sexta-feira, 13 de novembro de 2020

DIA DOS POBRES E ELEIÇÕES



Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte MG)
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

 Importantes acontecimentos, emoldurados pela referência histórica da Proclamação da República, serão vividos no domingo, 15 de novembro: as eleições municipais nas cidades brasileiras e o Dia Mundial dos Pobres. A Proclamação da República explicita o sentido maior da democracia e as eleições municipais desafiam cada cidadão a escolhas qualificadas. Justamente nesta data, os cristãos católicos vivenciam o IV Dia Mundial dos Pobres, convocação inspirada pelo Papa Francisco, com um interpelante tema para este ano: “Estende a mão ao pobre” (Sir 7,32). A coincidência da data que envolve todos esses importantes acontecimentos estimula reflexões sobre a estreita relação entre eles. Reflexões que, a partir da cidadania, da democracia, no horizonte da Doutrina Social da Igreja, podem inspirar atitudes capazes de renovar o atual modelo econômico, sob os parâmetros do desenvolvimento integral.

Afinal, é de todos o desafio de superar rumos perversos e excludentes do atual contexto econômico, repleto de contradições, distante de parâmetros humanísticos. O ser humano não pode ser considerado apenas um consumidor ou simples peça de um sistema produtivo. Se essa perspectiva perdurar, a humanidade continuará a conviver com situações absurdas, a exemplo do que ocorre neste tempo de pandemia, quando poucos que já acumulam grande fortuna se enriquecem ainda mais, enquanto cresce a pobreza entre a grande maioria dos que nada possuem.  A elaboração de estratégias, de modo racional e humanitário, para efetivar nova lógica na economia é urgente. Há valores sociais dos quais não se pode abrir mão sob pena de serem agravados os vergonhosos cenários de pobreza e de exclusão social que ferem a humanidade. Por isso mesmo, no horizonte das eleições municipais, não se pode investir naqueles que se valem de plataformas eleitoreiras, retomando discursos repetitivos – e por isso mesmo estéreis – enlatando promessas, muitas inexequíveis, sem colocar as necessidades dos pobres em primeiro lugar.

O desenvolvimento esperado só pode ser alcançado quando a realidade dos mais pobres torna-se o ponto de partida. Assim é possível mudar cenários marcados pela assustadora desigualdade social. Não se pode cair na mazela de escolhas que aparentam trazer, com grande facilidade, a solução para graves problemas, a exemplo de propostas fundamentadas em um modelo de desenvolvimento agressivo e desrespeitoso com o meio ambiente, gerando riqueza ilusória para poucos bolsos e grandes passivos para toda a coletividade. O discernimento cidadão nas eleições precisa ser capaz de identificar e selecionar quem efetivamente se dispõe a estender a própria mão ao pobre.

“Estende a mão ao pobre”- o convite-convocação deste IV Dia Mundial dos Pobres, no domingo das eleições municipais, se torne a motivação para o comparecimento às urnas.  Que esse convite-convocação possa oferecer os parâmetros para a escolha de prefeitos e vereadores nos municípios. E o compromisso cidadão de votar adequadamente seja acompanhado por um gesto concreto de generosidade dedicado aos mais pobres. É hora de compor uma ladainha de obras do bem, estendendo a mão ao pobre, por proximidade e solidariedade, conforme pede o Papa Francisco.

A mão que se estende ao votar escolha quem pode ser mão estendida ao pobre – candidatos comprometidos a efetivar novas lógicas que levem ao desenvolvimento integral e sustentável. Homens e mulheres capazes de se comover pela pobreza, dispostos a servir toda a sociedade a partir de uma sensibilidade abrangente e inclusiva, promovendo a vida em todas as suas etapas, da concepção ao declínio com a morte natural.

CNBB

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Papa lembra pessoas separadas e sozinhas ajudadas pelo Serviço Jesuita

 


O Papa Francisco escreveu uma carta por ocasião dos 40 anos do Serviço Jesuíta das Refugiados (JRS), afirmando a importância de “vital estender a mão da amizade aos que estão sozinhos e separados de suas famílias”.

“Os meus pensamentos vão especialmente para os muitos homens, mulheres e crianças que recorrem ao JRS à procura de refúgio e assistência. Eles sabem que o Papa está próximo deles e das suas famílias e que se lembra deles nas suas orações. Este desejo intimamente cristão e inaciano, de cuidar do bem-estar de todos aqueles que se encontram em estado de profundo desespero, inspirou e orientou o trabalho do JRS nos últimos 40 anos”, escreve o Papa numa missiva endereçada ao jesuíta Thomas H. Smolich, diretor internacional do JRS, publicada hoje pelo site Vatican news.

Francisco recorda uma “história de 40 anos”, que começou com a fuga de barcos dos vietnamitas e se estende “até hoje, com a pandemia de coronavírus”.

“A pandemia deixou evidente que toda a família humana está ‘no mesmo barco’, enfrentando desafios económicos e sociais sem precedentes”, sublinha.

