quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pedidos de asilos no México quase dobram em dois anos

 

Migrantes da América Central aguardam liberação de documentos de migração por autoridades mexicanas em Tapachula Foto: JACOB GARCIA / REUTERS/24-12-2021

O número de pedidos de asilos no México quase dobrou em 2021, em relação a 2019, segundo a Comissão Mexicana de Assistência aos Refugiados (Comar, na sigla em espanhol). Foram 131.448 pedidos no ano passado, ou 86,84% mais que há dois anos.

Os haitianos e os hondurenhos estão, de longe, entre as principais nacionalidades (dos que solicitaram refúgio —disse o chefe do Comar, Andrés Ramirez, acrescentando que os cubanos estão em terceiro lugar e sem divulgar números concretos.

Cerca de 72% das pessoas que solicitaram asilo em 2021 receberam uma resposta positiva, disse Ramirez. Outros 2% também receberam proteção complementar.

O aumento no número de haitianos que chegam ao México foi impulsionado por problemas econômicos, um terremoto devastador e turbulência política após o assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse, em julho passado.

Nos dois anos anteriores, a maioria dos pedidos foi feita por migrantes hondurenhos.

Os migrantes da América Central que fogem da violência e da pobreza em seus países de origem há muito atravessam o México em direção à fronteira com os EUA. Nos últimos anos, entretanto, mais e mais migrantes solicitaram asilo para permanecerem legalmente no México.

Clandestinos

No outro lado do Atlântico, um número recorde de 28.395 migrantes encarou a perigosa travessia do Canal da Mancha em barcos precários para a Inglaterra em 2021, mais que o triplo do ano anterior, de acordo com a agência de notícias britânica PA. Em comparação, houve cerca de 8.400 chegadas, em 2020, nesses pequenos barcos que cruzam uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo.

Este fenômeno não parou de crescer desde que, em 2018, foi fechado o acesso ao porto francês de Calais (de onde saem a maioria dos navios para a Inglaterra) e ao túnel sob o Canal da Mancha que os migrantes costumavam atravessar escondidos nos inúmeros caminhões que passam diariamente.

Somente em novembro de 2021, cerca de 6.900 pessoas chegaram à costa britânica em barcos precários, incluindo um recorde de 1.185 em um único dia, informou a PA citando dados do Ministério do Interior britânico. Essas chegadas clandestinas crescentes se transformaram em um pesadelo político para o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que prometeu maior controle sobre a imigração após o Brexit.

As travessias também são uma fonte comum de tensão entre os governos britânico e francês: o primeiro considera insuficientes os esforços feitos pelo segundo para impedir que os navios saiam de suas costas, apesar do auxílio financeiro de Londres para reforçar a vigilância. O governo de Boris já desembolsou o equivalente a R$ 405 milhões em ajuda às autoridades francesas para intensificar o patrulhamento do canal.

O contexto ficou ainda mais tenso em novembro, após o naufrágio de um barco no Canal da Mancha, o mais letal nesta movimentada rota marítima, na qual 27 migrantes morreram.

O globo 

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Agência da ONU para Refugiados lança linha de WhatsApp para facilitar comunicação com jornalistas

 

A conectividade entre diferentes modais de comunicação tem propiciado informações mais rápidas e seguras do ACNUR aos seus diversos públicos de interesse. © ACNUR/Mohammad Hawari

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lança hoje (03/janeiro) o “ACNUR Informa”, a linha de transmissão no WhatsApp para jornalistas e comunicadores que desejam receber informações sobre os trabalhos do ACNUR em prol de pessoas refugiadas e solicitantes da condição de refugiado, deslocadas internas, retornados e apátridas no Brasil e no mundo.

De forma mais ágil e prática, a lista de transmissão irá compartilhar aos interessados notícias atuais, dados de pesquisas e relatórios, informações sobre eventos, formações e capacitações que ocorrem nas bases operacionais do ACNUR em Belém, Boa Vista, São Paulo, Brasília, Manaus, e Pacaraima.

“Todos esses conteúdos do ACNUR serão compartilhados com os comunicadores pelo WhatsApp de forma leve, sem que as mensagens sejam diárias para não incomodar os inscritos. Nossa proposta é de compartilhar apenas os assuntos de maior interesse de pauta enquanto o cotidiano dos trabalhos do ACNUR seguirá disponível em nosso site e nas redes sociais”, afirma Miguel Pachioni, assessor de comunicação do ACNUR.

