quinta-feira, 13 de maio de 2021

Desejáveis e indesejáveis: os paradoxos no acolhimento de migrantes venezuelanos

 


Mais um estudo de grande relevância sobre a questão migratória na Amazônia acaba de ser defendido como tese de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos. De autoria de Iana dos Santos Vasconcelos, egressa da Universidade Federal de Roraima, a tese foi orientada pelo professor doutor Igor José de Renó Machado e contou com a arguição do professor doutor João Carlos Jarochinski Silva, referência nos Estudos Migratórios do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras – PPGSOF/UFRR

Fruto de quatro anos pesquisa, a tese indica que a “acentuação da migração venezuelana a partir de 2015 é fruto de um processo histórico consolidado por diferentes pontos de vista, múltiplos interesses, disputas e relações de poder”. Desta forma, as migrações e outras formas de deslocamentos, “não podem ser analisadas desassociadas das formas de dominação, poder e da produção de desigualdades inerentes à estruturação do capitalismo global”, afirma a pesquisadora.

Grande conhecedora do contexto migratório da Amazônia, Iana apontou na sua tese doutoral alguns mecanismos que provocam as migrações, de modo especial entre países transfronteiriços na América do Sul e conclui que se trata “da escassez de alimentos e da instabilidade político-econômica na Venezuela, decorrentes dos antagonismos entre o governo bolivariano e as potências mundiais em torno do controle do petróleo”, dentre outros fatores de expulsão.

Em seu texto denso e potente, a pesquisadora afirma que “o percurso terrestre descortina especificidades do deslocamento humano na Amazônia setentrional. Integradas no seu isolamento, Boa Vista e Manaus revelaram-se como extensão da faixa de fronteira Brasil e Venezuela. Não por acaso, a estrutura implementada pela Operação Acolhida em Pacaraima foi reproduzida, posteriormente, em ambas as cidades. A observação das iniciativas de acolhimento demonstra a existência de um continuum entre as cidades. As diferenças destacadas no decorrer da tese não implicam, necessariamente, em formas divergentes de acolhimento, mas em reconfigurações locais que reproduzem as mesmas contradições globais”.

Para a pesquisadora, “dicotomias como segurança/humanitarismo, problema/oportunidade se interseccionam e produzem paradoxos no acolhimento dos/as recém-chegados/as”. Nas duas extremidades da questão abordada, “os/as manauaras e boa-vistenses enxergam e nomeiam os cidadãos do país vizinho com um olhar bifurcado entre pares de oposição: são vítimas para uns e agressores para outros; vulneráveis para alguns e aproveitadores/as para os contrários”.

Dentre as contradições no contexto migratório, a pesquisadora destaca a condição de “desejáveis e indesejáveis”, categorias amplamente utilizadas para explicar as migrações em nível mundial.  “Melhor receber doações como vulnerável do que despertar desconfiança como aproveitador/a. Mais desejável enquanto vítima de um governo ou de uma conspiração internacional do que potencial transgressor de costumes e legislações. Por certo que as condições de desejável ou indesejável são altamente intercambiáveis. Em larga medida, estão associadas a duas modalidades de agência do/a migrante: poner-se arrecho (fazer-se de bravo) ou poner-se pendejo (fazer-se de manso)”, quase que como uma estratégia de sobrevivência, afirma a doutora.

Sob o viés antropológico, a pesquisadora analisa o “acolhimento enquanto ato de hospitalidade que acontece enquanto uma relação assimétrica entre anfitrião e hóspede, entre quem dá e quem recebe. Aquele que recebe dificilmente conseguirá retribuir da mesma maneira. A dádiva ofertada carrega consigo os interesses de quem doa e define uma relação de poder com quem recebe”.

Vasconcelos conclui que “no âmbito do acolhimento institucional, seja ele privado ou governamental, a recusa do/a migrante em receber alimento ou mesmo a recusa de ficar instalado/a no abrigo pode ser encarada pelos/as brasileiros/as de forma depreciativa, contribuindo para manter o/a migrante indesejável. Na economia moral das dádivas, o abrigo é encarado como uma dádiva irrecusável. A dádiva-abrigo, sob a ótica da obrigação, deve ser recebida e retribuída com gratidão e sujeição ao controle social.

Na percepção de quem oferta, nada poderia ser pior que a condição de vida precária no país de origem”. Contudo, “no cotidiano do acolhimento institucional, o que prevalece é o pragmatismo do cumprimento de metas, a despeito da necessidade de quem é atendido/a. No campo da cooperação internacional, a disputa pelos recursos financeiros está diretamente ligada à capacidade de demonstrar resultados em conformidade com os interesses de quem financia”, afirma a pesquisadora.

