sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Leonardo Tonus, um estudioso das migrações na literatura

 

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – O professor doutor Leonardo Tonus é um acadêmico, escritor e poeta que em meio aos estudos em literatura encontrou na questão migratória um tema ao qual acabaria se dedicando por muitos anos, até hoje. Há 20 anos ele atua como professor na Sorbonne, em Paris, estudando e ensinando sobre a produção literária lusófona, principalmente a brasileira e a de imigrantes de diferentes nacionalidades ao Brasil – há uma grande produção literária da comunidade sírio-libanesa em português -, e sobre a produção literária francesa, incluindo autores de países árabes do Norte da África. Ele faz a ponte entre esses fluxos migratórios em suas aulas, palestras, livros e projetos.

Nascido na cidade de São Paulo, Tonus viveu até os 21 anos em São Bernardo do Campo. Com formação eclética, ele iniciou os estudos em Música, Composição e Regência na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi para a França em 1988, onde cursou Letras em Francês, Estudos Germânicos, e desde o final da graduação se interessa pelas questões de deslocamentos territoriais e pela questão migratória.

“Como eu fiz uma formação em Literatura Comparada, sempre fui voltado a estudar outras literaturas que não só as nacionais. E claro, estando na França e tendo uma presença muito forte dessa literatura, muitas vezes de expressão francesa ou árabe produzida no espaço do Maghreb (como é conhecida a região de países árabes do Norte da África que inclui Argélia, Líbia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia), desde então sempre fui um grande leitor dessa literatura”, disse Tonus em entrevista à ANBA.

Depois, ele se dedicou aos Estudos Lusófonos, trabalhando com literatura lusófona brasileira em primeiro lugar, mas também de outros países de língua. “Tentei fazer essa relação de como o Brasil, sendo esse espaço de acolhimento de várias nações, nacionalidades e culturas, também pensou sua relação com o mundo árabe, e daí vem toda minha pesquisa sobre autores de origem árabe produzindo literatura brasileira, como é o caso do Milton Hatoum, Raduan Nassar e Marcelo Maluf”, disse.

No início desses vinte anos de pesquisa, o brasileiro descendente de italianos fez uma recapitulação de tudo que já havia sido produzido em torno da questão das migrâncias. “No século 19 surge essa personagem na nossa literatura, quando o imigrante começa a ser debatido no espaço público, e inicialmente eu tentei fazer catálogos realmente, levantamentos, de que forma ele é debatido, em função de cada origem”, contou.

Então ele criou uma lista de autores da literatura, tanto dos migrantes quanto dos povos originários, porque os primeiros textos redigidos por pessoas oriundas do processo migratório no Brasil, segundo ele, só vão aparecer por volta dos anos 1950. “É necessária uma inserção desses imigrantes nesse tecido social e econômico; havia também a necessidade do aprendizado da própria língua do país de acolhimento e do estabelecimento de uma rede de contatos para que eles pudessem ser publicados e lidos por outras pessoas que não fossem das suas próprias origens”, explicou.

O trabalho de levantamento primeiramente se debruçou sobre como os autores brasileiros retratavam os imigrantes nos seus livros, e em um segundo momento, como os escritores oriundos do processo migratório começaram a surgir dentro do espaço literário dando esse passo da sua língua natal para a língua de acolhimento, no caso, a portuguesa.

“No caso dos árabes, toda essa literatura Mahjar inicialmente é escrita em árabe. Ela é produzida em vários jornais que circulavam sobretudo por São Paulo, e era legitimada por associações que foram criadas, mas ficavam muito restritas dentro de um espaço estrangeiro que o público brasileiro não tinha acesso. Então eu comecei fazendo um levantamento por origem, italianos, japoneses, árabes, chineses, coreanos, tudo que havia sobre cada comunidade”, disse o pesquisador.

Ao longo da pesquisa, Tonus leu muito sobre o processo migratório e identificou que havia estudos esparsos, sobre um autor ou uma comunidade, mas nenhum fazia uma relação entre essas diversas comunidades. “Eu acho que talvez isso tenha sido algo que eu tenha trazido para dentro dessa discussão sobre o processo migratório. Que muitas vezes a imagem representada, a imagem estereotipada, não diz [respeito] só necessariamente a uma comunidade, mas ao conjunto de várias comunidades. Isso diz muito de como nós brasileiros somos em relação ao estrangeiro”, contou.

Os primeiros estrangeiros representados na literatura brasileira são sobretudo ingleses e portugueses, segundo Tonus. Depois surgem os japoneses, os árabes, os italianos. “O que eu quero dizer é que muitas vezes os estudos se aprofundavam em uma etnia e não faziam esse diálogo com outras culturas para entender, por exemplo, o porquê do estereótipo. Então o que eu trago na minha pesquisa é um estudo por vezes pontual em relação a algumas culturas, – a cultura árabe representada na cultura brasileira, a cultura japonesa – mas ao mesmo tempo, venho trazer um diálogo desse processo de representação, e como muitas vezes há elementos comuns que dizem muito do que nós somos enquanto brasileiros, de como nós vemos esses imigrantes”, continuou.

Divulgação

Uma das muitas edições de O Cortiço, de Aluísio Azevedo

Tonus apontou que, analisando toda a representação dos imigrantes até o Modernismo, em muitos casos os imigrantes eram elementos ligados ao riso, ao risível. “Eles eram ridicularizados. Por exemplo, em O Cortiço (Aluísio Azevedo, 1890), o português João Romão era ridicularizado, em uma perspectiva naturalista. Depois aparece nos jornais no início dos anos 1910, 1920, o árabe ridicularizado, o japonês ridicularizado”, disse.

Ele lembra que encontrou um antigo jornal de sátira política de São Paulo chamado Diario do Abax’o Piques. “Para fazer a sátira, muitas vezes o jornal se utilizava de personagens estrangeiros, como árabes e japoneses, para discutir a política local. Então, assim, o porquê disso? Aí você vê que na verdade o estrangeiro é sempre o elemento do risível, mas é aquele que permite um distanciamento para você falar de si próprio, para falar das questões brasileiras, e isso tem uma longa tradição na literatura”, explicou.

Tonus enfatiza que é interessante estudar os fluxos migratórios por comunidades, mas que é importante também estabelecer esses diálogos e pontos em comum. “Se pegarmos a literatura mais contemporânea, acontecem, por exemplo, diálogos sobre questões de herança cultural. O que traz o [Marcelo] Maluf em A Imensidão Íntima dos Carneiros? Ele não traz somente o relato de migrantes árabes para o Brasil, mas uma questão essencial da nossa contemporaneidade que é trabalhada em outros textos, que é a herança traumática de um processo migratório. Nesse sentido, Maluf está dialogando com outros autores como Adriana Lisboa, por exemplo, que em outros livros vai falar de emigrantes brasileiros nos Estados Unidos, mas que também vai refletir sobre essa questão de uma transmissão traumática do processo migratório”, disse.