Os conteúdos disponibilizados passarão por uma curadoria do ACNUR e envolverá links para pacotes multimídia sobre as principais crises humanitárias do mundo, como o deslocamento forçado de pessoas da Venezuela, a guerra na Síria, os últimos acontecimentos sobre o Afeganistão, entre outros temas em evidência, como o levantamento de dados feito pelo ACNUR e parceiros e de relatórios a serem lançados ao longo de 2022.

Para se inscrever, basta preencher o formulário, disponível aqui, e adicionar o número (61) 99856-6110 à sua lista de contatos.

Acnur 

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Refugiados transformam acampamento em floresta autossustentável


Foto Acnur 

Mais de 70 mil refugiados nigerianos abrigados no país vizinho Camarões transformaram seu acampamento em uma floresta autossustentável. O projeto foi realizado com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Federação Luterana Mundial (FLM).

Os refugiados se estabeleceram na região árida de Minawao depois de fugirem da violência no país natal há cerca de sete anos. A região foi ficando ainda mais desértica quando as poucas árvores foram cortadas para servir de lenha e para o preparo de comida.

Ao longo dos anos, o campo de refugiados foi crescendo exponencialmente, tornando necessária uma mudança radical no uso dos seus recursos naturais.

Por isso, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Federação Luterana Mundial (FLM) se uniram e, em 2017, lançaram um programa para solucionar o desmatamento e promover políticas de energias renováveis.

Não demorou muito para a comunidade se envolver na restauração e proteção do meio ambiente local.

Luka Isaac, presidente dos refugiados nigerianos em Minawao, comemorou o sucesso. “As árvores cresceram, temos sombra e teremos árvores suficientes para tornar o nossos ambiente bonito e saudável. Antes, o ar estava muito empoeirado. Agora o ar que respiramos é muito bom”, disse.

reflorestamento tem contribuído para o aumento na produção de alimentos. A Federação Luterana Mundial cultiva diversos vegetais e distribui milhares de mudas para a comunidade, como para pequenos produtores, escolas, mesquitas, igrejas e famílias.

Aqueles que recebem as mudas fazem um treinamento de técnica desenvolvida pela Land Life Company para maximizar a produtividade das plantações em meio ao ambiente hostil do deserto.

Por isso, nos últimos quatro anos, pelo menos 360 mil mudas foram cultivadas nas hortas de Minawao. Além disso, a taxa de sobrevivência das plantas chega a 90%, mesmo em meio ao clima árido.

Hoje, as árvores são grandes o suficiente para serem usadas como lenha sem a necessidade de serem derrubadas.

A floresta criada no acampamento conta com milhares de acácias, cajus e moringas. Devido ao ciclo de plantio e colheita de cinco anos, é possível garantir material para lenha, além de cipó para a construção de telhados e outros ambientes.

As árvores distribuem o vento, o que reduz a erosão do solo, e ainda fornecem sombra para que os voluntários trabalhem sem excesso de exposição ao sol.

Um porta-voz comentou sobre as vantagens trazidas pela floresta: “As árvores nos trazem muito. Primeiro, fornecem a sombra necessária para o cultivo de alimentos. Então, as folhas e galhos mortos podem ser transformados em fertilizantes para o cultivo. Finalmente, a floresta atrai e retém água: a chuva até aumentou”.

 Por: Laura Patta

observatorio3setor.org.b

Fonte: Razões Para Acreditar

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Abandonados – a difícil situação de imigrantes e refugiados

 


Por Thays Cunha

Viajar internacionalmente não é uma jornada difícil se você tiver dinheiro, documentação e orientação. No entanto, nem todos podem contar com esses benefícios e acabam realizando viagens de maneira precária, ilegal e até perigosa.

Diferindo daqueles que fazem as malas somente por lazer ou vontade própria, alguns empreendem uma difícil jornada rumo a outros países para fugir de guerras, da pobreza, do preconceito, do autoritarismo e/ou da violência. E longe de suas casas e de sua pátria ficam desamparados e sofrendo, largados em situações precárias, passando necessidade ou até mesmo lançados nas ruas.

IMIGRANTE

Embora sejam vistos como sinônimos, no Brasil os termos refugiado e imigrante apresentam diferenças.

A lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, define o imigrante como uma “pessoa nacional de outro país ou apátrida que trabalha ou reside e se estabelece temporária ou definitivamente no Brasil. Isso significa que qualquer um que venha de outro país e se fixe no nosso pode ser considerado um imigrante.

