sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Reprimidos na fronteira dos EUA, migrantes haitianos buscam asilo no México

 


18/09/2021 REUTERS/Adrees Latif

Foto: Reuters

Centenas de postulantes a asilo haitianos se reuniram diante da agência de refugiados do México na capital do país e em abrigos de Monterrey, uma cidade do norte, na quarta-feira, enquanto imigrantes contidos por uma repressão na fronteira dos Estados Unidos também buscavam amparo legal no México.

Quase 10 mil imigrantes majoritariamente haitianos continuam sujeitos a condições cada vez piores em um campo improvisado, que foi montado sob uma ponte que atravessa o Rio Grande ligando a cidade texana de Del Rio à mexicana Ciudad Acuna.

Nos últimos dias, autoridades dos EUA retiraram ao menos quatro mil pessoas do local para registrá-las em centros de detenção. Cerca de 523 haitianos foram mandados de volta para casa em quatro voos, e as repatriações devem continuar de maneira constante, informou o Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Filippo Grandi, o alto comissário da ONU para refugiados, alertou que as expulsões dos EUA em uma situação tão volátil podem violar a lei internacional.

As cenas caóticas na fronteira e a notícia sobre voos de deportação convenceram alguns imigrantes haitianos que estariam de passagem pelo México que seria melhor buscar uma legalização ali do que arriscar cruzar a divisa norte-americana.

"Minha ideia é encontrar uma vida melhor, onde quer que a encontre... nunca disse que tinha que ser nos Estados Unidos", disse Wilner Plaisir, postulante a asilo haitiano que esperava diante da agência de refugiados mexicana Comar na Cidade do México na quarta-feira.

Terrra 

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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Mais de 46 mil brasileiros foram presos tentando entrar ilegalmente nos EUA

 

Apenas em agosto deste ano, quase 10 mil brasileiros foram presos ao tentar fazer a travessia ilegal

A crise da imigração nos Estados Unidos também é causada pelo aumento de brasileiros tentando cruzar a fronteira do país com o México. De outubro de 2020 a agosto de 2021, mais de 46 mil pessoas oriundas do Brasil tentaram entrar ilegalmente em território norte-americano, o que vem chamando atenção das autoridades locais. Apenas em agosto deste ano, quase 10 mil brasileiros foram presos ao tentar fazer a travessia ilegal. O número é seis vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. 

Nesta quinta-feira, 23, um grupo com 140 imigrantes do Brasil foi preso. De acordo com informações do órgão de proteção de fronteira, o auge da imigração ilegal de brasileiros aconteceu em 2019, quando 18 mil pessoas tentaram entrar no país, o que demostra um aumento expressivo.

Jovem Pam 

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Celebração do 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado Igreja Nossa Senhora da Paz


Domingo 26 de Setembro de 2021 em São Paulo será realizada  na Igreja Nossa Senhora da Paz.   Missa do Dia Mundial do Migrante é Refugiado o celebrante é Dom Carlos Silva Bispo Auxiliar de São Paulo. Juntos a diversas entidades que trabalham com migrantes e refugiados . Missa que serrã transmitida pela web radio migrantes , Facebook da Missão Paz e Radio Migrantes  

https://www.facebook.com/radiomigrantes

https://www.facebook.com/missaopazsaopaulo

https://www.facebook.com/radiomigrantes

Horário 12 h

Endereço  ; Rua Glicerio 22 5 Liberdade 


Queridos irmãos e irmãs!

Na carta encíclica Fratelli tutti, deixei expressa uma preocupação e um desejo, que continuo a considerar importantes: «Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”» (n. 35).

Por isso pensei dedicar a mensagem para o 107º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado ao tema «Rumo a um nós cada vez maior», pretendendo assim indicar claramente um horizonte para o nosso caminho comum neste mundo.

A história do «nós»

Este horizonte encontra-se no próprio projeto criador de Deus: «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: “Crescei, multiplicai-vos”» (Gn 1, 27-28). Deus criou-nos homem e mulher, seres diferentes e complementares para formarem, juntos, um nós destinado a tornar-se cada vez maior com a multiplicação das gerações. Deus criou-nos à sua imagem, à imagem do seu Ser Uno e Trino, comunhão na diversidade.

E quando o ser humano, por causa da sua desobediência, se afastou d’Ele, Deus, na sua misericórdia, quis oferecer um caminho de reconciliação, não a indivíduos isoladamente, mas a um povo, um nós destinado a incluir toda a família humana, todos os povos: «Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus» (Ap 21, 3).

Assim, a história da salvação vê um nós no princípio e um nós no fim e, no centro, o mistério de Cristo, morto e ressuscitado «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Mas o tempo presente mostra-nos que o nós querido por Deus está dilacerado e dividido, ferido e desfigurado. E isto verifica-se sobretudo nos momentos de maior crise, como agora com a pandemia. Os nacionalismos fechados e agressivos (cf. Fratelli tutti, 11) e o individualismo radical (cf. ibid., 105) desagregam ou dividem o nós, tanto no mundo como dentro da Igreja. E o preço mais alto é pago por aqueles que mais facilmente se podem tornar os outros: os estrangeiros, os migrantes, os marginalizados, que habitam as periferias existenciais.

Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira. Por isso aproveito a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo apelo a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior, dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e mulheres da terra.

Uma Igreja cada vez mais católica

Para os membros da Igreja Católica, este apelo traduz-se num esforço por se configurarem cada vez mais fielmente ao seu ser de católicos, tornando realidade aquilo que São Paulo recomendava à comunidade de Éfeso: «Um só corpo e um só espírito, assim como a vossa vocação vos chama a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5).

De facto, a catolicidade da Igreja, a sua universalidade é uma realidade que requer ser acolhida e vivida em cada época, conforme a vontade e a graça do Senhor que prometeu estar sempre conosco até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). O seu Espírito torna-nos capazes de abraçar a todos para se fazer comunhão na diversidade, harmonizando as diferenças sem nunca impor uma uniformidade que despersonaliza. No encontro com a diversidade dos estrangeiros, dos migrantes, dos refugiados e no diálogo intercultural que daí pode brotar, é-nos dada a oportunidade de crescer como Igreja, enriquecer-nos mutuamente. Com efeito, todo o batizado, onde quer que se encontre, é membro de pleno direito da comunidade eclesial local e membro da única Igreja, habitante na única casa, componente da única família.

Os fiéis católicos são chamados, cada qual a partir da comunidade onde vive, a comprometer-se para que a Igreja se torne cada vez mais inclusiva, dando continuidade à missão que Jesus Cristo confiou aos Apóstolos: «Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 7-8).

Hoje, a Igreja é chamada a sair pelas estradas das periferias existenciais para cuidar de quem está ferido e procurar quem anda extraviado, sem preconceitos nem medo, sem proselitismo, mas pronta a ampliar a sua tenda para acolher a todos. Entre os habitantes das periferias existenciais, encontraremos muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano, aos quais o Senhor deseja que seja manifestado o seu amor e anunciada a sua salvação. «Os fluxos migratórios contemporâneos constituem uma nova “fronteira” missionária, uma ocasião privilegiada para anunciar Jesus Cristo e o seu Evangelho sem se mover do próprio ambiente, para testemunhar concretamente a fé cristã na caridade e no respeito profundo pelas outras expressões religiosas. O encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é um terreno fecundo para o desenvolvimento de um diálogo ecuménico e inter-religioso sincero e enriquecedor» (Papa Francisco, Discurso aos Diretores Nacionais da Pastoral dos Migrantes, 22/IX/2017).

Um mundo cada vez mais inclusivo

A todos os homens e mulheres da terra, apelo a caminharem juntos rumo a um nós cada vez maior, a recomporem a família humana, a fim de construirmos em conjunto o nosso futuro de justiça e paz, tendo o cuidado de ninguém ficar excluído.

O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores», enriquecido pela diversidade e as relações interculturais. Por isso, hoje, devemos aprender a viver, juntos, em harmonia e paz. Encanta-me duma forma particular aquele quadro que descreve, no dia do «batismo» da Igreja no Pentecostes, as pessoas de Jerusalém que escutam o anúncio da salvação logo após a descida do Espírito Santo: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus» (At 2, 9-11).

É o ideal da nova Jerusalém (cf. Is 60; Ap 21, 3), onde todos os povos se encontram unidos, em paz e concórdia, celebrando a bondade de Deus e as maravilhas da criação. Mas, para alcançar este ideal, devemos todos empenhar-nos por derrubar os muros que nos separam e construir pontes que favoreçam a cultura do encontro, cientes da profunda interconexão que existe entre nós. Nesta perspectiva, as migrações contemporâneas oferecem-nos a oportunidade de superar os nossos medos para nos deixarmos enriquecer pela diversidade do dom de cada um. Então, se quisermos, poderemos transformar as fronteiras em lugares privilegiados de encontro, onde possa florescer o milagre de um nós cada vez maior.

A todos os homens e mulheres da terra, peço que empreguem bem os dons que o Senhor nos confiou para conservar e tornar ainda mais bela a sua criação. «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar. Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: “Fazei render a mina até que eu volte”» (Lc 19, 12-13). O Senhor pedir-nos-á contas das nossas obras! Mas, para assegurar o justo cuidado à nossa Casa comum, devemos constituir-nos num nós cada vez maior, cada vez mais corresponsável, na forte convicção de que todo o bem feito ao mundo é feito às gerações presentes e futuras. Trata-se dum compromisso pessoal e coletivo, que se ocupa de todos os irmãos e irmãs que continuarão a sofrer enquanto procuramos realizar um desenvolvimento mais sustentável, equilibrado e inclusivo. Um compromisso que não faz distinção entre autóctones e estrangeiros, entre residentes e hóspedes, porque se trata dum tesouro comum, de cujo cuidado e de cujos benefícios ninguém deve ficar excluído.

