sábado, 21 de maio de 2022

Total de deslocados no mundo atinge recorde de 59,1 milhões

 

O número de deslocados em seu próprio país em 2021 chegou ao recorde de 59,1 milhões. Conflitos e desastres naturais ocorridos no período forçaram 38 milhões de pessoas a deixar suas casas.

Os dados foram publicados esta quinta-feira no Relatório Global sobre Deslocamento Interno. A parceria apoiada pela ONU envolve o Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno e o Conselho Norueguês de Refugiados, NRC.

Ucrânia 

A previsão é que 2022 tenha um novo recorde de deslocados em meio a movimentações em massa na Ucrânia. A situação já desalojou mais de 8 milhões de pessoas no país desde a invasão da Rússia em 24 de fevereiro. Mais de 6 milhões buscam refúgio além-fronteiras.

Metade dos deslocados no planeta são mulheres e meninas
UNHCR/Abdul Bari Delawery
Metade dos deslocados no planeta são mulheres e meninas

 

O Brasil está em 9º lugar global de deslocados por desastres naturais. Foram  449 mil pessoas que deixaram seus lares durante todo o ano passado. 

China lidera o grupo de nações, seguida por Vietnã, Índia, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.

As enchentes no Brasil geraram 91% do total de deslocados, sendo que 170 mil foram registrados no que é considerado o dezembro mais úmido dos últimos 15 anos. 

A situação no estado da Bahia vem descrita no documento pelos deslocamentos em massa e por mais de 4,6 mil casas destruídas que levaram vários municípios a decretar emergência. 

Violência 

Nesses eventos foram perdidos meios de subsistência de comunidades já desprovidas, incluindo o acesso a alimentos e à água potável. Houve ainda um registro de deslocamentos causados por incêndios florestais e por disputas de terras. A violência levou à movimentação de 21 mil brasileiros. 

Deslocados internos em um centro de recepção em Zaporizhzhia, na Ucrânia
UNICEF/Kate Klochko
Deslocados internos em um centro de recepção em Zaporizhzhia, na Ucrânia

 

Já a violência e o conflito em Moçambique levaram 187 mil pessoas a deixar suas áreas de origem, fechando o ano com um total de 735 mil. Outros 44 mil moçambicanos foram vítimas de desastres, no que elevou o total do período em análise para 138 mil.

Causas naturais

Em Angola, os desastres naturais deslocaram  22 mil pessoas e o ano terminou com pouco menos de um terço deles ainda nessa situação. 

São Tomé e Príncipe teve um total de 500 deslocados por causas naturais. 

Em Portugal houve 20 pessoas fora dos lares após eventos extremos durante 2022.

Já em Timor-Leste, o tipo de fenômeno  obrigou 16 mil pessoas a deixar as áreas de origem.

Com mais 4 milhões de deslocados em todo o mundo, 2021 superou o total do ano anterior que era o mais alto na década em termos de deslocados. O principal fator foram os desastres naturais. 

Estima-se que os números globais cresçam  ainda mais este ano, principalmente com a guerra em curso na Ucrânia.
 

Deslocados fogem da violência em Abyei, Sudão do Sul
© Ocha/Dan De Lorenzo
Deslocados fogem da violência em Abyei, Sudão do Sul

 ONU news

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Dezenas de países se comprometem na ONU a melhorar tratamento de migrantes

 


Várias dezenas de países e ONGs se comprometeram nesta sexta-feira (20) em uma declaração a melhorar a defesa dos direitos humanos e o tratamento dos migrantes, que são objeto de um pacto mundial adotado em 2018 que teve poucos avanços até o momento.

A declaração foi aprovada ao fim de um fórum organizado esta semana em Nova York para avaliar os progressos desse acordo internacional.

Thank you for watching

O texto ressalta a determinação de seus participantes para "reforçar a cooperação sobre a migração internacional em todas as suas dimensões, falar e compartilhar os avanços do andamento de todos os aspectos do Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular".

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid, lembrou que há mais de 281 milhões de migrantes no planeta: 3,6% da população mundial.

É "responsabilidade da comunidade internacional assegurar que os direitos humanos de todas as pessoas envolvidas sejam respeitados e protegidos", ressaltou.

Esse acordo mundial sobre as migrações foi ratificado em 2018 por mais de 150 países. Porém, desde então, "não houve mudanças suficientes nas políticas e práticas para garantir uma migração segura e digna", resumiu na segunda-feira o presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Franceso Rocca.

Não vinculante, o pacto reúne uma série de princípios - defesa dos direitos humanos, das crianças, reconhecimento da soberania nacional, etc - e lista diferentes opções de cooperação, além de se opor a detenções arbitrárias.

gauchazh

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sexta-feira, 20 de maio de 2022

FIFA: Indenize os trabalhadores migrantes do Qatar


Centenas de milhares de trabalhadores migrantes no Qatar não receberam compensação financeira ou qualquer outra reparação adequada aos graves abusos trabalhistas sofridos durante a construção e manutenção da infraestrutura para a Copa do Mundo da FIFA, que começa em novembro de 2022, disse hoje a Human Rights Watch.

