sábado, 13 de setembro de 2025

29ª Festa do Imigrante reúne 43 nacionalidades em SP com entrada gratuita

 

Nos dias 27 e 28 de setembro, o Museu da Imigração abre as portas para mais uma edição da Festa do Imigrante, evento já tradicional no calendário cultural da cidade de São Paulo. Com entrada gratuita mediante doação de 1kg de alimento não perecível (exceto sal), a iniciativa propõe uma verdadeira imersão nas culturas de 43 nacionalidades e regiões. Além disso, a programação intensa valoriza a diversidade através da música, dança, gastronomia, artesanato e oficinas.

Imagem de StudioLopes/Divulgação Museu da Imigração

Coisas para fazer perto de São Paulo

No palco principal, montado nos jardins do antigo complexo da Hospedaria de Imigrantes do Brás, o público poderá conferir 33 apresentações culturais. Os grupos participantes são de locais como Ilha da Madeira, Grécia, Bolívia, Letônia, Hungria, entre outras. A edição de 2025 também marca a estreia de dois grupos: Sumaq Peru Brasil Dança Folclórica Peruana e Banda Volare, que apresenta repertório de músicas italianas que vão dos clássicos às canções contemporâneas.

Imagem de Juliana Lubini/Divulgação Museu da Imigração

Gastronomia, artesanato e oficinas culturais

A área gastronômica é sempre um dos grandes destaques do evento. São mais de 40 expositores que representam culinárias de diferentes partes do mundo, incluindo pratos do México, Síria, Camarões, Áustria e Iraque. No pavilhão de artesanato, cerca de 20 expositores apresentarão itens típicos de países como Costa do Marfim, Japão, Sudão, Rússia, entre outros.

Além das atrações fixas, o evento oferece uma série de oficinas que convidam o público a vivenciar aspectos culturais de mais de 15 países. Na dança, estão previstas atividades de K-Pop (Coreia do Sul), dança afegã e ritmos da Guiné-Conacri. Na gastronomia, o destaque vai para oficinas práticas de pratos como Chicken Tikka (Índia), arepas (Venezuela) e pizzas preparadas especialmente para o público infantil. Também há espaço para oficinas de artesanato, como a de turbantes (Costa do Marfim), ovos decorados (Lituânia), caligrafia armênia e bordado palestino.

Um dos pontos altos da programação é a visita guiada pela antiga Hospedaria dos Imigrantes, conduzida pelo Centro de Preservação, Pesquisa e Referência (CPPR) do Museu. Durante o percurso, que inclui espaços normalmente fechados ao público, os visitantes terão contato com a história da migração no Estado de São Paulo e com o trabalho do Arsenal da Esperança — entidade que atualmente acolhe cerca de 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social.

Coisas para fazer perto de São Paulo

O que tem de novo?

Como novidade, a edição deste ano traz a oficina “Festa em Foco”, uma caminhada fotográfica que convida os participantes a registrarem diferentes perspectivas do evento. As imagens selecionadas serão publicadas no blog do Museu, como forma de estimular reflexões visuais e narrativas coletivas.

Outros atrativos incluem passeios de maria-fumaça, fotografias de época e a cafeteria do Museu. Os valores e disponibilidade devem ser consultados diretamente no site da instituição. O evento também conta com recursos de acessibilidade, como tradução em Libras e monitores especializados para pessoas cegas ou com baixa visão nas visitas guiadas.

A entrada é gratuita, mas sujeita à lotação do espaço.

Serviço

29ª Festa do Imigrante
Datas: 27 e 28 de setembro
Horário: das 9h30 às 18h
Ingresso solidário: 1kg de alimento (exceto sal)
Local: Museu da Imigração – Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP
Informações: museudaimigracao.org.br

https://www.lacentral.com.br/

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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

DPE-RR propõe grupo de trabalho para levar ao Congresso dados da crise migratória em Roraima

 

Audiência pública na Câmara Municipal de Boa Vista discutiu os impactos da migração venezuelana nos serviços públicos

Audiência pública em Boa Vista debateu sobrecarga dos serviços públicos e cobrou mais recursos federais para enfrentar crise migratória.

A Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) defendeu, nesta quinta-feira (11), a criação de um grupo de trabalho para apresentar ao Congresso Nacional e ao Governo Federal os impactos da crise migratória no estado. A proposta foi apresentada pelo defensor público-geral, Oleno Matos, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV).

O encontro, aberto ao público, discutiu o tema “As consequências da migração venezuelana nos serviços públicos de Boa Vista” e reuniu representantes das esferas municipal, estadual e federal, além de autoridades militares da Operação Acolhida.

Mais de 10% dos atendimentos da DPE são de migrantes

Oleno Matos destacou que a Defensoria sente diariamente os reflexos da crise migratória. “Hoje, a instituição dedica mais de 10% do atendimento a esse público, e isso gera um impacto que a gente precisa considerar”, afirmou.

