quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Haitianos e venezuelanos: a marca recente da presença de migrantes e refugiados no Brasil

 


Por: Jonas Jorge da Silva

Quando comparado ao número de brasileiros que estão fora do país, o de estrangeiros no Brasil é considerado baixo, ainda que, na última década, o impacto do fluxo migratório internacional no país seja bastante relevante. Neste século, o que marca fundamentalmente o crescimento do número de migrantes e refugiados no Brasil é o ingresso de haitianos e venezuelanos.

 

Segundo Márcio de Oliveira, coordenador da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, na Universidade Federal do Paraná – UFPR, em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – ACNUR, estima-se que ao menos 4,5 milhões de brasileiros estão fora do país, ao mesmo tempo em que o Brasil abriga cerca de 1,1 milhão de estrangeiros. Em sua avaliação, acolhemos poucos migrantes quando comparado ao número de brasileiros recebidos em outros países.

Pesquisador de temas ligados a migrações internacionais, teoria sociológica e história da sociologia da imigração, Márcio de Oliveira refletiu sobre o tema A (in)visibilidade de migrantes e refugiados nas regiões brasileiras, no sétimo encontro da série de debates [online] Brasil: emergências socioambientais e horizontes políticos, ocorrido no dia 08 de outubro.

 

Prof. Dr. Márcio de Oliveira, da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFPR,
na atividade 'A (in)visibilidade de migrantes e refugiados nas regiões brasileiras'.

 

A iniciativa promovida pelo CEPAT conta com a parceria e o apoio de diversas instituições: Instituto Humanitas Unisinos - IHUNúcleo de Direitos Humanos da PUCPRConselho Nacional do Laicato do Brasil CNLBObservatório Nacional Luciano Mendes de Almeida - OLMA e Departamento de Ciências Sociais, da Universidade Estadual de Maringá - UEM.

 

Inicialmente, Oliveira observou que o tema dos migrantes e refugiados foi pouco comentado durante a recente campanha eleitoral, mas que certamente estará na agenda do próximo presidente, devido à sua importância.

 

Atualmente, o mundo tem aproximadamente 5% de sua população vivendo como migrante ou refugiado, cerca de 350 milhões de pessoas. O número pode parecer pequeno, mas nunca havia chegado a tal proporção. Entre esta população, cerca de 82 milhões são deslocados forçados por algum tipo de ameaça à sua integridade física. E o drama é ainda maior quando se constata que 30% dos migrantes e refugiados são menores de idade.

 

Oliveira lembrou que muitos de nós somos migrantes internos dentro do Brasil, mudando-se de um estado para outro em busca de melhores alternativas para viver. A migração interna é algo tradicional e, em maior número, continua sendo do nordeste para o centro-sul.

 

O grande motor da migração é a busca por melhores trabalhos e condições de vida. A migração internacional também persegue majoritariamente este propósito, mas implica a submissão do migrante a um conjunto de leis específicas do país que o recebe. Em geral, o migrante sofre diversas restrições de direitos quando chega em outro país. Oliveira ressaltou, por exemplo, que os migrantes que estão no Brasil não têm o direito de votar e nem de ser votado, o que se traduz em invisibilidade política.

 

Justamente por causa do aumento das restrições migratórias dos países centrais e mais ricos, no século atual, vem ocorrendo mudanças nos tradicionais grandes fluxos migratórios internacionais de países do sul para os do norte. Observa-se um relevante aumento das migrações entre os países do sul.

 

Segundo Oliveira, os fluxos migratórios dos países do sul para os do norte já são menores do que os que ocorrem apenas entre os países do sul. Esta constatação é reforçada pelo fato de as remessas monetárias de países do norte para os do sul já serem menores do que as que circulam entre os próprios países do sul.

 

Os obstáculos da migração para os países centrais fazem com que outros países do sul se tornem o objetivo dos migrantes. Nesse sentido, Oliveira considera que, nas últimas três décadas, as migrações aumentaram muito na América Latina. Chama a atenção, por exemplo, a presença de 400.000 bolivianos na Argentina.

 

migração boliviana para o Brasil, iniciada em meados dos anos 1980, também já se consolidou e a Bolívia hoje é um país de destino de significativas remessas monetárias. Os recursos são efetivamente enviados para familiares, parentes e amigos daquele país, o que impacta na vida dos bolivianos que lá permanecem. Já o Haiti é o país mais dependente de remessas monetárias do mundo. Hoje, um quarto de seu PIB é computado por remessas provenientes de outros países.

 

Haitianos e venezuelanos no Brasil

 

A partir dos anos 2010, haitianos e venezuelanos passam a ser os dois principais grupos a ingressar no Brasil. Segundo dados oficiais, 165.000 haitianos entraram no Brasil nesse período. Calcula-se que ao menos 130.000 ainda permanecem no país. Além de ser recente, trata-se de uma migração que não existia antes, pois tradicionalmente os haitianos migravam para os Estados Unidos, Canadá, França ou outros países fronteiriços. Atualmente, o Brasil aparece como o quarto destino dos haitianos.

