segunda-feira, 12 de agosto de 2024

OIT: 20,4% dos jovens estão sem estudar nem trabalhar

 Jovem utiliza aplicativos de celular

Unicef/Ueslei Marcel
 
Jovem utiliza aplicativos de celular

Novo relatório da Organização Internacional do Trabalho indica preocupação com essa parcela da população, que sofre de ansiedade e insegurança com o futuro; nos últimos quatro anos, as perspectivas de trabalho para os jovens melhoraram e tendência deve continuar, mas acesso a empregos decentes ainda é um desafio. 

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela uma elevada proporção de jovens fora do mercado de trabalho e de programas de educação e treinamento, estimada em 20,4%.

Essa parcela da população, comumente chamada de “nem-nem”, traz à tona uma crescente ansiedade da juventude em relação ao trabalho, apesar da tendência global de redução do desemprego juvenil.

Tendências gerais do emprego juvenil

Segundo o estudo da OIT, as perspectivas do mercado de trabalho global para os jovens melhoraram nos últimos quatro anos. A expectativa é de que este crescimento continue nos próximos dois anos.

Para 2023, a taxa de desemprego juvenil ficou em 13%, o equivalente a 64,9 milhões de pessoas. O número representa o nível mais baixo em 15 anos. Espera-se uma queda até os 12,8% até o final de 2025.

O panorama, no entanto, não é o mesmo em todas as regiões. Nos Estados Árabes, na Ásia Oriental e no Pacífico, as taxas de desemprego juvenil foram mais altas em 2023 do que em 2019.

Além disso, o relatório Tendências Globais de Emprego Juvenil 2024 revela que o número de jovens entre 15 e 24 anos que estão fora do mercado de trabalho e de programas de educação e treinamento é preocupante.

Trabalhadores realizam tarefas numa instalação industrial na Etiópia
OIT/Marcel Crozet
 
Trabalhadores realizam tarefas numa instalação industrial na Etiópia

Falta de acesso a empregos decentes

Em 2023, um em cada cinco jovens no mundo era considerado “nem-nem”. Dois em cada três deles são mulheres. O levantamento sugere que oportunidades de acesso a empregos decentes continuam limitadas nas economias emergentes e em desenvolvimento.

Mais da metade dos jovens que trabalham têm empregos informais. Apenas nas economias de renda alta e de renda média alta é que a maioria deles tem hoje um emprego permanente e seguro.

Além disso, o estudo da OIT aponta que três em cada quatro jovens trabalhadores em países de renda baixa encontrarão apenas emprego por conta própria ou trabalho remunerado temporário.

Ansiedade e insegurança com o futuro

O relatório alerta que o crescimento insuficiente de empregos decentes provoca uma ansiedade cada vez maior entre os jovens de hoje, que são também os mais instruídos da história.

O diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, afirmou que “nenhum de nós pode esperar um futuro estável quando milhões de jovens ao redor do mundo não têm trabalho decente e, como resultado, estão se sentindo inseguros e incapazes de construir uma vida melhor para si e suas famílias”.

Para ele, sociedades pacíficas dependem de três ingredientes principais: estabilidade, inclusão e justiça social e o trabalho decente para os jovens “está no cerne de todos os três”.

Segundo a OIT a recuperação do emprego após a pandemia da Covid-19 não foi universal. Jovens de determinadas regiões e muitas mulheres não estão ainda sendo beneficiados pela recuperação econômica. 


Onunews


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sábado, 10 de agosto de 2024

A primeira medalha dos refugiados: quando o esporte protege das guerras


É justamente o boxe feminino, no centro de uma feroz polêmica, em grande parte propositadamente montada pela narrativa soberanista e antigênero até mesmo do esporte, que nos presenteia com uma maravilhosa história de redenção que se reconcilia com o mais autêntico espírito olímpico. A protagonista é a boxeadora de 25 anos Cindy Ngamba, de origem camaronesa, que, ao vencer a francesa Davina Michel na categoria até 75 kg no último domingo, garantiu de uma só vez acesso às semifinais e a uma medalha.