O tema da captação de recursos internacionais voltados para o acolhimento aos migrantes também é abordado pela autora que conclui tratar-se de uma dinâmica que “obedece a lógicas de uma governança global das vulnerabilidades. Os embargos internacionais contra a economia venezuelana, parcialmente responsáveis pelo surgimento da emergência humanitária, não excluem a oferta de ajuda humanitária. De algozes a clementes, países como os EUA forjam imparcialidade solidariedade universal que encobre a manutenção de poderes e interesses de pretensões hegemônicas”.

O tema da governança da questão migratória emerge com força na tese e a autora afirma que “essa governança das vulnerabilidades atravessa fronteiras e mobiliza uma rede de serviços especializados em causas humanitárias que disputam campos de atuação num mercado altamente competitivo, regido por padrões internacionais.

Nesse nicho de atividade, foi possível perceber uma disputa pelo protagonismo nas ações de acolhimento interseccionada com o fenômeno religioso. Contrastantes ideologias e práticas cristãs competem pela oferta de uma “mão amiga” ao próximo bem como pela captação de recursos financeiros e almas”. Nesta dinâmica, “instrumentos criados para proteger e assegurar os direitos humanos dos/as venezuelanos/as transformam-se constantemente em mecanismos de repressão contra os próprios migrantes” afirma.

A autora lida também com o tema da interiorizaçãoque implica numa logística de redistribuição dos migrantes enviados para outros estados da federação.   Para “a interiorização revela como as práticas de controle da mobilidade humana podem ser embaralhadas por intencionalidades humanitárias.

Apesar de aparecer como um termo novo no vocabulário das iniciativas governamentais brasileiras destinadas à migração, a prática da interiorização é antiga. O deslocamento dos/as indesejáveis para outras cidades, em outras regiões do país, também foi acionado como resposta à migração haitiana, como bem recordam representantes de instituições de acolhimento em Manaus naquele período”.

A pesquisadora classifica como “antipolítica migratória” todo o aparato do Estado Nacional voltado para “políticas temporárias, amparadas na tutela, na restrição de agência do/a migrante, sem maiores preocupações com a permanência em longo prazo dessas pessoas no território nacional”. Desta forma, a permanência das ações emergenciais tem impedido a criação de políticas migratórias permanentes.

Para a pesquisadora “por mais que as entidades religiosas se esforcem para promover integração laboral e sociocultural de migrantes, por mais que os/as venezuelanos/as consigam empreender, estudar e sobreviver por conta própria, falta o comprometimento das autoridades locais, estaduais e federais em propiciar canais permanentes para garantir vida plena à população migrante diante de um país desconhecido com seus próprios dilemas sociais, políticos, econômicos e culturais”, conclui.

O texto na sua íntegra será brevemente publicado no banco de teses da UFSCar (https://www.bco.ufscar.br/fontes-de-informacao/teses-e-dissertacoes) e poderá ser acionado para ampliar os estudos migratórios na Amazônia. Felicitações e gratidão à nova doutora em Antropologia Social por sua excelente contribuição à produção da ciência na Amazônia.

*Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

amazonasatual.

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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Militares retornam a São Paulo após cinco meses acolhendo imigrantes venezuelanos em Roraima

 


Os últimos integrantes do Comando Militar do Sudeste (CMSE) que estavam em Roraima na Operação Acolhida retornam ao Estado de São Paulo nesta sexta-feira (14), às 15h30. Os militares pousarão na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP).

No total, 562 militares do CMSE integraram o 10º contingente da Força-Tarefa Logística Humanitária para o Estado de Roraima, que acolhe, abriga e interioriza migrantes e refugiados venezuelanos.

Para não causar aglomeração e respeitar o distanciamento social exigido pela pandemia de Covid-19, o retorno foi dividido em cinco voos. O primeiro ocorreu no dia 21 de abril e os demais, nos dias 1º, 4 e 7 de maio. Ao chegarem em São Paulo, os militares foram submetidos a uma rigorosa inspeção de saúde.

A missão durou cerca de cinco meses. De janeiro a maio, os militares do CMSE atuaram de modo a garantir atendimento humanitário aos migrantes e refugiados venezuelanos em Roraima, principal porta de entrada da Venezuela no Brasil. Agora, os integrantes do Comando Militar do Sul (CMS) assumirão a força-tarefa.

Operação Acolhida

Criada em 2018 para oferecer assistência emergencial aos migrantes e refugiados venezuelanos que entram no Brasil pela fronteira com Roraima, a Operação Acolhida conta com o apoio das Forças Armadas, de agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e de mais de cem entidades da sociedade civil.

Desde o início da operação, mais de 265 mil migrantes e refugiados venezuelanos solicitaram regularização migratória; mais de 890 mil atendimentos foram realizados na fronteira; quase 130 mil pedidos de residência foram registrados; mais de 217 mil atendimentos sociais foram realizados; mais de 255 mil CPFs foram emitidos; mais de 400 cidades receberam migrantes e refugiados venezuelanos; mais de 50.400 migrantes e refugiados venezuelanos foram interiorizados; e mais de 4 mil militares participaram das ações.

