segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pesquisa revela perfil, os dramas e onde estão os estrangeiros que vivem no Brasil

Quando começa a falar sobre os últimos anos de sua vida, Mohammad Kheir Alnmere, de 35 anos, parece voltar a um passado não tão longe, mas muito triste. O homem olha sempre distante, talvez tentando imaginar o percurso entre a Síria e o Brasil, país onde ele entrou como refugiado, há um ano. Ele fugiu de sua terra natal em busca não apenas de uma vida melhor, mas, sobretudo, de segurança. Afinal, a guerra civil que devassa os sírios, fez uma vítima próxima a Mohammad: seu filho de nove anos, que estava com câncer e morreu por falta de atendimento médico em função do bombardeio ao hospital onde estava internado. Sua filha ficou ferida e sua casa destroçada.
O sírio hoje é um dos milhões de imigrantes, apátridas e refugiados (que são considerados imigrantes forçados) que entraram no país, desde os primeiros anos do descobrimento do Brasil. A história de Mohammad se junta a outros estrangeiros que decidiram sair de suas nações em busca de algo melhor para suas vidas. Ele escolheu viver na Europa, depois de passar por vários outros países do Oriente Médio, mas não foi aceito em nenhum deles. Foi roubado durante a viagem e gastou US$ 12 mil para chegar até Brasília, onde mora com a filha. Achou que o Brasil seria a ponte para outros continentes, mas acabou permanecendo por aqui, e hoje vive de bicos em um comércio.
Entretanto, sua vida não tem sido fácil. “Gosto das pessoas aqui do Brasil, mas é difícil trabalhar. Além disso, tem o problema da língua”, diz Mohammad, em árabe, traduzido por Musa Aheo Sahori, um filho de palestinos, que serve de interprete. Hoje o sírio vive no Distrito Federal com a filha. Já está abandonando a ideia de viajar pela Europa, mas reclama da burocracia para tirar seus documentos no país. “Deveria ser mais ágil”, diz.
A imigração para o Brasil começou há 485 anos, quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram aqui para plantar cana de açúcar. Desde este período até agora, os fluxos diminuíram, mas nunca pararam. No século XIX foram os europeus e japoneses, que viam o país como uma Nação próspera. Depois surgiram as duas grandes guerras, nas décadas de 1910 e 1940. Mais recentemente, chegaram os haitianos – fugindo da miséria de seu país, devastado por um terremoto em 2010 – e os sírios, acossados pela guerra civil que nunca acaba.

“A história da sociedade brasileira forjada com o fluxo migratório para o país, apesar de termos tido episódios lamentáveis que foi o tráfico de escravos”, diz Beto Vasconcelos, presidente do Conare (Conselho Nacional de Refugiados) e secretário Nacional de Justiça. “Hoje nossa identidade é plural e, além disso, não temos preconceito, racismo ou xenofobia a estrangeiros. Os brasileiros são pessoas tolerantes”, acrescenta.
A pesquisa “Migrantes, apátridas e refugiados: subsídios para o aperfeiçoamento de acesso a serviços, direito e políticas públicas no Brasil”, mostra um quadro do que precisa ser feito. Idealizado pela Secretaria de Assuntos Legislativos em parceria com a Secretaria Nacional de Justiça e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o estudo mostra que os imigrantes estão espalhados para quase todos os estados brasileiros. O trabalho, que faz parte do projeto Pensando o Direito, confirma que dois dos principais problemas para o imigrante é justamente o que Mohammad reclama: o idioma e a documentação.
 “A pesquisa, ao longo de dois anos, não foi apenas acadêmica, mas de campo e foi um instrumento para que pudéssemos desenvolver políticas públicas para o setor”, afirma Beto. Ele dá exemplos da emissão mais rápida de documentos, com a descentralização das ações neste sentido para estados e municípios. O secretário, que tem sob sua responsabilidade o Departamento de Estrangeiros, reconhece que ainda falta resolver o entrave do idioma. “O desafio importante é desenvolver capacitações de línguas, com aulas de português, o que vamos fazer firmando parcerias com os demais entes federativos”, explica.
Pelos dois problemas também passou Jihal Abdul Qader Issa, um jordaniano de 37 anos que chegou ao Brasil em 2013. Antes de chegar aqui ele tentou outros países e hoje espera sua regularização definitiva no país. O rapaz aguarda a tramitação de seus documentos, que estão na Polícia Federal atualmente. “O problema aqui é a língua e trabalho”, diz ele, que também se declara um entusiasta pelos brasileiros.
A professora de Direito da UniSantos (Universidade Católica de Santos) Liliana Lyra Jubilut, coordenadora da pesquisa, diz que o estudo derivou de duas grandes situações. A primeira foi o aumento significativo do fluxo migratório mundial e que está tendo reflexos no Brasil. Segundo ela, isso acontece principalmente pela melhoria das condições econômicas do país, além das novas oportunidades, como os grandes eventos realizados nos últimos dois anos, como a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2016. Liliana explicou que a outra situação foi a chegada dos haitianos, que hoje somam mais de 70 mil.
De onde vem e para onde vai
A pesquisa mostra um retrato de como estão e por onde circulam os imigrantes até entrar em solo brasileiro e para onde vão ao chegar ao país. Segundo Liliana, a intenção foi mapear os imigrantes. Hoje, não se tem um número exato de quantos estão no Brasil, mas a estimativa é que é em torno de 1,5 milhão. Entre ele, mais de oito mil refugiados de 80 nações diferentes. Além do perfil dos estrangeiros, a pesquisa pôde verificar diversos fatos, inclusive de relatos de tráfico de pessoas, principalmente no Norte e Sudeste.