O sonho tem início

O profeta Joel preanunciava o futuro messiânico como um tempo de sonhos e visões inspirados pelo Espírito: «Derramarei o meu espírito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (3, 1). Somos chamados a sonhar juntos. Não devemos ter medo de sonhar e de o fazermos juntos como uma única humanidade, como companheiros da mesma viagem, como filhos e filhas desta mesma terra que é a nossa Casa comum, todos irmãs e irmãos (cf. Fratelli tutti,

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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

São Miguel do Oeste cria Comissão Permanente de Migração

 


Foto: Ascom/Divulgação/JRTV


A Administração de São Miguel do Oeste criou a comissão permanente para Análise e Acompanhamento da Migração no Município, a fim de articular e propor políticas públicas municipais voltadas aos migrantes.

Esta comissão é composta por integrantes das secretarias municipais de Assistência Social, Educação, Esporte e Cultura, Saúde, Desenvolvimento Sustentável, da secretaria estadual de Educação, Coletivo Sindical, Pastoral do Migrante, Acismo e OAB.

Além de fomentar a organização de grupos de trabalho, a comissão permanente irá articular e propor políticas públicas, sugerir convênios e parcerias com instituições governamentais e sociedade civil, na busca do acolhimento, assistência e atendimento, manter registros, receber denúncias de violação de direitos dos imigrantes e refugiados e encaminhar às autoridades competentes.

De acordo com a presidente e secretária de Assistência Social, Andreia Rebelato, na última semana a comissão esteve reunida com o vice-prefeito, Edenilson Zanardi, empresários e estagiários da municipalidade.

Segundo Andreia, estiveram em pauta: as empresas que já possuem imigrantes no seu quadro, o projeto das aulas de Língua Português para inserção deste público na comunidade, o atendimento socioassistencial e acompanhamento das famílias, o mapeamento desta população, a capacitação de estagiários para regularização da situação migratória, e os compromissos sociais para prevenir possíveis situações de vulnerabilidade e risco social.

/jrregional.com.br

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EUA querem que Brasil receba migrantes haitianos e refugiados do Afeganistão

 

Foto: JIM WATSON / AFP

Os Estados Unidos devem pedir que o governo brasileiro aceite receber grupos de migrantes haitianos em processo de deportação e de refugiados afegãos que, no momento, correm perigo no país novamente dominado pelo Talibã.

O presidente dos EUA, Joe Biden, enfrenta no momento uma nova crise migratória na fronteira com o México, onde milhares de haitianos tentam entrar em território americano.

Diante do grande fluxo na cidade de Del Rio (Texas), o Departamento de Segurança Nacional dos EUA anunciou que iria acelerar a operação de saída desses migrantes, em voos para o Haiti—origem da maioria das pessoas—e outros destinos.

Segundo interlocutores diplomáticos, o governo americano verificou que parte dos haitianos iniciou a jornada rumo aos EUA em território brasileiro. A ideia da administração Biden é que o Brasil se disponha a receber voos de haitianos deportados que tenham algum vínculo com o país, seja um registro nacional de estrangeiro válido ou filhos nascidos aqui.

O tema deve ser tratado em reunião do ministro Carlos França (Relações Exteriores) com o secretário de Estado Antony Blinken, chefe da diplomacia americana.

Os dois têm encontro marcado para a tarde desta terça-feira (21), em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Será a conversa presencial de mais alto nível entre as duas administrações, uma vez que Biden e o brasileiro Jair Bolsonaro ainda não tiveram uma agenda bilateral.

Para o governo americano, o envio de ao menos parte dos migrantes para Brasil e Chile—outro país onde residiam muitos dos haitianos aguardando remoção dos EUA—também seria uma forma de reduzir críticas pelas deportações realizadas diretamente ao Haiti.

A nação caribenha é o país mais pobre do hemisfério ocidental, foi recentemente assolada por um terremoto e está submersa numa crise política após o assassinato do presidente Jovenel Moïse—crime do qual o primeiro-ministro é suspeito de envolvimento, segundo um procurador.

Toda a logística e o fretamento de voos com os deportados haitianos ficariam sob responsabilidade dos EUA, ainda segundo pessoas com conhecimento do assunto.

De acordo com diplomatas, que falaram à Folha sob condição de anonimato, em tese o Brasil não pode impedir a entrada de estrangeiro que tenha permissão de residência em dia ou que tenha filhos que são cidadãos brasileiros.

A eventual autorização para que os EUA realizem esses voos para o Brasil, porém, depende do aval do governo Bolsonaro.

Outro ponto que deve estar na agenda da conversa entre Blinken e França é a possível chegada de refugiados afegãos ao Brasil.

Após uma guerra de 20 anos, os EUA retiraram suas tropas do Afeganistão em agosto, em uma operação desastrada, que terminou com a volta do regime extremista do Talibã ao poder. Americanos e organizações não governamentais têm mapeado pessoas no país da Ásia Central cuja permanência no país seja considerada insegura.

A administração Biden quer trabalhar com outros governos—entre eles o brasileiro—para que essas pessoas recebam vistos e possam se restabelecer.

Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça, Bolsonaro disse que o futuro do Afeganistão causa grande apreensão e sugeriu que o governo faria uma análise com componente religioso do refugiado para a concessão de vistos humanitários.