Em 19 de maio, a Human Rights Watch, a Anistia Internacional, a FairSquare e uma coalizão global formada por grupos de defesa dos direitos dos trabalhadores migrantes, sindicatos de trabalhadores, torcedores de futebol, sobreviventes de abusos e grupos que promovem o respeito aos direitos humanos por empresas disseram que a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) e o governo do Qatar deveriam providenciar reparação pelos graves abusos que os trabalhadores migrantes sofreram desde a eleição do Qatar como anfitrião da Copa do Mundo de 2022, em 2010. Esses graves abusos incluem milhares de mortes e lesões inexplicadas, retenção ou não pagamento de salário e taxas de recrutamento exorbitantes. A Human Rights Watch lançou uma campanha global, #PayUpFIFA, para apoiar esta demanda da coalizão. A Anistia Internacional está publicando seu relatório, “Previsível e Prevenível”, que mostra como a FIFA e o Qatar poderiam reparar os danos por 12 anos de abusos.

“A FIFA e o Qatar não protegeram os trabalhadores migrantes, essenciais para a Copa do Mundo de 2022, mas podem agir para indenizar aqueles que foram gravemente afetados e as famílias dos muitos que morreram”, disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch. “A FIFA deve alocar prontamente os fundos necessários para proporcionar uma indenização adequada e evitar que o legado seja de uma ‘Copa Mundial da Vergonha’”.

Durante a última década, grupos de defesa dos direitos humanos têm repetidamente documentado os abusos generalizados que os trabalhadores enfrentam sob o sistema kafala do Qatar (sistema pelo qual o empregador financia a ida ao Qatar do trabalhador migrante) , que pode conduzir a trabalhos forçados. Isto apesar das reformas trabalhistas que as autoridades do Qatar introduziram nos últimos anos em resposta a uma denúncia sobre trabalho forçado junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em março, a Human Rights Watch documentou o retenção abusiva de salários de até cinco meses em uma conhecida empresa de comércio e construção civil do Qatar que operava projetos relacionados à FIFA.

Mesmo sendo submetidos a um maior escrutínio e normas globais, trabalhadores contratados para projetos relacionados a estádios não possuem proteções adequadas. Trabalhadores fora dos estádios estão propensos a maiores abusos. Além disso, existem outras sérias preocupações sobre as deficientes práticas de direitos humanos do Qatar, incluindo restrições severas à liberdade de expressão e reunião pacífica, políticas estatais que discriminam e facilitam a violência contra as mulheres, e um ambiente repressivo contra residentes e visitantes LGBT.

Quando a FIFA, a entidade que dirige o futebol mundial, elegeu o Qatar como anfitrião dos jogos de 2022, ela sabia ou deveria ter sabido que os trabalhadores migrantes que construiriam a grande parte da infraestrutura enfrentariam graves riscos de violação de direitos humanos. No entanto, a FIFA não impôs condições de respeito aos direitos trabalhistas nem empreendeu uma diligência efetiva em relação à proteção dos direitos humanos, disse a Human Rights Watch.

Para Manju Devi, uma nepalesa de 38 anos cujo marido, Kripal Mandal, trabalhador migrante de 40 anos morreu no Qatar em 2022, o único “legado” da próxima Copa do Mundo são as dívidas pelos empréstimos que seu marido fez para conseguir o trabalho que ele morreu fazendo. Como a maioria dos trabalhadores migrantes no Qatar, Kripal Mandal tinha feito um empréstimo a juros exorbitantes para pagar taxas de recrutamento, uma dívida que continua aumentando. Ainda que o Qatar proíba a cobrança de taxas de recrutamento de trabalhadores migrantes e custos relacionados, o governo raramente fiscaliza a aplicação deste regulamento.

A família de Mandal disse que ele trabalhava na construção de um projeto de uma empresa que o designou para o aeroporto e estádios. Sua esposa segue sem compreender sua morte por causa de um ataque cardíaco. “Não posso dizer qual é a razão de sua morte”, disse Manju Devi à Human Rights Watch. “Se é a causa que eles relataram ou algo mais, não sabemos dizer... À noite ele estava falando normalmente e rindo, ... mas ele faleceu por volta das 3 da manhã do dia seguinte”.

A família não recebeu nenhuma indenização por sua morte, e seu empregador chegou a não pagar os 15 dias de salário que lhe eram devidos contratualmente. Manju Devi, mãe de cinco filhos, disse: “Quando ele era vivo, havia uma garantia de que tinha alguém que recebia um salário. Agora, depois que ele faleceu, não temos mais nosso ganha-pão. É muito difícil”.

“As reformas dos direitos trabalhistas no Qatar chegaram bem tarde na preparação para a Copa do Mundo, são muito insuficientes e pouco respeitadas”, disse Minky Worden. “Um grande número de trabalhadores migrantes morreu porque o Qatar não tinha um marco de direitos humanos que protegesse os trabalhadores e lhes permitisse denunciar condições de trabalho perigosas, trapaças salariais e trabalho forçado. Os trabalhadores não deveriam morrer para concluir as obras da Copa do Mundo ou qualquer mega-evento esportivo”.

Em 2016, a FIFA adotou os Princípios Orientadores das Nações Unidas para Empresas e Direitos Humanos e incorporou sua responsabilidade de respeitar os direitos humanos em seus estatutos. Ela também criou um Conselho Consultivo de Direitos Humanos independente, contratou especialistas em direitos humanos e criou um mecanismo de denúncia para defensores de direitos humanos. Em 2017, a FIFA adotou uma política de direitos humanos que institui que os compromissos de direitos humanos são obrigatórios para todos os órgãos e funcionários da FIFA.

