sábado, 25 de agosto de 2018

O sonho de entrar na Europa via Ceuta

Centenas de migrantes conseguiram transpor a cerca que protege Ceuta em julho

Nas montanhas do Marrocos, milhares de migrantes africanos esperam por uma chance de cruzar a cerca que protege o enclave espanhol de Ceuta. O arame farpado de seis metros de altura não intimida os que chegaram até ali.Moussa caminha lentamente de volta para o seu esconderijo nas montanhas marroquinas, com a cabeça baixa para não chamar atenção no meio da mata. O guineense não quer ser descoberto pela polícia marroquina. Graças a seu casaco militar camuflado, ele consegue ficar quase invisível.

Mas a polícia continua sempre encontrando o esconderijo dele. Certa manhã, os guardas voltaram ao vale onde Moussa e seus amigos moravam há seis meses. Novamente, os policiais destruíram tudo o que acharam. As caixas de papelão que serviam de cobertores para os jovens foram destruídas, assim como a pouca comida que tinham: pacotes de macarrão abertos e algumas batatas mofadas.

"Olha só", diz Moussa, apontando para os restos de um saco cheio de palha que ele usava de colchão e agora está rasgado e espalhado pelos arbustos.

"A vida aqui é um inferno", dizem os migrantes. Mas desistir não é uma possibilidade. Ou eles acham um jeito de atravessar a cerca de Ceuta, enclave espanhol no Norte da África, ou vão ficar ali mesmo, no Marrocos, afirmam.

Todos vivenciaram horrores na travessia do deserto do Saara. Eles nunca desistiriam só por causa de arame farpado com seis metros de altura. Pouco importa o que a polícia marroquina faz com eles, pouco importam os ferimentos que sofrem em suas tentativas de transpor a cerca. As cicatrizes nos tornozelos de Moussa revelam quantas vezes ele já tentou.

"Mais violentos do que nunca"

No lado espanhol da barreira, Alfonso Cruzado e seus 600 colegas da Guarda Civil protegem a fronteira - ultimamente, nem sempre com sucesso. Desde que o novo governo italiano fechou suas fronteiras e portos, a rota do Mediterrâneo ocidental, pela Espanha, se tornou o caminho principal para a Europa.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 18 mil pessoas chegaram à Europa através da Espanha entre janeiro e meados de julho de 2018. Outras 3 mil tentaram entrar na União Europeia através dos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla. A OIM também informa que o número de refugiados usando a rota do Mediterrâneo ocidental triplicou desde 2017.

Para a guarda de fronteiras espanhola, isso ficou evidente. No fim de julho, mais de 600 migrantes conseguiram transpor a cerca em Ceuta. Isso já havia acontecido antes, mas dessa vez os migrantes foram "mais violentos do que nunca", diz Cruzado.

Depois de escalar a cerca com ganchos fixantes, os migrantes usaram cal viva, ácido e lança-chamas caseiros contra os policiais e, assim ,os forçaram a ficar a uma distância segura.

"Vitória, vitória", gritavam ao serem levados para o centro de recepção de refugiados em Ceuta. As imagens das centenas de migrantes da África subsaariana rodaram o mundo.

Para os homens, que geralmente têm menos de 20 anos de idade, cruzar a cerca significa o fim de vários anos de privações. Muitos escaparam por pouco da escravidão durante a travessia do Saara. Depois de anos de fuga, eles acreditam ter chegado ao destino final. Mas o próximo passo é completamente incerto.

O centro de recepção está nos seus limites. Os refugiados precisam permanecer ali por um ano antes de poderem seguir viagem para o território da Espanha na Europa. Poucas pessoas solicitam refúgio em Ceuta, porque quase ninguém recebe uma decisão favorável.

Ceuta sob pressão

No entanto, para os 80 mil habitantes da cidade de Ceuta, a pressão está se tornando insuportável. Na câmara municipal, a vereadora Mabel Deu reclama que apesar de Ceuta ser um ponto estratégico para a proteção da fronteira da União Europeia na África, o enclave não recebe o devido apoio.

Agora, o novo ministro de Exterior espanhol, o socialista Fernando Grande-Marlaska, quer remover o arame farpado da cerca, aumentado os temores dos governantes de Ceuta, em grande parte conservadores.

Mabel Deu afirma que remover o arame enviaria o sinal errado para os milhares de migrantes escondidos nas montanhas marroquinas. O enclave não tem capacidade de receber todos os refugiados, diz a vereadora, salientando que a cerca é crucial.

