segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

OIT completa 100 anos de lutas por justiça social

Criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) completa 100 anos atuando por justiça social no mundo.
Em mensagem de vídeo celebrando o centenário, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, destacou que a visão da Organização é mais que necessária para garantir um futuro com empregos decentes para todos, em um momento de mudanças.
Quando a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram formalmente adotados pela comunidade internacional, em 2015, o trabalho decente foi um componente crucial, especialmente para o Objetivo 8, que busca “promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos e todas”.
Criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a OIT irá completar 100 anos trabalhando por justiça social. Foto: OIT
Criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a OIT irá completar 100 anos trabalhando por justiça social. Foto: OIT
Imagine um mundo sem finais de semana, sem jornadas de oito horas de trabalho, sem idade mínima para o trabalho e sem proteção para trabalhadores vulneráveis ou grávidas.
Este é o ambiente de trabalho que talvez você tivesse encontrado se a Organização Internacional do Trabalho (OIT)não existisse.
Criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a OIT irá completar 100 anos trabalhando por justiça social.
Atualmente, é fácil esquecer o quão radical é a ideia por trás do mandato da OIT, como resumida no Preâmbulo de sua Constituição: “Paz universal e duradoura só pode ser estabelecida se for baseada em justiça social”.
Também revolucionária era sua estrutura, juntando governos, trabalhadores e empregadores para determinar condições de trabalho. Isto foi descrito mais tarde pelo presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt como um “sonho selvagem”.
Na época da fundação da OIT, havia crescente entendimento da interdependência econômica mundial e da necessidade de cooperação para garantir que crescente competição não prejudicasse condições de trabalho.
Como a Constituição da Organização diz: “o fracasso de qualquer nação em adotar condições humanas de trabalho é um obstáculo no caminho de outras nações que desejam melhorar as condições em seus próprios países”.
Estes sentimentos foram colocados na fundação da OIT – literalmente. Quando, em 1926, a OIT se mudou para escritório às margens do Lago Léman, na Suíça, a pedra fundamental foi gravada com a frase em latim “Si vis pacem, cole justiciam” (Se deseja paz, cultive justiça).
Os portões formais do prédio também refletem a singularidade da OIT. São necessárias três chaves para abri-los, simbolizando as contribuições iguais dos três grupos constituintes.
Mas, antes mesmo da mudança, a OIT já havia conseguido um marco nas condições de trabalho de milhões de pessoas.
Em 1919, a primeira Conferência Internacional do Trabalho – o encontro dos constituintes -, realizada em Washington, adotou seis Convenções Internacionais do Trabalho, cobrindo questões essenciais, incluindo jornada de trabalho em fábricas, desemprego, proteção da maternidade, trabalho noturno para mulheres, idade mínima e trabalho noturno para pessoas jovens em fábricas.
Com a eclosão de conflitos na Europa no final da década de 1930, a OIT se transferiu temporariamente para o Canadá, se tornando uma das poucas organizações internacionais a funcionar ininterruptamente durante a Segunda Guerra Mundial.
Em maio de 1944, conforme a guerra chegava ao fim, a OIT adotou a Declaração da Filadélfia. Esta declaração reafirmou a visão da Organização e definiu uma série de princípios que colocavam os direitos humanos em seu centro para cumprir as “aspirações despertadas pela esperança de um mundo melhor”.
A ênfase da Declaração em direitos humanos foi para dar mais frutos, com uma série de padrões internacionais de trabalho – Convenções e Recomendações legalmente vinculantes – lidando com inspeção trabalhista, liberdade de associação, direito de se organizar e de negociar coletivamente, salários iguais, combate ao trabalho forçado e à discriminação.
O fim da guerra abriu espaço para uma nova fase das atividades da OIT. Em 1945, a OIT se tornou a primeira agência especializada da recém-formada Organização das Nações Unidas.
Outra mudança pós-guerra para a OIT foi a expansão de seus membros. Países industrializados se tornaram uma minoria, superados por economias em desenvolvimento. A caraterística essencial da OIT, o tripartidarismo, foi combinada com uma segunda – a universalidade.
Em 1969, em seu aniversário de 50 anos, a OIT recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Outras conquistas importantes incluem a Declaração da Conferência Internacional do Trabalho condenando o apartheid, adotada de forma unanime em 1964 e tornando a OIT uma das primeiras organizações a impor sanções contra a África do Sul.
Em 1980, a OIT também desempenhou um papel importante na emancipação da Polônia de sua ditadura, ao dar amplo apoio à legitimidade da federação sindical independente Solidarnosc.
Com a chegada do século 20, o papel da OIT continuou envolvendo cumprimento de mudanças no mundo de trabalho, notavelmente a marcha crescente da globalização. Pedidos de ajuda se expandiram para englobar diferentes gamas de questões, incluindo direitos de povos indígenas, HIV/AIDS no ambiente de trabalho, trabalhadores migrantes.
Em mensagem de vídeo celebrando o centenário, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, destacou que a visão da Organização é mais que necessária para garantir um futuro com empregos decentes para todos, em um momento de mudanças.
“Vivemos um momento de mudança transformadora sem precedentes no trabalho, com a visão dos fundadores da OIT descrita por alguns como um ‘sonho selvagem’ de assegurar paz através de justiça social”, disse.
“Certamente não está além de nossas capacidades construir o futuro do trabalho que nós queremos, um futuro com empregos decentes para todos. Esta visão, e a vontade política que vai junto a isto, é mais necessária que nunca porque muitas pessoas no mundo do trabalho estão muito aquém de suas expectativas razoáveis”.
A Organização defendeu o conceito de trabalho decente como um objetivo de desenvolvimento internacional estratégico, junto à promoção de uma globalização justa.
Quando a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram formalmente adotados pela comunidade internacional, o trabalho decente foi um componente crucial, especialmente para o Objetivo 8, que busca “promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos e todas”.
Janeiro de 2019 irá contar com o lançamento de um relatório da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho. O documento irá marcar o início de um ano de eventos globais que celebram os 100 anos da OIT e miram o que está por vir.
OIT
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Papa faz apelo por 49 migrantes bloqueados no mar

