quinta-feira, 14 de abril de 2022

O Papa filho de imigrantes e os refugiados de guerra

 

O Papa Francisco, ao longo destes nove anos de pontificado, tem demonstrado seu compromisso com os migrantes e, de maneira mais enfática, os refugiados de guerra. Em suas convocações aos católicos e cristãos num todo, como também aos governos das nações, Francisco fundamenta o acolhimento às vítimas das guerras como convite do próprio Evangelho:

“Diante da tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte pela guerra e pela fome, e que estão em um caminho em direção a uma esperança de vida, o Evangelho chama-nos a acolher os menos favorecidos e mais abandonados, para dar-lhes uma esperança concreta”.

Na recente visita à ilha de Malta, mostrando sua sensibilidade pela causa migratória, o Papa disse: “Irei como peregrino a Malta, um país que acolhe muitos migrantes”.

Francisco conhece a importância do cuidado aos estrangeiros que buscam outras terras para sobreviver, pois ele próprio é filho de imigrantes italianos, que buscaram a Argentina visando uma vida melhor.

A denúncia do Papa aos que promovem sofrimento nas guerras

Ao celebrar a Jornada do Migrante e do Refugiado em 2015, Francisco falou da “globalização da indiferença”, em relação aos migrantes ilegais. Em 2019, voltou a falar do tema e afirmou que o mundo era cada vez mais cruel com os excluídos e, entre esses, deixou destacado os migrantes que são forçados a sair dos seus países“Uma verdade que provoca dor é que este mundo é, cada vez mais, elitista, mais cruel com os excluídos”.

Ainda em 2019, falou da produção de armas e recusa aos refugiados:

“As guerras abatem-se apenas sobre algumas regiões do mundo, enquanto as armas para as fazer são produzidas e vendidas noutras regiões, que depois não querem ocupar-se dos refugiados causados por tais conflitos. Quem sofre as consequências são sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis”.

Jelena Aloskina/Shutterstock
Jelena Aloskina/Shutterstock

Em 2018, numa entrevista coletiva à imprensa, o Papa denunciou os traficantes que se aproveitam dos refugiados de guerra: "Há um caso que conheço em que os traficantes se aproximaram de um navio que os acolheu e lhes passaram as mulheres e crianças, e levaram embora os homens”. Mas reconheceu que “há governos que se preocupam com o fato de que os migrantes não caiam nas mãos dessa gente”.

Na invasão da Rússia à Ucrânia, muitas foram as afirmações do Papa, mostrando a hipocrisia do governo russo e contestando as suas afirmações para justificar a guerra: “Esta não é apenas uma operação militar, mas uma guerra que semeia morte, destruição e miséria”.

Agradecimento aos países que acolhem refugiados de guerra

Uma característica forte de Francisco, mesmo nas situações mais conflitantes, é o reconhecimento da bondade das pessoas, da gratuidade do ‘evangelho vivo’, por vezes em apenas ‘grão de mostarda’. Citando dois momentos de gratidão nas ações concretas de países, entre tantos outros, o Papa, falando para a imprensa em 2018, elogiou a “Itália, Grécia, Turquia, Líbano ou Jordânia, muito generosos em acolher uma onda de refugiados que fogem das guerras e da fome”, se referindo aos refugiados da África e do Oriente Médio.

Recentemente, no dia dois de março passado, o Papa destacou a Polônia como primeiro país a acolher os irmãos ucranianos:

“Vocês, por primeiro, apoiaram a Ucrânia abrindo suas fronteiras, seus corações e as portas de suas casas para os ucranianos que fogem da guerra.

Vocês estão oferecendo generosamente a eles todo o necessário para que possam viver com dignidade, não obstante a dramaticidade do momento. Sou profundamente grato a vocês e os abençoo de coração!”

como fiel devoto de Nossa Senhora, o Papa Francisco entrega os corações generosos à Virgem: “Rezemos novamente, sem nos cansarmos, à Rainha da Paz, a quem consagramos a humanidade, especialmente a Rússia e a Ucrânia, com grande e intensa participação, pela qual agradeço a todos vós”.


Padre Rosivaldo Antônio Motta, C.Ss.R.