Desde o início de seus estudos, o pesquisador tentou criar uma visão mais amplificada do processo migratório para entender como autores árabes, japoneses, italianos e outros dialogam entre si para debater essas questões, quer seja sobre o racismo, sobre a representação estereotipada, sobre a questão da permanência traumática do processo imigratório nas gerações futuras, ou até sobre o que ele chama de “constituição de utopias”.

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Capa de Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum

“Um exemplo sobre essas utopias foi o trabalho que eu realizei sobre Milton Hatoum e o Relato de um certo Oriente. Ele publica em 1989. Curioso, né, por que 1989? Se a gente pensar, ele está publicando em pleno processo de volta à democracia no Brasil. E as pessoas muito mais leem aquele livro como sendo sobre a experiência imigratória. Esse livro não é só sobre experiência imigratória, mas é um livro que fala sobre o tempo, sobretudo”.

“Há várias figuras do tempo que vêm pontuar o livro. Tem o relógio, que atravessa toda a história, tem uma tartaruga, que simboliza o tempo, tem a imagem de um cometa que simboliza o tempo, então o livro faz uma reflexão muito mais profunda que é sobre o tempo. Que é o tempo da atualidade. Que é o tempo do processo de transição democrática, e um tempo de construção de um novo País, de um projeto civilizatório. É o que ele traz por dentro”, explicou.

Tonus menciona que outros livros publicados naquele mesmo período [da redemocratização] e que tratam da questão imigratória também trazem essa reflexão sobre o tempo atual do Brasil. “[Retratam] o fim de um momento da ditadura, mas sobretudo um projeto para um novo tempo do Brasil que há de vir”, disse.

Em sua tese de livre docência, que defendeu em 2016, Tonus estabelece um diálogo entre ‘Relato de um certo Oriente’ (1989), de Milton Hatoum, ‘A República dos sonhos’ (1984), de Nélida Piñon, (sobre a imigração galega para o Brasil), e um livro pouco conhecido de um autor brasileiro de origem dinamarquesa chamado Per Johns, que se chama ‘As Aves de Cassandra’ (1990), e que também traz, a partir da perspectiva de imigrantes dinamarqueses, essa nova projeção de construção de um Brasil.

“Eu não me limito somente a uma comunidade, mas vejo como as comunidades de expatriados dentro de um período histórico estão dialogando entre si sobre questões contemporâneas, sobre questões da atualidade. Claro, tem algumas especificidades. No caso do Milton Hatoum, há ali todo um manancial cultural da cultura árabe, que ele traz até nessa perspectiva de se criar um consenso. No livro dele tem um personagem de origem [cristã] maronita e um personagem muçulmano, o que causa aparentemente um embate, mas que a partir de imagens, do seu percurso, estabelecem ali a visão de um consenso que seria então na minha interpretação um consenso para a reconstrução de um país saindo de um processo ditatorial”, disse Tonus.

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Edição antiga de Lavoura Arcaica

O primeiro autor a colocar o imigrante árabe como personagem principal na literatura brasileira foi Raduan Nassar, com Lavoura Arcaica (1975). “O livro dele traz essa questão da memória traumática do processo migratório, que depois vai ser retomada com [Marcelo] Maluf. Mas eu diria que Lavoura Arcaica é um dos primeiros livros que traz o migrante como personagem principal, sobretudo de um livro que tem grande difusão para o Brasil todo e que aí traz esse imaginário para o mundo brasileiro”, disse. Ele mencionou que além dos já citados, aparecem outros autores de origem árabe, como Alberto Mussa, com O Enigma de Qaf (2004).

Tonus, que não tem ascendência árabe, vê que como brasileiros sentimos uma proximidade muito maior com o mundo árabe do que com outras comunidades de imigrantes. “Não tenho necessariamente um vínculo específico com a cultura árabe, mas é claro que trabalhando com imigração, o mundo árabe toma um protagonismo dentro das minhas pesquisas. Além disso, o fluxo migratório árabe no Brasil também se sobressai quantitativamente em termos de produção literária”, analisou.

Mundo árabe e a academia

Leonardo Tonus leciona Civilização e Literatura Brasileira na Universidade Sorbonne, no departamento de Estudos Lusófonos, para graduação e pós-graduação. As aulas são em francês e português. “O mundo árabe faz parte da minha estrutura acadêmica e curricular já há muitos anos. No curso de Civilização do Brasil há toda uma parte relacionada com os processos migratórios, então eu trago a questão da migração árabe para o Brasil, e não só do século 19, início do século 20, mas também dessa imigração mais atual, relacionada com uma situação mais trágica dos fluxos decorrentes da guerra na Síria, e como artistas brasileiros têm repensado essa questão do fluxo e desse drama humanitário que é a questão dos refugiados”, disse. Ele contou que, durante muitos anos, ‘Relato de um certo Oriente’ e ‘Dois Irmãos’, de Milton Hatoum, fizeram parte de sua grade curricular na universidade.

Acervo pessoal

Tonus na Sorbonne: aulas em francês e português

Outro vínculo com o mundo árabe em suas aulas, segundo o professor, é a presença de muitos estudantes de origem marroquina, tunisiana e egípcia em seu curso. “Acho interessante tentar estabelecer esse vínculo triangular entre esses mundos, não mais o vínculo triangular da escravidão, mas um vínculo de fluxos culturais entre os países. E é curioso porque muitos estudantes que vêm do universo marroquino falam que se sentem próximos do Brasil. Parece que temos as mesmas preocupações, as mesmas interrogações, e a literatura tem tratado muito isso”, contou.

Textos do filósofo tunisiano Albert Memmi também estão presentes nas aulas de Tonus.  “‘Retrato de um Colonizado’ e ‘Retrato de um Colonizador’ são textos críticos sobre o processo da descolonização no Maghreb, então eu gosto de trazer para a sala de aula porque permite você pensar a questão da colonização do mundo árabe, mas também permite pensarmos como espaços de colonização e como a gente tem repensado essa questão do colonial dentro da estrutura. Eu acho que é um pensador fundamental, para que estudantes brasileiros tomem conhecimento desse pesquisador e que os estudantes originários do Maghreb possam estabelecer essa relação”, afirma.

Tonus já visitou três países árabes, os Emirados Árabes, a Tunísia e o Marrocos. Em 2017, ele começou a organizar a antologia em árabe de autores brasileiros que o levou a Abu Dhabi, Da Terra de Migração para a Terra Natal (Min al mahjar ila al watan), uma colaboração com a Revista Pessoa e o Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos (Editora Kalima, 2019). O projeto da antologia teve a parceria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Essa viagem para o mundo árabe me levou a me apaixonar ainda mais por esse universo e tentar então estabelecer esses vínculos entre as nossas culturas”, disse.

