sábado, 23 de abril de 2022

O tráfico de pessoas na América Latina envolve principalmente a exploração de mulheres

 


Em 2018, quase oito em cada dez vítimas detectadas de tráfico na América Central e no Caribe eram meninas e mulheres, enquanto na América do Sul, sete em cada dez vítimas eram mulheres, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. O tráfico humano, além do delito definido por cada Estado, refere-se a uma forma de exploração de pessoas, independentemente do propósito exploratório, seja ele sexual, trabalho, mendicidade, remoção de órgãos, casamento forçado ou maternidade de aluguel, entre outros. Esta é uma realidade dramática em nossa região que afeta em particular as mulheres migrantes.

O deslocamento territorial é uma alternativa para melhorar as condições de vida das pessoas e de suas famílias, particularmente das mulheres em situações vulneráveis. Os principais fatores que levam essas pessoas a deixar seus países são dificuldades econômicas e exclusão social, problemas familiares e desigualdade de gênero.

Diante deste fenômeno, as redes de tráfico na América Latina aproveitam a vulnerabilidade das mulheres para enganá-las e explorá-las, mesmo por longos períodos de tempo. As redes utilizam ferramentas virtuais para atrair suas vítimas e geralmente não utilizam coerção física para capturá-las e levá-las ao exterior. Entretanto, na chegada ao destino final, muitas têm seus documentos apreendidos e são retidas até que suas dívidas sejam pagas.

Apesar disso, muitas mulheres não têm a percepção de que estão sendo exploradas, muito menos de que estão sendo traficadas. Parece que somente a prostituição forçada (por coerção e ameaça) está associada ao tráfico. Além disso, o tráfico resultante do engano sobre as condições da prostituição não é entendido como tráfico pelas próprias mulheres, o que constitui um grande desafio para responder à violação de seus direitos.

Entretanto, quando as mulheres estão conscientes de sua situação de exploração as redes atuam ameaçando elas e suas famílias, forçando-as a permanecer em detenção.

Apesar da prevalência dos homens como recrutadores de mulheres traficadas, há também um grande número de mulheres recrutadoras que conseguem convencer outras mulheres das vantagens de fazer parte de redes sexuais através de suas experiências “bem sucedidas” de prostituição no exterior.

Embora a maioria das mulheres seja recrutada em seu local de origem, há também muitas que migram de forma autônoma e, uma vez no destino, acabam em situações vulneráveis e são recrutadas por redes de exploração. Entretanto, esses casos geralmente não se enquadram no “perfil” oficial de uma vítima de tráfico.

Violência baseada em gênero e relações desiguais como pano de fundo

Quando falamos de tráfico de mulheres, é importante entender que a precariedade das relações leva a contextos de vulnerabilidade. As relações desiguais em que as mulheres vivem não lhes permitem gozar plenamente de seus direitos, facilitam seu tratamento como objetos e as colocam em condições de submissão e opressão, como sujeitos sem capacidades e conhecimentos.

A pobreza afeta mais as mulheres do que os homens, e a pandemia tem exacerbado esta situação, com 118 milhões de mulheres latino-americanas vivendo atualmente na pobreza, de acordo com a CEPAL. Além disso, as mulheres têm uma carga desproporcional de cuidados dentro de suas famílias. Isto reduz suas possibilidades de acesso ao emprego formal e decente, bem como aos recursos econômicos para sua subsistência e a de suas famílias.

Além disso, a desigualdade se reflete na disparidade da participação no mercado de trabalho entre homens e mulheres no mundo inteiro, de acordo com dados recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Enquanto 76,1 por cento dos homens estão no mercado de trabalho, apenas 45,6 por cento das mulheres têm um emprego. E as mulheres e meninas são mais propensas a ter empregos precários. Isto mostra que a desigualdade econômica também se baseia na desigualdade de gênero.

A relação de subordinação e dominação entre homens e mulheres influencia como as pessoas podem desenvolver suas habilidades pessoais, profissionais e sociais, mas também nos ajuda a perceber como esses papéis contribuem para a violência de gênero e, consequentemente, em alguns casos, para o tráfico de mulheres. Portanto, a violência contra as mulheres dialoga com as desigualdades de classe, raça e sexualidade de forma interseccional, ou seja, trata-se de desigualdades que se combinam e se reforçam mutuamente.

Por esta razão, entender o tráfico de mulheres como expressão da violência de gênero é fundamental para a construção de políticas públicas nos Estados de origem e destino. Tais políticas devem ser capazes de promover os direitos e reduzir as desigualdades de gênero entre homens e mulheres.