O estudo também desenhou a rota dos haitianos que entram no Brasil. Por via terrestre, a rota principal é pelo Acre. Os primeiros que vieram para o país, segundo o estudo, sofreram xenofobia, além de críticas pela abertura das fronteiras. O documento mostra um detalhe importante: a questão da imigração na região só virou tema de debate agora, mesmo o Acre abrigando centenas de bolivianos ou peruanos. “Bolivianos e peruanos são praticamente invisíveis aos olhos do poder público, gerando poucas ações governamentais efetivas”, observa o relatório sobre o estado.
O Amazonas, mais concretamente a cidade de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, foi a segunda porta de entrada dos haitianos, mas em menor escala. Enquanto que pelo Acre chegaram pelo menos 28 mil estrangeiros provenientes de Porto Príncipe, pelo estado vizinho entraram em torno de cinco mil pessoas. E a questão dos imigrantes “invisíveis” também existe por lá. Do outro lado do Rio Solimões estão a cidade de Letícia, na Colômbia, e a vila de Santa Rosa, no Peru. A população de ambas as localidades transita normalmente por território brasileiro, com ou sem documentos de imigração.
Um fato chamou a atenção dos pesquisadores em Roraima. O estado tem forte fluxo migratório, mas há uma espécie de invisibilidade quanto a eles. O motivo é a falta de estrutura dos órgãos públicos no atendimento. Isso pode representar no futuro, um grande problema, que é a entrada de haitianos no Brasil pelo estado. Isso pelo fato de a estrada ligando Lethem – na fronteira com o Brasil – a Georgetown, estar sendo reformada. A capital da Guiana é próxima do Caribe.  
Pará e Amapá, apesar de próximos da Guiana Francesa, são dois estados que possuem imigrantes, mas são quase imperceptíveis. Assim como Alagoas e Tocantins que, a não ser turistas, não tem atrativos para imigrantes, seja ele reassentado ou refugiado. O mapa gerado pela pesquisa mostra que São Paulo, além de nigerianos, bolivianos e haitianos, que são maioria, tem estrangeiros de praticamente todas as nacionalidades.Os sírios que estão entrando no Brasil se concentram mais em São Paulo, em pequena quantidade em outros estados e no Distrito Federal. No Rio de Janeiro estão pessoas vindas do Congo, fugindo da guerra civil, de Angola, e do Haiti.
Ressabiados de tanta promessa, os imigrantes de São Paulo relutam em conversar com os brasileiros. “Algumas nacionalidades, como os haitianos e bolivianos, estão cansadas da constante abordagem pela mídia e se mostram reticentes a participar de entrevistas, pois consideram que o esforço de evidenciar os problemas vivenciados não trouxe resultados às suas demandas”, relatam os pesquisadores, ao justificarem as dificuldades em obterem mais informações sobre a situação dos estrangeiros na capital paulista.
A pesquisa
A pesquisa localizou todas as categorias migratórias: refugiados, solicitantes de refúgio, migrantes econômicos, pessoas que deixam seu país por questões humanitárias e deslocamentos ambientais. Além disso, há os grupos considerados vulneráveis, como as mulheres, os idosos e as crianças, entre outros casos, como dos haitianos, considerados imigrantes em situações de crise. Chegam ao Brasil muitos homens, mas o número de mulheres está crescendo. A média de idade dos estrangeiros é de 18 a 40 anos.
Um detalhe assinalado pela pesquisa é à entrada dos imigrantes no país. Para que eles possam ficar no país de forma legal, os estrangeiros solicitam o refúgio. Isso acontece mesmo que a pessoa não se enquadre nos requisitos solicitados pelo governo. O motivo, conforme o relatório do estudo, é que as formas de regularização migratória no país são poucas. 

