da lei se dá pelo atual cenário econômico do país: existe uma falta de mão de obra, sobretudo nos setores de turismo e serviços, em virtude do rápido processo de envelhecimento da população.

Além de garantir maior facilidade para os brasileiros que buscam emprego em Portugal, o novo projeto de lei também certifica que, caso o imigrante não consiga emprego dentro do prazo estipulado, será obrigado a sair do país. Outro pedido de visto só poderia ser requerido um ano após o fim da validade do documento anterior.

revistaoeste.com

www.miguelimigrante.blogspot.com

MG : Evento da Faculdade de Direito aborda migrações e tráfico de pessoas nesta segunda, 25

 

O contexto regional de migrações humanas, bem como os aspectos históricos, jurídicos e econômicos do tráfico de pessoas serão tema de evento do Departamento de Direito, na próxima segunda, 25. A atividade do campus Governador Valadares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-GV) contará com a presença do delegado Daniel Fábio Fantini, chefe da Delegacia de Defesa Social e Institucional, no Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Federal.

A iniciativa é dedicada a refletir o Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, instituído em 30 de julho. Para o docente Bráulio Magalhães, a data impulsiona um relevante debate sobre as causas, consequências e a necessidade de políticas públicas para combater o tráfico de pessoas, sobretudo de mulheres e crianças para fins de exploração sexual, como também as conexões com o contrabando de migrantes. “A dinâmica histórica e social do Vale do Rio Doce, sobretudo na cidade de Governador Valadares e entorno indica a necessidade de se debater sobre o tema nas suas dimensões diversas, dada a complexidade em que se entrelaçam componentes jurídico-legais, histórico-sociais, econômicos e culturais”, relaciona.

O docente enfatiza a relevância do debate em um cenário de vulnerabilidades da população envolvida, ampliado em decorrência da pandemia de Covid-19 e seus impactos econômico-sociais. “As pessoas têm se endividado para tentar a migração, inclusive de forma ilegal. A Polícia aponta grande aumento, nos últimos dois anos, nas tentativas de ir, principalmente, para os Estados Unidos”. Bráulio destaca os efeitos dessa tendência no crescimento dos casos de exploração e trabalho escravo: “tem causado uma série de problemas que decorrem, não apenas da ilegalidade, mas do risco a que essas pessoas estão submetidas com os contrabandistas”.

O fórum acontece na sala 408 do Pitágoras, a partir das 9h30, e será aberto a toda a sociedade. Haverá emissão de certificado aos participantes.

ufjf.br

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Migração moderna no Brasil

 

Legenda: Daniel Pedrosa é escritor e autor do livro Retirantes: O Legado das Sombras

Durante um período de nossa história, muitos artistas brasileiros retrataram a dor do migrante em obras primas das mais diversas. O famoso quadro “Retirantes”, do renomado pintor paulista Candido Portinari, e a obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, eternizaram a realidade de muitos que enfrentaram a fome e a violência.

Mas, quase um século depois, poderíamos dizer que esta realidade é apenas um recorte específico de nosso passado e deve ser lembrada de forma nostálgica como um período superado? O mundo moderno nos trouxe novas tecnologias e com elas a possibilidade de evitar que a fome e o sofrimento façam parte da vida. Porém, em um país onde praticamente 10% da população vive a margem da pobreza extrema, não seria correto acreditar que eliminamos definitivamente esta realidade.

Então, por que não vemos mais notícias que relatam migrações em massa e pessoas carregando seus filhos em estradas, morrendo de fome ou sede pelos caminhos? Uma das hipóteses que podemos explorar é que a migração se tornou um negócio na nova sociedade e que acontece de maneira mais organizada, sem que seja percebida, mas enfrentando muitos dos problemas vividos em meados do século passado.

Os migrantes, e até mesmo imigrantes internacionais, muitas vezes refugiados, não caminham mais em estradas sob o sol escaldante, mas ainda chegam às grandes cidades e acabam explorados, quando não viram moradores de rua ou se envolvem na criminalidade para poder conseguir o que comer. É como se existisse um muro que separasse a realidade de uma parcela da sociedade que decide se aceita ou não a inclusão de novos membros.

Observados o passado e o presente, fica o questionamento sobre o futuro. No meu novo livro “Retirantes: O Legado das Sombras”, crio uma história distópica e apresento uma família que enfrenta a fome, o medo e a violência para vencer as barreiras que os impedem de fazer parte da sonhada sociedade em que a vida é digna e abundante.