Verônica Maria Teresi

latinoamerica21.com/br
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sexta-feira, 22 de abril de 2022

Estudantes do Brasil premiados por soluções para crise de refugiados

 


Mais de 40 mil estudantes universitários e secundários, de 70 países, participaram de um desafio para melhorar a vida de milhões de refugiados em todo o mundo. A competição é organizada pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur *. 

A iniciativa é parte do Modelo Nações Unidas, ou UN Model na sigla em inglês, que concedeu oito prêmios e menções honrosas aos melhores projetos.

Equipes

As reuniões anuais do Modelo ONU simulam conferências e encontros da organização nas áreas de paz e segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, igualdade de gêneros e outros tópicos. 

Na última edição do desafio, três equipes de estudantes brasileiros ganharam em ambas as categorias. O Prêmio de Comunicação foi anunciado na semana passada com destaque para o melhor vídeo. 

O vídeo Pelotas Model United Nations é um projeto dos estudantes de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Aqui, os alunos falam da importância de incluir os refugiados nas comunidades anfitriãs, como explicaram os estudantes Gustavo Ferreira e Luís Gustavo Queiroga.

Primeira língua 

Já a menção honrosa foi entregue ao G20+6 Mun, fundado por Matheus Marques, que estuda Direito na Universidade de Minas Gerais. Ele foi agraciado ao lado de Giulia Marras, que faz Relações Internacionais na Universidade de Siena, na Itália. 

No tópico de discussão “Covid-19 e refugiados”, eles recomendaram a construção de unidades de saúde nas fronteiras de países em conflito para divulgar informações sobre o novo coronavírus na primeira língua dos refugiados, além de entregar equipamentos de proteção. O grupo composto por 60 estudantes tinha mais de 25 nacionalidades. 

A equipe do Modelo ONU de Relações Internacionais das Faculdades de Campinas também venceu com o Prêmio de Comunicação de melhor vídeo ao publicar três entrevistas com refugiados que vivem em Campinas nas redes sociais. O grupo foi orientado pelas professoras Roberta Machado, Patrícia Rinaldi, Patrícia Borelli e Rúbia Pontes. 

No desafio anterior, em 2020, eles foram a única equipe brasileira premiada entre todas as categorias, com o tema “clima e deslocamento forçado”. Para o grupo, o apelo por engajamento nas redes sociais de outros jovens foi fundamental para o sucesso do trabalho

As propostas de comunicação foram apresentadas nos Diálogos de Proteção do Alto Comissário, um fórum que reúne decisores de temas globais sobre a proteção de refugiados. 

O júri foi composto por refugiados e funcionários do Acnur.  

 Acnur Brasil

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Iniciativa compila boas práticas de acolhimento a migrantes no Brasil

 

A UFRGS e a Agência da ONU para as Migrações (OIM) lançaram um compilado com as boas práticas de 41 governos locais que receberam o Selo MigraCidades 2021. O material, disponível no formato de fichas informativas, dá visibilidade a iniciativas de municípios e estados para promoção de acolhimento, integração e acesso a direitos por migrantes.

Entre as boas práticas na dimensão de governança institucional e estratégia local estão a atuação de comitês, comissões temáticas e grupos de trabalho dedicados ao diálogo e articulação sobre políticas locais para a migração; a existência de setores e serviços especializados no atendimento a migrantes; a instituição de planos, políticas e protocolos em prol das populações migrantes; a realização de capacitações junto a servidores dos governos locais e as parcerias entre o governo local e organizações da sociedade civil e universidades.

As boas práticas vêm de experiências em todas as regiões do Brasil e incluem capitais, como Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife e São Paulo; estados, como Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais e Rio Grande do Sul; e cidades do interior, como Guaporé, Juiz de Fora, Mossoró e Vitória da Conquista, por exemplo. A lista completa está disponível no site do MigraCidades.

“Ao publicar esse compilado de experiências de boas práticas, buscamos ampliar o conhecimento público acerca de ações e desenhos institucionais locais que objetivam fortalecer a governança migratória, além de eventualmente instigar outros governos a se inspirar nessas respostas exitosas, e adaptá-las, traduzidas aos diferentes contextos locais”, explica a professora Verônica Gonçalves, uma das responsáveis pela coordenação da Plataforma MigraCidades na UFRGS.

Processo de certificação

A plataforma “MigraCidades: Aprimorando a Governança Migratória Local no Brasil”, fruto de parceria entre a Organização Internacional para as Migrações e UFRGS, com o apoio da Escola Nacional de Administração Pública, tem como objetivos capacitar atores locais, impulsionar o diálogo migratório, promover o intercâmbio de experiências entre pares, e certificar o engajamento dos governos em aprimorar a governança migratória e dar visibilidade às boas práticas identificadas nos estados e municípios brasileiros.