Do ponto de vista de Moussa, a barreira pode até deixar marcas em suas pernas, mas ela não será capaz de detê-lo. Todos os seus amigos já chegaram a Ceuta. "O que vou fazer aqui agora? Vou ficar até eu conseguir entrar também."

Pode levar muito tempo até que ele encontre um grupo de migrantes para preparar uma nova tentativa de transpor a cerca. Eles precisam de dinheiro, ferramentas e armas improvisadas.

É difícil para alguém entender a pressão que ele sofre, diz Moussa. Desde a morte do pai, a mãe do guineense está desamparada, sem dinheiro para comprar alimentos.

"Eu sou o filho mais velho e vim para cá para cuidar da minha família", explica. Há dois anos, os parentes na Guiné aguardam a ajuda financeira. E Moussa não quer desapontá-los.

Deutsche Welle

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Crise migratória atual não chega a metade da de 2015 - Frontex

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Em conferência de imprensa promovida pela Agência Europeia da Guarda de Fronteira e Costa (Frontex), em Algeciras, no sul de Espanha, Fabrice Leggeri afirmou que "não se está em tão má situação".
Leggeri, que se deslocou a Algeciras para supervisionar duas operações de controlo da migração, revelou que, desde o início do ano e até à data, registaram-se 75.000 entradas de imigrantes ilegais na União Europeia (UE), quando o número totalizou 1,8 milhões de pessoas em 2015.
O responsável afirmou ainda que, em 2018, o número de migrantes que entrou na UE foi 43% mais baixo do que no ano passado e que as intercetações nas valas fronteiriças que separam Ceuta e Melilla de Marrocos, no norte de África, desceram 70%.
Nos primeiros oito meses do ano, 26.500 pessoas foram detetadas na nova rota de Marrocos para Espanha, mais do dobro do ano passado e cinco vezes menos do que em 2016.
Pese embora os decréscimos constatados neste ano, Fabrice Leggeri admitiu que "a pressão migratória é forte", referindo que a mudança dos fluxos migratórios desde a Líbia a Marrocos colocou em junho Espanha "na primeira linha da migração" na UE.
Os naturais de Marrocos, Guiné-Conacri e Mali somam o número mais alto de chegadas a Espanha este ano.
Leggeri explicou que a rota via Marrocos é considerada mais segura e curta do que a que atravessava o Mediterrâneo através da Líbia, uma informação em que "as redes sociais jogam um papel importante", uma vez que "os migrantes que chegam à Europa oferecem informação acerca das rotas e dos preços".
Um 'modus operandi' específico usado pelos marroquinos é atravessar o estreito de Gibraltar em moto aquática, praticando-se o preço de 3.000 euros.
Frontex detetou também um incremento no número de menores marroquinos, mais 50% do que em 2017.
Diario de Noticias
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Brasil e Chile confirmam reunião no Equador para tratar da migração venezuelana

Policiais da tropa de choque conversam com pessoas da Venezuela depois de checar seus passaportes ou carteiras de identidade no controle de fronteira de Pacaraima, Roraima, Brasil
O Brasil e o Chile confirmaram a sua presença na reunião convocada pelo Equador para os dias 17 e 18 de setembro para encontrar uma abordagem à imigração venezuelana e tomar medidas humanitárias a este respeito.
"Tivemos duas respostas, Brasil e Chile, que confirmaram a presença em nosso anúncio de 17 e 18 de setembro", nunciou o ministro das Relações Exteriores equatoriano, José Valencia, nesta quinta-feira (23) em entrevista à Teleamazonas.
Ele explicou que a ideia do encontro é realizar "conversa entre todos os países e adotar entendimentos comuns para resolver este fluxo migratório", além de tomar medidas de"ação humanitária, todos nós temos que participar de uma compreensão global".
O ministro também mencionou que, embora a reunião esteja prevista para o final de setembro, foi decidido para antecipá-la devido ao aumento inesperado da migração da Venezuela nas últimas semanas.
A expectativa é façam parte do evento os chanceleres da Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Chile, México, Peru, Paraguai, Panamá, República Dominicana, Uruguai e Venezuela ou seus representantes.
Sputnik
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Chile é primeiro país da América do Sul a adotar campanha contra trafico de migrantes

Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal.
A campanha pretende ser um veículo para a retomada de um diálogo nacional sobre esse tema, o que representa um importante desafio para o país sul-americano nos campos da prevenção do crime e da proteção aos direitos humanos.
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal. Foto: ONU
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal. Foto: ONU
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal.
A campanha pretende ser um veículo para a retomada de um diálogo nacional sobre esse tema, o que representa um importante desafio para o país sul-americano nos campos da prevenção do crime e da proteção aos direitos humanos.
A campanha #NegocioMortal busca tornar visível o contrabando de migrantes como um crime grave vinculado a outros, como tráfico de pessoas, corrupção e lavagem de dinheiro. Além disso, busca informar migrantes e suas famílias sobre seus riscos, além de gerar mais empatia entre populações de trânsito e de destino sobre as vulnerabilidades dos migrantes.
O evento de adesão foi liderado pelo procurador federal chileno, Jorge Abbott Charme, que destacou a importante contribuição da migração para o desenvolvimento dos países receptores.
Em seguida, o representante do Escritório de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil, Rafael Franzini, disse que “para o UNODC, é uma honra que o Chile lidere essa causa no Cone Sul, que deve servir de modelo para outros países da região e contribuir para refletir sobre as melhores ferramentas para combater esse crime e criar mecanismos de proteção aos migrantes”.
O México foi o primeiro país do mundo a receber a campanha. Desde sua adoção, em 2015, a divulgação tem sido promovida em fóruns multilaterais como a Associação Iberoamericana de Ministérios Públicos (AIAMP), em Lisboa, e a Conferência Regional sobre Migração, em Washington, DC, dos quais 11 países da América Central e da América do Norte fazem parte. Em junho de 2017, a Espanha foi o primeiro país europeu a lançar a campanha.
Em sua apresentação sobre produtos de comunicação, Felipe De La Torre, oficial de Gestão de Programas do UNODC, ressaltou que, devido à sua linguagem universal, #NegocioMortal é facilmente adaptável a qualquer contexto, além de ser realista. A construção da campanha envolveu amplo processo de participação, no qual governos, sociedade civil e associações de migrantes deram sugestões.
A campanha foi desenvolvida em espanhol e traduzida para árabe, inglês, francês e português.
O material produzido inclui vídeos, spots de rádio, posters, infográficos e folhetos informativos, que contêm mensagens de aviso sobre os diferentes tipos de tráfego ilícito: terra, mar e ar.
Onu
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Pacaraima: bispo de Roraima pede respeito do governo brasileiro com ambas às nações

Diante do episódio em que alguns moradores de Pacaraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela, no estado de Roraima, destruíram acampamentos e queimaram pertences de imigrantes venezuelanos um dia após um comerciante brasileiro ter sido assaltado, o bispo de Roraima, dom Mário Antônio da Silva classificou o ocorrido como “lamentável” e “muito triste”. Dom Mário falou sobre o assunto durante a abertura do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal que acontece entre os dias  20 e 23 de agosto, em Manaus (AM).
“A gente fica indignado que tais situações cheguem a esse termo para que o Governo Federal possa se aproximar de governos estaduais e municipais; e é lamentável que isso aconteça para que os governos olhem um pouco mais com respeito e consideração ao povo de ambas as nações, tanto do Brasil quanto da Venezuela. Liguei agora a pouco lá para Pacaraima e a cidade está digamos que, aparentemente, calma com tudo aquilo que aconteceu no sábado de manhã”, afirmou dom Mário.
O fato é que com a grave crise política e econômica que atinge a Venezuela, centenas de pessoas tem deixado o país, a maior parte com destino à Boa Vista e Pacaraima. Entre 2017 e 2018, mais de 120 mil venezuelanos entraram em Roraima. Mais da metade deles já deixou o Brasil. Em julho, o governo brasileiro informou que quatro mil venezuelanos permaneciam em abrigos em Roraima. Poucos dias antes do conflito em Pacaraima, o portal da Cáritas Brasileira havia realizado uma entrevista com o arcebispo de Maracaibo e presidente da Conferência Episcopal da Vanezuela e da Cáritas América Latina e Caribe, dom José Luiz Azuaje Ayala.Segundo a Força-Tarefa Humanitária, composta pelas Forças Armadas e integrada por  organizações civis os ataques provocaram a fuga de 1,2 mil imigrantes de volta para a Venezuela. O conflito ocorrido no sábado, 18, chegou a provocar uma manifestação do governo venezuelano, que pediu que as autoridades brasileiras protegessem seus cidadãos. De acordo com a chancelaria venezuelana, foram solicitadas ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil “garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e medidas de resguardo e segurança de seus familiares”.
Ele havia solicitado para os brasileiros serem “solidários” e para não colocarem “qualquer obstáculo à caridade”. “Devemos lembrar que este mundo é feito para todos, que as fronteiras são linhas imaginárias para ordenar, mas não para o impedimento da realização dos seres humanos. Um migrante é um ser humano que tem dignidade em si mesmo, independentemente de raça, cor, credo ou ideologia. Todos nós possuímos a primeira dignidade que nos aproxima, irmãos, co-participantes de uma história comum no mundo”, disse o bispo.
Na entrevista, o bispo também garantiu que os venezuelanos não tem vocação para migrar, pelo contrário, sempre se distinguiram em acolher pessoas de outras países. “Se você sair do país é porque as condições de segurança econômica, social, pessoal e legal não permitem que você viva. É algo de vida ou morte para milhões de pessoas”, afirmou dom José Luiz.
Arquidioceses de Fortaleza
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América Latina enfrenta crise migratória venezuelana

