quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Direitos de refugiados e apátridas foi tema de evento na OABRJ

Felipe Benjamin

 Realizado pela Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da OABRJ, e por seu Grupo de Trabalho (GT) de Fluxos Migratórios e Meio Ambiente, o I Seminário sobre Refúgio, Migração, Apatridia e Direitos Humanos reuniu palestrantes no Plenário Evandro Lins e Silva, na sede da Seccional, no fim da tarde de sexta-feira, dia 14, e debateu o papel do Brasil no cenário das migrações internacionais. Comandado pela coordenadora do GT, Cristina Gomes da Luz, o evento contou com abertura do secretário-geral da CDHAJ, Ítalo Pires Aguiar, e da vice-coordenadora do GT, Aline Hamdan.

Compuseram a mesa principal do evento o advogado e mestrando em Relações Internacionais pela Uerj, Jhonathan Mattos; a integrante da CDHAJ, Dianduala Nguidi; o advogado e mestrando em Direitos Humanos pela Unijui/RS, Rodrigo Puzine; o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Alexandre Cabral, e o coordenador-executivo de Direitos Humanos da Prefeitura RJ, Matheus Andrade.

Filha de imigrantes angolanos, Dianduala deu início às palestras falando sobre a chegada de seus pais ao Rio de Janeiro, e relembrando o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe, na praia da Barra da Tijuca, em janeiro.

"Sempre ouvimos que o Brasil é um país extremamente acolhedor, como uma mãe", afirmou a advogada. "Mas, na verdade, o Brasil é uma mãe seletiva, com filhos prediletos, abraçando alguns e esquecendo-se de outros, como aconteceu com a família do Moïse. Em entrevistas, imigrantes ucranianos contam como se sentem seguros no Brasil e como foram bem acolhidos, mas isso não acontece com imigrantes de outras partes do mundo".

Jhonathan Mattos apresentou dados sobre a migração e o acolhimento de refugiados no país e ecoou o discurso de Dianduala sobre a incorporação dos migrantes à sociedade.

"De 2001 a 2020 temos o aceleramento das políticas de recebimento de refugiados, e entre 2009 e 2017 temos praticamente uma resolução do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) por ano tratando do tema. Entre 2001 e 2017 tínhamos cerca de 20 mil refugiados, vindos principalmente de Cuba, Síria, Congo e Haiti. Em 2017, essa curva pula para 67 mil, com mais de 70% desses imigrantes vindo da Venezuela para a Região Norte do Brasil. Lá, há um aumento da chegada de refugiados e, ao mesmo tempo, o menor grau de absorção dessa população pelo mercado de trabalho. Uma vez no nosso território, o refugiado deveria ter todos os direitos de um cidadão, exceto o direito de votar, mas o Brasil nega direitos a esse imigrantes. Somos uma pátria que recebe e acolhe essas pessoas, mas uma vez aqui, elas não contam com uma política de Estado contínua que garanta e aprofunde esses direitos".


Apresentando os dramas dos refugiados ambientais, Rodrigo Puzine chamou atenção para a questão que muitas vezes esbarra na falta de consenso sobre terminologias e tem como consequência o descaso em relação aos dramas enfrentados por populações deslocadas em virtude de tragédias ambientais.  

"A terminologia 'refugiado ambiental' praticamente não encontra qualquer visibilidade, mas eles existem e não há uma proteção efetiva para esse grupo, seja no Brasil ou no exterior, ainda que esse seja o grupo de refugiados mais antigo da Humanidade", afirmou Puzine.

"Casos como os de Mariana, Brumadinho ou as enchentes de Petrópolis geraram uma população que perdeu tudo e que se viu obrigada a migrar. Embora casos assim aconteçam em todo o mundo, muitos países rejeitam essa terminologia por acreditar que ela enfraquece o conceito do refugiado clássico ou por enxergar que uma vez que os eventos e migrações acontecem em um mesmo país sem efeito internacional".

Os esforços realizados pela Prefeitura do Rio de Janeiro no acolhimento e abrigo foram tema da manifestação de Matheus Andrade, que destacou em sua fala, as diversas políticas públicas implementadas e parcerias firmadas no apoio à população de refugiados na cidade. 

"Nosso maior sonho é conseguir lançar, em parceria com a organização norte-americana Cultural Orientation Resource Exchange (CORE), o Abrigo e Centro de Referência de Atendimento a Imigrantes (Crai), e estamos bastante próximos de concretizá-lo. A proposta veio da organização, que construiria o abrigo em um prédio da Prefeitura, próximo à Central do Brasil, e iria comandá-lo por seis meses, antes de devolvê-lo. Ou seja, seria uma obra construída com custos baixíssimos, e que ofereceria orientação jurídica, aulas de português e apoio à empregabilidade, fazendo com que refugiados passassem a trabalhar na estrutura atendendo futuros refugiados em sua língua natal".


Professor da Uerj, Alexandre Cabral destacou a necessidade de entender e colocar em prática a diversidade e a pluralidade na formação da sociedade brasileira.

"Há um texto de Freud , de 1919, chamado 'Das umheilich', que pode ser traduzido como 'o estranho' ou 'o infamiliar', que fala da ideia de não se sentir em casa", afirmou Cabral.