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O papa Francisco fez neste domingo (6) um apelo para a União Europeia acolher os 49 migrantes a bordo dos navios das ONGs Sea Watch e Sea Eye, que estão há vários dias bloqueados no Mar Mediterrâneo.
As duas embarcações receberam autorização para entrar em águas territoriais de Malta, com objetivo de se proteger de condições meteorológicas difíceis e obter assistência médica e alimentar, mas nenhum país da UE permitiu o desembarque até o momento.
“Há vários dias, 49 pessoas resgatadas no Mar Mediterrâneo estão a bordo de dois navios de ONGs em busca de um porto seguro onde desembarcar. Dirijo um sincero apelo aos líderes europeus, para que demonstrem concreta solidariedade a essas pessoas”, disse o Papa no Angelus.
Nos últimos meses, a Igreja Católica já acolheu dezenas de deslocados internacionais que chegaram à Itália em meio à deriva antimigrantes promovida pelo ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini. O destino das pessoas a bordo dos dois navios é tema de discussão na UE, mas ainda não há acordo para acolhê-las.
Na última sexta-feira (4), o ministro do Trabalho e também vice-premier Luigi Di Maio disse que a Itália acolheria as mulheres e crianças das duas embarcações – cerca de 10 pessoas no total -, mas foi logo desautorizado por Salvini, o responsável pelas políticas migratórias do país.
Pelas normas internacionais, pessoas resgatadas no mar devem ser levadas para o porto seguro mais próximo, tarefa que recairia sobre Itália ou Malta, já que as ONGs julgam que a Líbia, onde foram feitas as operações de socorro, não oferece condições mínimas de segurança.
Radio Vaticano
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sábado, 5 de janeiro de 2019

António Vitorino denuncia forças políticas que “diabolizam” migrações

António Vitorino denuncia forças políticas que “diabolizam” migrações
Há poucos meses no cargo, desde outubro de 2018, o antigo ministro português e ex-comissário europeu chegou à Organização Internacional das Migrações (OIM) numa altura paradigmática para as migrações em que, segundo o próprio António Vitorino, é necessário trazer “racionalidade” ao debate político sobre o tema. 

Ainda esta quinta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) divulgou os novos dados da crise migratória no Mar Mediterrâneo: só em 2018 morreram mais de 2200 migrantes a tentar fazer a travessia entre a África e a Europa.  

Em entrevista à RTP esta quinta-feira, no mesmo dia em que o balanço da ONU foi divulgado, António Vitorino destaca que, ainda que os números de 2018 sejam inferiores aos de 2017 - ano em que morreram mais de 3100 pessoas no Mediterrâneo - a proporcionalidade dos números recentes é mais preocupante, tendo em conta o total de chegadas.  

“Proporcionalmente, o número não é menor. No ano passado houve 180 mil chegadas, este ano houve 130 mil. (…) Podemos dizer que há mais mortos em relação ao número de tentativas de travessia”, realçou o responsável nesta entrevista à RTP, conduzida pela jornalista Maria Nobre.  

Para António Vitorino, os controlos junto dos locais de partida dos migrantes “são mais eficazes” e existe um melhor funcionamento da guarda costeira Líbia, que tem permitido dissuadir mais pessoas de seguirem “uma jornada quase suicida”.  

“Mas infelizmente ainda há muitas pessoas que arriscam a própria vida. Isto prova que é absolutamente necessário ter uma ação mais decisiva”, assumiu o diretor-geral da OIM.  

António Vitorino sublinha que a situação deve ser alterada, não só pelo risco de vida subjacente a esta travessia, mas também pelos problemas que os migrantes poderão encontrar à chegada, lembrando, sem mencionar casos específicos, que há um “conjunto de países” na Europa que não tem aceitado a entrada de migrantes no seu território.   