Além de vasto currículo acadêmico, Leonardo Tonus organizou sete livros e antologias de ficção, e escreveu três livros de ficção, “Diários em mar aberto” (Edições Folhas de Relva, 2021), “Inquietação em tempos de insônia” (Editora Nós, 2019) e “Agora vai ser assim” (Editora Nós, 2018).

Ele pretende retomar o Projeto Migra ainda este ano ou em 2023. O projeto foi realizado durante a pandemia pelas redes sociais e reuniu artistas de diversos países em encontros virtuais. “Deve voltar de forma híbrida, com a presença cada vez mais forte de artistas do mundo árabe, de processos migratórios ou não, com a perspectiva de incluir o Maghreb, o Marrocos, o Canadá também por conta de grandes autores que tenho encontrado, como a Nora Attala, canadense de origem egípcia, excelente poeta, e claro, para o próximo Projeto Migra haverá, com certeza, a participação de autores da Arábia Saudita”, disse. A ideia é estabelecer diálogos em encontros em torno de temáticas não só da literatura, mas de artes plásticas, gastronomia, política, questões sociais e humanitárias.

Primeiros contatos

Em junho, Tonus participou de dois importantes eventos literários árabes. O professor, autor e poeta falou em uma conferência no Salão Internacional da Edição e do Livro (SIEL) em Rabat, no Marrocos, e foi o primeiro brasileiro a se apresentar no Festival Internacional de Poesia de Sidi Bou Saïd, na Tunísia.

Na participação como convidado da Embaixada do Brasil para o SIEL, no Marrocos, Tonus proferiu palestra sobre as relações entre o mundo árabe e o Brasil do ponto de vista cultural. Ele focou nos encontros a partir do século 19, vinculados sobretudo ao Maghreb, contando primeiro sobre a viagem de Dom Pedro II ao Egito, Palestina, Líbano, Síria, e o território onde atualmente fica o Sudão.

“Ele vai não como imperador, mas como indivíduo, com seu próprio patrimônio, nessa perspectiva de descoberta do mundo oriente, se inscrevendo um pouco aqui naquelas viagens orientalistas que os grandes intelectuais faziam na época, mas talvez com um diferencial, que talvez não houvesse por parte dele esse olhar sobranceiro, esse olhar muitas vezes do colonizador em relação a esses espaços”, disse.

Tonus contou que Dom Pedro II foi aos países árabes como um grande curioso e que isso acabou abrindo portas, inicialmente para um primeiro contato entre o Oriente e o Brasil e para a vinda de migrantes libaneses ao Brasil. “E o que eu chamo da criação de um imaginário do Brasil enquanto país de acolhimento para essas populações da Palestina, do Líbano e da Síria que chegam ali no final do século 19 e sobretudo por volta de 1913 e 1915, que é o grande auge da crise econômica e social da região do Líbano”, disse.

Reprodução

Rabequista Árabe, 1884,
Pedro Américo

Em um segundo momento, Tonus falou sobre os pintores brasileiros e sua visão orientalista. “O próprio Pedro Américo [de Figueiredo e Melo], que estando em Paris acabou fazendo uma viagem para a região da Tunísia e do Marrocos a pedido do governo francês, acabou reproduzindo em alguns quadros um pouco essa visão orientalista do Delacroix, esse aspecto de um oriente como sendo fonte de uma civilização ainda protegida, que é um pouco esse sonho orientalista do século 19 dos pintores.

Segundo o acadêmico, essa visão tem a ver com um grande imaginário que se constrói em torno do oriente. “São vistos como países de viagem exótica, muitas vezes com a erotização da mulher oriental, da mulher árabe, ou como espaço que preserva uma cultura não atingida pela civilização”, disse.

É o que se vê em alguns quadros de Pedro Américo e de Dario Villares Barbosa, outro pintor brasileiro, pouco conhecido, que viajou para o Marrocos no início do século 20. “É um pintor ainda acadêmico, mas as temáticas que ele trabalha, como a moura, a marroquina, a mulher do Tanger, trazem esse olhar um pouco exotizante”, disse.

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Mulheres de Argel em seu aposento, de Delacroix (1834)

Ainda sobre as artes plásticas, Tonus informa que o mundo árabe fica ausente do movimento modernista. “Tem um quadro por exemplo da Anita Malfatti, o único quadro dela que retrata o mundo oriental, na verdade é um estudo, uma cópia, que ela faz do [Eugène] Delacroix, das ‘Mulheres de Argel em seu aposento’ (Delacroix, 1834 – Malfatti, 1928). Então esse mundo oriental permanece, ele não penetra na era do nosso modernismo brasileiro. Mas é interessante ver que há uma primeira aproximação dos pintores”, contextualiza.

Ele afirma que sua preocupação na palestra foi trazer esses primeiros contatos que podem ter trilhado os caminhos posteriores para a nossa relação cultural entre o Brasil e o mundo árabe.

Do ponto de vista da literatura, esses caminhos, segundo Tonus, foram trilhados pela presença de intelectuais de origem libanesa no Brasil. “O primeiro se chama Fawzi al-Maluf, e o outro Chafic Maluf, da mesma família de Amin Maluf. São escritores imigrantes libaneses que chegaram no Brasil, e por volta do início do século 1920 vão fundar academias literárias com pessoas oriundas do Oriente Médio, tentando estabelecer o reconhecimento do que a gente chama de literatura Mahjar, que é essa literatura de emigração libanesa como uma literatura inovante, voltada pra preocupações estéticas do modernismo”, contou, comparando ao movimento de Khalil Gibran nos Estados Unidos.

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Mulheres de Argel em seu aposento, de Anita Malfatti, 1928

“Então nessa palestra tentei dar um pouco dessa perspectiva, como se formam os primeiros contatos, para depois chegar com os autores brasileiros e como estes têm repensado essa herança cultural, têm apresentado personagens árabes em seus livros, ou têm refletido sobre essa presença árabe oriunda do processo migratório”, disse, mencionando os mascates de Jorge Amado até a literatura voltada às questões de migração, com Raduan Nassar, Milton Hatoum e Marcelo Maluf.

Já no festival de poesia na Tunísia, Tonus disse que a experiência foi completamente diferente. “Vivi poeticamente durante quatro dias, foi uma experiência fascinante”, disse. Ele ressalta que o que achou mais interessante foi a participação de poetas lendo poesia em espaços públicos, para quem ali estivesse.

“A leitura se fazia tanto em língua original como em língua estrangeira, muita poesia lida em árabe sem tradução, e o que é interessante com a poesia é que você não precisa necessariamente conhecer a língua pra ser atingido pela força da poesia. A musicalidade por si própria traz um bem-estar que acho que estamos precisando cada vez mais e que a poesia tem essa força, mesmo”, avaliou.