"Esse conceito mostra que somos desterrados e desterradas, algo que Hannah Arendt abordou no fim da Segunda Guerra Mundial em seu texto 'Nós, os refugiados', quando falou da busca por identidade dos judeus que partiam para novos países. A construção do país em que vivemos é o quê? Um genocídio dos que chamamos de indígenas, mesmo sem que eles tivessem nada a ver com a Índia, ou seja, em um processo que já começa a partir da violência semântica. E logo depois, as populações que chegam ao Brasil vêm da África Negra, através da escravidão. O pronome 'nós' não consegue acolher mais de 70% da população que vive nessa terra. Que nossa apatridia nos faça refletir que é pelo pronome 'nós' pelo qual precisamos lutar".


www.oabrj.org.br/

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Brasil: 2,2 milhões de crianças de até 6 anos de idade vivem na pobreza extrema

 

Imagem ilustrativa | Foto: Adobe Stock

Segundo um estudo feito por pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul, a pobreza infantil aumentou no país depois da pandemia. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, se concluiu que a proporção de crianças com até seis anos vivendo abaixo da linha da pobreza saltou de 36,1%, em 2020, para 44,7%, em 2021.

Segundo o estudo, em números absolutos, são 7,8 milhões de crianças vivendo na pobreza e 2,2 milhões na extrema pobreza. Entre as regiões do Brasil, o quadro mais grave é no Nordeste, onde mais de 60% das crianças estão abaixo da linha da pobreza.

Apenas o Ceará teve taxa um pouco menor, de 59,6%. Em Fortaleza, a equipe do Jornal Hoje conheceu a Gleiciane. Os filhos delas são atendidos pelo Iprede, uma entidade filantrópica que acompanha mães e crianças na primeira infância em situação de vulnerabilidade, inclusive alimentar.

Gleiciane tem quatro filhos e conta que o pior momento da vida foi não poder atender o mínimo que as crianças pediam. Ela fala sobre o filho mais novo, que ainda não entende direito a situação que a família vive.

“Ele precisa merendar, almoçar, jantar e não entende quando digo que não tem. Não tem o que dizer. Acaba meu coração. Eu não tenho o que dizer para eles, eu falo que vou atrás”, disse.

O pesquisador que coordenou o estudo, André Salata, diz que ter um programa consistente e regular de transferência de renda é fundamental para começar a mudar esse retrato e que a atenção à primeira infância não afeta apenas as crianças e as famílias.

Fonte: g1

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terça-feira, 18 de outubro de 2022

Nota de apoio à comunidade venezuelana no Brasil

 

As organizações abaixo subscritas, atuantes no âmbito do Direito Migratório e do Direito Internacional dos Refugiados, vêm expressar seu repúdio e preocupação com as falas do presidente da República, no dia 14 de outubro de 2022, sobre meninas venezuelanas, de 14 e 15 anos, em São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal.

Tal manifestação afronta diretamente garantias asseguradas nas Políticas do Estado brasileiro de proteção a adolescentes, mulheres e migrantes, banaliza a prática de conduta criminosa e as coloca em ainda maior risco de violência pela estigmatização, desinformação e xenofobia. Ainda mais grave por se tratar de fala do presidente da República, sobre quem recai o dever de fazer cumprir princípios e direitos fundamentais consagrados na Constituição Federal Brasileira.

A fala do presidente promove desinformação sobre a comunidade venezuelana do Distrito Federal, uma vez que organizações da sociedade civil locais confirmaram que não há indícios da existência de redes de exploração sexual na região1 2 e não foram apresentadas provas sobre as graves insinuações efetuadas. Jornalistas também apuraram que, no dia da visita, um projeto social envolvendo atividades de estética estava acontecendo no local. Ressaltamos que, à época do fato relatado, em abril de 2021, não foram levantadas quaisquer das alegações feitas agora, inclusive em nenhum dos registros publicados nas redes sociais do presidente da República3.

A exposição da comunidade venezuelana, promovida através de acusações infundadas do presidente da República, coloca em risco a integridade física e segurança de venezuelanos e venezuelanas, e, de forma ainda mais preocupante, de meninas e adolescentes dessa comunidade. Conforme demonstra uma coluna do Globo, desde que a fala começou a repercutir no último fim de semana, a casa tem sido cercada por repórteres, além de a primeira-dama e a senadora eleita Damares Alves terem forçado um encontro, em caráter sigiloso, sem a presença de organizações e instituições que atuam na defesa de crianças e adolescentes e pessoas migrantes, mesmo após a inicial recusa das líderes venezuelanas da comunidade4.

Todos esses acontecimentos desrespeitam o paradigma da proteção integral das crianças e adolescentes expresso no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que, inclusive, estabelece como dever de todos garantir o direito à privacidade, preservando a imagem e identidade dessas pessoas na condição peculiar de desenvolvimento (Art. 17), “pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor” (Art. 18).

A afirmação do presidente também estimula a estigmatização de pessoas migrantes e refugiadas e, por consequência, busca deslegitimar o direito de migrar. Atualmente, existem mais de 365 mil pessoas migrantes e refugiadas venezuelanas no Brasil5, que contribuem para o desenvolvimento econômico e cultural do país. Apesar de o país ter avançado no atendimento emergencial humanitário com a Operação Acolhida, ainda faltam políticas de longo prazo para a efetiva integração socioeconômica dessas pessoas. Neste contexto, associações e coletivos de migrantes, organizações da sociedade civil, instituições e organizações internacionais têm somado esforços para acolher, integrar e proteger pessoas migrantes no país. A fala proferida pelo Chefe de Estado está na contramão desses esforços e contribui para a propagação da xenofobia, podendo afetar negativamente a percepção social sobre a migração. O combate e prevenção à discriminação e à xenofobia devem ser considerados prioridade em um Estado democrático de direito e são princípios da Lei de Migração brasileira (Art. 3, II).

