quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Crise na Venezuela e imigração são temas de debate em evento na UFRR

A crise econônomica na Venezuela e a vinda de refugiados para Roraima serão temas debatidos durante o III Seminário Internacional Sociedade e Fronteiras na Universidade Federal (UFRR). O evento começou  na terça-feira (22) e segue até sexta (25) em Boa Vista. 

O assunto será abordado durante o minicurso "Refugiados no Brasil e no mundo - Discussões Contemporâneas". O III Seminário InternacionalSociedade e Fronteiras ocorre em conjunto com o V Encontro Norte-Nordeste de Psicologia Social. As inscrições são pelo do evento intulado "Produção do Conhecimento e Formação Interdisciplinar". O minicurso será realizado pelosprofessores especialistas em Direito Internacional, Imigração e Refugiados João Carlos Jarochinski Silva, Doutor em Ciências Sociais pela USP, e Gustavo da FrotaSimões, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. 

A conferência de abertura do evento será feita no Centro Amazônico de Fronteiras (Caf) pelo escritor Pedrinho Guareschi, doutor em Psicologia Social pela University of Wisconsin-Madison e Pós-Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Cambrigde.

 A programação do Seminário inclui ainda palestras, mesas redondas, apresentações culturais, laçamento de livro e exibições de filmes sobre diversos temas. 

ServiçoIII Seminário Internacional Sociedade e Fronteiras e V Encontro Norte-Nordeste de Psicologia Social ONDE: UFRR -

 Campus Paricarana QUANDO: de 22 a 25 de novembro INFORMAÇÕES: (95) 3623-4489/ (95) 8411-3655

G1 Roraima

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Seminário promove inclusão de refugiados no futebol brasileiro

Evento da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro apresenta novo modelo de inclusão de refugiados no esporte, visando promover a iniciativa em outros estados e países.
 Os refugiados de ambos os sexos interessados em iniciar ou dar continuidade à profissão de jogador de futebol já podem ser contratados como atletas nacionais, ficando de fora das cotas que limitam em cinco o número de atletas estrangeiros nos clubes brasileiros.
A medida já foi adotada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) e será levada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aos demais Estados brasileiros até o ano que vem. A CBF também pretende apresentar a iniciativa à Federação Internacional de Futebol (FIFA).
A contratação de refugiados por clubes de futebol e a integração deles nas sociedades que os acolhem por meio do esporte foram os temas de um seminário promovido ontem pela FERJ. Presente no seminário, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, afirmou que a CBF levará esta proposta para a FIFA até o final deste ano. “Queremos que este exemplo seja levado à outras entidades, pois a importância da integração dos refugiados é um tema central da humanidade. E a CBF assume esse papel de vanguarda com muita alegria”. 
Responsável pelo parecer jurídico que instrumentalizou esta iniciativa no âmbito da FERJ, a advogada Luciana Lopes afirmou ser essencial “distinguir juridicamente os estrangeiros dos refugiados, assim como para efeitos desportivos, para que se possibilite que estes tenham acesso mais adequado à sua inclusão, integração e naturalização”.
Em linha com os preceitos da proteção internacional de refugiados, a medida acolhida pela FERJ e pela CBF reconhece que os refugiados devem usufruir dos mesmos direitos e da mesma assistência básica que qualquer nacional, incluindo direitos fundamentais e trabalhistas que são inerentes a todos os indivíduos.
A medida adotada acontece pouco após a inédita participação, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, de equipes formadas por atletas refugiados – iniciativa dos comitês Olímpico e Paralímpico internacionais, que contou com o apoio do ACNUR (Agência da ONU para Refugiados).