O que há de tão especial? Cindy Ngamba não estava competindo por sua nação de origem nem por aquela que se tornou sua segunda pátria, porque faz parte da equipe olímpica dos refugiados e, com sua vitória, trouxe para sua equipe especial a primeira e histórica medalha.

A história da equipe olímpica de refugiados é bastante recente. Ela estreou no Rio nos Jogos de 2016 e se apresentou ao mundo com dez atletas vindos das áreas mais críticas do planeta, alguns deles hóspedes de campos de refugiados montados pelo ACNUR. A equipe de Paris 2024 é a maior, com 37 atletas competindo em 12 esportes, entre os quais judô, tae-kwon-do e breaking.

Alguns atletas que atualmente fazem parte da equipe olímpica dos refugiados já ganharam medalhas representando seu país de origem durante as Olimpíadas anteriores. No entanto, a situação degenerada dos países onde viviam ou uma condição pessoal de perigo os forçou a fugir. Ngamba é a primeira a vencer para a equipe dos refugiados, um símbolo que vai muito além de um lugar no pódio.

Quem é

Cindy é uma verdadeira lutadora. Ela abriu seu caminho na vida em meio à pobreza da família, episódios de bullying durante a infância em Douala e fortes discriminações por causa de sua homossexualidade, que em seu país, assim como em muitos outros na África, é punida com a prisão por lei. Ela realmente não se deixou assustar por um público quase totalmente hostil, já que estava competindo com uma atleta da casa. "Hoje", declarou à margem da luta vencida por 5 a 0, "lutei contra uma adversária muito difícil, também porque muitas pessoas não estavam torcendo por mim, mas ouvi meus companheiros de equipe, meus técnicos e a mim mesma e mantive a calma”.

Em maio, Cindy se tornou a primeira atleta refugiada a participar do torneio de boxe nas Olimpíadas e a primeira em qualquer modalidade a conquistar um lugar nos Jogos por meio de qualificação, e não por seleção, depois de vencer um torneio na Itália.

E um dos artífices do projeto também é italiano, o atirador Nicolò Campriani, três vezes medalhista de ouro nos Jogos, ex-diretor do COI e agora no comitê organizador de Los Angeles 2028. Ele é o treinador dos atiradores/as da equipe. O documentário Taking Refugee contava três anos atrás o processo de seleção.

Se você se aproximar desses 37 atletas, que originalmente fugiram de países como Afeganistão, Sudão do Sul, Eritreia, Camarões, Congo, Sudão, Irã, Etiópia e vários outros, ouve o grito desesperado daqueles 117,3 milhões de migrantes forçados a deixar suas casas por causa de guerras, desastres ambientais, ditaduras, um número que tem aumentado constantemente na última década.

Quase a metade é composta de crianças, uma parte das quais vagueia pelo mundo em busca de refúgio, sozinha. A condição de uma grande maioria delas é marcada pela vida nos campos de refugiados, uma realidade tão generalizada quanto dramática, da qual, às vezes, nunca se sai. É lá que alguns dos atletas treinam, em estradas de terra transformadas em pistas de atletismo ou em ringues improvisados entre tendas e centros de distribuição de alimentos.

Como são escolhidos

Quase todos os atletas que participam das Olimpíadas são selecionados pelo programa de bolsas de estudo do Comitê Olímpico Internacional para atletas refugiados. O COI colabora com os comitês nacionais anfitriões para identificar os atletas refugiados que vivem em seus países.

Entrega a eles bolsas de estudo para ajudá-los a treinar, não apenas com o objetivo de participar das Olimpíadas, mas também para desenvolver suas carreiras esportivas. A equipe é escolhida pelo COI, enquanto as bolsas de estudo e a equipe são gerenciadas pela Fundação Olímpica Refugiados (Orf), criada pelo COI para oferecer apoio contínuo aos refugiados por meio do esporte.