Segundo ele, a sobrecarga também atinge áreas como saúde, educação, segurança e justiça, especialmente na capital e em Pacaraima, porta de entrada da maioria dos imigrantes. “Já temos números que mostram o impacto que o Estado vem enfrentando desde 2016 até agora, e precisamos cobrar um tratamento diferenciado”, disse.

O defensor defendeu que a União reconheça sua dívida com Roraima e garanta recursos imediatos no orçamento dos próximos anos para apoiar as políticas públicas.

Chamado por mais recursos federais

O vereador Marcelo Nunes, autor da proposta de audiência, reforçou que o fluxo migratório tem provocado gargalos e até colapsos em serviços essenciais. “Milhares de imigrantes vivem em Boa Vista e Pacaraima, e as estruturas locais não conseguem atender a todos. É urgente que o governo federal aporte recursos e ofereça suporte para garantir um acolhimento digno e o funcionamento dos serviços públicos”, destacou.

A mesa do evento contou ainda com a participação da deputada federal Maria Helena, do deputado estadual Idázio da Perfil, do general de divisão José Luiz Araújo dos Santos (Operação Acolhida), do secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Hércules Pereira, e do secretário-chefe da Casa Civil, Sergio Pillon, além de vereadores e representantes do Executivo municipal.

https://roraimanarede.com.br/

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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

‘Indústria da deportação’: Suprema Corte do EUA autoriza ICE a perseguir imigrantes com base em etnia e idioma

 

Mais do que mera repressão pontual, trata-se da reacionarização do sistema político ianque, com tendências ao fascismo e voltada contra as classes trabalhadoras. A Suprema Corte dá autorização legal para perseguições étnico-raciais e a Casa Branca vende como “combate ao crime” a militarização das cidades e a criminalização da pobreza.


Agente da patrulha do EUA persegue imigrante haitiano em 19 de setembro de 2021 — Foto: Paul Ratje/AF

A Suprema Corte do Estados Unidos (EUA) decidiu, nesta segunda (8/9), autorizar que a polícia migratória (ICE) use critérios como “etnia e idioma” para abordar pessoas nas ruas. A decisão, aprovada pela “ala conservadora” na Suprema Corte, representa uma vitória direta para o presidente arquirreacionário Donald Trump e fortalece sua política de perseguição aos imigrantes. 

No parecer concordante, o juiz Brett Kavanaugh afirmou que “a etnia aparente por si só não pode fornecer suspeita razoável; no entanto, pode ser um ‘fator relevante’ quando considerada junto com outros fatores importantes”. A posição legitima inúmeras práticas já denunciadas de policiais parando cidadãos de origem latina, apenas por “parecerem estrangeiros”. Em seu voto vencido, a juíza Sonia Sotomayor afirmou: “não deveríamos ter que viver em um país em que o governo pode prender qualquer um que pareça latino, fale espanhol e pareça ter um emprego mal remunerado”.

Antes da decisão da Suprema Corte, instâncias inferiores do judiciário haviam restringido o alcance da política de abordagens. Um tribunal distrital e o Tribunal de Apelações do 9º Circuito haviam determinado que a ICE não poderia “realizar interrogatórios baseados apenas em etnia aparente, idioma ou presença em determinados locais, como fazendas e pontos de ônibus”. Esses tribunais consideraram que tais práticas violam a “Quarta Emenda” da constituição ianque, que supostamente protege cidadãos contra buscas e apreensões arbitrárias. Ainda assim, a Suprema Corte, sem justificativa detalhada, reverteu as decisões.

Esse resultado escancara as pugnas e contradições internas do Estado ianque, além de deixar claro o predomínio da centralização política em torno do Executivo, que sob Trump amplia o controle sobre as forças de repressão e molda o próprio funcionamento das “instituições”.

A decisão também consolida a tendência de transformação da Suprema Corte em avalista da ofensiva anti-imigrantes do governo Trump. Na prática, o tribunal torna-se peça de sustentação de um projeto fascista que criminaliza comunidades inteiras a partir de características raciais e culturais. O contraste entre a promessa cínica de “breves abordagens” feita por Kavanaugh e os relatos de cidadãos detidos violentamente, algemados, agredidos e deportados evidencia como a lei é moldada para dar aparência de legalidade ao arbítrio.

ICE e a ‘indústria da deportação’

As práticas da polícia migratória (ICE) não se limitam às patrulhas nas ruas. Desde o início do segundo mandato de Trump, multiplicaram-se as denúncias de policiais mascarados e fortemente armados, em plena luz do dia, detendo pessoas em bairros pobres, postos de trabalho e até em lava-rápidos. Muitos dos alvos, cidadãos estadunidenses de origem latina, interrogados e detidos apenas por “falarem espanhol” ou “aparentarem ser estrangeiros”. O argumento legal de “suspeita razoável”, agora respaldado pela Suprema Corte, serve de fachada para legitimar a criminalização de qualquer trabalhador latino no EUA.

