terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A imigração venezuelana em Roraima: situação e perspectivas

O ano de 2019 se foi e antigas dúvidas remanescem acerca da questão da imigração em massa de venezuelanos para o Brasil. O Estado de Roraima continua recebendo milhares de estrangeiros fugindo da miséria e falência institucional, e há alguns detalhes que necessitam ser compreendidos pela população brasileira, sobre o tema.
1. Os venezuelanos não optam pela saída de seu país por qualquer outro motivo que não seja o mínimo existencial. Famílias inteiras são impelidas pelas circunstâncias a uma autêntica fuga. Necessário que lhes tenhamos um olhar diferenciado, inclusivo e empático.
2. O Estado de Roraima não tem estrutura para receber tanta gente em tão pouco tempo. Nosso PIB é o menor do país e há poucas possibilidades de absorção do abrupto incremento da oferta de mão de obra pelo mercado local. Os serviços públicos estão sobrecarregados e não há possibilidades aritméticas de suprimento da crescente demanda.
3. Na Capital Boa Vista há 13 abrigos venezuelanos, cada um com até 1.100 venezuelanos de todas as idades. Não há nada parecido em outros países, mormente nos vizinhos latino-americanos, que também recebem muitas pessoas daquele país. Em cada abrigo, há três refeições diárias e cuidados médicos, o que demanda uma logística muito complexa.
4. As Forças Armadas brasileiras, principalmente o Exército, através da “Operação Acolhida” já são uma referência mundial em acolhimento humanitário e a estrutura que criaram em Roraima é algo que merece ser reproduzido em outros países.
5. O Estado de Roraima só tem acesso por rodovia com o Estado do Amazonas. Significa dizer que os venezuelanos que chegam a Roraima, podem ir por via terrestre, no máximo, até Manaus (AM), cerca de 800km. Após, há uma bela e gigantesca “muralha verde” que nos separa do restante do Brasil, transponível apenas por via fluvial (cinco dias até Belém, no Pará) ou por avião (quase três horas de voo entre Manaus e Brasília).
6. Há um problema matemático: Roraima é a porta de entrada dos imigrantes venezuelanos no Brasil, com um fluxo de entrada cerca de 550 pessoas ao dia, mas o programa de interiorização do Governo Federal, até julho deste ano havia atendido 15.000 – o equivalente a um mês - o que, por razões óbvias está longe de ser suficiente.
A crise venezuelana tem causado uma outra crise no Estado de Roraima. Dados publicados na imprensa indicam que quase 10% da população de Boa Vista (375.000) é de estrangeiros, cerca de 32.000. Há cerca de de 1.350 imigrantes vivendo em prédios públicos abandonados e outros 1.493 morando nas ruas da capital. A taxa de desemprego local saltou de 8% para 16%. Mais de 5.000 alunos filhos de venezuelanos estão matriculados na rede pública estadual e cerca de 50% dos leitos hospitalares estão ocupados por imigrantes. Aproximadamente 5% da população carcerária local é de venezuelanos.
Tais números podem não impressionar numa metrópole, mas são extremamente significativos para uma capital isolada geograficamente, ue abruptamente passa a conviver com dez por cento de sua população composta de imigrantes, muitos dos quais nas ruas e semáforos com cartazes dizendo “procuro trabajo”, não raro acompanhados de crianças pequenas - debaixo do causticante sol roraimense de mais de 30º.
Notícias de certos veículos de mídia nacional retratam os roraimenses como xenófobos e violentos agressores de imigrantes, o que é uma injusta mentira! Só quem aqui vive sabe o quanto dói ao boa-vistense o drama dos venezuelanos.
Já houve casos específicos de xenofobia e violência? Sim, e com a repressão jurídica à altura: há quem responda na justiça por tais crimes. Porém, o erro grotesco está na generalização e em manchetes sensacionalistas que alegam, sem dados concretos, que em Roraima “é comum” a agressão a venezuelanos. Não existe nenhum suposto “racismo institucional”, e aqui também se aplica a lei penal, também há bons policiais, magistrados e membros do Ministério Público que não se furtam ao dever legal. A título de exemplo, o Grupo de Atuação Especial de Minorias e Direitos Humanos do Ministério Público do Estado de Roraima tem acompanhado casos envolvendo imigrantes, focado no viés da proteção aos direitos fundamentais.
Igualmente, a população roraimense mostrou-se, nos últimos anos, solidária e acolhedora. Diariamente, incontáveis voluntários fazem e entregam refeições a imigrantes em situação de rua, grupos se mobilizam para recolher e doar roupas e artigos de higiene, profissionais fazem palestras e levam conhecimento para pessoas em abrigos, etc. Entretanto, o destaque negativo costuma render mais cliques na disputa pela audiência…
Por, fim, sobre o tema, o que esperar para 2020? Algumas despretensiosas propostas:
1. Que as ações de interiorização de imigrantes se intensifiquem: indiscutivelmente, em grandes centros urbanos, os venezuelanos terão melhores chances de absorção pelo mercado de trabalho e a possibilidade de uma vida digna para sua família.
2. Que os demais Estados brasileiros vejam a questão venezuelana, não como um problema do Estado de Roraima, mas como algo que afeta todo o Brasil.
3. Que os imigrantes venezuelanos sejam vistos com empatia e solidariedade: pessoas como nós, forçadas ao deslocamento, em busca de uma vida minimamente digna.
Consultor Jurídico