Apesar destes positivos avanços, a FIFA ainda precisa garantir a reparação de danos aos trabalhadores migrantes que sofreram graves abusos ou às famílias. Isto inclui a responsabilidade com os trabalhadores diretamente empregados em projetos da Copa do Mundo e aqueles que construíram e serviram uma gama mais ampla de projetos para a preparação e realização dos jogos, incluindo serviços de transporte, acomodações, segurança, limpeza, entre outros.

A FIFA precisa trabalhar com as autoridades do Qatar durante os próximos seis meses, que antecedem a Copa do Mundo de 2022, para estabelecer um programa abrangente e enfrentar os abusos sofridos pelos trabalhadores migrantes, afirmaram Human Rights Watch, Anistia Internacional, Fair Square e os outros membros da coalizão. A FIFA deveria reservar pelo menos US$ 440 milhões, equivalentes ao prêmio em dinheiro fornecido às equipes da Copa do Mundo de 2022, para investir em fundos para indenizar e melhorar a proteção de trabalhadores.

O programa de indenização deveria ser coordenado de forma participativa após consulta aos interessados, incluindo trabalhadores migrantes, familiares de sobreviventes e sindicatos. Ele precisa ser facilmente acessível aos trabalhadores e suas famílias, muitos dos quais não estarão mais no Qatar. Ele também precisa prever a reparação de danos para uma ampla gama de abusos não resolvidos desde 2010.

Jogadores, torcedores, patrocinadores da FIFA, associações nacionais de futebol e outros podem desempenhar um papel importante na garantia de um legado positivo para esta Copa do Mundo, angariando apoio a implementação de um fundo de indenização para reparar os danos aos trabalhadores migrantes, disse a Human Rights Watch. 

“A morte de trabalhadores migrantes no Qatar tem causado um enorme impacto emocional e financeiro em suas famílias”, disse Minky Worden. “De acordo com os compromissos de direitos humanos da FIFA e as obrigações do Qatar, ambos precisam fornecer reparação financeira aos trabalhadores migrantes prejudicados na construção da Copa do Mundo – proporcionando um alívio financeiro às famílias em dificuldades".

hrw.org/pt

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Palestra sobre direitos de jovens migrantes e refugiados recebe inscrições até segunda-feira


Na próxima terça-feira (24) a Prefeitura de Guarulhos realiza o terceiro e último encontro do 4º Ciclo de Palestras Políticas Públicas e Direitos Humanos, que terá como tema Um Olhar para Crianças e Adolescentes Migrantes e Refugiados. Promovido pela Secretaria de Direitos Humanos, o evento ocorrerá das 9h às 12h no auditório da Secretaria de Educação. Interessados podem se inscrever até segunda-feira (23) pelo link bit.ly/CiclodePalestrasGru.

 

A programação inclui a participação do assistente sênior de Proteção do escritório da Agência das Organizações das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em São Paulo, Willian Torres Laureano da Rosa. Doutor em relações internacionais pela University of Sussex, atuou como advogado e coordenador do setor de proteção legal do Centro de Referência para Refugiados da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo.

 

O sociólogo e doutorando pela Unicamp Alex André Vargem, que atua há mais de 20 anos junto aos imigrantes e refugiados africanos na capital paulista, discorrerá também sobre o assunto. Ele é membro do Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e assessor da Comissão de Direitos Humanos, Migrantes e Combate à Xenofobia do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) de São Paulo.

 

A discussão contará ainda com a participação da presidente da Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Criança e do Adolescente (Asbrad), a assistente social e pedagoga Dalila Figueiredo. Além de advogada, ela é também membro da Comissão Interinstitucional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo do Tribunal de Justiça de São Paulo e ainda integra o Conselho Municipal de Políticas para as Mulheres.

 

As integrantes da equipe da Asbrad, a psicóloga da Casa Abrigo Florescer, Renata da Silva Batista, e a orientadora administrativa do projeto Mundo Plural, Thainá da Silva Tosta, também vão compor a mesa de debate.

 

Já para realizar a mediação foi convidada a servidora da administração municipal Rejane Alexandre Costa, que é pós-graduada em direito pela FIG Unimesp.

 

A iniciativa, que visa a refletir e proporcionar conhecimento sobre as políticas públicas de direitos humanos por meio de palestras e debates, conta com o apoio da Escola de Administração Pública (Esap) de Guarulhos e da Comissão Intersetorial para Construção e Monitoramento do Programa de Atendimento a Crianças e Adolescentes em Situação de Violência. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 2472-5423 e 2408-1183 ou pelo email esapguarulhos@gmail.com.

 

Serviço

 

4º Ciclo de Palestras Políticas Públicas e Direitos Humanos - Um Olhar para Crianças e Adolescentes Migrantes e Refugiados

Data: terça-feira (24 de maio) – das 9h às 12h

Local: auditório da Secretaria de Educação (rua Claudino Barbosa, 313, térreo, Macedo)

Inscrições: bit.ly/CiclodePalestrasGru.