Porém o imigrante, apesar das dificuldades, saiu de seu país de forma consciente por questões sociais e econômicas, como buscar melhorar a sua condição de vida e de seus familiares. Podemos citar as pessoas que vêm de locais como a Venezuela, por exemplo, e que se deslocam para o Brasil atrás de empregos por conta da crise financeira histórica que está atingindo o país.

REFUGIADO

Já o refugiado é reconhecido pelo Governo Brasileiro através da Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997. Segundo o Artigo 1º, é “reconhecido como refugiado todo indivíduo que: I – devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país; II – não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior; III – devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país”.

Isso significa que refugiados são aqueles que não saíram de sua casa por vontade própria, mas sim porque foram obrigados devido sofrerem perseguições e até mesmo risco de morte. Eles então buscam outros países com o intuito de recomeçarem suas vidas longe de conflitos armados e políticos, da violência e pobreza extremas, de regimes autoritários e de todos os problemas e devastação causados por essas circunstâncias.

CRISE

No momento tem-se debatido muito a chamada crise dos refugiados, pois o número de conflitos ao redor do mundo parece ter aumentado, gerando um imenso fluxo de pessoas saindo de seus países de origem à procura de um lugar melhor e mais seguro para viver. O número de imigrantes também tem aumentado devido à crise econômica que atinge vários países, levando os seus cidadãos a fome e ao desemprego. Essa situação calamitosa obriga muitos a deixarem suas pátrias para trás, pois há locais onde não há mais nem mesmo o mínimo, como alimentos e itens básicos de saúde e higiene. São pais, mães e até famílias inteiras que cruzam fronteiras na esperança de uma vida mais digna. Porém, como muitas vezes chegam ao seu destino sem possuírem quase nada, encontram dificuldade para se restabelecer e até mesmo conseguirem construir um novo lar. Assim vivem como apátridas, ou seja, ficam oficialmente sem pátria, e por vezes seguem os dias na clandestinidade.

Até o final do ano de 2019, foram contabilizados cerca de 79,9 milhões de deslocados forçados no mundo (Relatório Global Trends: forced displacement in 2019 – ACNUR, 2020)

ACOLHIMENTO x PRECONCEITO

O Brasil é um local que recebe diariamente muitas pessoas vindas de fora, por conta da sua “fama” de acolher bem pessoas de outras nacionalidades. Por aqui o fluxo de chegada de imigrantes e refugiados foi bem extenso no século XX com a vinda de alemães, japoneses, italianos e outros que vieram trabalhar principalmente na agricultura, assim como vieram também aqueles que fugiam das guerras mundiais ocorridas nas décadas de 20 e 40.

E embora tenhamos chegado à segunda década do século XXI alguns problemas ainda são os mesmos: fome, guerras e violação de direitos humanos. Isso faz com que ainda hoje milhares tenham que viver espalhados pelo mundo, tendo que enfrentar o desconhecido em busca de uma chance de recomeçar.

A questão a analisar em si não é o processo da mudança, mas o fato de que muitas pessoas saem de seus países e entram em outros, sejam na situação de imigrantes ou refugiados, sem terem nenhuma estrutura, dinheiro ou lugar para ficar quando chegam ao novo lar. Assim, no momento em que pisam em território desconhecido é iniciado novamente o desafio pela sobrevivência, pois do mesmo modo que os brasileiros mais pobres, também há refugiados e imigrantes se encontram em um enorme grau de vulnerabilidade social.

Contando com uma fonte de renda precária, limitada ou inexistente, essas pessoas não conseguem arcar com os custos de vida, principalmente aluguel. Por isso não é incomum, infelizmente, ver pessoas de outras nacionalidades vagando pelas ruas, muitas vezes com crianças de colo e idosos.

No Brasil não há tantas restrições em relação aos estrangeiros, e alguns dos princípios que constam na Lei nº 13.445 dissertam sobre “repúdio e prevenção à xenofobia, ao racismo e a quaisquer formas de discriminação; não criminalização da migração; não discriminação em razão dos critérios ou dos procedimentos pelos quais a pessoa foi admitida em território nacional; acolhida humanitária”; assim como “acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios sociais, bens públicos, educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, moradia, serviço bancário e seguridade social”.

No entanto, somente a Lei não é suficiente para melhorar a situação de imigrantes e refugiados que se encontram desamparados em nosso país, pois ainda não contamos com ferramentas ou programas em abundância que sejam capazes de integrá-los realmente a nossa sociedade. E essas pessoas, além dos problemas econômicos e de segurança que atravessam quando aqui chegam ainda precisam lutar contra o preconceito e a xenofobia que só fazem aumentar nos últimos tempos.