Missionário Redentorista com bacharelado em Teologia (UCSal), pós-graduado em Comunicação e Cultura Brasileira (SEPAC-PUC/SP) e mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP)

A12

www.miguelimigrante.blogspot.com

Capacitação sobre migrantes e refugiados discute atendimento humanizado

 


Foto: Divulgação/PMG

Cerca de 180 pessoas participaram na última semana da capacitação sobre fortalecimento da rede de atendimento a migrantes e refugiados em Guarulhos, que aconteceu no Adamastor. A ação, que reuniu servidores, instituições e estudantes, é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social (SDAS) em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur-SP). 

Tendo em vista o trabalho realizado em conjunto entre a SDAS e a Acnur, por meio do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante (PAAHM), localizado no Aeroporto de Guarulhos, um dos principais temas da capacitação foi o deslocamento forçado no Brasil e no Estado de São Paulo, principais definições legais e marcos normativos. Além disso, fizeram parte dos temas abordados a proteção dos direitos de migrantes e refugiados, garantias de acesso a serviços públicos no município e a reflexão sobre como fortalecer as estruturas existentes para melhor acolhê-los e atendê-los na cidade. 

“Foi uma capacitação muito importante, pois essa é uma pauta muito desafiadora para nós, desde a questão do idioma até as outras demandas que cada um traz”, afirmou Heloisa Neres Amaral Carvalho, chefe da Divisão de Proteção Social Básica de Guarulhos. 

Participaram do evento representantes da Diretoria Regional da Assistência e Desenvolvimento do Estado de São Paulo –  Grande Norte, as Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG- Unimesp) e conselhos tutelares de todas as regiões do município, além das secretarias da Saúde, Educação, Direitos Humanos, Justiça, Trabalho, Assuntos de Segurança Pública e Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação.

guarulhoshoje

www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Mais de 7 mil paraguaios atravessam a Ponte para feriadão no Brasil

 


Muitos paraguaios estão aproveitando a Semana Santa para viajar para o litoral brasileiro. Segundo a Diretoria de Migrações do Paraguai, nos últimos dias um número significativo de pessoas atravessou a fronteira com Foz do Iguaçu, pela Ponte Internacional da Amizade.

Segundo Ever González, chefe de Migração, entre os dias 8 e 11 de abril, mais de 7 mil pessoas viajaram para o Brasil. Apenas no último fim de semana, mais de 30 ônibus passaram pelo setor migratório da aduana paraguaia. Informou Rádio Cultura

González explicou que o número de viajantes tem aumentado a cada dia e pediu paciência para o processo migratório para entrar no Brasil. “Tudo gera fila e também temos um número significativo de pessoas que não notificam sua saída do país”, disse.

Já o fluxo contrário, de brasileiro viajando pelo Paraguai, o maior movimento está sendo esperado para o próximo fim de semana.

cabezanews.com

www.miguelimigrante.blogspot.com

Migrantes latinos pedem pelas mesmas oportunidades de ucranianos na fronteira do México com os EUA

 

Milhares de migrantes latinos chegam, a cada ano, à cidade mexicana de Tijuana sonhando em cruzar o muro que os separa dos Estados Unidos. Agora, muitos que esperam em abrigos o fim das restrições choram ao pedir para serem tratados igual aos ucranianos que estão massivamente atravessando a mesma fronteira.

"Por que a nós, sendo vizinhos dos Estados Unidos, não nos é dada essa oportunidade de buscar asilo? Nós viemos fugindo quase do mesmo", questiona L., um mexicano de 44 anos se referindo à permissão humanitária concedida aos ucranianos para ingressar em território americano.

Devido à guerra em seu país, os ucranianos têm uma permissão humanitária especial para entrar nos Estados Unidos. Washington disse que planeja receber até 100.000 refugiados.

Desde então, milhares de ucranianos chegaram por trem ou por avião em Tijuana para cruzar a fronteira terrestre em direção aos Estados Unidos, país para onde não voam diretamente por necessitarem de visto.

A grande rede de voluntários ucranianos que se instalou em Tijuana e em sua vizinha americana San Ysidro afirma que, em média, os recém-chegados esperam entre dois e três dias antes de atravessar a entrada oeste, destinada apenas para eles.

"Creio que todos merecemos uma oportunidade", disse a esposa de L. enquanto os olhos se enchem de lágrimas.

O casal deixou sua cidade de natal, Irapuato, com seus três filhos, carregando apenas uma muda de roupa, depois que supostos membros de um cartel queimaram seus pertences e a padaria com a qual ganhavam a vida.