 Fato Online

Estudo mostra que 86% dos imigrantes tiveram os direitos violados no Amazonas

No Amazonas, 86,7% dos imigrantes, sendo a maioria haitianos, afirmam ter sofrido algum tipo de violação dos direitos humanos,  segundo a pesquisa ‘Migrantes, apátridas e refugiados: subsídios para o aperfeiçoamento de acesso a serviços, direitos e políticas públicas no Brasil’, do Ministério da Justiça, divulgada na semana passada. 
Parte do projeto  ‘Pensando o Direito’, os dados são resultado de pesquisas realizadas em Manaus, Tabatinga e Benjamin Constant, com participação de 22 instituições responsáveis pelo combate ao tráfico de pessoas e nas políticas de imigração no Estado. 
Conforme o estudo,  75% dos imigrantes afirmam ter sofrido violação dos direitos trabalhista e 25% por discriminação. Outros tipos de violações citadas são 18,15% por trabalho escravo; 13,34% por dificuldades com o acesso a saúde básica e 7,26% com o trabalho servil.
A vendedora de água Beatrice Philomene, 35, que veio do Haiti em 2012, afirmou que ao longo dos três anos que mora na capital do Amazonas, sofreu preconceito apenas uma vez.
“Logo quando cheguei, eu e meu esposo estávamos precisando muito de trabalho e uma mulher pediu para eu lavar roupa e cuidar da casa dela, trabalhei pouco tempo lá, não mais que dois meses porque me sentia discriminada. Não podia passar na sala quando tivesse gente de fora, as filhas dela me olhavam assim meio de lado, foi uma situação muito ruim”, disse. 
Ela conta que era comum o oferecimento de menos de um salário mínimo para trabalhar. “A gente recebeu a informação, nos falaram lá na igreja quanto era o salário mínimo aqui no Brasil e por isso eu não caí nessa, tinha que mandar dinheiro para minha mãe, não podia ganhar tão pouco”, afirmou ela ao lembrar que algumas vagas ofertadas em 2012 pagavam salários de cerca de R$ 500.
Ao contrário da vendedora, o funcionário da fábrica de sorvetes localizada na igreja de São Geraldo, Jean Wilkenson Justin, 29, afirma que nunca sofreu com o preconceito. “Por aí o máximo que falam é: ‘Oi negão, tudo bem negão’, mas eu não me importo porque sou mesmo negão”, disse. 
Segundo ele, em todas as oportunidades que teve no Brasil, a carteira de trabalho foi assinada o que, para Justin, garantiu a ele uma proteção maior.  
Documentação
A pesquisa também divulga que 94,11% dos imigrantes possuem documentação brasileira. A maioria, cerca de 40% teve dificuldade de um a seis meses para conseguir se regularizar e obter documentos nacionais.
Quanto a moradia, 76,9% informaram ter tido dificuldades em conseguir um lugar para morar. Cerca de 80% confirma ter contado com ajuda de instituições públicas para conseguir uma moradia. Todos os alojamentos são alugados, sendo que 70% possuem um lugar próprio. 
No acesso aos serviços públicos de saúde, 69,5% dos imigrantes informaram ter conseguido obter o atendimento. Não há dados disponíveis quanto ao acesso a educação. 
Num geral, os obstáculos e dificuldades enfrentadas pelos imigrantes identificados na pesquisa em Manaus figuram falta de creches; dificuldade de acesso à primeira moradia diante da ausência de vagas em abrigos públicos e curta estadia permitida; valor elevado de aluguéis e inadequação das moradias; obstáculos de acesso ao trabalho por falta de vagas de emprego e baixos salários; falta de acesso à informação; discriminação por parte de órgãos públicos e da sociedade; e violação de direitos trabalhistas.
O estudo concluiu que a grande porta de entrada para a imigração no Estado do Amazonas é a cidade de Tabatinga, que fica localizada na tríplice fronteira (Brasil, Peru e Colômbia). Essa localidade, distante de Manaus (mais de 1000 km em linha reta), possui algumas peculiaridades, como o fato de o controle fronteiriço ser bastante livre. 
Segundo os dados obtidos com a pesquisa, mais de 5 mil haitianos adentraram ao País por aquela fronteira, demonstrando a importância estratégica de um melhor atendimento.  
MJ diz que 50% ganham menos que um salário mínimo
Quanto ao trabalho,  50% dos imigrantes ganham menos de um salário mínimo. Segundo o estudo, 64,4%  possuem algum ente familiar com renda mensal. Cerca de 50% recebem menos de um salário mínimo, 27,75% ganham até dois salários mínimos e 22,25% possuem renda de até um salário mínimo. 
Quando questionados quais as maiores dificuldades e obstáculos encontrados no Brasil, 22,85% dos imigrantes relatam o problema em conseguir um trabalho. A segunda maior dificuldade, 20%, são financeiras e a terceira, 17,15% com o idioma.  Entre os imigrantes 75% reclamam do acesso a trabalho e emprego, com 88,5% dos casos afirmando terem obtido auxílio de instituições públicas de trabalho e emprego.
 
O padre Gelmino Costa, membro da Pastoral do Imigrante em Manaus, que funciona na Paróquia de São Geraldo, zona centro-sul, informa que hoje as dificuldades são grandes para os imigrantes conseguirem emprego e que, a média salarial na capital é de menos de um salário mínimo. “Essa é uma dificuldade real. Em Manaus sempre foi essa média salarial, principalmente porque esses haitianos possuem profissões para essas funções”, disse. 
Gelmino explicou que, atualmente, os haitianos estão com mais dificuldades em conseguir um emprego. O padre disse que antes empresários vinham do Sul em busca dos haitianos e hoje a procura não existe mais. 
“No início, em 2012 e 2013, investidores vinham do sul buscar os haitianos para trabalho braçal. Agora, com os haitianos indo direto para lá, eles não vem mais aqui, pois não precisam ter de pagar passagem para levarem os haitianos”, relatou. 
Hoje, a Pastoral abriga 30 a 40 haitianos desempregados. A instituição auxilia os imigrantes dando moradia, água e alimento, mas é pouco segundo padre Gelmino. “A gente tenta buscar trabalho para eles, damos abrigo e comida, mas não é muita coisa”, explicou. 

 D24AM

sábado, 21 de novembro de 2015

MTPS divulga dados sobre o número de trabalhadores estrangeiros no Brasil

Entre julho e setembro deste ano, foram concedidas 10.703 autorizações de trabalho para profissionais estrangeiros. Os dados foram divulgados nesta semana pela Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Previdência Social (CGIg/MTPS). O perfil das autorizações concedidas no terceiro trimestre de 2015 é predominante de trabalhadores com ensino superior e médio completos (10.018).

O relatório indica que, acompanhando a tendência do primeiro semestre de 2015, grande parte dos trabalhadores que receberam autorização de trabalho no Brasil é composta por profissionais das ciências e das artes (4.734); por técnicos de nível médio (2.909); dirigentes do poder público, de organizações de interesse público e gerentes (926); de produção de bens e serviços industriais (892) e de serviços e comércio (836).

