segunda-feira, 7 de março de 2022

Polônia abre as portas para mais de um milhão de refugiados da Ucrânia

 

Diante da chegada em poucos dias de mais de um milhão de refugiados que fugiram da ofensiva russa na Ucrânia, muitos poloneses como Nicolas Kusiak, um administrador de 27 anos, se mobilizam para oferecer ajuda.

Voluntários, autoridades, organizações humanitárias, profissionais e empresas, além da grande população ucraniana radicada na Polônia, oferecem o essencial: um lugar para descansar em suas casas.

E especialmente calor humano para as crianças e mulheres, que precisaram deixar a Ucrânia sem os pais e maridos, mobilizados para defender o país.

"Aqui temos médicos de Israel e da França, eu os ajudo, atuo como tradutor porque entendo um pouco de ucraniano", afirmou Kusiak, de 27 anos, que está há quatro dias na área da passagem de fronteira de Medyka.

Polonês nascido na França, Kusiak é um gerente de eventos que fala quatro idiomas e decidiu trabalhar como tradutor para evitar mal-entendidos com os estrangeiros, depois de assistir na internet vídeos xenofóbicos que alertavam contra a entrada de árabes e africanos.

Também forneceu barracas, geradores, aquecedores e alimentos, depois procurou organizar a coordenação entre a polícia, médicos, os bombeiros que organizam o transporte e os voluntários que distribuem a sopa quente.

A mobilização pelos refugiados é geral, como demonstram as cenas na estação central de Cracóvia, por onde passam centenas de refugiados.

"Nosso ponto de recepção está cheio e temos muitas pessoas o tempo todo", conta à AFP a voluntária Anna Lach.

"Temos um local no subsolo que está sempre lotado e é por isso que outras pessoas aguardam aqui para ver se podem ficar e passar a noite", explica.

Outra voluntária, Maja Mazur, afirmou: "Temos mais locais na cidade onde podem ficar. Eles podem permanecer um ou dois dias antes da transferência. Nós oferecemos alguma bebida, algo quente, algo para comer e um local onde podem dormir".

Alguns refugiados desejam prosseguir a viagem rumo ao oeste da Europa, em meio ao sofrimento pela separação da família.

"Eu vim de Kharkiv com minha família, com meus dois filhos e meus pais", afirma a arquiteta Anna Gimpelson.

"Meu marido ficou em Lviv porque ainda pode servir no exército e não pode sair do país. Nossa cidade vive momentos realmente terríveis. Temos bombas por todos os lados e a casa dos nossos vizinhos não existe mais", acrescenta.

"Viajamos por três dias e agora vamos para a casa de um amigo em Düsseldorf (Alemanha). Pode ser que passemos algum tempo lá enquanto pensamos no que fazer", disse.

O governo polonês antecipa que o fluxo de refugiados continuará nos próximos dias.

"Preparar a infraestrutura para estarmos prontos para receber uma nova onda de refugiados sem saber qual será seu tamanho, este é o nosso principal desafio no momento", afirmou no domingo Michal Dworczyk, chefe de gabinete do primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki.

A ONU anunciou no domingo que mais de 1,5 milhão de pessoas saíram da Ucrânia em busca de refúgio em 11 dias. Dois terços desse total entraram na Polônia.

Ao mesmo tempo, a unidade polonesa da Anistia Internacional pediu que as pessoas não esqueçam os refugiados do Oriente Médio, sírios e iemenita, bloqueados na fronteira com Belarus, e alertou sobre "a enorme injustiça" pelo tratamento desigual dos estrangeiros com base em sua nacionalidade.

Estado de Minas 

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sábado, 5 de março de 2022

Human Rights Watch alega tratamento desigual a estrangeiros que fogem da Ucrânia

 



A organização internacional Human Rights Watch (HRW) divulgou um comunicado sexta-feira (4) afirmando que estrangeiros que vivem na Ucrânia enfrentam "tratamento desigual" enquanto tentam fugir da guerra ao lado de centenas de milhares de ucranianos.


Segundo a entidade, entrevistas feitas com mais de 30 imigrantes, muitos dos quais estudantes internacionais, revelam "um padrão de serem bloqueados ou atrasados em seu embarque em ônibus e trens, aparentemente para priorizar a retirada de mulheres e crianças ucranianas". Homens ucranianos de 18 a 60 anos estão sujeitos a recrutamento e não podem deixar o país.