O processo de certificação oferece ferramentas que permitem aos governos locais apreciar a abrangência de suas políticas migratórias, bem como identificar potencialidades a serem desenvolvidas em benefício dos migrantes e das comunidades de acolhida. Na primeira edição do processo de certificação, em 2020, 27 governos (21 municípios e seis estados) completaram com sucesso todas as etapas. Já no ano de 2021 o número de governos engajados foi ampliado, tendo 32 municípios e nove estados certificados. O MigraCidades baseia-se em dez dimensões da governança migratória local, que reúnem indicadores sobre estruturas de governança e acesso a direitos.

Mais informações sobre o MigraCidades estão disponíveis no ufrgs.br/migracidades. Contatos pelo migracidades@ufrgs.br.

ufrgs.br

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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Atendimento aos migrantes em Porto Velho ganha reforço com Casa de Acolhida Esperança

 Equipe multidisciplinar vai atuar junto aos acolhidos

Com a entrega da “Casa de Acolhida Esperança”, na última terça-feira (19), o município inicia uma resposta efetiva ao fenômeno da imigração em Porto Velho. O novo espaço é um reforço às ações que já vinham sendo desempenhadas pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Família (Semasf).

O local será operado pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Segundo o titular da Semasf, Claudi Rocha, a abertura das portas representa esperança e parceria junto as duas instituições, a ADRA e também a Cáritas Arquidiocesana, que reforçam o serviço de atendimento.

“Todos os que buscam o atendimento na Casa Esperança precisam, primeiro, passar pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), onde é feito um cadastro e, com vaga, é recepcionado na casa. Uma equipe multidisciplinar vai atuar junto aos acolhidos e o prazo de permanência, a depender da situação de cada um, deve ser de 60 dias”, explica Rocha.Prazo de permanência no local deve ser de 60 dias a depender de cada situaçãoPrazo de permanência no local deve ser de 60 dias a depender de cada situação

DESAFIO ASSUMIDO

O diretor regional da ADRA, pastor João Paulo Dias de Carvalho, reitera o compromisso assumido e lembra que as missões neste tipo de atendimento já ocorrem em centenas de países atuando como executoras de políticas públicas junto ao Poder Público.

“Estamos muito felizes com essa parceria que fortalece um trabalho que já vinha sendo feito e, agora, será potencializado para este público, o migrante que vive em situação de extrema vulnerabilidade. Isso vai render muitos frutos e este trabalho, com outros agentes, vai fortalecer e dar uma maior qualidade de vida e retorno mais eficaz a essas pessoas”, comenta Carvalho ao definir a missão como “um desafio muito grande”.

O espaço está localizado na rua Joaquim Nabuco, nº 1981, Centro.

Etiene Gonçalves Foto: Wesley Pontes

tudorondonia.com

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quarta-feira, 20 de abril de 2022

Famílias refugiadas da Ucrânia recebem apoio da Prefeitura de Maringá e da comunidade

 

Ivan Amorim 

Oito famílias ucranianas, refugiadas da guerra, foram recebidas nesta terça, 19, em Maringá. O vice-prefeito, Edson Scabora, e o secretário de Juventude, Cidadania e Migrantes, Emmanuel Predestin, participaram da recepção. O acolhimento dessas famílias será feito pela 2ª Igreja Presbiteriana de Maringá e Igreja Presbiteriana da Vila Operária. Já o município oferecerá o suporte necessário com orientações sobre retirada de documentos, acesso à saúde, educação e demais serviços.


“Entendemos o momento de tensão e tristeza que estas famílias estão passando. Estamos à disposição para auxiliar e dar o suporte necessário para que se estabeleçam e possam recomeçar suas vidas. Inclusive, temos feito um trabalho intensificado de acolhimento com todos os imigrantes que chegam até nossa cidade”, destaca o secretário.

O presidente da Comunidade Ucraniana em Maringá, Irineu Halchuk, destacou que a cidade se solidariza com a população daquele país e segue no trabalho de trazer outras famílias. “Estamos unindo forças com diversas instituições para darmos o acolhimento necessário e, assim, contribuir para que elas se adaptem rapidamente e se integrarem à nossa cidade”, disse.

maringa.pr.gov.br

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EUA busca acordo sobre migração com a América Latina

 

Antony Blinken (AFP/Brendan SMIALOWSKI) (Brendan SMIALOWSKI)

Os Estados Unidos buscam alcançar um acordo "firme" com os países da América Latina sobre migração com vista para a Cúpula das Américas, que acontece em junho em Los Angeles, disse nesta quarta-feira (20) o secretário de Estado americano, Antony Blinken.

O chefe diplomacia americana está reunido no Panamá com ministros de cerca de 20 países latino-americanos em busca de acordos para abordar o tema da migração irregular na região.