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Defensoria Pública da União emite nota onde repudia vídeo do prefeito de Criciúma sobre Casa de Passagem

 

Foto: Mariana Carraro/DPU

Em vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta segunda-feira (10) o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, afirmou que as cerca de 20 pessoas que estão na Casa de Passagem do Município serão encaminhadas para postos de trabalho ainda na manhã de hoje. Conforme o prefeito, o local que serve de auxílio de pessoas em situação de rua está abrigando alguns a mais de seis meses.

O assunto repercutiu e chegou a Defensoria Pública da União (DPU) que emitiu nota repudiando o vídeo. Conforme a DPU desde o ano de 2017, o órgão vem recebendo inúmeras denúncias por parte de brasileiros e de estrangeiros no sentido de que a Casa de Passagem estaria funcionando de forma irregular, sem o corpo de funcionários adequado, com o constrangimento de pessoas ao trabalho obrigatório junto ao Município para que pudessem ter o direito ao pernoite no local e com a expulsão dos migrantes estrangeiros que estivessem ali abrigados.

Confira a nota na íntegra

A Defensoria Pública da União (DPU) vem a público repudiar a manifestação do prefeito do Município de Criciúma, sr. Clésio Salvaro, divulgada em vídeo publicado no dia 10/05/2021, na página pessoal do prefeito no Instagram, no qual informa que o acolhimento de pessoas na Casa de Passagem de Criciúma está condicionado ao trabalho por parte do cidadão e que aquele que não obedecer à ordem municipal será expulso do local de acolhimento, sob argumento de que não lhe cabe “sustentar malandros”.

Desde o ano de 2017, a DPU vem recebendo inúmeras denúncias por parte de brasileiros e de estrangeiros no sentido de que a Casa de Passagem estaria funcionando de forma irregular, sem o corpo de funcionários adequado, com o constrangimento de pessoas ao trabalho obrigatório junto ao Município para que pudessem ter o direito ao pernoite no local e com a expulsão dos migrantes estrangeiros que estivessem ali abrigados.

Em virtude das ilegalidades relatadas, a DPU ajuizou Ação Civil Pública requerendo o restabelecimento do serviço de proteção social, no formato previsto em norma federal, e a determinação de acolhimento da população vulnerável sem que esta fosse coagida a trabalhar gratuitamente para o Município em troca do serviço público que lhe era oferecido, bem como que os migrantes estrangeiros, em sua grande maioria africanos e haitianos, fossem abrigados sem qualquer discriminação de origem nacional ou de cor.

O Juízo da 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Criciúma, no julgamento da ação proposta, reconheceu que ficou provada “a séria violação dos direitos fundamentais da população vulnerável que depende do serviço público de abrigamento e fornecimento de refeições na Casa de Passagem São José” e afirmou, ainda, que “houve um manifesto desmonte da estrutura da Casa de Passagem pela municipalidade, inclusive com exclusão injustificada de estrangeiros lá abrigados”.

Com base nesses argumentos, o Juízo Federal determinou que o Município de Criciúma desse cumprimento integral à norma federal que regula o funcionamento da Casa de Passagem, bem como o condenou ao pagamento de indenização pelo dano moral coletivo, no montante de R$ 200.000,00.

A Defensoria Pública da União esclarece que a Casa de Passagem foi criada para oferecer serviço essencial de abrigamento e de oferta de alimentação às pessoas em situação de vulnerabilidade social ou em situação de rua, extremamente fragilizadas pela miséria e pela exclusão que as levaram a contar com tal serviço de assistência social.

Ressalte-se que se mostra absolutamente ilegal a coação de acolhidos ao trabalho para que tenham acesso à Casa de Passagem, pois a oferta do abrigamento às pessoas carentes e necessitadas é um serviço público essencial e dever do Município, que é custeado por verba pública municipal e federal, advinda dos tributos pagos por toda a população.

Por fim, a Defensoria Pública da União manifesta seu compromisso com a garantia dos Direitos Fundamentais das pessoas carentes, especialmente fragilizadas pela fome e pela miséria que restou agravada no Brasil pela pandemia de covid-19, e informa que tomará todas as medidas judiciais cabíveis para o integral cumprimento da sentença proferida, a fim de que o Município de Criciúma ofereça à população os serviços da Casa de Passagem em conformidade com a norma federal que a criou, sem qualquer coação dos usuários e sem discriminação social, de cor ou de origem nacional dos acolhidos.