Numa ação presente em 56 países, servindo refugiados e deslocados forçados em zonas de conflito, locais de detenção, “fronteiras remotas e cidades lotadas”, o JRS presta “assistência pastoral e apoio psicossocial nos centros de detenção e nos campos de refugiados” e estende a sua ação humanitária a quadros de “deslocamento de emergência”.

“O vosso trabalho expressa o compromisso da Companhia de Jesus (os Jesuítas) de estar com os refugiados em todo o mundo (JRS)”, assinala, lembrando a inspiração do padre Pedro Arrupe, fundador do JRS,

O Papa indica como “tarefa vital de estender a mão da amizade aos que estão sozinhos, separados de suas famílias, ou abandonados, acompanhando-os e amplificando sua voz e, sobretudo, garantindo-lhes a oportunidade de crescer através de seus programas de educação e desenvolvimento”.

Francisco frisa que a criação de competências asseguradas por “programas de educação e subsistência” são uma oportunidade de integração em comunidades de destino e uma forma de criar “cultura do encontro”, base de uma “solidariedade autêntica e duradoura para o bem da família humana”.

“Olhando para o futuro, estou convencido de que nenhum retrocesso ou desafio, pessoal ou institucional, poderá distraí-los ou desanimá-los de responder generosamente ao chamado urgente de promover a cultura de proximidade e encontro através da defesa determinada dos direitos daqueles que vocês acompanham todos os dias”, finaliza a missiva.

JRS Portugal vai juntar-se a uma celebração, no sábado, dia 14, às 14h para evento que “vai contar com a presença de várias figuras internacionais” que marcam a ação no mundo; às 16h30, o padre Arturo Sosa, Superior-Geral da Companhia de Jesus, vai presidir a uma celebração eucaristica que pode ser acompanhada no link  http://bit.ly/40yearsofaccompaniment (zoom com limite para 300 pessoas)

LS


Agencia Eclessia

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Mais 1,5 mil venezuelanos são interiorizados por meio da Operação Acolhida

 


Operação Acolhida, criada para receber, abrigar e proteger os venezuelanos refugiados da crise provocada pelo regime da Venezuela, continua o trabalho de interiorização de migrantes. Somente em outubro, mais de 1,5 mil venezuelanos saíram dos abrigos de Boa Vista (RR) rumo ao interior do país.

Desde o início da operação, cerca de 43 mil venezuelanos foram interiorizados, mais de 39 mil somente na atual gestão do Governo Federal.

Jonathan Perez é um dos migrantes que buscou nova vida no Brasil. Há dois anos ele chegou ao país e estava nos abrigos de Boa Vista (RR). O novo destino é Curitiba (PR). “Estou muito feliz em ir para uma nova cidade. Minha esposa ficou em Roraima. Vou começar a trabalhar em um frigorífico e logo ela vai poder me encontrar”, relata Perez, durante o primeiro voo de avião. Ele foi um dos 125 interiorizados que seguiram em um voo para a capital paranaense em outubro.

“A Operação Acolhida é reconhecida mundialmente pela forma como recebe e oferece caminhos e oportunidades aos nossos vizinhos venezuelanos. Sabemos que eles enfrentam muitas dificuldades diante do regime em seu país. Aqui eles encontram suporte para uma vida nova”, afirma o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni

O Subcomitê Federal para Interiorização, coordenado pelo Ministério da Cidadania, é responsável pelo processo de aprovação da transferência dos imigrantes das cidades de fronteira para outros estados. Essa é a principal estratégia do Governo brasileiro para promover a inclusão socioeconômica daqueles que chegam.

“A Operação Acolhida é reconhecida mundialmente pela forma como recebe e oferece caminhos e oportunidades aos nossos vizinhos venezuelanos. Sabemos que eles enfrentam muitas dificuldades diante do regime em seu país. Aqui eles encontram suporte para uma vida nova”, afirma o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

Mais de 620 municípios nacionais participam do processo de interiorização e recebem venezuelanos. Entre as cidades que mais receberam refugiados estão Manaus (4.863), São Paulo (2.926) e Curitiba (2.791). Entre os estados, São Paulo (7.358), Paraná (6.829) e Rio Grande do Sul (5.838) se destacam.

O que é a Operação Acolhida?

A Operação Acolhida é uma grande força tarefa humanitária, coordenada pelo Governo Federal, composta por 11 ministérios, com apoio de agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e de mais de 100 entidades da sociedade civil, para oferecer assistência emergencial aos migrantes e refugiados que entram pela fronteira com Roraima. A estratégia de interiorização teve início em abril de 2018 e até o fim de julho foram interiorizadas mais de 39,8 mil pessoas em mais de 599 cidades brasileiras. Desde o início de 2020 foram interiorizados mais de 12,6 mil venezuelanos, o que representa um investimento do Governo Federal de R$ 630,9 milhões.


 Ministério da Cidadania

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ONU pede solução até 2024 para resolver situação de pessoas sem pátria no globo

 


O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, alertou que a pandemia de Covid-19 está piorando a situação de milhões de apátridas em todo o mundo. Em todo o mundo, existem cerca de 4,2 milhões de pessoas sem nacionalidade ou “pátria” definida por lei. 