O número recorde de pessoas que se deslocam em todo o mundo, provocado em muitas ocasiões por conflitos bélicos, crises econômicas, mudança climática e pobreza, gera uma crise humanitária que tem preocupado cada vez mais o presidente americano, Joe Biden.

Blinken afirmou que as conversas no Panamá tem como objetivo "firmar as bases para uma Declaração de nossos líderes" para a Cúpula das Américas, que será realizada de 6 a 10 de junho em Los Angeles.

A declaração sobre a proteção aos migrantes deve estabelecer "nossos princípios compartilhados para uma resposta colaborativa e coordenada", apontou Blinken.

"Nós podemos fazer uma diferença profunda na vida de nossos concidadãos mais vulneráveis e pelo futuro da nossa região", acrescentou.

Biden convocou a cúpula com o objetivo de promover a democracia e isolar os governos autoritários da região.

Cidadãos de El Salvador, Guatemala, Haiti e Honduras fogem da pobreza extrema, da violência e dos desastres naturais agravados pela mudança climática.

Além disso, a inóspita selva de Darién, na fronteira entre Panamá e Colômbia, também é corredor para a migração irregular.

Em 2021, mais de 133.000 pessoas cruzaram essa selva panamenha em sua rota da América do Sul para os Estados Unidos, e até agora em 2022, 13.000 migrantes já a atravessaram, mais que o dobro do mesmo período do ano anterior.

Quase 100 milhões de pessoas no mundo todo deixaram suas casas como parte da crise migratória. A atenção atualmente também está voltada para a Ucrânia, de onde 4,9 milhões fugiram desde a invasão russa em fevereiro.

Durante a reunião no Panamá, Blinken chamou para combaterem as causas fundamentais da migração irregular e apoiar países como Colômbia, México, Panamá e Costa Rica, que estão prestando assistência aos migrantes.

"Nenhum país sozinho pode resolver um desafio tão complicado quanto a migração", acrescentou.

Por sua parte, a chanceler panamenha, Erika Mouynes, considerou que o fenômeno migratório aumentará, impulsionado pelos efeitos da mudança climática e invasão da Ucrânia.

AFP

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terça-feira, 19 de abril de 2022

Brasil acolhe mais de 7 mil indígenas venezuelanos, afirma Acnur

 Agência da ONU para Refugiados diz que 819 foram reconhecidos como refugiados; metade do grupo espera análise do pedido e 33% possuem residência temporária no país; agência faz campanha para combater xenofobia e discriminação.*

Desde 2014, um fluxo crescente de pessoas indígenas da Venezuela tem sido registrado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no Brasil.

Segundo o Acnur, mais de 7 mil indígenas venezuelanos estão em território brasileiro, sendo que 819 já foram reconhecidos como refugiados pelo governo do país.

Situação gerada pela entrada de refugiados nos vizinhos Brasil, Colômbia, Equador e Peru aumentou a necessidade de apoio a atividades de educação
Foto: Unicef/UN0304588/Arcos
Situação gerada pela entrada de refugiados nos vizinhos Brasil, Colômbia, Equador e Peru aumentou a necessidade de apoio a atividades de educação

Refugiados indígenas

Mais de 3,7 mil, que representam mais da metade do grupo, aguardam a análise da solicitação de asilo, enquanto 33% já possuem residência temporária no país.

Crianças e adolescentes representam quase metade desta população, que é composta por diferentes grupos étnicos, sendo a maioria Warao e Pemón.

Grande parte dos povos originários da Venezuela se concentram nos estados de Roraima, Amazonas e Pará, mas diversos Warao continuam se deslocando a outras áreas do Brasil.

De acordo com o representante do Acnur, em Brasília, José Egas, o trabalho humanitário requer responsabilidade em adaptar serviços de acordo com crenças e tradições dos grupos.

Ele adiciona que, em apoio às ações do governo e em parceria com outras agências da ONU, organizações da sociedade civil e do setor privado, o Acnur é capaz de implementar soluções “assegurando direitos fundamentais e garantindo sua proteção como pessoas indígenas e refugiadas no território brasileiro”.

Cultura imaterial Warao 

Na página do Acnur, existem dados sobre a resposta, publicações e uma série de vídeos para ajudar com informação, conscientização e combater a xenofobia e a discriminação. Uma dessas ações é a série de vídeos “Cultura Imaterial Warao”, divididos em cinco diferentes temas: mito, alimentos e cura, língua, dança e canto.

Ao apresentar a diversidade cultural e os amplos conhecimentos imateriais dos Warao, o conteúdo resgata suas tradições para que suas origens e crenças sejam sempre lembradas e compreendidas.

Este 19 de abril, o Brasil marca o Dia do Índio.