Mariana Pereira de Queiroz Carraro
Defensora Pública-Chefe Federal
Defensoria Pública da União em Criciúma (SC)

https://ocp.news/

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terça-feira, 11 de maio de 2021

Mais casos de Covid-19 e vacinação lenta em países pobres ameaçam recuperação econômica

FMI/Ernesto Benavides 

O novo relatório Situação e Perspectivas Econômicas Mundiais, publicado esta terça-feira, informa que, após uma forte contração de 3,6% no ano passado, a economia global deve crescer 5,4% em 2021.  

A perspectiva, mais alta do que era em janeiro, é impulsionada pela China e pelos Estados Unidos. Em meio a vacinações rápidas e medidas de apoio fiscal e monetário, as duas maiores economias do mundo estão no caminho da recuperação. 

Perspectivas  

A pesquisa, realizada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa, afirma que o aumento das infecções por Covid-19 e o progresso lento da vacinação em muitos países ameaçam uma recuperação ampla da economia mundial.  

Unsplash/Zhang Kaiyv
Pesquisa afirma que controle da pandemia e apoio fiscal e monetário estão ajudando economia de países como a China

As perspectivas de crescimento em vários países do sul da Ásia, África Subsaariana e América Latina e Caribe permanecem frágeis e incertas. Para muitas economias, a produção só deve retornar aos níveis anteriores à pandemia em 2022 ou 2023. 

Em comunicado, o economista-chefe da ONU, Elliott Harris, disse que “a desigualdade de vacinas entre países e regiões representa um risco significativo para uma recuperação global já desigual e frágil.” 

Segundo ele, “o acesso oportuno e universal às vacinas significará a diferença entre acabar com a pandemia rapidamente e colocar a economia mundial na trajetória de uma recuperação resiliente, ou perder muitos mais anos de crescimento, desenvolvimento e oportunidades.” 

Desigualdade 

O comércio global de mercadorias já ultrapassou os níveis pré-pandêmicos, impulsionado pela forte demanda por equipamentos elétricos e eletrônicos, equipamentos de proteção individual e outros produtos manufaturados. 

Economias dependentes de manufatura tiveram melhor desempenho, tanto durante a crise quanto no período de recuperação. Mas uma recuperação rápida parece improvável para economias dependentes de turismo e commodities. 

O comércio de serviços, em particular o turismo, deve continuar em baixa devido ao levantamento lento das restrições às viagens internacionais e ao medo de novas ondas de infecção em muitos países em desenvolvimento. 

Mulheres 

As mulheres estão na vanguarda da luta contra a pandemia, mas também foram atingidas com mais força de várias maneiras, incluindo o impacto do trabalho doméstico e de cuidados não remunerados. 

Segundo a pesquisa, elas continuam subrepresentadas na tomada de decisões relacionadas à crise de saúde e nas respostas de política econômica. 

A pandemia reduziu a participação da força de trabalho em 2%, em comparação com apenas 0,2% durante a crise financeira global de 2007-2008. Além disso, mais mulheres do que homens foram forçados a deixar a força de trabalho, ampliando ainda mais as diferenças de gênero no emprego e nos salários. 

Man Aihua
Mulheres trabalhadoras do departamento de medicina esportiva do Hospital Shenzhen Second

As empresas pertencentes a mulheres também se saíram desproporcionalmente piores. 

Recuperação  

O chefe da o Departamento de Monitoramento Econômico Global do Desa, Hamid Rashid, disse que “a pandemia empurrou quase 58 milhões de mulheres e meninas para a pobreza extrema, dando um grande golpe nos esforços de redução da pobreza em todo o mundo.” 

Além disso, exacerbou as disparidades de gênero na renda, riqueza e educação, impedindo o progresso na igualdade de gênero. 

Para Rashid, “as medidas fiscais e monetárias para orientar a recuperação devem levar em conta o impacto diferenciado da crise em diferentes grupos da população, incluindo mulheres, para garantir uma recuperação econômica que seja inclusiva e resiliente.” 

Onunews

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Plataforma oferece cursos e oportunidades para migrantes empreendedores no Brasil

 


Empreendedorismo e a manutenção dos pequenos negócios são atividades cada vez mais buscadas pelos migrantes no Brasil. Com o objetivo de oferecer conteúdo em espanhol e oportunidade de crescimento para microempreendedores venezuelanos e para migrantes de outros países vizinhos que residam no Brasil, a Aliança Empreendedora e a Organização Internacional para Migrações (OIM) lançam a plataforma Estamos Juntos. O site oferece cursos gratuitos, vídeoaulas, artigos e ferramentas de gestão dos negócios.