A perseguição, porém, se conecta a um sistema mais amplo: a chamada “indústria da deportação”. Para expandir sua capacidade de detenção, a ICE consolidou “parcerias” com cadeias locais e xerifes de condados em vários estados. Em julho, cerca de 7,1 mil pessoas por dia estavam presas em unidades municipais a serviço da agência, quase 10% de todo o contingente de imigrantes detidos. 

O negócio é lucrativo, com a ICE pagando entre 70 e 110 dólares por preso ao dia, o que gera receitas milionárias para pequenos condados, que já veem nisso um negócio. O monopólio de imprensa O Globo relata o exemplo da cidade Butler, em Ohio, onde 4 milhões de dólares do orçamento anual do xerife local vêm diretamente desses contratos, revelando como a repressão se transforma em fonte de financiamento estatal e privado.

Os relatos são de condições degradantes dentro dessas prisões. Há denúncias de retirada de colchões e roupas de cama, falta de acesso a itens básicos como copos e talheres, além do uso rotineiro de spray de pimenta contra os detidos. Inspeções apontaram violação de direitos em diversas instalações. Em abril, um jovem colombiano de 27 anos tirou a própria vida em uma cadeia no Missouri, após semanas de confinamento sem acesso a um advogado. Muitos dos encarcerados sequer possuem histórico criminal, mas, ainda assim, são tratados como criminosos de alta periculosidade.

Ao transformar prisões em negócio e detidos em fonte de lucro, o Estado ianque aprofunda sobremaneira o nível de exploração social a partir do financiamento da violência, convertida em renda direta para condados, empresas e políticos locais.

Chicago: principal alvo

Chicago se tornou o epicentro da nova onda de repressão. A “Operação Midway Blitz”, anunciada pelo Departamento de Segurança Interna, foi apresentada como ofensiva contra imigrantes indocumentados, por meio do cerco às comunidades latinas. Com um tom militarista desde o início, a Casa Branca chegou a publicar uma imagem de Chicago em chamas, com helicópteros e a legenda “Eu amo o cheiro de deportações pela manhã. Chicago está prestes a descobrir por que o Departamento de Guerra [como Trump renomeou o Pentágono] se chama assim”.

Os efeitos foram imediatos: famílias inteiras deixaram de sair de casa por medo, ruas ficaram mais vazias e festividades tradicionais, como os desfiles do Dia da Independência do México, foram canceladas ou adiadas. Em bairros latinos, conselheiros municipais relataram prisões arbitrárias, como a de um vendedor ambulante de flores e de um trabalhador que apenas aguardava o ônibus na volta para casa. A intimidação naturalmente não atingiu apenas os imigrantes “indocumentados”, mas também cidadãos naturalizados e filhos de migrantes, que passaram a evitar escolas, hospitais e transporte público por receio de serem abordados e detidos.

Os números também desmontam a retórica de Trump. Em 2025, Chicago registrou queda de 32% em homicídios e 21,6% em crimes violentos até setembro, segundo dados oficiais. O factóide da “cidade em caos” não encontra respaldo nem nos indicadores, mas serve como pretexto para a militarização da vida cotidiana e o envio de tropas federais a bairros de maioria latina e negra.

‘Democracia’ do apartheid

O Estado ianque, despindo-se completamente da capa da “democracia”, cristaliza o apartheid interno, no qual a cor da pele, o idioma falado e a origem determinam quem pode circular livremente e quem está sujeito a ser detido a qualquer momento. Essa institucionalização, contudo, não é uma novidade, mas a atualização de mecanismos históricos de segregação.

A política remete facilmente ao apartheid da África do Sul, que obrigava a população negra a portar “pass laws” [passes internos] e viver confinada em áreas determinadas, sob ameaça de prisão. No próprio EUA, as leis Jim Crow, vigentes até a segunda metade do século XX, impuseram uma segregação brutal em escolas, transportes, empregos etc, amplamente legitimadas pelo Estado ianque e sua Suprema Corte. Hoje, em vez das placas “whites only” [apenas brancos], há cadeias apinhadas de imigrantes, operações federais e a legitimação da etnia como critério de “suspeição” e segregação.

Mais do que mera repressão pontual, trata-se da reacionarização do sistema político ianque, com tendências ao fascismo e voltada contra as classes trabalhadoras. A Suprema Corte dá autorização legal para perseguições étnico-raciais e a Casa Branca vende como “combate ao crime” a militarização das cidades e a criminalização da pobreza.