 Acnur Brasil

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Albergue para Migrantes promove ações de saúde e cuidados pessoais



Foto Divulgação
Ação de saúde no Albergue para migrantes

Os usuários do Albergue para Migrantes de Vitória, equipamento da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), acordaram cedo na manhã desta segunda-feira (18), para participar da ação de promoção da saúde desenvolvida pela unidade em parceria com a Unidade de Saúde do Alagoano e a faculdade Emescam. Durante a ação, o grupo do Albergue pode fazer aferição da pressão arterial, medição de glicemia e orientações gerais para melhoria da qualidade de vida e longevidade dos usuários do Albergue.

A programação faz parte do planejamento de atividades desenvolvidas pelo albergue para migrantes alusivas ao Dia Mundial da Saúde, que é celebrado no dia 7 de abril. A ação contou com a participação de alunos faculdade Emescam e da Escola Técnica de Saúde do Espírito Santo (Eteses), sob a supervisão da professora de Medicina Comunitária Lainerlani Simoura, além de profissionais da unidade de saúde da Prefeitura de Vitória.

Para Alan Passos de Jesus, usuário do Albergue, o momento foi importante para ter acesso a informações para minimizar os riscos de contrair ou desenvolver doenças que podem comprometer o seu futuro.

Foto Divulgação
Ação de saúde no Albergue para migrantes

"Estou aqui de passagem rumo a Bahia, onde vou encontrar minha esposa. Estou atrás de coisas melhores para minha família. Receber essas informações foram importantes para eu evitar algumas doenças, manter os cuidados pessoais. Quero fazer tudo certinho para chegar lá (Bahia) em condições de arrumar um emprego", comentou Alan.

De acordo com a gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, Anacyrema Silva, o acesso as demais Políticas Públicas é direito de todos, assim, a proposta da atividade é sensibilizar e orientar os usuários do Albergue sobre a importância de manter os cuidados com a sua saúde independente da idade e de onde estejam.

Para a professora de Medicina Comunitária Lainerlani Simoura, a parceria da faculdade com a Albergue para Migrantes, espaço da Assistência Social, é muito positiva para formação dos futuros médicos. "O objetivo é formar profissionais que tenham uma visão ampliada da comunidade. Formar médicos capazes de exercerem a profissão de forma mais igualitária, centrada na pessoa e não na doença", destacou ela.

Albergue

O Albergue para Migrantes tem como objetivo o atendimento de pessoas adultas em situação de vulnerabilidade social, que estão em trânsito pelo município de Vitória. Crianças e adolescentes são atendidas somente com documentos e acompanhadas pelos responsáveis.

Foto Divulgação
Ação de saúde no Albergue para migrantes

A secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, reforça que o espaço oferta ao migrante atendimento psicossocial, orientações técnicas, passagem para recambiamento às cidades de origem ou cidade de destino, bem como, nos casos necessários, atendimento psicossocial, acolhimento, higienização e alimentação por período previamente estabelecido. "A interlocução com outras políticas públicas é essencial para a Assistência Social e muitos dos nossos usuários tem demandas que são especificidades da Saúde", explica.

Os encaminhamentos para o serviço são realizados por meio do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Centro Pop), Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) ou demanda espontânea.

Onde fica

Rua Mário Cypreste, s/n, Bairro Mário Cypreste.
Telefone: (27) 3132-7054
Horário de funcionamento: todos os dias , 24 horas por dia.

https://www.vitoria.es.gov.br/

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sábado, 16 de abril de 2022

Unesco: crianças só devem trabalhar quando concluírem ensino obrigatório

 Agência da ONU pede a países que aprovem legislações alinhando idade para entrada no mercado de trabalho à conclusão dos estudos secundários; em dezenas de países, meninos têm mais chance de evasão escolar no ensino médio que meninas.

Em todo o mundo, à exceção da África Subsaariana, existem menos jovens do sexo masculino na educação de nível superior, que do sexo feminino. A taxa é de 88 homens para 100 mulheres. Em 73 países existem mais meninas que meninos matriculados no ensino médio.

Para a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, existe um risco real de os meninos não concluírem os estudos.

Menina de dezessete anos em sala de aula na escola em Nagaland, Índia
© UNICEF/Tiatemjen Jamir
Menina de dezessete anos em sala de aula na escola em Nagaland, Índia

Pobreza e trabalho infantil

A agência da ONU explica que as meninas têm mais dificuldade no acesso à educação em níveis primários por causas como pobreza. Já os meninos são vítimas do trabalho infantil. Em 2020, 97 milhões dos 169 milhões crianças no trabalho infantil eram meninos.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que os países têm que alinhar a idade mínima para trabalhar com a conclusão do nível de escolaridade obrigatório para evitar esses abusos.