Veja aqui a entrevista completa a António Vitorino.
“Não há uma solução mágica”

Ainda sobre o caso específico da Europa, António Vitorino assinalou que os fluxos migratórios têm sido “muito flexíveis” desde 2015, o ano de migração mais intensa através do Mediterrâneo. Numa primeira fase, a via de entrada preferencial passava pelas ilhas gregas e pela Turquia, com refugiados oriundos da Síria.

“O acordo entra a União Europeia e a Turquia permitiu reduzir significativamente essas entradas”, sublinhou o responsável, numa referência ao entendimento selado entre Bruxelas e Ancara em março de 2016.  

Vitorino destaca que, a partir de 2017, a migração ocorreu predominantemente através do Mediterrâneo central, com a entrada desde a Líbia e a Tunísia até Itália. Mas os últimos meses viram crescer os números de chegada através da Europa Ocidental, entre a costa marroquina e Espanha, oriundos sobretudo da África subsariana. 

O responsável da OIM refere ainda que, nos últimos anos, foram alcançados “progressos significativos” entre as várias organizações internacionais que lidam com a questão, o que tem permitido “criar condições de estabilização em algumas zonas de África Ocidental, da zona do Sahel ou África Subsariana”. 

Mas reconhece que “não há uma solução mágica para estas situações. Os fluxos são muito flexíveis e é preciso responder a esta pressão em cada momento”, sendo que “também não é possível explicar às pessoas que não devem arriscar se não forem criadas condições para que fiquem nos países de origem”, aponta o diretor-geral da OIM, uma organização criada nos anos 50 do século XX para fazer face aos movimentos migratórios após a II Guerra Mundial.  

António Vitorino aponta para a importância de implementar políticas de desenvolvimento nos países de origem, nomeadamente no que diz respeito ao emprego. “A maioria dos migrantes é jovem, com menos de 30 anos. Se emigram é porque não encontram oportunidades de constituir família, de encontrar um emprego, de se estabelecerem”, assinala o responsável.  

“O aumento da população que terá idade para entrar no mercado de trabalho não terá correspondência no número de postos de trabalho que são criados. A política de desenvolvimento pode ajudar, mas não produz retornos a curto prazo”, avisa António Vitorino.  

Para além do emprego, a paz, a segurança, o respeito pelo Estado de Direito democrático e a boa governança são outros fatores decisivos, acrescenta ainda o diretor-geral da OIM.  
Falta de água, a “questão central do século XXI”

Para o recém-empossado líder da Organização Internacional das Migrações, as alterações climáticas constituem um dos principais desafios atuais em termos de movimentações migratórias.  

“As alterações climáticas vão ser cada vez mais uma causa de mobilidade das pessoas”, vaticina o responsável.

António Vitorino diz que já há várias crises motivadas por esses fatores, nomeadamente ao nível da água na África Central: “A falta de água vai ser a questão central do século XXI. (…) As pessoas têm de abandonar os campos e vêm para as cidades, mas muitas vezes as cidades desses países não têm condições para as acolher. A partir do momento em que abandonam o seu local de origem, passam a atravessar fronteiras e tornam-se massas migratórias internacionais”, refere.   

Sobre a Síria, depois de vários anos de intensa emigração, provocada pela devastadora guerra civil que decorre naquele país desde 2011, o responsável máximo pela OIM já antecipa os problemas e os desafios de um retorno em massa para aquele país.  

“A prazo, a Síria vai ter de encontrar uma solução política de estabilidade. O país vai ter de ser reconstruído. (…) A reconstrução da Síria vai precisar daqueles que fugiram da guerra, mas que têm a legitima esperança de regressar. A prazo, tudo depende da estabilização política, mas uma vez conseguida essa solução, será necessário verificar se aqueles que querem retornar não correm riscos com esse retorno” , alerta António Vitorino.  
“Trazer racionalidade ao debate político”

Eleito no final de junho de 2018, para presidir à organização, o responsável da OIM elogia o aparelho vasto que tem ao dispor. “Temos uma organização com 12 mil pessoas em 150 países com 470 delegações no mundo inteiro. É uma organização flexível e muito descentralizada, muito preparada para responder a situações de proximidade, muito próxima das pessoas e dos problemas”.  

António Vitorino dá o exemplo específico do Iémen, “talvez a maior crise humanitária neste momento”, onde, segundo aponta o responsável, há mais de 22 milhões de pessoas em risco de fome. Sozinha, a Organização Internacional para as Migrações garante meios alimentares a mais de quatro milhões de pessoas naquele país da Península Arábica, mergulhado num conflito desde 2015.

“Isto exige uma máquina, uma estrutura e uma capacidade logística que só é possível havendo países contribuintes”, aponta. E, pelo menos no caso do Iémen, António Vitorino diz que tem havido “contribuições mais que suficientes” para a OIM, destacando desde logo a União Europeia, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão.  