 

De acordo com Oliveira, entre os fatores que favoreceram a recente migração haitiana para o Brasil estão as já mencionadas restrições das políticas migratórias de outros países, o terremoto de 2010, em concomitância com a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, coordenada pelo Brasil, e a mudança na legislação migratória brasileira que favoreceu a entrada de haitianos.

 

Com uma condição econômica favorável no Brasil, no início dos anos 2010, muitos haitianos conseguiram inclusive trabalhar de forma legal no país, com todos os direitos da legislação trabalhista assegurados e com uma proteção social que não tinham em seu país de origem. No Paraná, por exemplo, passaram a trabalhar em frigoríficos e na construção civil.

 

Jonas Jorge da Silva, do CEPAT, e o Prof. Dr. Márcio de Oliveira, da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFPR,
na atividade 'A (in)visibilidade de migrantes e refugiados nas regiões brasileiras'.

 


imigração haitiana teve maior concentração nos estados do sul, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que acolheram cerca de 60% dos migrantes. Com isso, houve uma associação entre a população negra brasileira e a haitiana. Inclusive, conforme salientado por Oliveira, o preconceito racial no Brasil chamou a atenção dos haitianos, que tiveram dificuldades em entender a razão pela qual os negros são vítimas do racismo no país.

 

Já os venezuelanos representam o principal grupo de migrantes e refugiados no Brasil. Estima-se que já são 380.000 migrantes. Entre eles, ao menos 49.000 já receberam o status de refugiado. Oliveira afirmou que no Brasil existe uma política de acolhida específica para os venezuelanos. A migração venezuelana está sendo tutelada e acompanhada pelo estado brasileiro. A partir de convênios com prefeituras, o ACNUR e outras ONGs, muitos são integrados com uma política deliberada de interiorização dos venezuelanos.

 

Para Oliveira, embora muitos migrantes haitianos e venezuelanos tenham uma formação qualificada, diplomados em áreas importantes, são alocados em empregos inferiores. Em sua avaliação, os obstáculos para a revalidação de diplomas no Brasil dificultam a inserção de migrantes no mercado de trabalho brasileiro.

 

Outra dificuldade é a própria adaptação à língua portuguesa, pois a resposta do poder público é muito deficitária no atendimento às demandas desses migrantes. Nas escolas públicas, muitas vezes faltam informações básicas acerca dos direitos dos migrantes. Oliveira considera que a presença dos filhos de migrantes nas escolas pode favorecer a integração de toda a família estrangeira com a comunidade local.

 

Haitianos e venezuelanos juntos já representam cerca de 600.000 migrantes e refugiados no Brasil, talvez sejam até mais, pois faltam dados mais precisos. Oliveira lembrou que o Brasil tem 1% da população formada por migrantes, ao passo que o nosso país vizinho, a Argentina, tem 4,5%, uma demonstração de que ainda se acolhe pouco no Brasil.

 

Brasil faz parte de convenções e acordos internacionais. Assim como acolhe migrantes, também se beneficia da acolhida de outros países. De acordo com Oliveira, em alguns países desenvolvidos, como Japão e Alemanha, receber migrantes faz parte da política econômica de Estado, pois os benefícios provenientes de uma mão de obra estrangeira qualificada, em países em processo de envelhecimento populacional, são muito grandes.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Centro para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná completa seis anos com mais de 27 mil atendimentos prestados

  

(Crédito: Divulgação/ SEJUF)

Neste mês de outubro, o Centro Estadual de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Paraná (CEIM/PR) completa seis anos de atuação. Neste período, o órgão atingiu o número de 27.000 atendimentos prestados a pessoas de mais de 60 países, sendo mais de 20 mil só nos últimos quatro anos. “O CEIM/PR também tem sido muito importante no contexto da guerra na Ucrânia, uma vez que o Paraná recebeu várias pessoas vindas daquela região”, disse o secretário da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), Rogério Carboni.

Vinculado ao Departamento de Justiça e Direitos Humanos, da Sejuf, o órgão é responsável por fornecer informações essenciais para as pessoas que chegam ao Paraná na condição de migrantes, refugiados ou apátridas. Elas são orientadas quanto ao acesso aos serviços públicos estaduais e municipais, respeitando as especificidades destas populações. Ele foi instituído por meio do Decreto nº 5.232, de 04 de outubro de 2016, e é o único centro estadual voltado a esta população no Brasil.

Por meio do CEIM/PR são realizadas ações e atividades de forma integrada e intersetorial com as diversas políticas públicas e órgãos de defesa de direitos. “Nos últimos anos, atendendo a uma determinação do governador Carlos Massa Ratinho Junior, as atividades do Centro Integrado foram intensificadas”, disse o secretário da Secretário da Justiça, Família e Trabalho, Rogério Carboni. Atualmente, o CEIM/PR conta com uma equipe interdisciplinar composta por 10 profissionais capacitados para prestar atendimento de qualidade ao público.