No relatório “Não esqueça de nenhuma criança: informe global sobre o desengajamento de meninos da educação”, a Unesco alerta que em regiões como América do Norte, Europa Ocidental, América Latina e Caribe, a média de matrícula é de 81 homens para 100 mulheres. Asia e Pacífico tem 87 contra 100 e países árabes, leste europeu e centro da Europa tem 91 homens para 100 mulheres.

Segundo dados da OIT, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%
OIT/ J. Maillard
Segundo dados da OIT, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%

Marco legal

Para a Unesco, falta um marco legal de proteção para regular a situação. A agência recebeu dados sobre educação e trabalho de menores de 146 países. Mas apenas 55 têm leis permitindo o trabalho apenas após a conclusão do ensino fundamental ou acima dos 15 anos.

E nesses casos, a ambiguidade também atrapalha. Em 31% dos países que divulgaram estatísticas, existia uma idade mínima, abaixo dos 15 anos, para entrada no mercado do trabalho, mas a idade não tinha sido definida.

O relatório da Unesco mostrou que em 57 países, ou mais de um terço dos que apresentaram dados, meninos de 10 anos tiveram um desempenho acadêmico pior do que as meninas da mesma idade. Uma das categorias analisadas foi a leitura.

As regiões com mais risco de evasão escolar são: leste da Ásia Pacífico, América Latina e Caribe e países árabes.

Onunews

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Políticas para migrantes adotadas em Cuiabá têm destaque internacional

 


A lei que inseriu no calendário municipal de Cuiabá (MT) a Semana do Migrante, de autoria da vereadora Edna Sampaio (PT), e a que criou a Política Municipal para a População Imigrante, publicada em julho do ano passado, foram citadas como exemplos de boas práticas de inclusão ao migrante pelo informe “Ampliando Redes de Cidades Solidárias”, da Rede Sem Fronteiras (RSF), entidade composta por 18 organizações da sociedade civil sediadas em 7 países que atuam na defesa de migrantes e refugiados.

O informe, publicado na semana passada, foi baseado em uma pesquisa feita pela RSF com a população migrante de Recife (PE), Cuiabá e da cidade de Catamarca (Argentina) entre outubro de 2021 e abril de 2022.

O estudo tem a parceria do Comité Catholique Contre la Faim Et Pour Le Développement (CCFD) - Terre Solidaire e se insere na iniciativa internacional Aliança Migração, que envolve um conjunto de mais de 100 cidades e organizações da Sociedade civil na Europa e na América Latina.

 “O informe tem o objetivo de mapear as boas práticas desenvolvidas pelas cidades em matéria de integração das pessoas migrantes e, uma vez encontradas, promover um intercâmbio para que elas possam ser replicadas pelo mundo. Esse projeto já aconteceu na Europa e em outras cidades do Brasil, entre elas Recife”, explicou o representante da RSF, Paulo Illes.

obomdanoticia

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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Papa alerta para refugiados de primeira e segunda classe

 

Papa na visita o campo de refugiados da ilha de Lesbos, na Grécia, em 2021. Foto: Vatican Media

O Papa Francisco considera que “os refugiados são divididos” entre “primeira classe, segunda classe, cor da pele, proveniência de um país desenvolvido [ou de] um que não é”. “Somos racistas”, disse em entrevista à estação de televisão italiana Rai 1, emitida na tarde desta Sexta-Feira Santa, quando questionado sobre se as imagens da fuga de ucranianos “derrubaram o preconceito para com aqueles que fogem de outras partes do mundo”.

Recordando que “Jesus era um migrante e refugiado no Egito”, Francisco sublinhou que na cruz estão os povos em guerra, incluindo os dos países de África, do Médio Oriente, da América Latina e da Ásia. “Há alguns anos, disse que estávamos a viver a terceira guerra mundial em pedaços. Mas ainda não aprendemos”, disse o Papa ao programa À Sua Imagem, conduzido pela jornalista Lorena Bianchetti.

“O mundo está em guerra. A Síria, o Iémen, pensemos nos Rohingya, expulsos, sem pátria. Em todo o lado há guerra. O genocídio ruandês há 25 anos. Porque o mundo escolheu – é difícil dizê-lo – mas escolheu o esquema de Caim, ou seja, matar o irmão.” E acrescentou: “Vivemos neste esquema demoníaco [que diz] para nos matarmos uns aos outros por causa do poder, da segurança, de muitas coisas”.

“Não choramos bem”

“No seu coração o que é [Kiev]?”, perguntou a jornalista. “Uma dor”, respondeu. “Para a dor humana, dor moral, não há anestesia. Apenas oração e pranto”, disse Francisco, acrescentando que “hoje não choramos bem”. “Esquecemo-nos de chorar. Se posso dar um conselho, para mim e para as pessoas, é pedir o dom das lágrimas”, afirmou o Papa.