A Arábia Saudita foi o país convidado do evento, e Tonus disse que conheceu diversos autores do país árabe. “Fiquei muito surpreso com a poesia da Arábia Saudita, que eu não conhecia. Traduzida para o francês, esses textos trazem uma literatura que eu desconheço totalmente. Me vi lendo sobre história da Arábia Saudita, porque eu não conheço nada daquele lugar, para poder entrar naquele universo poético. Faz você deslocar o seu eixo de referenciais por completo. As poesias traziam mitologias pré-islâmicas que vão além dos jinns e uma visão pré-islâmica a qual nós não temos praticamente acesso a não ser que você seja um especialista no mundo árabe, mas um leitor comum não tem”, disse.

Tonus se diz um apaixonado pelo mundo árabe. “O meu vínculo [com o mundo árabe] é de paixão por uma cultura que eu desconheço, por uma produção artística de grande valor não só em termos de ancestralidade, mas dessa contemporaneidade. A produção artística no mundo árabe é muito fértil, a produção literária é muito fértil (…), então a minha relação é de paixão, sempre a partir de um olhar crítico, de pesquisador, tentando estabelecer essas relações possíveis e não só ficando restritamente vinculado a uma comunidade cultural”, concluiu.

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Estratégia de interiorização favorece integração socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes, mas ainda beneficia mais homens que mulheres, aponta pesquisa

 

Depois de viver em situação de rua com o filho pequeno, a venezuelana Rosa conseguiu ser interiorizada para o Rio de Janeiro (RJ) e hoje trabalha com carteira assinada © ONU Mulheres / Claudia Ferreira.

Mesmo no contexto de pandemia, pessoas refugiadas e migrantes vindas da Venezuela tiveram mais acesso a empregos formais, educação e moradia no Brasil depois que foram realocadas voluntariamente de Roraima para outros estados do país. Esse processo, chamado de interiorização, possibilita melhorias nas condições de vida das pessoas que são interiorizadas em diferentes modalidades. Entretanto, a estratégia ainda oferece menos oportunidades de integração socioeconômica às mulheres – em especial, às mulheres negras. É o que aponta a pesquisa “Oportunidades e desafios à integração local de pessoas de origem venezuelana interiorizadas no Brasil durante a pandemia de Covid-19”, lançada hoje (11) pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a ONU Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com apoio do Governo de Luxemburgo.

A estratégia de interiorização é um dos pilares de atuação da Operação Acolhida, principal resposta ao fluxo de pessoas venezuelanas deslocadas no Brasil. Trata-se de iniciativa que realoca pessoas refugiadas e migrantes que estão em Roraima, principal porta de entrada dessa população, para outros estados do Brasil, apoiando o processo de acolhimento e proteção humanitários até então fortemente concentrados na fronteira com a Venezuela. Desde 2018, já foram mais de 78 mil pessoas interiorizadas para mais de 800 municípios em todas as regiões do país.

Os principais dados da pesquisa foram apresentados em evento realizado em Boa Vista (RR), que contou com a presença de representantes da sociedade civil, da academia e de organizações que também trabalham para acolher e atender pessoas refugiadas e migrantes, tanto no estado quanto durante o processo de interiorização.

Principais dados da pesquisa foram apresentados em evento realizado nesta quinta-feira, 11, em Boa Vista (RR), com participação de academia, sociedade civil e organizações que trabalham na resposta ao fluxo migratório © Camila Geraldo / ACNUR.

“A estratégia de interiorização no Brasil é referência mundial neste tipo de integração e no recebimento de refugiados e migrantes. Um dos grandes feitos do estudo é mostrar como este processo transformou a vida das pessoas”, disse Arturo de Nieves, chefe interino do escritório do ACNUR em Roraima, durante o evento de lançamento da pesquisa.

Desafio à integração socioeconômica – De maneira geral, o número de homens e mulheres venezuelanas interiorizadas é similar – enquanto eles representam 51,7% da população interiorizada, elas representam 48,2%. Porém, a pesquisa aponta diferenças significativas nas modalidades de interiorização no comparativo entre homens e mulheres, o que afeta diretamente a integração socioeconômica. Mulheres estão sub-representadas na modalidade vaga de emprego sinalizada (27,3%) e são maioria (57,3%) na modalidade de reunificação familiar.

A pesquisa também aponta que há maior dificuldade de inserção laboral entre mulheres, sobretudo para mulheres com muitos filhos e famílias monoparentais. Essa dificuldade é percebida tanto entre as que são interiorizadas quanto entre as que permanecem em abrigos em Roraima. Pessoas interiorizadas com filhos e filhas têm participação expressiva entre as que se interiorizaram na modalidade institucional (92,2%) e reunificação familiar (83,8%) e menor entre as que foram interiorizadas com vaga de emprego sinalizada (74,5%). Ou seja, na interiorização, pessoas solteiras e sem filhos acabam tendo mais chances de ir para outros estados com a possibilidade de um emprego.

A partir dos dados coletados, que apontam a diferença entre homens e mulheres no acesso a uma vaga de emprego sinalizada na interiorização, a pesquisa recomenda tomar a dimensão de gênero de maneira transversal na formulação e implementação de políticas destinadas à população venezuelana, em diálogo com as políticas de proteção e promoção dos direitos de mulheres no país e, em particular, no que se refere à inserção laboral e políticas de geração de renda.

Foi o caso de Rosa Maria, que está há quatro anos e meio no Brasil. Viúva e com um filho de sete anos na época, ela deixou a Venezuela em direção a Roraima quando começou a faltar comida na mesa. Por dois anos, a vida de mãe e filho em Boa Vista foi bastante dura, como ela mesma descreve. Sem conseguir emprego, morou na rua, precisou tomar banho em rio, passou fome. Até que conseguiu uma vaga em um abrigo, de onde ela e o filho foram interiorizados para o Rio de Janeiro, na modalidade institucional.

Quando chegou, o único emprego que conseguiu foi de meio período como caixa de supermercado, onde ganhava R$ 500 por mês – insuficiente para manter a ela e ao filho. Sem outras oportunidades, ela buscou se capacitar, aprimorar o português e a buscar crescimento dentro da empresa. Atualmente, ela ganha o suficiente para pagar o aluguel de uma casa de dois cômodos e, inscrita em programas sociais públicos, ela e o filho estão refazendo a vida no Brasil. “Sou sozinha com meu filho. E cuido do meu emprego porque é a minha forma de viver”, afirma. “Faz dois anos e meio que estou trabalhando e me superando a cada dia.”

Trabalho e renda – De cada 10 pessoas interiorizadas, 8 estão dentro da força de trabalho, aponta a pesquisa. Porém, quando é feito o recorte de gênero, percebe-se que a participação feminina no mercado de trabalho é consideravelmente mais baixa – 72,2% contra 96,1% entre os homens. O mesmo se percebe nas taxas de desemprego: enquanto a taxa geral é de 11%, no recorte de gênero, percebe-se que ela é de 17,7% entre as mulheres contra apenas 6,4% entre os homens.