Profissional do ACNUR apresenta dados globais e um recorte dos mais de 9.000 refugiados que residem no Brasil, salientando a importância do esporte como um elemento essencial de integração. Foto: ©ACNUR/M.Pachioni.
“A participação de atletas refugiados nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos foi resultado da parceria entre o ACNUR e os comitês Olímpico e Paralímpico, fazendo com que desta ação possam emergir outras propostas para assegurar os direitos de todo e qualquer refugiado a conquistar seu espaço na sociedade com dignidade, respeito e crença no seu potencial”, afirma a Representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez.
“O esporte é um meio fundamental de integração dos refugiados e este parecer apresentado e acolhido pela FERJ e pela CBF representa perfeitamente o potencial das pessoas refugiadas em exercer quaisquer profissões, inclusive as de alto rendimento no esporte. Esperamos que inciativas como esta se estendam às demais federações tanto no âmbito regional como internacional”, completou a Representante.


A Representante do ACNUR no Brasil, recebe a visita no escritório da Agência da ONU para Refugiados, em Brasília, da advogada Luciana Lopes, responsável pelo parecer jurídico apresentado à FERJ e à CBF. ©ACNUR/M.Pachioni.
Em nota oficial publicada no início de novembro, a CBF aprovou a nova regra para a participação das pessoas refugiadas nas competições. A partir do próximo ano, após inclusão no Regulamento Geral de Competições (RGC), os atletas que portarem vistos de refúgio ou humanitário poderão ser registrados como atletas nacionais.
O evento na FERJ contou ainda com a assinatura de um convênio para cooperação acadêmica para estudo do direito desportivo entre a Academia Nacional de Direito Desportivo e o Instituto de Ciências do Futebol. Durante o evento, o Assistente de Proteção do ACNUR, Diego Nardi, afirmou que “a legislação brasileira do refúgio é reconhecida internacionalmente como uma boa prática. Como exemplo, já no ato de chegada, um solicitante de refúgio pode solicitar e obter um protocolo que lhe garantirá ter seu CPF e carteira de trabalho nacionais”.
Ainda dentro do contexto do futebol, com o objetivo de promover a integração e a visibilidade da causa do refúgio por meio do esporte, desde 2014 o ACNUR e a Caritas Arquidiocesana de São Paulo apoiam a Copa dos Refugiados. O evento é organizado por refugiados de diversos países e costuma ser realizado próximo ao dia 20 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Refugiado. Já aconteceram três edições da Copa, desde 2014.
Dados do ACNUR revelam que há no mundo mais de 65 milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus lares por motivos como conflitos armados, perseguições e violações dos direitos humanos. Deste total, mais de 21 milhões são refugiados, ou seja, tiveram que deixar seu país de origem para buscar proteção em outro Estado. No Brasil, de acordo com o CONARE/MJ (setembro 2016), há mais de 9.100 refugiados reconhecidos pelo governo brasileiro, provenientes de 79 países diferentes. A grande maioria dos refugiados que residem no país vivem em cidades, estando concentrados nos grandes centros urbanos.
Por Miguel Pachioni, do Rio de Janeiro.
Acnur

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Imigração de trabalhadores qualificados para São Paulo aumentou nos últimos anos

 A imigração para o Estado de São Paulo de trabalhadores internacionais do conhecimento – como são definidos profissionais qualificados, com ao menos um título universitário e que agregam valor econômico ao país por meio de sua formação intelectual e criatividade, como engenheiros e cientistas – aumentou mais de 40% nos últimos 10 anos.

Em 2006 São Paulo contabilizava 6.075 trabalhadores internacionais do conhecimento com vínculo formal de emprego. Em 2010, esse número saltou para 7.448 e, em 2015, atingiu 8.615.
Os dados, obtidos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, foram apresentados por Rosana Baeninger, pesquisadora do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Projeto Temático Observatório das Migrações em São Paulo, apoiado pela FAPESP, durante palestra na mesa que teve como tema “Ciência Política e Economia”, na FAPESP Week Montevideo.