Milhares de venezuelanos fogem, todos os dias, para os países vizinhos para escaparem da crise económica na Venezuela.
No Equador, dezenas de imigrantes desesperam após a autoridades começarem a exigir a apresentação do passaporte.
"Decidimos vir a pé porque não recebemos nenhuma resposta. As autoridades não vão carimbar nenhum documento", diz uma venezuelana.
Dispostos a correr todo o tipo de riscos, centenas de venezuelanos tentam entrar no Equador ilegalmente. Muitos pagam a camionistas para que os introduzam no país escondidos no meio das mercadorias, nos camiões.
Para isso, um grupo de 20 pessoas pode pagar cerca de 100 pesos para fazer a travessia, 150 se no grupo estiverem crianças.
Uma mulher conta que "não temos passaportes. As pessoas, aqui, têm um documento de identidade porque nos dão o mapa andino e a maioria das pessoas, que ficou a par da situação, fê-lo a caminho daqui".
Segundo a Organização Internacional para as Migrações, mais de cinco mil venezuelanos entraram diariamente no Equador, desde o início deste mês, o que levou o Governo de Quito a declarar o Estado de Emergência e a instaurar a obrigatoriedade de apresentação de passaporte. A exceção ocorre quando crianças e adolescentes estão a viajar com os pais.
"As minhas duas filhas estão no Chile e eu vim com a minha esposa e o meu filho. Agora elas estão em Quito à minha espera", conta um venezuelano.
No Brasil, as autoridades do estado de Roraima pediram ao Supremo Tribunal Federal que suspenda temporariamente a imigração na fronteira e que os venezuelanos, que já estão em território nacional, sejam enviados para outros estados.
O pedido surge depois de, no sábado mais de mil venezuelanos terem sido obrigados a abandonar a localidade fronteiriça de Pacaraima após o ataque da população local.
A revolta popular foi motivada pelo assalto e agressão de um comerciante brasileiro, por dois venezuelanos 
Euronews
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NOTA DA COORDENAÇÃO COLEGIADA DO SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES, SOBRE OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NA CIDADE DE PACARAIMA-RR.

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Nota do Serviço Pastoral dos Migrantes: A Cidadania Universal precisa ser construída em Pacaraima!

 O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) órgão vinculado à CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil) e rede de presença e ações em nível nacional ao serviço, acompanhamento e defesa de quem migra, promovendo sua dignidade e direitos para o reconhecimento da riqueza da diversidade humana. Após a notícia dos violentos atos ocorridos em Pacaraima, vem tornar público seu repúdio em relação a referida situação.

Em 18 de agosto de 2018, como resposta ao assalto e agressão a um comerciante local, parte da população de Pacaraima (RR) perseguiu refugiados com paus e pedras, destruindo seus acampamentos improvisados e ateando fogo a seus pertences, sem que esta população imigrante tivesse qualquer envolvimento com os fatos. Queremos aqui afirmar, nossa solidariedade a seu Raimundo e família, porém em consonância com a Defensoria Pública da União, entendemos que a prática desses atos violentos contra cidadãos estrangeiros em situação de vulnerabilidade, além de serem tipificados na legislação penal nacional, ocasionam o consequente retorno forçado ao país do qual saíram pela grave e generalizada violação de direitos básicos. Tudo o que acontece hoje também é consequência de um sistema injusto de concentração da riqueza e exclusão das pessoas e que se impõem no mundo todo destruindo povos e nossa casa comum pela ganância de poucos em detrimento da maioria.

A tímida resposta do Governo Federal, na articulação de um programa de interiorização eficaz, acaba fomentando o desenvolvimento de uma crise social nas primeiras cidades de acolhida.