O resultado é uma sociedade em que direitos são privilégio de poucos e imigrantes, negros e trabalhadores são tratados como “inimigos internos” de um Estado que se apresenta ao mundo como “guardião da liberdade”.

https://anovademocracia.com.br/

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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Câmara debate projeto de lei que garante cuidados e direitos à população migrante em Maceió

 


Aprovado em primeira discussão na Câmara Municipal durante a sessão desta terça-feira (9), o projeto de lei de autoria da vereadora Silvania Barbosa, que estabelece princípios e diretrizes para a Política Municipal de Atenção à População Migrante e Refugiada em Maceió, ganhou destaques importantes dos parlamentares.

Após a leitura do projeto, a vereadora Teca Nelma deu início à discussão, ressaltando que a iniciativa da lei foi construída conjuntamente no Poder Legislativo, com participação da Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal e secretarias de Educação e Assistência Social do Município, bem como os migrantes foram ouvidos. 

“É um projeto de lei necessário por ter sido feito com muitas mãos. Os migrantes que chegam em Maceió, especialmente parte da população venezuelana, estavam sem uma legislação municipal que tratasse sobre o cuidado com a vida deles, com a saúde, com a assistência. Com essa legislação, o Município terá poderes para conseguir regulamentar essa situação”, defendeu Teca Nelma, parabenizando a vereadora Silvania Barbosa, e o presidente do Legislativo, Chico Filho, por terem se articulado para colocar o projeto para aprovação. 

O vereador Leonardo Dias também contribuiu com o debate, e participou da construção do projeto. Para ele, a lei vai atender uma demanda urgente dos migrantes que vivem em Maceió. 

“O projeto atende à necessidade dos migrantes. Temos casos em Maceió de pessoas que fugiram da Venezuela e hoje estão morando. Há pouco mais de cinco anos, eu tive contato com os índios Warao [um povo originário do delta do Rio Orinoco, na Venezuela], que estavam na rodoviária de Maceió, com suas famílias e crianças, passando necessidades, e conseguimos um primeiro acolhimento com o poder público. Hoje, esse acolhimento dos Warao é feito pela Prefeitura de Maceió, mas ainda há muita dificuldade, mas é preciso que eles busquem a sua autonomia e se insiram na sociedade”, ponderou o parlamentar. 

Já o presidente Chico Filho reforçou que a Câmara está atuando com bastante atenção para assegurar aos migrantes os seus direitos, assistência, acolhimento e responsabilidades. O projeto de lei foi aprovado em primeira discussão pelos 21 vereadores que estavam presentes à sessão online. A segunda discussão para aprovação do projeto deve acontecer nesta quarta-feira (10).

Dicom /CMM

https://www.maceio.al.leg.br/

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sábado, 6 de setembro de 2025

Com mais de cem nacionalidades, número de estrangeiros nas escolas de São Paulo dobra em cinco anos


Os estudantes do ensino médio Ana Carolina Chirinos, Kelly Thais, Leonel Alexander e Lizeth Quispe, da escola estadual Amadeu Amaral, onde metade dos alunos são bolivianos — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo

Por 

 — São Paulo

Os alunos se entreolham, um tanto assustados, enquanto a professora explica as diferenças entre os quatro porquês da língua portuguesa. Todos os 16 estudantes da sala de aula, em uma escola de Perus, na Zona Norte paulistana, são haitianos e dão os primeiros passos com o idioma falado no Brasil. Em São Paulo, o número de alunos estrangeiros nas redes estadual e municipal disparou. Nas instituições da prefeitura da capital, são 13.200 matriculados de múltiplas nacionalidades, mais do que o dobro do registrado cinco anos antes. Na esfera estadual, o aumento foi em patamar próximo, passando de 11.500 para 20.400 entre 2019 e 2024.

Na cidade de São Paulo, são mais de cem nacionalidades representadas, como mostram dados abertos da prefeitura analisados pelo GLOBO. A maior fatia desse contingente é de bolivianos: eles são 55% dos estrangeiros no ensino básico municipal e 41% na rede estadual. Na capital, concentram-se na Zona Leste, em bairros como Brás e Belenzinho. A área é conhecida pelo varejo têxtil, onde atuam bolivianos, em especial na área de confecção de roupas.

É nessa região que fica a Escola Estadual Amadeu Amaral. Metade dos cerca de 1.110 estudantes matriculados é boliviana, mas a influência dos estrangeiros é ainda maior, já que diversos alunos nasceram no Brasil, mas são de famílias do país vizinho.

Cidade de São Paulo tem mais de 100 nacionalidades na rede municipal: em 2024, escolas somaram 13.200 alunos estrangeiros

Bolivianos são a maioria, sendo 55% dos imigrantes, segundo dados da prefeitura; veja as principais nacionalidades abaixo



Estudante do último ano do ensino médio, Kelly Thais, de 18 anos, conta que, em casa, a família se comunica em português, espanhol e aymará, língua falada por populações indígenas da Bolívia:

— Estou procurando bolsas para cursar Neurociência no exterior. Minha mãe só estudou até o quinto ano, e meu pai tem o ensino médio completo. Serei a primeira da família com faculdade.