Organizado pela Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), a Universidad de la República (UDELAR) e a FAPESP, o simpósio, que ocorreu entre os dias 17 e 18 de novembro no campus da UDELAR, em Montevidéu, teve como objetivo fortalecer as colaborações atuais e estabelecer novas parcerias entre pesquisadores da América do Sul nas diversas áreas do conhecimento. Participaram do encontro pesquisadores e dirigentes de instituições do Uruguai, Brasil, Argentina, Chile e Paraguai.

“O Brasil, e especificamente o Estado de São Paulo, tem se inserido e se beneficiado da migração de mão de obra internacional qualificada e de sua inserção no mercado de trabalho nacional”, disse Baeninger à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, umas das razões do aumento da imigração de trabalhadores internacionais do conhecimento para São Paulo é a inserção do Brasil no novo cenário econômico internacional globalizado, marcado pela intensificação do fluxo do capital e da mobilidade da produção industrial.

A movimentação do capital internacional e da produção industrial fez com que aumentasse a demanda por mão de obra qualificada – especialmente a vinculada a setores como o de ciência e tecnologia – em diversos países, incluindo o Brasil, avaliou Baeninger.
“A imigração de trabalhadores internacionais do conhecimento para países como o Brasil, que na década de 1970 era chamada de ‘fuga de cérebros’, é um fenômeno que sempre existiu, mas se intensificou com essa nova configuração do mercado globalizado, em que as empresas passaram a demandar mais mão de obra qualificada, estimulando um novo fluxo de circulação de cérebros”, afirmou.

O número de trabalhadores internacionais do conhecimento que mais tem aumentado no Estado, segundo o levantamento, é o de provenientes de países da América Latina, especialmente os que integram o Mercosul.

Em 2006, essa categoria de trabalhadores oriundos de países da América Latina, como Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai, representava 33,23% da força de trabalho estrangeira qualificada no Estado de São Paulo. Em 2015, passou a representar 45%, apontou a pesquisa.

Uma das razões para esse aumento de participação, segundo Baeninger, foi um acordo firmado no âmbito do Mercosul que facilitou a concessão de visto de trabalho temporário para os cidadãos de países integrantes do bloco econômico.

“Países como a Argentina e o Chile sempre enviaram muitos desses trabalhadores para o Brasil, especialmente na década de 1970, quando estes países passaram por um período de ditadura militar. Nos últimos anos, contudo, a mobilidade da mão de obra qualificada desses países para o Estado de São Paulo tem aumentado em razão de fatores como a própria criação do Mercosul”, indicou.

A maior parte dos trabalhadores internacionais do conhecimento atuantes em São Paulo e oriunda de países do Mercosul é homem. Nos últimos anos, entretanto, tem aumentado o número de mulheres.

Aproximadamente 88% dos trabalhadores, chamados de “supercriativos”, têm curso superior completo, 4% realizaram mestrado e 8% doutorado.
Segundo a pesquisa, a mão de obra internacional qualificada está mais espraiada por cidades do interior ou próximas à capital, como Campinas, diferentemente dos trabalhadores do conhecimento provenientes de outras regiões do Brasil, que se concentram na Região Metropolitana de São Paulo, porta de entrada para esse tipo de imigração.

“Há uma forte presença de trabalhadores internacionais do conhecimento em cidades do interior paulista, onde ocorreu um aumento da instalação de fábricas de empresas multinacionais”, disse Baeninger.

“São Paulo precisa aproveitar melhor as vantagens apresentadas por essa intensificação da imigração de mão de obra superqualificada”, avaliou.

Benefícios

Entre os benefícios apresentados por esse fluxo de mão de obra qualificada para São Paulo, segundo a pesquisadora, estão a troca de conhecimento e a transferência de tecnologia.

Outra vantagem é que esse contingente de trabalhadores acaba demandando novos serviços até então disponíveis só na metrópole, como escolas que oferecem ensino em inglês e escolas de idiomas.

“As cidades menores acabam dinamizando seus processos de urbanização para atender a demandas qualificadas, construindo centros comerciais e shoppings, por exemplo”, disse Baeninger.