Para além das grandes crises globais de migração em curso, passando pela questão na América Latina e a fuga dos Rohingya para o Bangladesh, o primeiro trimestre como responsável desta organização internacional sediada em Genebra ficou marcado pela adoção do Pacto Global sobre as Migrações, em dezembro último.   

Sobre o principal desafio que enfrenta no mandato agora iniciado, António Vitorino destaca a necessidade de introduzir “um pouco de racionalidade no debate político sobre as migrações”, que considera estar “prisioneiro de uma grande polarização”.  

O responsável destaca que há uma “tensão” entre os que “diabolizam as migrações” e outros, que “tendem a esconder ou ignorar as reais dificuldades que os fluxos migratórios colocam para os países de origem, para os países de destino, e sobretudo para os próprios migrantes”.  

Nesta entrevista à televisão pública, António Vitorino define como objetivo a definição de “uma narrativa equilibrada que tenha em linha de conta os direitos fundamentais dos migrantes, mas que ao mesmo tempo compreenda também a resistência das comunidades de acolhimento e tente encontrar as pontes de entendimento entre estas duas posições”.  

“Acho que algumas forças políticas pretendem utilizar as migrações, instrumentalizando-as como o bode expiatório fácil para um conjunto de males sociais que existem nas sociedades desenvolvidas e que vão muito para além da específica questão das migrações”, assinala o responsável.

António Vitorino espera “coragem” dos responsáveis políticos para “assumirem o seu papel, o seu protagonismo e as suas responsabilidades”, na defesa de uma “visão equilibrada das migrações, que não esconda as dificuldades, mas que reconheça também os aspetos positivos dos movimentos migratórios, e que explique que é possível ter sociedades coesas, respeitando as diversidades”, conclui.  

Rtp Noticias 

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Mais de 2.200 pessoas perderam a vida no Mediterrâneo

Migrantes no Mar Mediterrâneo
Os migrantes que perderam a vida no Mediterrâneo em 2018 foram 2.266, 28% menos que em 2017, quando 3.137 pessoas perderam a vida na desesperada travessia marítima
Os dados foram divulgados pelo ACNUR, a agência das Nações Unidas para os refugiados. De acordo com os números da agência, em 2018 foram 113.482 os migrantes que conseguiram chegar a Europa via Mar Mediterrâneo. Destes, a maioria desembarcou na costa espanhola. Em 2017, 172.301 sobreviveram à travessia. Em 2018, o nível de chegadas diminuiu drasticamente em comparação com o pico de 2015, quando mais de um milhão de imigrantes chegaram à costa europeia. No total, desembarcaram na Europa - também considerando os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla na África - pouco mais de 120.000 migrantes, menos do que em 2017.
Como mencionado, a Espanha foi a principal porta de entrada para a Europa em 2018 com 55.756 chegadas via mar (contra 22.103 em 2017). A Itália, onde o governo fechou seus portos para navios humanitários desde o último verão, registrou 23.371 chegadas, uma queda significativa em relação a 2017 (119.369). A Grécia, que também foi um dos principais países de entrada na Europa, recebeu 32.497 pessoas. Os migrantes que conseguem chegar à Europa vêm principalmente da Guiné, Marrocos, Mali, Síria, Afeganistão e Iraque.
Radio Vaticano
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Una parroquia convertida en refugio para los solicitantes de asilo en Madrid