O ACNUR colabora com várias organizações locais, nacionais e internacionais para facilitar cada vez mais o acesso dos refugiados às atividades esportivas. “O resultado alcançado por Cindy Ngamba", explica Chiara Cardoletti, representante do ACNUR para a Itália, Santa Sé e San Marino, ao Domani, "é uma conquista que nos deixa muito orgulhosos e uma demonstração do que os refugiados podem fazer se tiverem a oportunidade.

A participação da equipe dos refugiados já é uma conquista muito importante que vai além do resultado, não apenas para os 37 atletas selecionados, mas também pelo que representa para a causa dos refugiados.

As pessoas que estão fugindo sonham em reconstruir seu futuro com segurança e dignidade.

Muitas vezes a narrativa sobre elas destaca apenas suas necessidades básicas, deixando de lado o talento, a coragem e a determinação que trazem consigo.


A reportagem é de Luca Attanasio, publicada por Domani, 07-08-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Filme inglês revela a crueldade reservada a refugiados no Reino Unido

 

O último pub: história de resistência em uma cidade hostil - (crédito: Synapse Filmes/Divulgação)

Um contraste pertinente, ao se assistir ao mais recente (e uma despedida) do engajado diretor Ken Loach, transparece, quando percebemos as raízes do clássico Filhos e amantes (assinado por Jack Cardiff, em 1960), criado com memórias do escritor D.H. Lawrence, justamente projetado em Cannes. Aquele filme antigo citava uma era de prospecção e de estabelecimento de sindicatos sólidos, frente ao desenvolvimento da atividade mineradora.

Bastante realista está no lado oposto da moeda, cristalizado no cinema do calejado Ken Loach, aos 87 anos. O último pub iniciou a carreira junto ao público, no Festival de Cannes, campo que rendeu a Loach a Palma de Ouro com os filmes Eu, Daniel Blake (2016) e Ventos da liberdade (2006). Isso além da filmografia encorpada em que desfilaram títulos com mulheres fortes, a exemplo de Ladybird Ladybird (1994) e Pão e rosas (2000), e denúncias da opressão burocrática, eterno material para o cineasta de Terra e liberdade (1995).

O último pub fica mais otimista, quando se antevê os investimentos nas áreas sociais do primeiro-ministro Keir Starmer, representante Partido Trabalhista que abrandou a ala conservadora do país. O último pub traz enorme foco para cima de TJ Ballantyne (Dave Turner) um sujeito que impulsiona reconciliação social no bairro em que vive, e no qual tem um reduto de aposentados que se dizem ultrajados pela desarmônica convivência com a onda de refugiados sírios, patente no ano em que o filme se passa 2016. Numa corrente de últimos (e politizados títulos), como O último metrôO último rei da EscóciaO último imperador e O último samurai, O último pub emoldura qualidades da afirmação de um senso de comunidade e o contraponto à estagnação, balizado por ações puras que, para além da caridade, embasam real solidariedade.

Representante dos dramas protagonizados por refugiados sírios, Yara (Ebla Mari) levanta o roteiro escrito por Paul Laverty (habitué na carreira de Ken Loach). É por meio de fotografias, e do contato com outra visão (que extrapola a do corpo) que ela consegue contornar diária humilhação junto aos "donos da terra" em que vive. O aprendizado de Yara vem sem didatismo, acompanhado pelos gestos solidários de Laura (Claire Rodgerson), que sempre interage com os estrangeiros. A construção de uma resistência síria atropela, sem violência, os entraves humanos dos britânicos mais radicais. Com uma inspirada montagem de Jonathan Morris, O último pub vem criado como um conto, em que pesam os sentimentos engasgados do protagonista TJ, a inesquecível bondade da cachorra Marra e uma nova utilidade para um salão de pub carcomido e quase visto como espelunca.