Outra contribuição, na avaliação da pesquisadora, é a desmistificação da percepção de que no Brasil só há a “imigração da pobreza”.

“À medida que a população das cidades do Estado de São Paulo vai se deparando com esse contingente de trabalhadores internacionais do conhecimento, isso contribui para demonstrar que também há, no país, um outro movimento de imigração qualificada”, estimou.

O fluxo de trabalhadores internacionais do conhecimento é acompanhado pela imigração de força de trabalho não qualificada das mesmas origens dos primeiros, ponderou Baeninger.

Um dos exemplos desses fluxos migratórios confluentes é o da Bolívia, que ao mesmo tempo em que exporta mão de obra altamente qualificada para o Brasil, como médicos, também envia trabalhadores que atuam na indústria têxtil, em oficinas de costura.
“A existência concomitante desses grupos distintos de imigrantes em uma sociedade é importante para desconstruir preconceitos em relação a grupos de imigrantes no Brasil, como os bolivianos”, avaliou a pesquisadora.

Alheios à crise

Na opinião da pesquisadora, nem mesmo a crise econômica deve arrefecer o fluxo de trabalhadores internacionais do conhecimento para o país, principalmente dos oriundos da América Latina.

Em 2010, por exemplo, os pesquisadores observaram que o fluxo de imigrantes qualificados da América Latina para o Brasil aumentou em relação aos anos anteriores, mesmo após o país ter sido fortemente afetado pela crise econômica mundial, iniciada em 2008.

“Constatamos que, após a crise, em 2008, o fluxo de imigrantes qualificados continuou aumentando em 2010, enquanto o de outras nacionalidades diminuiu”, comparou Baeninger.

“Minha hipótese é a de que continuará crescendo a imigração de trabalhadores internacionais do conhecimento para o Brasil, especialmente os oriundos de países do Mercosul”, estimou.

Agência FAPESP  
  Elton Alisson, de Montevidéu
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

'Quando cheguei, descobri o que era ser negra': como africanos veem o preconceito no Brasil


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Nádia Ferreira, de Guiné Bissau, diz que a questão racial despertou nela no BrasilImage copyrightGUI CHRIST/GRINGO
Image captionNádia Ferreira, de Guiné Bissau, diz que a questão racial despertou nela no Brasil
Formada em Letras, a africana de Guiné-Bissau Nádia Ferreira, de 37 anos, conta que cresceu sem pensar sobre a questão racial.
"Lá eu era uma menina como qualquer outra. Foi no Brasil que a questão da raça despertou em mim. Descobri isso na pele, mas foi bom porque isso só me fortaleceu."
Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data que evoca a memória do líder negro Zumbi dos Palmares (1655-1695), a BBC Brasil apresenta a visão de imigrantes de países majoritariamente negros sobre identidade racial e preconceito no Brasil
Ferreira, há 15 anos no Brasil, afirma que a sensação de "estar no lugar errado" - e a posterior "tomada de consciência" - surgiu quando cursava a faculdade na USP (Universidade de São Paulo).
"Eu me sentava ao lado de alguém e a pessoa mudava de lugar. Numa sala com 200 alunos, só dois eram negros. Mas foi lá também onde conheci o grupo de consciência negra", diz ela, que criou o coletivo Iada Africa (Mãe África) para discutir questões de raça.
A guineense foi estudar no Brasil por incentivo do pai, que acreditava que haveria menos preconceito no país. "Ele falava que as pessoas aqui já estavam acostumadas com os negros, mas quando conto que há racismo ele não acredita até hoje."
Ela enumera episódios em que diz ter sido alvo de preconceito no país - já foi barrada na porta de um banco mesmo tendo guardado a mochila, por exemplo, e teve que esperar do lado de fora de uma sala onde iria fazer uma entrevista de emprego enquanto outras candidatas, brancas, passavam.
"Não te agridem porque a lei não permite, mas você é olhado de um jeito que diz: aqui não é o seu lugar", afirma.
Para Ferreira, o negro imigrante é alvo de duplo preconceito. "Quando você é negro brasileiro te olham como incapaz. O imigrante africano já é visto como exótico, mas carregamos o peso do estereótipo de que africanos são agressivos ou preguiçosos."