Ao colocar em palavras o individualismo e o preconceito inserido no subconsciente de cada um, torço para estar enganado: que o futuro nos surpreenda com uma realidade diferente da que prevejo na obra e que sejamos capazes de ver para além dos espelhos.

Daniel Pedrosa é escritor e autor do livro Retirantes: O Legado das Sombras

diariodonordeste

www.miguelimigrante.blogspot.com

Jovens participam de caminhada em prol de vítimas e refugiados ucranianos

 

No início da tarde desta quarta-feira (20), vários jovens se reuniram em uma ação na praça da Catedral de Maringá.

A caminhada, que teve início no ginásio do Colégio Objetivo, e foi finalizada no gramado da Catedrla, aconteceu ente às 11h até às 13:30h.

O evento fez parte da programação da Temporada da Inverno do Instituto TeenStreetBrasil, evento religioso que acontece nas dependências da UniCesumar, entre os dias 18 a 23 de julho.

A caminhada teve por objetivo conscientizar as pessoas sobre a realidade das vítimas e refugiados da guerra.

Vestidos com roupas nas cores preta, amarela e azul, e levando bandeiras de países com refugiados no Brasil, os adolescentes seguiram em silêncio pelas ruas e avenidas da de Maringá, parando em alguns momentos para orarem pelos refugiados.

Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ao final de 2021, existiam 60.011 pessoas reconhecidas como refugiadas no país.

Números divulgados na 7ª edição do relatório “Refúgio em Números” informam que apenas em 2021 foram feitas 29.107 solicitações da condição de refugiado, sendo que o Conare reconheceu 3.086 pessoas de diversas nacionalidades como refugiadas.

Tanto os homens (55,2%) como as mulheres (44,8%) reconhecidos como refugiados encontravam-se, predominantemente, na faixa de 5 a 14 anos de idade (50,4%).

maringapost.com.br

www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Número crescente de imigrantes na fronteira é um dos principais desafios do governo Biden

Cresce o número de imigrantes tentando entrar nos EUA pela fronteira em Yuma, Arizona (Foto: reprodução do Twitter - CBP)


 Em Yuma (Arizona), na divisa entre os Estados Unidos e o México, uma rotina se repete dia após dia: dezenas, às vezes centenas, de indocumentados de uma só vez dobram a esquina do muro da fronteira, tentando encontrar os agentes da Border Patrol. Os imigrantes se entregam às autoridades, na esperança de obter asilo no País, em mais um capítulo da crise imigratória norte-americana. Segundo os policiais, o fluxo de pessoas tentando entrar nos EUA é o maior desde o período pós-desastres climáticos no Haiti, em 2010, quando houve uma intensa migração. E isso representa um grande desafio para a Casa Branca, em um ano político crucial.

As autoridades têm o poder de devolver alguns imigrantes para o México, de acordo com uma lei da era Trump, conhecida como Título 42, mas isso não se aplica a todas as nacionalidades. Cidadãos da Venezuela e Cuba, por exemplo, podem ser libertados ao finalizarem o processo de imigração. “Continuamos a evoluir com tecnologia e recursos, não apenas para nossos agentes, mas também para garantir os detidos terão comida para sobreviver”, disse Chris Clem, agente da fronteira.

A situação política é preocupante para o presidente Joe Biden, que vem discutindo constantemente com seu colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, medidas para conter a imigração ilegal. “Esse é um desafio comum dos países do continente e firmamos um compromisso nesse sentido na Cúpula das Américas”, afirmou Biden. Há meses ele determinou que as agências do governo monitorem o aumento do movimento de imigrantes naquela região, mas admitiu que o fluxo atingiu uma alta histórica. No passado, Yuma geralmente recebia pessoas do México e da América Central, cujo processamento imigratório é mais simples – só que agora, há indocumentados de pelo menos 100 nacionalidades diferentes. Segundo Clem, cerca de 1.000 imigrantes são detidos diariamente, tanto que o governador do Arizona, Doug Ducey, assinou uma lei no final de junho para reforçar os fundos para a segurança da fronteira.