De outro lado, ao tentar restringir direitos à população de determinada nacionalidade através de decreto e com seus reiterados pedidos de fechamento de fronteira, o Governo Estadual de Roraima alimenta o discurso xenofóbico de parte da população local, o que contribuiu significativamente para o acirramento da tensão social e disseminação de discursos de ódio. Autoridades de diferentes níveis da Federação e dos três Poderes que disseminam a discriminação e pleiteiam medidas populistas e inconstitucionais como o fechamento de fronteira ou cota de entrada de migrantes vêm agindo de forma irresponsável.

Destaque-se que episódios deploráveis como o deste final de semana encontram inspiração em discursos e medidas xenofóbicas por parte do poder público e que a falta de um trabalho integrado das administrações públicas para a acolhida, proteção, promoção e integração, somado ao consequente ressentimento acumulado pela população, geram barbárie e envergonha-nos mundialmente. Não esqueçamos que existem mais de 3 milhões de brasileiros no exterior buscando dignidade e segurança, da mesma forma que os Venezuelanos, refugiados e migrantes em procuram em nosso País. Assim, se quisermos ser respeitados lá fora, respeitemos os que aqui chegam
.
BASTA de ódio, violência e de injustiças contra o povo e SIM à acolhida, a solidariedade e ao diálogo pois temos a certeza de que os pobres e migrantes não devem ser culpados pela crise que o capital tem gerado no mundo, e que vem querendo se reinventar as custas das riquezas naturais de nossa América Latina. O Estado Brasileiro, do alto de suas atribuições, deve convidar a sociedade civil e as instituições que servem a acolhida, proteção, promoção e integração dos venezuelanos para organizarem em conjunto ações que atendam a contento esse fluxo migratório, de forma digna e que enobreça nossa nação.

 SENHOR FAZEI-NOS INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ! Canto de S. Francisco