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Posto em Manaus (AM) atende mais de 5 mil refugiados e migrantes em dois mes

Com cerca de 224 mil venezuelanos no país, a coleta dos dados facilita a resposta local, apoia a adequação de serviços básicos como saúde, educação e abrigamento, e auxilia o mapeamento de fluxos de mobilidade internamente.
Para facilitar esses serviços em Manaus (AM), um novo Posto de Interiorização e Triagem foi inaugurado há dois meses para atender a comunidade refugiada e migrante, com serviços de documentação, registro, vacinação e encaminhamento para a estratégia de interiorização.
O registro e o acesso à documentação para refugiados e migrantes que estão no Brasil são duas atividades essenciais da resposta humanitária a esta população.
Com cerca de 224 mil venezuelanos no país, a coleta dos dados facilita a resposta local, apoia a adequação de serviços básicos como saúde, educação e abrigamento, e auxilia o mapeamento de fluxos de mobilidade internamente.
Para facilitar esses serviços em Manaus (AM), um novo Posto de Interiorização e Triagem foi inaugurado há dois meses para atender a comunidade refugiada e migrante, com serviços de documentação, registro, vacinação e encaminhamento para a estratégia de interiorização.
Criado no âmbito da Operação Acolhida após sua extensão para a capital amazonense, o espaço foi aprovado pelo Comitê de Assistência Emergencial do governo federal e reforça a resposta emergencial para refugiados e migrantes da Venezuela implementada pelo Brasil desde março de 2018 — com apoio da comunidade internacional, Nações Unidas, sociedade civil e setor privado.
O posto funciona em parceria com autoridades estaduais e municipais, agências da ONU e organizações não governamentais. Mais de 5 mil pessoas já foram atendidas no local desde sua inauguração. O trabalho da ONU tem o apoio do governo do Japão por meio de uma contribuição de 3,4 milhões de dólares feita ano passado.
Com este apoio, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem realizado o registro e a documentação de pessoas refugiadas no posto, e priorizado quem possui necessidades mais urgentes, ajudando encaminhamentos para a rede de proteção local e também a participação na estratégia de interiorização voluntária do governo federal.
Pelo posto passaram famílias como a de Marier, de 34 anos, e Francisco, de 32, que se deslocaram de Delta Amacuro, na Venezuela, em busca de melhores condições de vida para os filhos no Brasil.
Desde que chegaram ao país, em novembro de 2018, eles vêm se mantendo por meio da venda de produtos como trufas e outros serviços autônomos pela cidade. O casal decidiu ir ao posto obter a renovação anual da solicitação de reconhecimento da condição de refugiado, quando foi integrado à base de dados de registro do ACNUR.
“Aqui os serviços ficaram em um lugar só, o que facilita muito para a gente que mora em uma zona longe da cidade”, explica Marier, que é mãe de três filhos. “Tenho uma filha que precisa de atenção de saúde e não pode ficar se deslocando muito, então quando soubemos que aqui poderia fazer tudo, viemos fazer todos os procedimentos de uma vez”, ressalta.
O registro é feito eletronicamente, por meio de uma base de dados que armazena desde documentação básica da comunidade refugiada até dados biométricos. Uma entrevista identifica necessidades específicas e facilita encaminhamentos aos serviços especializados, permitindo gerir casos de registro a soluções mais duradouras. O procedimento é uma parte essencial da estratégia de interiorização do governo federal.
Esses procedimentos representaram uma oportunidade para Darwin, de 29 anos, e para Orlen, de 36, que estão em Manaus desde abril e desejam ir para o Rio Grande do Sul. Vindos de Anzoatégui, na Venezuela, eles participaram da avaliação de aptidão para a viagem, onde são conferidos detalhes como vacinas, documentos e condições no local de destino.
“Temos conhecidos que já foram e conseguiram se estabelecer por lá, então queremos viajar para tentar morar em outra cidade mais próxima deles”, explica Darwin, que em Manaus trabalha com serviços de agronomia. Nessa etapa preparatória, um médico emite parecer sobre condições de saúde, e ACNUR e Organização Internacional para as Migrações (OIM) participam do acompanhamento.
“O Brasil vem oferecendo a todos os venezuelanos a oportunidade de obter status legal, acessar serviços públicos e mudar de lugar para onde possam ter melhores oportunidades de integração. É um exemplo não apenas para a região, mas para o mundo inteiro”, destaca Nicolás Rodríguez Serna, oficial de campo do ACNUR em Manaus.