No Texas, a situação também é a mesma. Em apenas uma semana, cerca de 2.200 migrantes foram detidos no setor da fronteira em Del Rio da fronteira, quase o dobro do que foi registrado em outro setor, o do Vale do Rio Grande, que costumava ser o mais concorrido. Lá também, os indocumentados chegam em grandes grupos, para se entregar aos agentes. Geralmente são de Cuba e da Venezuela, aquelas nacionalidades que não estão sujeitas ao Título 42.

acheiusa.com/

www.miguelimigrante.blogspot.com

OMS lança primeiro relatório sobre saúde de migrantes e refugiados

 Milhões de refugiados e migrantes em situação precária incluindo trabalhadores com baixa qualificação enfrentam dificuldades com cuidados de saúde em países anfitriões.

A conclusão é do primeiro estudo global sobre o tema, compilado pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Reorientando o setor a responder a um mundo em mutação

A situação ameaça o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, neste grupo demográfico.

Refugiados ucranianos chegam à fronteira de Medyka na Polônia
OIM/Muse Mohammed
Refugiados ucranianos chegam à fronteira de Medyka na Polônia

Em muitos casos, migrantes e refugiados vivem em condições precárias, abaixo dos padrões dos cidadãos dos países de destino.

O diretor-geral da OMS lembra que o mundo tem hoje quase 1 bilhão de migrantes, ou um em cada oito habitantes.

Tedros Ghebreyesus ressalta que o relatório pede ação coletiva e urgente para assegurar que essas pessoas possam ter acesso aos serviços de saúde. Ele afirma que também é preciso enfrentar as causas das falhas na saúde reorientando o setor a responder a um mundo cada vez mais em mutação.

Saúde e bem-estar entre trabalhadores migrantes e não-migrantes

O estudo da OMS mostra que migrantes e refugiados têm muitas variantes quando o tema é saúde. Eles dependem de condições de educação, salário e outras barreiras que estão por trás de uma saúde precária.

O relatório também ressalta que a experiência de migração e deslocamento é um fator chave na saúde e bem-estar de uma pessoa.

A análise incluiu mais de 17 milhões de participantes de 16 países em cinco regiões geográficas da Organização Mundial da Saúde. Comparados a trabalhadores não-migrantes, os migrantes tinham menos chance de usar os serviços de saúde ainda que fossem mais propensos a acidentes de trabalho.

Migrantes e refugiados da Venezuela recebendo assistência em Boa Vista, Roraima, no Brasil
OIM Brasil/Amanda Nero
Migrantes e refugiados da Venezuela recebendo assistência em Boa Vista, Roraima, no Brasil

 

Pelo menos 169 milhões de trabalhadores migrantes experimentam riscos maiores de acidentes associados à função que ocupam que os não migrantes.

Saúde não começa e termina na fronteira de um país

A OMS afirma que existe fossos críticos nos dados da informação dos sistemas de saúde sobre migrantes e refugiados. Os números são fragmentados e mesmo que os grupos apareçam em banco de dados usados para monitorar os avanços dos ODS, as estatísticas sobre saúde geralmente ficam de fora.

A agência da ONU defende mais ação para melhorar as condições de cuidados e saúde de migrantes e refugiados. Para a OMS, mais investimentos poderão ajudar a melhorar a coleta de dados, monitorar os sistemas de saúde e ofertar políticas e intervenções no setor.

O diretor do Programa de Saúde e Migração da OMS, Santino Severoni, disse que a saúde não começa e termina na fronteira de um país. 

Onunews

www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Relatores da ONU falam em África no Sul em precipício de "xenofobia explosiva

 


Homem trabalha em fábrica de algodão na África do Sul - Crédito: Unctad/Kris Terauds

Um grupo de relatores de direitos humanos afirma que a violência xenofóbica e a discriminação aumentaram na África do Sul.

Os especialistas citam que a operação dudula, que começou como uma campanha de redes sociais, se converteu num centro de mobilização de protestos violentos.

Assassinatos de estrangeiros

Outros motivos de preocupação são violência de grupos de vigilantes, incêndios criminosos contra casas e negócios de migrantes, além de assassinatos de estrangeiros.

Os relatores alertaram que a mobilização xenofóbica é mais profunda e ampla e se tornou uma estratégia central para vários partidos políticos no país.

A narrativa contra migrantes de integrantes sêniores do governo está levando a violência. E outros agentes falham em conter esses abusos e levar os culpados à justiça.

Os relatores disseram que a situação preocupa.