A fuga do conflito é angustiante para todos, e todos devem ser autorizados a sair, não importa de onde venham, defendeu Judith Sunderland, porta-voz da HRW. "As autoridades ucranianas não devem discriminar com base na nacionalidade ou raça, e os países vizinhos devem permitir a entrada de todos com o mínimo de burocracia", declarou.

De acordo com o relatório, autoridades ucranianas disseram estar cientes do problema e estão tomando medidas para garantir que os estrangeiros possam deixar o país. No último dia 2, o ministro das Relações Exteriores, Dmitro Kuleba, anunciou no Twitter que o governo ucraniano estabeleceu uma linha direta para estudantes estrangeiros que desejam deixar a Ucrânia.

Mais de 80 mil estudantes internacionais estavam no país em 2020, a maioria vindos de Índia, Marrocos, Azerbaijão, Turcomenistão e Nigéria, segundo dados do governo.
Nos relatos colhidos por telefone pela HRW, estrangeiros que estavam na fronteira com a Polônia e na cidade ucraniana de Lviv afirmam terem sido empurrados para fora de trens e ônibus.

Uma jovem com cidadania americana e de Serra Leoa disse que o motorista de um ônibus comercial queria que todos os negros descessem do veículo quando se aproximaram da fronteira com a Polônia e que só conseguiram ficar porque eles e passageiros ucranianos protestaram.

Um estudante de medicina indiano relatou que o grupo em que ele estava passou 12 horas esperando para conseguir entrar em um trem na cidade de Dnipro após policiais dizerem que estrangeiros só poderiam embarcar à noite. A União Africana e representantes dos governos da Nigéria e da Índia, entre outros, manifestaram publicamente preocupação com os relatos.

Um porta-voz do Serviço de Guarda de Fronteira da Ucrânia disse à Human Rights Watch que as alegações de tratamento injusto "não correspondem à verdade", que os guardas de fronteira ucranianos "não veem a nacionalidade ou a cor dos passaportes" e que cidadãos de países estrangeiros "tentaram avançar e receber tratamento prioritário".

otempo.com.br

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Mais de 4 milhões de mulheres não conseguiram retornar ao trabalho na América Latina e no Caribe

 

Alta taxa de desocupação de 16,4%, alta informalidade e sobrecarga de tarefas de cuidados são fatores que contribuem para aumentar as disparidades de gênero no mercado de trabalho. Uma nova Nota Técnica da OIT analisa as políticas que podem ser utilizadas para recuperar o terreno perdido.

A crise causada pela pandemia da COVID-19  nos mercados de trabalho da América Latina e do Caribe teve um impacto maior sobre as mulheres e colocou a região diante do desafio de enfrentar um retrocesso sem precedentes na igualdade de gênero no trabalho, destacou um Nota Técnica publicada hoje pela OIT.

Dos 23,6 milhões de postos de trabalho de mulheres perdidos no pior momento da crise, no segundo trimestre de 2020, cerca de 4,2 milhões ainda não haviam sido recuperados no final de 2021. No caso dos homens, por outro lado, os 26 milhões de empregos perdidos naquela época já haviam sido quase totalmente recuperados.

“Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, devemos ter em mente que estamos enfrentando um preocupante retrocesso na igualdade de gênero no trabalho e, portanto, a região precisa redobrar os esforços para recuperar o terreno perdido e gerar mais e melhores oportunidades de trabalho para as mulheres”, disse o diretor da OIT para a América Latina e Caribe, Vinícius Pinheiro.

A Nota Técnica da OIT “América Latina e Caribe: Políticas de igualdade de gênero e mercado de trabalho durante a pandemia ” (em espanhol), que faz parte da série regional Panorama Laboral em tempos de COVID-19, apresenta uma coleção de dados sobre a situação do emprego feminino e analisa as estratégias colocadas em prática em diferentes países da região.

“Dois anos atrás, quando a crise começou em meados de março de 2020, as mulheres foram afetadas por uma perda catastrófica de postos de trabalho e de renda. A desocupação feminina aumentou, mas o mais impactante foi a saída massiva da força de trabalho que levou as taxas de participação no trabalho para níveis não vistos há duas décadas”, comentou Pinheiro.