Olhando para o chão e rasgando um papel com suas mãos como um impulso nervoso, a mulher fala a conta-gotas, se negando a dar seu nome por medo que algo aconteça a ela ou a sua família.

"Se viemos para cá não é por gosto, é por necessidade. Já vivemos muita violência", disse começando a chorar. "Queremos dar aos nossos filhos uma vida melhor", segue, apontando para seus filhos que estão em uma das várias tendas instaladas no abrigo da associação civil Movimento Juventude 2000.

A família está a apenas três quarteirões da Unidade Deportiva Benito Juárez, convertida em albergue para milhares de ucranianos.

Por que não nos dão uma oportunidade?, insiste.

- "Quase uma guerra" -

A diferença entre os dois abrigos é evidente. No Movimento Juventude 2000, se respira tristeza e frustração, enquanto que no Benito Juárez, se sente alívio e esperança.

No segundo, a rotação é tão alta que os voluntários decidiram, na semana passada, implementar uma lista virtual para ter algum controle. Um letreiro vermelho avisava, na tarde de sábado (9), que mais de 2.600 ucranianos estavam registrados.

No Movimento Juventude 2000, algumas famílias levam até seis meses esperando uma mudança nas restrições fronteiriças que lhes permitam solicitar asilo.

R. é hondurenha e tem cinco filhos, de entre um e nove anos. Disse que tiveram que sair de sua cidade depois de que seu esposo, jornalista, foi vítima de um atentado em 2014. Fugiram para a Guatemala, onde seu esposo recebeu atenção médica, mas entenderam que não podiam ficar quando uma das doutoras que o atendeu foi assassinada.

Tentaram refazer sua vida no México, mas uma inundação destruiu sua casa, por isso decidiram ir à fronteira americana, animados pela chegada do presidente democrata Joe Biden.

"Estamos pedindo asilo desde que estávamos na Guatemala, mas passou o tempo e seguimos esperando", disse, sentada em um balde plástico ao lado de sua tenda onde a família tem dormido durante meses.

O menor de seus bebês aprendeu a caminhar de tenda em tenda.

Assim como os ucranianos "nós também viemos fugindo", disse.

"É diferente, mas é quase uma guerra com as gangues. (...) Não podemos voltar".

* AFP

gauchazh

www.miguelimigrante.blogspot.com

terça-feira, 12 de abril de 2022

Salgueiro leva grupo de refugiados para desfilar na Sapucaí

 


A Acadêmicos do Salgueiro, seguindo o seu próprio lema - "Nem pior nem melhor. Apenas uma escola diferente" - quer fazer a diferença no carnaval de 2022. Numa atitude inédita, a escola vai levar para a Sapucaí um grupo de 20 refugiados, de cinco nacionalidades diferentes, que moram no Rio. No enredo "Resistência", eles vão representar a diversidade da sociedade brasileira.

Os 20 refugiados foram selecionados pela Cáritas e pelas Aldeias Infantis SOS Brasil, numa parceria entre o Salgueiro e a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O grupo reúne pessoas vindas de Angola, Marrocos, República Democrática do Congo, Síria e Venezuela.


Eles têm participado de todos os ensaios da comunidade. O grupo foi dividido dois. Ou seja, dez pessoas vão desfilar na ala que representa Dom Obá II D'África e na ala que homenageia o projeto AfroReggae.

“Apesar de o enredo falar sobre a resistência preta, nós estamos pedindo respeito, valorização e reconhecimento a todas as minorias, o que inclui as pessoas refugiadas. O Brasil é um país que acolhe, mas que precisa dar oportunidade de crescimento a todos aqueles que chegam por aqui”, disse André Vaz, presidente do Salgueiro.

Vinte refugiados ensaiam desde o início do ano em duas alas do Salgueiro, que vai levar para a Sapucaí o enredo "Resistência" — Foto: Divulgação/Acnur/Miguel Pachioni

Vinte refugiados ensaiam desde o início do ano em duas alas do Salgueiro, que vai levar para a Sapucaí o enredo "Resistência" — Foto: Divulgação/Acnur/Miguel Pachioni

O Salgueiro, que já desenvolve vários programas sociais nas comunidades do Andaraí, na Zona Norte do Rio, pretende ampliar esses serviços para a população refugiada na cidade. E busca uma parceria com a Acnur para capacitar essas pessoas.