https://www.correiobraziliense.com.br/

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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

DIÁLOGOS NO CEM - Fronteiras da cidadania e migração

 O cenário das migrações internacionais para o Brasil, desde o início da década de 2010, tem apresentado profundas alterações tanto quantitativas, como qualitativas com relação àquele que perdurou até os anos 2000. O aumento no número de migrantes veio acompanhado de diversas medidas (formais e informais) que amplificaram as formas de gestão da migração e da própria caracterização do fenômeno frente a um crescente interesse sobre o tema. Novos lugares, sujeitos e mediadores passam a compor essa cartografia migratória, suscitando muitas questões a serem debatidas na escala internacional, nacional e local. Os caminhos, soluções, possibilidades e restrições produzidas por esses atores e pelos próprios migrantes passam a contribuir decisivamente para a composição de um “cotidiano migratório”, formado não somente pelos migrantes, mas por todo um conjunto de atores que fazem a mediação entre a condição de migrante e as desigualdades do mundo social. 

Diante desse contexto emergente, a cidade de São Paulo tem se tornado referência seja na elaboração de diferentes políticas públicas específicas para migrantes, seja na atuação de diferentes coletivos, igrejas, programas sociais. Além disso, em uma conjuntura de aumento das migrações em direção ao Brasil a cidade tem reforçado seu papel como um dos principais lugares de recebimento e trânsito de migrantes. Sendo assim, metodologicamente foi realizado um trabalho etnográfico na “Baixada do Glicério”, bairro situado no centro da cidade de São Paulo. 

Mais especificamente, o trabalho de campo centrou atenção em dois locais: i) Missão Paz, complexo religioso que oferece diversos serviços para migrantes na cidade. ii) Centro de Estudos de Cultural da Guiné (CECG), criado por migrantes de Guiné Conacri que residem no Glicério. A partir do enfoque nas trajetórias migrantes, busco compreender suas experiências nesse cotidiano, sobretudo as maneiras pelas quais negociam os direitos e a produzem pertencimentos territoriais que não excluem o Estado Nacional, mas que a ele não se reduzem. 

Teoricamente, mobilizo o conceito de cidadania como norteador de análise. Quando compreendido sob uma lógica formal, cidadania implica a filiação territorial a um Estado Nacional por meio da nacionalidade e a promoção de direitos em busca da igualdade a esse grupo de pessoas, os cidadãos. Por outro lado, argumento, conjuntamente a uma série de autores, que ao contrário da promoção da igualdade, a cidadania se constitui a partir da reprodução de diferenças materiais e simbólicas. Desse modo, somam-se à nacionalidade outros marcadores de diferença como: raça, sexualidade, classe, idade, lugar de origem, entre outros, que operam na diversificação e vivência desigual dos direitos. 

Por fim, ao acompanhar as trajetórias nesse cotidiano migratório identificou-se a coexistência de normatividades, códigos, escalas, pertencimentos. Quando observadas a partir dos pequenos gestos, práticas e micro relações explicitam-se múltiplas espacialidades políticas que transitam entre: formal e informal; doméstico e público; político e religioso; desejado e indesejado; local e transnacional caracterizando: i) maneiras pelas quais o rotineiro e o banal influenciam no ordenamento socioespacial dos lugares. ii) formas múltiplas de negociação dos direitos e do pertencimento através das “fronteiras da cidadania”.

CEM 

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quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Debate ressalta importância de política para migrantes e refugiados

 Reunião da Comissão Mista Permanente Sobre Migrações Internacionais e Refugiados

Senadora Mara Gabrilli preside a reunião da Comissão de Refugiados

A Comissão Mista Permanente Sobre Migrações Internacionais e Refugiados discutiu nessa terça-feira (6) a implementação da Política Nacional de Migração, Refúgio e Apatridia, prevista na Lei de Migração. A relatora do colegiado, senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), lembrou que, em janeiro do ano passado, o Ministério da Justiça criou um grupo de trabalho para elaborar essa política. "A criação dessa política é uma das mais importantes demandas da comissão", disse a senadora.