Documentação

Atualmente, os três serviços mais acessados no posto são relacionados à solicitação de refúgio, solicitação de residência temporária e emissão de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
Desde sua inauguração, em novembro do ano passado, cerca de 5,7 mil pessoas já passaram pelo posto da Polícia Federal no local. O órgão é responsável pelas solicitações de refúgio e residência temporária.
Desse total, mais de 2 mil pedidos de refúgio foram feitos, além de outros 2,5 mil pedidos de residência temporária. Também foram realizadas mais de 1,2 mil renovações de solicitação.
Cerca de 5,3 mil CPFs já foram emitidos pela Receita Federal. Um documento útil para pessoas como Lyl, de 31 anos, e Luis, de 34, que viajaram dois dias de ônibus da cidade de Barcelona, na Venezuela, para Manaus. Eles encontraram no posto uma forma de obter documentos para acessar o mercado de trabalho no Brasil, como o CPF, que atualmente já está vinculado à emissão da carteira de trabalho digital.
“Nossa meta é arranjar um trabalho com carteira (assinada), viver uma nova vida com nossas filhas. Sou cozinheiro, mas também trabalho como pintor e quero muito arranjar um emprego fixo em Manaus ou outra cidade, por isso queremos a documentação”, explica Luis, que havia chegado às 7h no espaço.
Com parte da família já em Curitiba (PR), o casal também aguardava para aderir à estratégia de interiorização, que lhes possibilitará estabelecer-se no Sul do país com as duas filhas.
“Queremos recomeçar perto da nossa família, obter um trabalho, colocar nossas filhas na escola. Vamos atrás de nova chance e de uma nova casa no sul para reiniciar nossa vida”, conta Lyl Yelitz, que está com a família há quatro meses no Brasil.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Do outro lado da fronteira