“Concederemos visto humanitário para cristãos, mulheres, crianças e juízes afegãos”, declarou.

No início de setembro, o governo Bolsonaro editou uma portaria para autorizar a emissão de visto de acolhida humanitária a pessoas do Afeganistão que fogem do país.

A medida facilita a acolhida de pessoas dessa nacionalidade, como já acontece em relação a sírios e haitianos.

Segundo comunicado emitido pelo Itamaraty e pelo Ministério da Justiça à época, “mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e seus grupos familiares” teriam prioridade. As embaixadas do Brasil em Islamabad (Paquistão), Teerã (Irã), Moscou (Rússia), Ancara (Turquia), Doha (Qatar) e Abu Dhabi (Emirados Árabes) estarão habilitadas a processar os pedidos desse tipo de visto—o Brasil não possui representação diplomática no Afeganistão.

 FOLHAPRESS

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terça-feira, 21 de setembro de 2021

Agentes usam chicotes contra migrantes na fronteira com México

Foto Radio Cooperativa

 Fotos divulgadas pela mídia dos Estados Unidos nesta segunda-feira (20) mostram agentes de fronteira usando chicotes contra migrantes que tentam entrar ilegalmente no país. Os policiais estão em cavalos e agridem as pessoas perto da cidade de Del Rio, no Texas.   

Essa região texana vem recebendo um grande fluxo de migrantes, sendo a imensa maioria proveniente do Haiti. Estima-se que entre 10 mil e 13 mil haitianos estejam na área, mas o governo dos EUA já começou a fazer voos de deportação para a ilha na América Central.   

Em coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que as fotos são “horríveis”.   

“Eu vi algumas das imagens, não tenho o contexto completo, mas não consigo imaginar qual o contexto que seria aceitável ou apropriado para isso. Acho que qualquer um que tenha visto as imagens não considere aquilo como aceitável ou apropriado”, ressaltou a representante.   

Milhares de latino-americanos têm se dirigido para as fronteiras dos EUA para tentar uma vida melhor no país desde que Joe Biden assumiu o poder, em janeiro, acreditando que o democrata seria mais flexível nas regras migratórias.   

Mas, o cenário não é esse e a linha dura continua a ser mantida – mesmo que a obra de construção do muro de Donald Trump tenha sido suspensa ou que a política de prisão na fronteira tenha sido flexibilizada. 

ANSA.   

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Saiba como funciona o encaminhamento de estrangeiros ao mercado de trabalho em Brusque

 

Foto Marcelo Camargo /Agencia Brasil

A vinda de imigrantes, que enxergam Brusque como uma oportunidade de uma vida mais próspera, segue acontecendo mesmo durante o período de pandemia. Segundo o secretário de Desenvolvimento Social Jocimar dos Santos, a prefeitura tenta fornecer todo o auxílio possível para que o imigrante regularize sua situação na cidade.

A disponibilidade de empregos e o caráter industrial da cidade são algumas das razões que atraem estrangeiros para cá, identifica a Secretaria. Outro motivo é a proximidade com o Litoral.

“A língua também acaba sendo um obstáculo, então temos contato com a Polícia Federal, fazemos o agendamento e encaminhamos para Itajaí para fazer a documentação e damos suporte, inclusive transporte para ir até lá. Fornecemos também alimentação e também encaminhamos para o Sine para tentar o mercado de trabalho”.

Ele destaca que, atualmente, a maioria dos estrangeiros que vêm para Brusque nesta situação é da Venezuela. Há alguns anos, uma quantidade grande de haitianos procuravam a cidade, mas o número já não é tão representativo.

Atendimento

Jocimar conta que, há algum tempo, visitou Chapecó e conheceu uma central de apoio aos imigrantes que existe na cidade. Para Brusque, a secretaria ainda estuda a possibilidade da instalação de uma sala para esse atendimento exclusiva em uma área mais central, mas ainda é uma ideia inicial, já que a demanda não costuma ser diária, e sim, esporádica.

“Não é uma quantidade como cidades de fronteira. Em Chapecó, a demanda é enorme. Só neste ano, atenderam 9 mil imigrantes, mas nossa realidade é bem diferente, pequena comparada a esse número”.

A secretaria tem uma coordenadora que faz esse atendimento com os estrangeiros, por enquanto, no prédio da prefeitura. O telefone para contato é o 47 3251-1963.

O Município

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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Simpósio online debate ajuda humanitária e segurança integrada na fronteira

No dia 24 de setembro, será realizado o “II Simpósio sobre Defesa Nacional – Fronteiras e Migrações: estudos sobre ajuda humanitária e segurança integrada”. O evento é uma iniciativa do projeto PROCAD-Defesa, apoiado pela CAPES e pelo Ministério da Defesa.
O Simpósio será transmitido online e tem como objetivo discutir dois eixos centrais:

Painel 1: Desafios da Segurança Integrada de Fronteiras
8h às 12h (Horário de Boa Vista (RR). Pelo horário de Brasília, o evento inicia às 9h).
Palestrantes:
– Luciano Barros, Presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF).
– TC Vanderson Mota de Almeida, Oficial de Operações da 1ª Brigada de Infantaria de Selva.
– Paulo Sergio Jaeger, Delegado da Polícia Federal
– Mediador: Prof. Dr. Fernando da Silva Rodrigues (CIEEx/UNIVERSO)
Serão abordadas questões relacionadas aos ordenamentos fronteiriços e os desafios da atuação interagências.