Una parroquia convertida en refugio para los solicitantes de asilo en Madrid
En una sola noche más de 30 personas solicitantes de asilo han llegado a estar alojadas en la parroquia de San Carlos Borromeo, en Vallecas, que se ha convertido en un lugar de referencia para aquellos que buscan refugio en Madrid y se enfrentan a la falta de recursos de las administraciones y las ONG.
Yeneth aterrizó en Madrid el pasado 4 de noviembre tras huir de El Salvador junto a su marido, su hija de diez años y su hijo de dieciséis.
Traían seis noches pagadas en un hostal pero pasaron una de ellas entera durmiendo en la calle para tratar de ser los primeros en la cola que se forma ante la comisaría de la Policía Nacional de Aluche para obtener la cita que inicia el proceso de solicitud de asilo.
"Lo conseguimos pero esa noche fue terrible, mi hija durmió en el suelo envuelta con todo lo que teníamos. El resto estuvimos despiertos pero pasando un frío horrible", cuenta.
Tras conseguir cita, su siguiente preocupación fue buscar un alojamiento. Acudieron a los servicios del Samur Social del Ayuntamiento de Madrid y a varias ONG pero en ningún caso había plazas disponibles, lo que les obligó a volver a pasar en la calle dos noches.
Por recomendación de una trabajadora de una ONG acabaron pidiendo ayuda en la parroquia de San Carlos Borromeo, donde durmieron "cinco o seis noches" antes de ser trasladados a un centro de acogida de la Cruz Roja en Vallecas, en el que permanecen en la actualidad.
Esta parroquia se ha convertido en un punto de referencia para los solicitantes de asilo ante la falta de recursos por parte de las ONG y las administraciones.
En sólo una noche más de 30 personas con esta condición han llegado a dormir en este lugar, al que remiten incluso trabajadores del Samur Social, según aseguran fuentes de la parroquia.
"Nos ha llegado gente con un bebé en brazos que venían de la calle", lamenta una voluntaria.
A lo largo del año la llegada de solicitantes de asilo a la parroquia ha sido continua, con un pico en Semana Santa de jóvenes subsaharianos y otro este otoño con familias procedentes de países americanos como Colombia, Venezuela y El Salvador.
Desde principios de año hasta el 30 de septiembre ha habido un total de 15.807 solicitudes de asilo y protección internacional en la Comunidad de Madrid, mientras que en todo 2017 hubo 11.233, según cifras del Ministerio del Interior.
Desde el Ayuntamiento de Madrid aseguran que no tienen "ningún tipo de competencia" en la atención a estas personas que, según señalan, es un asunto que corresponde al Ministerio de Trabajo, Migraciones y Seguridad Social.
Su labor, según las mismas fuentes, se limita a poner a disposición de los solicitantes de asilo las plazas del Samur destinadas a emergencias sociales si fuera necesario.
Por su parte, desde el Ministerio de Trabajo, Migraciones y Seguridad Social explican que cuentan con 1.243 plazas de acogida temporal y otras 300 de primera acogida en Madrid a las que pueden acceder los solicitantes de protección internacional que acrediten esta condición así como su necesidad.
La mayoría de las plazas de acogida temporal (1.067) están gestionadas por ONG subvencionadas y el resto corresponden a centros de acogida a refugiados que son de gestión directa de la Secretaría de Estado de Migraciones.
A las plazas situadas en Madrid también pueden ser derivadas personas que han solicitado asilo en otras partes del territorio y viceversa.
En el caso de que estos recursos sean insuficientes, el Ministerio deriva a los solicitantes de asilo al Ayuntamiento de Madrid o la propia parroquia de San Carlos Borromeo, con la que colaboran una trabajadora social y una abogada que presta asistencia jurídica.
Además, este curso ha empezado a funcionar un grupo de voluntarios formado por profesores jubilados que dan clase a menores mientras avanzan las gestiones para su escolarización.
"Están en un ambiente donde socializan y se sienten bien porque comparten sus conocimientos y experiencias", dice María (nombre ficticio), solicitante de asilo llegada de El Salvador cuyos hijos de nueve y trece años están yendo a estas clases.
En su caso no llegó a pasar con su familia ninguna noche alojada en la parroquia, pero la considera un lugar de refugio para personas que, como en su caso, están en un "limbo" y no saben "dónde ir".
"Sirve de terapia. Uno se siente acogido", comenta agradecida.
Sol Carreras
Agencia Efe
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Países do Grupo de Lima reúnem-se a dias de novo mandato de Maduro

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O anúncio sobre o encontro, que vai decorrer em Lima, foi feito hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros peruano.
Os governantes dos 14 países que compõem o Grupo de Lima pretendem analisar a situação na Venezuela e adotar medidas face ao início, no próximo dia 10, do segundo período presidencial de Nicolás Maduro, após eleições antecipadas de maio do ano passado, e que são apelidadas de "ilegítimas" pelo Governo peruano, na nota sobre a reunião desta sexta-feira.
Além disso, os ministros abordarão a crise política, económica e humanitária na Venezuela.
Durante o encontro, serão consideradas "iniciativas de coordenação regional para o restabelecimento da democracia e respeito dos direitos humanos na Venezuela e para fazer frente ao êxodo de cidadãos venezuelanos" para países vizinhos.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de três milhões de venezuelanos abandonaram o país e o fluxo migratório continua a aumentar.
Deste total, 2,5 milhões de migrantes estão entre a Colômbia, Peru e Equador, a maioria dos quais nos dois primeiros países.
No início do mês passado, o chefe da diplomacia peruano, Néstor Popolizio, disse que o Peru vai propor ao Grupo de Lima "a rutura de relações diplomáticas" com Caracas, que considerou uma "consequência natural" do facto de estes países não terem reconhecido as eleições presidenciais do ano passado.
Lima também vai defender a imposição de uma medida similar à que foi adotada pelos Estados Unidos, que proíbe a entrada dos principais responsáveis venezuelanos no seu território, "para que eles saibam que em nenhum país do Grupo de Lima serão bem-vindos", disse o ministro peruano.
De acordo com a imprensa brasileira, Ernesto Araújo, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, que iniciou funções esta quarta-feira, deverá apoiar a vontade da Colômbia de aumentar a pressão sobre o Governo de Maduro.
A reunião ocorrerá dois dias após o encontro entre o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, e o Presidente colombiano, Ivan Duque, em Cartagena das Índias (norte da Colômbia), que concordaram sobre a necessidade de unir esforços para isolar diplomaticamente o Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e restabelecer a democracia na Venezuela.
Maduro, que se prepara para iniciar o segundo mandato, no próximo dia 10, acusa os Estados Unidos de quererem derrubar o seu Governo, com a ajuda da Colômbia e Brasil.
O Grupo de Lima, composto pela Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Guiana e Santa Lucia, foi criado em 2017.
Diario de Noticias
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Padre Rigoni sobre a migração entre México e Estados Unidos: as periferias estão em marcha


Fronteira entre México e Estados Unidos
As caravanas de pessoas que se arriscam para atravessar a fronteira entre o México e os Estados Unidos aumentam a cada dia. Padre Flor Maria Rigoni, que trabalha com migrantes do lado mexicano, explica que a fuga em massa é uma questão de sobrevivência.