Kelly Letchakowski, responsável técnica pelo CEIM/PR, destaca os seis anos de trajetória do órgão. “O atendimento humanizado e diferenciado representa um suporte emocional importante. Os migrantes vem ao Brasil e chega aqui, foi, na sua maioria, forçados a deixar sua terra e buscam uma nova vida”, explicou. “É uma situação muito diferente de quem sai do Brasil, por exemplo, para fazer um ‘pé de meia’ na América do Norte ou na Europa, que se prepara para isso e vai com uma certa condição estabilizada em busca desse sonho”.

Ainda segundo ela, o cenário migratório está em alteração constante e ainda existem muitos objetivos a serem cumpridos em favor da integração dos migrantes e refugiados. “Pensamos na carga física e psicológica que essas pessoas passam, a vulnerabilidade com a qual elas chegam ao CEIM/PR, e buscamos trazer mais do que soluções, mas também o afeto e a empatia. É um acolhimento que realizamos para que se sintam seguras e tenham tranquilidade para resolver suas situações nesta chegada ao Paraná”, reforçou.

SERVIÇOS  Os principais serviços demandados são os de informação e apoio para a regularização documental, inserção no mercado de trabalho, encaminhamentos para a rede de assistência social, aulas de português, revalidação de diplomas, vagas em creches e escolas, serviços de saúde, dentre outros. Além disso, o CEIM/PR busca promover capacitações para servidores públicos e demais atores da temática migratória. Uma das iniciativas é o treinamento Vez e Voz do Migrante.


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Mulheres refugiadas e migrantes participam de formação sobre advocacy em Roraima

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Mais de 20 mulheres participaram da roda de conversa (Foto: ONU Mulheres Brasil / Lairyne Silva)

Aprender sobre políticas públicas, leis brasileiras e democracia é um desafio constante para milhares de pessoas refugiadas e migrantes que vivem no Brasil. Para mulheres venezuelanas que têm papel de liderança, além de um desafio, é uma necessidade. Sabendo da importância do compartilhamento dessas informações, a ONU Mulheres, por meio do programa conjunto Moverse, promoveu na primeira semana de outubro o curso “Incidência Política e Advocacy no Brasil: mulheres refugiadas e migrantes protagonistas na mobilização política”. A capacitação foi oferecida a 23 mulheres venezulanas identificadas como lideranças em Boa Vista (RR).

Essa foi a primeira vez que um curso de advocacy e incidência política foi oferecido exclusivamente a mulheres refugiadas e migrantes em Roraima. O curso foi realizado nos dias 5, 6 e 7 com o apoio do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR) e da Missão Paz. A palestrante Letícia Carvalho, coordenadora de Advocacy da Missão Paz, esteve à frente da maior parte do treinamento, com orientações importantes sobre cidadania e formas de participação social. “Foram 3 dias de curso e nesse período foram trabalhados conceitos e ferramentas para fazer incidência política. A participação das mulheres foi bem expressiva e desde o primeiro dia que teve a rodada de apresentação, as mulheres pontuaram que estavam felizes com o convite e que era um tipo de conteúdo que elas nunca tiveram acesso, por isso elas entendem a importância de ter esse conhecimento”, disse.

Yormery foi uma das participantes do treinamento. Para ela, o conheimento compartilhado influencia em vária áreas do dia a dia das mulheres refugiadas e migrantes. “O curso tem um conjunto de informações que nos mostra que temos direitos e deveres e que podemos usar isso como ferramenta para o nosso cotidiano. As vezes ficamos caladas por não saber sobre as leis e por sermos migrantes”, refletiu.

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Yormery participou do curso e tirou muitas dúvidas sobre os direitos e deveres de quem mora no Brasil (Foto: ONU Mulheres Brasil / Lairyne Silva)

A violência contra a mulher no contexto político e social também esteve entre os temas abordados no curso, assim como as ferramentas e as estratégias possíveis para que as mulheres possam ser mais atuantes nesse meio, que muitas vezes é dominado pela figura masculina. “Com essas informações, nós aprendemos a ter voz e não ser tão vulneráveis. O conhecimento adquirido aqui nessa roda de conversa nos traz poder e com esse aprendizado nós começamos a ter mais domínio e vamos interagindo umas com as outras. São campos de atuação que muitas vezes são desconhecidos e que agora temos acesso”, disse Yormery.