Também do terceiro ano, Leonel Alexsander, de 17 anos, conta que, antes de chegar ao colégio de maioria boliviana, foi alvo de preconceito em outras unidades da rede pública:

— Não conseguia socializar. Mudei de escola aos 10 anos porque sofria bullying, e só então comecei a aprender mais português, antes misturava com espanhol. Hoje estou estudando Contabilidade e quero fazer Engenharia Elétrica.

Referência para imigrantes


A concentração de alunos estrangeiros em algumas unidades faz com que certas escolas virem referência para os imigrantes. É o caso da EMEF Espaço de Bitita, localizada no Canindé, na região central. Por ali estão bolivianos e crianças de países como Angola, Bangladesh, Paquistão e outras nações. Em 2011, 10,5% dos alunos da unidade eram de nacionalidades diversas. Neste ano, o índice chega a quase 40% dos 570 matriculados.

Diretor da instituição há 14 anos, Claudio Marques da Silva Neto conta que, ao assumir o posto, se deparou com relatos de extorsão e violência contra os imigrantes. Foram criados, então, diversos projetos para acolher os alunos e melhorar a convivência, numa iniciativa que ganhou reconhecimento da Unesco. A escola também foi laureada em 2018 no Prêmio Faz Diferença, do GLOBO, na categoria sociedade e educação.

— No início não tínhamos um trabalho direcionado para esse grupo. São bons alunos, que tentam assimilar o currículo com muita avidez. O que pode acontecer é um percalço com a barreira linguística, mas depois de seis meses isso já não é um problema — garante Neto.

A unidade tem comitês liderados pelos alunos, que discutem diversos temas relacionados à escola, em áreas como migração, esporte e acolhimento de novos estudantes.


Leonel Alexsander, de 17 anos: planos para o ensino superior — Foto: Maria Isabel Oliveira/ O Globo


Na outra ponta da cidade, na Zona Norte, fica o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja I) de Perus, da prefeitura. Dos 800 matriculados, cerca de 350 são haitianos aprendendo português e terminando ciclos do ensino básico. Desde o terremoto que devastou o país da América Central, em 2010, o bairro virou um reduto dos imigrantes do Haiti.

— Eles começaram a chegar no fim de 2016. A escola virou um local de encontro, onde falam a própria língua, perguntam sobre emprego, moradia — conta a professora Cristiane Fialho, protagonista da cena que abre esta reportagem.

A sala onde ocorrem as aulas é decorada com frases em crioulo, um dos idiomas falados no Haiti. Na noite do dia 27 de agosto, uma quarta-feira, Fialho pedia que os alunos repetissem interjeições usadas no Brasil. Entre as fileiras, somando a voz aos coros de “psiu” e “ufa, ainda bem”, está Robenson Francois, de 28 anos.

Fora da sala, Francois, que trocou Porto Príncipe por Perus, tenta equilibrar o português formal com as gírias paulistanas que ouve em canteiros de obras. No país há um ano, ele conta que levou dois meses para arranjar um “trampo”:

— No Haiti não tem mais tranquilidade, é muita insegurança, bandidos. Lá estava trabalhando com entrega, dava aula de inglês. Deixei minha esposa e minha filha de 10 meses, que ainda não cheguei a conhecer. Vim em busca de uma vida melhor para nós.

Da mesma turma, Stephania Pierre, de 27 anos, se mudou depois de interromper uma graduação em Administração. Na terra natal, trabalhava na área de comunicação numa ONG. Aqui há sete meses, atua como empacotadora:


Os haitianos Stephania Pierre e Robenson Francois: estudantes de português em Perus, São Paulo — Foto: Edilson Dantas/ O Globo

— Estou aqui com a minha irmã mais velha, que já morava no Brasil há cinco anos. Ouço música gospel para aprender português.

Avaliações são desafio


Outro espaço que oferece aulas para imigrantes é a Missão Paz, entidade filantrópica que apoia imigrantes e refugiados em São Paulo. Em 2024, foram atendidos cerca de 600 alunos — este ano, até agosto, já são mais de 700. O padre Paolo Parise, coordenador da instituição, conta que o acesso à educação para os estrangeiros foi facilitado nos últimos anos, mas ainda existem problemas.

— Temos escolas que trabalham muito bem essa questão, com diretores criativos, mas em outras existem dificuldades, e o aluno estrangeiro passa a ser visto quase como um problema. Onde existe baixa densidade demográfica de estrangeiros, os desafios são maiores. Por vezes não sabem, por exemplo, em qual série inserir o aluno — diz Parise.