“Pergunto-me: quantas pessoas, diante das imagens de guerras, quaisquer guerras, foram capazes de chorar? Alguns sim, tenho a certeza, mas muitos não. Começam a justificar ou a atacar.”

A esperança, a mais humildes das virtudes

Durante a entrevista, o Sumo Pontífice sublinhou, ainda, o papel da esperança em cenários adverso, como o desemprego ou a doença. “A esperança não é acariciar e dizer: ‘Ah, tudo vai passar, não te preocupe’. A esperança é uma tensão para o futuro, para o céu também. É por isso que a figura da esperança é a âncora: a âncora atirada ali e eu aqui com a corda, para chegar lá, para resolver situações, mas sempre com essa corda”, explicou.

“A esperança é a doméstica da vida católica, da vida cristã. É realmente a mais humilde das virtudes”, frisou.

Outras formas de guerra

Falando sobre o mal, Francisco disse ainda que “se os pecados fossem feios, se não tivessem algo de belo, ninguém pecaria”. E acrescentou que há outras formas de guerra, para além de conflitos como aquele que a Ucrânia vive. “No outro dia ouvi uma família contar como o pai, que casou jovem, teve de trabalhar como operário, saindo de manhã cedo e voltando à noite, por pouco dinheiro, explorado por uma empresa bilionária. Isto também é guerra. Também é destruição. O diabo procura sempre a nossa destruição. Porquê? Porque nós somos a imagem de Deus”.

Outro dos temas abordados foi o da violência contra as mulheres. “A exploração das mulheres é o nosso pão quotidiano”, lamentou. “Mulheres que sofrem golpes, que sofrem violência por parte dos seus companheiros e carregam isto em silêncio ou afastam-se sem dizer porquê”, disse, sublinhando que “as mulheres são a reserva da humanidade”, “a força”.

No fim da entrevista, com cerca de 50 minutos, o Papa deixou, ainda, uma mensagem para esta Páscoa: “Os meus votos são para que não se perca a esperança. A verdadeira esperança – que não desilude – é pedir a graça de chorar, mas choro de alegria, choro de consolação, choro de esperança. Tenho a certeza, repito, temos de chorar mais”.

sapo.pt/noticia

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Caminhantes esquecidos: os desafios dos migrantes para obter assistência médica no Peru


Foto: Max Cabello Orcasitas/2022/Peru

Trabalhei nos últimos oito anos com assuntos migratórios em diferentes continentes e sempre fico sensibilizada com os grandes movimentos de populações porque considero que são um sintoma de uma sociedade disfuncional. Levando isso em conta, a migração venezuelana causou-me um grande impacto.

Entre novembro e dezembro do ano passado, estive por um mês em Tumbes, na fronteira norte do Peru com o Equador, onde pude observar o que pareciam ser rios de pessoas caminhando e caminhando sem descanso. Por essa razão, elas são conhecidas como “caminhantes”: famílias inteiras, com meninos e meninas, recém-nascidos, adolescentes grávidas, idosos, pessoas em cadeiras de rodas, em carrinhos, e às vezes até cachorros e gatos… Empacotam os poucos pertences que ainda não venderam, carregam o que tem valor sentimental e partem. Pareceria que andar é a sua salvação, como se partir em caminhada ajudasse essas pessoas a deixar para trás a dor. Dá para imaginar?

Foto: Max Cabello Orcasitas/2022/Peru – Uma migrante venezuelana, acompanhada de seu cachorro, tenta pegar carona para Tumbes, no Peru. Ela já havia caminhado desde Águas Verdes, cerca de 15 quilômetros pela rodovia Panamericana.

O ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) estima que, no final de 2021, mil venezuelanos deixavam diariamente seu país sem a intenção de regressar. O número previsto de migrantes venezuelanos no mundo todo poderia chegar a 7,1 milhões em 2022 – com 6,1 milhões ficando na América Latina.

As características dos que fazem a viagem mudaram consideravelmente ao longo do tempo: na primeira onda migratória (2016-2018), homens adultos com um nível educacional e uma situação laboral relativamente bons representavam o grupo mais numeroso, como ocorre na maioria dos primeiros movimentos migratórios. Hoje em dia, esta tendência mudou completamente. Crianças de zero a cinco anos e os recém-nascidos correspondem a 20% de todos os migrantes. A proporção de famílias com crianças e de mulheres grávidas aumentou significativamente, sendo este em si mesmo um indicador de vulnerabilidade.