Harlen e sua filha, Camilla. Foto: UNFPA/Yareidy Perdomo
Harlen e sua filha, Camilla. Foto: UNFPA/Yareidy Perdomo
Quem olha para a venezuelana Harlen Barrios, de 31 anos, natural de Bolívar, sabe reconhecer o excelente desempenho que hoje ela tem na atenção e acolhimento às pessoas refugiadas e migrantes que chegam à Operação Acolhida em Pacaraima (RR). Nem imaginam que, há menos de dois anos, ela estava do outro lado da fronteira.
Harlen é enfermeira de formação, profissão que exerceu na Venezuela de 2010 a 2018, quando decidiu atravessar a fronteira e chegar ao Brasil. Apesar de um amplo histórico profissional, ela enfrentava difícil situação financeira no país.
Tudo isso se tornou preocupação, estresse e depressão. Quando estava em Santa Elena de Uairén, cidade fronteiriça com o Brasil, Harlen tomou conhecimento sobre a Operação Acolhida em Pacaraima, da qual, posteriormente, se tornaria voluntária.
“O começo foi extremamente difícil, porque eu não entendia nada da língua, mas continuei interagindo nos espaços em que podia trabalhar como voluntária”, diz. Harlen tinha uma necessidade urgente de trazer a sua filha Camilla para que ela continuasse estudando.
Após um momento de grande tensão, que envolveu o fechamento inesperado das fronteiras, Harlen encontrou um lugar para morar formalmente com sua filha no Brasil, o que permitiu à menina continuar estudando sem interrupção.
Harlen começou a trabalhar para a organização Visão Mundial, em um projeto em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), na fronteira entre os dois países.
“Orientam pessoas que, como eu, chegam ao Brasil, fazem visitas às comunidades indígenas e outros espaços, eram organizados e comunicativos, e todas essas coisas eu observava com admiração”, afirma.
Quando se trata de enfrentar novos desafios, especialmente no contexto de deslocamento forçado, o processo de integração pode ser difícil. Harlen e Camilia viveram dias de mudanças repentinas.
“Não sei quantos dias choramos, mas choramos muito no começo, lutamos tanto para chegar a esse momento (…). Para Camila, foi muito difícil integrar-se à escola, fomos discriminadas por ser venezuelanas, e isso dificultou a integração dela com o idioma, a cultura, a escola, além de todas as mudanças pelas quais estava passando”, completa Harlen.
Apesar do preconceito e da xenofobia, Harlen e Camila continuaram sendo resilientes e persistentes. O relacionamento e a integração de sua filha com a escola melhoraram notavelmente, e Harlen percebeu isso em seu desempenho acadêmico e integração na sala de aula.
Hoje Harlen faz parte da equipe do UNFPA em Pacaraima, atuando como assistente de campo 1, dando atenção a refugiados e migrantes que chegam à fronteira com a Venezuela.
“Foi uma experiência enriquecedora, me faz crescer pessoal e profissionalmente dia a dia, estamos aprendendo constantemente e, para mim, representa mais do que uma equipe de trabalho, é uma oportunidade que nos permitiu avançar”, diz ela.
Na assistência humanitária em Roraima, o UNFPA conta com espaços amigáveis, onde é prestada atenção a refugiados e migrantes, por meio de orientações, informações e escuta especializada, que podem apoiar as pessoas que chegam em condições de vulnerabilidade social, especificamente, mulheres viajando sozinhas ou com filhos, mulheres grávidas e lactantes, adolescentes, população LGBTI, população indígena, idosos e pessoas com deficiência.
Nesses espaços, os assistentes de campo desenvolvem um trabalho importante. Harlen é uma das mulheres mobilizadoras comunitárias, garantindo que as pessoas tenham acesso a informações sobre serviços de saúde, saúde sexual e reprodutiva, direitos e prevenção de violência de gênero no Brasil.
“Acredito que o UNFPA é uma agência que ajuda a transformar vidas, e digo isso por minha própria experiência, porque está transformando a minha vida”, resume.
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Relatório mostra as cidades mais favoráveis para imigrantes nos Estados Unidos

As cidades do meio-oeste estão liderando o país no fornecimento de oportunidades para comunidades de imigrantes, e Chicago está em primeiro lugar, de acordo com um relatório divulgado na semana passada.
O New American Economy, um grupo de pesquisa bipartidário dedicado à reforma da imigração, lançou seu segundo ‘Índice de Cidades’, que avalia o apoio dado pelas 100 maiores cidades aos imigrantes. Este ano, Chicago ficou em primeiro lugar, seguido por Chula Vista (CA); Jersey City (NJ); e San Francisco (CA).
“Estamos orgulhosos de Chicago ter sido nomeada a cidade mais acolhedora da América para imigrantes e refugiados”, disse a prefeita de Chicago Lori Lightfoot. “Este ranking reflete o trabalho apaixonado e dedicado de inúmeros funcionários públicos e membros da comunidade em toda a nossa cidade que se uniram para defender e lutar pelos direitos de nossas comunidades de imigrantes e refugiados, não importa o custo”.
Michael Bloomberg, Rupert Murdoch e outros executivos corporativos lançaram o New American Economy em 2010 como uma coalizão dedicada a reformular uma reforma de imigração como solução para reparar e estimular a economia americana. O grupo tem como objetivo proteger as fronteiras e impedir a imigração ilegal, criar mais oportunidades para os imigrantes se juntarem à força de trabalho dos EUA, e criar um caminho para a legalização de todos os imigrantes.
O índice anual do grupo usa 51 fatores para determinar o quão bem as cidades estão criando ambientes que ajudam os imigrantes a serem bem-sucedidos, incluindo as políticas de acesso ao idioma de uma cidade, taxas de emprego e de proprietários de casas e muito mais.
Andrew Lim, diretor de pesquisa quantitativa da New American Economy, disse que Chicago ficou no topo este ano porque a cidade criou um ambiente jurídico inclusivo e adotou políticas de apoio a imigrantes indocumentados e beneficiários do DACA. Como outras grandes cidades, no entanto, Chicago não conseguiu fornecer acesso a moradias populares e igualdade de renda.
Os imigrantes representam mais de um quinto da população de Chicago, segundo estimativas da cidade. Em 2016, os imigrantes detinham quase um quarto do poder de compra entre os moradores da cidade, faturavam quase US$17 bilhões em renda familiar e pagavam US $ 6 bilhões em impostos em 2016. Naquele ano, quase 20 mil indivíduos elegíveis ao DACA estavam morando em Chicago.
Além de Chicaco, Cleveland, Milwaukee e Toledo estavam entre as cidades cujas pontuações melhoraram mais em relação ao ano passado. Com informações do USA Today.
Veja quais são as cidades mais amigáveis para imigrantes:
1.Chicago, IL
2.Chula Vista, CA
3.Jersey City, NJ
4.San Francisco, CA
5.Baltimore, MD
6.New York, NY
7.Anaheim, CA / Newark, NJ / San Jose, CA (empate)
8.Los Angeles, CA / Portland, OR (empate)
9.Filadélfia, PA
10.Washington, D.C.
11.Cleveland, OH
12.Cincinnati, OH / Greensboro, NC / San Diego, CA (empate)
13.Seattle, WA
14.Detroit, MI
15.Fremont, CA / Riverside, CA / Sacramento, CA (empate)
16.Irvine, CA
17.Albuquerque, NM / Milwaukee, WI / Oakland, CA (empate)
Gazeta News
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Refugiada afegã quebra barreiras para realizar sonho de ser médica