Um grupo de 3.495 estrangeiros recebeu autorização de trabalho por até 90 dias e outros 1.533 de até um ano. Também foram concedidas 1.266 concessões de trabalho de até dois anos, com contrato no Brasil e outras 3.838 concessões de até dois anos, sem contrato no país.

Entre as unidades federativas, o Rio de Janeiro liderou com 4.722 autorizações. Em seguida estão os estados de São Paulo (3.987), Ceará (483) e Minas Gerais (374).

Os profissionais dos Estados Unidos lideram as concessões (2.032). Em seguida, estão o Reino Unido (846); Filipinas (757); Índia (748) e Itália (516). O ministério concedeu ainda 319 autorizações de trabalho para residentes dos países que integram o Mercosul e associados. Os trabalhadores da Venezuela lideram (68); seguidos pela Colômbia (65); Argentina (59); Peru (54); Chile (36) e Uruguai (25).

A maior parte das concessões envolve estrangeiros com idade entre 35 e 49 anos (4.495) e entre 20 e 34 anos (4.108). Os homens somaram 9.374 autorizações de trabalho e as mulheres 1.329.      

No mesmo período, foram concedidas 1.364 autorizações com base nas Resoluções Normativas 27, 70, 77 e 84 do Conselho Nacional de Imigração (CNIg). As resoluções tratam, respectivamente, de situações especiais e casos omissos, dos critérios para concessão de visto permanente para estrangeiro designado para administrar entidades sem fins lucrativos, de estrangeiro em união estável e de situações especiais envolvendo investidores estrangeiros

MTE

Um mundo sem imigrantes, sem refugiados e… sem inovações na ciência e tecnologia

Estamos passando por um período que será retratado nos livros de história em alguns anos. Período esse no qual guerras e conflitos violentos em países como Síria, Iraque, Afeganistão, Nigéria e Haiti forçam seus habitantes a procurem outro país para viver. Ou sobreviver.

Como era de se esperar, recentemente muitos deles passaram a procurar abrigo na Europa, o que gerou situações extremamente tristes, como embarcações que afundaram, deixando muitos mortos, incluindo idosos e crianças, crises de imigração em diversas fronteiras, braços abertos de países como a Alemanha, mas também braços cruzados por parte de outras nações européias — a exemplo da Polônia, que devido ao seu passado, diante do que aconteceu com a Alemanha nazista e os russos décadas antes, esperava-se que fosse ser menos radical.

Adicione a essa receita do caos o que aconteceu em Paris, todos os ataques terroristas, a motivação religiosa, econômica e política do Daesh (prefiro não chamar de Estado Islâmico), fomentada pelo extremismo de seus integrantes, e temos um cenário de medo e desinformação, que culmina em intolerância e xenofobia.

Nos Estados Unidos, a confusão é tanta que algumas pessoas chegaram a criar comitês regionais para tentar evitar que seus estados recebam refugiados muçulmanos, sendo que uma atitude como essa se dá em esfera federal. O presidenciável Donald Trump, o mesmo que quer criar uma muralha nas fronteiras com o México para combater imigrantes ilegais, chegou a propor um plano para registrar muçulmanos, obrigando-os a portar um documento ou insígnia para evidenciar sua religião ou seu país de origem. Para quem não se lembra, foi exatamente isso que os nazistas fizeram com judeus.

Pode parecer redundante o que eu vou dizer, e não é, mas poucas coisas nesse mundo são mais assustadoras que o medo coletivo.

Teoria do caos, Efeito Borboleta e um mundo completamente diferente

Eu não sei se todos estão familiarizados com estes conceitos, mas antes de falar da parte técnica disso (e pelo bem da arte que existe por trás de termos matemáticos), dê uma olhada nesse diagrama da trajetória do sistema de Edward Lorenz (com valores r = 28, σ = 10, b = 8/3):


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Lindo, né? Você nota como as linhas vão para um lado das asas da “borboleta”, fazem a curva e voltam para a outra asa, mas com uma mudança em seu trajeto, da mais sutil à mais drástica? Pois é. Segundo a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas. Poético.

Eu poderia aqui criar um sistema dinâmico, com a definição matemática, mas antes de terminar de escrever a fórmula, vocês estariam dormindo. Prefiro ficar com a parte divertida da coisa, e ninguém melhor que o Átila do Nerdologia para mostrar o conceito de uma forma tão didática:


Com isso em mente, comecei a me questionar sobre como seria o mundo hoje em dia se os países fechassem suas fronteiras para pessoas em necessidade, pautados no medo, preconceito religioso ou xenofobia. E se isso fosse aceitável?

Dos mais renomados estudos científicos, aos mais simples componentes eletrônicos, muita coisa mudaria. Justamente porque boa parte destas coisas se tornaram realidade, direta ou indiretamente, por causa de imigrantes e/ou refugiados.

Albert Einstein


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Que tal viver num mundo no qual descobertas imprescindíveis do ramo da Física, ou a Teoria da Relatividade, padecessem diante de um regime ditatorial?

Albert Einstein foi uma das maiores mentes científicas do mundo. Ele ganhou prestígio e fama por suas descobertas, incluindo a Teoria da Relatividade. Em 1921, Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física.