A participação de refugiados no desfile das escolas de samba, um evento icônico, também é uma forma de celebrar a inclusão na sociedade brasileira.

No Brasil, há mais de 62 mil refugiados de mais de 50 nacionalidades. Na cidade são cerca de 1.200 pessoas de várias nacionalidades.


G1


www.miguelimigrante.blogspot.com




Há racismo embutido nas práticas de acolhimento de refugiados na Europa, diz professora

 


A resposta dos países europeus à chegada de refugiados da guerra na Ucrânia é, em geral, positiva. Muitos têm sido recebidos de forma solidária pelos vizinhos, recebendo ajuda humanitária, além do auxílio jurídico por parte dos governos. No entanto, esse tipo de acolhimento não foi observado em outras ocasiões, onde imigrantes vindos de outros locais encontraram dificuldades para se estabelecer nas nações europeias, afirmou a socióloga, professora, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos e coordenadora acadêmica da cátedra Sérgio Vieira de Mello, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Svetlana Ruseishvili.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (11), a especialista afirmou que os altos números de pessoas fugindo da Ucrânia (cerca de 4,5 milhões de refugiados em países europeus) e em deslocamento interno no país (cerca de 7,1 milhões), demonstram uma crise. Mas, do ponto de vista do acolhimento desses cidadãos, a resposta positiva impede que exista um agravamento da situação. “No ponto de vista dos números é uma grande crise, mas no ponto de vista da acolhida dos refugiados ucranianos na Europa, eu não diria que por enquanto é uma crise. Agora, tudo isso pode mudar, se a guerra continuar e demorar”, disse Ruseishvili. Os números foram divulgados pela ACNUR.

A recepção dos ucranianos tem sido diferente da de pessoas de diferentes regiões do planeta em outras ocasiões, como a crise de refugiados que atingiu a Europa em 2015.

Todos os pesquisadores têm ressaltado a questão de que há uma seletividade no acolhimento das pessoas refugiadas na Europa. De fato, a gente vê esse contraste muito grande quando a gente discute sobre 2015, a tal chamada de crise dos refugiados na Europa – crise porque os países europeus não estavam desejando receber essas pessoas, principalmente pessoas do Norte da África e do Oriente Médio. Hoje, nós temos uma resposta totalmente diferente. Isso tem a ver com um racismo embutido nas práticas de acolhida dos refugiados na Europa? Certamente sim, mas também há outras questões envolvidas.

Svetlana Ruseishvili

“As pessoas ucranianas são uma população europeia, o conflito acontece no território europeu, então essa proximidade linguística e cultural também despertam uma certa soliedariedade horizontal, soliedariedade popular, daquelas pessoas que a gente vê que estão acolhendo os refugiados dentro das suas próprias casas, o que talvez não aconteça com grupos que vêm de outras regiões. De qualquer maneira, isso não é desculpa para continuar com essas políticas seletivas de acolhida. A gente precisa tomar esse momento atual como um precedente para que as políticas de acolhida humanitária sejam iguais, igualitárias, para todas as pessoas que estão precisando de proteção”, afirmou a socióloga e pesquisadora.

CNNBrasil

www.miguelimigrante.blogspot.com

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Vários migrantes desaparecidos em mais um naufrágio no Mediterrâneo

 O navio da Sea Watch resgatou cerca de 210 migrantes nas últimas 24 horas e relatou o desaparecimento de várias dezenas de pessoas após um novo naufrágio no Mediterrâneo central.

Quinto resgate realizado pela ONG em 24 horas e, no total, 210 migrantes foram resgatados

Foto: Carlos de Saá/EPA/Arquivo

A Sea Watch informou nas suas redes sociais que num dos resgates realizados pelo navio Sea Watch 3, no domingo, conseguiu salvar 34 pessoas, muitas das quais tinham caído ao mar devido ao naufrágio da embarcação em que viajavam. Os sobreviventes contaram que havia 53 migrantes no barco quando deixaram a Líbia.

Este foi o quinto resgate realizado pela ONG em 24 horas e, no total, 210 migrantes foram resgatados.

"Muitos precisam de cuidados médicos urgentes", acrescentaram os elementos da Sea Watch.

Esta ONG denunciou que apenas na semana passada mais de 100 pessoas morreram em naufrágios no Mediterrâneo central.