Bodes expiatórios, intimidação de grupos

O governo sul-africano tem que tomar medidas urgentes para conter a figura de migrantes e refugiados como bodes expiatórios, a violência e intimidação desses grupos. Se isso não ocorrer, o país estará à beira de uma xenofobia explosiva. A xenofobia existe especialmente contra migrantes e refugiados de países de renda baixa na África e no sudeste da Ásia. E tem ocorrido há anos na política sul-africana.

Em 2008, mais de 60 pessoas foram mortas e cerca de 100 mil foram obrigadas a sair de suas casas. Em alguns casos, cidadãos sul-africanos são acusados de “serem muito pretos para serem sul-africanos”.

Pai de quatro filhos espancado até à morte e carbonizado

Em abril, um homem do Zimbábue, de 43 anos, e pai de quatro filhos, foi assassinado por um grupo que ia de porta em porta exigindo ver o visto das pessoas.

Os criminosos tiraram o homem de um lugar onde ele buscava asilo, o espancaram até a morte e atearam fogo ao corpo dele.

Os relatores da ONU dizem que a discriminação contra estrangeiros na África do Sul está institucionalizada tanto na política do governo como no resto da sociedade sul-africana.

Para os especialistas, a África do Sul não está cumprindo suas obrigações de proteger os direitos humanos à medida que evita a discriminação racial e a xenofobia.

Eles pediram aos atores públicos e privados para honrar os compromissos com a justiça social e os direitos humanos.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho

progresso.com.br

www.miguelimigrante.blogspot.com

Relatório sobre a situação dos migrantes e refugiados no Peru

 


A Conferência Episcopal do Peru informou que o documento retoma os dados do Instituto Nacional de Estatística e Informática e da Plataforma de Coordenação para Refugiados e Migrantes da Venezuela, segundo os quais quase um milhão e 300 mil venezuelanos chegou de modo regular ao país. Existem ainda cerca de 530 mil pedidos de abrigo, apresentados à Comissão Episcopal para os Refugiados do Ministério do Exterior.

O relatório peruano, dividido em 24 capítulos, inicia com uma avaliação do acolhimento de migrantes e refugiados no país; depois, fala do trabalho da Pastoral da Mobilidade Humana (PMH) e, por fim, faz uma descrição sobre a mobilidade humana no mundo.

O documento refere-se ao êxodo dos venezuelanos e apresenta detalhes sobre o contexto migratório e os principais desafios das ações pastorais, assistência social, psicológica e humanitária aos migrantes e refugiados nos devidos centros de acolhimento para migrantes e refugiados; recorda as palavras do Papa Francisco sobre o tema migratório e expõe o trabalho em rede.

A situação em nível mundial

Segundo o relatório do “World Migration Report 2022”, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), estima-se que há cerca de 285 milhões de migrantes no mundo, dois terços dos quais migrantes em busca de trabalho.

Entre outros dados, o relatório afirma que quase 90 milhões de pessoas no mundo são deslocados, obrigados a deixar suas casas; entre estas pessoas, mais da metade, ou seja, 27 milhões de refugiados, tem menos de 18 anos de idade.

Vatican News

www.miguelimigrante.blogspot.com


sábado, 16 de julho de 2022

Migrantes suíços em situação de pobreza?

 

Sim, o mundo dá voltas bruscas

Migrantes suíços em situação de pobreza compõem um conceito complexo que, provavelmente, não faz parte do imaginário popular do século XXI – nem da realidade do século XXI.

De fato, os suíços do nosso tempo desfrutam de um dos padrões de qualidade de vida mais elevados de toda a história da humanidade, dispondo de alta renda, vivendo em cidades que invariavelmente são listadas entre as melhores do planeta e queixando-se do governo por esporte, já que, mesmo não existindo um regime perfeito nem sequer na Suíça, eles contam com grande eficiência dos serviços públicos, baixos níveis de corrupção e excelente retorno dos seus impostos em forma de saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Os altos e baixos da humanidade

Entretanto, vale recordar que a Argentina já foi, há pouco mais de 100 anos, um dos 10 países mais ricos do mundo em renda per capita, a ponto de que os franceses, quando queriam dizer que alguém era “podre de rico”, diziam que era “rico feito um argentino”.

Vale recordar também que a Venezuela, hoje detentora do tétrico posto de segundo maior produtor mundial de refugiados, já ocupou posição melhor ainda que a dos “hermanos” argentinos: chegou a ser o quarto país mais rico da Via Láctea, enquanto grassavam indicadores de miséria pela deprimente vizinhança latino-americana.