O conteúdo exclusivo sobre dicas de como gerenciar um negócio em tempos de crise é fornecido em espanhol e disponibiliza certificado aos participantes. Grande parte dos migrantes que buscam empreender no Brasil e que podem ter acesso ao curso vêm da Venezuela, porém o conteúdo beneficiará outros migrantes de países latino-americanos que se estabelecem no Brasil, vindos de países como Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e Chile, entre outros. “Ter uma plataforma de cursos 100% online para pessoas que possuem o espanhol como língua materna e vivem no Brasil é muito positivo para a manutenção dos negócios. Além da facilidade com a língua, os conteúdos foram pensados exclusivamente para os desafios que enfrentam por serem de outras nacionalidades, como as diferenças culturais e dos seus direitos e deveres por empreenderem no Brasil”, comenta a coordenadora do projeto, Cristina Filizzola.

Impacto da pandemia

Pesquisa realizada, entre os meses de maio e julho de 2020, pela PUC Minas em parceria com a Unicamp constatou que os setores que os migrantes mais atuaram antes da pandemia foram o de serviços e comércio. No período, os entrevistados afirmaram que tiveram seus rendimentos afetados pela crise, cerca de 57% disseram que a renda que conseguiam gerar estava muito abaixo dos seus gastos, e só 17% responderam que o que ganham era o suficiente para pagar as contas. Para a gestora sênior de programa da OIM, Michelle Barron, a plataforma pode oferecer novas oportunidades no período de crise. “Esperamos que a plataforma seja disseminada em todas as regiões do país para venezuelanos e migrantes de países vizinhos que buscam desenvolver suas capacidades empreendedoras e assegurar sua autonomia econômica para a nova vida no Brasil, ao mesmo tempo contribuindo com as comunidades de acolhida”, explica.

Como administrar seu negócio durante a crise

curso “Empreender no Brasil: como administrar seu negócio durante a crise” já está disponível. Nas aulas, são apresentadas informações sobre o empreendedorismo no Brasil, como gerenciar finanças em tempos de crise, acesso ao crédito, vendas online, entre outros temas. “A plataforma é acessível para qualquer pessoa que deseje se registrar. Todo o material disponibilizado é direcionado para pessoas iniciantes no empreendedorismo, assim como para aqueles que já possuem seu próprio negócio”, reforça Cristina.

A plataforma é desenvolvida no âmbito do projeto Oportunidades, implementado pela OIM com o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

.abcdoabc.com.br

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

Plataforma R4V auxilia venezuelanos vítimas de incêndio em Manaus

 Fogo no Edifício Eldorado, ocorrido durante o fim de semana, desalojou dezenas de famílias, incluindo refugiados e migrantes venezuelanos que moravam no local

Agências da ONU que fazem parte da Plataforma R4V prestam assistência a refugiados, migrantes e brasileiros vítimas de incêndio em Manaus – Foto © ACNUR Brasil/Felipe Irnaldo

A Plataforma R4V – Resposta a Venezuelanos e Venezuelanas, composta por 48 organizações da sociedade civil e das Nações Unidas – está fornecendo auxílio para 119 pessoas (refugiados, migrantes e brasileiros) vítimas de um incêndio ocorrido neste sábado (08 de maio) na região central de Manaus. A ação é realizada em conjunto com parceiros de sociedade civil, autoridades estaduais e municipais.

Dezenas de famílias que residiam no Edifício Eldorado perderam totalmente seus pertences e ficaram desalojadas após um incêndio consumir o primeiro andar do prédio. De acordo com o Centro de Operações Bombeiro Militar do Amazonas, o primeiro chamado foi registrado às 8h23.

O fogo foi iniciado por um curto-circuito na rede elétrica do imóvel. Dois adultos precisaram de atendimento de emergência, ambos sem gravidade, recebendo alta médica ainda no sábado. Cinco crianças também foram atendidas sem gravidade e receberam alta.

A Plataforma R4V é uma iniciativa regional criada em 2018 para coordenar respostas operativas interagenciais ao intenso fluxo de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela em diversos países América Latina e Caribe.

Durante o fim de semana, equipes das agências da ONU e entidades da sociedade civil que integram a Plataforma R4V estiveram no local para assistir às famílias impactadas, realocar as pessoas em abrigos do Poder Público, distribuir itens emergenciais (como kits de higiene e limpeza e lâmpadas solares), cadastrar os refugiados e migrantes venezuelanos afetados e verificar necessidades adicionais de proteção. Também acompanharam a recuperação dos pertences que não foram destruídos durante o incêndio.

Grupos familiares que se enquadram na estratégia de interiorização do Governo Federal foram identificados e serão apoiados para viajar para outros destinos no Brasil ainda em maio. Parceiros locais da plataforma e suas contrapartes no Poder Público e junto à sociedade civil continuarão assistindo às famílias, dando seguimento aos casos mais sensíveis e assegurando que possam receber assistência e outros tipos de auxílio.