“Todas as modalidades de interiorização mostram um aumento de oportunidades, mas mulheres e homens têm oportunidades em graus diferentes. Historicamente, as mulheres têm dificuldades maiores em relação à inserção e permanência no mercado de trabalho. Isso também acontece no contexto atual”, explicou Vanessa Sampaio, gerente da área de Empoderamento Econômico da ONU Mulheres.

A conselheira da embaixada de Luxemburgo no Brasil, Nadia Mellina, ressaltou a importância dos dados obtidos: “Agora é a hora de usar esse conhecimento para desenvolver políticas que fortalecem as oportunidades e os direitos socioeconômicos para pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela no Brasil.”

Apesar de a maioria da população venezuelana interiorizada ocupada encontrar-se empregada no setor privado (71,7%), o grau de informalidade laboral desta população é ainda relativamente alto (32,4%) e apresenta diferenças relevantes entre os sexos: a informalidade laboral das mulheres (37,3%) é 1,2 vezes maior que a dos homens (29,4%).

A pesquisa também aponta que, entre a população interiorizada, a taxa de subutilização da força de trabalho feminina (41,3%) é 3,5 vezes maior que a taxa de subutilização masculina (11,8%). Com relação à subutilização da força de trabalho, a menor taxa foi registrada na modalidade de vaga de emprego sinalizada (10,4%) e a maior, na modalidade de reunificação familiar (30,1%).

O rendimento médio mensal da população venezuelana interiorizada ocupada com 18 anos ou mais é de R$1.450,98, sendo quase 32% superior ao salário-mínimo vigente no Brasil em 2021, ainda que mais baixo entre as mulheres, R$1.177,63. Em comparação com a população brasileira, as mulheres têm rendimento médio mensal individual de R$2.215, enquanto as venezuelanas interiorizadas recebem, em média, R$1.177, quase metade do valor.

Escolaridade – A pesquisa também chama a atenção para os reflexos do ensino superior na empregabilidade de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas no Brasil. Entre a população brasileira em geral, 16,8% possuem ensino superior completo; entre pessoas venezuelanas interiorizadas, a parcela de quem possui essa escolaridade é similar, de 15%. Entre as mulheres venezuelanas interiorizadas, 17,5% possuem ensino superior completo, média acima da encontrada entre homens interiorizados, de 12,7%. Entretanto, as mulheres apresentam maior dificuldade de ingressarem no mercado formal de trabalho brasileiro.

Pessoas com ensino superior completo também representam uma proporção maior das interiorizadas na modalidade de vaga de emprego sinalizada (20,2%) – como esperado, por tratar-se de grupo com maior possibilidade de inserção laboral, ainda que subutilizada – e na modalidade institucional (17,1%). Em geral, pessoas interiorizadas na modalidade de vaga de emprego sinalizada possuem melhor perfil educacional (mais anos de estudo), com baixa participação de pessoas apenas com ensino fundamental, indicando impacto de seletividade pelas empresas no momento do recrutamento.

Desafios e vulnerabilidades – O impacto da dificuldade em conseguir emprego e renda reflete em diversas áreas – desde a incerteza de que haverá recursos para itens básicos, como moradia, até a insegurança alimentar. Das pessoas interiorizadas entrevistadas, 33,7% das mulheres e 30,8% dos homens afirmaram que já sofreram situação de insegurança alimentar após a interiorização.

Outro tema recorrente nas entrevistas é a discriminação: 26,1% das pessoas interiorizadas indicaram que, em algum momento, se sentiram discriminadas em função da nacionalidade.

Com um peso maior na vida de mulheres, a dificuldade de acesso à saúde, em especial à saúde sexual e reprodutiva, também é destacada na pesquisa. No momento das entrevistas, 4,8% das mulheres venezuelanas interiorizadas e 6,5% das mulheres abrigadas em Roraima informaram estar grávidas. Apenas 29,3% das interiorizadas e 35,9% das abrigadas afirmaram que queriam engravidar naquele momento, enquanto 28,5% das interiorizadas e 36,7% das abrigadas grávidas reportaram não querer mais filhas e filhos quando engravidaram. Esses dados apontam para a necessidade de aumentar o conhecimento sobre planejamento familiar e acesso à saúde materna nas diferentes fases da vida reprodutiva das mulheres em situação migratória e sobre o impacto da gravidez para os projetos familiares e pessoais.

Sobre a pesquisa – A pesquisa teve início em janeiro de 2021 e previu duas fases de coleta de dados quantitativos: a primeira aconteceu entre maio e julho de 2021 e a segunda ocorreu entre os meses de outubro e novembro de 2021. Foram entrevistadas 2 mil pessoas de origem venezuelana interiorizadas entre março de 2020 e agosto de 2021 e 682 pessoas residentes em abrigos em Boa Vista (RR), para fins de comparação. Foram realizadas, ainda, entrevistas com 48 gestores, gestoras e representantes de organizações internacionais, sociedade civil e atores governamentais atuando no nível federal, estadual e local, direta ou indiretamente envolvidos na Estratégia de Interiorização.

O estudo foi desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do seu Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR) e do IPEAD (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais), com apoio da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

Para o lançamento, as agências apresentam um site especial onde, além do download da pesquisa, é possível ter acesso a infográficos e histórias de mulheres que refletem os dados divulgados. Confira em https://www.onumulheres.org.br/pesquisa-moverse/

Sobre o Moverse – Iniciado em setembro de 2021, o programa conjunto Moverse – Empoderamento Econômico de Mulheres Refugiadas e Migrantes no Brasil é implementado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ONU Mulheres e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com o apoio do Governo de Luxemburgo. O objetivo geral do programa, com duração até dezembro de 2023, é garantir que políticas e estratégias de governos, empresas e instituições públicas e privadas fortaleçam os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento entre venezuelanas refugiadas e migrantes. Para alcançar esse objetivo, a iniciativa é construída em três frentes. A primeira trabalha diretamente com empresas, instituições e governos nos temas e ações ligadas a trabalho decente, proteção social e empreendedorismo. A segunda aborda diretamente mulheres refugiadas e migrantes, para que tenham acesso a capacitações e a oportunidades para participar de processos de tomada de decisões ligadas ao mercado laboral e ao empreendedorismo. E a terceira frente trabalha também com refugiadas e migrantes, para que tenham conhecimento e acesso a serviços de resposta à violência baseada em gênero.

Acnur

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quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Estudo ajuda a prevenir e combater tráfico de migrantes pelo mar


OIM/Olivia Headon
De acordo com a pesquisa, muitas pessoas tentam e não conseguem migrar regularmente antes de recorrer aos contrabandistas de migrantes

 Um novo estudo das Nações Unidas sobre tráfico de migrantes mostra um aumento no número de pessoas do oeste e norte da África, que estão sendo levadas por rotas marítimas da costa noroeste da África às Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha.

Essas rotas alternativas podem ser resultado da repressão ao tráfico de seres humanos, em certos trajetos marítimos, segundo o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc.