Grandi marcou o sexto aniversário da campanha #IBelong, #EuPertenço em português, que visa acabar com a apatridia até 2024.  

Urgência 

Segundo ele, “a pandemia mostrou mais que nunca a necessidade de inclusão e a urgência para resolver” este problema.  Ele disse que a comunidade internacional deve “redobrar os esforços para resolver esta afronta à humanidade no século 21”. 

Sem acesso a direitos legais e serviços essenciais, muitos apátridas são politicamente e economicamente marginalizados, discriminados e vulneráveis ​​à exploração e abuso.  

Embora seja difícil obter dados globais, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur estima que existem cerca de 4,2 milhões de apátridas em 76 países, mas o número pode ser substancialmente maior. 

Testemunho 

Para marcar o aniversário da campanha, uma das histórias que o Acnur partilhou foi a de Maha Mamo. 

Ela é filha de sírios. A mãe é muçulmana e o pai cristão. Na Síria, as leis não permitem o casamento entre as duas religiões e por causa disto, o matrimônio não foi reconhecido e os filhos ficaram sem a cidadania síria. Neste vídeo para o Acnur, Maha conta como este fato afetou sua vida desde o nascimento. 

Segundo ela, a dificuldade vai desde as coisas mais simples na vida, como comprar um cartão de celular, dirigir um carro, ser sócio de uma biblioteca. Enfim, ela não podia fazer nada disso. 

Quando apátrida, ela costumava pensar que apenas ela, seu irmão e sua irmã estavam nessa situação, mas depois percebeu que existem milhões de pessoas com o mesmo problema. 

Por uma década, Maha Mamo e seus irmãos escreveram para vários pedindo um passaporte, mas apenas um resolveu atender.  

Ela lembra que em 2014, o Brasil abriu as portas para os refugiados sírios acolhendo a ela e os irmãos, que foram viver com uma família brasileira “recomeçando a vida do zero”.  

Cidadania

Dois anos depois, seu irmão morreu, com 26 anos, ainda apátrida. Nessa altura, ela lembra que decidiu não ser apátrida até morrer.   

A boa notícia chegou como surpresa em 4 de outubro de 2018, quando Maha visitava a ONU em Genebra para eventos sobre o tema. Ali, ela recebeu das mãos do Brasil e da ONU a notícia de que o Brasil a havia escolhido.   

Filippo Grandi pediu mais esforços para resolver o problema, Acnur/Georgina Goodwin

Ela diz que foi o dia em que nasceu de novo naquele momento em que colocou as mãos num passaporte brasileiro, que ostenta com orgulho assim como a bandeira do país com a qual se cobriu para fazer o vídeo. 

A nova cidadã diz se sentir “100% brasileira” ao pertencer a um país, e que todos têm o mesmo direito de pertencer. Para ela, a lição é de que nunca se deve perder a esperança. 

Progresso 

Desde o início da campanha Eu Pertenço, quase 350 mil apátridas adquiriram a nacionalidade em lugares como Quirguistão, Quênia, Tadjiquistão, Tailândia, Rússia, Suécia, Vietnã, Uzbequistão e Filipinas. 

Houve 25 adesões às duas Convenções da ONU sobre Apatridia, totalizando 94 países. Além disso, 16 países estabeleceram ou melhoraram procedimentos, alguns oferecendo um caminho facilitado para a cidadania. 

Outros oito Estados-membros alteraram suas leis de nacionalidade para conceder nacionalidade a crianças nascidas em seu território que, de outra forma, seriam apátridas, e dois países passaram a permitir que as mães atribuam a nacionalidade a seus filhos, em igualdade de condições com os pais. 

UNICEF/Brown
Refugiados da minoria Rohingya na fronteira entre Myanmar e Bangladesh.
Onu
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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Revisitando os 145 anos da imigração, documentário "Legado Italiano" estreia em 19 de novembro

 




Rodado no Rio Grande do Sul e na Itália, filme da diretora Marcia Monteiro será lançado em formato on demand em site exclusivo

Considerada um dos maiores fluxos migratórios da história, a imigração italiana ocorrida no final do século 19 é o pano de fundo de "Legado Italiano", documentário da diretora Marcia Monteiro que estreia no dia 19 de novembro. Produzido pela Camisa Listrada, em coprodução com Globo Filmes, GloboNews e Celeiro Produções, o longa será distribuído pela Lança Filmes em formato on demand (locação digital) pelo site exclusivo www.legadoitaliano.com.br.

Com cenários no Rio Grande do Sul (Serra Gaúcha e Vale do Caí) e no norte da Itália, "Legado Italiano" revisita, em 84 minutos, os 145 anos da imigração italiana para a Serra Gaúcha e os inúmeros legados deixados ao longo desse tempo. Uma verdadeira colcha de retalhos formada, entre outros, por temas como a religiosidade, a música, a gastronomia, a arquitetura, a indústria, o talian e o vinho, abordados a partir dos relatos dos descendentes de imigrantes da região. "A imigração é, ainda hoje, uma realidade em várias partes do mundo. Em muitos lugares ela está acontecendo neste exato momento", salienta Marcia, em sua estreia na direção.