Na década de 1930, os nazistas chegaram ao poder, e Einstein passou a sofrer antisemitismo e perseguição, obrigando-o a fugir para os Estados Unidos. Lá ele assumiu um cargo de professor na Universidade de Princeton e, além de ter ajudado a proteger e salvar judeus alemães, foi mentor de muitos de seus estudantes, os auxiliando a seguirem carreira e compartilharem seu conhecimento.

Frédéric Chopin


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Polonês nascido em 1810, Chopin foi provavelmente o maior compositor do século XIX. Apaixonado, trágico, melancólico e patriota, esse gênio da música sonhava com uma Polônia livre. Ainda estudante ele planejou uma insurreição contra os russos, e passou a divulgar a causa da Polônia no exterior, através de sua música, com permissão de seu pai, um patriota polonês inveterado.

Chopin deixou a Varsóvia e se mudou para Viena. Alguns meses depois, quando os combates começaram, ele foi aconselhado a não voltar, sendo acolhido pela nobreza polonesa que se refugiava em Paris, por volta de 1831.

Raphael Lemkin


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O advogado polonês Raphael Lemkin foi responsável por cunhar o termo “genocida”, muito antes do mundo conhecer os horrores de Auschwitz. Já em 1933 ele apareceu diante do conselho Jurídico da Liga das Nações, em Madrid, com uma proposta pacificadora, na tentativa de proibir atos de barbárie e vandalismo.

Ele ajudou a elaborar o código penal da recém-independente Polônia, pouco depois da Primeira Guerra Mundial, e serviu como promotor público em Varsóvia até 1934, quando ataques antissemitas o obrigaram a abandonar seu trabalho governamental. Em 1939 ele teve que fugir, se escondendo em florestas a caminho da Suécia.

Em 1941 ele conseguiu asilo nos Estados Unidos, se tornando professor da Duke University. Até hoje Lemkin é conhecido como uma das vozes mais fortes na luta contra crimes de guerra.

Satya Nadella


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Nadella nasceu em Hyderabad, Andhra Pradesh (hoje Telangana), Índia, no ano de 1967. Mudou-se para os Estados Unidos em 1988 para estudar e não voltou mais.

Ele fez grandes contruibuições à Sun Microsystems, foi contratado pela Microsoft em 1992, chefiou a divisão de serviços nas nuvens e, em fevereiro de 2014, se tornou CEO da Microsoft, o terceiro da história da empresa;.



Sergey Brin


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Imagine o mundo atual sem o Google. Pois é, complicado, né? Sergey Brin nasceu em Moscou, na Rússia. Quando ele tinha 6 anos de idade, seus pais se mudaram para os Estados Unidos, onde ele cresceu, se desenvolveu e deu frutos. Não, calma, isso é uma árvore.

Seus pais, Mikhail e Yevgenia Brin, ambos formados pela Universidade Estadual de Moscou, se tornaram, respectivamente, professor de matemática na Universidade de Maryland e pesquisadora do Centro de Vôos Espaciais Goddard, da NASA. Imagine as conversas na hora do jantar dessa família!

Brin seguiu os passos de seu pai, estudando matemática e, depois, se formando em Ciência da Computação. Quando estava estudando na Universidade de Stanford para adquirir o título de PhD, ele deu início a uma pequena startup, chamada Google, numa garagem alugada. O resto é história. Pode procurar no… tá.

Vale citar que o atual presidente do Google é Sundar Pichai, ou Pichai Sundararajan (ou: பிச்சை சுந்தரராஜன்), nascido na Índia, e que também estudou em Stanford.

Steve Jobs


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A crise da Síria trouxe à tona novamente o fato de que o pai biológico de Steve Jobs, fundador da Apple, NeXT e Pixar, era um refugiado político da Síria. Abdul Fattah Jandali fugiu do Oriente Médio por causa dos protestos e revoltas armadas que aconteciam no Líbano entre 1952 e 1954.

Como hoje, muitos optavam em ir para a Europa, mas Jandali conhecia o até então embaixador sírio das Nações Unidas, Najm Eddin al-Rifai, e foi morar em New York.

Ele conseguiu uma bolsa de estudos na Wisconsin University, onde obteve o título de PhD em Economia e Ciências Políticas. E onde também conheceu Joanne Carol Schieble, uma garota católica de origem alemã-suíça, com quem teve um relacionamento amoroso. Eles engravidaram, mas a família de Joanne não aceitava o namoro de forma alguma, justamente pelo fato de Jandali ser muçulmano. Os dois se separaram e a criança foi colocada para adoção em San Francisco, sob a condição de que os pais adotivos fossem católicos e tivessem formação superior. Assim o bebê foi parar nos braços do casal Paul e Clara Jobs.

Num mundo de fronteiras fechadas, a história da computação pessoal seria completamente diferente. E talvez não tivéssemos smartphones. Certamente iPhones não existiriam, nem filmes da Pixar. Como viver num mundo sem Toy Story, sem Wall-E, sem Vida de Inseto, sem Procurando Nemo, sem Up: Altas Aventuras? Não tem condições.


Matheus Gonçalves

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Matheus Gonçalves é um brasileiro que se mudou para os Estados Unidos em…

Não, sacanagem!

Um mundo de igualdades e diferenças

Dizem que a maior demonstração de igualdade é a total aceitação das diferenças. E eu acredito nisso. Sei que é difícil manter um espírito otimista e humanitário vendo extremistas religiosos tirando vidas inocentes, ou tendo bom senso e clareza de ideias a milhares de quilômetros de distância de uma cultura desconhecida, de um sofrimento que não se sente.