 

Arte: Comunicação/PMG

guarulhos.sp.gov.br


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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Tráfico humano: gratidão do Papa a quem torna visível a misericórdia de Deus

“A Igreja é sempre grata por cada expressão de caridade fraterna e de cuidado para com quem foi escravizado e explorado, porque deste modo a misericórdia de Deus se torna visível e o tecido da sociedade é reforçado e renovado", disse o Papa aos participantes de Conferência promovida pelo "Grupo Santa Marta".

O tráfico humano foi tema de uma audiência esta manhã, no Vaticano. O Papa Francisco recebeu os participantes da Conferência Internacional do chamado “Grupo Santa Marta”. Este Grupo reúne organizações civis e religiosas para compartilhar competências, experiências e prática para prevenir e lutar contra o tráfico de seres humanos e as modernas formas de escravidão.

Ao agradecer o trabalho realizado na tentativa de desarraigar essas atividades criminosas que “violam a dignidade e os direitos de homens, mulheres e crianças, e deixam efeitos duradouros nas vítimas e na sociedade em geral”.

O Grupo promove a colaboração em nível internacional, nacional e local, com a contribuição inclusive das forças de ordem. O Papa então faz votos de que a luta contra esta chaga leve também em consideração o uso responsável da tecnologia e as redes sociais, e de uma renovada visão ética da vida política, econômica e social.

Outro ponto ressaltado pelo Pontífice foi a necessidade de amparar, acompanhar e reintegrar as vítimas do tráfico na comunidade e assisti-las no processo de cura e de recuperação da autoestima.

“A Igreja é sempre grata por cada expressão de caridade fraterna e de cuidado para com quem foi escravizado e explorado, porque deste modo a misericórdia de Deus se torna visível e o tecido da sociedade é reforçado e renovado.”

Francisco concluiu expressando mais uma vez sua gratidão pelo esforço do Grupo Santo Marta “neste setor vital”.

Vatican news

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Depois de cinco anos, situação de refugiados congoleses em Duque de Caxias pouco mudou


Foto EBC

 Em 2017, a prefeitura de Duque de Caxias criou a Divisão de Assuntos Especiais (DAE) no departamento da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos da cidade, fundado especialmente para atender cerca de 60 famílias de refugiados africanos que, segundo a entidade católica Cáritas, se encontravam pelas ruas do bairro de Gramacho desde o início de 2014. Em 2017, Fórum Grita Baixada/RioOnWatch conversou com duas mulheres em situação de refúgio, moradoras de Gramacho, em Duque de Caxias. 

 

Dorcas Marta Lituanga, vinda de Angola, e Christine Kamba, do Congo, contaram como tinha sido o processo de imigração e refúgio e a adaptação delas em solo brasileiro. Cinco anos depois, conseguimos conversar novamente com Christine, hoje com 32 anos, que relata o que houve desde então. Conhecemos também o congolês Makela Mbla Salazar, fisioterapeuta de 31 anos, morador de Caxias.

 

Christine disse que nos últimos quatro anos havia conseguido do governo brasileiro apenas um protocolo de imigrante. O processo de renovação desse documento, chamado Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM), é expedido pela Polícia Federal (PF) e dura enquanto tramitar o pedido junto ao Comitê Nacional para Refugiados (CONARE). Segundo o site do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a autorização de residência é concedida ao imigrante que pretenda trabalhar ou residir, estabelecendo-se temporária ou definitivamente no Brasil, desde que se satisfaçam as exigências de caráter especial, previstas na Lei de Migração.

 

Com a regularização da sua condição enquanto refugiado, cuja avaliação é anual, dúvidas, tais como a inclusão de toda a família em programas governamentais de habitação, por exemplo, podem ser consultadas nas Defensorias Públicas locais, onde diversos direitos podem ser consolidados. Dentre eles, receber toda a documentação assegurada pela legislação como o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), Cadastro de Pessoa Física (CPF), carteira de trabalho e passaporte para estrangeiro (no caso de viagens previamente autorizadas pelo CONARE), além de requerer a permanência após ter vivido quatro anos no país na condição de refugiado e moradia fixa. Entretanto, Christine afirmou que nunca foi chamada por nenhum departamento especializado da PF para que fosse avaliada e, assim, passasse para a condição de refugiada.

 

Ameaças de Possíveis Milicianos

Mesmo com os dois filhos nascidos no Brasil e, portanto, brasileiros, de 6 e 3 anos, Christine relatou que seu marido, o também congolês Mbuta Kuwa, de 42 anos, teve muitas dificuldades para obter o DPRNM. Christine contou que Kuwa, ao conseguir emprego em um posto de gasolina, teve de fugir de uma tentativa de agressão quando um cliente quis usar o banheiro e o mesmo encontrava-se interditado. Era 5 de maio de 2019 quando a polícia foi chamada para impedir que o pior acontecesse. Segundo o que disse o marido, o cliente teria ficado mais violento ao saber que Kuwa era refugiado. Christine pensou que, pela atitude agressiva do cliente, ele pudesse ser miliciano. O congolês chegou a fazer um boletim de ocorrência em uma delegacia próxima, mas foi “aconselhado” a retirar a acusação. 