A nova nota técnica da OIT destaca que a taxa de participação regional das mulheres, que girava em torno de 41% no início da década de 1990, aumentou de forma constante para 52,3% em 2019 (média dos três primeiros trimestres). Em 2020, no mesmo período caiu para 47%, embora nesse ano a média regional tenha atingido 43%.

Em 2021, a taxa de participação registou uma recuperação insuficiente, pois subiu para 49,7%, 2,5 pontos percentuais abaixo dos níveis pré-pandemia.

Ao mesmo tempo, no terceiro trimestre de 2021, a taxa média de desocupação para as mulheres foi 12,4%, a mesma de 2020, o que é um sinal de que não houve melhora e que deve cair significativamente para retornar a taxa de 9,7% de 2019. A taxa está acima da taxa geral de desocupação de 10% e de 8,3% da taxa para os homens.

A análise da OIT destaca que as medidas adotadas para enfrentar a emergência de saúde, como o fechamento de centros educacionais e de cuidados em geral, tiveram um impacto negativo na participação feminina no trabalho.

A isso soma-se o fato de que setores de atividade nos quais as medidas de isolamento social tiveram maior impacto (comércio, restaurantes e hotelaria, atividades de lazer, entre outros) são intensivos em mão de obra feminina.

Por sua vez, o impacto foi maior no emprego informal e nas micro, pequenas e médias empresas, onde também predomina o emprego feminino. O trabalho doméstico, no qual 91% do emprego é feminino e 72% é informal, foi afetado por consideráveis perdas de empregos.

“A pandemia exacerbou as desigualdades estruturais existentes. Mulheres rurais, chefes de família com crianças pequenas, aquelas com menos formação e educação, mulheres indígenas e afrodescendentes foram as mais afetadas. As disparidades de gênero, tanto na participação quanto na renda, são persistentes em mulheres de menor renda e menor escolaridade”, comentou a especialista regional em economia do trabalho da OIT, Roxana Maurizio.

O estudo da OIT faz uma análise das políticas e medidas do mercado de trabalho que têm procurado contribuir para mitigar os efeitos perniciosos da pandemia e para a recuperação, com foco específico naquelas que adotam uma perspectiva de gênero.

“As considerações sobre igualdade de gênero devem ser um componente intrínseco do desenho, elaboração, aplicação e análise dos resultados de todos os programas e estratégias, políticas, leis e regulamentos implementados durante a pandemia e na fase de recuperação”, destaca a Nota Técnica da OIT.

O estudo ressalta também que as medidas setoriais de estímulo para consolidar a recuperação, especialmente nos setores com maior proporção de mulheres trabalhadoras, não devem ser retiradas antecipadamente. As medidas de transferência de renda ou os auxílios em dinheiro também não devem ser retirados, para garantir as condições mínimas que permitam sustentar o crescimento do emprego.

O documento acrescenta que o investimento em cuidados é essencial tanto para a geração de emprego de qualidade quanto para a plena inserção da mulher no mercado de trabalho. O reforço das capacidades das mulheres para desenvolver as suas condições de empregabilidade e a reconversão e adaptação das capacidades para entrar no mundo da economia digital são fundamentais para a recuperação com uma perspectiva de gênero.

OIT

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sexta-feira, 4 de março de 2022

Brasil concederá visto temporário a ucranianos

 

ACNUR/Chris Melzer

O governo brasileiro decidiu conceder visto temporário e autorização de residência para fins de acolhida humanitária aos ucranianos que deixaram o país natal por causa da guerra. A portaria interministerial, assinada pelos ministros da Justiça, Anderson Torres, e das Relações Exteriores, Carlos França, foi publicada ontem  (3) no Diário Oficial da União.

O visto temporário beneficia aos nascidos na Ucrânia e aos apátridas afetados ou deslocados pela situação de conflito armado na Ucrânia. O visto terá validade de 180 dias. Essa providência não inviabiliza outras medidas que possam ser tomadas pelo governo federal em benefício dessas pessoas.

O imigrante apátrida tem em 90 dias após sua chegada no Brasil para iniciar o processo de reconhecimento da condição de apátrida junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A solicitação do visto depende da apresentação de documento de viagem válido, formulário de solicitação de visto preenchido, comprovante de meio de transporte de entrada no território brasileiro e atestado de antecedentes criminais. Esse último deverá ser expedido na Ucrânia. Caso não seja possível, deve ser feita uma declaração de ausência de antecedentes criminais em qualquer país.