Vale recordar, ainda, que a hiperinflação na Alemanha, há exatos 100 anos, entre janeiro de 1922 e dezembro de 1923, atingiu a estapafúrdia taxa acumulada de 1 bilhão por cento. Em outubro de 1923, por exemplo, o aumento de preços era de 29.500% ao mês, ou 20,9% ao dia, corando de vergonha até a Venezuela de Nicolás Maduro.

Podemos também citar o que era Dubai há 20 anos, o que era Singapura há 50 anos, o que era a Coreia do Sul há 70 anos, o que era a China há 100 anos.

Então por que a Suíça de 100 anos atrás não poderia ser muito diferente do que é na atualidade?

Pois ela era.

Uma Suíça pobre

E, recentemente, por ocasião da celebração dos 200 anos de existência da Sociedade Suíça de Bordeaux, na França, o seu presidente Jean-Michel Begey recordou, em entrevista ao portal SwissInfo.ch, que o objetivo inicial dessa entidade era justamente o de “ajudar migrantes suíços em situação de pobreza”. E ele mostra documentos históricos para comprovar que as suas palavras não são um disparate.

Em 1822, cerca de 50 migrantes suíços criaram em Bordeaux a Sociedade Suíça de Caridade, ou Societé Suisse de Bienfaisance.

Ela tinha o propósito de ajudar os suíços que fugiam da pobreza em sua terra natal, chegavam àquele porto francês e perseguiam o objetivo desesperado de embarcar em algum navio para tentar a vida em promissoras terras estrangeiras – de preferência, na América do Norte. Alguns não tinham dinheiro nem para começar a viagem. A Sociedade Suíça de Caridade lhes doava então de roupas e cobertores a pão e dinheiro, além de prestar apoio aos que não achavam melhor remédio que retornar à Suíça.

Segundo Jean-Michel Begey, havia no país alpino, pasmem, “uma grande pobreza, uma situação que durou até a década de 1920”. O governo suíço, prossegue ele, chegou a escrever a todas as associações de migrantes suíços no mundo para lhes solicitar “que ajudassem os seus compatriotas recém-chegados. Após a I Guerra Mundial, havia uma grande falta de mão-de-obra na França, especialmente na região de Bordeaux. Portanto, seria uma boa oportunidade para os migrantes tentarem a sorte por lá”.

E a Sociedade Suíça de Caridade os ajudava, dado que, muitas vezes, essas pessoas “eram mal pagas, mal alojadas e subnutridas”. Os registros da organização exemplificam que, entres os seus beneficiados, havia 20 migrantes suíços que tinham ido trabalhar numa fábrica de óleo em Bordeaux “sob difíceis condições”, substituindo operários franceses “mobilizados na guerra”.

“Deixaram sua marca”

Jean-Michel Begey relata ainda que muitos migrantes suíços em Bordeaux “deixaram a sua marca na cidade”, entre os quais produtores de vinho, confeiteiros e famílias até hoje “bastante ativas na gastronomia local”.

Ou seja, os migrantes suíços não apenas se organizaram para ajudar-se uns aos outros num momento muito difícil para o seu povo, como ainda contribuíram positivamente com a cidade estrangeira que os acolheu e na qual prosperaram.

Em 1921, conta Jean-Michel Begey, uma segunda associação de migrantes suíços foi formada em Bordeaux para ajudar os compatriotas a se divertirem: o Clube Suíço de Bordeaux, cuja sede veio a se tornar a atual Casa Suíça, ou Maison Suisse. Seus membros se reuniam para festas que juntavam centenas de pessoas. No início dos anos 2000, as duas organizações se fundiram na Sociedade Suíça de Bordeaux, que, até hoje, além das atividades de recreação, continua ajudando pessoas necessitadas de outras nacionalidades mediante projetos de apoio e fomento.

Lições de ontem para hoje – e amanhã

Nas atuais conjunturas internacionais de crise, sobretudo por conta do trauma acarretado pela pandemia de covid-19 e pela corrente guerra do regime de Putin contra o território e o povo da Ucrânia, com a consequente imprevisibilidade dos cenários geopolíticos, ideológicos, sociais e econômicos do mundo inteiro nos próximos anos, é relevante resgatar histórias que muita gente nem sabia que eram tão recentes sobre os altos e baixos da prosperidade humana em um mundo de tantas idas e vindas como é o nosso.

