sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Migrantes em situação irregular são encontrados em navio estrangeiro no Amapá

 

Sete migrantes em situação irregular foram encontrados a bordo de uma embarcação estrangeira que navegava pela costa do Amapá, em uma ocorrência que mobilizou autoridades brasileiras e reacendeu o alerta sobre o uso de rotas marítimas internacionais para a entrada clandestina no país.

O caso foi comunicado pelo comandante de um navio de bandeira maltesa, procedente de Lagos, na Nigéria, com destino ao porto de Itacoatiara (AM), onde realizaria carregamento de grãos. Após a identificação de pessoas não autorizadas a bordo, foi solicitada autorização para o desembarque, inicialmente condicionada à avaliação das condições de saúde dos indivíduos.


Com a autorização concedida, os sete migrantes desembarcaram em território nacional e foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Migração, onde prestaram depoimento para esclarecer as circunstâncias da entrada irregular na embarcação, os motivos da saída do país de origem e o destino pretendido no Brasil.


Segundo informações preliminares, o grupo teria acessado o navio clandestinamente pela pá do leme — área de difícil acesso e alto risco — onde permaneceu escondido durante boa parte da travessia até ser descoberto pela tripulação. Todos são homens, com idades estimadas entre 20 e 40 anos.


Em depoimento, os migrantes relataram a intenção de seguir para os estados do Rio de Janeiro ou São Paulo em busca de melhores condições de vida. As nacionalidades dos envolvidos não foram divulgadas até o momento.

As medidas legais cabíveis seguem em andamento, conforme a legislação migratória brasileira e os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. O caso permanece sob análise, enquanto são adotados os procedimentos administrativos e humanitários previstos para situações de migração irregular.


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A vida de uma imigrante no exterior


 

Em 2021, deixou Minas Gerais e foi a Londres para fazer um intercâmbio, com o objetivo de aprimorar o idioma e viver uma experiência internacional

crédito: Charles Postiaux/UnsplashKatiuscia Silva

Viver no exterior costuma ser descrito como liberdade, novos lugares e uma vida diferente. Mas a imigração, na prática, é bem mais difícil do que parece. Ela exige que a pessoa reaprenda o básico: pedir informações, abrir conta no banco, entender a cultura local. E, sobretudo, enfrentar um tipo particular de solidão, longe da família. Muitas vezes, o imigrante sente que não pertence àquele lugar. Para muitos, as dificuldades mais comuns não são “grandes tragédias”, mas um desgaste psicológico que, dia após dia, traz a mesma pergunta: até quando eu aguento?

A psicóloga mineira Sol Souza, de 46 anos, conhece esse sentimento de perto. Em 2021, deixou Minas Gerais e foi a Londres para fazer um intercâmbio, com o objetivo de aprimorar o idioma e viver uma experiência internacional. No período, enfrentou desafios comuns a quem recomeça em outro país, construiu vínculos e atravessou um processo intenso de amadurecimento pessoal.

Com o tempo, novas possibilidades começaram a surgir. Depois de uma temporada em Londres, Sol passou a viver em Lisboa. A partir das experiências acumuladas e dos contatos construídos ao longo do caminho, surgiu a chance de validar sua formação em Psicologia em Portugal. O processo, porém, esteve longe de ser simples: exigiu paciência, resiliência e capacidade de adaptação diante das demandas emocionais e burocráticas.

Na prática, a experiência de viver fora se revelou um teste de resistência que transformou não apenas sua trajetória profissional, mas também sua relação consigo mesma.

“As ferramentas da psicologia me ajudaram a superar os desafios. Além disso, o networking me ajudou muito. Conectar-me com as pessoas certas me levou aonde estou hoje”, disse Sol.

Ela afirma que, no início, tudo é difícil e que, sem foco, muitas pessoas acabam desistindo e voltando para casa. Para permanecer, foi necessário organização, economia e a construção de uma estratégia de sobrevivência e avanço com a disciplina de quem entende que sonho sem planejamento pode virar frustração.

Em Londres, Sol precisou lidar com a rotina em um novo país enquanto o inglês ainda estava em desenvolvimento. A comunicação limitada, o choque cultural e a solidão despertaram inseguranças, ansiedade e momentos de baixa autoestima. São sentimentos comuns a muitos imigrantes, mas que, no cotidiano, exigem força emocional para serem atravessados. A necessidade de se adaptar rapidamente a uma nova realidade transformou aquele período em um exercício profundo de resiliência e autoconhecimento.

A validação de um diploma no exterior, por sua vez, envolve etapas complexas, prazos e exigências que frequentemente testam não apenas a organização, mas também a saúde emocional de quem passa por isso. Para Sol, o processo reforçou a importância do equilíbrio psicológico diante das incertezas e das decisões que acompanham grandes mudanças.

“Em momentos assim, cuidar da saúde mental deixa de ser opcional. É ela que sustenta as escolhas, a persistência e a clareza para seguir em frente”, reflete.

O que a persistência nos ensina

Hoje, Sol vive em Lisboa. Ao longo do caminho afirma ter conhecido mais de 18 países e mais de 60 cidades na Europa, expandindo o mundo que um dia existiu apenas na imaginação. Conquistou a residência em Portugal e o título de mestra em psicologia pela Universidade do Minho.

O ponto mais valioso de sua trajetória, ela resume em três pilares: objetivo, disciplina e persistência. A sua história mostra que, com planejamento e rede de apoio, é possível atravessar processos difíceis e construir novos caminhos.

A história de Sol lembra que recomeçar é construir com foco e determinação, sem se prender à aprovação dos outros e mantendo os olhos no objetivo. E, para quem também vive uma travessia, fica o lembrete: não desista de você. 

“Se quer algo grande, mire na lua; se errar, pode acabar atingindo alguma estrela” 

Norman Vincent Peale (e vários outros autores)

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