Painel 2: Ajuda humanitária
13h às 16h (Horário de Boa Vista (RR). Pelo horário de Brasília, o evento inicia às 14h).
Palestrantes:
– César Augusto da Silva, Professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
– Cel responsável pela Interiorização da Operação Acolhida (EB)
– Dra Thais Menezes, Oficial de Relações Institucionais do ACNUR
– Mediador: Prof. Dr. João Carlos Jarochinski Silva (UFRR)
Debate sobre as oportunidades e desafios advindos do fluxo migratório de venezuelanos e da atuação em Roraima da Operação Acolhida.

O II Simpósio é uma realização de pesquisadores da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (RJ), Universidade Federal do Amazonas (AM), Universidade Federal da Grande Dourados (MS), Universidade Federal de Roraima (RR), Universidade Estadual de Roraima (RR), Universidade Salgado de Oliveira (RJ) e do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF).

Inscrições

As inscrições podem ser realizadas no endereço abaixo. O link da transmissão será divulgado nos próximos dias a aqueles que completarem a inscrição.

https://sistemas.eceme.eb.mil.br/sisgere/inscricoes/iisimposiodefesanacionalfrontreirasmigracoes/pg_inscricao_p1.php

Sobre o Projeto “Defesa Nacional, Fronteiras e Migrações: estudos sobre Ajuda Humanitária e Segurança Integrada”

O projeto de pesquisa tem por finalidade conduzir pesquisa sistemática, em rede, de conteúdos de interesse conceitual de Defesa Nacional, Fronteiras e Migrações. Participam pesquisadores associados às equipes das seguintes instituições: Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (RJ) (Instituição Líder), da Universidade Federal do Amazonas (AM), Universidade Federal da Grande Dourados (MS), Universidade Federal de Roraima (RR), Universidade Estadual de Roraima (RR), da Universidade Salgado de Oliveira (RJ) e do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF). As equipes contam ainda com pesquisadores oriundos de outras intuições de ensino superior e organizações militares. O projeto tem duas temáticas articuladas à Defesa Nacional: a Segurança Integrada e a Ajuda Humanitária. Estes são núcleos a partir dos quais serão investigados aspectos e dinâmicas em andamento na Faixa de Fronteira Terrestre, tais como movimentos populacionais, crimes transnacionais, e outros temas que tenham reflexos no espaço brasileiro. Assume-se que o objeto de pesquisa é complexo, pelo que se busca a abordagem multidisciplinar, integrando pesquisadores com trajetória em diferentes áreas do conhecimento, e abrangente, capaz de melhor compreender o desenvolvimento e/ou instabilidade dos espaços de análise, assim como antecedentes e reflexos no plano das Ciências Militares, das Relações Internacionais e dos Estudos de Defesa.

Coordenador Líder do projeto: Dr. Tássio Franchi (ECEME/PPGCM)

Coordenadores Associados:

Dr. Tomaz Esposito Neto (UFGD/PPGFDH)

Ms Luciano Stremel Barros – (Diretor IDESF)

Dra. Maria das Graças Santos Dias (UFRR/PPGSF)

Dr. Edgard Vinicius Cacho Zanette (UERR/ MSPDHC)

Dra. Tatiana Schor e Dra Kátia Viana Cavalcante (UFAM/PPGCASA)

Dr. Fernando da Silva Rodrigues (Universidade Salgado de Oliveira/PPGH)

idesf.org.br

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EUA aumentarão "voos de deportação" de migrantes presos

 

Aeroporto de Confins tem recebido voos de deportação de migrantes expulsos dos EUA

Foto
Foto: Ramon Bitencourt

Os Estados Unidos aumentarão o número e a capacidade dos "voos de deportação" para milhares de imigrantes na fronteiriça cidade texana de Del Rio (sul), informou o Departamento de Segurança Interna neste sábado (18).

Mais de 10 mil migrantes, majoritariamente do Haiti, acampavam na sexta-feira debaixo de uma ponte na fronteira sul dos Estados Unidos, uma crise humanitária que coloca em apuros o governo de Joe Biden. 

Os migrantes estão em uma área controlada pelas autoridades de alfândega e fronteiras, que mobilizaram 400 soldados adicionais para tentar conter a crise e "melhorar o controle da área", segundo um comunicado do Departamento de Segurança Interna.

As autoridades informaram que vão acrescentar um "transporte adicional para acelerar o ritmo (dos voos) e aumentar a capacidade" de transferência "para o Haiti e outros destinos nas próximas 72 horas".