Isso deturpa qualquer indício de empatia.

Mas ficou evidente que o mundo seria completamente diferente caso a xenofobia crescente fosse a voz da maioria. E existem muitos outros imigrantes ou refugiados nem tão famosos, mas que participaram ativamente em ações que mudaram a história como a conhecemos. A lista é imensa.


E você, o que pensa disso tudo? Tem outros nomes para adicionar à lista?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ensino da cultura afro-brasileira nas escolas iria salvar o Brasil do racismo

Nesta sexta-feira (20), celebra-se em algumas cidades brasileiras o Dia da Consciência Negra. Uma data marcada para refletir e discutir sobre o preconceito racial que ainda está muito presente no cotidiano brasileiro.

A reportagem do R7 conversou com o secretário especial de políticas de promoção da igualdade racial da Presidência, Ronaldo Barros, que alerta que “o número de mortes de jovens negros no Brasil é maior do que em regiões em guerra”. Segundo ele, as mortes de jovens negros já chegam a 70 mil por ano no Brasil.

Reflexo de “um sistema de desigualdade racial”, como sugere Barros, o Brasil ainda tem muito para avançar nesse aspecto. “O racismo mata. O preconceito racial é algo que já é concebido e estigmatizado. Ele está na construção mental do brasileiro. As pessoas operam o racismo antes de qualquer reflexão”, alerta.
Barros destaca que “o pensamento racista é irracional e funciona como uma compulsão. Isso faz com que, algumas pessoas, sempre associem o negro a coisas negativas e cria a vontade de que eles sejam excluídos da sociedade”, e isto é real no dia-a-dia.
Racismo é escancarado

O R7 também entrevistou Juliana Serzedello Lopes, professora de história. A docente alerta que o racismo no país “é escancarado”. Mas também é “envergonhado”, pois “quando vemos as estatísticas de não escolaridade, de uso de drogas, de prisão, todos esses índices ‘ruins’, a população mais afetada é dos negros”.

“Então temos um racismo que é bem escancarado, nítido”, pontua.

O secretário Barros concorda com o pensamento da historiadora e explica que, muitas vezes, “o racista pensa que não é racista e não acredita que ele pode ser defensável e, por isso, acaba reproduzindo a fala de que o racismo não existe no País”.
“Como ele não sofre o racismo, ele não sente o racismo. O problema é encoberto. Construções ideológicas tentam “maquiar” o racismo, mas ele é um mecanismo perverso de exclusão e violência”, explica o secretário.

A elite do País, segundo a historiadora, é racista e tem vergonha de dizer publicamente o que pensa, o que não quer dizer que é menos racista por isso. “A nossa elite é racista e não é de hoje. O que eu lamento é que, em vez de enfrentar o debate, os covardes publicam atrás de portas de banheiros”.

Ensino da cultura afro-brasileira nas escolas

De acordo com a professora, “falta de um combate direto” ao racismo no Brasil e, isso faz com que a situação continue se perpetuando. Juliana destaca que é preciso punir as pessoas que fazem declarações racistas. No entanto, é mais relevante ainda que a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, seja colocada em prática para garantir uma resolução em longo prazo.

“Porque, aí sim, teríamos profissionais em todas as áreas que iam saber a importância do negro e do índio no Brasil”, ressalta a professora ao R7.

Barros concorda que as leis (como a citada pela professora e a lei de cotas) são fundamentais para que todos entendam como a cultura afro contribuiu para a nossa sociedade. Porém, ele garante que também é preciso uma mudança cultural.
“O Brasil precisa avançar no mundo privado. A lei assegura um estado de direito, mas é preciso uma nova compreensão. É preciso que as pessoas reflitam sobre as mazelas que o racismo causa”, finaliza.


 Geledes

Ministros de países latinoamericanos discutirán migración cubana

Ministros de Relaciones Exteriores de los países latinoamericanos de tránsito para los migrantes cubanos se reunirán el próximo martes en El Salvador para discutir la apertura de un corredor humanitario que facilite su paso a Estados Unidos, anunció el jueves el gobierno costarricense.
El canciller de Costa Rica, Manuel González, dijo a periodistas que el tema fue abordado el jueves en San Salvador por la Comisión de Seguridad de Centroamérica, que apoyó la convocatoria de los ministros de Cuba, Ecuador, Colombia, México, Panamá, Costa Rica, Nicaragua, Honduras, El Salvador y Guatemala.

“Los países han reaccionado de forma positiva y solidaria, han entendido que el aspecto humanitario está en juego y que debe ser abordado integralmente por toda la región”, dijo González.

Costa Rica planteó a los gobiernos latinoamericanos crear el corredor de tránsito seguro ante la llegada de más de 2,000 cubanos a su territorio, en un trayecto que comienza en Ecuador, a donde llegan en avión, y continúa por tierra con rumbo a Estados Unidos.
Washington mantiene una política de permitir la entrada de cubanos que ponen un pie en su territorio.

La situación de los cubanos desató tensiones entre Costa Rica y Nicaragua cuando este último país reclamó a su vecino del sur una violación de su soberanía por el envío de los migrantes cubanos por su territorio.
Nicaragua utilizó las fuerzas policiales y militares para repeler la entrada de los isleños a su territorio, por lo que los cubanos permanecen en la frontera norte de Costa Rica, albergados en iglesias y centros comunales, en espera de que se les permita continuar el recorrido.