A chegada do bom tempo está a contribuir para o aumento das travessias.

Nas últimas 24 horas, 510 pessoas chegaram à ilha de Lampedusa (no sul da Itália) a bordo de 12 pequenas embarcações. O centro de receção de migrantes, que estava praticamente vazio, abriga agora 831 pessoas em dois dias.

Os migrantes que desembarcaram em Lampedusa saem principalmente do Egito, Síria, Sudão, Somália, Níger e Eritreia.

.jn.pt/mundo

www.miguelimigrante.blogspot.com


Os bispos EUA, respeitada a dignidade dos migrantes

 A decisão da administração Biden: a partir de 23 de maio, a legislação em vigor desde março de 2020, no início da pandemia da Covid, que permitia rejeitar migrantes e requerentes de asilo por causa da emergência sanitária, será suspensa.


Fronteira Estados Unidos 

Em 1º de abril, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças emitiram uma ordem muito clara: a partir de 23 de maio, termina os efeitos do chamado Título 42, uma medida desejada pelo predecessor Trump no início da pandemia de Covid e que permitiu limitar a imigração para os Estados Unidos invocando a emergência sanitária. "Aplaudimos o fim desta política prejudicial", é o comentário de dom Mario E. Dorsonville, bispo auxiliar de Washington e presidente do Comitê sobre Migração da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.

Mais de um milhão de migrantes expulsos


Originalmente promulgada com o suposto objetivo de reduzir a transmissão da Covid-19, esta política levou à deportação de mais de um milhão de migrantes pelo Departamento de Segurança Nacional dos EUA em dois anos, incluindo muitas crianças e famílias em busca de asilo. Na implementação desta legislação, os procedimentos normais de imigração foram evitados e contornados todos os procedimentos de processos justo, em favor da repatriação forçada, inclusive de indivíduos e grupos familiares que fogem de perseguições ou violações graves de seus direitos fundamentais, a maioria deles de países centro-americanos.

Bispos: sim à imigração segura, ordenada e humana


“Meus irmãos bispos e eu, ao longo da fronteira EUA-México, defendemos há muito tempo políticas que são apoiadas por sólidas motivações científicas, que respeitem a dignidade inerente dos migrantes, que preservem a vida humana", continuou dom Dorsonville, "todos reconhecendo o direito das nações de manter suas próprias fronteiras". "Qualquer aumento percebido ou real de migrantes vulneráveis que procuram refúgio em nossas fronteiras nos próximos meses não será um resultado direto desta mudança", disse ele, "muitos já estão à nossa porta, incapazes de aproveitar a oportunidade de buscar proteção de acordo com as leis estadunidenses e internacionais". A perseguição, a violência, os desastres naturais e outras causas de migração continuarão a forçar as pessoas a buscar proteção até que sejam feitos esforços mais vigorosos para enfrentá-los.

Plano abrangente de fronteira urgentemente necessário


"Exortamos a administração Biden a implementar um plano abrangente para a fronteira que garanta um tratamento humano de todas as pessoas e respeite sua dignidade dada por Deus, salvaguardando ao mesmo tempo o justo processo", insistiu o bispo. "Isto só pode ser alcançado com sucesso através de uma estreita coordenação entre o governo central, as comunidades fronteiriças e a sociedade civil em todo o país, particularmente as organizações que prestam apoio humanitário. "Em menos de uma semana celebraremos a solenidade da Páscoa". Enquanto preparamos nossos corações para encontrar o sacrifício final de Cristo, reflitamos sobre seu amor inabalável por nós e permitamos que Ele nos leve a essa mesma efusão de caridade diante dos desafios de nosso tempo", concluiu dom Dorsonville.


Radio Vaticano

www.miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 9 de abril de 2022

Carestia devido à guerra pode matar milhões na Etiópia. Apelo urgente por ajuda

 "Neste momento crítico, pedimos desesperadamente à comunidade internacional que tome medidas rápidas para salvar milhões de pessoas da morte no Tigray, antes que atinja um nível irreversível", é o apelo à comunidade internacional o bispo da Eparquia católica de Adigrat, Dom Tesfaselassie Medhin.

Homens carregam um saco de trigo durante uma distribuição de alimentos do Programa Mundial 
foto Afp

“As ajudas que conseguem chegar, depois da trégua militar promovida pelo primeiro-ministro Abiy, não está mudando a vida das pessoas sitiadas, faltam ainda todos os serviços básicos. Alimentos, remédios, todas as formas de comunicação, os salários estão suspensos, os bancos fechados, não há livre circulação de e para Tigray”.