Adriana Masotti - Cidade do Vaticano

Agentes de fronteira dos Estados Unidos usaram gás lacrimogêneo contra um grupo de 150 imigrantes de Honduras, que tentavam atravessar a fronteira dos Estados Unidos com o México, em Tijuana. Houve pelo menos três lanços de gás na parte mexicana da fronteira.

De acordo com declaração das autoridades dos Estados Unidos, os migrantes tentaram atravessar o arame farpado envoltos em casacos pesados ​​e com crianças nos braços. Alguns jogaram pedras contra os agentes. Por fim, 25 migrantes foram presos na operação.
Nas redes sociais hondurenhas, circula a informação que uma nova caravana de migrantes deve partir de São Pedro Sula no próximo dia 15 de janeiro. Uma foto divulgada na internet mostra um grupo de pessoas vestidas de preto, marchando atrás de uma cerca de arame farpado, com o slogan: "Procuramos refúgio, em Honduras vão nos matar".

Essa caravana é apenas um dos muitos fluxos migratórios que, nos últimos meses, multiplicaram-se nos países da América do Sul e Central. Estima-se que pelo menos 10 mil pessoas estão na região de fronteira esperando para atravessá-la, em condições de vida muito difíceis.

Padre Rigoni: 34 anos de trabalho com migrantes no México

Padre Flor Maria Rigoni é um religioso de Bérgamo, da Congregação dos Padres Missionários de Scalabrini, cujo carisma é ajudar as pessoas que, por qualquer motivo, são forçadas a deixar sua terra natal. Depois de ter passado por Japão, Alemanha e África, há 34 anos vive no México, onde abriu uma Casa de Migrantes. Ele mora em Guadalajara, a segunda maior cidade do país, com 11 milhões de habitantes. Segundo o padre Rigoni, as “periferias estão em marcha, a maioria é gente muito simples, eles não tem nada a perder”.
Padre Rigoni explica que no caso da América Central, de Honduras, não se pode falar em migrantes econômicos, é uma migração geral de sobrevivência. 

Ele lembra o que lhe disse uma mãe imigrante: “Padre, não se esqueça que onde eu moro, El Salvador, toda mãe carrega seu caixão nos ombros, porque qualquer lugar pode ser o seu cemitério”.O sacerdote afirma que recebe pessoas na fronteira ainda com balas nas pernas ou no peito, ou com as feridas abertas por um facão, “uma realidade que pouca gente dá importância”. A Igreja, ao contrário, se preocupa com essas pessoas, segundo o padre, por isso “o Papa Francisco se tornou verdadeiramente um sinal de contradição: ele defende aqueles que queremos ignorar, os famosos subúrbios que gostaríamos de levar para longe”.

Radio Vaticano
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OIM pede solução urgente para dezenas de migrantes há vários dias no mar