O monitor cardíaco produz uma batida lenta e constante, enquanto um grupo de médicos se reúne em torno de uma mesa de operação. A luz ilumina o estômago de uma mulher.
Com um aceno de cabeça, a Dra. Saleema Rehman sinaliza que está pronta.
Refugiada afegã no Paquistão, a jovem de 28 anos enfrentou uma vida inteira de barreiras em sua busca por educação. Leia o relato da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Saleema trata mães e bebês no Holy Family Hospital, Paquistão. Foto: ACNUR/Roger Arnold
Saleema trata mães e bebês no Holy Family Hospital, Paquistão. Foto: ACNUR/Roger Arnold
O monitor cardíaco produz uma batida lenta e constante, enquanto um grupo de médicos se reúne em torno de uma mesa de operação. A luz ilumina o estômago de uma mulher.
Com um aceno de cabeça, a Dra. Saleema Rehman sinaliza que está pronta.
Refugiada afegã no Paquistão, a jovem de 28 anos enfrentou uma vida inteira de barreiras em sua busca por educação.
Agora, após quase três décadas de estudo, Saleema superou as adversidades para se tornar a primeira médica refugiada turquemena no Paquistão. Dentro de algumas horas, ela removerá um cisto ovariano e transformará a vida de sua paciente.
“Tenho o dever de ajudar as mulheres”, diz calorosamente. “Me sinto muito sortuda. Na minha comunidade, muitas meninas não têm essa oportunidade. Eu acho que estava escrito no meu destino.”
Esse senso de dever a levou a se especializar em ginecologia. Todos os dias, ela traz ao mundo cerca de cinco bebês no Holy Family Hospital de Rawalpindi e cuida de 40 mulheres em cada ala, muitas das quais vivem na pobreza. O tratamento é gratuito. No entanto, cada cama comporta dois pacientes e ela trabalha longos turnos para atender a todos.
“Às vezes jantamos às duas da manhã”, diz, da sala de funcionários do hospital. Sua prioridade são as pessoas, e ela oferece água a um colega exausto e o envolve com um cobertor em volta dos ombros. “Temos que deixar de lado nossa fome.”
Saleema lutou muito ao longo da vida para chegar até aqui.
A jovem cresceu na comunidade de refugiados turquemenos no noroeste do Paquistão, onde as expectativas culturais e a insegurança fizeram com que enfrentasse uma batalha interminável em busca de educação. Como refugiada, essa batalha era dupla – mas ela não estava sozinha.
Seu pai, que fugiu do Afeganistão aos 13 anos, estava ao seu lado a cada passo. Ele ajudou a abrir escolas locais e defendeu a educação de meninas. De dia, ele vendia bananas para manter vivo o sonho de sua filha. À noite, desenhava tapetes.
Eventualmente, após anos, uma bolsa de estudos oferecida pelo Paquistão abriu as portas para a carreira médica de Saleema.
“Saleema se candidatou por três anos consecutivos a bolsas médicas”, diz seu pai Abdul, de 49 anos. “Ela estava sempre lutando para realizar seu sonho. Enfrentamos muitos desafios de nossos ancestrais, que disseram que não deveríamos mandar crianças para a escola, mas finalmente vencemos. Temos o fruto pelo qual lutamos muito.”
Três anos após sua colocação no Hospital Holy Family, Saleema está florescendo. Sua supervisora, Humaira Bilqis, ajudou a cultivar seu talento.
“Ela é muito especial”, afirma a médica ginecologista. “Ela lutou muito durante a vida. Qualquer que seja o desafio que damos a ela, ela nunca diz não – dia ou noite – ela não hesita. Ela nunca me decepcionou. Tenho muito orgulho dela.”
“Eu não sabia que ela era uma refugiada”, acrescenta, transbordando de orgulho. “Eu não a vejo como tal. Nunca pensamos nela como não paquistanesa. Ela é uma de nós. Ela é um trunfo para o país. Depois de saber, tenho ainda mais orgulho dela.”
No ano que vem, Saleema finalmente terminará sua especialização em ginecologia. Mas, como refugiada, seu futuro como médica no Paquistão é incerto.
“O treinamento é permitido, os estudos são permitidos”, diz. “Mas o que fazer depois? Se o governo do Paquistão permitir a prática de refugiados afegãos aqui, podemos ser muito úteis à nossa comunidade e também posso trabalhar para os paquistaneses. ”
Se Saleema for bem-sucedida, ela espera inspirar outras meninas refugiadas.
“Sempre que vou para casa, as mulheres vêm até mim e dizem que se sentem muito orgulhosas. Estou muito feliz com a ideia de que talvez suas ideias mudem e elas mandem as filhas para a escola. Eu quero que as meninas estudem. Isso fará a diferença para as próximas gerações. ”
“Até minha própria sobrinha quer ser médica”, acrescenta, rindo. “Ela sempre pega meu estetoscópio. Ela me chama de doutora tia.”
Os esforços para aproximar refugiados e comunidades anfitriãs fazem parte de uma abordagem mais ampla para lidar com o deslocamento e melhorar a inclusão socioeconômica e a autonomia dos refugiados.
Enquanto isso, Saleema continuará a servir sua comunidade e algumas das pessoas mais pobres do Paquistão. Finalmente, a promessa de seu pai foi cumprida.
“Não esperávamos que ela sobrevivesse ao nascimento”, diz Abdul. “O bebê estava de cabeça para baixo. Prometi que, menino ou menina, faria dele um médico quando crescesse. Nós a chamamos de doutora Saleema desde que ela tinha três anos.”
“Se há algum problema na minha comunidade, me chamam porque eu tenho uma filha que é médica. É um grande sentimento de orgulho para nós. Saleema é um exemplo para o Paquistão, para a nossa comunidade e para o Afeganistão. Ela é um exemplo para as pessoas.”
Onu
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Número de migrantes duplicou em 10 anos