Esses migrantes chegaram na pequena cidade de Del Rio, Texas, cruzando o Rio Grande que separa os Estados Unidos do México. Dos 2.000 migrantes no início da semana, o número subiu para 10.500 na quinta-feira à noite, segundo Bruno Lozano, prefeito desta cidade limítrofe com a mexicana Ciudad Acuña.

Na sexta-feira, o prefeito democrata, que espera mais milhares de chegadas, declarou estado de emergência e fechou a ponte para o tráfego. 

"As circunstâncias extremas exigem respostas extremas", declarou ao jornal Texas Tribune. "Há mulheres que dão à luz, pessoas que desmaiam pela temperatura, são um pouco agressivas e isso é normal depois de todos esses dias de calor", destacou. 

Mais de 1,3 milhão de pessoas foram detidas na fronteira com o México desde a chegada de Biden à Casa Branca em janeiro de 2020, um nível não visto em 20 anos. Delas, cerca de 596.000 chegaram de El Salvador, Guatemala e Honduras e mais de 464.000 do México.

A oposição republicana acusa Biden de ter provocado uma "crise migratória" ao flexibilizar as medidas de seu antecessor Donald Trump, que fez da luta contra a imigração ilegal um dos pilares de seu governo.

O tempo 

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sábado, 18 de setembro de 2021

No centenário de Paulo Freire, produções da USP explicam o legado do patrono da educação brasileira

 


O educador e pedagogo Paulo Freire, patrono da educação brasileira, completaria um século de vida neste domingo. Ele recebeu o título em reconhecimento ao seu método pedagógico que revolucionou a prática educacional ao propor uma educação horizontalizada, antiautoritária, com desenvolvimento do senso crítico e a serviço da transformação social.

Nascido em Recife, em 1921, Paulo Freire foi o filho caçula de um capitão da Polícia Militar e uma dona de casa. Formado na Faculdade de Direito do Recife, sua vida seria, porém, dedicada à alfabetização e à educação popular.

Em 1963, Freire executou um notório projeto de alfabetização de mais de 300 adultos em 40 horas, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. A experiência foi um sucesso tão grande que, em princípios de 1964, pouco antes do golpe que daria início à Ditadura Militar, o então presidente João Goulart havia oficializado o método de Freire no Plano Nacional de Alfabetização. O que, no entanto, não pôde ser posto em prática por conta da deposição do presidente, das novas políticas autoritárias do governo ditatorial, e a prisão e exílio de Freire.

A partir de então, o educador percorreria mais de 50 países, lecionando em diversos centros universitários e aplicando o seu método de alfabetização pelo mundo, sendo amplamente reconhecido e respeitado.

Defendendo que uma pedagogia da libertação deveria substituir a pedagogia da dominação, Freire publicou dezenas de livros, é doutor honoris causa em pelo menos 35 universidades pelo mundo, e é referência para formação de professores e educadores em diversos países. Seu livro mais famoso, Pedagogia do Oprimido, foi traduzido para mais de 30 idiomas, sendo a terceira obra mais citada no mundo na área de humanas, segundo estudo da London School of Economics de 2016. Freire é hoje um dos mais conhecidos intelectuais brasileiros.

Jornal Usp

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Direito a salário igual é questão de justiça e responsabilidade para todos

 Este 18 de setembro é o Dia Internacional da Igualdade Salarial. Na celebração da data, as Nações Unidas destacam que devem ser eliminadas os desequilíbrios de gênero nessa questão, aproveitando a oportunidade de recuperação da pandemia.

Para o secretário-geral, a Covid-19 expôs a “grande injustiça da falta de compensação pelo trabalho de criar filhos e tomar conta de pessoas que não podem cuidar de si mesmas, que em grande parte é realizado por mulheres.”

Disparidades 

O líder das Nações Unidas destaca que ao se retirar funções de trabalho do cuidado de saúde da economia formal para o setor doméstico, a pandemia exacerbou disparidades salariais entre homens e mulheres.

Secretário-geral faz apelo por maior determinação pelo fim da discriminação e dos estereótipos de gênero
ONU Mulheres/Piyavit Thongsa-Ard
Secretário-geral faz apelo por maior determinação pelo fim da discriminação e dos estereótipos de gênero

Muitas delas tentam manter empregos remunerados, ao mesmo tempo em que criam os filhos, lidam com a educação online e prestam cuidados a familiares doentes ou vulneráveis ​​sem compensação material.

Para António Guterres, o investimento na economia do cuidado ajuda a diminuir a diferença salarial. O benefício é a criação de empregos sustentáveis, ao mesmo tempo que se permite que mulheres possam participar da força de trabalho remunerada.

A mensagem destaca que profissionais de saúde de sexo feminino estão na linha de frente contra o vírus. Frequentemente, estas ganham menos do que os homens, não têm poder de decisão e são mais expostas à violência e ao assédio.

Filhos

Mesmo com a igualdade de remuneração, as mulheres ganham em média apenas 80 centavos para cada dólar que os homens ganham em trabalho de igual valor. Esse valor é ainda menor para mulheres negras e com filhos.

Mulheres continuam realizando grande parte dos cuidados não remunerados.
Opas
Mulheres continuam realizando grande parte dos cuidados não remunerados.