Há a ideia de que quem vem de fora está tomando o lugar que deveria ser um brasileiro (em um emprego, atendimento, escola, etc.) e essa “competição” agravam a vida de estrangeiros, que passam a ser vistos como concorrentes ou rivais, sendo maltratados e excluídos de vários processos. Além disso, imigrantes brancos são mais bem recebidos e tem mais chance de retomarem as suas vidas do que aqueles vindos das Américas Central, Latina, países africanos e Oriente Médio.

NACIONALIDADES

De acordo com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, O Brasil registrou mais de 700 mil migrantes, considerando todos os amparos legais, somente entre os anos de 2010 e 2018, sendo haitianos, venezuelanos e colombianos as principais nacionalidades que formam esse grupo.

Dados divulgados pelo Cômite Nacional para os Refugiados (CONARE), através da 5ª edição do relatório intitulado “Refúgio em Número”, afirmam que “o Brasil reconheceu, apenas em 2019, um total de 21.515 refugiados de diversas nacionalidades. Com isso, o país atinge a marca de 31.966 pessoas reconhecidas como refugiadas pelo Estado brasileiro. A nacionalidade com maior número de pessoas refugiadas reconhecidas, entre 2011 e 2019, é a venezuelana, seguida dos sírios e congoleses”.

Uma vez em território nacional é possível solicitar o refúgio, que deve ser formalizado através de pedido em uma unidade da Polícia Federal.

AJUDA

É importante receber bem essas pessoas, pois se estão fora de seus lares e longe de suas famílias é por causa de circunstâncias que vão além da simples vontade de ir a outro lugar. E, uma vez reconhecidos em nosso país, se tornam tão cidadãos quanto os nascidos em território brasileiro, obtendo não somente os mesmos direitos como também deveres.

Aceitá-los é o primeiro passo para a adaptação e o bom convívio. Mas há mais o que fazer, como, por exemplo, oferecer trabalho para imigrantes e refugiados e realizar doações para órgãos e instituições que realizam trabalhos de ajuda a essas pessoas. E o principal de tudo é a tolerância, pois devemos aceitar que os seres humanos são diferentes, com culturas distintas, mas extremamente válidas e importantes. Como defendido pelo CONARE “Conferir visibilidade, e o máximo de transparência possível à realidade do refúgio no Brasil, sem dúvida alguma faz parte deste horizonte de fortalecimento da política humanitária brasileira no campo migratório.”

 O Impacto

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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Mais de 28 mil migrantes cruzaram o Canal da Mancha em 2021



Em 2021, 28.395 migrantes cruzaram o Canal da Mancha em pequenas embarcações com destino ao Reino Unido, informou o Ministério do Interior do país.

O número representa um aumento de cerca de 20 mil pessoas em relação a 2020, apesar dos esforços das autoridades para lidar com a perigosa travessia do canal.

De acordo com os dados, o número de migrantes que chegaram à costa sudeste da Inglaterra aumentou consideravelmente em novembro passado, quando foram contabilizadas 6.869 pessoas, principalmente entre os dias 10 e 16 daquele mês.

Em 11 de novembro, dia com número recorde, 1.185 migrantes cruzaram o canal em 33 barcos.

Dias depois, em 24 de novembro, 27 pessoas morreram quando o barco em que viajavam afundou.

O secretário de Estado de Imigração, Tom Pursglove, destacou os esforços do governo para reformar o sistema de imigração e lutar contra as pessoas que lucram financeiramente com a travessia.

Pursglove afirmou que a Lei de Nacionalidade e Fronteiras, que está sendo elaborada pelo Executivo, vai incluir punições contra aqueles que facilitam a entrada ilegal no Reino Unido.


Agencia Brasil

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Estudo da ONU revela falta de justiça para migrantes vítimas de abuso

 

Unicef/Luis Kelly

Restrições impostas em resposta à Covid-19 podem ter levado funcionários de fronteira a exigir subornos mais altos

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, divulgou um estudo que revela os detalhes da violência sofrida por migrantes em busca de uma vida melhor em outros países. 

As vítimas costumam sofrer agressões, tortura, estupro e sequestro nas mãos de traficantes de seres humanos. Muitas vezes, as denúncias são  negligenciadas pelas autoridades. 

Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze
©Acnur/Hazim Elhag
Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze

Violência 

De acordo com a chefe da seção de tráfico de seres humanos, Morgane Nicot, a pesquisa mostra que a violência é usada por traficantes ou outros agressores  como forma de punição, intimidação ou coerção e, não raro, sem motivo aparente. 

Segundo ela,  homens migrantes são submetidos a trabalhos forçados e violência física, enquanto as mulheres estão mais expostas a crimes sexuais, levando a gravidez indesejada e abortos. Para ela, todos estão em risco de tratamentos desumanos e degradantes. 

O Unodc explica que o contrabando de migrantes é uma atividade criminosa que consiste no pagamento de organizações ilegais para fazer travessias de fronteira. As vítimas, geralmente, desejam deixar seus países de origem, mas encontram barreiras no acesso aos meios legais para migrar. 

As pessoas podem estar fugindo de um desastre natural, conflito, perseguição ou violência de gênero. Outros são motivados por oportunidades de emprego, educação e reunificação familiar. 

Poucas informações 

Embora existam dados sobre mortos no mar, em desertos ou sufocados em contêineres, pouco se sabe sobre os motivos da violência e dos abusos aos quais os migrantes são submetidos, e o impacto sobre eles e como as autoridades lidam com a questão. 

Segundo Nicot, essa foi a principal razão da investigação. Ela conta que o estudo também examina como os policiais respondem aos casos de contrabando e destaca as dificuldades que enfrentam para processar esses crimes. 

A pesquisa inclui diversas entrevistas com migrantes traficados e análise de relatórios de parceiros do Unodc com vítimas de abuso. Os resultados confirmam que o uso da violência é generalizado em certas rotas de contrabando.  

No entanto, há poucas evidências de que esses crimes levem a investigações ou procedimentos legais, especialmente nos países de trânsito, onde são cometidos. 

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos
© Unicef/Adriana Zehbrauskas
Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

Medo de denunciar 

Alguns migrantes não denunciam abusos por medo de serem tratados como criminosos por estarem em situação  irregular. Outros contam  que têm medo de  punições por fazer aborto e manter relações sexuais fora do casamento ou com pessoas do mesmo sexo, atos que são ilegais em alguns países. 

Nicot explicou que ainda há relatos de migrantes que não buscam as autoridades porque os agressores são funcionários públicos, muitas vezes envolvidos na operação de contrabando de migrantes. 

O estudo oferece orientação aos profissionais da justiça penal sobre como investigar e processar casos de violência e abuso durante operações de contrabando de migrantes internacionais, levando em conta  necessidades de segurança e violações dos direitos das mulheres. 

O documento também recomenda aos governos responderem de forma eficiente ao crime, protegendo essas pessoas e levando os criminosos à justiça. 

Onunews

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Com menos venezuelanos, número de novos refugiados no Brasil cai 91%

 

Refugiados e migrantes são atendidos em Posto de Interiorização e Triagem de Manaus, em 2019 — Foto: ACNUR Brasil/Alexandre Pereira

O Brasil reconheceu 2.224 pessoas como refugiadas em 2021, de acordo com um balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A maioria desses 2.224 é de crianças; são 1.500.

O órgão que decide quem deve receber o status de refugiado é o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

O número representa cerca de 8% do total de 2020. Veja abaixo a evolução do reconhecimento do status de refugiado no Brasil:

Refugiados no Brasil
Número de novos refugiados cai em 2021
Ano1.0411.0415905901.0861.08621.54121.54126.65326.6532.2242.22420162017201820192020202105k10k15k20k25k30k
Fonte: Ministério da Justiça

De acordo com o ministério, nos anos de 2019 e 2020 houve um número de reconhecimentos muito grande motivado pelo fluxo de imigrantes da Venezuela, que ocorreu nos anos de 2018 e 2019.

Nos anos de 2020 e 2021 a vinda de imigrantes foi menos volumosa e mais parecida com a dos anos anteriores a 2018.


Visto temporário de residência


Houve também uma quantidade de pessoas que receberam vistos temporários e autorização de residência, principalmente por causa da situação no Afeganistão –o Talibã retomou o controle do país.

No começo de dezembro, o Ministério divulgou um balanço que informava que o Brasil tinha concedido 339 vistos humanitários a cidadãos afegãos. Segundo a pasta, outros 393 pedidos eram analisados pelos diplomatas brasileiros naquela época.

Em setembro, os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça e Segurança Pública anunciaram que o Brasil poderia conceder visto humanitário a afegãos que desejassem deixar o Afeganistão por conta do Talibã, que retomou o controle do país.