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A organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) também se juntou ao apelo da OIM, que lembra os 49 migrantes que foram resgatados no Mediterrâneo por navios de duas ONG alemãs nos últimos dias de dezembro e que estão bloqueados no mar há 12 dias.
Um dos casos é o navio "Sea Watch 3", da ONG alemã com o mesmo nome, que resgatou no passado dia 22 de dezembro na rota do Mediterrâneo Central (da Líbia para Itália) um grupo de 32 migrantes.
O outro caso é o navio "Professor Albrecht Penck", da organização humanitária Sea-Eye, que resgatou outros 17 migrantes no passado dia 29 de dezembro.
"É urgente e necessário que os Estados europeus demonstrem sentido de responsabilidade e de solidariedade para com os imigrantes e para com os refugiados e que ofereçam o quanto antes um porto seguro às 49 pessoas em questão", assinalou a OIM, organização liderada desde outubro passado pelo português António Vitorino, num comunicado.
"É inaceitável deixar tanto tempo no mar, sem uma assistência adequada, homens, mulheres e crianças que arriscaram as suas vidas a bordo de embarcações em mau estado, depois de terem enfrentado as dificuldades de uma viagem caracterizada por experiências dramáticas e violentas", acrescentou a mesma nota informativa.
A MSF também se solidarizou com estes migrantes, pedindo uma "solução rápida" uma vez que as condições meteorológicas estão a piorar, nomeadamente com a descida acentuada das temperaturas.
"Fazemos um apelo às autoridades europeias e italianas para se encontre um porto seguro o mais rápido possível", afirmou a MSF.
A Holanda manifestou hoje à tarde disponibilidade para acolher alguns dos 32 migrantes que aguardam a bordo do "Sea-Watch 3", navio que tem pavilhão holandês e que navega desde dezembro no Mediterrâneo.
"A Holanda disse estar disponível para acolher eventualmente um número razoável dos migrantes que estão a bordo do 'Sea-Watch 3', desde que outros países europeus façam o mesmo", declarou Lennart Wegewijs, porta-voz do Ministério da Segurança e da Justiça holandês.
Haia tinha inicialmente recusado receber estes migrantes, tal como fizeram outros Estados-membros da União Europeia (UE) como foi o caso de Itália, Malta ou Espanha, segundo a agência noticiosa francesa France Presse (AFP).
"As negociações coordenadas pela Comissão Europeia estão em curso entre os diferentes países europeus, estamos à procura de uma solução para esta situação", precisou o mesmo porta-voz, em declarações à AFP.
Entre os 32 migrantes a bordo do "Sea-Watch 3" - oriundos da Nigéria, Líbia e Costa do Marfim - estão três crianças, três adolescentes não acompanhados e quatro mulheres.
No sábado, a Alemanha também declarou que só aceitaria acolher estes migrantes se outros países europeus assumissem o mesmo compromisso.
Desde que Itália fechou oficialmente os seus portos aos navios humanitários em junho passado, a solução para estes casos tem sido avaliada "barco a barco" e tem passado pela distribuição dos migrantes por vários países.
"Precisamos de uma solução coletiva e estrutural. Estes navios não podem simplesmente transportar os migrantes, apesar das condições de acolhimento dos países europeus, e exigir a sua ajuda à última hora", referiu o porta-voz do ministério holandês.
"Isso não funciona assim", acrescentou a mesma fonte, concluindo que "a bola está no campo da Comissão Europeia".
Lusa
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Refugiados enfrentam o desafio de reconstruir sua vida no novo ano em BH



Virada de ano é sinônimo de confraternização, balanço pessoal e expectativas para a nova jornada. É tempo também de reunir a família e os amigos para celebrar e curtir as pessoas queridas. Entretanto, o direito de usufruir desse clima de afeto e paz é tirado de muitos. A perseguição à raça, religião, nacionalidade ou posição política faz com que muitas pessoas sejam obrigadas a abandonar seus países, lares e cidades e recomeçar a vida do zero. E o coração aperta pelo desencontro. “Saiba aproveitar e valorizar a sua família. Saiba dar um abraço, falar eu te amo. O afeto é o que temos de mais importante. E estar separado dos familiares é muito difícil,” aconselha o jovem José Miguel Silva, de 25 anos. José está longe da família há nove meses, quando partiu da Venezuela rumo ao Brasil. E teve que passar o Natal e e o Ano-Novo longe dos pais e dos irmãos. Mas com esperança de um futuro melhor, acolhido por duas famílias belo-horizontinas, que agora chama de suas.

Ainda um pouco acanhado ao comentar os motivos que o trouxeram à capital mineira, José disse que não foi uma escolha: era líder estudantil e fazia oposição ao governo atual de seu país. Foi privado de liberdade duas vezes – uma em 2014 e outra em 2017. Depois, sua família começou a ser ameaçada de morte. “Fui obrigado a sair da Venezuela. Foi necessário pelo bem-estar das pessoas que amo. Até então, nunca havia pensando em fazer isso, mas acredito que a sociedade deve participar da política. E eu estava muito envolvido”, apontou o jovem, que já se comunica muito bem em português. Para ele, um dos maiores desafios foi deixar o pai, que tem 70 anos e mora sozinho. “Dói muito”, resumiu.

Todos os dias, dezenas de venezuelanos em situação parecida com a de José ingressam no Brasil em busca de uma vida melhor. Quando não são perseguidos, vêm no fluxo migratório provocado pelo agravamento da crise político-econômico no país, governado pelo presidente Nicolás Maduro. A Venezuela vive um cenário de cortes de programas sociais, inflação nas alturas, escassez de alimento. O deslocamento forçado de venezuelanos atingiu o número recorde de 65,3 milhões de pessoas, conforme relatório mais recente da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Com 10.418 refugiados, o Brasil responde por 0,016% dos acolhimentos. Em Minas, segundo o Diagnóstico de Migração e Refúgio no Estado de Minas Gerais, em abril havia 183 refugiados e/ou solicitantes de refúgio de países diferentes. Mas o número dos que chegaram pode ser maior, uma vez que muitos entram no país de forma irregular.