Para o chefe da ONU, o momento de abordar a pandemia é uma oportunidade de numa geração para estabelecer “um novo contrato social que defenda os direitos humanos das mulheres, incluindo o direito a salário igual”.  

Guterres defende que essa “é uma questão de justiça e uma responsabilidade para todos”. O secretário-geral apela a determinação pelo fim da discriminação e dos estereótipos de gênero, que contribuem para a disparidade salarial. 

Onunews

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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Cerca de dez mil migrantes, muitos do Haiti, acampam sob ponte na fronteira sul dos EUA

 


Foto Publica 

Mais de 10.000 migrantes, muitos do Haiti, acampavam nesta sexta-feira (17) debaixo de uma ponte na fronteira sul dos Estados Unidos, uma crise humanitária que põe em apuros o governo de Joe Biden.

Estes migrantes chegaram à pequena cidade de Del Río, Texas, cruzando o Río Grande, entre o México e os Estados Unidos. Os 2.000 no início da semana se tornaram 10.500 na noite de quinta-feira, disse Bruno Lozano, prefeito desta cidade fronteiriça com a mexicana Ciudad Acuña.

"São principalmente do Haiti e entram ilegalmente (...) Só estão esperando serem detidos pelos guardas fronteiriços" para iniciarem os trâmites de autorização de estadia, explicou em um vídeo publicado no Twitter.

"Precisamos de uma ação rápida do governo", pediu o prefeito democrata, destacando os riscos para a saúde e a segurança que representa este acampamento improvisado.

Sobrecarregado, o Escritório de Alfândega e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos (CBP em inglês) afirmou em nota que aumentou sua equipe para enfrentar a situação de forma "segura, humana e ordenada".

A área sombreada debaixo da ponte serve como local de parada temporária "para prevenir doenças relacionadas ao calor", explicou, afirmando que distribuiu água potável, toalhas e banheiros portáteis.

Assim que são atendidos, "a grande maioria dos adultos que chegam sozinhos e muitas famílias vão continuar sendo expulsos sob o Título 42", uma norma de saúde adotada no início da pandemia para frear a propagação do vírus, segundo a nota.

"Quem não puder ser expulso sob o Título 42 e não tiver uma base legal para permanecer será colocado em processo de deportação acelerado", afirmou o CBP.

No entanto, um juiz federal ordenou na quinta-feira ao governo de Biden que não expulse as famílias neste contexto, o que poderia complicar a tarefa das autoridades, que enfrentam há meses os fluxos migratórios recordes na fronteira com o México.

Mais de 208.000 migrantes foram detidos lá em agosto, segundo os últimos dados oficiais. Isso eleva o número de migrantes detidos na fronteira desde que Biden chegou à Casa Branca a mais de 1,3 milhão, um nível que não era visto em 20 anos.

Destes, cerca de 596 mil vinham de El Salvador, Guatemala e Honduras, e mais de 464 mil do México.

A oposição republicana acusa há meses Biden de ter provocado uma "crise migratória" ao flexibilizar as medidas de seu antecessor Donald Trump, que fez do combate à imigração ilegal um dos pilares de seu governo.

A situação em Del Rio, Texas, lhe deu novos argumentos. Após visitar a região, o senador republicano Ted Cruz denunciou "um desastre" causado por Biden.

 

Segundo Cruz, os migrantes acabam debaixo da ponte "porque o presidente Joe Biden tomou a decisão política de cancelar os voos de deportação para o Haiti", após o assassinato, em julho, do presidente haitiano Jovenel Moïse, que acentuou o caos na ilha caribenha.

O número de cidadãos do Haiti, país mais pobre das Américas, que chegam sem documentos aos Estados Unidos, aumenta há vários meses.

Quase 6.800 haitianos foram detidos em agosto na fronteira sul ou apenas 4% do total de migrantes detidos, porém mais do que em julho (5.000) ou maio (2.700).

Muitos haitianos deixaram seu país depois do terremoto de 2010 (que matou mais de 200.000 pessoas) e se estabeleceram na América Latina, especialmente em Brasil e Chile. Mas encontrar trabalho e renovar uma permissão de residência se tornou complicado para milhares que decidiram ir para o norte.

"Quero continuar minha viagem porque tenho uma irmã em Miami e outra na Holanda", disse Domingue Paul, um haitiano de 40 anos que morou cinco anos no Chile, em declarações à AFP em Tapachula, sul do México.

Sensíveis a suas dificuldades, várias vozes democratas se ergueram para pedir ao governo Biden que resolva rapidamente a situação em Del Rio.

"Estes migrantes haitianos já sofreram muito durante a perigosa viagem à nossa fronteira", tuitou a congressista Ilhan Omar, figura de destaque da ala à esquerda do partido.

"A falta de urgência para ir em sua ajuda é alarmante", denunciou a legisladora, que chegou aos Estados Unidos em 1995 como refugiada somaliana.