Ainda que fosse identificado qualquer crime de exploração sexual no local, o presidente da República, na condição de agente público, teria o dever de seguir o correto protocolo a ser adotado nesses casos, incluindo o acionamento das redes de proteção às possíveis vítimas, conforme o ECA e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil. Além disso, o procedimento aplicado a pessoas migrantes e refugiadas deve ser o mesmo aplicado para pessoas brasileiras.

De acordo com o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, as obrigações estatais definidas na Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança se aplicam a todas as crianças que se encontram no país, independentemente de nacionalidade, status migratório ou apatridia. Além disso, o Unicef também afirma que os Estados devem tomar medidas positivas para garantir que crianças vítimas de tráfico desfrutem de todos os direitos previstos na Convenção, levando em consideração o princípio do melhor interesse da criança e o direito à proteção sem discriminação de raça, gênero, religião, origem, nacionalidade ou status migratório.

Os canais de denúncias oficiais são fundamentais à proteção de crianças em situação de exploração ou abuso sexual. Para denunciar estes crimes, deve-se buscar o Conselho Tutelar, delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres, o Ministério Público ou ligar para o Disque Direitos Humanos (Disque 100), que recebe denúncias de violações de direitos humanos contra crianças e adolescentes7, e para a Central de Atendimento à Mulher (Disque 180), que recebe denúncias de violações contra mulheres, inclusive as migrantes e refugiadas, e as encaminha aos órgãos competentes8. Ambos os canais recebem denúncias gratuita e anonimamente. Toda possível situação de violência deve ser reportada para a ciência do poder público e seus respectivos procedimentos investigatórios, sob pena de a omissão também acarretar em uma conduta criminosa.

Por fim, saudamos iniciativas como a da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que entrou com representação junto à Defensoria da Infância e da Adolescência para garantir medida protetiva às adolescentes venezuelanas citadas pelo presidente Bolsonaro9. O momento requer que seja dada prioridade absoluta à proteção a essas adolescentes migrantes e às lideranças venezuelanas expostas neste episódio.

Assinam:

 

Associação Nacional de Centros de defesa da Criança e do Adolescente - ANCED

Associação Palotina e Congregação das Irmãs do Apostolado Católico

Cáritas Arquidiocesana de São Paulo

Cáritas Brasileira

Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2

Cáritas Brasileira Regional Paraná

Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante - CDHIC

Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular - CESEEP

Centro de Integração do Migrante

Conectas Direitos Humanos

Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP FICAS

Fundação Avina

Instituto Migrações e Direitos Humanos - IMDH

Missão Paz

Migraidh Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional

UFSM Observatório das Metrópoles - São Paulo

Observatório Eclesial Brasil

Projeto de Promoção dos Direitos de Migrantes -

ProMigra Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados - SJMR

Signis Brasil

 


Comitê Municipal discute ações para migrantes em PG



 

Atividade reuniu 17 migrantes, entre venezuelanos e sírios, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Foto: Divulgação/PMPG.

No último domingo (16), o Comitê Municipal de Migrantes, Refugiados e Apátridas de Ponta Grossa e a Cáritas Diocesana de Ponta Grossa realizaram um encontro que reuniu 17 migrantes, entre venezuelanos e sírios, no salão da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Órfãs.

De acordo com a chefe da 'Divisão de Média Complexidade' da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG)Karym Rachel Mami Collesel, representante no Comitê, “o principal objetivo do grupo é fortalecer as ações do Grupo, por meio da discussão de políticas públicas para amenizar as dificuldades encontradas pelos migrantes no Município”, disse.

 “Muitas vezes, ao mudar de país, os migrantes esbarram em dificuldades com relação à colocação no mercado de trabalho, obtenção de documentos pessoais e acesso a benefícios sociais. Oferecemos esse apoio, ampliando o acesso ao Cadastro Único e aos serviços da Agência do Trabalhador, por exemplo”, disse a presidente da FASPG, Vinya Mara Anderes Dzievieski Oliveira, que reforçou o convite para que novos migrantes participem das discussões do grupo.

Mesmo com representantes no Comitê, foi sentida a necessidade de chamar mais pessoas dos respectivos países. “A reunião contou com uma roda de conversa, relatos dos migrantes, comidas típicas e apresentações culturais. Com isso, fortalecemos o Comitê e sentimos as necessidades que os imigrantes têm”, disse a secretária municipal da Família e Desenvolvimento Social, Tatyana Denise Belo, que também integra o Comitê.

O Comitê é formado por representantes de secretarias municipais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PG), da Cáritas Diocesana de Ponta Grossa, bem como de integrantes da sociedade civil.

Com informações: assessoria de imprensa PMPG.

arede.info/ponta-grossa

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Diretor da OIT pede proteção social como resposta à crise econômica

 O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) exortou uma resposta à atual crise do custo de vida, que reduza as desigualdades e promova a sustentabilidade.