Mulheres refugiadas e migrantes participam de formação sobre advocacy em Roraima/noticias mulheres refugiadas mulheres migrantes moverse empoderamento economico
As palestras abordaram temas importantes e de interesse das mulheres migrantes e refugiadas. (Foto: ONU Mulheres Brasil / Lairyne Silva)

Conhecer as ferramentas e as estratégias possíveis é apenas o primeiro passo para a atuação das mulheres refugiadas e migrantes na incidência política no Brasil. Segundo Gabriela Mendes Cardim, assistente de Programas da ONU Mulheres que liderou conversa sobre relações de gênero e advocacy, com acesso ao conhecimento sobre seus direitos, as mulheres são capazes de iniciar mudanças importante nos ambientes em que vivem. “As mulheres muitas vezes estão sujeitas a serem responsáveis pela casa e o homem acaba tendo mais participação na política, pois estão acostumados e são ensinados a isso. É importante que as mulheres também ocupem esse lugar para que muitas demandas sejam atendidas. Lugar de mulher também é na política. Nós ajudamos nessa orientação de como as mulheres podem lidar com esse espaço e como enfrentar isso”, finalizou.

Sobre o Moverse – Iniciado em setembro de 2021, o programa conjunto Moverse – Empoderamento Econômico de Mulheres Refugiadas e Migrantes no Brasil é implementado por ONU Mulheres, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio do Governo de Luxemburgo. O objetivo geral do programa, com duração até dezembro de 2023, é garantir que políticas e estratégias de governos, empresas e instituições públicas e privadas fortaleçam os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento entre venezuelanas refugiadas e migrantes.

Para alcançar esse objetivo, a iniciativa é construída em três frentes. A primeira trabalha diretamente com empresas, instituições e governos nos temas e ações ligadas a trabalho decente, proteção social e empreendedorismo. A segunda aborda diretamente mulheres refugiadas e migrantes, para que tenham acesso a capacitações e a oportunidades para participar de processos de tomada de decisões ligadas ao mercado laboral e ao empreendedorismo. E a terceira frente trabalha também com refugiadas e migrantes, para que tenham conhecimento e acesso a serviços de resposta à violência baseada em gênero.

Para receber mais informações sobre o Moverse e sobre a pauta de mulheres refugiadas e migrantes no Brasil, cadastre-se na newsletter do programa em http://eepurl.com/hWgjiL

onumulheres.org.br/

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terça-feira, 11 de outubro de 2022

Mais de 3,8 mil imigrantes venezuelanos ainda estão fora dos abrigos em Roraima

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais de 3,8 mil imigrantes venezuelanos ainda estão fora dos abrigos destinados a acolher esta população em Roraima, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (10).

Os dados se referem ao mês de agosto. Apenas em Boa Vista, 1.616 estão fora dos abrigos. Destes, 181 estão em situação de rua. Em Pacaraima, houve aumento de 6% de imigrantes venezuelanos fora de abrigos. Ao todo, 361 pessoas estão em situação de rua no município.

A OIM mapeou 29 ocupações em Boa Vista e Pacaraima, bem como pessoas em situação de rua e no espaço de acolhimento instalado pela Força-Tarefa da Operação Acolhida na rodoviária da capital.

roraima1.com.br

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Comissão sobre migrações avalia plano de trabalho

 
Jefferson Rudy/Agência Senado

Jefferson Rudy

Foto Jefferson Rudy Agencia Senado 

A Comissão Mista Permanente sobre Migrações Internacionais e Refugiados (CMMIR) reúne-se na quarta-feira (19) para definição do plano de trabalho e do cronograma de atividades do colegiado em 2022. A reunião, remota, terá início às 14h30.

A reunião retomará o debate ocorrido no último dia 6, quando não houve quórum para apreciação do plano de trabalho do colegiado. Também aguardam votação requerimentos que propõem a realização de audiências públicas sobre xenofobia e direitos sociais de migrantes e refugiados, além de diligências em São Paulo.

A CMMIR é destinada a acompanhar, monitorar e fiscalizar, de modo contínuo, as questões relacionadas aos movimentos migratórios nas fronteiras do Brasil e aos direitos dos refugiados.

Presidida pelo deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE), a comissão tem como relatora a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP). O vice-presidente do colegiado é o senador Paulo Paim (PT-RS).

Plano de trabalho

O plano foi apresentado no dia 6 de outubro pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), relatora da comissão. A parlamentar propõe que a comissão visite as cidades de São Paulo e Guarulhos no dia 10 de novembro, como parte do acompanhamento da situação de refugiados afegãos no estado. O assunto também vai ser abordado em audiência pública marcada inicialmente para 20 de outubro.

As outras duas audiências previstas no plano de trabalho têm como objetivo analisar a Operação Acolhida, que cuida de imigrantes venezuelanos no estado de Roraima (com data proposta para 3 de novembro), e discutir o tema dos deslocamentos populacionais forçados por mudanças climáticas e ambientais (marcada, em princípio, para 1º de dezembro).

Mara Gabrilli também incluiu no plano de trabalho um balanço das suas atividades como porta-voz da comissão no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça. A senadora esteve lá em agosto em contatos com a comissária-adjunta do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Gillian Triggs; com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer; e com a embaixadora da Ucrânia na ONU em Genebra, Yevheniia Filipenko.