Costa Rica protestó contra Nicaragua por considerar que hizo un uso desmedido de la fuerza contra los migrantes.
Pese al acuerdo para celebrar la reunión, la portavoz del gobierno de Nicaragua, Rosario Murillo, acusó a Costa Rica de bloquear una discusión sobre “la migración irregular e ilegal” de cubanos en la región.

El canciller nicaragüense Samuel Santos dijo a la prensa que Costa Rica nunca comunicó la llegada de más de 1,900 cubanos a la frontera el domingo y que por eso fueron rechazados. “Ni una sola carta sobre ese aspecto recibimos”, dijo Santos.

La Tribuna


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Europa recebe 700 pedidos de asilo de crianças diariamente, segundo UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) identificou nesta segunda-feira (16) cinco grupos de vulnerabilidade entre as crianças que chegam à Europa procurando refúgio. A agência da ONU alertou para o aumento no número de jovens deslocados que atravessam ao continente. Atualmente, 700 jovens por dia requerem asilo na região. O UNICEF pretende reforçar ações de assistência.
Em outubro, um terço dos refugiados registrados na fronteira entre a Grécia e a Macedônia era composto por crianças. Em junho, a quantidade de jovens representava apenas um décimo do total de deslocados. De acordo com dados do Eurostat avaliados pelo UNICEF, entre janeiro e setembro desse ano, 214 mil crianças pediram asilo na Europa.
Entre o enorme contingente de jovens refugiados, a agência das Nações Unidas identificou cinco grupos vulneráveis: bebês e crianças pequenas, crianças com deficiências e necessidades especiais, crianças perdidas, crianças que foram deixadas para trás e adolescentes desacompanhados em deslocamento.
Na Suécia, por exemplo, 24 mil crianças desacompanhadas solicitaram asilo esse ano, valor superior ao total de menores que pediram, sozinhas, refúgio em toda a Europa, em 2014. “A grande questão para nós é: estamos prontos para isso, a Europa está apta? Seremos capazes de dar para essas crianças o futuro pelo qual elas estão arriscando suas vidas”, afirmou a coordenadora especial do UNICEF para a crise de refugiados e migrantes, Marie-Pierre Poirier.
O UNICEF, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Cruz Vermelha, os governos e outras organizações têm prestado assistência às crianças, mas os esforços precisam ser ampliados, de acordo com o Fundo da ONU para a Infância.

 Unicef

"Rostos femininos das migrações no Brasil" tema do Seminário Vozes e Olhares Cruzados realizado na Missão Paz



A realização do evento é da  Missão Paz, dos Missionários de São Carlos, Scalabrinianos, que atua junto aos migrantes, imigrantes e refugiados em São Paulo, do Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM), da Casa do Migrante e do Centro de Estudos Migratórios,

Padre Paolo Parise diz “A grande ideia do seminário  e  oferecer aos imigrantes e refugiados um espaço para que pudessem falar deles mesmos, contar suas histórias e experiências vividas. Nesse ano, especialmente, sobre os processos de integração a partir das diversas realidades, trabalho, família, escola “. Os participantes da primeira mesa foram representantes de Bolívia , Guiné- Bissau, Síria , Congo e China.


No relato elas dizem que chegam aqui buscando melhores condições de vida , isso move as pessoas , mas nem sempre sabemos o que representa o refugio e a migração , nos deixamos atrás laços afetivos e referencias culturais para enfrentar o desconhecido em um choque cultural . A adaptação á nova realidade é agravada pela dificuldade de quem recebe em aceitar o diferente, o próprio preconceito ou mesmo pelo sentimento com a chegada de pessoas com culturas e conhecimentos diferentes .

A edição 2015 de vozes e Olhares cruzados é um seminário que da espaço para dar visibilidade no contexto de imigração para imigrantes e refugiados mulheres, entendendo as mulheres como agentes de seu processo de migração.

A segunda parte do evento começou com o grupo de teatro Cia. De Artesãos do Corpo.


 .Patricia Nabuco graduada em Relações Internacionais divulgou o estudo  realizado junto a Missão Paz sobre o atendimento aos Imigrantes Haitianos referente a Janeiro e Julho de 2015.  A professora da PUC-SP Dulce Maria Tourinho fala sobre o recente lançamento do livro Migração , Trabalho e Cidadania, a importância da migração no atual cenário internacional, a crescente complexidade dos fluxos migratórios levou a formação de um mundo multipolar a  mesa foi coordenada pelo editor da Revista Travessia Jose Carlos Pereira .

Houve o divulgação da nova revista Travessia de numero 75  com o dossiê Migração e Religião  e a exposição de fotografia com migrantes que passaram pela Missão Paz  do Chico Max  com o tema “Somos Todos Imigrantes “ amostra que foi exposta no MIS Museu de Imagem e do Som ,que percorrera vários lugares do Brasil em 2016 e a partir de Janeiro estará exposta no metro da luz da capital paulista .

















O seminário foi transmitido pela Web Radio Migrantes Español   www.radiomigrantes-es.net

Fotos e texto 
Miguel Ahumada

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Costa Rica critica Nicarágua por impedir cubanos se seguirem para EUA

O Presidente da Costa Rica afirmou hoje que a migração de centenas de cubanos para os EUA, através da América Central, é um assunto humanitário e criticou a Nicarágua por lhes ter encerrado a sua fronteira. "É da importância suprema entender que este é um problema de pessoas que têm ilusões, necessidades, que procuram chegar a um destino onde querem viver melhor. 
Tem de se olhar pelas pessoas, que precisam de ter respostas à sua ansiedade e protegidas nas suas necessidades", afirmou Luís Guillermo Solís, durante uma conferência de imprensa realizada depois do Conselho de Governo semanal. Mais de mil cubanos, com passaporte e um visto costa-riquenho, estão bloqueados na fronteira entre a Costa Rica e a Nicarágua, desde domingo, dia em que o governo de Manágua lhes recusou a entrada e utilizou o Exército para repelir cerca de 800 que procuravam entrar ilegalmente no país.