Segundo a parlamentar, alguns relatórios já foram finalizados, mas ainda não há previsão para a publicação do decreto com o texto definitivo. "Entendemos que a política nacional de migrações será estruturante e será um divisor de águas neste tema no Brasil. Por isso a comissão incluiu este debate em sua agenda", disse a senadora ao cobrar a publicação do decreto.

O secretário Nacional de Justiça, Jean Keiji Uema, explicou que o governo ainda quer debater alguns temas do decreto com o Legislativo e com a sociedade civil.

"O Congresso Nacional é um local privilegiado e legítimo para debater essa questão. É importante também que a discussão do tema não seja contaminada pelo debate ideológico. Precisamos avançar, pois só assim vamos construir uma política efetiva", disse o secretário.

Uema acredita que, neste século, a humanidade será redefinida com base no uso das tecnologias, nas mudanças climáticas e no tema das migrações. Ele informou ainda que no dia 28 de agosto será lançado um documento chamado Boletim de Migração, com informações sobre migrantes e refugiados no Brasil.

Avanço
O diretor do Departamento de Imigração e Cooperação Jurídica do Ministério das Relações Exteriores, André Veras Guimarães, afirmou que o decreto será uma espécie de guia para a sociedade.

"Esse documento é importante, principalmente em um momento em que o mundo fecha as portas para os migrantes. A sociedade brasileira é acolhedora e empática", afirmou o diplomata.

Já o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, explicou que, da perspectiva do Itamaraty, há três grandes eixos que precisam ser considerados nessa política: a realidade demográfica, as obrigações internacionais e o equilíbrio entre as dimensões de controle e acolhida.

Mário Agra/Câmara dos Deputados
Deputado Túlio Gadelha fala ao microfone
Túlio Gadêlha, que preside a comissão, foi relator do colegiado em 2023

O debate dessa terça foi sugerido por Mara Gabrilli e pelo presidente do colegiado, deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE).

Abordagem intercultural
Os participantes da audiência fizeram várias sugestões para a nova política. A coordenadora de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Truyitraleu Tappa, ressaltou que o decreto precisa trazer uma abordagem intercultural e citou como exemplo a língua para alguns grupos indígenas e a relação com o corpo para determinados grupos religiosos.

A oficial de Reassentamento e Vias Complementares da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), Andrea Zamur, também ressaltou a importância de questões relacionadas à língua e cultura dos migrantes que chegam ao Brasil. "Nosso País tem sido um modelo de acolhimento e integração, oferecendo um lar para aqueles que fugiram de conflitos e inundações. No entanto, é preciso reconhecer que há lacunas importantes."

Participação dos migrantes
Truyitraleu Tappa agradeceu o direcionamento de emendas parlamentares para os programas voltados para os migrantes, mas cobrou um orçamento mais robusto para o setor e a participação dos migrantes nos debates sobre a construção da nova política.

"Os migrantes, os refugiados e os apátridas [quem não tem sua nacionalidade reconhecida por nenhum país] são essenciais para essa proposta. Não é possível a gente pensar em construir boas políticas sem as pessoas que estão envolvidas no processo."

O procurador André de Carvalho Ramos, coordenador do Grupo de Trabalho Migração, Refúgio e Tráfico de Pessoas, reforçou o pedido da coordenadora por mais verbas para políticas públicas voltadas para migrantes e refugiados.

A comissão
A comissão criada em 2019 para acompanhar movimentos migratórios nas fronteiras do Brasil e a situação dos refugiados internacionais dentro do País.

A composição do colegiado é de 12 senadores e 12 deputados federais como membros titulares e mesmo número de suplentes, escolhidos pelo critério da proporcionalidade partidária.