 

 

Foto: Max Cabello Orcasitas/2022/Peru – Um casal de migrantes da Venezuela e suas filhas gêmeas descansam perto do posto de saúde de MSF em uma área conhecida como “Gasolinera”, porque está localizada perto de um posto de gasolina próximo à fronteira Peru-Equador.

 

A pouca ingestão de alimentos e as condições precárias de higiene deterioram a saúde dos migrantes. Além disso, para além da saúde física, tudo o que foi descrito até agora também tem impacto na saúde mental, determinando as escolhas (ou a falta delas) feitas pelas pessoas ao longo de sua jornada. As condições pioraram e os recursos disponíveis para a viagem diminuíram muito nos últimos dois anos devido ao aumento da pobreza no país de origem, que parece ser o fator que impulsiona a migração venezuelana.

As famílias relataram ter viajado em média durante um ou dois meses, muito mais tempo do que quando a maioria podia pagar uma passagem de ônibus ou fazer uma viagem de caminhão. Outras famílias me contaram que não se lembravam de quando haviam ingerido sua última refeição quente, talvez há dez dias. Um casal jovem esperando um filho me contou que, durante a viagem, tiveram que implorar por comida e que em uma ocasião no Equador, jogaram comida no chão para que eles a apanhassem e comessem, como se fossem animais. Senti vergonha por tamanho maltrato, mas o que mais me impactou foi eles terem relatado o episódio com um sorriso triste e resignado, como se fosse uma situação corriqueira.

A discriminação, que na pior das hipóteses se converte em xenofobia, está se transformando no “novo normal” para os migrantes da região, um fenômeno que se agravou ainda mais com a pandemia.

Foto: Max Cabello Orcasitas/2022/Peru – Um imigrante venezuelano de 26 anos carrega seus pertences pela Rodovia Pan-Americana enquanto tenta chegar a Tumbes.

 

Apesar de a lei de migração de 2017 garantir aos estrangeiros os mesmos direitos à saúde, ao trabalho e à educação que aos peruanos, existem barreiras de acesso à saúde para os venezuelanos em trânsito. Isto significa que trâmites burocráticos e administrativos desnecessários se convertem progressivamente em normas à medida em que o pessoal de saúde que não está corretamente informado acredita tratar-se de regulações reais. Por exemplo: no Peru, mulheres grávidas e crianças de zero a cinco anos podem ter acesso por lei a um seguro de saúde público e gratuito, independentemente de sua condição migratória. Apesar disso, para ter esse acesso, é usual que se peça às mulheres venezuelanas um comprovante de residência e um ultrassom, o que a lei de maneira nenhuma estabelece como critério de adesão. Como o pessoal de saúde não está informado em relação a esta situação, estes documentos são solicitados de maneira sistemática como parte do trâmite e, caso não sejam apresentados, o acesso aos serviços de saúde é negado.

Obviamente, os documentos solicitados são impossíveis de obter para uma mulher em trânsito, o que leva à recusa do atendimento médico. À luz deste problema, a presença de Médicos Sem Fronteiras (MSF) neste contexto é ainda mais oportuna, não apenas para prestar atendimento médico aos mais vulneráveis, mas também e especialmente para garantir-lhes o acesso à cuidados médicos públicos onde já existem esse direito e essa infraestrutura para isso.

Foto: Max Cabello Orcasitas/2022/Peru – Um migrante venezuelano segura seu filho de dois anos enquanto a criança é examinada pela médica em um posto de saúde de MSF na área conhecida como “Gasolinera”

 

Os desafios e os obstáculos que os migrantes enfrentam não terminam no lugar de destino. O Peru abriga a segunda maior população de migrantes venezuelanos (1,5 milhão), atrás da Colômbia. Apesar disso, devido ao fato de as fronteiras permanecerem formalmente fechadas em função da pandemia, os migrantes não têm no momento vias legais para regularizar sua situação quando entram no país, exceto aqueles que apresentem vulnerabilidades muito específicas. Isto implica que a política migratória peruana apresenta um vácuo legal, o que resulta em uma negação de direitos importantes, assim como uma limitação aos migrantes que já vivem em condições precárias, sem acesso a serviços básicos. Sem um status regular, os migrantes não têm acesso à saúde.

O vácuo deixado pela legislação cria uma “zona cinzenta”, que representa esse espaço no qual as barreiras de acesso à atenção médica e para onde deve apontar, em última instância, o trabalho de MSF: necessitamos desmantelar e eliminar essas barreiras, independentemente de serem por falta de conhecimento, sensibilização ou discriminação.

*Unidade de MSF dedicada a oferecer apoio técnico a projetos por meio de uma abordagem médica, psicossocial e epidemiológica nas áreas de migração, violência urbana, saúde ambiental e saúde adolescente.

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