O legado no Brasil

No Rio Grande do Sul, as filmagens ocorreram nas cidades de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Pinto Bandeira, São Sebastião do Caí e Vila Flores. Cada uma evidencia um dos temas desenvolvidos no filme.

Bento Gonçalves é o berço da vitivinicultura e do enoturismo da região, onde vinícolas criadas pelos primeiros imigrantes se mantêm até hoje. É onde se encontra o Vale dos Vinhedos, a primeira Denominação de Origem de vinhos do Brasil. "Foi onde presenciei a força do enoturismo como um desdobramento dessa história, para a manutenção das pessoas em suas terras, a continuidade do legado dos imigrantes", reforça a diretora.

Conhecida como a Capital Brasileira do Espumante, Garibaldi e seu interior - a "colônia" - guarda alguns tesouros, como a chamada Estrada do Sabor. No seu preservado centro histórico, lembranças do Vêneto. Em Garibaldi, foi desenvolvido, em 1913, o primeiro espumante brasileiro, que hoje se tornou a bebida ícone do Brasil.

Farroupilha representa a fé, o grande esteio desses imigrantes. A Romaria de Nossa Senhora de Caravaggio, realizada anualmente, há 141 edições, no dia 26 de maio, expressa toda a potência e o significado da religiosidade nessa região de colonização italiana. Já em Carlos Barbosa a equipe conheceu gente que não trabalhava com a uva e com o vinho, pois a cidade trilhou outros caminhos para seu desenvolvimento, como o turismo rural, que deu voz e empoderamento para muitas pessoas do lugar por meio de roteiros como L’Amore di Colônia e Recanto Bergamasco.

"Lembro que uma das coisas que me chamou atenção ao conhecer um pouco da cultura italiana foi perceber que a música tinha uma grande força como legado, como uma manutenção dessa tradição do canto trazida pelos ancestrais", recorda Marcia.

E foi em Flores da Cunha onde nasceu Angelo Giusti, compositor da letra de "La Mérica", conhecida popularmente como "Mérica Mérica", decretada em 2005 como o hino oficial da colonização italiana no Estado do Rio Grande do Sul. Essa musicalidade é tão presente que um dos atrativos turísticos da cidade recebeu o sugestivo nome de Compassos da Mérica Mérica, no qual cada propriedade visitada tem um totem com um refrão da música.

Caxias do Sul é palco das principais indústrias metalúrgicas que foram de fundamental importância na produção de material bélico durante a Segunda Guerra Mundial, da qual Brasil e Itália fizeram parte. E traz a Festa da Uva, sua grande bandeira, criada em 1931 numa tentativa de evolução da vitivinicultura brasileira. A celebração tornou-se uma tradição do município e é realizada até hoje.

Em Vila Flores, Marcia descobriu que o principal atrativo turístico era o filó. No pequeno município da Serra Gaúcha, ele pode ser vivenciado pelos visitantes. Um coral composto por homens, mulheres e jovens conta a história da imigração na região e, no final da apresentação, todos saboreiam uma grande mesa com as comidas típicas dos encontros realizados no passado: o grôstoli, o sagu com vinho e, como não poderia faltar, a polenta, em diferentes preparações.

Em Pinto Bandeira, a localização em altitude proporciona vinhos brancos incríveis e espumantes premiados. Essa mesma altitude permitiu a captação de tomadas aéreas que contemplam o filme com belíssimas paisagens.

A pequena Monte Belo do Sul, com sua pracinha e casas antigas preservadas, é lar de uma família de tanoeiros, profissão milenar que tem se tornado cada vez mais rara. E através de pai e filho conhecemos um pouco dessa arte de produzir os barris onde o vinho é armazenado. Em Nova Pádua, o cooperativismo, um grande marco da região, é representado por uma família que está na quarta geração de cooperativados.

Após cruzarem o Oceano Atlântico por mais de 40 dias, os imigrantes italianos ainda tinham uma longa viagem pela frente até chegarem à sua sonhada colônia. De Porto Alegre, seguiam em um barco menor até o último ponto navegável do Rio Caí. São Sebastião do Caí representa o importante rio e seu porto, que recepcionava os imigrantes com destino ao que hoje conhecemos como Serra Gaúcha.

Do outro lado do Atlântico, no país europeu, Marcia visitou as regiões do Trentino e do Vêneto, de onde saiu o maior número de imigrantes para o Brasil, e da Liguria, de onde partiam os navios a vapor com destino à América. Na Itália, a equipe esteve em Conegliano, Comunità della Vallagarina, Brentonico, Isera, Nogaredo, Rovereto, Terragnolo, Villa Lagarina, Castellano, Pedersano e Gênova.