Fonte: Agência Senado

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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Pesquisa aponta desigualdade no acesso a emprego entre mulheres migrantes

 

Por Ana Clara Godoi

Somente uma em cada três oportunidades de interiorização com vaga de emprego no Brasil é ocupada por mulheres. É o que revela uma pesquisa realizada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ONU Mulheres e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com apoio do governo de Luxemburgo.

Segundo a pesquisa Oportunidades e desafios à integração local e pessoas de origem venezuelana interiorizadas no Brasil durante a pandemia de Covid-19, as mulheres venezuelanas têm menos chances de conseguirem trabalho formal ao serem interiorizadas no país, embora tenham maior porcentagem de escolaridade.

estratégia de interiorização permite que refugiados e migrantes que estão vivendo em Roraima, no norte do país, sejam realocados para outros estados e, assim, consigam ter acesso a direitos básicos, como saúde, educação e trabalho. No entanto, mais de 72% das pessoas interiorizadas com vaga de emprego sinalizada são homens.

O levantamento também aponta que as mulheres interiorizadas têm sofrido com a informalidade e baixo salário. Enquanto 29,4% dos homens trabalham informalmente, o índice de mulheres é de 37,3%. Quando conseguem um trabalho formal, o salário das mulheres é de R$ 1.177, menos do que o salário-mínimo atual. Os homens recebem R$ 1.612.

Atuação das organizações

Diante da desigualdade de oportunidades para ingresso no mercado de trabalho, as agências da ONU responsáveis pela pesquisa se uniram no programa Moverse para promover o aumento de vagas para mulheres migrantes no Brasil.

O principal objetivo do programa é apoiar empresas e incentivar a implementação de um plano de ação com foco em vagas para essa população, além da oferta de capacitação para o mercado de trabalho e apoio às famílias que tem crianças. A ideia é que as empresas assinem uma carta de compromisso e busquem realizar as metas incentivadas pelo programa.

O programa é uma junção de três organizações: o ACNUR, que atua em defesa dos direitos de refugiados, promovendo apoio para milhares de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial; o UNFPA, que junto ao governo e a sociedade civil desenvolve e monitora programas sobre o desenvolvimento da população; e a ONU Mulheres, que desde 2010 promove e apoia esforços ao redor do mundo em prol dos direitos das mulheres.

observatorio3setor.org.br

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O Papa: que a tenacidade dos migrantes estimule os que desejam um mundo de bem-estar para todos

 


Francisco encontrou-se com os peregrinos que participaram da canonização de João Batista Scalabrini, no último domingo. "Somos chamados hoje a viver e difundir a cultura do encontro, um encontro igualitário entre os migrantes e o povo do país que os acolhe", disse ele, exortando "as missionárias e missionários scalabrinianos a sempre se inspirarem em seu Santo Fundador, pai dos migrantes, de todos os migrantes".

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (10/10), na Sala Paulo VI, no Vaticano, os peregrinos que vieram a Roma para a canonização do bispo João Batista Scalabrini.

Depois de agradecer ao superior-geral dos Scalabrinianos, pe. Leonir Chiarello, por suas palavras de saudação e apresentação, Francisco agradeceu também a presença desta grande assembleia, composta por missionários, missionárias, missionárias seculares, leigos scalabrinianos, fiéis das dioceses de Como e Piacenza, e migrantes de muitos países. "Desta forma, vocês representam bem a amplitude da obra do bispo Scalabrini, a abertura de seu coração, para a qual, por assim dizer, uma diocese não era suficiente", sublinhou Francisco.

A seguir, o Papa sublinhou que "de grande importância foi seu apostolado a favor dos emigrantes italianos. Naquela época, milhares deles partiram para as Américas. Dom Scalabrini olhou para eles com o olhar de Cristo, de que nos fala o Evangelho, por exemplo, Mateus escreve assim: "Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor". E se preocupou com grande caridade e inteligência pastoral para que recebessem assistência material e espiritual adequada".

Colocar a fraternidade antes da rejeição

Ainda hoje, a migração é um desafio muito importante. Ela evidencia a necessidade urgente de colocar a fraternidade antes da rejeição, a solidariedade antes da indiferença. Hoje, cada pessoa batizada é chamada a refletir o olhar de Deus para os irmãos e irmãs migrantes e refugiados; a deixar que seu olhar amplie o nosso olhar, graças ao encontro com a humanidade a caminho, através da proximidade concreta, segundo o exemplo do bispo Scalabrini.

De acordo com Francisco, "somos chamados hoje a viver e difundir a cultura do encontro, um encontro igualitário entre os migrantes e o povo do país que os acolhe".

“Trata-se de uma experiência enriquecedora, pois revela a beleza da diversidade. E também é fecunda, porque a fé, a esperança e a tenacidade dos migrantes podem ser um exemplo e um estímulo para aqueles que querem se comprometer com a construção de um mundo de paz e bem-estar para todos.”