Por meio de uma articulação com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (SEMASC), 10 pessoas foram realocadas para espaços de acolhimento da sociedade civil. Após o incêndio ser controlado, o prédio foi liberado pelo Corpo de Bombeiros, e algumas pessoas optaram por continuar no local – outras foram acolhidas em residências privadas.

Entre as organizações da Plataforma R4V que aturam nesta resposta estão o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), a OIM (Organização Internacional para Migrações), o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ONG Hermanitos, Instituto Mana, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) e Pastoral do Migrante. Entre os parceiros locais estiveram a SEMASC, o Grupo Oasis Casas de Acolhida e a Igreja Ministério Nascidos da Fé.

“Estamos muito agradecidos por não ter acontecido nada mais grave. Foi tudo muito rápido. Estava em casa quando senti o cheiro da fumaça. Quando me dei conta, as chamas já estavam muito altas e o lugar estava muito quente, então só deu tempo de avisar minha cunhada para resgatar as crianças e fugir”, relata a venezuelana Carmen Lezama, de 48 anos, que chegou a Manaus com a família há cinco meses. “Perdemos tudo, vamos ter que recomeçar do zero, mas pelo menos todos com saúde, o que é o mais importante”, lamenta Carmem, cadastrada pelas organizações para receber benefícios nesta semana.

“Estávamos realizando uma atividade com refugiados quase ao lado do edifício quando fomos chamados para responder ao incidente. Chegamos ainda no momento das chamas e articulamos um primeiro espaço para que as famílias impactadas se restabelecessem, bem como trouxemos nossa equipe para apoiar nesse momento”, comenta Túlio Silva, que coordena a ONG Hermanitos.

Incidentes em Manaus – Esta é a segunda resposta de urgência da Plataforma R4V no suporte a refugiados, migrantes e brasileiros em Manaus em eventos adversos ao longo da semana. Na segunda-feira (3), uma inundação devastou as instalações de documentação e de alojamento de trânsito da Operação Acolhida em Manaus.

Na ocasião, cerca de 100 refugiados e migrantes que estavam no alojamento de trânsito da Operação Acolhida – resposta do governo federal ao fluxo de venezuelanos para o país – foram realocados para um abrigo cedido pelo governo do Estado do Amazonas, onde estão sendo assistidos.

Acnur

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Mais de 2000 pessoas chegam a Lampedusa em 24 horas

 

Reuters

Mais de 2000 migrantes chegaram a Lampedusa nas últimas 24 horas, num total de 20 embarcações, o que levou as autoridades da ilha, situada no sul de Itália, a pedir ajuda ao primeiro-ministro, Mário Draghi.

No total, 2128 pessoas chegaram à ilha em vários grupos de migrantes e foram socorridos pela Capitania do porto e pela Guarda Costeira.

Durante a última noite, chegaram à ilha 635 pessoas a bordo de quatro embarcações e, pouco antes da meia-noite, as autoridades marítimas salvaram um barco de pesca com 352 migrantes, que se encontrava a 14 quilómetros da costa.

O centro de receção de Lampedusa, que pode acomodar cerca de 200 pessoas, está cheio e muitos dos migrantes estão à espera na doca de Favarolo, para serem transferidos para outros locais ou para embarcações de passageiros que o Governo italiano providenciou para que passassem a quarentena.

A organização não governamental Alarm Phone avisou no domingo à noite que várias embarcações estavam na zona do Canal da Sicília à espera de ajuda.

"Há ainda vários pedidos de ajuda no Mediterrâneo. (...) Não se pode ignorar o que se tem passado há algum tempo", escreveu a porta-voz em Itália da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Carlotta Sami, na rede social Twitter.

O presidente da câmara de Lampedusa, Totò Martello, já lançou o aviso ao primeiro-ministro de Itália, Mario Draghi, e defende uma intervenção e a realização de "um diálogo" com os países norte africanos, dando prioridade à Líbia.

"Compreendo que a prioridade de Draghi é a pandemia do coronavírus e a crise económica, mas as emergências, quando se pode, como no caso dos migrantes, é preciso preveni-las. A Itália tem de construir uma estratégia. O [primeiro-ministro] tem de se mexer ou corremos o risco de, até ao final do verão, 50.000 pessoas chegarem a esta ilha", explicou Martello.

O secretário-geral do partido de extrema-direita Liga Norte, Matteo Salvini, que faz parte do Governo de unidade nacional que apoia Draghi, apelou a uma reunião urgente para abordar a questão dos fluxos migratórios.

A ministra do Interior, Luciana Lamorgese, contactou o primeiro-ministro no domingo e pediu que colocasse a questão da migração no topo da agenda do próximo Conselho de Ministros.