Curiosidade e preconceito

Egide, do Burundi, diz que antes de chegar no Brasil não se preocupava com preconceitoImage copyrightGUI CHRIST/GRINGO
Image captionEgide, do Burundi, diz que antes de chegar no Brasil não se preocupava com preconceito
Natural do Burundi, pequeno país do centro-leste africano, o estudante Egide Nishimirimana, de 27 anos, também "despertou" para a existência do preconceito após chegar ao Brasil.
"Antes de chegar eu não me preocupava com preconceito de raça. No Burundi todo mundo é negro, e o que existia lá era o preconceito de etnia, usado politicamente para tomar o poder", conta.
Ele diz acreditar que o negro imigrante ainda sofra menos do que o negro brasileiro no cotidiano. "Normalmente quando começam a conversar com você e veem que é estrangeiro isso gera simpatia pela curiosidade."
Nishimirimana se diz satisfeito com a vida no Brasil, mesmo diante de situações difíceis.
"Percebi aqui é que esse preconceito racial é muito verdadeiro. Não vou generalizar, mas algumas pessoas quando veem um negro acham que é ladrão ou mal educado", afirma ele, que vê o transporte público como cenário cotidiano de preconceito.
"As pessoas trocam de lugar ou colocam a mochila para frente quando me veem."

Conscientização

Ephata Tshiaba, do Congo, percebe o racismo em situações corriqueiras, como quando usa o metrôImage copyrightGUI CHRIST/GRINGO
Image captionEphata Tshiaba, do Congo, percebe o racismo em situações corriqueiras, como quando usa o metrô
Há seis meses no Brasil, o músico congolês Ephata Tshiaba, de 31 anos, também diz notar o tratamento diferente ao usar o metrô. "Vejo as pessoas se afastando, ficam me olhando de modo estranho, mas cada um é livre para pensar como quer."
Em geral, Tshiaba diz ser bem tratado por aqui - para ele, o preconceito aparece em outras situações corriqueiras, como abrir uma conta no banco. "Já fui a vários e nenhum aceitou, mesmo já tendo o documento da Polícia Federal e o CPF."
Como os outros colegas africanos, ele diz que sua conscientização sobre a identidade negra se consolidou mesmo no Brasil. "Lá (no Congo) eu não tratava sobre preconceito, mas aqui quero trabalhar na conscientização das pessoas", conta ele.
Senegalês Papa Ba estudou passado escravagista do Brasil antes de se mudar para o paísImage copyrightGUI CHRIST/GRINGO
Image captionSenegalês Papa Ba estudou passado escravagista do Brasil antes de se mudar para o país
Em uma mesquita no centro da capital paulista, o senegalês Papa Ba, de 28 anos, diz que estudou sobre o passado escravagista do Brasil ainda na África, mas desconhecia a história de Zumbi - o líder negro que combateu autoridades e fazendeiros nos primeiros tempos de ocupação colonial - e a própria origem do feriado de 20 de novembro.
"Aprendi muita coisa sobre o Brasil antes de vir, e acho o histórico daqui um pouco triste", diz.
No Brasil, país majoritariamente negro (53,6% da população se classificam como pretos e pardos) em que negros ocupam 18% dos cargos de liderança e ganham, em média, apenas 59% do que recebem os brancos, é importante que o imigrante conheça o tema da escravidão na América Latina, diz a guineense Nádia Ferreira.
"Os imigrantes, e principalmente os que estão chegando agora, têm que escutar e aprender sobre essa história."
BBC BRASIL
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Convenção dos Direitos da Criança posta à prova com migrações