Gilbert F. Houngbo destacou que o respeito pelos direitos trabalhistas, melhores condições de trabalho nas cadeias produtivas e aumentos salariais reais podem catalisar o desenvolvimento econômico, a redução da pobreza e maior igualdade de renda entre os países.

As declarações foram feitas durante as Reuniões Anuais de 2022 do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial (GBM).

 

Em declarações feitas nas Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, a OIT exortou uma resposta à crise que reduza as desigualdades e promova a sustentabilidade.
Legenda: Em declarações feitas nas Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, a OIT exortou uma resposta à crise que reduza as desigualdades e promova a sustentabilidade.
Foto: © Ryoji Iwata/Unsplash

Prevenir as cicatrizes e proteger as pessoas mais vulneráveis por meio do aumento do salário mínimo e da garantia de benefícios de proteção social devem estar entre as respostas prioritárias à atual crise econômica e social, disse o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo, aos delegados e às delegadas nas Reuniões Anuais de 2022 do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial (GBM).

Outras políticas prioritárias incluem o investimento em proteção social e emprego produtivo por meio do Acelerador Global de Empregos e Proteção Social para Transições Justas, destacou. A iniciativa visa promover a criação de 400 milhões de empregos, inclusive nas economias verde, digital e assistencial, e a extensão da proteção social adequada aos quatro bilhões de pessoas atualmente sem cobertura. Isso forneceria apoio a uma mudança para uma abordagem proativa na gestão de crises econômicas, sociais e ambientais e a transição justa necessária para enfrentar as mudanças climáticas.

“Neste momento desafiador, é essencial que moldemos o futuro para que ele proporcione um mundo melhor, mais equitativo e sustentável que também contribua para uma paz duradoura”, disse o diretor-geral aos delegados.

Emprego produtivo - Em sua declaração escrita ao Comitê de Desenvolvimento conjunto Banco Mundial-FMI , Houngbo observou que aumentar o emprego produtivo é essencial para reduzir a desigualdade. Uma maior formalização do emprego também é necessária para melhorar a produtividade e a sustentabilidade dos negócios, promover o trabalho decente e dar aos governos mais recursos financeiros para enfrentar a pobreza e a desigualdade.

Políticas de longo prazo para combater as grandes e persistentes disparidades de gênero, inclusive em salários, pensões e qualidade do trabalho, também são necessárias.

“Constrangidos pelo aumento dos encargos da dívida e pela redução do espaço fiscal, muitos países agora enfrentam um cenário político assustador”, disse ele ao Comitê. “É necessário um novo esforço coletivo para gerenciar melhor e, finalmente, sair dessas crises e evitar crises futuras.” 

Isso inclui aumentar o investimento social no desenvolvimento de habilidades e cuidados, abordar as desigualdades do mercado de trabalho e aumentar os níveis de benefícios de proteção social e salários para manter os padrões de vida em face da inflação – para o qual havia escopo sem criar uma espiral salário-preço, ele disse.

Desigualdade - Em uma segunda declaração escrita ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) , o diretor-geral descreveu uma crise de custo de vida alimentada por preços mais altos e uma dissociação do crescimento salarial do crescimento da produtividade, levando à queda dos salários reais. 

Sem ação imediata e aumento de recursos, isso pode aumentar a desigualdade e sobrecarregar as empresas, afirmou, acrescentando que, com muitos países com espaço fiscal limitado para fornecer apoio às famílias de baixa renda, isso pode alimentar a agitação social.

Houngbo destacou a necessidade de um maior apoio às economias vulneráveis, que podem enfrentar dívidas altas e crescentes. O maior respeito pelos direitos trabalhistas e a promoção de empreendimentos sustentáveis e melhores condições de trabalho nas cadeias produtivas podem catalisar o desenvolvimento econômico, a redução da pobreza e maior igualdade de renda entre os países, declarou.

Ele pediu maiores esforços coletivos para lidar com as atuais crises inter relacionadas e que se reforçam mutuamente, ressaltando que tal ação também promoveria a justiça social e, assim, contribuiria para uma paz duradoura.

brasil.un.org

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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Operação Acolhida alcança marca de 84,4 mil venezuelanos interiorizados no Brasil

Refugiados e migrantes foram realocados em 887 municípios brasileiros - Foto: Min. Cidadania

Operação Acolhida atingiu a marca de 84.463 venezuelanos interiorizados em 887 municípios brasileiros, sendo 18.206 interiorizações somente este ano. A ação é uma grande força tarefa humanitária que permite a realocação de refugiados e migrantes da Venezuela.

Do total, 89% dos cidadãos do país vizinho viajaram ao Brasil em grupos familiares e o restante chegou à fronteira sozinho.

Os três estados do Sul são os que mais acolheram refugiados. Para Santa Catarina foram interiorizados 16.140 venezuelanos, o Paraná recebeu 14.640 e o Rio Grande do Sul 12.805.

A cidade que mais recebeu cidadãos da Venezuela desde o início da Operação Acolhida foi Curitiba: 5.458. Em seguida aparecem Manaus (5.305), São Paulo (4.393), Dourados (MS), com 3.449, e Chapecó (SC), com 3.186.

A estratégia tem como objetivo oferecer assistência emergencial aos refugiados e migrantes venezuelanos que entram no Brasil pela fronteira com Roraima, organizando a chegada, a regularização migratória, a imunização contra doenças e buscando inserção social, econômica e apoiando na procura por emprego e moradia.

O Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização, coordenado pelo Ministério da Cidadania, é responsável pelo processo de aprovação da transferência dos imigrantes venezuelanos da cidade fronteiriça de Pacaraima (RR) e de Boa Vista para outros estados brasileiros.

Composto por 13 ministérios, o Subcomitê conta com suporte de agências da Organização das Nações Unidas e de mais de 100 entidades da sociedade civil. Mais de sete mil militares das Forças Armadas serviram na missão desde o seu início.

A estratégia de Interiorização conta com o apoio das Casas de Passagem, operadas pela sociedade civil com o objetivo de receber e apoiar os venezuelanos por alguns dias, sendo um ponto de apoio intermediário entre o embarque em Boa Vista ou Manaus e o local de destino final das pessoas refugiadas e migrantes.

Atualmente, são 13 casas: Caxias do Sul (RS), Conde (PB), Curitiba (PR), São Paulo (SP), duas em Brasília (DF), Cuiabá (MT) e Porto Alegre (RS), além de três em Belo Horizonte (MG).

De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas, mais de cinco milhões de pessoas foram forçadas a sair da Venezuela em busca de melhores condições de vida nos últimos anos. O Brasil é um dos cinco destinos mais procurados pelos cidadãos do país vizinho.

Com informações do Ministério da Cidadania

Agencia Brasil

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Migrantes participam de evento preparatório para conferência municipal

 


Eduarda Alcaraz/ SMDS/ PMPA

Evento buscou mapear principais demandas e características dessa população

Neste sábado, 15, a prefeitura realizou, na região do Centro, a 4ª pré-conferência livre sobre migração. O evento, promovido pela Unidade dos Povos Indígenas, Imigrantes, Refugiados e Direitos Difusos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), ocorreu no Centro Ítalo-Brasileiro de Assistência e Instrução às Migrações, na paróquia Pompeia, das 9h às 17h. 

Quem circulou pelo local respondeu a formulários sobre as principais demandas dos migrantes e para mapear as características da população. As respostas serão apresentadas na Conferência Municipal de Migrações, no dia 12 de novembro.

De acordo com o coordenador da Unidade, Mario Fuentes Barba, essa é uma região com muitos migrantes e que precisa de atenção. “Além das atividades da pré-conferência, contamos com a participação de diversos parceiros que nos ajudam a chegar a mais pessoas”, explicou Barba

A equipe de mediadores interculturais da Secretaria Municipal de Saúde fez o levantamento de demandas da área e encaminhamentos para a produção do cartão SUS. O Sine Municipal também esteve presente com o serviço de intermediação de mão de obra e encaminhamento para entrevista de emprego. O Centro de Referência em Direitos Humanos participou explicando os serviços da SMDS e prestou orientações sobre as atividades da prefeitura para a comunidade migrante.

Cibai Migrações - O padre Anderson Hammes chegou à paróquia Pompeia em 2019 e desde então fortaleceu e ampliou o trabalho desenvolvido para os migrantes na Capital. “Eles precisam de documentação adequada, aprender a língua e conseguir um trabalho. Tendo isso, conseguem se desenvolver e formar uma nova vida aqui”. 

A congregação oferece aulas de português, oficinas de informática e corte e costura, além de assessoria jurídica e psicológica, acesso à biblioteca, doação de roupas e alimentos. Tudo isso por meio do trabalho de 102 voluntários.

Programação das pré-conferências:

15/10 – Quarta pré-conferência

22/10 – Pré-conferência extraordinária

29/10 – Quinta pré-conferência

12/11 – Conferência Municipal de Migrações


Te
xto Eduarda Alcaraz

Edição Gilmar Martins




prefeitura.poa.br

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sábado, 15 de outubro de 2022

Argentinos passam venezuelanos em número de migrantes para a Espanha

 

A então presidente argentina Cristina Kirchner (hoje vice) cumprimenta o então ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro (atualmente ditador do país), em encontro em Buenos Aires em 2011| Foto: EFE/Emiliano Lasalvia

O caos econômico, político e social gerado pelo chavismo fez cerca de 6,5 milhões de pessoas deixarem a Venezuela desde 1999, fluxo comparável ao de países em guerra.

Superar algum índice de migração venezuelano denuncia o quão grave a situação de um país está, e a Argentina, onde a inflação descontrolada corrói a renda e a instabilidade econômica empurra os trabalhadores para a informalidade, conseguiu: no ano passado, a chegada de argentinos à Espanha superou a de venezuelanos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol, 32.933 argentinos migraram para o país europeu em 2021, um aumento de 65,8% em relação a 2020.

No ano passado, 27.875 venezuelanos chegaram à Espanha. Tanto o país de Nicolás Maduro quanto a Colômbia, o país sul-americano com maior migração para o território espanhol, mantiveram tendência de queda, enquanto a Argentina (veja gráfico) teve redução expressiva em 2020 (19.857 argentinos migraram para a Espanha), primeiro ano da pandemia, mas depois apresentou em 2021 patamar superior ao de 2019 (quando haviam sido registrados 31.306 migrantes).

Migração

Países sul-americanos que mais enviaram migrantes para a Espanha nos últimos anos  


Fonte: Instituto Nacional de Estatística da Espanha.