Segundo portaria do governo que trata do tema, pode ser concedido visto temporário e de autorização de residência para fins de acolhida humanitária para cidadãos "afegãos, apátridas e pessoas afetadas pela situação de grave ou iminente instabilidade institucional ou de grave violação de direitos humanos ou do Direito Internacional Humanitário no Afeganistão".


G1


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sábado, 1 de janeiro de 2022

Unicef alerta para aumento das violações aos direitos das crianças no mundo

Foto: © UNICEF/Omar Sanadiki
Bebê de um mês com sua família em Adra, após escaparem da violência em Ghouta, Síria.

Situação é especialmente preocupante em países em conflito, como Afeganistão, Iêmen, Síria e Etiópia; diretora-geral da agência faz balanço sobre 2021, lamentando que os menores de idade continuem morrendo e sofrendo; Somália foi o país com o maior número de abduções.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, menos da metade das partes envolvidas em conflito no mundo se comprometeram de fato em proteger as crianças. Com isso, o ano de 2021 foi marcado por graves violações aos direitos dos menores de idade.  

Nesta sexta-feira, o Unicef alertou para “o preço arrasador que milhares de crianças estão pagando” devido a conflitos armados, violência intercomunitária e insegurança. Na semana passada, por exemplo, quatro menores morreram durante ataques no estado de Kayah, leste de Mianmar.  

Insensibilidade  

Criança desalojada no estado de Kachin, Mianmar.
Foto: OCHA/P. Peron
Criança desalojada no estado de Kachin, Mianmar.

A diretora executiva da agência da ONU declarou que “ano após ano, os lados em conflito continuam demonstrando desprezo pelo bem-estar” dos menores. Henrietta Fore disse ainda que “as crianças estão sofrendo e morrendo devido a esta insensibilidade” e pediu mais esforços “para proteger os menores desses perigos”.  

O Unicef esclaresce que os dados de 2021 ainda não estão disponíveis, mas no ano passado foram cometidas 26,4 mil violações graves contra crianças – esse foi o total verificado pela ONU.  

Nos primeiros três meses de 2021, casos de sequestro ou de violência sexual continuaram subindo a índices alarmantes: uma alta de mais de 50% e 10% respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2020.  

Situação africana  

A Somália foi o país que registrou o maior número de abduções de menores, seguida da República Democrática do Congo e da Bacia do Lago Chade (região integrando Chade, Nigéria, Camarões e Níger). 

O Unicef revela ainda que as nações com os maiores números de casos de violência sexual contra crianças foram RD Congo, Somália e República Centro-Africana.  

Este ano também foi marcado pelo aniversário de 25 anos do relatório “O Impacto da Guerra nas Crianças”, liderado pela ativista social moçambicana Graça Machel. O documento apelava à comunidade internacional para tomar medidas concretas para proteger as crianças da guerra.  

Nos últimos 16 anos, as Nações Unidas verificaram 266 mil casos de graves violações contra crianças em mais de 30 conflitos em várias regiões do mundo, mas os números reais podem ser muito maiores.  

Moçambique  

O Unicef reconhece que mesmo antes da pandemia, cerca de 1 bilhão de crianças no mundo já sofriam algum tipo de privação
© Unicef/Raphael Pouget
O Unicef reconhece que mesmo antes da pandemia, cerca de 1 bilhão de crianças no mundo já sofriam algum tipo de privação

O Afeganistão, por exemplo, é o país com o maior número de mortes de crianças em conflito desde 2005: 28,5 mil. Já o Oriente Médio e o norte da África foram as regiões com os números mais altos de ataques a escolas e hospitais: 22 somente no primeiro semestre deste ano.  

No Iêmen, pelo menos 10 mil crianças morreram ou ficaram feridas desde que os confrontos começaram, em 2015 – o equivalente a quatro crianças por dia. A ONU também confirma ter havido violações nos Camarões, na Colômbia, na Líbia, em Moçambique e nas Filipinas.  

O uso de explosivos é uma ameaça persistente. De acordo com o Unicef, no ano passado, explosivos remanescentes de guerra mataram ou feriram um total de 3,9 mil crianças.  

Outro problema destacado pela agência é o recrutamento de crianças para o combate, especialmente em países africanos como Somália e RD Congo. O Unicef pede a todos os lados em conflito para implementarem planos de ação e medidas concretas para proteger as crianças e evitar que essas graves violações ocorram.  

Onunews

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