"E para que seja para todos, vocês sabem bem, devemos começar pelos últimos. Esta é uma regra de sabedoria. Quando caminhamos, peregrinamos, sempre seguir os passos dos últimos."

Ter o estilo de uma gratuidade generosa

"Para aumentar a fraternidade e a amizade social, somos todos chamados a ser criativos, a pensar fora dos esquemas. Somos chamados a abrir novos espaços, onde a arte, a música e o estar juntos se tornam instrumentos da dinâmica intercultural, onde podemos saborear a riqueza do encontro das diversidades", disse ainda o Pontífice, acrescentando:

Por isso, exorto vocês, m43poiurwqissionárias e missionários scalabrinianos, a sempre se inspirarem em seu Sanpoui.blogspot.vxczFundador, pai dos migrantes, de todos os migrantes. Que seu carisma renove em vocês a alegria de estar com os migrantes, de estar a seu serviço, e de fazê-lo com fé, animados pelo Espírito Santo, na convicção de que em cada um deles encontramos o Senhor Jesus. Isso ajuda vocês a terem o estilo de uma gratuidade generosa, a não poupar recursos físicos e econômicos para promover os migrantes de forma integral; e também ajuda vocês a trabalhar na comunhão de propósitos, como uma família, unida na diversidade.

"Que a santidade de João Batista Scalabrini "nos contagie" o desejo de sermos santos, cada um de forma original e única, como nos fez e nos quer a fantasia infinita de Deus. Que a sua intercessão nos dê a alegria e a esperança de caminharmos juntos em direção à nova Jerusalém, que é uma sinfonia de rostos e povos, em direção ao Reino da justiça, fraternidade e paz", concluiu o Papa.

radio vaticano

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sábado, 8 de outubro de 2022

Londrina tem o 1º Programa para Atendimento a Migrantes e Refugiados

 

Foto: Vivian Honorato / NCom

O “I Encontro sobre Migração e Refúgio: Desafios Contemporâneos para as Políticas Públicas” está acontecendo em Londrina, nesta sexta-feira (7), com a participação de representantes de diversos municípios. O objetivo é profundar o debate sobre a temática, avaliando os impactos nas políticas públicas, além de analisar a atuação do programa para atendimento a migrante e refugiados, há mais de um ano, por meio de uma parceira entre a Prefeitura de Londrina e a Cáritas Arquidiocesana do município.


A iniciativa acontecerá durante todo o dia, no auditório do Centro de Pastoral Jesus Bom Pastor (Rua Dom Bosco, 145), pela manhã, das 8h às 12h, e à tarde, das 13h30 às 17h. A abertura do evento contou com a presença da secretária municipal de Assistência Social de Londrina, Jacqueline Marçal Micali, que representou o prefeito Marcelo Belinati; do arcebispo metropolitano de Londrina, dom Geremias Steinmetz; da promotora de Justiça, Suzana de Lacerda; e outras autoridades.


“É um encontro para entendermos um pouco mais sobre a migração e refúgio em tempo contemporâneo, já que isso sempre existiu no mundo como meio de sobrevivência. Vamos analisar o contexto em Londrina, no Brasil e no mundo, e os desafios e avanços do 1º Programa para Atendimento a Migrantes e Refugiados do Paraná, sempre com o intuito de levar a política de assistência social, naquilo que é o seu papel, e promover integração com as outras políticas públicas”, apontou a secretária da pasta.


Micali também explicou que o programa presta os primeiros atendimentos a migrantes e refugiados, quando ele chega no município de Londrina, sendo um ponto de referência para este cidadão que chega na cidade. “Quando um migrante ou refugiado chega em Londrina ele é acolhido por este programa que faz os diversos encaminhamentos, por exemplo para a escola e saúde. O programa acompanha esta pessoa durante um período, até ela se estabilizar. Depois ela fica referenciada em um CRAS ou CREAS. Também é feita uma acolhida coletiva com outros migrantes, para que ele se sinta mais acolhido em nosso município”, contou.


Migrante é toda a pessoa que se transfere de seu lugar habitual, de sua residência comum, ou de seu local de nascimento, para outro lugar, região ou país. Os refugiados são pessoas que estão fora de seu país de origem devido a temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados. E os apátridas são aqueles que não têm sua nacionalidade reconhecida por nenhum país.


De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social 740 pessoas estão cadastradas como refugiadas e, destas, 590 foram atendidas em 2022. No caso de migrantes, foram 201 pessoas atendidas pela SMAS, sendo 11 crianças ou adolescentes. Esse público possui as mais diversas nacionalidades, incluindo venezuelanos, haitianos, uruguaios, bengaleses, espanhóis, peruanos, marroquinos, angolanos e outros.


A promotora de Justiça, Suzana de Lacerda, disse que ficou muito satisfeita com a presença de outros municípios no encontro, já que nem todas as cidades da região metropolitana de Londrina têm uma política pública voltada a essa área. “Essa aproximação, discussão, é importante para que os municípios trabalhem em rede. É importante trabalhar a conscientização, a quebra de preconceitos, de estigma, e dar suporte para estas pessoas”, ressaltou.