Foram mais de 90 entrevistados no total. "O senhor Remy Valduga, por ser uma fonte inesgotável de conhecimento, me alimentou com informações e histórias. Ele me ofereceu seu livro "Sonho de Um Imigrante", em que conta a trajetória de seu antepassado para América, descrevendo com riqueza de detalhes desde a saída de Terragnolo, no Trentino, na velha Itália, até sua chegada e sua vida na Serra Gaúcha. E foi graças à tradução deste livro para o italiano, realizada por seu primo Luigi Valduga, que lá naquela região muitas pessoas tomaram conhecimento da existência desse pedacinho da Itália na Serra Gaúcha. Pois, na Itália, a história da imigração para o Brasil não é muito conhecida", enfatiza Marcia.

"Legado Italiano" tem produção e produção executiva de André Carreira, direção de fotografia de Elton Menezes e Dandy Marchetti e montagem de Pedro Vinícius. A trilha sonora original é assinada por Mú Carvalho, com violoncelo de Jaques Morelenbaum.

Patrocínio: Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (Segh) - Região Uva e Vinho e Rodoil. Apoio cultural: Salton, Peterlongo, Simonaggio e Giordani Turismo. Apoio de lançamento: Fecovinho.

egs.com.br

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Angolanos são agredidos e arrastados para fora de comércio de bebidas


Angolanos são agredidos e arrastados para fora de comércio de bebidas; vídeo
reprodução/redes sociais

Dois angolanos, de 26 e 27 anos, foram agredidos e arrastados para fora de um comércio de bebidas localizado no Jardim Aclimação, em Maringá. Imagens filmadas de um celular circularam nas redes sociais nesta semana – veja abaixo. A situação ocorreu no último sábado (7), e o boletim de ocorrência junto à Polícia Civil foi registrado nessa segunda-feira (9).

De acordo com o advogado das vítimas, Mário Alberton, seis ou sete pessoas agrediram os angolanos, sendo que ao menos dois eram funcionários do local.

Em entrevista ao GMC Online, a defesa explicou que os estrangeiros deixaram cinco cervejas pagas no estabelecimento e estavam consumindo nas proximidades, retirando uma garrafa de cada vez. Quando foram buscar a quarta cerveja, o segurança do comércio impediu uma das vítimas de entrar no local e, quando retornaram para pegar a quinta, foram agredidos sem motivo aparente.

“O segurança do local chamou os estrangeiros de ‘folgados’ e partiu para vias de fato, o que culminou nas agressões que vimos no vídeo. Naquela confusão não sabemos o que aconteceu, porque eles foram espancados, com chutes, socos e ‘mata-leão’, e arrastados desacordados”, detalha Alberton. 

Veja o vídeo de parte da agressão:

Quando recobraram a consciência, os estrangeiros pediram um carro por aplicativo e foram para casa. Um deles, que estava com agressões mais visíveis, ligou para o Samu e foi levado para o Hospital Universitário (HU), onde ficou internado até a manhã de domingo (8).

Segundo o advogado, cinco amigos das vítimas foram até o comércio de bebidas no domingo, dia 8, para obter informações sobre o ocorrido, e novas agressões ocorreram.

“Quando eles chegaram lá foram atendidos por uma das pessoas que também participou ativamente das agressões e pediram para falar com o gerente, mas por conta da demora, desistiram e chamaram um Uber para ir embora. Foi quando um ex-PM foi apresentado como gerente e já foi para cima deles, com socos e ofensas como: ‘preto’ e ‘volte para sua terra’. Eles foram embora no Uber e esse ex-PM ainda os seguiu e a Polícia Militar foi acionada”, relata Mário Alberton. 

O presidente da Associação dos Estrangeiros Residentes na Região Metropolitana de Maringá (Aerm), Ronelson Furtado, acompanhou as vítimas à delegacia e tem prestado todo o suporte.

“Levamos eles para a delegacia ontem [dia 9] para registrar o boletim de ocorrência, hoje fomos no IML para fazer exame de corpo de delito, amanhã vamos conversar com delegado de novo. Também queremos envolver o Conselho de Igualdade Racial, porque foi uma situação de racismo. Vamos procurar todos os órgãos possíveis para que o caso tenha um encaminhamento adequado e daremos o suporte psicológico às vítimas”, frisa.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Maringá. 

CBN

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

ONG exige inquérito independente sobre incidentes da Frontex com migrantes



A organização não-governamental Human Rights Watch exigiu hoje que a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas (Frontex) recorra a um "inquérito independente" sobre alegados incidentes com migrantes na chegada à União Europeia (UE).

"A Frontex deve estabelecer urgentemente um inquérito independente sobre as alegações do seu envolvimento em operações ilegais para impedir que os migrantes cheguem à UE", defendeu hoje a Human Rights Watch numa nota de imprensa.

Neste comunicado, divulgado um dia antes de a agência se reunir de forma extraordinária, a Human Rights Watch apontou também que a Frontex deve abordar nesse encontro "as violações graves e persistentes por parte dos agentes de fronteiras e de aplicação da lei dos países onde opera".

A investigadora da Human Rights Watch Eva Cossé disse, citada pelo comunicado, que "o facto de a Frontex se poder ter tornado cúmplice de abusos nas fronteiras da Grécia é extremamente grave".