Outro ponto sensível são as avaliações. A Secretaria Municipal de Educação divulgou em maio uma lista de 25 diretores de escolas que deveriam participar de um programa de requalificação após uma queda no rendimento das unidades em indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. A ação, na prática, foi interpretada como um afastamento, já que os diretores agora passam a maior parte do tempo trabalhando fora das unidades, exercendo outras funções. Claudio Neto, da EMEF Espaço de Bitita, estava na relação.

— A questão das notas (no Ideb) atinge frontalmente escolas com grande percentual de alunos imigrantes — argumenta o diretor, acrescentando que esses estudantes precisam de um tempo maior para assimilar o conteúdo, mas acabam participando das avaliações, o que impacta o desempenho da unidade.

A secretaria sustenta que Claudio não foi afastado e no momento “participa de uma formação inédita destinada a diretores de escolas municipais de tempo integral”. A pasta informa ainda que assegura o acesso a estudantes de outras nacionalidades, independentemente da situação da documentação do aluno. Já a secretaria estadual frisa que o acesso à rede é livre, independentemente da nacionalidade. O órgão pontua que cabe a cada unidade aplicar as avaliações para definir a etapa escolar em que será inserido o aluno.

https://oglobo.globo.com/
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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

O “problema” da imigração não é a imigração


 Foto wikipedea 

Muito antes de existirem fronteiras, passaportes e alfândegas, os nossos antepassados viviam em pequenos bandos de caçadores-recolectores. Cada grupo conhecia todos os seus membros, partilhava comida, histórias, sonhos e terrores. A sobrevivência dependia de uma coesão interna forte e qualquer desconhecido que se aproximasse podia representar risco: um ladrão de recursos já de si escassos, um portador de doenças desconhecidas ou mesmo um predador na forma de ser humano.

Foi nesse contexto que a xenofobia, isto é, o medo ou desconfiança face ao “estranho”, ganhou raízes biológicas e culturais. Era uma ferramenta de autoproteção, como fugir de um animal selvagem ou evitar uma planta venenosa. No mundo das savanas e das florestas, o instinto feral fazia sentido. Um grupo ou tribo demasiado “aberto” a outros grupos ou tribos rapidamente sofria as consequências dessa atitude, não conseguindo preservar-se o tempo bastante para que essa postura persistisse no “pool” genético ou social. Por outro lado, um grupo ou tribo em que a xenofobia imperasse estaria protegido de toda uma série de potenciais perigos e, portanto, sobreviveria o suficiente para poder passar essa atitude às gerações futuras. Este modo de vida predominou durante cerca de 99,5% da história da nossa espécie, isto é, quase sempre vivemos assim.

Mas a história humana não terminou há dez mil anos. Com o surgimento da agricultura e das primeiras cidades, essa lógica começou a ruir. As aldeias transformaram-se em centros habitacionais/comerciais, e o contacto com pessoas “de fora” deixou de ser uma ameaça para se tornar uma oportunidade: trocas de bens, ideias e tecnologias. O desconhecido passou a ser, muitas vezes, o portador de novas sementes, novas palavras, novas artes. A partir daí, a civilização floresceu de forma exponencial. Da frágil espécie de hominídeo em constante perigo de extinção que fomos durante centenas de milhares de anos, em apenas dez mil anos, passámos a ser a espécie dominante do planeta capazes de proezas inimagináveis (para o bem e para o mal). Conseguimos isto, não por nos isolarmos, não por recearmos os desconhecidos, mas por nos misturarmos, por abraçarmos a diversidade.

No entanto, o cérebro humano não atualizou automaticamente o “software” tribal que herdou do Paleolítico. Em momentos de crise económica ou insegurança social, o velho reflexo ressuscita: culpar o estrangeiro, desconfiar do diferente, erguer muros. É um eco de tempos em que tal atitude podia salvar uma vida, mas hoje apenas empobrece sociedades e reforça divisões artificiais.

Um dos motores mais persistentes dessa perpetuação tem sido a religião. Ao longo da história, muitas tradições religiosas reforçaram a ideia de “povo escolhido”, “verdadeira fé” ou “terras prometidas”, conceitos que criam uma linha invisível mas poderosa entre “nós” e “eles”. Textos sagrados, lidos de forma literal, têm servido para justificar guerras, expulsões e perseguições, alimentando a ideia de que o estrangeiro é não apenas culturalmente diferente, mas espiritualmente ameaçador.

A História está repleta de exemplos. As Cruzadas medievais mobilizaram multidões para massacres em nome da “libertação” de territórios sagrados. A expulsão dos judeus de Espanha e Portugal, no final do século XV, não foi apenas um ato político, mas uma imposição religiosa que exigia a conversão ou o exílio. No mundo islâmico, minorias como cristãos coptas ou iazidis sofreram perseguições e marginalização sob regimes que misturavam autoridade religiosa e política. Em tempos mais recentes, líderes espirituais e políticos têm alimentado, direta ou indiretamente, preconceitos contra imigrantes de outras crenças e culturas, apresentando-os como ameaça à “pureza” moral ou cultural de uma nação ou mesmo à sua viabilidade económica.