 

“Eu e ele ficamos com muito medo, pois o posto de gasolina tinha os nossos telefones e o endereço de onde morávamos. A tentativa de agressão foi registrada pelo circuito interno do posto, mas a gerência se recusou a entregar as imagens para a polícia. Os donos do posto ainda obrigaram meu esposo a se demitir”, disse Christine.

 

E não parou por aí.

 

“Duas semanas depois, o proprietário do apartamento onde estávamos em Gramacho, disse que pessoas estranhas estavam procurando Kuwa, inclusive mostrando fotos dele. Pareciam milicianos”, reafirmou Christine.

 

Hoje morando na província de Quebéc, no Canadá, Christine afirma que se sente mais segura. Segundo ela, o órgão que monitora a entrada e a permanência de refugiados no país zela pelo bem-estar dos novos habitantes e não se concentra somente em uma vigilância opressora.

 

“Nós temos dignidade e respeito aqui [no Canadá]. Alugo uma casa de três quartos trabalhando como cuidadora de idosos.” — Christine Kamba

 

A congolesa, mãe de dois brasileiros, disse que pretende, a partir dessa experiência no Canadá, seguir carreira como enfermeira, seu grande sonho.

 

“Racismo do Racismo” e Xenofobia

Makela Mbla Salazar, 31 anos, nascido em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, estudou e se formou em fisioterapia. Contudo, apesar da formação, trabalha há quatro anos em um hortifruti também em Duque de Caxias. O fisioterapeuta congolês ama futebol e torce para o clube de futebol TP Mazembe, da província de Lubumbashi. O time chegou a disputar o Mundial de Clubes da FIFA, chegando às finais duas vezes.

 

Nas últimas eleições para presidente, Salazar pertencia à frente de oposição ao atual governo de Joseph Kabila, há mais de 20 anos no poder. Seu candidato era Moïse Katumbi, rival de Kabila, que não foi eleito por ter sido acusado de tramar um golpe contra o atual governo. Katumbi foi chamado para prestar explicações à Justiça congolesa, foi preso e expulso da República Democrática do Congo. Inúmeros outros opositores políticos de Joseph Kabila, como Salazar, foram presos e se refugiaram em outros países. Contudo, inúmeros que não tiveram meios de sair ou que escolheram permanecer no Congo foram presos como golpistas.

 

“A minha sorte é que conhecia algumas pessoas da polícia que me avisaram que, se eu não conseguisse sair do país, eu seria morto”, explica o congolês.

 

Graças a subornos, os guardas ajudaram na fuga dos oposicionistas. Foram para o país vizinho, Quênia, e de lá para a África do Sul. O jovem viajou clandestinamente a bordo de “um navio cheio de contêineres”, como ele descreve, por 28 dias sem saber para onde estava indo. Acabou desembarcando no porto de Santos, em São Paulo, sem saber uma palavra de português e sem ter destino. Para sair do barco e não ser confundido com um clandestino, um dos funcionários do navio lhe emprestou um colete salva-vidas. Um outro aconselhou ele a ir para o Rio, pois conhecia um centro de acolhimento para estrangeiros em situação semelhante à de Salazar. Um terceiro pagou a passagem de ônibus para a rodoviária Novo Rio, onde dormiu por alguns dias. Por lá, foi confundido com um mendigo, até que uma pessoa percebeu a dificuldade de se comunicar.

 

Ele foi levado para a Cáritas Internacional, cuja sede no Rio fica no Maracanã. Depois de quatro horas de espera, o fisioterapeuta foi informado de que não havia vagas na unidade de abrigo provisório para onde deveria ser mandado. Ele ficaria em um outro abrigo, na Central do Brasil, cujos ocupantes eram, em sua grande maioria, moradores de rua.

 

Assim como tantos refugiados congoleses e de outras nacionalidades africanas, Salazar conviveu com o subemprego, a informalidade e jornadas extenuantes de trabalho. Porém, o que mais doeu em todo esse trajeto foi o preconceito racial que sofreu de seus próprios colegas de trabalho negros. Isso aconteceu no hortifruti em que trabalhava. Ele afirma que se surpreendeu com tantos episódios de racismo xenofóbico infligidos por quem, historicamente, sempre sofreu na pele o racismo.

 

“Durante muito tempo eu almoçava sozinho. As pessoas me olhavam com desconfiança. Ninguém queria sentar perto de mim, só porque eu sou africano. Perguntavam pra mim que animais de estimação eu deixei na África, se eu tinha um elefante, se eu morava dentro do mato. Parece que há um complexo de inferioridade, que eu, enquanto estrangeiro, estou querendo roubar os empregos de brasileiros. Mas preciso sobreviver também. Nunca trabalhei em supermercado, mas queria aprender! Foi como sofrer o racismo do racismo.” — lamenta Salazar  

 

Ao desembarcar no Brasil, o fisioterapeuta havia ficado mais de um ano incomunicável com a família. O pai chegou a pensar que o filho estivesse morto, pois em regiões de conflito, muitas pessoas desaparecem e nunca mais voltam. Algum tempo depois, a morte atravessaria mais uma vez o caminho da comunidade congolesa e de Salazar. Seu conhecido, Moïse Kabagambe, que veio para o Brasil em 2014 com a mãe e os irmãos, também como refugiado político, para fugir da guerra e da fome, foi assassinado na Praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste. Trabalhava em um quiosque perto do Posto 8. Lá ele recebia por diária. Ao cobrar dois dias de trabalho não pagos, foi brutalmente espancado até a morte em um crime que ganhou repercussão internacional.