Ilhas Canárias registraram uma alta de 140% de chegadas nos primeiros oito meses de 2021
Acnur/Komi Mensah
Ilhas Canárias registraram uma alta de 140% de chegadas nos primeiros oito meses de 2021

Fluxo do norte do Marrocos

Para a agência, as rotas alternativas agravam os riscos para as pessoas contrabandeadas pelo mar. O estudo Observatório do Unodc sobre Contrabando de Migrantes (em inglês) mostra que nos últimos meses de 2020, milhares de pessoas contrabandeadas chegaram às Ilhas Canárias em números, que não se viam na região, há mais de uma década.

A pesquisa liga esse aumento a uma diminuição do fluxo no norte do Marrocos para a Espanha na Rota do Mediterrâneo Ocidental. O documento traz evidências atualizadas sobre dados e informações sobre trajetos, aspectos financeiros, condutores e impactos do contrabando de migrantes.

O objetivo da pesquisa é equipar os Estados-membros para responderem melhor, prevenir e combater o tráfico de migrantes, além de proteger os direitos dessas pessoas.

A pesquisa liga esse aumento a uma diminuição do fluxo no norte do Marrocos para a Espanha na Rota do Mediterrâneo Ocidental
The Italian Coastguard/Massimo Sestini
A pesquisa liga esse aumento a uma diminuição do fluxo no norte do Marrocos para a Espanha na Rota do Mediterrâneo Ocidental

Grupos criminosos

O estudo concluiu que as respostas da justiça criminal ao contrabando nesta rota não estão surtindo o efeito desejado. As investigações e processos judiciais são frequentemente dirigidos a condutores de barcos.

No ano passado, por exemplo, cerca de 150 motoristas de barco foram presos e investigados por contrabando de migrantes e acusações relacionadas. Mas os membros de grupos criminosos que organizam o contrabando de migrantes raramente são investigados ou punidos.

Para evitar a interceptação nas viagens, os barcos navegam fora das zonas de busca e salvamento e redes de telefonia celular, e às vezes ficam presos em fortes correntes em direção ao Mar do Caribe.

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, foram mais de mil mortes ou desaparecimentos nesta rota em 2021. Entretanto, o número de mortes pode estar subestimado.

Participantes durante uma interceptação simulada de um caso de contrabando de migrantes na Costa Rica. Eles foram treinados em técnicas para detectar, relatar e investigar casos de abuso e contrabando de migrantes
Unodc/Jorge Carmona
Participantes durante uma interceptação simulada de um caso de contrabando de migrantes na Costa Rica. Eles foram treinados em técnicas para detectar, relatar e investigar casos de abuso e contrabando de migrantes

Prevenção

De acordo com a pesquisa, muitas pessoas tentam e não conseguem migrar regularmente antes de recorrer aos contrabandistas de migrantes.

Para agência da ONU, uma maneira eficaz de prevenir este tipo de contrabando seria aumentar as opções de migração regular, conforme recomendado pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o Contrabando de Migrantes, no ano passado.

O Observatório de Contrabando de Migrantes do Unodc lançará novas pesquisas no próximo mês, com foco no contrabando de migrantes da Nigéria.

Onunews

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Guarulhos inaugura residência transitória para migrantes e refugiados

A cidade de Guarulhos passa a contar a partir desta quarta-feira (10) com mais um equipamento de assistência social para a população: a Residência Transitória para Migrantes e Refugiados. Trata-se de um serviço de acolhimento que oferece apoio e moradia para migrantes estrangeiros em situação de vulnerabilidade e risco pessoal e social com capacidade para receber 27 usuários em quartos separados para pessoas do sexo masculino, feminino e um específico para mães com crianças.

O prefeito Guti participou da entrega e lembrou que esse equipamento é mais do que um acolhimento, é uma ação humanitária. “Com o agravamento da crise no Afeganistão, desde agosto de 2021, o número de pessoas buscando refúgio no Brasil tem crescido muito e aqui em Guarulhos não é diferente, já que nós temos o aeroporto. Esse serviço de acolhimento já acontecia, mas agora ganha reforço com um local exclusivo para esse público com uma equipe preparada para atendê-los da melhor forma. São pessoas de diversas partes do mundo, com idiomas diferentes do nosso, então é necessária uma atenção especial”, afirmou.

 

O atendimento no local é 24 horas e os encaminhamentos são realizados pelo Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, instalado no Aeroporto de Guarulhos, desde que o migrante seja estrangeiro com solicitação de refúgio ou visto humanitário. Apenas no 1º semestre de 2022 o posto atendeu 548 migrantes e, deles, 195 eram afegãos.

 

A gerência do local é de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social em parceria com a Cáritas Diocesana de Guarulhos e com o apoio do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). “Desde 2017 nós estamos trabalhando com a Prefeitura de Guarulhos, seja apoiando diretamente e construindo fluxos com o posto avançado ou trabalhando com as secretarias para ampliar as redes de apoio aos refugiados que se estabelecem na cidade”, explicou Silvia Sander, representante da Acnur e que também esteve presente no ato de inauguração do espaço.

 

Uma vida melhor

 

Sayed Zarif Hashimi, um afegão de 41 anos que veio do Paquistão para o Brasil com sua mulher e três filhos em junho deste ano, agora inicia uma nova vida no país, mais especificamente em Guarulhos, trabalhando como educador social na Cáritas. “Estamos muito felizes no Brasil. Tenho um trabalho, meus filhos estão na escola e minha esposa faz cursos de português”, disse.

 

Ele e sua família receberam o visto humanitário e estão agora reconstruindo sua vida em um país que, segundo suas palavras, tem um povo gentil e amigável.

 

Fotos: Fabio Nunes Teixeira/PMG


.guarulhos.sp.gov.br/


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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Proximidade do Papa aos cubanos, ucranianos e migrantes

 O Papa Francisco durante a Audiência geral no Vaticano recordou a cruel guerra na Ucrânia e a tragédia na base petrolífera de Matanzas, em Cuba.

O Papa Francisco expressou durante a sua saudação aos fiéis de língua espanhola presentes na Audiência geral sua proximidade aos atingidos pelo incêndio no depósito de combustível em Matanzas, Cuba, que causou a morte de uma pessoa e deixou vários desaparecidos.

"Quero expressar minha proximidade de maneira especial aos atingidos pela tragédia causada pelas explosões e o incêndio na base petrolífera de Matanzas, em Cuba", disse o pontífice na Sala Paulo VI, no Vaticano.

"Peçamos à nossa mãe, Rainha do Céu, que cuide das vítimas desta tragédia e de suas famílias, e interceda por todos nós perante o Senhor para que saibamos dar testemunho de fé e esperança na vida do mundo que está por vir. Que Deus os abençoe", concluiu o Papa.

O pontífice, que visitou a ilha em setembro de 2015, lamentou assim um dos piores desastres industriais da história do país, em Matanzas (Cuba ocidental), no qual também há catorze desaparecidos, 125 feridos e 22 hospitalizados.