Correio da Manha

Migrações: Amnistia Internacional pede penalização de estados europeus

A Amnistia Internacional apela à Comissão Europeia que abra procedimentos de infração contra Espanha, Grécia, Bulgária e Hungria por não proteção dos refugiados que chegam à Europa.

A Amnistia Internacional apela à Comissão Europeia que abra procedimentos de infração contra Espanha, Grécia, Bulgária e Hungria por violação do Código de Fronteiras Schengen no que toca aos refugiados que chegam à Europa.

No relatório “Medo e Cercas: a abordagem da Europa para manter longe os refugiados”, que será apresentado hoje em Madrid, a organização de direitos humanos recolhe depoimentos de refugiados que tentaram passar as fronteiras da Grécia, da Espanha e da Bulgária e que foram “repelidos pelas autoridades sem terem tido acesso aos procedimentos de asilo ou oportunidade de recorrer da sua expulsão, em violação direta do direito internacional”.

Estas ações,”frequentemente acompanhadas de violência, colocam a vida das pessoas em risco”, refere o documento.

Em Espanha (nomeadamente nas cidades de Melilla e Ceuta), este tipo de procedimento ganha a forma de “devoluções a quente” (nas quais os migrantes são devolvidos a Marrocos sem serem processados pelos serviços de fronteira, sendo-lhes assim negada a possibilidade de o seu caso ser analisado).
Muitos migrantes alegam ser refugiados da Síria e da Líbia ou de países da África subsariana nos quais são perseguidos politicamente.

“A Comissão Europeia deve fazer aplicar rigorosamente o estatuto de asilo da UE, no que diz respeito à tramitação de pedidos de asilo e à receção de quem pede asilo em Estados-membros, por forma a assegurar-lhes os direitos humanos”. É por considerar que a Espanha, a Grécia e a Bulgária não o estão a fazer que pede ao executivo europeu que “inicie procedimentos de infração” contra estes três países, “ao abrigo dos artigos 3b, 5(4)c, 13(1) e 6 do Código de Fronteiras Schengen”.

O artigo 3b do código indica que este se aplica “a todas as pessoas que atravessem as fronteiras internas ou externas de um Estado-Membro”, mas “sem prejuízo dos direitos dos refugiados e dos requerentes de proteção internacional, nomeadamente no que diz respeito à não repulsão”.

Já no artigo 6, indica que na “realização dos controlos de fronteira” e no “desempenho das suas funções, os guardas de fronteira” devem “respeitar plenamente a dignidade humana”.
No caso da Hungria, a Amnistia Internacional pede a Bruxelas que “use todas as medidas necessárias, incluindo procedimentos de infração formais, para que cumpra integralmente a lei europeia”.

A AI pede ao Parlamento Europeu, à Comissão e aos Estados-membros que proponham ao Conselho Europeu a ativação dos “mecanismos de prevenção previstos no artigo 7” do Tratado da União Europeia, “à luz de um risco claro de violação dos valores referidos no artigo 2” do mesmo tratado, incluindo “o respeito pela dignidade humana” e o “respeito pelos direitos humanos” na Hungria.

A “determinação” da UE de “fechar as suas fronteiras externas” está a “fazer crescer um vasto leque de abuso de direitos humanos, ao mesmo tempo que nada faz para parar o fluxo de refugiados desesperados”.

“O relatório revela como as medidas adotadas para erguer cercas nas fronteiras e arregimentar países vizinhos – caso da Turquia e de Marrocos, como ‘gatekeepers’ – têm impedido os refugiados de ter acesso a asilo, têm exposto refugiados e migrantes a maus-tratos e empurrado as pessoas para viagens marítimas nas quais arriscam a vida”, escreve a Amnistia.

A Amnistia recorda ainda que “no total, os estados-membros construíram mais de 235 quilómetros de cercas nas fronteiras externas” (orçadas em “mais de 175 milhões de euros”), entre as quais 175 quilómetros na fronteira Hungria-Sérvia e 30 quilómetros na fronteira Bulgária-Turquia, que será alargada em outros 130 quilómetros. Nas fronteiras de Ceuta e Melilla (Espanha com Marrocos) foram construídos 18,7 quilómetros de barreiras.
Citando números do ACNUR (Agência das Nações Unidas para os Refugiados), a Amnistia refere que em 2015 (até novembro) chegaram à UE por mar 792.883 migrantes (quase o triplo dos 280.000 que chegaram por terra e mar em todo o ano de 2014, segundo os dados oficiais da agência Frontex). Quase 3.500 pessoas já morreram no Mediterrâneo este ano devido às migrações.

Assim, a AI exorta a UE e os seus Estados-membros mais influentes “a repensar a forma como podem garantir um acesso seguro e legal à UE, tanto às fronteiras externas, como aos países de origem e de trânsito”. “Isto consegue-se com um aumento das reunificações de famílias, de recolocações e de vistos humanitários”, conclui.

Observador