É o que denuncia o bispo da Eparquia católica de Adigrat, Dom Tesfaselassie Medhin, ao comentar a devastadora guerra genocida que está em andamento na região etíope desde 3/4 de novembro de 2020.

Por meio de uma carta pastoral enviada à Agência Fides, o eparca dirige-se a todos os parceiros da comunidade internacional e agências das Nações Unidas e lança um apelo por uma rápida intervenção de ajuda humanitária em favor de milhões de pessoas que estão morrendo por causa da carestia que esta guerra provoca.

“Esta crise devastadora supera toda imaginação, com massacres genocidas de civis, estupros e violências baseada de gênero, saques, incêndios, destruição de casas, locais de culto, escolas, instalações de saúde. Tudo foi destruído”.

“De acordo com o relatório da UNOCHA de 15 de novembro de 2021 - Dom Medhin - 1,7 milhão de crianças no Tigray foram privadas de educação nestes dois anos."

O prelado pede a retirada das forças de ocupação para permitir o regresso dos deslocados internos às suas aldeias e um diálogo pacífico para pôr fim aos crimes em curso. “Ainda estamos chocados e horrorizados com os atos de crimes brutais que mataram onze pessoas, incluindo nove tigrinos, que foram queimados vivos em 3 de março de 2022 na região de Benishangul-Gumuz. É trágico e inaceitável ver mães, crianças e adultos morrerem a cada minuto porque são privados do direito à vida e dos serviços básicos que Deus lhes concede. O nosso é um ulterior apelo a todas as comunidades internacionais interessadas e competentes. Caso contrário, que o mundo se prepare para ver pilhas de carcaças humanas na região de Tigray, vítimas de uma carestia evitável”.

"Neste momento crítico, pedimos desesperadamente à comunidade internacional que tome medidas rápidas para salvar milhões de pessoas em Tigray da morte, antes que atinja um nível irreversível".

Na carta pastoral, a eparca invoca a paz para a população sofredora do Tigray, da Etiópia e do mundo e agradece a todos os atores envolvidos no campo entre “indivíduos, instituições, governos, que estão trabalhando incansavelmente para trazer um vislumbre de esperança à população”.

Em um relatório recente do OCHA, é ressaltado que os serviços de saúde foram prestados a mais de 26.500 pessoas na região etíope em uma semana, mas estima-se que 3,9 milhões de pessoas precisam de cuidados de saúde.

*Com Agência Fides

Radio Vaticano

www.miguelimigrante.blogspot.com

Na ONU, ativista brasileira destaca pobreza de mulheres negras e chefes de família

 Uma ativista brasileira foi convidada para participar, em março, da 49a. Sessão do Conselho de Direitos Humanos. Este é o evento mais importante do órgão de 47 países-membros, que também ouve representantes da sociedade civil e do setor privado.

Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola, contou que falou ao Conselho para reforçar as vozes que atuam contra o racismo, com destaque para aquele sofrido pelas mulheres, além de resgatar aspectos do Plano de Ação da Declaração de Durban, assinado em 2001. 

Marcha contra o racismo de violência em Brasília.
Pnud/Tiago Zenero
Marcha contra o racismo de violência em Brasília.

Violência racial

Ela disse ao Conselho de Direitos Humanos que a população negra no Brasil aind vive em condições precárias e com muitos desafios. Em seu discurso, Lucia Xavier lembrou que o país é o segundo maior em concentração de afrodescendentes fora do continente africano, somando 54% da população.

Ao conversar com a ONU News, do Rio de Janeiro, sobre sua participação em Genebra, ela citou uma estatística: entre as 41 mil pessoas assassinadas no Brasil em 2021, 77% eram afrodescendentes.  Para ela, o tema merece uma reflexão profunda.

“Não estamos sendo considerados em nenhuma fase da discussão ou dos debates necessários na formação de políticas públicas que permita que tenhamos algum tipo de defesa ou proteção que não se relacione aos crimes tratados por esses órgãos. Mesmo que se relacionasse aos crimes, matar e encarcerar não pode ser a medida pública para uma sociedade como a nossa, que se coloca como democrática.”