 

“Conheci o Moïse em uma festa que comemorava a independência do Congo, em 30 de junho. Estive com ele pelo menos umas 20 vezes desde que cheguei aqui no Rio. Ele era um rapaz que todo mundo gostava, muito animado. Toda festa que tinha, ele era muito bem visto”, diz Salazar.

 

Depois de tantas desventuras, atrasos, esperas e burocracia, Salazar conseguiu grande parte da documentação para regularizar residência fixa no Brasil em 2020. Ainda lhe falta a autorização para exercer a fisioterapia, sua profissão de origem. Como todos os seus documentos ficaram no Congo, ele vai ter que começar sua educação de novo, do zero. O que significa terminar o supletivo e ingressar na faculdade pelo Enem. 

 

Mariza Reis Almeida, da organização Assistência Social da Paróquia Santo Antônio (ASPAS), em Duque de Caxias, instituição responsável pela assistência às pessoas refugiadas na Baixada Fluminense, também foi entrevistada em 2017. Ela reconhece que encaminhar os refugiados, especialmente os de origem africana, para empregos menos subalternizantes é uma tarefa difícil. Embora existam atividades como oficinas de elaboração de currículo e de como participar de entrevistas de emprego, além de informações referentes a contratações e processos seletivos divulgadas por WhatsApp, a educadora afirma que, com a pandemia, houve interrupção dos atendimentos presenciais, o que só dificultou atender à demanda dos refugiados africanos por trabalhos mais qualificados.

 

“Existem várias barreiras, começando pelo idioma, um elemento complicador na comunicação em uma entrevista de emprego, pois envolve, entre outras diretrizes, a explicação sobre que função desempenhar.” — explica Mariza. 

 

Ela também afirma que as empresas não costumam facilitar na hora do acolhimento. São locais que possuem extrema dificuldade em lidar com a diversidade de novos empregados. Não há entendimento sobre a especificidade de determinados tipos de documentos que contemplam estrangeiros em situação de refúgio. Para complicar ainda mais, há desconhecimento sobre a legislação que protege os refugiados e muita desconfiança sobre as causas de como os estrangeiros foram parar no país. Esses refugiados têm direitos negados, são criminalizados e recorrentemente se tornam vítimas da xenofobia e do racismo brasileiros.


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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Com 500 resgatados neste ano, número de vítimas do trabalho escravo supera 58 mil

  


Trabalhadores resgatado em plantação de arroz em São Borja (RS) neste ano: auditores-fiscais pedem mais pessoal

Com um total confirmado de 500 resgatados neste ano, o número de trabalhadores retirados de situação análoga à escravidão agora soma 58.166. As operações de resgate passaram a ser sistematizadas em 1995, quando foram criados os grupos móveis de fiscalização, sob a responsabilidade do Ministério do Trabalho. A primeira dessas ações ocorreu em maio daquele ano, em carvoarias no estado de Mato Grosso.

Até agora, em 2022, foram realizadas 61 operações, com a presença de outros órgãos públicos, como a Polícia Federal, Polícia Rodoviária e Ministério Público. Desde o início das operações, a fiscalização foi a 6.177 estabelecimentos. A maioria dos resgatados é do setor rural: 42.253, ou 73% do total. Mas vem crescendo o registro de trabalhadores encontrados em áreas urbanas, como na construção ou mesmo no serviço doméstico. Já são 12.913 casos registrados. Só em 2022, são cinco casos de trabalhadoras domésticas resgatadas (Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul).

Entre as unidades da federação, o Pará concentra 13.380 resgates de trabalhadores em situação de escravidão. Em Mato Grosso, mais 6.190. Em Minas Gerais, 8.013. No Maranhão, são 3.544 e na Bahia, 3.469.

Usina de cana de açúcar

Neste ano, mais da metade dos resgatados saiu de uma só operação. Em janeiro, foram encontrados 273 trabalhadores em uma usina de cana de açúcar em Mina Gerais. Foi o 16º maior resgate desde 1995. O estado tem 368 resgatados em 2022, ante 29 em Goiás, 22 em Mato Grosso, 18 no Rio Grande do Sul e 17 na Bahia.

Das atividades econômicas, a fiscalização resgatou 299 trabalhadores no cultivo de cana de açúcar. Depois vêm produção de carvão vegetal (54), cultivo de alho (25) e criação de bovinos para corte (23).

Perfil do trabalhador

Já os dados do seguro-desemprego mostram que 95% dos trabalhadores são homens e 31% têm de 30 a 39 anos. Praticamente metade (49%) mora na região Nordeste. Entre eles, 23% declararam ter até o quinto ano incompleto e 17% cursaram do sexto ao nono ano, enquanto 6% eram analfabetos.