E, dessas histórias, é sempre desejável tirar lições. Algumas falam de queda, outras de superação. Algumas retratam pessoas que renunciaram à autorresponsabilidade para delegar o seu destino ao Estado, vendo-o desabar sobre suas cabeças com todo o seu peso morto e apodrecido. Outras mostram pessoas que se uniram para exercer em primeira pessoa o protagonismo na busca do próprio progresso, com frutos suficientes para compartilhar até hoje entre si e com outras pessoas mais necessitadas do que elas.

A Doutrina Social da Igreja Católica propõe o conceito de “subsidiariedade”, que deveria ser muito mais destacado em contextos críticos como o atual.

.aleteia.org/

www.miguelimigrante.blogspot.com


SOBRE BOLHAS, GUETOS E COMUNIDADES

 


No atual contexto histórico, três enfoques distintos nos ajudam a entender o surgimento do que poderíamos chamar de “bolhas identitárias” (entre outras possíveis). De início, a economia globalizada – tanto extensiva quanto intensivamente – incorpora vorazmente novos recantos do planeta. Depois, para além do aspecto econômico, de um ponto de vista sociopolítico, movemo-nos hoje em meio a um estado de crise/caos/barbárie/violência, provocado especialmente por governos de extrema-direita, na linha de um renovado populismo nacionalista. Por fim, a combinação dos fatores precedentes associada à pandemia acabou por escancarar e agravar o individualismo exacerbado, marca registrada da modernidade tardia ou pós-modernidade.

Em razão disso, semelhantes “bolhas identitárias” costumam navegar na contramão do processo de globalização. São “bolhas”, na exata medida em que se encerram hermeticamente sobre si próprias, isolando-se ao mesmo tempo de tudo e de todos; são “identitárias”, enquanto utilizam os valores e expressões culturais (ou religiosos) para se proteger das eventuais hostilidades que poderão chegar do lado de fora, buscando contemporaneamente maior coesão interna frente às possíveis hostilidades. Nessa perspectiva, não seria exagero afirmar que a sociedade hodierna tende a converter-se num gigantesco arquipélago de ilhas justapostas, coexistentes, cerradas, e por isso mesmo praticamente incomunicáveis. De forma paradoxal, tanto mais incomunicáveis quanto mais desenvolvidos e sofisticados se fazem os meios de comunicação social; tanto mais distantes umas das outras, quanto mais próximas entre si no tempo e no espaço.

Aquém das relações socioeconômicas ou político-culturais mundializadas, as bolhas se formam a partir dos laços mais elementares, primários; quase sempre numa resistência tenaz e frontal à tendência de estandardização planetária. Permanecem umbilicalmente vinculadas às raízes locais, territoriais, às vezes tribais – contra o movimento de uniformização universal. Nessa redução a uma espécie de tabula rasa, ganham particular relevância as ligações familiares, de parentesco ou de compadrio, como também os costumes, a culinária e as singularidades de cada povo, nação, etnia ou cultura. É como regressar ao cara-a-cara do universo rural, no momento em que a sociedade se urbaniza aceleradamente.

Um clima de recíproca agressividade de ordem externa, acrescida de polarizações extremadas entre um “nós” conhecido e confiável, de um lado, e um “eles” desconhecido e suspeito, de outro, pavimenta um terreno próprio para a formação de guetos, contrapostos às comunidades. Terreno minado e ao mesmo fértil para o nascimento e desenvolvimento de erva daninha. Ou melhor, terreno fértil porque minado com as bombas ocultas da intolerância, da discriminação e da xenofobia. Muros em lugar de pontes se erguem e se multiplicam, afastando cada vez mais as bolhas umas das outras. E essas, ao mesmo tempo que, dentro do próprio ambiente, respiram um ar político, ideológico e religioso comum, destilam e respiram igualmente o oxigênio tóxico nos eventuais contatos com o mundo exterior.