* AFP

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Nem pandemia diminuiu fluxo migratório de brasileiros para o exterior

 


Estudo recente, divulgado pelo Itamaraty, revelou que nunca tantos brasileiros moraram no exterior: entre 2010 e 2020, o número saltou de 3,1 milhões para 4,2 milhões de pessoas. Nem mesmo a pandemia impediu o movimento: entre 2018 e 2020, houve um aumento de 625 mil cidadãos brasileiros que se mudaram para outros países. Extraoficialmente, é claro, o número pode ser bem maior.

“O brasileiro sempre foi benquisto como imigrante em diversos países do mundo, por sua versatilidade e fácil adaptação a culturas e climas, e, de fato, o número de jovens qualificados que deixam o Brasil tem aumentado consideravelmente”, diz Renata Amaral, especialista em Direito Empresarial do escritório Godke Advogados, que atua em processos de imigração. Segundo Renata, os brasileiros que partem para o mundo tendem a buscar países que necessitam de profissionais capacitados, como Canadá, Austrália, Espanha, Irlanda, Rússia, Estados Unidos e Nova Zelândia.

Para os que estão pensando em seguir o mesmo caminho, ela enumera os países que considera os destinos mais acessíveis a imigrantes brasileiros, hoje.

“Em primeiro lugar, a Irlanda: o país é um dos preferidos dos jovens que deixam o Brasil, pelo baixo custo de vida comparado a outros países europeus; por prover uma boa qualidade de vida e por ser uma porta de entrada para a União Europeia. O processo de imigração pode levar algum tempo, mas não é complexo. Em segundo, a Espanha, devido ao idioma, ao clima ameno – parecido com o do Brasil –, à qualidade de vida, a boas oportunidades de trabalho e ao acesso à rica cultura do país.”

Em terceiro lugar vem a Austrália, segundo a especialista. “O governo australiano tem investido cada vez mais em programas imigratórios, buscando trazer profissionais qualificados para preencher a demanda de mão de obra qualificada.” Em quarto lugar, Renata cita o Canadá. “Embora seja conhecido por suas baixas temperaturas e invernos longos, nos últimos anos o número de imigrantes brasileiros em solo canadense tem aumentado. Cidades como Vancouver e Toronto são chamarizes de imigrantes, devido à sua boa infraestrutura, qualidade de vida, segurança pública, educação e salários atrativos. O Canadá possui um déficit populacional grande e falta de mão de obra qualificada”. Segundo ela, são mais de cem tipos de processos imigratórios naquele país, o que facilita a vida inclusive daqueles que não dominam o inglês em sua totalidade.

Em quinto lugar estão os Estados Unidos. “É o país para onde, em geral, os brasileiros mais desejam imigrar, conhecido pelo sonho americano de liberdade, qualidade de vida, economia forte e inúmeras oportunidades de trabalho – mas cujo processo imigratório é demorado e extremamente criterioso”, lembra a advogada.

Em geral, são quatro as possibilidades para se obter a cidadania em outros países: pelo jus sanguinis; pelo jus solis; via matrimônio; ou por tempo de residência legal, de acordo com as determinações de cada país. “No jus sanguinis, basta possuir ascendência para ter o direito a pleitear a dupla cidadania, como é o caso da Alemanha, Japão, Itália, Reino Unido e Portugal. No jus solis, basta ter nascido no país para ter direito ao reconhecimento da cidadania, como acontece no Brasil, Paraguai, Peru, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina, por exemplo.”

No que diz respeito ao matrimônio, “o cônjuge estrangeiro poderá requerer a cidadania pelo casamento ou união estável, se preencher alguns requisitos, a depender do reconhecimento do estado civil no novo país, da nacionalidade do casal, se algum deles é nascido em um país pertencente à União Europeia, por exemplo”, diz Renata.

Já a cidadania por residência legal irá depender de quanto tempo a pessoa está residindo legalmente no país. É possível proceder com a requisição de cidadania desta forma na Itália, em Portugal e no Reino Unido, de acordo com o prazo determinado em lei própria de cada país. “Como alguns países possuem mais de uma opção para o reconhecimento da cidadania, é necessário verificar qual delas melhor encaixa no caso em questão”, recomenda a especialista.

E como fica o status do brasileiro que emigra? “Todo e qualquer brasileiro pode possuir a dupla nacionalidade de acordo com a legislação nacional”, diz Renata, lembrando, porém, que alguns países – entre eles Paraguai, Países Baixos, Emirados Árabes, Eslováquia, Japão, Ucrânia, por exemplo – não o permitem.

A especialista dá uma última dica àqueles que pretendem sair do Brasil. “Se o brasileiro, ao deixar o país, não realizou a declaração de saída definitiva, deverá reportar todo e qualquer rendimento auferido em terras estrangeiras; as regras variam de caso a caso, mas em toda e qualquer remessa, seja no recebimento ou envio de moeda estrangeira, deve-se atentar a questões tributárias que envolvem os países de origem e destino, como eventuais acordos internacionais de tributação.”

Fonte:


Renata Amaral, advogada do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, com graduação em Direito pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), São Paulo; e pós-graduação em Business Administration pela Toronto School of Management, Canadá.

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