A Convenção dos Direitos da Criança, que “foi posta à prova” com o atual fluxo migratório, com as crianças em representarem quase metade das pessoas em movimento, assinalou a Unicef.
Em declarações  a partir de Genebra, Sarah Crowe, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef) para as migrações, reconheceu que a atual resposta política aos fluxos migratórios “não é, em muitos casos, o que se esperava de países que assinaram a CDC há décadas”, especificando que “os sistemas de proteção de crianças em toda a Europa também foram postos à prova”.
“As crianças precisam de ser protegidas no contexto deste fenómeno”, frisou, lamentando que,“demasiadas vezes”, os países ponham “o interesse nacional acima dos interesses das crianças”.
Os conflitos e as alterações climáticas vão continuar a desencadear grandes movimentações de pessoas no futuro, “imprevisíveis e pouco do interesse das crianças”, antecipou, frisando que “as crianças não sabem se são migrantes ou refugiadas, são crianças, em primeiro lugar”.
Determinar o melhor interesse das crianças é a chave. “É do melhor interesse delas estarem sentadas num campo de refugiados na Grécia, esperando meses e meses pelo levantamento de vários obstáculos para que se possam juntar às suas famílias, noutras partes da Europa”, questionou.
As crianças que agora estão na Grécia, lembrou, “estiveram fora da escola, em média, 20 meses” e “isso vai contra todos os princípios da Convenção”.
Ao mesmo tempo, recordou, “a grande maioria das crianças refugiadas e migrantes fogem para países vizinhos aos seus”. Por exemplo, “a maioria das crianças sírias não está na Europa, está na Jordânia, no Líbano, na Turquia”.
A CDC é o tratado mais assinado e ratificado a nível internacional (apenas os Estados Unidos não fizeram nem uma coisa nem outra).
É um documento “forte, sólido, poderoso, claro, bem definido”, considerou Crowe, defendendo que não precisa de ser revisto, porque “está lá tudo” e que os seus princípios “estão constantemente a ser escrutinados pelo Comité dos Direitos da Criança”.
O que é preciso é “voltar ao essencial” e “lembrar os Estados, em tempos como estes, dos nobres princípios da CDH”, que “permanece um documento tão importante, que precisamos de celebrá-lo, protegê-lo e deixar-nos guiar por ele”, defendeu Crowe.
A Convenção dos Direitos da Criança foi aprovada na Assembleia-geral das Nações Unidas a 20 de novembro de 1989.

Tvi 24

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sábado, 19 de novembro de 2016

Las dos marchas inéditas en Panamá por la migración de venezolanos

La grave crisis política, económica y social que atraviesa Venezuela en la actualidad ha catalizado la migración de venezolanos hacia el extranjero en la búsqueda de mejores horizontes, un fenómeno que expertos se han atrevido a bautizar como el “más grande del continente americano” y ello se ha podido evidenciar en algunas localidades del mundo, como el sur de la Florida.
A la par de este fenómeno migratorio, en ciertos países hemos visto el nacimiento de movimientos nacionalistas como el “Brexit”, la independencia de Cataluña o las controversiales elecciones presidenciales en Estados Unidos bajo el liderazgo de Donald Trump, que durante la campaña apeló a la deportación de inmigrantes ilegales y a establecer una política enfocada en los problemas internos de Norteamérica, dejando en segundo plano las necesidades de sus aliados.
Expresiones de xenofobia y racismo también se han visto a menudo en los titulares de los periódicos de los últimos años, destacando los actos terroristas en Europa, el cierre de fronteras por la crisis de los migrantes en Siria, los crímenes de odio en Estados Unidos y las violentas protestas por las personas negras que son abatidas por policías blancos; y ahora, por primera vez en la historia, una marcha contra la migración de venezolanos en Panamá, un país otrora conocido por mantener sus puertas abiertas a los extranjeros.
El lema de la protesta, convocada para las 9 de la mañana del 20 de noviembre, es “Panamá para los Panameños”, y en las redes sociales han circulado distintas consignas alusivas a la diáspora venezolana en el país centroamericano: “No más arepas, no más tequeños”.
“Es un país pequeño. Hubo una ola de inmigración. No sabes la cantidad de colombianos que hay acá, argentinos, españoles, mexicanos (…) La situación en Europa ha hecho que muchos europeos también terminen acá y lo mismo pasa con los argentinos. Lo que pasa es que a pesar de todo, en cantidad no se comparan con el número de venezolanos que hay”, expresó la periodista venezolana radicada en Panamá, Jossybell Ávila para un artículo de El Nuevo Herald (ENH).