Falar em “problema da imigração” é, na verdade, inverter a realidade. O verdadeiro problema é a persistência de um instinto pré-histórico, reforçado ainda por narrativas religiosas exclusivistas num mundo interdependente, onde a cooperação global é não só inevitável como absolutamente necessária. A xenofobia é um fóssil psicológico; insistir nela é como recusar a agricultura com medo de plantar sementes que não conhecemos.

A evolução já nos mostrou que prosperamos quando abrimos portas, prosperamos quando aprendemos com a diferença, prosperamos quando trocamos visões do mundo. O desafio não é erguer mais muros, mas derrubar os que ainda carregamos dentro da nossa cabeça. Só quando entendermos que a diversidade é uma força e não uma ameaça é que deixaremos de ver pessoas como “estrangeiros” e passaremos a vê-las pelo que são: seres humanos, iguais a nós, com histórias para acrescentar à nossa. Tudo o resto é pré-história.

Gabriel Coelho

Professor de Matemática e Ciências Naturais, co-criador do podcast Quarteto dos Três Ateus Miguel e Gabriel

https://www.esquerda.net/

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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Brasil e Irlanda desarticulam organização criminosa transnacional de tráfico de pessoas

 

No Brasil, foram mobilizados 120 policiais federais e 7 servidores da Receita Federal para dar cumprimento para 5 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico internacional de mulheres para fins de exploração sexual foi alvo da Operação Cassandra, deflagrada nesta quarta-feira (3) pela Polícia Federal, com apoio da Receita Federal. A investigação foi conduzida em cooperação com a Europol e a Garda National Protective Services Bureau, da Irlanda.

Até o momento, foram identificadas aproximadamente 70 mulheres em situação de exploração. As investigações indicam que a organização criminosa atua desde 2017, com foco no tráfico internacional de mulheres para fins de exploração sexual. As vítimas eram submetidas a forte controle e coerção.

Além da exploração sexual, o grupo também praticava crimes de lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e crimes tributários. Para disfarçar e movimentar os elevados lucros obtidos ilegalmente, a organização utilizava diversos mecanismos de lavagem de dinheiro, fraudes documentais e práticas financeiras ilícitas.

Para a coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes do MJSP, Marina Bernardes, a operação mostra a relevância da articulação internacional no combate a esse tipo de crime. “Essa operação demonstra, mais uma vez, a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de pessoas, um crime que não conhece fronteiras e exige respostas articuladas entre países. Do ponto de vista da política nacional, a operação reforça o compromisso do Brasil em proteger as vítimas do crime e responsabilizar organizações criminosas que atuam de forma transnacional”, afirmou.

Existem canais de denúncia para situações suspeitas de tráfico de pessoas:

No Brasil - Comunica PF, Disque 100 (para violações de direitos humanos, de crianças e de adolescentes) e o Ligue 180 (para violações contra mulheres e meninas).

No exterior - Procure a Embaixada ou Consulado do Brasil no país em que você se encontra. Fora do horário comercial, entre em contato com o Plantão Consular do Itamaraty, disponível no Brasil, pelo telefone +55 (61) 98260-0610.

Cooperação Brasil e Irlanda

A investigação transnacional foi possível por causa da cooperação internacional entre Brasil e União Europeia. Um exemplo foi o acordo de cooperação entre a Polícia Federal (PF) e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol). O instrumento foi firmado, em março deste ano, entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner.

A ação foi realizada em cooperação internacional entre o Brasil e a Irlanda. A Europol e a Garda National Protective Services Bureau, da Irlanda, agiram simultaneamente e deflagraram a Operation Rhyolite, voltada a apurar crimes praticados pelo mesmo grupo criminoso naquele país. Na Irlanda, estão sendo cumpridas três prisões e diversos mandados de busca e apreensão em residências de investigados e estabelecimentos ligados à organização criminosa.

Operação Cassandra

No Brasil, foram mobilizados 120 policiais federais e 7 servidores da Receita Federal para dar cumprimento para 5 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso. Além dos mandados, a Justiça Federal também decretou 13 medidas restritivas de direitos.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, rufianismo, lavagem de dinheiro, falsidade documental, crimes contra o sistema financeiro nacional e crimes contra a ordem tributária.

https://www.gov.br/mj/pt-br

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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Seminário “Espetáculo Popular, um mundo embaixador de alegria e de esperança”

 Seminário “Espetáculo Popular, um mundo <br>embaixador de alegria e de esperança”

O seminário on-line Espetáculo Popular, um mundo embaixador de alegria e de esperança será realizado na terça-feira, 9 de setembro, das 15h30min às 17h30min. O evento é co-organizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e pela Fundação Migrantes.