Caso um cidadão ucraniano já esteja no Brasil, independente da guerra que se desenrola em sua terra natal, e queira pedir autorização de residência para acolhida humanitária, poderá fazê-lo junto à Polícia Federal. Nesse caso, o prazo de residência previsto é de dois anos.

As tropas russas continuam avançando em território ucraniano, em direção à capital Kiev. A guerra entre tropas russas e ucranianas já dura oito dias. Mais de um milhão de ucranianos já deixaram o país, o equivalente a 2% da população. Mais da metade deles foi para a Polônia. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), essa é uma crise sem precedentes neste século. O organismo internacional estima que outros 4 milhões de ucranianos ainda podem deixar o país.

Edição: Fernando Fraga

Agencia Brasil

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Dep. Leonardo Monteiro: Câmara deve exigir tratamento humanitário a brasileiros deportados

 

A mudança nas políticas imigratórias nos Estados Unidos fez com que, desde 2019, perto de cinco mil brasileiros tenham sido deportados pelo governo americano, e a situação motivou o deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) a pedir a criação de uma comissão externa para diagnosticar o tratamento dispensado pelas autoridades daquele país aos imigrantes ilegais. O parlamentar recebeu denúncias de maus tratos durante a detenção das pessoas e de condições degradantes durante os voos fretados para trazer os brasileiros de volta.

O último dos até agora 51 aviões com um contingente de deportados chegou a Belo Horizonte em janeiro, com perto de 200 pessoas que passaram a maior parte do tempo algemadas e amarradas a seus assentos, tendo desembarcado com marcas de correntes no corpo.

Leonardo Monteiro considera que o Congresso Nacional precisa de posicionar sobre a questão, exigindo do governo dos Estados Unidos um tratamento amistoso aos brasileiros, com respeito aos direitos humanos. O objetivo da comissão externa, segundo ele, é ouvir também, e em primeiro lugar, o governo brasileiro, para saber quais gestões estão sendo feitas junto às autoridades norte-americanas para acompanhar a detenção e deportação dos cidadãos brasileiros.

Radio Camara

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quinta-feira, 3 de março de 2022

Mara Gabrilli vai acompanhar ações da ONU para refugiados da Ucrânia

 


Marcos Oliveira/Agência Senado

A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) vai representar o Senado nas negociações internacionais sobre a situação dos refugiados afetados pelos conflitos entre Ucrânia e Rússia. Ela deve acompanhar as tratativas promovidas pela Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em Genebra (Suíça).

A designação de Mara Gabrilli foi assinada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. A parlamentar é integrante e porta-voz da Comissão Mista Permanente sobre Migrações Internacionais e Refugiados (CMMIR) do Congresso Nacional.

No ofício enviado ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Manuel de Oliveira Guterres, Pacheco reconheceu o esforço da entidade no apoio aos refugiados. O presidente do Senado também reafirmou a necessidade de “proteção e defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos e da solução pacífica dos conflitos”.

“Sabemos que, à medida que este conflito armado se intensifica, milhares de famílias estão sendo obrigadas a escapar da Ucrânia. Reconheço que as agências da ONU estão trabalhando vigorosamente para apoiar esses refugiados que atravessam as fronteiras ocidentais, muitos das quais crianças”, escreveu o presidente do Senado.

A senadora se manifestou sobre o conflito no dia 24 de fevereiro, logo após os primeiras ações da Rússia em território ucraniano. Em uma rede social, a parlamentar destacou que, em uma guerra, as maiores vítimas costumam ser os civis.

“Mal nos recuperamos da pandemia e vivemos uma nova ameaça. Em guerras, as maiores vítimas são civis: crianças, mulheres, idosos e pessoas com deficiência, vulneráveis a violações de direitos e violência. Oro pelos inocentes que sofrem duramente por conta de disputa entre Estados”, publicou a parlamentar.

Fonte: Agência Senado

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Guias auxiliam a integração econômica de jovens migrantes no Brasil

 

A OIM, Agência da ONU para as Migrações, publicou nessa quinta-feira (24) quatro guias que visam auxiliar a integração econômica e social de jovens migrantes no Brasil. Os “Guias para Integração Econômica de Jovens Migrantes no Brasil” trazem informações para gestores públicos, a sociedade civil, o setor privado, além dos próprios jovens, que vão ajudar a reforçar e divulgar iniciativas de inclusão econômica e social.