Matar e encarcerar não pode ser a medida pública para uma sociedade como a nossa, que se coloca como democrática. - Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola

Lúcia Xavier também destacou a vulnerabilidade das mulheres negras brasileiras e os constantes desafios encontrados por elas, que são as principais vítimas de violência, desde a física até a da falta de recursos e serviços que permitam a mudança do estado delas na sociedade.

“Mulheres negras são aquelas que, num país como o nosso, como mão-de-obra precária. O tipo de trabalho que elas executam não tem nenhum tipo de suporte de serviços que as apoiam. Não tem creche suficiente, pré-escola ou escola em tempo integral para que elas possam ir e vir do trabalho. [...] ou mesmo a ampliação da educação de jovens, mesmo aqueles já oferecidos pelas ONGs, mas que sejam constantes nas vidas delas. Para completar, elas são as principais vítimas de violência intrafamiliar, no espaço urbano, nas instituições, por isso colocamos as mulheres negras em prioridade em tudo que fazemos.”

Elas são as principais vítimas de violência intrafamiliar, no espaço urbano, nas instituições, por isso colocamos as mulheres negras em prioridade em tudo que fazemos. - Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola

Segundo Lúcia Xavier, no Brasil, muitas mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza e correspondem a 63% das chefes de família com renda de até US$ 87 mensais, o que soma cerca de 8 milhões de brasileiras.

Futuro

A coordenadora da ONG Criola acredita que as mulheres podem ser fundamentais para alcançar mudanças importantes contra o racismo. Ela afirma que a perspectiva feminina pensa no bem comum, importante elemento na construção de “sociedades melhores e mais harmoniosas, pelas causas coletivas”.

Ao afirmar que o racismo é um problema visto em todo o mundo, ela observa de forma positiva algumas ações que foram implementadas no decorrer das últimas décadas para mitigar o problema.

Marcha contra a discriminação racial na Carolina do Norte, EUA.
Unsplash/Clay Banks
Marcha contra a discriminação racial na Carolina do Norte, EUA.

 

Nas Américas, ela cita os censos, que afirma ser fundamental para avaliar o futuro nesses lugares e prover condições de vida para esses grupos. Segundo a brasileira, as pesquisas também permitem enxergar outros grupos que precisam de suporte e proteção dos direitos humanos.

Cotas

Lúcia Xavier falou ainda da política de cotas no Brasil. Para ela, as medidas fornecem mais conhecimento à população negra e “quebra ciclos de trabalho precário”.

Mas, segundo ela, as iniciativas ainda não são suficientes para impedir o que classificou de “processo de violência do Estado”. 

Ela afirma que é necessária uma mobilização dos governos para a erradicação da violência racial, que ela avalia ser produzida por “práticas institucionalizadas de governos”.

“Ganhamos nessas políticas, mas perdemos na violência, na falta de serviços e na desigualdade”, concluiu a coordenadora geral da ONG Criola

Onunews

www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Maior progresso na diversidade e inclusão é essencial para reconstruir locais de trabalho produtivos e resilientes

 


Uma em cada quatro pessoas não se sente valorizada no trabalho e aquelas que se sentem incluídas estão em cargos mais altos, de acordo com um novo relatório sobre diversidade e inclusão da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Altos níveis de igualdade, diversidade e inclusão estão associados à maior inovação, produtividade e desempenho, recrutamento e retenção de talentos e bem-estar da força de trabalho. No entanto, a pesquisa do relatório descobriu que apenas metade das pessoas entrevistadas disse que a diversidade e a inclusão foram suficientemente identificadas e que dispunham de recursos suficientes para fomentar cultura e estratégia de seus locais de trabalho. Atualmente, apenas um terço das empresas mede a inclusão, embora isso seja essencial para o progresso.

Estudos anteriores sobre diversidade e inclusão tendem a se concentrar em grandes empresas, muitas vezes multinacionais, em países ocidentais de alta renda. O novo relatório, Transforming Enterprises through Diversity and Inclusion , concentra-se em empresas de todos os tamanhos em economias de renda média-baixa e média-alta e reúne informações de uma gama diversificada de funcionários(as), gerentes e executivos(as) seniores. O estudo reflete a variedade em idade, gênero, orientação sexual, grupos étnicos/raciais/religiosos, pessoas com deficiência e pessoas com HIV.