A nova etapa da vida do venezuelano José, que se desenrola na capital mineira, começou em 2018. A mudança dele para Belo Horizonte ainda está sendo um processo de descobertas, desafios e muita aprendizagem. José deixou dois irmãos, os pais e amigos em sua cidade natal. Também precisou abandonar o curso de psicologia, no qual já estava para se formar. Ele saiu da cidade por via terrestre, passou por Boa Vista (RO) e chegou à capital mineira em 13 de março. E tudo isso sem conhecer praticamente ninguém. “Vim sozinho. Mas já conhecia o Brasil, em especial, Belo Horizonte. Estive na Jornada Mundial da Juventude de 2013. Conheci uma família e, quando precisei de abrigo, entrei em contato com ela”, conta o jovem. A partir daí, várias pessoas o ajudaram. Hoje, está acolhido em uma casa paroquial no Bairro Planalto, na Região Norte de BH. “Fiz amigos de verdade, são todos como uma grande família. São pessoas que acreditam em mim e me deram muitas oportunidade em um momento em que eu não tinha nada”, completou.

Solidariedade


A enfermeira Márcia Andrade, de 35, e o professor Alexandre Perdigão, de 36, foram os primeiros a acolher o jovem venezuelano. “Conhecemos José Miguel em 2013, na Semana Missionária da Jornada Mundial da Juventude. Estávamos organizando a vinda de mais de 200 jovens do México, Venezuela e Argentina. Desde então, esse contato permanece, por meio das redes sociais”, contou Márcia. Passado algum tempo, os venezuelanos começaram a relatar os horrores que estavam vivendo: falta de comida, baixos salários, falta de emprego e repressão. “Até que um dia José nos contou que estava correndo risco de morte e que precisava do nosso apoio. Antes disso, nunca tínhamos acolhido ninguém e não sabíamos como ele deveria proceder. Só sabíamos que ele precisava do nosso apoio para dar seguimento à sua vida”, revelou a enfermeira.

O casal começou a pedir doações para garantir moradia e emprego a José. “Ele é uma pessoa muito esforçada e dedicada. chegou aqui com o objetivo de trabalhar para trazer sua família, que sofre com a loucura que seu país se tornou. E não há como não se emocionar quando se ouve que ele teve apontada uma arma para sua cabeça e viu sua mãe deixar de comer para o alimentar. É gratificante ouvir a mãe dele agradecer por tudo o que fizemos por ele e escutar dele que não tem preço voltar para casa e ter sua família para abraçar”, contou a mulher. O percurso de José foi inspirador.  Márcia diz que, diante disso tudo, aprendeu a dar valor às pequenas coisas do dia a dia, como condição poder fazer suas refeições, conviver com a família e voltar para o lar depois do trabalho: “São pequenas coisas cuja real importância só alcançamento depois que conhecemos a realidade do outro.”


A família de outra Márcia, essa de sobrenome Martins, de 47, também abriu os braços para acolher José. “Ele chegou magro, nos contando a realidade lamentável da Venezuela. É um rapaz educado, prestativo e acabou cativando a família”, comentou. Márcia ficou muito sensibilizada com a história dele. “Fiquei muito assustada com a falta da liberdade de expressão imposta pela ditadura. Uma cruel realidade”, lamentou.

Assim como no Natal, o Ano-Novo é um momento importante para José. E, pela primeira vez, passou as festas longe da família de sangue. “Vou tentar fazer videoconferência. Mas ter internet é difícil para eles. Lá, temos muitos problemas com esse tipo de serviço. Meu pai, por exemplo, precisa sair de casa para tentar contato”, planejou. Em Belo Horizonte, convites não lhe faltaram e José terminou se dividindo nas comemorações. Natal com uma família e Ano-Novo com a outra.

O maior desejo de José é encurtar essas distâncias, por isso, quer que 2019 seja um ano de encontros, já que 2018 foi marcado por tantas despedidas. Ele conta que pretende trazer o irmão para BH e, em seguida, rever toda sua família. “Como não posso voltar, pois serei preso, vamos dar um jeito de nos encontrar aqui no Brasil”, planeja. E não está sozinho nesta missão. As pessoas que o acolheram também querem que o sonho de José se concretize: “Que a gente consiga, com a ajuda de muitos. Quem sabe ano que vem nossa ceia não se multiplica e conseguimos colocar mais quatro pratos à mesa? Desejo não falta, vontade também não”, completou Márcia.

 
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Missão Paz: comunidade haitiana celebra o dia da independência





A programação da festa nacional haitiana – o Dia de Independência – contou com uma missa celebrada pelo padre haitiano scalabriniano Pierre Dieucel, o canto do hino nacional e o oferecimento da tradicional sopa, que é um dos símbolos mais importantes da independência do Haiti: a “Soup Joumou”. 

A sopa de abóbora é servida no dia 01 de janeiro, data em que a liberdade foi proclamada no país. Pierre Dieucel explicou a importância desta comida: “antes da independência somente os senhores dos escravos podiam comer esta sopa. Com a proclamação da independência o primeiro gesto foi preparar a sopa em sinal de liberdade”

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A independência do Haiti foi proclamada em 1º de janeiro de 1804. O Haiti foi a primeira nação independente do Caribe, a primeira república negra do mundo e o primeiro país do hemisfério ocidental a abolir a escravidão.




Missão Paz

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