O arcebispo metropolitano de Londrina, dom Geremias Steinmetz, agradeceu a presença de todos e informou que a Cáritas Arquidiocesana tem experiência internacional, está presente em todo mundo, prestando muita ajuda e orientações para migrantes no mundo todo. “Entre as ideias que nos movem estão democracia, estado laico, dignidade humana e políticas públicas. E o nosso Papa Francisco tem mostrado que a questão da migração e refúgio é uma bandeira dele, pois sabemos que isso é um drama profundo da sociedade. Temos que entender que estamos todos em uma casa comum, no mesmo barco”, expôs.

tarobanews.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

UFRGS e OIM divulgam resultado da chamada de projetos de extensão em governança migratória

 

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Agência da ONU para as Migrações (OIM) divulgaram o resultado da Chamada Pública da plataforma MigraCidades. Foram avaliadas propostas de projetos de extensão voltados ao aprimoramento da governança migratória local de municípios e estados brasileiros feitas por universidades brasileiras. 

Os projetos de extensão ampliam a atuação das instituições de ensino superior para as comunidades. Nessa Chamada Pública, foram selecionadas sete propostas de universidades públicas e privadas comprometidas com o desenvolvimento da governança migratória local, em uma ou mais das 10 dimensões que guiam o trabalho da Plataforma MigraCidades. Participaram da banca de seleção duas representantes da UFRGS, duas representantes da OIM e três representantes de governos locais que integram a Plataforma MigraCidades. 

Confira o resultado 

A seleção teve como objetivo estabelecer pontes para que universidades possam auxiliar, de forma técnica, os governos locais participantes da Plataforma MigraCidades, e também fomentar e dar visibilidade a ações desenvolvidas por universidades em prol do aprimoramento da governança migratória no Brasil. 

“Por meio dessa Chamada Pública, a Plataforma MigraCidades busca colaborar na visibilidade nacional e internacional de ações que vêm sendo realizadas pelas universidades brasileiras, que desenvolvem projetos extensionistas inovadores e consolidados, que tem grande potencial para contribuir para o aprimoramento da governança migratória em nosso país”, explicam as coordenadoras da Plataforma MigraCidades pela UFRGS, Roberta Baggio e Verônica Gonçalves. 

O próximo passo do processo é a validação das propostas selecionadas pelos governos locais indicados pelas universidades como potenciais beneficiários. Em seguida, começa o período de implementação dos projetos, que tem duração de até 12 meses após o início. 

Plataforma MigraCidades 

Resultado de uma parceria entre a OIM e a UFRGS, com apoio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), a Plataforma MigraCidades tem como objetivos capacitar atores locais, impulsionar o diálogo migratório, certificar o engajamento dos governos em aprimorar a governança migratória e dar visibilidade a boas práticas identificadas em  estados e municípios brasileiros. O trabalho da plataforma é estruturado em torno de 10 dimensões de governança migratória local, que compreendem desde a estrutura institucional de governança local até o acesso a  direitos.  

O processo de certificação MigraCidades é parte das ações realizadas pela Plataforma e, em 2022, conta com 68 governos locais das cinco regiões do país na sua terceira edição. Ao todo, 11 unidades da Federação e 57 municípios se engajam no processo de aprimoramento da governança migratória local proposto. As etapas incluem diagnóstico das políticas locais, definição e monitoramento de áreas consideradas prioritárias pelos governos para desenvolvimento de ações. O objetivo é apoiar os governos locais a aprimorar o acolhimento e integração das pessoas migrantes.

OIM
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EUA anuncia nova ajuda para migrantes e refugiados na América Latina

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, anunciou nesta quinta-feira (6) uma nova ajuda para migrantes e refugiados da América Latina, durante a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Lima.

Blinken, que chegou na noite de quarta-feira à capital peruana para participar do encontro regional após visitar Colômbia e Chile, anunciou esta nova ajuda humanitária e de segurança no valor de US$ 240 milhões pouco antes de presidir uma reunião ministerial sobre a imigração, um assunto tenso para todo o hemisfério.

"Temos mais pessoas deslocadas em todo o mundo do que nunca em nossa história, mais de 100 milhões", destacou Blinken. "E nosso próprio hemisfério está experimentando isso de maneiras novas e profundas."

A reunião ministerial ocorreu na esteira da "Declaração de Los Angeles" sobre imigração adotada na IX Cúpula das Américas, em junho passado na Califórnia.

A medida humanitária destina-se a ajudar os países da região a financiar o acolhimento de migrantes e refugiados em diversos setores, como saúde e educação, e se soma aos milhões de dólares já aportados pelos Estados Unidos para o acolhimento nesses países de refugiados venezuelanos, disse uma porta-voz do Departamento de Estado, Kristina Rosales.