SPM – SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

População de Migrantes triplica em dez anos em Curitiba

População de 'estrangeiros' triplica em dez anos em Curitiba
A população de estrangeiros em Curitiba vem crescendo nos últimos anos e a Prefeitura reforçou o atendimento a essa população. Dados do Ministério do Trabalho mostram que somente na capital o número de trabalhadores estrangeiros no mercado de trabalho formal mais que triplicou em dez anos – passou de 1.059 para 3.464 entre 2007 e 2016 (último dado disponível).
De acordo com o levantamento, desse total, 1.911 estavam no setor de serviços, seguido pelo comércio (765), indústria (463) e construção civil (313). Quase 40% dessa população era formada por haitianos, mas há também argentinos, paraguaios e portugueses, chilenos e venezuelanos que vêm para a cidade em busca de uma vida melhor.
Com esse aumento, a Prefeitura de Curitiba vem adotando políticas para essa população, desde acolhimento e orientação, até a intermediação de mão de obra, confecção de carteira de trabalho e capacitação de mão obra.  
“Curitiba, pelo desenvolvimento econômico e pelo planejamento urbano é uma cidade que sempre atraiu muitos estrangeiros. Além dos haitianos, houve uma quantidade expressiva de estrangeiros de países desenvolvidos que vieram para a cidade para trabalhar em empresas aqui”, disse Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).
“Agora, o que vemos é uma nova leva de estrangeiros, puxada pelos venezuelanos”, concluiu Júnior.
Acolhimento
Dados da Fundação de Ação Social (FAS) mostram que 379 estrangeiros foram atendidos na Casa da Acolhida e do Regresso no ano passado. Até maio desse ano já passaram pelo local 176.
A unidade, que funciona na Rodoferroviária, oferece acolhimento emergencial grátis e também garante o suporte e orienta quem veio para ficar. A FAS dispõe de 1.188 vagas para atendimento a pessoas em situação de rua nas modalidades Casa de Passagem, Abrigo e Repúblicas.
Uma das metas é incluir a pessoa na rede socioassistencial do município para evitar a marginalização e prevenir a violência. Isso inclui providenciar vagas de albergagem para quem chega. “A população estrangeira que migra de outros países por contingências sociais, chega ao Brasil na maioria dos casos em situação de extrema vulnerabilidade social. Com isso, são um dos públicos prioritários para atendimento nos Cras e nos Creas, que prestam serviço de proteção social a toda população”, diz Ana Luiza Suplicy Gonçalves, Assessora Técnica de Planejamento da FAS.
De acordo com dados da diretoria de Relações do Trabalho, entre o início de 2017 e julho desse ano, foram 1.953 estrangeiros encaminhados para vagas de trabalho por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Desse total, 61 foram colocados nas vagas.
Um mapeamento do perfil desse trabalhador mostra que eles são na maioria do sexo masculino, tem entre 30 e 39 anos e mais de 50% tem ensino médio completo. Os trabalhos que mais tiveram colocações de estrangeiros foram de faxineiro e de auxiliar de serviços de alimentação.
Qualificação
Também é grande o número de estrangeiros que buscam capacitação em cursos do programa Liceus de Ofícios, que garante qualificação de graça para população em situação de vulnerabilidade.
Atualmente são oito estrangeiros fazendo cursos nos Liceus, quatro haitianos, um boliviano e dois venezuelanos.
Depois de fugir das dificuldades na Venezuela e ficar um tempo em Roraima, o engenheiro civil  Diorglan Chourio, de 31 anos, veio há dois meses para Curitiba, onde está fazendo um curso gratuito de reparação de eletrodomésticos de linha branca na Casa Klemtz.
“Eu estudei ir para três lugares. Além de Curitiba, pensei em Florianópolis e Porto Alegre. Mas decidi vir para cá porque acho que tem mais oportunidade e porque o clima é bom”, diz ele, que veio com a esposa.  Chourio, que trabalha como pizzaiolo em um restaurante, sonha com um emprego com carteira assinada e estabilidade.
“Estamos construindo uma nova vida, do zero, aqui em Curitiba. Então queremos poder fazer nossas coisas, pagar aluguel, quem sabe comprar uma casa própria, comprar geladeira, fogão, cadeira e mesa para casa”, disse.
Maikol Bolivar, também de 31 anos, deixou a esposa e os filhos na Venezuela para tentar uma vida nova em Curitiba e assim que possível, trazê-los para a capital. Formado em estatística, ele também cursa de segunda a sexta-feira o curso de reparação de eletrodomésticos promovido pelo programa Liceus do Ofícios.
“É uma oportunidade interessante porque sou novo aqui na cidade e posso fazer um curso de graça. Curitiba tem um alto desenvolvimento humano e um bom sistema de transporte. A minha ideia é me estabelecer aqui”, disse Bolivar.  
“É preciso pensar no indivíduo de maneira global e proporcionar uma vida mais digna, independentemente dos motivos que o levaram a sair do seu país de origem. Para isso, a FAS Trabalho prioriza este público nas ações de qualificação profissional e de intermediação de mão de obra”, explicou Fabiano Vilaruel, diretor de Qualificação para o Trabalho da FAS Trabalho.
“A empregabilidade abre portas para outros quesitos primordiais, como moradia digna, acesso à cultura e uma alimentação de qualidade”, definiu Vilaruel.

Governo define novas medidas para reforçar segurança em Roraima

Ministros de Estado, secretários-executivos e outras autoridades se reuniram nesta segunda-feira (20) com o presidente da República, Michel Temer, para discutir medidas e avaliar a situação da segurança nas fronteiras da Venezuela com o Brasil.
Na segunda-feira (20), um grupo interministerial viajou a Pacaraima (RR), onde conflitos entre brasileiros e venezuelanos foram registrados, para avaliar a situação. O grupo retorna a Brasília nesta terça-feira (21), quando deverá se reunir novamente para definir novas ações.
No domingo, Temer convocou ministros e assessores no Palácio da Alvorada. Ele determinou a intensificação de esforços da interiorização de venezuelanos em outros Estados; a criação de um abrigo de transição entre Pacaraima e Boa Vista; o envio de 36 voluntários da área de saúde para Roraima; e o reforço da segurança no Estado com mais 120 homens da Força Nacional.
O governo está comprometido com a segurança dos brasileiros e o acolhimento aos venezuelanos. A situação no Estado é monitorada desde 2016. Já foram aplicados mais de R$ 200 milhões no ordenamento de fronteira, na construção de 10 abrigos e na transferência de venezuelanos para outros Estados.
LinhãoEnquanto a situação nas cidades de Pacaraima e Boa Vista continua em monitoramento, representantes de diferentes ministérios se reuniram no Palácio do Planalto e entraram em um acordo para viabilizar o início da construção do Linhão de Tucuruí, antiga demanda de Roraima para interligar o estado ao restante do sistema elétrico nacional.
Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, a licença ambiental deve ser emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até o fim de setembro, permitindo que a empresa responsável pela obra inicie os trabalhos ainda neste ano.
Fonte: Planalto
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