Infografia: Gazeta do Povo.

O número argentino de 2021 é o mais alto do país desde 2008, ano em que o INE começou a divulgar estatísticas de imigração. Desde 2009 a saída de argentinos para a Espanha não superava a de venezuelanos.

No ano passado, Colômbia e Argentina ficaram em segundo e quarto lugares, respectivamente, na lista de países em todo o mundo que mais enviaram migrantes para a Espanha – o Marrocos, com 60.436 pessoas, e o Reino Unido, com 34.642, ficaram em primeiro e terceiro.

Entretanto, o historiador Xosé Manoel Núñez Seixas, professor da Universidade de Santiago de Compostela, alertou em entrevista ao jornal Clarín que os números da migração argentina podem ser ainda maiores, porque muitos cidadãos com dupla cidadania do país governado por Alberto Fernández ingressam em território espanhol com passaportes europeus – espanhol ou italiano, principalmente.

Apesar desse fluxo sem paralelo na história recente, Seixas destacou que a instabilidade política e econômica que a Argentina enfrenta há décadas já gerou outros momentos de grande migração para a Espanha, o que permitiu a criação de uma forte rede de apoio para os recém-chegados.

“[Tivemos] Aqueles que chegaram fugindo da ditadura [entre 1976 e 83]; os que chegaram fugindo da grande inflação [década de 1980]; os que chegaram em 2001, 2002, 2003. Eles estão aqui há 20 anos, estão bem estabelecidos. É um gotejamento contínuo. Isso gera ‘camadas’ de imigrantes estabelecidos que servem de ponte para que outros cheguem”, explicou o professor.

Leadro Lázaro, um dos fundadores do grupo de acolhida Argentinos pela Espanha, emigrou há 21 anos. Em entrevista ao site espanhol Vozpópuli, ele lamentou que a crise sem fim na Argentina siga levando milhares de compatriotas a escolher o mesmo caminho – e projetou que os números devem continuar crescendo.

“Temos pouco a dizer sobre a economia, já se sabe tudo. Uma inflação sem precedentes e insustentável, que está levando nosso país à ruína. E isso, por sua vez, acaba levando à insegurança, que antes era característica de apenas alguns bairros específicos, [mas agora] se tornou algo generalizado em todo o país, porque a pobreza está nas ruas”, criticou Lázaro. “Quem quer viver em um país prestes a explodir?”

gazetadopovo.com.br/

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Frontex encobriu expulsões de migrantes, diz relatório europeu


A agência europeia de controlo de fronteiras, Frontex, encobriu a expulsão de migrantes da Grécia para a Turquia.

A denúncia consta de um relatório do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), divulgado, esta quinta-feira, pelo portal alemão que promove a liberdade de informação FragDenStaat, pela revista Der Spiegel e a plataforma de investigação colaborativa Lighthouse Reports.

O documento refere que vários funcionários da Frontex encobriram casos de reenvios forçados (pushbacks), violando "direitos humanos fundamentais" dos migrantes. Nem as autoridades gregas nem responsáveis da agência comentaram, para já, as acusações.

Os nomes dos funcionários não foram divulgados, mas estes são acusados de "falhas graves de conduta e outras irregularidades" por não investigar os incidentes ou geri-los corretamente.

A expulsão forçada de pessoas, através de uma fronteira internacional, sem avaliar os direitos de asilo ou outras formas de proteção, viola o direito internacional e comunitário.

Há anos que várias organizações-não governamentais acusam a Frontex, principalmente desde a grande vaga migratória provocada pela guerra na Síria.

Em agosto de 2020, um funcionário da agência europeia manifestou-se preocupado num email, depois de um avião da Frontex testemunhar um episódio em que as autoridades gregas forçavam uma embarcação a voltar a águas turcas.

Esta quinta-feira, a Frontex anunciou que as entradas irregulares na União Europeia (UE) aumentaram 70%, entre janeiro e setembro deste ano em comparação com período homólogo, atingindo um nível máximo desde 2016.

Euronews

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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

SME oferece curso sobre prevenção ao trabalho escravo em parceria com a ONG Repórter Brasil

 Fotografia de uma arquibancada com muitas crianças e pessoas adultas na quadra dentro de um ônibus feito de papelão. 

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, por meio do Núcleo Técnico de Currículo – Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER), promove o curso “Escravo, Nem Pensar! – Prevenção ao Trabalho Escravo em São Paulo”, em parceria com a ONG Repórter Brasil. As inscrições podem ser feitas a partir desta sexta-feira (14), às 12h, por meio de formulário eletrônico.

Nesta edição 2022/2023 do projeto, serão contempladas Unidades Educacionais de Diretorias Regionais de Educação (DREs) que abrangem territórios com grande concentração de matrículas de estudantes migrantes. Além disso, o projeto dará ênfase à relação entre migração e questão de gênero, tendo em vista que mulheres migrantes compreendem um dos grupos mais vulneráveis à exploração laboral em São Paulo.

Por isso, serão também incluídas DREs que abrangem equipamentos das redes municipais de Direitos Humanos e Cidadania e de Assistência e Desenvolvimento Social, dedicadas ao atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, incluindo migrantes.