O estudo descobriu que o sentimento de inclusão no local de trabalho estava mais associado à senioridade do que a antecedentes pessoais ou características como idade, sexo ou etnia/raça/religião. O estudo mostrou que 92% dos(as) funcionários(as) seniores disseram que se sentiam incluídos(as) e que a diversidade era respeitada e valorizada no trabalho, em comparação com 76% das pessoas entrevistas de nível inferior. A força de trabalho em empresas de médio, grande porte e multinacionais também foi mais propensa a se sentir mais positiva do que a de pequenas empresas e empresas nacionais.

Um local de trabalho igualitário, diversificado e inclusivo é um fator-chave de resiliência e recuperação."

Manuela Tomei, Diretora, Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT

A diversidade e a inclusão desempenham um “papel crítico… no alto desempenho da força de trabalho, empresas, economias e sociedades globalmente”, destaca o relatório. “Se a inclusão continuar sendo um privilégio experimentado apenas por aqueles em níveis seniores, as empresas correm o risco de perder… benefícios consideráveis.”

Apenas um quarto das pessoas entrevistadas relatou que as mulheres compunham uma proporção importante (40-60%) da alta administração, e um terço disse que não havia pessoas com deficiências no nível sênior. Alguns grupos minoritários também relatam constantemente menos experiências positivas com a inclusão, e esses grupos também tendiam a ser agrupados em níveis subalternos.
“A pandemia da COVID-19 expôs e exacerbou as desigualdades existentes em nossas economias e sociedades. Um local de trabalho igualitário, diversificado e inclusivo é um fator-chave de resiliência e recuperação”, disse Manuela Tomei, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT.

As informações do estudo foram coletadas entre julho e setembro de 2021, durante a pandemia de COVID-19, com mais de 12.000 trabalhadores(as) em 75 países em cinco regiões. Dois terços das pessoas entrevistadas relataram que, desde o início da crise, o nível de foco e ação sobre a diversidade e a inclusão em seus locais de trabalho aumentou. Uma proporção semelhante disse que a pandemia aumentou suas expectativas sobre os(as) empregadores(as) para promover a diversidade e a inclusão.

O relatório diz que a maneira mais provável de influenciar mais empresas a criar mudanças sustentáveis e transformacionais é combinar o argumento econômico para diversidade e inclusão com políticas e estruturas legislativas e valores empresariais solidários.

O estudo descreve quatro princípios-chave para alcançar mudanças transformacionais e sustentáveis que são aplicáveis globalmente e a todos os grupos e níveis da força de trabalho: diversidade e inclusão devem ser uma prioridade e parte da estratégia e da cultura; deve haver diversidade na alta administração; líderes seniores, gerentes e funcionários(as) devem ser responsáveis por seus atos como exemplos a seguir; e as ações devem ser aplicadas em todo o emprego - abrangendo recrutamento, retenção e desenvolvimento.


Os trabalhadores precisam sentir que são valorizados, respeitados, tratados de forma justa e empoderados por meio de práticas empresariais inclusivas, cultura organizacional inclusiva e liderança inclusiva."

Deborah France-Massin, Diretora, Escritório da OIT para Atividades dos Empregadores

“A OIT está trabalhando com os constituintes para melhorar os níveis de diversidade e inclusão nos locais de trabalho”, disse Deborah France-Massin, diretora do Escritório da OIT para Atividades dos Empregadores. “Os trabalhadores precisam sentir que são valorizados, respeitados, tratados de forma justa e empoderados por meio de práticas empresariais inclusivas, cultura organizacional inclusiva e liderança inclusiva. É essa abordagem transformacional da diversidade e inclusão que traz contribuições significativas para o desempenho geral dos negócios.”

O novo relatório da OIT define “inclusão” como a experiência que as pessoas têm no local de trabalho e a medida em que se sentem valorizadas por quem são, as habilidades e experiências que trazem e a medida em que têm um forte sentimento de pertencimento com os outros no trabalho.

O relatório foi compilado usando dados coletados pelo Escritório para Atividades dos Empregadores (Bureau for Employers’ Activities - ACT/EMP ) e o Departamento de Gênero, Igualdade, Diversidade e Inclusão (Gender, Equality, Diversity and Inclusion Branch -GEDI ) da OIT, trabalhando com organizações patronais e empresariais e redes de diversidade.

.ilo.org

www.miguelimigrante.blogspot.com