O material também contribui para o protagonismo e autonomia dos jovens migrantes, em particular dos venezuelanos. No guia direcionado para eles, é possível acessar informações práticas de onde e como continuar seus estudos, receber formação profissional, conseguir um trabalho, empreender, entre outras.

“Esses guias foram criados junto com os jovens migrantes, para os jovens migrantes. Nesse processo de criação ouvimos sobre seus sonhos, expectativas, objetivos e desafio de viver, trabalhar e estudar no Brasil. Esses guias fazem parte da estratégia da OIM para facilitar a inclusão de migrantes vulneráveis no Brasil, com o foco principal em jovens e mulheres”, ressaltou o Chefe de Missão da OIM, Stéphane Rostiaux, durante o evento online de lançamento das cartilhas.

A Secretária Nacional de Proteção Global do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), Mariana Neris, reiterou, no painel de abertura, o compromisso do Governo Brasileiro com a integração dos jovens migrantes no país. “É importante estarmos preparados para receber migrantes no Brasil. Reconhecemos os benefícios que a migração trouxe para o país e somos parceiros da OIM nesta causa”, destacou.

A Secretária Nacional da Juventude do MMFDH, Emilly Silva, também presente, apontou que as políticas públicas desenvolvidas para os jovens são um instrumento de proteção. “Os jovens são 23% da população brasileira e uma juventude sem perspectiva é prenúncio de um futuro sombrio”, explicou.

Para o diretor da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no Brasil, Ted Gehr, “os guias são um grande exemplo de como apoiar a independência e inclusão de jovens migrantes, permitindo que eles possam encontrar novos caminhos na sua vida pessoal e contribuir para a sociedade brasileira, e mostrando como o setor privado, o público e a sociedade civil podem contribuir nessa jornada”.

Fechando o evento, três jovens venezuelanos contaram sobre a sua chegada no Brasil, suas conquistas, desafios e principalmente seus sonhos para o futuro. Entre eles, Beruska, 23, que desde 2018 trabalha com a OIM.  A conversa foi mediada pela ativista e empresária, Luíza Brunet.

Lançamento guias jovens

O material já está disponível em português e será lançado em espanhol, inglês.

Os guias foram publicados no marco do projeto Oportunidades, realizado pela OIM com o financiamento da USAID. Pelo projeto, mais de 17.000 venezuelanos e migrantes de países vizinhos ao Brasil já foram apoiados na sua integração econômica tendo acesso ao mercado de trabalho, ações de empreendedorismo, capacitações profissionais e cursos de português.

Acesse os guias

Guia para Jovens Migrantes: feito para jovens migrantes vivendo no Brasil. Neste guia elas(es) encontram dicas para ajudá-las(os) na sua experiência de viver, estudar e trabalhar no Brasil.

Guia para Gestores Públicos: com informações para apoiar o setor público a formular e implementar políticas de apoio e integração de populações migrantes, assim como promover oportunidades laborais para os jovens.

Guia para a Sociedade Civil: voltado para organizações da sociedade civil atuarem no acolhimento e na integração socioeconômica de migrantes e na implementação de políticas voltadas para essa população.

Guia para o Setor Privado: com recursos para apoiar o setor privado a promover oportunidades de trabalho, renda e de implementar ações de responsabilidade social em suporte à integração de jovens migrantes no setor produtivo.

brazil.iom

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quarta-feira, 2 de março de 2022

Acolhida dos refugiados

 

Foto Pixabay

Na edição de hoje, a reportagem da Folha da Região dá destaque a uma iniciativa da Prefeitura de Araçatuba de criar um comitê para cuidar dos refugiados, apátridas e imigrantes. Servidores que já estão em outras funções vão acumular também esta bela missão. Quem anda pelo centro da cidade sempre se depara com a imagem de pais com suas crianças pedindo ajuda. E agora a cidade terá melhores condições de acolher estas pessoas. Já havia um trabalho por meio dos equipamentos da assistência social, mas agora haverá uma ampliação de conceito que ajudará muito na qualidade de acolhida.

 Lidar com fluxo imigratório tem sido um desafio para humanidade. Há anos, na América, venezuelanos e bolivianos têm saído de seus países. E o Brasil ainda recebe muitos africanos, que acabam se concentrando nos grandes centros.