Da Redação - ND
Com informações da Agência Senado

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terça-feira, 6 de agosto de 2024

Plano de parto é traduzido para quatro idiomas visando garantir acesso a gestantes migrantes

 


Estratégia de qualificação do pré-natal pela Secretaria Estadual da Saúde (SES), o plano de parto foi lançado em março deste ano juntamente com o Guia do Pré-natal e Puerpério na Atenção Primária à Saúde. Instrumento essencial que deve ser trabalhado por profissionais da saúde, pessoa gestante e acompanhante, o plano de parto é um recurso pelo qual são expressos os desejos e preferências sobre o processo de parir e as práticas assistenciais recomendadas. Agora, o documento foi traduzido para outros idiomas, buscando alcançar migrantes que vivem no Rio Grande do Sul e não tem a língua portuguesa como língua materna. 

De acordo com a área técnica do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde da SES, nos últimos anos tem havido uma tendência de feminização da migração para o Estado. A partir disso, foi percebida a demanda de maior atenção das políticas de planejamento sexual e reprodutivo em incluir populações migrantes na abordagem pré-concepcional, no acompanhamento da gestação na Atenção Primária à Saúde, na estratificação de risco gestacional e na consulta puerperal.  

Com a tradução do plano de parto para os idiomas espanhol, francês, wolof (Senegal) e créole (Haiti)gestantes e seus familiares terão acesso facilitado a informações e poderão expressar os desejos referentes ao parto de maneira mais completa. A iniciativa busca proporcionar a humanização e participação ativa na tomada de decisões, priorizando a garantia de direitos. 

Já foram impressas 500 cópias em espanhol e 500 cópias em francês. As versões em wolof e créole ficarão disponíveis digitalmente para as equipes de saúde. Os municípios podem fazer impressões ou até mesmo solicitar recursos para impressão dos planos conforme demanda via Programa Estadual de Incentivos para Atenção Primária à Saúde - PIAPS, componente de incentivo à equidade. O próximo passo é organizar a logística de distribuição em conjunto com o setor Saúde da Mulher. 

As traduções do material para o espanhol e o francês foram realizadas com apoio do grupo de extensão da UFRGS Mobilang. Já para traduzir para os idiomas wolof e créole, a SES contou com o apoio do Médico Sem Fronteiras, que também viabilizou a impressão de mil cópias dos planos de parto traduzidos. 

Como funciona 

O plano de parto busca reduzir intervenções desnecessárias, melhorar a comunicação entre profissionais e usuárias e assegurar a continuidade do cuidado, assegurando melhores resultados obstétricos e neonatais.  Como ferramenta, o planejamento estimula a confiança e favorece a comunicação com a equipe hospitalar, do pré-natal à maternidade. 

Ele deve ser elaborado em conjunto entre a pessoa gestante, acompanhante e profissionais da saúde, durante as consultas de pré-natal. Ao longo das consultas, a equipe deve explicar as condutas que podem ser adotadas durante o trabalho de parto, parto e pós-parto, tais como:  

  • Práticas assistenciais recomendadas e não recomendadas  

  • Opções disponíveis para alívio da dor  

  • Orientações sobre os direitos da pessoa gestante  

  • Possibilidade de intercorrências e necessidade de realização de cirurgia (cesariana)  

  • Identificação de pessoas e apoio que estarão presentes  

  • Posições corporais que deseja adotar durante o trabalho de parto e parto  

  • Cuidados consigo e com o recém-nascido(a), considerando valores e necessidades pessoais, contribuindo para evitar intervenções indesejadas e/ou desnecessárias

Acesse as versões do plano de parto:

Português

Espanhol

Francês

Créole

Wolof 

Por Mariana Ribeiro/SES
saude.rs.gov.br

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sábado, 3 de agosto de 2024

Inteligência Artificial pode transformar milhões de empregos na América Latina e Caribe, diz OIT

 

Unsplash/Sigmund
 

Um grupo de pessoas trabalha em seus computadores em um escritório


Entre 26% e 38% dos empregos na América Latina e Caribe podem ser influenciados pela inteligência artificial generativa. Os dados são de um novo estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, em parceria com o Banco Mundial.