O Sinait, sindicato nacional dos auditores-fiscais do Trabalho, destaca – além das operações – iniciativas legais de combate à prática. Caso da chamada “lista suja”, divulgada regularmente, com nomes de empregadores envolvidos na exploração da mão de obra. Ou da Emenda Constitucional 81, aprovada depois de 15 anos de tramitação da proposta, conhecida como “PEC do trabalho escravo”. Há ainda iniciativas como a concessão de seguro-desemprego aos resgatados e o oferecimento de cursos aos trabalhadores, como o Projeto Ação Integrada, implementado em Mato Grosso, estado com forte ocorrência da prática. Mas a entidade acrescenta que há necessidade de concurso público porque há déficit de pessoal tanto entre os auditores como na área administrativa.

redebrasilatual.com.br

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O que devemos fazer em relação aos migrantes climáticos?


A crise climática e a migração são duas das questões mais críticas – e controversas – da era atual. Elas também estão inelutavelmente relacionadas e, se quisermos abordar ambos, devemos fazer mais do que mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas. Precisamos colocar as pessoas no centro de nossas estratégias e garantir que seus direitos humanos sejam protegidos à medida que o mundo muda ao seu redor.

O Fórum Internacional de Revisão da Migração (IMRF, na sigla em inglês), que acontece esta semana nas Nações Unidas em Nova York, é uma importante oportunidade para transmitir esta mensagem. Ativistas devem usar o espaço para promover uma narrativa forte e positiva sobre a migração global e convencer os delegados da necessidade de uma agenda articulada para lidar com a crise climática.

Mudanças climáticas: motor de migração

O Pacto Global para Migração (GCM), objeto do IMRF, foi assinado em 2018. Apenas quatro anos depois, especialistas em clima, incluindo os da ONU, anunciaram a aceleração do aquecimento global além das previsões anteriores. Ativistas estão pedindo aos países que ajam com ousadia para mitigar os efeitos dessas mudanças e se adaptem estrategicamente onde as perdas ainda não se tornaram permanentes.

Diante de governos que os consideram “riscos de segurança”, as hostilidades racistas e violentas contra os migrantes climáticos estão em ascensão

A mudança climática é um multiplicador de ameaças. Ela exacerba as desigualdades existentes, como as desigualdades econômicas entre países, desigualdades entre populações devido à raça, gênero, classe e assim por diante. Também atinge todos os aspectos da vida moderna, tornando inútil abordá-la através dos silos de questões usuais. Precisamos de uma abordagem abrangente que se baseie em pontos de interseção para criar economias sustentáveis ​​e garantir que os direitos e a justiça sejam garantidos.

Trabalhadores, mulheres e as populações mais afetadas pela pandemia global e pelas desigualdades estruturais precisam ser centrais para as deliberações nas arenas climática e migratória. A política precisa desesperadamente acompanhar essa realidade. Precisa reconhecer os direitos dos deslocados devido ao clima e a necessidade de vias para uma migração segura que ofereça soluções de longo prazo.

Migrar enquanto a Terra aquece

Pelo contrário, no período que antecedeu o IMRF, ativistas levantaram preocupações de que os ​​compromissos do GCM para abordar os fatores adversos da migração e garantir uma migração “segura”, regular e ordenada estavam sendo diluídos e até contestados. A proteção de compromissos e progressos é especialmente preocupante dadas as consequências que já vemos diariamente em todo o mundo. Considere as histórias recentes compartilhadas durante um evento virtual sobre mulheres, migração e clima:

Milhares de mulheres responsáveis ​​por empacotar bananas em plantações em Honduras perderam seus empregos após os recentes furacões, que se tornaram mais fortes e mais frequentes na América Central com as mudanças climáticas. Enquanto os sindicatos lutavam para restabelecer seus empregos, as mulheres esperavam o retorno da produção — sem renda ou apoio social.

Secas persistentes, chuvas irregulares, temperaturas mais altas e extremas e inundações estão afetando toda a região da América Central, incluindo seu Corredor-Seco. A produção agrícola local diminuiu drasticamente, fomentando o deslocamento populacional e a migração. Esse processo é ilustrado pelas frequentes “caravanas” de migrantes que buscam a forma mais segura de partir para novos destinos.

A instabilidade nas áreas de conflito da África está crescendo. As famílias deslocadas internamente por fatores relacionados ao clima na Nigéria não apenas sofreram ameaças físicas, assédio e violência, mas também carecem de apoio estatal para assistência médica, acesso à eletricidade, condições sanitárias, educação para crianças e muito mais. Para muitos, a única solução é se mudar novamente, dentro da região ou além, em busca de segurança e sobrevivência.

A Environmental Justice Foundation estima que em Bangladesh, frequentemente citado como um dos países mais “vulneráveis ​​ao clima” do mundo, uma em cada sete pessoas pode ser deslocada por fatores relacionados ao clima até 2050. As projeções também esperam que mais de 18 milhões de pessoas precisem deixar seus lares devido ao aumento do nível do mar.

Em 2020, os furacões Eta e Iota destruíram mais de 200 mil hectares de alimentos e safras comerciais no Triângulo Norte

A maioria dos deslocamentos relacionados ao clima permanecerá interna aos países. No entanto, a pressão para atravessar as fronteiras está sempre presente, especialmente quando os países não fornecem apoio às populações deslocadas. Em alguns casos, como na região do Pacífico, o deslocamento está se tornando inevitável. Embora contribua com apenas 0,03% das emissões globais de gases de efeito estufa, a região sofre alguns dos piores efeitos do clima, incluindo aumento do nível do mar, aumento da salinização do mar e da terra, perda de terras e de pesca, entre outros.