Em 2019 registam-se pelo menos 272 milhões de migrantes no mundo, o que representa 3,5% da população mundial.
Migrantes na ilha de Lesbos, Outubro de 2019.
Dos 68,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar as suas casas por causa de conflitos, perseguições ou violência, 25,4 milhões são refugiadas, 40 milhões estão deslocadas internamente nos próprios países e 3,1 milhões pediram asilo político e metade das pessoas refugiadas são crianças.
No ano passado Miguel Duarte foi acusado de auxílio à imigração ilegal. O activista português membro do colectivo Hub (Humans before Borders) continua à espera que saia uma acusação formal.
A 18 de Dezembro, O secretário-geral das nações unidas alertou para o facto de existirem narrativas “prejudiciais e falsas” sobre o tema.
Este mês, as Nações Unidas organizaram a primeira edição do Fórum Global para Refugiados. 770 promessas foram feitas para garantir maiores compromissos de inclusão dos refugiados e das comunidades em que vivem.
Em 2019 a encenadora Christiane Jathay voltou a revisar a “Odisseia” de Homero, uma ficção com mais de três mil anos, para contar mais sobre o mundo no qual vivemos. Na peça "agora que demora", a segunda peça sobre a temática do exílio e migrações, Christiane Jatahy cria um espetáculo poético e político onde mistura cinema e teatro através testemunhos reais de refugiados.
Todas as prioridades nacionais em questões de migração são mais facilmente alcançadas através da cooperação internacional. Todos os migrantes têm direito à mesma proteção de todos os direitos humanos. Esses princípios estão consagrados no pacto Global para Migrações Segura, Ordenada e Regular.
No entanto, ouvimos muitas vezes narrativas sobre migrantes que são prejudiciais e falsas. E muitas vezes somos testemunhas de migrantes que enfrentam dificuldades indescritíveis como resultado de políticas pautas pelo medo mais do que por fatos.
RFI
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Qual a situação da a implementação dos acordos migratórios dos EUA