O relatório aponta oportunidades de aumentar a produtividade por meio da nova tecnologia, mas também ressalta lacunas na infraestrutura digital que podem prejudicar os potenciais benefícios.

Baixo risco de automatização total

A expectativa da OIT e do Banco Mundial é de que a inteligência artificial generativa aumente e transforme os empregos, em vez de gerar uma automatização total.

Especificamente, entre 8% e 14% dos empregos poderiam ver a sua produtividade melhorada, enquanto apenas entre 2% e 5% correm o risco de dispensarem totalmente a participação humana.

O estudo revela que as mulheres, bem como os trabalhadores urbanos mais jovens e qualificados nos setores formais, enfrentam maiores riscos de automação por parte da IA generativa, o que poderia agravar as desigualdades econômicas regionais e a informalidade.

Já os trabalhadores assalariados e autônomos, como vendedores, arquitetos, educadores, profissionais de saúde ou de serviços pessoais, têm maior probabilidade de se beneficiar dos efeitos transformadores da inovação, de acordo com o estudo.

Uma pessoa idosa usa um smartphone
Unsplash/Joshua Hoehne
 
Uma pessoa idosa usa um smartphone

Perda de oportunidades devido à exclusão digital

No entanto, o estudo destaca uma exclusão digital significativa na região que pode impedir esses profissionais de aproveitarem plenamente os benefícios potenciais da inteligência artificial gerativa.

Isto poderia afetar cerca de metade dos empregos que alcançariam maior produtividade com esta tecnologia, correspondendo a 7 milhões de postos de trabalho para mulheres e 10 milhões para homens na região.

A perda de produtividade potencial devido a esta lacuna no acesso digital teria o maior impacto sobre os trabalhadores que vivem em condição de pobreza.

Por exemplo, no Brasil, embora 8,5% de profissionais mais desfavorecidos pudessem se beneficiar da IA generativa, apenas 40% deles tem de fato acesso a tecnologias digitais no trabalho.

Investimentos em conectividade

O economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe afirmou que na região “a desigualdade permanece inaceitavelmente elevada e uma em cada quatro famílias ainda vive na pobreza”.

Para William Maloney, é fundamental melhorar a produtividade e a qualidade do emprego. Segundo ele, “quando implementadas de forma sustentável, as tecnologias digitais, incluindo a IA generativa, podem aumentar a produtividade e a criação de mais e melhores empregos”.

No entanto, para aproveitar estas oportunidades, o especialista afirma que é vital que os países da região invistam na conectividade e nas competências, reforçando simultaneamente os sistemas de proteção social para garantir que ninguém fique para trás.


    Onunews


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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Gestores da Cidadania participam de capacitação sobre migrantes estrangeiros


Gestores da Cidadania participam de capacitação sobre migrantes estrangeiros

Os gestores e servidores da rede de assistência da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social participaram nesta quarta-feira (31/07), no auditório do Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CEFPE) de uma formação  profissional  com a temática “Migrantes Estrangeiros”, ministrada pela professora Ana Paula Gabatelli Vieira, mestre em Linguística Aplicada e coordenadora executiva da ONG Vila Internacional.

Durante a capacitação os participantes tiveram a oportunidade de qualificar as ações da rede de Assistência Social através de acesso aos dados e conhecimento de ferramentas assegurando o acolhimento destes cidadãos no município.

A migração no Brasil é um fenômeno caracterizado pela chegada de estrangeiros ao território nacional ao longo de toda a sua história de formação. 