Será uma oportunidade para aprender mais sobre a realidade do espetáculo popular e sua ligação com a fé católica, em continuidade com o Jubileu das Bandas e do Espetáculo Popular realizado nos dias 10 e 11 de maio de 2025.

esperança, tema do Jubileu, será abordada na religiosidade popular, mas também como um valor presente no palco. Por meio dessa lente espiritual, olharemos para o presente e para o passado, com uma visão global de um mundo de tradições e folclore específicos, que precisa se adaptar à realidade da globalização.

A abertura do simpósio será feita pelo Dr. Salvatore Luciano Bonventre, Conselheiro Nacional da Federazione Italiana Tradizioni Popolari. Em seguida, haverá a presença de personalidades institucionais e professores universitários ligados ao mundo do espetáculo popular e de sua pastoral.

O encerramento será feito pelo Prof. Alessandro Serena, Diretor Científico do Open Circus. O moderador é o Pe. Mirko Dalla Torre, Diretor Diocesano e Regional da Fundação Migrantes. Programa completo (PDF em italiano).

No Jubileu de maio passado, milhares de artistas não apenas atravessaram a Porta Santa, mas também se apresentaram em várias praças de Roma. No domingo, após a Missa na Piazza Cavour, os peregrinos desfilaram até a Praça de São Pedro, onde assistiram ao primeiro Regina Caeli do Papa Leão XIV. (Mais detalhes aqui)

O seminário de 9 de setembro será realizado, a portas fechadas, no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. No entanto, a participação on-line é aberta a todos, bastando acessar o seguinte link. Graças ao serviço de tradução simultânea, o evento está disponível em italiano, inglês e espanhol.

https://www.humandevelopment.va/pt

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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Migrante reclama de via-crúcis: sem intérprete, sem consulta e sem benefício

 

Banner do Projeto Bienvenido, que acolhe migrantes em Dourados (Foto: Divulgação/Prefeitura de Dourados)

O caso de uma mulher haitiana que sofre com dores crônicas e não conseguiu acessar exames gratuitos e benefícios previdenciários como o auxílio por incapacidade temporária levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul a começar a fiscalizar as políticas destinadas aos migrantes e refugiados em Dourados — uma das cidades que mais recebem essa população no Estado.

... O relato foi feito pela migrante a uma equipe técnica do órgão. A avaliação do caso revelou barreiras linguísticas e culturais que comprometem o acesso pleno aos serviços públicos, além de limitações no atendimento prestado pelas unidades de saúde. A mulher vive no município desde 2018

Um procedimento administrativo aberto pela 10ª Promotoria de Justiça de Dourados levanta informações sobre os programas e ações executados, além do uso de recursos públicos para garantir os direitos dessa população como um todo. Ele foi instaurado no fim do mês passado. O foco é analisar a estrutura das equipes vinculadas ao SUS (Sistema Único de Saúde) e ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e entender se há possível omissão do poder público

Um procedimento administrativo aberto pela 10ª Promotoria de Justiça de Dourados levanta informações sobre os programas e ações executados, além do uso de recursos públicos para garantir os direitos dessa população como um todo. Ele foi instaurado no fim do mês passado. O foco é analisar a estrutura das equipes vinculadas ao SUS (Sistema Único de Saúde) e ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e entender se há possível omissão do poder público

O procedimento apura o repasse de recursos federais ao município de Dourados para ações socioassistenciais e aplicação deles no Projeto Bienvenido, que atende exclusivamente cidadãos venezuelanos. Os demais imigrantes são atendidos por demanda espontânea nos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e demais serviços da Secretaria Municipal de Assistência Social

De antemão, o Ministério Público identificou que parte das ações previstas no plano de aplicação dos recursos, como hospedagem e fornecimento de lanches, não foi executada devido a entraves licitatórios. Além disso, registrou preocupação com a ausência de intérpretes e com a burocracia enfrentada por imigrantes para validar diplomas via Revalida

Ainda neste mês, a Prefeitura de Dourados terá que prestar informações detalhadas sobre os atendimentos realizados pelo Projeto Bienvenido em 2025; o plano de ações executadas com recursos federais; as ações socioassistenciais financiadas com recursos federais; os cursos oferecidos pelo IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) e a oferta de ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos); capacitação de profissionais do SUS e SUAS para atendimento a imigrantes; a existência de intérpretes nos serviços públicos; e a comprovação do atendimento da paciente haitiana por unidade de saúde do município

A reportagem questionou o prefeito de Dourados, Marçal Filho, sobre a execução das políticas migratórias, mas não recebeu retorno.... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/migrante-reclama-de-via-crucis-sem-interprete-sem-consulta-e-sem-beneficio

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