Por essa razão, "a Comissão Europeia deveria abrir rapidamente um inquérito sobre o envolvimento da Frontex em abusos contra pessoas que procuram proteção contra conflitos e perseguições", bem como averiguar eventuais "ações para ignorar ou encobrir" este tipo de situações, adiantou Eva Cossé.

Esta posição surgiu depois da divulgação, no final de outubro, de uma investigação conjunta de vários órgãos de comunicação europeus, como o Der Spiegel e o Bellingcat, revelando que vários elementos da Frontex estiveram alegadamente envolvidos num incidente, em março, na fronteira entre a Grécia e a Turquia, que impediu vários refugiados de entrarem na UE.

Dias depois, a Frontex anunciou que iria fazer uma investigação interna sobre estes relatos jornalísticos do alegado envolvimento de funcionários seus nos incidentes.

"A Frontex [...] irá proceder a uma investigação interna sobre incidentes suspeitos que foram relatados recentemente na imprensa", indicou a agência em nota de imprensa.

Na ocasião, a estrutura assegurou que não tinham sido, até então, "encontrados documentos ou outro tipo de material que comprove qualquer tipo de acusação de violação da lei ou do código de conduta da Frontex por parte dos oficiais destacados".

O diretor da agência, Fabrice Leggeri, garantiu, também aquando desse comunicado, que a Frontex "mantém os mais altos padrões de guarda de fronteira" em todas as operações, razão pela qual não tolera "quaisquer violações dos direitos fundamentais".

portocanal.sapo.pt

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Canárias registam recorde de chegada de imigrantes e resgates no mar


As Canárias receberam este fim de semana 2.188 imigrantes chegados em barcos e caiaques, o que representa um duplo recorde, não havendo precedentes de uma afluência como esta em apenas 48 horas na história local.



Segundo números oficiais a que a agência espanhola teve acesso, no sábado foram resgatados no mar ou alcançaram a costa pelos próprios meios 1.461 imigrantes, em 33 barcos e caiaques, enquanto no domingo chegaram outros 727 a bordo de 25 embarcações.

A contagem realizada pelos diferentes serviços de segurança e emergência que intervêm nesta crise migratória atinge números que por vezes divergem, entre outros motivos, pelo critério que segue cada um para calcular os barcos que transitam entre dois dias, ou seja, aqueles cujos ocupantes foram resgatados, por exemplo, na última hora de domingo, mas chegaram com o Salvamento Marítimo a terra na madrugada de segunda-feira.

Num caso como este, a estatística oficial pela qual se regem os balanços quinzenais do Ministério do Interior assinala essas pessoas no dia em que foram resgatadas.

"Nunca vivemos algo assim, sobretudo como sábado", reconheceu hoje à EFE um elemento da Cruz Vermelha, veterano da crise dos caiaques de 2006-2007.

As cifras deste fim de semana elevam o balanço global do ano para cerca de 15.000 pessoas chegadas de barco às Canárias, ainda longe dos 31.678 imigrantes que desembarcaram nestas ilhas em 2006, mas fazendo com que 2020 vá ficar na história.

Desde que em 1996 chegou a Fuerteventura o primeiro barco de que se tem conhecimento nas Canárias, o ano em curso é o segundo mais intenso em fluxos de imigrantes de toda a história. Na crise de 2007, chegaram às ilhas 12.478 pessoas em situação irregular.

Foram estabelecidos três recordes: maior volume de chegadas num só dia, 07 de novembro, com 1.461, maior afluência em 48 horas seguidas, com 2.188 este fim de semana e mês com mais resgastesoutubro, com 5.328 pessoas.

Há que ter em conta que 11.000 dos 15.000 chegados este ano, chegaram nos últimos dois meses e meio.

A 01 de setembro, a estatística do Interior registava 3.933 imigrantes nas Canárias ao longo do ano.

O número acumulado 69 dias depois ronda os 15.000 (a última referência oficial foi dada na sexta-feira pelo presidente canarinoÁngel Víctor Torres, 12.743, aos quais se somam os dessa tarde e os 2.188 deste fim-de-semana).

O mesmo é dizer que, desde 01 de setembro, as Canárias receberam 160 imigrantes diários por barco, um ritmo que duplica o do ano de maior afluência da crise dos caiaques, cuja média foi de 87 diários.

Além do mais, a maior parte das chegadas do último mês -- e também do fim de semana, concentram-se numa única ilha, a Grande Canária, o que provocou que o acampamento de emergência do molhe de Arguineguín começasse o dia de hoje com 1.871 imigrantes à espera de serem identificados, de fazerem os testes de covid e de lhes destinarem um lugar na rede de acolhimento humanitário, já em sobrelotação.

Noticias minuto a minuto

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Migrantes celebram vitória de Biden na fronteira de México e EUA

 

MANIFESTAÇÃO EM TIJUANA APÓS O ANÚNCIO DA VITÓRIA DE JOE BIDEN NESTE SÁBADO 7. FOTO: GUILLERMO ARIAS/AFP

Com as bandeiras dos Estados Unidos e entusiasmo, ativistas e migrantes celebraram neste sábado 7 na cidade fronteiriça mexicana de Tijuana a vitória de Joe Biden como o novo presidente dos Estados Unidos, na esperança de que ele reverterá as políticas agressivas de imigração de Donald Trump.