De acordo com um comunicado, US$ 39,8 milhões serão destinados a deslocados internos na Colômbia; US$ 26,8 milhões para financiamento regional para "refugiados e migrantes vulneráveis" nas Américas e US$ 15 milhões para fortalecer as capacidades dos governos de lidar com a migração.

O Departamento de Estado disse que a iniciativa visa promover "migração humana, ordenada, segura e bem administrada", combater o tráfico de pessoas e reduzir a migração irregular, bem como favorecer programas sub-regionais de migração laboral.

Por outro lado, mais de US$ 160 milhões de dólares serão destinados à segurança bilateral e regional.

Destes, US$ 12,9 milhões serão destinados a iniciativas de segurança fronteiriça para Colômbia, México e Peru.

Outros US$ 147,4 milhões serão destinados "para melhorar os fatores de segurança subjacentes que levam os centro-americanos a migrar".

Esses programas beneficiam Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá e trabalham com a sociedade civil na Nicarágua, informou o Departamento de Estado.

* AFP

gauchazh

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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Panamá bate recorde de migrantes que cruzam a selva rumo aos EUA

 

Mais de 158 mil migrantes em rota para os Estados Unidos, em sua maioria venezuelanos, cruzaram até agora em 2022 a floresta panamenha de Darién, fronteira com a Colômbia, segundo dados oficiais obtidos pela AFP.

O número é muito acima do recorde registrado em todo o ano de 2021, quando 133 mil migrantes atravessaram a floresta panamenha, mais que o acumulado em toda a década anterior. Deles, quase três quartos são venezuelanos.

Devido aos efeitos econômicos da pandemia, os venezuelanos "ficaram ainda mais vulneráveis e não podem satisfazer suas necessidades básicas", afirmou nesta quarta-feira (5) à AFP Giuseppe Loprete, chefe da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Panamá.

O mês de setembro foi o período no qual mais migrantes percorreram a rota, com 48 mil pessoas, apesar das chuvas. Somente nos três primeiros dias de outubro foram mais de sete mil.

Além disso, uma tendência mudou. Enquanto em 2021 a maioria era de haitianos e cubanos, em 2022 é de venezuelanos e equatorianos, mas também há asiáticos e africanos.

A onda migratória disparou todos os alarmes do país centro-americano, que pede ajuda internacional para enfrentar este fenômeno de maneira conjunta com os países da região.

"Novamente temos um aumento migratório e o Panamá não pode assumir esta responsabilidade sozinha. Necessitamos de ajuda e vamos pedir", afirmou a chanceler panamenha, Erika Mouynes.

A fronteira entre Panamá e Colômbia, de 266 km, se transformou em um corredor para os migrantes irregulares que, provenientes da América do Sul, cruzam a América Central em seu caminho aos Estados Unidos.

Nesta floresta nativa, de 575.000 hectares, os viajantes enfrentam múltiplos perigos, como animais selvagens, entre eles serpentes venenosas, rios caudalosos e grupos criminosos.

Se o fluxo de migrantes na região continuar crescendo neste ritmo, "meio milhão de pessoas que transitam pelas rotas da América Central e do México precisarão de ajuda humanitária urgente", advertiu à AFP a diretora regional da Federação Internacional da Cruz Vermelha para a América, Martha Keays.

* AFP

gauchazh

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Comissão sobre migrações e refugiados apresenta plano de trabalho

 

Foto tvsenado

A Comissão Mista Permanente sobre Migrações Internacionais e Refugiados (CMMIR) recebeu nesta quinta-feira (6) o plano de trabalho para o segundo semestre deste ano. O plano foi apresentado pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é a relatora da comissão, e inclui três audiências públicas e uma agenda em São Paulo.

No dia 10 de novembro, a comissão deve visitar as cidades de São Paulo e Guarulhos, como parte do acompanhamento da situação de refugiados afegãos no estado. O assunto também será abordado em audiência pública marcada inicialmente para o próximo dia 20.

As outras duas audiências previstas no plano de trabalho serão sobre a Operação Acolhida, que cuida de imigrantes venezuelanos no estado de Roraima (marcada para 3 de novembro), e sobre deslocamentos populacionais forçados por mudanças climáticas e ambientais (em 1º de dezembro).

Mara Gabrilli também incluiu no plano de trabalho um balanço das suas atividades como porta-voz da comissão no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça. A senadora esteve lá em agosto e teve encontros com a comissária-adjunta do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Gillian Triggs; com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer; e com a embaixadora da Ucrânia na ONU em Genebra, Yevheniia Filipenko.

A CMMIR não reuniu quórum suficiente para votar o plano de trabalho, e voltará a se reunir na tarde desta quinta, a partir das 15h. Além do plano, serão votados os requerimentos de Mara Gabrilli para as audiências e a viagem a São Paulo. Também estarão na pauta três requerimentos do senador Paulo Paim (PT-RS) sugerindo audiências sobre xenofobia e direitos sociais de migrantes e refugiados.

Fonte: Agência Senado

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