Francisco, que entrou na sala caminhando sem a necessidade da cadeira de rodas que usa frequentemente por causa de seus problemas de joelhos, na sua saudação aos fiéis de língua espanhola se dirigiu aos fiéis dizendo:

"Chilenos, mexicanos, argentinos... há de todos os tipos", disse, apontando para os fiéis na Sala Paulo VI suscitando aplausos dos presentes.

No final da audiência geral, o Papa Francisco dirigiu ainda seu "um pensamento ao povo da Ucrânia, que ainda sofre esta guerra cruel". Pediu ainda que todos rezassem “pelos migrantes que estão chegando continuamente".

Em português saudou, em particular os peregrinos da Diocese de Leiria-Fátima. “Irmãos e irmãs, o Espírito Santo aumente a nossa fé, para que possamos verdadeiramente crer que o melhor de nossa vida ainda está por vir. Que Deus vos abençoe!”, finalizou.

VATICANNEWS

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Plano de ações é debatido na primeira reunião do Comitê de Atenção aos Migrantes

 

Plano de ações é debatido na primeira reunião do Comitê de Atenção aos Migrantes
Rede de apoio e acolhimento do Município aos migrantes será discutida na reunião. Foto: Victor Vercant/Ascom SMS

O Comitê Municipal Intersetorial de Atenção aos Migrantes realiza nesta quarta-feira (10) a primeira reunião com todos os integrantes, titulares e suplentes, para começar a discutir o plano de ações voltadas aos venezuelanos e estrangeiros de outros países que vivem atualmente em Maceió. O encontro será realizado no auditório da Prefeitura, em Jaraguá, às 10h.

O debate entre os participantes vai fundamentar o Plano Intersetorial de Atenção, Atendimento e Acolhimento aos Migrantes, que terá detalhes sobre como irá funcionar a rede de apoio a essas pessoas, o fluxo de atendimento, como as secretarias envolvidas poderão atuar e como será realizada a capacitação dos servidores que irão compor a rede de atenção.

“O momento será para tratar de questões importantes a respeito da política pública do migrante no Município e deliberar sobre questões pertinentes ao Comitê, que já foi instituído no Diário Oficial e terá sua primeira reunião”, explicou a diretora de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Tatiana Boia.

Com o avanço das discussões do Comitê, o Plano Intersetorial deve ser lançado até o final do ano e, simultaneamente, será implantada a Política Pública de Migrantes no Município.

Além da Semas, o comitê é formado pelas Secretarias Municipais de Educação (Semed), de Saúde (SMS), do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet),  Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), Defensoria Pública da União (DPU), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério Público Federal (MPF), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secretaria  de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e Fundação Nacional do Índio (Funai) e representantes dos Warao.

maceio.al.gov.br

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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Por que o México começou a exigir vistos de brasileiros

 

A exigência foi publicada no diário oficial do governo mexicano na última quarta-feira (03/08).

Em comunicado, foi citada a "busca de soluções mutuamente aceitáveis para assegurar uma migração segura, organizada e regularizada, assim como para combater os grupos do crime organizado internacional que lucram com o tráfico de migrantes e de pessoas".

Na semana passada, os Estados Unidos disseram que 183 brasileiros (de um total de 224 pessoas, entre as quais havia outras nacionalidades) foram detidos ao tentar entrar ilegalmente pela cidade de Imperial Beach, no Estado da Califórnia.

Os pedidos de vistos deverão ser feitos a partir do dia 18 de agosto e serão registrados no passaporte comum. Será necessário agendar um horário na embaixada ou nos consulados mexicanos para obter o selo de permissão.

Hoje em dia, está em vigor um sistema eletrônico de emissão de vistos pelo Instituto Nacional de Imigração do México que deixará de funcionar para os brasileiros.

Esse esquema foi implementado há cerca de nove meses. Antes, os brasileiros só precisavam do passaporte para ingressar no país.

Muitas dificuldades

Muitos estão confusos sobre as mudanças. Algumas pessoas dizem que já conseguiram a autorização pelo sistema eletrônico, mas têm a viagem marcada para depois do dia 18 de agosto.

Nas redes sociais, elas se queixam de não conseguir informações das representações diplomáticas mexicanas para esclarecer se essas autorizações continuarão válidas.

A BBC News Brasil entrou em contato por telefone e e-mail com a embaixada mexicana em Brasília e com o consulado em São Paulo. Não conseguiu resposta — o e-mail para embaixada, por sinal, retornou.

No site, o consulado diz reiterar "que não tem nenhum controle sobre o sistema de autorizações eletrônicas e que não assume nenhuma responsabilidade pelas perdas de reservas de passagens de avião, hotéis nem quaisquer outros prejuízos".

As dificuldades para os viajantes brasileiros, no entanto, já levam alguns meses.

A designer de unhas Melissa Jung, de Mato Grosso, afirma que desde o final de maio o sistema de eletrônico do governo mexicano não funciona de forma regular para conceder os pedidos de autorização de entrada no país.

Ela relata que desde então viajantes brasileiros criaram um grupo no WhatsApp para trocar informações sobre os problemas.

Um dos integrantes do grupo, diz Melissa, descobriu uma "janela de tempo" em que o site do governo mexicano continuava funcionando e desenvolveu um sistema complexo que consistia em abrir cerca de 60 abas no navegador de internet e esperar a mudança de um minuto para o outro no relógio para ter sua solicitação aceita.

Ela também disse que nacionalidades como russa ou turca eram aceitas no formulário online, mas a brasileira não.

Melissa criou um perfil no Instagram chamado @mexico.umpesadelo para compilar relatos de problemas enfrentados pelos viajantes brasileiros, inclusive na chegada ao México. Também publicou tentativas bem-sucedidas com o sistema de "janela de tempo" para conseguir o visto eletrônico.

Outras queixas dos viajantes enviadas ao perfil criado por Melissa se referem a informações conflitantes dadas por diferentes representações diplomáticas do México. Ela diz que recebe de 200 a 300 mensagens por dia

Melissa conseguiu viajar para o México em julho para realizar uma especialização. Ela afirma que pretende voltar ao país para uma competição de design de unhas e está preocupada em enfrentar um novo périplo para obter o visto.

Magda Nassar, presidente da Abav Nacional, entidade que reúne agências de viagem, afirma que "o México é um destino que ganhou muitos visitantes nos anos de investimento no Brasil, mas já vimos que após o anúncio da retomada da obrigatoriedade do visto, destinos no Caribe sem essa exigência voltaram imediatamente a ser procurados como alternativa".

"Sabemos que muitos destinos competem pelo viajante brasileiro, que tem um dos maiores valores de ticket médio em comparação com outros visitantes mundiais. Sabemos também que o brasileiro evita ao máximo burocracia de qualquer tipo. Por essas razões, consideramos esta decisão retrocesso", diz Nassar.