 Em 2020, foram registrados 26.653 e em 2021, 3.093 refugiados no Brasil. Ao todo 54.004 refugiados foram reconhecidos pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e cerca de 21 mil tiveram registros indeferidos. Até o momento, o país tem refugiados de 77 nacionalidades, com a Venezuela em primeiro lugar, representando 90,82% dos casos totais. Já a Síria ocupa o segundo lugar com 3,91% e a República Democrática do Congo, o terceiro, com 1,22%.

“Acolher a quem precisa tem que ser um esforço de todos. É um dever humanitário. E a questão dos refugiados merece muita atenção.”

O Governo Federal regularizou mais de 287 mil migrantes e refugiados venezuelanos através da Operação Acolhida. Foram mais de 64 mil pessoas interiorizadas em 778 municípios espalhados por todo o Brasil. De acordo com a Casa Civil, mais de 1,7 milhão de atendimentos foram realizados na fronteira do Brasil na com a Venezuela.

Na Europa, já havia dificuldade para acolher os refugiados da Ásia e da África. Agora, com a guerra provocada pela Rússia, meio milhão de ucranianos fugiram para países vizinhos desde o início da ofensiva militar na última quinta-feira. De acordo com as Nações Unidas, 499.412 refugiados já foram registrados —mais da metade, 281 mil, apenas na Polônia. Homens em idade de lutar não têm o direito de deixar a Ucrânia. O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (28) que o Brasil vai fazer uma portaria para garantir o acesso de ucranianos ao passaporte humanitário brasileiro.

Segundo Bolsonaro, a portaria que vai regulamentar a entrada de ucranianos por meio do passaporte humanitário deverá ser publicada nos próximos dias. O presidente disse que o Brasil vai continuar com a postura neutra em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia que teve início na última semana. Nos últimos dias, o presidente já havia falado sobre o assunto, quando destacou que o Brasil tem sido claro sobre sua posição “em defesa da soberania, da autodeterminação e da integridade territorial dos Estados”. Acolher a quem precisa tem que ser um esforço de todos. É um dever humanitário.

.folhadaregiao.com.br

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Quase 2.500 migrantes tentam cruzar fronteira com Espanha

 

raMigrantes en Melilla (CEDIDA)

Quase 2.500 migrantes irregulares se aglomeraram na cerca alta que separa Marrocos e Espanha através do enclave espanhol de Melilla nesta quarta-feira (2), e 500 conseguiram atravessá-la - informou a delegação do governo (prefeitura) sobre a maior tentativa desse tipo dos últimos anos.

"Houve um salto em massa para a cerca fronteiriça de Melilla por parte de um grupo composto por cerca de 2.500 subsaarianos", informou a delegação em um comunicado, que estabeleceu em 491 os migrantes que conseguiram entrar nesta cidade que constitui, juntamente com Ceuta, a única fronteira terrestre entre a África e a União Europeia.

"Foi a maior tentativa de entrada já registrada", acrescentaram as autoridades.

A delegação do governo se referiu à "grande violência praticada pelos migrantes, que usaram ganchos, paus e parafusos nos sapatos e que se dedicaram a jogar pedras".

Dezesseis agentes e 20 migrantes ficaram levemente feridos.

A polícia espanhola "neutralizou, em grande parte, o grande grupo de pessoas que tentou acessar nossa cidade" pela área de Villa Pilar, disse a nota.

- Cerca tripla -

Imagens da emissora local Faro TV mostram centenas de migrantes em sua chegada. A maioria fazia gestos de felicidade - apesar das feridas ensanguentadas em alguns - por terem conseguido entrar na Europa.

A fronteira em Melilla consiste em uma cerca tripla de arame com vários metros de altura e em torno de 12 km de comprimento. Tal como a de Ceuta, está equipada com câmeras de vídeo e torres de vigilância.

Ambos os enclaves são alvo de inúmeras tentativas de entrada de migrantes clandestinos que tentam chegar à Europa, fugindo da guerra, ou da pobreza, depois de terem atravessado parte da África até o Marrocos.

A entrada desta quarta-feira foi, no entanto, a maior registrada nas cercas dos dois enclaves espanhóis desde julho de 2018, quando 600 migrantes conseguiram pular a de Ceuta.

Em 2021, 1.092 migrantes conseguiram entrar em Melilla, o que representa uma queda de 23% em relação a 2020, segundo dados do Ministério do Interior espanhol. O número de 2021 foi 23% menor que o do ano anterior.