Assim, serão priorizadas nesta ação as DREs Penha, Jaçanã/Tremembé, Pirituba/Jaraguá, Ipiranga, Freguesia do Ó/Brasilândia, Campo Limpo, Capela do Socorro, Santo Amaro e São Mateus. Como a formação tem em vista a multiplicação nas escolas, e o público alvo são Coordenadores Pedagógicos e Assistentes Técnicos de Educação I que atuem nas DREs indicadas.

Serão oferecidas 60 vagas, sendo contemplados 50 Coordenadores Pedagógicos e 10 Assistentes Técnicos. A formação será presencial e ocorrerá no Instituto Mauá de Tecnologia, localizado na Rua Pedro de Toledo, 1071 – Vila Mariana. Aos participantes desta edição será oferecido um novo módulo do curso em 2023, para dar continuidade às ações desenvolvidas.

O curso tem como objetivos oportunizar as reflexões acerca da relação entre migração e trabalho escravo contemporâneo, sensibilizar coordenadores pedagógicos e formadores (as) das DREs para formação continuada de professores tendo em vista o melhor acolhimento de estudantes migrantes e o combate ao racismo e a xenofobia, e promover a articulação entre as unidades escolares para propiciar um atendimento humanizado e integral aos estudantes e suas famílias.

Confira, abaixo, o conteúdo programático

1º Módulo – Formação básica

1º Encontro presencial – 25/10, das 9 às 13h

Tema: migração

2º Encontro presencial – 26/10, das 9 às 13h

Tema: trabalho escravo

3º Encontro presencial – 31/10, das 9 às 13h

Tema: prevenção ao trabalho escravo nas escolas – experiências exitosas

Clique aqui e faça já a sua inscrição. (Link para um novo sítio)

Acesse a íntegra do Comunicado Nº 813, de 13 de outubro, páginas 66 e 67, publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, desta sexta-feira (14).  (Link para um novo sítio)

Veja a lauda com todas as especificações do curso.  (Link para um novo sítio)

educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/

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GOVERNO BRITÂNICO CLASSIFICA ESCRAVIDÃO MODERNA COMO PROBLEMA DE IMIGRAÇÃO

Trecho de vídeo mostrando imigrantes chegando à Inglaterra - Divulgação/ Youtube/ GBNews

 Ministério do Interior da Inglaterra divulgou recentemente uma mudança em sua política relativa à escravidão moderna no país, que agora é categorizada como um problema inserido dentro da questão da "imigração ilegal e asilo". 

Essa mudança, todavia, recebeu grandes críticas de autoridades dentro e fora do governo britânico, uma vez que mais de 25% das potenciais vítimas no país são cidadãos ingleses. Esse grupo é, portanto, invisibilizado com a nova classificação, já que não se tratam de imigrantes. 

“A escravidão moderna é um crime que pode afetar as pessoas, não importa de onde sejam ou onde estejam no mundo", explicou Olivia Field, por exemplo, que é uma líder dentro da Cruz Vermelha, conforme repercutido pelo The Guardian. 

Para que não se torne mais difícil para as pessoas obterem a ajuda de que precisam, pedimos que a lente sobre o combate à escravidão moderna seja uma salvaguarda focada em proteger as pessoas afetadas por esse crime, em vez de ser tratada como uma questão de imigração", continuou ela. 

 Kate Roberts, da ONG Focus on Labour Exploitation, que busca combater o tráfico de pessoas, enfatiza que, embora o "status de imigração restrito ou inseguro" pode abusado por criminosos que submetem pessoas a condições de trabalho análogas à escravidão, esse não é o caso de todas as vítimas essa atividade criminosa. 

A resposta do Ministério de Interior 

Em um comunicado ao público, por sua vez, o órgão do governo da Inglaterra reiterou seu foco na conexão entre escravidão moderna e imigração ilegal: 

Estamos comprometidos em combater o crime hediondo da escravidão moderna e no Reino Unido temos uma resposta líder mundial. No entanto, está claro que as pessoas estão abusando do nosso sistema quando não têm o direito de estar aqui, para frustrar sua remoção”, afirmou a nota, ainda de acordo com o The Guardian. 

aventurasnahistoria.uol.com.br/

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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Refugiados afegãos se aglomeram no aeroporto de Guarulhos em busca de assistência

 


Um grupo com cerca de 150 refugiados afegãos, entre homens que viajaram sozinhos e famílias com crianças pequenas, ocupa um saguão no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Distribuídos em um espaço aberto entre um posto de atendimento a migrantes e uma agência bancária, eles dizem acampar por lá porque, mesmo tendo o visto regularizado, não há para onde ir.

Alguns dos refugiados chegam até a ser encaminhados para centros de acolhimento, mas o grupo, que muda de composição a todo momento, tem crescido especialmente desde agosto. Segundo a prefeitura de Guarulhos, ao menos 250 afegãos já passaram por lá só no início deste mês, maior patamar desde o início do ano. Diante da situação, os refugiados se organizam para dividir roupa, comida, colchões e cobertores, grande parte obtida por doações. Tentam ainda se manter positivos quanto à possibilidade de uma nova vida.

O Afeganistão vive em guerra desde o fim do ano passado, quando o grupo armado Taleban retomou o controle do país. O Brasil, então, passou a oferecer um visto humanitário para receber refugiados, encaminhando aqueles que não tinham recursos para centros de acolhimento. Com o tempo, porém, as vagas nesses espaços tornaram-se insuficientes.