Este ano, mais de 11 mil migrantes chegaram a território italiano, o triplo do mesmo período do ano passado.


expresso.pt/internacional


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sábado, 8 de maio de 2021

Educação de Criciúma elabora cartilha orientativa sobre estudantes estrangeiros para as escolas municipais



Educação de Criciúma elabora cartilha orientativa sobre estudantes estrangeiros para as escolas municipais

Para contribuir e orientar as escolas municipais de Criciúma como prosseguir com o atendimento dos alunos estrangeiros, a Secretaria Municipal de Educação idealizou e produziu uma cartilha orientativa para as unidades. O material estará disponível nas escolas a partir de segunda-feira (10) e conta com orientações para o acolhimento, matrícula, emissão de documentos e ações pedagógicas.

“As famílias dos alunos estrangeiros sempre buscam as escolas sem os documentos traduzidos. A unidade acaba tendo muitas dúvidas, acerca da enturmação do aluno, da condução das aulas e realização da matrícula, por exemplo. Então, a secretaria pensou em elaborar um documento para que a escola possa fazer uma consulta imediata. A legislação do nosso país garante o acesso à educação, sendo o aluno estrangeiro ou não”, ressaltou a coordenadora pedagógica, Lívia da Silva.

A iniciativa faz parte de três ações voltadas aos estudantes estrangeiros, intitulada ‘Novos caminhos’. Além da entrega das cartilhas, o aluno também terá aulas de Língua Portuguesa no contraturno. “Também contratamos dois professores que lecionarão para os nossos alunos estrangeiros. Os dois profissionais estão visitando as unidades para conhecerem a realidade de cada aluno. A escola é um local de acolhimento e devemos proporcionar isso a todos os nossos alunos e famílias”, ressaltou o secretário municipal de Educação, Miri Dagostim. A previsão do início das aulas é 17 de maio.

/ocp.news/

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Resistência da União Europeia a refugiados deixa mais de 2 mil mortos durante a pandemia

 

Centenas de migrantes de diferentes países estão reunidos na fronteira da Bósnia e Herzegovina com a Croácia, aguardando a oportunidade de seguir para o país da UE, em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina, em 24 de outubro de 2018 [Samir Yordamoviç/Agência Anadolu]

A resistência dos países membros da União Europeia (UE) aos requerentes de asilo e refugiados que buscavam entrar na Europa durante a pandemia de covid-19 causou a morte de mais de 2.000, de acordo com uma reportagem do jornal britânico The Guardian.

A reportagem, baseada em investigações conjuntas com jornais europeus e dados provenientes de várias organizações, revelou que alguns estados da UE têm usado uma série de táticas coordenadas para repelir dezenas de milhares de requerentes de asilo e foram supostamente apoiados pela agência de fronteiras da UE Frontex .

As táticas, que incluem a terceirização de embarcações privadas, o espancamento e abuso de refugiados capturados e o abandono de refugiados no mar, resultaram na morte de cerca de dois mil requerentes de asilo.

Estados como Itália, Malta, Grécia, Croácia e Espanha usaram a pandemia para acelerar agendas linha-dura contra a chegada de requerentes de asilo.

A Croácia é um país importante que usou força física contra os requerentes de asilo, com a reportagem citando tortura, chicotadas, roubo e agressão sexual contra eles nas mãos da polícia croata. Também divulgou estatísticas do Conselho de Refugiados da Dinamarca (RDC, na sigla em inglês), mostrando que a Croácia rejeitou quase 18.000 requerentes de asilo desde o início da pandemia.

Outro importante estado-membro da UE responsabilizado pelas mortes é a Grécia, que foi relatada pela Border Violence Monitoring Network (BVMN) por ter afastado cerca de 6.230 requerentes de asilo desde janeiro do ano passado. O Guardian fez referência ao próprio relatório da BVMN sobre o assunto, mencionando o “uso desproporcional e excessivo da força” das autoridades gregas contra os refugiados.

A reportagem afirmou que “exemplos extremamente cruéis de violência policial documentados em 2020 incluem espancamentos excessivos prolongados (muitas vezes em corpos nus), imersão em água, abuso físico de mulheres e crianças, o uso de barras de metal para causar ferimentos”. Também citou testemunhos que detalhavam como os guardas amarraram as mãos dos requerentes de asilo às grades das celas e colocaram capacetes em suas cabeças antes de espancá-los para evitar hematomas.

LEIA: Malta deve transferir imigrantes em navios de resgate para estados da União Europeia

Outras numerosas violações dos direitos humanos dos guardas de fronteira gregos e a polícia cometidos contra refugiados que tentam entrar na Europa incluem empurrar e atirar em barcos de refugiados, detê-los e torturá-los em locais secretos e escuros, despiu-os e roubou-os antes de enviá-los de volta ao fronteira. Também foi descoberto em agosto que a Grécia expulsou secretamente 1.000 refugiados e os abandonou no mar para se defenderem sozinhos.