¿UN SENTIMIENTO NACIONAL?

Sin embargo, aunque aún no está claro quién originó la excluyente movilización, el Frente Nacional Panameño creó una invitación por Facebook que permite inducir que la iniciativa no cuenta con mucha popularidad entre los panameños por los pocos “me gusta” que ha alcanzado la convocatoria en la red social.
“A veces esos sentimientos de xenofobia, extremos y sectaristas son, si se quiere, dentro de una población, minoritarios”, dijo la comunicadora social venezolana residenciada en Panamá, Soraya Castellano, para ENH.
“No por un grupo pequeño uno puede generalizar un sentimiento y sobretodo hablar de esto como algo global. Si bien pareciera que en los últimos meses ha habido un poco de ese sentimiento, sí te puedo decir que en líneas generales aquí todo lo que es la inmigración venezolana ha sido bien vista. Muchos han realizado diferentes inversiones instalando negocios, franquicias, restaurantes. Los venezolanos han realizado aquí la compra de apartamentos, locales y de alguna manera, esto ha motorizado la economía, no siendo el principal motor, obviamente, pero sí digamos que aquí la inmigración venezolana ha sido bien importante en el último tiempo”, añadió Castellano.
Por su parte, el abogado panameño, Ebrahim Asvat, descartó ir a la movilización porque a su juicio, “Panamá es un país de inmigrantes”.
“Es como los Estados Unidos. La mayoría o migró o tiene un padre, un abuelo, un esposo o está relacionado con algún familiar que es inmigrante. Con la crisis en Venezuela ha habido un incremento de inmigrantes venezolanos, así como también algunos dominicanos, nicaragüenses. Básicamente han cambiado la situación en las ciudades, donde se les ve un poquito más. Creo que eso es parte de las nuevas realidades mundiales, donde los pueblos se acercan y hay más intercambio comercial y por lo tanto más movimiento de personas”.

MOVIMIENTO A FAVOR DE LA CONFRATERNIDAD

El testimonio de Asvat parece ir en sintonía con la organización “Inmigrantes Panamá”, la cual organiza en las redes sociales otra movilización pero “por la hermandad”, en pro de la tolerancia de venezolanos y de todos los extranjeros en general.
“A estas alturas, todo panameño tiene un amigo venezolano. Ya hay muchas venezolanas que han dado a luz acá y empiezan a hacer segundas generaciones. De aquí a unos 20 años, 15, podría ir cambiando la percepción. Me recuerda el fenómeno de los colombianos en Venezuela, cuando nosotros sentíamos rechazo y calificábamos de ‘X’ forma a los colombianos y ese proceso al final fue cambiando. La percepción que tenemos nosotros de los colombianos ahora es que son gente preparada, de otro nivel”, enfatizó la comunicadora social, Jossybell Ávila.
Independientemente de los sentimientos particulares, el próximo 20 de noviembre se realizarán dos movilizaciones inéditas en Panamá: una en rechazo a los inmigrantes y la otra a favor de la hermandad entre los pueblos.
Según estimaciones extraoficiales la cifra actual de venezolanos que han migrado del país por la pulverización de la calidad de vida en Venezuela asciende a los 2.000.000.
Con información de ENH.
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