Esta entrada massiva em Melilla ocorre menos de um ano após a de mais de 10.000 migrantes, a grande maioria deles do Marrocos, em maio de 2021, em Ceuta. Aproveitando-se da flexibilização dos controles fronteiriços do lado marroquino, a maioria entra por mar, ou através do dique que marca a fronteira.

Essa chegada excepcional ocorreu no contexto de uma grande crise diplomática entre Madri e Rabat, provocada pela recepção na Espanha do líder do movimento de independência saarauí da Frente Polisário, Brahim Ghali, inimigo jurado de Rabat.

Embora as tensões tenham diminuído desde então, a situação não voltou totalmente ao normal entre os dois países.

A Espanha exerce sua soberania sobre Ceuta desde 1580, e sobre Melilla, desde 1496. Marrocos considera ambas, porém, como parte integrante de seu território.

.em.com.br

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terça-feira, 1 de março de 2022

Paraná tem a maior comunidade de ucranianos do Brasil

 

Memorial Ucraniano no bairro Pilarzinho em Curitiba. Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/ Arquivo

Para além dos horrores da guerra, a invasão russa na Ucrânia tem sido vista com uma apreensão especial no Paraná. O estado, que congrega o maior contingente de imigrantes e descendentes ucranianos no Brasil, deve muito de sua formação social e cultura ao país europeu.

No Centro-Sul do Paraná, entre florestas de araucárias e verdes campos de aveia e trigo, está Prudentópolis, o coração da Ucrânia no Brasil. Estima-se que 75% da cidade de 52 mil habitantes sejam descendentes de imigrantes ucranianos que aportaram por aqui no século 19. Os 25% restantes são divididos entre descendentes de italianos, poloneses, alemães e alguns brasileiros misturados.

Os ucranianos começaram a chegar por volta de 1894 quando deixaram a Província da Galícia, no extremo Leste do então império austro-húngaro. Foram seduzidos pelos agentes das companhias de navegação que faziam rotas para as Américas. Brasil e Canadá eram os principais destinos. Sem conhecimento sobre o Brasil, tinham como única fonte de informação o relato dos agentes, que não tinham escrúpulo ao fazer promessas para convencer os imigrantes, afirmando que eles iriam encontrar desde “terras sem senhores” a “estradas feitas de esmeraldas”.

Os imigrantes fizeram uma viagem rumo ao desconhecido. O destino deles foi o Paraná, que pretendia usar os estrangeiros para consolidar a ocupação de parte das fronteiras do Brasil e produzir alimentos para abastecer a região. Mas eles chegaram a uma terra de promessas quebradas: Prudentópolis era, então, apenas uma rua de lama com uma única linha de telégrafo, rodeada por uma grande floresta de pinheiros e nenhuma infraestrutura. Nem mesmo os lotes prometidos estavam demarcados.

No início, os colonos se viram diante da fome e da morte. Foram necessários anos de resistência para que os ucranianos pudessem construir novas relações sociais e efetivamente pudessem trabalhar na terra.

A luta hoje é diferente: manter a cultura viva e distinta depois de um século no Brasil. Uma frente nessa batalha é o Museu do Milênio. Lá podem ser encontrados muitos dos artefatos e ferramentas utilizados pelos colonos em seus primeiros anos no Brasil.

“Desesperança”

O cineasta paranaense Guto Pasko, natural de Prudentópolis, esteve na Ucrânia no fim de 2019 durante a produção de um documentário onde mostra as origens da própria família. “Graças a esse trabalho”, disse, “refizemos nossos laços com a nossa aldeia natal, de onde em 1896 saíram essas pessoas com destino ao Brasil. O sentimento por lá é de desesperança. Falamos ontem com uma prima da minha mãe que conseguiu atravessar a fronteira e está na Polônia. Ela está desolada, tem pouco mais de 40 anos, é viúva, tem dois filhos, um de 11 anos e outro de 19 que foi convocado para a guerra”, comentou.

“É um povo que sempre sofreu consequências de guerras. É tudo muito cíclico, e está se repetindo de novo. A situação geopolítica da Ucrânia é muito delicada, é um país que tem cerca de 30 anos de independência e que ficou por muito tempo sob domínio dos russos. Isso levou a um paradoxo, é uma região do mundo onde todos têm razão, mas ninguém está certo”, apontou o cineasta. “Ninguém sabe o que realmente se passa na cabeça do Putin. Se não houver uma resposta internacional realmente forte, corremos o risco de ver um massacre por lá, os ucranianos podem ser esmagados”.