Tendo início com os portugueses no século XVI, as correntes de imigração espontânea que chegaram ao Brasil se intensificaram a partir de meados do século XIX, entrando em declínio a partir da década de 1930 devido à imposição de medidas de restrição a esse processo. Durante esse intervalo de tempo, os grupos mais numerosos eram formados por migrantes italianos, portugueses, alemães, japoneses e árabes.

Os fluxos mais intensos recomeçaram a partir da segunda metade do século XX, com  mudanças no perfil dos migrantes, vindos agora principalmente da América Latina, Ásia e África.

O Brasil tem sido um importante destino para refugiados de diversas localidades, como Venezuela, Síria, Haiti e Afeganistão, que deixaram seus países em razão de questões como desastres naturais, conflitos e crises políticas e humanitárias. 

Segundo a agência Brasil, atualmente 1,3 milhão de migrantes residem no Brasil. Em dez anos, de 2011 a 2020, os maiores fluxos foram da Venezuela, Haiti, Bolívia,
Colômbia e Estados Unidos.

O número de novos refugiados reconhecidos anualmente no país saiu de 86, em 2011, para 26,5 mil em 2020. As solicitações de reconhecimento da condição de refugiado também aumentaram, passando de cerca de 1,4 mil, em 2011, para 28,8 mil, em 2020, segundo o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), parceria do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com Ingridi Cazella, secretária adjunta de Cidadania e Assistência Social, São Carlos conta hoje com 529 estrangeiros identificados no Cadastro Único e por meio dos atendimentos registrados na própria Secretaria. Foram identificadas 33 nacionalidades, dentre as quais,  Venezuelanos 47%; Colombianos 12%; Cubanos 7,4%; Haitianos 5,5%; outros países 31% (Japão, Argentina, Portugal, Peru, Bolívia, Afeganistão, Paraguai, Angola, Itália, Irã, Congo, Nicarágua, Chile, Marrocos, Nigéria, Equador, Guiné, EUA, Gabão, Gana, México, Uruguai, França, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Guiné, Suriname, Benin e Espanha).

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quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Atuação do poder público na segurança de migrantes e refugiados na Bahia é tema de conferência

 Conferência sobre migrantes e refugiados na Unifacs

Foto: Unifacs

A III Conferência e Videoconferência – Atuação das forças armadas de segurança pública junto aos migrantes e refugiados na Bahia, ação cujo objetivo é a promover um debate a respeito da segurança e acolhimento às pessoas migrantes e refugiadas na Bahia, foi realizada no Campus Santa Mônica da Universidade Salvador (Unifacs), em Feira de Santana, na manhã desta quinta-feira (1º).


A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Superintendência de Prevenção à Violência (Seprev) da Secretaria de Segurança Pública e a Rede de Apoio ao Migrante da Bahia (RAMBA), da qual a Unifacs faz parte. Durante a conferência, foi apresentada a “Cartilha para atuação das forças de segurança pública junto a migrantes e refugiados/as na Bahia”, documento elaborado visando prevenir e fortalecer a atuação do poder público na garantia da permanência e segurança dos refugiados e migrantes no estado.

Conferência sobre migrantes e refugiados na Unifacs
Foto: Unifacs

As palestras realizadas abordaram a situação dos migrantes e refugiados na Bahia, apresentando aos participantes temas como o combate ao tráfico de pessoas, exploração sexual, trabalho análogo à escravidão e xenofobia

A Coordenadora do Centro de Serviços ao Migrante da Unifacs, Rafaela Ludolf ressalta que a III Conferência é de extrema importância para a sociedade, “justamente por promover este diálogo com as forças de segurança pública, afinal, são exatamente essas pessoas que procuramos quando a gente está na rua, em necessidade e perdido”, afirma.

“Dialogar diretamente com essas autoridades se faz necessário para trazer informações sobre o funcionamento do fluxo do acolhimento aos migrantes e refugiados que se encontram aqui na Bahia, possibilitando a prestação de um serviço com maior qualidade para uma comunidade que já se encontra em uma situação de vulnerabilidade”, complementa.

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