TALEBAN

Há cinco dias dormindo no aeroporto, o afegão NoorRahman Naeimi, de 35 anos, trabalhou no Exército do Afeganistão por cerca de 20 anos. Fez duas graduações, de Engenharia Civil e Mecânica, e tinha uma boa perspectiva para o futuro. Depois que o Taleban assumiu o poder, há cerca de ano, essa realidade foi se apagando aos poucos. "Nos primeiros dois, três meses, não houve problema para ninguém", conta. "Mas depois um amigo próximo do meu pai sumiu", continua ele, que diz que o pai também era militar.

Após investigação, a conclusão foi que o Taleban havia sumido com o amigo, que nunca mais foi encontrado. O medo era que ocorresse o mesmo com ele. "Depois disso, o Taleban foi até minha casa por duas vezes e perguntou onde eu estava, mas um de meus filhos disse que eu tinha saído", conta o afegão, que era morador da província de Laghman. "Depois disso, vivi escondido com meu pai e irmão por sete meses."

No escuro, Naeimi conta que começou a falar por celular com um amigo que já estava no Brasil e procurou ajuda qualificada para correr atrás do visto humanitário. Com a documentação encaminhada, foi ao Irã com o pai, de 61 anos, e com o irmão, de 23, para fazer os procedimentos finais.

Depois do aval, eles compraram passagens com um dinheiro que tinham juntado e voaram para o Brasil mesmo sem recurso extra. A esperança, agora, é ajeitar a vida por aqui. "Não tínhamos dinheiro para trazer o resto da família, mas vamos tentar encontrar um bom emprego aqui para trazê-los", disse ele, que é pai de seis filhos, três meninos e três meninas. O afegão diz que se vê morando em São Paulo. "Ainda não fui do lado de fora do aeroporto, mas, aqui dentro todos se mostram boas pessoas e nos ajudam de alguma forma. Alguns trazem comida, outros até barras de chocolate", afirma.

Apesar das dificuldades, Naeimi se mostra positivo quanto a uma nova vida. "Nós não temos muitos cobertores, colchões... É uma situação muito ruim aqui, mas o que posso fazer? Mesmo com essa situação, depois disso eu vou agradecer ao governo brasileiro por nos dar uma chance de vir para cá e salvar nossas vidas."

COOPERAÇÃO

A reportagem passou o início da tarde de ontem no local. Por lá, encontrou um cenário de desolação entre homens, que são maioria no local, e famílias sem ter para onde ir. Ainda assim, o grau de cooperação entre os presentes, sobretudo para quebrar barreiras da língua, chama a atenção.

Como o espaço é amplo, dezenas de crianças afegãs correm e brincam pelo local durante o dia, enquanto os adultos se reúnem nas cadeiras do saguão para fazer orações, usar os celulares para mandar atualizações para as famílias e para conversar sobre como os dias têm sido. Também agradecem a todo momento os voluntários que atuam no local.

Uma delas é a ativista Swany Zenobini, de 29 anos, que relembra que a ocupação por parte dos afegãos começou a ganhar força no fim de agosto. "Todo dia chega refugiado afegão e todo dia não tem vaga, não tem espaço de acolhimento", afirma ela, que integra o coletivo Frente Afegã. "Já presenciei um senhor de 103 anos dormindo no chão, mulher grávida já em trabalho de parto dormindo no chão? Agora tem até neném de 6 meses aqui."

Segundo a ativista, há dois perfis principais de refugiados no local: homens solteiros e famílias com crianças. "A gente já viu famílias até com 12 pessoas", relembra. Em comum entre todos, a motivação para a viagem. "Eles vêm para fugir do Taleban. Sem exceção. Ou porque foram perseguidos, ou porque receberam ameaça de morte, ou porque trabalhavam em um emprego que hoje o Taleban condena."

Entre as hipóteses para a alta repentina, Swany acredita que, quando o visto humanitário foi emitido, em setembro do ano passado, houve um ano para que os afegãos de classe média levantassem recursos para comprar passagem área.

Agora, a chegada de novos refugiados é tamanha que, segundo a ativista, os grupos se renovam frequentemente. "Esse grupo tem gente que está aqui há quase dez dias. Aí eles são acolhidos, todo dia se renova."

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) disse que o assunto é acompanhado de perto desde a adoção de uma portaria que permite a concessão de visto temporário e autorização de residência para nacionais afegãos. Desde o início da política até o dia 7, foram autorizados 6.299 vistos. De acordo com o Itamaraty, estão sendo oferecidas sugestões de medidas às entidades governamentais envolvidas na demanda. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo (SEDS), 116 afegãos foram acolhidos na Casa de Passagem Terra Nova em 2022, sendo sete nesta terça-feira.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da capital informou que 93 afegãos que estavam no aeroporto foram encaminhados ao Centro de Acolhida Especial (CAE) da Penha, aberto exclusivamente para abrigar esse grupo de refugiados. Conforme o secretário de Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos, Fábio Cavalcante, o aumento da demanda de refugiados por ajuda ocorreu principalmente a partir de abril. "A gente teve 180 pessoas (atendidas) em julho, 200 em agosto e, agora, 250 em outubro, que é o ápice", afirma. "A gente garante a segurança alimentar com café da manhã, almoço e jantar, distribui cobertor e kit higiene."

A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, disse acompanhar a ação para acolhimento das famílias.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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