Pasko destacou a importância da cultura ucraniana na formação da sociedade paranaense. Segundo ele, os primeiros ucranianos a chegarem ao que seria futuramente o Paraná vieram, predominantemente, de regiões agrícolas. Isso teve influência direta na criação do modelo cooperativista, que hoje representa fatia importante do agronegócio no estado.

“As primeiras cooperativas no Paraná foram criadas por esses imigrantes ucranianos. E muita gente não sabe disso, que essa força econômica tão importante começou com esse povo. As primeiras indústrias de moagem de grãos no estado também foram criadas pelos ucranianos recém-chegados. Eram aldeões, que assim que chegaram foram fazer o que sabiam, que era esse trabalho no campo”, comentou.

tribunapr

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Corma vai viabilizar e fiscalizar políticas públicas para refugiados migrantes e apátridas em Maringá

 

Foto: Aldemir de Moraes/PMM

Foram quatro anos de trabalho e articulação de um comitê criado para debater o assunto, para então a formalização do conselho. 

Na semana passada, os membros do Conselho dos Direitos dos Refugiados Migrantes e Apátridas de Maringá foram empossados. 

 conselho é consultivo e deliberativo, para tratar de políticas públicas para essa população.

De acordo com a presidente da primeira gestão do Corma, Andressa Gongora, Maringá é a única cidade do país que tem um conselho com essa finalidade. 

“Para nós que trabalhamos tanto nesse processo histórico, é uma alegria ver esse conselho sendo constituído agora. São quatro anos de trabalho, mas é uma conquista muito grande. […] No Brasil todo, é o primeiro município que tem um conselho municipal dos direitos dos imigrantes, refugiados e apátridas, então é um destaque, uma grande conquista e uma referência pros outros municípios e para o Brasil todo. […] A finalidade do conselho é viabilizar e auxiliar na implantação de políticas públicas e na fiscalização dessas política ambém, voltadas aos direitos dos refugiados, imigrantes e apátridas”, diz Andressa.

gmconline.com.br

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sábado, 26 de fevereiro de 2022

Agências da ONU se preparam para levar ajuda humanitária à Ucrânia

 A diretora regional do Fundo da ONU para Infância, Unicef, para Europa e Ásia Central afirmou que o conflito na Ucrânia representa uma ameaça à vida e ao bem-estar de 7,5 milhões de crianças do país.

Afshan Khan destacou que o Unicef está levantando US$ 66,4 milhões para fornecer serviços básicos, incluindo água e saneamento, imunização e assistência médica, educação e ensino, além apoio psicossocial e assistência emergencial em dinheiro para os menores ucranianos.

Escola abandonada após ataque em Donetsk, Ucrânia.
Foto: © UNICEF/Ashley Gilbertson
Escola abandonada após ataque em Donetsk, Ucrânia.

Trabalho conjunto

De acordo com ela, a entidade vai trabalhar em conjunto com a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e outras agências para lançar um pedido formal de financiamento e ativar um plano que leve informações e serviços essenciais para famílias.

Afshan Khan ressaltou que o Unicef tem trabalhado nos últimos oito anos no leste da Ucrânia para ampliar os programas dedicados às crianças. Isso inclui o transporte de água potável para áreas afetadas por conflitos, fornecimento de suprimentos de saúde e higiene e educação.

O Fundo possui funcionários em cinco localidades no país além de equipes móveis para oferecer apoio psicossocial a crianças que sofreram traumas. A representante para Europa e Ásia Central diz que o número de vítimas aumentou como resultado da insegurança.

Proteção

Ela adicionou que as demandas devem disparar com a escalada do conflito. Khan explica que, com as evacuações em andamento, será necessário desde produtos de higiene até cobertores, gás e kits de primeiros socorros.

O apelo do Unicef é para proteger as crianças e que a ajuda humanitária tenha acesso seguro e rápido a quem precisa.

O Unicef também pede que as infraestruturas essenciais, incluindo sistemas de água e saneamento, instalações de saúde e escolas, sejam poupados dos ataques.

A ONU colocou US$ 20 milhões do Fundo Central de Resposta de Emergência à disposição dos ucranianos e declarou que vai aumentar as operações humanitárias no país.

Onunews

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