Cada vez mais, as pessoas deslocadas pelo clima estão se tornando parte do que é conhecido como “fluxos migratórios mistos”: pessoas que atravessam fronteiras internacionais, com ou sem documentos migratórios, como requerentes de asilo, trabalhadores migrantes e refugiados. As categorias de pessoas em movimento estão se tornando cada vez mais difusas e, como resultado, quase todos os migrantes enfrentam desafios adicionais nas fronteiras e em seus novos países.

Diante de governos que os consideram “riscos de segurança”, as hostilidades racistas e violentas contra os chamados “migrantes climáticos” estão em ascensão. Isso é especialmente preocupante no contexto da pandemia de Covid-19, que transformou migrantes em bodes expiatórios para a propagação do vírus. Em alguns países, essa tendência levou a políticas de imigração mais rigorosas e controles de fronteira militarizados.

O direito de sair, o direito de chegar

À medida que nos esforçamos para progredir na luta contra o aquecimento climático, precisamos promover compromissos firmes com os direitos humanos e políticas de migração humana. Devemos nos afastar da retórica prejudicial de dissuasão da migração que domina as políticas há décadas. Reconhecendo este momento crucial para abordar todos os aspectos da crise climática, os governos nacionais e instituições internacionais como as Nações Unidas devem avançar em novos caminhos de migração flexíveis que respeitem os direitos, incluindo direitos trabalhistas, e com acesso à residência permanente e cidadania. As políticas devem reconhecer o escopo e a escala das mudanças climáticas e dos impactos ambientais, tanto como os sentimos atualmente, quanto em antecipação às dificuldades futuras.

A ação sobre a migração deve andar de mãos dadas com os compromissos para enfrentar a crise climática, contribuindo para o financiamento relacionado ao clima para mitigação, adaptação e perdas e danos. Esta ação é necessária não apenas para a saúde e viabilidade de todo o planeta, mas também porque abordará os fatores estruturais subjacentes às decisões de migração. O IMRF precisa adotar políticas coerentes sobre clima, migração, trabalho e desenvolvimento – e nas quais a migração relacionada ao clima e suas causas sejam as principais prioridades.

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terça-feira, 17 de maio de 2022

Mutirão de emprego presencial acontece após dois anos de pandemia

 

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo realizaram, nesta segunda-feira (16), a sétima edição do Mutirão de Emprego. A ação, que visa diminuir a distância entre as empresas que precisam contratar e os (as) trabalhadores (as) que estão à procura de uma colocação no mercado ofereceu mais de 10 mil vagas para setores do comércio e serviço.

O Mutirão é uma iniciativa da UGT e do Sindicato dos Comerciários em parceria com entidades sindicais como Padeiros, Sintratel, Sindinstal e Siemaco, que conta com a ajuda das empresas que disponibilizam as vagas e o apoio da prefeitura e o governo do estado.

“Acredito que a pandemia represou muito as vagas, pois empresas fecharam as portas, outras estão abrindo e com isso há esperança de um novo momento para iniciar um processo de contratação”, explicou Ricardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Após dois anos sem o Mutirão presencial, por causa da pandemia de Covid-19, esta ação de 2022 trouxe esperança para as milhares de pessoas desempregadas na cidade se São Paulo, desta forma, a adesão foi grande e muitos candidatos dormiram na fila em busca de uma oportunidade.

Roseli Aparecida Mariano Cavalcante, 57, moradora da zona leste chegou às 19 horas do domingo (15), pernoitou na fila e buscava uma oportunidade na área de limpeza. Desempregada há dois anos, passou por entrevista na empresa Exata e foi contratada para iniciar já nesta terça-feira.

Há três anos desemprega, Roseli Arbolo Pena, 52, que reside em Itaquera compareceu no Mutirão em busca de uma vaga como promotora de venda. “A idade avançada e a minha condução dificulta na hora de uma contratação”, explicou.

Matheus dos Santos, 22, está a procura de uma oportunidade nas áreas de metalurgia ou alimentício, desempregado há um ano o candidato chegou no Sindicato às 06 horas da manhã.

Entre tantas histórias de vida, superação e esperança, já que trabalho é inclusão social e autoestima, para quem está desempregado (a), o Sindicato recebeu três afegãos, dois homens e uma mulher, que não terão seus nomes expostos, mas que chegaram no Brasil há 20 dias. Não falavam português, mas precisavam de trabalho.

Encaminhados para a Secretaria da Mulher do Sindicato, que desenvolve um importante trabalho junto aos imigrantes que chegam em São Paulo, os três passaram por entrevista de emprego, com forte possibilidade de contratação na área de tecnologia e, além disso foram levados para fazer curso de português, gratuito, no programa Educação Sem Fronteiras, Primeiro Instituto, na América Latina, de Educação para Migrantes e Refugiados.

A UGT, em parceria com o Senai e o Senac, disponibilizou cursos de qualificação profissional, foi o que explicou Gilberto Garcia, gerente de operações do Senac, que falou da grande quantidade de cursos gratuitos que a instituição oferece, variando entre áreas administrativas ou saúde, como cuidadores de idosos ou técnico em gastronomia, entre outros.

O mutirão de emprego segue até o dia 20 de maio, das 08hs às 17hs.

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