“Celebramos o triunfo de Biden e a saída de Donald Trump”, disse o pastor Gustavo Banda, diretor do abrigo Iglesia Embajadores de Jesús em Tijuana, vizinho da americana San Diego, no estado mexicano de Baja California (noroeste).

Em Ciudad Juárez, na fronteira com o Texas e Novo México e cerca de 1.200 km a leste de Tijuana, diretores de abrigos e estrangeiros sem documentos celebraram vitória do democrata.

Acompanhado por adolescentes do Haiti e da América Central, Banda posicionou-se ao lado de uma das vias onde milhares de cidadãos ou residentes legais dos Estados Unidos cruzam diariamente de Tijuana a San Diego, Califórnia. Apoiadores de Biden agitaram bandeiras americanas e alguns motoristas juntaram-se à comemoração buzinando.

Uma jovem ativista pegou a bandeira, enrolou-a, amarrou-a no pulso direito e segurou-lhe a mão levantando-a na passagem da fronteira.

“Esperamos que esta nova presidência realmente respeite os direitos humanos”, disse Banda, cuja igreja abrigou centenas de migrantes haitianos que chegaram a Tijuana em 2017.

O pastor espera que com Biden “as famílias (que entram nos Estados Unidos irregularmente) não sejam mais separadas e que as crianças não fiquem mais enjauladas” nos centros de imigração dos Estados Unidos.

Em uma tentativa de conter o afluxo maciço de famílias da América Central à fronteira, o governo Trump permitiu que as crianças fossem separadas de seus pais.

Em Ciudad Juárez, Pedro Ruiz, um migrante cubano, expressou sua alegria à AFP. “Eu queria que Biden vencesse porque ele foi claro ao dizer que vai restaurar todo o sistema de refúgio”, disse o cubano de 51 anos por telefone.

Ruiz deixou seu país há quatro anos “devido à repressão política” e está há 19 meses no abrigo El Buen Samaritano em Ciudad Juárez.

Centenas de migrantes que residem nos 16 abrigos da cidade souberam dos resultados das eleições pela televisão ou pelo celular.

Muitos deles estão isolados desde março nessas residências devido à nova pandemia de coronavírus, explicaram seus gerentes.

Em janeiro de 2019, México e Washington selaram os Protocolos de Proteção ao Migrante, que estipula que os solicitantes de refúgio devem esperar no México para o processamento de seus pedidos nos Estados Unidos.

Carta Capital

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sábado, 7 de novembro de 2020

Papa: todos podemos dar sem esperar recompensa

 Na "Fratelli tutti", o Pontífice discorre sobre os desafios que a fraternidade nos coloca atualmente. Na relação entre irmãos e irmãs, há um elemento intrínseco: a gratuidade.

Todos podemos dar sem esperar recompensa, fazer o bem sem pretender outro tanto da pessoa que ajudamos. É aquilo que Jesus dizia aos seus discípulos: «Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8). #FratelliTutti

Esta é a mensagem do Papa Francisco proposta na sua conta oficial no Twitter. Extraída da encíclica “Fratelli tutti”, o trecho escolhido faz parte do capítulo IV, intitulado “Um coração aberto ao mundo”.

O Pontífice discorre sobre os desafios que a fraternidade nos coloca atualmente. Na relação entre irmãos e irmãs, há um elemento intrínseco: a gratuidade.

“Existe a gratuitidade: é a capacidade de fazer algumas coisas, pelo simples fato de serem boas, sem olhar a êxitos nem esperar receber imediatamente algo em troca. Isto permite acolher o estrangeiro, mesmo que não traga de imediato benefícios palpáveis. Mas há países que pretendem receber apenas cientistas ou investidores.

Quem não vive a gratuitidade fraterna, transforma a sua existência num comércio cheio de ansiedade: está sempre a medir aquilo que dá e o que recebe em troca. Em contrapartida, Deus dá de graça, chegando ao ponto de ajudar mesmo os que não são fiéis e «fazer com que o Sol se levante sobre os bons e os maus» (Mt 5, 45). Por isso, Jesus recomenda: «Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo» (Mt 6, 3-4). Recebemos a vida de graça; não pagamos por ela. De igual modo, todos podemos dar sem esperar recompensa, fazer o bem sem pretender outro tanto da pessoa que ajudamos. É aquilo que Jesus dizia aos seus discípulos: «Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8).

A verdadeira qualidade dos diferentes países do mundo mede-se por esta capacidade de pensar não só como país, mas também como família humana; e isto comprova-se sobretudo nos períodos críticos. Os nacionalismos fechados manifestam, em última análise, esta incapacidade de gratuitidade, a errada persuasão de que podem desenvolver-se à margem da ruína dos outros e que, fechando-se aos demais, estarão mais protegidos. O migrante é visto como um usurpador, que nada oferece. Assim, chega-se a pensar ingenuamente que os pobres são perigosos ou inúteis; e os poderosos, generosos benfeitores. Só poderá ter futuro uma cultura sociopolítica que inclua o acolhimento gratuito.”