De acordo com o serviço de linha direta para migrantes em dificuldades no mar Alarm Phone: “Documentamos tantos naufrágios que nunca foram oficialmente contabilizados e, portanto, sabemos que o número real de mortos é muito maior. Em muitos dos casos, os guardas costeiros europeus recusaram-se a responder – preferiram deixar as pessoas se afogarem ou interceptá-las de volta ao lugar de onde haviam arriscado suas vidas para escapar”. Ele insistiu: “Essas mortes são na Europa”.

Outra estratégia usada foi recrutar navios privados para repelir os refugiados, que Malta, em particular, teria usado e foi evidenciado por mensagens de voz vazadas em maio passado.

A resistência dos requerentes de asilo por países da UE também inclui cooperação com países não pertencentes à UE, como a Líbia, que foi supostamente responsável pelo afogamento de 130 imigrantes perdidos no mar no mês passado, depois que Itália e Líbia supostamente ignoraram um pedido de socorro do barco de imigrantes . Após esse incidente, o Guardian revelou em uma investigação conjunta com o Rai News da Itália e o jornal Domani uma falta deliberada de resposta ao chamado de dois comandantes líbios da guarda costeira e um oficial da guarda costeira italiano.

Em declarações ao jornal, Fulvio Vassallo Paleologo, especialista italiano em direitos humanos e imigração, afirmou: “Nesse contexto, as mortes no mar desde o início da pandemia estão direta ou indiretamente ligadas à abordagem da UE que visa fechar todas as portas da Europa e o aumentar a externalização do controle de migração para países como a Líbia”.

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Bachelet alarmada com ações para minar direitos humanos na América Latina e no Caribe

 

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou para o aumento do número de ameaças, ataques e tentativas de deslegitimar instituições nacionais independentes de direitos humanos na América Latina e no Caribe.  

Segundo Bachelet, esses ataques são conduzidos por governos e indivíduos com poder. 

Relatos 

Nos últimos dois anos, o Escritório de Direitos Humanos da ONU tem recebido reclamações crescentes de instituições, que foram perseguidas e ameaçadas por governos, parlamentares, funcionários e outros grupos apenas por fazerem seu trabalho. 

ONU Bolivia/Hasan Lopez
Palácio do Governo em La Paz, na Bolívia

Os incidentes incluem ameaças ou assédio contra as instituições ou seus funcionários na Bolívia,  no Chile e em El Salvador. Também existem ataques a instalações e funcionários no Haiti e tentativas de destituir o chefe da organização na Guatemala e no México. 

Para a ONU, as declarações públicas que desacreditam o trabalho das instituições no Equador e no Uruguai e cortes no orçamento e levantamento da imunidade do chefe da Indh no Peru são preocupantes. 

A alta comissária expressou ainda preocupação com a incapacidade de nomear um ombudsman na Argentina, há uma década.  

Preocupação 

Michelle Bachelet disse que tantas reclamações, em quase uma dezena de países da região, “é um testemunho notável da tendência de expansão e da magnitude do problema.” 

Segundo ela, “o trabalho de instituições nacionais independentes de direitos humanos é crucial para qualquer sociedade.” 

Ela afirmou, no entanto, que estas organizações “só podem cumprir seu mandato de proteger e promover os direitos humanos se forem capazes de operar sem interferência indevida de governos e outros, e forem capazes de manter sua independência.”  

Olhos 

Se isso não acontecer, ela afirma que “perderão sua credibilidade e legitimidade aos olhos das pessoas que devem servir.” 

Bachelet lembrou que essas instituições, que trabalham em estreita colaboração com os mecanismos da ONU, não devem enfrentar qualquer forma de abuso ou interferência, especialmente pressão política. 

Ela pediu ainda que os governos da região cumpram suas responsabilidades e respeitem e protejam a independência destas instituições.  

Unsplash/Matias Hernan Becerrica
Protestos na capital da Argentina, Buenos Aires, onde a ONU também recebeu relatos de ameaças contra instituições de direitos humanos

Essas responsabilidades estão consagradas nos Princípios de Paris, um conjunto de padrões internacionais mínimos para Indh eficazes e confiáveis, adotado pela Assembleia Geral da ONU em 1993.  

Desafios 

A alta comissária contou que estas instituições podem ser desafios para os governos, porque têm o dever de destacar lacunas na proteção dos direitos humanos, mas disse que os executivos também se podem beneficiar de suas avaliações independentes para resolver problemas nesta área. 

Bachelet apelou às respectivas autoridades para que estabeleçam investigações imediatas, completas, independentes e eficazes sobre todo e qualquer ataque, ato de represália, ameaça ou intimidação contra essas instituições. 

Ela disse ainda que, durante a pandemia, estas organizações têm um papel ainda mais essencial, pois têm o dever adicional de garantir uma resposta com base nos direitos humanos.  

Onunews

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