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As tensões na fronteira sul dos Estados Unidos devido à chegada de migrantes este ano resultaram em acordos com o México e com os países do Triângulo Norte da América Central, que, sob pressão, concordaram em colaborar para tentar interromper o fluxo de pessoas que vão para a fronteira fugindo da violência e pobreza.
No entanto, a implementação de tais acordos, incluindo o possível envio de solicitantes de asilo para a Guatemala, levanta vários questionamentos.
O número de migrantes detidos na fronteira sul dos Estados Unidos totalizou quase um milhão de pessoas no ano fiscal de 2019, terminando em setembro.
Esse número quase dobrou o do ano fiscal anterior e gerou fortes tensões entre Washington e os países do sul, que acabaram assinando acordos forçados para reduzir o fluxo.
Com a chegada de migrantes em caravanas, muitas famílias da América Central que pediam asilo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciou uma "invasão".
Em maio, o número de detidos após cruzar a fronteira com os Estados Unidos atingiu o pico de 144.000 pessoas, o que levou o governo Trump a forçar que México, Honduras, El Salvador e Guatemala assinassem acordos para receber migrantes.
Com o México, os Estados Unidos selaram os Protocolos de Proteção aos Migrantes (MPP), que determinam que os solicitantes de asilo que chegam à fronteira comum devem esperar naquele país para que o processo seja colocado em andamento.
Os pactos com os três países do Triângulo Norte da América Central determinam que aqueles que aspiram a pedir asilo nos Estados Unidos e passem por essas nações devem fazer seu pedido lá e esperar.
Depois de fechar os acordos, o governo Trump retomou a assistência financeira suspensa em março até que medidas fossem adotadas para conter a migração.
Depois que Trump ameaçou impor tarifas sobre as importações do México em maio, o governo de Andrés Manuel López Obrador enviou milhares de agentes para a fronteira.
Desde então, o número de migrantes detidos ou retirdos nos Estados Unidos caiu mais de três vezes, para 45.000 em outubro e 42.000 em novembro.
"Políticas como permanecer no México e acordos com países inseguros estabelecem um processo que é uma farsa que visa a garantir que os solicitantes de asilo nem sequer tenham a oportunidade de se inscrever", disse à AFP Daniella Burgi-Palomino, especialista do grupo de trabalho ONGs da América Latina.
Os acordos com os países da América Central, publicados no Federal Register em 19 de novembro, estão sendo implementados.
Nessa publicação, as autoridades americanas salientaram que existem 474.327 pedidos de asilo pendentes, metade de pessoas de Honduras, El Salvador e Guatemala.
- Tremendo de frio -
O chefe interino do Departamento de Segurança Interna, Ken Cuccinelli, disse na semana passada que "quando o acordo de imigração é implementado com a Guatemala, a Casa Branca está considerando enviar candidatos a asilo de todas as populações, incluindo cidadãos mexicanos para esse país".
A Liga de Congressistas da América Latina (CHC) condenou na terça-feira essa possibilidade.
"Isso colocará em risco as mesmas famílias que chegam à fronteira em busca de proteção", disse o presidente desta liga, o democrata Joaquin Castro.
Ele avalia que essa iniciativa, juntamente com a política de permanência de migrantes estrangeiros no México, "impedirá virtualmente todos os solicitantes de asilo a procurar refúgio nos Estados Unidos".
O Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) não respondeu a uma pergunta da AFP sobre a implementação dos acordos.
O sistema de asilo dos Estados Unidos "está sendo desmantelado", disse Burgi-Palomino.
"Há famílias que estão passando as festas tremendo de frio em campos de refugiados improvisados no lado mexicano da fronteira. Eles são sequestrados e torturados na frente de seus próprios filhos porque são forçados a esperar", disse a especialista.
- Fracasso -
Randy Capps, especialista do Migration Policy Institute, definiu essa situação como "uma falha do sistema de asilo dos Estados Unidos".
O especialista se perguntou por quanto tempo o governo mexicano pode conter dezenas de milhares de migrantes na fronteira, com um destacamento de milhares de agentes.
Segundo os dados da Comissão Mexicana de Assistência aos Refugiados, onde os pedidos de proteção são processados, houve 26.000 pedidos entre janeiro e novembro de 2018 e 66.000 no mesmo período deste ano.
"Se houver muitos requerentes de asilo [nos Estados Unidos] bloqueados no México e a situação se tornar muito instável, o governo mexicano poderá ser forçado a mudar de rumo", disse Capps.
Esse cenário, no entanto, só ocorrerá diante de uma deterioração "dramática" da situação que levaria o governo mexicano a arriscar "irritar" os Estados Unidos.
 AFP
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Portugueses salvaram mais de 2.200 migrantes em 2019

Os últimos números da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelam que 101.704 migrantes chegaram à Europa via mar.