Desse estado de coisas, decorre o desafio de superar o enorme contraste entre os de dentro e os de fora. O desafio envolve as relações interiores de cada ilha, simultânea à transformação do arquipélago isolado num cosmos de relações sadias e saudáveis. Nem o arquipélago de bolhas separadas, nem a uniformidade redutora. Dessa passagem depende a justiça e a solidariedade; e a estas, está subordinada a paz, se a queremos sólida e duradoura. Descendo a um nível mais concreto, trata-se de passar do gueto à comunidade. Esta mantém as portas abertas à pluralidade, ao passo que aquele tende a fechar-se sob a casca qual caramujo, voltando-se sobre o próprio umbigo. Os extremos se tocam: gueto e estandardização geram tédio. A comunidade desvela o horizonte do mútuo intercâmbio. Neste, as diferenças e identidades, longe de nos isolar e nos tornar mais pobres, constituem, ao contrário, tesouros “ocultos no campo” e que se prestam ao encontro, ao confronto, ao diálogo e ao enriquecimento recíproco.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, vice-presidente do SPM

www.miguelimigrante.blogspot.com


sexta-feira, 15 de julho de 2022

Agentes de imigração dos EUA veem tráfico de pessoas crescer

 


Agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA designados do Texas prenderam quatro grandes grupos de imigrantes em apenas dois dias. Todos os 1.200 detidos foram pegos após entrarem ilegalmente pela fronteira com o México.

Entre os detidos estavam venezuelanos, cubanos, colombianos, peruanos, nicaraguenses, equatorianos, panamenhos, hondurenhos e guatemaltecos. Os adultos solteiros representaram 918 dos migrantes para aproximadamente 75,5% dos quatro grupos, sendo os restantes 295 imigrantes em unidades familiares.

Todos os indivíduos foram transportados para a unidade de processamento mais próxima e foram processados ​​sob as diretrizes do Ministério Público do Setor Del Rio.

Durante o ano fiscal atual, o Setor Del Rio encontrou 208 grupos com mais de 100 imigrantes, o que representa mais de 52% de todos os grandes grupos encontrados pela Patrulha de Fronteira em todo o país.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA continua a ver um aumento nos eventos de contrabando e apreensões criminais. Durante o ano fiscal atual, de 1º de outubro de 2021 a 31 de maio, os agentes do Texas encontraram 280.622 imigrantes.

Segundo a advogada de imigração e fundadora do Castro Legal Group, Renata Castro, o aumento do número de indivíduos atravessando a fronteira é "resultado da situação econômica caótica na América Latina, fator violência e uma expectativa de que todos que chegarem aos EUA durante o governo Biden, entrarão sem grandes dificuldades". 

No dia 2 de julho, em San Diego, a Patrulha da Fronteira resgatou um grande grupo de indivíduos que havia cruzado recentemente a fronteira. O grupo relatou que tinha ficado sem água e precisava de ajuda. Um dos indivíduos do grupo tinha paralisia cerebral e estava tendo dificuldades para atravessar o terreno acidentado.

O feriado de 4 de julho, dia da Independência dos Estados Unidos, também foi movimentado nas fronteiras. Autoridades federais impediram várias tentativas de entrar ilegalmente no país pelo mar, ao longo da costa do sul da Califórnia, naquele fim de semana.

“Este fim de semana vimos um aumento em nosso já alto número de interdições no mar. As organizações de contrabando estão procurando tirar proveito de melhores condições climáticas e estados do mar, bem como tráfego de barcos recreativos mais legítimos”, disse Brandon Tucker, diretor da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. “Antecipamos que continuaremos a ver esse alto número de tentativas à medida que o verão continua, e estamos trabalhando com nossos parceiros para impedir essas tentativas de contrabando marítimo potencialmente perigosas”.

De acordo com o Departamento de Controle de Fronteiras, no mês de maio foram feitas mais de 5 mil apreensões de imigrantes brasileiros tentando cruzar as fronteiras. O número é quase quatro vezes maior que o registrado em março – 1.346.

Para Castro, é importante ressaltar que para entrar nos Estados Unidos pela fronteira, é preciso ter uma solicitação ou possibilidade de solicitação de asilo e que mesmo com uma política um pouco mais generosa para imigrantes, o governo Biden continua deportando pessoas: “Para brasileiros, a situação é ainda mais crítica. O número de brasileiros que entraram nos EUA com pedido de asilo nos últimos anos continua subindo, mas o número de aprovações é incrivelmente desproporcional ao número de solicitantes de asilo. Portanto, o auxílio de uma advogada de imigração com conhecimento é fundamental”, alerta.

olhavitoria.com.br

www.miguelimigrante.blogspot.com