Gervásio Tanabe, presidente executivo da Abracorp, que também reúne empresas do setor, diz que "qualquer dificuldade imposta prejudica, num primeiro momento, os planos do viajante": "Temos hoje uma dinâmica um pouco diferente nas viagens. Então, qualquer exigência adicional é um dificultador".

A BBC News Brasil também entrou em contato com o Itamaraty para saber se haverá algum tipo de auxílio para os viajantes brasileiros e aguarda resposta.

bbc.com

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Número de migrantes irregulares no canal da Mancha supera 18 mil este ano

 


O número de migrantes que atravessaram o canal da Mancha, desde janeiro, para chegar da França ao Reino Unido, já ultrapassou as 18 mil pessoas, anunciou hoje o Governo britânico.

Até agora, são já 18.108 migrantes que fizeram a viagem para o condado de Kent, no sudeste da Inglaterra, mas espera-se que mais pessoas tentem atravessar as águas do Canal nos próximos dias devido ao bom tempo, avançou o Ministério da Defesa do Reino Unido.

O ministério lembrou que a fasquia dos 18.000 foi ultrapassada no sábado, depois de 337 pessoas terem chegado às costas inglesas em pequenas embarcações.

Segundo o Ministério da Defesa, os migrantes que atravessaram o canal no sábado fizeram-no em 10 barcos, embora o número de pessoas que entraram no país nesse dia seja muito inferior ao recorde diário registado este ano.

Há cinco dias, tentaram entrar no Reino Unido 696 pessoas num só dia, usando apenas pequenos barcos para atravessar o canal da Mancha.

Uma vez no porto inglês de Dover, as autoridades britânicas transferem os migrantes para centros especiais.

Para enfrentar esta crise, o executivo britânico lançou um programa para levar requerentes de asilo para o Ruanda, onde os seus pedidos devem ser processados, mas o plano tem sido duramente criticado por partidos da oposição e por organizações humanitárias.

Este acordo, pelo qual Londres tinha de pagar 120 milhões de libras (140 milhões de euros) adiantados a Kigali, encontra-se agora suspenso devido a processos nos tribunais britânicos e às eleições do Partido Conservador para escolher o substituto de Boris Johnson, que se demitiu a 7 de julho.

No mesmo período do ano passado, ainda em situação de pandemia, o total registado não chegava a 8 mil pessoas.

portocanal.

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sábado, 6 de agosto de 2022

MigraCidades lança relatório com análise de dados municipais e estaduais sobre acesso à saúde por migrantes

 


A Plataforma MigraCidades lançou nesta quarta-feira (3) o relatório “MigraCidades 2020: sistematização e análise dos dados sobre a dimensão de acesso à saúde”. A publicação busca traçar amplo panorama da governança migratória na área da saúde e contribui para a ampliação do diálogo com a sociedade civil.  

No documento são apresentados elementos de estrutura, procedimentos e ações acerca da dimensão de acesso à saúde identificadas em municípios e estados brasileiros que podem ser analisadas de modo perene por instituições de pesquisa para promoção de análises transversais sobre políticas públicas. Também é abordada a necessidade de avanços em relação a políticas migratórias.  

Algumas variáveis apresentadas no relatório trazem aspectos relacionados ao acesso de migrantes à saúde, à capacitação de profissionais de saúde para acolher migrantes nos serviços da área e ao levantamento de dados sobre o perfil das pessoas migrantes que acessam os serviços.  

ACESSE O RELATÓRIO AQUI 

Os dados foram fornecidos por 21 municípios e 6 estados brasileiros engajados em 2020 no processo de certificação da plataforma e compilados e analisados pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre Migrações (NEPEMIGRA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), no âmbito do projeto “Diálogos MigraCidades”.  

Os Diálogos foram criados pela UFRGS com o objetivo de ampliar a divulgação de dados da sociedade civil e envolver os participantes da MigraCidades dando mais informações às redes locais de apoio e acolhimento a migrantes. 

primeiro encontro virtual com o tema acesso à saúde foi realizado em agosto de 2021 com apresentações das pesquisadoras Verônica Quispe Yujra, mestre e doutora em Patologia pela UNIFESP, e Georgina Bolivar, coordenadora de projetos no Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados de Boa Vista. Em dezembro, o segundo evento virtual reuniu os pesquisadores Fabiane Vicente dos Santos, doutora em Antropologia Social (Unicamp) e técnica da Fiocruz, e Cassio Silveira, professor adjunto do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Santa Casa de São Paulo e no Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp. 

A Plataforma MigraCidades - parceria entre a OIM, Agência da ONU para as Migrações, e a UFRGS, com o apoio da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) - tem como objetivos capacitar atores locais, impulsionar o diálogo migratório, certificar o engajamento dos governos em aprimorar a governança migratória e dar visibilidade a boas práticas identificadas em estados e municípios brasileiros. O trabalho da plataforma é estruturado em torno de 10 dimensões de governança migratória local, que compreendem desde a estrutura institucional de governança até o acesso a direitos.  

OIM

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PJF promove conferência para construção de plano municipal para migrantes

 Portal de Notícias PJF | PJF promove conferência para construção de plano municipal para migrantes | SEDH - 5/8/2022

Nesta sexta-feira, 5, no salão de convenções do Ritz Hotel, ocorreu a 2ª Conferência Municipal de Políticas para a População Migrante, Refugiada, Apátrida e Retornada de Juiz de Fora, promovida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). A conferência é uma etapa preparatória para a construção do Plano Municipal de Políticas para esta parcela da população.
 

Cento e quarenta pessoas, entre migrantes e representantes do governo, promoveram durante todo o dia um debate e grupos de trabalhos segmentados para fortalecer ações em favor desta população, e construir, de modo democrático, transversal e intersetorial, o Plano Municipal.
 

A 2ª conferência foi realizada por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e do Comitê de Elaboração e Acompanhamento do Plano Municipal de Políticas para a População Migrante, Refugiada, Apátrida e Retornada.
 

A coordenadora do comitê de elaboração e acompanhamento do Plano Municipal da SEDH, Fabiana Rabelo, destacou a participação popular na conferência e falou das próximas etapas. “Tivemos uma participação expressiva de migrantes e refugiados. Nos grupos foram tiradas as propostas importantes para nortear o plano municipal que serão sistematizadas pelo comitê. A partir daí, vamos fazer um documento que será entregue à prefeita para passarmos a implantação. Até o final do ano teremos o plano municipal que irá nortear as diretrizes e as políticas”.
 

A assistente de projetos na Organização Internacional para Migrações (OIM), Anelise Dias, lembrou que o acompanhamento da entidade é feito desde o início do diagnóstico e da definição de prioridades. “Essa conferência, assim como a política e o plano estão entre as prioridades que foram definidas junto à plataforma MigraCidades no ano passado. Estamos muito felizes de participar desta etapa e perceber a intensa participação de migrantes e também da sociedade civil e da gestão. Esperamos um plano com ações efetivas para a população”.

.pjf.mg.gov.br

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