As equipas da Polícia Marítima em missão na Grécia resgataram em 2019 das águas do Mar Egeu 2.251 migrantes, de diferentes nacionalidades, que tentam entrar na Europa numa travessia entre a costa da Turquia e as ilhas gregas.
De acordo com a nota enviada à redação, a equipa da Polícia Marítima que se encontra em missão na ilha de Lesbos, realizou 330 ações de patrulha no mar, tendo salvo 2.170 migrantes. Já a viatura de Vigilância Costeira apoiou 43 resgates, realizando 310 ações de vigilância.
Até ao final de 2019, a Polícia Marítima integrada na operação POSEIDON, desde 2014, já detetou e retirou a salvo das águas do Mar Egeu mais de 7.000 migrantes.

A Polícia Marítima encontra-se integrada na operação POSEIDON, sob égide da agência europeia FRONTEX e em apoio à guarda-costeira grega, com o objetivo de controlar e vigiar as fronteiras marítimas gregas e externas da União Europeia, no combate ao crime transfronteiriço, no âmbito das funções de guarda-costeira europeia.
Os últimos números da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelam que 101.704 migrantes chegaram à Europa via mar, havendo 1.246 dados como desaparecidos, presumivelmente mortos.
Renascença 
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Semana da migração nos EUA: por uma Igreja e um mundo para todos

70 milhões de pessoas no mundo obrigadas a deixar suas casas por instabilidade política, violência e outras razões
São recordados 4 verbos usados pelo Papa em tema de imigração: acolher, proteger, promover, integrar; com a exortação a enfrentar a globalização da indiferença. Também se recorda que os católicos são chamados a estar com os imigrados e refugiados como irmãos e irmãs, que acolher migrantes é parte do ensinamento social católico e reflete a tradição bíblica de acolher o estrangeiro

Uma ocasião para “refletir sobre as circunstâncias em que se encontram os migrantes, os refugiados, as crianças, as vítimas e os sobreviventes do tráfico de seres humanos”. Com essa finalidade a Igreja católica nos EUA celebra há quase meio século a Semana nacional da migração

“Promover uma Igreja e um mundo para todos” é o tema central da Semana da migração 2020, que se realiza de 5 a 11 de janeiro, e quer chamar a atenção sobre o fato de que “cada uma das nossas famílias tem uma história de migração, algumas recentes e outras no passado distante”.
“Independentemente de onde somos e de onde somos provenientes, permanecemos parte da família humana e somos chamados a viver em solidariedade uns com os outros”, lê-se no comunicado no site da Conferência Episcopal Estadunidense.

Não olhemos para os migrantes como desconhecidos

No texto se nota que em nossa cultura contemporânea muitas vezes não conseguimos ver os migrantes como pessoas e que olhamos para eles como desconhecidos, permanecemos distantes ou temerosos em relação aos mesmos. Esta Semana, ao invés, convida a aproveitar a oportunidade de envolvê-los, como amigos.
Para fazer isso examinaremos o papel importante que o acolhimento desempenha na vida dos imigrados e dos refugiados não acompanhados, evidenciando as paróquias organizadas para acolher os refugiados do Serviço migrantes e refugiados da Conferência episcopal, e também “examinaremos as iniciativas locais que estão dando contribuições importantes nesse sentido” – lê-se.

Papa Francisco: acolher, proteger, promover e integrar

No dossiê são recordados 4 verbos-chave usados pelo Papa Francisco em tema de imigração: acolher, proteger, promover, integrar; com a exortação a enfrentar a globalização da indiferença.
Também se recorda que os católicos são chamados a estar com os imigrados e refugiados como irmãos e irmãs, que acolher os migrantes é parte do ensinamento social católico e reflete a tradição bíblica de acolher o estrangeiro.

Várias iniciativas

Substancialmente, convida a ser solidários com migrantes e refugiados ressaltando que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a deixar suas casas por motivo de instabilidade política, violência e outras razões.
São também apresentadas várias iniciativas para envolver a comunidade local: da celebração de missa por ocasião desta Semana a momentos de formação, como os já existentes para ajudar as crianças imigradas e os refugiados
Radio Vaticano
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