Radio Vaticano 

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Jardins inovadores ajudam a melhorar alimentação de refugiados



Venancia Nibitanga surge atrás de sua casa com um punhado de vegetais verdes. Ela os lava cuidadosamente com água limpa e os corta em pedaços menores para cozinhar.


Sua filha de três anos observa com atenção. “Ela está sempre ao meu lado. Acho que um dia ela será uma ótima cozinheira, assim como a mãe”, ela ri.

Venancia, 35 anos, está entre as 1.300 famílias nos campos de refugiados da Tanzânia que estão envolvidas em um projeto de produção de vegetais que visa diversificar as dietas e melhorar a nutrição em casa.

O projeto, administrado conjuntamente pelo ACNUR, Agência  da ONU para Refugiados, e o Conselho de Refugiados da Dinamarca (Danish Refugee Council), está ajudando famílias como a de Venancia a criar jardins fechados estilo “buraco de fechadura” (keyhole gardens, em inglês) especiais, além de fornecer sementes de vegetais, ferramentas e treinamento em boas práticas agrícolas.

“Eles podem produzir alimentos o ano todo”

Esses “jardins fechados” são pequenos canteiros circulares elevados, feitos com materiais de baixo custo disponíveis localmente. Eles têm uma reentrância em forma de buraco de fechadura em um dos lados para permitir que os jardineiros adicionem restos de vegetais crus, água cinza e esterco em uma cesta de compostagem que fica no centro. Em comparação com as hortas normais, elas requerem menos mão-de-obra e água e nenhum fertilizante caro.

“Eles também podem produzir alimentos durante todo o ano, mesmo sob temperaturas extremas, e permitem a produção de pelo menos cinco variedades de vegetais por vez”, disse Oyella Agnes, gerente de área do Conselho de Refugiados Dinamarquês na Tanzânia. “Isso é fundamental para apoiar a diversidade alimentar. Também é tão prolífico que sua produção é mais do que suficiente para alimentar uma família de oito pessoas”.

Uma criança ri no campo de refugiados de Kigoma, na Tanzânia. © ACNUR/Clemence Eliah

Um jardim cresce fora de uma Unidade de Habitação para Refugiados no campo de refugiados de Kigoma, no oeste da Tanzânia. © ACNUR/Clemence Eliah

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Uma mulher no campo de refugiados de Kigoma, na Tanzânia, trabalha em um projeto de produção de vegetais que visa diversificar as dietas e melhorar a nutrição. © ACNUR/Christina John

Venancia Nibitanga, refugiada do Burundi, senta-se com sua filha mais nova do lado de fora de sua casa no campo de refugiados de Nduta, na Tanzânia. © ACNUR/Christina John

 

Venancia, uma mãe solteira de sete filhos, fugiu da crise política do Burundi há quatro anos, chegando à Tanzânia após uma tortuosa jornada de três dias. Antes do projeto, sua família dependia exclusivamente de uma quota de alimentos mensal distribuída nos campos, que acolhem cerca de 240.000 refugiados. A cota era apenas o suficiente.

“As crianças faziam uma única refeição por dia, sem vegetais”, explica Venancia, que muitas vezes temia que a cota acabasse antes do final do mês. “Agora eles têm mais o que comer e é nutritivo também.”

De acordo com estimativas preliminares do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, 41,5 milhões de pessoas no Leste e no Chifre da África enfrentam atualmente insegurança alimentar aguda por causa da pandemia de COVID-19. Em toda a região, os refugiados estão enfrentando cortes na cota de alimentos de até 30%.

“A alimentação é um direito humano básico”

Na Tanzânia, a quantidade de alimentos distribuídos aos refugiados nos últimos meses foi gradualmente reduzida para 72% das necessidades mensais totais da cesta de alimentos. A redução é em parte devido a um ajuste de custo para acomodar o aumento dos custos de distribuição que veio com a necessidade de mitigar o risco de transmissão de COVID-19.

O Programa Mundial de Alimentos precisa de US$ 21 milhões na Tanzânia para garantir que os refugiados possam receber suas cotas mensais completas de agora até março de 2021.

“A alimentação é um direito humano básico. Programas como esses dos jardins fornecem aos refugiados e outras populações deslocadas à força a oportunidade de cultivar seus próprios alimentos e contribuir para a restauração da dignidade humana: alimentação, autossuficiência e nutrição”, disse Antonio Canhandula, Representante do ACNUR na Tanzânia.

À medida que colhe os benefícios do projeto, Venancia deseja que outros também se beneficiem. “No início, eu costumava compartilhar meu excesso de vegetais com vizinhos que não tinham”, diz. “Agora, estou ensinando-os a estabelecer suas próprias hortas fechadas e a produzir sua própria comida. É fácil e todos podem fazer.”

Acnur

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